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Reflexões Diárias de Richard Rohr

Semana 47: Carl Jung


Terça-feira, 23 de novembro de 2021

Uma Grande História

Pe. Richard continua a explorar a maneira pela qual os arquétipos nos conectam
com a história de Deus e do universo.
O eu menor é intrinsecamente infeliz porque em sua base lhe falta realidade.
Usando um fraseado filosófico podemos dizer que o seu não ser significa que não
tem existência ontológica. Assim, estará sempre inseguro, amedrontado, e
lutando por relevância. Sem nenhum enredo, sem imagens integradoras que
definam quem somos ou norteiem nossas vidas, simplesmente não seremos
felizes. Carl Jung desenvolveu essa ideia para nossa geração de racionalistas
ocidentais que pensavam que mito significava “não verdadeiro”, quando de fato
o mais antigo significado de mito é precisamente “sempre e profundamente
verdadeiro”!
Jung chega a afirmar que a transformação só ocorre na presença da história, do
mito, e da imagem. Uma grande história nos puxa para dentro de uma história
universal; ela se aloja no inconsciente onde está a salvo das brutalidades de
nossa própria mente ou vontade, [1] tal como Thomas Merton observou. A partir
desse local oculto somos curados. Para os cristãos, a vida de Jesus é o mapa
arquetípico de todo Homem e toda Mulher: concepção divina, vida comum,
traição, abandono, rejeição, crucifixão, ressurreição e ascensão. Tudo completa
o círculo, na medida em que retornamos ao início, embora agora transformados.
Jung via esse padrão básico que se repetia em toda vida humana. Ele o chamava
de o Cristo Arquetípico, um “mapa quase perfeito” de toda jornada de
transformação humana. A noção que Jung tinha de um Arquétipo, ou Imagem
Reinante, pode nos ajudar a compreender o “Substituto Universal” que Jesus é e
estava destinado a ser.
Um Grande Enredo estabelece a conexão entre nossas vidas menores com a
Grande e Única Vida, e melhor do que isso, perdoa e utiliza as partes magoadas e
aparentemente indignas (1Cor 12, 22), que Jung chama de necessária
“integração do negativo”. Uma mensagem e tanto! Tal como a boa arte, um Mito
Cósmico como o Evangelho confere um senso de pertença universal e de
participação pessoal em Algo/Alguém muito maior do que nós mesmos.
Estamos descobrindo que é praticamente impossível a cura de indivíduos isolados
dentro de uma cultura tão pouco saudável e tão pouco curada como a dos EUA,
assim como dentro de qualquer versão do Cristianismo que apoie a exclusão e a
superioridade. Indivíduos que permanecem dentro de um universo insalubre e
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Semana 47: Carl Jung
incoerente logo voltam a cair na raiva, no medo, e no narcisismo. Digo isso com
tristeza depois de 46 anos ministrando retiros, conferências, e ritos de iniciação
ao redor do mundo. Só as pessoas que seguiram adiante no desenvolvimento de
uma mente contemplativa poderiam finalmente crescer e se beneficiar com a
mensagem que ouviram.
Na mais recente publicação de “Oneing” Pe. Richard honra aqueles que
completam a jornada de integração. São pessoas que reconhecem suas histórias
menores dentro da grande história de Deus, a que Richard chama de “A
História”:
Aqueles que vivem verdadeiramente nA História abraçaram e integraram sua
personalidade, sua sombra, suas feridas, problemas familiares, cultura,
contextualizando as experiências de vida sob a Única. . . Essa é uma
espiritualidade realmente integral, uma visão de mundo realmente católica, e a
meta não reconhecida de todas as religiões monoteístas. Essas, tal como Jesus,
não desejam descansar sua cabeça em lugar algum, exceto no Único e Universal
Amor. [2]

[1] Thomas Merton, Conjectures of a Guilty Bystander (Doubleday and Company: 1966), 142.

[2] Richard Rohr, “Introduction,” “The Cosmic Egg: My Story, Our Story, Other Stories, The
Story,” Oneing, vol. 9, no. 2 (CAC Publishing: 2021), 18.

Adapted from Richard Rohr, unpublished “Rhine” talk (Center for Action and Contemplation:
2015).

Original em inglês:
Reflexões Diárias de Richard Rohr
Semana 47: Carl Jung

Tuesday, November 23rd, 2021

A Great Story
Father Richard continues to explore how archetypes connect us to the story of God and
the universe.

The small self is intrinsically unhappy because it fundamentally lacks reality. To use a
philosophical word, its nonbeing means it does not exist “ontologically.” It will thus always
be insecure, afraid, and scrambling for significance. With no storyline, no integrating
images that define who we are or direct our lives, we just won’t be happy. Carl Jung
developed this idea for our generation of Western rationalists, who had thought that myth
meant “not true”—when in fact the older meaning of myth is precisely “always and deeply
true”!

Jung goes so far as to say that transformation only happens in the presence of story, myth,
and image. A great story pulls us inside of a universal story; it lodges in the unconscious
where it is inaccessible to the brutalities of our own mind or will, [1] as Thomas Merton
observed. From that hidden place we are healed. For Christians, Jesus’ life is the
archetypal map of Everyman and Everywoman: divine conception, ordinary life, betrayal,
abandonment, rejection, crucifixion, resurrection, and ascension. It all comes full circle, as
we return to where we started, though now transformed. Jung saw this basic pattern
repeated in every human life. He called it the Christ Archetype, “an almost perfect map” of
the whole journey of human transformation. Jung’s notion of an Archetype or Ruling
Image can help us understand the “Universal Stand-In” that Jesus is and was meant to be.

A Great Story Line connects our little lives to the One Great Life, and even better, it
forgives and uses the wounded and seemingly “unworthy” parts (1 Corinthians 12:22),
which Jung would call the necessary “integration of the negative.” What a message! Like
good art, a Cosmic Myth like the Gospel gives a sense of universal belonging and personal
participation in Something/Someone much larger than ourselves.
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We are finding it is nearly impossible to heal isolated individuals inside of a culture as
unhealthy and unhealed as the USA, and inside any version of Christianity that supports
exclusion and superiority. Individuals who remain inside of an incoherent and unsafe
universe soon fall back into anger, fear, and narcissism. I sadly say this after 46 years of
giving retreats, conferences, and initiation rites all over the world. Only people who went
on to develop a contemplative mind could finally grow and benefit from the message that
they heard.

In the most recent issue of Oneing, Father Richard honors those who make the full
journey of integration. These are people who find their own smaller stories within God’s
great story, what Richard calls “The Story”:

Those who truly live in The Story have embraced and integrated their personality, shadow,
woundedness, family issues, culture, and contextualizing life experiences under The One. .
. . This is a truly integral spirituality, a truly catholic worldview, and the unrecognized goal
of all monotheistic religions. These, like Jesus, desire “nowhere to rest their head” except
in the One and Universal Love. [2]

[1] Thomas Merton, Conjectures of a Guilty Bystander (Doubleday and Company: 1966), 142.

[2] Richard Rohr, “Introduction,” “The Cosmic Egg: My Story, Our Story, Other Stories, The
Story,” Oneing, vol. 9, no. 2 (CAC Publishing: 2021), 18.

Adapted from Richard Rohr, unpublished “Rhine” talk (Center for Action and Contemplation:
2015).
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Semana 47: Carl Jung

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