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Regência

Conceito – é a parte da gramática que estuda as relações de dependência dos termos na frase.
“Termos” porque pode-se tanto ter regência do nome, o nome pedindo preposição, ex. quem
tem simpatia, tem simpatia por..., quem faz referência, faz referência a..., quanto pode ter
regência verbal, que é o verbo pedindo a preposição.

Para estudar Regência, é necessário relembrar os verbos transitivos diretos – transitividade do


verbo é a predicação do verbo, se o verbo pede complemento, complemento com preposição
ou sem preposição. Alguns exemplos de verbos que a cebraspe mais cobra: abraçar, adorar,
almejar, amar, atingir, convidar, esperar, favorecer, namorar, pisar, visitar, lembrar...

Quem abraça, abraça alguém, quem adora, adora alguém, quem almeja, almeja alguma coisa,
ou seja, “eu almejo um futuro melhor” e não “eu almejo a um futuro melhor.”

No objeto direto preposicionado, não se afeta a regência do verbo, o verbo continua sendo
transitivo direto, ex.: “amar a deus”, a única diferença é que se coloca uma preposição com o
intuito de enfatizar.

Os verbos namorar e pisar, pela norma culta, são transitivos diretos, quem namora, namora O
menino e não COM o menino. O “com” afeta a regência do verbo, pois o “com” traz a ideia de
companhia. Quem pisa, pisa alguma coisa, então “pisar a grama” é o correto, e não “pisar na
grama”.

Verbos transitivos indiretos – aludir, agradar, anuir, obedecer, desobedecer, referir-se (esses
verbos regem preposição A; simpatizar, antipatizar (preposição COM, e não são prenominais,
ou seja, não existe “eu ME simpatizo...”).

Obs.: não confundir o verbo “simpatizar” com a regência do nome “simpatia”, que pede a
preposição POR – quem tem simpatia, tem simpatia por...;

O verbo agradar-se e o verbo referir-se, podem vir sem preposição:

O agradar pode vir, dependendo do sentido, com ou sem preposição, tem o agradar com o
sentido de acariciar, que será transitivo direto = agradou o cachorro, e o agradar no sentido de
ser agradável, que será transitivo indireto = Agradou ao amigo.

Portanto, o agradar é um verbo que muda de regência conforme a mudança de sentido =


regência convenção. Pode ser transitivo direto ou transitivo indireto.

O referir-se, se for pronominal, será transitivo indireto = ele se referiu ao assunto. Se for não
pronominal, será transitivo direto = ele referiu o caso.

No primeiro caso, ele tem sentido de fazer referência, no segundo caso tem o sentido de
relatar.

Os “verbos acidentalmente pronominais”, são verbos que podem vir com pronome ou sem
pronome. Quando eles vêm com pronome, pedem preposição. Sem pronome, transitivos
diretos. O “referir-se” é um exemplo disso.
Verbos transitivos diretos e indiretos (bitransitivos): São aqueles que vêm com 2
complementos. (Não é que eles necessariamente serão bitransitivos, eles PODEM ser
bitransitivos).

Avisar, comunicar, certificar, cientificar, informar...

Quando forem diretos e indiretos, um objeto será sem preposição e o outro será com.

Ex.: avisei-o (OD) do evento (OI). Nesse caso, tá com 2 objetos.

Obs.: se o verbo vier com 2 objetos, necessariamente, um, precisa ser indireto e o outro direto.
Não é possível que sejam 2 diretos e vice-versa.

Avisei-lhe (OI) o evento (OD). 1 direto e outro indireto.

“Informar ao tribunal de contas os atos ilegítimos. Informar ao tribunal de contas sobre os atos
ilegítimos.” Essa troca está correta?

Qualquer verbo que seja bitransitivo, e nesse caso era bitransitivo (informar), a troca de “os”
atos ilegítimos, para “sobre” os atos ilegítimos, está errada, pois não se pode ter com esses
verbos que venham na frase como bitransitivos, dois objetos indiretos. Na segunda frase, tem-
se preposição (sobre), portanto, são dois objetos indiretos.

O verbo atender pode ser direto ou indireto tanto para coisa, quanto para pessoa.

Ex.: atendeu o chamado, ou atendeu ao chamado; atendeu o celular, atendeu ao celular,


atendeu o aluno, atendeu ao aluno. Que atende muitos segurados, que atende a muitos
segurados. Em ambas as formas, mantem-se tanto a correção gramatical, quanto o sentido.

O verbo chegar/ir são verbos que embora sejam intransitivos (não pedem complemento), vêm
seguidos da preposição A, que é uma preposição que indica destino – adjunto adverbial de
lugar. Não pode ser a preposição EM.

Ex.: eu vou ao curso; (ao curso é o adjunto adverbial de lugar), eu vou à feira, cheguei a casa.

Toda vez que é usado um pronome oblíquo tônico (nós, vós, ele, ela) como complemento, a
preposição é obrigatória.

No caso de pronome obliquo átono, não há preposição. Ex.: tomando-nos por base. (tomando
= VTD, nos = OD).

Amo-a mais que tudo. Se usar um pronome oblíquo tônico, como ele, aí coloca-se a preposição
= amo a ele mais que tudo.

Verbo “esquecer” = o que vale para o esquecer, vale para o lembrar.

O verbo esquecer pode ser não pronominal (transitivo direto) ou pronominal (transitivo
indireto). Se vier pronominal, será esquecer-se.

Esqueci os livros = quem esquece, esquece alguma coisa – objeto direto.


Esqueci-me dos livros = quem se esquece, se esquece de – objeto indireto. Quando é
pronominal, esse “me” ou o “se” que aparecem, são chamados de PIV – parte integrante do
verbo.

A troca de uma forma pela outra não gera erro gramatical nem mudança de sentido. Ex.: o
verbo referir, existe o referir-se, que é o pronominal, e o referir, não pronominal. Nesse caso, é
diferente. Referir-se tem um sentido e referir tem outro. Quem se refere, se refere a, quem
refere, refere alguma coisa. Portanto, não confundir o esquecer/lembrar com o referir-se!!

Lembrei-me de que pode ser substituído por lembrei que. Mudam de regência mas não
mudam de sentido.

Me lembre à Dolores teria o sentido alterado caso fosse reescrito como Me lembre da
Dolores? Aqui, o verbo lembrar é bitransitivo. Quem lembra, lembra alguém, ou lembra
alguma coisa a alguém. Em ambos os casos o verbo tem dois objetos, mas na primeira frase o
sentido é “faça que a Dolores lembre de mim” e na segunda, ao trocar a preposição a pela
preposição de, se tem uma alteração semântica, nesse caso a Dolores é quem será lembrada.
Lembrando que quando um verbo é bitransitivo, um vai ser sem preposição e o outro com
preposição.

Verbo Implicar (não confundir com o implicar-se):

O verbo implicar pode ser transitivo direto, o sentido de acarretar, implica alguma coisa ou
transitivo indireto, no sentido de ter implicância, perturbar, envolver-se etc. – pronominal com
preposição EM.

Ex.: sua ausência implicou atraso da reunião. (sentido de acarretar. Transitivo direto, sem
pronome = sem preposição.)

Ela implica com o irmão (transitivo indireto, com preposição)

Ela se implicou em confusão (transitivo indireto, sem preposição)

Obs.: os verbos prenominais geralmente são preposicionados: lembrar-se de, esquecer-se de,
implicar-se em, deparar-se com, defrontar-se com. Cuidado com o deparar-se: é o único
diferente dessa lista, pois todos os verbos dessa lista, quando eles vêm com pronomes, vêm
também com preposição, quando vêm sem pronome, vêm sem preposição. O deparar-se,
quando vem sem pronome, que é o deparar, diferentemente dos outros, pode ser direto ou
indireto. Quando vem com pronome, é sempre indireto. O deparar, quando vem sem
pronome, diferentemente dos outros, pode vir com preposição = ex.: ele deparou o
problema/ele deparou com o problema. Eu deparei com você/eu me deparei com você. As
duas formas estão corretas. Decorar esse verbo.

“Implica a negação” não pode ser substituído por “implica na negação”, pois só poderia vir
com a preposição EM se fosse “implicar-se”.

Verbo pedir:

“O senhor Joao levou a sua amabilidade ao ponto de pedir a comédia para ler a segunda
vez...”
Questão: o termo introduzido pela preposição “para” exerce a função de complemento do
verbo “pedir”?

Complementos verbais são os objetos. Quando a banca pergunta se é complemento do verbo,


ela quer saber se é objeto direto ou indireto.

A banca quer saber se quem pede, pede alguma coisa, para alguma coisa. Ou seja, quer saber
se “a comédia” é objeto direto e se “para” é objeto indireto.

“Para”, nesse caso, não é objeto indireto, porque nessa frase quem pede, pede alguma coisa.
O verbo pedir só tem um objeto, que é o direto (a comédia), o “para” não é objeto direto, tem
valor semântico de finalidade (oração subordinada adverbial final).

Verbo preferir: quem prefere, prefere alguma coisa a outra. (não se usa que, nem do que, nem
expressões intensificadoras).

O preferir pode ser direto ou indireto – com preposição A para o objeto indireto.

Prefiro a democracia ao totalitarismo. (a democracia – OD / ao totalitarismo – OI)

Verbo Visar: pode ter 3 sentidos – mirar, apontar; pôr o visto – transitivo direto.

Desejar, aspirar – transitivo indireto.

Ex.: o policial visava o alvo (od)

Visou o passaporte (od)

Aquele candidato visava à aprovação (oi)

Eles só visam ao lucro (oi)

O verbo visar, com o tempo foi sofrendo modificações. Visar, no terceiro sentido,
modernamente, aceita-se sem preposição. Ou seja, quando tem o sentido de desejar, aspirar,
pode ser transitivo indireto e, modernamente, pode ser utilizado como transitivo direto, ex.:
ele visa o cargo público, e não somente ao cargo público.

________________________________ = __________________________________________

PONTUAÇÃO

Uso da vírgula
Não se separam sujeito de verbo, nem verbo de complemento = o que quer dizer
complemento? Não se separa o verbo do objeto direto, o objeto direto do objeto indireto, não
se separa também o verbo do predicativo do sujeito.

Questão: No trecho “quase uma em cada dez pessoas no mundo (cerca de 600 milhões de
pessoas) adoece e 420 mil pessoas morrem depois de ingerir alimentos contaminados...”, a
inserção de uma vírgula logo após “pessoas” prejudicaria a correção gramatical do texto. Certo
ou errado?

Toda análise sintática começa pelo verbo: adoece. Sujeito: quase uma em cada dez pessoas.
Portanto, se for colocada a virgula, separará o sujeito do verbo, logo, prejudicaria a correção.
O que poderia acontecer seria colocar 2 virgulas, ficando a palavra “mundo” entre virgulas.

Regras de uso da vírgula:

Regra 1 – A vírgula separa o aposto e o vocativo. Aposto é um termo que explica o outro
termo.

Ex.: Fabiana, a secretária do curso, ligou e deixou um recado;

“A secretária do curso” é o aposto. É uma informação adicional, que pode sair da frase, por
isso veio entre virgulas.

Xapuri, [importante município a 150 quilômetros da capital do Acre], (Rio Branco), foi o
principal cenário de atuação de Chico Mendes;

Essas duas informações que estão em negrito são apostos. Para reconhecer o aposto, basta
analisar aquilo que poderia sair da frase.

Muito bom dia, senhora!

Senhora é o vocativo. Vocativo é a invocação.

Regra 2 – A virgula separa as enumerações (= temos de mesma função) e certas repetições.

Ex.: Ele se mostrava simples, atento, correto, sensível e digno.

O Brasil é o centro de origem do abacaxi, do açaí, do amendoim, do cacau, da castanha, do


cupuaçu, do maracujá.

Regra 3 – Marca a omissão (zeugma, elipse) da palavra. A CEBRASPE usa a expressão “elipse”. É
a virgula que aparece para mostrar que houve um termo omitido.

Ex.: as paixões eram súbitas; as separações, sem aviso.

A virgula antes de “sem aviso” está substituindo o verbo (eram) que foi elidido. A gramatica
tradicional diz que quando um elemento é omitido tendo sido citado anteriormente, é
chamada de virgula do zeugma, entretanto, não é preciso falar zeugma, já que zeugma é uma
elipse (omissão), portanto, pode chamar de zeugma ou simplesmente de elipse.

Bush inventou a guerra preventiva; Fidel, a execução preventiva.


A virgula após “Fidel” marca a elipse do verbo “inventou”.

Pode ser chamada também de virgula vicária.

Regra 4 – Separa oração adjetiva explicativa, expressões explicativas, retificativas, de situação.

Oração adjetiva explicativa:

Ex.: O Tejo, que é o maior rio de Portugal, nasce na Espanha;

Sabe-se que essa é uma oração adjetiva explicativa pois ela vem com um pronome relativo
(que), e se vem entre virgulas é explicativa.

Ex.: Regressei a Brasília e despedi-me de Celso, que prosseguiu viagem.

Expressões explicativas, retificativas, de situação:

São aquelas: por exemplo, isto é, enfim, então, ou melhor, etc. Essas expressões vêm sempre
entre virgulas.

Voltando à primeira parte da regra 4, que é a mais importante, o que é oração adjetiva?

É aquela que, quando vem desenvolvida, vem com pronome relativo. Desenvolvida é aquela
que vem com conectivo (a reduzida vem sem conectivo, assunto para ver depois).

Desenvolvida: vem com pronome relativo Toda vez que vier um pronome relativo, a oração vai
ser adjetiva, e aí pode ser restritiva ou explicativa.

Ex.: os alunos que acabaram a prova podem sair. Essa oração é adjetiva. Quando ela vem sem
virgulas, é restritiva, quer dizer que só os que acabaram a prova podem sair, restringe-se um
grupo em relação as demais.

A explicativa vem com virgulas porque ela não restringe, ela explica. É uma informação
adicional. Ex.: os alunos, que acabaram a prova, podem sair. Todos acabaram a prova, todos
podem sair. Portanto, é uma oração adjetiva explicativa.

Questão: Passávamos férias na fazenda da Jureia, que ficava na região de lindas propriedades
cafeeiras.

A retirada da virgula alteraria os sentidos originais?

O “que” é um pronome relativo (= qual), portanto, trata-se de uma oração adjetiva, veio com
virgula, então é oração adjetiva explicativa.

A retirada da virgula alteraria sim o sentido original da frase, porque de explicativa, passaria a
ser restritiva.

Pode ter um complicador:

Quando a oração vem no meio (explicativa), ela vem entre virgulas.


Os alunos, que são inteligentes, fizeram boa prova. A supressão das virgulas geraria alteração
semântica, passaria a ser oração adjetiva restritiva. Devido a oração estar no meio,
normalmente retira-se as duas virgulas. Pode complicar se a banca disser sobre retirar uma
virgula só, e nesse caso estaria errado, porque as virgulas são casadas, não é possível tirar uma
só. A NÃO SER QUE:

Questão: Para assegurar a tutela dos direitos difusos, que dizem respeito à sociedade em
geral, foram criados instrumentos para estimular a democracia participativa.

A eliminação da virgula empregada logo após “difusos” não comprometeria a correção


gramatical do texto, mas alteraria seus sentidos originais?

A oração entre virgulas é uma oração adjetiva explicativa, e nesse caso, apesar de a banca
pedir para retirar só uma virgula, não comprometeria a correção gramatical, apenas alteraria
seu sentido. A retirada apenas de uma virgula não comprometeria a correção, pois ela tem
duas funções: fechar a oração adjetiva explicativa e separar a oração adverbial deslocada “Para
assegurar a tutela dos direitos difusos que dizem respeito à sociedade em geral”. Se ela tivesse
só a primeira função, a assertiva estaria errada, pois teriam que sair as duas virgulas.

A oração adjetiva pode vir também sob a forma reduzida:

Sem pronome relativo.

Questão: O ICMS, adotado no país, é o único caso no mundo de imposto que, embora se
pareça com o IVA, não é administrado pelo governo federal – o que dá aos estados total
autonomia para administrar, cobrar e gastar os recursos dele originados.

O emprego das virgulas para isolar as expressões “adotados no país” e “embora se pareça com
o IVA”, é: ( ) facultativo em ambas as expressões ( ) obrigatório apenas na primeira expressão

( ) apenas uma escolha estilística do autor (x ) justificado por regras distintas de pontuação

( ) necessário devido ao deslocamento dessas expressões dentro do período.

Na segunda expressão as virgulas foram utilizadas por se tratar de uma oração adverbial
deslocada, ou seja, na ordem direta ficaria no final e foi para o meio. (Revisão sobre isso
depois).

A primeira expressão é oração adjetiva explicativa, vem sem pronome relativo porque é
reduzida.

Na primeira expressão ó uso das virgulas é facultativo, com mudança de sentido (de explicativo
para restritivo). Na segunda não é facultativo por se tratar de uma oração deslocada, as
virgulas são obrigatórias.

É obrigatório apenas na segunda expressão.

Não é escolha estilística, é regra gramatical.

Só houve deslocamento na segunda expressão, na primeira não era deslocamento e sim


oração adjetiva explicativa.

É justificada por regras distintas de pontuação = resposta correta.


Obs.: não confundir com aposto. A primeira expressão não é aposto porque aposto é função
do substantivo, adjetivo não é aposto! “adotado” é adjetivo, não substantivo.

Ex. de aposto: Adriana, professora de português, chegou.

Professora é substantivo. As virgulas no aposto são sempre obrigatórias.

Questão: Por trás delas, um corredor estreito, formado por antigos decodificadores de
televisão a cabo, se esconde sob uma poeira fina que sobe do chão.

A supressão da virgula empregada logo após o vocábulo “estreito” alteraria os sentidos


originais do texto, mas manteria sua correção gramatical?

“Formado” é o que está após a virgula, é uma oração reduzida, porque está sem o pronome
relativo (que é formado), trata-se de uma oração adjetiva explicativa reduzida. Ao retirar só
uma virgula, apesar de não alterar o sentido, alteraria a correção gramatical, pois o correto
nesse caso seria retirar as duas. Ao tirar a primeira virgula e manter a segunda, a segunda
estará separando o sujeito “corredor” do verbo “esconde”, e como essa segunda virgula não
tem uma segunda função além de ser segunda virgula da oração explicativa adjetiva,
prejudicaria a gramatica.

Para saber se a virgula tem uma segunda função tem que observar se ela está fechando uma
oração deslocada. “Para assegurar a tutela dos direitos difusos, que dizem respeito a
sociedade em geral, foram criados instrumentos...” Aqui, se retirar a primeira virgula, não
acomete a gramatica pois a segunda virgula permanece pois tem uma oração deslocada e ela
tem a função de fechar essa oração. Se a banca tivesse perguntado se pode retirar as duas
virgulas, poderia, estaria certo, mas com alteração semântica, invés de explicativa seria
restritiva.

Resumo: nas orações explicativas, geralmente tira-se as duas virgulas, a não ser que a segunda
virgula tenha dupla função.

2 exemplos nos quais só se pode tirar 1 virgula e que se pode tirar 2 virgulas nas orações
adjetivas explicativas:

O menino, que é meu melhor amigo, chegou. Nesse caso, a supressão das duas virgulas
manteria a frase gramaticalmente correta e alteraria o sentido, de explicativa passaria a ser
restritiva, portanto, se a banca perguntar se pode tirar só uma, estará errado. (a supressão das
duas virgulas é o que acontece na maioria dos casos).

Se chegar o menino, que é meu melhor amigo, avise. “Que é meu melhor amigo” é uma oração
adjetiva explicativa, ao retirar as virgulas, passará a ser restritiva. Nesse caso, não tem que
retirar as duas, apenas a primeira, porque a segunda virgula tem dupla função = além de
fechar a oração explicativa, fecha a oração adverbial deslocada. Oração deslocada é a que sai
do final e vai para o início.

Questão: “Ela, agora, reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos.” –
“Agora” é um adjunto adverbial de lugar. Quando o adjunto adverbial de lugar é curto (até 3
palavras) a virgula é dispensável.
Assinale a opção em que a proposta apresentada preserva a correção gramatical e os sentidos
do texto:

Ela reúne todos os setores da economia que utilizam, agora, recursos biológicos.

Agora ela reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos.

Nas duas alternativas, a gramática está correta. Na primeira a virgula está correta, devido ao
deslocamento da oração. Na segunda, também pois a virgula é opcional. O que muda é o
sentido, porque mudança de referente é mudança de sentido. O adjunto adverbial, quando for
deslocado na frase, tem que continuar se referindo ao mesmo verbo, na primeira opção, ele
passou a se referir a outro verbo, o “utilizam”, portanto, muda o sentido. A opção correta é a
segunda alternativa.

Regra 5 - Separa as orações coordenadas (assindéticas ou sindéticas). As coordenadas


adversativas e conclusivas, se deslocadas, entre virgulas. As assindéticas são as que vem sem
conjunção e sindéticas são as que vem com conjunção.

Ex. Eram onze horas, a única luz do quarto era a lamparina, tudo convidava ao sonho e ao
devaneio. (as virgulas estão separando as orações coordenadas assindéticas)

Maria Regina acompanhou a avó até o quarto, despediu-se e recolheu-se ao seu. (assindéticas)

Tentei impedi-la de ir embora, mas não adiantou. (vem com conjunção. Quando vier com
conjunção, a vírgula fica antes – sindética)

Fica entre virgulas quando a conjunção vier deslocada – “Tentei impedi-la de ir embora, não
adiantou, porém.” Conjunção deslocada é conjunção depois do verbo, vem entre virgulas ou
com virgula e um ponto. Se tiver na posição normal, que é iniciando a oração, a virgula é antes
da conjunção.

Esse tema se trata de virgula no período composto = período composto é aquele que tem mais
de uma oração.

Questão: Desprezo o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito a dizê-lo”

É facultativo o emprego da vírgula presente na afirmação?

Essa virgula é uma conjunção coordenativa adversativa, é uma oração coordenada sindética,
portanto não é facultativa. Como foi visto, a virgula separa as orações coordenadas sindéticas
e assindéticas.

Obs.: a virgula antes do e, para a CEBRASPE, vale da seguinte forma: se o e unir orações com
sujeitos diferentes, a vírgula é facultativa. Se o e unir orações com sujeitos iguais, a gramatica
diz que a virgula é proibida. Geralmente a banca só cobra o emprego do e com a virgula nos
sujeitos diferentes, não costuma tocar no assunto de sujeitos iguais.

Quando o e tem valor adversativo (valor de oposição) ou conclusivo, a gramática diz também
que a virgula é facultativa.

Questão: A modernidade é um contrato. Todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos, e
ele regula nossa vida até o dia em que morremos.
A virgula empregada tem a finalidade de demarcar uma relação de oposição entre as orações
“todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos” e “e ele regula nossa vida até o dia em
que morremos”.

A virgula é possível, mas não porque esse e tem valor adversativo e sim porque os sujeitos são
diferentes.

Se o e tiver função de mais, a virgula também será facultativa.

Só existe um caso em que a virgula antes do e é obrigatória: quando o e está no polissíndeto.


Polissíndeto é a repetição do e. Sejam sujeitos iguais ou diferentes, a virgula será obrigatória.

Ex. Vi, e curti, e ouvir, e chorei, e compartilhei. Os sujeitos são iguais.

Regra 6 – Separa termos deslocados para o início ou meio do período.

SVC = sujeito, verbo, complemento = ordem direta. Nessa ordem, os adjuntos adverbiais ficam
ao final do período. Se deslocar o adjunto adverbial, entra a virgula. A CEBRASPE considera
virgulas facultativas quando forem termos curtos, de até 3 palavras. Acima de 3 palavras, ou se
for uma oração deslocada, as virgulas passam a ser obrigatórias.

Ex.: Geralmente as oposições não gostam dos governos.

Na ordem direta: as oposições não gostam dos governos geralmente. Quando se coloca na
ordem direta, percebe-se que o adjunto adverbial “geralmente” foi deslocado na frase original,
e por ele ser curto, a virgula é facultativa. Poderia ser “Geralmente, as oposições não gostam
dos governos.”

Nos tempos atuais, não existe país do primeiro mundo.

Nos tempos atuais é um adjunto adverbial que foi deslocado, como tem 3 palavras, o uso da
virgula também é facultativo, ou seja, poderia ser “Nos tempos atuais não existe pais de
primeiro mundo.”

Existe, no meio rural, uma violência estrutural.

No meio rural é um adjunto adverbial que é curto. Quando vem no meio, usa-se duas virgulas,
jamais apenas 1. Ou usa-se as duas, ou nenhuma.

Eles, quando todos chegaram, puderam iniciar os trabalhos.

“Quando todos chegaram” - Nesse caso é uma oração deslocada (oração é o que tem verbo),
portanto, as virgulas passam a ser obrigatórias.

Resumo:

Virgulas nos adjuntos adverbiais: (adjunto adverbial é o termo acessório da oração que indica
alguma circunstância do fato expresso pelo verbo).

Ordem direta – SVC, ajunto adverbial no final.

Em caso de deslocamento (quando sai do final e vai para o inicio ou para o meio), se for
expressão curta de até 3 palavras, virgula facultativa.
Se for uma expressão longa ou oração deslocadas (mesmo que a oração seja curta), a virgula
será obrigatória, ex.: “quando saí, meu pai chegou.” – virgula obrigatória mesmo a oração
deslocada sendo curta.

Se vier na ordem direta, a virgula será facultativa independente do adjunto adverbial ser longo
ou curto. Ex.: Meu pai chegou quando sai. Está na ordem direta, portanto, é opcional colocar a
virgula antes do quando.

Questão: “Uma manhã, introduz sua chave digital no veículo, e a porta não abre.”

“Minutos depois, chega o funcionário do banco com outra chave digital.”

As virgulas empregadas em ambas as frases se justificam pela mesma regra de pontuação?


Sim, pois ambas as expressões são adjuntos adverbiais curtas, sendo o uso da virgula
facultativo.

Questão (regra explicativa x restritiva): Em seus estudos, o economista comparou a situação de


desequilíbrio entre países pobres, cuja capacidade de produção agrícola é baixa, e países ricos,
de alta capacidade produtiva.

A supressão das virgulas empregadas logo após “pobres” e “ricos” gerariam erro gramatical se
fossem suprimidas?

A virgula depois de pobres veio porque logo dois dela veio uma oração adjetiva explicativa
(cuja é um pronome relativo), essa virgula está casada com a virgula após “baixa”, portanto,
não pode suprimir apenas a primeira virgula, já que a segunda não tem dupla função. Se
suprimisse as duas virgulas a gramatica estaria correta, mas mudaria o sentido original, de
explicativa, passaria a ser restritiva.

Na virgula depois de ricos, de “alta capacidade produtiva” é uma locução adjetiva, então com
virgula, é explicativa, é possível retirar essa virgula, só que de explicativa, vira restritiva.

A locução adjetiva é como se fosse a oração, só que não vem com verbo. Não é aposto, porque
não vem com preposição, aposto é a função do substantivo.

Uso do ponto e vírgula:

É uma pausa mais longa que a virgula e menor que o ponto.

Regra 1: Separa orações coordenadas (longas ou curtas), principalmente nos casos de


conectivos adversativos (porém, no entanto, entretanto, contudo) E conclusivos (logo,
portanto, por conseguinte...) deslocados.

Sabe-se que uma oração é coordenada quando há conjunção. Em qualquer situação em que a
vírgula estiver unindo orações coordenadas, pode-se trocar pelo ponto e vírgula, porém, usa-
se o ponto e vírgula principalmente nos casos em que há deslocamento da oração coordenada.
Ex.: Dedica-se muito à empresa; não é, contudo, reconhecido. (Contudo = oração coordenada
adversativa).

Se a oração for subordinada concessiva não cabe o uso do ponto e vírgula.

Ex.: Dedica-se à empresa, embora não seja reconhecido. (Embora é uma oração subordinativa
concessiva – não pode usar ponto e vírgula).

Regra 2 – Separa itens de uma enumeração

Ex.:

Art. 2º A inspetora-Geral de Finanças dos Ministérios Civis organizar-se-á em:

1. Divisão de administração financeira;


2. Divisão de contabilidade;
3. Divisão de auditoria.

Questão: Em outros termos, quando se trata da coisa pública, o “errar é humano” não vale,
não pode valer. E não porque o ser humano não possa errar, mas porque, direta ou
indiretamente, o erro custa muito caro à sociedade.

A correção gramatical seria mantida caso o ponto final empregado logo após “valer” fosse
substituído por ponto e vírgula? Sim, porque o “E” é uma oração coordenada aditiva.

A virgula empregada logo após “indiretamente” fosse substituída por travessão? Não. “Direta
ou indiretamente” é uma intercalação, as virgulas são casadas, logo, não é possível trocar
apenas uma virgula por travessão, é possível alterar para travessão as duas virgulas por dois
travessões, não só um.

Tipos de conjunções coordenativas


Aditivas – e, mas ainda, mas também, nem
Adversativas – contudo, entretanto, mas, não obstante, no entanto, porém, todavia
Alternativas – já, ou, ora, quer
Conclusivas – assim, então, logo, pois (depois do verbo), por conseguinte, por isso, portanto
Explicativas – pois (antes do verbo), porquanto, porque, que.

Uso dos dois pontos

Regra 1: Dá início a fala ou citação textual de outrem.

Ex.: O deputado afirmou:

_ “Os critérios para as indenizações aos anistiados deveriam ser mais rigorosos.”

Regra 2: Introduzem uma explicação, enumeração, esclarecimento.

Ex.: Hoje, acusa-se a mídia de fazer estardalhaço com a dengue, com um acidente aéreo ou
com o assassinato de uma menina. O ímpeto é o mesmo: a censura.
Questão: Curiosamente, essa é uma revolução silenciosa, pelo menos do ponto de vista
prático: ressalvados casos específicos, boa parte dos operadores...”

Os dois pontos podem ser substituídos pelo termo “porquanto” entre virgulas, sem alteração
da correção gramatical e dos sentidos do texto? Sim, pois “porquanto” é uma conjunção
explicativa, seria entre virgulas porque a primeira virgula é a virgula antes da conjunção
coordenativa explicativa, e a segunda virgula porque existe uma oração adverbial intercalada,
virgula depois de “ressalvados casos específicos” marca essa oração.

Uso das aspas

Regra 1 – Isolam uma citação.

Ex.: a advogada contou que a filha de Gonzaga dizia coisas como: “Agora temos de ir embora
porque papai já está no gabinete do presidente”.

Regra 2 – Isolam estrangeirismos, arcaísmos, neologismos, expressões populares

Ex.: Considera-se um “czar” com poderes “czaristas”.

Regra 3 – Dar destaque a uma palavra ou expressão.

Ex.: Diga-me “como” direi isso a ela.

Regra 4 – Mostrar uma palavra em sentido diverso do usual ou uma ironia.

Ex.: A princípio, há um fosso gigantesco entre a fala desarticulada dos presos e a oratória
empolada dos juízes. Eles “traduzem” os primeiros para os registros do escrivão, convertendo
gírias e elipses em prosa especializada.

Você foi “brilhante” em dizer aquela asneira.

Uso dos travessões

Regra 1: emprega-se para marcar a mudança de interlocutor nos diálogos e para dar destaque
ou ênfase a determinados termos. Seu emprego também pode ocorrer para dar mais clareza à
frase.

Ex.: Machado de Assis – grande romancista brasileiro – também escreveu contos.

Quando houver uma explicação, pode trocar as virgulas pelos travessões, quando tiver uma
intercalação tb. A troca das virgulas pelos travessões não gera erro nem mudança de sentido.
Dar ênfase ou tirar ênfase não muda o sentido.

É possível trocar os dois pontos pelo travessão, mas nesse caso é um travessão apenas. Ex.:
Tenho uma meta: aprovação / Tenho uma meta – aprovação. Se são dois travessões, não é
possível substituir um por dois pontos.

Uso dos parênteses

Regra 1: empregam-se para isolar comentários acessórios (aquilo que não é obrigatório).
Ex.: não sei se é a minha queda por causas difíceis (o socialismo, o botafogo), mas o fato é que
sempre achei a baronesa uma injustiçada.” (Luís Fernando Verissimo)

É possível substituir parênteses por travessões tb. Apesar de o travessão dar ênfase e o
parêntese tirar ênfase, isso não é mudança de sentido.

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