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25/05/2020 Exigências físicas do cérebro

Exigências físicas do cérebro

Site: ESKADA | Cursos Abertos da UEMA Impresso por: Karla Cristina Silva Sousa
Curso: Neuropedagogia Data: segunda, 25 mai 2020, 10:25
Livro: Exigências físicas do cérebro

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25/05/2020 Exigências físicas do cérebro

Sumário

1. Movimento (parte 1)

2. Movimento (parte 2)

3. Oxigênio

4. Alimentação

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1. Movimento (parte 1)

Segundo Daniel Wolpert « a única razão de ser do cérebro é o movimento”.

Para Giulia Enders, o movimento é a mais extraordinária contribuição dos seres vivos. Não existe outra justificação para nossos músculos, para os
nervos desses músculos e certamente para o nosso cérebro.

Tudo que um dia pode mudar o curso da humanidade só foi possível porque nós somos dotados de movimento.

O movimento não é somente caminhar ou lançar uma bola. É também a expressão do rosto, a articulação das palavras ou a realização de
um projeto.

Nosso cérebro coordena os sentidos e cria experiência para gerar movimento – movimento da boca, movimento das mãos, movimento
cujo raio se estende sobre vários quilômetros ou sobre somente alguns milímetros. Sem esquecer que nós podemos também influenciar o
mundo, diminuindo o movimento48.

Logo, um comportamento é antes de tudo, um conjunto de movimentos produzidos pelos músculos. Esses músculos estão sob o controle
de nosso sistema nervoso que é o fruto da evolução.

O controle de todos os nossos movimentos vem do nosso cérebro. Uma das regiões mais envolvidas no controle desses movimentos
voluntários é o córtex motor.

O cérebro serve essencialmente para produzir comportamentos que são primeiro e antes de tudo movimentos e várias regiões do córtex
cerebral estão envolvidas no controle desses movimentos. Por exemplo: comer, dormir, falar, rir, lutar, ter medo, ter relações de amizade,
sexual, filial, ou seja, todos esses todos esses comportamentos que preenchem nosso cotidiano e nos parecem naturais.

A produção do movimento é organizada em diferentes níveis de controle. Ao nível superior, está o controle do córtex sobre os movimentos
voluntários. Trata-se de todos os movimentos que exigem uma coordenação e uma precisão adaptada a uma determinada situação por
meio das informações dadas pelos nossos sentidos.

O nível mais elementar é controlado pela medula espinhal, sem sequer recorrer ao cérebro. Os neurônios da medula espinhal controlam
assim os movimentos reflexos e os movimentos rítmicos na origem do andar.

Entre os dois se situam todos os tipos de movimento como aqueles que permitem a respiração que, como os movimentos do caminhar,
têm um componente automático, mas podem também ser modificados voluntariamente (reter seu sopro, correr etc.)

O que entra no nosso cérebro vem dos nossos sentidos e o que sai é expresso sob forma de movimento, a fala envolvendo também a
contração de vários músculos.

O corpo humano contém pelo menos 600 músculos que movem um esqueleto de mais de 200 ossos. Ele constitui assim um formidável
arranjo de alavancas e molas, cuja fina mecânica deve ser coordenada pelo nosso sistema nervoso.

Nos seres humanos, embora o desenvolvimento dos movimentos voluntários tenha atingido um alto grau de originalidade e de precisão, é
importante lembrar que nós também conservamos muitos reflexos que facilitam nossa vida e que apareceram há muito tempo, ao longo da
evolução.

A impermanência impregna de sua marca (marca com seu selo) todas as coisas, tudo muda, tudo se transforma. A imobilidade é uma
ilusão porque tudo que é está permanentemente em movimento.

Alain Gerbault, navegador e escritor francês, falando sobre o movimento dizia que.

"No final das contas, tudo é hipótese e incerteza. O conhecimento absoluto é proibido ao ser humano. Como ele é arrastado no movimento
relativo da Terra, ele só pode ter conceitos relativos. Para conhecer o absoluto seria preciso que ele pudesse se manter no espaço, livre de
todo movimento. Mas então ele não seria mais humano, ele seria Deus"

O movimento: nosso sexto sentido

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Alain Berthoz, engenheiro e neurofisiologista francês, diz que nós não temos somente cinco sentidos. Além dos sensores da visão, da
audição, do tato, do paladar e do olfato, temos também os sensores que detectam o movimento. Nenhum dos sentidos individualmente
pode medir o movimento, é a cooperação de todos esses sentidos que constitui esse sexto sentido que é o movimento.

O cérebro deve, a partir desses sentidos, reconstruir uma percepção única e coerente das relações de nosso corpo e do espaço.

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2. Movimento (parte 2)

O cérebro é um simulador de ação que utiliza a memória para prever as consequências da ação. Para compreender os mecanismos que ligam
percepção e ação é necessário reintegrar o corpo sensível no estudo da percepção, do pensamento, da emoção.

Alain Berthoz ver o cérebro como um prodigioso simulador, um gerador de hipóteses que projeta sobre o mundo suas pré-percepções. Um gesto
parecerá “ameaçador” ou “amigável”, de acordo com a intenção que atribuímos ao seu autor. A percepção não tendo então nada de um fenômeno
passivo, mas ao contrário, um processo dinâmico, ativo, efetuando uma verdadeira seleção dos acontecimentos da vida. Um cérebro que calcula a
toda velocidade, a partir das múltiplas informações recebidas dos sentidos.

Para ele, a percepção é uma construção multissensorial. O sentido do movimento é um sexto sentido que resulta da cooperação entre vários
sensores.

Os professores não podem mais ignorar essa realidade. É nosso corpo inteiro que aprende. O movimento sendo uma necessidade física do nosso
cérebro nós precisamos compreender o quanto é difícil para muitos alunos permanecerem estáticos durante horas e horas.

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3. Oxigênio

O cérebro representa aproximativamente 2% do peso do corpo humano. Mas ele mobiliza em permanência aproximadamente 20% do sangue e do
oxigênio.

O cérebro é o órgão mais vascularizado. Nenhuma célula nervosa se encontra afastada de mais de um meio-centésimo de milímetro de um capilar
sanguíneo.

Nosso cérebro é um grande consumidor de oxigênio, ele sozinho consome 20 % do oxigênio do corpo, ou seja, 0,8 litros de sangue por minuto,e no
entanto, ele só pesa 2% do peso do corpo. Com as pesquisa atuais sabemos que um tecido orgânico em movimento aumenta sua taxa de consumo
de oxigênio. A energia utilizada pelo organismo provém da degradação de uma molécula-depósito, o ATP (adenosina-trifosfato), em ADP (adenosina-
difosfato).

A regeneração do ATP é obtida por uma reação, necessitando oxigênio e glicose (fosforilação oxidativa).

Segundo Trocmé-Fabre, como podemos exigir de um grupo de alunos ou de candidatos a uma prova (ou simplesmente pessoas que se comunicam),
uma atividade cerebral eficaz, quando estes se encontram durante várias horas no mesmo espaço confinado? Isso nos dar o direito de questionar
sobre o valor do desempenho exigido: avaliação dos conhecimentos e das habilidades? Ou... teste de resistência a anóxia?

Todo professor deveria saber que confinar o cérebro é maltratá-lo e empobrecê-lo.

A atividade de um cérebro que lê, ouve, fala... provoca um aumento no consumo de oxigênio e de glicose em áreas ativadas pela tarefa, resultando
em um aumento do fluxo sanguíneo local.

Para que haja uma aprendizagem coerente com alunos e professores felizes é necessário que seja criado continuamente condições ideais de
funcionamento, dando ao cérebro o que ele precisa.

A higiene cerebral deve fazer parte da pedagogia. Lembremos que nós consumimos cada dia 15 kg de ar e 4 kg de oxigênio. Desses 4 kg, só o
cérebro consome 20%... Luz natural, alimentação (muita água), alternância, pausas, afetividade, vida relacional, conhecimentos e linguagem (ns) são
alimentos indispensáveis à vida cerebral e devem ser integradas numa verdadeira pedagogia.

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4. Alimentação

Ninguém está imune a falhas, perdas, acidentes… nem responsável por suas possíveis deficiências cerebrais. Porém, a manutenção é da
responsabilidade de cada um. Ela consiste em recuperar ou conservar o ecossistema, onde o funcionamento cerebral é ideal (“eco” vem da palavra
grega oikos = casa), respeitar os ritmos básicos do organismo e buscar o equilíbrio dos fatores endógenos e exógenos que participam da vida
cerebral.

O envelhecimento cerebral não é inevitável. O cérebro é um órgão como os outros. Ele exige que seja dado o que ele precisa e que seja evitado o
que lhe é prejudicial: álcool, fumo, drogas alucinógenas, antidepressivos e tranquilizantes…

A ideia amplamente divulgada, atribuindo ao álcool poder de estimulação provém de um desconhecimento total – e além do mais – perigoso – dos
seus efeitos. O álcool é um depressor e seus efeitos são cumulativos. Os centros corticais superiores, que controlam o raciocínio e o julgamento, são
os primeiros a serem inibidos. O sistema límbico, sede de nossas emoções, é então liberado de qualquer entrave. Os centros do equilíbrio, da
coordenação, da consciência e da respiração, o cerebelo e a formação reticular são afetados, por sua vez.

Outros alimentos, terríveis inimigos do cérebro são também a renúncia, a ausência de projeto, a solidão.

Além dos alimentos saudáveis, o cérebro precisa também do encontro e da afetividade.

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