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PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA CONTRA INCENDIO E

PÂNICO

GARNOCLES ALEXANDRE DE ALENCAR JUNIOR

COMPORTAMENTO HUMANO EM SITUAÇÕES DE INCÊNDIO

Feira de Santana
2020
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GARNOCLES ALEXANDRE DE ALENCAR JUNIOR

COMPORTAMENTO HUMANO EM SITUAÇÕES DE INCÊNDIO

Trabalho de Conclusão de Curso, sob a forma de


Artigo Científico, apresentado a Universidade
Candido Mendes (UCAM), como requisito obrigatório
para a conclusão do curso de Pós-graduação Lato
Sensu em ENGENHARIA DE SEGURANÇA
CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO

Feira de Santana
2020
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COMPORTAMENTO HUMANO EM SITUAÇÕES DE INCÊNDIO

Garnocles Alexandre de Alencar Junior

RESUMO

O presente artigo cientifico tem como objetivo verificar, identificar e analisar o


comportamento humano frente a situações de perigo com fogo para propor novas
abordagens com relação aos treinamentos que são requeridos por lei, a forma como
são ministradas e a sua periodicidade.
Essa investigação foi realizada através do levantamento de situações reais de
sinistros que levaram a morte de pessoas, e elenca em quais condições as
edificações apresentavam-se no que tange a segurança contra incêndios, qual a
periodicidade da manutenção dos equipamentos, qual a sua condição de layout para
a evacuação dos seus ocupantes em caso de sinistro, os treinamentos que foram
ministrados para a brigada de incêndio se foram suficientes para o entendimento, e
a sua efetiva aplicação.
Com base na perspectiva da prevenção e combate a incêndios, o presente
artigo pretende dar a sua colaboração ao fazer uma análise das condições de
segurança contra incêndios de algumas edificações onde ocorreram sinistros com
fogo que tiveram vítimas fatais, diagnosticando o comportamento dos ocupantes
dentro da edificação do público fixo, temporário e dos treinados a combater esse tipo
de sinistro; Qual a sua reação, tempo de resposta para combate ao princípio de
sinistro e a orientação dos ocupantes pela rota de fuga.
Iremos propor algumas modificações para a melhoria no combate no principio
de fogo, motivando a todos a repensar sobre a importância dos treinamentos
periódicos e na forma como são realizados.

Palavras-chave: comportamento humano, perigo, treinamento, combate


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INTRODUÇÃO
O domínio do fogo pelo homem se deu no período paleolítico e foi uma de
suas maiores conquistas, onde o mesmo fez uso para se proteger do frio, esquentar
os alimentos e espantar animais ferozes.
Com a evolução do homem e a busca de manipular os elementos da
natureza, por vezes o fogo acabava saindo de seu controle e seus efeitos são
devastadores causando a perca de vidas, prejuízos patrimoniais e lucros cessantes.
Buscando a proteção de vidas, várias medidas foram e são tomadas, como o
desenvolvimento de novos equipamentos, novas técnicas de combate ao fogo, e
novas legislações e instruções técnicas em cada estado, porem infelizmente o
desenvolvimento de todos esses itens mencionados anteriormente só ocorre de
forma expressiva infelizmente quando ocorre alguma tragédia, podemos citar o
incêndio da Boate Kiss em Santa Maria onde houve 242 vítimas fatais e mais 636
feridos e com sequelas.
A cada nova ocorrência que marca profundamente a sociedade nos deixa um
ensinamento de que a exigência dos órgãos fiscalizadores devem ser cada vez
maior, bem como o desenvolvimento das legislações e a consciência dos
proprietários e responsáveis das edificações, de que a segurança contra incêndios é
fundamental para se evitar a perca de vidas, sem subterfúgios com a busca de
materiais mais baratos que não atendem as especificações mínimas, ou de
profissionais sem know-how para o bom desenvolvimento de um projeto ou até
mesmo executar um Sistema de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico
(PPCIP); Pois no projeto o papel aceita tudo e muitas vezes o mesmo se torna
inexequível, ou até na execução pois quem tira do papel um projeto deve ter a
consciência de informar das dificuldades ou até mesmo da impossibilidade de se
executar o que foi dimensionado devendo oferecer soluções que atendam a
proteção de vidas.
Esse estudo gerou algumas questões que nos dão um norte para refinar o
nosso olhar de como estão sendo conduzidos os treinamentos, como estão sendo
dimensionados os Projetos de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico (PPCIP)
bem como a sua execução, entre elas são: Qual a percepção de risco x perigo?
Como minimizar ou até mesmo mitigar o risco x perigo? Em caso de um princípio de
sinistro com fogo como o PPCIP deve se comportar? Oque pode falhar? E como
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pode falhar? Nos ambientes em que frequentamos as edificações estão adequadas


para a prevenção no combate a incêndio?
Nessa concepção, indago a uma reflexão sobre a complexidade do tema, fazendo
um diagnostico da aleatoriedade do comportamento humano em situações de
incêndio analisando as pessoas, a edificação e o fogo, qual seria a reação das
pessoas face ao incêndio.
O desafio que se propõe nesse estudo é analisar quais pessoas com
conhecimentos básicos de incêndio irão combater o fogo, quais irão buscar uma
outra rota de fuga, e quais irão pedir ajuda, tendo em mente que o condicionamento
a determinadas situações é um fator fundamental para o bom desempenho de
determinadas atividades
A importância da prevenção contra incêndios deve ser incutida na cultura do
brasileiro e não deve estar atrelada apenas aos profissionais da área,
conhecimentos básicos que são ministrados em treinamentos tem que ser melhor
disseminados para o grande publico em geral, como o manuseio de um extintor, um
hidrante, mangotinho, como o fogo se alastra, primeiros socorros, como identificar
rotas de fuga ao adentrar em edificações, entre outras. “O incêndio existe onde a
prevenção falha” (FERIGOLO, 1977, P.7).
O presente estudo aborda preliminarmente conceitos gerais, objetivos
trazendo a magnitude do tema proposto. Logo após descrevo a temática, o objetivo
do estudo e a delimitação do problema a ser analisado sobre um prisma
multidisciplinar, introduzindo de forma ampla questões de risco x prevenção de
incêndio de forma abrangente e teórica, com fatos reais os maiores incêndios que
marcaram a história brasileira sobre incêndios
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1. CONCEITOS BÁSICOS
1.1 RISCO X PERIGO
De uma forma bem objetiva e descomplicada RISCO probabilidade de um evento
ocorrer, PERIGO condição a qual elos de uma corrente vem se fechando
propiciando a condição de ameaça ou a integridade de uma pessoa, ou seja, a
realização do RISCO.

1.2 CONCEITO DE FOGO


Segundo Ferigolo (1977, p. 11) “para que a prevenção de incêndio seja
adequada faz-se necessário primeiro colocarmos o fogo sob todos os seus
aspectos: sua constituição, suas causas, seus efeitos e, principalmente, como
dominá-lo”.
O fogo é o resultado de uma reação química, denominada combustão, que se
caracteriza pelo desprendimento de luz e calor.
Essa reação de combustão só acontece se houver a presença simultânea de três
elementos essenciais, em suas devidas proporções: combustível, calor e um
comburente (oxigênio do ar). Esses elementos formam a clássica figura do Triângulo
do Fogo

- Combustível: são materiais suscetíveis à queima, isto é, a inflamação,


continuam queimando sem nenhuma adição suplementar de calor, podendo ser
sólidos, líquidos ou gasosos
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- Comburente: geralmente o oxigênio do ar, é o agente químico que ativa e


conserva a combustão, combinando-se com os gases ou vapores do combustível,
formado uma mistura inflamável
- Calor: é a energia que dá início, mantem, e incentiva a propagação do fogo.
No entanto existe também um quarto elemento para que o fogo se mantenha
ativo que é a reação química em cadeia ela nada mais é do que a transferência de
energia de ativação de uma molécula em combustão para outra intacta, que se
aquece e entra, também, em combustão, assim sucessivamente até que todo o
material esteja em combustão.

1.3 TRANSMISSÃO DE CALOR


Segundo Ferigolo (1997) é fundamental, o estudo dos meios de propagação e
de extinção do fogo para se conhecer como o calor pode ser transmitido, tendo-se
em mente esse conceito de que o calor se propaga dos pontos mais quentes para os
mais fritos de três maneiras diferentes e, na sua grande maioria, simultânea.
- Condução: transferência de calor se faz por contato direto entre dois copos,
de molécula em molécula, ou através de um meio intermediário, solido liquido ou
gasoso.
- Convecção: transferência de calor que se faz através de movimentos de
massas de gases.
- Irradiação: transferência de calor por meio de ondas eletromagnéticas que
se propagam ocorre também no vácuo, além dos outros meios exemplificados
anteriormente.
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1.4 FOGO X INCÊNDIO


O fogo é uma reação química em cadeia é controlada, que equivalente a dizer
que se pode controlar pelo menos um dos três elementos componentes do triângulo
do fogo, já um incêndio deve ocorrer de forma simultânea, a presença de um
combustível, um comburente, uma fonte de calor e uma reação química em cadeia
não controlada.
O que podemos concluir que a diferença entre fogo é controlada e um incêndio é
fora de controle, e a sua propagação pode se dar através da pirólise onde ocorre a
combustão de um material sólido, havendo uma chama piloto ou outra fonte de calor
suficiente para causar a ignição da mistura gasosa inflamável gerada.

2. HISTÓRICO DE INCENDIOS NO BRASIL


No Brasil existe um histórico indesejável de incêndios onde podemos elencar
algumas delas para podermos refletir os mais expressivos episódios de incêndio
O maior de todas as tragédias até a atualidade foi o Gran Circo Norte-
Americano, Niterói, Rio de Janeiro em 1961 – com 503 mortes, o mesmo tinha
atingido lotação máxima de três mil pessoas, e faltando 20 minutos para o fim do
espetáculo a lona incendiou-se e seus pedaços começaram a a cair sobre as
pessoas, que se empurraram em desespero.
Edificio Andraus, São Paulo em 1972 – com 352 vítimas, sendo 16 mortos e
336 feridos.
Edificio Andraus, São Paulo em 1972 – com 179 mortos, e 320 feridos.
Boate Kiss, Santa Maria, Rio Grande do Sul em 2013 – com 245 mortos, e 680
feridos.
Como afirma Luiz Neto (1995, p.13):
Os trasntornos sociais derivados dos incêndios são significativos. 20%
das organizações atingidas pelo fogo desaparecem definitivamente. A
perda de mercado e o desmprego para muitas pessoas são outros efeitos
derivados dos incêndios. Alem disto o tratamento de queimados exige
largos periodos de tempo. E ainda, as consequencias das queimaduras
restringem a vida social das vítmas.
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Sendo assim, podemos destacar alguns dados estimativos que nos ajudam a
refletir sobre a realidade.

Fonte: ISB – Instituto Sprinkler Brasil


Por esses dados podemos ter uma noção dos prejuízos causados podem
chegar à ordem de bilhões.

2.1 MÉTODOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO


Os métodos de extinção do incêndio visam eliminar um ou mais componentes
do triângulo do fogo.

- Resfriamento
Utiliza-se neste método um agente extintor que é a água, absorve calor do
fogo e do material em combustão, com o consequente resfriamento, a classe de
fogo mais comum para a extinção é a de letra A, pois são materiais combustíveis
comuns, como madeiras, papéis, tecidos, plásticos, etc.

- Abafamento
Utiliza-se neste método a retirada do comburente, reduzindo a sua
concentração na mistura inflamável, podemos utilizar a espuma aquosa, isolamento
do local fechando o ambiente o quando possível, pode se também utilizar, agentes
extintores de gases inertes, mais pesados que o ar, sendo mais comum o CO2 e o
tetracloro de carbono, ideal para casses de fogo de letra C
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- Retirada do material ou remoção do combustível ou isolamento


Em algumas situações muito especificas é possível retirar o material
combustível, como por exemplo fechar o registro de gás, extinguindo o fogo do
queimador do fogão por falta de combustível

- Extinção química
Fazendo o uso de agentes extintores específicos suas moléculas se dissociam
pela ação do calor formando átomos e radicais livres que se combinam com a
mistura inflamável resultante do gás ou vapor do material combustível com o
comburente, formando outra mistura não inflamável, determinados tipos de pós-
químicos são utilizados por este método de extinção, classes de fogo ideais para
esse método são das letras A, B e C.

3. LEGISLAÇÃO

Diante do que fora exposto anteriormente a legislação de segurança contra


incêndio no Brasil, muitas vezes somente evolui quando ocorrem tragédias de
grandes proporções.
No entanto é valido ressaltar que essa evolução não garante a mudança na vida
real das pessoas. Portanto não se trata somente de mudanças nas leis vigentes,
mas é preciso sim, a questão ser vista por uma nova ótica, oque significa a mudança
da mentalidade coletiva, em relação a segurança contra incêndios trazendo a
responsabilidade compartilhada da população ocupante dos ambientes,
principalmente em situações de incêndio.
Segundo Mitidieri (1999, p.1), “As regulamentações devem ser o espelho e
acompanhar todo e qualquer tipo de evolução que venha a ser introduzido, tanto no
processo produtivo como no uso do edifício, contribuindo para a segurança contra
incêndio”, pois a evolução dos materiais utilizados em uma construção é constante,
e com isso novas formas de incêndio podem ser desenvolvidas.
Os projetistas e os executores tem que ter as legislações bem claras em suas
mentes com a finalidade de questionar se são suficientes as medidas preventivas
aprovadas nos corpos de bombeiros, isto faz-se necessário pois na sua grande
maioria os projetos seguem as Normas e Instruções técnicas que tem por finalidade
fixar os requisitos mínimos exigidos nas edificações e no exercício das atividades
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profissionais elencadas no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), porem


deve-se analisar muito mais que apenas a legislação ou projetos arquitetônicos um
fator fundamental que poucas vezes é considerado é o fator humano que é o fiel da
balança

4. FATOR HUMANO

O fator humano é uma variável fundamental que auxilia na elaboração e no


desenvolvimento das normas e legislações, dos projetos e na conscientização das
pessoas, de uma forma geral, de que o treinamento para as situações de
emergência é quem pode definir o limiar da sua segurança.
O pânico é um elemento importantíssimo no comportamento humano frente a
riscos de incêndio. Ele é uma resposta automática para mudanças imediatas no
comportamento humano e social em uma edificação, os sentidos acusam a
presença de fumaça ou outra situação de risco de fogo.
Quando um alarme de incêndio se inicia o estado de pânico se estabelece, por este
motivo o primeiro problema é proceder para a desocupação com segurança de uma
edificação é saber qual á melhor maneira de alertar e informar os seus ocupantes
para evitar o pânico.
O pânico ocorre mais frequentemente quando os ocupantes de uma
edificação encontram dificuldades para sair de uma edificação, como não visualizar
a sinalização de orientação para as saídas de emergência, perceber uma rota de
saída obstruída ou ter que estudar uma alternativa para sair.
Uma das condições empíricas do ser humano é se condicionar aos ambientes
que mais frequenta, o pânico pode ser evitado ou minimizado se os ocupantes
tiverem recebido treinamento para situações de risco de incêndio.
De nada adianta se ter todas as medidas de proteção ativa ou de combate, se
os ocupantes não possuem o mínimo de instrução para o correto manuseio deste
com o objetivo de combater as chamas em seu estagio inicial para que a mesma
não evolua para um incêndio.
Em uma edificação publica onde temos vários ocupantes temporários, ter uma
brigada de incêndio bem treinada e atuante não apenas por força de legislação, mas
sim em busca sempre e fundamentalmente da preservação da vida, e
posteriormente do patrimônio e de lucros cessantes a edificação.
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Tomemos uma breve análise da condição biológica de duas pessoas que


reagem de forma diferente a uma mesma situação quando ela ocorre, e mesmo
assim, uma destas pode agir de uma determinada forma hoje e diferentemente daqui
a algumas horas, dias ou semanas. Há certos fatores que podem determinar como
nós agiremos em determinadas situações. Como nós agimos frente ao calor, fumaça
e chamas é baseado nos seguintes fatores:
Idade – os mais novos devido ao desconhecimento e as restrições de
mobilidade, e os mais velhos além das restrições de mobilidade, devido a outros
problemas de ordem sensorial e neurológica, tem a sua capacidade reduzida de lidar
com o incêndio, fator crítico de sobrevivência.
Tamanho - Pessoas de maior massa muscular podem tolerar melhor altas
doses de materiais tóxicos gerados nos incêndios, no entanto pessoas com
condições físicas precárias podem tornar-se vítimas potenciais, condições físicas
pré-existentes, aeróbica, respiratória, entre outras condições.
Abaixo temos uma tabela efeitos fisiológicos do calor em determinadas
temperaturas.
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Para se ter noção da importância na agilidade da tomada frente a resposta


contra incêndios a tabela baixo traz informações importantes sobre o Oxigênio, e
sabemos que é um elemento fundamental para a sobrevivência biológica.

5. TREINAMENTO DE PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO

Como já vimos anteriormente a legislação ela preconiza o mínimo das condições


de segurança a serem atendidas, no entanto é de consenso que o treinamento de
prevenção e combate a incêndio é fundamental para a sobrevida dos ocupantes de
uma edificação pois ela nos condiciona a determinadas reações em caso de
incêndio quem podem ser decisivas.
A NBR 14276 e a grande maioria se não em toda a sua totalidade das instruções
técnicas dos corpos de bombeiros preconiza de que o treinamento de brigada de
incêndio seja realizada no máximo uma vez a cada 12 meses, um conteúdo que por
vezes é denso e precisa ser detalhado em todos os aspectos, assuntos esses que
são prevenção e combate a incêndio e primeiros socorros, pode-se parecer dois
temas simples, no entanto tem muita ciência por trás deles.
Um corpo de brigadistas de incêndio é necessariamente composto na sua grande
maioria por voluntários da própria empresa que se dispõem a acumularem esta
função além daquela que já é de sua contratação, e nela devem ter sidos treinados e
capacitados para atuar na prevenção e no combate ao principio de incêndio,
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abandono de área, prevenção de acidentes e primeiros socorros, numa edificação


ou área de risco.
Há de convir que um único treinamento a cada 12 meses no máximo é
insuficiente para uma pessoa reagir de forma adequada, o que devemos concluir
que seria adequado uma simulação ou uma reciclagem a cada 6 meses, no entanto
o mesmo teria que ser alterado nas orientações da ABNT e nas Instruções Técnicas
dos Corpos de bombeiros pois elas agem como força de lei através de seus
decretos estaduais.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir este estudo, procurei elencar em síntese, os fatores preponderantes


para que se alcance em sua totalidade a prevenção quando falamos em preservar
vidas, e o comportamento humano frente a situações de incêndio foi a que mais se
destacou por ser uma variável quase que imprevisível.
A cultura da prevenção na sociedade brasileira não é comum e para que seja
efetiva, é vital o conhecimento básico das características do fogo e o comportamento
do incêndio, além do manuseio básico dos equipamentos de incêndio como
extintores e hidrantes ou mangotinhos.
Com as grandes catástrofes ocorridas no Brasil nas ultimas décadas houveram
grandes avanços nas normas brasileiras porem as custas várias vidas, já está mais
do que na hora de trabalharmos com a prevenção antevendo situações como na
Boate Kiss, para que não se repitam mais.
O Brasil possui uma diversidade muito grande de normas, leis, decretos,
instruções técnicas, portarias entre outros, no que diz respeito a segurança de
incêndio, nos níveis federal, estadual e municipal. Dependendo do estado algumas
são mais detalhadas e atuais outras mais antigas e incompatíveis com as
edificações atuais o que deixa brechas para interpretações, e levando a erros e,
consequentemente, maiores riscos.
É evidente que a disseminação de como manusear equipamentos de combate a
princípio de incêndio na proteção de vidas é fundamental e os treinamentos de
brigada dão um norte para o comportamento humano frente a situações de incêndio
que contribuam para a tranquilidade de todos na busca por uma solução na situação
de perigo.
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REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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Rio de Janeiro: ABNT.

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