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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL

Atualizado em 03/05/2019: novos julgados

Pontos atualizados: nº 02 (Info 627); nº 04 (Info 643)

1. REGISTRO PÚBLICO DE PESSOAS NATURAIS


1.1. Exclusão dos sobrenomes paternos em razão do abandono pelo genitor – (Info 555)

Imagine que determinado indivíduo foi abandonado pelo pai quando era ainda criança,
tendo sido criado apenas pela mãe. Quando completou 18 anos, esse rapaz decidiu que
desejava que fosse excluído o nome de seu pai de seu assento de nascimento e que o
patronímico de seu pai fosse retirado de seu nome, incluindo-se o outro sobrenome da
mãe.
O STJ decidiu que esse pedido pode ser deferido e que pode ser excluído completamente
do nome civil do interessado os sobrenomes de seu pai, que o abandonou em tenra idade.
A jurisprudência tem adotado posicionamento mais flexível acerca da imutabilidade ou
definitividade do nome civil.
O princípio da imutabilidade do nome não é absoluto no sistema jurídico brasileiro. Além
disso, a referida flexibilização se justifica pelo próprio papel que o nome desempenha na
formação e consolidação da personalidade de uma pessoa.
Desse modo, o direito da pessoa de portar um nome que não lhe remeta às angústias
decorrentes do abandono paterno e, especialmente, corresponda à sua realidade familiar,
sobrepõe-se ao interesse público de imutabilidade do nome, já excepcionado pela própria
Lei de Registros Públicos.
Sendo assim, nos moldes preconizados pelo STJ, considerando que o nome é elemento da
personalidade, identificador e individualizador da pessoa na sociedade e no âmbito
familiar, conclui-se que o abandono pelo genitor caracteriza o justo motivo de o
interessado requerer a alteração de seu nome civil, com a respectiva exclusão completa dos
sobrenomes paternos.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.304.718-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 18/12/14 (Info
555).

1.2. Direito de a pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seu filho
após divórcio – (Info 555)

Se a genitora, ao se divorciar, volta a usar seu nome de solteira, é possível que o registro
de nascimento dos filhos seja retificado para constar na filiação o nome atual da mãe.
É direito subjetivo da pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seus
filhos após divórcio.
A averbação do patronímico no registro de nascimento do filho em decorrência do
casamento atrai, à luz do princípio da simetria, a aplicação da mesma norma à hipótese
inversa, qual seja, em decorrência do divórcio, um dos genitores deixa de utilizar o nome
de casado (art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 8.560/1992).
Em razão do princípio da segurança jurídica e da necessidade de preservação dos atos
jurídicos até então praticados, o nome de casada não deve ser suprimido dos
assentamentos, procedendo-se, tão somente, a averbação da alteração requerida após o
divórcio.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.279.952-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 3/2/15 (Info 555).

1.3. Alteração do nome posterior ao casamento – (Sem Info)


Imagine a seguinte situação: marido e mulher se casaram e, no momento da habilitação do
casamento, não requereram a alteração do nome. É possível que, posteriormente, um
possa acrescentar o sobrenome do outro?
SIM. É permitido incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que após a data da
celebração do casamento.
Vale ressaltar, no entanto, que esse acréscimo terá que ser feito por intermédio da ação de
retificação de registros públicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de Registros Públicos
(Lei nº 6.015/1973). Assim, não será possível a alteração pela via administrativa, mas
somente em juízo.
STJ. 4ª Turma. REsp 910094-SC, Rel. Raul Araújo, julgado em 4/9/2012.
OBS:
Exemplo: Ricardo Oliveira casou-se com Izabel Fontana. No processo de habilitação, não foi
solicitada a mudança de nome. Desse modo, após o casamento, os nomes permaneceram
iguais aos de solteiro. Ocorre que, após 5 anos de casada, Izabel decide acrescentar o
patronímico de seu marido. Para tanto, Izabel procura o Cartório (Registro Civil) onde foi
lavrada sua certidão de casamento e pede essa providência ao Registrador Civil. Este poderá
proceder à inclusão pleiteada? NÃO. Izabel e Ricardo deverão procurar um advogado e este
ajuizará uma ação de retificação de registro público, com base nos art. 57 e 109 da LRP,
expondo a situação. O juiz, após ouvir o Ministério Público, poderá determinar que Izabel
inclua em seu nome o patronímico de seu marido, passando a se chamar Izabel Fontana
Oliveira.

2. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO CIVIL


2.1. Homologação de acordo extrajudicial de retificação de registro civil – (Info 627)

É inadmissível a homologação de acordo extrajudicial de retificação de registro civil de


menor em juízo sem a observância dos requisitos e procedimento legalmente instituído
para essa finalidade.
Ex: Sandro namorava Letícia, que ficou grávida. Ao nascer a criança, Sandro a registrou
como sua filha. Alguns anos depois, por meio de um exame de DNA feito em uma clínica
particular, descobre-se que o pai biológico da menor é, na verdade, João. Diante disso, o
pai registral, o pai biológico e a criança, representada por sua mãe, celebraram um acordo
extrajudicial de anulação de assento civil. Por intermédio deste instrumento, as referidas
partes acordaram que haveria a retificação do registro civil da menor para que houvesse a
substituição do nome de seu pai registral pelo pai biológico. As partes ingressam com
pedido para que o juiz homologasse esse acordo. O pedido deverá ser negado.
STJ. 3ª Turma. REsp 1698717-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 5/6/18 (Info 627).
OBS:
Esse acordo não pode ser homologado porque foram descumpridos os requisitos e o
procedimento previstos na lei para essa finalidade. Vejamos:
1) Neste negócio jurídico, uma criança renunciou ao seu direito à filiação,
transferindo essa situação jurídica a um terceiro;
2) O negócio jurídico celebrado pelas partes teve como objeto um direito
personalíssimo, sobre o qual não se admite a transação, o que se depreende da
interpretação a contrario sensu do art. 841 do CC:
Art. 841. Só quanto a direitos patrimoniais de caráter privado se
permite a transação.
 
3) Esse negócio jurídico não preenche os requisitos básicos previstos no art. 104,
II e III, do CC, uma vez que se negociou objeto ILÍCITO – direitos da
personalidade de uma menor sem que tenha sido observada a forma prescrita
em lei quando se trata de retificação de registros civis.
4) Não se fez uma apuração mais aprofundada a respeito da existência de erro
ou de falsidade do registro da criança, condições indispensável para que se
possa modificar o registro de nascimento, na forma do art. 1.604 do CC.
5) Em um caso desta natureza, não se pode relegar ao Ministério Público o papel
de mero opinante no processo de homologação.
6) Não se pode utilizar o exame de DNA realizado em clínica particular como
meio de prova válido para homologar o acordo extrajudicial, especialmente
porque a prova pericial válida é aquela submetida ao crivo judicial, em que se
deve observar o efetivo contraditório e a ampla defesa, com a possibilidade de
acompanhamento da produção da prova por todos os atores do processo, com
oportuna quesitação, diligências, participação do assistente técnico e produção
de laudos técnicos convergentes ou divergentes.
7) Deveria ter sido realizado um estudos psicossocial para se verificar se
existia ou não vínculo socioafetivo entre a criança e o pai registral.

3. COMPRA E VENDA
3.1. Prevalência do valor atribuído pelo fisco para aplicação do art. 108 do CC – (Info 562)
– IMPORTANTE!!!

A compra e venda de bens IMÓVEIS pode ser feita por meio de contrato particular ou é
necessário escritura pública?
 Em regra: é necessário escritura pública (art. 108 do CC).
 Exceção: a compra e venda pode ser feita por contrato particular (ou seja, sem
escritura pública) se o valor do bem imóvel alienado for inferior a 30 salários-
mínimos.
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos
negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de
direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo
vigente no País.
Para fins do art. 108, deve-se adotar o preço dado pelas partes ou o valor calculado pelo
Fisco?
O valor calculado pelo Fisco. O art. 108 do CC fala em valor do imóvel (e não em preço do
negócio). Assim, havendo disparidade entre ambos, é o valor do imóvel calculado pelo
Fisco que deve ser levado em conta para verificar se será necessária ou não a elaboração da
escritura pública. A avaliação feita pela Fazenda Pública para fins de apuração do valor
venal do imóvel é baseada em critérios objetivos, previstos em lei, os quais admitem aos
interessados o conhecimento das circunstâncias consideradas na formação do quantum
atribuído ao bem. Logo, trata-se de um critério objetivo e público que evita a ocorrência
de fraudes.
Obs: está superado o Enunciado 289 das Jornadas de Direito Civil do CJF.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.480-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 2/12/14 (Info 562).

4. TABELIONATO DE PROTESTO
4.1. PROTESTO DE CDA: É possível o protesto de CDA – (Info 643) – IMPORTANTE!!!
RECURSO REPETITIVO!!!

A Fazenda Pública possui interesse e pode efetivar o protesto da CDA, documento de


dívida, na forma do art. 1º, § único, da Lei 9.492/97, com a redação dada pela Lei 12.767/12.
STJ. 1ª Seção. REsp 1686659-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 28/11/2018 (recurso
repetitivo) (Info 643).

4.2. Não cabem danos morais se houve protesto de cheque prescrito, mas cuja dívida
ainda poderia ser cobrada por outros meios – (Info 616)

O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a ensejar
danos morais ao devedor, se ainda remanescer ao credor vias alternativas para a cobrança
da dívida consubstanciada no título.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.772-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 14/11/17 (Info 616).

4.3. Sustação de protesto e prestação de contracautela – (Info 571) – IMPORTANTE!!!


A legislação de regência estabelece que o documento hábil a protesto extrajudicial é
aquele que caracteriza prova escrita de obrigação pecuniária líquida, certa e exigível.
Portanto, a sustação de protesto de título, por representar restrição a direito do credor,
exige prévio oferecimento de contracautela, a ser fixada conforme o prudente arbítrio do
magistrado.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.340.236-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 14/10/15 (recurso
repetitivo) (Info 571)

4.4. Protesto do cheque após o prazo de apresentação – (Info 556)

 O protesto do cheque efetuado contra os coobrigados para o exercício do direito


de regresso deve ocorrer antes de expirado o prazo de apresentação (art. 48 da Lei
7.357/85). Trata-se do chamado protesto necessário.
 O protesto de cheque efetuado contra o emitente pode ocorrer mesmo depois do
prazo de apresentação, desde que não escoado o prazo prescricional. Esse é o
protesto facultativo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.297.797-MG, Rel. João Otávio de Noronha, j. 24/2/15 (Info 556).

5. REGISTRO DE LOTEAMENTO
5.1. Competência para julgar recurso em impugnação a registro de loteamento urbano –
(Info 572)

Compete à Corregedoria do Tribunal de Justiça ou ao Conselho Superior da Magistratura


(e não a órgão jurisdicional de segunda instância do Tribunal de Justiça) julgar recurso
intentado contra decisão de juízo que julga impugnação ao registro de loteamento urbano.
Quem define se é a Corregedoria ou o Conselho Superior é o Regimento Interno do TJ ou
a Lei de Organização Judiciária do Estado. Esse recurso é um recurso administrativo (não
se trata de apelação).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.370.524-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 28/4/15 (Info 572).

6. PROTESTO
6.1. Intimação por edital e necessidade de esgotamento dos meios de localização do
devedor – (Info 579)

O tabelião, antes de intimar o devedor por edital, deve esgotar os meios de localização,
notadamente por meio do envio de intimação por via postal, no endereço fornecido por
aquele que procedeu ao apontamento do protesto.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão
Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, j. 24/2/16 (recurso repetitivo) (Info 579).
OBS:
O que é um protesto de título? É o ato público, formal e solene, realizado pelo tabelião, com
a finalidade de provar a inadimplência e o descumprimento de obrigação constante de título
de crédito ou de outros documentos de dívida. O protesto é regulado pela Lei 9492/97.

Quem é o responsável pelo protesto? O tabelião de protesto.

"O particular não pratica o protesto, mas solicita ao Tabelião que o


pratique. Este pode, depois de analisar os requisitos formais do
documento, negar-se a tal lavratura, caso encontre vício que
justifique a negativa.
(...)
O protesto é, pois, ato do tabelião de Protesto, que o pratica por
provocação do interessado, depois de respeitado o procedimento
legal." (BUENO, Sérgio Luiz. O protesto de títulos e outros
documentos de dívida. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 2011,
p. 20 e 21)
Quais são as vantagens do credor realizar o protesto? Existem inúmeros efeitos que
decorrem do protesto; no entanto, as duas principais vantagens para o credor são as
seguintes:
a) serve como meio de provar que o devedor está inadimplente;
b) funciona como uma forma de coerção para que o devedor cumpra sua obrigação sem que
seja necessária uma ação judicial (como o protesto lavrado gera um abalo no crédito do
devedor, que é inscrito nos cadastros de inadimplentes, a doutrina afirma que o receio de ter
um título protestado serve como um meio de cobrança extrajudicial do débito; ao ser
intimado do protesto, o devedor encontra uma forma de quitar seu débito).

Procedimento até ser registrado o protesto do título:


1) o credor leva o título até o tabelionato de protesto e faz a apresentação, pedindo que se
proceda ao protesto e informando os dados e endereço do devedor;
2) o tabelião de protesto examina os caracteres formais do título;
3) se o título não apresentar vícios formais, o tabelião realiza a intimação do suposto devedor
no endereço apresentado pelo credor (art. 14 da Lei nº 9.492/97);
4) a intimação é realizada para que o apontado devedor, no prazo de 3 dias, pague ou
providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado;

Após a intimação, poderão ocorrer quatro situações:


4.1) o devedor pagar (art. 19);
4.2) o apresentante desistir do protesto e retirar o título (art. 16);
4.3) o protesto ser sustado judicialmente (art. 17);
4.4) o devedor ficar inerte ou não conseguir sustar o protesto.

5) se ocorrer as situações 4.1, 4.2 ou 4.3: o título não será protestado;


6) se ocorrer a situação 4.4: o título será protestado (será lavrado e registrado o protesto).

Intimação: Como vimos acima, o tabelião irá determinar a intimação do devedor para que,
no prazo de 3 dias, pague ou providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado. As
regras da intimação estão previstas nos arts. 14 e 15 da Lei nº 9.492/97.

Regras sobre a intimação:


 Depois que o apresentante protocoliza no cartório o título ou documento de dívida, o
Tabelião de Protesto expedirá uma intimação ao devedor.
 O tabelião pode ir entregar pessoalmente a intimação, pode mandar por um
funcionário seu ou remeter pelos Correios (o mais comum).
 A intimação deverá ser entregue no endereço fornecido pelo apresentante do título
ou documento. Assim, quando uma pessoa vai pedir para que um título seja
protestado, ela já tem que levar o endereço do devedor.
 Para que seja válida, é necessário que fique comprovado que uma pessoa maior e
capaz recebeu a intimação no endereço do devedor. Para isso, é indispensável que a
pessoa que recebeu assine um protocolo, aviso de recepção (AR) ou outro documento
equivalente.
 Vale ressaltar, mais uma vez, que, para que a intimação seja válida, basta que ela
tenha sido entregue para alguém no endereço fornecido pelo apresentante do título
ou documento como sendo do devedor. A lei não exige que o próprio devedor receba
a intimação, bastando que ela seja entregue em seu endereço.
 A intimação deverá conter nome e endereço do devedor, elementos de identificação
do título ou documento de dívida, e prazo limite para cumprimento da obrigação no
Tabelionato, bem como número do protocolo e valor a ser pago.

Formas de intimação: Há duas formas de intimação:


a) mediante remessa pelo tabelião e entrega no endereço do devedor;
b) por edital (art. 15).

Hipóteses de intimação por edital: A intimação será feita por edital se a pessoa indicada para
aceitar ou pagar (devedor) for:
a) desconhecida;
b) tiver sua localização incerta ou ignorada;
c) for residente ou domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato; ou
d) caso ninguém se disponha a receber a intimação no endereço fornecido.

Esgotar todos os meios: Segundo a jurisprudência do STJ, a intimação do protesto por edital
somente pode ser considerada meio hábil para a caracterização da mora se tiverem sido
esgotadas todas as possibilidades de se localizar o devedor. Assim, se o apresentante tiver
fornecido algum endereço do devedor, o tabelião só poderá intimá-lo por edital se primeiro
tentar enviar a intimação para este endereço e não conseguir que ninguém o receba.

Como será a publicidade do edital: O edital será:


 afixado no quadro de avisos do cartório do Tabelionato de Protesto; e
 publicado pela imprensa local onde houver jornal de circulação diária.

Má-fé do apresentante: Se o apresentante fornecer endereço incorreto, agindo de má-fé,


responderá por perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções civis, administrativas ou
penais (art. 15, § 2º).

6.2. Local onde deverá ser realizado o protesto de cédula de crédito bancário garantida
por alienação fiduciária – (Info 579)

É possível, à escolha do credor, o protesto de cédula de crédito bancário garantida por


alienação fiduciária, no tabelionato em que se situa a praça de pagamento indicada no
título ou no domicílio do devedor.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão
Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, j. 24/2/16 (recurso repetitivo) (Info 579).
OBS:
Imagine a seguinte situação hipotética: João recebeu mútuo bancário de R$ 100 mil e emitiu
em favor da instituição financeira uma Cédula de Crédito Bancário (CCB). Além disso, como
garantia, ele fez a cessão fiduciária para o banco de um caminhão. Em outras palavras, João
cedeu fiduciariamente o veículo para o banco. Se ele pagasse o empréstimo, o banco
"devolveria" o bem; caso se tornasse inadimplente, o banco se tornaria, em definitivo,
proprietário do caminhão.

Cédula de Crédito Bancário (CCB) com garantia: É um título de crédito extremamente


comum na atividade empresarial, estando disciplinada nos arts. 26 a 45 da Lei nº
10.931/2004. Quando uma pessoa física ou jurídica adquire um empréstimo bancário, a
instituição financeira exige que este mutuário emita, em favor do banco, uma cédula de
crédito bancário, que é um papel no qual o emitente se compromete a pagar para o
beneficiário determinada quantia ali prevista. Este papel (CCB) fica em poder do credor. Caso
o emitente não cumpra a sua promessa e não pague a dívida no prazo, o credor poderá
executar a CCB, que é um título de crédito e, portanto, título executivo extrajudicial. A CCB
poderá ser emitida com ou sem garantia (art. 27 da Lei nº 10.931/2004). Em caso de
empréstimo de pequenos valores, os bancos normalmente não exigem garantia, bastando a
CCB, que é, como vimos, título executivo. No entanto, se a quantia for grande, as instituições
exigem que o mutuário, além de emitir a cédula, forneça uma garantia (ex: hipoteca de um
bem imóvel, cessão fiduciária de bens móveis etc.). Em nosso exemplo, o banco exigiu a
garantia.

Voltando ao exemplo: João deixou de pagar as prestações do empréstimo e tornou-se


inadimplente. Diante disso, o banco levou o título para ser protestado pelo Tabelionato de
Protesto. Vale ressaltar que João morava em Campinas, o banco se situava em São Bernardo
e, no título, estava indicado São Paulo (capital) como praça (local) de pagamento do título.

Diante desta diversidade de locais, indaga-se: onde deverá ser lavrado este protesto? Em São
Paulo (capital) ou em Campinas. Foi a tese fixada pelo STJ em recurso repetitivo.
A determinação para que o protesto seja feito no local indicado pelo título como praça de
pagamento está prevista no art. 28, parágrafo único, do Decreto 2.044/1908:

Art. 28. A letra que houver de ser protestada por falta de aceite ou
de pagamento deve ser entregue ao oficial competente, no primeiro
dia útil que se seguir ao da recusa do aceite ou ao do vencimento, e
o respectivo protesto, tirado dentro de três dias úteis.
Parágrafo único. O protesto deve ser tirado do lugar indicado na
letra para o aceite ou para o pagamento. Sacada ou aceita a letra
para ser paga em outro domicílio que não o do sacado, naquele
domicílio deve ser tirado o protesto.

Também pode ser admitido que o protesto ocorra no domicílio do devedor porque isso se
mostra mais vantajoso para ele, de forma que não poderá invocar qualquer nulidade no ato.

6.3. Não cancelamento do protesto pela prescrição do título cambial – (Info 562)

João não pagou uma nota promissória que emitiu em favor da empresa “XX”. Diante
disso, a empresa levou a nota promissória a protesto no Tabelionato de Protesto. Quatro
anos depois, a empresa ajuizou execução de título extrajudicial contra João cobrando o
valor estampado na nota promissória. A execução, contudo, foi extinta porque o juiz
constatou que houve prescrição da ação executiva. João ajuizou ação de cancelamento do
protesto, alegando que, como houve a prescrição da execução, deveria automaticamente
ocorrer o cancelamento do protesto realizado. A tese de João está correta?
NÃO. A prescrição da pretensão executória de título cambial não enseja o cancelamento
automático de anterior protesto regularmente lavrado e registrado. A validade do protesto
não está diretamente relacionada com a exequibilidade do título ou de outro documento
de dívida, mas sim com a inadimplência e o descumprimento da obrigação representada
nestes papéis.
A inadimplência e o descumprimento não desaparecem com a mera prescrição do título
executivo não quitado. Em outras palavras, o devedor continua sendo inadimplente,
apesar de o título não poder mais ser cobrado mediante execução. Então, não pode o
protesto ser cancelado simplesmente pelo fato de ele não poder ser mais executado.
Vale lembrar que, mesmo havendo a prescrição da ação executiva, o credor ainda poderá
cobrar o valor da nota promissória por meio da ação monitória.
STJ. 4ª Turma. REsp 813.381-SP, Rel. Min. Raul Araújo, j. 20/11/14 (Info 562).

7. PROTESTO DE TÍTULO
7.1. Prévia notificação e registros oriundos do cartório de protesto – (Info 554) –
IMPORTANTE!!!

Para que o órgão de proteção de crédito (exs.: SPC e SERASA) inclua o nome de um
consumidor no cadastro de inadimplentes, é necessário que, antes, ele seja notificado?
 REGRA: SIM. Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito a
notificação do devedor antes de proceder à inscrição (Súmula 359-STJ). A ausência
de prévia comunicação enseja indenização por danos morais.
 EXCEÇÃO: é dispensada a prévia comunicação do devedor se o órgão de restrição
ao crédito estiver apenas reproduzindo informação negativa que conste de registro
público.
“Diante da presunção legal de veracidade e publicidade inerente aos registros do cartório
de protesto, a reprodução objetiva, fiel, atualizada e clara desses dados na base de órgão
de proteção ao crédito - ainda que sem a ciência do consumidor - não tem o condão de
ensejar obrigação de reparação de danos.”
STJ. 2ª Seção. REsp 1.344.352-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, j. 12/11/14
(recurso repetitivo) (Info 554).
7.2. Responsabilidade pela baixa após o pagamento – (Info 549) – IMPORTANTE!!!

Após o pagamento do título protestado, o credor que foi pago tem a responsabilidade de
retirar o protesto lavrado?
NÃO. Após a quitação da dívida, incumbe ao DEVEDOR providenciar o cancelamento do
protesto, salvo se foi combinado o contrário entre ele e o credor.
No regime próprio da Lei 9.492/1997, legitimamente protestado o título de crédito ou outro
documento de dívida, salvo inequívoca pactuação em sentido contrário, incumbe ao
devedor, após a quitação da dívida, providenciar o cancelamento do protesto.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.339.436-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 10/9/14 (recurso
repetitivo) (Info 549).

8. PROCEDIMENTO DE DÚVIDA
8.1. Não cabe recurso especial ou extraordinário – (Info 595) – IMPORTANTE!!!

Não cabe recurso especial contra decisão proferida em procedimento de dúvida registral,
sendo irrelevantes a existência de litigiosidade ou o fato de o julgamento emanar de órgão
do Poder Judiciário, em função atípica.
O procedimento de dúvida registral tem, por força de expressa previsão legal, natureza
administrativa (art. 204 da LRP), não se qualificando como prestação jurisdicional.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.570.655-GO, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, j. 23/11/16 (Info 595).

8.2. Descabimento de intervenção de terceiros em procedimento de dúvida registraria –


(Info 582)

Não é cabível a intervenção de terceiros em procedimento de dúvida registral suscitada


por Oficial de Registro de Imóveis (arts. 198 a 207 da Lei nº 6.015/73).
STJ. 4ª Turma. RMS 39.236-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 26/4/2016 (Info 582).
OBS:
Não existe previsão legal para a intervenção de terceiros na dúvida, que possui, na verdade,
natureza de procedimento administrativo (não jurisdicional), agindo o juiz singular ou o
colegiado em atividade de controle da Administração Pública.

9. EMOLUMENTOS
9.1. Valor relativo à inscrição de cédula de crédito rural é fixado em lei estadual – (Info
587)

Na cobrança para o registro de cédula de crédito rural não se aplica o art. 34 do DL 167/67,
e sim lei estadual que, em conformidade com a Lei 10.169/00, fixa o valor dos respectivos
emolumentos.
O art. 34 do DL 167/1967 foi derrogado pela Lei º 10.169/00, que autorizou os Estados/DF a
fixarem o valor dos emolumentos.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.142.006-MG, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado
do TRF da 1ª Região), Rel. para acórdão Min. Regina Helena Costa, j. 16/6/16 (Info 587).

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