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ATIVIDADE INDIVIDUAL

Matriz de atividade individual

Disciplina: Gestão de Tributos Módulo: 1021-1_4

Aluno: Turma: 1_4

Tarefa: A empresa Sempre Varejo, do ramo do comércio, resolveu efetuar um planejamento


tributário visando ser mais competitiva no mercado atual e maximizar os seus resultados.
Por meio desse planejamento, a empresa espera entender que regime de tributação lhe é mais
favorável e, desse modo, confirmar se o modelo atual proporciona uma situação favorável ou
desfavorável junto aos seus concorrentes.

Questão 1 - A escolha pelos diferentes tipos de regime de apuração tributária impacta


apenas os tributos diretos ou podem também impactar os tributos indiretos? Dê
exemplos.

Primeiramente vale destacar que a decisão sobre qual regime tributário adotar
(quando tal escolha é possível) é uma das mais importantes etapas para o sucesso de
qualquer empresa. Uma escolha mal feita ou até mesmo errada pode gerar a necessidade
de pagamento de impostos desnecessários que podem impactar significamente as
condições financeiras da empresa ou ainda pode gerar sérios problemas fiscais com a
Receita Federal. De acordo com Santos (2018), existem três tipos de regime de tributação a
serem adotados pelas empresas. De forma resumida, são eles:

- Lucro Real: apurado a partir do resultado contábil ajustado pelas adições,


exclusões ou compensações autorizadas pela legislação tributária nacional (Santos,
p.63). As alíquotas a serem recolhidas serão maiores (PIS = 1,65% e Cofins = 7,6%, sem
considerar as despesas passíveis de crédito). Todas as empresas nacionais podem
adotar esse regime de tributação, no entanto, empresas que se enquadrem no Art. 14
(como por exemplo empresas cuja receita total anual seja superior ao limite de R$
78.000.000,00 ou que tiverem rendimentos no exterior) são obrigadas a adotar a
apuração do lucro real.

- Lucro presumido: possibilita à legislação presumir certos lucros que a empresa


teria com base nas suas atividades (Santos, p. 65). As alíquotas a serem pagas serão
menores (PIS = 0,65% e Cofins = 3,00%). Sua sistemática simplifica bastante os cálculos
de apuração e recolhimento de impostos, no entanto, caso o seu lucro seja inferior ao
presumido, tal sistemática pode não ser favorável para a empresa. Por outro lado, caso o
lucro seja superior ao presumido pela legislação, essa empresa pode vir a recolher um
valor inferior ao que seria devido caso estivesse apurando os seus tributos baseado no
lucro real.
- Simples Nacional (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e
Contribuições): de acordo com Machado e citado por Santos (2018, p. 71), é o sistema de
tributação no “qual a empresa faz o pagamento unificado de diversos tributos, aplicando
sobre sua receita bruta uma alíquota única, que é determinada segundo as peculiaridades da
empresa inscrita nesse Sistema, atualmente disciplinado pela Lei Complementar 123, de
14.12.2006, já objeto de diversas alterações.” Por ser considerado um tratamento
diferenciado, tal sistemática tributária pode gerar grandes economias para as empresas de
pequeno porte que a adotarem, o que mostra a importäncia de um planejamento tributário
realizado por pessoas competentes (de preferência um contador com experiência) e que
conheçam as legislações, as diferenças dentre os sistemas tributários para os diversos tipos
de negócio, área de atuação entre outros.

Apresentadas as diferentes tributações nacionais, tem-se agora, de acordo com


Santos (2018, p. 11-12) as diferentes classificações de impostos que são:

- Reais: não levam em consideração as características pessoais do contribuinte, ou


seja, se limita a descrever um fato indiferente ao eventual sujeito passivo. Um exemplo de
imposto real seria o IPVA (imposto sobre a propriedade de veículos automotores).

- Pessoais: exatamente o oposto dos impostos reais, levam em consideração as


características pessoais so contribuinte. Um exemplo seria o IR (imposto de renda).

- Diretos: não comportam a transferência do ônus fiscal, da carga tributária, a


terceiros. Em outras palavras, os impostos diretos são aqueles que incidem diretamente
sobre a renda da pessoa, quanto mais ela ganha, mais imposto ela paga. Exemplos de
impostos diretos são o IR (imposto de renda) e o IPTU (imposto predial e territorial urbano).

- Indiretos: exatamente o contrário dos impostos diretos, comportam a transferência


do ônus fiscal, da carga tributária, a terceiros. Em outras palavras, impostos indiretos são
aqueles que incidem sobre o produto (e não sobre a renda da pessoa) e podem ser
repassados a terceiros (a quem consome o produto). Exemplos de impostos indiretos são o
IPI (imposto sobre produtos industrializados) e o ICMS (imposto sobre circulação de
mercadorias e serviços).

Apresentadas as definições de sistemas tributários e diferentes classificações de


impostos, pode-se dizer que a escolha pelos diferentes tipos de regime de apuração
tributária impacta tanto os tributos diretos ou como podem também impactar os tributos
indiretos, uma vez que a empresa tem que recolher e também declarar anualmente tanto
seus tributos diretos quanto indiretos.

Um exemplo seria de uma empresa que opta pelo regime de tributação do lucro

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presumido. Nesse caso, além da empresa não poder tomar crédito sobre as despesas ou
mercadorias que venham a ser dispendidas ou adquiridas, os impostos diretos (CSLL e
IRPJ), terão alíquotas definidas pela Receita Federal, enquanto que os indiretos (PIS e
Cofins), nesse caso seriam cumulativos e, consequentemente afetados.

Outro exemplo seria o de uma empresa que opta pelo regime de tributação por lucro
real. Nesse caso, os tributos diretos (CSLL e IRPJ) serão baseados no valor do resultado do
exercício antes da provisão para o IR, enquanto que os indiretos (PIS e Cofins) passariam a
ser não cumulativos.

Questão 2 - Acerca do IRPJ e da CSLL, qual regime de apuração tributária seria mais
interessante à empresa Sempre Varejo, lucro real ou lucro presumido?

Conforme mencionado na questão anterior e seguindo a definação de Santos (2018,


p. 58) o planejamento acerca do conhecido imposto de renda incidente sobre as pessoas
jurídicas (IRPJ) pode ser responsável pela diferença entre um cenário lucrativo ou negativo à
empresa e sua base de cálculo sobre a qual esse tributo incindirá pode ser real ou
presumida. Já a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) incide, como seu próprio
nome diz, sobre o lucro e se parece muito com o IRPJ. Sendo assim, seu planejamento
também se faz muito importante para a empresa, pois ele também pode ser a diferença entre
o sucesso ou fracasso da mesma.

Também conforme mencionado anteriormente, mas de forma sucinta, o lucro real


tem como objetivo apurar o lucro obtido por uma empresa em um determinado período.
Segundo Santos (2018, p. 63), esse lucro é apurado a partir do resultado contábil ajustado
pelas adições, exclusões ou compensações autorizadas pela legislação tributária nacional.
Conforme apresentado na Tabela 1, as alíquotas adotadas serão de 15,0% para o IRPJ e,
tendo em vista que a empresa Sempre Varejo teve um lucro anual superior a R$ 240.000,00
(ou superior a R$ 20.000,00 por mês), haverá um recolhimento de IRPJ adicional de 10,0%
sobre esse lucro excedente. Já a alíquota do CSLL será de 9,0% sobre o lucro da empresa
antes do imposto de renda (LAIR).

Tabela 1: Alíquotas do IRPJ e CSLL para cálculo do lucro real


Alíquotas - Lucro Real
IRPJ 15,0%
IRPJ - adicional (acima de R$240.000,00 ao ano) 10,0%
CSLL 9,0%

Sendo assim, conforme os cálculos disponíveis no arquivo Excel anexado a esse

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documento e apresentado na Tabela 2, tem-se que o regime de apuração tributária do lucro
real da empresa Sempre Varejo resultaria em um pagamento de IRPJ e CSLL total de R$
316.000,00.

Tabela 2: Tributos a pagar utilizando o sistema de lucro real


Lucro Real (incidencia cumulativa)
Lucro antes dos impostos (LAIR) R$ 1.000.000,00 Alíquotas
IRPJ a pagar R$ 226.000,00
IRPJ R$ 150.000,00 15,00%
IRPJ - adicional (acima de R$ 240.000,00/ano) R$ 76.000,00 10,00%
CSLL a pagar R$ 90.000,00 9,00%
CSLL R$ 90.000,00 9,00%
Tributos a Pagar R$ 316.000,00

Outra sistemática existente no Brasil é o lucro presumido. Conforme mencionado


anteriormente e ainda seguindo Santos (2018, p. 65), essa sistemática possibilita à
legislação presumir certos lucros que a empresa teria com base nas suas atividades,
simplificando bastante os cálculos que a empresa deve efetuar para apurar e recolher os
seus tributos. Como apresentado na Tabela 3, as alíquotas adotadas para o IRPJ serão de
15,0% e de 10,0% para o IRPJ adicional, uma vez que, como mencionado, a empresa
possui um lucro superior a R$ 240.000,00 no ano. A alíquota adotada para o IRPJ usado
como base de cálculo será de 8,0% da receita bruta e de 12,0% dessa receita para o cálculo
do CSLL de base, enquanto que o CSLL será de 9,0%.

Tabela 3: Alíquotas do IRPJ e CSLL para cálculo do lucro presumido


Alíquotas - Lucro Presumido
IRPJ - base de cálculo 8,0%
IRPJ 15,0%
IRPJ - adicional (acima de R$240.000,00 ao ano) 10,0%
CSLL - base de cálculo 12,0%
CSLL 9,0%

Sendo assim, conforme valores apresentados na Tabela 4 e cálculos no arquivo


anexado, tem-se que o regime de apuração tributária do lucro presumido da empresa
Sempre Varejo resultaria em um pagamento de IRPJ e CSLL total de R$ 345.600,00.

Tabela 4: Tributos a pagar utilizando o sistema de lucro presumido

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Lucro Presumido (incidencia nao cumulativa)
Receita Bruta R$ 12.000.000,00 Alíquotas
IRPJ a pagar R$ 216.000,00
IRPJ - base de cálculo R$ 960.000,00 8,00%
IRPJ R$ 144.000,00 15,00%
IRPJ - adicional (acima de R$ 240.000,00/ano) R$ 72.000,00 10,00%
CSLL a pagar R$ 129.600,00
CSLL - base de cálculo R$ 1.440.000,00 12,00%
CSLL R$ 129.600,00 9,00%
Tributos a Pagar R$ 345.600,00

Comparando-se os dois resultados (Tabelas 2 e 4), fica claro que, para a empresa
Sempre Varejo o sistema de apuração tributário mais vantajoso é o sistema de lucro real.
Utilizando-se desse sistema a empresa pagará R$ 316.000,00 em tributos, sendo R$
29.600,00 a menos do que se utilizar o sistema do lucro presumido, economizando
aproximadamente 8,6% com esses impostos (IRPJ e CSLL).

Questão 3 - Acerca do PIS e da Cofins, qual regime de apuração tributária seria mais
interessante à empresa Sempre Varejo, lucro real ou lucro presumido?

Ainda seguindo Santos (2018, p.49), existem tributos que todas as empresas devem
pagar, independente das suas atividades, e esse é o caso do Programa de Integração Social
(PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Tais tributos
são incididentes sobre a receita ou faturamento das empresas e as alíquotas a serem
aplicadas variam de acordo com o regime de tributação escolhido, quando for possível
escolher.

Como pode ser visto na Tabela 5, as alíquotas a serem adotadas no regime do


lucro real serão de 1,65% para o PIS e 7,60% para o Cofins. Nessa opção do lucro real, a
empresa poderá tomar créditos sobre algumas despesas e/ou mercadorias específicas.
Para a Sempre Varejo dentre tais depesas estão as mercadorias e as despesas
organizacionais (aluguel e energia elétrica da empresa).

Tabela 5: Alíquotas do PIS e Cofins para cálculo do lucro presumido


Alíquotas - Lucro Real
PIS 1,65%
COFINS 7,60%

Ao adotar esse regime de tributação do lucro real, conforme apresentado na


Tabela 6 (matriz de cálculos no arquivo anexado), se a Sempre Varejo adotar esse
sistema trinutário terá que pagar R$ 370.000,00 em tributos.

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Tabela 6: Tributos a pagar utilizando o sistema de lucro presumido
Lucro Real (incidencia cumulativa)
Receita Bruta R$ 12.000.000,00 Alíquotas
PIS a pagar R$ 66.000,00
PIS (apurado) R$ 198.000,00 1,65%
PIS (crédito) -R$ 132.000,00 1,65%
COFINS a pagar R$ 304.000,00
COFINS (apurado) R$ 912.000,00 7,60%
COFINS (crédito) -R$ 608.000,00 7,60%
Tributos a Pagar R$ 370.000,00
Conforme resumido na Tabela 7, as alíquotas a serem aplicadas no regime de
tributação de lucro presumido sempre serão de 0,65% para o PIS e 3,00% para o Cofins.

Tabela 7: Alíquotas do PIS e Cofins para cálculo do lucro presumido


Alíquotas - Lucro Presumido
PIS 0,65%
COFINS 3,00%

Ao adotar esse regime de tributação do lucro presumido, ao contrário do que


apresentado na Tabela 6, a empresa não poderá tomar nenhum crédito sobre as
despesas ou mercadorias adquiridas. Sendo assim, conforme apresentado na Tabela 8
e na matriz de cálculos no arquivo anexado, se a Sempre Varejo adotar esse sistema
trinutário terá que pagar R$ 438.000,00 em tributos.

Tabela 8: Tributos a pagar utilizando o sistema de lucro presumido


Lucro Presumido (incidencia nao cumulativa)
Receita Bruta R$ 12.000.000,00 Alíquotas
PIS a pagar R$ 78.000,00
PIS (apurado) R$ 78.000,00 0,65%
PIS (crédito) - nao tem direito - 0,65%
COFINS a pagar R$ 360.000,00
COFINS (apurado) R$ 360.000,00 3,00%
COFINS (crédito) - nao tem direito - 3,00%
Tributos a Pagar R$ 438.000,00

Comparando-se os dois resultados (Tabelas 6 e 8), fica claro que, para a empresa
Sempre Varejo o sistema de apuração tributário mais vantajoso é o sistema de lucro real.
Utilizando-se desse sistema a empresa pagará R$ 370.000,00 em tributos, sendo R$
68.000,00 a menos do que se utilizar o sistema do lucro presumido, economizando
aproximadamente 15,5% com esses impostos (PIS e Cofins).

Questão 4 - Caso a empresa pense em optar pela sistemática do Simples Nacional, se


possível, qual será a alíquota efetiva a ser aplicada sobre o faturamento mensal da
mesma (considerando que a receita bruta dos últimos 12 meses é idêntica à receita

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bruta do ano de 20XX)?

Conforme mencionado na primeira questão, o Simples Nacional (Sistema Integrado


de Pagamento de Impostos e Contribuições) é o sistema de tributação no qual a empresa faz
o pagamento unificado de diversos tributos, aplicando sobre sua receita bruta uma alíquota
única, o que pode gerar grandes economias para as empresas de pequeno porte que o
adotarem.

O cálculo do simples é baseado na receita bruta da empresa, sendo que a alíquota


incidente é determinada através de uma tabela dividida em 6 faixas, sendo o seu maior valor
a receita bruta em 12 meses de R$ 4.800.000,00 (ou R$ 400.000,00 mensais).

Ao se analisar os arts. 28 a 32 da Lei Complementar nº 123/2006, tem-se as


condições que excluem a possibilidade de empresas adotarem o Simples Nacional. Dentre
essas condições está o item “ultrapassar o limite proporcional de receita bruta”, ou seja,
empresas que possuam uma receita bruta que ultrapasse os R$ 4.800.000,00 anuais não
podem adotar o sistema do Simples Nacional.

Dito isso, conforme apresentado no enunciado e se considerando que a receita bruta


dos últimos 12 meses é a mesma que a do ano de 20xx, por possuir uma receita bruta anual
de R$ 12.000.000,00, a Sempre Varejo está impossibilitada de optar pelo sistema tributário
do Simples Nacional.

Referências bibliográficas

SANTOS, Renan & ERCOLIN, Carlos Alberto. Gestão de Tributos. Rio de Janeiro:
FGV Editora, 2018. 84 p. Apostila do Curso de Gestão de Tributos – Fundação Getúlio
Vargas.

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