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Teoria

1\ tcorla cognitiva arUcnla a rnaneir;\ atrav("s da qual os processos


cognitivos esl rIO envolvidos !li! pstcopalol().~ia e na psicolerapia efe-
tiva, Embora a csl rutu ra "blopsl<'ossol'ia I" seja n,:cOI1 hccida 1'01110
útil !la ('on('t'itn;l!izal,,;jo de sistelllas conlpkxos. (I foco da teoria
cognitiva incide primariamente sobre os fatores cognitivos da
psicopatologia c da pstcoterapla, Além disso IIS ('on('Cilos cognlllvos
complemenlam (e podcllI Illesmo subordinar) i(\('-ias ('01110 "JllOtiva
Ç10 inconsclente" na (corla psicanaliUca, e "reforço" ou "condicio·
namento" no Iwhavlorlslllo.
Na teoria da lerapi;1 cognitiva, a natureza e a fUl1Ç;lO do proces-
samentu de InforIllal,:üo (I.e., a atribuiçüo (k significado) constitui a
chave para entt~nd('r o comportamento l11aladaptativo e os proces-
sos terapéutlcos positiv()~, A teoria cognltivn da psicopatologla eles··
creve especifkamente a natureza de COI1C(~ltos que, quando ativados
em certas sil.u<l(:õcs, sao lllaladaptaUvos ou dlsfunclonals. é:stas
('OIll'Cit ualizuções Idlosslncróslcas podem ser consideradas ['orllO
teorias Informais, pessoais. A concclt uallzaçüo cognitiva da psicote-
rapia fornece estratégias para corrigir esses conceitos, Portanto, a
estrutura teórica da terapla ('ognlUva l'ol\slilui uma "teoria de teo-
l"ias": é Uma teoria formal dos efeitos de (eorlas pessoais (informais)
ou construções de realtdade. Neste sentido, a teoria cognlUva dllli-
Ctl coincide em algum ~rau com a teoria de construclos pessoais de
George Kel1y (Kelly, 1955).
A teOlia é essencial para a prátIca clinlca, Tem sido debatido
ultimamente que n teoria cognitiVa conslllulullI;l tCOIin unificadora
para a pslcotnapla e a pslcopatnlogta (i\lJ(mi &. Nor(Toss, I ~m I;
Beck, 199 t a). Conforme explicamos na Parte li, ;Jncl1itillllos qllt' ;\s
estruturas teóncas dn pskott'rnpia efetiva c1evl'1I1 organizar os COI1l
pOllcntes terapi~u(jl'()S (trnlalll('ntos) (' as vari;h.'('is psil'nlógic\s IT
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22' A.rem T. e.ck • Brnd A. Alford
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o podor integrador da terapia cognitiva 23
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dentro de UIl1 sistema de psicoterapia que conslltutI um
lt.."'Ylilntc8 De.envolvlmento Iniciai da Teoria Cognitiva
modelc) coerente para a prática clinlca geral. Diferentemente das
te(~nologlas médicas. as práticas pskoterapêutteas dc\'em ser teorl- As origens históricas da terapia cognitiva. datando de 1956.
(~amente consistentes se um terapeuta quiser administrar Interven- podem ser resumidas como segue. Aaron Beck. na tentativa de for-
çôes de uma maneira que facilite H colaboração e a autorlzaçào do necer apolo empírico para certas formulações psicodlnâmlcas de
paciente. Esta colaboração perl11lte que o terapeuta entre no nllm- depressão (que Beck achava serem cotretas na époc.~al. encontrou
do do paciente. usandu a linguagem e o contexto cultural deste. algumas ui10mullas - fenômenos Inconsistentes com o moc.lelo psl-
enquanto cOl11panilha a pe~pectiva cognitiva. Desta maneira. a te- canallllco. Especificamente, a conccltuallzaçào psicanalítica (fo'reud.
rapia cogntllVa perlllll<: que a pessoa (através de exercicios para )9 t 7/1950) afirma que os pacientes deprinUdos mAntfestam hosti-
casa conjuntamente dcsenvolvidos) teste a teoria cognlllva no con- lidade rctroncUda. expressada como "mAsoqUIsmo" oU uma "neces-
texto de seu ambiente natural (' de seu sistema de crenças. sidade de sofrer", Contudo. ein resposta a experiências de sucesso
Para que haja colaboraçl\o é necessário haver estnllura. Os (atrtbulções de tarefa graduada em um ambiente de laboratório), os
pacientes devem aprender como a melhora e conseguida a fim de pacientes deprimidos pareciam mdhorar em vez de reststlr a tais
verem fi si próprios conú) parceiros colaboradores no empreendl- experiétlcias (Beck. W64; Loeb. Beck. & Dtggory. 1971). Isto levou
mcnto terapêutico. Para ensinar Isso a seUs pacientes. os terapeutas Beck e seUs cole~fis fi novos estudos empiricos e obseiVações clini-
devem possuir UI11 aporte teórico para técnicas de tralamento espe- cas, na tentativa de entender aR anomalias. O eventual resultado foi
cificas. De outro modo. nüo há estrutura sobre a qual basear o pru- a reformulação da depressão como um transtorno caracterizado por
cesso de colaboração. Por outro la,do. sem a teoria fi prática de uma profunda tendência negativa. O conteúdo fenomenal desta ten-
psicoterapia se torna um exercíciO puramente téenlco. destituído d'~ncla Incluía expectattvas de resultados negnttvos (conseqüt'nctas
de qualquer base clentlflca. Essa qUestão preocupa os mala rlgoro- do comportamcnto)nH esfera pessoal. e uma vlsào negativa de se/f."
50S conselhos de especlnllstas quando se trata de conferior habili- contexto e objetivos. Colwol1lltanlellll"nte. foram feitas tentativas de
dade avançada na prática clínica. Por exemplo. o Marwalfor Oral tnodlflcar o conteúdo c as dlst.orçôeR cognitivas negativas. resultan-
Examlnaltollsdu Amerienn Board of Professlonal Psychology (ABPP} do em desenvolvimento e avallaçüo de estratégias terapêuticas. Sub·
declara explicitamente que para obter o diploma da ABPP. um psi- seqüentemente. () modelo foi aplicado n outros transtornos para
cólogo deve tratar Oll fazer recomendações ~de uma maneira slgnifl· testat- os limites da nova formulação.
cutlvu e consistente apoiado por um suporte racional coerente~
.0; A partir desse resumo capsular, pode-se ver que a teoria
(A13PP. 1966. p. 3), (Embo!"a um ~8uporte racional" seja diferente de cognitiva orlgínou-se de tentativas de testar os prtncíplos teóricos
lima teoria formal. é dlficllltnagtnar como UiTl suporte radullal coe· especlficos da psicanálise. Quando tal evld(~neln não surgia. outras
rcnte possa desenvolver-se separadamente das teorias cientificas explicações eram consideradas. Portanto. a terapia ('ognil tva descie
cmplricamente validadas de pslcopatologla e psicoterapia. Este cer- o começo fot Impulsionada por Interesses teóricos. (Ver Arnkoff &.
tamente seria o caso na prática clínica padrão dentro do modelo Gluss. 1992. para um levantamento hlslórico mais completo.)
cientista/profissional.)
A terapia cognitiva é a aplicação da teoria cognitiva de pslcopá-
tologla ao caso Indivld ual. A teoria cognitiva relaciona os vários trans- Apreeentação Formal da Teoria Cognitiva
turnos pslqUlútlicos n variáveis cognitivas específicas. e InclUI um
cOl~llInto formal e abrangente de princípios ou axiomas (delineados A teoria cognitiva de pslcopatologta e psicoterapia considera a
a seguir). l':ste capítulo abrange os segultltes aspectos da terapia e eognlçüo a chave para os transtornos psicológicos. ~Cognição~ é
da teorta cognlUvus: (1) desenvolvimento IniciaI. (2) lIl11a nflrtl1Uçãn definida como aquela funçúo que envolve deduçücs sobre nossas
formal da teoria. (3) problel1las e orientações teóricas, e (4) tendên- experiências e sobre a ocorrência e (J controle de eventos futuros. f\
cias futuras. koria cognitiva sugere o Importfmcia da pcrc~epção fenomenológll'a
dos rehlçàes entre os eventos: na teoria cognitiva clfnlcn. a cognlçúo
Inclui o processo de IdenUflcur e prever relações complexas clIln;
eventos, de modo a faCilitar a adaptação a ambientes passíveis de
mudança. Rc1at05 mais antigos do desettvolvimenlo e da elahoraçllo
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dli teoria eo~nlllva


podem ser encontrados em Inúmeras publlca- c'Olllportal1lenlo. Isto (~ denominado I",<,/)('('íjici(/nrlt' rio ((Jfl/('lÍdo

Çõ<'~E; (r, ex .. (Jed\. 1964. 1984b. !H87a. 1991b: Bcck. Frecman, &
('(}qllilil '(l,
Msoclados. 1990: D, A. Clark. 1995: Holloll & Beck. 1!:>94: Lcahy. 5. Emhora os significados sejam constnlielos pela pesso;). em
1995: Young. 1990), vez ele sert'rl1 ('ollll'0ncnles preexistl.'nte:s da rcaliebde. eles sào cor-
A apresentação formal (' ahrangente da tcorla co~nltlva aqui retos ou 1iH'(.rrctos em rdaçüo a um detcnninado contexto ou obJe-
examinada Im~luj todas as prcssuposi(,'ões necessárias t~ suficientes tivo. Quando ocorre di:"Iorção cogllitli'Cl ou pwcol1cepçôo. os signlrt-
para o sIstema teórico, e forma o v('rl ice do sistema (vt'r Popp~~r. caltos são disfunclonais ou llIaladaptativos (em kl'll1OS de ativa(;üo
19591. Portanlo. toelas as aflrl1l<lçfles teóricas podem ser derivadas de sistemas). I As cllston:;úes cognit ivas incluem eITos no conleúdo
lo~leaUlentc dos axIOIll;'IS (post U!;lc!OS ou proposições primitivas),
cognlUvo (signilkado). no processamenlo co):!nitivo (elaboração dt~
Nenhuma ale~ac;i\o de verdade l' sugerida pdo termo -'axioma". An- significado), 011 ambos.
tes. a redução de uma teorta a axiomas serve à importante fum;üo 6_ Os individuos súo predispostos a fazer (:onst nlçües cognil i-
de esclarecer c definir urna leoria clenliJka. Nas palavras de Popper vas falhas espedficas (distorções cognitivas), Estas predisposiçücs
(1959. p, 71). a distor(,'ôes espcci!1cas são denominadas l'uIJll'mbl/idades cognitivas.
As vulnerahilidades cognitivas espccilkas pl'cdispóCllI as pcssoas u
o leste rigoroso de um sistema pressupõe que ele está naquele momento suficientemente sindromes espet'ificas: espl'cificic:hdc cognitiva e vulnerabilidade
definido e em sua forma final para tornar impossível que novas pressuposições sejam cognitiva eslúo inlel' relacionadas.
introduzidas clandestinamente Em oulras palavras, o sistema deve ser formulado com sufi- 7. /\ psicopatologla resulta de slgnllkaclos malaclaptallvos
ciente clareza e definição para tornar cada nova pressuposição facilmente reconhecível pelo construiclos em relaç{1O ao se(/ ao contexto <lml>il'l1tal (experiênciu).
que é: uma modificação e, portanto, uma revisão do sistema (ênfase no original) e ao fuluro (ohjet ivos), que Junlos <10 del101nill;tdos de a lriade Ct !f/fliti-
v(/. C;Hl" sindrolllt' C'iillil';1 tc:'lll Si,~llilkados maladaptati\'os caracte-
POJlJler ( ISl5D, p_ 7 J -721 sugere que poucos r.unos' da c1htcl;t rist il'os assl1('iados com os COll1pOIlI~lltl~S da Iriade cogllil iva. Todos
al/-(ulll dia desenvolveralll UIll sistema teórico elaborado e bem os três ('<.lmpOIH'ntcs S;!O interpretados Ill'gallvanwntc na depn.'s-
conslruido. Ele descreve as cxig('ncias desse sistema rigoroso: que S;"lO_ N;I ansiedade. () ser/c' visto como inadcquado (devido a rccur-
ele denomina de "sistema axlomalizado", C0ll10 segue: Os axll)lnas sos dclicienl<.'sl. o contexto ê cOllsiderado perigoso. e o fuluro pare·
elevem estar livres de cont radição. devem ser independentes. de mn<!( I ce illcerfo. Na raivH c IlOS transtornos parallúidcs. () sf'!li" visto COlHO
que al1rmal,'ücs axiomáticas nflo sl~jarn dedul.ivcis de oul ras d('nt ro scndo maltratado ou abusado pelos outros. I' o mUlldo e visto I'omo
do sistema: os axiomas devem ser suficientes para permitir ,I dedu Injusto e em oposlçüo aos inlt'resses da pessoa. A espet'ilkidade do
ção de todas as aflnnaçücs pertencentes flteoria; e. finalrnente. os conteúdo eo~nlt Ivo está relacionada e1esta mandra ;-\ triade cognillv;l.
axiomas devem ser IH'cessúrlos para a derivaçào das afinll;)l,'<"Ies H. ltil dois níveis de signilkado: (a) (I s{l}fI{/irmlo público Oll
perlel1ecntes Ú tcoria. Ik acordo com csles critl~lios, os axiolll;)s obJet ivo de um evento, que pode ler poucas implle;)ções signilkat i·
formais d;) teoria en.~l1iti\'a são os seguintes: vas para UI1l individuo: e (b) () sfg"{!lcndo pessoal 0/1 privar/o. O sig-
1_ () I'rirllipal caminho do ft IIlclonamento ou da adaptac:üo nificado pessoal. ao ('ontrário do stgnlflcado públlt:o, inclui lmplil'a-
psicológica consiste c1e estruturas de eogniçüo com significado, de- çôcs. significação, ou generallzu(;õcs extraídas da ocom!ncla cio evell-
nominadas esquemas. "SI~nif1cado" refere-se à interpretaçáo da pes- lo (Beck. 1976. p, 48). O nível de slgnllkado pessoal corresponde ao
soa sobre UI11 elc:lcrmlnndo contexto c da rclaç.lo duqudc l~oniextlJ conceito dt~ "domlnio pessoal" (Beck. H176. p. 56).~
com o seI f. 9, Hú três níveis de cognlçáo: (aI o pr(~-consclente. o núo-in
2. A fune;:io da atn'bufção dl' sign{jlcado (tunto n nivel aulomú· tenetona\. o uutomálico ("pensamentos nutomnl1cos"): (h) o nivl'l
Ut'o como deliberat ivo) I' controlar os vürtos sistemas pstcológicos consciente: c (e) o nívelmelacognlt ivo. que inclui respostas "realisl i-
cas" ou "racionais" (adaptativas); Estas têm funções útets, mas ()~.
((l.e.'" comportamenlal. emocional. aten<,~üo. e memória). Portanto.
li signjficado ativa estratégias para adaptação.
níveis conscientes são de Interesse primordial para a melhora clíni-
:1, As inl1uênf'ias (,lltlT sistemas cognitivos e outros slslemas ca em pstcoterapta. (Ver a subseção "Três Sistemas Cognitivos" no
S,'IO interativas.
Capítulo 3.1
·1, Cada calegorla de significado tem imp\lcaçôl~s que são 10, Os esquemas evoluem pam facilllar a aclaptat,'{1O da 1)('5'
traduzidas etn padrôes espel"ilkos de ernol,;ão. utenc;i'in. nll.~lIlória e soa ao amblenle. e siio neste sentido estnJluras (c/eoflállllf·{lS. !'\lr'
í
. 28 Aarori T. 8eck _ Srad A. Alford o r>oder integrtlldor da terapia cognitlvlI 27

blnl:o. um determinado estado psicológico (cot1slltuldo pcln ativa- vações dlnl(:as de processamento ('o/o!nltlvo nul.o01.lIlco. Além disso,
ção d(~ sistemas) mIo é nem adaptativo nem maladaptattvo em si. a própria teoria cognitiva Incorpura Impllcltamcnk alguns dos COIl·
apenas em relação a ou no contexto do ambiente social c físico maIs ecll.os relevanks. 1.411.5 ('01110 processamento prê-nlclU:lonal. <'lIpad
amplo nu qual a pessoa está. dade cognitiva c pr()(.'t$SUllwnto Mlnconsclente,' Por exemplo. n psl
eologla cognitiva conlemporânea tem usado o termo "Illconselentc
Estes 10 axiomas constituem a ufitmaçõo formal contempo- cognitiVO· para clescrever estruturas e processos mentais que ope'
rânea da teotla cognitiva. Vários pontos de esc1arcchnento podem ram fora da cdnsclêncla fcnomenal. contudo determinam expcrlén-
ser úteis. Prunelro, Inúmeras hipóteses especificas e/ou modelos cta consciente. pensamento. e ação (Klhlstrom. 1987. p. 1445:
podem Ser detivados dos axiomas formais (p.ex.. Beck. 1987a). Além Melchenbaum &. Gllmore, 1984).
disso. os axiomas süo Inter-relacionados, e podem ser combinados Não há razão tcótica para que os processos cognitivos rele-
para gerar hipóteses específicas. Por exemplo. especificidade do con- vantes à psicopatologla devam operar Inteiramente dentro da per-
teúdo cognitivo (axioma 41 e vulnerabilidade cognlUva (axJotnB 6) ('epção fenomenal consdente. COllslderetnos a segtllnl.e seqüência:
foram combinados para gerar hlpóteees de pesquisa em relação à situação parn crença para Interpl't~taçüo para afeto pAra comporta-
previsão da Instalação da depressão (Alford. Lester. Patd. 8uchnnan. mento (vel' Figura 1.1). Para a elaboraçüo. estruturas ou esquemas
& Glunta. 1995; Haaga. Dyck. & Ernst. 1991). Um último aspecto ê de crença cxlstentl:s são ativanos por C'irl'll\1stánclas ambientais. ()
que a teoria cognlUva evolui lp.ex.. Beck, 1996): obvIamente. os axi- l>tocessamento csquematlco (de stgnllkado), quer consciente ou in-
omas não são concebidos como ptincíplos estáticos. Antes. nas pa- consciente. ~cm uma Interprclaçün. A tnlerpretaçáo especin('~l leva
lavras de Poppet (1959. p. 281): MA ciência nunca petsegue o objeti- ao afeto. que é seguido pelo C'omp0l1,amento especiJko, que por sua
vo ilusório de tornar SllflS respostas finais ... Seu avanço é. prefeti- vez modttlca a slluaçflo origina\.
veltnente, em direçõo ao objetivo Infinito, contudo alcançável. de Os conccltos "pensamentos aulolllútlcos" e "IJlconscicntc
sempre deseobtir problemas novos. mais profundos. e mais gerais c cognitivo" poss\lem muitos aspcC'tos comuns, !'::tnbora a observ(l<;ão
de submeter sUas respostas sempre expeticnclals a testes continua- clinico lenha revelado qUl~ os pensamentos nutomútlcos sào COI11
mente renovados e Invatiavelmente mais tigorosos M. freqÜência multo facilmente adlnlUdos ft perccpçüo wnsclenle (l3eck.
1976: Beck, t{ush. Shaw, & Emery, 1979). a sltuaçào teórica da
noção de Mautomatlsmo" sugere que esse processamento cognitivo
Problema. e OrlentaçOes Te6rlcos talvez seja melhor denominado rle "pré-consciente". Visto que a per-
cepção eonsclente é um pré-requisito lógico para o controle cons-
Diversos principias da teoria cognitiva InclUídos nas afirma- clente (ver Klhlstrom. 1987, p. 1448). os terapeutas cognltlvos 11<1-
ções formais al~ln1U sõo bem conhecIdos. tais como a ttiade cognitiva. turallTll'nte empregam léclllcas designadas para tornnr os pensa-
especificidade do conteúdo cognItivo, vulnerabilidade cognitiva. e mentos automáticos (Inicialmente) largamente Iilcons(~lcntes (p.('x..
os vártos "erros de processamento" ou distorções cognitivas. Outros' atribuições falhas) mais sujeitos à percepção consciente nlnwés de
aspectos tmportantes da tcotia sào menos conhecidos ou estão atual- técnicas cognitivas. taIs como distração ou reorientação dos recur-
mente em processo de desenvolvimento ou retlnamento. e sno. por- sos de atenção (ver Ueck cl aI.. 1979). Esta abordagem e..1 ta tenta,
tanto, aqUI aprcsetltados. Estes Incluem tI naturC1.R do processn- tlvas diretas de ~controlar· os pensamentos. uma vez que taIs tenta
menta Inconsciente (Ilutomátleo) de Inforlnaçiio; causas dlstnls e UVas freqüentemente resultam el11 cfcltoi'l OpOi'lt05 nos 11I'etendidll[-'
prox1maJs de fixação de recursos de atenção; e questões contempo- (ver Wcgner. 1994).
rflneas com relução à natureza "construtlVlsta Mda pslcopatologla. Embora a situação empírica do processamento não-conscien-
Esses são reVistos resUinldall1ente nas subscções a seguir. te nu psleopatologtn seja no momento Inconduslvu. várias linhas de
pesqUisa têm apoiado a prescI1ça de processamento automático pn'
concebido nos transtornos de am;ledl1dc (roa. lIal. McCarthy. Shoyer.
Proc•••llm.nto COl1nltlvo Automíltlco & Murdock. 1993; Logan. L.,rklll, & Whlttal. 1992; MncL~_'od. IH91:
MacLeod & Mathews. 1991: McNalIy. 1990), bem como na depn's
A "revoluçãu cognlllvu' na psicologia gerou Inúmeros achados são (Mitteka & Sutton. 1992). Além disso. um recente estudo COII,
(e conceitos) t~mplric()s que pareccm corresponder a multas obscr- trulado sobre a prcdlsposh;i'io da memória para fazel' assocla<;út·s
il 'T"~F ·"nsu... '"nu '=.-. <212 p'w,...e-rt"."$'".,,"r"'[7-'7tS"· wt"e-yu.....s'U'·1"t''tiAi)·'''f "f' .. '~ ""t"" :'1'1" f'[Ç"K"

• 2. "'l'onT. 84tClk ti Brad A. Alford o podor intogrorlor do tarflplll cognitivo 29


...;... .....,...~,.,...~ .""'H __ .. ~_~" ,.,~" .. ,.h"'""""h._~" ...."
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//"----..~ normal de ()rganl7.élç~io ['o~t1ltlva ocorre IHl transtortu) d .. P<'IIlIt·o C'

J.)l'ovavelmente t.ullIlx'tn em outros transtornos lp.ex.. clepress;'1O l'


História de ApllndilBgen t.rlmstorno blpolar), t~ que esse pn:luiJ'.o It~va Ü redução na capacidade
Ofllallllaçâo Cognitiva
(C,""""",. '.llUf...i.) /Componentllslpe'''ncllil) de f()(:all.7.ar a 'lt(~IlÇ()() adequadamente ou de concentrar-se (I'. 14~I:l).
r,t.1<Iltm", tt~,()I!cifl'(J'
rfptUlefl"~5 ",H~rll)I(H Dois outros fatores podem também ajudar a explicar corno os
--._- I,1,JU:1f14.fas
_ _o
dt1 "~q,l,.m(f
recursos de aten(;ào se tornam Ibmdos no transtorno d{~ pânico.
Ptimc1ro. a presença de processmnento cognitivo inconselentc, con·
forme discutido acima, pode explicar isso em pnJ1(~. Na medida ('11I
que o conleúdo coglJltivo existe el1l um nível inacessível ú perccpc"';tn
consdcnte. pan'('l~rla que li ('oITet:i-lll de dlslonJll's não seria possí-
vel (Klhlstrolll. 1!l87). t\ Instalaçuo dos processos de atençáo a esti-
mulas de amea~'a. c dos processos e1aboralivos e interpretativos fI
temas de ameaça. pode ser explic:1do em termos ele automalisllIu:
..------.. estes processos s<io automáticos no senl.1do de quc são incolJscien-

~~~--
.
Crenç a Preexistente tes, (Deveria ser observado que MeNal1y. 1995. expressou tri's dlfe·
rentes slgn111cndo~ do termo "autolllútlco" 110 cOll!C1(lu dos Ir.. tns·
tornos de ..msied'HIl'. Os pnl<.TSSOS <llltOtll:'t! it.'os JlodcllI ser "Iivn's

Comportamento
/
~pr~m~e:~~;~~ticadol
Esquematlco { •• em '"""OI
IntrUIJI'UI{ltodil SI"~;("(I"'f'S
de capacldadt~." sigllllicalldo tple e!t's pruSSl'L!;lIl'III desel nharaçlda·
mente e selll interferi'lJela de proccssos eUIH'IlITC'nlcs: I'I('S podcllI
ser "iIlI'ollsC!enles:' ou 1'01':1 ela ('ollsckllt'i:l; ('/Oll elc's podelll :,wr
dt frSQUfln\>d "
~lnvolllntãri()s," sigllilkanch> fora do controle consciente. lV\('N;llly

~
conclui que os pro('(~ssos autom;illcos nos transtornos de ansieda·

- ...----.
/ de nunca sào livres de eapactdade, são às vezes Inconscientes, l' s;'1f)
sempre Involuntários.) Entretanto. o fato de que tais processos slIo
Ativação de Sistemas Interprllação inconscientes não signllka que eles m30 possam ser modificados na
A'.~"Ç"c d. f"r/TI;U d!/tllO lIe
4---
SI!:ft.I""S COvnlth"lj, a'el'~{H" C(1II$CW1l'f' ~'IJ l"l,ur'~(fr.'nre terapia. O tratmnento de processus Inconsdcntes na terapia cogntt iva
t mo!'~ltclj)lt,tjS
~- foi descrito antcliormenle: "O paciente comcc,:a a rcconhecer em ní
vel experimentai rllw ('onstrlJill errOfll'H Illl'n Ie a slhliU,';-\() ... I'sle 1111'
FIGURA 1.1 Processamento esquemático de informação. canlsmo t: talvez unúlogo no que os psicanalista~ chamam de torn;lr
o inconsdente ee)llscientc" (Bcck. 19H7b. p, 162).
Segundo. acredita·se que existe uma tendéncia inata c geral·
mente adaptativa a estabelecer e ampliar a ·orientaçüo." ou o árnbi
catastróficas (p.ex .. "tollto"·"deslllaio") 110 tr'lIlstortlO de pánicn ell'
to de fenômenos aos quais um organismo Ilc:a atento (ver Krelller &.
controu memória prt~"con('ebida 110S processos de memória ('on5·
KrelUer. 1982. 1990), Assim. seria adaptativo que tal pnwcsso dI'
cienles (explil'iIOS) l' n;~IO-const'ienles (implícitos) (Cloitre. Sllear.
oricntue;ão fosse desativado em slluaçôcs catastlúfic:as, lima vez q! \I'
Canciclllle. c~ Zc·illill. l!m2),
é geneticamente adaptativo concentrar todos os recursos cle atelJ
çào disponíveis ern ameaças ú sobrcvlb'll'ia Imediata. Asslrn. du·
rante este pro('(~sso a telldi~nl'ia inat.a e genllmente ,Hlaptati\'a .1
Recursos d(C.! Atençào Transfixados
ampliaI' a OI-icntaçào (LI' .. elaborar e co/,(itar outr()s significados) s,'
ria Impedida. De acordo com ?l j eorla cognil iva, ;l pessoa sofl'f'wlo
Uni dos prOIJ1<:lIlas n<'io·rcsoivic\os na p(~squisa ('ognili\'a IJúsl-
de ansiedade lka "presa" ;1 IIIll estilo (Tlll'ia! t);inr a s()hrevI\'{"n~ ia
ca experimentai é t'OI1Hl l'xplir';lr ;1 liX;ll;ÜU de recursos ele atellf,:üo,
em sltuaç()('s cle- alll(',H;a n'a\. c a capacidadc' de ('o~ilar olllr;I~; ill
particularllll'l1le IIOS transtornus de allsicc!;)ck. Ikd, (Hl85;1) apre terprclaçiks fic(\, pOl-tanto, bloquead;l (lkel\. EItHTV. <'V. Grt·(·l!l11'n~,.
senlilll uma teoria gr~raJ ele qllC' 1I111 prt~jllizo fllnt'iollal lia atividade
1985) .
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30'''''" T, '8eck e Brl!ld A. Alford


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A Nlltu,.•• Con.trutlvl.tll do Slgnlflclldo das oscUac,'Ões pendularcs daquele dualismo e de algum modo abran·
ger a complexidade de nOSSll posição como Indivíduos e objetos de:
Urna edição do Journat of ConsutUng anel CllnlcaJ Psyrholo1{Y construção-o Mahoney filZ uma diferença entre -construtlvlslas cri-
foi dedicada em gralllJe parte a abordagens psleotempéuUcas Ucos." que não negam a exJsténcia de um mundo real. e "consttll-
eotlstruUvtstas (Mahoney. lH93). Naquela série de artigos. teóticos UVlstas radicais," que são Idealistas (no sentido filosóllco do termo)
cognitivos de vanguarda trataram da Ilnportãnda de abordagens e sustentam que não há realidade além da expeliêncla pessoal.
eOf1stnlUvtstas à psicoterapia c à pslcopatotogla. Por exemplo. Ellls Em contextos sociais onde as realidades fenomenológlws se
(l993) comparou a ptimclra teotia racional-emotiva com lóm1Uluçôes (:n.tzam; há múltiplas realldndes pessoais bem como uma realidade
mais recentcl'l. que etc descrevia como "distintamente construUV1sla e ou contexto fis!co objetivo dentro do qual residem as realidades
humanística" (p. 199); e Melchenbaum (1993) sugeria que o subjetivas. Estas -realidades" são Igualmente reais. 110 sentido de
construUvismo é -uma terceira metáfora que está orientando o atual que são parte do que existe. Multo obviamente. esse tema levanta u
desenvolvimento de terapias eogniUvas-comportamentals" (p. 203). questão da naturcr..a da consciência humana e da metacognição.
Meichenbaurn (1993) definiu a perspectiva consttutlvista como Quando uma pessoa experimenta estresse ou um translorno
"a Idéia de que os sere!'> humanos constroem ativamente suas reali- psicológico. a Informação relevante aos esquemas prepotentes serú
dades pessoais e cliam seus próprios modelos repfe§ehtafu:os do abstraída seletivamente, e a pessoa basem'á sua InteqJfetaçào da
mlmdo;' (p, 203). Similarmente. Nelmeyer (]993) afirma que o CTn· situação Inteira nesta abstruc,'úo seletiva (ver Dalgleish & Walts, 1990:
tm da teoria construlivtsta ê "uma visão de seres humanos ('omo Logan et aI.. 1992; MucLeod & Mathews. 1991). Além disso. supon-
agentes ativos que, indivlclual e colellvamente, constroem o slglllfi- do a mesma entrada de dados. o estado pslcopatológico moldará as
('ado de seus mundos cxpcrienciais" (p. 222). De acordo com isto. interpretações muito mais sistematicamente do que o estado não·
Beck et aI. (1979) escrcvpu: "Percepção e experiência em geral súo pslcopa tológlco.
processos nltvos que envolvem dados Inspcctivos e Introspectivos" Uma pessoa com um transtorno psicológico está eln um esta-
Ip. 8: ênfase no orlglni1I). O significado que uma pessoa atribui a do puramente construtlvlsta. Entretanto. 110 estudo mais normal.
uma situação, ou a forma ('orno um evento é estruturado (ou cons- uma pessoa é tanto um construtivlsta quanto uln emplrista/realis-
truído) por uma pessoa. teorlcmnente determina como aquela pes- ta. P0I1anto, quando urna pessoa está reagindo Ilormalmente. a rc-
soa se sentirá c se comportará (ver Beck. I ~H5a). Por outro lado. a açâo/cognlçúo Inslanl1irwa a. digamos, unta clor no peito pode ser
teotia cognitiva não apenas sugere a -construção" da realldadc: ela Induzida pelo esqllema rf<~stoll tendo UI\I ataque canliaco"): entre-
também postula a especificidade do conteúdo cognitivo. no qual tanto. sob rápida reflexão (metacognlção). a pessoa clescalia t:sta
respostas emocionais espccífic'as (normais e anormais) são associa· hipótese. O tempclIta cognitivo. quando na terapia com um paclen·
das com diferentes tipos de construções (l3cck. 1976. 1985a). te. oscila entn~ dois estados:
Em termos m.ús simples. o compoti.amcnto humano norrúaJ 1. Empatia compreensiva envolve um estado construtlvlsta.
teoricamente depende da capacidade de a Ix:ssoa compreender a na- 2. Como realista/empltista. o terapeuta leva o paciente a focali-
turCí'.a do ambiente s()(:lal e flslco dentro do qual ela está situada. A zar-se Olais no 4ue está aeonteecnt!o (desse modo lívnUldo o pacientt'
terapia cognlUva é freqüentemente mal-Interpretada como adotando dadotnlllãncia dos esquemas disfunclonals). a buscar mais Inforllla·
apenas uma perspecttva -realista." Entretanto. a perspecttva cognitiva ções, e a gemr cxpllcaçôes alternativas para um evento parlicular.
postula ao mesmo tempo a dupla l'Jdstendu de uma realidade obJet!-
va e uma realidade pessoal. subjetiva. fenomenológica. Desta manei-
ra. a vtsão cognitiva é conslslente com as lemias de condicionamento
contemporâneas. que postutanltanto l~aracterísticasde estimulo Iisl-
co externo quanto mediações cognitiVas destas (Davey, 1992). 111 (. I.tllo.) da Persona/ldllde
Uma questão Importante foi expressada por Mahoney (1989.
p. 188), que manlfeslava preocupação com a dtcotomlzaçõo da teo-
ria -construtlVlsta": "As pessoas. na verdade. co-produzem suas re-
alidades. assim como sUas realidades as co-produzem, O futuro Uma Importante dirt'lri/. para a !eoria cognitiva estúno ckst'lI-
das teorias heurísticas na psicologia deve. entretanto, libertar -se volvlmento adicionai da teoria da personalidade. A personalldadt'
>& a ~xr-.2T'TI 7ft 3Wwr 7prsWenZEI r-· r .. os .,


• 3ltMron T. Beck e Brad A. Alford o podor intfiJQrndur da terapia cognitiva :13

talvez s(~Ja () mais complexo c Idlográfico dos construdos.cognltlvos. mlls tip1l'os dos transtornos da persollalldade I t~OrIGIIl\l.'l1te o(lenllll
Condizente com uma visão de personalidade como comportlUnento em uma hase mais conlinuil do que (. tlplco nas slIHlrollws c1illi(·;IS.
blológleo eomplexo. Ross (1987. p. 7) sugeriu a seguinte definição: l':sta I\OÇÚO pode oferecer UIlI conccito Integrador a\(' ('111;'10 ausente
"um constructo composto que representa [l soma total das açôcs. das teorias de personalidade (' de 1ranstorno da persoll;J!idadl'.
dos processos de pensamento. das rca(;óes emocionais. e das ne- Com rdm;úo ao papel central do construeto de esquema na
cessidades moll\'acionais da pessoa. através dos quais ela. como teoria cognitiva dos transtornos da personalidade. é interessantc
organismo biológico genetleamcnte programado. tnterage com seu notar que vários ieórlcos (p.ex .. Horowitz. 1991: Kazdin. 1984) ob
ambiente. Inl1uenctando-o e sendo Inl1uenciada por ele," Portanto. scrvaram que os conceitos de psicologia cognitiva incluem ou cxpli
"personalidade" é o termo que aplleamos a padrôes específicos de cum a operação de Inúmeros sistemas (afeto. percepção. comport.1
processos sociais. motivaclonals e cognitivo-afetivos. cujos estudos n1(~nto). e. portanto. podem servir para fornecer uma linguagem co
Individuais constituem as diferentes áreas de espcclalizaç{lO da pcs- mum que factllte a intcgraçiio de c(~rtas abordagens psicoterapêutleas
quisa pslcológJca. (conforme afirmado em Alford & Norcross. 1991. e Beck. W9Ia).
Além de fornccer uma del1nlçào de personalidade que é con- Além disso. a própria personalidade pode ser cOIH'ebida como um
sistente (pelo menos em princípio) com a ciência psicológica básica. conceito integrador. A tardú de Identifkar uma linguagem ellcaz
a formulação acima expressa uma visào um tanto nova de quais para explicar as inler-relaçóes entre vários sistemas é análoga llO
elementos devem ser incluídos em uma conceUuallzação científica presente contexto ao prolJlellla de integrar os vários sistemas deU"
conlemporânea de personalidade como um constructo unlf1cador vos de pskoll'rapl;L 1'01' isso. a o1JSl:'Iv;l(,'ào de que conceitos cognitivos
ou organizador para comportamento humano complexo. Uma teu- csüw ellvolvidos em amb;ls as áreas de Intcgra(;üo nào é surpreen"
ria abrangente incluiria os vários sistemas de comportamento 11II- dente.
mano complexo. tais como siskmas comportamental. cognitivo. O conceito de esquema !(JI adaptado como uma estrutura em
motivaclonnl e emocional. e estes devem estar relacionados a ambi- torno da qual se organiza e entende a opcnH;üo dos v;irios sislt'lllas
entes biológicos e sociais. Essa teoria teria que descrever como os psicológicos. e parece sugerir 11Ina universalidade na funç,lo etoló/2.ica
sistemas componentes inter-relacionam-se e Inl1uenclam uns aos destes sistemas. Quundo os ddistlIrbios de personalidade podcllI
outros. como eles evoluíram para adaptar-se ao ambiente. e como ser vistos como padrües de sistemas idiosslncrálicos que cronica-
os mecanismos de estabilidade e mudan~'a operam. Hoss (1987. p. mente ativam esquemas llIaladaptatlvos. entende-se que I)
~33<~4) afirma que embora existam "miniteorlus" relativas a. r<~spec­ processamento esquemático ou de slgnilkaçflo está controlando a
tivamenle. ansiedade. aprendizagem. motivação. memótia. compor- operaçüo cios sistemas psicológicos_
tamento interpessoal. emo(,~ão. e outros sistemas. nenhum teórico A dt'ilnil,'{\() cognitiva de personalidade inclui pro('('ssos l'squc
contudo desenvolveu uma teoria abrangente de personalidade. Abai- múlit'os ltlclividlL"llS. (lile Icuricalllt'lllL' til'IITIIliIldlll a fl(l<T<lI,';-IlJ dos
xo. descrevemos um passo Importante em direção ao desenvolvi- pl-inclpals sistemas de análise psicológica (p.ex.. motiva(,',-lU, l'ogIJil:<lll.
mento de tal teoria abrangente. emoção. ('(c.). A perspectiva cognilivól enfalizaria padrões ("amelc
rísUcos do desenvolvimento e diferenciação de uma pessoa e SUd
Teoria Cognitiva de Personalidade adaptação a ambientes sociais e biológicos. Estes padrôes são com
postos de organlzól(;ôes de esquemas relativamente estáveis. que rcs
Ikck e colaboradores (1990) sugeriu que os processos cogniti- pondem pela estabilidade dc sistemas cognitivos. afetivos. ('
vos, afetivos, e motlvaclonals são determinados pelas estruturas. comportamcntais alnwés do tempo. Estes sistemas de esquemas
ou esquemas. ldlosslncrásicos. que constituem os elementos bási- especlali:zados süo conceitualizados como os componentes básicos
cos da personalidade. Espera-se que os esquemas sejam normal- da personalidade. Sl.Ib-organlzaçôcs eSJlccíficas dest cs sistenl<l.o.;
mente operativos. bem como nos transtornos do Eixo I e Eixo 11. básicos sào denominadus estilos (Bcck. lUDO). Os cstilos consls\clII
Excetuando-se o retardo mental. os transtornos do Eixo n são os de esquemas que cOlllêm as mcmórias especificas. us algoritmos
transtornos da personalidade. que incluem as variedades anti-soci- para resolver os problemas específicos. c as represenlaçôcs (51)('('1
al, esquiva. borderlille. dependente. histriônica. narcisista. obseSSI- ficas em imagens e linguagens que formam as perspectlvas. Os t r:lIIS
vo-compulsiva. paranólde. csqulzóide. esqulzoüpica. e scm outra
k tornos da personalidade süo cOllceltualizados simplesmente ('01110
k
especlflcação (Amctican Psychiatric Associatlon. 1994). Os esque- opcraçücs ele sist.emas hlpervalcn\(~s maladaptatlvas (nlOrdelHHI,m
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como estllos1 que sào espcciOeas de estratégias prlmIUv~ls. A opera- sistemas sensoriais). A IlIcllls<'lo de outros sistemas sensoriais re·
çào de estUos disfunclonais. embora presentemente rnaladaptaUva. sulta em lima perc'('pç-ào que tem lIlll significado único. lima vel.
provavdmente servia em contextos mais primitivos para assegurar que () odor percebido está associado com memórias espeC'Íflcas a
adaptaçào/sobrevlvência. Os vários estilos ativam estratégias pro- lima d(~terminada pessoa (Freeman. 1991). A personalidade é slml·
gramadas para realizar categorias básicas de habilidades de sobre- larmente Idlossincrásica e baseada em alivaçi"lo de sistemas a ní·
vivência. tais como defesa de predadores. o ataque e a derrota de vels (;ort.lcais "superiores." De acordo com eSS;l qUCSt:10. Flalla~al1
inimigos. a procrlaçéi.o. e a conservação de energia (Barkow. Cosml- (1992. p. 222) observa qu<' a Iwrsollalidadc (nu :';1'111
des. & Tooby. 1992: Banm-Cohcl1. 1995. Cal" 2).
Essa perspectlva pode parecer a princípio uma abordagem é a produção conjunta do organismo e do mundo SOCial complexo no qual ela vive sua Vida.
óbvia. até que a comparemos <:0111 aquela que tem sido comumente Provavelmente. seria perda de tempo procurar mapas neurais idênticos das auto-representa-
çoosde diferentes indivíduos. Não porque aauto·represemação nao seja realizada neuralmente,
proposta. Teóricos psicológicos tanto cognitivos como não-cognitivos mas porque aparticularidade fenomenológica da identidade auto· representada sugere particu-
(p.ex.. Skinnerianos) têm aplicado os principias Darwinianos de
laridade neural.
sobrevivência genética para Incluir evoluções de cornportamento ou
sistemas cognitivos complexos. Os primeiros (e mais radicais) escri- Colocado ele outra forma. cmbora o sl'l/n:io possa existir se-
tos comporlUincntals de Sklnncr fazem analogias expUcltas entre a parado dos neurônios. a singularidade da vivência cio .<,-c1(sugere
seleção de caracterisllcns de lIlna cspccle e a seleção do comporta- que padrôes neurais caraclcristkos constituem a personaltcladt' de
mento de um Indivíduo por suas conseqüências. Similarmente. Beck cada Individuo. Além disso. a personalidade IÚO poele de forma al-
e colaboradores (1990,) post ulava que a evolução da organização guma ser entendida por sua "n:c1ução" ao nivel nsiológleo (I.e.. pa-
eslnItural (esqucrmitlca) dos estilos de personalidade tradlêlonals drões de neurônios). uma vez que o signllkaclo Intrinsceo destes
específicos (esquiva. anti-social. dependente. etc.) estava baseada padrões neurais podcm apt~nas ser descobertos dentro da cxperlbl-
em prindplos-clológicos. ela fenomenológica pessoal.
De acordo eom Hoss (1987). essa visào de personalidade es!ú Em resumo. a lcoria co~nlliva c'onsldera que a personalidade
conceitualmente Incompleta. assim como a clencla básica dos res- baseia-se na operaç:io coordenada de sistemas complexos que fo-
pectivos sistemas psicológicos ou esferas de análise, Entretanlo. os ram seleCionados ou adaptados para assegurar sobrevivencia bioló-
avanços no entendimenlo dos transtornos da personalidade COlTes- gica, Os v<írlos sistemas apresentam conllnuidade atravcs do tem-
ponderão a avanços no entendimento daqueles aspectos de proces- po e das s(luaçôes de vida e foram desc-rilos tom escritos psit'okl~i-
samento esquelll<1UCO na memória. na compreensào. e na atcnçüo/ ...cos como os Inúmeros "tra(,~os" c "transtornos" da personalidade.
percepção (como exemplos) <Iut' podem variar de uma pessoa para Mais abstratamente. t'sses atos coordenados ('(mslslcntes sào con-
outra. e que podem constituir vulnerabilidade a transtorno de per- trolados por pro('(~ssl)S ou eslru t UI'llS gl'nd lea c ;unbil'nt a\mente
sOllalldade (ver MacLeod & Mathews. 1991). Uma atividade esque- determinados. denominarias "esquemas." Os esquemas sào t'SSl~n­
mática específica. consciente ou inconsciente. tal eomo interaçfio c1almente UestrutunlS de sl/,(nilk:lclu" C(HlSCÍelltcs t' Incollsl'ienles:
intell'lessoal. t:'1ll0çüo. ou cogniç:io. foi seleCionada (por processos eles st'rvelll a fUIll.;iws clt' sohrevivl'tl(·ia. P:lra Sl.-r I"/\:!ivo. o processa
evolueionálios) para facilitar tipos específicos de processamento. O .mento esqut'IIlúti('o deve ~,er adaptativo a demandas sociais ('
tipo de pr<)(~essall1entoselecionado é aquele com maior probabilida- ambientais imediatas por melo da coordenaçiio e de operaçôes dI'
de de ser adaptativo sob as cond[c,:ôes ambientais que atlvmn nquele slst(~llIas adaptativos. Quando as cirnlllst:ll1cias amhienlais IlIlI
estilo particular. d,am muito rapidamente (como ele sociedades pré- para plis-Indus
A ativaçào ele urn esUlo (p.('x .. raiva. ataque) através de cllfe- tJiaUzação. ou ele caça para agnc:olas), cstral('gias anlerlorlncnll'
H'nks sistemas psie()ló~k()s lellloç~lO. mollvaçiio) é determinada pclo adaptativas ('ontlnU:lI11 a 0lwrar. de modo que ullIa adapl;u....11J
pnll'('sSall1ento csquemútlco Idlosslnçrásico derivado da programa- Insatisfatória pode se desenvolver. Por \~xelllplo. lrac;ns :Hlequadw,
~.:üo gCJll·tlca de um Individuo c suas crenç;,\s' culturais/ sociais para a caçad'l agressiva de animais selvagens podcIIl núo sc· ajllstar
internallzadas. Para dar um exemplo de pcrcepção. l~studos l('lIl a um alllhit'ntt' sodal qlll:' valoriza II cllllivo P;\('j('1l1t' dI" prodlllw.
demonstrado que o olfato envulve diversos sistemas neuronals. in- agric\)las. Milito do que nos referimos corno ··transtortlo de persll
cluindo os padrões ele atividade espacial da célula receptora nasal. nalldade" provavdmclit (' t elll sua origem na evolul,';1o de ('sl ral<':glas
o córtex olfativo. e o córtex cnforinal (que eOlnblnn sinais de outros
-mSfW3 lX6FY' ,...• j,.... t
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pum sobrevivência que süo n:laUvalllcllte menos efcUvus . 011 na ver·


dnde malndaptaUvas. nos ambientes atuais 113cck ct aI.. 1990. Capo
2: Gllbert. 1989). Novos arliculaçôt:s da natureza da personalidade
2
são diretrizes futuras Imporlantes para a teorIa cognitiva (ver tam-
bém Prelzer & Beck. 19913). Metateoria
A Naturszs Evolutiva ds Teor/s Cognltlvs

Os componentes especíJkos da teorta cognitiva cmpregados


na terapia com uln delennlt1ado paciente s:io espedlkos aos objeti-
vos ou propósitos cio lerapellt.a. dada a sHuação contextual (I.e.. as
caracteJistlcas do paciente, tal corno personalidade c rcsponslvldade
afetlvil). Portanto, a teoria eognillva rdativa a estratégias para tra-
tament.o de um caso particular depende dos objetivos. do terapeuta
cognlUvo, conforme derivado da eonceituallzaçáo do caso Individual.
Cert.as concepções errôneas sohn~ teraptn ('ogntlJv<l da part.e de
Em sua forma geral. a temia cognitiva especltlça qUÇ"iJ melho-
terapeutas int.egracloJllstas (e outros) lC'1I1 eontribuído para o
ra siniomálica no transtorno psicológico n:sulta ela modlij~~a(;;\o do
InsUcesso em perceber a natureza int('~ranora na t<'orln (' da terapia
pensamento disfuncionaJ. e que a melhora durável (reQu(;ào de
L'ognltlvas (ver Gluhoskl. 1994). Na revisão de 11111 dos prinelpals
relapso) resulta da modirh.'[\~'<io de crenças lIlwadaptatlvas. Dentro
livros edltar:los sobre Inlegração da psicoterapia. A. A. LaZaT'llS
dessa ampla dt:filllçüo de terapia cognitiva. a aplicação de formula-
(l995b) obselvoll o seguinte: "Parccia-me que orientações especill-
çôes \eólicas se!t'd()nadas apoladn por pesquisa cognitiva básica
(~as eram COI1l fr('ql'li~n('ia apresentadas Incorretamente e jlllg<ldas
experimental seria (,ollsiderada pskuter,lpia cognitiva. I'ortall(o, o
In.lusianwnte, que (,(,I-tn8 abordagens eram apresentadas C0ll10 ca·
terapeuta cognlt.lvo. no modificar o pensamento e as crelH;as do pa-
rlcaturas. que !loIlH'lIS de palha (ou seriam pessoas?) eram
ciente. é livre para tomar empreslados concdtos teóricos de pesqui
cOhstruídos c destruidos" ((l. 401). Portanto, este capítulo c o Capi-
sas cognitivas empíricas búslcas sem violar os prlnciplos funda-
tulo 3 esclarecem outros aspectos rnetaleór!<'os e teóricos específl·
ment.ais da terapIa cognitiva. Dessa maneira. a teorta cognitiva evo-
(~os da terapia cognlUva.
luljllntamente com a pesqllisa büslca sobre a natureza da cognlç<'io.
A l1\osofla. historicamente. ocupa-se de questôes e problemas
aos quais lalta uma dellnição adequada. Assim sendo. a pergunta
Notas certa é tão Importanle quanto jl resposta certa. Na verdade. sem a
pergunta correta ou urna pergllnt.a sIgnificativa. não se pode c!legar
V(~r Ilaaga e Beck (19D51 para lima revisão das Cllll1plexlc/ad(~s (' situaçüo
a uma resposta <1dequada. Muitas pergunlas ou concepções errü
ernpirlcu do conceito 'dlslorçflo cognitiva", heas sobre terapia cognitiva parecem ser malsucedidas por trata·
Este nível 1'01 denominado dI' 'slgnll1cadn gl'nórlco Inferem·tal" (Teasdale lli. rem o assunt.o de uma maneira clenJasindamenlc simplista.
UCl'II<lJ·d. 199:3. p. 217) reducIonista. 011 dlco\óllIica (ou-ou). Por (~xemplo, (; obvlamentf'
simplista perguntar. "Um :wlão voa porque tem asas, ou porque vai
muito rápldo?~ Entretanto. pode não parecer t<io simplista pergun-
tar. "Uma pessoa expertrnent:l púnlco devido a fatores cognitivos.
ou a fatores fisiológicos'?" Contudo as duas perguntas são Igual·
mente Inadequadas.
Além desse tipo ele rlleotomlzaçflO. Inlllllcras OlltroS questões.
Inter-relacionadas. relativas às bases filosóflcas da terapia cognitIva
develiam ser esclarecidas. Essas Incluem (J) a natureza da teoria:
{2J tipos de ·causas"; (~'IJ a natllrf'za da cognição; (4) cognlçüo ('OIJIII