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Índice

Introdução ......................................................................................................................... 2

Referencial histórico ......................................................................................................... 3

Noções Gerais ............................................................................................................... 3

Conceitos ...................................................................................................................... 3

Bens públicos e os aspectos económicos do Orçamento .................................................. 6

Orçamento e Actividade Financeira ................................................................................. 7

Classificação do Orçamento ............................................................................................. 8

Tipos de orçamento ....................................................................................................... 8

Orçamento empresarial ............................................................................................. 8

Orçamento pessoal .................................................................................................... 8

Orçamento doméstico................................................................................................ 9

Orçamento familiar ................................................................................................... 9

Elemento do Orçamento e figuras afins ........................................................................... 9

Funções do Orçamento ..................................................................................................... 9

Realidades semelhantes .................................................................................................. 11

Importância do orçamento .............................................................................................. 12

Natureza jurídica ............................................................................................................ 13

A nossa posição .............................................................................................................. 13

Conclusão ....................................................................................................................... 14

Referências ..................................................................................................................... 15
Introdução
O presente tema ira debruçar-se sobre a teoria do orçamento, onde o orçamento é a parte
de um plano financeiro estratégico que compreende a previsão de receitas e despesas
futuras para a administração de determinado exercício (período de tempo); abordar-se-á
sobre conceitos chaves do tema, forma como é estruturado, as funções do orçamento, os
tipos de orçamentos, a importância, e aspectos referentes a sua natureza.
Referencial histórico
Noções Gerais
Segundo Prof. Dr. Sousa Franco (1980:31), a teoria de orçamento foi elaborada,
sobretudo durante o liberalismo e se liga intimamente aos objectivos inspiradores da
democracia liberal: proteção dos particulares contra o crescimento estadual e os acessos
do estrabismo. Este movimento foi generalizando ao longo da idade média, sofrendo um
recuo, a partir do século XVI, com o absolutismo monárquico.

Foi nomeadamente na Inglaterra que, após as revoluções liberais do século XVII, que se
foi desenhando a instituição orçamental, que, no entanto, teria uma consagração mais
exata particularmente no que diz respeito aos aspectos de autorização política, na França
(Revolução Francesa) e nos Estados Unidos.

Na sequência da revolução Francesa, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão


e a Constituição Monárquicos de 1791 vieram afirmar a competência exclusiva do corpo
legislativo para fixar as despesas e repartir os impostos, firmando de uma forma mais
precisa o conteúdo do orçamento.

Segundo a Lei n. 9/2002, de 12 de fevereiro, em Moçambique, o sistema de administração


financeira assenta em normas legais que remontam a mais de cem anos, sendo de destacar
o regulamento de fazenda, que data de 1901 e o regulamento de contabilidade publica, de
1881.

Com efeito, a partir de 1997 tem se vindo a desenvolver esforços de modernização nas
áreas do orçamento do Estado, imposto indiretos, alfândegas, entre outras, o objectivo de
melhorar o sistema de programação e execução orçamental, harmonizar o sistema dos
impostos indiretos e a pauta aduaneira com os sistemas vigentes nos países da região em
que Moçambique se insere e delinear circuitos de registo na área de contabilidade pública
visando torna-los mais eficientes, eficazes e transparentes.

Conceitos
A. Referências preliminares

São apresentados vários conceitos e definições para o orçamento.

O Orçamento pode ser considerado sob a visão de três teorias. A primeira define o
Orçamento como sendo sempre uma lei, a segunda pressupõe que o Orçamento é
composto de actos administrativos em algumas de suas partes e em outras é composto por
lei e a terceira teoria coloca o Orçamento com características de uma lei, porém sua
essência é outra.

O Orçamento é meramente instrumental, um meio, e não um fim em si próprio, buscando


fora de si o seu objectivo, permitindo a implementação de políticas públicas e a
programação e planeamento governamentais.

O Orçamento compreende quatro aspectos fundamentais: (a) o jurídico, que envolve a


natureza do acto orçamental quanto aos direitos e obrigações que ele gera à
Administração, aos agentes públicos e aos administrados; (b) o politico, que indica a
direção de actuação do poder politico, isto é, qual a necessidade colectiva que deve ser
entendida como de interesse público e usará, para sua satisfação, o serviço público
mediante seu critério de gasto; (c) o económico, que se refere as diretrizes económicas e
politicas fiscais adoptadas em sua elaboração e que se tornarão postulados a serem
seguidos; e (d) o técnico, estabelecendo metodologias e procedimentos administrativos e
contabilísticos adoptados à persecução dos fins do Orçamento.

O Orçamento Público é a tradução monetária das decisões políticas, ou seja, uma


programação do volume de receitas e da fixação da despesa da administração pública
durante um período de vigência determinado. Apesar desse conceito simples, o
Orçamento Público é considerado um tema específico e está aparentemente distante do
conhecimento, do controle e da participação da população, por se caracterizar pela
multiplicidade dos aspectos jurídicos, políticos, administrativos, económicos, financeiros
e contabilístico, em constante evolução técnica.

Com isso, pode-se afirmar que é no Orçamento Público que se traduzem as medidas
governamentais de carácter político-económico tomadas pelo Estado representadas pela
intervenção estatal na economia, comprando, vendendo, tributando ou subsidiando ou,
indirectamente, regulamentando ou fornecendo algum tipo de infraestrutura.

Seria ingenuidade acreditar que o baile de pressões não se vai repetir em cada ano, e que
os lobbies não vão deixar de se articular para defender seu quinhão e que a aprovação do
Parlamento sobre oque julgam prioritário é indiferente.

Portanto, a administração pública deve ser observada como o ponto central de um campo
de pressão de interesse na elaboração de uma política orçamental.
B. Noção do Orçamento

Em qualquer gestão, individual, privada ou pública, é condição essencial para a realização


de qualquer despesa, ter receita, realidades interligadas, no caso de entes públicos, à
satisfação de necessidades colectivas.

O Estado tem que prever as despesas em função das necessidades a satisfazer e com base
nelas, programar as receitas a cobrar. Há, pois, que fazer o cálculo antecipado das
despesas e das receitas.

Esta é a noção do Orçamento, que deve ser entendido como um documento no qual estão
previstas as receitas a arrecadar e fixadas as despesas a efectuar, num determinado ano
económico, visando a prossecução da política financeira do Estado.

Desta definição identificam-se três elementos, tais como: a previsão, o tempo e a


autorização. A natureza do Orçamento a extrair do conceito atrás ensaiado não é a mesma,
consoante se trate de receita ou despesa.

Será uma previsão, em princípio, fixada pelo mínimo desejável, em relação às receitas; e
é um verdadeiro limite (teto máximo) e condição, quando se trate de despesas.

O Orçamento uma autorização de realizar determinadas despesas até ao valor fixado e de


cobrar certas receitas nos valores estimados para o que se espera a máxima eficiência na
cobrança para que sejam, no mínimo, iguais às orçadas.

O Orçamento é um instrumento de controlo ao Executivo, à Administração, que vem os


seus poderes de decisão financeira limitados; instrumento de determinação dos montantes
a despender como funcionamento dos serviços, e de definição de prioridades e constitui
o quadro geral básico de toda a actividade financeira do Estado.

Aqui chegados, vê-se que, em bom rigor, o Orçamento do Estado é e deve ser mais do
que a definição atrás exposta esclarece. Vale a pena, pois, avançar por uma que julgamos
mais completa que nos põe o Orçamento do Estado como uma previsão, em regra anual,
que fixa as despesas a realizar pelo Estado, as receitas para a sua cobertura e incorpora a
autorização e os limites do exercício dos poderes financeiros pela Administração”.

Orçamento do Estado - é um documento onde se preveem as receitas e despesas públicas


autorizadas para o período financeiro; é o documento no qual estão previstas as receitas
a arrecadar e fixadas as despesas a realizar num determinado exercício económico e tem
por objecto a prossecução da política financeira do Estado, segundo o Capítulo I, art. 12
da Lei do SISTAFE (Sistema de Administração Financeira do Estado)

Despesas Públicas - é o conjunto de consumos ou gastos a serem efetuados num Estado


durante o ano económico denomina-se por despesas públicas, Prof. Dr. Sousa Franco
(1980:).

Receitas Públicas - São meios económicos obtidos pelo estado e depois usados para a
satisfação das necessidades públicas.

Conta Geral do Estado - a conta geral do estado tem por objecto evidenciar a execução
orçamental e financeira, bem como apresentar o resultado do exercício e avaliação do
desempenho dos órgãos do Estado, art. 45 da Lei 9/2002 de 12/02.

Bens públicos e os aspectos económicos do Orçamento


Na economia capitalista o que vigora é um sistema misto, onde há uma integração entre
as forças do sector público e do sector privado com o predomínio, em termos do Sector
Público, do sector orçamental da política governamental.

O Sector Público é necessário para guiar, corrigir e suplementar os mecanismos do


sistema de mercado, pois este não tem condições de desempenhar sozinho todas as
funções económicas.

Os bens públicos distinguem-se dos bens privados por não poderem ser fornecidos por
meio de um sistema de mercado, com transacções entre consumidores individuais e
fornecedores.

São dois os elementos que distinguem os bens públicos dos bens privados: (a) é a sua
característica de não exaustão ou não rivalidade, ou seja, o consumo dos bens públicos
por um indivíduo não diminui o montante de bens disponíveis para os outros consumirem
e (b) é a não exclusão, ou seja, não há como excluir os não pagantes, impedindo-os de
utilizarem o bem.

Isto significa que o fornecedor não terá meios para estabelecer um preço, uma vez que os
não pagantes poderão usufruir do bem de qualquer forma. Alguns bens possuem uma das
características dos bens públicos, mas não ambas, ocupando uma posição intermediária
entre os bens públicos e privados. Nem sempre o fornecimento de bens públicos implica
a sua produção pelo Estado, podendo também ser efectuada pelo sector privado, mas
financiada pelo Orçamento Público.
Para obter um resultado mais satisfatório na aplicação dos recursos públicos que custeiam
os programas e actividades governamentais são utilizadas um conjunto de técnicas.
destinadas a proporcionar maior eficiência à previsão e à classificação dos dispêndios
públicos e sua distribuição por períodos determinados. Daí vem a evolução da técnica e
metodologia orçamental pública, evolução que acompanhou o desenvolvimento dos
demais mecanismos utilizados pelo Estado nas actividades financeiras.

Desta forma, já a partir da Grande Depressão de 1929, o Orçamento Público ganha


significativa condição de instrumento de política e programação económica. A partir de
John Maynard Keynes (1883-1946) e do papel desempenhado por suas teorias no combate
aos efeitos da Grande Depressão de 1929, observa-se uma generalizada aceitação da
aplicabilidade, às finanças públicas, do moderno instrumental analítico utilizado na
ciência económica, atribuindo-se ao Governo funções de importância decisiva.

Orçamento e Actividade Financeira


O Estado, com o seu papel de satisfazer as necessidades colectivas da nação tem de
produzir bens e serviços para tal, o que implica a realização de despesas e para cobrir
estas despesas precisa de recursos financeiros.

"O orçamento é o quadro geral básico de toda actividade financeira, na medida em que
através dele se procura regular a utilização que é dada aos dinheiros públicos. Nem toda
actividade financeira, no entanto, se cinge a execução orçamental, nomeadamente nos
Estados modernos”. As duas principais zonas que pode ser indicada como escapando à
disciplina orçamental são:

Actividade Patrimonial do Estado - O Estado tem um património que tem que ser gerido
através de um conjunto de operações. Esta zona da actividade financeira, que se relaciona
com os elementos permanentes e duradouros, não se prende propriamente com a gestão
dos dinheiros públicos, a entrada e saída de fundos durante o ano que o orçamento
pretende disciplinar. As operações que o Estado pratica em relação aos seus bens (ativo
patrimonial) ou as dívidas e responsabilidades que os oneram (passivo patrimonial), são
as operações patrimoniais, e nada têm a ver com o orçamento, embora tenham reflexos
sobre o orçamento.

Actividade do tesouro público - o tesouro é um serviço encarregado da centralização de


todos os movimentos de fundos (correspondendo à caixa das empresas privadas). Em
princípio cabe-lhes assegurar a execução do Orçamento através de recursos monetários.
Classificação do Orçamento
Compete ao Governo aprovar e manter um classificador orçamental de receitas e despesas
do Estado, cuja estrutura obedeça às seguintes regras:

• Receita orçamental é classificada de acordo com os critérios económicos,


territorial e por fontes de recursos;
• A despesa orçamental é classificada de acordo com os critérios orgânicos,
territoriais, económico e funcional.

Tipos de orçamento
Embora o princípio geral seja o mesmo, as diferentes categorias de orçamento podem
assumir características próprias, que permitem manter o foco na missão definida. Para
facilitar, vamos falar sobre quatro delas.

Orçamento empresarial
Entre os tipos de orçamento, o empresarial costuma ser o mais complexo. Geralmente
pensado para o período de um ano, ele pode ser fracionado em meses, o que permite
realizar um acompanhamento mais próximo.

Para que o detalhamento e as projeções sobre despesas e receitas sejam desenvolvidos,


são considerados não apenas os dados passados. Também é necessário fazer uma análise
do momento vivido pela empresa, dos objetivos do negócio e das perspectivas que o
mercado reserva.

Planejar o orçamento ajuda a preparar a empresa para aproveitar da melhor forma os


desafios e as oportunidades, assim como facilita prever a alocação de recursos e corrigir
erros. É sobre gastar de uma maneira mais estratégica, sem comprometer o futuro.

Orçamento pessoal
A ideia do orçamento pessoal é a mesma, mas aqui o foco é você e a sua relação com o
dinheiro. Ou seja, o planejamento é feito considerando a sua renda e os seus gastos,
sempre de olho nos objetivos definidos.

A boa notícia é que se manter dentro das estimativas e dos prazos só depende de você, o
que permite um nível de comprometimento muito maior. Por outro lado, é necessário se
policiar: se o plano para que as metas sejam atingidas não for levado a sério, os seus
sonhos ficam mais distantes.
Orçamento doméstico
O orçamento doméstico tem o foco específico nos gastos que estão relacionados ao lar e
tudo aquilo que ele precisa para funcionar bem. Um dos aspectos principais é a
alimentação, responsável por consumir boa parte dos recursos. A principal dificuldade
aqui é convencer todos os envolvidos a se engajarem na causa, quando existem outras
partes implicadas.

Orçamento familiar
Já o orçamento familiar é um pouco mais amplo e inclui não apenas a organização do dia
a dia doméstico, mas também daqueles objetivos de longo prazo que mobilizam toda a
família. Pode ser a faculdade de um dos filhos ou aquela viagem dos sonhos.

O controle pode ser um pouco complicado, já que as rendas e os gastos se multiplicam.


Então, o segredo é manter a disciplina. Uma planilha conjunta, que todos possam atualizar
em tempo real, tende a funcionar melhor.

Elemento do Orçamento e figuras afins


a) Elemento económico - Trata-se da previsão da gestão orçamental do Estado.
b) Elemento político - É a autorização política deste plano ou projeto de gestão estadual.
c) Elemento jurídico - instrumento pelo qual se processa alimentação dos poderes dos
órgãos da Administração no domínio financeiro.

O Orçamento Geral do Estado distingue-se, assim, de algumas outras figuras afins dos
orçamentos das pessoas privadas, da conta do Estado, do Balanço do Estado e do Plano
Económico global do Estado.

Funções do Orçamento
A. Funções Económicas

O orçamento tem funções puramente económicas. Economicamente o orçamento é uma


previsão. E, dentro das funções económicas do orçamento, podemos considerar em dupla
perspetiva:

• Racionalidade económica - O orçamento permite uma gestão mais racional e


eficiente dos dinheiros públicos, na medida em que concretiza uma relação entre
as receitas e as despesas.
• Quadro de elaboração de políticas financeiras, modernamente, o orçamento, de
um ponto de vista económico, é encarado com um elemento fundamentalmente
para execução das políticas financeiras conseguindo-se através de orçamento
conhecer a política económica global do Estado.
B. Funções Políticas

O orçamento é uma autorização política que visa conseguir duas ordens de efeito:

• Garantir dos direitos fundamentais - Assegura-se através da disciplina orçamental


que a propriedade privada só é tributada na medida em que tal seja consentido
pelos representantes dos proprietários;
• Garantia do equilíbrio dos poderes - Através do mecanismo da autorização
política, a cargo das Assembleias da República, cabendo a esta um papel
importante no controlo do executivo.
C. Funções Jurídicas

Decorrem do seu elemento político e consubstanciam-se através do aparecimento de toda


uma série de normas destinadas a concretizar as funções de garantia que o orçamento
visava prosseguir.

Como acima se refere, o orçamento do Estado é a previsão de receitas e despesas que


poderão ser feitas por um Governo durante o ano económico. Dada a complexidade da
elaboração do orçamento é importante que se integre os vários sectores públicos, com
vista a uma previsão racional dos recursos públicos. Assim é importante que se considere
os seguintes aspetos: anuidade, unidade e universalidade, não consignação, especificação,
orçamento bruto e publicação.

D. Função administrativa

Sob o ponto de vista administrativo, o Orçamento constitui-se um autêntico objecto de


planeamento, no qual se procura administrar e compatibilizar as acções governamentais,
tendo em vista as demandas prioritárias, os recursos disponíveis e a eficiência dos
serviços prestados pelo Estado.

Deve já deixar-se uma nota leve sobre a diferença sobre Lei Orgânica do Orçamento
contida no SISTAFE5" e na Lei n° 15/97, de 10 de julho, e a Lei do Orçamento do Estado
que é anual e elaborada em estrita obediência à Lei Orgânica do Orçamento.

A norma jurídica que é o Orçamento fundamenta a actividade financeira do Estado


evitando o arbítrio no dispêndio dos dinheiros públicos.
O Orçamento tem, entre nós, uma consagração constitucional. Como pode ver-se, estas
funções são independentes. A autorização parlamentar é feita no suposto de alcançarem-
se certos e determinados objectivos, através de uma eficiente e racional gestão dos
dinheiros (função económica) se for garantida uma adequada fiscalização (função
jurídica).

E. Função financeira
No plano financeiro, o Orçamento sistematiza o fluxo de ingressos e desembolsos do
Poder público. Significando a concretização do recolhimento das receitas do Estado e
utilização destas para o pagamento dos compromissos assumidos.

F. Função técnica
Sob o ponto de vista técnico, o Orçamento refere-se à síntese de todos os aspectos, sendo
um procedimento que envolve regras práticas e que assegura a realização de determinados
fins, sistematizando por meio de um documento contabilístico a classificação clara,
metódica e racional das receitas e despesas do Estado.

Realidades semelhantes
Há realidades que importa distinguir de Orçamento por, dada a proximidade com ele
poderem confundir-se, tais como a Conta do Estado, o Orçamento das pessoas privadas,
o plano económico e os Orçamentos administrativos.

a) Conta do Estado
A Conta do Estado, que é um registo ex-post da execução orçamental, difere do
Orçamento pelo elemento temporal: a Conta é um registo de factos passados reportando
o modo de execução do Orçamento; diferentemente, o Orçamento, como já se disse, é
uma previsão.

b) Balanço do Estado
O Balanço avalia e confronta o activo e o passivo do Estado, num determinado momento,
de forma a apurar a sua situação patrimonial. Temos a diferenciá-lo do Orçamento o
elemento temporal e o objecto.

c) Orçamento das pessoas privadas

Diferentemente do Orçamento do Estado, os Orçamentos privados não detêm as funções


política e jurídica, e não são dotadas de vinculatividade, não obstante se lhes reconheça a
qualidade de estimativas racionais.
d) Plano Económico

O Plano Económico não abrange o universo da actividade financeira e limita-se a algumas


previsões de despesas de capital

e) Orçamentos Administrativos

Por Orçamentos administrativos designam-se partes do Orçamento que constituem


previsões e autorizações administrativas internas respeitantes a sectores ou estruturas da
Administração.

Importância do orçamento
A importância de organizar um orçamento está em ser mais vigilante com o seu dinheiro,
prestando atenção aos detalhes. Você sabe dizer, por exemplo, qual é a sua renda depois
de descontados todos os impostos ou quanto gasta em um mês?

Essas são informações básicas para construir e manter uma previsão orçamentária, mas
que muitas pessoas e empresas ignoram. Com esse instrumento, você consegue agir com
base nos seus objetivos, independentemente de quais forem – basta que, para a sua
realização, seja necessário utilizar recursos financeiros.

O orçamento é um valioso instrumento de planejamento e controle das operações da


empresa, qualquer que seja seu ramo de atividade, natureza ou porte. Estabelece, da forma
mais precisa possível, como se espera que transcorram os negócios da empresa,
geralmente num prazo mínimo de um ano, proporcionando uma visão bem aproximada
da situação futura. É através do orçamento que se estabelece metas com a equipe, dando,
assim, uma visão clara de onde a empresa quer chegar.

A prática do orçamento empresarial é uma das técnicas administrativas bastante utilizadas


pelas grandes instituições empresariais, nacionais e multinacionais. Quando se trabalha
sem o orçamento, trabalha-se pensando somente no mês (facturamento) e não é muito
raro as equipes de gerentes e supervisores, não conhecerem os objetivos e as metas da
empresa. Isto tem acontecido muito com as pequenas e médias empresas, pois elas têm
relutado em utilizar o orçamento empresarial como forma de gerir e prever resultados
futuros, dizendo que isso não faz parte da sua realidade.
Natureza jurídica
A natureza do Orçamento é controvertida, havendo aqueles que admitem poder ter uma
natureza uniforme e aqueles que defendem que a sua qualificação jurídica pressupõe uma
fragmentação. É assim que o Orçamento pode ser qualificado como:

a) Lei em sentido material

Seria uma lei em sentido material pois considera-se uma norma inovadora.

b) Lei em sentido formal

Os que não concordam com a sua qualificação como lei em sentido material sustentam
que não passa de uma autorização ao Governo para realizar despesas e cobrar receitas.
Não se entende que seja uma verdadeira lei pois não fixa regras gerais e permanentes.

c) Acto Administrativo

Entende-se que é um acto administrativo por constituir um plano de gestão financeira.

d) Acto-condição

Seria acto-condição por entender-se que o Orçamento é instrumental na gestão dos


negócios públicos pelo Governo.

e) Qualificação por partes

Entende-se que, tendo em vista as despesas, pode ser um acto administrativo; em relação
às receitas tributárias pode ser acto-condição.

A nossa posição
A Lei do Orçamento contém matéria inovadora e de conteúdo injuntivo que é incindível
da parte que pode ser considerada um simples plano de gestão financeira, sem norma
jurídica que contenha ordem ou uma proibição.

O segundo pressuposto é que o Orçamento contém autorizações legislativas e a


competência orçamental da Assembleia da República é exercida sob a forma de lei, por
imposição legal.

Está igualmente claro que o Orçamento não é um simples acto político, que é uma lei em
sentido formal sendo que do seu desrespeito há penalidades previstas em lei
enquadradora.
Conclusão
Dado o exposto compreende-se que orçamento é um valioso instrumento de planejamento
e controle das operações da empresa, qualquer que seja seu ramo de atividade, natureza
ou porte. Estabelece, da forma mais precisa possível, como se espera que transcorram os
negócios da empresa, geralmente num prazo mínimo de um ano, proporcionando uma
visão bem aproximada da situação futura.
Referências
Lda, O. G. (04 de 12 de 2021). Onze. Obtido de Onze Gestora de Investimentos:
https://www.onze.com.br/blog/orcamento-o-que-e-tipos-e-como-elaborar-o-seu/

Martins, M. D. (2013). Licoes de Financas Publicas e Direito Financeiro. Coimbra:


Almeida.

Waty, T. A. (2011). DIreito Financeiro e Financas Publicas. Maputo: W&W Editora.

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