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Resumo Complexo Gengivite Estomatite Faringite

O complexo gengivite-estomatite-faringite (CGEF) felina, também conhecido como


gengivite-estomatite-faringite linfocítico-plasmocitária, é doença comum causadora de
inflamação, ulceração e proliferação dos tecidos moles da boca. Geralmente são acometidos
gatos de meia-idade; um estudo informou que a idade média dos gatos acometidos é 7,1 anos,
com variação entre 4 e 17 anos. Gatos de raça pura podem estar super-representados. A área
da boca atingida com maior freqüência são os arcos glossopalatinos (fauces).
Gengiva, faringe, palato mole, lábios e língua são menos acometidos. As lesões estão
associadas à densa infiltração de linfócitos e plasmócitos na mucosa e submucosa bucais.
Desconhece-se a etiologia de CGEF, mas acredita-se que seja multifatorial com um
componente imunomediado, possivelmente representando hipersensibilidade a antígenos
bacterianos bucais. Geralmente as bacteroides spp. são cultivadas da cavidade bucal em
associação a essa doença; mas é improvável que a causa primária seja infecção bacteriana,
pois a antibioticoterapia não elimina a doença e, freqüentemente, a terapia imunomoduladora
ajuda a curar as lesões. Doença dental também é um provável fator contributivo para CGEF,
embora muitos gatos com essa doença não apresentem alterações periodontais significativas e
muitos outros com CGEF e doença periodontal concomitante não respondam ao tratamento
dental exclusivo.
Os sinais clínicos de CGEF variam com a gravidade das lesões. Os gatos podem não
demonstrar sinais clínicos; a doença é observada acidentalmente por ocasião do exame físico.
As anormalidades clínicas podem ser ptialismo, halitose, dor ao abrir a boca, dificuldade de
preensão dos alimentos, mudança na preferência alimentar (de ração seca para alimentos
moles), anorexia e perda de peso. O exame físico revela as lesões de CGEF e também pode
evidenciar linfadenopatia submandibular. Os diagnósticos diferenciais para CGEF são doença
periodontal, infecção por retrovírus, infecção por Calicivirus, complexo granuloma eosinofílico,
neoplasia doenças sistêmicas como insuficiência renal e distúrbios que levam à desnutrição
protéico-calórica ou a predisposição para infecção (p. ex., diabetes melito).

Terapêutica Primária
Terapia dental: com doenca periodontal devem ter seus dentes freqüentemente submetidos a
limpeza, pois a doença periodontal pode causar CGEF ou contribuir para sua ocorrência.
Devemos extrair dentes moles ou com lesões reabsortivas odontoclásticas (LRO).
Antibióticos: os antibióticos eficazes são amoxicilina (22 mg/kg vo 2 vezes ao dia),
amoxilina-ácido clavulânico (22 mg/kg vo 2 vezes ao dia) e metronidazol (12,5 mg/kg vo 2 de
vezes ao dia). Há necessidade várias semanas de tratamento.
Corticosteróides: São benéficos em 70% a 80% dos casos tratados. Começar com prednisona
na dose de 1 a 2 mg/kg vo 2 vezes ao dia; em seguida, reduzir gradualmente a dose ao longo
de 4 a 6 meses até a mais baixa dose eficaz. Frequentemente há necessidade de tratamento
por período indefinido. Se for difícil a terapia oral, podemos usar acetato de metilprednisolona
na dose de 2 a 5 mg/kg IM, SC cada 2 semanas, até que seja observada resposta significativa;
então a dose será reduzida para intervalos de 4 a 8 semanas, conforme a necessidade.
Terapêutica Secundária
Sais de ouro: A crisoterapia é benéfica em 75 dos pacientes tratados. Administra-se
aurotioglicose (Solganal, 1 mg/kg IM) ou tiomalato sódico de ouro (Aurolate, l a 5 mg IM como
dose inicial, 2 a 10 mg como segunda dose e, subsequentemente, 1 mg/kg) l vez por semana
durante 16 a 20 semanas, até que seja observada resposta (caracteristicamente dentro de 8
semanas). Então, a dose é reduzida para intervalos de 14 dias durante 2 meses e, depois,
mensalmente durante 8 meses. Nessa ocasião a terapia deverá ser interrompida. Os efeitos
colaterais do tratamento, que são incomuns, são trombocitopenia, pancitopenia e insuficiência
renal. Durante o tratamento do gato devemos obter mensalmente um hemograma completo,
um perfil de bioquímica sérica e a urinálise.

Interferon-a: Existem muitos relatos inéditos de melhora com esse agente. Dose de 30 UI VO
todos os dias (ver Quadro 59.3)
Outras drogas imunossupressoras: Usar um dos fármacos a seguir se as medidas anteriores
não forem bem-sucedidas: azatioprina na dose de 0,3 mg/kg VO todos os dias até que seja
observada resposta e, em seguida, a cada 3 dias; clorambucil na dose de 2 mg/m2 ou 0,1 a 0,2
mg/kg vo todos os dias até que seja observada resposta e, em seguida, em dias alternados;
ciclofosfamida na dose de 50 mg/m2 vo em 4 dias de medicação seguidos por 3 dias de
descanso. Devemos monitorar semanalmente durante o primeiro mês de tratamento as
contagens de neutrófilos; em seguida, essa monitoração se fará a cada período de 8 a 12
semanas, enquanto o gato estiver em tratamento. O tratamento farmacológico deverá ser
interrompido ou as doses serão reduzidas se a contagem de neutrófilos cair para menos de
3000/uL.

Cirurgia a laser: Uma terapia relativamente recente é a ablação laser. O tecido doente é
submetido à ablação 3 vezes por mês. Os resutados são variaveis, mas alguns gatos
conseguem cura duradoura.
Extrações de dentes: Devemos considerar esse método quando
outras modalidades fracassaram. A extração de dentes tem sido eficaz em alguns gatos para
lesões adjacentes a dentes ou associadas a problemas odontológicos. Se todas as demais
terapias fracassarem, poderá ser tentada a extração de todos os dentes.

Notas Terapêuticas

O uso exclusivo de antibioticoterapia tem proporcionado apenas alívio temporário em baixa


percentagem de gatos.

A terapia com sais de ouro pode ser utilizada em combinação com glicocorticóides e
antibióticos, para ajudar a conseguir respostas mais rápidas.

Acetato de megestrol se mostrou benéfico em casos de GSPC, mas os efeitos colaterais


(diabetes melito) justificam seu uso apenas depois que outras terapias fracassaram. A dose é 1
mg/kg VO em dias alternados até que seja observada resposta; em seguida, como terapia de
manutenção mudar para prednisona. Ao ocorrerem recidivas, podemos reinstituir acetato de
megestrol por breves períodos.

O uso crônico de acetato de metilprednisolona pode resultar em diabetes melito.

Os donos devem ser alertados que não existe tratamento com expectativa de 100% de eficácia.
Isso é especialmente importante se está sendo planejada a extração de muitos ou de todos os
dentes, porque muitos gatos ainda terão lesões e necessitarão de tratamento clínico depois
desses métodos (desde que tratamento menos intenso possa ser necessário)

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