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MANUAL DE CAPACITACAO

EM PROJETOS DE SISTEMAS
DE AQUECIMENTO SOLAR

Ini

1
Curso de Aquecimento Solar
Manual do Professor
Unidade 1

A Energia Solar é responsável por praticamente todos os recursos energéticos disponíveis na


Terra como, por exemplo, petróleo, biomassas e energia eólica.

Entretanto, as aplicações práticas da Energia Solar são tratadas em sentido mais restrito,
incluindo-se apenas aquelas que decorrem da incidência da radiação solar sobre edificações
(Arquitetura Bioclimática) ou sobre coletores e painéis solares, denominadas aplicações
ativas. Tais aplicações exigem a instalação dos dispositivos de conversão em energia
térmica e fotovoltaica, respectivamente.

A dimensão bioclimática da Arquitetura tem sua maior atuação na área de projetos que
objetivam o melhor aproveitamento das condições naturais de iluminação e ventilação.
Dessa forma, busca-se aliar conforto, saúde e segurança dos usuários com redução do
consumo de energia elétrica nas edificações.

Com base em sua experiência anterior, vamos construir juntos um fluxograma das
aplicações práticas da Energia Solar.

Energia Solar

Figura 1.1 – Fluxograma das Aplicações Práticas da Energia Solar

2
O escopo do curso Aquecimento Solar– Manual do Professor está restrito ao aquecimento de
água em temperaturas inferiores a 70ºC.

Dentre os setores consumidores de energia citados a seguir, identifique processos e


equipamentos que utilizam água aquecida até 70ºC:

USOS FINAIS - ÁGUA AQUECIDA

Setor Residencial

Setor Comercial

Setor Industrial

O conteúdo programático do curso pode ser resumido no diagrama de blocos a seguir:

A primeira parte do manual trata dos conceitos teóricos da radiação e geometria solares,
visando otimizar a captação da energia solar incidente. Em termos práticos, estes conceitos
serão muito importantes na decisão sobre a melhor inclinação e orientação dos coletores
solares em cada obra as quais variam com a localização da cidade em questão.

O segundo e terceiro blocos Transferência e Armazenamento referem ao estudo do coletor


solar e do reservatório térmico, respectivamente. Serão discutidos os respectivos balanços de
energia, materiais e parâmetros de projeto recomendados, além da apresentação do
Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO.

No bloco Dimensionamento, será dada ênfase às peculiaridades regionais do uso de água


quente em residências para diferentes classes econômicas. Sabe-se que em aplicações
comerciais e industriais o volume diário de água quente requerido é, normalmente, pré
definido pelo processo ou cliente.

O último bloco Distribuição será dedicado às peculiaridades das instalações solares de


pequeno, médio e grande portes, sendo incluído aspectos técnicos inerentes à hidráulica de
água quente.

A otimização de cada bloco e de sua inter-relação com os demais serão fundamentais para
garantir a qualidade de uma instalação de aquecimento solar de água.

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Como referência para estudos aprofundados recomendamos a consulta ao livro Solar
Engineering of Thermal Processes de Duffie e Beckman e cuja nomenclatura será adotada
nas unidades desenvolvidas neste curso.

No anexo III encontra-se um relatório do mercado brasileiro de aquecimento solar que será
reeditado a cada ano.

IMPORTANTE: Este manual é uma versao preliminar e ainda será revisado.


Comentarios, sugestões, perguntas e críticas devem ser enviadas para
cidadessolares@cidadessolares.org.br

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Unidade 2

O aquecimento Solar e a Conservação de Energia Elétrica

Desde o racionamento de energia elétrica de junho de 2001, estão sendo feitas várias
previsões, algumas otimistas e outras bastante sombrias, sobre o cenário energético
brasileiro : prazos e custos relativos à construção de novas hidrelétricas e termelétricas a gás
natural e aumento de tarifas para compensação dos novos custos operacionais ou de perda
de receita das concessionárias de energia elétrica.

O aquecimento de água em chuveiros elétricos no setor está presente em cerca de 70% das
residências brasileiras. Nas regiões Sul e Sudeste seu uso atinge, praticamente, a totalidade
das residências.

No diagrama de blocos a seguir, represente a forma convencional de geração de água quente


no país, a partir das fontes primárias de energia, usualmente empregadas em nossa matriz
energética :

Concluímos, assim, que no Brasil a geração de eletricidade é essencialmente renovável e


esforços têm sido feitos no sentido de se preservar tal “privilégio”, através da criação de
mecanismos legais de incentivo ao uso de fontes renováveis complementares como
biomassa, eólica, pequenos aproveitamentos hidrelétricos e solar.

Neste ponto, devemos ressaltar que o aquecimento solar de água em substituição ao chuveiro
elétrico não tem sido entendido por técnicos e legisladores brasileiros como uma forma de
geração de energia, mas apenas como uma medida eficiente de conservação e uso racional
de energia.

Entretanto, estudos realizados em várias concessionárias de energia elétrica do país têm


atribuído ao chuveiro elétrico e ao nosso hábito de banho diário, normalmente em horário
concentrado ao final do dia, a participação de 25 a 50% no aumento acentuado de potência
elétrica requerida entre 17 e 21 horas. Esse período é conhecido como horário de pico,
mostrado na figura 2.1.

Em relação ao consumidor final, a substituição do chuveiro elétrico pelo aquecedor solar


garante efetiva redução no consumo mensal de energia, sem comprometimento de seu nível
de conforto e qualidade de vida.

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Figura 2.1 – Curva de Demanda Desagregada por Setor da Economia

Com base na experiência já acumulada no Brasil, com a instalação de mais de 3,2 milhões
de metros quadrados de área coletora, pode-se afirmar que a substituição dos chuveiros
elétricos por aquecedores solares só tem apresentado vantagens, para todos os setores
envolvidos, cujos benefícios e impactos positivos pode ser assim resumidos:

Para a Concessionária de Energia: permite a criação de programas eficientes de


Gerenciamento pelo Lado da Demanda- GLD, com atenuação e deslocamento do pico de
demanda que ocorre normalmente entre 17 e 21h, com garantia da qualidade de produtos,
projetos e dos resultados a serem obtidos.

Para o consumidor residencial: verifica-se uma acentuada redução na conta mensal de


energia, entre 30 e 50%, mantendo-se o mesmo nível de conforto, destacando-se inclusive a
garantia de atendimento a eventuais metas de consumo que possam ser novamente
estabelecidas para o setor residencial.

Para o setor produtivo: redução de custos operacionais, aumento de eficiência e


competitividade, redução de impactos ambientais nas plantas industriais atualmente em
operação, decorrentes do uso do aquecimento solar.

Para o setor educacional: qualificação de professores e estudantes em eficiência energética,


com ênfase ao aquecimento solar, de forma a disseminar conceitos e tecnologias
importantes e que não fazem parte dos currículos atuais.

Para os profissionais: participação em programas efetivos de qualificação e treinamento,


modificando positivamente seu perfil e área de atuação, além da ampliação de postos de
trabalho.

Para o país: investimentos podem ser postergados ou utilizados em outros setores vitais, o
meio ambiente é protegido, além da geração de empregos locais, inerentes à fabricação e
instalação de aquecedores solares.

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Unidade 3

Captação da Energia Solar

O objetivo dessa unidade é estudar a radiação solar e sua geometria, visando maximizar a
radiação incidente no plano do coletor solar função de:
- localidade em estudo (latitude geográfica);
- época do ano;
- hora do dia;
- inclinação e orientação dos coletores

Inicialmente, vamos conhecer um pouco mais sobre esta fonte de energia inesgotável e não-
poluente.

3.1 - O SOL

O Sol é uma esfera de 695 000 km de raio e massa de 1,989 x 1030 kg, cuja distância
média da Terra é de 1,5x1011 metros. Sua composição química é basicamente de hidrogênio
e hélio, nas proporções de 92,1 e 7,8%, respectivamente.

A energia solar é gerada no núcleo do Sol, através de reações de fusão nuclear quando
quatro prótons de hidrogênio se transformam em um átomo de hélio, sendo liberada grande
quantidade de energia. Veja figura 3.1. Nesta região, a temperatura do Sol chega a atingir 15
milhões de graus Celsius, enquanto na superfície seu valor é ordem de 6000K.

Figura 3.1 – O Sol


Fonte : http://www.if.ufrgs.br/ast/solar/portug/sun.htm

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Constante Solar e as Componentes da Radiação Solar

A radiação solar percorre a distância Terra-Sol sem alterar sua direção, de acordo com os
princípios da propagação de ondas eletromagnéticas, até atingir a atmosfera da Terra.

Denomina-se Constante Solar – Gsc – o fluxo de energia radiante, expresso em W/m2, que
incide normalmente ao plano de uma superfície colocada fora da atmosfera terrestre,
conforme apresentado na figura 3.2. Segundo Duffie e Beckman, seu valor mais atual é
1367 W/m2.

Figura 3.2 – A constante solar


Fonte : ADEME, 2002

Ao atravessar essa atmosfera, parte dos raios mantém sua direção original até atingir o solo.
Esta componente recebe o nome de radiação solar direta. O restante dos raios sofre
espalhamento, absorção ou reflexão na atmosfera por seus diferentes componentes, como
ozônio, vapor de água, dióxido de carbono, além da presença eventual de nuvens e aerossóis,
mostrados na figura 3.3. Esta componente é denominada radiação solar difusa .

Figura 3.3 – Atenuação da radiação solar ao atravessar a atmosfera terrestre


Fonte : http://www.ucar.edu/learn/1_3_1.htm

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Figura 3.3 – Componentes da Radiação Solar
Fonte : ADEME, 2002

Os movimentos da Terra e as estações do ano

Os movimentos da Terra, mostrados nas figuras 3.4 e 3.5, podem ser sucintamente descritos
como :

- movimento de rotação em
torno de seu próprio eixo com
período de aproximadamente
24 horas

Figura 3.4 – Movimento de Rotação da Terra


Fonte : http://www.ucv.mct.pt/equinocio/lat_long/cap2.asp

- movimento de translação em torno do Sol, em uma órbita elíptica cujo período orbital é de
365,256 dias

Figura 3.5 – Movimento de Translação da Terra


Fonte : http://www.ucv.mct.pt/equinocio/lat_long/cap2.asp

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O ângulo formado entre a vertical ao plano da órbita e o eixo Norte –Sul, mostrado na figura
3.6, é de 23º 27´, ou seja, 23,45º, definindo, assim, regiões e épocas do ano com maior nível
de incidência da radiação solar.

No caso específico do Hemisfério Sul, os solstícios e equinócios são :

- Solstício de Verão : 22 de dezembro


- Equinócio de Outono : 21 de março
- Solstício de Inverno : 21 de junho
- Equinócio de Primavera : 23 de setembro

Figura 3.6 –A órbita da Terra


Fonte : http://members.tripod.com/meteorologia/estacao.html

Para o perfeito entendimento do movimento relativo entre a Terra e o Sol, recomenda-se a


alteração do sistema de coordenadas para as coordenadas equatoriais, mostrado na figura
3.7. Neste caso, o movimento é feito em torno de eixos paralelos ao eixo de rotação e ao
Equador, sendo uma de suas coordenadas a declinação solar (δ ).

Figura 3.7 –Coordenadas Equatoriais


Fonte : http://www.pgie.ufrgs.br/portalead/astgeo/sistcrds.htm

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A declinação solar é análoga à latitude e, portanto, δ = 0° corresponde a qualquer ponto
sobre o equador celeste. Veja a figura 3.8. Valores negativos correspondem a pontos do
hemisfério Sul e positivos ao hemisfério Norte.

A declinação solar pode ser obtida pela equação de Cooper na forma:

 284 + d 
δ = 23,45 o sen  2π  (3.1)
 365 

na qual d corresponde ao dia do ano, sendo igual a unidade, em 1º de janeiro. Portanto, o


parâmetro d varia de 1 a 365. Na figura 3.9, mostramos o gráfico da declinação solar para os
meses do ano.

Figura 3.8 –Declinação Solar


Fonte : http://www.pgie.ufrgs.br/portalead/astgeo/sistcrds.htm

30
Declinação solar (graus)

20

10

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
-10

-20

-30
Meses do ano

Figura 3.9 –Declinação Solar para os meses do ano

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3.2 – GEOMETRIA SOLAR

O estudo da geometria solar será desenvolvido de forma bastante aplicada e objetiva, sendo
dividido em duas partes. A primeira trata das condições físicas de instalação na obra e a
segunda parte refere-se aos ângulos solares propriamente ditos.

Ângulos relativos à instalação dos coletores solares

Inclinação do coletor (β β ): é o ângulo formado pelo plano inclinado do coletor solar e o


plano horizontal, expresso em graus e mostrado na figura 3.10.

Figura 3.10 – Inclinação do Coletor Solar

Na construção civil e arquitetura é bastante comum expressar o ângulo de inclinação em


porcentagem. Neste caso, devemos fazer a correção necessária com base em cálculos
trigonométricos simples.

Exemplo 3.1:
Determine o ângulo de inclinação do telhado da figura 3.9, projetado com
uma inclinação de 35%.

Solução

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Ângulo azimutal de superfície (γγ): corresponde ao ângulo formado entre a direção norte-
sul e a projeção no plano horizontal da reta normal à superfície do coletor solar, de acordo
com a figura 3.11. Seu valor varia na faixa ( -180º ≤ γ ≤ 180º ), de acordo com a convenção:
γ = 0: para o Sul γ < 0: passando pelo leste γ > 0: passando pelo oeste

Figura 3.11 - Ângulo Azimutal de Superfície

Este ângulo permite avaliar o período efetivo de insolação sobre a bateria de coletores
solares.

Exemplo 3.2
Um coletor solar é instalado de tal maneira que o ângulo azimutal de superfície seja
igual a (-90ºC) .

Solução:
a)Represente a rosa dos ventos e trace a normal ao plano do coletor solar em relação
aos pontos cardeais.

b)Discuta sobre a incidência das componentes direta e difusa no coletor solar ao longo
de um dia.

c) No caso de orientação ao arquiteto na concepção do telhado, qual recomendação


você faria para garantir o maior número de horas possível de incidência da radiação

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solar?

Norte magnético e Norte Geográfico

Em todo o estudo da geometria solar, quando mencionamos o Norte, estamos sempre


fazendo referência ao norte verdadeiro ou geográfico. Assim sendo, o instalador deverá
fazer a correção da declinação magnética a partir da indicação do Norte Magnético pela
bússola. Essa correção varia localmente e é dada na tabela 3.1 para as capitais brasileiras.
Tabela 3.1 – Declinação magnética para as capitais brasileiras
Declinação magnética
Capital
(em graus)
Porto Alegre -14,74
Florianópolis -17,46
Curitiba -17,3
São Paulo -19,6
Belo Horizonte -21,5
Rio de Janeiro -21,4
Vitória -22,8
Salvador -23,1
Aracaju -23,1
Maceió -22,9
Recife -22,6
João Pessoa -22,4
Natal -22,1
Fortaleza -21,6
Teresina -21,4
São Luis -20,7
Belém -19,5
Macapá -18,5
Palmas -19,9
Manaus -13,9
Boa Vista -14,0
Porto Velho -10,6
Rio Branco -7,34
Goiânia -19,2
Cuiabá -15,1
Campo Grande -15,2
Brasília -20,0

Ângulos relativos à geometria solar

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O escopo deste item será bastante direcionado aos objetivos finais deste curso e, assim
sendo, vamos estudar apenas os ângulos horário, zenital e o ângulo de incidência da
radiação direta imprescindíveis ao cálculo da radiação solar incidente para inclinação e
orientação arbitrárias.

Ângulo horário (ω): corresponde ao deslocamento angular do Sol em relação ao


meridiano local devido ao movimento de rotação da Terra. Como a Terra completa 360o em
24 horas, tem-se um deslocamento de 150 / hora para a seguinte convenção:

ω = 0: 12 horas
ω > 0: período da tarde
ω < 0: período da manhã

Assim, às 06:00h o ângulo horário é igual a -90º; enquanto que às 16:00h, seu valor é de
+60º.

Ângulo zenital (θz): é o ângulo formado entre a vertical (zênite) em relação ao


observador e a direção do Sol, mostrado na figura 3.12. O ângulo zenital varia entre 0º e
90º, sendo calculado pela seguinte equação :

cos θ z = sen δ sen φ + cos δ cos φ cos ϖ (3.2)

Exemplo 3.3
Determine o ângulo zenital para Natal/RN do dia do solstício de inverno :
a) 12 e b) 18 horas.

Solução :
para 12 horas, o ângulo horário é nulo e seu cosseno é igual a 1. Assim, a
equação 3.2 se reduz a:

cos θ z = sen δ sen φ + cos δ cos φ

Como : Latitude de Natal : φ =


Solstício de Inverno : δ =

Tem-se : cos θ z =
θz=

b)

15
θz

Figura 3.12 - Ângulo Zenital

Para determinar a hora do nascer e do pôr-do-sol, correspondente aos ângulos horários (-ωs
) e (+ωs), o ângulo zenital é igual a 90º. Assim, a equação 3.2 se reduz a:

cos ω s = - tanφ tanδ


(3.3)

ω s = arcos (- tanφ tanδ )

Exemplo 3.3
Determine a hora do nascer e do pôr-do-sol em Natal, no dia 15/07 e calcule o
período teórico de insolação nesta cidade, em horas

Solução :
a)

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Conclui-se que o período teórico de horas de insolação (N) pode ser calculado pela seguinte
equação:

(3.4) 2
N= arcos (- tanφ tanδ )
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Ângulo de incidência da radiação direta (θ): é o ângulo formado entre a normal à


superfície e a reta determinada pela direção da radiação direta, como representa a figura
3.13. Sua variação é: 0º ≤ θ ≤ 90º . O ângulo de incidência da radiação direta sobre uma
superfície com determinada orientação e inclinação é calculado pela equação:

cos θ = senδ senφ cos β - sen δ cos φ sen β cosγ +


+ cos δ cos φ cos β cos ω + cos δ sen φ sen β cos γ cos ω (3.5)
+ cos δ senβ sen γ sen ω

Figura 3.13 - Ângulo de Incidência da Radiação Solar Direta

Vamos fazer algumas simplificações para fixação do uso da equação 3.5:

Para superfície horizontal - β = 0

Fazendo-se sen β = 0 e cos β = 1, a equação 3.5 é reduzida a:

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cos θ = senδ senφ + cos δ cos φ cos ω

Verifique que, neste caso, o ângulo de incidência coincide com o ângulo zenital.

Para ângulo azimutal de superfície γ = 180º

Fazendo-se sen γ = 0 e cos γ = -1, a equação 3.5 é reduzida a:

cos θ = senδ senφ cos β + sen δ cos φ sen β +


+ cos δ cos φ cos β cos ω - cos δ sen φ sen β cos ω

Acompanhe o algebrismo a seguir: .

cos θ = sen δ (sen φ cos β + cos φ sen β) +


+ cos δ cos ω (cos φ cos β - sen φ sen β )

cos θ = sen (φ + β) sen δ + cos (φ + β)cos δ cos ω

Para o meio-dia solar ω = 0 e γ = 180º

Fazendo-se sen ω = 0 e cos ω = 1, a equação 3.5 é reduzida a:

cos θ = sem δ sem φ cos β + senδ cos φ sen β +


+ cos δ cos φ cos β - cos δ sen φ sen β

cos θ = cos β (senδ senφ + cos δ cos φ)


- sen β (cos δ sen φ - sen δ cos φ)

cos θ = cos (φ - δ) cos β - sen (φ - δ) sen β

cos θ = cos [(φ - δ + β) ]

θ = (φ - δ + β ) ou θ = (-φ + δ - β )

3.3 - CÁLCULO DA RADIAÇÃO SOLAR GLOBAL INCIDENTE SOBRE


SUPERFÍCIE INCLINADA – MÉDIA MENSAL

Duffie e Beckman [1991] apresentam, em detalhes, toda a teoria sobre modelos de


estimativa da radiação solar em suas componentes e para médias horárias, diárias e mensais.

Neste curso, vamos discutir apenas a metodologia de cálculo da radiação global em média
mensal, visto que este cálculo permitirá escolher a face do telhado mais favorável à
instalação dos coletores solares.
A equação proposta por Duffie e Beckman [1991] é:

 HD  1 + cosβ   1 − cosβ 
HT = H 1 -  RB + HD  18  + H ρg   (3.6)
  2   2 
 H 
onde HT : radiação solar global incidente no plano inclinado;

H: radiação solar global incidente no plano horizontal;

HD : radiação solar difusa incidente no plano inclinado; (em todos os casos, a barra
superior corresponde às médias mensais das radiações)

ρg: reflectância da vizinhança nas proximidades do coletor solar, cujos


valores são fornecidos na tabela 3.2, a seguir.

RB : razão entre a radiação extraterrestre incidente no plano inclinado e na horizontal,


sendo calculada pela equação 3.7:


= 180
ω ) (senδ senφcos β − sen δ cos φ sen β cos γ ) + sen ω cos δ(cos φ cos β + sen φ sen β cos γ )
´
s
´
s

cos φ cos δ sen ω + (π 180 ω ) (sen δ sen φ)


RB
s s

onde ω´s corresponde ao por-do-sol aparente para a superfície inclinada, dado pela
equação:

cos -1 (- tanφ tanδ ) 


ω´s = mínimo  
cos (- tan(φ + β) tanδ )
-1

Tabela 3.2 – Reflectância de Materiais

Material ρg
Terra 0,04
Tijolo Vermelho 0,27
Concreto 0,22
Grama 0,20
Barro / Argila 0,14
Superfície Construção Clara 0,60
Fonte : Siscos [1998]

Agora, vejamos passo a passo a metodologia de cálculo :

Etapa 1 - Cálculo da radiação solar extraterrestre - H o

19
=
24 x 3600 G sc   2 πd  
 1 + 0,033 cos    (cos φ cos δ sen ω s + ω s sen φ sen δ ) (3.8)
H 0 π   365  

Etapa 2 - Cálculo da radiação solar global incidente no plano horizontal - H

Caso essa informação não esteja disponível, recomenda-se sua estimativa pelo Modelo de
Bennett [1965]. Sua equação é expressa por:

H n
= a +b +ch (3.9)
Ho N

onde: h: altitude da estação (medidas em quilômetros)


a, b, c: coeficientes empíricos determinados a partir de dados observados e dados na tabela
3.3.

Tabela 3.3 - Coeficientes empíricos de correlação de


Bennett Modificada
Mês a b c
Janeiro 0.225 0.4812 0,0007
Fevereiro 0.221 0.5026 0,0006
Março 0.221 0.5142 0,0005
Abril 0.188 0.5574 0,0005
Maio 0.197 0.5423 0,0004
Junho 0.235 0.4780 0,0004
Julho 0.264 0.4386 0,0004
Agosto 0.291 0.3768 0,0006
Setembro 0.260 0.4242 0,0006
Outubro 0.235 0.4744 0,0005
Novembro 0.207 0.4816 0,0007
Dezembro 0.237 0.4343 0,0007
Fonte : Nunes et al. [1976]

Etapa 3 - Cálculo da radiação solar difusa incidente no plano horizontal - H D

Modelos mais comuns para decompor a radiação solar em suas componentes direta e difusa
baseiam-se no índice de claridade em média mensal K T, definido pela equação:

H
KT =
Ho

na qual H é a radiação global diária média mensal e H o é a radiação extraterrestre, ambas


incidentes em superfície horizontal e já definidas anteriormente.

Collares-Pereira e Rabl propuseram para cálculo da componente difusa em média mensal,


com base no índice de claridade em média mensal.

20
=0 ,775 + 0,00606 ( ω s - 90) - [0,505 + 0,00455 * ( ω s - 90) ] * cos( 115 K T − 103 )
Hd
H

Etapa 4 – Cálculo da razão RB

Etapa 5 – Cálculo de HT pela equação 3.6

A aplicação deste procedimento será exemplificada em atividades do Grupo de Discussão.

21
Unidade 4

O Coletor Solar Plano

4.1 - TRANSFERÊNCIA DE CALOR NO COLETOR SOLAR

Um coletor solar plano é constituído basicamente por uma superfície absorvedora, capaz de
captar a radiação solar incidente e transferir calor para o fluido que se deseja aquecer. No
coletor solar busca-se, sempre, a maximização da energia absorvida e a minimização das
perdas desta energia.

Analisemos, então, como ocorrem as transferências de calor no coletor solar.

Mecanismos de troca de calor

Condução

Convecção

Radiação

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Sol-vidro:

tubos - água:

placa - meio ambiente:

Placa- meio ambiente

Figura 4.1 - Vista lateral de um coletor solar

• a energia solar é absorvida pela placa coletora que se aquece e, devido à diferença de
temperatura entre a placa e o ambiente, passa a trocar calor com o meio externo;
• a fim de reduzir estas trocas de calor com o meio, a escolha de materiais adequados é de
extrema importância no projeto do coletor;
• para reduzir as perdas de calor pela base e laterais do coletor a placa é colocada no
interior de uma caixa revestida internamente por material isolante. Os materiais mais
utilizados, juntamente com suas condutividades térmicas estão listados no quadro abaixo;

Materiais isolantes Condutividade


Térmica (W/m.K)
Lã de vidro 0,038
Lã de rocha 0,040
Espuma rígida de 0,026
poliuretano

• são fatores importantes a serem observados quando da escolha do isolamento:


• espessura necessária - influência no peso final do coletor solar e nos custos envolvidos;
→ quanto menor a condutividade térmica, menor a espessura do isolamento necessária para
que se tenha a mesma perda de calor!
• toxidez, inflamabilidade, resistência mecânica;
• a caixa externa, que suporta todo o conjunto e recebe o revestimento isolante deverá ser
resistente ao transporte e intempéries. É geralmente construída em perfil de alumínio, chapa
dobrada ou material plástico;
• se a superfície absorvedora é deixada em contato direto com o ar ambiente, além das
perdas relacionadas à radiação, serão significativas as perdas convectivas, reduzindo-se a
temperatura de operação. É o caso dos coletores utilizados no aquecimento de piscinas, que
são abertos ao ambiente uma vez que não necessitam aquecer a água a temperaturas muito
elevadas;
• o isolamento térmico do topo do coletor, onde são elevadas as perdas de calor por
radiação e convecção, deve ser feito através de um material que, colocado entre a placa
absorvedora e o ar ambiente, seja transparente à radiação solar e, simultaneamente, opaco à
radiação emitida pela placa coletora. O vidro e alguns materiais sintéticos se prestam a esta
função, servindo de cobertura aos coletores e, ainda, protegendo-os das intempéries aos
quais estão permanentemente expostos;

23
• tendo em vista que o topo do coletor é o local por onde toda a energia solar é captada e,
ao mesmo tempo, por onde ocorrem as maiores perdas térmicas para o meio externo, atenção
especial será dada, a seguir, às características espectrais tanto da cobertura como da placa
absorvedora.

4.2 - A CAPTAÇÃO DO CALOR RADIANTE

Todos os corpos emitem radiação térmica dependente de sua temperatura, sendo que quanto
maior a temperatura, menor o comprimento de onda da radiação emitida. A temperatura do
Sol é estimada em milhões de graus, mas a radiação por ele emitida é equivalente àquela de
um corpo a 5800K, com comprimentos de onda de 0 até 3µm, compreendendo a faixa da
radiação ultra violeta, visível e parte do infravermelho. Esta é a chamada Banda Solar.
A figura abaixo representa a variação, com o comprimento de onda, da potência emissiva
espectral da radiação solar (Ebl), que é a energia emitida por unidade de tempo e área por um
corpo negro à temperatura T. Este valor é calculado pela Lei de Planck e o gráfico evidencia,
para um corpo a 5900K, a faixa de comprimentos de onda da radiação emitida.

Figura 4.2 - Potência emissiva do Sol


Fonte: http://www2.cptec.inpe.br/satelite/metsat/pesquisa/radsat/radsol.htm

O valor do comprimento de onda para o qual a potência emissiva espectral da radiação


emitida por um corpo é máxima, é função da sua temperatura e pode ser calculado através da
Lei de deslocamento de Wien:

λ maxT = 2898 (µm.K) (4.1)


Para o Sol, considerando a temperatura de 5800K, λmax = 0,5µm. Ou seja, o Sol emite
radiação numa faixa de 0 a 3mm, sendo que a potência emissiva máxima ocorre para a
radiação de 0,5mm. Admitindo, agora, que a placa coletora atinja uma temperatura média de
100oC (373K), pela Lei de deslocamento de Wien λmax = 7,8µm. Assim, como esperado, a

24
potência máxima da radiação emitida pela placa tem um comprimento de onda maior que a
radiação solar estando a banda de emissão da placa absorvedora além da Banda Solar.

1mm
3mm

comprimento de onda, nm

Estas características espectrais são fundamentais na escolha dos materiais mais adequados
aos coletores solares, como a tinta de revestimento da placa absorvedora e o vidro utilizado
como cobertura dos coletores.

Figura 4.3 - Transmitância do vidro


Fonte: http://www.eriesci.com/products&services/CustomGlass/evr-tech.html

1,2

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

µ m)
Comprimento de onda (µ

Figura 4.4 - Comportamento espectral do óxido de cromo


Fonte: Adaptação de Duffie e Beckmann [1991]

O conjunto final, como pode ser visto na figura abaixo, fica assim constituído:

25
Cobe rtura

Aleta

F la uta

Isolame nto

Ca ix a

Figura 4.5 - Componentes do Coletor Solar

4.3 - EFICIÊNCIA TÉRMICA DE COLETORES SOLARES

A eficiência térmica dos coletores solares é definida como a razão entre a taxa de calor
efetivamente transferido para a água e a energia radiante incidente na superfície do coletor.

Qutil Qutil
η= = (4.2)
Qincidente G. Aext

onde:
Qútil: taxa de calor transferido para a água, W
Qincidente: taxa de calor radiante incidente na superfície do coletor, W
G : Radiação global incidente no plano do coletor, W/m2
Aext: área externa total do coletor, m2

A Eficiência Térmica pelo Método Direto

Na prática, o calor útil transferido à água dos coletores pode ser calculado através das
medidas da vazão de água nos coletores e das temperaturas de entrada e saída do fluido uma
vez que, da Primeira Lei da Termodinâmica, tem-se que:

Qútil = m& c p (T fs − T fi ) (4.3)


onde
m& : vazão mássica da água através do coletor solar, kg/s
cp : calor específico à pressão constante da água, igual a 4180 J/kg oC, para a faixa comum
de operação

26
Tfi e Tfs : temperatura da água à entrada e à saída do coletor, respectivamente

Medindo-se, ainda, a radiação global no plano do coletor (G), a eficiência térmica pode ser
calculada de acordo com a equação 4.2:

Qutil
η= (4.2)
G. Aext

A Eficiência Térmica pelo Método das Perdas

Balanço de Energia Global

Na figura abaixo estão representados, quantitativamente os fluxos de energia em um coletor


solar, evidenciando a grandeza da energia incidente e das perdas que normalmente ocorrem
no conjunto.

Perdas no Topo (347)


20 o C Perdas óticas Perdas térmicas
(121) (226)

Fluxo
40 o C incidente

65 o C absorvedor Fluxo útil

Fluxo Perdas Base


(W/m2) 50

Figura 4.6 - Diagrama esquemático dos fluxos de energia no coletor solar


Fonte : adaptado de ADEME, 2002

Em Regime Permanente:

Qútil = Qabsorvido − Q perdas (4.4)

27
Q útil: taxa de calor transferido para a água
Q absorvido: parcela da radiação incidente que é absorvida pela placa absorvedora
Q perdas: taxa de calor perdido pela base, laterais e topo do coletor

Calor absorvido

Qabsorvido = τ cα p G A (4.5)

A: área da placa coletora, m2


G: radiação solar global incidente no plano do coletor, W/m2
τc: transmissividade da cobertura transparente
αp: absortividade da placa coletora

Calor perdido

O calor é perdido pela base, laterais e, principalmente, pelo topo do coletor. Assim,

Q perdas = Qtopo + Qbase + Qlaterais (4.6)

Qtopo: convecção e radiação


Qlaterais e Qbase: predominantemente por condução através do isolamento

Admitindo que a força motriz responsável pelas perdas de calor é a diferença de temperatura
entre a placa (Tp) e o meio ambiente (Tamb), pode-se escrever:

Q perdas = U L A (T p − Tamb ) (4.7)

Sendo UL o coeficiente global de perdas de calor, igual à soma dos coeficientes individuais
do topo, base e laterais:

U L = U topo + U base + U laterais (4.8)

A taxa de calor útil, transferido para a água é então:

Qutil = A [τ cα p G − U L (T p − Tamb )] (4.9)

Neste ponto, pode-se calcular a Eficiência do Coletor, como visto acima:

Qutil Qutil
η= = (4.2)
Qincidente G. Aext

28
No entanto, esta forma de equacionamento do calor útil não é vantajosa, uma vez que tem
como parâmetro a temperatura média da placa absorvedora, de difícil cálculo e medição
posto que é dependente de parâmetros de projeto e condições operacionais. Define-se então
o Fator de Remoção de Calor do Coletor Solar, como a razão entre o calor útil real e o calor
útil máximo que seria transferido para a água. Esta seria uma situação hipotética quando
toda a placa estivesse à temperatura de entrada do fluido no coletor (as perdas de calor da
placa para o meio seriam mínimas):

Qútil
FR = (4.10)
Q útil (máximo )

Analisemos um pouco mais o Fator de Remoção de Calor do Coletor Solar através do


exemplo a seguir.

Exemplo 4.1 –
Para as duas situações apresentadas a seguir, discuta qualitativamente o valor esperado para
o fator de remoção de calor.

saída de água saída de água


35oC o
Tinicial da placa: 70 C 25,1oC
Tp = 40o C o
Tp = 25,2o C
Tamb = 25 C

entrada de água entrada de água


(1) 25oC (2) 25oC

Então,
Qutil ( máximo) = A [τ cα p G − U L (T fi − Tamb )] e (4.11)

Qútil = FR A [τ cα p G − U L (T fi − Tamb )] (4.12)

29
A Eficiência do Coletor Solar pode, finalmente, ser dada por:

A  FRU L (T fi − Tamb ) 
η=  F R τ cα p −  (4.13)
Aext  G 

Os gráficos de η versus (Tfi-Tamb)/G serão ricos em informações uma vez que a equação
acima tem a forma da equação de uma reta cujo termo independente e inclinação são dados
por:

A
inclinação = − . FRU L (4.14)
Aext

A
termo independente = . FRτ cα p (4.15)
Aext

Conhecendo-se o significado da inclinação e do ponto onde as retas tocam o eixo das


ordenadas, é possível, então, avaliar aspectos importantes relativos ao coletor como as
perdas térmicas e, principalmente, o Fator de Remoção de Calor, pontos de partida para a
identificação e otimização de parâmetros críticos ao desempenho de todo o sistema.
Eficiência Térmica (%)

100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
-0,020 0,000 0,020 0,040 0,060
(Tfi - Tamb)/G

Figura 4.7 - Curva de Eficiência Térmica Instantânea de Coletores Solares

O Fator de Remoção de Calor

Duffie e Beckmann (1991) obtiveram uma expressão analítica para o Fator de Remoção,
cuja forma final evidencia sua dependência tanto com fatores de projeto como operacionais:

30
m& c p   AU L F '  
FR = 1 − exp −  (4.16)
A .U L   m& c p 
  
onde
m& : vazão mássica do fluido, kg/s
cp : calor específico à pressão constante do fluido em J/kg oC
F’: Fator de Eficiência do Coletor, calculado por:

1
UL
F'= (4.17)
 1  1
W  + R ' cont +
U L [D + (W − D) F ] πDi h f ,i

onde
W: espaçamento entre os tubos;
D: diâmetro externo dos tubos;
Di: diâmetro interno dos tubos;
F: eficiência das aletas;
R'cont: resistência de contato entre a placa absorvedora (aletas) e os tubos, por unidade de
comprimento, na direção do escoamento do fluido;
hf,i: coeficiente convectivo de transferência de calor entre a superfície interna dos tubos e o
fluido, calculado a partir de equações clássicas de transferência de calor;

O Fator de Eficiência do Coletor é, então, fortemente dependente:

• de parâmetros de projeto como o diâmetro e o espaçamento entre os tubos;


• de parâmetros de fabricação, como é o caso do contato entre a aleta e os tubos. Este
contato deve ser tal que minimize a resistência e facilite a transferência do calor da aleta
para os tubos; quanto maior esta resistência, menor será F';
• da eficiência das aletas

Destaca-se, aqui, a importância de uma alta eficiência das aletas para que se obtenha uma
alta eficiência dos coletores e, conseqüentemente, um elevado fator de remoção de calor,
haja vista que teremos sempre:

F > F’ > FR

Influência dos Parâmetros de Projeto na Eficiência das Aletas e Coletores

Nos gráficos abaixo, é analisada a variação da eficiência das aletas com o tipo do material e
a espessura da placa utilizada.

31
1

0,9

0,8

0,7

0,6

F 0,5
0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 1 2 3 4 5

[UL/(kplaca δ placa )]1/2 Laleta

Figura 4.8 - Eficiência das aletas

Otimização da Aleta de Coletores Solares

0,70
Espessura Mínima da Placa (mm)

Alumínio
0,60

0,50
UL = 6,5W/m2 ºC
0,40

0,30

0,20 Cobre

0,10

0,00
5 6 7 8 9 10 11 12

Nº de tubos/metro linear

Figura 4.9 (a) - Influência dos parâmetros de projeto - coletor tipo B

32
Otimização da Aleta de Coletores Solares
2,50
Espessura Mínima da Placa
2,00 Alumínio

UL = 6,5W/m 2 ºC
1,50
(mm)

1,00

Cobre
0,50

0,00
5 6 7 8 9 10 11 12

Nº de tubos / metro linear

Figura 4.9 (b) - Influência dos parâmetros de projeto - coletor tipo A

Para o aumento da eficiência das aletas é, então, recomendável:

- materiais de alta condutividade térmica, como cobre e alumínio


- placas de maior espessura
- maior número de tubos por metro linear de coletor solar a fim de reduzir o
espaçamento entre os mesmos.

33
Unidade 5

O Reservatório Térmico
O reservatório térmico tem como função armazenar a água aquecida nos coletores evitando
ao máximo a perda de calor do fluido para o meio externo.

O primeiro passo na escolha do reservatório adequado a cada projeto consiste na


determinação de seu volume, o que é feito a partir do dimensionamento da demanda diária
do volume de água quente necessário. Tal dimensionamento será visto com detalhes em
unidade posterior. Nesta etapa, é também previsto o sistema de aquecimento auxiliar,
objetivando a garantia de fornecimento de água quente em períodos de baixa insolação ou
consumo excessivo de água quente.

Os reservatórios podem ser abertos (não pressurizados) ou fechados (pressurizados) sendo


estes últimos os mais comuns, uma vez que são adequados à instalações de pequeno, médio
e grande porte; são constituídos, basicamente, por um corpo interno revestido externamente
por um material isolante e recobertos por uma proteção externa.

TAMPA LATERAL CORPO EXTERNO ISOLAMENTO

TERMOSTATO

RESISTÊNCIA
ELÉTRICA

CORPO
INTERNO
SUPORTE

Figura 5.1 - O reservatório térmico

Fatores relevantes em um Reservatório Térmico:

Corpo interno:
• por ficar em contato direto com a água é geralmente fabricado com materiais resistentes
à corrosão, como cobre e aço inoxidável. No entanto, podem ser encontrados no mercado
reservatórios feitos com fibra de vidro e polipropileno; ressalta-se, aqui, a importância dos
testes normalizadores em todos os tipos de produtos;
• deve suportar as variações de pressão que porventura ocorram devido ao aumento da
temperatura da água (expansão) e flutuações na rede de abastecimento. Quanto maiores as
pressões de trabalho previstas, maiores deverão ser as espessuras da parede do corpo interno;
• deve ser resistente termicamente às oscilações de temperaturas;

Isolamento:
• o isolamento deve impedir ou minimizar a transferência de calor da água contida no
interior do reservatório para o meio externo. Desta forma, similarmente ao que acontece nas

34
placas coletoras, o isolamento deve oferecer grande resistência à passagem do calor,
dificultando ao máximo sua transferência de um meio para outro.
• o calor perdido mensalmente no reservatório pode ser calculado pela seguinte equação:

 -Us ∆t 
 ρ c p Vef 
Q RT = ρ c pVef (Ti − Tamb ) 1 - e  Ni (5.1)
 
 

onde
Ni : número de dias do mês de referência
ρ: densidade da água, na temperatura média de armazenamento, igual a 1000kg/m3 ;
cp: calor específico da água para a temperatura média de armazenamento, igual a 4180 J/kg°C;
Vef: capacidade volumétrica efetiva do tanque, em m3;
∆t: período de tempo de armazenamento, em segundos;
Ti e Tf: temperatura da água no início e final do período de armazenamento, respectivamente;
Tamb: temperatura ambiente média durante o armazenamento.
Us: coeficiente de perda de calor, expresso em W/ºC, calculado segundo a Norma ISO 9459
por:

ρ c pVef  T − Tamb 
Us = ln  i  (5.2)
∆t  T f − Tamb 

• o material isolante mais utilizado é o poliuretano expandido, cuja condutividade térmica


é igual a 0,026 W/m.K e tem a vantagem de conferir ao reservatório uma boa rigidez
estrutural.

Proteção externa
• normalmente feita em alumínio, aço galvanizado ou aço carbono pintado, a importância
da proteção externa está em preservar o conjunto das intempéries, danos relativos a
transporte, instalação, etc
A Estratificação nos Reservatórios Térmicos

Uma vez que o reservatório recebe fluxos tanto de água quente como de água fria
provenientes do coletor e da caixa de alimentação, respectivamente, as diferenças de
temperatura e, consequentemente, de densidade da água, farão com que a água mais quente
fique na parte superior e a água mais fria na parte inferior do reservatório. É o efeito da
estratificação.

Além do efeito isolante, função primeira do reservatório térmico, deve-se ressaltar que o
desempenho do sistema termossolar como um todo é fortemente dependente da temperatura
de entrada da água no coletor, água esta proveniente da base do reservatório térmico. Será
visto adiante que, quanto mais baixa for esta temperatura, maior o desempenho resultante do
sistema. Assim, pode-se dizer que a estratificação da água no interior dos reservatórios é,
também, fator de importância fundamental.

Para potencializar este efeito, recomenda-se a instalação dos reservatórios na posição


vertical. Com isto, reduz-se a área de troca de calor entre as próprias camadas de água,

35
favorecendo a estratificação. No entanto, muitas vezes o projeto arquitetônico não comporta
tal configuração adotando-se, então, a posição horizontal.

Entrada de água quente Saída de água quente


proveniente do coletor para consumo

Água Quente

Água Fria Saída de água fria para


Entrada de água fria de a entrada do coletor
alimentação

Figura 5.2 – Diagrama esquemático da estratificação da água no reservatório térmico

36
Unidade 6

Dimensionamento de Instalações
de Aquecimento Solar e a Economia Anual de Energia

O dimensionamento correto de uma instalação de aquecimento solar depende de :


- condições climáticas locais,
- hábitos de consumo dos usuários
- vazão de água quente dos equipamentos definidos
- temperatura da água aquecida

Na verdade, o dimensionamento do aquecimento solar deve contemplar o objetivo da família


nesta decisão :

AUMENTO DO NÍVEL DE CONFORTO

? ou ECONOMIA MENSAL NA CONTA DE ENERGIA

Em ambos os casos, a economia mensal é garantida ao se substituir a energia elétrica pela


solar, mas o dimensionamento do sistema é sensivelmente diferente nestas duas situações.

Para promovermos este dimensionamento, devemos consultar a Norma Brasileira de


Instalação Predial de Água Quente – NB 128; já que sua substituta mais recente NBR/7198
não apresenta estimativas de consumo de água quente. Os valores constantes nesta norma,
apresentados na Tabela 6.1, devem ser, ainda, avaliados criticamente em função do nível
sócio - econômico da família e seus hábitos atuais.

Tabela 6.1 – Consumo médio estimado de água quente


Consumo estimado
Uso final / Aplicação
(litros/dia)
Alojamento provisório 24 / pessoa
Casa popular ou rural 36 / pessoa
Residência 45 / pessoa
Apartamento 60 / pessoa
Quartel 45 / pessoa
Escola ou Internato 45 / pessoa
Hotel (excluídas a cozinha e lavanderia) 36 / hóspede
Hospital 125 / leito
Restaurante ou similar 12 / refeição
Lavanderia 15 / kg de roupa seca
Fonte :ABNT Norma Brasileira de Instalação Predial de Água Quente – NB 128

Outra forma de dimensionamento pode ser desenvolvida com base na vazão e capacidade
dos equipamentos de uso final, além do tempo e freqüência de sua utilização. A tabela 6.2,
apresenta valores típicos para uso residencial.

37
Tabela 6.2 – Vazão de água quente de equipamentos
Vazão
Peças de Utilização
(litros/minuto)
Banheira 18
Bidê 3,6
Chuveiro 7,2*
Lavadora de Louça 18
Lavabo 7,2
Tanque (lavanderia) 18
Pia cozinha 15
Fonte :ABNT Norma Brasileira de Instalação Predial de Água Quente – NB 128

*Este número, por exemplo, é bastante controvertido. No caso de casas populares onde são
instalados chuveiros de potência até 4400W, a vazão do banho é limitada pelo próprio
equipamento em 3 litros/minuto.

Em relação aos pontos de utilização e nível de conforto, vamos tentar elaborar juntos uma
planilha que servirá de roteiro para nossos trabalhos posteriores.

6.1 - DIMENSIONAMENTO DETALHADO

De acordo com sua experiência, estime o por residência nas seguintes classes sociais para a
sua cidade de origem:

Classe Social Número médio de moradores


por residência
A
B
C
D

Identifique os pontos de consumo típicos por classe social na listagem apresentada a seguir:

Chuveiro / Ducha A B C D

Banheira de Hidromassagem A B C D

Lavabo A B C D

38
Ducha Higiênica
A B C D

Cozinha (pia e lava-louça)


A B C D

Lavanderia (máquina de lavar roupa)


A B C D

Para preenchimento das planilhas seguintes, identifique uma família e sua classe social

Chuveiro / ducha
Vazão Banho Tempo Número de Volume mensal Potência Consumo
(litros/minuto) Estimado de banhos de água quente Elétrica mensal
Banho (min) por mês (litros) Chuveiro de energia
(kW) (kWh/mês)

Banheira de Hidromassagem
Capacidade Freqüência Semanal Volume mensal
(litros) de Uso de água quente
(litros)

Obs.: freqüência semanal corresponde ao número de vezes em que a banheira é utilizada pela família durante a semana

Lavabo:
Vazão Freqüência Diária Volume mensal
(litros/min) de Uso de água quente
(litros)

Ducha Higiênica:
Vazão Freqüência Diária Volume mensal
(litros/min) de Uso de água quente
(litros)

Cozinha:
Número Diário de Refeições Volume mensal
de água quente (litros)
Lavanderia:
Massa estimada Freqüência de Uso Volume mensal
por lavagem (kg) Semanal de água quente
(litros)

Volume mensal requerido de água quente(litros)


Vmês

A energia necessária para aquecer este volume de água ao final do mês (Lmes), qualquer que seja a
forma de aquecimento escolhida é dada pela 1ª Lei da Termodinâmica na forma:

Vmês c p (Tbanho − Tamb )


Lmês = ρ [kWh/mês] (6.1)
1000 3600

onde ρ : densidade da água, considerada igual a 1000kg/m3

cp : calor específico da água a pressão constante igual a 4,18 kJ/kg°C

Tbanho e Tamb correspondem à temperatura desejada para a água de banho e a temperatura


ambiente.

Para cálculo aproximado da área coletora a ser utilizada na obra, vamos retornar às informações
contidas na Etiqueta do INMETRO, mostrada na figura 6.1.

Este cálculo aproximado, conhecido como pré-dimensionamento, deve levar em conta que a
produção média de energia do coletor constante nesta Etiqueta, considerou como as condições
climáticas para o mês de setembro em cidade de Belo Horizonte

40
Figura 6.1 - Etiqueta do INMETRO para um Coletor Solar Hipotético

Para o dimensionamento final, devem ser utilizados os dados de cada cidade e as condições
específicas de inclinação e orientação dos coletores solares na obra em questão bem como as
características especificas de suas curvas de rendimento. Utilize a planilha para fazer
dimensionamento correto das instalações de aquecimento solar.

Para o exemplo desenvolvido, calcule:

Número total de coletores

Área coletora (m2)

Razão Volume (litros)/ Área coletora (m2)

6.2 - ECONOMIA ANUAL DE ENERGIA ELÉTRICA – MÉTODO DA FRAÇÃO


SOLAR

A fração solar fi para um determinado mês do ano é definida como a razão entre a contribuição do
sistema de aquecimento solar (Qsolar) e a demanda mensal de energia (Lmês), calculada mediante a
equação:

41
Q solar
fmês = (6.2)
L mês

Beckman et al. [1977] propuseram dois parâmetros adimensionais e empíricos X e Y, a saber:

A CFR UL (TREF − Tamb )∆t mês


X= (6.3)
L mês
A CFR (τ c α p )θ HT Nmês
Y= (6.4)
L mês

onde
AC : área total de coletores solares, em m2 ;
FRUL : produto do fator de remoção e coeficiente global de perdas térmicas do coletor solar, expresso
em W/m2 °C, calculado experimentalmente nos ensaios do PBE / INEMTRO;
TREF : temperatura de referência, considerada constante e igual a 100°C;
Tamb : temperatura ambiente média para o mês em questão, °C;
∆tmês : duração do mês, em segundos;
Lmês: demanda total de energia para aquecimento do volume de água (V), calculada pela equação 6.1;
FR (τcαp)θ : produto do fator de remoção, transmissividade do vidro e absortividade da tinta dos
coletores, para ângulo médio de incidência da radiação direta, expresso em W/m2 °C. De modo geral,
pode ser considerado igual a 96% do valor medido experimentalmente nos ensaios do PBE /
INMETRO;
HT : radiação solar diária em média mensal incidente no plano do coletor por
unidade de área, J/m²
Nmês: número de dias do mês

A determinação da fração solar f pode ser feita pelo ábaco da figura 6,1, apresentada a seguir, ou da
seguinte equação empírica, proposta por Klein:

f = 1,029Y − 0,065X − 0, 245Y 2 + 0,0018X 2 + 0,0215Y 3 (6.5)

42
Fração Solar

3,50
f=0,9
3,00

f=0,8
2,50

f=0,7
2,00
f=0,6
Y

f=0,5
1,50
f=0,4
f=0,3
1,00
f=0,2
f=0,1
0,50

0,00
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

Figura 6.1 - Ábaco para Determinação da Fração Solar - F

Para maiores detalhes, inclusive relativas às duas correções sugeridas, recomenda-se consultar
Duffie e Beckmann [1991]

A fração solar anual F é definida como a razão entre a soma das contribuições mensais do
aquecimento solar e a demanda anual de energia que seria necessária para fornecer o mesmo nível de
conforto, sendo calculada pela equação:

12

∑ fL
i =1
i i
F= 12
(6.6)
∑L
i =1
i

No gráfico da figura 6.2, apresenta-se uma análise da influência da temperatura de armazenamento


na fração solar final. Estes dados foram obtidos para a cidade de Belo Horizonte a partir da variação
da relação entre o volume de água quente a ser armazenado e a área total de coletores solares.

Uma análise desse gráfico permite avaliar facilmente que, para uma mesma configuração da
instalação solar, quanto menor for a temperatura desejada maior será a fração solar.

43
100,0%

90,0%

80,0%

70,0%

40ºC
Fração Solar - F

60,0%

Temperatura de armazenamento
45ºC
50,0%

40,0% 50ºC

30,0% 55ºC

20,0%
60ºC

10,0%

0,0%
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 800 850 900 950 1000
Volume do tanque / área coletora (litros/m²)

Figura 6.2 – Influência da temperatura de armazenamento na fração solar

44
Unidade 7

A Instalação Solar Térmica de Pequeno Porte

Hoje no Brasil existem diversas instalações solares em funcionamento, onde cerca de 90% das
instalações solares são residenciais. As grandes instalações ainda são pouco difundidas dentro dos
setores comercial e industrial – hotéis, motéis, indústrias, vestiários, grandes edifícios, etc.

Os sistemas de aquecimento solar podem ser classificados quanto ao modo de circulação de água:

 Circulação natural ou Termossifão;


 Circulação forçada ou sistema bombeado.

No caso de sistemas de pequeno porte, sempre que possível, devemos buscar o funcionamento do
sistema por circulação natural. Já em sistemas de médio e grande porte, a utilização da circulação
forçada é imprescindível para o correto funcionamento do sistema.

Sistemas de médio e grande porte são mais complexos e sempre devem estar acompanhados de um
detalhado projeto de engenharia, garantindo o desempenho das instalações solares uma vez que seus
custos são elevados.

Uma visão geral sobre as instalações de pequeno porte mostra que diversos sistemas de aquecimento
solar não funcionam corretamente, justamente pelo descaso a qualidade de projeto e instalação.

Esta unidade se dedica ao estudo das características de um sistema de pequeno porte focado na
qualidade de uma instalação solar.

Figura 7.1 – Sistemas de aquecimento solar de pequeno porte

45
7.1 - SISTEMAS DE AQUECIMENTO SOLAR POR CIRCULAÇÃO NATURAL OU
TERMOSSIFÃO

Os sistemas de aquecimento solar com princípio de funcionamento por circulação natural ou


termossifão são os mais utilizados em obras de pequeno porte, apesar de simples, seu correto
funcionamento é função de diversos fatores interligados, que vamos avaliar nesta unidade.

A figura 7.2 apresenta os componentes básicos de uma instalação tipo termossifão.

D
A

1. Coletor solar 6. Retorno de água dos coletores


2. Reservatório térmico 7. Saída de água para os coletores
3. Caixa d’água fria 8. Saída de água para consumo
4. Sifão 9. Registro para limpeza do sistema
5. Entrada de água fria 10. Suspiro

Figura 7.2 – Circulação Natural - Termossifão

Conhecidos todos os componentes de uma instalação solar por circulação natural vamos entender o
princípio de funcionamento deste sistema.

Primeiramente vamos analisar a pressão no ponto B da instalação: considerando que o trecho AB


está a uma temperatura de 21ºC, e o trecho CD juntamente com o coletor solar, estão a 45ºC.
Relembrando a equação de pressão manométrica expressa em Pascal (Pa) temos:

Pman = ρgh

46
onde:
ρ : densidade da água à determinada temperatura (kg/m3);
g: aceleração da gravidade igual a 9,81 m/s2 ;
h: altura da coluna (m)

Tabela 7.1- Densidade da água em função da temperatura


Temperatura (ºC) Densidade (kg/m3)
5 1000
10 1000
15 999
20 998
30 996
40 992
50 988

Portanto a pressão manométrica exercida no ponto B é a pressão da coluna de água fria do trecho AB
e a pressão da coluna de água quente do coletor mais o trecho CD. Considerando uma altura entre o
ponto B e o ponto D igual a 3 metros:

Pman(AB) = 998 kg/m3 x 9,81 m/s2 x 3,0 m = 29.371,14 Pa

Pman(coletor + CD) = 990 kg/m3 x 9,81 m/s2 x 3,0 m = 29.135,70 Pa

Temos então no ponto B uma diferença de 235,44 Pa. Fazendo-se a conversão de Pascal para metros
de coluna d’água: 1 mca = 9810 Pa. Portanto a diferença de pressão no ponto B é igual a 0,024 mca.

Como a maior pressão exercida no ponto B é da coluna de água fria, haverá fluxo no sentido do
ponto A para o ponto D.

Podemos então simplificar o funcionamento do termossifão da seguinte forma: O Sol, ao incidir


sobre o coletor solar, aquece a água que está no seu interior. Com a diminuição da densidade, as
colunas de água adquirem pressões diferentes gerando um fluxo continuo no sentido ascendente do
coletor.

A vazão em sistemas solares por termossifão é considerada autoregulável pois quanto maior a
radiação solar, maior a vazão no coletor e se não houver radiação ou a temperatura da água no
coletor for inferior à do reservatório, a circulação cessará.

Observe que a diferença de pressão é muito pequena e portanto muito sensível às perdas de carga e
obstruções ao longo da tubulação. Vamos discutir adiante quais os pontos primordiais para um
perfeito funcionamento de uma instalação solar por termossifão.

47
7.2 -TUBOS E CONEXÕES

As interligações entre o reservatório térmico e os coletores solares, que iremos adotar como circuito
primário, são executadas sempre com tubos e conexões de cobre e latão, pois este circuito está
sujeito a temperaturas elevadas, podendo seus componentes serem danificados ou ainda ocorrer a
formação de sifões entre o coletor e o reservatório.

Os mais utilizados são os tubos CLASSE E, de acordo com a tabela abaixo:

Tabela 7.2 - Diâmetros de tubos de cobre

fonte: Eluma S.A.

Segundo Mesquita (2002), o circuito primário de uma instalação solar por termossifão não deve
ultrapassar 14 metros de tubulação total, ou seja, a soma dos comprimentos equivalentes das
conexões e da tubulação não deve exceder 14 metros.

A tabela a seguir mostra os comprimentos equivalentes para diâmetros de 22mm e 28mm que são os
mais utilizados.

Tabela 7.3 - Comprimentos equivalentes


Comprimento equivalente (m)
Cotovelo 90º Curva 45º Tê passagem Tê passagem Registro
Diâmetro direta lateral gaveta
aberto
(mm)

22 1,2 0,5 0,8 2,4 0,2


28 1,5 0,7 0,9 3,1 0,3

Geralmente os tubos de 22mm são utilizados para instalações que possuem até 8 m2 de área coletora
e os tubos de 28mm, para instalações até 12 m2. Acima disto, torna-se necessário a divisão em
baterias menores de coletores ou a utilização de bomba hidráulica para promover a circulação de
água entre os coletores e o reservatório.

Vale lembrar que para uma mesma vazão, a perda de carga de um tubo de 28mm será menor que no
tubo de 22mm ou seja, existe um comprimento equivalente entre os tubos calculado da seguinte
forma:

48
Comprimento equivalente = (D1/D2)5

De acordo com o exemplo, 3,3 m de tubo de 28mm equivale a 1m de tubo de 22mm.

Portanto a substituição de alguns trechos de tubos de 22mm por tubos de 28mm podem reduzir as
perdas de carga do circuito primário e adequá-lo a um bom funcionamento por termossifão.

Exemplo 7.1 -

Figura 7.3 - Cálculo de perda de carga

Lista de materiais - cobre


Item Desc. Qtde
Tubo 22mm 8,7m
Cotovelo 90º 22mm 2
Curva 45º 22mm 2
Tê 22mm 1

49
Comprimento real:

Alimentação: 5,2m
Retorno: 3,5m

Comprimento equivalente:

2 cotovelos 90º = 2 x 1,2m = 2,4m


2 curvas 45º = 2 x 0,5 = 1m
1 tê passagem lateral = 2,4m

Comprimento Total = 15,3m

Este valor excede aos 14 metros permitidos. Como solução podemos trocar parte da
tubulação de alimentação para 28mm:

Tubo 28mm = 2,7m


1 tê passagem lateral 28mm = 3,1m

Como descrito anteriormente, 3,3m de tubo de 28mm correspondem a 1m de tubo de


22mm à mesma vazão, então:

2,7m + 3,1m = 5,8m de tubo 28mm = 1,8m de tubo 22mm.

O comprimento total da tubulação será:

15,3m – 2,4m(tê 22mm) – 2,7m(tubo 22mm) + 1,8m = 12m

7.3 - ALTURAS RECOMENDADAS

Outro item muito importante para o correto funcionamento do termossifão são os parâmetros
geométricos da instalação solar que são mostrados na figura 7.4.

A caixa d’água deve sempre estar acima do reservatório térmico para que o mesmo esteja sempre
cheio. A altura mínima (Hrr) garante a pressurização do sistema para vencer as perdas de carga até os
pontos de consumo;

A altura entre o topo dos coletores solares e a base do reservatório (Hcr), permite o funcionamento do
sistema por termossifão e diminui o efeito de fluxo reverso que será tratado mais à frente.

Por último, a distância entre o reservatório e o coletor (Dcr), não deve ser superior ao especificado
para conferir à tubulação uma inclinação superior a 10%, evitando a formação de sifões e bolhas de
ar.

50
Hs > 0,30m
CAIXA
D`ÁGUA

SUSPIRO

Hrr > 0,15m

RESERVATÓRIO

0,20m < Hcr < 4,0m

COLETOR

Dcr < 10xHcr

Figura 7.4 – Distâncias recomendadas para um sistema em termossifão

A formação de sifões no arranjo da tubulação pode gerar acúmulo de bolhas de ar ou vapor que
interrompem o fluxo de água, prejudicando o funcionamento do sistema. A tubulação deverá ser
disposta sempre ascendente, principalmente do caminho entre a saída do coletor até a entrada do
reservatório térmico.

Ponto de formação
de bolhas de ar

Sifão não prejudicial


ao escoamento

Figura 7.5 - Formação de sifões na tubulação

51
Caso não seja possível atender a estes parâmetros pode-se lançar mão de algumas alternativas
construtivas como as construções tipo torre, telhados com maior inclinação ou instalação de caixa de
água externa. No mercado brasileiro ainda existem soluções como reservatórios que funcionam em
nível com a caixa de água ou válvulas de desnível negativo.

TERMOSSIFÃO TÍPICO TERMOSSIFÃO COM TORRE

TERMOSSIFÃO COM DOIS TELHADOS

Figura 7.6 – Alternativas construtivas

7.4 - DISPOSIÇÃO DE COLETORES E RESERVATÓRIO TÉRMICO

O sistema de aquecimento solar deve ser instalado o mais próximo dos pontos de consumo para que
o tempo de espera* não seja grande. Por sua vez os coletores solares devem estar arranjados de
forma que a tubulação de retorno dos coletores para o reservatório seja a menor possível. A figura
7.7 mostra uma instalação correta, onde os coletores foram dispostos de forma a diminuir a
tubulação de retorno e uma instalação não desejável onde a tubulação de alimentação é a menor.

Tempo de espera: período gasto para que a água saia do reservatório e chegue até o ponto de
consumo, considerando que toda a água da tubulação está fria.

52
7.5 - FLUXO REVERSO

Em sistemas de circulação natural ou termossifão pode acorrer, durante a noite, inversão da


circulação de água. O desnível entre o topo dos coletores solares e a base do reservatório térmico
(Hcr) minimiza e anula na maioria dos casos este risco.

O fluxo reverso acorre devido ao mesmo fato que faz com que a água circule nos coletores solares
durante o dia. Nos períodos noturnos, a água que está no interior dos coletores fica a uma
temperatura inferior ao restante da tubulação devido às trocas térmicas que existem entre o coletor e
o meio externo. Desta forma, a coluna de água dentro dos coletores se torna mais densa que a coluna
que liga o reservatório ao coletor e portanto surge um fluxo no sentido contrário que retira água
quente do reservatório retornando-a até os coletores. Neste caso o coletor passa a se comportar
como um dissipador de calor, o que não é desejável.

CORRETO

ERRADO

Figura 7.7- Disposição dos componentes

7.6 - SISTEMA BOMBEADO

Quando a circulação por termossifão não é possível, ou porque os coletores estão colocados a um
nível superior ao reservatório, ou porque a diferença de densidades não é suficiente para vencer as

53
perdas de carga nas tubulações, utiliza-se circulação forçada da água por intermédio de uma bomba,
como mostrado na figura 7.8.

Nesta situação, a bomba é comandada por um sistema que acompanha as temperaturas da água na
parte superior dos coletores e da parte inferior do reservatório, ligando a bomba sempre que a
diferença entre as duas temperaturas referidas seja positiva e superior a um valor predeterminado,
normalmente 5°C; a bomba é desarmada quando os dois sensores estiverem também a uma
temperatura que pode ser ajustada de acordo com as peculiaridades do sistema, normalmente 2ºC.
Este sistema de comando designa-se por termostato diferencial, ou CDT - Controlador Diferencial de
Temperatura.

Saída para
consumo

2
4
Sensor frio
Sensor quente

5
1
6

1 – Coletores Solares 4 – Válvula de retenção


2 – Reservatório Térmico 5 - Controlador Diferencial de Temperatura
3 – Caixa d´água 6 - Bomba

Figura 7.8– Sistema Bombeado

7.7 - BOMBAS HIDRÁULICAS

A bomba hidráulica será utilizada na impossibilidade de se instalar os coletores solares abaixo do


reservatório térmico ou em instalações de médio e grande porte.

Para sistemas de pequeno porte, existem no mercado, bombas silenciosas de consumo reduzido que
atendem as especificações de um sistema de aquecimento solar. Para sistemas de médio e grande
porte, as bombas devem ser especificadas segundo os cálculos de vazão e perda de carga de todo o
circuito primário.
As bombas mais utilizadas em sistemas de pequeno porte variam de 1/25 CV a 1/4 CV, sendo
acionadas diretamente pelo CDT, já bombas de maior potência, devem ser acionadas com auxílio de
contatores elétricos.

54
Fabricante: Grundfos Fabricante: Schneider
Figura 7.9 – Bombas hidráulicas

A bomba deve ser instalada próximo ao reservatório térmico na saída de água para os coletores
solares, sempre com o eixo na horizontal para não danificar seus elementos internos.

Figura 7.10 – sistema bombeado

7.8 - CONTROLADOR DIFERENCIAL DE TEMPERATURA

O Controlador Diferencial de Temperatura ou CDT, controla o funcionamento da bomba hidráulica.


Ele tem a função de acionar a bomba sempre que houver uma diferença de temperatura pré-
estabelecida entre o coletor solar e o reservatório térmico. A bomba permanece em funcionamento
até que esta diferença de temperatura se anule ou atinja um valor determinado.

A configuração usada geralmente, determina que a bomba deve ser acionada quando a diferença
entre os dois sensores for superior a 5ºC e desarmada quando atingir 2ºC.

A monitoração é feita por meio de sensores que monitoram as temperaturas da água no topo dos
coletores solares e na parte inferior do reservatório.

Para correntes de até 10A em 127V, é possível o acionamento direto pelo CDT, acima disto torna-se
necessário o acionamento da bomba através de contatores elétricos.

55
fabricante: Fullgauge
Figura 7.11 – Controlador Diferencial de Temperatura

Os sensores são instalados de acordo com a figura 7.12 e fixados diretamente ao tubo de cobre por
meio de abraçadeiras ou presilhas.

reservatório
presilha térmico

coletor sensor frio


presilha solar

sensor quente

retorno para o reservatório saída para os coletores

Figura 7.12 - localização dos sensores

Existem ainda alguns CDT’s que possuem um temporizador incorporado que pode ser ajustado para
desligar a bomba alguns segundos depois da condição de desligamento, para que toda a água quente
que está na tubulação chegue ao reservatório.

Estes aparelhos dispõem também de sistema de proteção contra eventual congelamento dos coletores
solares (anticongelamento). Na eventualidade da temperatura cair a 6°C (ou menos), a bomba entrará
automaticamente em operação até que tal condição seja revertida.

7.9 - TERMOSSIFÃO TUBULAR

A alimentação do reservatório térmico deve ser feita por um ramal exclusivo da caixa d’água com
aproximadamente 1 metro de tubo de cobre partindo do reservatório.
Por sua vez, essa alimentação deve possuir um sifão próximo à entrada do reservatório térmico que
tem a função de evitar o fenômeno que chamamos de termossifão tubular. Este fenômeno origina
uma corrente convectiva dentro da tubulação fazendo com que a água quente do reservatório térmico
flua para a caixa de água fria. Recomenda-se um sifão com aproximadamente 30cm de altura e 30
cm de largura.

56
VEM DA CAIXA
D'ÁGUA

ÁGUA QUENTE

ÁGUA FRIA

Figura 7.13– Efeito do Termossifão Tubular

VEM DA CAIXA
D'ÁGUA

SIFÃO

30 cm

Figura 7.14 – Sifão

7.10 - RESPIRO E VÁLVULA DE SEGURANÇA E QUEBRA VÁCUO

A instalação do respiro se faz necessária para que haja proteção do reservatório térmico e para que
eventuais bolhas de ar ou vapor possam ser expelidas para a atmosfera. Caso não exista respiro, o
reservatório poderá ser exposto a pressões de trabalho maiores que a pressão ao qual ele foi
projetado, ou até mesmo pressões negativas (vácuo), causando deformação do reservatório interno e
risco de vazamento.

Segundo a NBR 12269/1992, o tubo do respiro deve subir, do ponto mais alto do reservatório, sem
restrições ou mudança brusca de direção. Não devem ser conectadas torneiras ou válvulas em sua
linha.

57
A altura do respiro deve ser a menor possível respeitando a seguinte condição: o tubo deve subir a
uma altura maior que 8cm acima do nível da caixa d’água para cada metro entre o nível da caixa
d’água e a base do reservatório térmico ou 30cm, o que for maior.

A instalação do respiro deve ser feita na tubulação do reservatório indicada para isso ou então, caso
não exista tubulação própria, na tubulação de saída para consumo deve ser feita uma derivação para
receber o respiro.

Em sistemas de baixa pressão (até 4 m.c.a.) é fundamental a utilização do respiro pois as válvulas de
segurança não funcionam adequadamente em pressões reduzidas. Já nos sistemas de alta pressão, o
respiro pode ser substituído pela válvula de segurança evitando descompressão e pressão elevada no
reservatório.

7.11 - ISOLAMENTO TÉRMICO

O isolamento deve sempre estar presente em toda tubulação de água quente. Até mesmo alguma
tubulação de água fria deve ser isolada, pois esta pode estar em contato com o reservatório térmico e
ocasionalmente ter parte da água no seu interior aquecida.

O isolamento deve ser especificado de acordo com diâmetro do tubo a ser isolado e com a espessura
de isolamento necessária. Sua colocação deve ser feita por encaixe, sem deixar espaços entre o tubo
e o isolamento e sua fixação deve permitir manutenção posterior, ou seja, não devem ser usados
elementos de fixação permanentes, como colas, que além de não permitir a manutenção, podem
alterar as propriedades do isolante.

Figura 7.15 – Isolamento Térmico

A tubulação que estiver exposta ao tempo deve receber uma camada de algum elemento refletor,
como folha de alumínio corrugado, para que o isolamento seja protegido contra intempéries.

Os isolamentos de polietileno expandido com espessuras de 5mm e 10mm são os mais utilizados.

58
7.12 - PROBLEMAS HIDRÁULICOS – CIRCUITO SECUNDÁRIO

Adotaremos como circuito secundário toda a hidráulica de água quente que parte do reservatório até
os pontos de consumo. Abaixo estão relacionadas algumas observações importantes quanto a
instalação da tubulação e acessórios que devem ser seguidas.

Como já foi mencionado, a alimentação do reservatório térmico deve ser exclusiva e estar
posicionada acima das tomadas de água fria, como meio de evitar o risco de queimaduras em casos
de falha de abastecimento.

A distribuição hidráulica não deve possuir sifões ao longo de seu trajeto até os pontos de consumo,
pois estes locais estão propícios ao acúmulo de ar impedindo a passagem de água.

Recomenda-se nas tubulações horizontais, uma leve declividade para que também não forme bolhas
de ar no seu interior. Esta declividade deve estar no sentido do fluxo de água para que as possíveis
bolhas de ar saiam pelo respiro que se localiza no ponto mais alto do reservatório térmico.

As duchas higiênicas merecem atenção redobrada, pois através dela a água quente pode atingir a
tubulação de água fria e chegar até a caixa d’água danificando toda tubulação de PVC ou ser
consumida quando a válvula de descarga é acionada.

Fuga de água quente pela válvula de descarga Retorno de água quente para caixa d’água

Figura 7.16 - Problemas causados por ducha higiênica

Isto ocorre porque a ducha higiênica possui dois registros para mistura e um gatilho; é comum o
usuário deixar os dois registros abertos e utilizar apenas o gatilho que fica na ponta do esguicho. Os
dois registros abertos interligam a saída de consumo de água quente à rede hidráulica de água fria.

Para evitar estes inconvenientes, recomenda-se isolar o gatilho da ducha higiênica para que o usuário
sempre feche os dois registros após o uso.

Outra situação que deve ser evitada é alimentar o chuveiro com o ramal da bacia sanitária. Caso a
válvula de descarga seja acionada enquanto o chuveiro é utilizado, o ramal cria uma sucção cortando

59
a entrada de água fria e provocando o aumento de temperatura da água do chuveiro podendo causar
queimaduras sérias.

7.13 - MANUTENÇÃO

Basicamente a única manutenção constante a ser feita pelos usuários é a limpeza dos vidros dos
coletores solares, pois como vimos, quanto mais transparente estiver a cobertura, melhor o
desempenho do coletor solar. Para limpeza, deve-se utilizar água e sabão neutro com auxílio de um
pano ou vassoura e sempre no início da manhã ou final da tarde, para que não ocorram choques
térmicos que possam ocasionar o trincamento dos vidros dos coletores.

O período de limpeza varia de acordo com a região mas em geral de 6 em 6 meses.

Como manutenção preventiva, as tubulações devem ser inspecionadas quanto a vazamento e


integridade do isolamento. A resistência elétrica e a bomba hidráulica podem ser inspecionadas pelo
seu funcionamento ( ruído, tensão de operação, vazamentos, etc)

7.14 - QUALIDADE DA ÁGUA

É comum, em diversos locais do Brasil, o fornecimento de água com diferentes características de


tratamento químico e ainda casos em que a água não recebe nenhum tipo de tratamento, sendo
extraída de poços artesianos. Um problema que pode ocorrer é justamente a corrosão acelerada dos
materiais dos coletores, reservatórios térmicos e nas tubulações de distribuição de água quente das
residências.

Existem casos que um sistema que deveria durar 15 anos, não passou de um ano devido à
agressividade química da água.

Caso a água apresente características muito agressivas, os equipamentos devem ser apropriados para
atender as exigências. Existe no mercado reservatórios construídos em aços especiais específicos
para estas regiões.

60
Unidade 8

A Instalação Solar Térmica de Médio e Grande Porte

O aquecimento solar, além de oferecer diversos benefícios sociais e ambientais, representa um fator
econômico significativo. Hoje, graças ao programa nacional de certificação de coletores e
reservatórios térmicos, à busca incessante por qualidade e avanço tecnológico dos fabricantes e a um
movimento organizado entre empresas do setor, o aquecimento solar conquistou credibilidade no
segmento de médio e grande porte e, cada vez mais, vem sendo adotado em hotéis, motéis,
indústrias, hospitais, escolas, edifícios residenciais, clubes, academias, dentre outros, como solução
definitiva para aquecimento de água para banho.

Conforme apresentado nos capítulos anteriores, o uso de matérias-primas de qualidade, como o


cobre, aço inoxidável, alumínio e polímeros especiais, pode proporcionar uma vida útil prolongada
aos equipamentos, não sendo, porém, suficiente para garantir o funcionamento de um sistema de
aquecimento solar. Para tanto, devem ser observados fatores de igual importância, tais como projeto,
instalação e manutenção, visando alcançar a almejada economia de energia e financeira.

Um sistema de aquecimento solar de médio porte (SAS – MP) e grande porte (SAS – GP) podem ser
caracterizados como instalações com grau significativo de exigência técnica por agregarem inúmeras
variáveis, que não somente se restringem à correta instalação de coletores solares e reservatórios
térmicos.

Neste capítulo serão abordados os temas referentes à etapa inicial de implantação de um sistema de
aquecimento solar, correspondente às fases de projeto, planejamento e infra-estrutura de instalações
de médio e grande porte.

Um projeto e aquecimento solar é caracterizado como uma obra de engenharia, portanto, deve ser
registrado no CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e elaborado por
profissional tecnicamente capacitado e habilitado.

61
8.1. ORGANOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO DE UM SAS-MP/GP

O organograma apresentado abaixo descreve, passo a passo, as etapas de um projeto de


implantação de um SAS-MP/GP. As fases de planejamento e projeto executivo, as quais serão
enfatizadas neste capítulo, estão compreendidas entre as etapas 1 e 4 e serão detalhadas a
seguir.

Fig 8.1. Organograma de implantação de uma SAS-MP/GP

62
8.2. PROJETO EXECUTIVO

Projetar um sistema de aquecimento solar, como o próprio nome diz, significa reproduzir o sistema
que será instalado, determinando suas necessidades e particularidades, assim como ocorre quando
se pretende construir um edifício ou uma casa. Um projeto executivo de aquecimento solar deve
respeitar as normas técnicas aplicáveis, conter a especificação de todos os equipamentos e
acessórios hidráulicos necessários, além das informações para perfeita compreensão do instalador
hidráulico.

A elaboração de um projeto executivo de aquecimento solar pode ser subdividida nas seguintes
etapas:

 Reservatório térmico: projeto detalhado e associação hidráulica;


 Coletores solares: definição do modelo e forma de integração à obra;
 Hidráulica: dimensionamento de tubulações, conexões, bombas e demais acessórios;
 Comando e controle: definição do sistema de comando, carga e monitoração da instalação;

8.2.1. Reservatório térmico

Interligação Hidráulica - Reservatórios Térmicos

Instalações de médio e grande porte demandam o armazenamento de grandes volumes de água


quente, o que normalmente não ocorre em um só reservatório térmico. Assim, existem basicamente
duas maneiras de se associar reservatórios térmicos em uma instalação. São elas:

a. Associação em Paralelo

Esse tipo de associação é recomendável para a interligação de um número pequeno de


reservatórios, pois grandes associações em paralelo podem se tornar inviáveis técnica e
economicamente, conforme demonstrado abaixo.

63
Figura 8.2. Associação em paralelo de dois Fig 8.3. Associação em paralelo de três
reservatórios térmicos
reservatórios térmicos

Para a associação apresentada na Figura 8.2 tem-se:

Por se tratar de uma associação em paralelo, as temperaturas T1 e T2 devem ser iguais. Para que
isso ocorra, os trechos de tubulação para interligação hidráulica entre os reservatórios térmicos
devem obedecer aos seguintes parâmetros: a1 = a2; b1 = b2 ; c1 = c2 e d1 = d2. Essa igualdade entre os
trechos de tubulação garantirá uma equalização do fluxo de entrada e saída de água dos
reservatórios térmicos e consequentemente o equilíbrio hidráulico entre os mesmos.

Para a associação apresentada na Figura 8.3 tem-se:

Da mesma forma que no caso anterior, as temperaturas T1, T2 e T3 devem ser equivalentes, assim
como as distâncias entre os trechos de tubulação devem permanecer idênticas para que se garanta o
equilíbrio hidráulico entre os reservatórios.

Como se pode observar, o número de conexões hidráulicas, tubulações e a dificuldade de montagem


se acentuam à medida que se aumenta o número de reservatórios associados. Por esse motivo,
interligações em paralelo são utilizadas somente em casos muito específicos.

b. Associação em Série

Esse tipo de associação é a mais utilizada na interligação de reservatórios de médio e grande porte
por favorecer a estratificação térmica da água e pela facilidade de instalação. Entretanto, para o
correto funcionamento de uma instalação com tal configuração, alguns cuidados devem ser
observados:

64
Fig 8.4. Associação em série de dois reservatórios térmicos

 Os diâmetros das tubulações K1, K2 e K3 devem ser iguais, garantindo que o fluxo de
entrada de água no reservatório seja igual ao de saída e vice-versa.
 Os diâmetros das tubulações K1, K2 e K3 devem ser dimensionas de forma que atendam o
pico de consumo da instalação.
 A saída de água para os coletores deverá ser feita do reservatório 1 (reservatório mais frio) e
o retorno no reservatório 2 (reservatório mais quente).

Associação entre reservatórios e sistema de apoio

Muito comum, em instalações solares de grande porte, a associação entre reservatórios térmicos e
sistemas de apoio como caldeiras, geradoras de água quente ou aquecedores de passagem. As duas
formas mais utilizadas para interligação entre os equipamentos estão apresentadas a seguir.

a. Circulação forçada com retorno para o reservatório

Tal tipo de associação é mais utilizado em sistemas nos quais as resistências elétricas do reservatório
são substituídas por aquecedores de passagem. Nesse caso, o termostato, localizado no reservatório
térmico, comandará o funcionamento da bomba.

Figura 8.5. Circulação forçada - associação entre reservatórios térmicos e aquecedor de passagem

65
b. Instalação em série com a saída de consumo

Esse tipo de associação também é possível de ser realizado, todavia, o número de aquecedores
deve ser dimensionado para suprir a vazão máxima de consumo, pois devem fornecer água
quente instantaneamente. Outro ponto importante a ser observado nesse tipo de instalação é se
a pressão da água que circula pelo aquecedor será suficiente para acioná-lo ou se será
necessária a instalação de um sistema pressurizador.

Figura 8.6. Instalação em série com a saída de consumo

A associação entre reservatórios térmicos e caldeiras ou geradoras de água quente também


pode ser feita, devendo ser estudada, caso a caso, qual a melhor forma de interligação.

c. Associação entre reservatório térmico e sistema de pressurização

Em instalações onde a vazão da água nos pontos de consumo não é satisfatória, utiliza-se um sistema
para aumentar a pressão de trabalho da rede de distribuição hidráulica. O pressurizador, quando
instalado corretamente, funciona sem trazer prejuízos para o sistema de aquecimento solar,
entretanto é importante observar os seguintes aspectos:

 Deve-se verificar se o reservatório térmico suportará a pressão fornecida pelo pressurizador;


 As redes de distribuição hidráulica de água fria e quente devem ser pressurizadas igualmente,
evitando-se assim diferenças de pressão e consequentemente dificuldades na mistura da água nos
pontos de consumo.
 Não é permitido o uso de respiro, devendo-se instalar um conjunto de válvulas para sistemas
de alta pressão.
 Verificar sempre as especificações de instalação fornecidas pelo fabricante do equipamento.

66
Figura 8.7- Associação entre reservatório térmico e sistema de pressurização

8.2.2. Coletores Solares

De posse do número de coletores necessários à instalação, deve-se determinar a forma como


eles serão integrados à obra. Para tanto, torna-se necessário saber qual a orientação e inclinação
dos coletores, a forma como serão associados e fixados, se existem sombras entre baterias,
dentre outras particularidades que serão apresentadas a seguir.
a. Geometria

Os coletores solares utilizados em obras de médio e grande porte, geralmente, são os mesmos
utilizados em obras residenciais. Entretanto, alguns fabricantes produzem coletores com áreas
superiores as comerciais e com características construtivas diferenciadas, para situações
especiais de fornecimento e instalação.

Assim como os reservatórios térmicos, os coletores solares também podem ser verticais ou
horizontais. Cabe ao projetista determinar que geometria de coletores será mais adequada à
instalação.

Figura 8.8 - Coletor vertical Figura 8.9 - Coletor horizontal

67
b. Orientação e inclinação

Conforme já apresentado em capítulos anteriores, a orientação e inclinação dos coletores solares


devem ser determinadas de forma que eles possam captar ao máximo a radiação solar disponível.

Orientação
Assim como em qualquer instalação de aquecimento solar, os coletores devem ficar orientados para o
norte geográfico e permitindo-se desvios de até 30° para leste ou oeste, sem a necessidade de
compensação de área coletora.

Inclinação
Como visto, a inclinação dos coletores é determinada a partir da localidade onde os mesmos serão
instalados. Esse valor é calculado através do valor, em módulo, da latitude + 10°. Vale lembrar que
o ângulo encontrado através dessa equação privilegia os meses de inverno, cabendo uma análise da
demandada de água quente da instalação ao longo do ano, para definição do ângulo que irá
proporcionar o melhor rendimento ao sistema.

c. Suporte Metálico

A perfeita adequação dos coletores solares em instalações de médio e grande porte normalmente
ocorre através do uso de suportes metálicos, garantindo assim a orientação e inclinação desejáveis
para maior captação de energia do sistema.
Ao definir um modelo de suporte que se adeque aos coletores e à área disponível para instalação,
deve-se atentar para os seguintes aspectos:

 Verificar se a estrutura do local onde serão instalados suportará o peso total do conjunto
(suportes metálicos, coletores solares e acessórios hidráulicos);
 O suporte deverá suportar as cargas de vento da localidade onde ele será instalado,
 Ser resistente a intempéries e corrosão;
 Ser de fácil montagem;
 Seguir as especificações de montagem dos coletores fornecidas pelo fabricante.

Figura 8.10 - Suporte metálico

68
d. Sombreamento e distância entre baterias de coletores

Fixados os valores de orientação e inclinação dos coletores solares, é importante verificar qual
a distância mínima entre as baterias de coletores para evitar ou minimizar o sombreamento que
poderá ocorrer entre as mesmas ou em razão de outros obstáculos como construções vizinhas,
árvores e etc. O valor da distância horizontal entre uma fila de coletores ou algum obstáculo de
altura h poderá ser determinado , de forma simplificada através da seguinte equação:

d=hxk; (8.1)

Latitude ( ° ) 5 0 -5 - 10 - 15 - 20 - 25 - 30 - 35
k 0,541 0,433 0,541 0,659 0,793 0,946 1,126 1,347 1,625
Tabela 13.1 – Fator k

Figura 13.11 - Distância mínima entre coletores

A distância ideal entre baterias deve considerar, além dos efeitos do sombreamento, um espaço
suficiente para que se realizem manutenções e limpeza dos coletores.

Vale lembrar que esta equação é apenas orientativa, e a análise de distâncias entre baterias deve ser
criteriosamente desenvolvida para cada projeto.

e. Associação entre baterias

A eficiência de uma série de coletores está diretamente ligada à forma como eles são associados. A
associação entre baterias é um dos passos mais importantes de uma instalação de aquecimento solar,
pois a ela está relacionada a temperatura que se pretende atingir, a vazão de operação do sistema e
consequentemente o dimensionamento das tubulações e demais acessórios.

As associações entre as baterias de coletores podem ser em série, em paralelo ou série-paralelo


(mista); sendo a terceira a mais utilizada por permitir maior número de configurações.

e.1. Associação em Paralelo


Na associação em paralelo, o acréscimo de temperatura proporcionado ao fluído circulante é o
mesmo, motivo pelo qual, a temperatura de saída do fluido da bateria 1 (T1) é igual a temperatura de
saída do fluido da bateria 2 (T2).

69
Figura 8.12 - Associação em paralelo de uma bateria de 5 coletores solares

T2

T1

Figura 8.13 - Associação em paralelo de duas baterias de 5 coletores solares

e.2 Associação em Série


Na interligação em série, a temperatura do fluido de entrada de uma bateria é igual a temperatura do
fluido de saída da bateria anterior.

Figura 8.14 - Associação em série de duas baterias de 4 coletores solares

e.3 Associação em Série-Paralelo (Mista)


É o tipo de associação mais utilizado em obras de médio e grande porte, pois quando há
limitações de área física para instalação dos coletores, deve-se combinar os dois modelos de
associação (série e paralelo) para que se consiga alocar o número de coletores necessários à
instalação.

70
Figura 8.15 - Associação mista: três baterias em paralelo combinada com duas baterias em série

8.2.3. Hidráulica

As instalações hidráulicas de aquecimento solar se dividem entre circuito primário,


compreendido entre o reservatório térmico e os coletores, e secundário, correspondente ao
circuito hidráulico situado entre o reservatório e os pontos de consumo.

Figura 8.16 - Instalação hidráulica de um sistema de aquecimento solar

a. Fluido de trabalho

O fluido de trabalho no circuito primário é ,na grande maioria dos casos, a água que circula
diretamente pelo interior dos coletores. Deve-se sempre verificar a composição físico-químico e a
temperatura de operação da água para identificar sua compatibilidade com os materiais da instalação
por onde irá circular.

71
Em algumas instalações pode-se utilizar fluídos térmicos sendo, o aquecimento realizado de forma
indireta por meio de trocadores de calor.

b. Equilíbrio hidráulico

A eficiência de uma bateria de coletores, como visto anteriormente está relacionada à sua associação
e à vazão do fluido de trabalho. Dessa forma, adota-se o principio do retorno invertido, com o
objetivo de equalizar a vazão entre as baterias de coletores. Esse princípio permite equilibrar
hidraulicamente a instalação, de forma que a perda de carga no percurso do fluido de trabalho seja
sempre a mesma, independente da bateria de coletores pela qual ele circule.

Os diâmetros dos os trechos de tubulações deverão ser dimensionados de acordo com a vazão que
neles circula. O correto dimensionamento do diâmetro das tubulações poderá reduzir sensivelmente
os custos da instalação.

Nas ilustrações a seguir, pode-se observar a forma correta de interligação entre baterias de coletores
utilizando-se o princípio do retorno invertido, onde todos os trechos (em vermelho), entre os pontos
A e B, possuem a mesma distância e a forma incorreta, onde o fluido percorrerá distâncias diferentes
em cada bateria que ele circule.

72
Figura 8.17 – Equilíbrio hidráulico de baterias de coletores

c. Vazão do fluído de trabalho

O valor da vazão total de operação (Qo) do circuito primário é calculado em função da associação
das baterias de coletores solares. Adota-se, para o cálculo, o valor da vazão de teste de eficiência
dos coletores solares para banho (72 litros por hora por m²)*, devendo-se ainda determinar a área
útil (Au) da(s) bateria(s) de coletores interligados em paralelo que recebe o fluido de trabalho
diretamente da bomba hidráulica;

Au = N° de coletores x Área útil do coletor x N° de filas de coletores (8.2)

Estudo de caso 8.1


Considerando a interligação hidráulica abaixo e a área útil de cada coletor igual a 1,63 m².
Qual será a vazão de operação (Qo)do sistema ?

Au = 4 x 1,63m² x 1 = 6,52 m²
Qo = Au x 72 l/h.m²
Qo = 6,52 m² x 72 l/h.m²
Qo = 469,4 litros/hora

Figura 8.18 - Cálculo da área útil

73
Estudo de caso 8.2:
Considerando a interligação hidráulica abaixo e a área útil de cada coletor igual a 2m². Qual
será a vazão de operação (Qo)do sistema ?

Au = 5 x 2m² x 2 = 20 m²
Qo = Au x 72 l/h.m²
Qo = 20 m² x 72 l/h.m²
Qo = 1440 l/h

Estudo de caso 8.3:


Considerando a interligação hidráulica abaixo e cada coletor solar com área de 2m². Qual
será a vazão de operação (Qo)do sistema ?

Au = 4 x 2m² x 3 = 24 m²
Qo = Au x 72 l/h.m²

74
Qo = 24 m² x 72 l/h.m²
Qo = 1728 l/h

d. Tubulações

As tubulações utilizadas em instalações solares podem ser de cobre, aço galvanizado ou outro
material que suporte as pressões e temperaturas de operação do sistema. Atualmente, as
tubulações em cobre são as mais utilizadas por serem de fácil instalação, resistir a intempéries
e altas temperaturas, atenderem bem as necessidades requeridas por uma instalação solar e
ainda apresentarem um custo-benefício razoável. Os tubos em cobre utilizados em instalações
de aquecimento solar são da Classe E, com diâmetros que variam entre 15 e 104 mm.

De acordo com a norma NBR 5626-98, a velocidade máxima da água nas tubulações não deve
ultrapassar 3 m/s. A tabela abaixo apresenta as vazões máximas permitidas para os diâmetros
comerciais de tubulações em cobre.

Diâmetro Velocidades máximas Vazões máximas

(mm) (pol) m/s l/hora


15 1/2 1,6 720
22 3/4 1,95 2.160
28 1 2,25 4.320
35 1.1/4 2,50 9.000
42 1.1/2 2,50 14.400
54 2 2,50 20.520
66 2.1/2 2,50 32.040
79 3 2,50 43.200
104 4 2,50 64.800
Tabela 8.2. Vazões máximas em tubos de cobre

e. Bomba Hidráulica

As bombas hidráulicas utilizadas em instalações de médio e grande porte, usualmente, são do tipo
centrífuga com rotor em bronze, aço inoxidável, ou outro material que suporte a temperatura e as
propriedades físico-quimicas do fluido que será bombeado.

Figura 8.19 - Bomba hidráulica


Em instalações de maior porte, recomenda-se a instalação de uma bomba reserva, garantindo assim o
funcionamento ininterrupto do sistema em caso de manutenção ou defeito da bomba principal.

e.1 Dimensionamento

A escolha da bomba hidráulica ideal e a determinação do ponto de funcionamento da instalação são


definidas pela vazão de operação da instalação e as perdas de carga do sistema.

75
Para determinação das perdas de carga totais de um sistema de aquecimento solar deve-se adotar os
seguintes passos:

 Calcula-se a perda de carga de tubulações e acessórios hidráulicos na sucção da bomba (Ha);

 Calcula-se a perda de carga de tubulações e acessórios hidráulicos no recalque da bomba


(Hr);
 Calcula-se a perda de carga nos coletores (Hc);
 Soma-se Ha, Hr e Hc e encontra-se a altura manométrica (HMAN) da instalação.

Estudo de caso 8.4:


Calcule a bomba hidráulica para a instalação abaixo proposta considerando tubulações em
cobre, 24 coletores com área útil de 2m²:

O primeiro passo a ser adotado é esboçar a instalação em uma representação isométrica,


identificando todas as cotas e conexões hidráulicas.

Cálculo da Vazão de operação (Qo)

Au = 4 x 2m² x 3 = 24 m²
Qo = Au x 72 l/h.m²
Qo = 24 m² x 72 l/h.m²
Qo = 1728 l/h ou 1,73 m³/h

Definição do diâmetro da tubulação de interligação entre reservatório térmico e coletores

Conforme Tabela 3, para vazão de 1728 l/h adota-se a tubulação de 22 mm

Suponha-se que na instalação proposta tivéssemos as conexões e acessórios nas quantidades


e dimensões apresentadas a seguir.

Cálculo da altura de sucção (Ha)

76
- Altura estática de sucção (ha) (bomba acima da caixa d’água) 0,0 m

- Comprimento real de tubulação (distância bomba/ reservatório) 3,0 m

- Comprimento equivalente (ver anexo 1)


1 Saída de borda 0,9 m
25 cotovelos 90° 2,4 m
1 registro gaveta 0,2 m
1 entrada de borda 1,0 m
Total 7,5 m

Conforme ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para:

Vazão = 0,48 l/s (1728 l/h) e Diâmetro = 3/4” obtém-se:


Perda de carga unitária (Ju) = 0,15 m/m e velocidade de 1,5 m/s

Então:
Ha = 7,5 m * 0,15 m/m
Ha = 1,13 m

- Altura estática de recalque (hr) (coletor acima da caixa d’água) 1,5 m

- Comprimento real de tubulação (bomba/coletores/reservatório) 35,0 m

- Comprimento equivalente (ver anexo 1)


1 Saída de borda 0,9 m
15 cotovelos 90° 18,0 m
1 registro gaveta 0,2 m
1 válvula de retenção 2,7 m
1 registro globo 11,4 m
5 te 90° saída lateral 12,0 m
1 entrada de borda 0,4 m
Total 82,1 m

Cálculo da altura de recalque (Hr)


Conforme ábaco de Fair-Whipple-Hsiao (Anexo 2) para:
Vazão = 0,48 l/s (1728 l/h) e Diâmetro = 3/4”, obtém-se:
Perda de carga unitária (Ju) = 0,15 m/m e velocidade de 1,5 m/s

Então:
Hr = 82,1 m * 0,15 m/m

Hr = 12,32 m

Cálculo da perda de carga nos coletores (Hc)

O valor da perda de carga por coletor deve ser informado pelo fabricante. Para este exemplo
será considerado o valor de 0,022 mca por coletor.

77
Então
Hc = 0,022 mca * 24 coletores
Hc = 0,53 mca

Altura manométrica da instalação (HMAN)


HMAN = Ha + Hr + Hc
HMAN = 1,13 + 12,32 + 0,53
HMAN = 13,98 m

De posse dos valores de vazão e altura manométrica, é possível determinar o ponto de


operação da instalação e selecionar a bomba hidráulica que melhor atenderá as necessidades
do sistema.

A bomba ideal para a instalação é aquela onde a curva característica da bomba está o mais
próximo possível do ponto de operação do sistema. Quando a curva não coincidir
exatamente com o ponto de operação, deve-se optar pela bomba logo acima do ponto.

Sendo assim, a bomba que melhor se adequa ao exemplo proposto é a bomba B.

8.2.4 Isolamento térmico

As tubulações, conexões, registros e válvulas de uma instalação por onde circulem fluidos com
temperaturas superiores a 40° C devem ser isoladas termicamente. O isolamento de tubulações
externas, que estejam submetidas aos efeitos dos raios ultravioletas e intempéries, deve ser protegido
com material que suporte as condições as quais será submetido, garantindo assim, uma vida
prolongada ao isolamento.

78
Figura 8.20 - Isolamento térmico interno Figura 8.21 - Isolamento térmico com
proteção UV

As espessuras mínimas recomendadas para isolamento de tubulações em cobre, com polietileno


expandido (condutividade térmica de 0,035 kcal/mh°C), estão apresentadas na tabela 8.3.

Isolamento Térmico - Polietileno Expandido

Diâmetro da tubulação Espessura do Isolamento


(mm) (mm)

D ≤ 22 5
22 > D ≥ 66 10
D > 66 20
Tabela 8.3 Espessura de isolamento

Cabe ressaltar que a tabela acima é apenas orientativa, devendo, a espessura do isolamento, ser
determinada de acordo com o local da instalação e características do isolamento.

8.2.5 Sistema de proteção anticongelamento

Por não receber radiação solar durante a noite, o fluído de trabalho permanece estagnado e, portanto,
exposto às condições climáticas do local da instalação. Em regiões com risco de geadas, são
utilizados sistemas de proteção, com o intuito de evitar danos ao sistema.

Para identificar a necessidade do uso de proteções anticongelamento, deve-se avaliar o histórico das
condições climatológicas da região. Havendo registros de temperaturas próximas a 5°C, será
indispensável a utilização de algum tipo de sistema de proteção anticongelamento.

Os sistemas anticongelamento mais utilizados são:

 Recirculação da água – esse sistema fará circular, através de uma bomba hidráulica, a água do
reservatório térmico quando a temperatura do sensor, localizado nos coletores solares, acusar valores
próximos a 5° C.
 Válvula elétrica de drenagem – através de uma válvula elétrica dotada de um termostato, a água
existente nos coletores é drenada quando a temperatura nos coletores atinge valores próximos a 5° C.

79
 Fluido anticongelamento – por meio da mistura de água e um liquido anticongelante, cria-se
uma solução que reduz a temperatura de congelamento do fluido de trabalho. Para que o sistema
funcione corretamente, é necessário verificar se a solução encontra-se nas proporções ideais definidas
pelo fabricante do fluido e se não irá comprometer os acessórios da instalação.

8.2.6 Temperaturas

Uma instalação de aquecimento solar deve ser projetada para suportar uma ampla variação de
temperaturas, que vão desde as que apresentam risco de congelamento até aquelas próximas a de
ebulição da água.

As diversas maneiras de proteção do sistema contra os riscos de congelamento já foram abordadas no


item anterior. No entanto, deve-se ressaltar que temperaturas elevadas também podem prejudicar a
durabilidade de acessórios e equipamentos instalados.

As altas temperaturas são verificadas nos casos de superdimensionamento da instalação onde a área
coletora e o volume armazenado são muito superiores à necessidade real de consumo.

Em tais hipóteses, para evitar danos a instalação de aquecimento solar, é importante a utilização de
materiais e equipamentos que suportem a temperatura de operação sistema, bem como o uso de
proteções que não permitam, por exemplo, o funcionamento da bomba de circulação quando o
sistema alcançar temperaturas próximas à de ebulição da água.

8.2.7 Pressão

Da mesma forma que o reservatório térmico e os coletores solares, as tubulações e acessórios


hidráulicos devem ser dimensionados para suportar pressões 1,5 vez superiores às quais serão
submetidas durante o funcionamento do sistema de aquecimento solar.

8.2.8 Quadro de comando

O quadro de comando de uma instalação solar tem a função de controlar todos os equipamentos
elétricos e eletrônicos da instalação e é, na maioria dos casos, composto por:

 Controlador diferencial de temperatura: responsável pelo comando de operação da bomba


de circulação dos coletores;
 Chaves seletoras: responsáveis pelo acionamento manual ou automático da bomba de
circulação dos coletores e demais equipamentos;
 Disjuntores, contatores e relés de sobrecarga: possuem a função de proteção e acionamento
do sistema;
 Controles para o sistema de apoio.

O quadro de comando pode ainda conter alguns equipamentos para controle e acompanhamento do
rendimento da instalação, tais como:

 Horímetro, cuja função é a de determinar o período de operação de um equipamento.


 Programador horário para determinação dos períodos de funcionamento da instalação;

80
 Demais sistemas de acompanhamentos, como medidores de radiação solar, medidores de
vazão, sensores de temperatura auxiliares, hidrômetros e etc.

8.2.9 Aquecimento Indireto

Nos casos em que não é possível implantar um sistema de aquecimento solar convencional, como em
alguns casos de processos industriais, aquecimento de ambientes, proteção anticongelamento
contendo fluidos especiais, dentre outros, utiliza-se o sistema de aquecimento indireto através do uso
de trocadores de calor.

FiguFigura 8.22. Representação esquemática de um sistema de aquecimento solar com trocador


de calor

81
Unidade 9

INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO

Um sistema de aquecimento solar, para alcançar os benefícios esperados, baseia-se em


algumas diretrizes: projeto executivo, instalação e manutenção. Nesse contexto o
instalador hidráulico possui um papel fundamental, pois cabe a ele seguir o projeto
idealizado pelo projetista identificando possíveis interferências e modificações durante a
implantação e, através de uma instalação de qualidade, minimizar manutenções
corretivas.

Neste capitulo serão abordados os temas referentes à etapa de instalação e manutenção de


um sistema de aquecimento solar para uso sanitário.

O instalador deverá seguir rigorosamente o projeto executivo da instalação, devendo


sempre comunicar ao projetista caso haja a necessidade de modificações no projeto
original.

9.1 INTERPRETAÇÃO DO PROJETO EXECUTIVO

Para definição dos próximos passos do planejamento de instalação do sistema de


aquecimento solar, é necessário interpretar o projeto executivo que dentre outras
informações deverá conter:

 Fluxograma de funcionamento;
 Localização de equipamentos;
 Arranjos de coletores solares e reservatórios térmicos;
 Isométrico de instalação do(s) reservatório(s) térmico(s);
 Bases de fixação dos suportes metálicos e dos reservatórios térmicos;
 Detalhamento de suportes metálicos
 Cortes;
 Possíveis interferências com a edificação existente ou em construção;
 Traçado da tubulação;
 Lista de materiais elétricos e hidráulicos;
 Detalhamento do sistema de controle e monitoração;
 Acessórios e indicação de montagem;
 Demais informações necessárias para perfeita interpretação e instalação do
sistema;

a. Fluxograma de funcionamento

O fluxograma da instalação deve apresentar, de forma esquemática, com se dará o


funcionamento da instalação, sem se preocupar com escalas e dimensões reais dos
equipamentos.

82
Figura 9.1. Fluxograma de uma instalação solar
b. Localização dos coletores e reservatórios em planta

Por meio desta representação gráfica determina-se a localização dos reservatórios térmicos, os
coletores solares e demais equipamentos na construção.

Figura 9.2. Localização de coletores, reservatórios e interligação hidráulica em planta

c. Isométricos

As representações isométricas são utilizadas para descrever partes da instalação que seriam
difíceis de se representar ou que exijam grau de detalhamento maior, como é o caso dos
reservatórios térmicos e seus acessórios.

83
Figura 9.3. Isométrico – reservatório térmico
d. Cortes

Os cortes, assim como a representação isométrica auxilia na complementação de


informações e interpretação do projeto.

Figura 9.4. Corte – distância entre coletores solares

9.2 ARMAZENAMENTO E TRANSPORTE DOS EQUIPAMENTOS

Coletores solares
É importante que os coletores sejam armazenados na vertical, seguindo as
determinações do fabricante quanto ao número máximo de peças possíveis de serem
empilhadas, em local coberto e protegido de intempéries.

Em caso de armazenamento externo deve-se protegê-los contra chuva para que os


mesmos não se danifiquem antes de serem instalados.

Com relação ao transporte dos coletores solares, o mesmo deve ser realizado
preferencialmente por duas pessoas, segurando-se nas extremidades da caixa do coletor, de
modo a evitar torções nos equipamentos.
b. Reservatórios térmicos

Os reservatórios térmicos devem ser armazenados em local protegido de intempéries e com


suas entradas e saídas vedadas, até o momento da instalação, impedindo a entrada de folhas
ou objetos que possam afetar o funcionamento do sistema.

84
O transporte dos reservatórios térmicos deve ser executado através de seus olhais ou alças
de transporte seguindo as recomendações do fabricante e nunca pelas tubulações.

9.3 DEFINIÇÃO DA EQUIPE DE INSTALAÇÃO

Para definição do número de instaladores que serão necessários para implantação de um


sistema de aquecimento solar é preciso observar o grau de dificuldade e em quanto tempo
se pretende concluir a instalação. Através do projeto executivo é possível determinar a
quantidade de instaladores e o tempo de execução da implantação do SAS.

Recomenda-se que uma instalação solar seja executada por no mínimo dois instaladores,
capacitados, garantido assim agilidade e segurança na implantação do sistema.

9.4 EPI’S E FERRAMENTAS

Para minimizar o risco de acidentes durante a instalação é imprescindível que sejam


seguidas todas as normas pertinentes à atividade que será realizada

A seguir estão relacionados alguns EPIs, ferramentas e acessórios necessários para


realização de uma instalação de aquecimento solar .

9.4.1. EPI – Equipamento de Proteção Individual

Cada instalador deve portar:

 Uniforme com jaleco de manga comprida;


 Capacete com jugular;
 Bota com solado antiderrapante;
 Cinturão de segurança para trabalhos em altura;
 Óculos com lentes em policarbonato incolor;
 Luvas de vaqueta;
 Óculos com lentes em policarbonato verde para solda;

Figura 9.5 - Símbolos de EPI

85
9.4.2. Ferramentas

Para correta instalação de equipamentos e acessórios é importante a utilização de ferramentas


adequadas, que garantam maior agilidade e segurança à instalação. Pode-se verificar abaixo
algumas das ferramentas essenciais para instalação de um sistema de aquecimento solar.

 Chave de grifo;  Maçarico;


 Conjunto de chaves de fenda e philips;  Inclinômetro
 Alicate;  Trena;
 Serrote;  Bússola;
 Martelo;  Furadeira elétrica;
 Corta tubos (cobre);  Extensão elétrica;
 Lixa;  Multímetro;

9.5 ACESSÓRIOS DE UMA INSTALAÇÃO DE AQUECIMENTO SOLAR

a. Bomba hidráulica

Quando o sistema de aquecimento solar não pode operar em termossifão utiliza-se uma bomba
hidráulica cujo objetivo é promover a circulação do fluido de trabalho entre os coletores e o
reservatório térmico.
As bombas hidráulicas utilizadas em sistemas de aquecimento solar devem possuir algumas
características especiais para que operem de forma segura e duradoura.

As bombas hidráulicas basicamente se dividem em duas partes:

Motor elétrico Corpo hidráulico

(fonte:website Schneider)
Figura 9.6 - Bomba hidráulica

Corpo hidráulico: o corpo hidráulico abriga o rotor o qual pode ser fabricado em ferro fundido,
aço inoxidável, bronze, polímero ou outro material, devendo ser especificado conforme as
características físico químicas e temperatura do fluido que será bombeado.

Motor elétrico: acoplado ao corpo hidráulico é responsável pelo acionamento do rotor sendo
dimensionado conforme a potência necessária para vencer as perdas de carga e desníveis da
instalação.

86
b. Controlador diferencial de temperatura

Os controladores diferenciais de temperatura são responsáveis


pelo controle do sistema de aquecimento solar permitindo
configurações para acionar e desacionar a bomba hidráulica.

(fonte: Fullgauge)

c. Termostato
Termostatos são dispositivos que permitem a abertura ou fechamento de
um circuito elétrico conforme um ajuste pré-definido de temperatura. Estes
dispositivos são muito utilizados em reservatórios térmicos para
acionamento de resistências e anéis de recirculação para prumadas de água
quente.

d. Fluxostato

O Fluxostato é um dispositivo que permite a abertura ou fechamento de


um circuito elétrico quando ele acusa a existência ou não de fluxo de
algum tipo de fluido na tubulação onde ele foi instalado. Este dispositivo é
utilizado em anéis de recirculação para prumadas de água quente e
normalmente é aplicado em conjunto ao termostato.

e. Sensores de temperatura

Os sensores de temperatura são instrumentos utilizados para medição de


temperatura e em sistemas de aquecimento solar são aplicados para
comando e registro da temperatura de operação do sistema. Eles podem ser
de diversos tipos; termopares, PT100, PT500 dentre outros.

(fonte: Fullgauge)

f. Manômetro

O manômetro é um instrumento utilizado para mediação de pressão.


Usualmente estes equipamentos são utilizados em instalações de
aquecimento solar de grande porte com objetivo de acompanhar e
auxiliar nas regulagens de operação do sistema.

87
g. Válvulas e registros

Válvulas são dispositivos utilizados para controle, bloqueio, manutenção e desvio


de fluxo do fluido circulante de uma instalação hidráulica. Em um SAS, as válvulas
mais utilizadas são:

Registro Globo (Válvula de regulagem)


Os registros globo são utilizados para controle e regulagem da vazão de fluidos.

Fonte:website docol
/website mipel

Figura 9.7 - Registro globo

Registro Gaveta (Válvula de bloqueio)


O registro de gaveta tem a função bloquear a passagem do fluido, devendo
funcionar totalmente abertos ou totalmente fechados.

Fonte:website deca /website mipel


Figura 9.8 - Registro gaveta

Registro Esfera (Válvula de bloqueio)


O registro esfera também tem a função de bloqueio à passagem do fluido, devendo
funcionar totalmente aberto ou totalmente fechado.

Fonte:website docol / website tigre /website mipel


Fig 9.9 -Registro globo
Válvula de retenção
Esse tipo de válvula permite o fluxo do liquido em uma só direção podendo ser instalada
na vertical ou horizontal de acordo com as especificações da válvula.

Fonte:website docol
Figura 9.10 - Válvula de retenção

88
Válvula eliminadora de ar (Válvula ventosa)
Esse tipo de válvula é responsável por permitir a saída de ar do sistema.

Fonte:website genovalvulas
Figura 9.11 - Válvula eliminadora de ar

Válvula quebra-vácuo
Tal válvula é responsável por permitir a entrada de ar no sistema.

Fonte:website silgonvalvulas
Figura 9.12 - Válvula quebra-vácuo

Válvula de segurança
Esse modelo de válvula é responsável por proteger o sistema contra pressões superiores
às dimensionadas para sua operação.

Fonte:website drava
Figura 9.13 Válvula de segurança

9.6 SUPORTES PARA COLETORES SOLARES

Quando a orientação, inclinação ou posição de coletores solares não é satisfatória para o


funcionamento do sistema, é necessária a utilização de suportes, com o objetivo de corrigir
esses desvios.

De posse do projeto dos suportes, suas especificações devem ser rigorosamente seguidas,
de forma a garantir sua correta fixação à estrutura do telhado ou às bases construídas
especialmente para sua instalação.

A base dos suportes dos coletores deverá ser confeccionada em concreto ou outro material
que suporte o peso dos coletores, as cargas de vento e as intempéries a que o sistema será
submetido. Deve-se ainda atentar para os seguintes itens na confecção das bases:

 A distância entre as bases deve ser calculada de forma que o suporte nela instalado
não submeta o coletor solar a flexões superiores às permitidas pelo fabricante.

89
 Os parafusos de fixação dos suportes nas bases devem ser galvanizados ou
protegidos contra corrosão.
 As bases devem prever canais para escoamento da água da chuva.
 Quando os suportes metálicos forem instalados diretamente na laje, é necessário
impermeabilizar o local onde forem fixados.
 Quando os suportes metálicos forem instalados sobre telhados, as telhas perfuradas
deverão ser impermeabilizadas.

Os suportes e suas respectivas bases de fixação deverão ser projetados por


profissional tecnicamente habilitado

9.7 INSTALAÇÃO DO(S) RESERVATÓRIO(S) TÉRMICO(S)

Na instalação dos reservatórios deve-se considerar:

Na alimentação de água fria do reservatório deve-se sempre instalar um sifão ou válvula de


retenção* evitando o retorno de água quente para a caixa d’água, efeito denominado
termossifão tubular.

* Atenção: conforme a norma NBR 7198, “é vedado o uso de válvulas de retenção no


ramal de alimentação de água fria por gravidade do reservatório térmico, quando o
mesmo não possuir respiro.”

Figura 9.14 - Sifão

 A alimentação de água fria do reservatório deve conter no mínimo, 150 cm de


tubulação anterior ao sifão em cobre ou material que suporte temperatura do sistema.

90
Figura 9.15 -Tubulação de alimentação

 O reservatório deve possuir registros gaveta ou esfera em suas entradas e saídas;

 A alimentação de água fria do reservatório, vinda da caixa d’água, deve ser


exclusiva não permitindo derivações para outros pontos;

 A saída para o dreno deve ser conectada a uma tubulação de esgoto ou destinada a
local apropriado;

 Quando for utilizado conjunto de válvulas para SAS de alta pressão, a área logo
abaixo do conjunto deve ser devidamente impermeabilizada evitando infiltrações na
edificação;
 As interligações das entradas e saídas de um reservatório térmico horizontal
convencional devem seguir as configurações apresentadas na figura a seguir promovendo a
circulação de toda a água do reservatório.

Figura 9.16 - Conexões básicas de um reservatório térmico

9.8 INSTALAÇÃO DOS COLETORES SOLARES

A interligação hidráulica dos coletores poderá ser executada em série ou paralelo de acordo
com o que for definido no projeto da instalação. Além de seguir as configurações de
projeto, no momento da instalação dos coletores, deve-se atentar para os seguintes itens:

a. As conexões entre coletores podem ser executadas com luvas soldadas ou luvas de
união, as quais facilitam futuras manutenções e substituição de coletores;

91
b. Deve-se instalar um registro gaveta ou esfera na parte inferior da bateria para dreno
dos coletores.

c. Em associações superiores a duas baterias de coletores interligadas em série


recomenda-se a instalação de uma válvula eliminadora de ar na saída da última bateria de
coletores.

Figura 9.17 - Localização da válvula eliminadora de ar

d. A instalação dos coletores deve prever fácil acesso para limpeza e manutenção.

e. Em instalações que operam em termossifão, recomenda-se a instalação da bateria de


coletores com um pequeno aclive, entre 2% e 3%, no sentido da saída da água quente,
evitando-se sifões provocados por desníveis no telhado ou erro na instalação.

9.9 INSTALAÇÃO DE SENSORES E QUADRO DE COMANDO

9.9.1 Instalação de sensores

Em sistemas cuja circulação é forçada, a bomba hidráulica é comandada por um


controlador diferencial de temperatura o qual compara as temperaturas entre os sensores
1 e 2 localizados no topo do ultimo coletor da bateria e na base do reservatório
respectivamente.

Figura 9.18 - Posicionamento de sensores

Conforme apresentado no capitulo anterior, geralmente, a bomba hidráulica é acionada


quando o a diferença de temperatura entre o sensor 1 e 2 é igual ou superior a 5°C* e

92
desligada quando igual ou inferior a 2°C*. Cabe ressaltar que esta temperatura é apenas
orientativa devendo a mesma ser especificada no projeto da instalação.

Alguns controladores possuem um terceiro sensor, normalmente instalado na saída de


consumo do reservatório e que, além de fornecer a temperatura da água na saída de
consumo, tem a função de bloquear o funcionamento da bomba, mesmo que o diferencial
entre os sensores 1 e 2 seja igual ou superior a 5°C, quando a temperatura registrada por
ele atingir o valores elevados (o qual deve ser ajustado previamente). A essa temperatura
da-se o nome de temperatura de superaquecimento.

Figura 9.19 - Instalação de sensores

Os sensores devem, preferencialmente, ser instalados em poços termométricos e isolados


termicamente após sua instalação.

9.9.2 Quadro de comando

O quadro de comando deve ser instalado em um local próximo ao SAS protegido de


intempéries e de fácil acesso, para possíveis verificações de temperatura ou operação do
sistema.

.
Fonte: acervo Green
Figura 9.20 – Quadro de comando – Vista
Interna

O projeto executivo deverá prever a localização do quadro de comando na


edificação

93
9.10 INSTALAÇÃO DO SISTEMA DE AQUECIMENTO AUXILIAR

a. Resistência elétrica

 As resistências elétricas devem possuir disjuntores específicos para seu


acionamento;
 Os cabos de energia devem ser conduzidos do quadro de comando a resistência
elétrica do reservatório através de eletrodutos;
 A resistência elétrica deve ser aterrada eletricamente;
 Deve-se conferir a impedância das resistências elétricas antes de acionar o quadro
de comando a fim de evitar curtos-circuitos;

b. Aquecedor de passagem a gás

 Deve-se verificar se as peças e anéis de vedação da entrada de água no aquecedor


suportam a alimentação com água aquecida;
 Os cabos de energia devem ser conduzidos do quadro de comando ao aquecedor
de passagem através de eletrodutos;
 Os aquecedores de passagem não devem ser instalados em locais confinados;
 Deve-se seguir rigorosamente as normas técnicas aplicáveis e as especificações de
instalação fornecidas pelo fabricante;

9.11 INTERLIGAÇÃO ENTRE RESERVATÓRIO E PONTO DE CONSUMO

Este manual aborda apenas os aspectos referentes ao circuito primário de uma instalação
de aquecimento solar, entretanto cabe observar alguns detalhes importantes na
interligação entre o reservatório e a tubulação de consumo de água quente.

Figura 9.21 - Instalação hidráulica de um sistema de aquecimento solar

a. O diâmetro da tubulação de saída de consumo do reservatório deve ser igual ou


superior ao de distribuição de água quente para os pontos de consumo;

b. A tubulação de distribuição de água quente deverá ser isolada termicamente;


c. A tubulação de distribuição hidráulica para os pontos de consumo deve estar
sempre na descendente, evitando-se a formação de sifões, que podem prejudicar a vazão
nos pontos de consumo.
d. A prumada de água fria da descarga deverá ser exclusiva. Não deve-se instalar
ramais para o registro de água fria do chuveiro e para ducha higiênica.

94
9.12 TESTES E INICIO DE OPERAÇÃO DO SISTEMA

a. Start-up do sistema

A operação de start-up ou posta em marcha da instalação é muito importante, pois,


através dela o sistema de aquecimento solar é submetido a testes, sendo possível verificar
se o sistema funcionará conforme projetado.

b. Enchimento do sistema

Deve-se encher lentamente o sistema, preferencialmente da parte mais baixa para o topo
evitando a formação de bolsas de ar no circuito hidráulico.

c. Teste de estanqueidade

Os circuitos hidráulicos devem ser testados com pressão 1,5 vez, superior à pressão de
operação da instalação com objetivo de identificar possíveis vazamentos. As válvulas de
segurança, quando existentes, devem ser instaladas após o teste de estanqueidade, pois as
mesmas operam em pressão nominal inferior a de teste.
Nesta etapa é importante acionar manualmente todas as válvulas ventosas para retirada
completa do ar do sistema.

d. Teste de sensores e acessórios

Sensores, bomba hidráulica, válvula de segurança e demais acessórios devem ser testados
simulando-se condições de operação do sistema e verificando seu comportamento.

9.13 ACABAMENTO

Depois de realizados todos os testes na instalação inicia-se a etapa de acabamento e


finalização da obra. Essa etapa consiste em:

a. Isolamento térmico de toda a tubulação da instalação, lembrado–se que as


tubulações expostas a radiação solar e intempéries devem possuir algum tipo de elemento
protetor (alumínio corrugado, fita aluminizada, etc.).
b. Verificar se todas as tubulações estão bem fixadas e sem formação de sifões no
seu percurso;
c. Verificar se todos os cabos elétricos estão devidamente encapados e conduzidos
através de eletrodutos;
d. Verificar a existência de alguma obstrução na saída do conjunto de válvulas de
segurança.

95
9.14 TREINAMENTO E ENTREGA DO MANUAL DE OPERAÇÃO

Nesta etapa, o instalador deverá ensinar ao responsável pelo recebimento da instalação


como operar o sistema, apresentado a localização de acessórios, quadro de comando e
demais componentes. Cabe também ao instalador fornecer, quando aplicável, o projeto
executivo as-built, a anotação de responsabilidade técnica (ART), os certificados de
garantia e demais documentações pertinentes ao sistema.

9.15 MANUTENÇÃO

A manutenção de um sistema de aquecimento solar de pequeno porte, quando


corretamente instalado é bem simples.

9.15.1 Manutenção preventiva

Mensal

 Lavagem dos coletores com água e sabão neutro no período da manhã;


 Verificar a vedação dos coletores;
 Verificar o funcionamento do sistema de anticongelamento, caso existente;
 Verificar o funcionamento dos sensores de temperatura e as configurações do
controlador diferencial de temperatura;
 Verificar a regulagem do termostato;

Semestral

 Verificar estado do isolamento térmico;


 Verificar e colocar em funcionamento o conjunto de válvulas;
 Conferir as vedações da bomba hidráulica e a estanqueidade do sistema;

Anual

 Realizar a drenagem do sistema para limpeza;


 Verificar a existência de formação de corrosão em algum item do sistema;
 Verificar o estado de funcionamento do sistema auxiliar.

9.15.2 Manutenção corretiva

96
PROBLEMA CHECAR CAUSA PROVÁVEL SOLUÇÃO

Coletores Coletores danificados Substituir


Registros do reservatório fechados
Registros Abrir registros
ou danificados
Inclinação das
Ar no circuito hidráulico Retirar o ar do circuito
tubulações
Tubulação de
Vazamento Localizar o vazamento e reparar
distribuição
Desconfigurado Reconfigurar
Controlador diferencial
Descontinuidae do cabeamento Checar o cabeamento e reparar
de temperatura
Sensores danificados Substituir

Bomba hidráulica Bomba danificada Reparar ou susbtituir


Falta água quente
Resistências queimadas Substituir
Aquecedor auxiliar
Termostato danificado Substituir
(elétrico)
Termostato desregulado Regular

Sujeira no orifício do piloto Limpar e abrir o orifício


Válvula piloto defeituosa Substituir
Aquecedor auxiliar
Termostato de acioanmento
(gás) Reparar
defeituoso
Ajuste impróprio da chama piloto
Reajustar
de gás
Checar a dimensionamento do
Usuários Consumo excessivo
sistema
Ponto de ajuste do termostato muito Reduzir a temperatura de ajuste
Aquecedor auxiliar
alto do termostato

Sensor de temperatura Calibração imprópria Checar; recalibrar e substituir


Água muito quente
Dimensionamento Sistema superdimensioando Checar dimensionamento
Escoar parte da água quente
Água quente não esta sendo
Usuários para reduzir a temperatura do
utilizada
reservatório
Válvula eliminadora de
Vedação defeituosa Substituir
ar
Válvula Checar condições de
Válvula em operação
Água sai pelo telhado anticongelamento funcionamento
Tubulação rompida devido a
Reparar ou substituir.
Tubulação do coletor congelamento
Tubulação defeituosa Reparar ou substituir.

97
Unidade 10

Referências Bibliográficas

ABNT – Norma Brasileira de Instalação Predial de Água Quente – NB 128.

ABNT – Norma Brasileira de Execução de Instalações de Sistemas de Energia Solar que


utilizam coletores solares planos para aquecimento de água– NBR 12269

ABNT – Norma Brasileira de Projeto e Execução de Instalações Prediais de Água Quente –


NBR 7198.

ABNT – Norma Brasileira de Instalação Predial de Água Fria – NBR 5626

ABRAVA – Manual de Aquecimento Solar (1998).

ASHRAE – Active Solar Heating Systems Design Manual – ASHRAE (1988).

BECKMAN, W. A., KLEIN S. A. and DUFFIE, J. A., Solar Heating Design by the f-Chart
Method, Wiley-Interscience, New York (1977).

BENNETT, I., Monthly Maps of Mean Daily Insolation for the United States, Solar Energy,
1965.

COLLARES-PEREIRA, M., RABL, A., The average Distribution of Solar Radiation -


Correlations between Diffuse and Hemispherical and between Daily and Hourly
Insolation, Solar Energy, V.22, p.155, 1979.

DNMET, Normais Climatológicas : 1961-1990, Brasília, 1992.

DUFFIE, J. A., BECKMAN W. A., Solar Engineering of Thermal Processes, John Wiley &
Sons, INC, 2ª Edição, 1991.

INCROPERA, F. P. & WITT, D. P. Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa.


Trad. 3a ed. Horácio Macedo trad. 4a ed. Sérgio Stamile Soares ( 1998 ), Rio de Janeiro,
Livros Técnicos e Científicos Editora S. A.,1992 .

ISO 9459 Part 2, Solar Heating – Domestic Water Heating Systems; Performance Testing for
Solar Only Systems, CEN (1994).

MEINEL, A. B., MEINEL, M.P., Applied Solar Energy – An Introduction, Addison-Wesley


Pub. Co., 1ª Edição, 1976.

MESQUITA, L., Panorama Atual da Utilização do Aquecimento Solar in Fontes Não-


Convencionais de Energia, UFSC, (1998).

MORRISON, G.L., Reverse circulation in thermosyphon solar water heaters, Solar Energy,
Vol.36, Num. 4, pp. 377-379, 1986.

98
NUNES, G.S. et al., Estudo da Distribuição da Radiação Solar Incidente sobre o Brasil,
Revista Brasileira de Armazenamento, Viçosa, 1979.

PEREIRA, E.M.D. et al. Software SISCOS VERSÃO 3.0 - Dimensionamento de Instalações


Solares de Médio e Grande Portes, FAPEMIG, 1998

SIEGEL, R; HOWELL,J.R.- Thermal Radiation Heat Transfer, 3ª ed., Hemisphere


Publishing Corporation, USA (1992).

99
ANEXO I – Perdas de carga localizadas – comprimento equivalente em metros
de tubo de PVC rígido ou cobre

100
ANEXO II – Ábaco de Fair-Whipple-Hsiao para tubulações de cobre e
plástico

101
ANEXO III – Relatório do Mercado

Evolução histórica do mercado de aquecimento solar entre os anos 2000 e 2006.

O gráfico da figura 1 mostra a evolução da área instalada anualmente e da área acumulada de


coletores solares no Brasil.

Mercado Brasileiro de Aquecimento Solar

600.000 3.500.000

Nova Área Coletora Instalada(m2)

Área Coletora Acumulada em Operacao(m2) 3.000.000


500.000

Área Coletora Acumulada em Operaçao (m2)


Área Coletora Instalada no ano (m2)

2.500.000
400.000

2.000.000

300.000

1.500.000

200.000
1.000.000

100.000
500.000

0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Ano

Figura 1 – Gráfico da evolução do mercado de aquecimento solar no Brasil


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Tabela – Área Coletora Instalada por ano (m2)


Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Novos Instalados (m2) 260.000 480.000 310.000 323.700 389.100 394.658 434.331
Figura 2 – Tabela da área coletora instalada por ano no Brasil
Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Tabela - Área Coletora Instalada Acumulada* (m2)


Ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Área em Operação (m2) 949.947 1.209.335 1.687.125 1.993.045 2.314.110 2.700.458 3.112.105
Figura 3 – Tabela da área coletora acumulada * em operação no Brasil
Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Indicadores energéticos do aquecimento solar

102
Os números propostos pela European Solar Thermal Industry Federation (ESTIF) e o programa para
o Aquecimento e Arrefecimento Solar da Agência Internacional de Energia (IEA SHC)
expressaram, pela primeira vez em 2004, a contribuição do aquecimento não mais em função da área
instalada, mas em termos da potência gerada. O fator de conversão recomendado é de 0,70 kWth
para cada metro quadrado de área de coletores solares. De acordo com esse índice, os aquecedores
solares instalados no Brasil gerariam uma potência equivalente a 2178 MWth, Este valor é cerca de
19% inferior ao obtido na simulação feita para o caso brasileiro, que forneceu 0,86 kWth/ m2. Uma
justificativa para tal discrepância pode estar associada aos menores níveis de irradiação solar na
Europa. Entretanto, o valor europeu tem sido adotado também em vários estudos e projeções para o
Brasil, tornando–os bastante conservativos e seguros.
Potência Solar Instalada ( MWth)

3.000,0 Potencia (Indice IEA)

Potencia (Indice IEA corrigido para o Brasil)

2.500,0
Potência Solar Instalada (MWth)

2.000,0

1.500,0

1.000,0

500,0

0,0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Ano

Figura 4 – Gráfico da potência solar instalada


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Outro indicador utilizado para avaliar o aquecimento solar no Brasil é da demanda retirada da ponta.
A instalação de sistemas de aquecimento solar permite a intensa redução da demanda máxima
instantânea de energia elétrica no Brasil reduzindo as pressões de investimentos do setor elétrico em
capacidade de geração adicional somente para o atendimento ao habito de banho atrelado ao uso do
chuveiro elétrico no Brasil.

103
USINA SOLAR VIRTUAL ADICIONADA
(Demanda Retirada do Horário de Ponta por ano)

100,00
89,76
90,00
81,22
80,00
72,76 73,80

70,00
Usina Equivalente ( MW)

60,53
57,97
60,00

50,00 48,62

40,00

30,00

20,00

10,00

0,00
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Ano

Figura 5 – Tabela da área coletora instalada por ano no Brasil


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Investimentos Economizados na Matriz Energética Brasileira

300,0

Milhoes de reais Economizados


269,3
243,7
250,0
221,4
218,3

200,0
181,6
173,9
Milhões de Reais

150,0 145,9

100,0

50,0

0,0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Ano

Figura 6 – Gráfico investimentos economizados na matriz energética do Brasil


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

104
Economia anual de energia ( GWh)

500,0

450,0 economia de energia por ano ( GWh)


433,2
400,0

350,0
375,9

300,0 322,1
(GWh)

277,4
250,0

234,8
200,0

132,2 168,3
150,0

100,0

50,0

0,0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
ano

Figura 7 – Gráfico economia anual de energia com a utilização do aquecimento solar no Brasil
Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar
Considerações para os cálculos:
Penetração do aquecimento solar no setor residencial para substituição do chuveiro elétrico: 85%
Área coletora média por domicílio: 4m2
Potência do chuveiro elétrico: 4,4 kW
Fator de coincidência do uso do chuveiro elétrico no horário de ponta: 20% (Fonte: CEMIG;
PROCEL)
População total do Brasil: 184.572.979
Número de domicílios: 53.579.515
Número de domicílios com aquecimento solar: 661.322

Demanda de Potência Total Retirada da Ponta: 582 MW


Postergação de Investimentos no Setor Elétrico: R$ 1.745.891.141,00
Número de domicílios com aquecimento solar: 661.322
Penetração do aquecimento solar no setor residencial: 1,23%
Economia de energia em 2006: 433,2 GWh

Indicadores ambientais do aquecimento solar

A geração de energia descentralizada e em pequena escala pode contribuir consideravelmente para a


proteção do clima global e, ao mesmo tempo, ter um importante papel na melhoria da qualidade de
vida. Os aquecedores solares de água são particularmente promissores já que a tecnologia é uma das
mais simples e baratas fontes de energia renovável, com uma relação custo-benefício bastante
favorável para a redução de emissões de gases-estufa e da poluição local causada pela queima de
combustíveis fósseis em caldeiras.

Segundo pesquisa encomendada pela ABRAVA, a instalação de 1 m2 de coletor solar para o


aquecimento de água evita o uso de 215 quilos de lenha por ano, ou de 66 litros de diesel por ano ou

105
ainda de 55 quilos de gás por ano, dependendo do combustível substituído pelo aquecedor solar.
Segundo a mesma pesquisa, quando substitui aquecedores elétricos, cada 1 m2 de aquecedor solar
evita a inundação de aproximadamente 56 m2 de terras férteis que seriam utilizadas para a
construção de hidrelétricas.

Os aquecedores solares são uma alternativa excelente para prover a água quente desejada nas
habitações, no comércio e nos serviços, e têm muito a contribuir para a mitigação dos impactos
socioambientais do setor elétrico brasileiro. A tecnologia apresenta amplas vantagens ambientais,
econômicas e sociais: por substituir hidroeletricidade e combustíveis fósseis, cada instalação de
aquecedores solares reduz de uma vez e para sempre o dano ambiental regional e local associado às
fontes de energia convencionais: não produz gases e materiais particulados que contribuem para a
poluição urbana, não requer área alagada adicional para geração de eletricidade e não deixa lixo
radiativo como uma herança perigosa para as gerações futuras.

Quando substituem combustíveis fósseis, os aquecedores solares reduzem a poluição ambiental por
óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, compostos orgânicos voláteis e
material particulado, trazendo grandes benefícios ao ar urbano.

Hoje é reconhecida e respeitada a política pública e liderança política que avança com a aplicação
difundida das tecnologias de energias renováveis no combate às mudanças climáticas, como é o caso
do aquecimento solar. “Metas firmes para penetração dos aquecedores solares deveriam ser
estabelecidas com confiança na esfera federal, estadual e municipal, pelos próximos 20 anos no
Brasil, assim como já é feito em vários locais do mundo.
Emissões anuais evitadas ( Toneladas de CO2)

140.000

emissões evitadas ( Toneladas de CO2) 121.287


120.000

105.244

100.000
90.187
Toneladas de Co2

77.674
80.000
65.751

60.000
47.131

37.022
40.000

20.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
ano

Figura 8 – Gráfico emissões anuais evitadas de CO2


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Considerações para os cálculos:


Fator de emissão: 0,28 kg CO2/ kWh economizado

Emissões evitadas de CO2 (2000-2006): 544.295 toneladas de CO2

106
Indicadores sociais do aquecimento solar

A estruturação da indústria brasileira de aquecimento solar evidencia um dos aspectos socais


positivos da tecnologia solar advindos da modularidade de suas aplicações, da descentralização de
sua produção gerando mais empregos por unidade de energia. A tabela 4 mostra o número de postos
de trabalho estimados na instalação, operação e na manutenção de equipamentos de geração de
fontes de energia distintas.
Postos de Trabalho anuais por
Fonte
Terawatt-hora
Nuclear 75
PCHs 120
Gás Natural 250
Hidroeletricidade 250
Petróleo 260
Petroleo Offshore 265
Carvao 370
Lenha 733 - 1.067
Eólica 918 -2.400
Álcool 3.711 - 5392
Solar( Fotovoltaica) 29.580 - 107.000
Figura 9 – Postos de trabalho gerados por diferentes fontes de energia
Fonte: Goldemberg,J. Coelho, S.T; Nastari, P.M.; Lucon,O. Ethanol learning curve- the Brazillian
esperience

A tecnologia termossolar segue a mesma lógica da geração de empregos da indústria solar


fotovoltaica e segundo estudo realizado pela ABRAVA-Associação Brasileira de Refrigeração, Ar
Condicionado, Ventilação e Aquecimento, através de seus Departamentos de Economia e de
Aquecimento Solar, o setor gera aproximadamente 55 empregos por MWth implantado, conforme
mostrado na figura 10.
Empregos Gerados por ano no Setor de Aquecimento Solar

20.000

18.480
18.000

16.722
16.000
14.980
15.194
14.000
11.935
Número de Empregos

12.000
12.462

10.000 10.010

8.000
Empregos gerados por ano
6.000

4.000

2.000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Ano

Figura 10 – Gráfico de empregos gerados por ano


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

107
Indicadores econômicos do aquecimento solar

Com o desenvolvimento tecnológico e amadurecimento da indústria nacional nos últimos 10 anos, o


Brasil começa a se tornar um pólo exportador da tecnologia solar de aquecimento de água como
evidencia a o gráfico da figura 10. As exportações de 2001 a 2005 apresentaram um crescimento
acumulado de 4256% com uma média anual de 157%.
Comércio Exterior no Setor de Aquecimento Solar

USD 450.000

TOTAL EXPORTAÇÃO
USD 400.000 TOTAL IMPORTAÇÃO

USD 350.000

USD 300.000

USD 250.000
Valores

USD 200.000

USD 150.000

USD 100.000

USD 50.000

USD -
2001 2002 2003 2004 2005 2006
TOTAL EXPORTAÇÃO USD 9.291 USD 11.715 USD 86.753 USD 225.688 USD 404.741 USD 313.364
TOTAL IMPORTAÇÃO USD 348.006 USD 191.112 USD 103.352 USD 254.815 USD 357.595 USD 288.359
Ano

Figura 11 – Comércio exterior no setor de aquecimento solar


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

Não obstante, tem sido também fundamental para uma maior inserção das empresas do Solar no
mercado externo o Programa ABRAVA Exporta, uma parceria da ABRAVA com a APEX-Brasil
(Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) para promover as exportações do setor de
Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento. O projeto foi implementado em 2004 e
contou com a participação da Heliotek, Soletrol, Transen e Tuma, bem como da Enalter e Polisol em
ações isoladas. Em junho dá-se início à nova fase do ABRAVA Exporta com a adesão de novas
empresas (Astrosol, Colsol, Maxtemper e Pantho), que participarão de feiras internacionais como a
Intersolar (Alemanha) e Climatización (Espanha) e missões empresariais ao Oriente Médio e
América do Sul.

108
Participacao dos Paises na Exportação em 2006

Austrália USD 118


TOTAL
Espanha USD 517 EXPORTAÇÃO

África do Sul USD 826

Peru USD 3.886

Chile USD 9.296

Uruguai USD 17.942


Paises

Argentina USD 18.961

Venezuela USD 21.856

Colômbia USD 32.074

Angola USD 33.398

Portugal USD 64.257

Emirados Árabes USD 69.714

USD - USD 10.000 USD 20.000 USD 30.000 USD 40.000 USD 50.000 USD 60.000 USD 70.000 USD 80.000
Valores

Figura 12 – Destinos das exportações brasileiras


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar
Origem das importações no setor de aquecimento solar

0,5%
China
USD 1.428

0,8%
Grécia
USD 2.276
Países

1,2%
Estados Unidos
USD 3.335

97,6%
Israel
USD 281.320

USD - USD 50.000 USD 100.000 USD 150.000 USD 200.000 USD 250.000 USD 300.000
Valores

Figura 13 – Origem das importações brasileiras


Fonte: ABRAVA-Departamento Nacional de Aquecimento Solar

109
110

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