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INSTITUTO SUPERIOR MUTASA

Curso de Direito

Cadeira de Direito Administrativo II

Turma A periodo manhã

Discentes: Docente:
Alifa Machueji Kapoca
Aníbal Samuel Banze ________________
João Francisco Mulhanga
Fatima Carlos Mulungo
Mandinho António Sede
Manuel João Panguana

Maputo: 2021
Índice

Introdução.................................................................................................................01

Conceito legal de contrato administrativo.................................................................02

Origem histórica e razão de ser do contrato administrativo.......................................03

Admissilidade da figura do contrato no direito público..............................................04

Âmbito da figura do contrato administrativo.............................................................05

Categorias de contratos administrativos.......................................................................06


Utilização do contrato administrativo...........................................................................07
Classificação dos contratos administrativos..................................................................08

Conclusão...................................................................................................................09

Referências bibliográficas...........................................................................................10
1-Introdução

Neste tema, irá se aborda sobre o contrato administrativo em várias vertentes, e temos que
ter em conta que a maior característica do contrato é elas são bilaterais porque, realizado o
acordo, surgem direitos e obrigações recíprocas para ambos os contratantes. É oneroso
porque remunerado na forma convencionada. É comutativo porque estabelece compensações
recíprocas e equivalentes para as partes.

Sendo assim o Contrato administrativo ou contrato público é o instrumento dado à


administração pública para dirigir-se e atuar perante seus administrados sempre que necessite
adquirir bens ou serviços dos particulares. Contrato é o acordo recíproco de vontades que tem
por fim gerar obrigações recíprocas entre os contratantes.

2-Conceito legal de contrato administrativo

O contrato administrativo é, assim, um modo de exercício da função administrativa.


Compreende-se por isso, que o respectivo regime jurídico seja traçado pelo Direito
Administrativo. Neste sentido, o contrato administrativo é o acordo de vontade pelo qual é
constituída ou extinta uma relação jurídica administrativa.

3-Origem histórica e razão de ser do contrato administrativo

O recurso à colaboração contratual de particulares constitui, como lembra Marques Guedes,


um expediente largamente utilizado desde a antiguidade. A história do Direito romano regista
-o como processo de criar receitas para o erário e confiar a pessoas particulares o desempenho
de funções púbicas.

Esta última utilização tinha a dupla vantagem de libertar a administração do fardo de uma
organização dispendiosa, e de lhe permitir ao mesmo tempo fixar com antecipação o
montante dos reditos a receber. Parece não ter sido outro o motivo da multiplicação das
societas pubicanonum, poderosas e florescentes empresas que no período da Republica e nos
primeiros tempos do Império foram as concessionárias da lavra de minas, da cobrança de
impostos, da exploração de alfândegas, de portos, de salinas, de estradas, de pontes, de
aquedutos, e outras obras públicas.

Depois, no período medieval, a mesma tarefa foi, em alguns países, entregue, por contrato, a
particulares, a própria guerra foi, também não raras vezes, executada por empresários de
guerra privada.

Nos finais do sec. XIX e começos do sec. XX, a necessidade sentida pelos poderes públicos de
fazer funcionar os mais importantes serviços de carácter econômico – transportes colectivos
urbanos e interurbanos, iluminação pública das cidades, por outro lado, a escassez de capitais
daqueles poderes para os assegurarem directamente, por outro lado, e finalmente o facto de,
do ponto de vista político – econômico, dominar o princípio da não intervenção do Estado na
actividade econômica fizeram com que se desenvolvesse muito a figura do contato de
concessão, por forca do qual a construção e a exploração de obras públicas eram transferidas
para empresários particulares.

Em 1910, novo caso foi submetido a jurisdição da mais alta instancia do contencioso Frances:
O concessionário de transporte colectivo em "carros eletrônicos" foi obrigado, pelo município
de uma cidade em expansão, a criar novas linhas de trafego que o contrato não previa. A
câmara argumentou que o interesse público exigia a criação das novas linhas; o concessionário
contra – argumentou que só estava obrigado a proporcionar as linhas previstas no contrato. O
Conselho de Estado deu razão ao município, reafirmando a existência do poder de modificação
unilateral do conteúdo das prestações dos contratos administrativos pela administração
pública.

Enfim, em 1916, como consequência da guerra mundial então em curso, o carvão sofreu uma
grande subida dos seus preços logo os concessionários de iluminação a gás alegaram que não
podiam prosseguir com a exploração do serviço público continuando a aplicar as tarefas
previstas no contato de concessão. O município argumentava, aqui, ser necessário os
concessionários cumprirem a letra o estipulado no contrato, mantenho os preços, os
contraentes particulares reclamavam, diferentemente, uma subida dos preços ou um subsidio
da Câmara para poderem continuar a cumprir as suas obrigações. O Conselho de Estado desta
vez deu razão aos particulares, reconhecendo – lhes o direito de obterem as compensações
pretendidas. A doutrina concluiu que tinha sido feita aplicação de um princípio inexistente no
direito civil, o princípio do equilíbrio financeiro do contrato, em caso de modificação do Assim
nasceu em Franca, de onde se espalhou para vários outros países europeus, especialmente
Portugal e Espanha, e também sul – americanos.

A teoria dos contratos administrativos que passou a contribuir uma traves mestras onde da
parte geral do Direito Administrativo nos países onde vigora um sistema de administração
executiva, ou de tipo francês.

Os pontos essências dessa teoria que se podem enumerar, a luz da origem histórica da figura
que deixamos sumariamente traçada, são os seguintes:

-Nem todos os contratos celebrado entre a Administração e os particulares são contratos


direitos privado e pertencentes a competência dos tribunais comuns: muitos são contratos de
direito público, regulados pelo Direito Administrativo e pertencentes a competência dos
tribunais administrativos: são os chamados contratos administrativos;

-Elemento essencial do regime jurídico destes contratos administrativos é a possibilidade de o


conteúdo das suas prestações ser alterado, durante a execução do contrato, para a satisfação
de novas exigências do interesse público;

-O princípio do equilíbrio financeiro do contrato deve ser sempre respeitado, de tal forma que
o interesse público não seja satisfeito à custa dos legítimos interesses dos particulares, nem
estes possam sobrepor – se a necessária garantia do primeiro.

Mas, uma vez chegados aqui, e verificando o carácter especial, singular ou exorbitante, do
regime do contrato administrativo – exorbitante (entenda - se) em comparação com as regras
aplicáveis aos contratos de direito privado, os autores começaram a colocar u certo número d
dividas e interrogações.
A primeira delas foi esta: será admissível, do ponto de vista do Direito, conceber a figura do
contrato no âmbito do direito público? Não se tratara de duas nações incompatíveis entre si?
Ou, por outras palavras: serão os chamados contratos administrativos verdadeiros contratos.

4-Admissilidade da figura do contrato no direito publico

Alguns autores, sobretudo alemães (Jellinet,Fleiner, Laband, Otto Mayer), entendiam que a
figura do contrato era incompatível com o espirito e a essência do contrato público : só no
direito privado é que seria possível encontrar e construir a figura do contrato.

Porquê?

Em primeiro lugar, dizia – se que o Estado é soberano e, portanto, não se pode vincular por
contrato a um particular.

Em segundo lugar, sustentava – se que o contrato pressupõe a igualdade jurídica entre as


partes, e essa igualdade só pode existir no abito do direito privado, já que, por definição no
direito público não há igualdade jurídica entre as partes, posto que o Estado não se pode
demitir da sua autoridade

Em terceiro lugar, alegava – se que, quanto muito, pode aceitar – se a existência de uma figura
especifica do direito público, mas essencialmente diversa do contrato propriamente dito,
característico do direito privado. Segundo estes autores o contrato de direito público não seria
afinal, mais do que uma soma de dois actos unilaterais a saber, um acto administrativo
unilateral da administração, seguido da aceitação do particular, a qual configuraria, por sua voz
um acto jurídico unilateral de direito privado a isto responderam os partidários da
admissibilidade da figura do contrato propriamente dito, do contrato autentico e genuíno, no
âmbito do direito público, pela forma seguinte.

Em primeiro lugar, é não esquecer deste logo que nem toda administração pública é o Estado:
efetivamente, ao lado dele, existe outras entidades públicas dotadas de personalidade jurídica
própria e que não são soberanas (por ex., as autarquias locais).

Por outro lado, o Estado, quando actua no âmbito do direito administrativo, não é o Estado-
soberano, mas sim o Estado-administração. Todavia, ainda que o faça, não se poderia negar a
possibilidade e a legitimidade de o Estado ver a sua soberania, está a negar-se o próprio
fundamento de todo o direito público, e sabemos que há pelo menos dois séculos desde a
Revolução Francesa-que se aceita pacificamente na Europa a ideia de que a sua soberania do
Estado pode e deve ser juridicamente limitada. Como ensinava Marcello Caetano, quando o
Estado entra em relações jurídicas com os cidadãos, isso quer dizer que a autoridade dos
órgãos que nelas se representa está sujeita a observância de normas de direito em virtude das
quais assume, e se compromete a cumprir, obrigações. Aliás, e como sabemos já pela teoria
dos actos administrativos constitutivos de direito ou de interesses legalmente protegidos, o
Estado pode ficar vinculado perante os particulares por meio de um acto unilateral.

O contrato administrativo não é um contrato baseado na estrita igualdade jurídica entre as


partes: há aspectos em que a administração pública tem poderes de supremacia sobre o
contrato particular (o poder de modificação unilateral do conteúdo das prestações do co-
contratante), e há aspectos em que a administração pública fica sujeita a restrições especiais,
que os particulares, em regra, não tem quando entres si se contratam (o dever de fazer
anteceder a celebração do contrato da realização de um complexo procedimento tendente a
escolha do co-contratante).

Ora, pode concluir-se que, na generalidade dos contratos administrativos, o processo negocial
não conduz a pratica de um acto unilateral seguido de outro acto unilateral, mais, sim, e
diferentemente, a celebração de um acordo vontades, ou seja, a pratica de um único acto
bilateral: há portanto contrato, e não outra figura jurídica.

5-Ȃmbito da figura do contrato administrativo

A importância actual do contrato administrativo decorre, desde logo, do seu âmbito de


aplicação, ou seja, da determinação dos tipos contratuais legalmente admissíveis e das
condições em que a administração, para prosseguir as suas atribuições, pode recorrer a via
contratual.

É uma questão que se prende não apenas com o conceito de contrato administrativo, mas
também com as possibilidades da sua utilização e que foi muito discutida no direito Português.

Em pouco mais de um século, passou-se de um sistema enumeração taxativa- só são contratos


administrativos aqueles que, como tal, sejam qualificados pela lei-para o sistema de clausula
geral- são contratos administrativos todos aqueles que correspondam ao factores de
administratividade legalmente previstos.

Acresce que o recurso a via contratual no exercício da função administrativa passou a ser
admitido genericamente, mesmo como, alternativas a pratica de actos administrativos
(contratos administrativos com objeto passível de acto administrativo) ou a celebração de
contratos de direito privado (contratos administrativos com objeto passível de contrato de
direto privado).

Na prossecução das suas atribuições ou de seus fins, os contraentes públicos (desde logo,
aqueles que sejam entidades públicas) podem celebrar quaisquer contratos administrativos,
salvo se outra coisa resultar da lei ou da natureza das relações a estabelecer.

6-Categorias de contratos administrativos


Sem prejuízo do disposto em lei especial, reveste a natureza de contrato administrativo o acordo
de vontades, independentemente da sua forma ou designação, celebrado entre contraentes
públicos e co-contraentes ou somente entre contraentes públicos, que se integre em qualquer
uma das seguintes categorias:

a) Contratos que, por força do presente código, da lei ou da vontade das partes, sejam
classificadas com contratos administrativos ou submetidos a um regime substantivo de direito
público;

b) Contrato com objeto passível de acto administrativo e demais contratos sobre o exercício
poderes públicos;

c) Contratos que confirmam ao co-contraentes direitos especiais sobre coisas públicas ou o


exercício de funções dos órgãos do contraente público;
d) Contratos que a lei submeta, ou que admita que sejam submetidos, a um procedimento de
formação regulado por de direito público e em que a prestação do co-contratante possa
condicionar ou substituir, de forma relevante, a realização das atribuições do contraente público.

7-Utilização do contrato administrativo


Como referido o artigo 278 do CCP confere a administração uma habilitação genérica para, é
vista da prossecução das suas atribuições, recorrer a via contratual. Os únicos limites são a lei e
a natureza das relações a estabelecer.
Se não existe nenhuma disposição legal que proíba expressa ou implicitamente (através da
imposição da utilização do acto administrativo) o recurso a figura do contrato administrativo, e
se, por outro lado, a natureza da reação a estabelecer for compatível com tal forma de atuação
(o que não sucederá, tipicamente, no domínio sancionatório), a Administração pode, em
princípio, utilizar o modulo contratual em alternativa ao acto administrativo para constituir,
modificar ou extinguir relações jurídicas administrativas.

8-Classificação dos contratos administrativos


São possíveis várias classificações dos contratos administrativos. Foquemos as principais:

a) Contrato entre a administração e particulares, entre entidades públicas, e entre


particulares. – esta classificação atende aos sujeitos do contrato administrativo.
b) Contratos de colaboração e de atribuição. – atende –se aqui ao critério do fim, ou da
causa-função.
c) Contrato de subordinação e de comparação. – esta definição atende posição relativa
dos contraentes no equilíbrio contratual.
d) Contratos primários e secundários. – A exemplo do que vimos suceder com os actos
administrativos, também os contratos administrativos podem dividir-se em primários e
secundários.
e) Contratos administrativos típicos e atípicos. –Considera-se típicos aqueles contratos
administrativos que se encontram definidos e caracterizados por lei. São, pelo
contrários, atípicos aqueles contratos administrativos que a lei não define nem
caracteriza, mas que Administração pública pode legalmente configurar.
f) Contratos administrativos com objeto passível de acto administrativo e com objeto
passível de contrato de direito privado. – esta classificação dos contratos
administrativos, já abordada supra, proposta doutrinariamente entre nós por Sérvulo
Correia para contratos atípicos, chama a atenção para uma curiosa dualidade do
objeto dos contratos administrativos.

9- Conclusão

O contrato administrativo é exigido na prestação de serviços públicos e na utilização privativa


de bem público, tem como característica a presença da administração como Poder Público,
visando sempre através do instrumento contratual a consecução de uma finalidade pública.

O contrato administrativo tem as seguintes características: formal, oneroso, comutativo e


intuito personae. É formal porque deve ser formulado por escrito e nos termos previstos em
lei.Oneroso porque impõe ou está sujeito a ônus; que está relacionados aos encargos e
obrigações,oneroso implica gastos, despesas, ônusou dispendioso. Comutativo porque são as
partes do contrato compensadas reciprocamente. Intuito personae porque a escolha do
emprego é feita de forma individual, ou por interesse pessoal.

10-Referências bibliográficas

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13ª ed. São Paulo: Atlas, 2001.

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