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PSICOLOGIA FENOMENOLOGICA

Tem por objetivo favorecer a aproximação e compreensão do paciente de sua própria


existência, a qual possibilita que o paciente se liberte de seus modos restritos de se relacionar com as
pessoas e coisas do seu mundo, uma vez que a saúde humana consiste na capacidade ocupar-se
livremente de acordo com suas possibilidades, ou seja, a tarefa do terapeuta é ajudar os pacientes a
se desenvolverem no sentido das próprias possibilidades de sua existência.
O método fenomenológico consiste em descrever o mundo como é visto pelo sujeito, como
tal realidade é vivida por alguém, sendo esta vivência o objeto de estudo. Ao descreve-la desvenda
progressivamente a forma que o indivíduo se relaciona com o mundo, revelando o modo de agir e a
postura que adota. O que leva a definir um sentido, uma perspectiva e uma intencionalidade. A tarefa
de interpretação é simultaneamente hermenêutica e passiva, pois envolve a descoberta de sentidos
menos aparentes.
Características do fenômeno:
● Está relativamente escondido – Guarda um aspecto misteriosos, desconhecido, a ser
desvendado.
● Revela-se progressivamente –é conhecido através de aproximações sucessivas e
nunca de um só golpe.
● Sempre se dá a aparecer.
A terapia permite que por meio da linguagem possa se compreender e dar sentido a vida, o
modo de compreender é que dá o sentido.
A psicoterapia tem por objetivo ser uma forma de ajudar os pacientes a se desenvolverem de
acordo com suas possibilidades e condições de saúde. O terapeuta não leva consideração somente a
queixa do paciente, mas também suas potencialidades.
A Gestalt-terapia dá instrumentos para que a pessoa lide e supere suas dificuldades a
qualquer momento. O espaço terapêutico é justamente o espaço que a pessoa pode se perceber
como pessoa, neste espaço o caminho da descoberta da vivência é traçado pelo terapeuta
juntamente com o paciente.
O espaço terapêutico também proporciona a abertura à realidade, onde a pessoa pode
refletir acerca de sí, compreender sua realidade, se apropriar da forma que vive, além de encontrar
formas mais ajustadas de lidar com as questões de sua existência o que propicia o ajustamento
criativo.
A psicoterapia busca compreender o contexto histórico e cultural, deixando de lado as
rotulações trazidas pelo diagnostico.
A fenomenologia leva em consideração toda a história de significados construídos pela sua
vivencia, ou seja, os significados que ela atribuiu, considerando assim a complexidade do ser,
encarando a pessoa como um ser que se abre a diversas possibilidades, é ativo no mundo e não
somente moldado por este. (O que ele faz o que lhe fizeram)
Na psicologia fenomenológica é também considerada a elaboração do que a pessoa pensa
antes de falar, pois ela não se expressa somente ao relatar o que é vivido, mas também pelo que ela
expressa corporeamente. Pois o corpo é apropriador, torna próprio o que é do mundo, o corpo sente
o mundo, mas produz sentimento é uma metamorfose de sentido.
O que vivemos hoje ( aqui e agora) traz consigo o passado e o futuro, pois a forma que a
pessoa significou o passado é que a lançará para o futuro. O espaço terapêutico auxilia o paciente a
não viver de forma inautêntica, pois possibilita a reflexão sobre como ele está vivendo e como é que
ele está se lançando para o futuro.
A linguagem é forma que temos de expressar o que sentimos com o/no corpo. Nós somos
linguagem, o sentido do tempo pode ser descrito na fala, por meio da fala o paciente pode dizer e
fazer historia, quando fala de seu passado presente e futuro transcende o tempo cronológico.
O tempo pensado faz metamorfose no tempo fluído.
O terapeuta é quem caminha com o paciente na história dele, como testemunha de suas
vivencias.
As técnicas e instrumentos devem ser usadas levando em conta a historia ontogenética e a
singularidade do paciente.
O paciente pode apropria-se da síntese de quem ela é por meio do ouvir-se e do contato com
o outro. O interesse que o terapeuta demonstra ao paciente e ao que este fala, fará com que ele
expresse suas vivencias.
O principal objetivo do trabalho terapêutico é ser uma forma que o paciente tenha para
refletir sobre o que foi vivenciado e significado de forma a apropriar-se disso.
Quando o paciente se mostra em situação de angústia existencial, o psicoterapeuta deve
ampliar ao máximo juntamente com o paciente como seria permanecer nessa situação de não
escolha frente as incertezas.
CONCEITOS ABORDADOS NA TEMÁTICA
ABERTURA À REALIDADE: O próprio paciente busca compreender sua realidade, e se
apropriar da forma que ele vive.
VIVENCIA INAUTÊNTICA: Viver sem reflexão, sem dar-se conta dos significados que se atribui
as escolhas.
● AWARENESS (ter consciência de..): Processo de tomada de consciência de alguma coisa.
● FIGURA E FUNDO: O que se vê e o que está lá e não é percebido, formam uma Gestalt, que é
uma totalidade não fixa que muda de acordo com a intencionalidade e os interesses.
● “GESTALTEN”: É a Gestalt em movimento (situações), formação de “tonalidades” que mudam
e se reorganizam, há fluidez o que resulta em um processo dinâmico. A cada momento e de
acordo com as necessidades/interesses a figura muda.
● GESTALT CRISTALIZADA: Quando não há fluidez.
● TENDENCIA AO FECHAMENTO: Tendemos naturalmente a completar formas inacabadas ou
imperfeitas.
● CULPA EXISTENCIAL: É a culpa que surge por não escolher algo, pois ao escolher alguma coisa
se abdica de todas as outras. É também o aprisionamento do existente à acontecimentos
passados.. a queixa fica em torno do que a pessoa abriu mão.
● ANGÚSTIA EXISTENCIAL: O que se sente perante ao fato de ter que escolher sabendo que a
vida não é dotada de certezas e nem garantias.
● “PRINCIPIO DA PREGNANCIA” OU DA “BOA FORMA”: Tendência a organizar as coisas da
melhor forma possível em determinados momentos, considerando não só as nossas
possibilidades, mas também as condições do ambiente em que nos encontramos. Visando
uma autorregulação organismica, por meio da qual o organismo tenta se manter em
equilíbrio.
● AJUSTAMENTO CRIATIVO: Tendência a organizar as coisas da melhor forma possível.
● TEORIA DE CAMPO: O campo é definido como a “totalidade dos fatos que coexistem, ou seja,
que são interdependentes”. Ações ou situações não completadas (Gestalten abertas) são
fortemente registradas e carregadas de tensão (culpa existencial), as quais buscamos resolver
a fim de nos livrarmos dessa tensão desagradável que ocupa nossa energia, tornando-a
indisponível para outras atividades. A organização psicológica será tão boa quanto as
condições do contexto ao qual o indivíduo está inserido permitirem (princípio da boa forma).
Este é um movimento em prol do desenvolvimento humano Vir-a-ser (Dasein).
● TEORIA ORGANÍSMICA: Tendência natural à autorregulação organísmica, envolve um
processo de obtenção, perda, ganho e manutenção do equilíbrio da pessoa como um todo.
(Homeostase)
● SUSPENSÃO FENOMENOLOGICA: O terapeuta colocar em terceiro plano suas ideais
apriorísticas e julgamentos.
● CONTATO: Processo pelo qual uma figura de interesse se sobressai frente ao contexto
(fundo).
● SELF: Responsável pelos ajustamentos criativos, multiplicidade de contatos na fronteira de
contato.
● FUNCIONAMENTO GESTALTICO: Possibilidades que se desdobram em ação.
● USO DA FANTASIA: Recurso utilizado para expressar as coisas que tanto crianças, como
adolescentes e adultos tem dificuldade de admissão como realidade; faz com que estes falem
sobre os sentimentos representados pela criação fantasiosa, o que torna possível que
expressem seus sentimentos, e com isso, tomem consciência perceptiva, pessoal, ambiental,
corporal interior e emocional.

GESTALT-TERAPIA
O objetivo da Gestalt-terapia é dar meios para que a pessoa possa resolver seus problemas
atuais e quaisquer outros em qualquer outro momento da vida. O instrumento dado é a autoestima
que ela adquire ao entrar em contato consigo mesma e com seus problemas, com todos os recursos
que ela dispões no momento.
Tem influencias filosóficas tais como a fenomenologia, o existencialismo, fenomenologia
existencial. Dessa forma, na Gestalt-terapia se estuda a experiência do sujeito tal como ela ocorre, se
busca a descrição dos fenômenos e não sua explicação. Examina a experiência tal qual é percebida e
compreendida pelo sujeito (experiência vivida na intencionalidade do sujeito). Sendo a consciência
não uma estrutura psíquica e sim a consciência de algo. Influenciada também pelo existencialismo e
pela fenomenologia existencial, a gestalt-terapia enfatiza questões relacionadas à liberdade
individual, responsabilidade, subjetividade, a reflexão sobre sí mesmo como forma de desvelar sua
existência e dar sentido a ela, questões como a angústia perante o fato de a vida não ser dotada de
certezas e nem garantias e ainda assim os indivíduos necessitarem fazer escolhas. Na Gestalt-terapia,
as pessoas só não são livres de escolher.
AS DIFERENTES FUNÇÕES INAUTENTICAS NA PSICOTERAPIA
A responsabilidade do homem é traçar a sua vida, ao contrário dos animais em que a vida é
circunstancial e não são obrigados a fazer escolhas que vão definindo sua vida.
Este fato pode trazer em consequência a angústia existencial, pois esta é a angústia por não
ser determinado e ter que ser, angústia por não ser ainda. Por não ter certezas e precisar escolher
mesmo assim.
Ao fazermos escolhas, sentimos culpa pelo que abrimos mão ao escolher, a questão de ter
feito a melhor escolha ou não.
A angustia para Heidegger, é como se esta fosse um incomodo que não sabemos detectar
qual a razão.
A angustia ao mesmo tempo que oculta esta razão, ela a desvela e deixa clara., e é própria da
existência humana, pois é fruto das escolhas. Diante da angustia existencial a pessoa pode
paralisar-se no sentido de não escolher, por medo das consequências, assim não consegue mais
realizar escolhas perante as incertezas da vida. Neste caso o papel do terapeuta é ampliar ao
máximo essa experiência pois a pessoa precisa arriscar-se e fazer algum movimento frente as
incertezas.
O sí mesmo, assim como a subjetividade é constituído conforme as escolhas que fazemos no
cotidiano, e é este si mesmo que permite que pensemos sobre o cotidiano.
Ao fazermos escolhas, nos questionamos sobre elas e em alguns casos nos detemos no
passado o que caracteriza a culpa existencial. Nestes casos, o papel do psicólogo é trazer a tona a
vivencia inautêntica e mostrar-lhe que a partir do momento que não se responsabiliza pela própria
existência e permanece lamentando, está aprisionado ou se permanece na mesma escolha.
O trabalho terapêutico é olhar para historia do paciente e trabalhar o aqui e agora. Pois no
decorrer da historia é que nos constituímos como pessoa, e é essa constituição que guia e orienta o
que somos e vivemos hoje.
Ao mesmo tempo que vivemos no mundo, fazemos escolhas de acordo com a própria
subjetividade. Mas quando ocorre a perda do próprio referencial, as pessoas podem viver e escolher
comos as outras pessoas, elas perdem-se de si mesmas, pois ao não escolherem comportam-se
automaticamente. Passam a não decidir e ter o centro de referência nos outros. O individuo neste
caso não se reconhece como pessoa e ao deixar de escolher responsabiliza o outro. Nestes casos, é
indicado caminhar com o próprio paciente e auxilia-lo a buscar seu próprio referencial, insistindo
em suas contradições e atentando para as escolhas realizadas por ele próprio. Deixar claro para ele
como ele abre mão de sua liberdade ao deixar que outros escolham por ele.
⮚ RIGIDEZ FRENTE AO PRÓPRIO REFERENCIAL - o existente perde-se em si mesmo e
desconsidera o mundo ao seu redor. Vive auto-centrado e o mundo pretende atingi-lo.
Utiliza-se demasiadamente do pronome EU e todos estão errados ou estão contra ele ou
nutrem inveja por ele.
⮚ Os sentimentos relatados são de raiva, de vaidade e orgulho e as relações estabelecidas vêm
carregadas de conflito.
Na psicoterapia..
Importante a postura de aceitação.
Atento ao discurso do paciente o terapeuta pode buscar descentrar o referencial do cliente
na sua própria ação ou seja como o outro reage a ele. Mostrar-lhe que o outro existe numa relação.
⮚ PROJETO DE ACEITAÇÃO E APROVAÇÃO POR PARTE DO OUTRO - a existência presenteia o
existente no seu surgimento no mundo pela falta de sentido e pela solidão. Na tentativa de
superação da solidão, o outro pode se tornar imprescindível para que sua vida tenha
continuidade. Quando o outro se torna uma necessidade, a pessoa pode abrir mão de seus
referenciais, embora conhecendo-os, conhecendo seus valores, pode abrir mão de seu
projeto, pois seu sentido maior é escapar à solidão.
⮚ Nos primeiros contatos fala pouco de si , pois quer mostrar-se de acordo com as expectativas
do outro. A ansiedade é marca registrada, parecendo insegura e frágil.
Na psicoterapia..
O psicoterapeuta deve estar atento, pois se deixar aparecerem suas expectativas é assim que
o paciente irá se mostrar.
O cliente precisa entrar em contato com sua solidão e seu medo.
⮚ MINIMIZAÇÃO DO SOFRIMENTO – O contato do Dasein se dá pela disposição no mundo,
nesta zona de abertura para o mundo o humor ou sentimento é a condição de existir. Sentir
implica em medo, angústia, êxtase...
⮚ Minimizar a dor consiste numa estratégia permite alívio, mas a pessoa transforma-se um
“Eterno zero”.
⮚ Foge da situação, evita-a ou distorce-a. “Não é bem assim”. Justifica o não observar pela falta
de tempo, pelo medo de ser injusta... Não há tempo, nem espaço para ver o que realmente
acontece.
Na psicoterapia..
O psicoterapeuta deve trazer a realidade como ela é, mostrar todos os indícios, a fim de que
o paciente tenha a oportunidade de se confrontar com a sua realidade vivida.
⮚ MAXIMIZAÇÃO DO SOFRIMENTO – O cliente vive a auto-piedade; na sua abertura para o
mundo o humor ocupa um grande espaço.
⮚ O relato vem rico em lamentação. Vê o mundo com uma desconfiança extrema, utiliza “os
olhos da imaginação” para assim dar amplitude ao seu sofrimento.
Na psicoterapia..
O psicoterapeuta vai atuar de forma a apontar o exagero, romper com os olhos da
imaginação, traz à tona as incoerências.
⮚ NÃO ACEITAÇÃO DOS PRÓPRIOS LIMITES - Não aceitação do seu ser com suas
possibilidades e limitações.
⮚ Muitos clientes mostram-se insatisfeitos com suas condições, sejam financeiras, intelectuais
ou sociais. Queixam-se, também, de sua constituição física ou motivacional.
⮚ Lutam para tornar-se aquilo que sua originalidade não permite.
Na psicoterapia..
O psicoterapeuta vai atuar de forma a ampliar a consciência desta vivência desesperada,
mostrar que ele luta contra a maré.
Depois vai mostrar que a luta torna-se vazia, por fim procederá de forma que o cliente se
esmere na sua originalidade.
A TÉCNICA NA PSICOTERAPIA EXISTENCIAL
Compreender o ser humano como Dasein (ser-aí) confere uma marca bem definida para o
psicoterapeuta.
O psicólogo sabe que não tem poder (posse, domínio, controle) do existir do outro, mas
compreende e acredita na possibilidade de que seu cuidado seja ocasião para aquele que o
procura possa deter-se, prestar atenção e desvelar suas dificuldades e possibilidades.
A tarefa da psicoterapia é libertar o paciente para a sua tarefa de se aproximar de sua
história.
A terapia não cura (no sentido de eliminar um mal), mas cuida para ampliar a liberdade de
ser, de realizar a própria história.
Contexto terapêutico
O foco é entender a maneira como a pessoa existe, de que forma se relaciona consigo
mesma, com os outros e com tudo que se apresenta em seu mundo.
Psicoterapia é procura!
Pró-cura , onde cura quer dizer ‘cuidar’. Terapia é para cuidar. Cuidar do que?
Cuidar do existir , passo a passo... A ênfase está na busca do desvelamento.
⚫ Acaminhar
existência é um abrir-se para o futuro, levando junto o passado. Somos destinados a
...
Rollo May:
1. “O que é que manifesta melhor a existência deste indivíduo particular, neste momento de
sua história?”
2. “O que iluminará mais claramente seu ser-no-mundo?”
⮚ As técnicas devem ser utilizadas como um recurso de compreensão. O fundamental é que
haja uma razão concreta para utilizar uma determinada técnica e não utilizá-la como rotina.
⮚ Técnicas que podem ser utilizadas:
1. Metáforas – livros infantis, fábulas, contos;
2. Sonhos;
3. Morte – Atestado de óbito;
4. Dramatização;
5. Intervenções.
A escuta terapêutica deve ser trabalhada a fim de que possa atuar através da epoché
(suspensão de juízos, interpretações teóricas prévias) e exercitada com rigor segundo os seguintes
princípios:
1. Apreensão do discurso do cliente – captação intuitiva e integração significativa – Impressões
não devem ser conclusivas, mas investigadas.
2. Identificação de situações que se repetem – decifrar significados.
3. Dedução de partes constituintes de uma mesma forma de atuar no mundo. A partir de um
determinado conteúdo, que constitui uma dinâmica, conclui-se acerca da atuação em outras
situações, levando-se em conta que o contexto é análogo.
4. Pensamento Classificatório – é necessário como medida destinada a situar o contexto em
que se dão as perturbações da personalidade. Ex. J.V. - Def. Cog. ? Síndrome de Asperger?
Como é julgado no contexto de trabalho?
5. Busca de Informações - Atitude investigativa – sempre há algo para se ver e se dizer. Os testes
e entrevistas complementares, nos permitem chegar à conclusão diagnóstica.
6. Estrutura que compõe diferentes vivências – Significados que se repetem devem ser
procurados para compreender a estrutura daquela vivência.
7. Convém distinguir entre processos neuróticos e psicóticos: refletem sobre o prognóstico,
orientação e as indicações. .
As intervenções são atuações verbais e/ou não verbais do psicoterapeuta através das quais
ocorre:
1. Redução fenomenológica;
2. O psicoterapeuta amplia a perspectiva de sentido;
3. Na relação do eu com o outro, o sentido é transmitido;
4. Os modos de ser essencialmente existenciais.
O psicoterapeuta atua na possibilidade existencial inerente ao próprio discurso: a escuta.
Discurso e escuta se fundam na compreensão. Heidegger afirma que é na linguagem que o
indivíduo revela aquilo que ele esconde.
A atuação do terapeuta considera as condições do existir:
❖ sentimento;
❖ entendimento/significado;
❖ linguagem.
AS INTERVENÇÕES
1. INFORMATIVA – consiste em fornecer informações e esclarecimentos com o objetivo de
reduzir a ansiedade ou esclarecer fatos objetivando mudanças.
2. AVALIATIVA – avalia junto com o paciente uma decisão que ele irá tomar. Busca ampliar o
tempo de avaliação para que reflita mais sobre a situação.
3. APOIO – Objetiva reduzir a ansiedade e dar apoio. Quando o paciente vem aflito e o
terapeuta minimiza a situação. Necessário cautela com o que precisa ser trabalhado.
4. INTERPRETATIVA –
5. CLARIFICADORA DE VIVÊNCIA EMOCIONAL – o terapeuta clarifica a emoção trazida no
relato. Objetiva enfatizar o sentir e ter consciência do seu sentimento. Pode ser formulada
como pergunta ou como afirmativa.
6. REFLETORA DO CONTEÚDO VERBAL – o paciente traz um relato grande e o terapeuta
sintetiza-o e apresenta-o para o cliente. Objetiva organizar e ampliar a consciência. Mostra
que compreende, que está atento e convida-o ao aprofundamento. Fortalicde o vínculo.
7. INQUISITIVA - perguntas sobre o fato, sobre as intenções e sobre o sentimento. Objetivo é
explorar o tema.
8. REFLETORA DO CONTEÚDO NÃO-VERBAL - quando é mostrado ao cliente sua postura
fisionômica ou postural frente a uma situação exposta. Objetiva a ampliação da consciência.
9. PROVOCATIVA – quando o terapeuta estrutura sua fala de forma a provocar uma
reestruturação emocional do cliente.
10. APROFUNDAMENTO DAS QUESTÕES EMOCIONAIS – objetiva levar o cliente a aprofundar
a sua angústia de forma crescente, possibilitando a vivência da emoção, sempre que o cliente
permitir.
11. PROMOTORA DE RESPONSABILIDADE – a responsabilidade é uma questão crucial a ser
trabalhada na psicoterapia , considerando-se que o único a ser mudado é o cliente.
Caracteriza-se por usar a palavra você, invertendo-se a direção da ação, busca-se o
sentimento no cliente e não o que está fora dele.
12. ESCLARECEDORA DO NÚCLEO COMUM - o terapeuta levanta diferentes situações em que
a atuação do cliente se repete (a pessoa repete o mesmo padrão de comportamento).
Objetiva ampliar a consciência, revelando o conteúdo, na medida que se repete em
diferentes situações.
13. REVELADORA DE SITUAÇÕES CONFLITIVAS – trabalha-se a inautenticidade. O cliente por
vezes diz uma coisa e sua aparência parece negá-la (dois pesos e duas medidas para a mesma
situação. Pensamento, sentimento e ação não estão juntos.
14. PROMOTORA DE RISCO – é função do psicoterapeuta promover o risco. O que caracteriza
o neurótico – insistir na mesma opção, seu projeto é sempre o mesmo, por caminhos
diferentes. Há repetição (perseveração) de ideias. Psicótico projeto e caminho rigidamente
igual. Assim busca que o cliente se projete (se lance) numa situação de risco para antecipar o
sentimento na situação. Objetiva levar o cliente à ação.
15. ADVSERSATIVA OU PARADOXAL - o terapeuta dá ao cliente uma ideia contrária daquilo
que ele está passando a fim de que ele tome consciência de sua verbalização e reforce sua
ideia.
16. CLARIFICAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DA RESPONSABILIDADE – o cliente já traz o relato na
primeira pessoa como responsável pela situação e o terapeuta reforça a consciência de sua
responsabilidade.
17. EXEMPLIFICADORA – o terapeuta pede que o cliente exemplifique como o que está
relatando acontece em outras situações ou o próprio terapeuta exemplifica. Objetiva ampliar
a consciência e a ação. Fornece dados de realidade ao terapeuta.
18. FOCALIZADORA DO AQUI E AGORA – o cliente vive com o terapeuta uma situação que
vive com os demais. O terapeuta trabalha aquela situação, a partir do que está acontecendo
ali. Objetiva ampliar a consciência, assumir responsabilidades e reestruturar o cliente. É a
intervenção mais completa.
19 – EXPLORADORA DO COTIDIANO – a importância da cotidianidade – o terapeuta, a partir
da exploração do cotidiano do cliente, busca que ele identifique fatos que desencadearam
seu estado de humor. Objetiva encontrar dados que esclareçam o presente.
20 – DEFINIDORA – quando o terapeuta retira o cliente da generalização buscando as
definições do tipo: ninguém, quem especificamente? Todo mundo, quem? A gente, quem?
Tudo ou nada, o que? Objetiva acabar com o significado distorcido que pode levar a
generalização.
O terapeuta busca definição também quando o cliente usa outra forma de distorção, a
eliminação. O cliente elimina dados do relato e o terapeuta busca que o cliente defina estes
dados faltantes.
Distorcer é transformar a realidade. Objetiva em algo que tem significado apenas para ele. O
terapeuta busca que o cliente conscientize-se do que é realidade objetiva e o que é realidade
subjetiva.
21. BUSCA DO CENTRO DE REFERÊNCIA - o terapeuta ajuda o cliente a se nortear,
considerando seus próprios critérios e a diferenciá-los dos critérios das pessoas que lhe são
significativas. Objetiva buscar o centro de referência (o que eu fação por meu referencial e o
que faço pelo referencial do outro). Busca à diferenciação do outro, a autenticidade.
22. REVELADORA DAS EXPERIÊNCIAS DO TERAPEUTA – Relato de vivência do próprio
terapeuta. Objetiva mobilizá-lo, informá-lo e centrá-lo.

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