Você está na página 1de 93

Construção Civil

Leitura e Interpretação de Desenho


Construção Civil
4
Formação continuada

Desenhista técnico
Formação continuada

Desenhista técnico

2006

Organização do conteúdo Luiz Henrique Piovezan

Revisão técnica Luiz Carlos Gonçalves Tinoco


Mario Sakai
Vânia Aparecida Caneschi
Sumário

Introdução ..............................................................................5
Desenho artístico edesenho técnico ....................................7
O desenho e a linguagemarquitetônica...............................9
Material de desenho técnico...............................................15
Caligrafia ..............................................................................27
Carimbo ................................................................................29
Linhas ...................................................................................30
Construções geométricas ...................................................32
Perspectivas .........................................................................40
Projeção ortográfica desólidos geométricos.....................49
Desenho de arquitetura .....................................................58
Escala ....................................................................................64
Cotas ....................................................................................68
Plantaresidencial .................................................................72
Convenções .........................................................................75
Abreviações..........................................................................81
Referências bibliográficas ...................................................89
4
Introdução

Esta apostila refere-se ao curso Desenhista técnico que visa


proporcionar qualificação de nível básico a profissionais que
atuarão com desenho de arquitetura, estrutura e instalações.

Os conteúdos do curso são:


• Desenho técnico: materiais; instrumentos; caligrafia técnica;
normas de desenho técnico; escalas; cotagem; representação
gráfica; perspectiva isométrica; projeção ortográfica;
• Desenho de arquitetura: plantas; cortes; fachadas; escada;
telhado e detalhamento do banheiro;
• Instalações: elétrica (locação dos pontos, eletrodutos e fiação)
e hidráulica (água fria e esgoto) e perspectiva isométrica;
• Estruturas: plantas (locação, fôrmas); blocos de fundação.

5
Desenho artístico e
desenho técnico

O homem se comunica por vários meios. Os mais impor-


tantes são a fala, a escrita e o desenho.

O desenho artístico é uma forma de representar as idéias e


os pensamentos de quem desenhou. Por meio do desenho
artístico é possível conhecer e mesmo reconstituir a história
dos povos antigos. Ainda pelo desenho artístico é possível
conhecer a técnica de representar desses povos.

Detalhes dos desenhos das cavernas.

7
O desenho técnico é assim chamado por ser um tipo de
representação usado por profissionais de uma área téc-
nica: mecânica, marcenaria, serralharia, etc. Ele surgiu da
necessidade de representar com precisão máquinas, peças,
ferramentas e outros instrumentos de trabalho.

Atualmente existem muitas formas de representar tecnica-


mente um objeto. Essas formas foram criadas com o correr
do tempo, à medida que o homem desenvolvia seu modo
de vida. Uma dessas formas é a perspectiva.

Perspectiva é a técnica de representar objetos e situações


como eles são vistos na realidade, de acordo com sua po-
sição, forma e tamanho.
Pela perspectiva pode-se também ter a idéia do comprimen-
to, da largura e da altura daquilo que é representado.

Você deve ter notado que estas representações foram feitas


de acordo com a posição de quem desenhou.

Também foram resguardadas as formas e as proporções do


que foi representado.

8
O desenho e a linguagem
arquitetônica

A expressão linguagem arquitetônica se refere ao conjunto


de elementos que dão à composição arquitetônica, enquanto
expressão artística e manifestação da vontade humana, um
certo ordenamento sintático, morfológico e semântico.

Os arquitetos não pretendem com sua obra passar “men-


sagens” concretas, traduzíveis em palavras, através do
domínio da gramática e da sintaxe das formas e do espaço,
mas do contrário, transmitir ao usuário da arquitetura uma
determinada experiência abstrata.

Desenho e projeto

O desenho arquitetônico é um desenho voltado para a exe-


cução e representação de projetos de Arquitetura.

O desenho de arquitetura, portanto, manifesta-se como um


código para uma linguagem, estabelecida entre o emissor
(o desenhista ou projetista) e o receptor (o leitor do projeto).
Dessa forma, seu entendimento envolve um certo nível de
treinamento.

Por este motivo, este tipo de desenho costuma ser uma dis-
ciplina importante nos primeiros períodos das faculdades
de arquitetura e em cursos técnicos. Também costuma se
constituir em uma profissão própria, sendo os desenhistas
técnicos comuns nos escritórios de projeto.

Etapas de um projeto

Normalmente a complexidade e quantidade de informações de


um desenho variam de acordo com a etapa do projeto. Apesar
de existirem etapas intermediárias de projeto, as apresenta-
9
das a seguir normalmente são as mais comuns, pelas quais
passam praticamente todos os grandes projetos:
• estudo preliminar;
• anteprojeto;
• projeto básico;
• projeto legal;
• projeto executivo;
• “as built” ou “como construído”.

Estudo preliminar

Nesta etapa o profissional coloca em prática toda a sua


criação, a partir de um programa de necessidades predeter-
minado ou fornecido pelo cliente, na maioria das vezes em
uma entrevista e outros estudos complementares (pesquisa
em orgãos públicos e levantamento de dados em geral).

A escala utilizada para esta fase do projeto é a de 1:100 ou


1:50, o grafismo é livre, quase sempre realizado sem ins-
trumentais, à mão livre.

10
Anteprojeto

Nesta fase o estudo preliminar por parte do profissional já


está definido, passando assim a ser mostrado para o cliente
para futura aprovação, quase sempre são feitas alterações
tantas quantas necessárias para definirmos o projeto a ser
executado, o grafismo pode ser à mão livre ou com instru-
mentais, a planta de layout é a que recebe o mobiliário para
dar noção ao cliente do uso do espaço no edifício, o arquiteto
ainda lança mão de recursos plásticos como a pintura de
plantas, perspectivas internas e externas. A escala usada
é: 1:100 ou 1:50.

11
Projeto básico

Nesta etapa, com as várias características do projeto já defini-


das (implantação, estrutura, elementos construtivos, organiza-
ção funcional, etc.), o desenho já abrange um nível maior de
rigor e detalhamento. No entanto, não costuma ser necessário
informar uma quantidade muito grande, nem muito trabalha-
da, de detalhes da construção. Em um projeto residencial, por
exemplo, costuma-se trabalhar nas escalas 1:100 ou 1:50.

Projeto legal

Corresponde ao conjunto de desenhos que é encaminhado aos


órgãos públicos de fiscalização de edifícios. Por este motivo,
possui algumas regras próprias de apresentação, variando de
cidade em cidade. Costuma-se trabalhar na escala 1:100.

Projeto executivo

Esta etapa corresponde à confecção dos desenhos que são


encaminhados à obra, sendo, portanto, a mais trabalhada.
Devem ser desenhados todos os detalhes do edifício, com um
nível de complexidade adequado à realização da construção.
O projeto executivo costuma ser trabalhado em escala 1:50,
assim como seu detalhamento é elaborado em escalas como
1:20, 1:10, 1:5 e eventualmente, 1:1.

Como construído (as built)

Contém as modificações introduzidas pela execução das obras,


de modo a servir como memória gráfica (e/ou eletrônica) e
refletir a caracterização real do objeto “como construído”.

O espaço e a arquitetura

Como as questões relativas à linguagem aplicam-se aos diver-


sos campos da expressão humana, é preciso limitar o campo de
atuação da linguagem da arquitetura. Este campo de trabalho
é o espaço. É no espaço que a arquitetura efetivamente se ma-
nifesta e no qual os seus elementos podem ser arranjados.

A linguagem da arquitetura, portanto, é sinteticamente o


espaço.
12
Os invólucros formais que definem o espaço (as paredes de
uma construção, por exemplo), do ponto de vista da lingua-
gem, são considerados não um fim mas um instrumento:
as alterações que se fazem neles têm como fim a alteração
do espaço percebido pelo homem. Assim, não é suficiente
apenas a representação em desenhos.

Maquete

É o protótipo de um projeto ou parte dele a fim de validar


determinados aspectos (modelo visual) ou comportamentos
(modelo funcional).

A representação pode ser em tamanho real ou em uma


escala dada.

As maquetes são usadas freqüentemente no mundo pro-


fissional da construção: maquete de implantação, maquete
da edificação, maquete de decoração, etc.

13
Maquete eletrônica

A maquete eletrônica é qualquer representação virtual de


edifício a construir, com a finalidade de demonstrar como
seriam a aparência, cores, volumes e materiais de um edi-
fício ou qualquer projeto arquitetônico, urbanístico ou de
desenho industrial mesmo antes dele ser construído.

Normalmente é feita por Arquitetos, Projetistas ou Desenhis-


tas, utilizando-se diversos softwares, e apresenta distintos
níveis de detalhamento, podendo ser meramente esquemá-
tica ou detalhada e foto-realista.
14
Material de desenho técnico

O conhecimento do material de desenho técnico e os cuidados


com ele são fundamentais para a execução de um bom traba-
lho. A maneira correta de utilizar esse material também, pois as
qualidades e defeitos adquiridos pelo estudante, no primeiro
momento em que começa a desenhar, poderão refletir-se em
toda a sua vida profissional. Os principais materiais de desenho
técnico são: o papel, o lápis, a borracha e a régua.

Papéis

O papel é um dos componentes básicos do material de


desenho. Ele tem formato básico, padronizado pela ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas). Esse formato
é o A0 (A zero) do qual derivam outros formatos.

Formatos da série “A” (unidade: mm).

Formato Dimensão Margem direita Margem esquerda

A0 841 x 1189 10 25

A1 594 x 841 10 25

A2 420 x 594 7 25

A3 297 x 420 7 25

A4 210 x 297 7 25

O formato básico A0:


• tem área de 1m2;
• seus lados medem 841mm x 1189mm.

Do formato básico derivam os demais


formatos.

15
Quando o formato do papel é maior que A4, é necessário
fazer o dobramento para que o formato final seja A4.

16
Dobramento

Efetua-se o dobramento a partir do lado direito, em dobras


verticais de 185mm.

17
18
19
20
Lápis

O lápis é um instrumento de desenho para traçar. Ele tem ca-


racterísticas especiais e não pode ser confundido com o lápis
usado para fazer anotações costumeiras.

A ponta do lápis deve ter entre 4 e 7mm de grafita desco-


berta e 18mm de madeira em forma de cone.

Características e denominações dos lápis

Os lápis são classificados em macios, médios e duros con-


forme a dureza das grafitas. Eles são denominados por letras
ou com numerais e letras.

Macios

7B 6B 5B 4B 3B 2B

Médios

B HB F H 2H 3H

Duros

4H 5H 6H 7H 8H 9H

O lápis deve ser segurado entre o polegar e o dedo indicador


a cerca de 4 a 5 centímetros da ponta, de modo que a mão
fique apoiada no dedo mínimo e a ponta do lápis esteja
bem visível.

21
Sempre puxar o lápis e nunca empurrar.

Põe-se o lápis encostado no esquadro ou na régua paralela


em posição quase perpendicular ao papel, com pequena
inclinacão no sentido do movimento.

O melhor movimento é o que, além de puxar, gire o lápis


entre os dedos – assim, a ponta gasta-se por igual e o traço
é uniforme. Nos traços longos a espessura ficará variável
se isto não for feito.

O traço grosso não depende de fazer mais força – para


acentuar (tornar mais grossa) uma linha é preferível não
apertar o lápis contra o papel e sim, repassar duas ou três
vezes o mesmo traço.

Borracha

A borracha é um instrumento de desenho que serve para


apagar. Ela deve ser macia, flexível para facilitar o trabalho
de apagar.

A maneira correta de apagar é fixar o papel com uma mão


e com a outra esfregar a borracha nos dois sentidos sobre
o que se quer apagar.

Régua graduada e escalímetro

A régua e o escalímetro são instrumentos de desenho que


servem para medir o modelo e transportar as medidas ob-
tidas no papel. Devem ser utilizados apenas para medição e
nunca como apoio para traçar retas ou para cortar papel.

Marque as medidas por meio de pequenos traços sobre


uma reta já desenhada e nunca por meio de pontos isola-
22
dos e ainda, faz-se à parte a soma de cada medida com a
anterior e marca-se este local, conservando fixo o zero da
régua graduada ou do escalímetro.

Em desenhos de precisão a régua deve ficar inclinada, apro-


ximando a graduação e o papel. Pode-se, ainda, fechar um
olho para maior segurança da medição.

Prancheta

A prancheta é um quadro plano usado como suporte do papel


para desenhar. Há vários tipos de prancheta. Algumas são
colocadas sobre mesas e outras são apoiadas em cavaletes.

23
Fixação do papel na prancheta

Para fixar o papel na prancheta é necessário usar a régua


paralela, esquadro e a fita adesiva.

Esquadro

O esquadro é um instrumento que tem a forma do triângulo


retângulo e é usado para traçar linhas retas verticais e incli-
nadas. Os esquadros podem ser de 45° e de 60°.

O esquadro de 45° tem um ângulo de 90° e os outros dois


ângulos de 45°.

24
O esquadro de 60° tem um ângulo de 90°, um de 60° e outro
de 30°.

Um esquadro pode servir de apoio se não for movimentado.


Ele será utilizado para apoio ao traçar retas. Evite arrastar o
esquadro para cima de onde acabou de desenhar, desenhe
sempre no sentido que o leve para a parte ainda não traçada.
Isso ajuda a evitar um trabalho sujo.

Os esquadros são adquiridos aos pares: um de 45° e outro de


60°. Ao adquirir-se um par de esquadros deve-se observar que
o lado oposto ao ângulo de 90° do esquadro de 45° seja igual
ao lado oposto ao ângulo de 60° do esquadro de 60°.

25
Compasso

O compasso é um instrumento usado para traçar circun-


ferências e arcos de circunferência, tomar e transportar
medidas.

O compasso é composto de uma cabeça, hastes, um suporte


para fixar a ponta-seca e um suporte para fixar a grafita.

26
Caligrafia

Caligrafia técnica

Caligrafia técnica é o conjunto de caracteres usados para


escrever em desenho. A caligrafia deve ser legível e facil-
mente desenhável.

As letras complementam as figuras e, por isto, serão feitas


depois de concluído o desenho.

A caligrafia inclinada não é recomendada, sua altura mínima


é de 3mm e o espaçamento entre linhas deve ser igual ou
superior a 3mm.

Veja a seguir como fazer o desenho simplificado de letras:


• escolha a altura (h) das letras maiúsculas;
• divida a altura em 3 partes iguais;
• trace a pauta e acrescete 1/3 para baixo;
• o corpo das letras minúsculas ocupa 2/3 da altura e a perna
ou haste ocupa 1/3 para cima, ou para baixo.

A habilidade para se fazer bem as letras só se obtém pela


prática contínua e cuidadosa. Pode ser adquirida por qual-
quer pessoa que pratique com perseverança e inteligência,
observando com atenção a forma das letras, a seqüência
dos traços e as regras de sua composição.

27
Proporções da caligrafia técnica

A tabela mostra as proporções e dimensões de símbolos


gráficos conforme a NBR 8402:1994.

Características Relação Dimensões (mm)

altura das letras maiúsculas (10/10)h 2,5 3,5 5 7 10 14 20

altura das letras minúsculas (7/10)h 2,5 3,5 5 7 10 14


distância mínima entre os caracteres (2/10)h 0,5 0,7 1 1,4 2 2,8 4
distância mínima entre linhas de base (14/10)h 3,5 5 7 10 14 20 28

distância mínima entre as palavras (6/10)h 1,5 2,1 3 4,2 6 8,4 12

largura da linha (1/10)h 0,25 0,35 0,5 0,7 1 1,4 2

28
Carimbo

Todo desenho deve ser completado com um carimbo que,


de modo geral, deve estar situado no canto inferior direito
das folhas de desenho. No carimbo, devem estar incluídas
todas as indicações do desenho como:
• nome da empresa, departamento ou órgão público;
• título do desenho;
• escala do desenho;
• datas;
• assinaturas dos responsáveis pela execução, aprovação e
verificação;
• número do desenho;
• número da peça, quantidades, denominações, materiais e
dimensões em bruto.

A direção de leitura do carimbo deve corresponder à direção de


leitura do desenho. A legenda deve ter 178mm de comprimen-
to nos formatos A4, A3 e A2 e 175mm nos formatos A1 e A0.

178mm de comprimento nos formatos A4, A3 e A2 e 175mm nos formatos A1 e A0

29
Linhas

As linhas são a base do desenho. Combi- • contínua estreita – aresta e contornos


nando-se linhas de diferente tipos e lar- cujas superfícies visíveis não foram
guras, é possível descrever graficamente seccionadas e se encontram desta-
qualquer objeto. Quanto à largura, as cadas das linhas mais próximas do
linhas podem ser larga ou estreita. observador;

Linhas convencionais

As linhas convencionais são normaliza-


das pela NBR 8403. Os tipos de linhas
convencionais e sua utilização estão
relacionados a seguir:
• contínua larga – arestas e contornos
de superfície de elementos secciona-
dos e visíveis; • contínua estreita – linhas de cha-
madas ou extensão, linhas de cota,
hachuras, para representarem pisos
e azulejos e linhas de construção do
desenho;

30
• tracejada estreita – arestas e contor- • traço-ponto estreita e larga na extre-
nos não visíveis; midade e nos desvios – linhas de corte
em desvio, ou mesmo linha de corte;

• ziguezague estreita – rupturas longas;


• traço-ponto estreita – linhas de centro
e de simetria;

• sinuosa estreita – rupturas curtas.

• traço-dois pontos estreita – linhas de


projeção;

A largura das linhas depende do tama-


nho do desenho. A relação entre a lar-
gura da linha larga e a largura da linha
estreita não deve ser inferior a 2.

31
Construções geométricas

Para aprender as construções geomé- Mediatriz é uma reta perpendicular a


tricas é necessário estudar: um segmento de reta que divide este
• retas perpendiculares; segmento em duas partes iguais.
• retas paralelas;
• mediatriz; A reta m é a mediatriz do segmento de
• bissetriz; reta AB. Os segmentos da reta AM e
• polígonos regulares; MB têm a mesma medida. O ponto M
• linhas tangentes; chama-se ponto médio do segmento
• concordância. de reta AB.

Duas retas são perpendiculares quan-


do são concorrentes e formam quatro
ângulos retos.

Bissetriz é uma semi-reta que tem ori-


gem no vértice de um ângulo e divide
o ângulo em duas partes iguais.

Duas retas são paralelas quando estão A semi-reta r é a bissetriz do ângulo A.


no mesmo plano e não se cruzam.

32
Polígono é toda figura plana fechada. O raio da circunferência e a reta são per-
Os polígonos regulares têm todos os pendiculares no ponto de tangência.
lados iguais e todos os ângulos iguais.
O polígono regular é inscrito quando
desenhado com os vértices numa cir-
cunferência.

Concordância de duas linhas é a liga-


ção dessas duas linhas com um arco
de circunferência. A circunferência
utilizada para fazer a ligação é tangente
às duas linhas.

Linhas tangentes são linhas que têm


só um ponto em comum e não se cru-
zam. O ponto comum às duas linhas é
chamado ponto de tangência.

Os centros das duas circunferências


e o ponto de tangência ficam numa
mesma reta.

33
Construções geométricas fundamentais

Perpendicular (ponto sobre a reta) Perpendicular (ponto fora da reta)

Dados a reta s e o ponto P: Dados a reta r e o ponto P:

• determine os pontos A e B, com qual-


quer abertura do compasso e com
centro em P;

• determine os pontos A e B, com o


compasso em uma abertura qualquer
e centro em P;
• determine o ponto C, com o compas-
so em uma abertura maior que AP e
centro em A e B.

• determine o ponto C, com o compasso


em uma abertura qualquer maior que
a metade de AB e centro em A e B;

• trace uma reta passando pelos pontos


P e C. Essa reta é a perpendicular.

34
• trace uma reta passando pelos pontos abertura qualquer de compasso e
P e C. Essa reta é a perpendicular. centro em A.

• determine o ponto D com a mesma


abertura e centro em P.

Paralela (ponto dado)

Dados a reta r e o ponto P:

• marque o ponto E, com abertura do


compasso BC e centro em D.

• marque na reta r o ponto A deslocado


de P e trace uma reta por P e A.

• trace uma reta passando pelos pontos


P e E. A reta que passa por P e E é
paralela à reta r.

• determine os pontos B e C, com uma

35
Paralela (distância dada) Mediatriz

Dadas a reta r e a distância d: Dado o segmento de reta AB:

• determine os pontos C e D, traçando


• defina os pontos A e B sobre a reta r. arcos com o compasso em uma aber-
tura maior que a metade do segmento
AB e centro em A e B.

• trace as perpendiculares t e s pelos


pontos A e B.

• trace uma perpendicular que passe


pelos pontos C e D. Essa perpendicu-
lar é a mediatriz. M é o ponto médio
• marque a distância d nas perpendicu- do segmento AB.
lares t e s, com o compasso em A e
B, e obtenha assim os pontos C e D.

• trace uma reta que passe pelos pontos Bissetriz


C e D. Essa reta é paralela à reta r na
distância dada d. Dado o ângulo de vértice A:

36
• determine os pontos B e C, utilizando • determine os pontos C e D, utilizando o
o compasso com abertura qualquer e compasso para traçar arcos de mesmo
centro em A. raio, com centro em A e B; determine
os pontos E e F por meio de arcos de
mesmo raio, com centro em C e D.

• determine o ponto D, utilizando o


compasso para traçar arcos do mes- • trace retas auxiliares que passem por
mo raio com centro em B e C. AE e BF.

• trace uma reta que passe pelos pontos


A e D. Essa reta é a bissetriz do ângulo
dado.

• marque com o compasso seis espaços


iguais sobre as retas auxiliares a partir
de A e de B.

Divisão de segmento de reta


em partes iguais

Dado o segmento de reta AB:

• trace retas ligando os pontos A com


B5, A1 com B4 e assim sucessivamen-

37
te, dividindo o segmento de reta em • trace o arco de concordância entre as
cinco partes iguais. duas retas com abertura OA e centro em
O. Os pontos de tangência são A e B.

Concordância entre retas concorrentes

Dado o ângulo formado pelas retas t e


Concordância entre retas paralelas s e o raio do arco de concordância r:

Dadas as retas r e s, paralelas e o ponto


A, contido em s:

• determine o ponto A, traçando para-


lelas às retas t e s.

• trace uma perpendicular pelo ponto


A, determinando o ponto B.

• determine os pontos de tangência


B e C, traçando a partir de A, linhas
perpendiculares às retas t e s, respec-
• trace a mediatriz do segmento AB, tivamente.
obtendo o ponto O.

38
• trace o arco que concordará com as
retas dadas.

Observação:
Este processo é válido para concor-
dância entre retas concorrentes que
formam qualquer ângulo.

39
Perspectivas

Quando olhamos um objeto, temos a sensação de profundida-


de e relevo. As partes que estão mais próximas de nós parecem
maiores e as partes mais distantes aparentam ser menores.

A fotografia mostra um objeto do mesmo modo como ele


é visto pelo olho humano, pois transmite a idéia de três
dimensões: comprimento, largura e altura.

O desenho, para transmitir essa mesma idéia, precisa


recorrer a um modo especial de representação gráfica: a
perspectiva. Ela representa graficamente as três dimensões
de um objeto em um único plano, de maneira a transmitir
a idéia de profundidade e relevo.

Existem diferentes tipos de perspectiva. Veja como fica


a representação de um cubo em três tipos diferentes de
perspectiva:
• perspectiva cônica ou perspectiva do arquiteto;

40
• perspectiva cavaleira;

45°

• perspectiva isométrica.

30° 30°

Cada tipo de perspectiva mostra o objeto de um jeito.


Comparando as três formas de representação, você pode
notar que a perspectiva isométrica é a que dá a idéia menos
deformada do objeto.
41
ISO ................. quer dizer mesma
MÉTRICA ....... quer dizer medida

A perspectiva isométrica mantém as mesmas proporções


do comprimento, da largura e da altura do objeto repre-
sentado. Além disso, o traçado da perspectiva isométrica é
relativamente simples. Por essas razões, neste curso, você
estudará esse tipo de perspectiva.

Em desenho técnico, é comum representar perspectivas


por meio de esboços, que são desenhos feitos rapidamente
à mão livre. Os esboços são muito úteis quando se deseja
transmitir, de imediato, a idéia de um objeto.

Exercitando o traçado da perspectiva, você estará se familia-


rizando com as formas dos objetos, o que é uma condição
essencial para um bom desempenho na leitura e interpre-
tação de desenhos técnicos.

Ângulos

Para estudar a perspectiva isométrica, precisamos saber o


que é um ângulo e a maneira como ele é representado.

Ângulo é a figura geométrica formada por duas semi-retas


de mesma origem. A medida do ângulo é dada pela abertura
entre seus lados.

42
Uma das formas para se medir o ângulo consiste em dividir
a circunferência em 360 partes iguais. Cada uma dessas
partes corresponde a 1 grau (1°).

A medida em graus é indicada pelo numeral seguido do


símbolo de grau.

Exemplo: 45° (lê-se: quarenta e cinco graus).

43
Eixos isométricos

O desenho da perspectiva isométrica é baseado num siste-


ma de três semi-retas que têm o mesmo ponto de origem
e formam entre si três ângulos de 120°. Veja:

Essas semi-retas, assim dispostas, recebem o nome de eixos


isométricos. Cada uma das semi-retas é um eixo isométrico.

Os eixos isométricos podem ser representados em posições


variadas, mas sempre formando, entre si, ângulos de 120°.
Neste curso, os eixos isométricos serão representados sem-
pre na posição indicada na figura anterior.

O traçado de qualquer perspectiva isométrica parte sempre


dos eixos isométricos.

Linha isométrica

Agora você vai conhecer outro elemen-


to muito importante para o traçado
da perspectiva isométrica: as linhas
isométricas.

Retas situadas num mesmo plano são


paralelas quando não possuem pontos
comuns.

Qualquer reta paralela a um eixo iso-


métrico é chamada linha isométrica.
Observe a figura ao lado:
44
As retas r, s, t e u são linhas isométricas:
• r e s são linhas isométricas porque são paralelas ao eixo y;
• t é isométrica porque é paralela ao eixo z;
• u é isométrica porque é paralela ao eixo x.

As linhas não paralelas aos eixos isométricos são linhas


não isométricas. A reta v, na figura abaixo, é um exemplo
de linha não isométrica.

Papel reticulado

Você já sabe que o traçado da pers-


pectiva é feito, em geral, por meio de
esboços à mão livre.

Para facilitar o traçado da perspectiva


isométrica à mão livre, usaremos um
tipo de papel reticulado que apresenta
uma rede de linhas que formam entre
si ângulos de 120°. Essas linhas servem
como guia para orientar o traçado do ân-
gulo correto da perspectiva isométrica.

Use lápis e borracha macios para fazer


os seus esboços. Faça traços firmes e
contínuos.

45
Traçando a perspectiva isométrica
do prisma

Para aprender o traçado da perspec-


tiva isométrica você vai partir de um
sólido geométrico simples: o prisma
retangular. No início do aprendizado é
interessante manter à mão uma peça
real para analisar e comparar com o
resultado obtido no desenho. Neste
caso, você pode usar uma caixa de
fósforos fechada.

2 A partir dos pontos onde você


marcou o comprimento e a altura,
trace duas linhas isométricas que
se cruzam. Assim ficará determina-
da a face da frente da peça.

Veja a seguir como traçar a perspectiva


isométrica usando o papel reticulado:

1 Trace levemente, à mão livre, os


eixos isométricos e indique o com-
primento, a largura e a altura sobre 3 Trace agora duas linhas isométricas
cada eixo, tomando como base as que se cruzam a partir dos pontos
medidas aproximadas do prisma
representado na figura anterior.
46
onde você marcou o comprimento 5 Apague os excessos das linhas de
e a largura. Assim ficará determi- construção, isto é, das linhas e dos
nada a face superior da peça. eixos isométricos que serviram de
base para a representação da peça.
Depois, é só reforçar os contornos
da figura e está concluído o traça-
do da perspectiva isométrica do
prisma retangular.

4 E, finalmente, você encontrará a


face lateral da peça. Para tanto,
basta traçar duas linhas isométri-
cas a partir dos pontos onde você
indicou a largura e a altura.

47
48
Projeção ortográfica de
sólidos geométricos

A projeção ortográfica de uma peça em um único plano


algumas vezes não representa a peça ou partes dela em
verdadeira grandeza.

Mas, para produzir um objeto, é necessário conhecer todos


os seus elementos em verdadeira grandeza.

Por essa razão, em desenho técnico, quando tomamos sóli-


dos geométricos ou objetos tridimensionais como modelos,
costumamos representar sua projeção ortográfica em mais
de um plano de projeção.

No Brasil, onde se adota a representação no 1º diedro, além do


plano vertical e do plano horizontal, utiliza-se um terceiro plano
de projeção: o plano lateral. Este plano é, ao mesmo tempo,
perpendicular ao plano vertical e ao plano horizontal.

49
Projeção ortográfica do prisma retangular no 1º diedro

Para entender melhor a projeção ortográfica de uma peça


em três planos de projeção você vai acompanhar, primeiro,
a demonstração de um sólido geométrico em cada um dos
planos, separadamente.

Vista frontal

Imagine um prisma retangular paralelo a um plano de pro-


jeção vertical visto de frente por um observador, na direção
indicada pela seta, como mostra a figura a seguir.

Este prisma é limitado externamente por seis faces retan-


gulares: duas são paralelas ao plano de projeção (ABCD e
EFGH); quatro são perpendiculares ao plano de projeção
(ADEH, BCFG, CDEF e ABGH).

Traçando linhas projetantes a partir de todos os vértices


do prisma, obteremos a projeção ortográfica do prisma no
plano vertical. Essa projeção é um retângulo idêntico às
faces paralelas ao plano de projeção.

50
Imagine que a peça foi retirada e você verá, no plano vertical,
apenas a projeção ortográfica do prisma visto de frente.

A projeção ortográfica do prisma, visto de frente no plano


vertical, dá origem à vista ortográfica chamada vista frontal.

Vista superior

A vista frontal não nos dá a idéia exata das formas do pris-


ma. Para isso necessitamos de outras vistas, que podem ser
obtidas por meio da projeção do prisma em outros planos
do 1º diedro.

51
Imagine, então, a projeção ortográfica do mesmo prisma visto
de cima por um observador na direção indicada pela seta.

A projeção do prisma, visto de cima no plano horizontal,


é um retângulo idêntico às faces ABGH e CDEF, que são
paralelas ao plano de projeção horizontal.

Removendo a peça, você verá no plano horizontal apenas


a projeção ortográfica do prisma, visto de cima.

A projeção do prisma, visto de cima no plano horizontal,


determina a vista ortográfica chamada vista superior.

Vista lateral

Para completar a idéia da peça, além das vistas frontal e supe-


rior, uma terceira vista é importante: a vista lateral esquerda.

Imagine, agora, um observador ven-


do a mesma peça de lado, na direção
indicada pela seta, como mostra a
ilustração.

52
Como o prisma está em posição paralela ao plano lateral,
sua projeção ortográfica resulta num retângulo idêntico às
faces ADEH e BCFG, paralelas ao plano lateral.

Retirando a peça, você verá no plano lateral a projeção


ortográfica do prisma visto de lado, isto é, a vista lateral
esquerda.

Você acabou de analisar os resultados das projeções de uma


mesma peça em três planos de projeção. Ficou sabendo
que cada projeção recebe um nome diferente, conforme o
plano em que aparece representada:
• a projeção da peça no plano vertical dá origem à vista
frontal;
• a projeção da peça no plano horizontal dá origem à vista
superior;
• a projeção da peça no plano lateral dá origem à vista lateral
esquerda.

53
Rebatimento dos planos de projeção

Agora, que você já sabe como se determina a projeção do


prisma retangular separadamente em cada plano, fica mais
fácil entender as projeções do prisma em três planos simul-
taneamente, como mostra a figura seguinte.

As linhas tracejadas que partem perpendicularmente dos


vértices da peça até os planos de projeção são as linhas
projetantes.

E as linhas pontilhadas que ligam as projeções nos três planos


são chamadas linhas projetantes auxiliares. Estas linhas aju-
dam a relacionar os elementos da peça nas diferentes vistas.
54
Imagine que a peça tenha sido retirada e veja como ficam
apenas as suas projeções nos três planos:

Mas, em desenho técnico, as vistas devem ser mostradas


em um único plano. Para tanto, usamos um recurso que
consiste no rebatimento dos planos de projeção horizontal
e lateral. Veja como isso é feito no 1º diedro:
• plano vertical, onde se projeta a vista frontal, deve ser
imaginado sempre numa posição fixa;
• para rebater o plano horizontal, imaginamos que ele so-
fre uma rotação de 90° para baixo, em torno do eixo de
interseção com o plano vertical. O eixo de interseção é a
aresta comum aos dois semiplanos.

55
• para rebater o plano de projeção lateral imaginamos que
ele sofre uma rotação de 90°, para a direita, em torno do
eixo de interseção com o plano vertical.

Muito bem! Agora, você tem os três planos de projeção:


vertical, horizontal e lateral, representados num único plano,
em perspectiva isométrica, como mostra a figura acima.

Veja a seguir como ficam os planos rebatidos vistos de


frente.

56
Em desenho técnico, não se representam as linhas de in-
terseção dos planos. Apenas os contornos das projeções
são mostrados. As linhas projetantes auxiliares também
são apagadas.

Finalmente, veja como fica a representação, em projeção or-


tográfica, do prisma retangular que tomamos como modelo:
• projeção A, representada no plano vertical, chama-se pro-
jeção vertical ou vista frontal;
• projeção B, representada no plano horizontal, chama-se
projeção horizontal ou vista superior;
• projeção C, que se encontra no plano lateral, chama-se
projeção lateral ou vista lateral esquerda.

As posições relativas das vistas, no 1º diedro, não mudam:


a vista frontal, que é a vista principal da peça, determina as
posições das demais vistas; a vista superior aparece sempre
representada abaixo da vista frontal; a vista lateral esquerda
aparece sempre representada à direita da vista frontal.

O rebatimento dos planos de projeção permitiu represen-


tar, com precisão, uma peça de três dimensões (o prisma
retangular) numa superfície de duas dimensões (como esta
folha de papel). Além disso, o conjunto das vistas representa
a peça em verdadeira grandeza, possibilitando interpretar
suas formas com exatidão.

Os assuntos que você acabou de estudar são a base da


projeção ortográfica.

57
Desenho de arquitetura

Desenho de arquitetura é a representação geométrica das


diferentes projeções, vistas ou seções de um edifício ou de
parte dele. Utilizam-se convenções para uniformizar e faci-
litar a leitura do desenho, bem como para executar a obra.
O conjunto de projeções se resume em:
• planta;
• corte ou seção;
• fachada;
• detalhe;
• perspectiva.

58
Planta

É a seção que se obtém fazendo passar um plano de seção


paralelo ao piso, de tal maneira que corte as portas, janelas,
paredes, etc., para que assim fiquem bem assinaladas todas
as particularidades da construção.

59
Corte ou seção

É um seccionamento feito no prédio por um plano verti-


cal, perpendicular ao piso, cujo fim é mostrar os detalhes
internos da obra, como janelas, paredes, peitoris, vergas,
telhados, etc.

Os cortes são denominados corte transversal e corte lon-


gitudinal.

Corte transversal é o corte que se faz no sentido da largura


do edifício.

Corte longitudinal é o corte que se faz no sentido do com-


primento do edifício.

60
Fachada

É a representação gráfica das características externas da


construção.

61
Detalhe

É o desenho de partes do edifício que necessitam mais


atenção no momento da construção. Exemplo: detalhes de
um telhado.

62
Perspectiva

O desenho em perspectiva se faz necessário para que tanto o


empreendedor quanto o usuário vejam como a obra ficará de-
pois de pronta. A perspectiva consegue reunir as 3 dimensões
(altura, largura, profundidade) num mesmo desenho.

63
Escala

É a relação proporcional entre a medida do objeto e a me-


dida do desenho.

A necessidade do uso de uma escala no desenho surgiu da


impossibilidade de se representar um desenho muito grande
ou muito pequeno numa folha de papel.

Dispomos de três tipos de escala: redução, natural e am-


pliação.

64
Escala de redução

Os desenhos e arquitetura são quase sempre na escala de


redução. De acordo com NBR 8196, devem ser usadas as
seguintes escalas:
• 1:20 (um para vinte);
• 1:50 (um para cinqüenta);
• 1:100 (um para cem).

Observações:
• depois de se ter desenhado em escala, não importa qual, as
cotas (medidas) terão que ser as mesmas do modelo real.
• as medidas angulares não sofrem transformação em escala
alguma (o ângulo de 90° permanecerá 90° seja qual for a
escala).
65
Para se saber que medida terá um objeto no desenho, basta
DIVIDIR o valor (medida) do objeto pelo valor numérico da
escala, valor esse que não seja 1.

Veja a seguir como fazer a transformação da medida real


do objeto (uma parede de 2m) em desenho na escala de
1:100:

1 Medida da parede 2m, é igual a 200cm.

2 Dividir 200cm pelo valor numérico da escala, que é 100.


200cm : 100 = 2cm

3 Na escala de 1:100, a parede de 2m será representada


no desenho com 2cm.

4 Para cada 1m do modelo real, 1cm no desenho, na escala


1:100, logo:
• 200cm (na medida real do objeto) = 2cm (no dese-
nho);
• 350cm (na medida real do objeto) = 3,5cm (no dese-
nho);
• 680cm (na medida real do objeto) = 6,8cm (no dese-
nho).

Exercício

Preencha o quadro, fornecendo as medidas do desenho.

Medida real Escala Medida do desenho (cm)

5,3m 1:50

12,00m 1:20

8,50m 1:100

55cm 1:50

96cm 1:20

28cm 1:100

1,5m 1:50

25,00m 1:100

80cm 1:20

66
Escala de ampliação

Para se saber que medida terá um objeto no desenho, basta


MULTIPLICAR o valor (medida) do objeto pelo valor numé-
rico da escala, valor esse que não seja 1.

Veja a seguir quanto corresponde 1,5cm de um desenho de


uma janela, que está na escala de 1:100:

1 A medida do desenho: 1,5cm.

2 Multiplicar pelo valor numérico da escala, que é 100:


1,5cm . 100 = 150cm = 1,50m.

3 A medida representada por 1,5cm no desenho corres-


ponde a 1,5m no objeto real.

4 Se cada 1cm = 100cm na escala 1:100, logo:


• 2cm (desenho) = 200cm (medida real do objeto);
• 2,2cm (desenho) = 220cm (medida real do objeto);
• 5,7cm (desenho) = 570cm (medida real do objeto).

Exercício

Preencha o quadro, fornecendo as medidas reais do objeto.

Medida do desenho Escala Medida real (cm) Medida real (m)

21cm 1:100

45cm 1:50

60cm 1:50

97cm 1:100

50cm 1:20

1cm 1:100

15cm 1:50

8cm 1:20

15cm 1:20

67
Cotas

Cotas são valores numéricos marcados na planta para esta-


belecer distâncias, medidas, padrões. As cotas são impor-
tantes para se dar uma noção de dimensão ao desenho.

Em arquitetura, as distâncias inferiores a 1metro são indica-


das em centímetros e as superiores, em metro. As distâncias
em metro precedem duas casas decimais: centímetros e
milímetros. Exemplo: 4,56m.

Nas plantas e instalações hidráulicas, as tubulações são iden-


tificadas com o símbolo Ø, colocado à esquerda da cota,
significando a seção circular do material empregado.

As cotas de altura são tomadas tendo como referência o


nível ± 0,00 que se encontra localizada na entrada da casa,
como mostra a planta a seguir.

Os possíveis tipos de indicações de cotas em arquitetura são:

Note que o valor 5,20 está escrito no centro da linha e na


sua parte superior, e está escrito de forma legível. Numa
cotagem vertical, o valor deverá ser colocado à esquerda
da linha de cota como é mostrado na planta a seguir.

68
69
As indicações das cotas de
corda, arco e raio são:

Quando não for possível cotar entre as linhas de chamada,


coloca-se a cota fora do intervalo.

Nota: o ponto subtitui o


0 (zero) e a vírgula.

A cota em desenhos com ruptura apresenta sempre a dis-


tância real, apesar de o desenho em escala não mostrar o
mesmo valor.

70
Os vãos de portas poderão ser cotados de dois modos:
• por um traço de fração, onde o numerador representa a
largura da porta e o denominador, a altura;

• por um sinal de multiplicação, onde o primeiro número


representa a largura e o segundo número, a altura.

Os vãos de janelas poderão ser cotados de dois modos:


• por traço de fração, onde o numerador representa a largura
da janela e o denominador, a altura;

• por um sistema onde o número antes do sinal de multiplica-


ção no numerador representa a largura. O número depois
do sinal de multiplicação no numerador representa a altura,
e o número no denominador representa o peitoril. O ideal
é cotar as janelas por este segundo modo. Se o primeiro
for o escolhido, será necessário uma legenda para indicar
as alturas de peitoris.

71
Planta
residencial

A planta a seguir dará a noção da dis-


tribuição dos compartimentos numa
construção, e das técnicas e uso das con-
venções utilizadas nos projetos, como
escalas, cotagem, abreviações, etc.

72
73
74
Convenções

As convenções de desenho de arquitetura são representa-


ções gráficas de elementos de um projeto, com o objetivo
de transmitir elementos esclarecedores da construção, quer
em planta, corte, ou fachada.

Ao lado de cada símbolo, anotam-se as letras: (P) para plan-


ta; (C) para corte; (F) para fachada.

Assim, quando uma convenção tiver a letra P e C indica que


ela pode ser usada tanto na planta como no corte.

conservar ................ (P) (C) tijolo ........................ (F)

construir ................. (P) (C) areia ........................ (F) (C)

derrubar .................. (P) (C) terra......................... (C)

concreto .................. (C) terreno talude......... (C) (P)

75
madeira................... (F) (C) tijolo à vista ............ (F)

pedras ..................... (F) tábuas

piso, ladrilho .......... (P) cacos de mármore

azulejo..................... (C)

piso taco ................. (C) pedra mineira irregular

granito .................... (F) pedra mineira regular

mármore ................. (F) pedra para piso de jardim

concreto .................. (F) placas de mármore

76
Convenções de portas

0,40
a largura e a altura em VG verga

laje

2,10
vista corte

planta

a largura aparece em verdadeira grandeza

porta externa de duas folhas

porta de correr aparente de quatro folhas

porta vaivém de uma folha

77
porta de correr aparente de duas folhas

porta de correr aparente de uma folha

porta de correr aparente de uma folha fixa ou as duas móveis

porta de correr embutida de duas folhas

porta sanfonada de duas folhas

78
Convenções de janelas

0,40
verga

laje

0,80
2,70

1,50
vista frontal corte AB

planta

janela de uma folha janela de duas folhas

janela de correr aparente uma folha janela de correr duas folhas

janela de correr aparente duas folhas

janela de correr aparente quatro folhas

janela guilhotina

79
Convenções de vãos

verga teto

altura do vão da janela

vão aberto

piso mais baixo


altura do peitoril
piso

altura do vão da porta

abertura de vão sem esquadria

armário embutido

indica a largura e a altura

indica a largura e a altura

traço por fora indica que


o piso é mais baixo

80
Abreviações

Arquitetura VP .......ventilação permanente

SS .......subsolo Cob. .......cobertura

Alv. .......alvenaria CM .......casa de máquinas

V. Fix .......vitrô fixo


Hidráulica
Armº. .......armário
TQ .......tubo de queda
NM. .......norte magnético
AQ .......água quente
Trans. .......transversal
AF .......água fria
S .......sobe

D .......desce Estruturas

Desp. .......despensa P .......pilar


V .......viga
BI .......barra impermeável L .......laje
e .......espessura
WC .......water closed VB .......viga baldrame

Cim .......cimentado

V. Basc. .......vitrô basculante

Lav. .......lavatório, lavabo

Long. .......longitudinal

Elev. .......elevador

PD .......pé-direito
81
Exercícios

83
85
86
87
88
Referências bibliográficas

SENAI-SP. DMD. Iniciação ao desenho. Por Antonio Ferro et


alii.2ª ed. São Paulo, 1991. (Desenho l, 1).

SENAI-SP. DMD. Desenho com instrumentos. Por Antônio


Ferro et Alli. 2ª ed. São Paulo, 1991. (Desenho II).

SENAI-SP. Leitura e Interpretação de Plantas. São Paulo,


1993. Edição provisória para aplicação experimental.
(Fundamentos de Supervisão, Encarregados de Obras
Civis).

SENAI-SP. Desenho técnico. Por Airton Almeida de Moraes


e Paulo Cesar Perestrelo Lara. São Paulo, 2000. Material
adaptado de Leitura e Interpretação de Desenho Técni-
co Mecânico, SENAI-SP pela pela Faculdade SENAI de
Tecnologia Mecatrônica.

WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation.


Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em: <
>. Acesso em: 3 Abr 2006

WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apre-


senta conteúdo enciclopédico. Disponível em: HYPERLINK
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Linguagem_ar
quitet%C3%B4nica&oldid=1272580; http://pt.wikipedia.
org/w/index.php?title=Linguagem_arquitet%C3%B4n
ica&oldid=1272580; HYPERLINK “http://pt.wikipedia.
org/w/index.php?title=Maquete_eletr%C3%B4nica
&oldid=1409941” http://pt.wikipedia.org/w/index.
php?title=Maquete_eletr%C3%B4nica&oldid=1409941;
HYPERLINK http://fr.wikipedia.org/w/index.php?title=M
aquette&oldid=5614674 http://fr.wikipedia.org/w/index.
php?title=Maquette&oldid=5614674; HYPERLINK http://

89
pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Desenho_arquitet%
C3%B4nico&oldid=1252992 http://pt.wikipedia.org/w/
index.php?title=Desenho_arquitet%C3%B4nico&oldid
=1252992. Acesso em: 3 Abr 2006.

90
4

Você também pode gostar