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LÓGICA PROPOSICIONAL

PROPOSIÇÃO LÓGICA

Definição: Proposição é toda sentença declarativa (com sujeito e predicado) à qual pode se
atribuir, sem ambiguidade, apenas um valor lógico: verdadeiro (V) ou falso (F).

Exemplos:

O sol é uma estrela.

8 é divisível por 4.

Dica: As proposições lógicas se dividem em: “proposição fechada” (proposição lógica) e


“proposição aberta” (“sentença aberta”). A proposição logica é chamada de proposição
fechada, pois o valor do enunciado está definido.

Exemplo: O Brasil é um país do continente africano.

1ª: é uma frase declarativa? Sim.

2ª: possui sujeito e predicado determinados? Sim, estamos declarando algo sobre o Brasil e a
qualidade informada sobre o sujeito não está em aberto.

3ª: possui um pensamento completo? Sim, a frase não é um paradoxo.

Logo, a frase é uma PROPOSIÇÃO LÓGICA.

Comentário: “O Brasil é um país do continente africano” é uma proposição falsa

Proposição Aberta ou Sentença aberta

Definição: Sentença aberta é uma sentença cujo resultado (falso ou verdadeiro) é


desconhecido, por conter pelo menos um elemento indefinido.

Exemplos: x + 2 = 5 Ele é alto.

NEGAÇÃO DE PROPOSIÇÕES SIMPLES

A negação de uma proposição é mudar o valor lógico, sem perder o sentido.

A forma simbólica da negação é ~p .

p ~p

V F

F V Caso 01:A frase não possui o advérbio não.


p: Salvador tem praia.
 p : Salvador não tem praia .

Outras formas de negar essa mesma proposição é:

Não é verdade que Salvador tem praia.

É falso que Salvador tem praia.

Caso 02:A frase possui o advérbio não.

q: O Brasil não é um país do continente americano.


 q : O Brasil é um país do continente americano.

Caso 03:Utilização de antônimos.

p : Mário é alto.
 p: Mário não é alto.

 p : Mario é baixo.

Caso 04: Negação dos símbolos matemáticos

p  p

= 

 <

 >

> 

< 

p:2+3= 5  p : 2 + 3  5.

Caso 5: Negação de proposições contendo quantificador ou 2ª lei de Morgan.

1ª situação: Quantificador Universal Afirmativo (Todo)


p: Todo homem é mortal.

~p: Algum um homem não é mortal.

Outras opções:

~p: Pelo menos um homem que não é mortal.

~p: Existe um homem que não é mortal.

2ª situação: Quantificador Existencial (algum = existe = pelo menos um)

A regra da negação do quantificador existencial é mudar para o quantificador universal e negar a


sentença.

P: Existem homens que são sábios.

~p: Todos os homens não são sábios.

~P: Nenhum homem é sábio.

3ªSituação: Quantificador Universal Negativo (Nenhum)

P: Nenhum A é B.

~p: Algum A é B.

TEMA: OPERADORES LÓGICOS

Disjunção Inclusiva

Dadas duas proposições p e q, chama-se “disjunção de p e q” a proposição “p  q” (lê-se: p ou q).

Exemplo: 1) p: O sol é uma estrela. q: O céu é azul.

p  q: O sol é uma estrela ou céu é azul.

Segue abaixo outras formas filosóficas de escrever a forma p  q.


p  q : p ou q

P ou q ou ambos

P e/ou q (documentos legais)

p q p q

V V V

V F V

F V V

F F F

Disjunção exclusiva

Dadas duas proposições p e q, chama-se “disjunção de p e q” a proposição “p  q” (lê-se: ou p ou q).

Transmite uma ideia de exclusão, isto é, conjuntos disjuntos ( sem elementos comuns)

Exemplo: Ou Bruno é baiano ou Bruno é paraibano.

P q
p q

V V F

V F V

F V V

F F F

Conjunção

“Dadas duas proposições p e q, chama-se conjunção de p e q” a proposição “p  q” (lê-se: p e q).


A conjunção p  q será verdadeira quando p e q forem ambas verdadeiras; e será falsa nos outros
casos.

Exemplo: p: O sol é uma estrela. q: A lua é um satélite.

P  q : O sol é uma estrela e a lua é um satélite.

P  q : O sol é uma estrela ,mas a lua é um satélite.

P  q : Tanto o sol é uma estrela como a lua é um satélite.


p q pq

V V V

V F F

F V F

F F F

Condicional

Dadas duas proposições p e q, a proposição “se p, então q”, que será indicada por “p  q”, é
chamada de condicional.

Exemplo: p : Mário é inocente. q: Jorge é culpado.

p  q : Se Mário é inocente , então Jorge é culpado.

Se Mário é inocente , Jorge é culpado.

Fique esperto!

As outras formas filosóficas de escrever a condicional são :

Se p, então q p implica q p é suficiente para q

q é necessário para p p consequentemente q Quando p, q

No caso de p, q q, contanto p q, se p

q, no caso de p Todo p é q.

Já foram cobradas as formas: p implica q; p é suficiente para q; q é necessário para p;


p consequentemente q; q, se p e todo p é q.

Dica 01: A causa é condição suficiente para o efeito (p é suficiente para q).

Por isso podemos escrever a expressão da seguinte forma:

Corro é condição suficiente para canso.

Lembrem-se quando utilizar a expressão “ suficiente” está na ordem direta causa – efeito.

Cuidado a forma simbólica p  q ( causa  efeito) não muda a posição .

Dica 02: O efeito é condição necessária para a causa.

Logo podemos escrever a expressão da seguinte forma:


Canso é condição necessária para corro.

Tabela da condicional.

p q pq

V V V

V F F

F V V

F F V

Bicondicional

Dadas duas proposições p e q, a proposição “p se, e somente se, q”, que será indicada por “p 
q”, é chamada de bicondicional.

p  q ( lê-se : “p se e somente se q” ou “p é condição suficiente e necessária para q”)

Tabela da Bicondicional

p q p q

V V V

V F F

F V F

F F V

Resumo geral:

Conectivo Símbolo Forma simbólica Sentido

Disjunção inclusiva  p q Ocorre p ou ocorre q ou ambos

Disjunção exclusiva  p q Ocorre p ou ocorre q mas não ocorre ambos

Conjunção  pq Ocorre p e q

Condicional  pq Se ocorre p então q também ocorre

Bicondicional  p q Ou ocorre p e q , ou não ocorre p e q


Resumo da tabela.

Conectivo Forma simbólica Dica

Disjunção inclusiva p q 1V=V

Disjunção exclusiva p q Símbolos diferentes (VF ou FV) = V

Conjunção p q 1F=F

Condicional pq VF = F

Bicondicional p q Símbolos iguais (VV ou FF ) =V

Tema: Negação de proposições compostas

Negação da disjunção inclusiva

Fórmula: ~( p  q )  ~ p  ~q

Cuidado: As expressões : ~( p  q) e ~ p  q não representam a mesma coisa , a primeira


expressão a negação da conjunção e a segunda a negação de p “ou” q

Dica: Negar a primeira proposição (simples ou composta ) depois colocar o conectivo “e” e negar
a segunda proposição ( simples ou composta).

Exemplo: P: Salvador tem praia ou Santos não tem praia.

~P ; Salvador não tem praia e Santos tem praia;

Negação da conjunção

Fórmula: ~( p  q )  ~ p  ~q

Dica: Negar a primeira proposição (simples ou composta) depois colocar o conectivo “ou” e negar
a segunda proposição (simples ou composta).

P: Mário é alto e Jorge é culpado. ~ P : Mário não é alto ou Jorge não é culpado.

~ P Mário é baixo ou Jorge é inocente.


Negação da condicional

Fórmula: ~ ( p  q)  p  ~q

Dica: Conserva a primeira proposição (simples ou composta) colocar o conectivo “e” e depois negar
somente a segunda proposição ( simples ou composta)

Exemplo:

P : Se corro , então canso. ~ P : Corro e não canso.

Negação da bicondicional

Fórmula: ~ ( p  q ) = ~ p  q outra opção p  ~ q.

Dica: Na negação da bicondicional o conectivo conserva e temos a livre escolha de negar uma
proposição e conservar a outra.

Cuidado não pode negar as duas simultaneamente.

P : 2 é par se e somente se 3 é ímpar.

~P : 2 não é par se e somente se 3 é ímpar. ~P : 2 é par se e somente se 3 não é impar

EQUIVALÊNCIA LÓGICA

Equivalência da condicional

A condicional possui duas expressões equivalentes:

p  q  ¬ q  ¬p  ¬ p  q.

1ª forma: p  q   q   p (contrapositiva).

Obs.: Essa expressão foi comentada no Capítulo 1 na parte de propriedades da condicional.

Método passo a passo

1º passo: negar a primeira proposição.

Dica: a primeira proposição está depois do “se” e antes do “então”.

2º passo: negar a segunda proposição.

A segunda proposição está depois do “então”.

3º passo: inverter as proposições e manter o conectivo da condicional.

Exemplo: determine uma proposição equivalente à afirmação “se corro, então canso”.
Se corro, então canso (p  q).

Dica: primeira proposição é corro e a segunda é canso.

1º passo: negar a primeira proposição.

A negação de corro é não corro.

2º passo: negar a segunda proposição.

A negação de canso é não canso.

3º passo: inverter as proposições e manter o conectivo da condicional.

Se não canso, então não corro (  q   p).

As proposições “Se corro, então canso” e “Se não canso, então não corro” são equivalentes.

2ª forma: p  q   p  q (a negação da negação da condicional).

Método passo a passo

1º passo: negar a primeira proposição.

2º passo: colocar o conectivo ou.

3º passo: manter a segunda proposição.

Exemplo: determine uma proposição equivalente à afirmação “se corro, então canso”.

Agora, iremos montar a equivalência usando a segunda opção.

Se corro, então canso (p  q).

1º passo: negar a primeira proposição.

A negação de corro é não corro.

2º passo: colocar o conectivo ou.

3º passo: manter a segunda proposição.

A segunda proposição é canso.

A frase equivalente é Não corro ou canso (  p  q).

Dica 1: as proposições “  p  q” são equivalentes “q   p”. O conectivo “ou” permite a


inversão, ou seja, “A ou B” = “B ou A”.
Resumo:

Se corro, então canso. (p  q)

Se não canso, então não corro. (  q   p)

Não corro ou canso. (  p  q)

Canso ou não corro. (q   p)

Não é verdade que, corro e não canso.  (p ^  q)

Essas cinco frases, do ponto de vista lógico, representam a mesma coisa.

Equivalência da bicondicional

Fórmula: (p  q)  (p  q) ^ (q  p).

Método passo a passo

1º passo: observar quem é a primeira proposição e segunda.

Dica: a primeira proposição está antes da expressão se e somente se e a segunda proposição está
depois da expressão se e somente se.

2º passo: escrever a proposição “Se p então q”.

3º passo: escrever a proposição “Se q então p”.

4º passo: escrever a proposição “Se p então q + conectivo da conjunção + se q então p”.

Exemplo: determine uma afirmação equivalente à frase “6 é par se e somente se 6 for um múltiplo
de 2”.

1ª proposição: 6 é par.

2ª proposição: 6 for um múltiplo de 2.

A: se 6 é par, então 6 é um múltiplo de 2, e se 6 é um múltiplo de 2, então 6 é par (proposição


equivalente à proposição 6 é par se e somente se 6 for um múltiplo de 2).

Vamos montar a equivalência pela fórmula da disjunção!

A: 6 é par se e somente se 6 for um múltiplo de 2.


1ª opção: negando apenas a primeira proposição.

A negação de 6 é par é 6 não é par.

Resultado: ou 6 não é par ou 6 é um múltiplo de 2.

2ª opção: negando a segunda proposição.

A negação de 6 é um múltiplo de 2 é 6 não é um múltiplo de 2.

Resultado: ou 6 é par ou 6 não é um múltiplo de 2.

Equivalência da disjunção inclusiva

Fórmula: p  q   p  q.

Método passo a passo

1ª etapa: negar à primeira.

2ª etapa: manter a segunda proposição.

3ª etapa: colocar o operador da condicional. Não se esqueça de colocar o “se” antes da frase.

Exemplo: determine uma proposição equivalente à afirmação “O sol é uma estrela ou a lua é um
satélite”.

1ª etapa: negar à primeira.

A negação de O sol é uma estrela é O sol não é uma estrela.

2ª etapa: manter a segunda proposição.

A segunda proposição é a Lua é um Satélite.

3ª etapa: colocar o operador da condicional. Não se esqueça de colocar o “se” antes da frase.

Resultado: Se o sol não é uma estrela então lua é um planeta.

DIAGRAMAS LÓGICOS

Caso 01: Todo M é N

N
M
Essa relação, mostra que o conjunto M está dentro do conjunto N. Logo M é subconjunto de N.

Caso 02: Nenhum M é N

N M

O termo nenhum tem a função de exclusão, por isso os conjuntos não possuem elementos comuns.
Logo M e N são conjuntos distintos.

Caso 03: Algum M é N.

M N

A palavra algum representa elemento comum, isto é, que pertence aos dois conjuntos ao mesmo
tempo. Logo M  N (intersecção de conjuntos)

Caso 04 Algum M não é N

N
M

Nesse caso, a expressão representa um elemento que pertence ao conjunto M , mas não pertence
ao conjunto. Logo M – N( diferença de conjuntos).

Cuidado: Algum M não é N é equivalente a Algum não N é M. Agora algum M não é N é


diferente de algum N não é M. Conforme vemos no diagrama a abaixo:

Algum M não é N é verdadeira, mas não posso afirmar que algum N não é M. Devido essa
possibilidade do conjunto N estar dentro do conjunto M.
OPERAÇÕES ENTRE CONJUNTOS

União

Dados os conjuntos A e B, define-se como união dos conjuntos A e B o conjunto representado por
A  B, formado por todos os elementos pertencentes a A ou B, ou seja: A  B= {x / x  A ou x
 B}.

Considere o conjunto A {1, 2, 3} e o conjunto B {3, 4, 5}. Determine o conjunto A  B.

Resposta: A  B = {1, 2, 3, 4, 5}.

Intersecção ou Interseção

Curiosidade!

Interseção (português brasileiro) ou intersecção (português europeu).

Dados os conjuntos A e B, define-se como intersecção dos conjuntos A e B o conjunto representado


por A  B, formado por todos os elementos pertencentes a A e B, simultaneamente, ou seja: A 
B = {x / x  A e x  B}.

Considere o conjunto A {1, 2, 3} e o conjunto B {3, 4, 5}. Determine o conjunto A  B.

A  B = {3}.

Diferença

Dados os conjuntos A e B, define-se como diferença entre A e B (nesta ordem) o conjunto


representado por A-B, formado por todos os elementos pertencentes a A, mas que não pertencem a
B, ou seja, A – B = {x / x  A e x  B}.
Considere o conjunto A {1, 2, 3} e o conjunto B {3, 4, 5}. Determine o conjunto A – B.

Resposta: A – B = {1, 2 }.

REUNIÃO DE ELEMENTOS

As questões sobre reuniões de elementos podem ser respondidas de duas formas: uso da fórmula
da reunião ou uso dos diagramas de Venn.

Qual a melhor opção?

Situação 1: quando conhecemos a totalidade (Total de elementos de um determinado conjunto) dos


conjuntos, então o uso da fórmula é a melhor opção desde que a pergunta não remeta a uma região
específica. A ideia é simples: Temos o total de elementos dos conjuntos e a pergunta é sobre a
totalidade de um conjunto? Se a resposta for sim, então o uso a da fórmula é a melhor opção.

Exemplo dessa situação: questão 1 do treinamento proposto.

Situação 2: quando a pergunta é sobre uma região específica ou quando são informados os valores
de regiões específicas, então o uso do diagrama é a melhor opção, na minha opinião.

Exemplo dessa situação: questão 3 do treinamento proposto.

1ª opção: uso da fórmula

Caso 1: dois conjuntos

n(A  B) = n(A) + n(B) – n(A  B).

Caso 2: três conjuntos

n(A  B  C) = n(A) + n(B) + n (C) – n(A  B) - n(B  C) - n(A  C) + n(A  B  C)


2º opção: uso do diagrama de Venn

Conhecendo as regiões dos conjuntos!

Caso 1: dois conjuntos

Nesse caso, temos três regiões formadas.

Vamos conhecer as regiões!

a: região do somente A.

Obs.: a região somente A corresponde à região que possui apenas elementos do conjunto A, ou
seja, a região de elementos do conjunto A que não realiza intersecção com nenhum outro conjunto.

b: região do somente B.

x: n (A  B). a = n (A) – x. b = n (B) – x.

Caso 2: três conjuntos

Vamos conhecer as regiões!

a: região do somente A. b: região do somente B. c: região do somente C.

x: região do somente (A  B). y: região do somente (A  C).

w: região do somente (B  C). z :região de (A  B  C).


Agora, vamos descobrir os valores!

z = n(A  B  C).

x = n (A  B) – z.

y =n (A  C) – z.

w = n (B  C) – z.

a = n (A) – x – y – z.

b = n (B) – x – w – z.

x = n (C) – y – w – z.

Análise combinatória.

Probabilidade.
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