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Supremo Tribunal Federal

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 7.053 DISTRITO FEDERAL

RELATOR : MIN. NUNES MARQUES


REQTE.(S) : ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MINISTROS E
CONSELHEIROS SUBSTITUTOS DOS TRIBUNAIS DE
CONTAS DO BRASIL - AUDICON)
ADV.(A/S) : JOAO MARCOS FONSECA DE MELO
INTDO.(A/S) : GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL

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PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO DISTRITO FEDERAL

0
INTDO.(A/S) : CAMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

:52 I 7
ADV.(A/S) : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS

:01 AD
DESPACHO
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1 - 1-
1. A Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos
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dos Tribunais de Contas do Brasil (Audicon) ajuizou esta ação direta de


inconstitucionalidade, com pedido de medida cautelar, cujo objeto é o art.
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70, I, da Lei Orgânica do Distrito Federal, que versa sobre o procedimento


de escolha dos Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito Federal
7/1 7.

(TCDF). Eis o teor do dispositivo:


: 1 : 89

Art. 70. Os Conselheiros do Tribunal de Contas serão


Em por

escolhidos:
I – dois pelo Governador do Distrito Federal, com
sso

aprovação da Câmara Legislativa, sendo um, alternadamente,


entre Auditores e membros do Ministério Público junto ao
pre

Tribunal de Contas, indicados em lista tríplice pelo Tribunal,


Im

segundo os critérios de antigüidade e merecimento;

Ressalta a legitimidade, na condição de entidade de classe de âmbito


nacional (CF, art. 103, IX, c/c a Lei n. 9.868/1999, art. 2º, IX). Menciona a
finalidade institucional voltada à defesa dos direitos, atribuições,
garantias e prerrogativas dos auditores dos Tribunais de Contas,
compreendendo ministros e conselheiros substitutos.

Ante a vacância do cargo de Conselheiro do TCDF, aponta nomeado,


pelo Governador do Distrito Federal, por meio da Mensagem n. 462/2021-

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ADI 7053 / DF

GAG/GAB remetida ao Presidente da Câmara Legislativa, pessoa


estranha à carreira de auditor, ou conselheiro substituto. Noticia que o
indicado foi submetido a sabatina na Câmara Legislativa – e aprovado.

Afirma violados os arts. 73, § 2º, I, e 75 da Constituição Federal que


tratam da composição heterogênea e proporcional do Tribunal de Contas
e da simetria da organização, composição e fiscalização dos Tribunais de

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Contas dos Estados e do Distrito Federal em relação ao da União.

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Sustenta que a inobservância do modelo federal inviabiliza a

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composição heterogênea da Corte de Contas. Alude ao prejuízo da
atuação do órgão decorrente da nomeação de pessoa estranha à carreira
de conselheiro substituto. 20 87
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Destaca a prerrogativa do Governador do Distrito Federal de


indicar três membros do TCDF: um de livre escolha, um destinado aos
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auditores (conselheiros substitutos) e um para aos membros do


Ministério Público de Contas. Realça que a vaga reservada aos
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conselheiros substitutos estava ocupada por José Roberto de Paiva


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Martins, o qual se aposentou em 25 de novembro de 2021.


Em por

Salienta que não estão preenchidos os cargos de conselheiro


substituto, mas que há concurso de provas e títulos em andamento com
sso

vistas ao provimento e à formação de cadastro reserva. Alude a certame


pre

mais antigo, mas que foi suspenso por ordem judicial.


Im

Enfatiza que o Chefe do Poder Executivo está vinculado, em relação


às vagas técnicas, à escolha de membros das carreiras de auditor ou
procurador de contas. Alude ao verbete n. 653 da Súmula do Supremo:
“No tribunal de contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro
devem ser escolhidos pela assembleia legislativa e três pelo chefe do
poder executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e
outro dentre membros do ministério público, e um terceiro a sua livre

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ADI 7053 / DF

escolha”.

Evoca a jurisprudência do Supremo. Menciona as ADIs 2.596,


Relator o ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 2 de maio de 2003, e 3.255,
Relator o ministro Sepúlveda Pertence, DJe de 7 de dezembro de 2007, nas
quais firmado o entendimento segundo o qual nas primeiras vagas para
conselheiro de Tribunal de Contas após a vigência da Constituição de

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1988, a preferência caberia às categorias de auditores e membros do

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Ministério Público de Contas a fim de se promover a adaptação mais

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rápida possível ao novo modelo institucional. Refere-se à ADI 374,

:01 AD
Relator o ministro Dias Toffoli, DJe de 21 de agosto de 2014, em que
assentado que a vaga decorrente de aposentadoria de conselheiro
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indicado pela Assembleia Legislativa deveria ser provida por designação
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do governador dentre os auditores, de modo a conformar o modelo de
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proporcionalidade na composição do Tribunal de Contas.


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Argumenta que a indicação de pessoa que não pertence à carreira de


auditor para o provimento de vaga decorrente de aposentadoria de
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membro proveniente dessa categoria subverte o modelo constitucional de


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composição da Corte de Contas e implica retrocesso no desenho


institucional do TCDF.
Em por

Destaca precedentes nos quais declarada a inconstitucionalidade de


sso

dispositivos que autorizavam o preenchimento das vagas vinculadas por


pre

pessoas estranhas às carreiras de auditor e membro do Ministério Público


de Contas quando os cargos dessas classes não estivessem providos (ADI
Im

4.659, Relator o ministro Luiz Fux, DJe de 16 de setembro de 2019; ADI


4.416 MC, Relator o ministro Ricardo Lewandowski, DJe de 28 de outubro
de 2010; ADI 3.276, Relator o ministro Eros Grau, DJe de 1º de fevereiro
de 2008; ADI 374, Relator o ministro Dias Toffoli, DJe de 21 de agosto de
2014; ADI 397, Relator o ministro Eros Grau, DJ de 9 de dezembro de
2005; ADI 2.209, Relator o ministro Maurício Corrêa, DJ de 25 de abril de
2003; RE 717.424, Relator o ministro Marco Aurélio, DJe de 30 de outubro

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ADI 7053 / DF

de 2014).

Sustenta a inconstitucionalidade da escolha dos membros de


Tribunal de Contas que não observe a reserva técnica. Assevera que a
vacância dos cargos não autoriza o Chefe do Poder Executivo a realizar
indicação às margens do modelo estabelecido na Carta da República, a
configurar situação de omissão inconstitucional.

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Quanto ao risco, ressalta a celeridade do ato complexo de nomeação

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dos conselheiros de Tribunal de Contas. Aponta o funcionamento do

:01 AD
Tribunal de Contas do Distrito Federal com apenas quatro cargos de
conselheiro providos. Diz haver concurso público em andamento voltado
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ao provimento das vagas de conselheiro substituto.
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Requer, em sede cautelar, (i) a expedição de ordem ao Governador


do Distrito Federal, ao Presidente da Câmara Legislativa do Distrito
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Federal e ao Presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, para


que se abstenham de promover qualquer ato de indicação, aprovação,
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nomeação e posse de pessoa estranha ao cargo de auditor do TCDF no


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cargo de conselheiro substituto para a vaga oriunda da aposentadoria de


membro que tenha sido nomeado dentre os auditores; (ii) a suspensão de
Em por

quaisquer atos, promovidos por qualquer autoridade coatora, relativo à


indicação, aprovação, nomeação e posse referente ao preenchimento da
sso

vaga de conselheiro do TCDF proveniente da aposentadoria de membro


pre

que tenha sido nomeado dentre os conselheiros substitutos.


Im

Pede, ao fim, (i) a interpretação conforme à Constituição ao art. 70, I,


da Lei Orgânica do Distrito Federal, a fim de assentar-se que a vaga
relacionada ao cargo de auditor (conselheiro substituto) permanece
vinculada à respectiva classe, independentemente do provimento de
cargo nos quadros do Tribunal de Contas; e (ii) a declaração de
inconstitucionalidade, por arrastamento, da Mensagem n. 462/2021-
GAG/GAB do Governador do Distrito Federal, por meio da qual foi

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ADI 7053 / DF

indicada pessoa estranha à classe de auditor (conselheiro substituto) à


vaga proveniente da aposentadoria de membro indicado dentre os
conselheiros substitutos.

2. Os processos objetivos de fiscalização abstrata de normas, em face


da Constituição Federal e da Lei n. 9.868/1999, são voltados à defesa e à
guarda da integridade da ordem jurídico-constitucional mediante o cotejo

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de ato normativo com o Texto Constitucional, não se prestando a dirimir

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controvérsia atinente a situações concretas e agentes individualizáveis.

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A par desse aspecto, o implemento da medida cautelar em ação
direta de inconstitucionalidade é excepcional, na medida em que
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pressupõe a relevância maior do pedido e o risco irreparável de manter-
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se norma jurídica com plena vigência (CPC, art. 300, caput, c/c a Lei n.
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9.868/1999, art. 10).


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Tendo em conta o teor do dispositivo questionado e a natureza da


pretensão articulada na inicial – a atribuição de interpretação conforme à
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Constituição –, não se constata urgência capaz de conduzir ao


: 1 : 89

afastamento da eficácia do preceito. Assim, cumpre providenciar a


manifestação das autoridades envolvidas, com vistas ao julgamento
Em por

definitivo.
sso

3. Aciono o rito do art. 12 da Lei n. 9.868, de 10 de novembro de 1999.


pre

Colham-se as informações, a manifestação da Advocacia-Geral da União e


o parecer da Procuradoria-Geral da República.
Im

4. Publique-se.

Brasília, 17 de dezembro de 2021.

Ministro NUNES MARQUES


Relator

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