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ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL

O Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, por meio da Procuradora


Geral do Estado, Lúcia Lea Guimarães Tavares, impetrou e/ou apresentou uma Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental, ADPF 132, no dia 25 de fevereiro de 2008
pleiteando ao Egrégio Supremo Tribunal Federal a aplicação do regime de união estável às
uniões homoafetivas. A ADPF é um instrumento usado para impedir ou consertar estragos a
um ou mais princípios fundamentais do Poder Público “feridos” antes ou depois da publicação
da Constituição Federal. Estabelecida em 1988 pelo parágrafo 1º do artigo 102 da
Constituição Federal e regulamentada pela lei nº 9.882/99, a Arguição de Descumprimento de
Preceito Fundamental tem como principal escopo preencher o espaço deixado pela ação direta
de inconstitucionalidade, que não pode ser proposta contra leis que vigoraram antes da
Constituição Federal de 1988.

INTRODUÇÃO

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental - ADPF 132 fundamenta-se


na discriminação no tratamento jurídico atribuído às uniões homoafetivas uma vez que tais
discriminações não estão respaldadas na Constituição Federal, que prevê em seu 5º artigo o
direito à igualdade, à liberdade (autonomia da vontade), o princípio da dignidade da pessoa
humana e, por fim, o princípio da segurança jurídica. Composta de 36 páginas dividida em
quatro partes que são: 1)- Nota prévia, 2)- Questões Processuais Relevantes, 3)- No Mérito e
4)- Dos pedidos, além de possuir vários sub-níveis em sua numeração, a Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental descreve a situação de dificuldade vivida no Rio
de Janeiro em relação ao tratamento jurídico das uniões homoafetivas para os servidores
públicos, bem como as dificuldades enfrentadas por eles para usufruir de licença e benefícios
previdenciários.

1. NOTA PRÉVIA

1.1 As relações homoafetivas e o Direito


Com o passar do tempo, a raça humana vem aprendendo a superar as diferenças e
encara-las com naturalidade. Essa mudança acontece também no aspecto jurídico que está
tendo, de alguma forma, que se adaptar a elas, não podendo de maneira alguma se omitir.
Uma vez que as relações afetivas informais foram reconhecidas pelo direito como união
estáveis (desde que cumpram uma serie de requisitos), da mesma forma, afim de respeitar o
principio da igualdade, as relações homoafetivas também deverão ser.

1.2 Fundamentos Filosóficos


A ADPF 132 está fundamenta em dois fatos filosóficos:
1º - O homossexualismo é um fato da vida (e não violam nenhuma norma jurídica);
2º - O do Estado e do direito, em uma Sociedade Democrática é garantir o desenvolvimento
de todas as pessoas além de permitir que elas se realizem (desde que licitamente).

1.3 Fundamentos Jurídicos


São duas as questões principais:
1º - Uma série de fatores constitucionais estabelece que a união homoafetiva seja inclusa no
regime de união estável por ser uma espécie em relação ao gênero;
2º - Pela regra da hermenêutica uma brecha da lei deverá ser empregada a analogia. Assim,
para que não ocorra uma discriminação inconstitucional o tratamento jurídico deverá ser o
mesmo da união estável.
Dessa maneira, os princípios constitucionais da igualdade, liberdade, dignidade e segurança
jurídica estarão sendo respeitados. Enfim, pode-se concluir que o que caracteriza tais relações
é a afetividade e não a sexualidade ou o interesse (contratos), devendo como os demais
regimes de união ser tratado com o mesmo amparo e proteção do Direito.

2. QUESTÕES PROCESSUAIS RELEVANTES

2.1 Legitimidade Ativa e Pertinencia Temática


O Governo, neste caso, do Rio de Janeiro tem muitos casos de servidores que possuem
relacionamento homoafetivo estável e reivindicam o direito de gozar de benefícios
como os previdenciários e as licenças. Mas, a falta de definição do judiciário quanto a
esse assunto deixa o Governador como responsável por tal indefinição diante o
Ministério Publico. É por isso que o Governador como representante do povo, precisa
buscar uma solução no Supremo Tribunal Federal. Pois, enquanto as decisões sobre
este assunto forem tratadas no Estado, muitas serão as divergências e
inconstitucionalidades presentes nas decisões.
2.2 Cabimento da ADPF
Esta ADPF prevista na lei nº 9.882/99 possui natureza autônoma uma vez que ameaça
ou viola um preceito fundamental; um ato onde o poder público pode provocar lesões
e não existe nenhum meio de curar a lesividade.

3. NO MÉRITO

3.1 Preceitos Fundamentais Violados


O não reconhecimento jurídico das uniões entre pessoas do mesmo sexo ferem uma
série de princípios como:
a) O principio da Igualdade – Constituição Federal 1988 – Art. 3º.
b) Direito a liberdade – Um estado democrático de direito deve, além de
assegurar o direito de escolhas lícitas, propiciar condições para que estas
escolhas sejam realizadas.
c) Princípio da Dignidade da Pessoa Humana – a falta de respeitos às relações
homoafetivas firma a discriminação e exclusão sofrida pelos homossexuais há
muitos anos.

3.2 A Solução imposta diretamente pela aplicação adequada dos referidos


preceitos fundamentais: inclusão das uniões homoafetivas no regime jurídico
da união estável
Esses princípios fundamentais citados anteriormente tem que ser respeitados também
nesta situação, ou seja, deve-se aplicar o regime de união estável às relações
homoafetivas. Porém, trata-se necessária a intervenção do Eg, STF para que não haja
injustiças nos critérios aplicados.

3.3 Uma solução alternativa: reconhecimento da existência de uma lacuna


normativa, a ser integrada por analogia
Para contornar as “brechas” da lei, usa-se a analogia, pois é clara a semelhança entre a
família formada pela união estável e a dedicação e o companheirismo presentes nas
uniões homoafetivas, uma vez que estes são providos de sentimentos, amor, afeto e
confiança bem como os outros.
“A semelhança aqui presente, autorizadora da analogia, seria a
ausência de vínculos formais e a presença substancial de uma
comunidade de vida afetiva e sexual duradoura e permanente entre
os companheiros do mesmo sexo, assim como ocorre entre os sexos
opostos”[1]

4. DOS PEDIDOS

4.1 Pedido Cautelar


O bom direito foi exposto ao longo da ADPF assim como o risco que o Governador
corre tomando decisões administrativas não amparadas pelo STF. È por este e pelos
demais motivos demonstrados anteriormente que se pede que o STF valide as decisões
administrativas que equiparam as uniões homoafetivas às uniões Estáveis suspendendo
os pronunciamentos contrários ate então proferidos.

4.2 Pedido Principal


 Seja julgado procedente este pedido para que respeitando os princípios
fundamentais sejam aplicados o mesmo regime da união estável as uniões
homoafetivas, por analogia do art. 1.723 do Código Civil uma vez que a
legislação estadual assegura benefícios aos parceiros de uniões homoafetivas
estáveis.
 O STF declare que as decisões que negam essa analogia estão violando os
princípios fundamentais.

4.3 Pedido Subsidiário


Caso a ADPF 132 seja julgada descabida, o autor solicita que ela seja recebida como
ação direta de inconstitucionalidade já que o que se busca é a interpretação conforme a
constituição Federal e o Código Civil para que esta ADPF não seja visto como uma
maneira de impedir a aplicação do regime jurídico da união estável às uniões
homoafetivas, impondo a sua aplicação sob pena de inconstitucionalidade.
CONCLUSÃO

Não adianta garantir a dignidade, a liberdade e o respeito ao ser humano como manda
a Constituição. De nada adianta assegurar que homens e mulheres, todos, sejam iguais perante
a lei, e que a sociedade abomine, ou melhor, não aceite de forma alguma a discriminação se
ainda existir partes que ainda são vítimas da exclusão social e possuem tratamento
diferenciado. Enquanto a homoafetividade for tachada como delito, pena ou perversidade não
se estará vivendo realmente em um Estado Democrático de Direito.
Além da omissão das leis em relação aos protótipos nada corriqueiros, aqueles que
fazem e as executam ainda temem quando o tema é a garantia do direito aos socialmente
excluídos aumentando ainda mais a responsabilidade do magistrado. Uma vez que este não
poderá se deixar influenciar por preconceitos ainda mais que é cada vez mais comum a
homoafetividade, que foge totalmente do conservadorismo imposto pelo modelo padrão de
união, mas que de forma alguma agride ou atrapalha a ordem social.

BIBLIOGRAFIA

[1]
DIAS, Maria Berenice. Homoafetividade e o direito a diferença. Disponível em:
<www.mariaberenicedias.com.br> Acesso em: 19 abr. 2011.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ADPF 132 – 3/800.


<http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?
base=ADPF&s1=132&processo=132> Acesso em: 11 abr. 2011 às 19:35.

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