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A dimensão do educador, da ética, da política e do ensino na Educação de Jovens e

Adultos (EJA)

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) diferencia-se da educação regular devido as


suas especificidades. A EJA tem como finalidade educar os indivíduos que não tiveram a
oportunidade de estudar ou não conseguiram terminar o Ensino Fundamental e/ou Ensino
Médio na idade apropriada.

Nos dias atuais, a Educação de Jovens e Adultos ainda é vista como uma espécie de
preconceito, sendo necessário que todos os estudantes desempenhem atitudes de
investigações, aprofundamentos e criticidade para enfrentarem todas as barreiras e lutarem em
busca da sua realização pessoal, a fim de se empenharem para conseguirem atingir o bem
maior para sua vida, ou seja, o aprendizado.

Ao se pensar em Educação de Jovens e Adultos, torna-se necessário uma organização


do projeto político-pedagógico fundamentado tanto nas dimensões do educador, como da
ética, da política e também do ensino. Desta forma, a EJA requer uma equipe de profissionais
preparados não somente para suprirem ou compensarem a escolaridade perdida dos
estudantes, mas também para garantirem a permanência dos mesmos no ambiente escolar,
propiciando o desenvolvimento de cada indivíduo e facilitando sua inserção na sociedade e no
mundo profissional.

O desafio da alfabetização de jovens e adultos está diretamente relacionado à superação


de um dos problemas educacionais: as altas taxas de analfabetismo. O ato de alfabetizar
constitui-se como um fator principal, tanto na formação do ser humano como na
aprendizagem do mesmo.

Alfabetizar não é fácil, requer conhecimentos, habilidades e atitudes por parte dos
educadores. A alfabetização é a capacidade de identificar, compreender e interpretar, ou seja,
ela é um processo contínuo de aprendizagem. Ela permite que os indivíduos promovam a
socialização, atinjam os seus objetivos e desenvolvam os seus conhecimentos a partir das
experiências vivenciadas.

O analfabeto adulto atual vive em uma sociedade letrada e por isso suas exigências
culturais implícitas são as da linguagem alfabética. Embora ele tenha abandonado os estudos
ou até mesmo nunca tenha frequentado a escola, possui um “aprendizado informal”, o qual é
adquirido através das situações empíricas ao longo de sua vida.
Segundo Paulo Freire, educar é um ato político. A escola é uma instituição criada para
propiciar conhecimentos, e é nela onde se encontra o educador, o principal responsável por
ensinar e fazer com que esses conhecimentos sejam compreendidos pelos educandos.
Portanto, o ato de ensinar exige respeito, estética e ética, alegria e esperança, bom senso, a
troca de saberes e a rejeição de qualquer forma de discriminação.

No processo de alfabetização, os jovens e adultos devem aprender a ler e escrever.


Aprender ler e escrever é, acima de tudo, uma oportunidade que o ser humano tem para se
sentir um pouco mais cidadão. Um cidadão alfabetizado corretamente apresenta melhores
condições para buscar informações e adquirir inúmeros conhecimentos. Por esse motivo, o
aprendizado da leitura e da escrita não deve apenas acontecer pela repetição e imitação do que
é ensinado, e sim pela valorização dos saberes dos indivíduos que foram acumulados ao longo
de sua vida.

Como na alfabetização das crianças, a alfabetização de jovens e adultos requer clareza,


educadores capacitados e um método de ensino adequado. Caso contrário, a metodologia e a
didática utilizadas em sala de aula prejudicarão o alcance do objetivo desejado e o processo de
ensino-aprendizagem dos discentes. É notável que muitas vezes os educadores encontram-se
despreparados e inaptos para alfabetizarem os jovens e adultos e utilizam os mesmos métodos
que são aplicados para as crianças, dificultando a alfabetização desses indivíduos.

Os professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA), precisam se adaptar com as


mudanças, como a de receber em sua sala de aula estudantes com idade mais avançada, e que
na maioria das vezes ainda não sabem ler e nem escrever. Os educadores que se
comprometem com a Educação de Jovens e Adultos, devem ter uma dimensão ética e política,
além de buscar por mecanismos, métodos e teorias que estimulem os indivíduos a não
abandonarem a sala de aula.

O educador tem um papel extremamente importante na alfabetização dos jovens e


adultos, pois é ele que tem os meios e os conhecimentos de levar aos educandos a aquisição
da leitura e da escrita, auxiliando nas suas necessidades particulares e específicas. Ele possui a
função de mediar, estimular, compreender e buscar o crescimento pessoal e profissional do
educando. Além de ser um dos maiores incentivadores para compensar as dificuldades de uma
alfabetização tardia, também produz mudanças na consciência do educando, enxergando-o
como ser humano, não pela perspectiva do analfabetismo e sim pela sua constituição do
sujeito.
Os jovens e adultos se automotivam quando notam a transformação em sua
aprendizagem e percebem que o que estão aprendendo consegue ser aplicado em sua
realidade. Com isso, o alfabetizando se torna espectador, e consegue abrir o caminho para o
começo da reflexão crítica, ou seja, o caminho para o surgimento de sua autoconsciência.

Atualmente, cresce cada vez mais o número de pessoas alfabetizadas. No entanto, ainda
há muitas pessoas que não possuem qualquer nível de alfabetização e, que por esse motivo,
ficam à margem da sociedade, vivendo fora da zona de oportunidades, tanto no crescimento
pessoal como no mercado de trabalho.

O adulto por um fator biológico é reprodutor da espécie humana. Caso ele não tenha
frequentado a escola, ele irá ter dificuldades em garantir os direitos dos seus filhos,
prejudicando o desenvolvimento da criança. Se realmente temos a perspectiva de erradicar o
analfabetismo, a única forma de realizar esse sucesso é assegurando a alfabetização de todas
as crianças.

A alfabetização é um dos processos mais complexos e importantes na vida educacional


e social do ser humano. O conhecimento modifica o homem, por isso podemos considerar que
a EJA é capaz de transformar e mudar os indivíduos analfabetos.

Segundo Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as


possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. A educação é um processo
contínuo, ou seja, ela é um instrumento de mudança e é através dela que o ser humano
consegue compreender melhor a si mesmo e o mundo em que vive.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à prática educativa. 25ª


ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

VIEIRA PINTO, Álvaro. Sete lições sobre educação de adultos. 16ª ed. São Paulo: Cortez
Editora, 2010.

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