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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAMETRO


CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

O CONVÍVIO SOCIO FAMILIAR DO PACIENTE COM ESQUIZOFRENIA.

LARISSA DIAS HANEMANN

VERÔNICA LIMA ARAÚJO

MANAUS/AM

2019
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LARISSA DIAS HANEMANN

VERÔNICA LIMA ARAÚJO

O CONVÍVIO SOCIOFAMILIAR DO PACIENTE COM ESQUIZOFRENIA.

Projeto de TCC apresentado à disciplina de TCC


I, do curso de Enfermagem, do Centro
Universitário FAMETRO, como requisito para
obtenção de nota parcial.

Orientador (a): Mirelia R. de Araújo.

MANAUS/AM

2019
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INTRODUÇÃO

A esquizofrenia é conhecida como uma das doenças psíquicas mais graves e


complexas que compreende manifestações psicopatológicas variadas, tais como alucinações,
falsas convicções, redução das demonstrações de emoções, pensamentos e comportamentos
anômalos. Trata-se de uma doença bastante prevalente dentre as condições psiquiátricas.
Atualmente, os pacientes com esquizofrenia são maioria nos leitos de hospitais psiquiátricos.
No Brasil o índice de pacientes diagnosticados com esquizofrenia tem aumentando nos
últimos anos (SOUZA E COUTINHO, 2006).

Galera (2006), comenta que a esquizofrenia tem se demonstrado um dos problemas de


saúde pública, exigindo que haja investimento do sistema de saúde. Além de causar grande
sofrimento para o doente e sua família, por ser uma doença de longa duração, acumula, ao
longo dos anos, um número considerável de pessoas portadoras desse transtorno, com
diferentes graus de necessidades.

No século XX, no Brasil houve uma mudança das políticas públicas em saúde mental
que previa a desospitalização dos enfermos em hospitais psiquiátricos, com isso, vieram
diversos programas para ajudar no processo, e em seguida as redes de cuidados nas
comunidades. A partir deste momento a família do paciente passou a exercer um papel
fundamental nas estratégias de tratamento e cuidado, porém, as famílias foram inseridas no
processo sem a preparação e o conhecimento necessário para desempenhar seu papel na
reforma psiquiátrica (JARDIM,. et al. 2005).

Nesse sentido, a instituição psiquiátrica no Brasil não se constitui apenas de hospital


psiquiátrico, hoje, constitui a assistência psiquiátrica: os centros de atenção psicossocial
(CAPS), centros de convivência e cultura, as residências terapêuticas, os ambulatórios, os
trabalhos protegidos e todos os diversos serviços e iniciativas que dão forma à rede de atenção
psicossocial. (BRASIL, 2005).

Mesmo diante de todas essas mudanças que ocorreram nos últimos anos, ainda existe
uma certa dificuldade para o paciente e a família lidar com o diagnóstico de esquizofrenia,
pois a rotulação de “louco” a que o indivíduo é submetido, aumenta ainda mais o processo de
estigmatização e provoca o afastamento de pessoas que outrora fizeram parte de seu convívio
social. (SALES, 2010). Segundo Scazufca (2000), as famílias não estão preparadas para esses
eventos, pois não há orientação sobre o prognóstico da doença.
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Entretanto, a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e a Reforma da Assistência


Psiquiátrica Brasileira (RAPB) têm trazido contribuições importantes para a reformulação da
atenção em saúde no País. Ambas defendem os princípios básicos do Sistema Único de Saúde
(SUS) e propõem uma mudança no modelo de assistência à saúde, privilegiando a
descentralização e a abordagem comunitária/familiar em detrimento do modelo tradicional,
centralizador e voltado para o hospital. Tais políticas trouxeram avanços no processo de
municipalização da saúde e têm contribuído para a transformação do modelo assistencial
vigente. Tais iniciativas vêm sendo estimuladas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
nos últimos anos (AMARANTE, 2007).

Desta forma, o estudo traz à tona alguns questionamentos: por que a família tem
dificuldades para lidar com o diagnóstico de esquizofrenia? Seria devido à falta de
conhecimento dos familiares sobre a doença? Preocupação com sua qualidade de vida? Ou até
mesmo pelo prognóstico incurável da doença?

JUSTIFICATIVA

A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou


início da idade adulta, porém, há poucas publicações referentes às dificuldades que o paciente
e a família lidam ao terem um diagnóstico de esquizofrenia, por não ser um assunto tão
conhecido e até mesmo por ser uma doença que não possui uma causa exata (PULL, 2005).

Apesar de ser um transtorno que é pesquisado há décadas, ainda não se sabe ao certo
o que engatilha tal patologia. O Psiquiatra Wagnner Gattaz, do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas de São Paulo (IPq-HC) relata “ Tamanha falta de informação é um dos
fatores que contribuem para o atraso no diagnóstico”.

É crescente a preocupação dos profissionais de saúde com a saúde mental. Os


enfermeiros, a família e a sociedade em si, têm um papel fundamental na reabilitação das
pessoas com perturbações psiquiátricas, sendo que, para tal, é necessário um maior
conhecimento nesta área (Portugal, 2008), visando tal necessidade o presente trabalho foi
elaborado.
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PROBLEMÁTICA
Por que a família tem dificuldades para lidar com o diagnóstico de esquizofrenia?

HIPÓTESES
Devido à falta de conhecimento dos familiares sobre a doença? Preocupação com sua
qualidade de vida? Ou até mesmo pelo prognóstico incurável da doença?

OBJETIVO GERAL
Pesquisar sobre as dificuldades da família em lidar com o diagnóstico de
esquizofrenia.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
 Provar que a falta de conhecimento sobre a doença prejudica a aceitação do
diagnóstico;
 Mostrar a preocupação da família com a qualidade de vida do paciente;
 Explicar a respeito do prognóstico da doença.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo que se desenvolverá por uma revisão bibliográfica, onde optou-
se pelo método de Revisão Integrativa de Literatura (RIL), possibilitando uma compreensão
acerca dos fatores relacionados com o convívio sociofamiliar do paciente com
esquizofrenia.

Serão utilizadas as bases de pesquisa Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Biblioteca


Científica Eletrônica Online (SCIELO), Google Acadêmico, mediante dos seguintes
descritores “ cuidados de enfermagem com paciente esquizofrênico”, “enfrentamento com
diagnóstico de esquizofrenia”, “convivência com paciente com esquizofrenia”.

Nos critérios de elegibilidade serão selecionados artigos que abordem a temática em


questão, publicados entre nos anos de 2010 e 2019 dentro da base de dados supracitadas. Para
compor o estudo serão ainda adotados como critérios de inegibilidade artigos publicados nos
anos anteriores à 2010.
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REFERENCIAL TEÓRICO

A esquizofrenia é uma alteração do pensamento considerada uma doença do cérebro


grave e duradoura, gerando comportamentos psicóticos e diversas dificuldades das quais se
destacam a de processar informações e de relacionamento interpessoal e com o mundo
externo (LOBO, MATTIOLLI e SANTOS, 2008).
É uma das mais intrigantes e também estudadas
condições psiquiátricas. A riqueza psicopatológica e as
características clínicas, tais como o seu início na adolescência e
o curso deteriorante sem grandes alterações neurológicas,
despertam curiosidade e geram um número considerável de
pesquisas sobre os processos neurofisiológicos envolvidos na
doença (FUSAR-POLI,. et al. 2007).

É um grande problema de saúde pública em todo o mundo, e pode afetar os jovens


no momento exato em que estão estabelecendo a sua independência. A esquizofrenia
encontra-se entre os piores distúrbios que afetam a humanidade, atingem cerca de 1% da
população e afetam do mesmo modo homens e mulheres. Desconhece-se qual seja
exatamente a causa da esquizofrenia, mas pesquisas atuais sugerem uma combinação de
fatores hereditários e ambientais (BORNSTEIN,. et al. 2000).

O transtorno psicótico em estudo se inicia entre a adolescência e o início da vida


adulta jovem (geralmente entre 13 e 28 anos), gerando consideráveis prejuízos para a
regularidade da participação das pessoas em atividades sociais, essenciais às suas vidas, tais
como estudar, manter relacionamentos amorosos e interagir em grupos de amigos, entre
outras (FONTANA, 2005)

Não existe um exame diagnóstico definitivo para a doença. O médico estabelece o


diagnóstico com base numa avaliação abrangente do histórico da pessoa e da sua
sintomatologia. Os critérios utilizados para o diagnóstico da esquizofrenia são: dois ou mais
sintomas característicos como: delírios, alucinações, fala e comportamento desorganizado,
sintomas negativos que persistem por no mínimo seis meses. Informações fornecidas pela
família, pelos amigos ou pelos professores são importantes para definir o início do
transtorno (GIRALDI e CAMPOLIM, 2015).
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De acordo com a American Psychiatric Association, os sintomas da esquizofrenia


geralmente começam entre 15 e 35 anos. Em alguns casos raros, é possível que crianças
também tenham. Os sintomas se dividem em três categorias: positiva, negativa e cognitiva. Os
sintomas positivos são: Alucinações, delírios, pensamentos desordenados, distúrbios do
movimento. Os sintomas negativos: Redução do afeto, sentimento de prazer reduzido,
dificuldade em iniciar e manter atividades, redução de fala. Os sintomas cognitivos incluem:
baixo funcionamento intelectual, dificuldades para manter-se focado ou prestar atenção em
atividades cotidianas.

“O relatório da OMS, que prevê para 2020 um aumento


de 3% em relação a 2000 nos transtornos mentais e
comportamentais que causam incapacidade grave nos
portadores, aponta, como fatores de predisposição, a pobreza, o
gênero, a idade, os conflitos e catástrofes, as graves doenças
físicas e o ambiente familiar e social. Os transtornos mentais já
representam quatro das dez principais causas de incapacitação
em todo o mundo e esse crescente ônus vem a representar um
custo enorme em termos de sofrimento humano, incapacidade e
prejuízos econômicos” (OMS, 2001).

A reforma psiquiátrica no Brasil, é marcada pelo surgimento dos Centros de Atenção


Psicossocial (CAPS), no qual constituem um serviço comunitário aberto do Sistema Único de
Saúde (SUS), regulamentado pela Portaria GM/MS nº 336/2002, que visa oferecer cuidados
clínicos e de reabilitação psicossocial aos indivíduos com transtorno mental dentro de seu
território (BRASIL, 2002).

Com o surgimento de novos serviços e reestruturação no modelo factual de cuidado


em saúde mental, cada vez mais tem sido enfatizada a necessidade de avaliação de serviços
para avaliar se realmente está havendo uma melhora no quadro clinico do cliente. Desde
2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem indicado que se estabeleçam avaliações
sistemáticas que considerem diferentes aspectos dos serviços bem como seus diferentes
atores: usuários, seus respectivos familiares e trabalhadores (OMS, 2001).

Os Centro de Atenção Psicossocial consistem em centros de atenção à saúde mental


da comunidade, eles surgiram após a reforma psiquiátrica no Brasil que visou a humanização
do tratamento e sua desinstruturalização, ou seja, a diminuição dos leitos psiquiátricos,
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restringindo esses apenas as pessoas com distúrbios mentais graves e impossibilitados.


(BRASIL, 2015).

O CAPS é um espaço de criatividade, de construção de vida, de novos saberes e


práticas. Ao invés de excluir, medicalizar e disciplinar, deve acolher, cuidar e estabelecer
pontes com a sociedade (ROCHA, 2005).

Os CAPS são distribuídos de acordo com características discriminadas no


atendimento a pacientes com transtornos graves e persistentes. Têm-se três modalidades de
serviços estabelecidos: CAPS I – Serviço de Atenção Psicossocial com capacidade
operacional para atendimento em municípios com população entre 20.00 e 70.000 habitantes;
CAPS II – Serviço de Atenção Psicossocial com capacidade operacional para atendimento em
municípios com população entre 70.000 e 200.00 habitantes; CAPS III – Serviço de Atenção
Psicossocial com capacidade operacional para atendimento em municí- pios com população
acima de 200.000 habitantes. Também é disponibilizado os CAPSi, para o atendimento de
crianças e adolescentes, e o CAPS/AD, que é o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e
Outras Drogas, (Brasil, 2005).
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ORÇAMENTO

ITEM QUANTIDADE VALOR UNITÁRIO

XEROX 3 0,10

IMPRESSÃO 6 1,00

UBER 5 15,00

PEN DRIVE 1 45,00

2 1,00
CANETA

PAPEL A4 1 18,00

CRONOGRAMA

MÊS/ANO

AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO


ATIVIDADES
2019 2019 2019 2019 2019

PESQUISA
X X X X X
BIBLIOGRAFICA

ELABORAÇÃO DA
X X X
METODOLOGIA

REDAÇÃO
X X
PRELIMINAR

REVISÃO PARA
X
ENTREGA
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REFERÊNCIAS

AMARANTE, P. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007.

BORNSTEIN, M. H; HAYNES, O.M; O'REILLY, A.W; PAINTER K.M. Solitary and


collaborative pretense play in early childhood: sources of individual variation in the
development of representational competence. Child Dev. 67(6):2910-29, 2000.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Reforma Psiquiátrica e


Manicômios Judiciários: Relatório Final do Seminário Nacional para a Reorientação dos
Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Brasília, Ministério da Saúde, 2002.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM/MS no 336, de 19 de fevereiro de 2002.


Dispõe sobre os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS, para atendimento público em
saúde mental. Diário Oficial da União 2002;

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde/DAPE. Saúde mental


no SUS: os Centros de Atenção Psicossocial. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2005

FONTANA, A. M. Manual de clínica em psiquiatria. São Paulo: Atheneu; 2005.

FUSAR-POLI, P.; PEREZ, J.; BROOME, M.; BORGWARDT, S.; PLACENTINO, A.;
CAVERZASI, E. et al. - Neurofunctional correlates of vulnerability to psychosis: a systematic
review and meta-analysis. Neurosci Biobehav Ver. 31(4): 465-484, 2007. 

GALERA, S.A.F. Avaliação construtiva de uma intervenção de enfermagem junto a


famílias que tem um portador de esquizofrenia entre seus membros [Tese de Mestrado].
Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP; 2002.  

GIRALDI, A.; CAMPOLIM, S. Novas abordagens para esquizofrenia. Cienc. Cult. [online].
São Paulo, vol.66, n.2, p. 6, jun. 2015. Disponível em Acesso em: 30 nov. 2019.

JARDIM, V.M.R; KANTORSKI, L.P; OLIVEIRA, M.M; TREICHEL C.A.S; RODRIGUES,


C.G.S.S; DIAS, L.V. Limitações de comportamento social entre usuários da rede de atenção
psicossocial no Sul do Brasil. Ciênc Saúde Coletiva, 20:1371-8, 2015.

LOBO, G. O., MATTIOLLI, T. C., E SANTOS, S. A. Esquizofrenia: Perspectiva histórica e


assistência de enfermagem. Cuidarte Enfermagem, 2(2), 192-203, 2008.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Organização Pan-Americana de Saúde.


Relatório sobre a Saúde no mundo 2001. Saúde mental: nova concepção, nova esperança.
Genebra: OMS, 2001.
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PORTUGAL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, Alto Comissariado da Saúde, Coordenação


Nacional para a Saúde Mental (2008). Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016 - Resumo
Executivo. Lisboa: Coordenação Nacional para a Saúde Mental.

PULL, C. Diagnóstico da esquizofrenia: uma revisão. In M. Maj & N. Sartorius (Orgs.),


Esquizofrenia (pp. 13-70). Porto Alegre: Artmed. R, 2005.

ROCHA, R. M. Enfermagem em saúde mental. 2ª ed. Rio de Janeiro: Senac Nacional;


2005.

SALES, E. Family burden and quality of life. Qual Life Res. 12 Suppl 1:33-41, 2013.

SCAZUFCA, M. Abordagem familiar em esquizofrenia. Rev Bras Psiquiatr. 22(2):50-3,


2000.

SOUZA L.A, COUTINHO, E.S.F. Fatores associados à qualidade de vida de pacientes com
esquizofrenia. Rev Bras Psiquiatr. 28(1):50-8, 2008.

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