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FACULDADE UniFTC de JEQUIÉ

ELIAS GONÇALVES DOS SANTOS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO II

JEQUIÉ – BA
2021
ELIAS GONÇALVES DOS SANTOS
PRECEPTORA: IVONEIDE SANTANA RANGEL SOARES

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO II

Relatório apresentado à Faculdade UniFTC de


Jequié para fim avaliativo do Componente
Curricular “Estágio Supervisionado II” como
parte dos requisitos para obtenção do título de
Bacharel em Biomedicina.

Professora Orientadora: Deise Kelly Queiroz


Santos Trindade.

Período: Junho a setembro de 2021.

JEQUIÉ – BA
2021
SUMÁRIO

1 IDENTIFICAÇÃO E APRESENTAÇÃO DA EMPRESA...............................................4


2 INTRODUÇÃO......................................................................................................................7
3 Hematologia............................................................................................................................9
3.1 Hemograma........................................................................................................................10
3.2 Reticulócitos e falcemia.....................................................................................................15
3.3 Velocidade de hemossedimentação (VHS)......................................................................17
3.4 Tipagem sanguínea............................................................................................................19
3.5 Teste de coombs.................................................................................................................18
3.6 Coagulograma...................................................................................................................22
4 BIOQUÍMICA......................................................................................................................26
4.1 Ácido úrico.........................................................................................................................27
4.2 Colesterol............................................................................................................................28
4.3 Creatinina..........................................................................................................................29
4.4 Gama-glutamil transferase (GGT)...................................................................................29
4.5 Glicose...............................................................................................................................30
4.6 Transaminase Oxalacética (TGO) / Aspartato Aminotransferase (AST)...................31
4.7 Transaminase Pirúvica (TGP) / Alanina Aminotransferase (ALT)..............................32
4.8 Triglicérides.......................................................................................................................32
4.9 Fosfatase Alcalina..............................................................................................................32
4.10 Ureia ................................................................................................................................33
4.11 Glutamato desidrogenase (GLDH)................................................................................34
4.12 Determinação de eletrólitos ...........................................................................................34
5 IMUNO/HORMÔNIO.........................................................................................................35
5.1 Proteína C Reativa (PCR)................................................................................................36
5.2 Fator Reumatoide (FR).....................................................................................................38
5.3 Antiestreptolisina (ASLO)................................................................................................38
5.4 Widal..................................................................................................................................39
5.5 Veneral Disease Research Laboratory (VDRL).............................................................40
5.6 Anti-HBsAg........................................................................................................................41
5.7 Anti-HCV...........................................................................................................................43
5.8 Anti- HIV...........................................................................................................................43
5.9 CHIKUNGUNYA IgG/IgM..............................................................................................45
5.10 Dengue (NS1)...................................................................................................................46
5.11 Teste sorológicos para diagnóstico de COVID-19........................................................48
5.12 Imuno-rápido HCG qualitativo.....................................................................................51
5.13 Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO)...................................................................53
6 UROANÁLISE.....................................................................................................................54
6.1 Exame físico........................................................................................................................55
6.2 Exame químico...................................................................................................................56
6.3 Exame microscópico..........................................................................................................57
7 PARASITOLOGIA..............................................................................................................60
7.1 Método de Hoffman, Pons e Janer (Lutz).......................................................................61
8 CONCLUSÃO......................................................................................................................67
REFERÊNCIAS......................................................................................................................68
ANEXOS..................................................................................................................................71
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1 IDENTIFICAÇÃO E APRESENTAÇÃO DA EMPRESA

O presente estágio foi realizado no laboratório Instituto de Análises Clínicas de Jequié


(IACLIJE), localizado à Rua Silva Jardim, Número 103 – Centro, CEP, Jequié – BA. Fone:
(73) 3525 – 1302 / (73) 3525 – 9957, correio eletrônico: contato@laboratorioiaclije.com.br. O
mesmo é um laboratório de pequeno porte, com equipamentos automatizados, tem por
funcionamento os turnos matutino e vespertino, seu atendimento é de segunda-feira a sábado.
O horário do estágio foi intercalado, entre os dois turnos, de modo a manter a segurança dos
estagiários no vigente período de pandemia, além de permitir que os estudantes também
atuassem em ambas as rotinas. Internamente o laboratório atende demanda de diversos setores,
possibilitando o conhecimento em áreas distintas. O estágio foi realizado nas áreas das análises
clínicas, com atuação nos setores de hematologia, bioquímica, imunologia, parasitologia,
uroanálise e controle interno de qualidade, sendo a professora Deise Kelly Trindade, a
orientadora do estágio, e tendo por Supervisora a farmacêutica bioquímica Ivoneide Santana
Rangel Soares. Com carga horária de 160, teve por início o dia 14/04/2021 e término no dia
01/06/2021.
O laboratório IACLIJE atua com as análises clinicas atendendo a população de Jequié a
mais de 25 anos. Sendo conhecido pela qualidade dos seus serviços, e prestando resultados
precisos e seguros, garantido a segurança e confiabilidade dos seus usuários. Está divido em
setores, sendo os funcionários responsáveis pelos diferentes setores. A demanda de
atendimento clinico ambulatorial era realizada em partes, onde o primeiro contato com o
paciente acontece na recepção, sendo essa responsável por prestar todas as informações aos
usuários, além de estar instruindo sobre como proceder antes da realização dos exames. Os
procedimentos de coleta, triagem, e análise do material propriamente dito do material eram
realizados pelos técnicos, farmacêuticos, e biomédicos, sendo tais processos realizados pelo
estagiário apenas quando sob supervisão dos tutores.
Ao chegar no laboratório, cada paciente respondia a uma ficha de anamnese, em que
constava informações como a idade, RG,CPF, telefone, presença de doenças crônicas, horário
em que fez a última refeição e de jejum, uso drogas medicamentosas. Em algumas análises
como o beta HCG, ou mesmo para coleta de amostra para de covid-19 algumas perguntas eram
feitas, sendo respectivamente: A data de ultima menstruação? E se o paciente apresentava
sintomas? Após o preenchimento da ficha, começa o preparo para a coleta da amostra. Para
coleta de sangue, os tubos devem estar identificados na ordem correta, de modo a atender a
rotina de análises realizadas: tubo amarelo (gel com ativador de coágulo), tubo roxo (EDTA),
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tubo cinza (fluoreto de sódio). Após isso, e com o uso correto dos EPIs, era feita uma inspeção
da veia adequada para a punção. O braço era garroteado, higienizado e a coleta era feita com o
cuidado de não ultrapassar um minuto de garroteamento, e fazer a homogeneização mínima de
cinco a oito vezes (no caso de tubos com anticoagulante ou ativador de coágulo).
Para realizar os exames de sangue, o paciente era orientado sobre a importância do
jejum. Para a realização do exame parasitológico de fezes, ou pesquisa de sangue oculto, o
paciente era orientado a depositar as fezes em recipiente (urinol) ou algum recipiente
semelhante, diminuindo assim o risco de contaminação; fazer a coleta de várias partes do bolo
fecal, e entregar no prazo determinado: amostras de aspecto líquidas ou diarreicas, entregar
máximo em 30 minutos, enquanto fezes pastosas ou sólidas, não ultrapassar prazo de uma hora.
Os mesmos eram recomendados a não guarda a amostra na geladeira, se fosse necessário a
preservação da amostra, se deveria usar o coletor especial com conservante, podendo esse ser
posto na geladeira por no máximo 24 horas. Para exames que utilizassem urina, o paciente era
recomendado a repousar oito horas seguidas, sendo a coleta feita a partir da primeira micção do
dia, sendo antes feito a higienização correta da região genital com água e sabão neutro, e o
desprezo do primeiro jato de urina. Feito isso haverá coleta de um volume superior a 10 mL.
Em ambas análises, se orientava a utilização de recipiente adequado, com boca larga, e tampa
rosqueada para uma melhor vedação.
No período vigente do estágio foram realizados diariamente exames de hemograma
completo, grupo sanguíneo, teste de coombs direto e indireto, falcemia, reticulócitos,
velocidade de hemossedimentação (VHS) no setor de hematologia. No setor da bioquímica, a
análise fica por parte do analisador automático, sendo o trabalho manual de colocar os tubos na
cubeta e realizar o manuseio do “software”, no computador responsável pelo equipamento. Esse
setor era o responsável pelas análises de: ácido úrico , colesterol, ureia, creatinina, gama-
glutamil transferase (GGT), glicose, transaminase oxalacético (TGO)/aspartato
aminotransferase (AST), transaminase pirúvica (TGP)/alanino aminotransferase (ALT),e
triglicérides. No departamento de parasitologia ocorriam as análises parasitológicas e pesquisa
de sangue oculto (PSO), sendo a primeira realizada pelos métodos Hoffman, Pons e Janer
(sedimentação espontânea ), e o PSO realizado através de teste rápido imunocromatográfico.
No setor da uroanálise executava-se exames de urina, sendo as análises em etapas, sendo físico-
química, e microscopia do sedimento. As análises imunológicas eram realizadas por testes
rápidos, que utilizam a técnica imunocromatográfico. Os principais exames imunológicos
disponíveis foram PCR, ASLO, Látex, FR, PCR, HIV 1 e 2, HIV triline, HCV, HBV, dengue,
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VDRL, Widal, Waaler Rose, Zika IgG/IgM, HCG (tira), COVID-19 Ag, COVID-19 IgG/IgM,
Chikungunya IgG/IgM.
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2 INTRODUÇÃO

As análises clínicas constituem uma das áreas fundamentais das ciências da saúde, a
mesma pode ser denominada Patologia clínica/Medicina laboratorial. Tem por função fornecer,
apoio diagnóstico a prática clínica, sendo importante para avaliar a profilaxia, diagnóstico,
terapêutica e o prognóstico de inúmeras processos patológicos. O profissional biomédico com
essa habilitação está apto a atuar em análises de caráter clinico e/ou toxicológicas, além de
assumir a responsabilidade técnica e firmar os respectivos laudos, assumir e executar o
processamento de sangue, suas sorologias e exames pré transfusionais, acreditar chefias
técnicas, assessorias e direção destas atividades (SILVA et al., 2015; BRASIL, 2021).
Entre os profissionais que podem exerce as análises clínicas, estão os biomédicos. Esses
profissionais para atuarem frente a um laboratório necessitam de constantes aprimoramento e
treinamentos, dado que a crescente expansão tecnológica possibilita inovações e renovações
dos métodos diagnósticos conhecidos. Os avanços tecnológicos visam trazer para os métodos
analíticos, maior especificidade, sensibilidade, confiabilidade, isso em menor demanda de
tempo e dinheiro, sendo em parte alcançados por meio da automação e semi-automação; o que
torna o processo mais rápido e seguro, não dispensando a colaboradores qualificados.
O laboratório clínico é de suma importância, é por meio dele que saem diversos exames,
e esses são ferramentas de auxílio para a classe médica, sendo seu emprego na detecção e busca
de anormalidades fisiológicas, patologias diversas e/ou monitoramento de processos
fisiológicos e patológicos ao nível de avaliação da gravidade ou mesmo verificar, resposta ao
tratamento, ou funcionamento biológico. Este espaço é visto por possui uma organização
complexa, sofrendo influência de diversos fatores como internos e ambientais, o que
consequentemente modifica a qualidade do resultado. Este local permite a realização de até três
mil (3.000) tipos diferentes de análises (SILVA et al., 2015)
É estimado que cerca de 65% a 75% das decisões medicas médicas são embasadas em
resultado de análises laboratoriais. Com uma ampla gama de serviços ofertados, esse ambiente
precisa de foco na qualidade, repensando estrutura, qualificação, processos analíticos e claro
relações profissionais, de modo a obter de resultados fidedignos, permitindo um diagnóstico
verídico possibilitando uma melhor terapêutica (VIEIRA et al., 2011; SANTA HELENA, 2012;
SILVA et al., 2015).
O processo operacional de um laboratório envolve algumas etapas, e por meio desta
constitui um sistema de entrada, processamento e por fim a saída, sendo esta última por um
laudo analítico. O atendimento ao paciente é constituído de 3 fases distintas sendo
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respectivamente a fase pré-analítica, fase analítica e fase pós-analítica. A fase de pré-análise


engloba do recebimento da solicitação de exame, preparo do indivíduo assim o fornecendo as
orientações necessárias e cabíveis, coleta, transporte e finalmente preparação da amostra. A
fase analítica, diz respeito a análise da amostra. A fase pós- analítica envolve a preparação do
laudo, transmissão e até a tomada de decisões pertinente aos resultados analíticos. A relevância
dos erros em saúde pública está relacionada com danos potencias aos pacientes, dessa forma
gerando aumento de custos para o sistema, além de interferir no diagnóstico correto associado
com uma terapêutica eficaz (ABDALLA et al., 2016; COSTA, 2018; FLEURY, 2019).
A constante busca por um serviço de qualidade em processos analíticos, fez com que
surgisse, programas de acreditação, assim como o Departamento de Inspeção e Credenciamento
de Qualidade ( DICQ), instituição patrocinada pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (
SBAC). (DA COSTA, 2018). Esse último estabelece os requisitos de gestão de qualidade
voltada para laboratórios clínicos, e por meio disto proporciona melhorias e desenvolvimento,
o que aumenta a capacidade administrativa e mercadológicas de organizações acreditadas. A
acreditação contribui para a formação de um mercado mais competitivo, e que busque melhores
resultados. A busca por resultados mais significativos se justifica visto que as análises clínicas
apresentam um forte laço com a saúde pública, e está necessita de resultados que transpareçam
responsabilidade ( SANTA HELENA, 2012; COSTA, 2018)
Esse ramo da ciência envolve diversas áreas, entre parasitologia, microbiologia,
imunologia, hematologia, bioquímica e uroanálise e micologia. A parasitologia estuda e
identifica inúmeras categorias de parasitos, entre os quais teremos os intestinais, hemoparasitas
e os ectoparasitas. A microbiologia tem sua área de estudo voltado para os micro-organismo,
estudando os processos de interação entre organismo hospedeiro, e como esta é prejudicial ou
benéfica, e mesmo controle de infecções. Por meio dos procedimentos imunológicos chegam-
se a diagnóstico de enfermidades congênitas. Graças a imunologia alguns processos
patológicos, e mesmo o nosso sistema imunológico pode ter seu mecanismo de funcionamento
descrito (SILVA et al., 2015).
A hematologia é o setor responsável pela avaliação do tecido hematopoiético sendo
avaliado sua normalidade e as doenças que atingem tal tecido. Os exames bioquímicos dizem
respeito a maior parte das análises laboratoriais, a mesma avalia fluidos biológicos como a
urina, sangue, líquor , fezes entre outros. Os testes bioquímicos apresentam importância
significativa, eles atuam auxiliando no diagnóstico e manutenção de vários distúrbios
patológicos como doenças renais, hepáticas cardíacas, endócrinas, processos cancerígenos,
entres outras. A uroanálise avalia a urina através do exame físico, bioquímico e análise do
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sedimento e a micologia estuda os micro-organismo (SANTA HELENA, 2012; SILVA et al.,


2015).
Na atualidade muitas são as tecnologias que fornecem apoio nas investigações de
diversa enfermidades dessa forma obtendo resultados fidedignos e mais preciso. Dentre
algumas das ferramentas tecnológicas, encontraremos técnicas como, a imuno-histoquímica,
que engloba a imunofluorescência e técnicas imunoenzimáticas, citometria de fluxo, cultura
celular , a morfometria, além de biologia molecular (sequenciamento de DNA, espectrometria
de massas e análise do exoma ,hibridação molecular, reação em cadeia da polimerase-PCR
(SANTA HELENA, 2012;BRASIL, 2017; FILHO, 2019).

3 HEMATOLOGIA

A hematologia é um ramo da biologia que se encarrega de estudar o sangue. Ela avalia


os elementos figurados do tecido hematopoiético, estes elementos são as hemácias também
chamados de glóbulos vermelhos ou eritrócitos, as plaquetas que são os glóbulos brancos. Essa
parte da biologia também investiga o processo de gênese desse tecido, além dos órgãos
responsáveis pela sua síntese. A realização de análises hematológicas permite analisar as
normalidades do sangue bem como na detecção de doenças que o atinge como anemias,
leucemias, coagulopatias, Hemoglobinopatias, Doenças hematológicas clonais, mieloma
múltiplo, plasmocitoma, síndromes mielodisplásicas, policitemia vera, trombocitemia
essencial, mielofibrose idiopática, entre outras (SILVA et al., 2015 ). O profissional responsável
por esse setor deve ter suas competências sempre em treinamento, isso inclui áreas como a
hematologia básica e clínica, a citomorfologia além de outras mais (BRASIL, 2017).
Todos os cuidados referentes a coleta devem ser tomados de forma prévia, isso inclui a
higienização correta de aparelhos e ferramentas que serão utilizados. A anamnese consiste em
uma entrevista com o paciente, e este fornecerá informações capazes de provocar alguma
interferência no resultado. Entre as variáveis que pode provocar mudanças nos processos
analíticos teremos o jejum, uso de substâncias alcoólicas, fármacos, exercícios físicos, gravidez,
e outros. Os exames de sangue fazem parte da rotina médica, e por meio deles conseguimos
monitorar o nosso estado de saúde (VIVAS, 2006). Umas das etapas da hematologia consiste
na coleta sanguínea, e para que esta ocorra de forma eficaz, torna-se necessário que o
profissional responsável por essa atividade possua conhecimentos e habilidade suficientes,
desta forma diminuem-se as chances de erros que pode lesar o paciente ou mesmo alteras
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futuros resultados( ABDALLA et al., 2016).


No período em ocorreu o Estágio Supervisionado I, foram realizados diariamente
atividades como a tipagem sanguínea, hemograma completo, proteína c reativa (PCR), teste de
coombs, falcemia, velocidade de hemossedimentação (VHS), analises do perfil hemostático e
reticulócitos.

3.1 Hemograma

O hemograma consiste na denominação dada ao conjunto de análises do tecido


hematopoiético, que quando em conjunto com dados clínicos do paciente possibilita resultados
diagnóstico e monitoramento de inúmeros processos patológicos. Entre os exames mais
solicitados pela classe médica encontra-se o hemograma, o mesmo representa grande
significância para a pratica clínica, uma vez que fornece dados que devem serem levados em
conta para elucidação diagnóstica, prognóstica e de acompanhamento. Revestido de grande
importância, esse exame não permite erros ou mesmo conclusões duvidosa, tendo em vista que
estes levarão a resultados falhos e ineficazes, implicando assim em prejuízos ao sistema e ao
seu usuário. Esse conjunto de dados permite avaliar os elementos que compõe o tecido
sanguíneo, seja de forma quantitativa ou qualitativa. Essa análise é composta por três
determinações de caráter básico são elas, as avaliações dos eritrócitos (série vermelha),
leucocitária (série banca) e plaquetas ( série plaquetária) (NAOUM; NAOUM, 2008).
O eritrograma que consiste na análise das hemácias ou série vermelha, fornece valores
como a dosagem de hemoglobina (Hb) em g/dL, contagem de eritrócito (CE) em 106/mm3,
hematócrito (Ht) em %, índices hematimétricos que são Volume Corpuscular Médio (VCM)
em µm3 ou fm3, Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) em pg, Concentração de
Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) em g/dL e Red Cell Distribution Width (RDW) em
% (LORENZI, 2006; NAOUM; NAOUM, 2008).
A avaliação quantitativa da série eritrocitária possibilita identificar as características das
hemácias. O volume corpuscular médio demonstra variação no tamanho dos glóbulos
vermelhos, sendo seu resultado expresso em fentolitro (fL). É a variável de maior importância
no diagnóstico de anemias. Quando células sanguíneas apresentam tamanho inferior (<80 fL),
estas serão consideradas de caráter microcítico. As anemias ferropriva e talassemias são
exemplos de distúrbios microcítico. As hemácias cujo tamanho seja de (>100 fL), serão
distúrbios macrocíticos. Dentro desse grupo teremos síndromes megaloblástica, o que inclui a
anemia perniciosa. A hemoglobina corpuscular média, é fornecida em pictogramas, e mostra o
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peso do eritrócito processos (NAOUM; NAOUM, 2008; SILVA & RICARDO, 2013).
A concentração de hemoglobina corpuscular média, como o próprio nome sugere, indica
as concentrações de hemoglobina no interior das hemácias, servindo para indicar hipocromia,
quando (<32), ou hipercromia quando apresenta valores (>36). Serão consideradas normais ou
normocítica quando seus valores estiverem entre os intervalos (32 até 36 g/dL). O RDW indica
o percentual de variação de tamanho, ou anisocitose. A análise dos glóbulos vermelhos, em
conjunto o exame microscópico da morfologia eritrocitária fornece contribuição para o
diagnóstico das principais causas de processos anêmicos, além de permite a classificação
laboratorial de tais processos (NAOUM; NAOUM, 2008; SILVA & RICARDO, 2013).
As análises da série branca ou simplesmente leucograma, avalia as contagens total e
diferencial dos leucócitos, assim como o aspecto morfológico principalmente dos neutrófilos,
linfócitos e monócitos. Esta por sua vez é analisada por meio dos seguintes índices contagem
total de leucócitos (CTL) em 106/mm3 e Contagem diferencial de leucócitos (CDL). Esta última
fornece valores diferencias de neutrófilos (bastonetes e segmentados, eosinófilos, basófilos,
linfócitos, monócitos sendo seus valores expresso da seguinte forma em % (valor relativo) ou
103/mm3 (valor absoluto). O valor absoluto representa uma melhor expressão do diagnóstico,
quando compara do ao valor relativo fornece a contagem de leucócitos total. O plaquetograma
fornece a contagem de plaquetas e suas variações, sendo expressa em (CP: 103 /mm3 ). Por
meio da automação tornou-se possível obter os índices PDW (%). Este por sua vez que fornece
o resultado da amplitude presente nas superfícies dos corpos plaquetário, assim como o MPV
(fm3 ) que mostra o volume médio das plaquetas (LORENZI, 2006; NAOUM; NAOUM, 2008;
FAILACE, 2009).
Os processos envolvidos na contagem celular, ocorreu de forma automatizada, sendo
realizada por um analisador hematológico automatizado, denominado Sysmex XS-800i. Este
aparelho, tem entre seus mecanismos de funcionamento, a citometria de fluxo fluorescente.
Esse método combina a tradicional citometria de fluxo + corante de polimetina, altamente
específico; o que permite diferenciação de populações de células. O processo analítico consiste
na aspiração de uma pequena fração de sangue, ocorrendo em seguida a determinação de valores
(Sysmex XS-800i, Manual de Operações).
O analisador automático faz as suas determinações baseadas em diferentes técnicas,
sendo cada um alvo de um objeto. A determinação da série plaquetária e eritrocitária, ocorre
por meio do método de impedância e foco hidrodinâmico que minimiza os fenômenos
de coincidência e recirculação. O hematócrito (HCT) é diretamente determinado através da
detecção individual do volume de cada eritrócito. Para determinação da hemoglobina utiliza-se
12

do método lauril sulfato de sódio (SLS), livre de cianeto. A contagem diferencial de 5-partes é
possível pela marcação por fluorescência, a técnica revela a relação núcleo-citoplasma em cada
célula corada individualmente permitindo que os analisadores desse tipo diferenciem 5
populações de leucócitos. O aparelho trabalha com análise de amostras de sangue total
aspiradas em volume de 20 μL se for no modo aberto, ou 67 μL no modo capilar (pré-diluído).
Possui capacidade de analisar até 60 amostra/hora em modo aberto (Sysmex XS-800i, Manual
de Operações).

Figura 1 - Analisador hematológico automático Sysmex XS-800i.

Fonte: Autoria própria.


Um hemograma de qualidade e confiabilidade envolve a confecção de um esfregaço
sanguíneo. O mesmo faz-se necessário quando os resultados do hemograma apresentam
anormalidades. Sendo uma técnica útil na identificação de diferentes leucócitos, permitindo
observar células anormais ou imatura. Em modo geral o esfregaço possui uma ampla gama de
uso, sendo entre as principais, observar a morfologia das hemácias, leucócitos e plaquetas,
assim determinando aspectos morfológicos e valores quantitativos em porcentagem, dessa
forma auxiliando na pratica clínica para o diagnóstico de diferentes distúrbios, doenças e
13

deficiências . Seu uso na clínica permite a diferenciação de células da série branca e vermelha,
e busca por parâmetros anormais, que possa vir a indicar alguma possível anomalia no tecido
hematopoiético, como anemias, leucemias entre outra. Sua importância também está no
monitoramento para pacientes que fazem alguns tipos de tratamento como a quimioterapia ou
radioterapia, ou mesmo buscando variantes de hemoglobina.
Para preparação do esfregaço alguns cuidados devem ser tomados como por exemplo
higienizar a lâmina com álcool, desta forma removendo resquício de gordura que pode estar
presente. Por meio destes cuidados evita-se a formação de bolha, o que favorece uma lâmina
de esfregaço de melhor qualidade ( DA SILVA; DOYLE; MONTEIRO, 2006). A realização do
esfregaço sanguíneo (Figura 2) consiste em:

1. Colocar uma gota da amostra de sangue em aproximadamente 1 ou 2 cm da extremidade de


uma lâmina de microscopia, que esteja limpa, desengordurada e sem riscos;
2. Com o auxílio de outra lâmina extensora (lâmina de mesmo caráter), colocar a gota de sangue
em contato com sua borda. Para isso a lâmina extensora deve fazer um movimento para trás
tocando a gota com o dorso em um ângulo 45;
3. O sangue irá se espalhar por capilaridade, seguindo para as laterais da lâmina. A lâmina deve
então deslizar suave e uniformemente sobre a outra, em direção oposta a extremidade em que
está a gota de sangue. O sangue será “puxado” pela lâmina;
4. Depois de completamente estendido, o sangue forma uma película sobre a lâmina de vidro;
5. Deve-se identificar o esfregaço com o auxílio de um lápis, e deixar que ele seque sem
nenhuma interferência;
6. Seguir para o passo de coloração.

Um esfregaço de boa qualidade não deve apresentar falhas ou paradas, também não
deverá ser muito espesso, nem muito delgado. A região da cauda, ou franja como é como
também é conhecida não deve apresentar falha, uma vez que será nessa região onde será feita a
leitura. A mesma concentra a menor quantidade de sangue da lâmina, e deve apresentar
hemácias e leucócitos bem distribuídos. Coloração hematológica Panótica ou coloração
segundo Romanowsky. Essa técnica utiliza da capacidade que algumas soluções de corante têm
para corar as estruturas celulares, sendo sua atuação em 15 segundos. As cores vista são os
resultados das interações entre estruturas celulares, o corante e as variações de pH. Seguir
abaixo as fases da coloração panótico rápido:
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1. Mergulhar por 5 segundos o esfregaço no recipiente contendo a solução reagente nº1. Realizar
movimentos contínuos de cima para baixo durante a execução do procedimento. Feito isso
deve-se retirar a lâmina do recipiente e espera que ela escorra toda solução. Essa etapa tem
por função fixar a extensão e realçar a coloração das plaquetas;
2. Mergulhar a lâmina em movimento continuo de cima para baixo por 5 segundos no recipiente
contendo a solução nº2. Retirar o esfregaço e deixar escorrer a solução;
3. Submergi durante 10 segundo na solução reagente nº3, mantendo os movimentos de cima
para baixo até completar o intervalo desejado, retirar o mesmo e lavar com água deionizada
ou mesmo com água corrente. Esperar secar naturalmente;
4. Colocar óleo de imersão sobre o esfregaço, e observar no microscópio na objetiva de 100x.

O tempo de imersão em cada solução pode apresentar variações de acordo com o


laboratório de análise, ou mesmo do analista. Lâminas que ficam imersas por uma maior
quantidade de tempo, tende a apresentar uma coloração mais forte.

Figura 2 - Distensão de sangue periférico após coloração rápida com


panótico.

Fonte: Autoria própria.

Uma das etapas que antecede a realização das análises hemográficas e o processo de
coleta. É orientado que sempre que possível, essa seja feita tomando a veia superficial que está
localizada na fossa ante cubital. Deve ser dado atenção ao calibre das agulhas que serão
utilizadas, bem como ângulo correto de posicionamento, esse último deve ser feito sobre o
ângulo de 30º ou menos. O ato de garrotear não deverá ultrapassar o tempo limite de 1 minuto,
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tal medida visa diminuir os riscos de hemólise ou hemossedimentação. Outro fator de alta
relevância é respeito a ordem correta dos tubos de coleta, dessa forma irá evitar a transferência
errônea , inclusive de anticoagulantes. Para analise deste caráter, a amostra deve ser coletada
em tubos contendo o ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA). Ao termino da coleta o tubo
contendo o analito deverá ser homogeneizado, durante o intervalo de 5 a 8 vezes
(BASTOS;BERNER; RAMOS, 2010; ANDRIOLO, A. et al; FAILACE, 2015).

Figura 3 – Esfregaço de sangue periférico, com a presença de hemácias,


metamielócito no centro, e um neutrófilo segmentado nas coordenadas a 8 horas.

Fonte: Autoria própria.

3.2 Reticulócitos e falcemia

A contagem de reticulócitos, é um exame que tem por finalidade clínica a avaliação da


atividade eritropoiética da medula óssea, sendo importante no diagnóstico de várias . Os
reticulócitos são hemácias jovens, que ainda possuem fragmentos de RNA ribossômico, são
produzidos e liberados pela medula óssea na corrente sanguínea. Esses fragmentos
ribossômicos possuem a capacidade de serem corados pelo corante cresil brilhante, podendo
ser observado no microscópio óptico. Esta análise consiste em utilizar de 100µl de uma amostra
de sangue total, juntamente a 100µ do reagente, o corante azul cresil brilhante. O composto
formado é posto ao banho Maria por cerca de 30 minutos, feito esse processo, deve-se começar
a confecção do esfregaço. Realizar a leitura da lâmina (Figura #), em microscópio óptico com
objetiva de imersão (aumento de 1000x). A técnica de Citometria de fluxo utiliza-se de um
16

corante fluorescente que se liga ao RNA ribossomal produzindo mais resultados fiáveis do que
métodos manuais, além fornece informações sobre reticulócitos como a imaturidade
(CORTELLAZZI et al., 2003; NAOUM; NAOUM, 2008).

Figura 4 – Reticulócito visto em objetiva de 100X, sobre o óleo de imersão.

Fonte: Autoria própria.


O traço falciforme, consiste em uma heterozigose que afeta o gene S da hemoglobina, é
um distúrbio hematológico de caráter benigno, sendo herdado de forma hereditária. É a forma
mais conhecida das hemoglobinopatias, sendo está associada a alta morbidade e mortalidade
infantil, tendo como agravo principalmente sepse bacteriana, síndrome torácica aguda, além de
crise de sequestração esplênica. O distúrbio prevalece entre os afros-descendentes. Diagnóstico
precoce, bem como terapêutica adequada são capazes de reduzir os índices de morbidade e
mortalidade de crianças portadores dessa síndrome, melhorando a taxa de sobrevida, assim
como a sua qualidade. (LEONELI et al., 2000; MURAO; FERRAZ, 2007; WATANABE et
al., 2008).
O exame de falcemia, ou falcização se mostra útil para o diagnóstico de algumas
anemias como o traço falciforme, ou anemia falciforme, além de outro processos hereditários.
Sua realização consiste em:

1. Identificação do paciente na lâmina;


2. Colocar em um tubo 50µl de sangue total + 100µl de solução fisiológica 0,9%, misturar por
inversão;
17

3. Adicionar 100µl de metabissulfito de sódio a 2%. Misturar por inversão;


4. Colocar na lâmina de microscopia 10 a 20µl da mistura e espalhar por um espaço de 4cm2;
5. Espalhar a mistura como em uma lâmina de esfregaço e recobrir com a lamínula (uma boa
lâmina não deve conter bolhas de ar);
6. Vedação de todos os cantos da lâmina com esmalte incolor ou resina de vela;
7. A lâmina deve ser armazenada em uma placa de Petri contendo algodão embebido em água;
8. A lâmina deve ser lida nas objetivas de 10x ou 40x, após 1,3,6, e 24 horas ou somente após
as 24 horas.

Essa técnica tem como princípio básico a formação de longos polímeros de hemoglobina
o que altera a forma do eritrócito, e que é resultante da desoxigenação da hemácia pelo
metabissulfito. Tal processo simula o que ocorre nas hemácias em condições patológicas como
na anemia falciforme. Em resultados positivos a lâmina revela drepanócitos (células em formato
de foice) de coloração amarelada (NAOUM; NAOUM, 2008; BRASIL, 2016).

3.3 Velocidade de Hemossedimentação (VHS)

A velocidade de hemossedimentação, corresponde a um teste simples e apresenta baixo custo.


O VHS é tido como um marcador inespecífico, e de grande utilidade na identificação de
marcadores da resposta inflamatória, processos infecciosos e neoplásicos. Atualmente mesmo
com a existências de métodos mais sofisticados, esse teste ainda permanece muito solicitado
pela classe médica, incluindo Cardiologistas, hematologistas, clínicos gerais e principalmente
por reumatologista. Os reumatologistas utilizam o VHS no diagnóstico e monitoramento de
doenças auto imunes como o lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, além de outras
enfermidades reumáticas. É sabido que o mesmo não apresenta eficácia na monitoração de
pacientes reumáticos assintomáticos, logo não deverá ser usado para tal finalidade (SANTOS;
CUNHA; CUNHA, 2000; COLLARES; VIDIGAL, 2004).
O fundamento dessa análise hematológica consiste em medir a altura da camada de
eritrócito de uma amostra de sangue venosos anticoagulado, e que se sedimenta em um tubo de
vidro graduado num determinado espaço de tempo e sofrendo o efeito gravitacional. O princípio
envolvido no método, é baseado nas cargas elétricas dos componentes sanguíneos, nesse
processo em situações não patológicas, as hemácias que possuem cargas elétrica negativas de
íon, e se repelem ao chegar ao ir se aproximando do fundo do fundo do recipiente; a repulsão
18

entre esses glóbulos vermelhos ocorre pois quando se aproximam uns dos outros no fundo do
recipiente, faz com que devido a polo magnético iguais dessas células se repelem, contundo as
forças de interação magnéticas se contrapõe a ação gravitacional levando retardamento do cair
das hemácias. Em situações patológicas proteínas e outros componentes que possuem carga
positiva se ligam as hemácias presentes ali no soro, o que anular a carga negativa desses
eritrócitos, não se contrapondo a gravidade (total (SANTOS; CUNHA; CUNHA, 2000;
COLLARES; VIDIGAL, 2004).
Entre as diversas técnicas disponíveis para determina o VHS, a mais utilizada é a de
Westergren. Esse método consiste em misturar 1,6 mL de sangue venosos com mais 0,4 mL de
citrato de sódio 3,8% (relação 4:1), ou mesmo sendo adaptado para sangue venoso coletado em
EDTA (bi ou tripotássico). O tubo contendo a amostra colhida dever ser colocado num tubo
transparente com diâmetro interno de 2,5 mm e comprimento de 200 mm, sendo graduado em
milímetros . O tubo deve ser preenchido até o marco zero e posicionado na vertical pelo
intervalo de 1 hora, sendo após esse período a realização da leitura. A velocidade de
hemossedimentação expressa em mm/h, será a distância entre menisco até o ápice da coluna de
hemácias . a análise deve ser realizada até duas horas após a obtenção da amostra, sendo a
temperatura usual entre 20ºC e 25ºC. Um segundo exame deve ser realizado com uma amostra
de sangue total (SANTOS; CUNHA; CUNHA, 2000; COLLARES; VIDIGAL, 2004).

Figura 5 - VHS adaptado para coleta em tubo com EDTA (registro 1 hora após
execução da técnica).

Fonte: Autoria própria.

3.4 Tipagem Sanguínea


19

O exame de tipagem sanguínea é um teste que permite identificar antígenos ABO na


membrana eritrocitária, dessa forma identificando o seu tipo sanguíneo ou mesmo o fator Rh .
Está técnica é de suma importância uma vez que é um procedimento largamente utilizado nas
transfusões sanguíneas e centros de hemoterapia, a fim de garantir eficácia terapêutica, bem
como a segurança de uma futura doação. A técnica utilizada durante o estágio foi a prova direta.
Nesse tipo de prova os reagentes, os soros-teste anti-A, anti-B e anti-AB (exceto quando se
utiliza anticorpos monoclonais, situação que não exige a utilização de anti-AB), eram colocados
em contato com a amostra de sangue total. A aglutinação da amostra indicava identificava se
havia ou não a presença dos antígenos A ou B, e permitia a identificação dos grupos sanguíneos
A, B, AB e O. O antígeno RhD é estabelecido através da adição do antissoro anti-RhD as
hemácias. Em contra partida se realiza-se um controle negativo, isso por meio da utilização de
um antissoro compatível com o antissoro usado anteriormente. Em casos de RhD negativo,
deve-se realizar uma pesquisa de antígeno D-fraco. A proteína RhD, apresenta-se como o
antígeno eritrocitário não-ABO de maior relevância clinicamente, sendo forte sua implicação
na etiologia de reações transfusionais hemolítica, logo caracteriza-se como altamente
imunogênico (LIU, 2012; BRASIL, 2014). O teste de tipagem sanguíneo consiste em:

1. Em um tubo de ensaio lavar 200μL de hemácias três vezes, usando solução fisiológica a 0,9%;
2. Prepara a suspensão de hemácias a 5% (950 μL de hemácias com solução fisiológica a 0,9%
+ 50 μL de hemácias lavadas);
3. Identificar três tubos em A, B e D;
4. Em cada tubo identificados colocar 100 μL da suspensão de hemácias;
5. Colocar em cada tubo uma gota do reagente correspondente;
6. Centrifugar por 1 minuto a 1000 RPM.
7. Retirar os tubos da centrífuga e observar em quais tubos ocorreram aglutinação.

Na classificação do Rh (D) se ocorrer a ausência de aglutinação (negativa), deve realizar


a pesquisa de D fraco e controle. Essa pesquisa tem por objetivo detectar o anticorpo
fracamente formado, devido a sua transmissão genética. A pesquisa de D fraco e controle
consiste em:

1. Colocar em um tubo de hemólise uma gota de reagente Anti-D . Identificá-lo e em um


segundo tubo, colocar uma gota de Controle Rh como controle negativo;
20

2. Incubar o “tubo Rh negativo” no banho Maria a 37º entre 15 a 30 minutos;


3. Lavar as hemácias com solução fisiológica 0,9% cerca de 3 vezes, desprezando o
sobrenadante;
4. A cada tubo acrescentar uma gotas da suspensão de hemácias a 5% previamente preparadas
em solução salina à 0,9%. Homogeneizar bem;
5. A cada tubo adicionar duas gotas de Soro Anti-IgG (Soro de Coombs). Misturar bem;
6. Centrifugar a 3400 rpm por 60 segundos;
7. Agitar suavemente os tubos para pesquisar a presença ou não de aglutinação.

Figura 6 - Grupo sanguíneo, e fator Rh em tubo de vidro.

Fonte: Autoria própria

3.5 Teste de Coombs

O sistema Rh possui antígenos que são exclusivos dos eritrócitos, ele é altamente
polimórfico, e sua constituição envolve mais de 49 antígenos, sendo o RhD, além de outros
quatros principais antígenos do sistema. Esse conjunto de proteínas são responsáveis por cerca
de 99% dos problemas clínicos que estão associados ao sistema Rh. A investigação da presença
ou ausência de antígeno RhD, é uma etapa obrigatória nos processos pré-transfusionais e em
doadores de sangue. Esse exame avalia a presença de anticorpos específicos que atacam as
células da série vermelha, o que provoca a destruição de tais células, podendo levar ao
desenvolvimento de uma anemia de caráter hemolítico. O teste é muito semelhante a tipagem
sanguínea, ele consiste em misturar uma pequena amostra do sangue total ao reagente anti-D,
em proporções iguais. Sua classificação ocorre de acordo com o resultado da aglutinação, sendo
21

positivo quando ocorre a aglutinação, e negativa quando não ocorre. contudo em algumas
situações a expressão do antígeno RhD é muito sutil, o que acaba por dificultar essa
classificação. Esse teste pode ser divido em Coombs direto e indireto LIU, 2012; BRASIL,
2014).
O coombs direto consiste em um teste capaz de identificar imunoglobulinas fixadas na
membrana dos eritrócitos. O exame se mostra eficiente no diagnósticos de algumas patologias
como anemias autoimune, anemias causados por narcóticos e fármacos, anemia hemolítica do
recém-nascido. Juntamente com o Coombs indireto, o mesmo serve para o diagnóstico de
reações transfusionais hemolíticas imunes. A realização do Coombs direto consiste em:

1. Colocar em um tubo de hemólise uma gota de suspensão de hemácias do paciente a 5%,


previamente preparadas em solução salina à 0,9%;
2. Lavar as hemácias do tubo por três vezes com solução salina à 0,9%. Desprezar o
sobrenadante, secando as bordas do tubo na última lavagem para retirar toda a solução;
3. Identificar 2 tubos de hemólise: monoespecífico (M) e poliespecífico (P), com nome e
registro do paciente;
4. Colocar nos tubo M e P, 01 gota de suspensão de hemácias a testar;
5. Lavar as amostras contida nos tubos M e P, uma vez com salina, e Decantar completamente
o sobrenadante, por inversão, enxugando a borda dos tubos com papel absorvente;
6. Adicionar ao tubo M, 02 (duas) gotas de soro antiglobulina monoespecífico (Soro de Coombs)
e ao tubo P, 2 gotas de soro antiglobulina poliespecífico (Soro Anti-humano);
7. Homogeneizar e centrifugar os tubos por 15 segundos a 3400 rpm;
8. Agitar suavemente o tubo para pesquisar a presença ou não de aglutinação.

O Coombs indireto é um teste cuja finalidade é a identificação de anticorpos presente


no soro e que não estão ligados a membrana das hemácias. O mesmo consiste em:

1. Colocar em dois tubos de hemólise uma gota de suspensão a 5% de hemácias O Rh Positivo,


previamente preparadas em solução salina à 0,9%. Identificá-los;
2. Adicionar ao tubo controle negativo uma gota de solução salina à 0,9% e ao tubo controle
positivo uma gota de reagente Anti-D ;
3. Adicionar duas gotas de soro a ser testado;
4. Acrescentar duas gotas de Albumina Bovina a 22%;
5. Incubar o tubo em Banho-Maria durante 15-30 minutos a 37ºC;
22

6. Lavar as hemácias do tubo por três vezes com solução salina à 0,9%, secando as bordas do
tubo na última lavagem para retirar toda a solução;
7. Acrescentar duas gotas do Soro Anti-IgG (Soro de Coombs);
8. Misturar bem. 7. Centrifugar a 3 400 rpm por 15 segundos;
9. Agitar suavemente o tubo para pesquisar aglutinação.

O controle positivo e controle negativo para o teste de coombs indireto consiste em:

1. Colocar em dois tubos de hemólise uma gota de suspensão a 5% de hemácias ,O Rh Positivo,


previamente preparadas em solução salina à 0,9%;
2. Identificá-los, e adicionar ao tubo “controle negativo” uma gota de solução salina à 0,9% e
ao tubo controle positivo uma gota de reagente Anti-D;
3. Seguir a mesma metodologia do coombs indireto a parti do item no 3.

3.6 Coagulograma

O coagulograma consiste em um conjunto de exames, cuja finalidade é avaliar


desordens de caráter hematológico. Dentre os distúrbios mais frequentes podemos citar as
hemorragias, podendo essas serem causadas por lesões, e/ou ferimentos, ou ainda hemorragias
decorrentes de alterações congênitas, sendo em sua maior parte pela deficiência de fatores da
coagulação, levando ao surgimento das hemofilias. As hemofilia são enfermidades de caráter
hereditário e recessivo e ligada ao sexo, são classificadas em A ou B. A síndrome do tipo A é
caracterizada pela falta do fator VIII, e também se configura como a causa mais comum de
coagulopatia. O distúrbio hemofílico classificado como B, tem como a causa a ausência do
fator IX. Ambas as hemofilias afetam quase que exclusivamente os homens, uma vez que atinge
o cromossomo X, a mulher portadora do distúrbio se apresenta assintomática (MELO e
ARAUJO, 2016).
O diagnóstico laboratorial das hemofilias tem início com os teste de triagem, o tempo
de protrombina (TP) e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA). Não somente esses
testes servem para o diagnóstico do distúrbio propriamente dito, os mesmo também possibilitam
a monitoração do estado clínico do indivíduo portado de hemofilia, sendo as vezes requisitados
em pré-operatórios, para pacientes que fazem uso de anticoagulantes orais como warfarin,
Marevan. (LABTEST, 2016).
23

No período vigente ao estágio o método para obtenção do TP e TTPA, se dava de forma


semiautomática, sendo a análise propriamente dita realizada pelo aparelho semiautomático, o
coagulômetro Max Coag 1 canal (Figura 6). O mesmo consiste em um equipamento com 1
canal de leitura, 5 posições de incubação das amostras, 2 posições de incubação para os
reagentes, impressora interna térmica, além de possui capacidade para armazenamento de até
10.000 resultados de pacientes. O equipamento trabalha com valores de amostra de 20µL até
40µL, e tem princípio de funcionamento baseado na análise nefelométrica (Manual Max Coag
1).

Figura 6 - Coagulômetro semiautomático Max Coag 1.

Fonte: EPIMED®

As amostras para as avaliações de tempo de protrombina e tempo de tromboplastina


parcial foram colhidas por pulsão venosa em tubo com citrato (tampa azul). Alguns cuidados
como evitar garroteamento prolongado, hemólise, formação de bolhas, aspiração de líquido
tissular foram tomados, a fim de se obter uma boa amostra, e consequentemente diminuindo a
chance de resultados infiéis e improcedentes. Após o processo de obtenção de amostra, a mesma
deverá ser centrifugada a 3000 RPM durante 15 minutos. Após a centrifugação remover o
plasma sem pipetar células vermelhas ou a camada amarela. As amostras deverão ser testadas
em menos de 3 horas. Se o teste não puder ser feito neste período o plasma deverá ser congelado
por no máximo 1 semana à -20°C.
Uma ferramenta de importante avaliação do TP , e TTPA e controle é a razão de
24

normatização internacional (RNI ou INR), e o Índice de Sensibilidade Internacional


(ISI), essas razões consiste em um método de calibração do tempo de protrombina, e
tromboplastina tendo como finalidade a redução das discrepâncias nos resultados de TP entre
os diferentes laboratórios clínicos, estabelecendo assim um padrão de TP, e assim dando mais
confiabilidade a metodologia empregada. O RNI se mostra eficaz na avaliação de pessoas que
fazem uso de anticoagulantes orais. O intervalo de segurança para um processo coagulatório
normalmente varia entre 2,0 a 3,0.
O Tempo de Protrombina ou mesmo tempo de Quick avalia a via extrínseca e comum
da coagulação, se mostra bastante sensível as deficiências dos fatores V, VII e X, e menos
sensível em relação ao fator II, e também as formas leves de distúrbios fibrinogênicos. Os
fatores II, VII e X são fatores dependentes de vitamina K (MELO e ARAUJO, 2016). O método
tem por fundamento a medida do Tempo de Coagulação do plasma após a adição de uma fonte
de Tromboplastina (fator III, fator tissular) e Cálcio. O fator VII é então ativado, formando um
complexo (Complexo FT-FVIIa) que irá ativar os fatores IX e X. O fator Xa junto com os
Fosfolípideos do fator tissular, fator Va e Cálcio formam o complexo ativador de Protrombina
que transforma a Protrombina (fator II) em Trombina (fator IIa) (BULA TP BIOCLIN). O teste
de TP consiste em:

1. Pré-aquecer o reagente Nº 1 (Formador de Coágulo) a 37ºC de 4 a 5 minutos (Aquecer


somente o necessário para a realização do teste);
2. Homogeneizar o reagente antes do uso;
3. Em uma cubeta limpa e seca pipetar 20 µL do plasma a ser medido (Controles ou
Amostras) e incubar a 37ºC por 2 (em banho-maria ou blocos térmicos do aparelho
coagulômetro);
4. Colocar a cubeta com a amostra no canal de análise do equipamento coagulômetro;
5. Adicionar 40 µL do reagente Nº 1 (Formador de Coágulo), previamente incubado, a
cubeta contendo o plasma, e disparar o cronômetro;
6. Aguarda o tempo de leitura da amostra, e a impressão do resultado do tempo de
protrombina.

Tempo de tromboplastina parcial ativada consiste em um método capaz de avaliar os


fatores de coagulação da via intrínseca e comum. Sua sensibilidade permite a identificação da
deficiência dos fatores VIII, IX, XI, XII, precalicreína, cininogênio de alto peso molecular, e
anormalidades graves causados pela ausência dos fatores II, V, X, e do fibrinogênio.
25

O TTPa propriamente dito permite a determinação do tempo de coagulação do plasma


pobre em plaquetas (PPP) citratado, logo após a adição de um ativador de fase de contato
(cloreto de cálcio), e um reagente (cefalina).
A metodologia do teste calcula o tempo de coagulação do plasma citratado, após a
adição dos reagentes que contém um Ativador Plasmático (Ácido Elágico) e Fosfolípides, esses
irão atuar como substitutos das plaquetas. O reagente nº 1, a cefalina ativada atua substituindo
o fosfolipídio da membrana plaquetária ou F3P uma vez que a mesma está a se trabalhar com o
plasma pobre em plaquetas. O reagente de nº 2, que é uma solução de cloreto de cálcio que
reverte à ação do citrato. O ativador da fase de contato pode ser o caolim, o ácido elágico, a
celite ou ainda o dextram. Este ativador que é colocado em excesso vai ativar o fator XII, na
presença de precalicreina e cininogênio de alto peso molecular, e o fator Xila vai transformar o
fator XI em Xla. O Xla ativa o fator IX em Ixa, e este junto com o fator VilII-C que atua como
cofator vai ativar o fator X Esta é a chamada Via Intrínseca da coagulação. O fator Xa inicia
então a Via Comum, ativando o fator Il na presença de fator V e do F3P, que no TIPA é
representado pela cefalina O fator lla ou trombina coagula então o fibrinogênio, transformando
a em fibrina. A cefalina é um fosfolipideo extraído de cérebro de maneira (BULA BIOCLIN).
A Organização Mundial de Saúde, normatiza o uso do Índice de Sensibilidade
Internacional (ISI), dessa forma buscando reduzir os níveis de discrepância. Esse exame é
usado para a triagem de pacientes, a fim de detectar deficiências de fatores da cascata da
coagulação, a presença de anticoagulante lúpico, e a monitoração dos níveis de heparina não
fracionada no plasma (LABTEST, 2016).
O teste de TTPa pode ser realizado de forma manual ou semiautomática com o auxílio
de aparelho eletrônico coagulômetro. No período de estágio, o método era realizado com auxílio
de um coagulômetro, sendo as etapas:

1. Pré-aquecer o reagente o Reagente Nº 2 a 37°C. Este procedimento deve ser realizado


apenas com o volume que será utilizado para execução dos testes. O reagente deve
permanecer em aquecimento durante todo o procedimento;
2. Separar as cubetas de reação que serão utilizados para execução dos testes.
3. Pipetar 20 μL da Amostra/Controle no respectivo tubo de reação e pré-aquecer a 37ºC
por 2 minutos em banho-maria;
4. Pipetar 20 μL do Reagente Nº 1 no tubo da Amostra/Controle e incubar à 37ºC, por 3
minutos;
5. Colocar a amostra no canal de leitura do equipamento;
26

6. Pipetar 20 μL do Reagente Nº 2 (pré-aquecido a 37ºC) na cubeta da Amostra/Controle,


disparando simultaneamente o cronômetro;
7. Aguarda a leitura da amostra, e posterior impressão dos resultados.

4 BIOQUÍMICA

Os exames de caráter bioquímico dizem respeito a maior parte das análises realizadas
em um laboratório clínico, podendo corresponder até 70% das atividades desempenhada no
ambiente. Diversas são as patologias que tem diagnóstico laboratorial, algumas delas são
distúrbios como Dislipidemias e Diabete Mellitus, além de doenças renais, neurológicas,
hepáticas, endócrinas, gastrointestinais e cardíacas. Não somente, esse setor fornece subsídio
para o diagnóstico, mas também para a monitoração e mesmo o acompanhamento do quadro
patológico. O processo analítico nesse setor envolve a análise de matérias como amostra de
sangue, fezes, urina e fluidos biológicos (SILVA et al., 2015).
Durante o estágio, as análises de caráter bioquímico eram precedidas por coleta do
sangue em tubo sem a anticoagulante, e/ou com gel separador. O equipamento de uso no
laboratório de estágio foi o Mindray BS-240 (Figura 8), o mesmo consiste em um analisador
químico automatizado e controlado por computador, que se comporta como um fotômetro,
mediando a energia radiante desde de que ocorra transmissão, absorção, dispersão ou reflexão. O
sistema mede a intensidade da luz através da conversão fotoelétrica, amplificação linear e
conversão da AD e então calcula a absorção da mistura da reação e a taxa de alteração da
absorção, ou seja, a resposta, com base nos fatores de calibração obtidos. Seu funcionamento
ocorre pelo isolamento de uma faixa estreita de comprimento de onda, além da utilização de
filtros de interferências. Para isso, ele isola uma faixa estreita de comprimento de onda e utiliza
filtros de interferências BS-240 (Manual do Usuário).
O desempenho do sistema é avaliado de acordo com os resultados dos testes das
amostras de controle. Se o sistema estiver operando normalmente, é possível dar início à análise
de amostras de pacientes e o sistema calculará os resultados das amostras com os fatores de
calibração. O aparelho permite acesso randômico e totalmente automatizado, isso significa que
o usuário do sistema tem poder definir a sequência e a prioridade da amostra. O equipamento
possui a capacidade de realizar até 200 testes fotométricos por hora, ou até 400 testes no modo
análise de eletrólitos. A água utilizada para realização da limpeza do analisador, deve ser
deionizada, a mesma não deve possuir contaminantes a fim de evitar interferências nos
resultados analíticos ou mesmo acarreta problemas técnicos para equipamento (BS- 240,
27

Manual do Usuário).
Diversos são os parâmetros analisados por esse aparelho, sendo os principais o ácido
úrico, colesterol, GGT, TGO, TGP entre outras. O processo de análise consiste em colocar no
equipamento, as amostras previamente colhidas em tubo sem anticoagulante e centrifugadas. O
equipamento fara a leitura de acordo com os parâmetros programados.

Figura 7 - Analisador químico clínico automatizado, Mindray BS-240, e


componentes de funcionamento.

Fonte: Manual do Operador BS-240.

4.1 Ácido Úrico

O ácido úrico, é o resultado final da biotransformação das purinas e ácidos nucléicos. A


elevação nas taxas de ácido úrico no sangue pode acontecer, tanto pela produção excessiva
quando pela deficiência na eliminação da substancia, de modo que sua concentração no
organismo depende do equilíbrio entre produção e eliminação pelos rins ( CARVAJAL, 2016).
Entre as patologias associadas aos aumento das concentrações de ácido úrico, teremos
gota, nefrolitíase, insuficiência renal ou cardíaca, eclâmpsia, cetoacidose, síndrome de Down,
leucemias, bem como também pode estar associada à obesidade, hipertensão, diabetes e
dislipidemias. Entre as causas da hiperuricemia estão erros de metabolismo, aumento na síntese
das purinas ou aumento da ingestão de alimentos ricos em purina, encontrando-se reduzido em
algumas situações, como o uso de fármacos, na doença de Wilson e síndrome de Fanconi
(BULA: BIOCLIN; INSTITUTO HERMES PARDINI, 2015; SBR, 2019).
A dosagem desse metabolito pode ser realizada por meio de amostras de Urina, sangue
28

(soro não hemolisado) e líquido sinovial. A técnica para determinação, consiste em um método
enzimático calorimétrico UOD-PAP . O método ocorre de acordo com as reações químicas
apresentadas na figura abaixo:

Figura 8 - Reação química para determinação de ácido úrico.

Fonte: Bula: Bioclin ácido úrico monoreagente k139.

A intensidade da cor é proporcional as concentrações de ácido úrico no analito, bem


como temperatura de armazenamento é entre 2 e 8֯C. Para os processos analíticos, foram
utilizadas amostras de soro provenientes de sangue centrifugados.

4.2 Colesterol

Doenças de cardiovasculares (DCVs) lidera o número de morte nos países


desenvolvidos. No Brasil as DCVs são a terceira maior causa de mortes. Entre os fatores de
riscos envolvidos nesse tipo de doença está a hipercolesterolemia. Pesquisas indicam que o
colesterol total eleva os riscos de desenvolver as doenças que afetam o coração. Entre outros
fatores que podem vim agrava as doenças cardíacas temos a obesidade, tabagismo, hipertensão
arterial, histórico familiar, hábitos de vida e o sedentarismo.
O colesterol total quando em altos níveis, sobretudo em crianças podem se acumulam
nas paredes das artérias, o que pode levar a obstrução as luz da mesma e consequentemente
interromper o fluxo sanguíneo e irrigação dos órgão, podendo levar a processos isquêmicos.
Os níveis de colesterol no plasma sanguíneo são influenciados pelos hábitos
alimentares, pelos hormônios, hereditariedade, além da função hepática e renal. Altas
concentrações de colesterol no plasma sérico podem ser indicativo de Cirrose, diabetes, ,
síndrome nefrótica,hipotireoidismo, hiperlipidemias, e doenças coronarianas de caráter
isquêmico. Valores diminuídos podem estar relacionado a inflamação dos hepatócitos, infecções
agudas, anemias, hipertireoidismo e mesmo anemias (Bula do Colesterol Monoreagente
Bioclin).
Os níveis de colesterol sérico podem ser dados baseado em amostra de sangue (soro
livre de hemólise), líquido da pleura ou ascético. A dosagem tem um papel significante no
29

diagnóstico de doenças ateroscleróticas. É uma gordura (lipídeo) que, na forma livre, estar
presente nas membranas celulares, sendo essencial para a produção de hormônios esteroidais.
Variações analíticas e pré-analíticas podem causar interferência na análise. Pacientes com perfil
lipídico alterado pode precisar de uma confirmação por repetição afim de manter a segurança
e confiança do diagnostico, evitando resultados errôneos (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).

Ésteres de colesterol lipoproteína lipase Colesterol + Ácidos graxos

Colesterol + O2 colesterol oxidase Colesterol-3-ona + H2O2

2H2O2 + Fenol + 4-Aminoantipirina peroxidase Cromógeno cereja + 4H2O

4.3 Creatinina

A creatinina é uma proteína sintetizada no fígado e nos rins, sendo sua produção
constante e independe da dieta, metabolismo proteico e hidratação. A mesma aparece elevada
em patologias que afetam os rins, como doenças renais agudas e crônicas, desidratação,
diabetes, obstrução do trato urinário, e insuficiência cardíaca. Seus valores encontram-se
diminuídos em situações como perda de função renal, ocorrem na desnutrição, , distrofia e a
sarcopenia (Bula da Creatinina Cinética Bioclin).
A creatinina quando dosada possibilita a avaliação da taxa de filtração dos glomérulos.
Sua concentração sérica é influencias por diversos fatores, tais como, sexo, índice de massa
muscular corpórea, idade e uso de drogas e fármaco. Tem alta relevância para o diagnóstico de
insuficiência renal, sendo sua importância de fundamental no diagnóstico da doença renal aguda
ou crônica (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).
A determinação d creatinina é realizado através do método cinético colorimétrico,
permitindo a reação da creatinina com o Picrato Alcalino em meio tamponado, assim obtendo-
se um cromógeno, sendo sua absorbância proporcional as concentrações de creatinina da
amostra. A temperatura de armazenagem e transporte da amostra deve ser entre 15 e 30֯C. A
amostra para dosagem pode ser de soro, plasma ou urina. A dosagem ocorria de forma
automatizada pelo analisador bioquímico, sendo a parte manual apenas na organização das
cubetas e execução do software.

4.4 Gama-glutamil transferase (GGT)


30

É uma enzima sérica, cuja síntese ocorre pelo sistema hepato biliar. Embora a GGT
tenha uma maior concentração no tecido renal, seu valor diagnóstico está atrelado ao fígado e
vias biliares, podendo ser encontrada no interior dos hepatócitos e células epiteliais biliares.
Tem sua importância clínica ligada as doenças hepáticas, sendo encontra em valores altos em
casos de obstrução biliar intra e extra hepática, icterícia obstrutiva, colangite e colecistite. Pode
estra elevada também quando ocorre o uso de alguns medicamentos, drogas e no abuso do
álcool, devido ao efeito tóxico. A GGT apresenta sensibilidade superior à FA, e a sua dosagem
é permite o monitoramento de pacientes etilistas (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014); (Bula
do Gama GTCinético Bioclin).

4.5 Glicose

Os níveis de glicose no sangues pode ser um espelho a respeito de alterações no profunda


organismo. A dosagem dos níveis de açúcar no sangue corresponde ao teste bioquímico mais
comum dentro de um laboratório de análise clinicas. Quando esse açúcar apresenta mau
utilização pelo corpo é um reflexo da hiperglicemia, podendo está ser consequência de um
distúrbio do metabolismo como o diabetes mellitus tipo 1 que é dependente de insulina, ou
mesmo a diabetes mellitus tipo 2 (não dependente de insulina), , diabetes gestacional, diabetes
secundária ou tolerância à glicose alterada (Bula da Glicose Enzimática Líquida Doles) .
A dosagem geralmente é realizada em soro, plasma, líquor e outros líquidos biológicos,
podendo também utilizar amostra de sangue total. A amostra deve ser coletada com o paciente
em estado de jejum, sendo feita em tubo contendo EDTA ou heparina . O tubo mais indicado
para colher o sangue que seguira para análise de glicose é o que contem fluoreto. A coleta sem
fluoreto pode ser efetuada contudo deve se centrifugar a amostra após a venopunção. O controle
da glicemia permite monitorar, e assim reduzir de forma significativa as complicações do
diabetes mellitus (DM), entre outras patologias associadas ao distúrbios nos níveis glicêmicos.
O método de referência para a análise é o método enzimático hexoquinase (Instituto
Hermes Pardini, 2013/2014), porém, o método utilizado no estágio foi analise automática
realizada pelo analisador bioquímico automatizado.

4.6 Transaminase Oxalacética (TGO) / Aspartato Aminotransferase (AST)

Proteína com função enzimática, encontrada em diversos órgãos e tecidos como


31

coração, fígado, rins, músculo esquelético e pâncreas. Seus níveis encontram-se elevados em torno
de 6 a 8 horas após o infarto do miocárdio, sendo seu pico dentre 24 e 48 horas após o evento. Além de
patologias cardíacas, hepatites, colestase intra-hepática, necrose, e distrofias musculares
aumentam as concentrações séricas .da Transaminase Oxalacética. A dosagem do TGO tem
sua importância clínica para o diagnóstico, e manutenção de hepatopatias de origens diversas,
assim como, hemocromatose, anemia hemolítica, entre outras doenças. Representa um ótimo
marcado não específico de lesão hepática (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014; Bula da
Transaminase AST (TGO) Cinética Bioclin).
A determinação das concentrações é feita baseada no teste cinético, segundo as
reações:

L-Aspartato + α-Cetoglutarato AST Oxalacetato + L-Glutamato

Oxalacetato + NADH + H+ MDH L-Matato + NAD+

A AST promove a catalisação de transaminação reversível de aspartato e 2-cetoglutarato


em oxalacetato e glutamato, e tem como cofator piridoxal-fosfato, sendo a velocidade da reação
é proporcional as concentrações do analito. Dosagem realizada de forma automatizada por
analisador bioquímico.

4.7 Transaminase Pirúvica (TGP) / Alanino Aminotransferase (ALT)

Encontrada em maior quantidade no tecido hepático e em menor quantidade nos rins,


pâncreas, coração e músculo esquelético. Apresenta maior sensibilidade que a TGO em caso de
injúria do hepatócito, e é importante no diagnóstico e acompanhamento da doença hepática
associada à necrose. Os valores são elevados nas hepatopatias, mononucleose infecciosa e
colestases intra e extra hepática (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014); (THRALL et al., 2015);
(Bula da Transaminase ALT (TGP) Cinética Bioclin). A determinação ocorre por teste cinético,
conforme reações:

L-Alanina + α-Cetoglutarato ALT Piruvato + L-Glutamato


Piruvato + NADH + H+ LDH L-Lactato + NAD+

A ALT catalisa a transferência do grupo amina para o α-Cetoglutarato, formando


32

Piruvato e Glutamato. O Piruvato reage com o NADH e é reduzido a Lactato. O NADH se


oxida a NAD+ em velocidade proporcional à atividade da ALT na amostra. Dosagem de ALT
realizada de forma automatizada por equipamento bioquímico.

4.8 Triglicérides

São lipídios que representam a maior parte da gordura armazenada no tecido, sendo o
encontrada em diferentes concentrações ao redor do corpo. Bem como o ácido graxo colesterol,
dosa os triglicérides e de suma importância na avaliação do risco de doenças cardíacas e das
hiperlipidemias, além da fenotipagem das hiperlipoproteinemias. Para esse tipo de análise, faz
se importante instruir o paciente acerca de alguns cuidados como jejum, dieta e consumo de
álcool, visto que são indispensáveis para manter o controle das variáveis pré-analíticas, bem
como garantir fidelidade e segurança dos resultado. Seus níveis estão elevados são em diabetes,
uremia, hipotireoidismo, síndrome nefrótica, doenças cardiovasculares, pancreatite e
alcoolismo (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014); (Bula do Triglicérides Monoreagente
Bioclin).

A determinação é feita através do teste enzimático colorimétrico, conforme reações abaixo:

Triglicérides + H2O lipoproteína lipase Glicerol + Ácidos Graxos

Glicerol + ATP glicerol kinase Glicerol-3-fosfato + ADP

Glicerol-3-fosfato + O2 glicerol fosfato + H2O2


2H2O2 + 4-Aminoantipirina + p-Clorofenol peroxidase Cromógeno cereja + 4H2O

A análise pode ser feita, além do soro, também no líquido pleural e ascítico, porém,
durante o estágio essas análises foram restritas à amostra de soro do paciente, colhidas em tubo
com gel ativador e separador ou sem somente com gel ativador. As amostras eram analisadas
de forma autônoma pelo equipamento, sendo a parte manual somente a execução do software
com o programa de controle do equipamento.

4.9 Fosfatase alcalina (FA)

FA promove a catalisação da hidrolise de ésteres do ácido fosfórico , quando estão sobre


33

condições alcalinas. Seu pH possui uma ótima atividade in vitro, sendo o mesmo em torno de
10. Órgãos como rins, fígado, intestinos, pâncreas, ossos, e a placenta, possui altas
concentrações de fosfatase alcaline em suas membranas celulares. Parte da FA sérica estão
localizadas no epitélio biliar, e nas membranas caniculares das células hepáticas. O aumento
nas concentrações da FA deve ser considerado em todos os aspectos, e não somente o hepático.
Pode estar aumentada em até 10 vezes as concentrações comum em casos de colestase,
obstrução do fluxo dos canalículos biliares, podendo estar elevada também em alguns tipos de
carcinoma, como por exemplo o ósseo. Sua determinação ocorreu de forma sistematizada,
requerendo apenas controlar execução do equipamento analisador (SILVA et al., 2018).

4.10 Ureia

A ureia é o resultado do metabolismo das proteínas, sendo sua excreta por meio dos
rins. Essa por sua vez está atrelada às funções hepática e renal, mesmo representando uma
indicação grosseira do estado da função renal. As concentrações séricas da ureia estão
correlacionadas aos hábitos de alimentação do paciente, o que envolve a dieta, e hidratação
corpórea. Apresenta uma baixa sensibilidade, o que requer uma associação com dosagem de
creatinina para fins diagnósticos e de monitoração (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014). Seus
valores encontram-se elevados em situações de insuficiência renal, seja ela, renal, pré ou pós
renais. Entre os fatores pré-renais estão o catabolismo de proteínas, desidratação e a
descompensação cardíaca. As causas renais encontram-se a glomerulonefrite e pielonefrite.
Tumores na bexiga, e mesmo a litíase renal estão entre as principais causas de patologias pós-
renais. A diminuição sérica está correlacionada com disfunção hepáticos aguda, inanição e
último trimestre da gravidez (Bula da Ureia Enzimática Bioclin).
A determinação de ureia é feita usando o teste enzimático colorimétrico. Nesse processo
a ureia é hidrolisada a íons amônio e CO2 pela enzima uréase. A análise da ureia ocorreu de
forma sistematizada, sendo realizada pelo analisador da bioquímica. A reação de determinação
é conforme reação abaixo:

Ureia + 3 H2O uréase 2 NH4+ + CO2 + 2OH-


34

4. 11 Glutamato desidrogenase (GLDH)

Glutamato desidrogenase é uma enzima encontrada no interior das células,


especificamente nas mitocôndrias hepáticas e renais, podendo ser localizada também em
pequenas concentrações no musculo cardíaco e outros tecidos. Sua liberação ocorre a parti l
extravasamento celular para a corrente circulatória . De acordo com pesquisadores quanto
maior for a concentração de substancia no plasma, maior será o grau de lesão dos hepatócitos,
podendo indicar necrose hepática. É um bom indicativo de lesão hepática, sendo seu
diagnóstico associado com outras enzimas com ALT e AST (SILVA et al., 2018; THRALL et
al., 2015). A análise dessa enzima foi de forma automatizada. .

4.12 Determinação de Eletrólitos

Os eletrólitos são substâncias de polaridade positiva (cátions) ou negativa (ânions), e


que exercem importante papel para a homeostase corporal, e equilíbrio eletrolítico. São
compostos integradores desse grupo o sódio (Na+), potássio (K+), magnésio (Mg+), fósforo (P-
), cloreto (Cl-), cálcio (Ca2+), entre outros. Os eletrólitos pelo seu papel fundamental ao corpo
humano, deve ser reposto por meio da alimentação, e também ingestão de líquidos. A falta
desses elementos no organismo pode levar a distúrbios hidroeletrolíticos, podendo ocasionar
diversos danos fisiológicos ao organismo, muito dos quais são irreversíveis. Entre os problemas
causados por baixos níveis de eletrólitos podemos citar distúrbios gastrointestinais, cardíaco,
renais, neurológicos, motores e respiratório.
A análises desses íons ocorreu por automação, sendo realizada pelo equipamento
Analisador de íons seletivos K/Na/Cl/Ca/pH – Max Ion. O mesmo consiste em um equipamento
automático com 5 parâmetros de leitura simultânea, e com capacidade para realização de 60
teste/h, e armazenamento em memória de até 1000 pacientes, tendo como tipo de amostra
direta soro, plasma, sangue total ou mesmo urina diluída solução própria denominada solução
A. O equipamento era utilizado para determinação complementar do sódio e potássio sérico.
A análise era de forma automatizada, sendo realizada aspirações com volume entre
65µL ~180µL, sendo o resultado emitido impresso pelo próprio equipamento.
35

Figura 9 - Analisador automático de íons seletivos K/Na/Cl/Ca/pH – Max Ion.

Fonte: Autoria própria.

4 IMUNO/HORMÔNIO

A imunologia médica é uma área clínica que atua auxiliando no diagnóstico, de


inúmeros processos patológicos, a partir do compartilhamento de informações importantes,
como a proporcionadas através do complexo de entrosamento na relação antígenos e anticorpos.
A área Imuno laboratorial se mostra fundamental para investigação de enfermidades
infecciosas, e pesquisa de doenças autoimunes. Essa campo das ciências biológicas, objetiva
principalmente a confirmação de um perfil com suspeita clínica, a triagem sorológica em
processos transfusionais; acompanhamentos em processos de transplantes de órgãos,
monitoramento em transplante de órgãos (SILVA et al., 2015)
As análises imunológicas permitem acompanhar o prognóstico de inúmeras doenças,
possibilita a avaliação da eficácia da terapêutica, possibilita o cuidado clínico com o paciente;
a mesma se apresenta como uma importante fonte de informações para as questões de cunho
epidemiológico (SILVA et al., 2015).
36

Os métodos utilizados na imunologia clínica, decorrem de alterações fisiológicas


sofridas por um organismo, após processo de sensibilização por algum antígeno. Entre os
antígenos mais comum em infeção humana, estão bactérias, vírus, fungos, endoparasitas,
hemoparasitas, e mesmo os ectoparasitas. Os teste imunológicos em sua maior parte baseiam
se na especificidade e sensibilidade da relação apresentada entre antígeno e anticorpo.
A interação entre o hospedeiro, e corpo estranho provoca a sensibilização do sistema
imunológico o que leva a produção de anticorpos, possibilitando assim a detecção baseada na
relação antígeno-anticorpo, ou mesmo a busca pela presença de antígenos específicos baseado
na relação antígeno-anticorpo. Uma das característica da imunidade adaptada e a sua
capacidade de memória, podendo essa ser um importante marcador qualitativo de infecções
agudas ou crônicas, sendo os marcadores respectivamente IgG e IgM. Por meio do
imunodiagnóstico pode ser realizado a detecção de diversos hormônios, substâncias químicas
no organismo.
As doenças de caráter autoimune acontecem quando o sistema imunológico do próprio
indivíduo passa atacar o próprio organismo de forma ativa. Esse ataque comumente ocorre por
ataque equivocado das células B ou T, ou ambas. O processo de ativação dessas células provoca
uma série de interferência nas funções celulares, levando até mesmo a destruição de tecidos .
Entre os fatores associados, as doenças autoimune, podemos destacar diversos fatores, entre
eles destacam-se variação ambiental, alterações e defeitos metabólicos, e reação do sistema
imune a agente infeciosos, sejam eles químicos ou biológicos (WILLIAMSON, 2016).
Entre as diversas ferramentas utilizadas nas análises imunológicas temos a
imunocromatografia de fluxo lateral e de dupla migração, Imuno concentração, . Os mesmos
são testes cujo tempo de execução, leitura e interpretação não ultrapasse 30 minutos. A técnica
não exige aparato laboratorial sofisticado, podendo ser realizada sem uma estrutura laboratorial,
e leitura a olho nu (BRASIL, 2010).

5.1 Proteína C Reativa (PCR)

A proteína c reativa é um importante marcador de inflamação de fase aguda, ou


monitoração de processos infecciosos e prognósticos. A determinação dessa proteína possibilita
acompanhar processos infeccioso com caráter neoplásico, eventos traumáticos, e
acompanhamento pós cirúrgico. Níveis séricos elevados é um indicativo de predisposição a
patologias cardiovasculares, aterosclerótica, infartos, e acidente vascular cerebral (AVC).
37

Encontra-se seus níveis elevados também em aumento de lesão tecidual, infecções por bactéria
(Instituto Hermes Pardini, 2013/2014) (RESENDE, VIANA, & VIDIGAL, 2009).
A determinação qualitativa da PCR ocorre pelos teste de aglutinação em látex, tendo
por princípio a utilização de partículas de látex cobertas com anticorpo monoclonal anti-PCR,
estabilizadas e suspensas em tampão glicina pH 8,2 (BULA WAMA). O teste consiste em:

1. Micro pipetar 10 µl da amostra e 10 µl do reagente na placa;


2. Misturar com espátula e colocar no homogeneizador por dois minutos a 180 RPM;
3. Realizar a leitura, e observar se ocorre aglutinação.

Figura 10 - Placa com teste de PCR. As marcações 1 e 3 apresentam


aglutinação, a marcação 2 está com salina.

Fonte: Autoria própria.

Em casos de aglutinação deve-se realizar o procedimento semiquantitativo. O procedimento


citado consiste em realizar a diluição sérica da amostra. A titulação pode ser realizada em placa, sendo
cada espaço identificado com a respectiva titulação. Interpretar como concentração de Proteína C
Reativa na amostra aquela que corresponder à maior diluição e que apresentar aglutinação nítida.
Multiplicar o valor correspondente ao fator de diluição encontrado pelo limite de sensibilidade do kit
(6 mg/L). Expressar o resultado em mg/L. ( BULA CEPA).
38

5.2 Fator Reumatoide (FR)

Esse fator se apresenta como um autoanticorpo da categoria IgM. A pesquisa desse


anticorpo auxilia no diagnóstico de diversas doenças autoimunes, como artrite reumatoide,
lúpus e outras síndromes autoimune. Níveis elevados costumam estar relacionados com
prognósticos ruim, isso porque está. estreitamente vinculado a casos de patologias articulares
agressivas (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).
O princípio envolvido para determinação de fator reumatoide envolve aglutinação em
látex, onde o processo de aglutinação provoca um aumento da densidade óptica. A intensidade
da luz dispersada é proporcional à concentração de FR. Este método usa a Imunoturbidimetria
(BULA BIOCLIN). A metodologia empregada na execução do teste de FR consiste na mesma
utilizada na determinação de PCR.

4.3 Antiestreptolisina - O (ASLO)

O exame ASLO tem como principal objetivo a identificação de toxinas, que possam
terem sido liberadas por quase todas as cepas de Streptococcus pyogenes, do grupo beta-
hemolíticos A. A toxina em questão é a estreptolisina O, que é uma hemolisina oxigênio-lábil
(inativada pelo oxigênio), com potente antigenicidade. A imunoglobulina produzida anticorpo
contra esse antígeno, a antiestreptolisina O, se tornou um forte indicador de infecções
estreptocócicas e de suas complicações, tais como a febre reumática e a glomerulonefrite aguda
e difusa, e doenças renais .
As concentrações desses anticorpos, aumenta após o final da primeira semana da
infecção estreptocócica, e atinge seu valor suas concentrações máximas entre a 3ª e 5ª semanas,
retornando, na maioria dos casos, ao nível normal do segundo ao quarto mês (BULA WAMA).
A técnica para realização do ASLO é baseada no princípio da aglutinação em látex, em
que se utiliza uma amostra de soro acrescida do reagente. O reagente contém partículas
revestidas com a estreptolisina O, que reage com os anticorpos presente no soro, em caso de
sensibilização prévia, o que causa uma aglutinação visível (Instituto Hermes Pardini,
2013/2014).
A metodologia do exame, é a mesma utilizada em outros testes como de aglutinação
como, o FR e PCR. Reações positivas, deve se realizar diluição, e posterior titulação e
quantificação.
39

5.4 Widal

Esse teste de soroagltinação possibilita a identificação por infecção de bactérias


Salmonella. Geralmente é solicitado para o diagnóstico de febre tifoide e paratifoide, doenças
causado pela Salmonella typhi. Sua solicitação é baseada na sintomatologia do paciente, sendo
solicitado comumente quando o paciente apresenta sintomas gastrointestinais, dores de cabeça,
febre, erupções no corpo e fraqueza (RESENDE, VIANA, & VIDIGAL, 2009).
Indivíduos acometidos por infecções do tipo podem desenvolver aglutininas, do tipo,
anti-O e anti-H, contudo um percentual baixo percentual não consegue desenvolvê-las. As
aglutininas que aparecem logo na fase inicial da doença, são as anti-O, após intervalo de duas
semanas, surgem as do tipo anti-H.(BULA EBRAM; RESENDE, VIANA, & VIDIGAL,
2009).
A reação de Widal acontece através de suspensões homogêneas de bacilos tíficos e
paratíficos “A” ou “B” colocadas in vitro em contato com o soro, dessa forma é possível
diagnostica-se o agente específico causador da infecção. Empregam-se na reação também os
Antígenos “O” e”H”, respectivamente antígenos somático e flagelar, dessa maneira aumentam
o valor diagnóstico. O soro dos doentes de febre tifoide contém anticorpos dirigidos contra os
antígenos “O” e “H” de S. typhi ou de outras bactérias do gênero salmonelas, que podem
estarem envolvidas no processo infeccioso (BULA EBRAM).
O teste Widal tem como princípio a aglutinação, e é realizado em placa, da seguinte
forma:

1. Deixar todos os reagentes e as amostras atingirem a temperatura ambiente e agitar o


reagente gentilmente antes do uso;
2. Colocar 10 µL do reagente em divisões separadas da placa, para as amostras a serem
testadas, bem como para os controles positivo e negativo;
3. Homogeneizar, estendendo o líquido igualmente sobre cada divisão da placa. 4
4. Agitar a placa com suave movimento de rotação manualmente ou em agitador
automático de 80-100 rpm durante 1 minuto;
5. Observar sob luz incidente se houve aglutinação, e interpretar e marcar os resultados.

Amostras que apresentarem aglutinação no teste qualitativo ( amostra pura), deve-se


proceder o teste semiquantitativo para confirmação. O teste semiquantitativo consiste em:
40

1. Identificar 8 tubos para diluição da amostra (1/20, 1/40, 1/80, 1/160, 1/320, 1/640,
controle negativo e positivo);
2. Homogeneizar a salina com a amostra do primeiro tubo e transferir 1,0mL do primeiro
tubo para o segundo, homogeneizar e transferir 1,0mL da diluição para o próximo tubo
e assim por diante até o sexto tubo, desprezando a última alíquota;
3. Pipetar no tubo dos controles (7 e 8), 0,9mL de salina e 100µL de cada controle;
4. Adicionar em seguida 50uL do reagente dentro de cada tubo, homogeneizar
5. Incubar todos os tubos a 37°C por 24h.

Ler os resultados observando cada tubo macroscopicamente comparando com os tubos


dos controles. Controle positivo deverá apresentar aglutinação parcial ou completa e controle
negativo não deverá apresentar aglutinação. O título no método semiquantitativo, é definido
assim que a maior diluição mostrar um resultado positivo (BULA EBRAM).

5.5 Veneral Disease Research Laboratory (VDRL)

O VDRL se caracteriza como um teste não treponêmico, para a detecção da sífilis. Nos
casos reagentes, a cardiolipina (antígeno) encontra-se muito elevada no soro, sendo detectável
após duas semanas do cancro. (BULA LABOCLIN).
O teste apresenta alta sensibilidade e especificidade. Seu princípio baseia-se na técnica
da floculação. Essa técnica utiliza partículas de colesterol revestida com a cardiolipina e
lecitina, ambas reagem com anticorpos presente no soro da amostra, resultando em uma
floculação, visível ao microscópio óptico. A combinação de lecitina, colesterol e cardiolipina
possui semelhança imunológica com antígenos do Treponema pallidum, consistindo em um
antígeno não treponêmico. ausência da floculação qualifica o teste em negativo., quando
positivo, é necessário verificar a titulação. Esses títulos normalmente decaem com o tratamento,
podendo desaparecer em cerca de dois anos. Quando não ocorre a redução após um ano, é
necessário um novo tratamento (BULA LABOCLIN; Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).
O exame também é muito útil no monitoramento da doença, e a reação positiva ocorre
quando existe a presença do anticorpo anti-cardiolipina. É ainda recomendável a confirmação
dos resultados positivos com teste e caráter treponêmico (FTA-abs) (RESENDE, VIANA, &
VIDIGAL, 2009). A realização do teste ocorre da seguinte forma:
41

1. Adiciona-se 50 µl da amostra à placa de vidro;


2. Adiciona-se 20 µl do reagente;
3. Colocar em agitador mecânico por quatro minutos a 180 RPM;
4. Após o tempo, observar no microscópio para verificar se houve floculação.

Figura 11 - Teste positivo de VDRL, com presença de floculação pela


reação dos anticorpos e o reagente.

Fonte: Autoria própria.

Quando o resultado é positivo, se faz necessário verificar a titulação. Esses títulos


normalmente decrescem após o início do tratamento, podendo desaparecer em cerca de dois
anos. Não ocorrendo redução após um ano, se torna necessário um novo tratamento (BULA
LABOCLIN; Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).

5.6 Anti-HBsAg

A hepatite B , é uma patologia viral que tem como causa o vírus HBV, podendo se
apresentar nas formas aguda ou crônica. A transmissão desse tipo de hepatite ocorre através de
contato direto com sangue, secreções corpórea, e pera transmissão vertical. A doença tem um
período de evolução que gira em torno de 6 (seis), a 8 (oito) semanas, e se não tratada de forma
adequada pode levar a inúmeras complicações. Alguns indivíduos portadores desse tipo de
hepatite, não desenvolvem anticorpos específico, o que resulta na forma crônica da doença.
(Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).
42

Um das ferramentas utilizadas para o diagnóstico da hepatite B, é o teste imuno-rápido,


utilizados para detectar o vírus é o HBsAg. HBsAg consiste em um antígeno ou proteína de
superfície do vírus, sendo encontrado em pacientes infectados após três semanas do contato
com o antígeno HBV, esse é o primeiro marcador de fase aguda da doença. Nas infecções de
caráter crônico podem ser encontrados até seis meses depois da infecção. Casos de falso-
positivos podem acontecer em pacientes fazem uso de heparina e após imunização. Esses falso-
negativos, podem ocorrer no período conhecido como janela imunológica (RESENDE,
VIANA, & VIDIGAL, 2009).
Para o diagnóstico das hepatites B de caráter agudo, faz se a pesquisa das
imunoglobulina igM,como o anti-HBc que é um marcador específico da fase. O anti-HBs é um
exame que pesquisa anticorpos contra o HBs Ag,sendo usado para monitorar a evolução e
resposta do paciente à doença. Esse último é um anticorpo neutralizante, e deve ser o último a
ser detectado, indicando o fim da infecção. O HBe Ag é um teste que, quando reagente, é um
indicativo da hepatite de fase crônica, e com elevada taxa de replicação viral. (RESENDE,
VIANA, & VIDIGAL, 2009).
O teste realizado durante o estágio consistia na ligação antígeno-anticorpo através de ensaio
imunocromatográfico, pelo princípio sandwich, a fim de para detectar presença de anticorpos anti-
HBsAg no sangue total, soro ou plasma humano.
O teste tinha por princípio:

1. Os anticorpos anti-HBsAg presentes na amostra ligam-se ao conjugado HBsAg-ouro coloidal,


e forma um complexo antígeno-anticorpo, que flui pela área de reação da placa/tira-teste indo
se ligar aos antígenos HBsAg presentes na região da área teste (T), determinando o
aparecimento de uma banda colorida;
2. A mistura da reação continua a fluir pela membrana atingindo a área controle (C). O

conjugado não ligado ao antígeno da área teste une-se ao anticorpo anti-HBsAg presente na

região da área controle, determinando o aparecimento de uma banda colorida nesta região (C),

demonstrando que os reagentes estão funcionando corretamente. Na ausência de anticorpos

anti-HBsAg na amostra só haverá o aparecimento de uma banda colorida na área controle (C)

(BULA WAMA).

A realização do teste consistia em:


43

1. Pipetar 100 µl da amostra de soro e colocar na placa do teste;

2. Observar a reação entre 15 minutos e 20 minutos, e fazer a leitura. Desconsiderar os resultados


após 20 minuto (BULA WAMA).

Figura 12 - Teste Anti-HBsAg realizado para o CIQ do laboratório. Controle 1,


o teste foi não reagente. O controle 2 está positivado.

Fonte: autoria própria.

5.7 Anti-HCV

A hepatite c é uma enfermidade assintomática, causada pelo vírus HCV. Sua detecção
no organismo ocorre pela presença do antígeno anti-HCV, após o período de 50 dias de
contaminação. Os anticorpos produzidos nesse tipo de infeção são tardios, o que resulta em
inúmeros testes falhos. Diagnósticos errados favorecem a evolução da doença para fase crônica,
uma vez que o diagnóstico errado, inviabilizar um terapêutica adequada. Doenças autoimune,
imunização, além de outras infecções virais, podem levar a resultados falsos-positivos
(RESENDE, VIANA, & VIDIGAL, 2009).
O teste é realizado consiste em um ensaio imunoenzimático baseado na detecção de
anticorpos para o vírus da hepatite C. O princípio de funcionamento do teste é o mesmo visto,
em outros testes como o Anti-HBsAg. técnica ocorre da seguinte forma:

1. Pipetar 10 µl da amostra na placa teste;


2. Adicionar 3 gotas do diluente na amostra. Ler após 15 minutos (BULA Anti-HCV WAMA).
44

5.8 Anti- HIV

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA, do inglês: Acquired


Immunodeficiency Syndrome, AIDS) foi descrita em 1981, a infecção pelo vírus da
imunodeficiência humana (HIV) tornou-se problema de saúde a nível global. Apesar dos
indivíduos que fazem uso o de drogas intravenosas, pacientes hemofílicos, transmissão vertical,
e receptores de transfusões, constituírem o principal grupos de risco, a transmissão por via
sexual (homossexual e heterossexual) é responsável pela maioria dos novos casos de infecção
entre adultos em todo o mundo. O HIV é constituído de um genoma de RNA, e faz parte da
família Retroviridae. Está inserido no grupo dos retrovírus não-citopáticos e não-oncogênicos.
A enzima denominada transcriptase reversa, é a responsável pela transcrição do RNA viral em
DNA complementar, esse agora está pronto para se integrar ao genoma do hospedeiro. (BULA
HIV-triline).
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida-AIDS ocorre pela infecção do HIV 1 e/ou
HIV 2. É muito comum o uso de testes imuno rápido no diagnóstico, entretanto, casos positivos,
devem ser confirmados com exames mais precisos, como por exemplo, o Western Blotting, e
ELISA (Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).
O exame baseia-se na detecção do anticorpo anti-HIV, e que geralmente ocorre entre 3
e 12 semanas a partir do contágio. A presença do anticorpo não indica que o paciente tem AIDS,
mas sim indicar apenas que ele possui o vírus. É importante ressaltar que a realização do exame
é voluntária, sigilosa e acontece após assinar o termo de consentimento. O portador do vírus
deverá passar por acompanhamento psicólogo (RESENDE, VIANA, & VIDIGAL, 2009).
O teste rápido utiliza a metodologia de imunocromatografia, não necessitam de
laboratório especializado e dão resultados em no máximo 30 minutos. Esses testes são muito
utilizados em populações de risco que não tem acesso a outras técnicas, e em caso de profilaxia
em profissionais que se expuseram no exercício da profissão.
O princípio do teste é a imunocromatografia com o uso de antígenos recombinantes,
mesma técnica utilizada em e outros testes com anti-HCV e Anti-HBsAg. O método segue os
passos abaixo:

1. Adiciona-se 10 µl de soro no poço A;


2. Adiciona-se duas gotas do diluente no poço B;
45

3. Entre 10 e 20 minutos deve ser feita a leitura. Não considerar resultados lidos após o tempo
(BULA WAMA).

Figura 13 - Teste imuno-rápido para detecção do vírus do HIV tipo 1 e 2,


teste para CIQ. Controle 1 sem nenhuma reação, enquanto controle 2, foi
reagente para o tipo 1.

Fonte: Autoria própria.

5.9 CHIKUNGUNYA IgG/IgM

A febre pelo vírus Chikungunya (CHIKV), é caracterizada como uma arbovirose


transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti e Aedes albopictus. O CHIKV, que é
transmitido pelo vetor tem um período de incubação no ser humano de em média, 3 a 7 dias,
podendo apresentar variações de 1 a 12 dias. O período de viremia inicia-se dois dias antes dos
sintomas e dura por até oito dias após seu aparecimento. Ao contrário da maioria das
arboviroses, nas quais a maior parte dos indivíduos desenvolve infecções assintomáticas
(BULA WAMA).
O Imuno-Rápido CHIKUNGUNYA IgG/IgM é um ensaio imunocromatográfico rápido,
e que utiliza antígenos virais recombinantes do vírus CHIKV, para a detecção simultânea de
anticorpos IgG e IgM contra o vírus Chikungunya. As amostras utilizadas são de sangue total,
soro ou plasma humano. O ensaio é usado como um teste de triagem para a infecção viral por
Chikungunya (BULA WAMA).
O teste tem por princípio a utilização anticorpos monoclonais de camundongo anti-IgM
46

e anti-IgG humano, e são imobilizados individualmente na membrana de nitrocelulose nas áreas


teste G e M, respectivamente. CHIKV inativado e anticorpos monoclonais anti-CHIKV E1
conjugado com ouro coloidal são liberados na membrana após a adição do tampão diluente. Se
anticorpos específicos anti-Chikungunya (classe IgM e/ou IgG) estão presentes na amostra, eles
se ligarão ao CHIKV inativado, o qual formará um complexo com o anticorpo anti-CHIKV E1
marcado. Este complexo se move pela membrana em direção a área teste, onde serão capturados
pelo anti-IgM e/ou anti-IgG humanos imobilizados na membra- na, levando à formação de uma
banda colorida, o que indica um resultado positivo. A ausência desta banda colorida na janela
de leitura indica um resultado negativo. A banda controle sempre aparecerá na janela de leitura
quando o teste for realizado corretamente, independentemente da presença ou ausência de
anticorpos anti-CHIKV na amostra. O teste consiste em:

1. Pipetar 10μL da amostra de soro, plasma ou sangue total na cavidade específica da


amostra;

2. Dispensar 3 gotas da solução diluente (2) na cavidade destinada ao mesmo;

3. Fazer a leitura dos resultados entre 15 e 20 minutos. Não considerar resultados lidos
após esse tempo (BULA WAMA).

5.10 Dengue (NS1)

A dengue é uma patologia viral, que tem por causa 4 tipos virais, são eles: DEN 1, DEN
2, DEN 3 e DEN 4. Pertencem à uma vasta família de vírus denominados como flavivírus, e
que integram aproximadamente 70 espécies. A transmissão do vírus para espécie humana
ocorre pelo vetor, o mosquito fêmeo do Aedis Aegypti. Os Flavivírus são RNA vírus
envelopados, de fita simples, cujo genoma codifica três proteínas estruturais: C (proteína do
core), M (proteína da membrana) e E (proteína do envelope). As proteínas não estruturais (NS)
são a NS1, NS2a, NS2b, NS3, NS4a, NS4b e a NS5. (BULA WAMA; Instituto Hermes Pardini,
2013/2014).
A sintomatologia da doença tem quadro variados de febre, mal estar, hematomas no
corpo, dores de cabeça, dor nos olhos, astenia e, nos casos mais graves, pode desenvolver
hemorragias com redução significativa de plaquetas. Caso realizado de forma precoce, o teste
pode resultar em um falso-negativo. Até o quinto dia da infecção, pode ocorrer reações cruzadas
na pesquisa pelo IgG, isso acontece devido ao anticorpo em questão ser de menor
47

especificidade. Casos semelhante pode ser visto em pacientes imunizados para febre amarela
(Instituto Hermes Pardini, 2013/2014).
A glicoproteína não estrutural, a NS1 é essencial à replicação viral. Na fase aguda da
infecção, essa proteína é localizada circulando no soro de pacientes em concentrações
detectáveis por métodos imunológicos. Atualmente é utilizada como um importante marcador
de infecção pelo vírus da dengue. Seu aparecimento ocorre mesmo antes dos anticorpos das
classes IgM e IgG, dessa forma permitindo detecção precoce do vírus, 24 horas após o início a
sintomática. A \NS1 costuma ser encontrado nas infecções primárias e secundárias. O teste NS1
é bastante útil na confirmação diagnóstica, uma vez que não apresenta reações cruzadas com
outros Flavivírus, o que possibilita diagnóstico rápido e diferencial com outras doenças que se
manifestam com mesmo quadro de sintomas (BULA WAMA; Instituto Hermes Pardini,
2013/2014).).
O teste sorológico da dengue é baseado na identificação de imunoglobulinas IgM
específicos para cada sorotipo, sobretudo nos primeiros 60 dias desde o início da infecção. Por
ser um anticorpo de fase aguda, o IgM apresenta altos concentrações nas infecções primárias,
e, embora ainda possa ser encontrado nas infecções secundárias, os títulos são bem inferiores,
ou são indetectáveis. O rápido diagnóstico proporciona início precoce do tratamento e,
consequentemente, diminuição da mortalidade por complicações da doença (Instituto Hermes
Pardini, 2013/2014).
Nas regiões onde a dengue se manifesta de forma endêmica, torna-se importante a
pesquisa das imunoglobulinas, IgM e IgG, isso acontece devido elevado número de indivíduos
que são reinfectados, e nestes, a quantidade de IgM não é expressiva (Instituto Hermes Pardini,
2013/2014).
O teste NS1 é baseado na imunocromatografia para detectar o antígeno NS1. Durante o
imuno- ensaio, a amostra reage com o anticorpo fazendo com que uma linha colorida se forme,
permitindo assim a leitura. O teste é executado da seguinte forma:

1. Dispensar 100 µl da amostra ou controle (sem bolhas de ar) na cavidade da


amostra na placa-teste;

2. Fazer a leitura dos resultados entre 15 e 20 minutos. Não considerar resultados


lidos após 20 minutos (BULA WAMA).
48

5.11 Teste sorológicos para diagnóstico de COVID-19

Os coronavírus, são um gênero da família Coronaviridae, e foram identificados em


animais como camundongos, ratos, galinhas, perus, suínos, felinos, caninos, coelhos, equinos,
bovinos, morcegos e humanos. Esse gênero de vírus pode levar ao surgimento de uma gama de
doenças, desde simples resfriados, até doenças graves, o que inclui as gastroenterites e doenças
do trato respiratório. O novo Coronavírus foi detectado pela primeira vez na China em 2019. O
mesmo se espalhou e alcançou diversos países e diferentes localidades do globo.
O vírus foi nomeado de "SARS-CoV-2”, e a doença que ele provoca recebeu
denominação “Doença de Coronavírus 2019", sendo abreviada do inglês como "COVID-19".
Em linha geral, a COVID-19 é uma patologia aguda simples, por vezes a mesma se mostra em
uma forma assintomática. Mesmo que incomum, mas, a doença pode apresentar evolução para
a forma grave, sendo caracterizada por danos alveolares maciços e insuficiência respiratória
progressiva. A infecção pelo vírus se torna potencialmente mais perigosa para pessoas com
comorbidades como, pessoas idosas, fumantes e portadores de doenças respiratórias ou doenças
crônicas, como diabetes e hipertensão. Apesar de incomum a COVID-19 apresenta taxa de
letalidade de 2% (BULA WAMA).
Atualmente as técnicas biomoleculares de PCR em tempo real, a imagem por tomografia
computa- dorizada (TC), e alguns outros parâmetros hematológicos são as principais
ferramentas para o diagnóstico clínico da infecção. O exame de PCR em tempo real tornou-se
o método de diagnóstico padrão atual para os casos suspeitos de COVID-19. Apesar de
configurado como padrão atual de diagnostico, o PCR soma inúmeras imitações como o longo
tempo para obter os resultados, bem como laboratórios preparados e especializados para o
desenvolvimento da técnica, bem como a possibilidade de falsos-positivos. Quando somadas,
tais limitações tornam o PCR em tempo real, torna-se inadequado para triagem simples e rápida
em campo. (BULA ABBOT).
Testes rápidos de antígeno permitem a testagens de COVID-19 de maneira frequente, e
em grande escala. Os testes de antígeno detectam uma proteína do vírus, e por meio desta
determinar se uma pessoa está infectada. Esses tipos de teste fornecem informações
fundamentais em um momento do ciclo de infecção. Por meio dos testes de sorológicos medidas
podem ser tomadas, dessa forma as pessoas correm o menor risco de transmitir a doença, uma
vez que a parti da identificação de indivíduos contaminados, fica possível criar medidas um
adequada de controle, como por exemplo o isolamento social de infectados. Os testes citados
podem ser um importante e ferramenta poderosa para reduzir a disseminação da infecção. Com
49

os testes rápidos de antígeno, esses resultados podem ser compartilhados minutos após o
atendimento. (BULA ABBOT; BULA WAMA).
Os testes imuno-rápido para a detecção da infecção pelo vírus sars-cov-2, pode ser de
diferentes tipos, e com finalidade específica cada, os mesmos pode utilizar amostras distintas
para obter um resultado, são as principais amostras de uso a saliva, sangue total, plasma ou
soro. Os testes Qualitativo IgG e IgM, são metodologia para a identificação de anticorpos
durante a infecção. A reação positiva do IgG indica que o indivíduo entrou em contato com o
vírus no passado, podendo até mesmo ter adquirido imunidade. Uma reação positiva da
imunoglobulina M, a IgM, que é um anticorpo da fase ativa da infecção, é um indicativo de que
o paciente teve contato recente com o vírus ou mesmo, já está apresentado sintomas por mais
de 7 dias (BULA ABBOT)
O Imuno-Rápido COVID-19 IgG/IgM, é um kit para determinação rápida, qualitativa
e diferencial de anticorpos IgG e IgM contra Coronavírus (SARS-CoV-2), por
imunocromatografia, em amostras de soro, plasma e sangue total. O teste rápido para
o Antígeno (Ag) da COVID-19, possui características semelhante ao demais, tendo como
diferencial o tipo de amostras, geralmente por SWAB da nasofaringe e orofaringe, e mesmo
a saliva. Os teste imuno-rápido para detectar a presença da infecção se baseia no princípio de
fluxo lateral.

O Imuno-Rápido COVID-19 IgG/IgM consiste em:

1. Com o auxílio da pipeta plástica que vem no kit, captar uma gota de sangue total até a
indicação que a mesma possui (aproximadamente 20 µl). O sangue pode ser colhido
direto do dedo após perfuração por lanceta, ou de coleta feita em tubo com EDTA,
soro ou plasma, esses dois últimos tendo por volume da amostra (10 µl);

2. Dispensar a gota de sangue total, plasma ou soro na cavidade indicada no teste;

3. Dispensar 3 gotas da solução diluente de amostra, que acompanha o kit;

4. Realizar a leitura do teste entre 15 e 20 minutos, não ultrapassando o limite de leitura


de 20 minutos.
50

Figura 14 - Testes rápidos para identificação igG e IgM, no primeiro teste apesar
de pouco perceptível, o IgG e o IgM estão positivado. No segundo teste apenas o
IgG foi reagente.

Fonte: Autoria própria.

O Imuno-Rápido COVID-19 Ag consiste em:

1. Deixar os reagentes e amostras adquirirem a temperatura ambiente antes do uso, caso


tenham sido armazenados em geladeira;

2. Retirar o lacre do frasco do Tampão de Lise;

3. Inserir o swab com a amostra da nasofaringe coletada no tubo contendo o Tampão de


Lise;

4. Esfregar e pressionar o swab contra a lateral do tubo de 8 a 10 vezes para extrair o


material coletado;

5. Remover o swab do tubo girando-o e apertando as laterais do tubo ao mesmo tempo


para extrair o máximo de material possível. Pressione a cabeça do cotonete contra a
parede do tubo e descarte-o pressionando as laterais do tubo;

6. Após extrair o material do swab, descarte-o adequadamente em lixo infectante;

7. Encaixar a tampa conta-gotas no tubo do tampão de lise (2) e agitar gentilmente para
homogeneização;

8. Com o tubo na posição vertical, dispensar 4 gotas da solução contendo a amostra na


cavidade indicada e destinada para amostra;
51

9. Fazer a leitura dos resultados entre 15 e 20 minutos. Não considerar resultados lidos
após esse tempo.

Figura 15 - Imuno teste rápido COVID-19 Ag, os dois primeiros da


esquerda, apresenta resultados não reagente, enquanto os dois da direita
apresentaram-se reagentes.

Fonte: Autoria própria.

5.12 Imuno-rápido HCG qualitativo

A detecção imunológica do hormônio gonadotrofina coriônica (HCG) é universalmente


reconhecida como um teste diagnóstico da gravidez. O HCG é um hormônio glicoprotéico, com
massa molecular pesando aproximadamente 37.000 daltons. Sua síntese ocorre por meio das
células trofoblásticas da placenta durante a gestação. Sua composição se dar por 2 cadeias
diferentes, sendo designadas alfa e beta; A porção alfa é idêntica físico-química e
imunologicamente à molécula do hormônio luteinizante (LH), enquanto a fração beta se
distingui desta por possuir 30 aminoácidos no carboxi terminal, não presentes na LH.
hCG QUICKSTRIP é um imunoensaio cromatográfico rápido, para a detecção
qualitativa da gonadotrofina coriônica humana (hCG) em amostras de soro, plasma e urina,
como auxílio à detecção precoce da gravidez. O mesmo combina anticorpos monoclonais e
policlonais para atuarem seletivamente identificando as subunidades alfa e beta da
gonadotrofina coriônica das amostras. Esse teste possui elevado grau de sensibilidade.
Concentrações superiores a 25 mUI/mL, tem intervalo de reação inferior a 5 minutos
O teste tem princípio a formação de linhas coloridas pela reação da amostra com os
52

componentes do teste. A amostra por capilaridade ao longo da membrana onde reagi com o
conjugado colorido. Amostras positivas reagem com o conjugado específico de cor anti-hCG
para formar uma linha colorida na região da linha de teste da membrana. O não aparecimento
desta linha colorida sugere um resultado não reagente. Uma linha colorida sempre aparecerá na
região da linha do controle, essa faixa indica que o volume apropriado de amostra foi adicionado
e que a membrana conseguiu absolver a amostra de forma efetiva.
No período de vigência do estágio, as amostras utilizadas eram o soro. Para obtenção
do soro o sangue era colhido em tubo sem anticoagulante e depois centrifugado por 10 minutos
a 3.000 RPM. Esse teste imuno-rápido consiste em:

1. Remova a tira reagente da embalagem, e feche o tubo imediatamente;

2. Mergulhe a tira reagente verticalmente na amostra por pelo menos 15 segundos. Não
ultrapasse a linha limite na tira reagente ao mergulhá-la;

3. . Coloque a tira reagente em uma superfície plana não absorvente, inicie o cronômetro
e aguarde que a(s) linha(s) colorida(s) apareça;

4. Leia o resultado em 3 minutos ao testar uma amostra de urina, ou em 5 minutos ao testar


uma amostra de soro ou plasma. Não interprete o resultado após 5 minutos.

Figura 15- hCG quickstrip soro/urina teste de gravidez. Teste para o CIQ. O
teste 1 apresentou reação positiva, enquanto o teste 2 não foi reagente.

Fonte: Autoria própria.


53

5.13 Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO)

A pesquisa de sangue oculto nas fezes, é de grande relevância para prática clínica uma
vez que possibilita a identificação de lesões do tubo gastrointestinal. e faz necessária visto que
a quantidade perdida de sangue nem sempre consegui ser identificada a olho nu. Entre as
principais causas para a perda sanguínea estão as e úlceras gástricas e duodenais, gastrite,
ulcerações medicamentosas da mucosa gastrointestinal causada por aine não esteroidal,
neoplasias gástricas ou de cólon, diverticulite, colites, algumas parasitoses, hemorragias de
boca ou trato respiratório superior deglutidas (BULA WAMA).
Uns dos principais empregos destinados aos testes rápidos PSO, é para o auxílio no
diagnóstico precoce do câncer do trato gastrointestinal, além do acompanhamento de
hemorragias gastrointestinais. Atualmente o câncer de cólon ou do reto é tido como a segunda
causa de morte relacionada a neoplasias no ocidente, e a sua incidência só aumenta. É estimado
que cerca de 5 a 6% da população adulta desenvolverá câncer colorretal (CCR). A taxa de
mortalidade decorrente da neoplasia, é de cerca de 50%. O rastreamento do CCR em indivíduos
assintomáticos tem por objetivo a identificação de lesões de caráter pré-neoplásicas (adenomas)
ou do câncer na fase de início. (BULA WAMA; BULA EBRAM).
A detecção precoce resulta na melhoria do prognóstico, na redução da sua incidência, e
como consequência ocorre a diminuição da mortalidade. Organizações de Saúde recomenda-se
que se faça a pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente, em todos os indivíduos com
idade superior de 45 anos (BULA WAMA; FREITAS, 2013).
Para a realização da pesquisa de sangue oculto utilizou-se o kit para determinação
qualitativa do sangue oculto nas fezes por método imunocromatográfico de fase sólida usando
uma combinação de anticorpos monoclonais anti-hemoglobina humana.
O teste tem por princípio colocar a amostra diluída na cavidade específica do teste, a
hemoglobina, se presente na amostra, se liga ao anticorpo monoclonal anti-hemoglobina
conjugado com ouro coloidal o que forma um complexo antígeno-anticorpo conjugado. Este
complexo migrará pela membrana de nitrocelulose da placa teste e se ligara a uma segunda
imunoglobulina monoclonal, a anti-hemoglobina humana impregnado na área de reação ou teste
(T), ocasionando o surgimento de uma banda colorida. Na ausência de hemoglobina não haverá
o aparecimento da banda colorida na área (T) (BULA WAMA).
Independente da presença ou não de hemoglobina na amostra, uma faixa colorida
sempre aparecerá na área controle (C) demonstrando que os reagentes estão funcionando
efetivamente (BULA WAMA).
54

Para executar esse teste utilizou-se amostras de fezes recém-colhidas em frasco coletor
limpo, e sem a presença de conservantes. O teste consiste em:

1. Coletar a amostra de fezes com o auxílio da vareta conectada à tampa do coletor de


amostra (2). Mergulhar a vareta em 3 locais diferentes da amostra;

2. Retornar a vareta de coleta no coletor de amostra contendo solução tampão, fechando o


tubo firmemente. Homogeneizar bem até que toda amostra seja diluída;

3. Colocar a placa-teste em uma superfície plana e seca;

4. Quebrar a ponta do coletor de amostra e pingar 2 gotas da amostra extraída na cavidade


da amostra da placa-teste;

5. Fazer a leitura dos resultados entre 10 e 15 minutos. Não considerar resultados lidos
após esse tempo.

Figura 16 - Kit qualitativo para a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Teste
não reagente para PSO.

Fonte: Autoria própria.

6 UROANÁLISE

A urinálise consiste em uma técnica laboratorial amplamente usada na prática clínica.


Esse exame constitui um dos indicadores mais importante para avaliação de saúde ou doença.
Esse método analítico é um meio específico para avaliação da função renal e do sistema
55

urinário, e também é um forte elemento diagnóstico, no estudo de diversas patologias. O teste


é capaz de fornecer informações importantes sobre enfermidades como. doenças renais,
hepáticas e outras enfermidades assintomáticas, como o diabetes mellitus (NÓBREGA, et al.,
2019; CONFOLONIERI & DAMALIO).
A análise da urina se constitui de tres etapas respectivamente, são elas as análises física,
química e a sedimentoscopia . A primeira etapa consiste avaliar a cor, aspecto e a densidade
específica da urina. Os itens cor e aspecto devem serem avaliados pela inspenção propriamente
dita da amostra. As informações sobre a densidade da amostra é obtida po meio da fita reativa
(NÓBREGA et al., 2019).
Para obter resultados fiéis e precisos, uma amostra de qualidade é indispensável, e para
que isso aconteça o paciente deverá ser orientado sobre o repouso de oito horas, bem como
alguns cuidados na hora de colher a amostra. Entre alguns desses cuidados, estão, realizar
correta higiene da região genital antes da coleta, desprezar o primeiro jato e coletar o volume
adequado de acordo com a marcação do recipiente escolhido. O mesmo também deverá ser
informado sobre o horário de entrega da amostra. O prazo de entrega do material ao laboratório
não deve se ultrapassar o intervalo de 60 minutos. Amostras entregues após esse prazo podem
apresentar alterações em suas propriedades como mudança de pH, redução de glicose,
proliferação de micro-organismo, entre outras, levando a resultados infiéis e incondizentes com
a amostra original (CONFOLONIERI & DAMALIO).

6.1 Exame físico

O teste físico avalia a cor da urina, que em situações fisiológicas normais apresenta uma
variação que vai desde o amarelo claro ao âmbar, ou mesmo pálido, também pode ser vista em
diversas outras cores como verde, castanho, vermelho, rosa. A coloração da urina pode ser, o
resultado da reação com pigmentos, que são resultantes do metabolismo, ou mesmo
provenientes de lesões no sistema urinário. A urina pode apresentar aspecto límpido ou turvo,
em alguns casos leitoso, e a sua a densidade, pode variar entre 1,015 a 1,025, quanto ao seu
odor pode ser próprio ou característico, o que é indicativo da presença de infecções ou corpos
cetônicos. A ingestão hídrica traz forte influência sobre os resultados (CONFOLONIERI &
DAMALIO).
56

Figura 17 - Amostra para a avaliação física.

Fonte: Autoria própria.

6.2 Exame químico

A análise química é realizada por meio de tiras reagente, que contém uma escala de
cores que entrar em contato com uma dada substância sofre uma reação, podendo ser visível
de acordo com os indicadores do teste. Para realização do teste, a tira é rapidamente submergida
na urina, e após remoção do excesso, realiza-se a comparação das cores da tira após a reação.
Nessa fase geralmente obtém-se o pH, glicose, bilirrubinas, proteínas totais e urobilinogênio,
corpos cetônicos, ação peroxidásica, leucócitos e nitritos. A utilização de tiras reagentes visa
uma análise mais rápida, simples, com baixo custo e alta precisão e sensibilidade (NÓBREGA
et al., 2019; CONFOLONIERI & DAMALIO).
Entre os fatores que podem provocar interferência nessa parte da análise estão, os
diminuição ou aumento da exposição direta à luz solar (diminuição da bilirrubina), jejum
prolongado (aumento de corpos cetônicos),prática de atividade física e a alimentação. Falso-
positivo ou falso-negativo são pode ser decorrente de detergentes não-iônico, proteinúria e
ácido ascórbico (RESENDE, VIANA, & VIDIGAL, 2009).
57

Figura 17 - Fitas reagentes para realização de análise química da urina.

Fonte: Autoria própria.

6.3 Exame microscópico

Para a realização do exame microscópico, a amostra que já foi analisada fisicamente e


quimicamente será posta em tubo, e será centrifugada a 1800 RPM por 5 minutos, feito isso,
deve-se verte o sobrenadante no descarte, e levar o sedimento para ser analisado.
A sedimentoscopia avalia a função renal e a presença de infecções ou doenças do trato
urinário. Para a realização das análises propriamente dita, devem ser examinados, no mínimo
em dez campos, em menor e maior aumento. No primeiro instante o microscópio deverá apenas
ser focado na objetiva de 10X, feito isso a leitura se dará pela objetiva de 40X, sendo o
recomendado para confirmação de células na amostra, a observação da mesma na objetiva de
10X. Após finalizar a contagem, a média deve ser expressa pelo número de elementos
específico encontrado, sendo somado todos os campos, e posteriormente dividido pelo total de
campos (CONFOLONIERI & DAMALIO).
Essa parte da análise de urina tem por finalidade a identificação, e quantificação dos
elementos figurados da mesma. Entre os elementos de interesse clínico para a urinálise temos
os leucócitos, hemácias, células epiteliais, bactérias, cilindros, cristais e fungos, muco,
espermatozoides, entre outros. Os processos analíticos envolvidos nessa etapa são de cunho
manual, o que requer uma padronização e uniformização dos métodos, além da presença de
58

mão de obra qualificada, o que pode acarreta um maior custo aos laboratórios, contundo é
fundamental para se alcançarem resultados confiáveis.

Figura 18 - Cristais de oxalato de cálcio na urina. Microscopia de campo


claro.

Fonte: Autoria própria.

Figura 19 - Piócitos, células epiteliais, bactérias e leveduras vista em


microscopia de campo claro.

Fonte: Autoria própria.


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Figura 20 - Cristal de ácido hipúrico (1), e cristal de fosfato triplo


(2) visto em microscópio óptico.

Fonte: Autoria própria.

Figura 21 - Sedimentoscopia em campo claro. Pseudo-hifa indicado pela


seta.

Fonte: Autoria própria.


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Figura 22 - Exame microscópico revelando presença de células epiteliais


(seta vermelha), e aglomerado de leveduras (seta preta).

Fonte: Autoria própria.

7 PARASITOLOGIA

As parasitoses intestinais são um conjunto de doenças que tem por etiologia


principalmente helmintos e protozoários. Esse grupo de enfermidades corresponde a uma
grande parcela das infecções predominantes nos países subdesenvolvidos e em
desenvolvimento, constituindo situação de morte. Tal situação é o reflexo das condições
socioeconômica, sanitárias e mesmo negligência por partes governamentais de uma nação
(WILLIAMSON, 2016; AZEVEDO et al.,2017).
A principal via de transmissão desse tipo de patologia é constituída pela oral-fecal,
podendo apresentar transmissão através da pele. Uma infecção bem sucedida depende de alguns
requisitos por parte da interação parasito-hospedeiro. Os fatores associados ao hospedeiro,
compreende a idade, estado nutricional, genéticos, , comportamentais, profissionais, e da
cultura. Entre os fatores relacionados ao parasita, destaca-se a resistência ao sistema
imunológico do hospedeiro, os mecanismos de fuga vinculados às mudanças bioquímicas e
imunológicas, presenciadas ao decorre do seu ciclo de vida (AZEVEDO et al.,2017).
A maior parte das parasitoses tem seus diagnósticos embasados pela detecção direta
do agente etiológico na amostra, o diagnóstico de caráter sorológico mostra importância para
caso de infecções teciduais. A amostra de fezes constitui o principal veículo para a busca de
61

formas evolutivas que possam estar habitando o trato gastrointestinal (TGI) (WILLIAMSON,
2016); (DE CARLI, 2001).
Para um diagnóstico fiel e seguro, se faz necessário um conhecimento aprofundado a
respeito dos endoparasitas, o que inclui, as características morfológicas. A compreensão do
aspecto clínico das parasitoses facilita o direcionamento na hora da escolha da metodologia, a
ser usada para a pesquisa do hospedeiro. (SILVA et al., 2015). As análises laboratoriais
requerem uma ampla atenção, sobretudo em fatores como erros pré-analíticos e morfológicos.
Diagnósticos infiéis a realidade da amostra pode ser evitada, a parti de alguns cuidados como,
o armazenamento e tempo de entrega da amostra, e pela capacitação profissional, na área em
que se encontra a problemática (DE CARLI, 2001; (SILVA et al., 2015).
O paciente deve ser orientado a colher a amostra em recipiente limpo, de boca larga e
tampa rosqueada para impedir possíveis vazamentos. O tempo de entrega da amostra é: fezes
líquidas devem ser entregues em 30 minutos, já as amostras pastosas ou sólidas, em até 1 hora,
mas se não for possível, poderão ser preservadas ou refrigeradas por até 24 horas (DE CARLI,
2001).
As principais metodologias envolvidas nos diagnósticos das parasitoses intestinais são,
encontram-se o método do Hoffman, Pons e Janer (Lutz), o Kato-Katz, Baermann Moraes,
método de Willis, método Faust, entre outras técnicas. A análise do material fecal toma início
com a avaliação macroscópica da amostra, por meio dela é possível determinar características
como a consistência (fezes formadas, semiformadas, líquidas ou pastosas), cor, presença ou não
de hemácias ou hemoglobina, muco ou espécimes adultos. Embora seja difícil de encontrar
ovos e larvas de helmintos em fezes de qualquer consistência, os trofozoítos geralmente são
encontrados nas amostras diarreicas (DE CARLI, 2001).

7.1 Método de Hoffman, Pons e Janer (Lutz)

É uma técnica simples e, que apresenta um baixo custo, tem seu princípio baseado na
sedimentação espontânea pela força gravitacional. Possibilita a pesquisa das formas evolutivas,
ovos, cistos e larvas, esses por sua vez sedimentam para o fundo do tubo, formando um
precipitado. Apresenta como desvantagem a poluição visual causada pela quantidade de detritos
fecais, entretanto mostra-se eficiente na detecção de ovos operculados e de esquistossoma.
A metodologia de sedimentação espontânea, foi a ferramenta de embasamento
diagnóstico do laboratório IACLIJE para o setor da parasitologia. No período de vigência do
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estágio foi possível a identificação de algumas formas evolutivas de endoparasitas por meio da
técnica, foram eles, cistos de Endolimax nana, Entamoeba coli, Entamoeba histolytica/dispar,
Iodamoeba butschlii, Giárdia lamblia, há presença de ovos de Helmintos, como o Enterobius
vermicularis, Áscaris lumbricoides, Schistossoma mansoni, Trichuris trichiura, e Ancylostoma
sp. Houve a também detecção de larvas de helmintos como do Strongyloides stercoralis e
Ancylostoma sp. Os cistos dos protozoários Endolimax nana e Entamoeba coli correspondem a
maior parte da parcela de diagnóstico positivos, ambos são parasitas comensais.
Para essa técnica, a amostra pode ser utilizada em maior quantidade, a fim de melhora
a identificação do agente etiológico. Uma das vantagens desse método, é que o mesmo dispensa
o uso de reagente, e faz o uso de poucas vidrarias . Apesar da metodologia convencional
dispensar o uso da centrifuga, esperando assim que a formação do precipitado ocorra
naturalmente, a alta demanda laboratorial levou a adaptação para realização em tubo cônico, e
centrifugação do tubo com a amostra. A centrifugação acelera o processo de sedimentação, o
que possibilita o diagnóstico em poucos minutos. A realização em tubo cônico visa a adaptação
para o uso em outros equipamentos, bem como a organização espacial do local de trabalho, e
claro atender as várias solicitações desse tipo de análise (DE CARLI, 2001). A técnica é
realizada da seguinte forma:

1. Remover o excesso de fezes frescas do coletor, deixando apenas cerca de 2 gramas colhidas
de várias partes do bolo fecal;
2. Adicionar um pouco de água a amostra e tritura-la com o auxílio de um bastão de vidro, ou
palito de picolé, em seguida adicionar um pouco mais de água, não deixando transborda o
coletor;
3. Filtra a suspensão para um tubo cônico, com o auxílio de uma gaze cirúrgica dobrada;
4. Centrifugar os tubos contendo a suspensão, por cerca de 5 minutos a 1.800 RPM;
5. Após retirar a amostra da centrífuga, verter o sobrenadante na pia com cuidado para não
levantar o sedimento;
6. Adiciona-se água corrente até completar 3/4 do volume do tubo;
7. Centrifugar a amostra novamente por 5 minutos a 1.800 RPM;
8. Colher o material precipitado no fundo do tubo com auxílio de uma pipeta capilar (ou canudo
plástico maleável);
9. Colocar parte do sedimento colhido numa lâmina e adicionar duas gotas da solução mordente
lugol, e cobrir o esfregaço com a lamínula;
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10. A leitura do esfregaço deve realizado com a objetivas de 10x , e a confirmação deve ser feito
na objetiva de 40x. Deve-se examinar, no mínimo, duas lâminas de cada mostra.

Figura 23 - Ovo de Enterobius vermicularis, indicado pela seta. O mesmo


apresenta aspecto grosseiro de um D, possuindo membrana dupla, lisa e
transparente.

Fonte: Autoria própria.

Figura 24 - Esfregaço fecal corado com lugol. Há presença de Giárdias,


que são indicadas pelas setas pretas, e de um ovo de Enterobius
vermicularis.

Fonte: Autoria própria.


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Figura 25 - Esfregaço com presença de ovo fértil de Ascaris lumbricoides (seta


preta) e Trichuris trichiura. A seta preta indica para a membrana mamilonada
do ovo. A seta vermelha aponta para os opérculos polares

Fonte: Autoria própria.

Figura 26 - Esfregaço de fezes corado com lugol, apresentando presença de


larvas de ancilostomídeo. A larva filarioide de Ancilostomídeo possui cauda
pontiaguda, com bainha e esôfago ocupando 1/3 do seu corpo.

Fonte: Autoria própria.


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Figura 27 - Esfregaço fecal com cistos de Endolimax nana,


indicados por seta.

Fonte: Autoria própria.

Figura 28 - Setas indicando cistos de Iodamoeba butschlii visto


em esfregaço fecal sob objetiva de 40x.

Fonte: Autoria própria.


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Figura 29 - A seta vermelha aponta para uma Entamoeba histolytica/díspar. Em


seu interior é possível contabilizar 3 núcleos. Essa espécie de ameba pode
apresentar variação de até 4 núcleos.

Fonte: Autoria própria.

Figura 30 – Seta vermelha indicando uma Entamoeba coli, com núcleos


variando de 5 a 8. A seta preta está apontada para uma Endolimax nana.

Fonte: Autoria
Fonte: própria.
Autoria própria.
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Figura 31 – Seta vermelha indicando Entamoebas Coli, coradas com lugol. Esse
protozoário apresenta variação no número de núcleos, possuindo de 5 a 8 núcleos, o
que possibilita a diferenciação com a Entamoba histolytica/díspar.

Fonte: Autoria própria.

8 CONCLUSÃO

A prática laboratorial constitui uma ferramenta de aperfeiçoamento técnico e teórico.


Na vigência do estágio, viu-se a relevância de vivenciar a rotina do laboratório de análises
clínicas. Realizar os exames rotineiramente, auxiliou a capacitação do acadêmico as práticas
biomédicas, expandindo o conhecimento em diversas. Conforme as atividades se repetia todos
os dias, a prática foi se tornando comum, trazendo mais agilidades aos processos de análise.
Participar do processo de forma a estar executando toda as atividades inerentes a rotina
laboratorial, desde a coleta do material para amostra, até emissão e interpretação das análises
nas áreas atendidas pela biomedicina, é importante para atender a proposta de desenvolver um
biomédico humanista, crítico, reflexivo, e mesmo generalista. Além de compreender e aplicar
os aspectos técnicos, legais e éticos relacionados ao trabalho do profissional biomédico em
departamentos de análises clínicas e toxicológicas. O estágio foi uma oportunidade para estar
sanando dúvidas sobre os diversos procedimentos, o que inclui os possíveis fatores de
interferência nos resultados, e mesmo os principais falhas, cuidados que devem serem tomados
afim de garantir confiança e segurança das interpretações e resultados. O estágio supervisionado
II contribuiu significativamente para a aquisição da aptidão para o exercício profissional.
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REFERÊNCIAS

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VIVAS, WANESSA LORDÊLO P. MANUALPR Á TICO DE.


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ANEXOS

Anexo 01 – Caderneta de vacinação


Anexo 02 – Planilha de Frequência
Anexo 03 – Termo de aceite do aluno
Anexo 04 – Termo de negativa de comorbidade
Anexo 05 – Termo de compromisso
Anexo 6 – Avaliação semestral do estagiário (Empresa Concedente)
Anexo 7 – Plano de atividades do estágio
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