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Reflexões Diárias de Richard Rohr

Semana 47: Carl Jung

Sexta-feira, 26 de novembro de 2021.

Confiando em Nossa Experiência Interior

Pe Richard reflete acerca dos ensinamentos de Jung quanto à importância da


experiência interior como único caminho para a transformação.
Carl Jung queria trazer a religião externalizada de volta às suas fundações
internas. Ele via como a religião continuava a enfatizar a distância intransponível
entre o Criador e a criação, Deus e a humanidade, o interior e o exterior, o uno e
os muitos. Apesar da unidade ecológica da criação (Gn 1, 9-31), com demasiada
frequência o Cristianismo começava por enfatizar o problema da separação (“o
pecado original”), em vez de começar pela maravilhosa unidade de criação e
Criador.
Exceto pela experiência de muitos santos e místicos, a religião em grande parte
sub-enfatizou qualquer ressonância natural e interna entre os humanos e Deus.
Isso faz com que nosso trabalho, como clérigos, seja quase impossível! Em primeiro
lugar precisamos lembrar a todos que eles são “intrinsecamente desordenados” ou
pecaminosos, o que, então, por acaso nos permite aparecer como tendo a perfeita
solução. Tudo se passa como se um vendedor de aspiradores de pó começasse por
espalhar a sujeira no chão para mostrar como seu modelo funciona bem. Como se
o significado desse belo universo pudesse começar com um problema fundacional!
O Cristianismo raramente enfatiza a plausibilidade ou o poder da experiência
espiritual interior. Os católicos foram ensinados a acreditar no papa, nos bispos, e
nos sacerdotes. Os protestantes foram ensinados a acreditar na Bíblia. A versão
católica desmoronou com a crise da pedofilia ao redor do mundo; a total confiança
do Protestantismo na pregação da Bíblia se desfez com as visões de mundo pós-
modernas. Mas, lamento dizer que tanto os católicos quanto os protestantes
cometeram o mesmo erro inicial. Trata-se de confiar em alguma coisa que está
fora de nós mesmos. Demos às pessoas respostas que eram extrínsecas à alma, e
desprezamos qualquer coisa que viesse a ser conhecida de dentro para fora. A
“santidade” tornou-se principalmente um assunto do intelecto e da vontade, em
vez de uma profunda confiança interior com um diálogo interior de Amor. Isso nos
fez pensar que aquele que tem a maior força de vontade vence, e aquele que
entende melhor as coisas é o amado de Deus, o oposto da maioria dos heróis
bíblicos. Temos observado nosso próprio “desempenho”, em vez de buscar o Divino
em nós e em todas as coisas.
Reflexões Diárias de Richard Rohr
Semana 47: Carl Jung
Devemos começar com um assentimento fundacional, um “sim” para quem nós
somos e para o que é (a Realidade). Essa é a função primordial da religião madura.
Isso cria a pedra fundamental para toda fé eficaz. Se começamos com um
problema, a jornada toda continua a ser principalmente um exercício de solução
de problema que é negativo e interminável. Ficamos com um Cristianismo
inerentemente argumentativo e competitivo.
Se começamos com a positividade, e tornamos absolutamente claro o problema da
identidade central, o restante da jornada, ainda que nem sempre seja fácil, é
muito mais natural, mais belo, mais alegre e inclusivo. Como é que a jornada
espiritual poderia ser diferente disso? Se começamos pelo porão a maior parte das
pessoas jamais acredita que podem chegar ao primeiro andar, e decidem apenas
escolher a saída. Isso não é óbvio neste ponto da história cristã? Infelizmente, nós
clérigos nos tornamos guardiões raivosos, em vez de alegres orientadores,
policiando o dogma, em vez de proclamar o Grande Dom que desde o princípio está
perfeitamente oculto e perfeitamente revelado no coração de toda a criação.

Adapted from Richard Rohr, unpublished “Rhine” talk (Center for Action and Contemplation:
2015).

Original em inglês:
Reflexões Diárias de Richard Rohr
Semana 47: Carl Jung
Friday, November 26th, 2021

Trusting Our Inner Experience


Father Richard elaborates on Jung’s teaching on the importance of inner
experience as the only pathway to transformation.

Carl Jung wanted to bring externalized religion back to its internal foundations. He
saw how religion kept emphasizing the unbridgeable distance between the Creator
and creation, God and humanity, inner and outer, the one and the many. In spite
of creation’s ecological unity (Genesis 1:9–31), Christianity too often began by
emphasizing the problem of separation (“original sin”) instead of beginning with
the wonderful unity between creation and Creator.

Except for the experience of many saints and mystics, religion has greatly
underemphasized any internal, natural resonance between humans and God. This
gives us clergy an almost impossible job! First, we must remind everyone that they
are “intrinsically disordered” or sinful—which then allows us to just happen to have
the perfect solution. It is like a vacuum cleaner seller first pouring dirt on the floor
to show how well this model works. As if the meaning of this beautiful universe
could start with a foundational problem!

Christianity rarely emphasized the plausibility or power of inner spiritual


experience. Catholics were told to believe the pope, the bishops, and the priests.
Protestants were told to believe the Bible. The Catholic version has fallen apart with
the pedophilia crisis worldwide; Protestantism’s total reliance on preaching the
Bible has been undone by postmodern worldviews. But both Catholics and
Protestants made the same initial mistake, I’m sorry to say. It’s all about trusting
something outside of ourselves. We gave people answers that were extrinsic to the
soul and dismissed anything known from the inside out. “Holiness” largely became
a matter of intellect and will, instead of a deep inner trust with an inner dialogue of
Love. It made us think that the one with the most willpower wins, and the one who
understands things the best is the beloved of God—the opposite of most biblical
heroes. We’ve been gazing at our own “performance” instead of searching for the
Divine in us and in all things.
Reflexões Diárias de Richard Rohr
Semana 47: Carl Jung

We must begin with a foundational “yes” to who we are and to what is (Reality).


This is mature religion’s primary function. It creates the bedrock foundation for all
effective faith. If we begin with a problem, the whole journey remains largely a
negative problem-solving exercise that never ends. We’re left with inherently
argumentative and competitive Christianity.

If we begin with the positive, and get the issue of core identity absolutely clear, the
rest of the journey—even though it isn’t always easy—is by far more natural, more
beautiful, more joyful and all-inclusive. What else should the spiritual journey be?
When we start in the basement, most people never believe they can even get to the
first floor, and they just opt out. Isn’t this obvious at this point in Christian
history? Sadly, we clergy became angry guards instead of joyful guides, policing
dogma instead of proclaiming the Great Gift which is perfectly hidden and perfectly
revealed at the heart of all creation from the very beginning.

Adapted from Richard Rohr, unpublished “Rhine” talk (Center for Action and Contemplation:
2015).
Reflexões Diárias de Richard Rohr
Semana 47: Carl Jung

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