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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura

Fratura
Mecânica da Fadiga e da

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura

3. COMPORTAMENTO À
FADIGA DOS MATERIAIS

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Projeto mecânico sob cargas dinâmicas

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Projeto mecânico sob cargas dinâmicas

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis

O fenômeno de falha em materiais dúcteis por carga monotônica envolve:

• comportamento linear em sua fase elástica;

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis

O fenômeno de falha em materiais dúcteis por carga monotônica envolve:

• plastificação e encruamento (fenômenos associados ao movimento de


discordâncias na rede cristalina);

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis

O fenômeno de falha em materiais dúcteis por carga monotônica envolve:

• dano (onde ocorre o rompimento de ligações atômicas);

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis

O fenômeno de falha em materiais dúcteis por carga monotônica envolve:

• como consequência da evolução do dano, ocorre localização de deformações;


• e consequente estricção do corpo de prova;

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis

O fenômeno de falha em materiais dúcteis por carga monotônica envolve:

• o material perde resistência e rigidez;


• ocorre crescimento e coalescência de vazios;
• levando, finalmente, ao surgimento de uma macrotrinca;
• a macrotrinca se propaga até a falha.

(a) Fratura especialmente dúctil onde a estricção


do corpo de prova evolui até um ponto
(b) Fratura moderadamente dúctil após alguma
estricção
(c) Fratura especialmente frágil sem estricção e
sem deformação plástica
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis
Estágios da fratura tipo taça-cone (dúctil):
(a) Estricção inicial
(b) Formação de pequenas cavidades
(c) Coalescência das cavidades para
formar uma trinca
(d) Propagação da trinca
(e) Fratura final por cisalhamento a 45
em relação à tensão de tração

Fratura dúctil em cobre nucleada


em torno de inclusões 10
TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis
Cup and Cone fracture Brittle fracture

Fratura dúctil (taça e cone) Fratura frágil


TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno de falha em materiais dúcteis
Brittle fracture
Fratura dúctil (taça e cone)

Fratografia (MEV) Fratografia (MEV)


mostrando dimples mostrando dimples
esféricos típicos de fratura parabólicos típicos de
dúctil em função da tensão fratura dúctil em função da
de tração (3300x de tensão cisalhante (5000x
aumento) de aumento)
TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Curva Tensão x Deformação

Comportamento genérico à carregamento normal

Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019


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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

O projeto a fadiga exige uma


abordagem pontual e até mesmo
probabilística.

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Escala de Dimensões no Estudo da Fadiga

Microscópico Mesoscópico Macroscópico


Átomos Discordâncias Cristais CP Estruturas

Escala de entendimento do fenômeno físico

Escala dos modelos físicos

Escala de emprego dos modelos físicos

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

• Observa-se que os materiais submetidos a cargas dinâmicas / repetitivas /


flutuantes (tensões) falham com tensões muito menores do que as
necessárias para causar fratura em uma única aplicação de carga.

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

• Danos ao material devido à variação da carga (de magnitude geralmente


menor do que a tensão de escoamento) que, em última análise, levam à
falha é denominado como fadiga do material (ou falha por fadiga).

• Estima-se que a fadiga seja responsável por ~ 90% de todas as falhas de


serviço devido a causas mecânicas. A corrosão é a outra causa principal
de falhas.

• A parte insidiosa do fenômeno da falha por fadiga é que ela ocorre sem
qualquer aviso óbvio. Normalmente, as falhas por fadiga ocorrem após
um tempo considerável de serviço.

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

• A superfície que sofreu uma fratura por fadiga parece frágil, sem
deformação plástica na fratura por fadiga (na macroescala). A deformação
plástica pode surgir em materiais dúcteis na fase final da fratura, quando o
ligamento rompe por sobrecarga.

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• A falha por fadiga geralmente é


iniciada em um local de
concentração de tensão, por
exemplo, um entalhe na peça (rasgo
de chaveta e furo, nas figuras.

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• O teste de fadiga geralmente é realizado no modo de flexão ou torção


(em vez do modo de tensão / compressão). Os testes de flexão são fáceis
de conduzir. Em tubos, os testes de fadiga podem ser feitos por
pressurização interna com um fluido.

• Se o estresse tem origem na ciclagem térmica, a fadiga é chamada de


fadiga térmica.

• Três fatores desempenham um papel importante na falha por fadiga:


• (i) valor da tensão de tração (máximo)
• (ii) magnitude da variação da tensão
• (iii) número de ciclos.

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

• Aspectos geométricos (geometria da amostra) e microestruturais também


desempenham um papel importante na determinação da vida em fadiga
(e falha). Os concentradores de tensão de ambas as fontes têm um efeito
importante na nucleação de trincas. Tensões residuais também podem
desempenhar um papel relevante na resistência à fadiga.

• Um ambiente corrosivo pode ter uma interação deletéria com a fadiga.

• Fatores necessários para causar falha por fadiga


• Tensão de tração máxima suficientemente alta
• Grande variação / flutuação no estresse
• Número suficientemente grande de ciclos de estresse

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• Se o valor da tensão máxima experimentada pelo material for menor
que a tensão de escoamento, o material não deveria estar em um
estado puramente elástico? Por que ocorre falha no carregamento de
fadiga?

• Considerando um carregamento de tração uniaxial observa-se que a


tensão de escoamento (y) é a tensão de escoamento macroscópica e a
deformação microscópica (por deslizamento) é iniciada com um valor
de tensão muito menor. No carregamento uniaxial monotônico esse
deslizamento geralmente não leva a nenhum efeito apreciável ou dano
ao material / componente.

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

Quando um metal solidifica-se, forma-se uma estrutura policristalina na qual


cada cristal é chamado de grão e cada grão possui uma orientação cristalográfica
definida. As fronteiras entre os grãos são chamadas de contornos de grão

As propriedades mecânicas da estrutura policristalina são uma média das


propriedades mecânicas de cada grão anisotrópico. Como um todo a estrutura
comporta-se como sendo isotrópica.
Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019


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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

• No carregamento cíclico, por outro lado, devido à reversão da direção


de deslizamento ou à presença de heterogeneidades de material
(inclusões, precipitados em contorno de grão), podem ser causadas
intrusões na superfície ou gradientes de tensão na vizinhança da
heterogeneidade de material, que são como pequenas trincas
superficiais (precursoras de uma trinca totalmente expandida).

• Uma vez que uma trinca se forma a partir dessas intrusões (devido ao
carregamento cíclico adicional), ocorre a amplificação de tensão local.

• Na presença de trinca, a propriedade relevante do material a ser


considerada é a tenacidade à fratura.

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019


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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

A estrutura atômica não é perfeita: nela existem defeitos como:


• lacunas;
• átomos substitucionais ou intersticiais;
• discordâncias;
• vazios.

A plasticidade é embasada no deslocamento de discordâncias na rede cristalina,


sendo que uma discordância é um defeito linear ou unidimensional que gera uma
distorção local da rede cristalina.

O deslocamento de discordâncias, induzido por tensões cisalhantes, ocorre ao


longo de planos cristalográficos chamados de planos de escorregamento.
Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

Quanto maior a dureza e resistência de um material, menor é a facilidade com


que as discordâncias conseguem se mover no retículo cristalino.

Na deformação plástica o número de discordâncias aumenta consideravelmente,


geradas pela multiplicação de discordâncias pré-existentes e por concentradores
de tensão como contornos de grão e microdefeitos do material.

Como a interação entre duas discordâncias é de ordem repulsiva, quando as


discordâncias interagem entre si o movimento de uma discordância acaba sendo
dificultado pela presença de outras discordâncias, e com isso o aumento da
resistência mecânica do metal.

Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019


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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

A influência de temperatura é evidente na definição entre ocorrência de falha


mais dúctil ou mais frágil, apesar do comportamento dúctil do material a
temperatura ambiente.

Maior temperatura Mais intenso o movimento


de vibração dos átomos

Maior facilidade de restabelecimento A falha no material ocorre


de ligações atômicas quando o com presença de
material sofre plastificação grandes deformações
plásticas → falha dúctil.

Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019


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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Microestrutura

Quando a temperatura é reduzida ocorre o efeito inverso:

Menor temperatura O movimento dos átomos


ao longo da rede cristalina
é dificultado

Menor facilidade de restabelecimento A falha no material ocorre


de ligações atômicas quando o com dificuldade de
material sofre plastificação progressão da deformação
plástica → falha frágil.

Carrion, R., Introdução aos Elementos de Máquinas, USP, 2019


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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Esquema para iniciação de trincas de fadiga

Imagens de MEV de intrusões e


extrusões em lâmina de cobre
M. Judelwicz and B. Ilschner
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Estágios da Fadiga

Estágio I –
trincas de fadiga
de cisalhamento

Estágio II –
Extrusões e trincas de fadiga
intrusões

Deslizamento
Bandas de
deslizamento cíclico
persistentes

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fadiga

• Em uma escala macroscópica, a superfície de fratura é geralmente normal à


direção da tensão de tração principal.

Direção do carregamento
Iniciação / nucleação da trinca
na superfície a partir de bandas
de deslizamento persistentes.

Propagação de microtrinca
pelo modo de cisalhamento
(Modo II).
Propagação de macrotrinca pelo
modo de tração (Modo I).
Estágio I Estágio II

Superfície livre

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Crescimento de uma trinca de fadiga

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Intrusões e extrusões

✓ Intrusões e
extrusões na
superfície de
uma amostra
de Ni

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Intrusões e extrusões

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Processo de Fadiga

✓ Nucleação de trincas

✓ Crescimento de microtrincas no
regime elastoplástico

✓ Trincas macroscópicas crescem


no regime elástico nominal

✓ Fratura final
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Fenômeno da Fadiga

1. A fadiga é a falha do material devido a


tensões variáveis no tempo:
• Tensão abaixo do limite de escoamento
• Danos acumulados, ou seja, processo
progressivo durante vários ciclos de carga

2. A fadiga é localizada e inicia em


descontinuidades geométricas e/ou de
material

3. Falha por fadiga composta por


• Iniciação da trinca
• Propagação da trinca
• Fratura final 38
TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Trinca em cordão de solda

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Métodos para cálculo de vida à fadiga

● S-N (Stress-Life Method)


✓ Correlaciona a vida à fadiga com as
tensões locais ou nominais

● e-N (Strain-Life Method)


✓ Correlaciona a deformação local à vida
para iniciação de trincas

● LEFM (Crack Propagation Method)


✓ Correlaciona a intensificação de tensões
à taxa de propagação de trincas
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Metodologia de Vida Total - S-N

✓ Estima a vida total à fadiga até a falha

✓Vida à fadiga computada como uma curva (log tensão) x (log nº de


ciclos) (S-N)

✓Método apropriado para longa vida em fadiga onde não há


plastificação, já que esse método é baseado nas tensões elásticas
nominais

✓ Estimativa de vida em fadiga está associada a uma probabilidade


de falha devido a uma dispersão razoável nos dados da curva S-N

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Método S-N - SIMILITUDE

B
A

A vida de A será a mesma vida de B se ambos


estiverem sujeitos às mesmas tensões nominais
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Metodologia de Vida à Deformação (e –N)

✓Denominado método da deformação local ou da iniciação de


trinca ou da vida à fadiga em deformação

✓É um os métodos comum de predição de vida na indústria


automotiva

✓Praticamente, iniciação de trincas significa que uma trinca


identificável (em torno de 1 mm de comprimento) se desenvolveu –
que corresponde a uma grande parte da vida do componente

✓O método e-N, assim como o S-N, só se aplicam a peças não-


trincadas

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Método e -N - SIMILITUDE

A vida para a iniciação de trincas em A será a mesma


vida para a iniciação de trincas em B se ambos
estiverem sujeitos às mesmas deformações locais
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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Metodologia de Vida à Deformação (e –N)

✓As tensões locais podem ser elásticas o plásticas,


ambas contribuindo para a fadiga

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Metodologia Tolerante ao Dano
✓Prevê a propagação de uma trinca dominante pela Mecânica da Fratura
(Linear e Não-Linear)

✓Método de Paris: da/dN (Propagação de Trincas)

✓Busca determinar uma vida remanescente após uma trinca ter sido nucleada

✓Permite determinar a vida remanescente segura ou um cronograma para


inspeções em um componente trincado ou que virá a apresentar uma trinca

✓Relaciona a intensificação de tensões com a taxa de crescimento de trincas

✓A predição de vida remanescente emprega o cálculo ciclo a ciclo

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Metodologia Tolerante ao Dano - SIMILITUDE

A
B

A taxa de crescimento de trincas em A será a mesma taxa


de crescimento de trincas em B se ambos estiverem
sujeitos às mesmas intensificações de tensão

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Experimentos

Full-scale
– Eixos de trens
– Aeronaves
– Subestruturas

Escala de laboratório
– Carregamento harmônico
– Força/momento constante
– Deslocamento/deformação constante

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TMEC026 – Mecânica da Fadiga e da Fratura Levantamento de escala de ensaio em laboratório

• Eixo ferroviário de trem que trafega entre Maastricht - Groningen

• D = 0,75 m
• 1 rev = πD = π × 0,75 ≈ 2,25 m
• 1 km = 1000 m
• ≈ 445 ciclos/km

• 1 dia Maastricht - Groningen = 1000 km


• 1 dia Maastricht - Groningen = 445 × 103 ciclos
• 1 ano = 340 × 445 × 103 = 1513 × 105 ciclos ≈ 1,5 × 108 ciclos

• frequência
• 100 km/h = 445×102 ciclos/h = 44.500 ciclos/h
• 44.500 ciclos/h / 3.600 s/h= 12,5 ciclos/s = 12,5 Hz
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