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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR DO EGRÉGIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS

VITÓRIA..., nacionalidade, profissão, viúva, RG nº, inscrito no CPF sob o nº,


residente e domiciliado endereço completo, por seu advogado signatário
(conforme procuração anexa), inconformado com o v. acórdão já transitado em
julgado que o condenou como incurso no §2º do inciso IV do art. 121 CP, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, propor REVISÃO CRIMINAL, com
fulcro no art. 621 III CPP, 623 CPP e 630 CPP, pelas razões de fato e de direito
a seguir expostas:

SINTESE DOS FATOS

A resta o condenado definitivamente, com transito em julgado , incurso no §2º


do inciso IV do art. 121 CP, tendo sido a sentença confirmada em 2ª instância e
já transitada em julgado.

Joaquim das Dores encontrava-se trabalhando como pedreiro em uma


empresa de engenharia após ter conseguido o livramento condicional requerido
pela defesa.

No entanto, infelizmente, Joaquim sofreu um acidente na obra, não resistiu aos


ferimentos e faleceu no local.

Após o ocorrido, uma mulher chamada Maria procurou por Vitória, viúva de
Joaquim, e contou que seu ex-marido, Mário, teria sido o verdadeiro culpado
pela morte de João das Couves. Segundo ela, o problema começou quando
Mário descobriu que o filho do casal, na verdade, era filho de sua esposa com
João das Couves, seu amigo de infância. De acordo com Maria, seu ex-marido
atirou em João e o matou por ter ficado revoltado com a traição de ambos.

Não bastasse o fato, disse ainda que o irmão de Mário filmou o homicídio para
mostrar a ela o que havia acontecido com o seu amante. Afirmou com
veemência que tal fato poderia acontecer a ela se o caso chegasse ao
conhecimento da polícia.

Mas, agora, ela estava mais tranquila, pois Mário havia sido preso pelo
cometimento de outro delito, fato que lhe deu coragem para contar a verdade.
A autoridade policial, ao tomar conhecimento dos fatos ocorridos, ouviu Mário,
que confessou o crime, entregou a arma utilizada e o vídeo que comprovava ter
sido ele o autor dos disparos que ceifaram a vida de João. Mário repetiu ao juiz
tudo que disse ao delegado.

Afirmou, ainda, não conhecer Joaquim das Dores, condenado pelo crime por
ele cometido, e que não se arrependia de ter lavado a sua honra com o sangue
de João das Couves.

DO DIREITO

DA ALTERAÇÃO NO POLO ATIVO

De acordo com o que foi relatado, Joaquim das Dores já faleceu. Portanto, ele
não pode fazer parte do polo ativo da demanda, já que a morte extingue a
personalidade jurídica do indivíduo. Portanto, Joaquim não é mais capaz de
titularizar direitos ou contrair obrigações.

Nesse sentido, O art. 623 do CPP admite que o cônjuge, ascendente,


descendente ou irmão realize o pedido de revisão criminal no caso de morte do
réu. Portanto a viúva de Joaquim, Vitória, deverá compor o polo ativo, pois
já demonstrou esse interesse, de acordo com os fatos narrados:

Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por
procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

DA INOCENCIA DO CONDENADO
Ocorre que após a morte de João das Dores surgiram provas capaz de
caracterizarem a inocência deste, senão vejamos trechos narrados nos autos
que comprovam o alegado:

“Após o ocorrido, uma mulher chamada Maria procurou por Vitória,


viúva de Joaquim, e contou que seu ex-marido, Mário, teria sido o
verdadeiro culpado pela morte de João das Couves. Segundo ela, o
problema começou quando Mário descobriu que o filho do casal, na
verdade, era filho de sua esposa com João das Couves, seu amigo de
infância. De acordo com Maria, seu ex-marido atirou em João e o
matou por ter ficado revoltado com a traição de ambos. Não bastasse o
fato, disse ainda que o irmão de Mário filmou o homicídio para mostrar
a ela o que havia acontecido com o seu amante. Afirmou com
veemência que tal fato poderia acontecer a ela se o caso chegasse ao
conhecimento da polícia. Mas, agora, ela estava mais tranquila, pois
Mário havia sido preso pelo cometimento de outro delito, fato que lhe
deu coragem para contar a verdade. A autoridade policial, ao tomar
conhecimento dos fatos ocorridos, ouviu Mário, que confessou o crime,
entregou a arma utilizada e o vídeo que comprovava ter sido ele o autor
dos disparos que ceifaram a vida de João. Mário repetiu ao juiz tudo
que disse ao delegado. Afirmou, ainda, não conhecer Joaquim das
Dores, condenado pelo crime por ele cometido, e que não se
arrependia de ter lavado a sua honra com o sangue de João das
Couves.”

Além disso, vale lembrar dos artigos 621 e seguintes do CPP, assim como
poderá citar vários artigos constitucionais, como o inciso III do art. 1º e os
incisos XXXV, XXXVI e LXXV do art. 5º da CF.

Diante dos fatos expostos, restou comprovando a inocência do já falecido João


das Dores, sendo admitida neste caso a revisional e que seja dado o
provimento a esta ação proposta pela defesa, nestes termos vejamos o que
prevê o art. 621, III, do CPP:

Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:


I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto
expresso da lei penal ou à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em
depoimentos, exames ou documentos comprovadamente
falsos;
III  - quando, após a sentença, se descobrirem novas
provas de inocência do condenado ou de circunstância
que determine ou autorize diminuição especial da pena.
DO DIREITO A INDENIZAÇÃO

A parte requerente pugna pela indenização, tendo em vista os danos morais e


materiais causados, já que Joaquim foi impedido injustamente de trabalhar e
conviver por um longo período com a sua família.

Além disso, mesmo já falecido, restou comprovado diante dos fatos


acostados nos autos que não ter sido Joaquim o autor do homicídio, pois
fora relatado por Mário que repetiu ao juiz tudo que disse ao delegado. Afirmou,
ainda, não conhecer Joaquim das Dores condenado pelo crime por ele
cometido.

Portanto, de acordo com o que foi relatado, houve danos a vários direitos da
personalidade, principalmente ao direito de ir e vir, sem falar na violação à
dignidade da pessoa humana. 

Por esse motivo, requer a indenização, com base no art.630 do CPP, vejamos:

Art. 630. O tribunal, se o interessado o requerer, poderá


reconhecer o direito a uma justa indenização pelos prejuízos
sofridos.

Dessa forma, restou provado a inocência do condenado por crime que não
praticou, e caso obtenha o reconhecimento de sua inocência por meio de
revisão criminal, terá direito à indenização estatal, conforme entendimento do
STF (RE 24371, Relator(a): ABNER DE VASCONCELOS - CONVOCADO,
Primeira Turma, julgado em 24/06/1954, DJ 14-10-1954 PP-11059 EMENT
VOL-00189-02 PP-00528).

DO PEDIDO

Diante do exposto, requer


a) Seja acolhida e provida a presente ação revisional, que seja declarada a
inocência de Joaquim das Dores.

b) Seja reconhecido o direito do Requerente à indenização, como medida


de justiça.

Nestes termos, pede deferimento.

Local, data.

_________________________

Nome e assinatura do advogado.

Nº da OAB.

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