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CONTROLE DE

QUALIDADE DA
CANA- DE -AÇÚCAR
Laboratório de Sacarose

Relatório contendo o resumo geral de todo


conhecimento adquirido no laboratório de
sacarose da Usina Ipojuca S/A.

Aline Maíra Silva


Índice

Controle de qualidade

Resumo..................................................................................3

Etapas do sistema de qualidade


Amostragem ..........................................................................4
Preparação da amostra..........................................................5
Extração do caldo...................................................................5

Análises Tecnológicas

Determinação do Brix do caldo...............................................6


Determinação da Pol do caldo................................................6

Cálculos

Determinação do açúcar total recuperável.............................8


Determinação da remuneração da matéria prima..................8

Impurezas da cana -de - açúcar

Análise vegetal e mineral.......................................................9

Conclusão.................................................................................................10

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CONTROLE DE QUALIDADE DA CANA DE AÇÚCAR

O controle de qualidade da cana de açúcar fornecida à usina Ipojuca é


feito a través de análises tecnológicas em amostras coletadas no momento de
sua entrega à unidade industrial. O objetivo dessas análises é quantificar o teor
dos açúcares totais recuperáveis e posteriormente a remuneração da matéria
prima.
O sistema de qualidade compreende as seguintes etapas:
 Pesagem das canas;
 Amostragens;
 Laboratório de Análises Tecnológicas;
 Processamentos de dados.
Todas essas etapas são de responsabilidade da usina e é de extrema
importância para um bom resultado no final do processo. Há também uma
fiscalização das etapas realizada por representantes de entidades de classe,
que são identificados por credencial emitida pelos próprios órgãos. Eles podem
fiscalizar entre outras coisas:

 O funcionamento das balanças de pesagem das cargas;


 O funcionamento do sistema de amostragem;
 A eficiência do aparelho desintegrador de canas (também conhecido
como triturador ou forrageira);
 O funcionamento dos equipamentos das análises tecnológicas, desde a
coleta de amostras, até a apuração final dos resultados no laboratório.

É importante salientar que as amostras poderão ser anuladas caso


apresentem irregularidades no procedimento analítico. Quem vai acompanhar
os resultados é o representante dos fornecedores, que pode retirar amostras
da cana desintegrada e homogeneizada para realizar análises comparativas, e
ainda, verificar o desempenho do clarificante e equipamentos utilizados no
laboratório da unidade industrial. O laboratório tem o compromisso de entregar
aos fornecedores em, no máximo, 24 horas após recebimento da carga, o
comprovante da respectiva análise tecnológica e a sua pesagem.
Para a garantia da qualidade das análises, existem limites técnicos
operacionais a serem respeitados, são eles:

Temperatura do laboratório 18-25°C


Brix % Caldo 8-27
Peso do bolo úmido (Pbu) 110-260g
Pureza do caldo % 65-96

As amostras de cana de açúcar que não obedecerem aos parâmetros de


Brix%%, Pbu e Pza mencionados acima, serão consideradas válidas apenas
para efeito de cálculo do percentual de cana analisada e remuneradas pela
média das canas analisadas do fornecedor.

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AMOSTRAGEM

Esse processo compreende a coleta da amostra, onde é realizada a


perfuração da carga por sonda amostradora mecânica, que pode ser horizontal
ou oblíqua. A sonda amostradora mecânica da usina Ipojuca é do tipo
horizontal, sendo assim a retirada das amostras é realizada da seguinte
maneira:
As amostras são retiradas aleatoriamente em três pontos diferentes de
carregamento, definidos por sorteio, que não poderão coincidir vertical nem
horizontalmente no alinhamento.

Cartões contendo as combinações de perfurações da sonda amostradora:

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Sabendo que a forma do cartão é referente à carroceria do veículo
transportador, e que essa deve ser adaptada para a amostragem por sonda
mecânica, permitindo à unidade industrial acesso para tomada de amostra em
toda área da carroceria. Quando a cana for transportada em veículos com uma
ou mais carretas, as amostras podem ser retiradas considerando cada carreta
como um carregamento individual, retirando as amostras em cada unidade, ou
retirar apenas de uma carreta ficando determinado que a escolha da carga seja
realizada de forma aleatória na balança. Ao inicio de cada dia de moagem, a
unidade industrial utiliza 15 cartões de cada uma das seis combinações
apresentadas anteriormente, totalizando 90 cartões para o procedimento do
sorteio. Em hipótese alguma poderá ser desobedecida a posição dos furos
determinados no sorteio.
A perfuração da carga deverá ser feita o mais próximo possível do
centro da região pertinente a cada ponto sorteado. Depois de coletada a
amostra é transferida para um recipiente e encaminhado para a etapa de
desintegração. Para um melhor desempenho e controle, os recipientes deverão
são numerados.

PREPARAÇÃO DA AMOSTRA

A amostra é desintegrada no triturador, depois é dispersa sobre uma


bancada onde se faz a homogeneização e coleta, em seis pontos distintos e
aleatórios, em seguida é encaminhada à etapa de extração do caldo.

EXTRAÇÃO DO CALDO

Depois de homogeneizada e coletada a amostra é prensada e o caldo é


obtido da seguinte forma:
Em uma balança de precisão são recolhidos 500g (quinhentos gramas)
da amostra, essa massa é enviada para a prensa hidráulica automática que
extrai o caldo e gera o bagaço (bolo) úmido.
O caldo é extraído a uma pressão de aproximadamente 250 kgf/cm2
durante 1 minuto, e a prensa é regulada de modo que o sistema de prensagem
automática (relé do tempo) entre em operação a partir da pressão de 200
Kgf/cm2. O manômetro da prensa hidráulica é calibrado para que a pressão
sobre a amostra seja de 250 kg/cm2. Após obtido, o caldo é homogeneizado
para a coleta de material para a análise do Brix e da Pol.
O bagaço (bolo) úmido é pesado na balança de precisão e esse peso é
utilizado para o cálculo da fibra% cana.

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DETERMINAÇÃO DO BRIX DO CALDO

Para determinar o Brix do caldo extraído (teor de sólidos solúveis por


cento em peso de caldo), utiliza-se o refratômetro digital. Esse aparelho possui
ajuste de campo automático, com correção automática de temperatura,
devendo o resultado final ser expresso a 20 °C.
O caldo extraído é filtrado em papel de filtro qualitativo para retirar as
impurezas minerais, a partir da 5ª gota do filtrado o caldo é transferido para o
leitor do refratômetro e a tampa é fechada, o resultado sai após alguns
minutos. O fator temperatura está diretamente relacionado com a velocidade do
resultado, por isso é importante obedecer ao limite técnico estabelecido para a
temperatura do laboratório.

DETERMINAÇÃO DA POL DO CALDO

A Pol nada mais é que a quantidade de sacarose presente na amostra, a


leitura sacarimétrica será determinada em sacarímetro digital automático, esse
aparelho é calibrado com tubo padrão de quartzo.
Antes de determinar a Pol, o caldo deve ser clarificado com sub-acetato
de chumbo, para isso recolhe-se 150 mL do caldo em um erlenmeyer de 250
mL e adiciona-se de 2 a 3 g de sub-acetato de chumbo seco, fecha o recipiente
com rolha de borracha e agita vigorosamente. Após esse procedimento, faz a
filtração e o filtrado é enviado ao tubo sacarimétrico, e após alguns segundos o
resultado é obtido.
É importante mencionar que todas as vezes que for utilizada água ou
qualquer outro produto, fora da rotina normal da análise, o tubo polarimétrico
deverá ser esvaziado, antes de dar prosseguimento às análises, utilizando-se
no mínimo 70 mL do caldo seguinte, colocando-se o mesmo em duas etapas
(aproximadamente 35 mL de cada vez).
Se a clarificação do não for conseguida pelo método acima, será
atribuída a pureza de 65 % par a amostra e calculado o valor da Pol%caldo.

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CÁLCULOS PARA DEFINIR A QUANTIDADE DE ATR E A REMUNERAÇÃO
DA MATÉRIA PRIMA

Fibra da cana-de-açúcar

A fibra da cana será calculada pela equação:

Fibra% = PBU. 0, 0919 +0, 379

Pol%Caldo da cana-de-açúcar

Antes de calcular a Pol% do caldo é necessário fazer a correção da leitura


sacarimétrica para 20°C que se da pela equação:

Lc = Ls.(1 + 0,000255 (T-20))

Agora corrigida:

Pol%Caldo = Lc (0,2605 – (0,0009882 x B) )

Onde:

Lc = Leitura sacarimétrica corrigida


Ls = Leitura sacarimétrica
T= Temperatura do laboratório
B = Brix% caldo

Pureza do caldo (Pza)

Pza = 100 X Pol% caldo / Brix% caldo

Obs.:

Para purezas entre 82,28 e 84,28 o fator de pureza é igual a 1.


Para purezas maiores que 84,28 e menores que 82,28 o fator de pureza
é dado por:

FPza = Pza/ 83,28

Coeficiente “C”

O coeficiente “C” é utilizado para a transformação da Pol do caldo extraído


pela prensa em Pol% cana, é dado pela fórmula:

C = 1,0313 – 0,00575 x Fibra% cana

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Pol% de cana (PC)

É calculada conforme a expressão:

PC = Pol%caldo x ( 1 – 0,01 x Fibra% cana) x C x FPza

Açúcares Redutores do Caldo (AR)

O teor de açúcares redutores por cento, em peso, de caldo será calculado


pela equação:

AR = 9,9408 – 0,1049 x Pza caldo

Açúcares Redutores da cana (ARC)

O cálculo dos açúcares redutores da cana será realizado pela equação:

ARC = AR x ( 1 – 0,01 x Fibra% cana)x C

Açúcar Total Recuperável (ATR)

É dado pela expressão:

ATR = (10 x PC x 0,89 x 1,0526) +(10 x ARC x 0,89)


ATR = PC x 9,36814 + ARC x 8,9

Remuneração da matéria prima

A remuneração da matéria prima posta na esteira da usina será definida pela


seguinte expressão:
R = QART x P
Onde:

R = receita do fornecedor em R$
QART = Kgs de ATR entregues pelo fornecedor na safra
P = valor médio mensal em R$, de 1 kg de ATR pelo MIX dos produtos para o
estado de Pernambuco ajustado para 60 % de participação da matéria prima.

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ANÁLISE VEGETAL E MINERAL

Ainda no laboratório de sacarose se faz duas análises (mineral e


vegetal), para encontrar a quantidade de impurezas contidas na cana de
açúcar.
Na análise vegetal o que vai interessar é a quantidade de palha
(impureza vegetal) encontrada na amostra. Inicialmente pesa o recipiente
contendo a amostra recolhida na sonda amostradora, depois se faz o processo
de separação por catação, da cana e da palha. A palha separada da amostra é
então pesada e é realizada a seguinte relação:

(Peso do recipiente c/ amostra - Peso do recipiente) --------------100%


Peso da Palha----------------X %

X% equivale à porcentagem de palha (impureza vegetal) contida na amostra.

Na análise mineral se procede de outra maneira, o que interessa é a


quantidade de cinza (impureza mineral) contida na cana desintegrada após ser
coletada na sonda amostradora. O peso da cinza serve saber o quanto há de
impureza mineral indesejável (areia principalmente), baseando-se numa
comparação com o peso da cinza de uma amostra branca (aquilo que você
espera encontrar numa amostra limpa).
Inicialmente faz se a pesagem da cápsula de porcelana onde vai ser
colocado a cana desintegrada, então 30,00 g da amostra são depositados na
cápsula e pesado numa balança de precisão, a cápsula de porcelana contendo
a amostra desintegrada é colocada em um forno (mufla) onde é incinerada à
temperatura de 550°C num período de 4 horas.Depois dessa etapa a cinza é
pesada e daí se faz o seguinte cálculo:

Peso da cápsula + 30,00 g de Amostra desintegrada = Peso inicial


Peso da cápsula+ Cinza = Peso final

Peso inicial – Peso final = Peso da impureza mineral encontrada

Logo, com o peso da impureza mineral pode se fazer o cálculo da porcentagem


de impureza, para isso se faz o mesmo procedimento com uma amostra pura
(amostra branca),ou seja, aquilo que se espera encontrar numa amostra de
cana desintegrada daí se faz a seguinte relação:

Peso da amostra Impura (g) – Peso da amostra branca (g) = Y

( Y ÷ 30,00) x 100 = Porcentagem de impureza mineral contida na amostra(g)

Esse resultado está expresso em gramas, porém pode ser


convertido em quilogramas ( x 1000) e fazendo outra relação (dividindo o
resultado por 100) acha-se a porcentagem total de impureza mineral por kg da
cana desintegrada.

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CONCLUSÃO

Todo conhecimento obtido durante o período passado no laboratório de


sacarose foi de grande contribuição, tanto profissional quanto pessoal. Lidar
com uma rotina bastante movimentada e que exige muita habilidade e cuidado
para realizar cada etapa de forma satisfatória foi um desafio. Desafio este que
aos poucos foi sendo alcançado com a ajuda daqueles que já possuíam a
habilidade e o saber-fazer das etapas do sistema de qualidade.

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