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Um HOMEM
MAIS VELHO

JULIANA MUNIZ

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Abraçar Natália era o prazer mais sublime


que Ricardo já experimentara. Estava no limite do
autocontrole. Sabia que não deveria desejá-la tanto,
afinal ela era 17 anos mais nova que ele e isso lhe
trazia uma grande insegurança. Mas Natália não
concorda com isso e ao poucos arrebata seu
coração.
O sentimento entre eles era tão forte que
eles imaginavam estar destinado um ao outro e eles
se casam. Mas uma revelação abala Ricardo que se
torna um homem frio e indiferente. Natália não
estava preparada para lidar com esse novo homem
e seu casamento chega ao fim.
Por pouco tempo, logo o destino os une
novamente, mas ao mesmo tempo que isso
acontece, Vitor, o irmão de Ricardo, também se
torna mais presente na vida de Natália, provocando
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um grande ciúmes em Ricardo que não vê isso com


bons olhos.
Em uma trama na qual nada é o que parece
e onde a vida lhes oferece uma segunda chance,
onde as linhas escritas pelo destino são impossíveis
de serem apagadas

Todos os direitos reservados.


Autora: Juliana Muniz
Copyright ©2016
Proibidos a reprodução, o armazenamento
ou a transmissão, no todo ou em parte.
Todos os personagens desta obra são
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fictícios.
Qualquer semelhança com pessoas vivas ou
mortas é mera coincidência.

CAPÍTULO I

Natália repetia a cena mais uma vez, agora

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estava como Milady Sophia vestida com uma


túnica vermelha por baixo de seu uniforme do
escritório que trabalhava durante o dia. Com uma
bandeja pequena nas mãos com um bule de café e
uma pequena xícara, caminhava até Sir Hector. Seu
amigo que o representava e como se soubesse da
insegurança dela lhe sorriu de modo confiante a
incentivando. Ele estava de costas para a plateia
feita só dos professores e diretores, ninguém viu o
sorriso que ele lhe deu.
Agora ela tinha que passar pelo palco que se
transformara em uma sala do século XIX. Ela
estava nervosa, com medo de esquecer o texto. As
xícaras tremiam na bandeja, fazendo-a olhar para
elas enquanto caminhava, tentou conter o riso
quando viu a cara que Vitor fez quando ouviu o
som das xícaras ressonando. Então, seu pé enroscou
no tapete vermelho grosso e tudo voou.

Natália saiu com Vitor da Escola de Artes


Dramáticas que fazia todos os dias à noite depois
do trabalho. Era um casarão abandonado que
transformaram em uma escola de teatro. Agora
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rindo muito estavam na calçada. Embora na hora


que tudo voou, ela não achou graça nenhuma.
Vitor a pegou pela cintura, e com um
sorriso debochado perguntou.
—Tem certeza que irá desistir?
Natália ainda rindo olhou para a escola e
suspirou.
— Vitor, eu sou uma negação. Não tenho
vocação para o teatro. Você viu como o senhor
Foster perdeu a paciência quando a bandeja voou
das minhas mãos?
Vitor, ainda com a cena fresca na memória,
não se conteve enxugando as lágrimas de tanto rir,
disse com ironia:
—Você só molhou todo o figurino com
café!
Natália ria agora.
—Também, precisava ser tão perfeccionista
e colocar café na xícara? Poderíamos apenas fingir.
Vitor riu mais ainda se inclinando e
colocando a mão na barriga.

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— Vitor para!
Ele não parava de rir. Disse tentando conter
o riso.
— O que você quer que eu faça? É muito
hilário. —Ele se conteve um pouco. —E você vai
parar de atuar só por isso? Só por ter infestado a
sala com cheiro de café?
Natália sorriu.
— Já estava pensando em desistir. E agora
depois disso, não tenho coragem de encarar todos.
Vitor disse tentando ficar sério, mas ainda
falava rindo.
— Se você parar de fazer as aulas, acho que
também desistirei.
Natália ficou séria:
—Ah não vai não! Você tem aptidão para o
teatro.
Vitor se aproximou mais, com olhos
ardentes fitando os olhos verdes de Natália.
— Você acha milady Sophia?
Natália sorriu.
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— Acho sir. Hector.


Vitor suspirou.
— Se você sair, atuar ficará sem graça.
Natália ficou séria.
— Vitor, para com isso. Você atua tão bem.
Vitor deu de ombros.
—Faço isso para desestressar. Meu irmão ás
vezes pega pesado comigo na fábrica. Ele parece
um feitor de escravos.
Vitor e Ricardo herdaram a fábrica de
tecidos, do seu falecido pai. Eles, desde então, a
dirigiam juntos.
Natália conhecia Vitor há um mês, ele era
muito brincalhão, e isso fazia com que tivessem
uma imagem de desleixo e descompromisso.
— Vitor, não exagera. Ele como irmão mais
velho, deve se sentir responsável por você.
Vitor sorriu.
— A verdade é que sou vinho, e meu irmão
é água. Não somos nada parecidos.
Natália sorriu para o amigo.
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—Você sempre que pode fala dele. No


fundo você o admira.
Vitor olhou ao redor na calçada.
—Nós vamos continuar nos falando aqui? O
que você acha de irmos aquele barzinho ali? —
Disse apontando.
Natália observou o barsinho, que era até
charmoso, com cadeiras na calçada e ficou
pensativa.
—Está tarde. Amanhã eu trabalho.
Vitor se aproximou sério. Os olhos
castanhos escuros dele desceram para a sua boca.
— Por que você não me leva a serio
Natália? Por que você reluta em sair comigo?
Natália baixou os olhos.
— Te vejo como um amigo.
—Você acha que sou narigudo? —Ficou de
perfil. —Ou não sou atraente o suficiente? —Ele
fez uma cara de infeliz.
Natália sorriu com meiguice. Observando
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os cabelos castanhos escuros dele, os olhos


castanhos expressivos, o queixo quadrado.
—Você é lindo Vitor. Mas nunca consegui
te ver mais que um amigo.
Vitor fez um muxoxo.
—Ninguém me leva a sério.
—Por que será? —Natália riu.
Vitor ficou sério agora.
— Você poderia sair comigo, com a
condição de sermos apenas amigos. —Ele beijou os
dedos em forma de cruz. - Eu prometo me
comportar.
—Só se você me prometer que não irá
deixar as aulas por minha causa.
Vitor ergueu as sobrancelhas, pensativo.
— Prometo.
Natália suspirou.
— Está certo, e promessa é dívida.
Vitor se inclinou.
— Sim senhorita.

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Ela então disse, sorrindo.


—E tem mais, eu sairia com você mesmo se
não me prometesse.
Vitor riu.
— Eu sei.
Natália bateu nele de leve.
—Sabe nada!
— Claro que sabia. No fundo, ninguém
resiste a meu charme.
Natália riu.
—Está certo homem charmoso. Mas hoje,
terei que ir embora. Minha tia deve estar
preocupada. Eu costumo avisar quando vou
demorar.
— Amanhã te vejo?
—Não. Sábado, podemos sair. O que acha
de irmos ao cinema?
Vitor fez uma careta.
—Cinema não. Sinto falta de falar.
Natália riu.

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—Mais?
Vitor suspirou sério.
— Meu irmão anda com um mau-humor
que eu estou até o evitando. Não tenho com quem
conversar.
—Você é tão alegre e não consegue levantar
o astral de seu irmão?
Vitor ainda sério lhe contou.
— Um funcionário, quase perdeu a mão em
uma máquina. Ele ficou arrasado. Parece que foi
grave.
Natália perdeu a paciência.
—Vitor. Parece? Você fala como se não se
interasse dos assuntos da fábrica.
Vitor deu de ombros.
—Para quê? Ele já faz isso!
Natália balançou a cabeça em sinal de
desolação. Vitor a olhou sedutor.
— Sábado então te pego.
— Que horas?

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— Às sete?
— As sete. —Natália confirmou. —A onde
iremos?
— Pensei em sair para comer uma pizza.
— Ótimo.
Vitor sorriu e beijou suas mãos. Natália
como sempre se esquivou, e sorrindo sem graça o
deixou.
Natália depois de estacionar seu Dodge
velho, chegou a sua casa, depois das nove. Sua tia,
logo que a ouviu entrar na sala, veio recebê-la.
— Você demorou.
Ela abraçou tia Sara.
— Eu sei. É que, hoje deu tudo errado. Na
hora de representar milady Sophia, tropecei e
derrubei café em todo mundo.
Sua tia riu com gosto. Natália fez uma
careta.
— Desisti de atuar. Depois disso, só
reforçou minha decisão.
— E seu diretor? Ele brigou com você? Por
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isso se atrasou?
Natália sorriu.
— Não titia. Já era o ultimo ato. Quando
isso aconteceu, meu diretor finalizou os ensaios. E
não esperei ele me dar sermão, pois sai de lá com
um amigo. E ficamos conversando.
— Um amigo mesmo? —Ela sorriu pelo
duplo sentido da pergunta.
—Sim tia. Ele é apenas um amigo.
— Está certo querida, irei me deitar então.
Natália sorriu.
— Claro tia. Vai descansar.
A semana passou rápido e Sábado chegou.
Natália não sentiu falta das aulas noturnas na escola
de Teatro. Tinha mais tempo para ela.
Podia descansar, ler, conversar com sua tia,
assistir TV. Mas até certo ponto, pois sentiu falta
do humor irreverente de Vitor. Já teria desistido
antes da escola, mas o ambiente era tão bom, e
Vitor o animava tanto que foi ficando.
Já estava pronta esperando Vitor. Vestiu
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com simplicidade, afinal, apenas iam comer uma


pizza.
Colocou uma calça Jeans escura, tênis
preto, uma camiseta preta com a imagem dos
Beatles.

Pontualmente às sete ouviu o som da

campainha. Quandoabriu a porta com um sorriso,

seu sorriso desapareceu. Ela ficou paralisada ao

ver aquela imagem. Vitor estava impecável, em um

terno preto, gravata vermelha. Natália afastou o

corpo para ele passar. Sua colônia era maravilhosa.

Seu coração se agitou preocupado.

Ele sorriu sem graça quando a viu só de


jeans e camiseta. Natália fechou a porta e pôs as
mãos na cintura.
—Você me disse que íamos comer uma
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pizza. Não que íamos a um jantar de gala.


Vitor sorriu.
—Eu sei, só quis impressionar você.
Natália suspirou.
—E conseguiu. Mas e eu? Como fico? Vou
ter que me trocar.
Vitor avançou.
—Desculpe-me, Natália. Espere.
Vitor tirou o paletó, a gravata vermelha,
abriu alguns botões e subiu as mangas da camisa.
Abrindo as mãos disse sorrindo.
—Voilá!
Natália sorriu dizendo.
—Melhorou.
Natália não sabia onde Vitor queria chegar
com tudo isso. Mas uma coisa era certa, não queria
magoar o amigo.
—Vitor. Você entendeu mesmo minha
posição?
Vitor suspirou.

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—Somos amigos.
Natália sorriu.
—Certo! Então vamos!
A noite estava estrelada e gostosa. No carro
de Vitor, ele foi aquela alegria de sempre. A
pizzaria que ele escolheu não era sofisticada, mas
familiar e aconchegante e ficava de frente a um
parque. Escolhemos uma mesa no canto, perto de
um lindo jardim de inverno, com uma cascata que
caía em um mini lago, onde carpas multicoloridas
nadavam.
—Não conhecia esse lugar. É lindo.
Vitor sorriu aberto.
—Acerteiiiiiiiiiiii! —Disse maroto. —
Sabia que ia gostar! Pontos para mim!
Natália sorriu.
—Não sabia que participávamos de um
jogo?
Vitor ficou sério.
—É modo de dizer.
Natália riu, mas preocupada.
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—Já sei. Você quis me impressionar?


Vitor sorriu sedutor.
—Eu quis agradar uma amiga. Posso?
Natália sorriu sem graça.
—Claro.
Vitor escolheu o vinho, que era
maravilhoso, escuro, encorpado. Natália sabia que
não era qualquer vinho, mas era “o vinho.” Eles
escolheram juntos a pizza: quatro queijos. Rindo e
comendo, passaram a noite.
Quando entraram no assunto família. Vitor
suspirou. Contou-lhe nostálgico de seus falecidos
pais, que morreram em um acidente de carro, há
dois anos. Contou-lhe que sentia a falta deles, pois
foram criados com muito amor. Foram
privilegiados em estudar em escolas caras. Que
herdaram a fábrica enxuta, pois seu pai era um bom
administrador, e que Ricardo tinha puxado ao seu
pai, pois a dirigia com mãos de ferro.
Agora era a vez de Natália falar de si. Ela
lhe contou que não tivera pai. Era filha de mãe
solteira, onde sua falecida mãe a gerou quando já
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tinha 40 anos. Foi muito pobre, e estudou com os


esforços de sua mãe, que fazia faxina para fora.
Sua mãe morrera muito jovem, com 50 anos, ela
tinha apenas 10 anos de idade na época. Tia Sara,
que era viúva e sem filhos, cuidara dela desde
então.
Vitor a ouvia quieto. Era a primeira vez que
ela o via tão concentrado. Sempre estava brincando
com ela.
—A minha vida pareceu um mar de rosas,
em relação a sua. E eu que me julgava um
coitadinho por ter perdido meus pais tão cedo.
Vitor pegou as mãos dela na mesa. Natália
sorriu tirando a mão.
—Perda é perda. A minha perda, não é
menor que a sua, por eu ter sido pobre.
Vitor assentiu, e sorrindo sedutor.
—É verdade! Então vamos mudar de
assunto?
—Acho ótimo. Mas não hoje. Você me
deixa em casa?
Vitor fitou o relógio de ouro.
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—Natália. É tão cedo.


Natália suspirou e o observou séria. Vitor
mostrou as palmas das mãos, vencido, ao ver a
expressão dela.
— Tudo bem! Não está mais aqui quem
falou.
Ele pediu a conta e logo a conduziu a sua
BMW. Andaram na calçada, calados.
Vitor dirigiu quieto. Natália ainda não
estava à vontade com ele. E preocupada se
perguntava: Será que ele entendia mesmo que ela o
queria como um amigo? Pensar sobre isso lhe doía
como faca afiada no peito.
Quando ele estacionou em frente sua casa,
se virou para ela.
Natália disse aflita.
—Vitor.
—Shiii. Eu sei. Você está preocupada
comigo, e não quer me magoar.
Era incrível a sensibilidade que ele tinha em
saber o que lhe ia na mente antes mesmo dela falar,

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e assentiu.
— Verdade. Posso descansar então?
Vitor sorriu.
—Não. Sou apenas um homem solitário e
que reconhece quando encontra uma boa
companhia. E eu gosto de sua companhia. Só isso.
O alívio a dominou e ela sorriu feliz.
—Eu também gosto muito de sua
companhia.
Vitor sorriu sereno.
— Quando nos vemos?
—Vitor. Isso que preciso falar com você.
Acho que não devemos nos ver com frequência.
Vitor ficou sério.
—Por que não?
—Porque não quero que fique gastando
comigo. Não somos namorados, e eu não me sinto
bem.
— Amanhã, você poderia ir a minha casa.
Afinal, eu conheço a sua. Não gastaríamos nada.

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Natália fitou Vitor em dúvida.


—Por favor. Amigos vão à casa um do
outro.
Natália suspirou, não queria ser chata e
acabou respondendo.
—É, amigos vão!
—Você poderia almoçar comigo, podemos
mais tarde jogar baralho.
Natália pensou almoçar era muito tempo,
riu com a cena deles jogando baralho.
—Jogar baralho?
Vitor sorriu.
—Por quê? Você não sabe jogar?
Natália acenou um não sorrindo. Vitor ainda
sorrindo disse animado.
—Mais um motivo para ir.
—Tudo bem. Que horas você me pega?
—Que tal às nove da manhã?
Natália explicou.
—Amanhã minha tia me pediu para dar uma
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pintada no quarto dela.


Vitor suspirou.
—À tarde então. Depois do almoço.
— Bem a tardezinha.
Vitor sorriu.
—Ô menina difícil! Te pego às cinco horas
da tarde.
—Ótimo. Mas nada de baralhos. Vou a sua
casa, conversamos.
Vitor completou.
—Jantamos.
Natália falou sorrindo.
—Ok, jantamos e você me deixa em casa.
Vitor disse de um jeito maroto.
—Até amanhã, minha querida amiga.
—Até amanhã.
Natália viu o carro dele se afastar, triste.
O que fazer? Não poderia mandar em meu
coração. Seria tão fácil se pudesse amá-lo.
Ele era uma pessoa maravilhosa. Mas
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conviveram muito no teatro, entre encenações e


brincadeiras, sem que ela conseguisse vê-lo além
de um amigo.
Vitor sabia disso, pois sempre a convidou
para sair. E ela entre uma desculpa e outra lhe
negara. Agora estava saindo com ele, mas não
estava gostando da maneira que ele estava
conduzindo as coisas.
Amanhã iria a casa dele, mas teria que dar
uma cortada. O que menos queria era ferir o
coração do amigo.
Natália passou o dia pintando as paredes do
quarto de sua tia. Quando terminou já era uma hora
da tarde. Tia Sara, já tinha preparado o almoço, e
fez tudo que ela gostava. Carne assada com batatas,
arroz branco e salada de maionese.
Sua tia adorava uma novela, e lhe contava
uma trama envolvendo um casal, e o desfecho com
um episódio romântico.
—Esse rapaz que está saindo. Vocês não
estão namorando mesmo? —De repente ela lhe
perguntou.

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Natália suspirou.
—Não tia.
—Mas ele está afim de você.
—Ah tia, a senhora também acha. Né?
—Mais é claro, querida.
— Tia, mas hoje eu vou dar um basta nisso.
Não quero magoá-lo, e ele com jeitinho vai me
conduzindo e eu não estou gostando disso.
Natália tomou um banho e tirou um restante
de tinta das mãos. Foi enrolada na toalha escolher
um vestido. Pegou um preto, bem discreto. Tudo
que menos queria era chamar atenção de Vitor.
Prendeu seus cabelos loiros em um coque. E usou
uma maquiagem leve.
Não tinha dado nem cinco horas a
campainha tocou. Natália foi até a porta. Vitor
estava lá com uma rosa solitária na mão. Ele vestia
um jeans escuro, camisa aberta no peito onde se
entrevia o seu peito peludo.
Natália séria disse ao pegar a rosa.
—Linda, obrigada.

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—Peguei do vaso de casa. —Riu maroto. —


Uma rosa para uma rosa. E você está linda.
Natália sorriu não acreditando muito.
—Estou?
Vitor se aproximou dela.
—Você acha que não sei, que pegou esse
vestido certinho só para passar um ar sério?
Natália não conseguiu deixar de rir. Vitor
completou.
—Mas não funcionou. Você está ainda mais
bonita.
Natália fechou os olhos e os abriu, vendo-o
sorrir para ela.
—Vamos Vitor, senão ficará muito tarde.
—Você parece a cinderela. Que precisa sair
antes da meia noite, para que seu carro não se
transforme em abóbora.
Natália meneou a cabeça sorrindo.
—Vamos?
—Vamos.

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Capítulo II

Natália entrou num hall maravilhoso da bela


cobertura. No elevador, ela ficou constrangida de
estar em um ambiente fechado com Vitor, ela
encostou-se a parede e ficou a olhar os sapatos
enquanto ele subia, o tempo todo sentia os olhos de
Vitor sobre si.
Quando o elevador abriu, Vitor abriu a
porta de uma aconchegante sala. Tapetes de cores
alegres cobriam os pisos de lajotas. Sofá branco
com tons amarelos. Cortinas creme revestiam todos
os vidros corrediços, que se estendiam por todo o
apartamento, que davam acesso a uma grande
sacada.
—Vitor. Que lindo!
Vitor sorriu.
—Quem decorou foi mamãe.
Natália assentiu quase dando um sorriso.
Entendendo o quanto era duro para eles à perda dos
pais. Segundo Vitor, seu pai era originário da Itália,
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e a passeio, conhecera sua mãe inglesa. Ele se


mudou para cá e investiu todo seu capital em uma
pequena fábrica de tecidos, que se tornou próspera.
—Você aceita um vinho tinto? — Vitor
ofereceu.
—Já quer me embebedar? —Brincou. —
Um pouco. Sou muito fraca para bebida.
Vitor sorrindo, lhe disse.
—Já volto.
Natália sentou no sofá com uma revista nas
mãos. E alguns minutos depois Vitor surgiu na sala
com uma cara contrariada.
—Acabou o vinho. Vou comprar aqui em
uma delicatessen que tem aqui perto, levarei apenas
alguns minutos.
Natália se levantou.
—Ah, não vai não! Não precisa.
—Precisa sim! Esqueceu que sou filho de
italiano? Não discuta comigo e fique aqui
quietinha, não fuja, eu já volto. — Ele disse com
um sorriso maroto nos lábios e saiu do

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apartamento.
Natália o se sentiu contrariada, mas por fim,
deu de ombros. Foi então em direção a sacada,
abrindo a porta de vidro corrediço. Respirou a ar
fresco. A vista era maravilhosa. Podia-se ver um
grande parque, no horizonte casas estilo Tudor, ao
lado delas do lado esquerdo um grande lago, ruas
movimentadas que margeavam grandes prédios e
ruazinhas afastadas, cheias de pequeninas casas.
Distraída, sentindo a brisa, ficou a observar
o movimento das pessoas lá embaixo. Não saberia
dizer quanto tempo ficou distraída olhando a vista
quando ouviu uma porta se abrir. Com um sorriso
no rosto, virou-se e seguiu em direção a sala
pensando ser Vitor.
Logo o choque. Não era Vitor, era um
homem alto, moreno de cabelos negros e olhos
negros penetrantes. Ele era uma cópia mais velha
de Vitor. Seus olhos se encontraram e ele lhe
sorriu. Natália ficou constrangida, seu sorriso
morreu e enrubesceu.
— Desculpe-me, pensei que fosse Vitor.

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O homem estava de pé em frente a ela. Os


olhos escuros dele brilhavam divertidos. Com
1,76m, Natália estava longe de ser baixinha,
mesmo assim com certeza perto dele, teria que
levantar a cabeça a fim de olhar para seu belo rosto.
Ela ficou a olhar para ele, e a primeira
impressão foi: Lindo de tirar o fôlego. Tinha
cabelos escuros e o corpo cheio de músculos. Sua
calça preta social se acomodava perfeitamente em
seus quadris. As mangas de sua camisa branca
estavam dobradas, revelando os braços de pelos
escuros. Os cabelos pretos e nas laterais grisalhos
estavam bem penteados para trás. O clichê do
homem alto, moreno e bonito devia ter sido
inventado especialmente para ele, pensou,
forçando-se a não se deixar impressionar. Ele era
másculo da cabeça aos pés.
Ele estava completamente parado enquanto
seus olhos escuros penetravam os dela.
Natália suspendeu a respiração, sentiu-se
vulnerável e exposta. Os olhos dos dois se fixaram
e um calor subiu pelo corpo dela de maneira
inesperada. Teve que se esforçar para se manter
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impassível, mesmo tão encantada com a presença


marcante e dominante dele.
Ele se aproximou com o olhar fixo no seu.
Natália como que hipnotizada, não conseguia
desviar do seu olhar, quando ele já estava bem
próximo, desceu lentamente até sua boca e depois
ele a observou.
O corpo inteiro de Natália parecia pulsar em
resposta. Ela sentiu o coração batendo
violentamente.
Ricardo ficou perdido em uma avalanche de
sensações que ela lhe despertava. Isso era um
tormento, ela parecia ser a garota que Vitor estava
interessado. Disse seu nome sem conseguir desviar
dos lindos olhos verdes dela.
— Sou Ricardo Meneguzzi, irmão de
Vitor. —Ele disse com uma voz profunda e grave
Sentiu se quente ao ouvir o nome dele. O arrepio só
podia ser a reação automática ao olhar intenso, ao
sorriso e ao fato de ele ter segurado sua mão por
tempo demais. Tentou passar casualidade na voz.
—Natália Ashton, amiga de Vitor.

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Ricardo sorriu mostrando dentes brancos


perfeitos, por um breve momento. Sentiu um
grande contentamento com as palavras “amigo”. E
então ficou sério.
— Onde está meu irmão? Por que ele te
deixou sozinha?
Natália sentiu-se contrariada, com que ele
despertava nela, e defendeu Vitor, mais pela
contrariedade do que sentia.
—Ele desceu para comprar o vinho que
acabou. Creio que para me agradar.
Ricardo assentiu e perguntou desconfiado.
— Você então a garota misteriosa que ele
saiu ontem?
Natália suspirou.
—Misteriosa? —Perguntou sem entender.
—Sim. Vitor tem andado muito diferente. E
ontem quando perguntei com quem ele ia sair, ele
não quis me dar explicações.
Natália suspirou.
—Quanto a estar diferente, eu não sei. E
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sim, saímos ontem. Mas somos apenas amigos.


Ricardo ainda queria saber mais sobre ela, e
a mediu, e insistiu, desconfiado que houvesse mais
do que ela lhe falava.
—Uma garota bonita como você? Só amiga
de meu irmão?
Natália já se culpava de estar saindo com
Vitor, sua tia tinha feito à mesma pergunta, e ela
contrariada disse séria, com uma leve irritação na
voz.
—Sou uma amiga sim! Por quê? Um
homem não pode ser amigo de uma mulher?
Ricardo ergueu as sobrancelhas de vê-la se
exaltar e sorriu aberto.
—Pode sim. Mas... —Ricardo ia falar algo.
Mas deu de ombros. —Deixa para lá.
Natália insistiu.
—Por favor, o que você ia me falar?
Ricardo estava incomodado, ela era muito
bonita, seu irmão com certeza não a tinha levado lá
para estreitar os laços de amizade, ele estava

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interessado na garota.
Disse advertindo-a.
—Meu irmão não dá ponto sem nó. E você
deveria pensar sobre isso.
Natália sentiu as lágrimas virem aos olhos e
piscou. Não queria magoar Vitor. Os limpou
rapidamente.
Ricardo percebeu. Ela realmente estava
incomodada com a situação.
Ele lutou para dar sentido a suas reações
físicas e mentais. Estava acostumado a ver uma
mulher e avaliá-la a distância, com os desejos
controlados. Essa mulher era inegavelmente linda e
ele se pegou imaginando-a em seus braços e
beijando aquela boca tentadora.
—Perdoe-me. É que me preocupo com meu
irmão. Não quero vê-lo de coração partido. Eu já
amei uma vez, e isso quase acabou comigo.
Natália suspirou, e enxugou outra lágrima.
—Eu deixei claro para ele, desde o início
que éramos apenas amigos. Mas Vitor com seu
jeito brincalhão é bem insistente e persuasivo.
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Ricardo deixou transparecer sua tristeza.


—Meu irmão, depois que meus pais
morreram, surtou. Ele com esse jeito brincalhão,
usa na verdade uma máscara, para ocultar sua dor.
Mas eu o conheço. Ele pode estar confundindo
carência afetiva com amor por você, ou estar
gostando de você realmente. Tenho tentado puxá-lo
para os negócios da família, mas ele não está
levando a sério, prefere ficar brincando de ator.
Para sua fascinação ainda maior, ela corou e
desviou o olhar. Então falou: —Seu irmão atua
muito bem.
Ricardo ergueu as sobrancelhas. Natália
explicou.
—Eu estudava com ele.
—Estudava? Por que, não estuda mais?
Ela riu e contou do seu vergonhoso
episódio.
Ambos riram muito. Ricardo então ficou
sério e seus olhos adquiriram um brilho estranho.
Isso fez com que Natália sentisse um arrepio na
espinha. Será que ele não era capaz de se livrar
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daquele charme másculo por um instante sequer?


—O que você pretende fazer a respeito?
Conheço meu irmão, ele não irá desistir.
— Vou ser firme com ele.
Ricardo assentiu.
—Espero que isso o afaste.
Natália sentiu as batidas rápidas do coração.
E enquanto pensava no assunto ouviu a porta se
abrir. E Vitor aparecer com a garrafa de vinho nas
mãos.
—Ah, já vi que se conheceram?
Ricardo sorriu.
—Sim, Natália estava contando do episódio
desastroso quando atuava como milady Sophia.
Vitor sorriu, mas em seu íntimo sentiu algo
estranho no ar. Pois seu irmão a fitava com grande
interesse. Natália estava diferente também.
Nessa hora apareceu uma senhora.
— Posso servir o jantar? —Ela perguntou.
Ricardo sorriu para Natália.

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—É muito cedo para você?


Natália sorriu levemente para Ricardo,
sentindo uma leve torpeza. Seus olhos não
conseguiam se desviar dos dele.
— Não. —Sorriu com timidez.
Ela então se deu conta que não parava de
olhar Ricardo. E desviou os olhos para o amigo que
os olhava sério.
Ricardo que ainda a olhava, desviou os
olhos dela com esforço e fitou Vitor.
—Tudo bem para você. Vitor?
—Claro. —Disse sério.
Ricardo viu a seriedade do irmão. E então
percebeu que não conseguiu tirar os olhos de
Natália, desde que ele a avistou.
Natália observou o amigo e se sentiu
culpada.
Mas culpada do quê? Eu era livre. E o
tempo todo tinha deixado claros meus sentimentos.
Então lhe veio outro pensamento. Estava
com Vitor, mesmo ele encarando isso como
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amizade ou não. Natália se afastou de Ricardo e foi


em direção a Vitor. Tentando amenizar as coisas.
—Você demorou. —Disse contrariada, mais
por causa de ter se sentido tão indefesa com a
presença de Ricardo.
Vitor disse sério.
—Foi difícil achar o vinho. A adega que
costumo comprar estava fechada.
Natália sorriu fraco.
—Vou fazer uma ligação, volto em um
instante. — Ricardo disse para eles.
Natália sorriu para Ricardo. E quando ele se
afastou, inconscientemente, não conseguiu deixar
de reparar nos cabelos levemente grisalhos em sua
nuca. Enquanto ele não sumiu de suas vistas no
corredor ficou a olhá-lo.
Então, como se lembrasse da presença de
Vitor, voltou a atenção para ele e sorriu sem graça.
—Natália, é impressão minha ou entre você
e meu irmão surgiu um clima?
Natália ficou sem ação com a direta de

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Vitor e ficou vermelha, demorou a responder. Vitor


suspirou.
—Não precisa responder. Vamos?
Natália puxou Vitor, quando ele seguiu na
frente.
—Vitor...
Vitor a fitou sério. Ele a silenciou com o
olhar.
—Vem.
Vitor afastou a cadeira para Natália se
sentar e sentou-se ao lado dela, Natália viu o lugar
vago com um prato na cabeceira da mesa. Logo viu
Ricardo entrando e assumindo sua posição.
—Perdoem-me.
Natália assentiu e se concentrou em seu
prato. Vitor a tinha servido de um pouco de tudo.
Lasanha, carne assada, pequenas batatinhas
douradas.
Natália reparou que Vitor tinha colocado
pouca comida, e bebia muito vinho. Ela suspirou
angustiada.

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Sabia que ia ser assim. Que Vitor no fundo


estava investindo nela, mesmo com aquele papo de
amigo. E agora ela tinha entrado em um jogo
complicado.
O clima antes descontraído. Ficou meio
estranho. De um lado Vitor muito atento a tudo e
calado. E Ricardo parecia por um momento alheio a
tudo, mas seus olhos viviam procurando os dela.
Natália para quebrar o silêncio perguntou
para Vitor.
—E a escola? Como anda? Comentaram
alguma coisa da minha saída?
Vitor deu de ombros.
— Sim. O senhor Foster nos viu saindo
juntos. E no outro dia, perguntou de você. Eu
expliquei que você tinha desistido do teatro. E que
eu estava pensando em sair também.
—Vitor, você atua tão bem!
Ricardo que até agora comia quieto,
interrompeu a conversa.
—Eu pedi para Vitor parar com as aulas.

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Os olhos verdes confusos de Natália se


encontraram com os firmes olhos negros de
Ricardo, ela sentiu um arrepio involuntário na
espinha.
—Eu me ausentarei na semana que vem. E
preciso que ele assuma a fábrica. Ele não terá
tempo para brincar de ator.
Natália lançou o seu olhar para Vitor, que
sorriu nessa hora para ela confiante.
—Eu já estava com vontade de sair mesmo.
Como te falei, o teatro era apenas uma distração.
Natália assentiu e se concentrou em seu
prato. Passaram a comer em silêncio. Natália
lançou o olhar para Ricardo que sorriu para ela.
—Quer mais vinho?
Natália negou.
—Não, obrigada. —Seus olhos verdes
ficaram presos nos de Ricardo.
—Seus olhos parecem duas esmeraldas. —
Ele comentou a olhando intensamente.
Natália sentiu-se quente e sorriu tímida para

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ele. Desviou seus olhos e observou Vitor que a


olhava. Ele encheu de novo sua taça de vinho e
erguendo a taça, lhe deu um sorriso e lhe fez uma
saudação. Natália sentiu uma pontada no coração
com o sorriso de deboche de Vitor.
Que espécie de sorriso era aquele? Eu não
era sua namorada, a qual lhe pertencia. Tinha
deixado claro isso. E eu não estava fazendo nada
de errado. E outra coisa, nunca mais veria
Ricardo, mesmo porque não voltaria mais ao
apartamento.
Com toda essa cena, concluiu que Vitor no
fundo investiu na amizade com a intenção de ir
além dela.
Vitor os observou a noite inteira, os olhares
trocados, os gestos e percebeu em Natália um
interesse por Ricardo que ele não havia visto
quando ela estava ele. Ricardo também estava
diferente, os olhos do irmão viviam procurando os
dela. Engoliu um gemido raivoso que partia de sua
alma.
Com certeza na sua ausência ela tinha se
apresentado a ele como sua amiga e deve ter sido
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clara nisso. Ricardo então, não tinha o porquê


esconder seu interesse diante da receptividade de
Natália, pois era claro que ela estava caidinha por
ele.
Quando terminaram de Jantar, Natália foi
até uma grande coleção de discos. E pegou um do
Bee Gees. Sentiu a presença de Ricardo.
—É um, de meus preferidos.
Natália sorriu.
—Eu também gosto muito.
Ricardo sorriu. Natália sentiu seu coração
disparar no peito. Ela lembrou-se de Vitor e o
procurou na sala com os olhos. Ele estava no sofá
sentado observando os dois, com um sorriso
debochado.
Natália pediu licença para Ricardo e foi até
ele.
—Por que esta sorrindo desse jeito?
Vitor deu de ombros e se levantou.
—Ricardo, você poderia levar Natália para
casa? Eu bebi muito.

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Ricardo ergueu as sobrancelhas.


—Percebi.
Natália foi até Vitor.
—Você poderia ir comigo lá fora, para
conversarmos em particular? —Ela disse baixo.
Vitor se levantou do sofá e seguiu até a
sacada e calado se apoiou na grade. Natália se
colocou ao lado dele.
—Vitor. O que você tem?
Vitor suspirou e a observou, passou o dedo
indicador na boca de Natália.
—Você nunca me olhou como você olha
para o meu irmão. Eu percebi que ele também não é
indiferente a você.
—Imagina. Eu o conheço há poucas horas.
Vitor sorriu e a olhou intensamente.
—Em poucas horas, eu gostei de você. Não
precisou de muito tempo.
Natália abaixou a cabeça e disse triste.
—Era tudo papo, não era? Isso de sermos
amigos.
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—Somos amigos. Não somos? Você deixou


muito claro isso. —Suspirou quando viu Natália
triste. —Não fica assim. O errado sou eu..... Eu que
tenho insistido nisso tudo.
Ele falava o que no fundo ela desconfiava, e
agora com o jeito dele durante todo o jantar, e o
alerta de Ricardo; teve a certeza.
—Então você tem insistido?
—Sim. A minha esperança era que você me
olhasse como olhou meu irmão.
Natália ficou vermelha. Vitor sorriu com
doçura.
—Não só você. Ricardo também balançou.
Vitor a beijou na testa e disse:
— Vou me deitar. E fique tranquila, eu
ficarei bem. E caso evolua algo com meu irmão, eu
vou entender.
Natália suspirou vendo Vitor entrar na sala
e dar boa noite para o irmão. Ricardo estava
sentado no sofá observando os dois, pensativo.
Natália voltou seus olhos para a vista, e

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limpou as lágrimas, angustiada. Ela não conseguia


deixar de se sentir culpada. Embora sua mente
processasse que ela tinha deixado claro que não o
amava, e a insistência em sair fora dele.
Sentiu o perfume e a presença de Ricardo
ao seu lado. Ela ergueu os olhos para ele.
—Linda a vista aqui. — Natália disse
tentando se livrar da angustia.
Ricardo sorriu e voltou sua atenção para a
vista, mas totalmente consciente da linda mulher ao
seu lado. Seus olhos então se voltaram para ela
novamente.
—Você está triste. E sei que o que menos
importa para você é a beleza da vista.
Natália voltou seus olhos para as pessoas lá
embaixo andando como formiguinhas, mas ela não
via nada só vazio.
—Não queria magoar seu irmão. — Disse
tristemente.
Ricardo suspirou.
—Não mandamos no coração. Eu acredito
em almas gêmeas, onde ambas se amam e se
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completam.
Suas palavras fizeram Natália voltar sua
atenção para ele. Ricardo agora estava encostado a
grade, com os braços cruzados sobre o peito, os
olhos negros a olhavam com grande intensidade.
Houve uma pausa estranha entre eles.
—Vitor sabe disso. Ele parece imaturo, com
esse jeito de levar as coisas, mas quando quer, ele
demonstra uma maturidade que muitas vezes me
surpreende.
Ela sorriu fraco, embora se sentisse sentido
melhor com as palavras dele.
—Sobrou para você me levar para casa. —
Disse vermelha.

Ricardo sorriu de um jeito tão

sedutor, que Natália sentiu seu coração disparar no

peito e estremeceu. Ela não tinha a menor

intenção de inflar o ego dele, muito menos de se

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derreter, mas se aborreceu ao notar que os joelhos,

na verdade, não estavam tão firmes quanto

deveriam.

—Será um prazer.
A declaração contrastava com o brilho de
divertimento nos olhos e com o toque de humor na
voz. O homem era puro charme. Ela desviou seus
olhos dos dele, constrangida.
—Você pode me levar agora? — Perguntou
sem olhar para ele, olhando a vista.
Como ele demorou a responder, voltou seu
olhar para aquela figura máscula, que sorriu em
resposta enquanto a observava.
— Claro. —Ricardo disse, não conseguindo
desviar os olhos da boca rosinha dela.
O detalhe que mais chamava a atenção nela
era as roupas de senhorinha que ela usava. Ela
parecia ser bem jovem, mas se vestia como uma
velha.

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Natália assentiu com um esboço de sorriso.


E torceu para ele não perceber o quanto ele mexia
com ela.
Nervosa, dirigiu-se a sala, sentindo Ricardo
nas suas costas. Esperou ele abrir a porta e juntos
entraram no elevador que estava aberto.
No elevador ele parecia maior, mais
intimidador. Natália agora olhava para o chão,
tentando acalmar o ritmo do seu coração, tentando
respirar devagar, precisava se acalmar.
Desceram ao subsolo, onde a Mercedes de
Ricardo estava estacionada ao lado da BMW de
Vitor. Ela ficou triste de ver o carro do amigo. E de
novo a angústia se apoderou de seu coração. Agora
ela se martirizava, pensando na frustração de Vitor,
trazê-la para seu apartamento, a fim de estreitar os
laços, mas o desfecho foi totalmente ao contrário.
Natália se sentou ao lado de Ricardo e lhe
passou o endereço. Mas não ajudou muito, no fim
teve que indicar o caminho, pois Ricardo não
conhecia a região afastada em que ela morava. Isso
foi até bom, pois contribuiu para afastar a tristeza
que estava imperando em seu coração.
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Quando Ricardo estacionou em frente à


casa dela. Ela se voltou para ele e agradeceu, dando
um sorriso nervoso.
—Obrigada.
Ricardo a olhou por um momento, em seu
coração gritava a vontade de conhecê-la melhor.
Não a deixar partir sem que ele manifestasse a ela o
seu desejo de estreitar os laços. E na conversa que
teve com ela, desde que soubera que ela e seu
irmão eram apenas amigos, não conseguiu deixar
de deseja-la. Isso era algo que o pegara de surpresa,
não esperava as emoções que lhe golpearam
quando a conheceu.
A verdade é que ele se encantou com ela, e
agora entendia a tristeza de seu irmão. E pelo
desfecho da visita de Natália, entendeu que seu
irmão percebera também, que ambos foram pegos
de surpresa, pois sentiu em Natália, certa
receptividade com ele.
O silêncio entre os dois ficara palpável. Pois
como Ricardo estava em luta consigo mesmo,
demorou a reagir ao seu agradecimento. Mas
precisava ser claro com ela. Não podia perder a
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chance de lhe falar o que agitava em seu coração.


Natália já estava nervosa, pois Ricardo era
muito expressivo, e percebeu que ele relutava.
Como se procurasse as palavras.
Por fim Ricardo falou.
—Gostaria de te conhecer melhor.
A primeira coisa, que veio na cabeça de
Natália, foi à imagem de Vitor.
—Acho melhor não. — Ela disse embora
contrariasse seu coração, que desejava muito
estreitar os laços com ele. Mas Vitor era sua
preocupação agora.
Ricardo insistiu.
—Natália. Podemos dar um tempo. Irei
viajar semana que vem. E depois que eu voltar, eu
poderia falar com Vitor. Isso daria uma esfriada nas
coisas.
Natália baixou os olhos para as mãos em
seu colo.
—Pode acontecer também que com esse
tempo, você se sinta diferente. E deixe tudo isso

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para trás.
—Natália, olha para mim. — Natália voltou
seus olhos para ele. — Eu sinceramente, não sei
quanto a você. Mas eu gostaria sim, de te conhecer
melhor. Podemos ser almas gêmeas. Já pensou
nisso? E desperdiçarmos isso por falta de diálogo e
de enfrentamento de situações?
Natália continuava em luta. E não conseguia
seguir seu coração. Ricardo ficou de frente e
encostou-se ao assento, suspirando.
—Saiba que não estou feliz com tudo isso.
Preferia ter te conhecido antes. Não sei, talvez na
rua, na fila do cinema, no supermercado.
Natália sorriu.
—Não acredito que te acharia em ambientes
assim?
Ricardo se voltou para ela e sorriu
debochado.
—Por quê?
—Não sei, você parece tão conservador. A
impressão que passa é que paga para irem ao
mercado para você. E no cinema sozinho? Te vejo
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assistindo o filme acompanhado com alguma


mulher ou amiga. E você parece o tipo que só anda
de carro.
Ricardo se virou bem para ela e olhou com
seriedade. Natália sentiu o sangue subir no rosto.
—Surpreenda-se comigo. Faço tudo isso
que te falei. Vou ao mercado, para comprar coisas
que gosto. Vou ao cinema sozinho, pelo simples
prazer de assistir um bom filme, e ando a pé para
comprar jornal, para ir à padaria, gosto de correr no
parque, caminhar na praia sentindo a marola bater
nas canelas. —Sorriu.
Natália não conseguiu deixar de olhá-lo
com renovado interesse. Baixando os olhos se
desculpou.
—Desculpe-me, muitas vezes erramos, pois
pré-julgamos as pessoas.
— Isso mostra que temos muito a conhecer
um ao outro.
Natália tocada pelas palavras dele, se
sentindo mais confiante disse mandada pelo seu
coração:
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—Está certo. Quando você voltar, você


conversa com Vitor e eu te espero. Eu adoraria te
conhecer melhor. —Deu lhe um sorriso nervoso,
Ricardo por um momento ficou extasiado
por vê-la sorrir. Mas algo ainda o incomodava, ele
ficou sério, estreitando os olhos.
—Mas, por favor. Prometa-me que ficará
afastada de Vitor.
Natália ficou séria.
—Não tenha dúvida. Claro.
Ricardo sorriu sereno.
—Espere-me, e teremos a oportunidade de
conhecermos um ao outro.
Ricardo quando observou Natália, viu ali
um a mulher que ainda desabrochava.
Ela era tão nova, deveria ter o que? Vinte
anos? Dezenove?
Viu que ela agora tentava disfarçar a atração
que sentia, tentando a todo custo lutar contra ela.
Ricardo pegou as mãos dela, Natália se
arrepiou pelo toque de suas mãos tão quentes. Ela
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ergueu o rosto e viu a intensidade dos olhos de


Ricardo e desviou o olhar para a maçaneta da porta.
—Espere. — Ricardo sentia o desejo o
tomar, só de olhar para ela. E muito mais agora, só
em pensar no que ele tinha intenção de fazer.
Natália se voltou para ele. Ricardo sem
aviso a cercou e tomou seus lábios em um beijo
profundamente perturbador e quente, impetuoso,
desesperado de desejo e paixão. Ricardo não se
surpreendeu quando seu coração bateu de forma
violenta em seu peito, o incendiando por dentro, o
desejo voraz se fazendo presente.
Natália correspondia, agarrando-o pela
camisa, sua boca sôfrega sobre a dele. Quando ele
desceu as mãos sobre as costas dela a trazendo mais
para si, sentiu o corpo feminino dela, vibrando em
seus braços. Os lábios dele escorregaram da boca
até seu pescoço. E ofegando parou ali. Ricardo
ficou de cabeça baixa. Não podia perder a cabeça.
Com muito custo ele se afastou ofegante. E
disse rouco
—Para você não me esquecer, pois eu não a

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esquecerei.
Natália fitou Ricardo surpresa com o gesto
dele, e muito mais ainda com a atração que ele
despertava nela, tudo era muito novo. Jamais ela
experimentara essa sensação de não ter domínio
sobre si mesma. O medo do desconhecido se
apoderou de seu coração.
Ricardo era fascinante, era bem mais velho
que eu.
Ela precisava ir devagar. Ele parecia o tipo
que arrebatava corações. Tinha medo de ser apenas
uma aventura para ele, algo momentâneo. Mas não
conseguia deixar de apostar para ver.
Confusa saiu do carro. E se dirigiu ao
portão de ferro. Quando se voltou para o carro, ele
ainda a observava. Ele acenou com a mão e ligando
o motor, saiu. Natália ficou ali, vendo o carro se
afastar. Vermelha, com o coração disparado e as
pernas moles.
Natália levantou cedo. Há um ano começara
a trabalhar como recepcionista em uma grande
firma de advocacia. Vestiu seu uniforme sóbrio,

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saia preta e blusa preta com a gola branca. Esse era


para dias quentes. E nos dias frios, usava saia de
feita de uma lã grossa, com camisas de manga
longa, e blazer da mesma cor da saia, cinza.
Hoje com 20 anos, juntava dinheiro para
iniciar a faculdade de direito, pois não ganhava
muito. Seu serviço era distribuir ligações, anotar
recados e pequenos trabalhos, datilografando
memorandos, servindo cafezinhos.
Já fazia três semanas que não falava com
Vitor e nem com Ricardo. A verdade que para ela,
as semanas se arrastaram. Ricardo a impressionou
tanto ao ponto de sua imagem não sair de sua
cabeça. Quando via, estava a pensar nele.
Esquecera-se de dar seu telefone para ele e
Ricardo nem sabia onde ela trabalhava. Ele só tinha
o endereço de sua casa.
Riu, caso ele se lembrasse do labirinto de
ruas que fizeram, quando ele a trouxe naquele dia.
Então lhe ocorreu que talvez para ele tivesse
passado aquele momento. Talvez não a procurasse
mais. Suspirou.

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Com isso martelando em sua cabeça,


estacionou seu Dodge velho quinze minutos mais
cedo, entrava às oito horas. Envolveu-se com o
trabalho, e especialmente hoje o dia estava muito
movimentado. Gostava muito do ambiente de seu
trabalho. Os jovens advogados eram educados e
amistosos.
Ela era muito bem quista no meio de um
bando de homens bem vestidos. Pensando assim,
percebeu que nenhum deles lhe despertou tanto a
atenção como Ricardo, ele tinha uma áurea e um
jeito de falar, de se expressar, de se movimentar.
Ele na verdade parecia um conjunto de coisas que
se deu conta que gostava. Pois até então não tinha
conhecido alguém como ele.
Em seu trabalho chegara a conhecer Leon
Wagner. Era um advogado muito promissor, e
embora fosse tão jovem, com 30 anos, era muito
requisitado. Conhecido por vencer a maioria das
causas que pareciam impossíveis. Até chegara a
sair um dia com ele, depois de apenas um convite,
pois ele lhe despertara a atenção.
Mas o encanto acabou na primeira noite em
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que saíram. Percebeu nele algo que não a atraiu, a


falta de humildade, ele parecia querer o tempo todo
provar de como era bom. Depois disso, para fugir
das suas investidas, se matriculou na escola de artes
dramáticas, pois o teatro era um sonho de menina.
Não se arrependeu de ter investido seu tempo e
dinheiro, pois agora se sentia bem resolvida e feliz
fechando esse ciclo. Riu. E Leon parecia ter
desistido.

Ricardo chegara de viagem há dois dias. E


tão logo chegou se reuniu com Vitor para saber
como ele tinha se Said na fábrica.
E para sua surpresa, Vitor tinha se saído
muito bem. Ricardo não sabia até que ponto o fato
de Natália ter se afastado dele, contribuiu para que
ele se envolvesse mais com o trabalho. Vitor não
dava sinais de estar sofrendo, parecia ter dado a
volta por cima.
Depois que seus pais morreram, seu irmão
se tornou sua preocupação. Vitor, não era um

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jovenzinho, tinha vinte sete anos. Mas mesmo


assim, não conseguiu deixar de vestir uma capa de
responsabilidade com ele.
Ricardo, era dez anos mais velho que Vitor,
tinha trinta e sete anos nas costas. Talvez por ser
tão mais velho, não conseguisse vê-lo tão
independente. E Vitor também contribuía com isso,
por ter um jeito irreverente e despreocupado de
encarar as coisas.
Quando Vitor começou a lhe mostrar as
ações que tomou em sua ausência, ele tinha ficado
muito quieto, nenhum músculo se moveu, enquanto
ouvia. Embora conseguisse acompanhar seu
raciocínio, sua preocupação era Natália, pois ainda
não tinha abordado o assunto com ele.
Fora então que ele o surpreendera.Vitor lhe
falou com um sorriso debochado.
—Ricardo, até quando você vai ficar nesse
chove não molha com Natália? Se ela tivesse
olhado para mim, como ela olha para você, eu não
pensaria duas vezes para estar com ela.
Ricardo ficara sem ação por um breve

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momento, e com seu olhar sobre ele, não conseguiu


deixar de lhe dar um sorriso satisfeito, pois
entendeu que não tinha mais que relutar.
Ricardo nessa hora confessou para o irmão.
—Na verdade, estava com receio de abordar
esse assunto com você. Sei que você alimentava o
desejo de estreitar os laços com ela.
Vitor assentiu sério.
—Não nego. Natália é uma pessoa
maravilhosa. Mas em nenhum momento ela deu
abertura para qualquer tipo de envolvimento que
não fosse à amizade. Nunca nos beijamos. Essa é a
realidade.
Ricardo nessa hora tinha baixado a cabeça.
—Você sabe o quanto sofri quando me
separei de Raquel, por isso a preocupação com
você.
Ricardo conhecera Raquel quando estava
terminando a faculdade de administração. Ela
despertou logo um sentimento profundo. Raquel era
muito expansiva, gostava de sair, se divertir, mas
esses ingredientes não bateram com a natureza
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possessiva de Ricardo, e o relacionamento se


deteriorava por causa de seus acessos de ciúmes.
Um dia Ricardo ligou, e Raquel tinha saído
com umas amigas, Ricardo foi até a casa dela e a
esperou até tarde da noite em frente ao portão da
casa dela. Quando a viu sair do carro logo a
abordou, fazendo uma cena de ciúme. Ela se
defendeu de todas as maneiras, mas Ricardo não
aceitava que ela preferisse a companhia de suas
amigas, do que a sair com ele. Nesse dia Raquel
terminou com ele. Ricardo no dia aceitou, movido
pela raiva. Mas com o passar dos dias, Raquel lhe
fazia falta, e ele como um drogado a procurou
novamente. Mas era tarde, pois embora com
lágrimas a buscasse, ela cortou o relacionamento.
Ricardo sofrera o pão que o diabo amassou,
ficou arrasado. Vitor acompanhou tudo de perto,
viu seu sofrimento.
—Eu sei. Mas eu te asseguro que estou
bem. E fico feliz que você se interesse novamente
por alguém. Raquel não combinava com você. Ela
era muito agitada, vivia em festas, tinha uma
natureza muito extrovertida.
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Ricardo riu.
—Talvez combinasse com você.
Vitor sorriu para o irmão.
—Talvez não, sou bem-humorado, mas não
tenho uma natureza boemia.
—Isso é verdade.
Vitor então tirou um papel do bolso.
—O endereço de Natália. —Rindo disse. —
Duvido que se lembre do caminho que fez quando a
levou. Aquela região parece um labirinto.
Ricardo riu, não se lembrava mesmo.
Ricardo se levantou e abraçou o irmão.
—Obrigada, te devo essa.
Vitor ficou sério.
—Vou te cobrar uma coisa. Quero que faça
Natália feliz.
Ricardo sorriu.
—É o que mais desejo nesse mundo.
Capítulo III
Ricardo munido do endereço de Natália,
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vestiu uma camisa branca e uma calça preta sob


medida. Dirigiu-se ao seu carro se sentindo leve.
Um grande peso tinha saído de seus ombros.
Sentiu que Vitor no fundo ficara feliz de vê-
lo se interessar por alguém novamente. Já fazia três
anos, desde o término com Raquel, que ele não
sentia seu coração vibrar novamente por alguém,
como ocorreu com Natália.
Não ficara como um eremita, tinha saído
com algumas mulheres, mas o interesse por elas
logo passava, o máximo que conseguiu prolongar o
romance, fora um mês e mesmo assim, nunca as
levara para seu apartamento.
Natália saiu do trabalho, ainda pensava nos
motivos de Ricardo ainda não a ter procurado.
Ligou o rádio do carro tentando dissipar a angustia,
e ao som de Let's Stay Together do cantor Al
Green, dirigiu até sua casa.
Quando virou a sua rua, seus olhos
focalizaram o carro de Ricardo parado em frente
sua casa, ele estava encostado na porta do carro.
Seu coração se agitou de alegria, fazendo sua
respiração se alterar. Desligou o rádio e estacionou,
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em frente ao carro dele. Tão logo saiu do carro.


Ricardo veio a seu encontro.
Natália não conseguiu disfarçar sua alegria,
fora tanta espera que sorriu, contendo as lágrimas.
Logo veio a frase de Vitor quando disse a
ela:
“Eu não precisei mais do que umas horas
para saber que gostava de você”.
E ela gostava de Ricardo, nada explicava a
imensa vontade de agora se lançar em seus braços.
Mas se controlou.
Ricardo a fitou demoradamente e se
aproximou dela com um sorriso no rosto, os olhos
ardentes.
—Deu tudo certo. Vitor tomou a iniciativa
de nos aproximar. E vim então, continuar onde
paramos. — Ricardo perguntou ansioso. — Você
mudou de ideia?
Natália engoliu em seco, ficou estacada por
um momento, por fim falou convicta.
—Não, claro que não.

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Natália se perdeu nos olhos de negros de


Ricardo que se iluminaram e seu sorriso apareceu
imediatamente em seu rosto.
Ele a olhava daquele jeito que a deixava
sem ar, como só ele sabia. Abrindo os braços
perguntou.
—Então o que você está fazendo aí parada,
que ainda não está nos meus braços?
Natália não pensou em mais nada, e correu
para os braços de Ricardo, enterrando seu rosto no
peito forte e divinamente perfumado com uma
colônia masculina misturada a sabonete.
Ela ergueu o rosto, e deu com o rosto sério
de Ricardo que passou o dedo nos lábios dela de
um jeito provocante e sedutor. E só então seu rosto
foi descendo devagar até seus lábios se unirem, em
um beijo selvagem.
Natália ficou na ponta dos pés para enlaçá-
lo pelo pescoço, para puxá-lo mais para si,
esqueceu de tudo a sua volta, e agora a única coisa
que ela tinha consciência era ele.
Quando se afastaram ainda se abraçaram e
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ficaram um bom tempo assim. Ambos com a


respiração alterada, com o coração acelerado.
Ricardo se afastando a fitou com olhos
ardentes. Natália sorrindo o convidou.
—Vamos entrar. Quero te apresentar para a
minha tia.
Ricardo sorriu de leve, e disse sereno.
—Hoje não. Quero te levar para um lugar
tranquilo e conversar com você. Tenho tantas
coisas que quero te perguntar. Tantas coisas que
quero saber de você...
Natália assentiu com compreensão.
— Então vou avisar minha tia que não
tenho hora para chegar. Mas gostaria de te
apresentar a ela, e logo saímos. Ah e vou trocar de
roupa.
Ricardo se afastou sorrindo, observou seu
uniforme e negou.
—Não precisa. Você está linda assim. E
quanto a conhecer sua tia, concordo, mas logo
saímos, quero estar sozinho com você.

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Natália sorriu feliz.


—Está certo.
Ricardo seguiu Natália quando ela abriu o
portãozinho de ferro e a porta da sala. Sua tia
estava bordando e quando a viu sorriu, mas logo
percebeu a presença de Ricardo e não conseguiu
deixar de olhar com surpresa para Natália.
—Tia Sara. Esse é Ricardo Meneguzzi.
Ela se dirigiu para Ricardo.
—Ricardo essa é minha tia Sara O Brian.
—Prazer em conhecê-la. Sou o namorado
dela.
Natália sorriu. Gostava disso em Ricardo, a
maturidade e a clareza de se colocar as coisas.
— Vou sair com Ricardo, e não tenho hora
para chegar.
Ricardo fitando Natália nos olhos explicou.
—Quero me aprofundar em conhecer
Natália, sairemos para conversar. Tenho sérias
intenções com sua sobrinha.
Natália sentiu-se quente nessa hora, seus
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olhos pareciam imãs presos aos olhos negros e


profundos dele.
—Que bom senhor Meneguzzi.
Ricardo disse sorridente.
—Por favor, me chame de Ricardo.
Sua tia sorriu para ele encantada. Natália
sorriu de ver que sua tia já estava no papo.
Virou-se para Ricardo e perguntou.
—Vamos então?
Sua tia então ofereceu.
—Por que não ficam aqui? Posso fazer um
cafezinho enquanto conversam e depois vocês
poderiam ficar à vontade na sala. Assistirei
televisão em meu quarto. Prometo não atrapalhar.
Ricardo fitou Natália, indeciso. A
necessidade dele era conhecer Natália,
independentemente do lugar.
—Se Ricardo não se opor, para mim tudo
bem.
Ricardo pegou as mãos de Natália e levou
aos lábios. Feliz que Natália era tão diferente de
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Raquel.
— Não me oponho de maneira nenhuma. —
Ricardo sorriu feliz.
Natália sorriu para ele também e viu sua tia
se dirigir a cozinha.
Ricardo e Natália depois de comerem
bolinhos de chuva com chá, passaram a tarde
conversando. Natália mencionou sua idade.
Contou-lhe de sua infância pobre, a morte
prematura de sua mãe, seu trabalho, contou-lhe do
que a levou a entrar na escola de Artes Dramáticas.
—Esse advogado ainda trabalha lá? —
Ricardo perguntou sério.
Natália viu uma ruguinha de preocupação se
formando na testa dele.
—Trabalha, mas não precisa se preocupar.
Ele está na dele.
Ricardo ficou a olhá-la por um tempo, antes
de responder.
—Se você está dizendo, acredito.
Natália sorriu para ele e o beijou nos olhos,

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na testa, nas bochechas. Ricardo a colocou no colo


e tomou seus lábios com uma grande paixão.
Natália correspondeu, vibrando em seus braços.
Natália queria muito conhecer o homem a
sua frente. E quando se afastaram, ela ainda em seu
colo pediu sorrindo feliz.
—Ricardo, fale-me de você.
—A história de meus pais eu creio que já
conheça.
Natália confirmou.
—Vitor me contou.
Ricardo a estreitou mais nos braços e disse
preocupado.
—Sou bem mais velho que você. Tenho 37
anos.
Natália sorriu de ver que ele lhe disse a
idade, contrariado como se fosse um velho.
—Eu sei. Vitor sempre me falou de você.
Ricardo se afastou e suspirou.
—Você é tão jovem.
Natália ficou séria e o encarou disse firme.
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—E você não é velho.


—Quando você tiver a minha idade, você
notará bem mais a diferença de idade.
Natália suspirou.
—Então é isso. Você se aproxima de mim, e
agora vê como empecilho nossa idade? Por quê? O
que pensou? Que eu fosse mais velha?
Ricardo a estreitou nos braços novamente.
—Não. Sabia que era nova.
—Então?
—Mas quero que seja realista. Só isso. Pois
não quero que tenhamos um romance passageiro.
Natália sentiu irradiar a felicidade, e disse
firme.
—Eu também não. Sei sua idade antes dessa
conversa. Estou segura que para mim não faz
diferença nenhuma nem agora, nem aqui há dez
anos, ou vinte anos.
Ricardo sorriu ao ver Natália tão decidida e
suspirou. Tomou seus lábios rosas, com ímpeto e
paixão, descendo por seu pescoço. Quando suas
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mãos desceram abaixo de seu quadril, ela não o


permitiu. Ricardo ofegante se afastou e a beijou na
testa.
Ricardo mudou de assunto, passou a lhe
contar da fábrica, de suas viagens aos fornecedores
de fios para conseguir o melhor preço. Contou-lhe
de Raquel, e percebeu que contou a Natália como
se fosse algo corriqueiro, e entendeu que Raquel
era só uma vaga lembrança de sua vida. Não o
afetava mais como antes.
Ricardo saiu tarde da casa de Natália.
Despediram-se com a promessa de se verem no dia
seguinte depois do trabalho dela.
Vitor ao ver Ricardo chegar, deixou de lado
um livro policial que estava lendo. Ele sabia que o
irmão fora procurar Natália.
Ricardo quando o viu, ficou sem ação.
Ainda tinha receio de que Vitor pudesse sofrer por
ela.
Vitor observava Ricardo, tentando
encontrar algum sinal de que fora tudo bem com
Natália. Mas Ricardo estava indecifrável.

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—E aí cara?
Ricardo sentou-se no sofá próximo a ele.
—Você foi ver Natália?
Ricardo o olhou sério.
—Fui.
Vitor insistiu, tentando encontrar algum
sinal de que tudo tivesse ido bem.
—E deu tudo certo?
Ricardo disse sério.
—Passamos a tarde conversando.
Conversando não era bom. Meu Deus!
Abrira mão de Natália para eles ficarem
conversando?
—Não rolou beijo? —Vitor perguntou
curioso.
Ricardo sorriu.
—Que pergunta!
—Rolou ou não rolou?
— Sim.
Vitor deu um meio sorriso. Isso confirmava
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que seu irmão tinha conquistado o coração dela. Ele


fez em algumas horas, o que ele tentava há um
mês. Disse sincero:
—Então ela está gostando de você! Aquela
garota é difícil.
—Como você consegue?
Vitor não entendeu a pergunta.
—Consegue o que?
—Sei que estava gostando dela, e você
consegue ainda torcer por mim.
Vitor deu de ombros.
—Sei perder. E é melhor que ela esteja com
você do que com alguém que possa fazê-la sofrer.
Ricardo ficou pensativo.
—Ás vezes você me surpreende.
—Bem, vou dormir. Só queria saber como
tudo tinha ido.
Ricardo fitou sério o irmão.
—Obrigada. Não passaria por cima de seus
sentimentos caso fosse contra. É muito importante
para mim sua atitude de ter aberto mão de Natália.
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Vitor disse sério.


—Eu sei.
Uma semana se passou. Natália todo dia se
encontrava com Ricardo depois do trabalho, nessa
hora sua tia deixava a sala para eles. Era onde
Natália ficava por dentro de seu dia, e onde ela
também o participava do seu.
Às vezes ficavam quietos, um nos braços do
outro. Era um silêncio bom, não era nada
incômodo. A atração dos dois era muito forte, e era
difícil se segurar, quando eles pegavam fogo.
Sábado chegou, trazendo em Natália um
nervosismo. Ricardo ia levá-la ao seu apartamento.
Embora ele lhe falasse um milhão de vezes que
Vitor estava bem, que não tinha problema, ela se
sentia constrangida.
Ricardo chegou no horário combinado.
Natália escolheu um vestido lindo, mas simples,
azul marinho com bolsos grandes. Usou pouca
maquiagem.
Quando o viu lindo, de calça jeans, e
camiseta, seu coração como sempre disparou no
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peito, ele sempre a lembrava do poder que esse


homem tinha sobre ela. Depois de um beijo bom.
Bom não, ótimo. Ricardo a levou para o seu carro.
Natália apertava suas mãos nervosamente
no colo o caminho todo. Ricardo a observava o
tempo todo.
Quando ele estacionou no subsolo, apertou
as mãos frias dela.
—Está tudo bem. Você está muito nervosa.
Natália assentiu corada, Ricardo via que ela
o analisou, se indagando se ele estava certo disso.
Ricardo pacientemente repetiu o que já havia lhe
falado muitas vezes.
—Vitor está bem. Ele a espera, sem
julgamentos. Ele aceitou bem.
Ricardo beijou sua testa.
—Vamos!
Natália desceu do carro. Ela tremia nervosa.
Ricardo a pegou pela cintura. No elevador a
abraçou. Natália se aconchegou naquele peito
cheiroso, e aos poucos foi se acalmando. Quando o
elevador abriu, entraram no hall.
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Vitor aguardava Natália, mesmo com a


presença de Carol, não estava tranquilo. Carol era
uma colega de faculdade que lhe despertara na
época um grande interesse. Começaram a namorar
e Vitor se sentia muito bem com ela. Mas Carol
tivera que mudar, pois seu pai recebeu uma
proposta para trabalhar em Nova York. Vitor estava
iniciando a faculdade, e eram muitos jovens, então
conformados se despediram, era o fim do namoro.
Há pouco tempo atrás, Vitor a encontrou no
Shopping. Quando seus olhos focalizaram aquela
linda mulher, não a reconheceu de imediato, e só
houve reconhecimento por parte dela que avançou
para falar com ele.
Ele teve uma adorável surpresa, quando a
reconheceu. Ela estava muito mais bonita do que se
lembrava. Vitor pegou seu telefone, e ficou de
ligar. Mas pegou uma gripe, seguido de pneumonia,
e a vontade passou, pois logo conheceu Natália, e
desde que a vira, ela lhe despertara sua atenção.
O lance de chamar Carol fora depois de
uma conversa com Ricardo, onde ele manifestou a
vontade de trazer Natália no apartamento, e acabar
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com uma vez por todas a ideia que ela tinha que ele
ainda sofria.
Vitor se imaginou, encarando Natália e
Ricardo juntos, e entendeu que acompanhado, se
sentiria melhor. Além de deixar Natália mais
segura com seu irmão.
Lembrou-se de ter pegado a agenda e
parado na letra “C”, mentalmente soletrou CAROL.
Quando ligou para ela, a princípio sentiu nela
surpresa e certa relutância com ele, nessa hora ele
ficara nervoso. Depois de muita conversa,
conseguiu marcar um encontrou com ela, no
mesmo Shopping que a reencontrara.
Depois que ela aceitou o convite, surgiu
outra preocupação.
Como a convenceria a ir ao seu
apartamento, e se passar por alguém que ele saía
apenas para ele se sentir seguro diante da mulher
que amava?
Nessa hora, Vitor para se sentir confiante,
caprichara em suas roupas. Calça preta com um
corte sob medida, uma camisa branca aberta no

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peito.
Quando ela o viu, sorriu. Vitor foi confiante
até ela. Mas ela estava fria e distante. Pois sempre o
recebera com um beijo e apenas o cumprimentou.
Isso o abalou. Sentiu-se esquisito, essa era a
verdade.
Então ele a convidou a sentar em uma
cafeteria, e na maior cara de pau, se abriu com ela.
E para sua irritação, ela caíra na gargalhada. E ele
ficara com cara de taxo, pois era a primeira vez que
se sentia tão exposto, pois ele sempre teve o
controle da situação, até com Natália, ele a
manobrava como queria, mesmo que ela não
tivesse cedido aos seus encantos. Mas valera a
pena, pois ela por fim, aceitou se passar pela garota
que ele estava saindo.
Ricardo abriu a porta do apartamento.

Logo que Natália entrou, focalizou a figura


de Vitor. Ele estava acompanhado com uma linda
moça de cabelos castanhos claros. Ricardo fitou
aquela cena também surpreso.

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Vitor quando os viu, sorriu e beijou as mãos


da moça. E foi ao encontro de Natália sorrindo.
—Tudo bem com você? —Perguntou
sorrindo para Natália.
Natália sorriu, ainda estava nervosa.
—E você está bem?
Vitor sorriu.
—Eu perguntei primeiro.
Natália corada sorriu.
—Estou.
Vitor sorrindo disse.
—Eu também. Vem quero te apresentar
Carol. Ela é uma amiga de Faculdade, recentemente
nos reencontramos.
—Carol, essa é Natália. —Vitor fitou nos
olhos de Natália quando disse. —Namorada de meu
irmão, Ricardo.
Vitor quando viu Natália entrar por aquela
porta, não conseguiu evitar que seu coração batesse
forte. Tinha pedido ajuda de Carol, para estar com
ele nessa hora. Isso tudo por dois motivos:
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Primeiro, queria que Natália se sentisse bem, o


vendo já refeito, e com outra pessoa. E segundo,
para proteger seus sentimentos, pois deixar de
gostar de Natália como mulher ia levar um tempo.
Natália sorriu para Carol e logo simpatizou
com ela, pois ela tinha uma mistura de docilidade,
com segurança. Ricardo pelo visto reconheceu a
moça, pois ele a pegou pela cintura e com um
sorriso a cumprimentou como se a conhecesse.
Vitor se pronunciou.
—Eu e Carol combinamos de almoçar em
restaurante novo, que abriu em Mayfair, o Bellini.
Natália surpresa sorriu feliz, Ricardo
também se manifestou dizendo conhecer o lugar.
Em cinco minutos Ricardo e Natália os viram sair,
onde Vitor saiu envolvendo Carol pela cintura.

Capítulo IV

Quando as portas do elevador se fecharam.


Vitor a soltou e sorriu para ela.

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—Como me saí?
Carol sorriu confiante.
—Você representa muito bem.
Vitor sorriu, parecia Natália falando.
—Obrigada. Devo-te essa.
Carol perguntou agitada pela presença
dominante de Vitor e tão perto dela no elevador.
—Você gosta tanto assim dessa moça?
Vitor viu o elevador abrir e a pegou de leve
pela cintura, fazendo a estremecer. Enquanto eles
caminhavam em direção ao carro, ele lhe falava.
—Natália é uma página virada em minha
vida. Mas por muito tempo alimentei o desejo de
tê-la. Viciei-me a pensar nela. Então, até que isso
não aconteça, tive que usar esse artifício.
—Entendo. —Carol sorriu. —Quando você
me ligou, e me fez esse convite de representar ao
seu lado, como se estivéssemos saindo, achei uma
loucura. Você, sempre foi tão confiante, e precisar
fazer tudo isso por uma mulher? Mas agora você
me explicando assim, posso dizer que te entendo.

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Vitor sorriu sedutor.


—Mas nada impede que aquilo que
representamos, não possa acontecer de verdade.
Podemos ir aquele novo restaurante que falei.
Carol sorriu.
—Tudo bem, eu não tenho nada
programado hoje.
Vitor sorriu abriu a porta do carro e Carol se
sentou. Ele deu a volta no carro e sentou ao
volante.
Carol o observou.
—Posso te perguntar uma coisa?
Vitor se virou e a fitou nos olhos.
—Claro.
—Dentre tantas amigas da sua agenda. Por
que você pensou em mim?
Vitor correu os olhos pela boca carnuda
dela, os olhos verdes que pareciam de uma gata
selvagem, a pele clara e os cabelos castanhos
compridos.
Aqueles lábios nasceram para serem
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beijados. Viu-se pensando e relembrando a época


em que estavam juntos. Seu íntimo se agitou.
E nessa hora se tornou muito claro para ele
o fato de ter pensado nela.
—Por que eu queria estar bem
acompanhado. E você da minha “agenda” —Frisou
as palavras —É a garota mais bonita dentre todas
elas. E também tivemos um lance no passado.
Carol olhou para frente e sorriu de leve
acenando a cabeça.
—Está certo. Mas mesmo assim, ainda não
passou a sensação que fui apenas seu apoio moral.
Vitor a observou sorrindo de perfil. Ele
disse sério.
—Quando nos reencontramos, eu ia te ligar.
Mas lembro-me que naquela semana fiquei doente,
e logo depois eu conheci Natália.
Carol sorriu debochada.
—Eh...você tem uma qualidade. É sincero
com as palavras.
Vitor perguntou sorrindo.

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—Você está brava? Não fique, podemos até


relembrar os velhos tempos.
—Quem eu? —Carol sorriu. —Estou
lisonjeada por ter se lembrado de mim, mesmo que
a intenção tenha sido de me usar como seu apoio
moral. E quanto a sair, não sei. Mas por favor, não
venha com papinho para cima de mim de relembrar
velhos tempos.
As palavras dela foram para Vitor como um
soco no estômago. Ele disse sério.
— Não sugeri por mal.
Carol voltou seus olhos para ele. Seu olhar
era duro. Mas ela sustentou seu olhar. Ela sentiu,
com raiva, seu coração disparar sem controle.
Vitor mesmo a olhando tão frio dessa
maneira, não deixava de provocar nela uma
agitação interior.
Ela disse controlada.
—Vamos? Se não ficará muito tarde para
você me deixar em casa.
Vitor a fitou com um renovado interesse.
Estava curioso sobre aquela mulher a sua frente.
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Carol estava diferente, mais madura, mais confiante


e em seu íntimo se agitou quando percebeu que ela
olhava como se ele lhe fosse indiferente, diferente
da mulher que um dia teve em seus braços.
Quando Vitor deu a partida no carro, Carol
tentou passar um ar despreocupado. Mas a cena de
Natália entrando na sala, não lhe saía da cabeça.
Vitor quando a viu, parecia um menino. Muito
diferente de quando estava com ela. Sempre
autoconfiante, dono de si. Isso a entristeceu. E
sentiu nele também uma leve hesitação quando a
viu, suas mãos estavam frias quando pegaram as
dela, mostravam claramente que ele estava nervoso.
E agora eles saíam como se nada tivesse
acontecido, e ele vem lhe falar de lembrar os velhos
tempos. Ela tentava não se importar com isso, mas
no fundo, ele a abalou. Quando se afastaram com o
término do namoro, não deixou de pensar nele, por
todo tempo que estiveram separados. E quando o
viu no shopping, logo o reconheceu. E com
ansiedade esperou ele ligar. Riu.
Só eu para entrar numa furada dessa!
Vitor estava dirigindo, mas consciente de
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Carol ao seu lado, e então a viu sorrir, isso o deixou


curioso.
—Por que você está sorrindo?
Carol sorriu aberto. Abriu o que estava
pensando, mas não o que estava sentindo.
—Estava revivendo a cena no seu
apartamento e cara de surpresa de Natália e seu
irmão. Seu irmão está bem mais velho do que me
lembrava. Você é uma cópia mais jovem dele.
Carol observou Vitor erguer as
sobrancelhas.
—Com a morte de meus pais, Ricardo
mergulhou fundo nos negócios. — Então disse
como se se ele falasse com ele mesmo. —Talvez
isso tenha atraído Natália, a seriedade e a
maturidade de meu irmão.
Carol observou o trânsito e ficou pensativa.
Imaginou Vitor com seu jeito debochado, que ela
conhecia muito bem, tentando conquistar o coração
de Natália.
Para quem não o conhecesse a fundo
enxergava só esse lado dele. Mas ela o conhecia o
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suficiente para saber que quando Vitor queria, ele


era dono da situação, e maduro o suficiente quando
as coisas precisavam ser levadas à sério.
E esse jeito dele, nada mais era que uma
fachada para esconder a tristeza. E pelo que se
lembrava, Vitor era muito apegado aos pais. Na
época que namoravam, Carol percebia muito isso,
pelos gestos de carinho que ele demonstrava com
eles.
Desde que se reencontraram, ele só
comentou o fato de tê-los perdido, mas parecia um
assunto proibido, pois não falou nenhum pouco de
seus sentimentos em relação a isso.
Carol comentou depois de vê-lo pensativo.
—Talvez você tivesse passado imaturidade
para ela. E ela não o conheceu, como eu te
conheço.
Vitor parou o carro em uma vaga no
estacionamento da Brunelli, e fixou os olhos em
Carol.
—Você me conhece tanto assim?
Carol disse séria.
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— Foi um ano juntos. O suficiente para


conhecer todos os seus defeitos e virtudes.
Vitor sorriu.
—É, e qual é meu defeito?
Carol se virou para ele.
— Esconder seus sentimentos, através dessa
máscara de bom humor.
Vitor sentiu um arrepio ao ouvir aquelas
palavras, e os olhos de Carol tão sério sobre si, o
fez estremecer, embora sua postura parecesse
segura agora, ela tinha tocado em sua ferida. Carol
estava mudada, com certeza mais madura, mais
segura de si. Não era mais aquela menina, tímida.
Ele estava de frente agora a uma mulher,
muito interessante e ele precisava reagir, e não ficar
como um bobo olhando para ela.
Carol observava Vitor, ele a olhava quieto,
de certo estava pensando no que ela tinha lhe
falado. Aos poucos ela viu o semblante dele se
suavizando e ele sorriu, como se tramasse algo.
Carol estremeceu quando o viu se aproximar.
Vitor observou Carol que estava agitada
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quando ele fez menção de se aproximar, e percebeu


que ela não era indiferente a ele. Percebia-se
claramente que suas frequências cardíacas estavam
agitadas, pelo levantar de sua blusa branca que
eram justas nos seios fartos. Ela estava nervosa.
Vitor disse sedutor.
—Esse então é meu defeito. E a minha
virtude? Você não falou.
Carol desviou os olhos dos intensos olhos
de Vitor, para se recompor, e o fitando novamente
disse séria.
— Você tem um lado maduro, quando os
problemas surgem, você não foge e os enfrenta,
sem medo.
Vitor balançou a cabeça e disse sorrindo.
—Parece que estou de frente a uma
psicanalista. —E sério perguntou. — E você? Não
quer que eu exponha o que penso a seu respeito?
Carol sorriu.
— Eu mudei muito. Você não me conhece o
suficiente para opinar.

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Vitor gargalhou.
—Por quê? Eu não mudei? Por isso traçou
meu perfil?
Carol ficou pensativa.
— Você mudou sim. Está mais maduro.
Sabe mais o que quer. Mas ainda é o homem que eu
me lembro.
Vitor a fitou com interesse, perguntou.
—E você não?
—Não. Depois que fui para Nova York, tive
muitas experiências que me mudaram muito, eu
mesma não me reconheço quando me lembro da
pessoa que eu era.
Vitor perguntou se sentindo até apreensivo.
—Que tipo de experiências?
Carol suspirou.
—O simples fato de ter viajado para outro
país é um grande passo para uma mudança, e eu
também conheci pessoas, fiz novos amigos, mudei
pontos de vistas.
Vitor se sentiu incomodado com as palavras
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dela, pois se ela havia mudado tanto, com certeza


isso se refletia com ele também, não era mais
aquela mulher apaixonada de antes.
Vitor não conseguia deixar de olhá-la agora
com um grande interesse, e o desejo de conhecer
essa nova Carol aflorou, queria conhecer a mulher,
pois um dia conheceu a menina.
Vitor resolveu falar com sinceridade.
—Gostaria de sair com você mais vezes.
Para conhecer essa nova Carol. —Ele sorriu.
Carol o avaliou. Ele gostava de Natália, o
que ele queria com ela?
—Não.
Vitor ergueu as sobrancelhas surpreso e
sorriu debochado.
—Por quê?
Carol não gostou do sorriso dele. E disse
séria.
—Por que você precisa saber o quer da
vida, e você não me leva à serio. Olha só agora.
Você está usando de novo essa máscara de

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deboche, ou seja, muito superficial, se é para


sairmos juntos, quero ver o Vitor que você esconde.
Que você seja você. Para mim é tudo ou nada.
Vitor assobiou.
Vitor, irritado pelo fato de as palavras dela
o terem perturbado ficou contrariado, mas
conseguiu usar o humor.
—Uau. Você mudou mesmo!
Carol observou Vitor. Agora quem usava
uma máscara de seriedade para se esconder era ela.
Ele sempre a atraiu, e ainda a atraía, como nenhum
outro, por muito tempo chorou por ele durante o
afastamento. E ele só se lembrou dela para ser uma
espécie de muleta.
Carol afastando os pensamentos deu-se
conta que desde que ele estacionara, estavam ali
dentro do carro, alheios a tudo e a todos.
Vitor sabia que Carol estava com o pé atrás
com ele. Ele mesmo estava surpreso com o
renovado interesse dele por ela e agora se
perguntava até que ponto gostava de Natália. Ele
mal conseguia acreditar que ela era a mesma
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mulher que ele um dia havia namorado.


Aqueles lábios carnudos, já imaginava o
toque deles, quente em sua boca. O exterior frio
daquela mulher era apenas uma armadura para
proteger a vulnerabilidade de seu coração, a
conhecia bem, e como conhecia.
Vitor passou o dedo indicador nos lábios
dela rapidamente e sorriu a convidando.
—Vamos?
Carol sentiu seu coração disparar pelo toque
de Vitor, se controlando disse séria.
—Vamos.
Carol e Vitor caminharam em silêncio. O
restaurante era italiano, muito charmoso. A
decoração consistia em mesas com toalhas xadrezas
branco e vermelho, e um lindo vaso no centro de
violetas de variadas cores em cada mesa: umas
rosas, outras roxas, brancas.
Vitor escolheu uma mesa sossegada, não
queria estar em um lugar movimentado com ela,
perto de alguma passagem, por isso escolhera em
um canto do restaurante mais calmo possível.
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Fizeram seus pedidos e ficaram aguardando.


Vitor intrigado com a postura dela tão segura de si,
pois agora com ela, o fazia despertar velhas
lembranças do tempo em que namoravam, e sempre
num clima descontraído faziam seus pedidos.
A indiferença dela o deixava inquieto. Isso
era uma constatação de que ele de alguma maneira,
não a esquecera.
Fitou seus olhos sem acreditar como ele,
com o retorno dela, não a procurara, tão logo se
recuperou da pneumonia?

Natália depois que Vitor tinha saído


suspirou soltando toda sua angústia. Ricardo
percebeu.
—Por que está assim agora?
Ricardo se afastou e a segurava pelos
ombros com o olhar sério.
—Não sei. Gosto muito de seu irmão. E
fiquei feliz que ele já esteja em outra.

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—Ficou feliz mesmo? —Ricardo retrucou.


—Claro Ricardo!
Ricardo ficou em luta.
—Será que agora que você o viu com outra,
não balançou, se incomodou?
Natália o afastou.
—Claro que não! Eu te amo. —Natália
disse. Era a primeira vez que confessava seu amor.
E era primeira vez que amava.
Ricardo a envolveu.
—Mesmo?
Natália sorriu.
—Mesmo.
Ricardo sorriu como um menino.
—Eu te amo. —Disse cada palavra como se
experimentasse o sabor delas.
Natália quando o ouviu confessar seu amor
por ela daquele jeito, tão sentido, o abraçou feliz,
depositando sua cabeça em seu peito forte, com os
olhos fechados inalava o seu cheiro masculino.

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O dia passou rápido. Almoçou com


Ricardo num clima aconchegante e descontraído. O
risoto que Lena preparara estava divino e o vinho
que Ricardo separara era maravilhoso.
Depois ele lhe mostrou todo o apartamento,
ela apaixonada reparou na decoração puxada para o
tom creme e dourado, de um extremo bom gosto.
Ricardo enquanto mostrava tudo, tinha um
semblante nostálgico, Natália entendeu que ele se
lembrava de sua mãe, ela sabia através de Vitor que
a mãe deles é que tinha decorado tudo.
Mais tarde ele a levou em um parque onde
foram a pé. Eles andaram o tempo todo felizes, de
mãos e se entupindo de besteiras. Comeram pipoca
com refrigerante e depois sorvete.
Quando Ricardo a deixou em casa, Natália
fitou os olhos negros de Ricardo e se despediu dele
já com saudades. Beijaram-se longamente no carro.
Ricardo relutante a afastou para olhá-la nos olhos.
—Te amo.
Natália sorriu.
—Eu também.
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Ricardo passou os dedos nos lábios dela.


—Amanhã te pego nove horas.
—Está certo.
Ricardo a beijou novamente de um jeito
possessivo, como se ele quisesse se fundir a ela.
Estava cada vez mais difícil se controlar. As mãos
dele agora corriam sobre ela, sem cerimônia
nenhuma, nos pontos que lhe dava prazer. Sempre
quando se afastavam, ambos estavam tomados pelo
desejo.
Era nítido o esforço de Ricardo em se
controlar. Era uma imposição dela só fazerem amor
depois do casamento. Ela era filha de mãe solteira e
via o sexo como uma grande responsabilidade.
Eles estavam há pouco tempo juntos, no
fundo tinha receio, pois Ricardo era um homem
mais velho, experiente. Embora ele demonstrasse o
quanto a amava, não conseguia deixar as reservas
de lado e se entregar.
Vitor quando chegou em casa, deitado na
cama, sorriu ao se lembrar do dia agradável que
teve com Carol. Conversaram sobre tudo, mas
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principalmente sobre ela.


Quando Carol mencionara sua viagem, ele
se sentiu incomodado, talvez com o orgulho ferido,
pois ela não mencionara o que ela sentiu com o
afastamento deles. Como se o que viveram não
tivesse tido nenhum significado para ela.
A imagem dele no passado, triste,
insatisfeito pela ausência dela, conforme ela falava
da viagem, invadiu seu peito. E só não sentiu mais,
pois naquela época sofreu uma avalanche de
tristezas e mudanças, pois logo seus pais morreram
e ele se ocupou com outra dor.
Carol e ele se formaram em administração,
segundo ela, o tempo que ficou em Nova York, se
saiu muito bem, estagiando em um escritório de
contabilidade. E logo que voltou, já conseguiu
emprego como secretária executiva de uma grande
empresa de cosmético.
Vitor com grande interesse a ouviu falar
sobre seu tempo fora. Conforme ela contava
acendeu nele velhas lembranças dos dois, a verdade
que se davam bem à beça.

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Era como se ela tivesse virado uma chave


que ela mesma tinha trancado em seu coração,
fazendo-o resgatar velhas lembranças. Conforme
ela falava de si, seu jeitinho de contar sua viagem,
sentia-se como se ela tecesse teias invisíveis que
prendiam cada vez mais sua atenção.
Sentiu-se tão desinteressante, que se limitou
a ouvi-la.
Depois do almoço, eles saíram de lá com
um silêncio estranho. Ele ficou em conflito,
incomodado de apenas deixá-la em casa e perder a
oportunidade de estar com ela novamente.
Na volta em enquanto ele dirigia, o
sentimento de vê-la novamente aumentou, e até o
intrigou.
Quando ele a deixou na casa de seus pais,
uma mansão, em um bairro nobre de Londres, ele já
estava convencido que, de uma maneira, ou de
outra ia convencê-la a sair com ele.
Carol o fez entender que Natália, realmente
era uma página virada em sua vida, e se pensar,
nem tiveram uns beijos trocados, para que ela o

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marcasse tanto assim.


Quando Vitor estacionou, ele se virou para
ela e sério perguntou.
—Podemos nos ver mais vezes?
Carol o observou antes de responder.
— Não sei.
Ele tinha que convencê-la. De uma forma
ou outra precisava lhe tirar essa má impressão que
ela ficou dele.
A forma como ela o encarava, e o jeito que
ela se mantinha distante, o incomodou.
Viu-se dizendo.
— Por favor.
Carol o observou por um tempo.
—Não sei Vitor. —Suspirou quando viu a
intensidade dos olhos dele.
Vitor insistiu.
—Eu senti sua falta quando nos afastamos.
Dei-me conta quando conversávamos agora, que
embora você se diz tão mudada, você no fundo é a
garota incrível que eu saía no passado.
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Carol ergueu as sobrancelhas perfeitas e o


encarou séria.
— Hoje eu estava com você para você
poder encarar outra mulher.
Vitor a observou pensativo.
Eu sabia disso, mas como explicar o que eu
mesmo não conseguia?
— Quero estar com você, pois gosto de sua
companhia. De maneira nenhuma quero que você
seja meu apoio moral. Mas quero fazer com que a
gente dê certo.
Carol baixou os olhos. Ela queria acreditar.
E resolveu apostar, pelo que ele representou para
ela no passado, pois agora a atitude dele não lhe
atraia nem um pouco.
— Tudo bem Vitor. Podemos voltar a nos
ver devagar. Sem muito entusiasmo.
Vitor não entendeu o que ela queria dizer
com isso.
—Como assim?
Carol elucidou.

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—Você me conheceu como mulher, você


me fez mulher, então pode pensar que
continuaremos do ponto onde paramos. Mas não.
Essa é a minha condição.
No passado tinham se conhecido mais
intimamente, e a cena dela em sua cama invadiu
sua mente.
Vitor sorriu, e se aproximou dela.
—Tudo bem. —Passou as mãos nos cabelos
de Carol sorrindo, seus olhos castanhos se
encontraram com os verdes dela. Ele apenas pegou
sua mão e beijou na palma. Depois soltou e disse
serio. — Eu te ligo.
— Está certo.

Capítulo V
Dois meses depois...
Natália sorriu quando fitou o marido
dormindo ao seu lado. Depois da lua de mel em
Angra dos Reis no Brasil, era a primeiro dia juntos
em sua nova casa. Tudo estava indo perfeitamente
bem.
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Seu casamento fora o dia mais feliz de sua


vida. Enfim realizava nesse dia seu sonho de
menina, se casar com o homem que amava.
Lembrou-se com felicidade de Vitor ao lado de
Carol, por ironia do destino foram seus padrinhos
de casamento.
Fechou os olhos e o dia que Ricardo a pediu
em casamento surgiu.
Fora em um Domingo à noite, depois de um
mês juntos, e muitas saídas, ele a deixou em casa e
quis entrar. Natália estranhou, pois ele sempre a
deixava e ia embora. Natália o viu entrar em sua
casa, muito nervoso. Ele pediu para chamar sua tia.
Natália não entendeu, mas não questionou.
Ele então se ajoelhou na sala na frente dela,
diante de sua tia e tirou uma caixinha preta do
bolso. Ele a fitou com olhos ardentes, e um leve
sorriso nervoso no rosto.
—Natália, quer se casar comigo?
Natália sorrindo e chorando respondeu.
—Aceito.
Nessa hora Ricardo se levantou e a tomou
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nos braços, com os olhos brilhando pelas lágrimas.


Desde então foi uma maratona, de procura
da casa. Mas graças a Deus, logo a encontraram. A
casa era grande espaçosa, com um lindo jardim,
piscina nos fundos, churrasqueira, 4 quartos, onde
Ricardo lhe disse com alegria que queria ocupar
com filhos. A sala era linda, espaçosa toda cercada
com vidros que tinha como vista a piscina.
Eles então passaram a mobiliar a casa
juntos. Nessa hora Natália já tinha deixado o
emprego, pois segundo Ricardo, ela logo teria com
que se ocupar. Ambos queriam ter logo filhos e
principalmente Ricardo por ser mais velho. Ele não
queria demorar muito.
Depois da casa mobiliada, ela correu atrás
do seu vestido de noiva, e teve uma adorável
surpresa, pois Carol lhe deu de presente.
Vitor estava feliz também por ela, mas ela
percebia que ele e Carol ainda não se afinavam.
Estavam juntos, mas algo não ia bem. Mas as
preocupações eram tantas por causa do casamento
que Natália não se aprofundou em entender isso.

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A lua de mel fora o sonho de qualquer


mulher. Praia de aguas transparente, um marido
lindo, perfeito e carinhoso. Arrepiou-se em pensar
como tudo com ele era bom.
Ricardo se virou e observou Natália nua ao
seu lado, coberta somente com um lençol. Ele
sorrindo a puxou para si, encantado por descobrir
nela ao longo desses dias, uma mulher mais linda
que ele tinha imaginado, e muito sensual.
Ricardo, escorregando sua mão nas costas
dela, a beijou com ardor. Lembrou-se do dia que se
casaram e da sua felicidade de colocar o anel do
dedo, como se dissesse silenciosamente “você
agora é minha”.
Ricardo agora beijava seu pescoço, sentia
seu perfume e sorria ao provocar na esposa
gemidos, quando a explorava mais intimamente.
Natália fitou o marido, os olhos negros
cheios de desejo. Sorriu com sedução, e beijou seu
pescoço, com suas mãos explorando o corpo
perfeito masculino.
Depois que fizeram amor, Natália se afastou

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do marido e ficou sem ação, ao ver seus olhos


espelhando seu amor tão claramente.
Ambos estavam ofegantes pela maratona na
cama, mas ali entre eles, não existia somente o
desejo, aquilo que sentiam era o amor.
—Te amo. —Ele confessou.
Natália sorriu.
—Eu sei. E te amo também.
Ficaram a se olhar um pouco. Então ela
perguntou sorrindo.
—Está com fome? Posso pedir para Lia
servir o almoço, pois o café pelo horário, não dá
mais.
—É bom ouvir você falar como minha
esposa.
—Ah, mas estamos casados há duas
semanas.
Ricardo a abraçou enterrando seu rosto em
seus seios perfumados.
—Na lua de mel não vale. —Então a fitou
sério. —Aqui sim, vai começar nossa rotina, nosso
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dia a dia, nossos problemas, nossa vida real. Lua de


mel é mais sonho do que realidade.
Natália sorriu.
—Verdade.
Ricardo disse sério.
— Espero te fazer feliz.
—Você já me faz feliz.

Vitor acordou cedo. Espreguiçou na cama.


E ficou um tempo olhando para o teto. O silêncio
do apartamento era agora quase que reinante, o
único movimento que tinha era de Lena na cozinha.
Desde a lua de mel de Ricardo se sentia
sobrecarregado na fábrica e muitas vezes chegava
em casa cansado sem ânimo.
Carol o colocara na geladeira. Saiam de vez
em quando, por insistência dele. Hoje ele a pegaria
em casa. Tinham combinado de ir ao cinema, e
depois quem sabe passariam o dia juntos no seu
agora imenso apartamento pela ausência do irmão.
Carol parecia à versão melhorada de
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Natália, com a diferença que ele sentia em Carol


mais receptividade. E quando ele beijava, sentia
Carol vibrar em seus braços. Mas era claro que ela
tinha o pé atrás com ele.
Isso passou a incomodá-lo, pensava em se
abrir com Ricardo.
Quem sabe ele o aconselharia?
Pois uma coisa era certa, Carol aos poucos
entrara em seu coração, com uma força, que o
surpreendera. Ele a olhava muito além da atração
física.
Tentava passar isso para ela, mas como
começara tudo errado, entendia que a impressão
errada ficara. Talvez para ela, ele ainda alimentasse
o amor por Natália, ou não a amava. Era incrível
que ela não percebia como ficava feliz ao vê-la,
como seu coração pulsava em seu peito, como tinha
prazer na sua companhia.
A esperança era que aos poucos fosse
conquistando o coração dela, e não precisava se
esforçar para isso. Era tão natural ele se doar.
Quando a beijava, estava todo naquele beijo.

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Natália sorriu feliz para o marido. Ele havia


tomado banho, e ela o esperava na sala para
almoçarem. Logo que o avistou se levantou.
Ricardo sorriu e a puxou, beijando-lhe os
lábios. Natália sorrindo disse:
—Vem. Lia caprichou na comida.
Ricardo sorriu e com Natália nos braços
seguiu para a sala de jantar. A casa ainda cheirava
tinta fresca. E os móveis também tinha o cheiro
característico de móveis novos.
Almoçaram tranquilamente. Lia era uma
cozinheira de mão cheia. Ela era uma espécie de
governanta, beirava uns 58 anos, tinha olhos
bondosos, e estava sempre sorrindo. Natália
imediatamente gostou dela.
Depois do almoço ela e Ricardo passaram o
dia no sol ao redor da piscina.
Natália fitou o marido.
— Gostaria de visitar minha tia.
Ricardo ergueu as sobrancelhas.

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—Já?
Natália sorriu.
— Você sabe que ela já tem idade
avançada, e nunca fiquei tanto tempo sem vê-la
desde que fui morar com ela.
Ricardo suspirou.
—Você está sem carro. Eu posso te deixar
amanhã antes do trabalho e você passa o dia com
ela, depois no final do dia eu te pego.
Natália saiu da espreguiçadeira dela, e o
abraçou.
—Obrigada por entender.
Ricardo a olhou sério.
—Se isso te faz feliz, não tenho porque
negar.
No dia seguinte, Natália levantou cedo e
tomou um banho. Vestiu roupas casuais, calça
jeans, camisa branca, tênis. Ricardo ainda estava
deitado de bruços na cama, quando a viu ergueu as
sobrancelhas.
Natália se aproximou.
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—É cedo ainda.
Ricardo quando a viu a esposa vestida como
uma colegial, sentiu o peso de sua idade.
Ele se virou, ajeitando melhor o travesseiro
na cabeça.
—Se é cedo, por que levantou?
Natália deu a volta na cama e se sentou
perto dele, o beijou com muito amor. Primeiro seus
olhos, sua testa e seus lábios. Ricardo a pegou nos
braços e a impulsionando, a lançou na cama,
tomando seus lábios e a beijando-lhe com paixão.
Ele repetiu.
—Por que você levantou?
— Eu irei à minha tia. Lembra?
Ricardo a beijou no pescoço e se afastando
disse com uma careta.
—Se eu pudesse, não iria trabalhar hoje.
Passaria o dia com você. E a tarde iríamos juntos
visitar sua tia. Mas o mundo real me espera.
Natália viu o sorriso maroto do marido
sobre si agora. Ela sorriu.
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— À noite nos aguarda, como uma


promessa. O dia pode até passar lentamente, mas
ele virá.
— Meus momentos com você Natália, são
prazerosamente vividos.
Ela sorriu.
—Os meus também.
Ricardo a beijou novamente, e disse
contrariado.
—Quando se veste assim, me sinto um
velho. Pareço seu pai, te dando uma carona para a
faculdade.
—Ricardo, por favor. Já falamos sobre isso.
Ricardo suspirou e assentiu e a beijou
novamente. Natália o afastou quando ele a beijou
no pescoço e seus lábios iam em direção ao vão de
seus seios.
Ricardo suspirando, olhou o relógio que
marcava 7:30. Entrava às oito horas.
—O dever me chama. Mas a noite você não
me escapa.

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Natália sorriu e saiu da cama, indo em


direção à cozinha. Lia a varria.
— Lia pode servir o café.
Natália ajudou Lia a colocar a mesa. E
prendeu o ar, quando viu o marido se aproximar
com um terno azul marinho escuro impecável,
camisa azul clara e gravata com desenho abstrato
azul marinho e branco.
Ricardo se dirigiu a cabeceira da mesa. E se
servindo de café disse sorridente.
—Bom dia Lia.
—Bom dia Sr. Meneguzzi.
Natália se serviu de café com torradas, e
com prazer tomou ao lado do marido. Tinha
acabado os dias de lua de mel, o final de semana se
findou e agora entravam na rotina do dia-dia, ao
lado dele.
E isso era muito bom. Não era ótimo.
Sentia-se feliz por fazer parte da vida de Ricardo.
Ricardo observou Natália. Sua jovem
mulher. Parecia uma menininha naquela roupa.
Estava feliz. Era bom trabalhar e saber que ela o
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esperava em casa. Era maravilhoso compartilhar


seu dia-dia, e as preocupações que surgissem com
ela.
Apostava em ter pelo menos um filho com
ela. Sabia que isso tiraria dele aquela sensação
horrível que ele sentia de ser tão mais velho, ou de
o olharem como o pai dela.
Ricardo conforme avançava na fábrica, era
cumprimentado pelos seus funcionários o
felicitando pelo casamento. Subiu o segundo andar
de onde se avistava a parte de baixo de toda a
fábrica que era barulhenta por causa das máquinas
que trabalhavam a todo vapor.
Entrou na sua sala e fechou a porta. Sua sala
era toda de vidros a prova de som, coberta por uma
veneziana, que ele geralmente deixava meio aberta.
Logo que entrou, viu a porta se abrir e Vitor entrar
sorridente.
Ricardo foi abraçado pelo irmão.
—Até que enfim tirou aquela cor de
escritório. Pelo visto, aproveitaram muito.
Ricardo rodeando sua mesa se sentou na
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cadeira de couro vermelha e disse suspirando.


—Deu dó de deixar tudo para trás e voltar à
rotina. Mas ela paga as contas.
Ricardo observou Vitor se sentar na cadeira
a sua frente.
—Como anda as coisas por aqui?
—Na sua ausência uma máquina quebrou,
ficou dois dias parada, mas foi consertada.
Ricardo suspirou.
—Teremos que impor horas extras. Temos
entregas apertadas.
Vitor sorriu.
—Já resolvi isso.
Ricardo sorriu e se inclinou na cadeira
observando o irmão. Vitor continuou.
—Fiz uma reunião com o gerente de
produção, e enquanto a máquina estava parada,
corremos com outras entregas que não precisavam
dela. E quando ela ficou pronta, intensificamos a
produção do produto prejudicado.
Ricardo sorriu.
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—Preciso tirar férias mais vezes.


Vitor ficou sério.
—Nem brinca. Gosto quando você está por
perto. O pessoal te respeita muito. Cortei um doze
com Roger que não queria liberar verba para o
conserto da máquina, tive que preencher um monte
de relatório. —Roger era o gerente financeiro de
confiança de Ricardo.
Ricardo sorriu.
—Apenas burocracia da empresa.
—Já vi você pedir sem precisar de
relatórios.
Ricardo observou Vitor carrancudo.
—Bem. Mas no fim deu tudo certo.
—Precisamos conversar.
Ricardo sorriu debochado.
—Estamos conversando.
Vitor o encarou sorrindo.
—É, o casamento te fez bem. Está bem-
humorado.

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—Vitor, por favor. Fala logo.


—É sobre Carol.
Ricardo ergueu as sobrancelhas. Vitor
continuou.
—Naquele dia que você levou Natália no
apartamento como sua namorada, eu levei Carol,
mas estávamos combinados, na verdade eu a levei
para me sentir seguro e passar segurança para
Natália que eu estava bem.
Ricardo ficou sério.
—Não acredito!
Vitor sorriu.
—Acredite! Só que o inesperado aconteceu,
Carol me instigou. Ela veio diferente, mais madura.
Ricardo sorriu.
—Eu percebi.
—Ela relutou muito a sair comigo
novamente. E até hoje não consigo tirar a imagem
errada que ela tem de mim. Não sei o que faço.
Ricardo disse sério.
—Seja franco. Não rodeia, e tire esse
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sorriso debochado do rosto. Talvez ela te ouça.


Vitor suspirou.
—Já tentei fazer isso, mas ela me dá nos
nervos. E quando me vejo, estou ironizando as
atitudes dela.
—Esse é seu erro. Passe mais maturidade.
Mulher gosta disso.
Vitor sorriu para o irmão.
—Logo, logo teremos Ricardinhos ou
Natalinhas andando pela casa.
Ricardo sorriu.
—Verdade. Não estamos tomando
precaução nenhuma. E estou em uma idade boa
para ter filhos. Quem sabe assim, eu não me sinta
tão mais velho que Natália. Ela ser tão jovem
muitas vezes me incomoda.
Vitor observou as têmporas do irmão e as
laterais já grisalhas. E entendeu a preocupação dele
com relação a Natália, que por ser magrinha e alta,
parecia muito mais jovem que a idade que ela tinha,
e o contraste com seu irmão era grande.

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Natália passou um dia agradável com sua


tia. Ela contou-lhe da viagem, e como estava feliz
ao lado de Ricardo. Sua tia estava feliz por ela, pois
o tempo todo sorria e a recebeu com grande alegria.
Natália a ajudava na cozinha, quando ouviu
a campainha. Foi até a porta e viu Ricardo.
Sorrindo o recebeu com um longo beijo. Sua tia ao
longe os observava, e sorriu ao contemplar a
felicidade da sobrinha.
—Boa noite Senhora O Brian.
—Boa noite.
Natália comentou.
—Ricardo, estava comentando com titia de
fazermos um churrasco em casa. Chamaríamos
Vitor e Carol. O que acha?
Ricardo sorriu.
—Ótima ideia. Poderia ser nesse final de
semana. Amanhã falo com Vitor.
Natália sorriu e abraçada a Ricardo se
dirigiu ao carro. Ricardo suspirou.
—Quando te pego aqui. Lembro-me do

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nosso namoro. Era horrível deixá-la.


—Eu pensei a mesma coisa.
Ricardo sorriu e a beijou.
—Toda vez que te deixava, era como se
deixasse um pedaço de mim.
—Eu sei. Sentia o mesmo.
Ricardo sorriu e deu partida no carro.
A semana correu tranquila, na sexta-feira
Natália foi ao mercado com Lia para comprar tudo
para o churrasco que fariam no Sábado. Ricardo
naquela semana a presenteara com um carro. Ele
muito misterioso a levou a uma agência, onde uma
Mercedes preta a aguardava com um laço vermelho
envolta dela.
Natália demorou a entender que era sua. E
quando o fez o abraçou emocionada. Não pelo
carro, pois qualquer carro serviria, mas pelo gesto
do marido.
Sábado, Natália saiu da cama sem Ricardo
perceber e tomou banho e vestiu uma calça jeans
escura e uma camisa bordô, tênis preto.

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Dirigiu-se a cozinha e depois de tomar café,


ajudou Lia a preparar o vinagrete. Logo viu
Ricardo despontando na cozinha. Ele resmungou.
—Por que não me chamou?
—Te achei cansado ontem.
Ricardo assentiu e suspirou.
—Daqui a pouco eles estão aqui.
—Você não parece animado.
Ricardo a abraçou sorrindo forçado.
—Claro que estou animado.
Natália sorriu e disse suave.
—Eu sei que preferia que ficássemos
sozinhos, curtindo a piscina.
Ricardo sorriu e disse com duplo sentido.
—A nossa cama.
Natália corou, e mudou de assunto.
—Esse churrasco é o primeiro que damos
casados. É uma forma de comemorar nossa vida
juntos em família.
Ricardo disse sério.
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—Eu sei.
Depois de meia hora a campainha tocou.
Ricardo abrindo a porta os recebeu com um sorriso.
Vitor tinha passado na casa de Ester O Brian, e
agora sorria para o irmão enlaçando Carol pela
cintura.
Ricardo disse com voz agradável e
animado.
—Que bom que vieram. Natália os aguarda,
ansiosa.
Ricardo os conduziu até os fundos da casa.
Passaram primeiro pelo hall de entrada, depois pela
grande sala, onde saíram na área externa onde
brilhava a água de uma piscina convidativa.
Natália sorriu quando viu todos juntos. Ela
estava arrumando a mesa de fora que fica dentro de
um grande pergolado de madeira coberto com
vidro.
Natália cumprimentou sua tia com um
abraço e um beijo, se dirigiu a Carol sorrindo, ela
estava linda em um vestido vermelho. E foi até
Vitor sorrindo, recebendo um beijo nas faces.
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—Que bom que estamos todos reunidos.


Vitor sorriu e fitou Carol.
—Ajuda Natália que vou ajudar Ricardo
com o churrasco antes que ele queime a carne.
Natália se virou para tia Sara.
—Tia, fique á vontade. E Carol, você me
ajuda?
Carol sorriu.
—Claro.
Natália enquanto caminhava com Carol na
cozinha comentou.
—Vitor parece outra pessoa desde que te
conheceu.
Carol suspirou.
—Você acha?
Natália sorriu.
—Claro!
—Vitor parece tão inconstante.
—Vitor só parece. Ricardo comentou
comigo o quanto Vitor gosta de você. —Natália
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disse pegando os pratos. Carol a ajudou pegando


alguns.
— Eu o amo. Fomos namorados no
passado, naquela época eu já o amava.
—Ricardo me contou. Você não sabe como
fiquei feliz em saber que o namoro de vocês tem
evoluído. —Natália disse levando os pratos para
fora, seguida por Carol.
O cheirinho da carne já se fazia presente,
Ricardo e Vitor estavam em frente à churrasqueira
tomando vinho e rindo de algo que Vitor comentou.
Tia Ester estava sossegada, contemplativa.
Observando os dois. Lia arrumava agora os copos.
Conforme a carne ia ficando pronta,
Ricardo as colocava em uma travessa. Vitor, com
um avental, os serviam. Onde Natália, tia Sara e
Carol conversavam animadas sobre filhos.
—Não estamos tomando precaução
nenhuma. Ricardo não quer esperar, eu respeito
isso.
Tia Sara sorriu.
—Vocês terão filhos lindos.
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Carol observou os olhos de Vitor sobre ela,


enquanto a servia. Ela sorriu para ele. Ela dirigiu
sua atenção para Natália.
—Eu gostei muito de sua casa. O espaço é
ótimo.
Natália sorriu e disse pensativa.
—Não quisemos apartamento. Compramos
essa casa pensando em ter os filhos correndo pela
casa, por isso o espaço. E quem sabe um cachorro?
Vitor já estava sentado ao lado de Carol, e
Ricardo sorrindo a abraçou por trás.
—Você será uma mãe maravilhosa.
Natália ergueu a cabeça e recebeu dele um
beijo nos lábios. Vitor nessa hora fitou Carol que
olhava para ele e beijou-lhe as mãos. Tia Ester
sorriu para todos.
—Natália era uma menina levada, muito
arteira. Ás vezes a mãe dela a deixava comigo.
Vivia molhada, adorava mexer com água.
Natália riu, vendo a careta da tia. Ricardo a
fitou sorrindo.

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—Está explicado por que ela nada como


uma sereia.
Vitor caiu na gargalhada fazendo todos
rirem.
Quatro horas da tarde depois de um
cafezinho todos foram embora. Natália tomou um
banho e se deitou, esperando Ricardo acabou
adormecendo. Acordou com os lábios de Ricardo
em seu pescoço. Ela se virou e deu com o homem
da sua vida, os olhos negros e intensos de desejo, e
os cabelos pretos como carvão, pois estavam
molhados pelo banho. Ricardo tomou seus lábios
com um gemido, suas mãos hábeis a tocavam em
pontos sensíveis que ele agora conhecia bem.
Natália sabia também como envolver Ricardo,
levando-o ao prazer, com as mãos, com os lábios o
instigava mais e mais. Depois de saciados
dormiram abraçados.

Seis meses se passaram, o verão estava indo


embora para dar lugar ao outono. Era Sábado, o dia
estava mais frio. Ricardo tinha saído, sem
explicação.
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Natália, da janela da sala, olhava para fora.


O vento estava forte e derrubava as folhas das
árvores amareladas pelo tempo que ficavam na
calçada da rua tranquila que morava.
Ela estava preocupada. Ricardo andava
estranho ultimamente. Irritado e inquieto. Ricardo
definitivamente não era o mesmo homem de antes.
Ela de todas as maneiras possíveis tentara abordá-lo
para arrancar dele o que o afligia. Mas ele, toda vez
lhe negava que tivesse alguma coisa de errado.
Muitas vezes, ela o sentia cada vez mais distante e
mais frio com ela. Sentia-se impotente. Pensava em
procurar Vitor e perguntar se ele sabia de alguma
coisa. Se a fábrica ia bem? Ou qualquer coisa que
explicasse a atitude de Ricardo ultimamente.
Não brigavam era uma batalha silenciosa,
até isso a incomodava. Se brigassem, fariam as
pazes e pronto? Mas seu inimigo era silencioso.
Outra mulher? Uma doença? Problemas
financeiros? Como lutar, se ela não sabia o que o
afligia? Que armas ela usaria? Não sabia dizer.
Até que um dia que brigaram isso surgiu
como uma triste imagem:
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Ricardo estava na sala lendo um jornal,


quando Natália se aproximou e o observou, naquela
manhã, ele estava especialmente lindo. Os cabelos
negros estavam um pouco crescidos, brilhavam
pelo banho, embora suas feições estivessem duras.
Quando ele sorria se formava uma
pequena covinha no queixo, onde ela costumava
beijar.
Ele estava vestido com um short branco
e uma camisa azul marinha aberta no peito onde se
podia visualizar seus pelos negros.
Ricardo a ouviu e voltou-se para ela,
seu semblante era sério e pensativo. Natália se
aproximou e se agachou, segurando-lhe os joelhos
e falou com meiguice.
— Ricardo, nós precisamos conversar,
não podemos ficar assim. Você não tem tempo
mais para mim. Fica enfiado dia e noite naquele
escritório, tem dias que eu não te vejo. E quando
está em casa parecemos dois estranhos. — A voz
dela soou ligeiramente desesperada, por causa do
modo como ele a vinha evitando, nas últimas
semanas.
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Ricardo a olhou longamente, colocou


o jornal de lado, tirou-lhe as mãos de seus joelhos e
levantou-se. Natália sentou-se no sofá e o seguiu
com o olhar.
Ricardo foi até o bar pegou um copo e
despejou uma dose generosa de uísque.
Ele se virou, sua boca se curvou
cinicamente e ele a olhou friamente.
— Natália, por que isso agora? Eu
sempre trabalhei muito. A fábrica está passando
por uma crise e eu tenho me desdobrado para nós
não falirmos. — Sua expressão não mudou e ele
nem pestanejou.
— Eu sei você já me disse isso. —
Nervosamente, Natália passou as mãos pelos
cabelos. — Mas você tem Vitor! Ele está com você
nisso, delega a ele tarefas! Você não pode continuar
trabalhando assim! Isso é escravidão! E você
mudou comigo também!
A vontade de Natália correr para ele era
enorme, sentir seu cheiro, seu abraço, queria sentir
as suas mãos lhe acariciando os cabelos. Se ele lhe

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sorrisse de leve ela teria corrido para seus braços,


mas seu rosto exibia uma máscara de pedra.
— Ora Natália, lógico que eu mudei! As
lutas são tantas que eu não tenho tempo para ficar
te bajulando! — Sua boca torceu-se com ironia.
Natália sentou-se no sofá e piscou
evitando as lágrimas.
Ela o olhava e não acreditava no que via.
Como ele estava mudado! Não via mais nele o
homem apaixonado de antes. A fábrica! Baaah! E
ela?
Então ela sussurrou.
— Se ao menos eu engravidasse, eu me
sinto muito sozinha! —Ela disse em uma voz cheia
de desânimo.
Ricardo se serviu de outra dose de uísque
e bebeu de um gole só.
— Natália, pare de choramingar! Vai à
luta! Sai, arrume um emprego! Cresça! —Ele lhe
falava com enfado.
Natália o olhou incrédula.

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Meu Deus! Ela não queria se ocupar, não


era isso! Ela precisava dele. Como ele não
entendia que ela sentia a sua falta.
Natália não conseguiu mais se conter.
Correu até ele de punhos fechados, lançou-se nele,
e lhe socava o peito.
Nessa hora ela o sentiu imóvel esperando
apenas ela descarregar nele toda raiva. Ela chorou
em seu peito, convulsivamente. Ele a abraçou por
um momento. Natália então sentiu seus lábios
beijar seu pescoço e depois sua boca com violência
selvagem. Ela se perdera por um momento em seu
beijo, mas tudo veio à tona em sua mente e ela o
afastou.
— Acabou? —Perguntou Ricardo num
tom frio.
Natália observou aquele que um dia fora
seu marido, um homem extremamente carinhoso.
Ele era outro homem. Não o reconhecia mais! Ele a
olhava impassível.
Ela enxugou suas lágrimas com as costas
das mãos que ainda insistiam em cair. Uma onda de

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dor começou a explodir no coração dela.


E o fitando sua mente dizia para ela pedir
o divórcio.
Ele não me ama! Isso era claro, sua atitude
fria e distante, era uma prova disso.
Mas ela nesse dia apenas saiu da sala, com
a esperança que tudo pudesse se resolver. Que ele
poderia estar enfrentando alguma batalha
silenciosa.
Quem sabe alguma doença? Logo veio a
imagem de Vitor, ele deveria saber de alguma
coisa.
Apertou os braços sobre si, afugentando as
lembranças, a imagem de sua tia surgiu para
lembra-la que estava sozinha.
Sua tia morrera a pouco tempo, até isso lhe
fora tirado. Sentia falta de sua presença, de seu
carinho.
Natália ainda estava no mesmo lugar, de
frente a janela da sala, quando se colocava a pensar
se esquecia do tempo, e até do espaço. Ela enxugou
as lágrimas quando viu Ricardo surgir no portão.
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Afastou-se da janela e foi até a cozinha.


Lia sorriu ao vê-la.
—Fiz o pão de queijo, e café agorinha.
—Estou sem fome. Mas aceito o café. —
Natália enquanto bebericava, ouvia os passos de
Ricardo na sala. Fica calma! Disse a si mesma. Ele
está passando por algum problema difícil, o
problema pode nem ser você!
Ricardo então apareceu na cozinha. Natália
quando o viu, disfarçou a tristeza.
—Lia já fez café.
Ricardo assentiu sério.
—Eu tomei na rua.
Natália o fitou séria.
—Temos que ir hoje a um jantar na casa de
Renata Reynolds. Ela tem insistido bastante e não
consigo mais arrumar argumentos para negar. —
Renata era sua vizinha. Tinham se conhecido
quando o cachorrinho dela fugiu e entrou em seu
quintal, quando ela estava saindo de casa. Ela o
pegou para ela, desde então se cumprimentavam e

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se tornaram amigas e confidentes.


Ricardo disse sereno.
—Podemos ir. Até bom para você sair um
pouco.
Natália sorriu fraco.
—Você também precisa espairecer.
Ricardo deu de ombros.
—Vou precisar sair, vou passar no
escritório, acumulou trabalho.
Natália ficou sem ação.
— Mas você chega para o jantar de hoje à
noite? Iremos juntos? —Meu Deus! Quem era
aquele homem a sua frente? Pensou enquanto
esperava a resposta.
—Iremos juntos.
Natália assentiu e o viu sair da cozinha, ela
triste praticamente se jogou na cadeira. Lia estava
totalmente alheia ao que acontecia a sua volta.
Natália precisava se abrir com alguém, mas não
seria com Lia, precisava procurar Vitor.
Natália viu Ricardo de jeans, camisa preta
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passar pela sala, e sair. Sem um beijo, uma


despedida. Nada! Simplesmente saiu.
Ela não ia ficar chorando. Não!
Foi até o telefone e ligou para Vitor.
Quando o ouviu disse rápido.
—Vitor?
—Sim.
—Natália.
Ela o ouviu dizendo. ” É Natália. ”
—Estou te atrapalhando?
—Não. Claro que não. Aconteceu alguma
coisa?
—Preciso conversar com você em
particular. Sem Ricardo saber. É sério.
Houve silêncio do outro lado da linha.
—Na hora do almoço, na segunda feira eu
passo aí e conversamos.
Natália quando o ouviu marcando de ouvi-
la, chorou silenciosamente.
—Obrigado. —Disse fanhosa.

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—Natália. Pelo amor de Deus! Você está


chorando? O que houve?
—Vitor não dá para falar pelo telefone.
Vitor suspirou.
—Segunda irei aí sem falta.
Natália já tinha se recomposto.
—Obrigada.
Mais tarde Natália estava de frente ao
espelho. Tinha colocado um conjunto preto, igual
seu humor, negro. Sapato de salto alto e uma
corrente de ouro com um pingente de esmeralda.
Ricardo tinha dado a ela, no seu aniversário,
quando eles ainda eram um casal feliz.
Ricardo entrou no quarto e a mediu de cima
em baixo. Sentiu um leve tremor com a inspeção
dele. Ele não disse nada. Limitou-se a entrar no
banheiro, e ela ouviu o chuveiro.
Natália colocou seu casaco, e resolveu
esperá-lo lá embaixo. Para se acalmar pegou uma
revista e se sentou no sofá, mas passava tudo sem
ver, apenas as virava. Nervosa.

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Ouviu os passos do marido, quando ergueu


os olhos o viu. Ele estava lindo. Cabelos molhados,
calça preta, e camisa branca aberta no peito peludo
e um blazer marrom de um tom claro puxado para o
bege. Seus olhos se encontraram. Natália
desviando o olhar, se levantou do sofá.
—Podemos ir? —O ouviu perguntar.
Natália o fitou e assentiu. O viu se dirigir a
porta e abri-la. Natália o seguiu até a calçada. Eles
seguiram rumo à casa de Renata, como dois
estranhos, calados. No entanto, quando os Reynolds
abriram a porta, Ricardo e ela estampavam no rosto
um sorriso que parecia ensaiado, de casal
perfeitamente feliz.
Logo Renata a viu, e os fizeram entrar, e
logo serviram drinques. Natália percebeu, conforme
foi avançando na sala, que não era a única
convidada. Algumas pessoas estavam presentes.
Todos os olhavam talvez julgando estar
diante do casal perfeito, ela pensou enquanto sorria
e retribuía conforme Renata ia apresentando eles
para as pessoas.

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Natália observou Ricardo se afastando de si,


rindo de algo que o marido de Renata disse.
Natália triste pensou na sua situação, a sua
vida agora diante dos vizinhos e amigos, era uma
fachada agora. Não conseguiu ainda se abrir com
Renata sobre sua situação. Como se abrir se não
sabia o que ocorria?
Natália logo foi envolvida por um bando de
mulheres barulhentas, que riam contando de uma
fofoca entre vizinhos, mas Natália só observava,
seus pensamentos não estavam ali.
Observou Ricardo, lindo, tinha tirado o
casaco, e estava com a camisa dobrada até o
cotovelo, revelando aquele braço peludo, contra a
sua vontade, analisou as coxas musculosas,
cobertas pela calça preta. Os olhos dela
observavam as costas largas por baixo da camisa
branca, ele agora ouvia o que o senhor Reynolds
dizia com um sorriso. Natália desviou os olhos,
incomodada.
Renata se ausentou um pouco, mas logo
veio com o filho nos braços. Era um bebê lindo,
tinha pouco mais que um ano, um lindo menino.
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—Que lindo. —Disse Natália quando viu os


grandes olhos azuis da criança, o cabelinho preto e
cheio.
Renata ofereceu.
—Segura ele um instantinho, enquanto eu
pego a mamadeira?
Renata colocou o filho em seus braços.
Natália sorria para ele e nessa hora se incomodou
pelo fato de estar seis meses casada e ainda não
gerarem filhos. Sua tia mesmo, quando era viva a
via com um ponto de interrogação. Ricardo mesmo
frisou para todos, que não estavam se prevenindo e
ela ainda não conseguia engravidar.
O bebê se contorcia em seus braços. Natália
falou baixinho com ele. E nessa hora ele a olhou
como se entendesse. Ele agora tentava pegar seu
colar com as mãozinhas. Natália nessa hora lançou
o olhar para Ricardo, e deu com os olhos de
Ricardo a observando com o bebê no colo, a
expressão dele era tão pesada, que uma dor
lancinante a atingiu como um raio.
Por que ele a olhava daquele jeito?

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Logo Renata apareceu, e Natália lhe


entregou o bebê. Na mesa sentou-se entre os
convidados, Ricardo se sentou ao seu lado. Ali ela
viu um estranho. Ele a ignorou completamente.
Natália se sentiu mal, e não conseguiu comer nada.
Deixaram o jantar um pouco depois, ela se
despediu de Renata e viu Ricardo se despedir do Sr.
Reynolds.
Minutos mais tarde, depois de caminharem
mudos. Chegaram a sua linda casa, onde viu
Ricardo sumir no corredor. Ela deu um tempo na
sala. Respirou fundo. E foi até o quarto. Quando
entrou no quarto, o viu saindo do banheiro de
pijama, tudo bem que estava frio, mas Ricardo
mesmo nos dias mais frios, dormia praticamente
pelado.
Natália desviou os olhos dos dele e seguiu
até o banheiro munida com sua camisola de flanela
branca. Sem atrativo nenhum. Se era para ser
assim, seria.
O silêncio era tão reinante no quarto, que
ela ao caminhar para a cama, ouvia os seus chinelos
no chão. Ricardo já estava deitado de costas para
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ela. Ela se acomodou na cama triste, vazia. Não via


a hora de chegar a hora do almoço, quem sabe
Vitor elucidava tudo.
Natália quase não dormiu, quando pegou no
sono era madrugada. Quando acordou, a cama
estava vazia. Ricardo já tinha ido trabalhar. Fitou o
relógio. Dez horas. Triste se levantou. Colocou sua
velha calça jeans, e uma camiseta branca.
Na cozinha percebeu a ausência de Lia, era
folga dela e tinha até se esquecido. Fez um café
forte e na cozinha mesmo, sentou na cadeira de
uma pequena mesa que tinha no canto, para
refeições rápidas.
Quando estava tomando se deu conta que
Ricardo saiu sem tomar café. Triste chorou. Jamais
esqueceria que hoje era o dia dela arrumar a mesa,
onde eles tomariam o café juntos.
Na hora do almoço, Natália estava inquieta,
andava de um lado para outro à espera de Vitor. Ao
ouvir a campainha, correu para atender. O cunhado
entrou como um tufão na casa.
— Natália, agora você vai me falar o que

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está acontecendo. Ricardo está estranho também,


anda em um mau humor insuportável.
Natália se sentou desanimada. Pelo visto,
Vitor não sabia de nada.
—Pensei que você pudesse me esclarecer?
Vitor a olhou sem entender.
—Eu? Ricardo mal fala comigo.
Natália colocou o rosto entre as mãos e
começou a chorar. Vitor sentou-se ao seu lado, e
abraçou. Natália chorou em seus ombros, sem
controle. Tudo que estava passando se converteu
em lágrimas. Depois que ela melhorou, ela o
afastou. Vitor deu seu lenço, ela assoou o nariz e
limpou as lágrimas.
— Meu irmão tem te feito sofrer?
Natália não conseguia encará-lo.
— Ele mudou. Está fechado como uma
ostra. Tem me evitado. Frio. Não parece o mesmo
homem que me casei.
Vitor suspirou com angustia.
— Não sei o que acontece com ele, vou
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tentar arrancar algo.


—Por favor, não fale que te chamei. Tente
fazê-lo se abrir, quem sabe com você ele desabafe.
—A vontade que eu tenho é arrebentar a
cara dele em vê-lo te fazer sofrer. O pior que
sempre me julgou que não sou transparente, que me
escondo debaixo do humor. E agora ele está
fazendo pior, além de não se abrir, está
transformando a vida de todos um inferno.
Natália assentiu infeliz.
— Ele deve estar passando por algum
problema sério.
Vitor perguntou.
— Há quanto tempo você percebeu
mudanças nele?
Natália suspirou.
—Um dia ele chegou do trabalho tarde e o
cheirava bebida. No dia seguinte quando perguntei,
ele me falou que tinha saído para espairecer. E
desde então, percebi nele pequenas mudanças, ele
ia trabalhar sem tomarmos o café da manhã juntos.
Ele começou a trocar minha companhia, por um
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livro, pela televisão. E cada vez está pior. Ele está


ficando cada vez mais distante. Isso já tem umas 3
semanas. —Natália limpou uma lágrima e suspirou.
—Será que ele conheceu alguém?
Vitor meneou a cabeça.
— Não. Ele não agiria assim se tivesse uma
amante. A verdade é que não consigo imaginar o
motivo.
Natália suspirou.
—Ele não me ama mais. — E dizendo isso
chorou entre as mãos.
—Natália. Ricardo é louco por você!
Ela assoou o nariz.
—Ele era.
Vitor se manteve em silêncio por um tempo.
Levantando-se disse confiante.
—Vou conversar com ele. Deve ser um
momento ruim que ele está passando.
Natália perguntou ansiosa.
—E a fábrica? Ela vai bem.
Vitor expressava confusão.
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—Creio que sim. Só se está acontecendo


algo que não sei.
Diante do silêncio de Natália, ele apertou
suas mãos e disse.
—Fica bem. Hoje mesmo converso com ele.
Natália tentou sorrir.
— Está certo!
Vitor assentiu. Abriu a porta e saiu.
Vitor não conseguiu comer nada. Estava
com o estômago embrulhado. Dirigiu-se a fábrica e
não encontrou Ricardo.
Entrou na sala dele e o aguardou, depois de
tomado umas cinco xícaras de café. Ricardo entrou.
Vitor percebeu que ele ficou sem ação. Vitor fitou
o irmão, parecia que Ricardo carregava uma bomba
entre as mãos. Controlado estava agora, mas pronto
a explodir.
—Precisamos conversar.
Ricardo rodeou a mesa e se sentou sério.
— Fala logo, que estou cheio de trabalho.
—Como anda a fábrica?
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Ricardo o fitou por um momento.


—Tudo sob controle, por quê?
— Nossas finanças?
Ricardo sustentou o olhar rude de Vitor. E
disse exasperado.
— Está tudo bem. Aonde você quer chegar?
—Se está tudo bem? O que está
acontecendo com você, Ricardo?
Ricardo ficou lívido, levantou da mesa
passando as mãos nos cabelos.
—Não é da sua conta.
—Como não?
Ricardo se virou e fitou o irmão com o olhar
colérico.
— Natália te procurou. Não foi?
—Procurou. —Vitor se levantou também.
—Droga, Ricardo! Está a fazendo sofrer.
Ricardo avançou no irmão.
—Isso é entre eu e ela. Você não devia ter
se metido.

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—Como não, se você está a ferindo como


um trator? Passando e destruindo tudo?
— Você ainda a ama, não é?
— Ricardo, para com isso. Estou falando do
seu comportamento.
Ricardo o olhava sério.
—Você está louco para consolá-la não é. —
Ricardo o acusou furioso.
Vitor o encarou, irritado.
— Não manobre a conversa. Só perguntei
para esclarecer as coisas. Não sei aonde você quer
chegar com tudo isso.
Ricardo manteve-se em silêncio, apenas
observando-o.
— Eu vou resolver tudo isso, mas do meu
jeito.
—Espero que você resolva logo, pois senão
você vai acabar com seu casamento, e Natália é
uma mulher maravilhosa.
Ricardo ironizou com raiva.
— É mesmo?
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— Difícil falar com você. —Vitor para não


perder a cabeça disse desanimado e saiu da sala.
Ricardo se sentou na cadeira e ficou a olhar
para o vazio. Sentia-se impotente.
Como prender uma jovem como Natália a
ele?
Ele nem podia gerar filhos!
Se ele fosse mais jovem, talvez se
conformasse. Mas com 17 anos de diferença nas
costas, tinha uma imagem mais pessimista e realista
das coisas.
Desde que se casaram, eles sonhavam em
ter filhos. Muitas vezes ouvia os comentários de
Natália: Com quem eles se pareceriam? Que seria
bom se ela engravidasse. Que ela adoraria ser mãe.
Ricardo percebeu que os meses foram se
passando e que Natália não engravidava. E ele se
incomodou com isso, pois percebeu que ela se
cobrava muito. Ele mesmo queria, mas não
depositava essa ansiedade sobre ela.
Como Natália era muito jovem, ele logo
sentiu que o problema era ele, e fez um exame com
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um médico de confiança de sua família. Depois de


uma semana, viera à constatação. Ele era estéril.
Seu mundo desmoronou.
Saiu do consultório, sentindo-se sufocado.
Tentou sair do seu estado de paralisia e dor indo
para o bar, bebeu até tarde nesse dia. Quando
chegou em casa, mesmo com o olhar confuso e
inquiridor de Natália, ele não deu explicações,
tomou banho e apagou.
No dia seguinte acordou com uma grande
ressaca, e com toda a realidade que o cercava, ainda
por cima ela o questionou sobre a noite anterior e
ele se limitou a dizer que tinha saído para
espairecer, sem lhe dar muitas explicações.
Passou a evitar, de certa forma Natália,
sentia-se depressivo, parecia que carregava o
mundo em suas costas. Já se sentia um velho em
relação a Natália, e agora parecia que sua idade
pesava muito mais.
Ela muito jovem em relação a ele e sem
filhos. Se sentia como um pai. Outro ponto que o
feria, é que era natural que ele morresse primeiro
por causa da idade e ela não teria nada, nem um
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fruto do amor dos dois.


Os dias se passaram, e ele não via nenhuma
luz no horizonte. E cada vez essa sensação se
tornava mais e mais forte a sensação ficava, toda
vez que a via tão jovial, vestida de jeans e rabo de
cavalo.
A ideia de prendê-la a um casamento
impondo sua condição, não o agradava. E negar-lhe
o prazer de ser mãe, passou a martelar em sua
cabeça.
Até pouco tempo a procurava na cama com
urgência, mas começou a se sentir culpado e
frustrado, pois sabia que a confundia. Ricardo
agora a tratava com distância e frieza, mesmo se
sentindo fraco, e pronto a desabar.
Mas como contar-lhe?
Se ele fizesse isso, sabia que ela ia aceitar
sua condição. Mas era o mesmo que impor isso a
ela. E era justo isso?
Sua distância era uma forma de amortizar o
amor que sentia por Natália, e também levá-la a
pedir o divórcio. Levá-la a uma insatisfação no
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casamento. Assim, ele não precisaria dar-lhe


explicações e ela aceitaria melhor as coisas.
Abriria mão da casa, lhe daria uma ótima
pensão e se afastaria dela. Estava pensando mesmo
em abrir uma filial, em Brighton.
Fechou os olhos, estava acostumado a
solidão. Sempre foi muito independente e depois
que seus pais morreram passou força para seu
irmão, e para isso sofreu só. Com Raquel também,
veio o abatimento, mas jamais ficou se lamentando.
A imagem da última briga dele com Natália
surgiu em sua mente.
— Se ao menos eu engravidasse, eu me
sinto muito sozinha! As palavras dela sempre se
repetiam como um eco em sua cabeça.
A tarde Natália estava alimentando a
esperança que Vitor pudesse elucidar as coisas. Tão
logo o telefone tocou, ela correu para atendê-lo.
— Vitor, e então?
Vitor suspirou do outro lado da linha.
— Nada. Ele não disse nada. Nenhuma
explicação.
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Era a vez de Natália suspirar.


— Obrigada mesmo assim. —Disse
desanimada.
—Ele sabe que você me procurou. Eu não
disse nada. Ele deduziu sozinho.
— Tudo bem. Obrigada.
Natália jantou sozinha na grande mesa,
apenas um lanche. Ricardo com certeza não
jantaria. Sentiu uma grande tristeza ao lembrar
deles dividindo meia garrafa de vinho, comendo
pizza naquela mesa em um sábado a noite.
Parecia que tinha passado muito mais tempo
do que o que se lembrava. Aquela mesa de jantar
agora parecia uma ostentação, semelhante aquelas
grandes casas antigas abandonadas cheias de teias
de aranhas.
Depois de lavar seu prato na cozinha se
dirigiu para a sala iluminada apenas com um
abajur, nessa hora Ricardo entrou na sala pela porta
de entrada.
Seus olhos se encontraram. Ele estava com
o paletó nos braços, cabelos em desordem. Natália
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sentiu o sangue ferver no rosto. Ricardo se


aproximou devagar.
—Vamos para o quarto.
Natália se viu agarrada pelos pulsos, ele a
jogou na cama. Tirou a gravata diante de seu olhar
e botão a botão da camisa. Natália tentou se
levantar, mas ele não permitiu, e a prendeu pelos
braços, segurando acima de sua cabeça.
— Não.
Ricardo beijou seu pescoço, fazendo-a
estremecer. Ela, mesmo morrendo de desejo, tentou
afastá-lo.
— Não Ricardo.
Ricardo viu que olhos dela suplicavam por
isso, embora ela o negasse. Seus lábios pareciam
aguardar os dele. Ele ignorou seu pedido para parar
e tomou sua boca com paixão. A lembrança de
Vitor a rondando o perturbou a tarde inteira. O
deixando louco. Precisava lembrá-la que ele ainda
era seu marido.
Ricardo desceu os lábios para o pescoço de
Natália arrancando dela gemidos, e isso o instigava
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mais. Ele sabia como deixá-la louca.


Era bom sentir sua pele novamente na dela,
era bom sentir o cheiro de seu corpo, de seus
cabelos. Suave fragrância que só ela tinha.
Ela estava entregue, rendida em seus
braços. Toda sua luta interior foi esquecida, e ele só
tinha consciência da mulher a sua frente.
Natália com uma força que ela não sabia de
onde tirou o empurrou. Levantou-se da cama.
Parecia peça de um jogo sórdido. Onde ele a
manipulava e a usava quando queria.
Ela viu Ricardo ainda deitado na cama sem
ação. Natália observou aquele que um dia fora seu
marido, um homem extremamente carinhoso. Ele
era outro homem. Não o reconhecia mais!
Natália enxugou suas lágrimas com as
costas das mãos que ainda insistiam em cair. Uma
onda de dor começou a explodir no coração dela.
Ele não a amava! Isso era claro, sua atitude
fria e distante, era uma prova disso.
— Um dia disse que poderíamos ser almas
gêmeas. E que poderíamos estar desperdiçando
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tudo isso, por falta de diálogo e de enfrentamento


de situações. As coisas não se resolvem com sexo.
Ricardo sentiu como se levasse um soco no
estômago, quando ouviu as palavras de Natália. Ele
ainda pulsava de desejo por ela, a única mulher
capaz de sentir tudo muito intenso. Estava vivendo
um inferno e Vitor agora parecia uma ameaça,
tentava achar uma solução, mas a solução seria seu
egoísmo de prendê-la a um casamento sem poder
lhe dar filhos. Não sabia o que dizer.
Natália sem a sua resposta lhe disse:
— Vou dormir no quarto de hóspedes e
você pensa na sua vida e pensa no que quer de
verdade, mas em mim você não toca mais.
Ricardo a viu sair, sem poder fazer nada.
Estava cada vez mais sem força diante da sua
impotência diante das coisas, dos fatos, dos últimos
dias.
No dia seguinte Ricardo saiu muito cedo,
não conseguira dormir à noite inteira, pensando,
relembrando seus momentos felizes com Natália e
muito mais seus sonhos desfeitos que eram o que

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mais pesavam e atormentaram sua mente.


Passou o dia se envolvendo com o trabalho,
parecia um autômato, fazia tudo empurrado. Não
tinha razão para sair e trabalhar todos os dias. Essa
era a verdade.
Natália ouviu a campainha, era tarde, estava
dormindo no quarto de hóspedes. Nessa hora vestiu
o penhoar, e calçou os chinelos, devagar abriu porta
do quarto deles, Ricardo não tinha chego ainda.
Era ele? Esqueceu a chave?
Natália acendeu as luzes de fora, foi até a
janela e focalizou Vitor com Ricardo nos braços.
Quando ela abriu a porta, ela o viu totalmente
embriagado. E reparando nele melhor, viu sangue
na camisa dele.
— Vitor, o que aconteceu?
Natália afastou o corpo para Vitor passar,
com Ricardo andando cambaleante.
— Vou leva-lo para o quarto.
Natália se adiantou e abriu a porta. Vitor o
jogou na cama. Ricardo caiu lá e nem se moveu.
Era inacreditável aquela cena. Ela chorou vendo.
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Vitor a abraçou. E a levou para a sala. Sentaram se


no sofá.
— Ele brigou no bar perto da fábrica. Um
dos funcionários me ligou.
Natália fitou Vitor confusa, quase incrédula.
— Por quê?
Vitor suspirou alto.
— E eu sei? Não sei de nada. Mais nada.
— Obrigada Vitor.
Vitor a olhou infeliz.
— Nem sei o que te dizer. Sinceramente,
não sei.
— Não diga nada. Só de você estar aqui, e
me ajudar a resolver toda essa situação de alguma
forma, eu agradeço.
—Amanhã eu venho aqui, para ver se tudo
está correndo bem.
—Vem para almoçar, amanhã é Sábado.
Você vai sair com a Carol?
—Combinamos de sair à tarde.

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— Você vem?
— Sim. Embora pelo jeito como andam as
coisas, eu acho que não irei ajudar muito, mas vou
tentar conversar com Ricardo.
—Obrigada. No fim você se saiu um ótimo
amigo.
Vitor sorriu aberto, apertando a mão de
Natália.
— Que bom!
No dia seguinte, Ricardo acordou
vomitando, com uma baita ressaca. As imagens de
ontem à noite eram nebulosas em sua cabeça, ele
nem sabia como tinha chegado em casa. Lembra
que se sentindo um desgraçado, foi até o bar do
lado da fábrica e bebeu muito, as imagens dele se
envolvendo em uma briga surgiram, mas ele agora
não sabia dizer o motivo.
Em frente a vaso sanitário, limpou a boca e
se levantando. Fitou o relógio eram dez horas já.
Sem pressa tomou um banho. Com uma toalha na
cintura, se olhou no espelho embaçado, sua
aparência era medonha. Estava pálido, o nariz
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doendo, e pelo estado de sua camisa no chão, sabia


o motivo da dor.
Depois de colocar um jeans escuro, e uma
camiseta, vestiu os tênis e se dirigiu à sala.
— Não perca! A esperança é a última que
morre.
Natália abraçou Vitor, recebendo um beijo
na testa. Nessa hora Ricardo entrou na sala. Vitor
e Natália ficaram em silêncio. Vitor se levantou
dizendo.
— Bom dia, pelo visto, está tudo bem.
Ricardo a olhou com uma carranca, como
se tivesse com uma fúria contida. Suas feições
magras estavam tensas e severas, e seus olhos
negros, quase fechados, pareciam trespassá-la. Seus
ombros se enrijeceram sob o olhar penetrante de
Ricardo.
A atenção de Ricardo se voltou ao irmão.
— Estou ótimo. — Ricardo disse de mau-
humor.
— Seu irmão almoçará conosco.

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Ricardo assentiu e se dirigiu ao bar. Natália


quando viu aquela cena, desanimou e Vitor
percebeu.
— Vamos lá fora. O dia está lindo hoje, os
passarinhos estão fazendo uma sinfonia lá fora.
Natália sorriu para ele, quando o ouviu,
numa situação dessa ele conseguia falar-lhe de
passarinhos. Natália seguiu com Vitor até uma
espreguiçadeira ao sol.
—O que eu faço? Estou pensando em pedir
o divórcio, para sentir como ele reage quando ver
que acabou com tudo, se fechando desse jeito.
—Parece ser uma boa solução, isso pode
chocá-lo ao ponto de se abrir. Ou o pior, ele pode
aceitar.
Natália assentiu infeliz.
—Eu sei. — Disse com esperança. —Ele
está diferente com você. Talvez não seja só
comigo. Olha a briga de ontem. Ele pode estar de
mal com o mundo. Vitor e se ele estiver com uma
doença incurável? Não explicaria tudo isso? E se
ele tem alguma dívida de jogo? Não sei o que
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pensar.
— Natália não sei. —Vitor sorriu e disse.
— Já seiiiiiiiiiiiiiiiiii! E se ele estiver louco? Não
explicaria tudo?
Natália pôs se a rir, o nervosismo que sentia
ultimamente a fez rir tanto quase histérica. Disse
enxugando as lágrimas.
— Só você para me fazer rir.
Vitor sorriu apertando a mão dela.
Ricardo da sala observava os dois, nervoso
andava de um lado para o outro.
No almoço Natália se mordia por dentro.
Ricardo já estava com cara de que nada tinha
acontecido na noite anterior. O silêncio que se
seguiu era insuportável. Vitor fitou Natália sorrindo
e se manifestou.
— Essa carne está maravilhosa.
Natália sorriu, mesmo com vontade de
chorar.
— Lia cozinha muito bem.
Natália viu Vitor assentir e voltar sua
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atenção para o prato. Natália fitou Ricardo, que


comia em silêncio, e era como se eles nem
estivessem na mesa. Natália não aguentava mais
aquilo. E já pressentia uma dor de cabeça daquelas.
Demorou uma eternidade do almoço. Vitor se
levantou primeiro quando acabou.
— Preciso ir.
Natália sorriu infeliz. Ricardo percebeu.
— Está certo. Venha mais vezes.
Vitor assentiu. Diante da expressão de
desânimo no rosto de Natália, não lhe restou outra
coisa a fazer senão suspirar. Natália o acompanhou
até a porta. Ricardo incomodado observava os dois.
Fim da encenação: seu jeito indiferente com a
presença de Vitor tinha desandado.
Natália quando voltou para a sala sentiu os
olhos duros de Ricardo sobre si.
—Meu irmão agora vive rondando aqui.
Natália o olhou irritada.
—Ele se preocupa com você! Você sabe
que ele vive sozinho, ele é muito novo... Vitor não
me amava na época, ele sabia que eu amava você.
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Nós éramos apenas bons amigos. Ele ficou muito


feliz com o nosso casamento. Você sabe disso e ele
agora tem a Carol.
Ricardo se aproximou.
— Vitor não ama Carol. Naquele dia ele a
levou no apartamento para pode te enfrentar, ela foi
como uma muleta.
—Que coisa horrível de se dizer! Eu não
acredito!
Ricardo sorriu frio.
—Acredite.
— Você anda de mal com o mundo, ontem
veio bêbado, todo ensanguentado. Trata seu irmão e
a todos com mau-humor.
Seguiu-se um silêncio mortal. Como
deixamos as coisas chegarem a esse ponto?
Ricardo a olhou longamente, parecia
desanimado.
— Agora não posso te dar explicações. A
hora certa você irá entender tudo.
Natália o viu se afastar dela novamente e
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sumir no corredor, com certeza ele fora, se refugiar


no quarto.
Natália sentiu-se paralisada por um
momento. Foi até o quarto ao lado e fechou as
cortinas, chorou até dormir.
No dia seguinte ela e Ricardo pareciam dois
sonâmbulos. Tinha vontade de sacudi-lo e gritar.
Acordaaaaaaaaaaaaaaaa! Você está acabando
com nosso casamento.
Mas ao invés disso, ela foi regar as plantas
na parte da manhã. Comeram juntos em silêncio no
almoço. À tarde Natália ligou a televisão, mas as
imagens passavam a sua frente, sem que ela
conseguisse ver.
Ela vivia do seu passado feliz com Ricardo,
não eram mais os mesmos. Ela se sentia um
fantasma. Ele simplesmente levava as coisas.
A noite Natália depois de tanto pensar,
relembrar, argumentar, chegou à conclusão que, já
não restava a menor esperança para o seu
casamento.
Procurou Ricardo pela casa. E o encontrou
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na biblioteca. Ele estava com a cabeça baixa,


parecia ter chorado. Seu coração se apertou, mas a
lembrança da conversa que teve com Vitor a fez
pedir.
— Ricardo, eu quero o divórcio! —
Ricardo demorou a entender o sentido daquelas
palavras, seus olhos se encontraram, Ricardo
apertou os olhos por um momento e depois a olhou
intensamente.
Aquilo foi uma apunhalada no seu
coração! Mas não era isso que ele queria?
Ricardo suava, a dor dilacerava seu peito.
Eu a amo! Ela é tão jovem, tão linda.
Não! Fazia isso por ela! Tinha chegado a
hora! Eu não podia fraquejar agora!
Então ele a observou. Seu corpo esguio
tremulo, seus cabelos loiros graciosamente caídos
no ombro, seus olhos verdes que o olhavam
tristemente e sua pele clarinha onde uma lágrima
brilhava. Ricardo se levantou. Quase teve o ímpeto
de passar a mão no rosto de Natália e limpá-la!
Mas ele não podia fazer isso! —Apertou as
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mãos ainda mais no corpo.


Se eu a tocasse meu desejo explodiria e eu
tinha que me mostrar indiferente! Ou poria tudo a
perder!
—Tudo bem! Não estava dando certo
mesmo! —Ricardo sorriu tristemente. —Vou falar
amanhã com meu advogado para dar entrada no
divórcio, você ficará com essa casa, não te faltará
nada! Tenho um bom dinheiro guardado e abrirei
uma conta para você!
Natália não acreditava no que estava
ouvindo! Ele parecia está lidando com negócios,
frio, calculista.
Ela esperava que ele lutasse por ela! Que
ele lhe negasse o divórcio!
Meu Deus, como me enganei tanto? Onde
eu errei? Ele tinha outra mulher. Só podia ser isso!
— Eu não quero nada de você! — Explodiu
Natália. Seu peito doía. Natália esfregou a testa
com uma das mãos, um gesto que expressava seu
cansaço.
Natália percebeu que Ricardo estava
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nervoso, suas mãos abriam e fechavam e ele passou


a andar de um lado para outro, então ele parou.
Ela viu que mesmo nervoso havia algo
amável e triste em seus olhos.
— Natália, não dificulte as coisas. Eu faço
questão de te ajudar financeiramente. Você ainda é
minha responsabilidade! Então seja razoável.
— Eu não quero seu maldito dinheiro, o
que eu quis você não pôde me dar! Seu amor!
Ricardo a olhou com fúria.
Meu Deus, a vontade que eu tinha era de
sacudi-la.
Por que as coisas não podiam ser mais
simples? Por essa eu não esperava! Eu a amava! E
por amá-la, eu não queria privá-la de ter seus
próprios filhos.
Seus olhos se duelaram. Ele havia
levantado um muro de amargura. Ele sabia que a
estava perdendo, isso o dilacerava.
Passou rápido por sua mente a visão dela
com outro homem, e isso lhe corroeu o coração,
num ciúme louco.
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Mas ele não podia pensar só nele! Ele iria


esquecê-la e ela seria livre para seguir sua vida!
Ela encontraria alguém e eu não estaria
perto para ver! Pensou com dor.
Pensava em abrir uma filial da fábrica em
outro estado. A Fábrica estava crescendo, precisava
expandir os negócios!
— Natália, por favor! Não vamos brigar.
Só irei lhe dar o divórcio se você aceitar minhas
condições! E são essas. Essa casa fica com você e
você aceita o dinheiro!
Natália o olhou longamente e se dirigiu
ao sofá, sentou-se, recostou a cabeça e fechou os
olhos!
Depois de um tempo o olhou novamente.
Ricardo a olhava com preocupação. Ele
tinha a respiração entrecortada, a pele eriçada, à
espera do que ela faria a seguir:
— Tudo bem Ricardo! Eu vou facilitar as
coisas para você! Eu sei que você faz isso para não
se sentir culpado! Mas saiba que, se esse casamento
acabou você é o único culpado.
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Aquilo foi demais para mim. Ele bufou.


Sentia-se impotente. Suas forças se esvaíram. Ele
suava, sentia um mal-estar muito grande.
Ele a olhou longamente e saiu da
biblioteca com passos firmes pegou a chaves do
carro.
Tinha vontade de sumir! Natália não viu
suas lágrimas, que desciam quentes no rosto.
Natália fechou os olhos, magoada, cheia de
dúvidas. A pergunta principal era: Ele estaria indo
atrás da outra agora?
Só de pensar naquilo, ela sentia suas forças
se esvaindo.
Mesmo exausta, soube que seria difícil
dormir naquela noite. Sentia um medo muito
grande do que pudesse descobrir.
Ricardo quando saiu de lá, saiu sem rumo.
Nunca tinha experimentado tanta dor. Depois de
um tempo, resolveu se hospedar em um hotel.
Tomou um banho e deitou nu na cama.
Mas o quarto parecia que o sufocava, de madrugada
trocou-se e resolver ir ao mirante, que era o lugar
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que seu pai os levava quando crianças. Posicionou


o carro de frente a vista, o sol nascia no horizonte.
Mas mesmo diante daquele espetáculo, estava com
a mente a milhão, angustiado, amargurado. Nem
revivendo os momentos felizes que passaram juntos
ali em família. Nada tinha o poder de tirar sua dor.
As horas passaram diante de seus olhos
vermelhos de chorar. Com a mente exausta,
desanimado, cansado, resolveu voltar para o hotel,
a neblina estava muito forte, nessa hora um vulto
que parecia ser de um animal o assustou e ele
desviou, o carro derrapou e os faróis iluminaram
uma árvore, Ricardo apagou.
Natália acordou cedo, estava mal do
estômago, no mínimo tinha conseguido uma
gastrite com a soma dos últimos acontecimentos.
Ricardo não voltara para casa e nem dera sinal de
vida. Não era para se estranhar do jeito que ele
tinha saído de casa. Mas mesmo assim, não deixava
de se preocupar. Mesmo porque, ele tinha saído
com a roupa do corpo. Teria que voltar para pegar
as roupas. Tentava não pensar nisso.
Ia esperar até a noite, caso ele não
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aparecesse ia ligar para Vitor.


À tarde, Natália estava parada na sala, e
triste olhava a aliança no dedo, quando o telefone
tocou. Ela saiu daquele estado letárgico, e atendeu
rapidamente, derrubando o telefone no chão.
Pegou o telefone e falou nervosa.
— Alô.
— Natália?
— Sim...
—Sou eu Vitor! Natália eu preciso ir aí!
Preciso lhe falar! È urgente.
Natália sentiu seu coração disparar no peito,
e uma angustia muito grande.
— Vitor, aconteceu alguma coisa?
—Aí nos falamos. Daqui dez minutos eu
estou aí.
Mal a campainha tinha soado, Natália
correu para porta e nervosa a abriu. Vitor a olhou
com uma expressão de cansaço no rosto.
Natália o fitou preocupada. Então ele
fechou a porta e a enlaçou pela cintura, na sala
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sentaram-se no sofá.
Ele a olhou por um tempo, então finalmente
com um suspiro disse pausadamente.
— Querida, você precisa ser forte!
Ricardo vai precisar de você!
—Como assim? O que aconteceu?
Vitor pegou as mãos dela que estavam
apoiadas no colo.
— Ricardo sofreu um acidente, e está em
coma... Ele bateu a cabeça, seu cérebro está
inchado. Está com escoriações no corpo, quebrou o
quadril.
Natália que já sentia as lágrimas quentes
descendo dos olhos, se pôs a chorar.
Disse soluçando.
— Meu Deus! — Natália apertou os olhos,
que se encheram de lágrimas — Vitor como o
hospital chegou a você?
— Um médico conhecido nosso trabalha
lá, e viu o estado que Ricardo chegou. Ele me ligou
no escritório, eu tinha acabado de chegar. Eu pedi

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para eles não te contatarem, eu queria lhe dar a


notícia pessoalmente.
— Como e quando ocorreu o acidente?
Isso era uma coisa que Vitor não entendia.
Ele disse tristemente.
— Foi hoje cedo por volta das 06h00 da
manhã, o carro saiu da estrada numa curva e
acabou batendo em uma árvore. O que aconteceu
que Ricardo estava fazendo tão cedo fora da cama,
num local completamente fora de mão daqui e do
escritório?
Natália suspirou e o olhou desoladamente
e lhe contou da briga, todos os detalhes sórdidos e
da saída repentina dele. Vitor a encarava surpreso.
— Natália sinceramente eu não entendo,
primeiro a fábrica está indo muito bem, Ricardo
estava até pensando em abrir uma filial. E segundo,
meu irmão é louco por você! — E olhando-a
perdido em pensamentos.
Natália não sabia o que pensar, o olhava
confusa.
Será que ele tinha uma amante e havia se
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apaixonado por essa mulher?


— Bom seja o que for querida, você não
vai abandoná-lo nessa hora, vai?
— Vitor apesar de tudo eu o amo! E se
houver uma mulher, acho que ela sairá do
anonimato e vai procurá-lo, você não acha?
Vitor com uma expressão confusa
concordou.
Natália e Vitor, há vinte minutos,
aguardavam o Médico autorizar que eles
entrassem. A atmosfera na sala de visitas estava
pesada, Natália apertava nervosamente as mãos no
colo, quando o médico surgiu.
Era um senhor de meia idade, com uma
barriga saliente e cabelos grisalhos.
— Vocês são os familiares de Ricardo
Meneguzzi?
— Sim, eu sou a senhora Meneguzzi e
esse é o irmão dele.
— Sou o doutor Roger Prince, estou
cuidando do caso do seu marido. — Disse o médico
olhando seriamente para os dois, Natália numa
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atitude nervosa mordeu os lábios. —A senhora já


foi informada do estado dele?
— Sim, meu cunhado esteve com um
médico da família que trabalha aqui e ele informou
o estado de meu marido.
O médico assentiu e completou.
— Só poderá entrar uma pessoa por vez
no quarto, pois ele está na unidade de terapia
intensiva.
Natália olhou ansiosamente para Vitor
que fez um aceno de cabeça, dizendo para ela ir.
Ela o abraçou e em seguida seguiu o médico.
O dia tinha sido péssimo até aquele
momento, e tendia a piorar dali para frente. Natália
sentia-se insegura e amedrontada. Á medida que se
movia em direção ao quarto sentia uma sensação
aterradora.
O médico a conduziu a uma sala, onde
ele a orientou a colocar uma máscara, roupas
especiais por cima da roupa em que usava, e uma
sapatilha cobrindo os sapatos, lavou as mãos e foi
conduzida para o quarto que Ricardo ocupava.
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Então ela o viu. Ele estava pálido,


entubado e respirava por aparelhos, tinha um corte
profundo na testa, estava coberto por um lençol
branco até a cintura. Ela reprimiu um soluço e
aproximou-se relutante da cama.
Então ela viu que suas pálpebras estavam
ligeiramente arroxeadas, e ficou com medo de tocá-
lo e lhe falou baixinho.
— Ricardo, sou eu, Natália. Volte para
mim meu amor. Eu te amo tanto! Eu vou cuidar de
você! Eu sei que você é forte, logo estará em casa!
Lute amor! Lute!

CAPÍTULO VI

Já era uma rotina, todo o dia Vitor


deixava Natália no hospital. Ela ficava ao lado de
Ricardo, Ele já havia saído da sala de terapia
intensiva.
Conversava com ele sobre tudo, mesmo
que ele ficasse imóvel, mas ela não se importava.
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À noite Vitor aparecia e ficava um pouco


com ela e então ela saía do quarto e ele ficava um
pouco as sós com o irmão, depois ele a levava para
a casa.
Natália estava mais magra, não tinha
nenhuma vontade de comer, costumava empurrar o
alimento, sua gastrite estava atacada, pois vivia
enjoada. Sabia que precisava se manter forte por
causa de Ricardo. Então forçava-se a comer frutas e
coisas que gostava para ver se melhorava seu
apetite e acabava com seu mal-estar.
Um dia a rotina mudou, Vitor entrou com
ela no hospital como de costume, e o médico de
Ricardo se aproximou deles quando os viu na
recepção. Os recebeu com um sorriso.
— Boas notícias, o Senhor Meneguzzi
está consciente.
Natália olhou Vitor e lhe sorriu,
exclamando:
— Graças a Deus! — E feliz, entre
lágrimas o abraçou.
Natália e Vitor foram juntos até o quarto.
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O quarto era bem arejado, com uma janela ampla


que dava para um lindo jardim cheio de azaléias,
petúnias e árvores floridas amareladas que
anunciavam a entrada do outono.
Ricardo estava meio sentado, pois sua
cama fora inclinada para frente. Seus olhos estavam
fechados, estava mais rosado. Tinham feito sua
barba, seus cabelos estavam revoltos. Segundo o
médico, ele precisava do auxilio da cadeira de
rodas, por causa do quadril fraturado, onde seus
ossos ainda se recuperavam.
Quando Ricardo os ouviu, abriu os olhos
e os observou. Vitor se adiantou primeiro, Natália
estava insegura e caminhava mais atrás.
Então Ricardo virou a cabeça para a janela,
evitando olhá-los e disse entre dentes.
— Vitor o que ela está fazendo aqui?
Vitor perplexo fitava o irmão.
— Ricardo, que isso companheiro!
Natália tem ficado aqui desde o acidente, e isso já
tem duas semanas. Eu tenho cuidado da fábrica, foi
ela que ficou todo tempo com você.
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Então Ricardo voltou o rosto para olhá-


los. Natália já estava ao lado de Vitor, junto da
cama dele.
Ela estava mais magra, pálida, seus olhos
eram assustados e isso mexeu com os sentidos dele
e ele fechou os olhos.
Mais essa agora. Por que ele não morreu
logo!
Então Ricardo abriu os olhos e Natália já
não estava mais lá, Vitor o olhava com reprovação.
—Ricardo, eu não te reconheço. O que
ela te fez? Você está louco? É um absurdo o que
você está fazendo com ela.
Ricardo tremia e apertou os olhos com
força. Toda a imagem da briga voltou, ele elevou a
mão direita na cabeça. A sua cabeça doía
terrivelmente.
Vitor vendo a palidez e o mal-estar do
irmão, falou num tom preocupado.
— Ricardo me desculpa! Você está
sentindo alguma coisa? Espere aqui que eu vou
chamar a enfermeira. —Vitor apavorado, saiu do
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quarto ás pressas.
Ricardo suava frio, sua visão foi
perdendo o foco e logo escureceu e ele desmaiou.
Natália andava na sala de espera de um
lado para outro, seus olhos estavam secos, tinha
uma vontade enorme de chorar, mas não conseguia.
Quando viu a movimentação no corredor do
hospital, ficou apreensiva. E o medo que algo
tivesse acontecido com Ricardo, se apoderou de seu
coração.
Vitor logo apareceu. Ele a abraçou. Ele a
fez sentar-se.
— Natália, Ricardo passou mal, ele
desmaiou. Ele me deixou apavorado, estava tão
pálido. — Ele a olhou assustado— Não podemos
cobrar nada dele agora. Acho melhor você não vir
mais aqui por enquanto. Deixa ele se recuperar e
quando ele estiver mais forte, vocês decidem o que
vão fazer. Espere ele voltar para casa.
Natália o olhou desamparado e o abraçou
e desabou num choro amargo. O homem que ela
amava não suportava a sua presença. Os olhos

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verdes dela escureceram de angústia. Vitor a


afastou e pegando pela cintura, a levou para casa.
Os dias que se seguiram foram uma
tortura para Natália, todos os dias ela se informava
com Vitor do estado de saúde de Ricardo, tentava
preencher seu tempo cuidando da casa, mas não
andava bem, andava muito cansada, talvez
estivesse estafada.
Com vinte dias desde o acidente, ela
estava mexendo em umas gavetas e encontrou a
foto deles. Ricardo estava sorrindo para ela e ela o
olhava com adoração, era a foto da lua de mel,
onde estavam na praia em Angra dos Reis. Foi um
dos dias mais felizes de sua vida.
Lembrou-se da chegada na fria Inglaterra,
com a promessa de estarem sempre juntos, onde
começariam uma vida nova. E da paixão dos dois,
onde faziam amor nos locais mais inusitados da
casa.
Ricardo geralmente não passava os
problemas da fábrica, que ela achava um erro, pois
gostaria de ser mais ativa na vida do marido. Ela e
Ricardo nunca brigavam e a única preocupação
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comum era o fato dela não engravidar.


Sabia que era um desejo de Ricardo
também. Lembrou-se deles, ela deitada na cama
com a cabeça apoiada em peito, fazendo planos
com ele. Sobre como seria a educação dos filhos, a
alegria que seria ter uma criança na casa, com
quem ele ia se parecer, e a vontade dela ter uma
cópia dele.
Então uma sombra de dor passou-lhe nos
olhos, e com os olhos vidrados na foto e remoeu
essas últimas semanas com Ricardo. Ele cada vez
mais envolvido no trabalho, mais distante dela.
Lembrou-se da ausência dele na cama e quando ele
chegava, ela já estava dormindo. Nos finais de
semana ele sempre estava cansado ou se ocupando
mexendo no carro. Entendeu que ter filhos nas
condições do seu casamento era loucura.
Hoje dava graças a Deus por não ter
engravidado.
Lembrou-se das vezes que fizeram amor,
Ricardo antes tão carinhoso, parecia agora fazer por
um instinto animal, como se descarregasse nela
uma fúria contida.
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Uma vez ele a procurou e fizeram amor


com urgência e ele deixou-lhe marcas vermelhas no
corpo. Quando já estavam saciados, ele a olhou
com culpa nos olhos e a puxou envolvendo-a em
seus braços e a embalou como uma criança.
Dessa vez ela não o permitiu, estava
cansada. Não era um joguete nas mãos dele, e
encontrou forças para lhe pedir o divórcio. E tudo
aconteceu...
Agora além do estado de Ricardo, ela tinha
mais uma preocupação, seu ciclo estava atrasado. E
aquilo que tanto almejavam talvez tivesse
acontecido. Ela poderia estar grávida, pois só isso
explicaria os enjoos matinais, seus mal-estares.
No dia seguinte Natália se preparou para
receber Ricardo que segundo Vitor ele receberia
alta. Logo que recebeu a notícia sentiu um misto de
sentimentos como: apreensão, alegria por ele sair
do hospital, e tristeza pela situação que se
encontravam.
À tarde, logo que ouviu um carro
estacionando em frente à casa, seguiu até a janela e
viu que era o carro de Vitor. Ele se dirigir ao porta-
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malas e tirou de dentro uma cadeira de rodas.


O coração de Natália se apertou, sua
garganta deu um nó, então viu Vitor posicionando a
cadeira e abrindo a porta de trás do carro e
ajudando Ricardo a se sentar na cadeira, ele tinha
grande dificuldade em locomoção, era nítido a
expressão de dor.
Ela estava usando o agasalho preto e tênis
que ela havia separado para ele uma semana antes,
a pedido de Vitor.
Natália apressou-se a passar uma escova
nos cabelos, passou um batom clarinho e olhou o
vestido preto que estava usando, alisando-o com as
mãos, se dirigiu para a sala e esperou que Vitor
tocasse a campainha. Respirou fundo.
Quando a campainha soou, ela abriu com
seu melhor sorriso e viu que Vitor lhe
correspondeu, então ela desviou sua atenção para a
figura de Ricardo imóvel na cadeira.
Ele a olhava com apreensão. Natália
quebrou o gelo falando.
— É maravilhoso tê-lo em casa Ricardo.
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— E olhando para Vitor exclamou—Vitor vamos


sair da porta, e conduzir Ricardo até a sala.
Vitor com um sorriso concordou e se
posicionou nas costas da cadeira e erguendo-a um
pouco para levantá-la, por causa do degrau.
Natália havia se afastado e observou
Ricardo, ele estava pálido. Ele estava muito magro.
Quando Vitor impulsionou a cadeira, o movimento
dela o fez dar uma expressão de dor.
O coração de Natália se apertou. E logo
ela disse.
— Ricardo você deve estar cansado.
Vamos para o quarto?
Ricardo suava na testa e com uma
expressão cansada, quase resignada, com um aceno
de cabeça assentiu.
Vitor fez menção de ajudá-lo, mas
Natália tomou a dianteira e segurou a cadeira e ela
o levou.
Posicionou a cadeira ao lado da cama.
— Como eu posso te ajudar? Disse
Natália num sussurro.
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— Eu acho que fiquei muito sentado no


carro e o movimento do carro me causou dor. Acho
que hoje eu não vou conseguir me levantar dessa
cadeira se você não me ajudar, então passe seus
braços embaixo dos meus e me impulsione para
cima e eu me viro.
Natália assentiu e mansamente se
achegou a ele. Viu que ele tirou os pés do descanso
da cadeira, ergueu os braços, esperando ela ajudá-lo
a se reerguer. Natália então colocou seus braços
embaixo de suas axilas e com cuidado fez força
para ele se levantar.
Ele a ajudou fazendo força com o pé
direito e num impulso ele se sentou na cama.
Natália viu a dificuldade dele ao tentar
colocar a perna esquerda na cama e com uma cara
de dor pediu.
— Natália me ajuda a levantar a perna.
Natália imediatamente o ajudou. E viu
que ele se reclinava nos travesseiros com alívio, sua
testa suava muito.
— Dói muito ainda? — Natália
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perguntou.
—Dói..., mas não fique preocupada, falei
com o médico, ele me deu uns dois meses, para eu
estar andando. Então logo você terá sua liberdade.
Ela o viu fechar os olhos ignorando-a,
fazendo com que ela se sentisse dispensada. Mas
não se deu por vencida e colocou os joelhos na
cama e se inclinou e o beijou nos lábios. Ele
arregalou os olhos surpreso que logo se tornaram
angustiados e isso fez com que ela passasse a mão
em seus cabelos negros. Ele fechou os olhos com
força. Ela vendo-lhe a resistência se afastou.
Saiu e fechou a porta. Vitor estava na sala
com um copo vazio nas mãos e quando a ouviu
chegar a olhou apreensivo, mas logo lhe deu um
riso nervoso.
— Tudo bem?
— Na medida do possível, tudo! O
médico passou algum medicamento para dar para
ele?
Vitor bateu a mão na cabeça, num gesto de
esquecimento.
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— Meu Deus Natália, passou, está lá no


carro — imediatamente Vitor ficou de pé e foi até o
carro.
Logo depois já lhe entregava dois vidros.
— São esses dois, um é para a dor e o
outro são vitaminas. O horário de cada dose está na
receita.
Natália assentiu.
— Ricardo falou alguma coisa sobre como
aconteceu o acidente?
Vitor a olhou pensativo. Pegou-a pela mão
e sentaram no sofá um de frente para o outro.
— Sim, ele me contou — depois de um
suspiro Vitor narrou— Contou que depois da briga
ele foi até um bar e bebeu um pouco, foi até o hotel
Sonare e se hospedou lá, mas não conseguia dormir
e resolveu sair. Lembrou-se do mirante onde papai
nos levava quando éramos crianças, disse que
posicionou o carro de frente para a vista e ficou lá
até às seis da manhã. Resolveu voltar para o hotel,
na volta à neblina estava muito forte e numa curva
viu a figura de um animal que atravessou o
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caminho ele se assustou, tentou desviar, mas o


carro derrapou e ele não lembra mais de nada.
— Eu não deveria ter o deixado sair
daquele jeito. Ele estava muito nervoso! — Disse
ela chorosa.
— Não se culpe Natália! — Passou as
mãos pelos cabelos dela— Você é como uma irmã
para mim. Lembre-se que você pode sempre contar
comigo.
Natália o olhou com gratidão e lhe sorriu
timidamente.
— Vitor, ele não vai precisar de
fisioterapia?
— Não, por enquanto, o Médico disse que
o quadril é um lugar difícil de sarar e não tem como
imobilizar, é só o tempo mesmo.
— Vitor obrigado por tudo.

Capítulo VII

Natália se despediu de Vitor e foi


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mansamente até o quarto de Ricardo, a casa já tinha


se enchido de sombras, pois já eram cinco horas da
tarde. Ela abriu a porta lentamente e viu que
Ricardo estava acordado e olhava fixamente para o
teto.
— Ricardo, você gostaria de comer
alguma coisa. Você está com fome?
Ricardo virou o rosto para ela e a
observou.
— Um pouco, me traga um leite quente e
umas torradas. — E a ignorou novamente, seu olhar
era vago. Natália tinha vontade de penetrar na sua
mente, estava muito difícil entende-lo.
Natalia se dirigiu a cozinha e preparou o
lanche e foi ao quarto e se surpreendeu em vê-lo
sentado na cadeira de rodas, saindo do banheiro ele
suava muito, como se tivesse feito um grande
esforço.
Ela não comentou nada, percebeu que as
mãos dele tremiam, ele a encarou com cara de
poucos amigos, ela o ignorou e colocou a bandeja
numa mesinha.

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Ricardo se aproximou com a cadeira de


rodas, ela fez menção de sair, mas ele a pegou pelo
pulso.
— Por favor, fique. — Seus olhos se
encontraram. Ele a olhava com firmeza.
Natália o observou um tempo e se dirigiu
a cama e sentou-se. Ele conduziu a cadeira até a
mesinha e começou a comer. Natália observava os
cabelos grisalhos tão familiar, despenteados que
brilhavam à luz do abajur.
Quando ele terminou, ele virou a cadeira
em direção à cama e impeliu a cadeira de rodas na
sua direção.
Ele havia se aproximado tanto que Natália
sentia o calor do corpo dele, ela o encarou. Então
Ricardo esticou o braço e pegou-lhe as mãos que
estavam nervosamente depositadas no colo.
Sua mão quente lhe apertava os dedos. Ela
não conseguiu deixar de estremecer, nem conter
seu coração que batia violentamente no peito.
— Natália eu quero me desculpar, eu sei
o inferno que você passou enquanto estive no
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hospital, eu sei que não mereço a sua atenção muito


menos a sua dedicação.
Natália fez menção de falar, mas ele a
silenciou com um olhar.
— Eu nunca tive qualquer aventura
extraconjugal, o que aconteceu é que meu amor por
você foi esfriando e simplesmente acabou. Eu sei
que não agi certo usando a fábrica como desculpa,
mas a verdade é que eu não te amo mais. Queria
que partisse de você o desejo do divórcio, queria
que você enxergasse que eu não sou o homem da
sua vida.
Os olhos de Natália encheram-se de
lágrimas e seu olhar se afastou de Ricardo. Só com
grande esforço conseguiu não chorar.
Ricardo a olhou com tristeza, soltou-lhe
as mãos. E moveu a cadeira até a janela do outro
lado do quarto e com o olhar fixo ficou a observar a
escuridão lá fora.
Então Natália saiu daquele torpor e
falou.
— Ricardo. Então seremos apenas

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amigos. Você não é obrigado a me amar. Eu vou te


ajudar a se recuperar e quando você estiver bem,
nos separamos.
Ricardo estava mergulhado em
pensamentos, voltou à cadeira de rodas e viu que
ela estava ao seu lado. Ele apertou a cadeira com
força, só ele sabia do sentimento de solidão, dor e
desamparo que sentia, pois ele estava renunciando
o amor que ele sentia ardentemente por ela.
E então ela se agachou e lançou-se
sobre ele e abraçou seus joelhos Ricardo
estremeceu e seu olhar ficou fixo em seus cabelos
loiros que brilhavam pela luz do abajur.
— Ricardo me abraça, só um
pouquinho. Eu fiquei tão preocupada com você.
Nós não somos estranhos.
Aquilo lhe doeu o coração, então
Ricardo não resistiu e se inclinando a abraçou, seus
olhos se encheram de lágrimas e ele num choro
convulsivo a apertou.
Natália se esqueceu de si, e o viu
desamparado, seu rosto era um misto de dor e
angustia. Ela não esperava essa reação dele e
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passando as mãos sobre seu rosto lhe secava as


lágrimas. — Ele estava passando por tantas coisas.
Devia estar sofrendo, um homem tão forte, numa
cadeira de rodas.
— Ricardo não chore você irá andar
novamente, eu estou aqui, você sabe que pode
contar comigo.
As palavras de Natália lhe foram
dolorosas, pois ela pensava que ele chorava pela
condição que ele estava, mas só ele sabia da dor
reprimida que guardava tanto tempo.
Ricardo se endireitou. E com um suspiro
falou.
— Me desculpe.
Natália o olhou com compreensão e se
levantou, deu a volta na cadeira e segurando as
costas da cadeira o conduziu a cama, o ajudou a se
levantar, ele sentou na cama, com um gemido de
dor. Ela lhe ajudou a levantar as pernas e as
estendeu delicadamente na cama. Então Natália
lembrou-se dos remédios.
— Ricardo eu vou pegar seus
remédios, fica aqui quietinho.
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Ricardo num tom zombeteiro disse.


— Você fala como se eu tivesse
algum lugar para ir.
Natália lhe sorriu e saiu.
Momento depois o escorou e ele tomou
os remédios, ajudou-o a se deitar novamente.
— Estarei no quarto ao lado, qualquer
coisa me chama. Seja a hora que for.
Ricardo fechou os olhos. Ela ia
saindo quando Ricardo falou.
— Natália, você me ajuda me virar,
eu não consigo dormir de barriga para cima.
— Claro — Natália se aproximou
dele.
— Pegue minha perna esquerda e a
dobre para mim. Isso, agora eu vou me virar
lentamente e você a segura, conforme eu for me
virando você vai virando ela para mim e apóia em
um travesseiro.
Natália fez conforme as instruções e o
viu suspirar de alívio e fechar os olhos.
— Isso, obrigado.
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O coração dela bateu mais forte,


preocupada, pois nunca tinha cuidado de um doente
antes. Tinha medo de não dar conta.
— Ricardo, como nós faremos
quando você precisar tomar banho? Ricardo abriu
os olhos e a olhou pensativamente.
— Amanhã peça a Vitor para
comprar uma cadeira de banho e a colocaremos no
Box do banheiro do corredor, ele é maior e não tem
banheira.
Natália fitou-o por um instante e
disse.
— Então boa noite.
Natália estava exausta, tomou um
banho de imersão, quase dormiu na banheira.
Enxugou-se vigorosamente, colocou uma camisola
e deitou-se na cama. Dormiu quase que
imediatamente.
Então escutou um barulho e olhou o
relógio digital de cabeceira. Cinco horas da manhã!
Meu Deus como estava cansada, parecia que não
tinha dormido nada.
Levantou, calçou os chinelos e
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colocou o penhoar. Foi ver se Ricardo estava bem.


Ele estava agitado, suas pernas
estavam entrelaçadas, ele deveria ter tentado se
virar a noite. Ela se aproximou dele e o chamou.
Ele a olhou com os olhos confusos. Então ela lhe
pegou a perna esquerda e ele entendeu o que tinha
acontecido, ele precisava se virar, ela o ajudou
virando-lhe lentamente a perna conforme ele
virava, mas mesmo assim lhe escapou um gemido.
Natália ia se afastando para o seu
quarto, quando o ouviu dizer.
— Deite-se aqui comigo.
Ela ficou sem ação por um momento,
que foi o suficiente para Ricardo dizer impaciente.
— Natália eu não vou tentar nada,
para começar nem conseguiria. Por favor!
Natália não disse nada, tirou o
penhoar e deitou-se ao lado dele, ele a puxou e ela
deitou a cabeça no seu peito.
Ele estremeceu e com um suspiro
fechou os olhos.
Natália ficou ali perdida em

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pensamentos, tinha medo de se mexer, não


conseguia mais dormir, sentia o ressonar da
respiração dele e ouvia as batidas fortes de seu
coração. A claridade já entrava pela janela e ela o
observou. A cicatriz na testa já havia suavizado,
ele sempre fora um homem moreno, filho de
italianos da parte da Calábria, onde eles eram
morenos e altos, mas os dias no hospital o deixaram
com uma cor pálida.
Ela esticou o pescoço e viu que já era
06 h da manhã. Com muito cuidado se afastou dele
e se levantou.
A manhã já estava alta. Lia estava de
folga. Natália já tinha passado um pano na casa e
nos móveis e estava na varanda tomando um café
fresquinho observando distraída a piscina. Ia ser
um dia quente. Já ia se levantar para ver Ricardo,
quando ouviu o som da cadeira de rodas.
— Natália
— Estou aqui, na varanda.
Ricardo se aproximou e lhe sorriu.
— Pega um café para mim?
— Ricardo, vamos até a sala de jantar,
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que eu lhe farei um Senhor café, você precisa se


alimentar direito.
— Natália, eu só quero café mesmo, e
não se preocupe é por isso que eu tomo vitaminas.
Natália o olhou com desaprovação e
meneou a cabeça dizendo.
— Gordura e músculos não se
formam com vitaminas.
Ricardo a olhou com impaciência e
deixou-se levar até a sala de jantar, onde ela tirou
uma cadeira e posicionou a cadeira de rodas.
— Lia não está?
— Eu dei folga para ela.
Ricardo assentiu. Observou ela sentar
do seu lado com a xícara. Natália estava mais
magra. Tinha sido muito injusto com ela, mas era
bom assim. Quando ele ficasse bom, cada um
seguiria com sua vida. — Seu coração se apertou.
Meu Deus, me ajude a ser forte o
suficiente para deixá-la!
Depois do almoço Natália ligou para
Vitor.

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— Vitor, é Natália.
—Está tudo bem? Perguntou Vitor
com preocupação.
— Sim, você virá aqui á noite?
— Vou sim. E Ricardo, ele está bem?
— Sim Vitor, ele está tirando um
cochilo, preciso te pedir um favor, você poderia
compra uma cadeira de banho?
— Cadeira de banho? — Por um
momento Vitor ficou confuso — E depois
exclamou — Ah, Claro! —E como se completasse
um pensamento prosseguiu — Natália aquele
médico amigo nosso vai visitá-lo na semana que
vem, ele se chama Jorge Smith. Ele quer
acompanhar o progresso de Ricardo.
— Tudo bem, eu vou avisar Ricardo...
E não esquece Vitor!
— Do quê?
— Vitor! Da cadeira de banho!
— Claro! — Vitor caiu na gargalhada e
Natália não se conteve e riu também com gosto.
— Então tchau Vitor, até à noite.
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Natália estava colocando o fone no


gancho, quando viu a figura de Ricardo na sala, ele
havia trocado o agasalho por um short azul e uma
camiseta branca, estava com os pés descalços, ela
não o havia percebido, pois ela estava de costas
para a entrada da sala.
Ele lhe lançou um olhar duro e
inquisidor.
— Você é sempre assim com meu
irmão?
— Assim como?
— Não se faça de desentendida!
Estava era ouvindo vocês dois conversarem aos
cochichos. Já estão fazendo planos para o futuro?
Os olhos dele a examinaram sem
piedade, quase acabando com o pouco controle que
Natália ainda tinha sobre os nervos. Ela comprimiu
os lábios e resolveu ignorá-lo.
Natália virou-se, e passou por ele. Ele a
segurou pelo pulso, com uma força que lhe doía a
pele delicada, ela o encarou e quase perdeu o
fôlego ao ver a expressão de desgosto que marcava
as feições do marido.
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Ele então a soltou. Natália desabafou.


— Ricardo eu estou cansada, não
dormi direito á noite, vou descansar um pouco.
Você quer alguma coisa? Quer deitar-se um pouco?
Ricardo Ficou imóvel e seu rosto tinha
a dureza de uma pedra.
— Não, fiquei muito tempo deitado no
hospital... E então, você não respondeu minha
pergunta?
Uma raiva intensa e contida escurecia os
olhos dele, fazendo com que ficassem parecidos
com duas bolas de aço. Natália suspirou.
— Eu sou livre, lembra? Você não é
mais meu dono!
Natália tentou passar por ele, mas ele foi
mais rápido e a pegou pelo pulso. Natália o olhou
cansada. Os olhos de Ricardo se escureceram e ele
a soltou.
Natália correu para o quarto.
O que ele estava querendo com isso? Ele
não a amava!
Não conseguia se esquecer do que sentira

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na cena da briga, mas no fundo de seu coração, não


se conformava e uma ânsia de entendê-lo, apertava
em seu coração. Pensava em lutar por ele.
Mas ele mesmo não falara que não a
amava mais? E seu orgulho?
As lágrimas de Natália correram livremente.
Se ele não a amou antes, por que a amaria agora?
Era tudo tão estranho. Ricardo sempre
firmou seu amor. Tinha algo esquisito por trás
daquilo tudo. Uma mulher? Mas ela não deu as
caras depois do acidente.
Não sabia o que pensar!

Vitor chegou às sete horas da noite, um


pouco antes do jantar. Natália o recebeu com bom
humor, viu a cadeira de banho nas mãos dele e lhe
sorriu e lhe deu um abraço efusivo. Ricardo estava
num canto da sala e os observava.
— Ia í maninho! Não esqueci! — E
mostrou a cadeira.
Natália pegou a cadeira de suas mãos e o
olhou com cara feia, Vitor riu sem graça. Ela levou

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no banheiro e colocou dentro do Box. Quando


voltou para sala, logo se dirigiu a Vitor.
— Vitor. Preciso falar com você! — E o
puxou para um canto.
— Você poderia ajudar Ricardo a tomar
banho?
— Quem eu? Vitor ria nervoso.
— Pare Vitor — E bateu de leve no
braço dele— È constrangedor para mim, lembre-se
que nós estamos nos separando.
— Desculpe-me cunhadinha, mas se é
constrangedor para você que vive com ele, imagine
para mim? — E ele ria tanto que Natália acabou
rindo também. Os olhos de Vitor estavam úmidos
de tanto rir. Ele deveria estar imaginando a cena.
Natália então ficou séria e suspirou e
disse.
— Tudo bem! Acho que é besteira
minha!
Quando voltaram para a sala, Ricardo
estava com cara de poucos amigos.
— Vitor faz Companhia para Ricardo

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que eu vou dar uma olhada no jantar.


O clima ficou pesado na mesa, o jantar
se arrastou prolongadamente. Vitor com muito
esforço descontraía o ambiente, fazia com que
Natália algumas vezes risse. Ele falava da fábrica,
de situações com empregados. Discorria fatos
engraçados da infância e o tempo todo tentava
puxar Ricardo para a conversa.
Quando Vitor foi embora, Natália se
sentia um bichinho acuado pela aranha. Enfrentou o
olhar duro de Ricardo.
— Hora do banho! Disse rapidamente.
Ricardo ergueu as sobrancelhas e não
disse nada. Conduziu a cadeira de rodas para o
banheiro. Natália foi ao quarto e pegou uma toalha,
cueca e o pijama dele e se dirigiu ao banheiro.
Ele já estava sentado na cadeira de
banho nu e ela pôde ver cicatriz no quadril que a
chocou. Ela pegava o lado esquerdo inteirinho e
seguia até as costas.
Ela ficou por um tempo sem ação e
então viu que Ricardo tentava com frustração
ensaboar os pés. Natália deixou as coisas num
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banquinho e rapidamente tomou-lhe o sabonete das


mãos dele e o ajudou. Trabalhava em silêncio,
evitou o tempo todo encará-lo, fazia tudo como se
tivesse lavando um estranho.
Depois do banho, secou-lhe os cabelos,
passou a toalha pelo seu corpo tomando cuidado
com a cicatriz, e o secou. Ajudou-o a vestir a parte
de cima do pijama, a cueca e aproximou a cadeira
de rodas, travou e o ajudou na transferência, secou-
lhe os pés e colocou a calça do pijama.
— Horrível a cicatriz não? De repente
Ricardo falou, observando-lhe o rosto.
— O importante é você ficar bem de
novo. — Natália disse com firmeza.
Ele concordou com um gesto de
cabeça e moveu a cadeira e saiu.

CAPÍTULO VIII

Na semana que se passou, Natália ajudou


Ricardo naquilo que ele não conseguia fazer,

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evitava olhá-lo, era uma tortura sim, mas fazia tudo


como se ela ajudasse um irmão ou amigo, não
melhor, estava mais para enfermeira e paciente.
Mentalmente se preparava para essa rotina,
ele era um deleite negado, Ricardo
inconscientemente a abalava muito e toda vez que
acordava e o via, ou quando o ajudava e precisava
ter contato físico, ela se sentia fragilizada, e a
vontade de beijá-lo, abraçá-lo, doía em seu coração.
Sentia falta do conforto e calor de seus
braços. A ausência do toque mais íntimo,
carinhoso, pesava.
Ricardo passou a semana preenchendo o
tempo com leitura e televisão. O clima entre eles
não chegava a ser frio, era como ele se fossem
levando. Ricardo era a imagem de introspecção,
muito calado, pensativo.
Agora, ele já estava dando sinais de
melhora, já conseguia tomar banho sozinho, sem
nenhuma ajuda e Natália tinha visto ele várias
vezes tentando ficar de pé.
Lembrou-se do dia que o viu...
Nesse dia ela tinha acordado e depois de um
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banho rápido, tinha se dirigido ao guarda-roupa e


escolhido uma calça jeans e uma blusinha branca
com detalhes em renda.
Tinha secado os cabelos com secador, e
olhou-se no espelho.
Seu rosto estava corado pelo banho, passou
um batom rosa pálido. E se dirigiu a cozinha. Lia já
estava lá cantarolando.
—Bom dia Lia.
—Bom dia. Tirou o dia para dormir? Se
tirou fez muito bem, está com uma aparência ótima
hoje. — E olhando-a com um ar preocupado
perguntou— E seu Ricardo, vai querer que eu leve
o café no quarto?
— Não sei Lia, eu verei. Faça um café
bem reforçado para ele.
Natália se dirigiu ao quarto e viu Ricardo
em pé. Ele estava apoiado na escrivaninha de costas
para ela, percebia-se o esforço que ele fazia para
tentar andar. E quando lhe doía a perna praguejava
e Natália pôde ouvi-lo dizer “Eu preciso ficar
bom! Eu preciso sair dessa casa. Meu Deus, me
ajude! ”
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Essas palavras lhe doeram


profundamente, ela andou de costas voltando-se
para o corredor e saiu da visão da porta. Esperou
um pouco e respirando fundo, entrou no quarto
novamente.
— Ricardo.
Ele se apoiou com força na escrivaninha
e virou-se lentamente para olhá-la.
Natália não conseguiu evitar de olhar-lhe
as pernas e percebeu que a perna esquerda estava
ligeiramente pendente.
Ela desviou a atenção de suas pernas e o
encarou.
— Lia quer saber se você vai comer no
quarto ou na sala de jantar?
— Na sala. Pede para ela arrumar a mesa
para mim.
Então ele tentou se sentar na cadeira de
rodas e falseou, Natália correu, e o enlaçou pela
cintura. Ela estremeceu, ao seu toque, e o ajudou a
sentar-se. Enquanto ele ajeitava os pés no descanso
da cadeira Natália saiu.

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Desde então entendeu que ele não via a hora


de ficar bom e deixa-la. Suspirou, hoje ou amanhã
chegaria seu exame.
Uma tarde quando Ricardo havia dormido,
o deixou aos cuidados de Lia e passou no médico.
Seu ciclo ainda estava atrasado, e tudo levava a crer
que poderia estar grávida.
Na volta aproveitou e comprou algumas
coisas no mercado. Logo que chegou avistou
Ricardo. Ele tinha feito a transferência para o sofá
da sala, e quando a viu com os pacotes, não
questionou sua saída.
Mas sua preocupação era tola, suspirou:
Mas será que ele questionaria caso saísse do jeito
que estavam as coisas? Pois a impressão que ele
passava era que não estava nem aí.
Alguns funcionários da fábrica vieram vê-
lo, mas ele respondia a eles com monossílabos, eles
acabavam ficando constrangidos e iam logo
embora. Natália sempre o olhava com reprovação,
mas Ricardo a ignorava.
Vitor os visitava toda noite e jantava com
eles. Segundo ele, Carol estava viajando a trabalho.
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Esperta ela. Uma mulher de fibra.


Duvido que ela deixaria o emprego como
ela deixou!
Em troca do quê?
Seria uma mulher separada e teria que
correr para refazer sua vida. Pensou triste.
Vitor tinha o dom de fazer com que o
ambiente ficasse agradável, embora Ricardo
sempre exibisse uma carranca, ele brincava muito
com eles, sempre levando seu bom humor.
Tinha dias que Vitor passava horas
explicando a situação da Fábrica, e Natália
observava que para Ricardo a Fábrica ir bem ou
não parecia que lhe era indiferente, era triste muitas
vezes ver Ricardo tão apático.
Ele era tão dedicado com a fábrica e agora
essa indiferença?
Talvez Ricardo no fundo sabia que Vitor
dava conta do recado, por isso ele não se
preocupava. Ou ele tinha alguma coisa contra o
irmão. Ela chegava a ficar com dó de Vitor, pois
Ricardo o tratava tão frio e ás vezes lhe dava
respostas ácidas.
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Natália no dia seguinte pegou o exame entre


as correspondências nas mãos. Sentou, tremendo.
Respirando fundo. Abriu devagar. Seus olhos
focalizaram a palavra: “POSITIVO”.
Na hora seus olhos se encheram de
lágrimas. Estava grávida? Leu novamente.
Suspirou.
Quando ela ouviu o som da cadeira,
enxugou as lágrimas e saiu quase que correndo para
a cozinha. Escondeu numa caixa o exame que
ficava na parte de cima de um trabalho. Lá ela
costumava a colocar os remédios.
Ricardo apareceu nessa hora na cozinha. Ela
perguntou.
— Quer alguma coisa?
— Preciso tomar mais um comprimido
para dor.
— Você está com dor, pois está abusando.
Eu te vi tentando ficar em pé.
Ricardo suspirou, passando a mão na testa
suada, embora tivesse frio.
— Natália. Por favor.

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Natália assentiu.
— Vamos até o quarto. Eu te ajudo a
deitar e te dou mais um comprimido.
Ricardo assentiu, e manobrou a cadeira.
Natália conduziu a cadeira dele até o quarto e o
ajudou a deitar na cama. Foi até a caixa e pegou
mais um comprimido, seu exame estava lá,
reforçando agora, mais uma preocupação.
Não queria segurar Ricardo com uma
gravidez. Mas como não o participar de seu estado?
Como ocultar que ele seria pai? Talvez depois que
se separassem seria o momento apropriado.
Ricardo passou a tarde inteira na cama.
Vitor como sempre chegou sorrindo, trazendo seu
bom humor.
—Preciso falar com você.
Vitor ficou sério.
—Ricardo aprontou de novo?
Natália observou Vitor. Seria tão mais fácil
tê-lo amado.
— Vitor. Ricardo tem se esforçado para
ficar em pé. Hoje ele abusou, está com dor. E tudo

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indica que ele não vê a hora de sair daqui. De se ver


livre.
Vitor suspirou.
— Eu não queria te magoar, te ferir. Mas
Ricardo me pediu no hospital que eu o levasse para
o apartamento e contratasse uma enfermeira.
Natália ficou sem ação. Vitor pegou as
mãos frias dela.
— Eu não briguei, não fui contra. Inventei
uma reforma no apartamento e a impossibilidade de
ele ir.
Vitor suspirou de novo.
— No fundo, pensei que isso tudo ia
aproximá-lo dele.
Natália chorou, pensando na gravidez. Sua
situação.
— Por favor, não te contei para você ficar
assim.
— Vitor. Estou grávida.
Vitor com os olhos arregalados soltou o ar
dos pulmões.
— Agora entendo sua aflição.
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Natália assentiu triste. Vitor a abraçou.


Natália sentiu seu reconfortante abraço e se
sentindo tão miserável acabou chorando. Aos
poucos foi se acalmando.
Quando se afastou do cunhado, seus olhos
deram com os olhos negros de Ricardo. Era difícil
vê-lo olhá-la tão duro. Ainda não estava
acostumada com o desamor dele.
Ricardo vendo a cena dela nos braços de
Vitor. A agonia dentro dele aumentou. Vitor aos
poucos estava chegando e se fazendo presente no
coração de Natália. Ele a estava perdendo. Era
difícil assistir. O ciúme o corroia por dentro.
Ricardo tremendo por dentro avançou. Frio,
controlado, mas a vontade era de dar uma porrada
na cara de seu irmão.
Ele podia esperar que se separassem. E
quando ele estivesse bem longe dali...
Ricardo afastou esses pensamentos.
—Vitor. Preciso falar com você, em
particular.
Natália desviou os olhos de Ricardo e sorriu
para Vitor.
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—Eu vou ver se o jantar está pronto.


Ricardo fitou o irmão duro.
— Enquanto eu estiver nessa casa, eu exijo
respeito. Você parece um urubu em cima da
carniça.
Vitor observou o irmão. Esforçava-se para
entendê-lo, tentava. Era claro que ele vivia alguma
batalha interior, e ele não se sentia seguro e dono
da situação, ele o via como uma ameaça.
Eu podia jurar que Ricardo amava Natália.
Mas o que o perturbava? O que Natália tinha feito
de tão errado para o seu irmão agir daquele jeito?
— Ricardo, você é um caso para pesquisa
psiquiátrica. —Disse lentamente as palavras. —E
mesmo assim, vai ser difícil entendê-lo.
Ricardo respirava com dificuldade. Vitor
continuou.
— Talvez eu devesse me manter longe. Mas
está difícil, pois Natália só tem a mim.
Ricardo quase gritou, mas disse grave e
controlado.
— Ela ainda tem a mim.

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Vitor riu.
— Ricardo, te ter assim, é o mesmo que não
ter ninguém.
Ricardo respirou fundo.
— Isso é um problema meu.
Vitor sorriu desdenhoso.
—Eu abri mão de Natália, pensando que
você a faria feliz. Lembro-me que te fiz prometer.
—Ele se levantou do sofá. —Então irmãozinho, o
problema agora se tornou meu. Eu não vou deixar
Natália por que você quer. Só vou deixá-la se ela
me pedir para me afastar.
Vitor saiu da casa batendo a porta. Natália
saiu da cozinha assustada ao ouvir o estrondo.
Ricardo a fitou duro.
—Vitor não vai mais jantar.
Natália o fitou nervosa.
— Ricardo! Vitor só tem nos ajudado. Será
que não percebe? — Natália o fitou desanimada. —
Pois então ... jante sozinho, talvez se sinta melhor...
Natália o deixou e se trancou em seu quarto,
os olhos ardendo pelas lágrimas que começaram
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tímidas, mas depois desceram sem fim.


No dia seguinte, Sábado, Natália estava na
cozinha ajudando Lia com o almoço. Escutou a
campainha. Passando pela sala, viu Ricardo no sofá
com um jornal. Ele não tinha nem tirado o pijama
ainda, seus cabelos negros estavam despenteados.
Pela janela viu a figura de Vitor, com um
meio sorriso abriu a porta. Vitor sorriu ao vê-la.
Vitor estava lindo, calça caqui, camisa branca
aberta no peito.
—Bom dia Vitor.
—Bom dia. Gostaria de falar com você.
—Entra. — Natália afastou o corpo e
fechou a porta.
Vitor observou Ricardo que o ignorou
completamente. Se escondendo atrás do jornal.
Vitor fitou Natália.
— Preciso falar com você.
Natália assentiu.
—Vamos lá fora.
Ricardo observou Vitor sair com Natália
para a área externa na casa. Ricardo sentou-se na
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cadeira de rodas com mais agilidade, cada dia


estava melhor. E a conduziu até a janela, de onde
os observou nas espreguiçadeiras ao lado da piscina
no sol de frente, um para o outro.
Vitor fitou Natália sorridente.
— Pretendo ficar noivo.
Natália não conteve sua alegria e foi até ele
e o abraçou. Se afastando disse emocionada.
—Que bom Vitor! Fico tão feliz. Você
merece toda felicidade do mundo. —Disse triste. —
Carol é uma garota de sorte e com certeza mais
inteligente que eu, pois ela pode enxergar aquilo
que não vi em você.
Vitor viu as lágrimas de Natália.
—Natália, ontem saí daqui pensativo.
Ricardo tem ciúmes de nós.
— Vitor que exagero! Olhe estamos aqui
sozinhos e ele não está nem aí.
Vitor a olhou com um sorriso maroto.
— Ah, você que pensa! Ele não tem atitude
de quem não está nem aí com você. Quanto você
quer apostar que ele agora está na janela?

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Natália ia se virar para olhar.


— Não. Não olhe! Pensei em cutucar a
onça, com uma vara longa, mas cutucar. Podemos
investir nisso.
— Vitor eu ainda não entendi o que isso
pode me ajudar nesse caso?
Vitor a olhou com ternura.
— Ele precisa entender que o importante
é o amor. Seja lá o que ele esteja passando.
Natália confusa perguntou.
—Como faremos isso?
—Carol está para chegar de viagem. Preciso
comprar um anel de noivado, quero que me ajude a
escolher. Que tal sairmos agora? E você me ajuda?
Natália não acreditou muito que isso
pudesse mudar as coisas. Mas concordou.
— Tudo bem. Só vou me trocar.
Vitor sorriu ao observar o jeito de
menininha de Natália com aquela calça jeans e o
rabo de cavalo.
— Quero que se vista com roupas mais
madura hoje, mas feminina. Passe uma imagem de
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mulher mais madura e que sabe o que quer. Vamos


agitar os alicerceies hoje.
Natália sorriu mais animada.
—Está certo.
—Então vamos. —Vitor riu. —Vou até ser
bonzinho e comunicar a ele nossa saída.
Natália sorriu.
—Só você Vitor para me fazer sorrir.
Natália foi em direção à sala seguida por
Vitor, abriu a porta de vidro corrediça. Não viu
Ricardo. Foi até seu quarto e entrou no closet.
Escolheu um vestido branco e preto, era um
tubinho que valorizava sua cintura, um pouco
acima dos joelhos, e calçou saltos de médio.
Maquiou-se levemente. E escovou os cabelos os
jogando para o lado. Gostou do que viu. Estava
saindo do quarto quando viu Ricardo sair do quarto
que ele ocupava trocado. Tinha tirado o pijama e
colocado uma calça preta e uma camisa branca.
Natália apertou os passos para a sala, se refugiando
com a presença de Vitor que a esperava. Ele estava
perto do bar depositando o copo vazio na bandeja.
Ricardo logo entrou na sala. Ele estava
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indecifrável. Apenas olhava os dois.


Vitor conduziu Natália no sofá apertando-
lhe a cintura. E com um sorriso maroto falou com o
irmão.
— E então Capitão Gancho, como hoje é
sábado, eu combinei com Natália de ir ao centro,
ela tem ficado muito em casa e precisa comprar
algumas coisas. — Natália olhou Vitor, incrédula.
Vitor lhe dirigiu um sorriso doce, mas seu olhar era
decidido, de quem não admitia recusa.
E olhando para Ricardo perguntou.
— Você precisa de alguma coisa da rua?
Os pensamentos de Ricardo remeteram ao
dia que conheceu Natália, e como se alegrou
quando a ouviu dizer que seu irmão era apenas seu
amigo. Desde que a conhecera, a desejou. E agora
os papéis pareciam se inverter. E cabia a ele
assistir. Olhando os dois, via se claramente que
combinavam juntos, Vitor era um pouco mais velho
que Natália a diferença de idade era muito pouca. E
ele se sentia um velho em uma cadeira de rodas.
Os lábios de Ricardo tremeram, e com
uma expressão de desgosto lhe disse.
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— Natália é livre para ir onde bem


entender. E não, eu não preciso de nada!
Vitor sorriu fitando Natália. Viu quando
Ricardo encarou os dois, se afastou com a cadeira.
— Vitor você está louco?
Com um olhar tranquilizador Vitor falou.
— Natália minha querida, não se
preocupe, eu sei o que estou fazendo.
Natália passou um dia agradável na
presença de Vitor. Escolheram um Shopping center
nas imediações.
Como seria bom se tivesse se
apaixonado por ele!
Ele era tão espirituoso, tão divertido.
Mas seu coração se apertava ao pensar em
Ricardo, no homem que ela amava.
Depois de juntos escolherem um anel de
noivado para Carol, um lindo anel de brilhantes,
eles dirigiram-se ao restaurante, Vitor puxou a
cadeira para Natália se sentar. Ela estava sem fome
e recusou o cardápio. Vitor escolheu os pratos por
ela.

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— Vitor precisamos comprar algumas


coisas.
Vitor lhe sorriu e disse.
— Por que você precisa de algo? — Disse
num tom maroto.
— Vitor! Eu não posso chegar de mãos
abanando. O que Ricardo vai pensar?
Vitor riu com gosto.
— Santa ingenuidade! Natália. Mas é isso
mesmo que eu quero!
Ela protestou.
— Vitor!
— Deixa comigo!

Carol estava acompanhada de sua mãe


quando viu Vitor dentro de uma joalheria com
Natália. Ficou estática, suas pernas travaram com a
cena. Natália sorria muito, enquanto Vitor
mostrava-lhe um mostruário de anéis. Onde Natália
experimentava agora.

Eram quatro horas da tarde quando Vitor


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deixou Natália em casa. Deu a volta no carro,


pegou-a pela mão a e lhe beijou rapidamente a
boca.
Natália aturdida olhou para a janela da casa
e viu a figura de Ricardo, que rapidamente fechou a
cortina.
— Vitor! Você não deveria ter feito isso!
Vitor apertou-lhe as mãos e disse.
— Não se preocupe, minha querida. Vai.
Se meu irmão não tomar nenhuma posição agora,
significa duas coisas: ou ele tem sangue de barata
ou ele não te ama. Como eu sei que não é nem uma
coisa nem outra.
E falou-lhe com um olhar decidido.
—Por isso enfrente-o, ele te ama Natália
—E sorriu-lhe e num tom irônico disse-lhe—Ele
mata a mim, não a você!
Natália meneou a cabeça.
— Vitor. Eu estou arrependida de me
deixar levar pelos seus conselhos.
—Deixe-o corroer-se de ciúmes ele precisa
sentir que está te perdendo, quando ele estiver bem

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você fala com ele. —E lhe sorriu — Não confirma


nada sobre nós, imaginar é uma coisa, ter a certeza
é outra. E você não quer ver um assassinato na
família, quer?
Vitor riu com gosto, diante da cara de
espanto de Natália. Então ele se lembrou.
—Ah e avise que ele segunda feira tem
médico. Vou passar cedo, sete horas.
Vitor fez um gesto com as mãos para ela
prosseguir e entrar em casa.
Entrou no carro e foi embora. Natália
ficou ali, vendo o carro se afastar. Decidida virou-
se em direção a casa.
Respirou fundo dirigiu-se à porta e
entrou.
Quando fechava a porta sentiu-se
observada pelas costas e virou-se. Encontrou o
olhar penetrante de Ricardo.
Ricardo estava sentado no sofá com uma
bebida entre as mãos, quando ele a viu, bebeu num
gole só.
As mãos de Natália tremeram.

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— Cadê as compras que você tinha que


fazer? — Ricardo a olhou com desprezo.
— Não gostei de nada! Então não comprei
nada!
Ela sabia que não deveria desafiá-lo, mas
não suportava mais o olhar frio e cheio de desprezo
de Ricardo.
— Natália mal nos separamos e você já
arrumou um amante e meu próprio irmão! —
Gritou Ricardo e se colocou em pé. Natália
percebeu que ele se esqueceu da perna doente, pois
no mesmo momento sentou-se com um gemido de
dor e colocou as mãos no quadril.
E com voz abafada pela dor completou.
— E não espere que eu compactue com
isso e seja gentil com seu amante! Se ele pisar de
novo aqui, eu nem sei o que eu posso fazer. —
Disse isso massageando a perna. Então fechou os
olhos e abaixou a cabeça.
O silêncio reinou por um momento entre
eles, então Ricardo levantou a cabeça e a olhou
com um olhar sombrio.
— Você tem sorte, de eu não estar bom o
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suficiente. — A voz de Ricardo era irônica e com


certo tom de desprezo, parecia vir de um lugar
profundo e sombrio de dentro dele.
Natália riu serena. Ele estava com ciúmes.
Isso era bom. Sinal que a amava? Ou orgulho de
macho ferido?
— Eu pedi o divórcio lembra? E você
aceitou. Não te devo explicações. E Vitor não é o
meu amante.
Ricardo suspirou alto, e a encarou, ela não
conseguia entender o que se passava em seu rosto.
Ela simplesmente informou:
—Vitor segunda feira te levará ao médico
cedo. Sete horas. Seu irmão te ama. Ele não te
prejudicaria. Pensa nisso, tá?
Ricardo a viu se afastar, angustiado, sem
saber como agir ou pensar.
O domingo se arrastou. Natália estava mal,
muito enjoada e passou praticamente na cama.
Ricardo também não deu as caras. Devia estar
enfiado no quarto.
Como passou um dia muito deitada, a noite
perdeu o sono, leu um pouco, mas só folheava o
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livro, pouco se concentrou, e muito da história que


parecia ser interessante, apenas passou por seus
olhos, e ela perdeu muito detalhes, pois toda hora
seus pensamentos a interrompiam. Quando via,
estava pensando em seus problemas. Acabou
dormindo tarde.

CAPÍTULO IX

Segunda feira
Natália acordou e se assustou ao ver que já
eram 11hrs. Lembrou-se da consulta de Ricardo.
Será que Ricardo tinha ido?
Levantou-se depressa, tomou um banho
rápido, vestiu um vestido verde, que lhe favorecia
as formas e combinava com seus olhos. Fez uma
maquiagem leve e escovou os cabelos
vigorosamente.
Passou pelo corredor e se dirigiu ao quarto
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de Ricardo, a cama estava arrumada. Quando


chegou à sala presenciou Ricardo com os sapatos
especiais com uma bengala na mão andando. Vitor
e Lia o observavam andar pela sala.
Ricardo estava de calças jeans e uma
camisa branca aberta no peito.
Como era bom vê-lo de pé!
Então Vitor a viu. Dirigiu-se até onde ela
se encontrava e lhe passou o braço na cintura. E
falou-lhe baixinho.
— Olá bela adormecida. Não é uma
maravilha ver Ricardo andando outra vez?
Natália sorriu tristemente.
Sim era, mas ela sabia que se ele estivesse
bem, ele a deixaria.
Mas ela lhe respondeu.
— Uma maravilha! —Com uma
expressão infeliz que não passou despercebida por
Vitor.
Ricardo levantou a cabeça, viu os dois.
Imediatamente seu rosto mudou de expressão. Ele
ficou tenso.

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Natália reparou que sua testa brilhava


com uma fina camada de suor. Ricardo deu as
costas para eles, se dirigindo ao sofá, sentou-se
cansado.
Natália tentou se desvencilhar de Vitor e
Vitor lhe segurou a cintura e a olhou firmemente. E
disse alto.
— Vamos querida, vamos nos sentar. Lia
você pode providenciar um café para Natália?
Lia aturdida pela cena de Vitor tão íntimo
de Natália e Ricardo tão marrento, assentiu com
uma expressão de quem não estava entendendo
nada. Vitor conduziu Natália no sofá apertando-lhe
a cintura. E com um sorriso maroto falou com o
irmão.
— Bom já é tarde e alguém precisa
trabalhar!
Ricardo o olhou com uma carranca,
como se tivesse com uma fúria contida.
Vitor percebendo isso, desviou os olhos
dele, e sorrindo para Natália disse.
—Vou indo.

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Natália o acompanhou até a saída. Na porta


Vitor falou baixo para Natália.
—Como percebeu, ele tem um pequeno
desnível no comprimento das pernas. Vai ter que
usar os sapatos especiais para o resto da vida. —
Sorrindo disse. —Mais uma coisa para você
administrar. Não sei como consegue?
Natália sorriu fraco.
—Eu o amo.
—Vitor disse pensativo. —Eu sei.
Natália perguntou curiosa.
—E você e Carol?
Vitor sorriu com satisfação.
—Ela chega hoje de viagem. Mais tarde vou
ligar para a casa dela. Não vejo a hora de pedir sua
mão.
Natália sorriu com doçura.
—O anel é lindo. Ela vai gostar.
Nessa hora quando Vitor estava se dirigindo
ao carro, ela o viu cumprimentar com entusiasmos
um senhor de meia idade, tinha cabelos bem
grisalhos e olhos azuis simpáticos. Lembrou-se da
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visita do médico, amigo da família. Ficou


observando os dois conversarem e logo o viu vindo
em sua direção.
— Olá meu nome é Jorge Smith. Sou um
médico da família e um amigo de Ricardo.
—Por favor, entre.
Natália viu que Ricardo não estava na sala.
Suspirou, no seu campo de visão, Lia apareceu com
a bandeja de café. Natália acenou um não com a
cabeça para ela e a viu erguer os ombros sem
entender mais nada. Natália sorriu e voltou-se para
o médico, e se apresentou.
— Sou Natália, esposa de Ricardo.
— Como você é jovem. — O senhor
Smith disse sorrindo. E ficando sério perguntou. —
Como está Ricardo?
— Ele está melhorando. Já está ficando
em pé aos poucos, mas vai precisar usar sapatos
especiais, ele ficou com um pequeno desnível nas
pernas.
Jorge Smith assentiu.
—É muita coisa acontecendo junto, para

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ele assimilar.
Natália perguntou.
— Verdade.
Jorge Smith disse.
— Mas ainda acho que o fato de ser
estéril, de todas as notícias foi a pior. Eu vi como
ele saiu do meu consultório, muito transtornado.
— Ricardo descobriu que é estéril?
Jorge Smith a olhou com estranheza e
assentiu, percebendo que Ricardo ocultou isso da
esposa.
Natália perguntou.
— Quando ele descobriu?
Jorge Smith ficou pensativo por um tempo.
— Há uns dois meses.
Natália sentiu como se tudo se encaixasse.
Pois era exatamente o tempo que ele passou a agir
estranho com ela, e a cada dia se afastando, mais e
mais.
—Doutor, impossível. Eu estou grávida.
Jorge Smith sorriu aberto.
— Mas isso é ótimo. Eu ia pedir para ele
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repetir os exames, mas ele saiu do meu consultório


sem terminar a consulta. Acontece às vezes erro do
laboratório, e o diagnóstico só pode ser definitivo
depois do segundo exame.
Natália assentiu. Ouviu o barulho de passos,
quando viu Ricardo no corredor, ele estava com os
cabelos molhados, como se tivesse lavado o rosto e
passado nos cabelos.
Ricardo sorriu fraco para Jorge quando o
viu.
Natália o observou. Quando seus olhos se
encontraram, ela viu em Ricardo toda a amargura
que ele carregava, e ela sentiu a força daquele
sofrimento e cobrança que ele deveria se fazer por
não poder lhe dar filhos. Ela sentiu tudo ao mesmo
tempo dor, raiva, revolta, mas acima de qualquer
outro sentimento, amor.
— Parabéns Ricardo.
Ricardo nessa hora voltou seus olhos para o
Dr. Smith, sem entender.
— Sua esposa me contou que está grávida,
estou imensamente feliz.
Natália viu a cor fugir do rosto de Ricardo.
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—Eu não estou passando bem.


Natália fitou com apreensão o medicou que
correu até ele. Ele pediu com voz fraca. Cabeça
baixa.
—Por favor, Jorge. Preciso me deitar.
Jorge fitou Natália que fitava tudo
apreensiva. Ela disse rápido.
—Vem doutor.
Ricardo a fitou sério, parecia mais
recuperado.
— Fique. Eu mostro o caminho para ele.
Natália assentiu confusa, e viu o doutor
seguir com ele pelo corredor.
Era como se um véu caísse agora de seus
olhos. Ricardo não conseguiu lidar com o fato de
ser estéril. E durante todo esse tempo ficou
remoendo seu problema e a alternativa que
encontrou foi afastá-la dele. O coração dela se
apertou. Então viu a reação dele diante da notícia
de sua gravidez. Ele devia se sentir culpado por
fazer tudo isso por nada. Por isso a tinha olhado
daquele jeito.

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Por outro lado, o motivo da separação já


não existia mais.
Não era para ele ficar feliz?
Então uma sombra negra de um pensamento
absurdo passou na sua cabeça.
Ele achava que seu filho era de Vitor?
Não! Não podia ser!
Então se lembrou da cena dela com Vitor
para provocar ciúme.
Meu Deus. Será?
Natália se sentou no sofá e fechou os olhos.
Quando o médico se aproximou ela se levantou.
— Preciso dar uma palavrinha com você
Natália. Posso te chamar assim?
Natália o olhou apreensiva.
— Claro! Por favor, sente-se.
O médico sentou-se ao seu lado.
— A recuperação de Ricardo está indo
muito bem, mas ele está muito magro, perdeu
muito músculo, a impressão que dá que ele não
quer sarar. Desculpe falar assim. O lado esquerdo
do quadril ainda dói, mas com a ajuda dos
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músculos, ele não o sobrecarregaria tanto


Natália olhou firmemente para o médico.
—Eu vou falar com ele para ele se
alimentar direito.
O médico assentiu.
— Preciso ir, tenho uma cirurgia marcada
para agora à noite.
— Obrigada doutor.
Natália suspirou alto depois que fechou a
porta. Ia por tudo às claras agora!
Ricardo quando viu o doutor se afastar,
deitado na cama, tentava assimilar aquela
informação. Natália grávida.
A imagem dela com Vitor vinha agora
como flashes.
Não, ele a conhecia. Ela não o trairia.
Então se lembrou de Vitor a beijando agora
a pouco nos lábios.
Será? Martirizou-se.
A notícia que ela estava grávida ao invés de
erradicar o grande mal que sentiu essas últimas
semanas, e todos os conflitos, o pedido de divórcio,
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agora, o assolava de forma brutal com dúvidas que


permeavam sua mente.
Sentia uma grande dor sepulcral, só de
pensar na possibilidade do deslize de Natália.
Mas se ela estava grávida, por que ela
confessaria para o médico se fosse algo ilícito?
Claro. Smith deveria ter aberto para ela
sobre sua esterilidade, e ela disse sua condição.
Ela espera um filho meu. Sem dúvida
nenhuma.
Ricardo lançou seu olhar para a porta e a
viu entrar. Natália o fitou séria por um longo e
incômodo tempo. Ele resolveu ser claro. Devia isso
a ela.
Ricardo com a expressão de cansaço e
desconforto diante do olhar dela disse abafado.
—Imagino que agora saiba o motivo que me
levou a me afastar de você.
Natália observava o marido. Permanecia ali
parada, sem saber o que dizer. Afinal, ele que devia
explicações para ela.
—Natália, por favor, sente-se aqui. —

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Ricardo disse com os olhos marejados de lágrimas.


— Estou bem aqui.
Ricardo ficou sério pensativo. Suspirou e
com jeito foi se sentando, colocando as pernas para
fora. Disse triste.
—Tudo bem. Eu mereço.
Depois de um tempo perguntou:
—Você ama o meu irmão?
Natália o fitou com desgosto.
—O que você acha?
Ricardo passou a mão nos cabelos os
desarrumando.
—Eu acho que eu consegui arrebentar com
tudo. E que você não tem culpa de amá-lo.
Natália sentiu os olhos arderem pelas
lágrimas. A vontade dela era sacudi-lo, de tanta
raiva que sentia.
—Por que você não me contou de seu
diagnóstico? Por que não me falou que era estéril?
Ricardo não respondeu de imediato, parecia
lhe penoso às palavras.
— O filho é meu?
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Natália foi até ele com intenção de lhe dar


um tapa nas faces. Ricardo pegou a mão dela no ar
e a prendeu, com força a trouxe para si, mesmo
sentindo uma baita dor no quadril, conseguiu a
puxar e a lançar na cama, onde virando o corpo,
ignorando a dor, por causa da adrenalina que estava
sentindo, prendeu suas mãos. Natália virou o rosto,
para não olhar para ele. Ricardo a soltou e começou
a chorar, um choro amargo.
Ele disse abafado, rouco.
—Perdoe-me. Perdoe-me. Por favor,
Natália. Claro que o filho é meu. E não tenho
desculpas para o que fiz, essa é a verdade. Hoje
mesmo estou me mudando. Sei que eu estraguei
tudo.
Natália sentiu agoniada com as palavras
dele. Sentou-se na cama, o vendo ali agora, sentado
imóvel, de cabeça baixa. Ele parecia não conseguir
enfrentá-la.
— Ricardo, olha para mim. Não é possível
que tenha feito tudo isso sem uma razão?
Ricardo enxugou as lágrimas, seus olhos se
encontraram, os olhos dele eram angustiados.
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— Você é muito jovem Natália, quando


pensei que não pudesse lhe dar filhos, não suportei
a ideia de tirar os sonhos de um dia ser mãe. — Ele
disse abafado. — Eu a amo tanto, tenho sofrido
tanto, escondendo meu amor por você. Eu queria
afastá-la de mim.
Os olhos de Ricardo se encheram de
lágrimas, ele tentou desviar o rosto do olhar
penetrante de Natália, mas ela não permitiu, uma
mão estava apoiada no peito de Ricardo e a outra
ela segurou-lhe o queixo.
Natália o fitou sem entender.
— Mas por que você não me contou? A
decisão era minha. Eu tinha o direito de saber, de
escolher.
Ricardo fechou os olhos com força,
emocionado. Respirava ofegante, tentava se
controlar.
— Agora no começo, você poderia aceitar
que eu não pudesse lhe dar filhos, mas com o
tempo, você me olharia diferente, enxergaria a
nossa diferença de idade, ficaria frustrada por não
gerar. Talvez você no futuro me visse com uma
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visão mais paterna. Eu me antecipei à dor, pois não


suportaria ser olhado dessa maneira. Quando te
vejo com rabo de cavalo e usando roupas tão
casuais, vejo o quão distante é a nossa diferença de
idade.
Natália o abraçou e viu a cara que ele fez de
dor. Ela o fez deitar na cama. Então Ricardo a
puxou e tomou seus lábios com paixão depois de
tanto tempo contida. Ela ergueu as mãos
lentamente até o pescoço do marido e passou os
dedos pelos cabelos negros e grossos. Estremeceu.
Estava inteira contra aquele corpo forte, consciente
de cada fibra, cada célula. Não podia se soltar, nem
física nem emocionalmente. Estava completamente
desamparada, solta quando a boca de Ricardo
deixou a sua e foi para a pele macia do seu
pescoço.
—Eu te amo Natália. Disse abafado ainda
em seu pescoço.
Ela o segurou com as duas mãos sua cabeça
e a ergueu, o fitou nos olhos.
— Eu te amo, e teria aceitado caso não
pudesse ter filhos. E jamais o olharia frustrada ou
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como uma figura paterna. —Ela sorriu entre as


lágrimas. —Impossível algum dia te ver assim.
Ricardo fechou os olhos com força,
emocionado. Mas as palavras dela o fragilizaram
tanto, ele não pode conter as lágrimas. Então disse
emocionado.
—Você está gravida.
Natália assentiu.
—Sim, o médico disse que foi erro
laboratorial, que você precisaria ter feito outro
exame. Mas que naquele dia, nem terminou a
consulta e saiu.
Ricardo com lágrimas lembrou-se daquele
dia.
— Saí de lá transtornado, sem chão, por
muito tempo fiquei como um autômato, sem ânimo
para nada, sem esperança. É horrível se sentir
impotente. Ver seus sonhos serem desfeitos. Eu
quando me neguei ao seu amor, estava pensando
em você. Mas sei que muito mais em mim. Não
suportaria ser olhado no futuro como um peso.
Natália se virou para ele, e o olhou firme.
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— É grave o que fez. Mesmo que na sua


cabeça, tenha todas as razões do mundo. Nada
justifica o que fez. Você me negou a verdade, e me
negou o amor que sinto por você.
Ricardo suspirou alto, fechando os olhos
com força.
—Sei que não te mereço. Acho que se eu
não tivesse entrado na jogada, você teria olhado
para meu irmão com outros olhos.
Natália pegou o queixo dele.
—Nãoooooooooo! Eu não amo Vitor dessa
maneira. E nunca o amaria. Eu amo você.
Ricardo a abraçou e convulsionou em seu
peito, o vão dos seios de Natália foi inundado por
suas lágrimas.
Natália disse emocionada.
— Ricardo eu te amo! Mas saiba que você
quase colocou tudo a perder. Vitor me ajudou
muito.
Ricardo perguntou infeliz.
— Ele ainda a ama. Não ama?

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—Nãoooooo! Ele ama Carol. Nós saímos


para eu ajuda-lo a escolher um anel de noivado. Ele
vai pedi-la em casamento.
Ricardo a olhou surpreso. Natália explicou.
— Vitor quis provocar ciúmes em você,
para ver se você acordava. Pois no fundo ele
acreditava que você me amava. E por algum motivo
oculto, estava pondo tudo a perder. Eu já estava
desacreditada. Vitor que me incentivou a lutar de
alguma maneira por seu amor.
— Eu não te mereço. Natália.
Natália ficou séria.
— Eu sei, então agora, faça por merecer.
Ricardo sentiu uma grande emoção, quando
entendeu que teria a chance de se redimir, abraçou
Natália, chorando e em seu ouvido disse: — Vou
fazer meu amor.

CAPÍTULO X

Vitor tomava banho cantarolando, estava


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feliz, hoje era o dia que Carol chegava de viagem,


combinaram antes, que ela ligaria para ele quando
chegasse ao aeroporto, onde ele iria busca-la.
Saiu do chuveiro e começou a se enxugar
freneticamente. Se olhando nu no espelho, viu o
resultado do esforço físico na academia. Seus
músculos estavam mais definidos.
Estava para vestir as roupas, quando ouviu
o toque da campainha. Colocou rápido uma toalha
branca presa no quadril e com surpresa, viu Carol
do olho mágico.
Seu coração parecia que ia sair do peito,
abriu a porta pronto a envolvê-la em seus braços,
seu peito se apertava de saudades. Mas para sua
surpresa Carol passou como um tufão por ele e
agora seus olhos o acusavam de algo que ele não
sabia responder.
—Ei, Ei! —Vitor disse debochado. —
Também estava com saudades de você! —Ironizou.
Carol o fuzilou com o olhar. Como ela não
lhe respondia nada, ele sorriu maroto.
— Não a esperava tão cedo. Estava me
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arrumando, esperando me ligar do aeroporto.


Carol disse seca.
— Cheguei há três dias
Vitor ficou sério.
—Por que não me ligou?
Ela disse irônica.
— Queria fazer surpresa para você. Triste,
não acha?
Vitor avançou. Carol tremeu na base. Ele
estava muito sex preso com aquela toalha, peito
peludo nu e cabelos molhados.
Ela nervosa deu um passo para trás.
—Fique onde está.
Vitor parou, tentando entende-la.
— Carol, fala logo. Por que está assim?
Carol sorriu friamente.
—Cínico!
Vitor perdeu a paciência e a agarrou pelos
ombros, tomando a boca dela com paixão, seja o
que ela tinha a lhe dizer, ia deixar para depois, ele
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estava morrendo de desejo por ela, que se


misturava a saudade.
Quando ele deixou sua boca disse rouco, na
concha de seu ouvido: Senti sua falta. E a apertou
em seus braços
Carol com o coração batendo forte, o
afastou de si.
—Vitor, como você consegue?
Vitor suspirou alto.
—Carol. Eu não estou entendendo nada.
Você pode elucidar as coisas. Meu Deus! Você me
faz lembrar meu irmão!
Carol sorriu cínica.
— É, ele deve estar te pisando na fábrica,
por isso você o está traindo com a esposa dele? —
Ela lembrou-se das várias vezes que ele estava
reclamando de Ricardo.
Vitor a fitou incrédulo.
— O quê? —Ainda perguntou. —Eu não
tenho nada com Natália.
Carol meneou a cabeça.
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— Você não contava que eu fosse vê-los.


Vitor suspirou.
—Eu e Natália? Aonde?
Carol meneou a cabeça novamente.
— Incrível. Vou refrescar sua memória.
Vitor a observou. Ela estava linda. Um
vestido vermelho, bem ajustado no corpo, a
maquiagem era leve, os cabelos estavam soltos,
lindos, cheios e brilhantes. Vitor desviou os olhos
da figura dela, e fitou seus olhos verdes frios.
— Eu te vi, em uma joalheria com Natália.
Você comprava um anel para sua amante. Ela
estava escolhendo com você.
Vitor caiu na gargalhada, deixando Carol
furiosa. Ela ameaçou sair. Vitor a puxou pelo braço
e trancando a porta tirou a chave.
—Eu te ouvi. Agora você vai me espera
quietinha e eu vou me trocar. Então conversamos.
Carol confusa o viu se afastar. Nervosa foi
até a sacada. Mas não conseguia ver nada.
Enxugava as lágrimas que insistiam em cair.

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Vitor voltou, tinha vestido uma calça jeans,


e uma camiseta branca, estava descalço e com os
cabelos em desordem, ficava mais sedutor.
Carol quando o viu foi até ele, com passos
decididos. Então ela viu uma caixinha preta nas
mãos dele. Ele sorrindo a abriu diante de seus
olhos. E um lindo anel surgiu.
— Ela estava me ajudando a escolher seu
anel de noivado. Te amo, você é a mulher da minha
vida. Quer se casar comigo?
Carol olhava para Vitor sem ação. Era
difícil acreditar que pudesse ter despertado um
amor tão grande nele a ponto de querer se casar
com ela. A verdade que estava meio desacreditada
que ele pudesse amá-la tanto.
Carol só conseguiu dizer.
—Você tem certeza disso?
Vitor fechando a caixinha, a abraçou,
enterrou o rosto nos cabelos dela. Ela, com as mãos
espalmadas no peito dele, percebia as batidas
rápidas do seu coração.
Ele disse abafado.
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— Eu te amo! Senti sua falta.


Carol sorriu chorando.
— Eu sempre te amei, desde que nos
conhecemos. E com nosso reencontro, só
confirmou aquilo que meu coração já sabia.
Vitor a olhou com ternura.
—Acredito que eu também. E que demorei
para entender isso. Quando te reencontrei, foi tão
fácil me esquecer de Natália, que percebi, que no
fundo te amava, mas as chamas estavam
adormecidas, abafadas pelo tempo, pelas lutas, mas
foi só ter a oportunidade de estar mais com você,
elas se tornaram uma grande lavareda no meu
coração.
— Vitor. Eu nem acredito. Parece um sonho
que me ame assim.
— Eu te amo. Pode ter certeza disso.
Enquanto viajava, visitei Natália. —Carol ficou
tensa. —Não da forma que está pensando. Ela tem
passado por problemas no casamento, fui para
ajudá-la de alguma forma. Meus sentimentos foram
testados. E passaram com louvor. Pois em todo
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tempo, eu tinha a certeza que estava diante de uma


grande amiga, e não via a hora de você chegar para
lhe dizer isso, não que eu não soubesse, mas eu
queria que soubesse.
Vitor abriu a caixinha. E ansioso perguntou.
— Você aceita se casar comigo?
— Claro!
Vitor tremia quando colocou o anel no dedo
dela. Logo em seguida, tomou a boca dela com
paixão, ela sentiu o aperto em meus cabelos ficar
mais forte, mais possessivo enquanto a sua língua
aprofundava em um beijo repleto de desejo.
No momento seguinte ele a pegou no colo.
Carol sabia o que ia acontecer, a levando para o
quarto a depositou na cama e com os olhos cheios
de desejo, a beijou com paixão. Carol sentiu como
se seu corpo tivesse vontade própria, pois suas
mãos tocavam cada parte do corpo daquele homem
perfeito.

Epílogo
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Natália feliz sorria para Ricardo quando


a enfermeira depositou seu filho em seus braços.
Ela lhe ofereceu o peito que logo ele pegou,
guloso. Ele nascera com um peso bom e já tinha
bastante cabelo, negros iguais ao pai.
Natália ergueu o rosto para o marido,
que sorria para ela, com os olhos brilhando
pelas lágrimas.
As lágrimas correram por seus olhos
também, Ricardo a beijou na testa com muito
carinho.
Ricardo voltara a ser aquele homem com
que se casara, mas muito mais carinhoso e
quando ele disse que ia se redimir, ela não
duvidou, pois no fundo sempre soube do amor
de seu marido. E hoje entendia que fundo,
nunca abrira mão dele. Mesmo quando lhe
pediu o divórcio, era uma forma para ver se ele
acordava, e lutava pelo amor que eles tinham
um pelo outro.
Vitor nessa hora entrou com a esposa.
Carol estava grávida de cinco meses. Tinham
casado logo depois que ela e Ricardo se
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acertaram.
Com grande alegria viu ali, a família dela
toda reunida naquele quarto do hospital.

Fim

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