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Universidade Federal do Espírito Santo -UFES

Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional - PROFMAT

Dissertação de Mestrado

Técnicas de resolução de problemas

Felipe Caliari Fabres

Vitória- Espírito Santo


Data
Técnicas de Resolução de Problemas

Felipe Caliari Fabres

Dissertação de Mestrado apresentada à Comissão


Acadêmica Institucional do PROFMAT-UFTM
como requisito parcial para obtenção do título de
Mestre em Matemática.

Orientador: Prof. Dr. Florêncio Guimarães Fi-


lho.

Vitoria - Espírito Santo


Dezembro de 2016
Sumário

INTRODUÇÃO 1

1 Resolução de problemas de geometria 3


1.1 A técnica do elemento mais nobre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.2 O elemento auxiliar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

2 Generalização, Especialização e Analogia 46


2.1 Generalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.2 Particularização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.3 Analogia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

3 Técnicas de construções geométricas 62


3.1 A Técnica do problema resolvido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

4 Análise Combinatória 75
4.1 Introdução: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
4.2 Princípio fundamental da contagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
4.3 Arranjos e permutações: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82
4.4 Combinações simples . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
4.5 Combinação completa e o Método Bola-Traço . . . . . . . . . . . . 87
4.6 A Fórmula da Combinação Completa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

5 Referências Bibliográficas 96
INTRODUÇÃO

Neste trabalho nós abordaremos as técnicas mais famosas de resolver problemas ma-
temáticos e também discutiremos algumas indagações que nós devemos fazer durante o
processo de resolução de um determinado problema.

Segundo o livro do Polya “ A arte de resolver Problemas” , antes de começamos a


resolver um problema necessitamos compreende-lo bem o enunciado escrito, e para isto
algumas indagações quase sempre se fazem necessárias. Na matemática existem basica-
mente dois tipos de problemas os de determinação e os de demonstração. Em problemas
de determinação é necessário fazermos as seguintes indagações: Quais são os dados do
problemas? , Qual é a incógnita? Qual é a condicionante? Essa condicionante é sufi-
ciente para determinarmos a incógnita? Estas e outras indagações sempre nos auxiliam
a compreender o problema melhor e na maioria das vezes nós nos fazemos essas indaga-
ções naturalmente. Já nos problemas de demosntração é necessário sabermos os dados
do problema, que são as hipóteses e a conclusão, na qual se deseja chegar que é a tese.
(POLYA,1995,p .2)

Antes de elaboramos um plano ou uma estratégia para resolver o problema e necessá-


rio que compreendamos claramente o enunciado, pois só assim perceberemos melhor as
inter-relações entre os dados e a incógnita, e isto nos auxiliará a elaboramos um plano
resolução. Para estabelecemos este plano ou estratégia, as vezes é necessário nos lembra-
mos de algum problema parecido, que possua a mesma incógnita, e até mesmo de alguns
fatos e resultados matemáticos que foram anteriormente demonstrados, que constituem
muitas vezes uma ferramenta para que possamos resolver o nosso problema. Depois de
resolvermos o problema é interessante fazermos um retrospecto e discutimos cada etapa da
resolução, pois a parti daí podemos gerar novas resoluções ainda melhores.(POLYA,1995,
p .4).

Assim como uma boa casa não poderá ser construída sem ótimos materiais, assim tam-
bém uma boa estratégia de resolução não poderá ser concebida sem uma ótima bagagem
SUMÁRIO 2

de conceitos e fatos matemáticos, isto implica que muitas vezes é necessária uma revisão
de conceitos e resultados demonstrados.

Todavia assim como a presença de ótimas ferramentas na construção não significar


que a casa ficará boa, assim também o fato de temos um ótimo conhecimento de fatos
matemáticos prévios, não significa que teremos uma ótima estratégia para resolvermos o
problema, é necessário sabermos quais fatos ou resultados irá nos auxiliar na resolução, e
como usa-los.

Para sabemos elaborar estratégias de soluções temos que estudamos algumas técnicas
que na maioria dos casos podem nos auxiliar. .

!
1 Resolução de problemas de geome-
tria

1.1 A técnica do elemento mais nobre


A idéia dessa técnica é eleger um elemento do problema, que a príncipio possuí uma
propriedade mais nobre, do que o elemento proposto no enunciado. E depois mostramos
que o elemento que foi eleito é exatamente o elemento do enunciado. Isto é, a técnica
se resume em substituir a proposição do elemento do enunciado, por uma mais nobre.
E a parti daí, resolvermos o problema com a proposição mais nobre e mostrar que este
problema coincide com o problema proposto no enunciado.

Damos o nome de propriedade mais nobre, aquela propriedade na qual estamos mais
familiarizados. O elemento que possuí essa propriedade damos o nome de elemento mais
nobre.

Vamos ver um alguns exemplos interessantes desta técnica.

Definição: Dizemos que o segmento DE é a base média de um triângulo ABC se as


suas extremidades, que são os pontos A e E, são pontos médios de dois dos lados do
triângulo ABC.

Exemplo 1: O Teorema da base média. Em um triângulo ABC e seja M e N os


pontos médios dos lados AB e AC respectivamente. Então a base média M N é paralela
ao lado BC e além disso M N = 21 BC.

Demonstração: Considere uma reta r paralela à BC passando pelo ponto M , e vamos


mostrar que essa reta r passa pelo médio N . Nesse caso o r seria o elemento mais nobre
do que a base média M N .
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 4

Sendo assim considere a figura:

Nessa figura, seja N1 o ponto de intercessão entre AC e a reta r. Agora traçamos uma
reta s paralela a AB passando por N1 que irá intersectar o lado BC em D, obtendo assim
o paralelogramo BM N1 D. Logo N1 D = M B = M A e como N1 D é paralela a AB então
DN̂1 C = B ÂC e C D̂N1 = C B̂A. Mas como M N1 é paralela a BC por construção então
C D̂N1 = C B̂A = N1 M̂ A. Assim os triângulos AM N1 e N1 DC são congruentes pelo caso
(ALA), e assim AN1 = N1 C e BD = M N1 = DC . Logo N1 é o ponto médio de AC e
assim N1 = N . Logo a reta M N é coincidente com r, que por sua vez é paralela à reta
BC.

Além disso:
BC = BD + DC = M N1 + M N1 = 2M N1 ⇔
1
M N = M N1 = BC
2

Como queriamos demonstrar.

Observe que neste exemplo o uso da paralela ao lado BC se faz mais eficiente do que a
base média, pois graças ao paralelismo existente entre as retas BC e r, podemos usar a
igualdade entre os segmentos M B e M D.

Exemplo 2: A recíproca do Teorema de Pitágoras: Dado um triângulo ABC,


ondeBC 2 = AB 2 + AC 2 então mostre que B ÂC = 90o .
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 5

Considere um triângulo DEF com D̂ = 90o , DE = AB e DF = AC. Como mostra a


figura abaixo.

Pelo teorema de Pitágoras temos que:

EF 2 = DE 2 + DF 2 = AB 2 + AC 2 = BC 2 ⇔

EF = BC

Logo pelo caso de congruência (LLL), temos que os triângulos DEF é congruente ABC,
visto que DE = AB, DF = AC e EF = BC. Assim concluimos que  = D̂ = 90o , como
queríamos demosntrar.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 6

Observe novamente que o ângulo reto em no vértice D é mais nobre que a condição
dada no enunciado, uma vez que E D̂F sendo reto podemos usar o teorema de Pitágoras.

No próximo exemplo iremos usar um resultado que está demonstrado na página 30,
referente à bissetriz interna de um triângulo.

Exemplo 3: A Recíproca do Teorema da bissetriz interna: Em um triângulo


AT AC
ABC seja T um ponto sobre o lado AB tal que TB
= BC
. Então mostre que CT é a
bissetriz do ângulo AĈB.

Demonstração: Para resolvermos este problema iremos eleger um ponto mais nobre
M que seria a intercessão da bissetriz do ângulo Ĉ com o lado AB, e depois iremos mostrar
que M e T são pontos coincidentes. Para isso observe a figura abaixo:

Como CM é a bissetriz do ângulo Ĉ, então pelo teorema da bissetriz interna temos
que:
AM AC AT
= =
MB BC TB

Aplicando a propriedade das proporções temos que:


AM + M B AT + T B
=
MB TB

Mas como
AM + M B = AT + T B = AB
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 7

Logo:
AB AB
= ⇔ MB = T B
MB TB

Como os pontos M e T pertencem ao lado AB e ambos estão a mesma distância do


ponto B segue então que B e M são pontos coincidentes. Como queriamos demonstrar.

Exemplo 4: A recíproca do teorema de Talles: Dado duas retas paralelas r e


s , cortadas por duas transvessais p e q, de forma que p intercepta r e A e s em C e q
intercepta r em B e s em D. Seja E um ponto sobre o segmento AC e F um ponto sobre
o segmento BD de forma que:
AE BF
=
EC FD

Mostre que EF é paralela a reta p

Solução: Nesse exemplo iremos traçar uma paralela a p passando por E , de modo que
esta reta intercepta a reta q em F1 e iremos mostrar que a reta EF1 e coincidente com a
reta EF . Para isso basta mostrar que F1 = F , isto é , iremos mostrar que BF = BF1 .
Para isso considere a figura abaixo:

Como EF1 é paralela a p que também é paralela a s pelo teorema de Talles temos que:
BF1 AE BF
= = ⇔
F1 D EC FD

BF1 BF
= ⇔
BF1 + F1 D BF + F D
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 8

BF1 BF
= ⇔ BF1 = BF
BD BD
e disso concluímos que F1 = F , pois ambos estão no segmento BD. Logo EF é paralela
ap.

Exemplo 5: "Considere um quadrado ABCD e E um ponto dentro do quadrado tal


que: AE = BE e E ÂB = 15o . Demonstre que o triangulo CEB é equilátero"(COXETER,
1967,página 25)

Solução: Antes de elaboramos qualquer plano de resolução, devemos identificar os


dados do problema e a tese. (POLYA ,1995,p:4)

O que é dado:
. Um quadrado ABCD
. E é um ponto no seu interior do quadrado tal que AE = BE e E ÂB = 15o

O que é pedido:
. Mostrar que o triângulo EDC é equilátero.

Depois temos que desenhar uma boa figura para compreendemos melhor o problema.
Para isso considere a figura abaixo.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 9

Agora para elaboramos um plano de resolução, iremos tomar na figura um ponto F de


modo que o triângulo DCF seja equilátero, e vamos mostrar que os pontos E e F são
coincidentes.

Observe que se DCF é equilátero então F D̂C = F ĈD = 60o , logo:

AD̂F = AD̂C − F D̂C = 90o − 60o = 30o

Agora como AD = DC = DF então o triângulo ADF é

(180o − 30o )
DÂF = AF̂ D = = 75o
2

E neste caso:
F ÂB = 90o − DÂF = 90o − 75o = 15o

Logo F ÂB = E ÂB = 15o .

Agora por um raciocínio análogo a este, também podemos concluir que F B̂A = 15o =
E B̂A. Por fim, pelo caso de congruência (ALA) temos que os triângulos ABE e ABF são
congruentes, visto que o lado AB é comum aos dois triângulos e além disso F ÂB = E ÂB
e F B̂A = E B̂A. Assim o ponto F coincide com o ponto E , visto que ambos estão
no mesmo semiplano definido pela reta AB. Assim o triângulo DEC é equilátero como
queriamos demonstrar.

Novamente observe que neste exemplo o uso do triângulo equilátero DCF foi muito mais
eficiente do que o uso do triângulo isósceles ABE, então podemos dizer que o triângulo
equilátero foi mais nobre que o triãngulo isósceles.

Exemplo 6: OBM 2008 Nível 3: Considere um quadrilátero ABCD, onde AB =


BC, B ÂC = 20o ,C ÂD = 25o e AĈD = 45o . Mostre que DB̂C = 50o .

Demosntração:Iremos usar a seguinte notação: B ÂC = α, C ÂD = θ e AĈD = γ


como mostra a figura:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 10

Nesta questão nós iremos construir um quadrilátero EF GH de forma que o triângulo


ABC e EF G seja congruentes com EF = F G = BC = AB, EG = AC e F ÊG = B ÂC.
O ponto H deve ser definido de forma H F̂ G = 50o e H ĜF = B ĈD = 20o + 45o = 65o

A parti de agora vamos mostrar que esses dois quadriláteros devem ser congruentes.
Observe que ao somar os ângulos internos do triângulo F HG teremos que:

F ĤG = 180o − 50o − 65o = 65o = H ĜF

Logo o triângulo F HG é isósceles com F H = F G = EF e assim concluimos que o


triângulo EF H também é isósceles e assim F ĤE = F ÊH = 20 + θ1 onde θ1 = GÊH.
Por outro lado se somamos os ângulos internos do triângulo EF G chegariamos a conclusão
de que E F̂ G = 140o e logo teriamos que:

E F̂ H = E F̂ G − H F̂ G = 140o − 50o = 90o

Assim o triângulo EF H é um triângulo retângulo isósceles e assim:

F ÊH = F ĤE = 20o + θ1 = 45o ⇔

GÊH = θ1 = 25o = C ÂD

Logo os triângulos ADC e EHG são congruentes pelo caso de congruência (ALA) ,
visto que AC = EG, C ÂD = GÊH e AĈD = H ĜE = 45o . Isto garante que DC = HG.
Por fim temos que os triângulos BCD e F GH são congruentes pelo caso (LAL), visto que
BC = F G, DC = HG e B ĈD = F ĜH = 65o . Isto garante que DB̂C = H F̂ G = 50o .
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 11

Exemplo 7: Olimpíadas Iraniana de Geometria - 2017 Duas circunferências w1 e


w2 se intersectam nos pontos A e B. Uma reta qualquer passando por B corta w1 e w2 em
C e D, respectivamente. Os pontos E e F são escolhidos sobre w1 e w2 , respectivamente,
de modo que CE = CB e BD = DF . Suponha que BF intersecta w1 em P e que BE
intersecta w2 em Q. Prove que A, P e Q são colineares.

Solução:Considere a figura abaixo:

Nesta questão iremos trocar o ponto Q pelo ponto Q2 , que será a intercessão da reta
EB com a reta AP . No final iremos mostrar que o ponto Q2 coincide com o ponto Q. A
princípio observe que Q2 6= B, pois se B e Q2 fosse coincidentes teriamos que a reta AP
iria interceptar o círculo w1 em três pontos distintos A, B e P , o que seria um absurdo.
Portanto Q2 6= B.

Como o triângulo ECB é isósceles com BC = CE , então C ÊB = C B̂E = β. Agora


como os pontos A, B, P, C e E são pontos sobre o círculo w1 temos que P B̂C = P ÊC = α
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 12

e:
P ÂB = P ÊB = C ÊB − C ÊP = β − α

Observe ainda que P B̂C = F B̂D = α, pois esses ângulos são opostos pelo vértice B. E
como o triângulo BDF é isósceles com BD = DF , então B F̂ D = F B̂D = α. Mas como
o quadrilátero ABDF está inscrito no círculo w2 , temos que:

DÂF = F B̂D = B F̂ D = B ÂD = α

Assim temos que:

P ÂF = P ÂB + B ÂD + DÂF = α + β = P B̂C + C B̂E = P B̂E = P B̂Q2

Agora observe que os triângulos P BQ2 e P AF são semelhantes pelo caso (AA), visto
que P ÂF = P B̂Q2 e AP̂ F = B P̂ Q2 . Então concluimos que P F̂ A = P Q̂2 B. Por fim
temos que:

B F̂ A + B Q̂2 A = P F̂ A + B Q̂2 A = P Q̂2 B + B Q̂2 A = 180o

Isto implica que o quadrilátero AF BQ2 é inscritível, logo Q2 ∈ w2 . Mas como Q2 ∈ BE,
então Q2 pertence a intercessão de BE com w2 . Logo ou Q2 = B ou Q2 = Q. Mas como
estamos partindo do princípio de que Q2 6= B então Q2 = Q. E assim Q ∈ AP , logo os
pontos A, Q e P estão alinhados.

Exemplo 8: Considere um triângulo equilátero ABC e seja os pontos K e M sobre


BC de modo que K e M dividem o segmento BC em três segmentos iguais. Construímos
então, exteriormente ao triângulo, um semicírculo de diâmetro BC. Mostre que as retas
AK e AM dividem este semicírculo em três arcos iguais.

Solução: Primeiro destacamos quais são as hipóteses do problema, que é aquilo que
nos foi dado e a tese, que é aquilo que queremos demonstrar:

Hipóteses:
. A, B e C são os vértices de um triângulo equilátero.
. K e M são pontos pertencente ao segmento BC ,tais que:

BK = KM = M C = x

. BC é o diâmetro de um semicirculo Γ.
Tese:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 13

. As retas AK e AM vão cortar o semicirculo nos pontos D e E tais que os arcos BD, DE
e EC possui a mesma medida. Assim temos a figura:

Para resolvemos este problema iremos tomar dois pontos M1 e K1 sobre o lado BC de
forma que AM1 e AK1 dividem o semicirculo BC em três arcos iguais.

Seja D e E os pontos onde as retas AM1 e AK1 e O é ponto médio de BC, que também
é o centro do semicírculo, e como os arcos BD, DE e CE são iguais, então os triângulos
BOD, DOE e COE são equiláteros sendo BD = BO = OC = x então:

AB = AC = BC = BO + OC = 2x.

Por outro lado temos que os triângulos BM1 D e AM1 C são semelhantes pelo caso (AA),
visto que M1 B̂D = M1 CA = 60o e B M̂1 D = C M̂1 A (opostos pelo vértice) e assim temos
que:
CM1 AC
= = 2x/x = 2 ⇒
BM1 BD
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 14

1
CM1 = 2BM1 ⇒ BC = BM1 + CM1 = 3BM1 ⇒ BM1 = BC = BM.
3

Por um raciocínio interamente análogo concluimos que CK1 = 13 BC = CK. Assim


como M , M1 , K e K1 são pontos do segmento BC com BM1 = BM e CK1 = CK
então os pontos M = M1 e K = K1 . Assim AM coincide com AM1 que por sua vez
divide o semicirculo em três arcos iguais. E AK coincide com AK1 que também divide o
semicirculo em três arcos iguais.

Observe que neste problema o fato de que as retas AM1 e AK1 dividerem o semicirculo
em três arcos iguais e mais nobre do que o fato de que os pontos M e K dividirem o lado
BC em três parte iguais.

Exemplo 9: Tournament of the towns: "Em um paralelogramo ABCD, e F é o


ponto de intercessão das diagonais. Sendo E um ponto sobre a semirreta AB com origem
em A, tal que DÂB = F ÊA = α, então mostre que DE = CE"(TAYLO et al, 2002.p.13).
Solução: Com os dados do problema podemos construir a seguinte figura:

Neste problema iremos deixar de considerar o ponto E inicialmente, e iremos considerar


apenas um ponto H sobre AB tal que H é equisdistante de C e D. Isto por que o ponto
H seria mais nobre que o ponto E. No final iremos demonstrar que estes pontos devem
ser iguais. Para isso vamos basta mostrar que AH = AE.

Observe que existem dois casos, onde no primeiro caso o ponto H está dentro do seg-
mento AB e no segundo caso H está no prolongamento do segmento AB, no sentido de
A para B.

Caso 1: Observe a seguinte figura abaixo.


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 15

Observe que na figura T é o ponto de intercessão entre HF e DC. Sendo assim temos
que, T F̂ C = AF̂ H(opostos pelo vértice), T ĈF = F ÂH (alternos internos) e AF = F C
(pois F é o ponto médio das diagonais). Assim pelo caso de congruência (ALA) temos
que os triângulos T F C e AF H são congruentes e assim temos que AH = T C. Além
disso, como AB = CD concluímos que:

DT = CD − T C = AB − AH = HB

Agora como DH = HC ( por hipótese do elemento mais nobre) segue então que
C D̂H = DĈH = θ e DĈH = B ĤC = θ (alternos internos). Por transitividade da
igualdade temos que:

T D̂H = C D̂H = B ĤC = θ

Assim como DH = HC , DT = HB e T D̂H = B ĤC = θ podemos concluir que


pelo caso de congruência (LAL) que os triângulos DHT e HCB são congruentes. Assim
chegaremos ao seguinte resultado:

DT̂ H = H B̂C = 180o − DÂB

Mas como DT k AH temos que :

T ĤA = C T̂ H = 180o − DT̂ H = 180o − (180o − DÂB) = DÂB

Logo F ĤA = T ĤA = DÂB, isto implica que H = E.


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 16

Caso 2: Observe a figura abaixo:

Observe que como AH k CG, então F ÂH = F ĈG e F ĤA = F ĜC, pois são ângulos
alternos internos e além disso AF = F C, pois F é a intercessão das diagonais do para-
lelogramo, isto é, F é o ponto médio de AC. Assim pelo caso de congruência (LAAo )
os triângulos AF H e CF D são congruentes e assim temos que AH = CG. Agora como
AB = CD, então:
GD = CG − CD = AH − AB = BH

Além disso, sendo P um ponto sobre o prolongamento do segmento AH, temos que
H ĈD = C ĤP (alternos internos). Como o triângulo DHC é isósceles , com DH = CH,
então:
H D̂C = H ĈD = C ĤP

Sendo assim concluimos que:

B ĤC = 180o − C ĤP = 180o − H D̂C = H D̂G

Logo pelo caso de congruência (LAL), os triângulos DHG e HCB são congruentes ,
visto que, DH = HC,GD = BH e B ĤC = H D̂G. Assim DĜH = H B̂C. Mas como
ABCD é um paralelogramo então DĜH = GĤA e P B̂C = DÂB, pois são ângulos
alternos internos. Logo temos que:

F ĤA = GĤA = DĜH = H B̂C = P B̂C = DÂB

Logo H e E são pontos coincidentes, como queriamos demonstrar.


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 17

Exemplo 10: Em um segmento AB é marcado o ponto C e traçam-se os semicírculos


de diâmetros AB, AC e BC, todos contidos em um mesmo semiplano determinado por
AB. Seja D o ponto do semicírculo AB tal que CD é perpendicular a AB em C. Sejam
E e F os pontos sobre os semicírculos AC e BC, respectivamente, tais que EF é uma
tangente comum a estes dois semicírculos. Mostre que ECF D é um retângulo.

Solução: Neste exemplo iremos considerar E1 como sendo o ponto de interseção entre
AD e o semicírculo AC e F1 o ponto de interseção entre BD e o semicírculo BC, e iremos
mostrar que E1 = E e F1 = F . Considere também os pontos O e O1 como sendo o centro
do semicírculo AC e o centro do semicírculo BC , respectivamente, como mostra a figura
abaixo:

Observe que E1 e F1 estão em semiplanos opostos em relação à reta CD. Portanto existe
uma interseção entre os segmentos E1 F1 e CD. Tome G1 como sendo essa interseção.

Sabemos que os pontos D, E1 e F1 pertencem aos semicírculos AB, AC e BC respec-


tivamente. Portanto:
AÊ1 C = C Fˆ1 B = AD̂B = 90o

Logo os ângulos do quadrilátero E1 DF1 C satisfazem:

C Ê1 D = E1 D̂F1 = DFˆ1 C = 90o

Assim, o quadrilátero E1 DF1 C possui três ângulos retos e, portanto, ele é um retângulo.
Como consequência disso G1 é o ponto médio do segmento E1 F1 e também do segmento
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 18

CD. Além disso, o triângulo E1 CF1 é retângulo em C, portanto E1 G1 = CG1 = G1 F1 .


Por outro lado temos que OE1 = OC, pois os dois segmentos são raios do semicírculo
AC. Também temos que o segmento OG1 é comum aos triângulos OCG1 e OE1 G1 , então
esses dois triângulos são congruentes pelo caso (LLL). Assim concluímos que OÊ1 G1 =
OĈG1 = 90o .

De maneira análoga podemos concluir que os triângulos O1 CG1 e O1 F1 G1 são congru-


entes pelo caso (LLL), visto que CG1 = G1 F1 , O1 C = O1 F1 e O1 G1 é um segmento
comum aos dois triângulos. Portanto O1 Fˆ1 G1 = O1 ĈG1 = 90o .

Assim, a reta E1 F1 é uma tangente comum aos semicírculos AC e BC, pois OÊ1 G1
e O1 E1 G1 são retos. Como o segmento tangente exterior comum a dois semicírculos é
único, então segmento EF deve coincidir com o segmento E1 F1 . Portanto devemos ter
E1 = E e F1 = F . Assim, o quadrilátero E1 CF1 D é coincidente com o quadrilátero
ECF D. Portanto ECF D é um retângulo.

Solução 2: Por hipótese, o segmento EF é a tangente comum. Vamos tomar o ponto


D1 como sendo a interseção das retas AE e BF e iremos mostrar que D1 = D.

Para isso considere G como sendo o ponto médio de EF , como mostra a figura abaixo:

Como EF é uma tangente comum aos dois semicírculos, os segmentos GE = GC = GF


têm o mesmo comprimento. Portanto o círculo de diâmetro EF passa em C e, assim, o
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 19

angulo E ĈF é 90o .

Os ângulos AÊC e C F̂ B estão inscritos nos semicírculos de diâmetros respectivamente


iguais a AC e CB, logo são ângulo retos. Portanto o quadrilátero ECF D1 tem 3 ângulos
retos, logo é um retângulo. Assim o ângulo AD̂1 B está inscrito no semicírculo maior.
Disso concluímos que o ponto D1 pertence ao semicírculo maior.

Além disso, podemos concluir que a diagonal CD1 do quadrilátero, deve passar no
ponto médio G da outra diagonal EF .

Logo D1 pertence à reta CG. Mas a interseção de CG e o semicírculo maior é D. Logo


D1 = D.

Exemplo 11: OBM-2017-Nível 3- Fase única: "No triângulo ABC, com AB 6=


AC, seja I o seu incentro. Os pontos P e Q são definidos como os pontos onde o circuncír-
culo do triângulo BCI intersecta novamente o segmento AB e a reta AC, respectivamente.
Seja D o ponto de interseção de AI e BC.

a) Prove que P, Q e D são colineares.

b) Sendo T , diferente de P , o ponto de encontro dos circuncírculos dos triângulos P DB e


QDC, prove que T está no circuncírculo do triângulo ABC."(OLIMPÍADA BRASILEIRA
DE MATEMÁTICA,2017)

Solução:

Agora vamos considerar um outro ponto G pertencente à reta AC tal que P, D e G


estão alinhados. Observe que como D é um ponto do segmento BC e as retas DP e BC
não são coincidentes, então a reta DP deve adentrar no triângulo ABC através do ponto
D, logo ou P pertence ao segmento AB, ou G pertence ao segmento AC. Podemos supor
sem perda generalidade que P pertence ao segmento AB. O caso em que G pertence ao
segmento AC possui um raciocínio análogo. Assim temos a figura.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 20

A técnica então consiste em mostrar que G = Q (neste caso o ponto G é mais


nobre que o ponto Q).

De fato: Como I é incentro do triângulo ABC temos que CI e AI são bissetrizes.


Assim C ÂI = P ÂI = β e I ĈB = I ĈA = α e como o quadrilátero BP IC é inscrítivel
então:
I P̂ B = 180o − I ĈB = 180o − α
ˆ + C B̂P = 180o . Assim concluímos que:
Além disso, C IP

I P̂ A = 180o − I P̂ B = 180o − (180o − α) = α

Logo pelo caso (LAAo )os triângulos ACI e AP I são congruentes pois C ÂI = P ÂI = β,
I P̂ A = I ĈA = α e o lado AI é comum. Assim concluimos que AC = AP . Agora
como C ÂD = P ÂD = β, AC = AP e AD é um lado comum aos triângulos CAD e
P AD, então estes dois triângulos são congruentes pelo caso (LAL). Assim CD = DP e
AĈD = AP̂ D = 2α.

Agora observe que os triângulos ABC e AGP são congruentes pelo caso (ALA), visto
que AC = AP , B ÂC = GÂP = 2β e

AĈB = AĈD = AP̂ D = AP̂ G = 2α

ˆ . Logo o quadrilátero P ICG é inscritível e G está


Logo AĜP = AB̂C = 180o − C IP
no circuncirculo do triângulo BIC. A reta AC encontra o circuncírculo em dois pontos
logo G = Q.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 21

b)Do enunciado podemos gerar a seguinte figura:

Observe que o quadrilátero T DCQ é inscritível logo AQ̂D = C T̂ D =  e ainda como o


quadrilátero T BP D também é inscritível temos que: DT̂ B = 180o − DP̂ B = DP̂ A = θ
e como do item acima P, D e Q estão alinhados temos que AQ̂D = AQ̂P =  e QP̂ A =
DP̂ A = θ. Assim concluimos que:

C ÂB + C T̂ B = C ÂB + C T̂ D + DT̂ B = 2β +  + θ

mas do triângulo AQP podemos concluir que:

2β +  + θ = 180o

Logo:
C ÂB + C T̂ B = 2β +  + θ = 180o

e disso concluimos que T pertence ao circuncírculo de ABC.

Exemplo 12: OBM 2019- Fase Única-Nível 2-Questão 3 Seja ABC um triângulo
acutângulo inscrito em um círculo Γ de centro O. Seja D o pé da altura relativa ao vértice
A. Sejam E e F pontos sobre Γ tais que AE = AD = AF , sendo que E pertence ao arco
AC que não contém o ponto B e F pertence ao arco AB que não contém o ponto C. Seja
P e Q os pontos de interseção entre a reta EF com a reta AB e AC, respectivamente.
Mostre que o circuncírculo do triângulo AP Q tem diâmetro AD

Solução: Neste exemplo iremos considerar que o círculo de diâmetro AD toca as


semirretas AB e AC, ambas com origens em A, nos pontos P1 e Q1 , como mostra a
figura:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 22

A técnica neste exemplo consiste em mostrar que P1 = P e Q1 = P , pois assim o


circuncírculo de AP Q será o mesmo que o circuncírculo de AP1 Q1 que terá diâmetro AD.

Para isso considere E1 e F1 como sendo os pontos de interseção da reta P1 Q1 com o


círculo Γ. De modo que E1 pertence ao menor arco AC e F1 pertence ao menor arco AB.

Observe que AQ̂1 D = APˆ1 D = 90o , pois ambos os ângulos estão opostos ao diâmetro
AD do cincurcírculo de AP1 F1 , assim pelas relações métricas no triângulo retângulo ADC
temos:
AD2 = AQ1 .AC

Por outro lado temos que os triângulos ADP1 e ABD são semelhantes uma vez que,
APˆ1 D = AD̂B = 90o e o ângulo DÂB é um ângulo comum aos dois triângulos. Portanto
AD̂P1 = AB̂D = θ.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 23

Como o quadrilátero AP1 DQ1 é inscritível então AQ̂1 P1 = AD̂P1 = θ. Assim AQ̂1 E1 =
180o − AQ̂1 P1 = 180o − θ .

Por outro lado como o quadrilátero ABCE1 é inscritível então:

AÊ1 C = 180o − AB̂D = 180o − θ = AQ̂1 E1

Além disso, temos que E1 ÂC = Q1 ÂE1 . Portanto os triângulos ACE1 e AE1 Q1 são
semelhantes pelo caso (AA). Assim AÊ1 Q1 = AĈE1 , e vale a proporção:

AE1 AQ1
=
AC AE1

AE12 = AQ1 .AC = AD2

AE1 = AD

Assim E1 pertence ao círculo de centro em A e raio AD, logo E1 pertence ai interseção


do círculo do arco AC como o círculo de centro em A. Mas como E é um ponto do arco
AC tal que AE = AD , então E também pertence a interseção do arco AC com o círculo
de centro em A. E como essa interseção é única teremos que E1 = E.

De modo interamente análogo também podemos concluir que F1 = F . Portanto as retas


EF e E1 F1 são coincidentes e assim teremos que P1 = P e Q1 = Q. Como queríamos
demosntrar.

13)(OBM 2010- Adpatada) Seja ABCD um paralelogramo e τ a circunferência cir-


cunscrita ao triângulo ABD. Se E e F são as interseções de τ com as retas BC e CD
respectivamente, então faça o que se pede.

a) Mostre que A pertence à reta mediatriz do segmento EF .

b) Prove que o circuncentro do triângulo CEF está sobre τ .

Solução: a) Apenas com as informações do enunciado podemos fazer a seguinte figura:


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 24

Agora precisamos colocar alguns elementos que são importantes nesta figura, como
por exemplo o ânguloDÂB que iremos denotar por α. Repare que para mostrar que o
ponto A pertence à mediatriz de EF , basta mostrar que A é equidistante de E e de F ,
isto é, AE = AF .

Para isto observe que como o quadrilátero AEBF é inscritível então AF̂ E = AB̂E.
Mas como ABCD é um paralelogramo temos que: AB̂E = DĈB = DÂB = α. Logo
concluimos que AF̂ E = AB̂E = α, como mostra a figura:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 25

Repare também que o qudrilátero ABF D é também inscritivel e assim DF̂ B = 180o −α.
Portanto:
B F̂ C = 180o − DF̂ B = 180o − (180o − α) = α

Mas como F C é paralela à AB, então B F̂ C = F B̂A = α (alternos internos). Fi-


nalmente como o quadrilátero AEBF é inscritível então F B̂A = F ÊA = α e assim
AF̂ E = α = F ÊA. Logo o triângulo AF E é isósceles com AF = AE. Portanto A
pertence a mediatriz de F E.

b) Neste exemplo ao invés de pegarmos o circuncentro do triângulo EF C e mostrarmos


que ele pertencer ao círculo τ , iremos pegar um ponto círculo e iremos mostrar que ele
deve ser o circuncentro do triângulo EF C. Repare que para um ponto ser o circuncentro
do triângulo EF C é necessario que este ponto pertença as três mediatrizes de EF C, assim
o ponto do círculo que é o melhor candidato a ser o circuncentro é o ponto G 6= A de
intercessão da mediatriz do segmento EF com o círculo τ . Agora iremos mostrar que este
ponto G é o circuncentro e para isso iremos mostrar que F G = CG = GE.

De fato: Traçando os segmentos CG e F G temos a seguinte figura:


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 26

Sendo M o ponto de intercessão da mediatriz AG com a reta EF temos que AM̂ F = 90o .
Assim:
F ÂG = 180o − AM̂ F − AF̂ E = 90o − α

Mas como o quadrilátero AF BG é inscritível, temos que:

F B̂G = 180o − F ÂG = 90o + α

Além disso como B F̂ C = DĈB = α, então F B̂C = 180o − 2α. Assim concluímos
que:

GB̂C = 360o − F B̂C − F B̂G = 360o − (180o − 2α) − (90o + α) = 90o + α = F B̂G

Finalmente concluimos que os triângulos F BG e CBG são congruentes pelo caso (LAL),
pois F B = BC, BG é um lado comum aos dois triângulos e GB̂C = F B̂G. Assim
F G = CG mas como G pertence a mediatriz de EF então EG = F G = CG logo G é o
circuncentro como queriamos demonstrar.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 27

1.2 O elemento auxiliar


As vezes para resolvermos um determinado problema é necessário acrescentar um ele-
mento novo que auxilie na resolução do problema. O elemento auxiliar não é uma técnica
de resolver problemas, mas segundo o livro a arte de resolver problemas de George Polya,
a maioria das vezes pode não ser suficiente sabemos quais são as hipóteses e as incóg-
nitas do nosso problema. É necessário elaborarmos um plano de resolução que contém
elementos que a princípio não estão entre as hipóteses e condicionantes do problema que
queremos solucionar, o que torna necessário traçarmos novos elementos. Este elemento
poderá ser uma reta, um poligono ou até um circulo como veremos nos exemplos a seguir.

Exemplo 1: Torneio das cidades: "Considere um triângulo BOD, um ponto A


sobre o lado OB e um ponto C sobre o lado OD. Uma reta ligando os pontos médios dos
OM AB
segmentos AD e BC toca os lados OB e OD nos pontos M e N . Mostre que: ON
= CD
(TAYLO, 2002.p.12.)

Solução: Primeiro vamos ver quais são as hipóteses e a tese.

Hipótese:
. OBD é um triângulo.
. A ∈ OB, e C ∈ OD.
. r é uma reta que passa pelos pontos F e E, que são os pontos médios de AD e BC
respectivamente.
. M e N são os pontos de intercessão entre OB e OD com r respectivamente.

OM AB
Tese: ON
= CD
.

Solução: A princípio temos a figura:


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 28

Para resolvermos o problema primeiro iremos destacar o ponto médio de BD, que cha-
maremos de P , e depois acrescentar a figura as retas que suportam os segmentos EP e
F P que iremos denotar por t e s respectivamente. Assim a nossa figura será:

Observe que como P e F são pontos médios dos lados BD e AD do triângulo ADB,
segue que F P é a base média de ABD e pelo teorema da base média temos que a reta s
é paralela à AB e F P = 21 AB.

De modo análogo temos que EP é base média do triângulo BCD. Assim a reta t
1
é paralela à reta DC e EP = 2
DC. Porém como s é paralela à AB e M N é uma
reta transversal às duas, segue que α = OM̂ N = P F̂ E (alternos internos). De modo
semelhante como t é paralela a CD, assim temos que β = ON̂ M = P ÊF (alternos
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 29

internos). Portanto pelo caso de semelhança (AA) concluímos que os triângulos EF P e


OM N são semelhantes e vale:
ON OM ON OM OM AB
= ⇔ = ⇔ =
EP FP 0, 5DC 0, 5AB ON DC
Como queríamos demonstrar.

Exemplo 2: "Considere um triangulo ABC tais que AB = BC e o ângulo AB̂C =


100o . Seja D um ponto sobre o prolongamento de AB no sentido de B para A tal que
BD = AC. Calcule o ângulo DĈA."

Solução: Neste problema iremos acrescentar um triângulo equilátero sobre o lado BC,
como mostra a figura:

Como o triângulo ABC é isósceles cujo ângulo do vértice mede AB̂C = 100o , então
180−100
AĈB = B ÂC = 2
= 40o .

Como AB = BC = BE segue que o triângulo AEB é isósceles com ângulo no vértice


AB̂E = 100o + 60o = 160o . Logo:
180o − 160o
AÊB = B ÂE = = 10o
2

Disto podemos concluir que:

AÊC = B ÊC − AÊB = 60o − 10o = 50o


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 30

Agora observe que os triângulos BDC e CAE são congruentes pelo caso (LAL), pois
BD = CA (por hipótese), CE = BC e

E ĈA = E ĈB + AĈB = 60o + 40o = 100o = DB̂C

e disto concluímos que B ĈD = AÊC = 50o .

Finalmente teremos que:

AĈD = B ĈD − B ĈA = 50o − 40o = 10o

Exemplo 3: O teorema da bissetriz interna: : Seja ABC um triângulo e T um


ponto sobre o lado AB, tal que CT é a bissetriz interna do ângulo AĈB. Então mostre
que:
AT AC
=
TB BC

Demonstração: Observe a figura:

⇒) Partindo do príncipio de CT é uma bissetriz de AĈB, traçe uma reta r paralela ao


lado AC passando por B. Essa reta r irá interceptar a reta CT no ponto D.

Observe que AT̂ C = B T̂ D, pois são ângulos opostos pelo vértice, e ainda AĈT = B D̂T ,
pois são alternos internos. Logo pelo caso de semelhança (AA) temos que os triângulos
AT C e BDT são semelhantes e vale a seguinte proporção:
AT AC
=
TB BD
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 31

Mas como CT é bissetriz de AĈB e AĈT e B D̂T são ângulos alternos internos, então:

B ĈT = AĈT = B D̂T

Assim o triângulo BCD é isósceles com BC = BD, assim:


AT AC AC
= =
TB BD BC

Exemplo 4: O Teorema da bissetriz externa: Dado um triângulo ABC e um


ponto D pertencente ao prologamento do segmento BA de B para A. Então CD é uma
bissetriz ao ângulo externo correspondente ao ângulo AĈB, se e somente se:
BD BC
=
AD AC

Abaixo temos uma figura para ilustrar o teorema.

Demonstração: ⇒) Traçe uma reta paralela ao segmento AC passando por D. Essa


reta irá interceptar a a reta BC no ponto E. Observe que os ângulos E D̂C e DĈA são
alternos internos e assim E D̂C = DĈA = DĈE, pois CD é bissetriz de E ĈA. Logo o
triângulo EDC é isósceles com EC = ED.

Além disso temos que os triângulos EDB e CAB são semelhantes, uma vez que AC k
DE, fazendo com que E D̂B = C ÂB e DÊB = DĈB. Assim podemos concluir que:
AB BC AC AC
= = = ⇔
BD BE ED EC

BD − AB BE − BC
= ⇔
BD BE
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 32

AD EC
=
BD BE
BC AC
Por outro lado temos que BE
= EC
e assim concluimos que:

EC AC AD
= =
BE BC BD
BD BC
Logo AD
= AC
. Como queriamos demosntrar.

⇐) Reciprocamente, tome um ponto D1 pertencente ao prolongamento do segmento


BA de B para A, tal que CD1 seja a bissetriz externa do ângulo AĈB. Vamos mostrar
que D1 = D. Neste caso o ponto D1 é mais nobre que o ponto D. Neste caso temos a
seguinte figura.

Como CD1 é a bissetriz externa de AĈB, então podemos concluir que:


BD1 BC BD
= = ⇒
AD1 AC AD

Mas BD1 = AB + AD1 e BD = AB + AD. Logo:

AB + AD1 AB + AD AB AB
= ⇔ = ⇔ AD = AD1
AD1 AD AD1 AD

Como D e D1 pertencem ao prolongamento do segmento AB, e estão a mesma distãncia


do ponto A, então D = D1 .
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 33

Exemplo 5:OBM- 2014-3o fase-Nível 2- Questão 2 Sejam AB um diâmetro de


circunferência Γ e CD uma corda perpendicular a este diâmetro. Sejam ainda E o ponto
de intercessão entre CD e AB e P um ponto qualquer sobre a corda CD distinto de E.
As retas AP e BP intersectam Γ novamente em F e G, respectivamente. Se H é o circun-
centro do triângulo EF G, mostre que a área do triângulo HCD é sempre a mesma para
qualquer ponto P escolhido."(OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA,2014)

Demosntração: A técnica aqui consiste em mostrar que H ∈ r onde r é a mediatriz


do segmento EQ, para isso vamos destacar os segmentos AG e BF , formando assim o
quadrilátero inscritível ABF G como mostra a figura:

Como o quadrilátero ABF G está inscrito em Γ então F ÂB = F ĜB = α. Além disso,
como AB é diâmetro temos que B ĜA = P ĜA = 90o . Assim concluimos que:

AÊP + P ĜA = 90o + 90o = 180o

Então o quadrilátero AEP G é também inscritível. Logo P ÂE = P ĜE = α. Também


temos que:
F ĜE = F ĜB + P ĜE = α + α = 2α
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 34

Mas como o ângulo F ÂB está inscrito no arco F B, cujo o ângulo central é F Q̂E ,
então:
F Q̂E = 2.F ÂB = 2α = F ĜE

Logo o quadrilátero QEF G é inscritível, pois os ângulos opostos a corda EF , são iguais.

Como H é o circuncentro de EF G então H é o centro do circulo circunscrito em QEF G.


Assim QH = EH, e portanto H pertence a mediatriz do segmento QE, que é paralela a
reta ED. Por outro lado retas paralelas são equidistantes, por isso podemos dizer que à
medida que variamos o ponto P sobre o segmento CD, a distância de H à reta CD, que
QE
é na verdade a altura do triângulo CHD com relação a base CD, será sempre igual a 2
.
Como a base CD se mantém constante, então podemos concluir que a área de CHD é a
mesma para qualquer posição de P sobre a reta CD.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 35

Exemplo 6: OBM-2013-3o fase - nível 2- Questão 3: Seja ABC um triângulo


e D um ponto sobre a circunferência circunscrita ao triângulo e sejam E e F os pés das
perpendiculares de A até DB e DC, respectivamente. Finalmente seja N o ponto médio
de EF e M o ponto médio do lado BC, prove que as retas N A e N M são perpendicula-
res.(OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA,2013)

Solução: Observe a seguinte figura :

Primeiro observe que DÊA = AF̂ D = 90o logo o quadrilátero AEF D é inscritivel e

AÊF = 180o − AD̂F = AB̂C

Além disso B ĈA = B D̂A = E F̂ A. Portanto os triângulos AEF e ABC são semelhan-
tes. Assim E ÂF = B ÂC e além disso:
1
EN EF EF EA
= 12 = = (1.1)
BM 2
BC BC BA

Dai pelo caso de semelhança (LAL) temos que os triângulos ABM e AEN são semelhan-
tes, e assim concluimos que E ÂN = B ÂM e logo:

B ÂE = B ÂM + M ÂE = E ÂN + M ÂE = M ÂN


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 36

Além disso também podemos concluir que:


AN EA
= (1.2)
AM AB
Novamente pelo caso de semelhança (LAL) os triângulos AEB e AN M são semelhantes
e finalmente concluimos que: AEB = AN M = 90o como queríamos demonstrar.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 37

Exemplo 7: (OBM-2005 - 3o fase 3 - Nivel 2 - Questão 6 - Adpatada:) "Dado


um triângulo ABC com o ângulo B ÂC igual a 120o e seja K um ponto sobre BC e M um
ponto sobre o prolongamento de AC, no sentido de C para A, tais que AK é a bissetriz de
B ÂC e BM é uma bissetriz do ângulo externo correspondente ao ângulo AB̂C. Sabendo
que o segmento KM intercepta AB em P então calcule o ângulo C P̂ K."(OLIMPÍADA
BRASILEIRA DE MATEMÁTICA,2005).

Solução: Observe a seguinte figura :

Repare que se prolongamos a reta AK temos que o ângulo agudo formado pelos prolon-
gamentos de KA e CA e o ângulo agudo formado por AB e CA são ambos iguais a 60o
logo AM é uma bissetriz externa do ângulo K ÂB e como BM é uma bissetriz externa do
ângulo K B̂A, então pelo lema ?? presente na página ??, M é um exincentro do triângulo
AKB, logo M K é a bissetriz do ângulo AK̂B.

Por outro lado temos que a reta AB é a bissetriz do ângulo externo referente ao ângulo
C ÂK, assim P é o ponto de intercessão entre a bissetriz externa de C ÂK e a bissetriz
externa de C K̂A, novamente pelo lema ??, temos que P é o exincentro do triângulo ACK,
logo AP é a bissetriz de AĈB.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 38

Agora iremos traçar a bissetriz do ângulo C ÂK que irá interceptar a reta CP ponto I.

Como I é o ponto intercessão das bissetrizes de C ÂK e AĈB, então I é incentro do


triangulo ACK, e assim temos que KI é a bissetriz do ângulo C K̂A e KP é a bissetriz
do ângulo externo correspondente ao mesmo ângulo assim I K̂P = 90o , e além disso:

C ÂK 60o
I ÂK = = = 30o
2 2
e
I ÂP = I ÂK + K ÂP = 30o + 60o = 90o

Por fim temos que:


I K̂P + I ÂP = 90o + 90o = 180o

Logo o quadrilátero AIKP é inscritível e assim chegamos ao seguinte resultado:

C P̂ K = I ÂK = 30o

Exemplo 8: (Tournament of the towns 1997 :) "Seja E um ponto sobre o lado


AB de um quadrado ABCD. Sabendo que a bissetriz interna do angulo E D̂C intersecta
o lado BC em F , mostre que DE = AE + CF .[]
Solução: Do enunciado temos a seguinte figura:

O elemento auxiliar que vamos considerar aqui é um ponto G que pertence ao prolonga-
mento da semirreta BA com origem em B, tal que AG = CF como mostra a figura abaixo:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 39

Deste modo temos que os triângulos DAG e DCF são congruentes pelo caso (LAL)
visto que: DÂG = DĈF = 90o , AD = CD e AG = CF . Assim temos que:

E D̂C DÊA
AD̂G = C D̂F = = =θ
2 2
e
DÊA
DĜA = DF̂ C = 90o − C D̂F = 90o − = 90o − θ
2

Por outro lado temos que: E D̂A = 90o − DÊA = 90o − 2θ. Assim:

E D̂G = E D̂A + AD̂G = 90o − 2θ + θ = 90o − θ = DĜA

Assim sendo o triângulo DGE é isosceles com EG = DE. Disto podemos concluir que:

DE = EG = AE + AG = AE + CF

Exemplo 9: OBM -2010- 2o Fase - Nível 3 As bissetrizes internas dos ângulos  e


Ĉ do triângulo ABC cortam-se no ponto I. Sabe-se que AI = BC e que I ĈA = 2I ÂC.
Determine a medida do ângulo AB̂C.

Solução: Do encunciado podemos construir a seguinte figura:


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 40

Agora iremos ultilizar a técnica do elemento auxiliar que esta na secção ??, que seria
um círculo que passa pelos pontos A,B e C e o ponto D de intercessão entre o círculo e
a reta CI e assim teremos uma nova figura:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 41

Nesta figura nós denotamos I ÂC = θ e AI = BC = x, logo teremos I ĈA = 2θ e como


AI e CI são bissetrizes segue que B ÂI = θ e I ĈB = 2θ.

Como o quadrilátero ABCD é inscritível então

DB̂A = DĈA = DĈB = DÂB = 2θ

Assim o triângulo ADB é isósceles com AD = DB. Além disso temos também que:

B D̂C = B ÂC = B ÂI + I ÂC = θ + θ = 2θ = I ĈB = DĈB

Assim o triângulo BDC é isósceles com DB = BC = x. Disto resulta que: AD =


DB = BC = AI = x. Assim o triângulo ADI tem no minimo dois lados iguais e
ˆ
AD̂I = AID.
ˆ é um ângulo externo do triângulo IAC logo:
Por outro lado temos que AID

ˆ = I ÂC + I ĈA = θ + 2θ = 3θ = DÂI


AD̂I = AID

ˆ = 3θ = 60o ⇔ θ = 20o
Assim o triângulo DAI é equilátero com DIA

Assim

AB̂C = 180o − AĈB − B ÂC = 180o − 4θ − 2θ = 180o − 6θ = 180o − 120o = 60o


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 42

Exemplo 10: Tournament of the towns: Considere um triângulo isósceles ABC,


com AC = BC. Seja K e L pontos sobre os lados AC e BC respectivamente, tais que
CL = KB. Sabendo que C K̂L + K L̂A = 60o , então mostre que KL = AB.

Solução: Para resolvemos este problema vamos denotar o ângulo AĈB por 2β e C K̂L
por α, assim como K L̂A é um ângulo externo ao triângulo LKC logo K L̂A = α + 2β.
Como por hipótese C K̂L + K L̂A = 60o então:

α + 2β + α = 60o ⇔ α + β = 30o

O proximo passo iremos usar a técnica do elemento auxiliar, e traçar uma reta r paralela
a reta AB passando por L, e ainda iremos tomar um ponto D sobre r de forma que
LD = AB, como mostra a figura:

Como LD é paralelo à AB e LD = AB, temos que o quadrilátero ALDB é um pa-


ralelogramo, e assim temos que BD é paralelo à AC, logo os ângulos LĈK e K B̂D são
alternos internos logo K B̂D = LĈK = 2β, e além disso também temos que BD = AL.

Por outro lado como AC = BC e CL = KB então:

AL = AC − CL = BC − KB = KC

Assim, pelo caso de congruência (LAL), temos que os triângulos LCK e KBD são
congruentes visto que, K B̂D = LĈK = 2β, BD = AL = KC e KB = CL. E disto
podemos concluir que LK = KD. Assim o triângulo AKD é no mínimo isósceles, pois
possui no mínimo dois lados iguais e isso é o suficiente para garantir que LK̂D = LD̂K.

Mas como LD é paralelo a AB temos que AL̂D = 180o − C ÂB = 90 + β. Mas como

AL̂D = K L̂A + K L̂D = α + 2β + K L̂D


CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 43

Então podemos concluir que:

90o + β = α + 2β + K L̂D ⇔ K L̂D = 90o − α − β ⇔

K L̂D = 90o − (α + β) = 90o − 30o = 60o

Como o triângulo LKD tem no mínimo dois lados iguais e um dos ângulos com medida
de 60o , temos então que o triângulo LKD é equilátero e com isso temos que KL = LD =
AB.

8) Olimpíada Ibero Americana de Matemática 2018 : Seja ABC um triângulo


tal que B ÂC = 90o e BA = CA. Seja M o ponto médio de BC. Escolhe-se um ponto
D 6= A na semicircunferência de diâmetro BC que contém A. A circunferência circuns-
crita ao triângulo DAM interseta as retas DB e DC nos pontos E e F , respetivamente.
Demonstrar que BE = CF = AF = EA
Solução: Sem perda de generalidade, suponha que D esteja no AB. Podemos então dis-
cutir dois casos: O primeiro caso aonde E esta sobre o prolongamento de BD e o segundo
caso em que o ponto E pertence ao segmento BD. Para o primeiro caso temos a figura
abaixo:
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 44

Observe que o quadrilátero ACBD esta inscristo na semicircunferência logo temos que
F ĈA = DĈA = DB̂A = E B̂A = α e B ÂC = B D̂C = 90o e logo F D̂E = 180o − 90o =
90o .

Agora como DEAF é um quadrilátero também inscristível em um circulo temos que :

E ÂF + F D̂E = 180o ⇔

E ÂF = 180o − 90o = 90o = B ÂC

mas como E ÂF = E ÂB + B ÂF e B ÂC = B ÂF + F ÂC e disto podemos concluir que:

E ÂB + B ÂF = B ÂF + F ÂC ⇔

E ÂB = F ÂC = β

E como F ĈA = E B̂A e AC = AB então pelo caso de congruência (ALA)temos que os


triângulos AF C e AEB são congruentes e disto concluímos que BE = CF e AF = EA.
CAPÍTULO 1. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE GEOMETRIA 45

Além disso E B̂A = DB̂A que é um angulo inscristo no arco AD, da circunferência de
diâmetro BC, cujo o ângulo central é DM̂ A. Assim DM̂ A = 2E B̂A = 2F ĈA, mas como
o quadrilátero DM F A é inscritível temos que DM̂ A = DF̂ A = 2F ĈA, mas como DF̂ A
é um ângulo externo ao triângulo AF C então temos que:

DF̂ A = F ĈA + F ÂC ⇔

2F ĈA = F ĈA + F ÂC ⇔

F ÂC = F ĈA

logo o triângulo F AC é isósceles com AF = CF e disso concluimos que BE = CF =


AF = AE como queríamos demosntrar.
2 Generalização, Especialização e Ana-
logia

Este capítulo está baseado no capítulo 2 livro chamado "Induction and Analogy
In Mathematics"do autor George Polya.

2.1 Generalização

Segundo, o livro "Induction and Analogy In Mathematica", esta técnica ocorre quando
deixamos de olhar para um conjunto de objetos P e passamos a considerar um maior
que contenha P . Por exemplo, quando sabemos que determinada propriedade vale para
todos os números primos e queremos mostrar que ela é válida para todos os naturais então
temos que aplicar esta técnica de generalização.

Nós também estaremos generalizando quando, por exemplo, deixamos de olhar para um
triangulo equilátero e passamos a olhar para um triângulo qualquer, ou quando deixamos
de olhar para um triângulo e passamos a olhar para um polígono arbitrário.

2.2 Particularização
Esta técnica consiste em deixamos de considerar um conjunto P para olhamos para
apenas um subconjunto especial de P , por isso a técnica também pode ser chamada de
especialização. Esta técnica é muito usada para demonstrar que um conjunto genérico
satisfaz determinada propriedade Q. As vezes, por ser difícil de verificar esta propriedade
num conjunto genérico T . Talvez seja mais fácil pegamos um subconjunto A de T , no
qual seja mais fácil de verificar esta propriedade e, após isto, podemos usar este subcon-
junto para generalizar esta propriedade para qualquer outro subconjunto de T e assim a
propriedade estará provada para todo o conjunto T .
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 47

Estaremos especializando quando, por exemplo, deixarmos de olhar para um polígono


qualquer e passarmos a olhar somente para um triângulo.

Esta técnica também é poderosa para mostrar que uma propriedade não é válida para
todos os elementos de P . Por exemplo, se queremos mostrar que nem todo natural maior
que 2 por ser escrito como diferença entre dois quadrados de números naturais, basta
consideramos o subconjunto dos números naturais constituídos de números que dão resto
2 na divisão por 4, isto é, são os números da forma 4k + 2. Se por acaso estes números
pudessem ser escrito como uma diferença de dois quadrados então certamente existiria
dois números naturais r e s tais que: r2 − s2 = 4k + 2 e assim teremos que r2 − s2 ≡ 2
mod 4.

Contudo, sabemos que todo números natural ao quadrado é congruente a 0 ou a 1


módulo 4, assim: r2 − s2 ≡ 0 mod 4 ou r2 − s2 ≡ 1 mod 4 ou r2 − s2 ≡ −1 mod 4.
Logo não existem r e s tais que r2 − s2 ≡ 2 mod 4.

Assim concluímos que os números da forma 4k +2 não podem ser escrito como diferença
de quadrado. Portanto esta propriedade não é válida para os todos naturais. Assim
devemos lembrar que um contraexemplo é um subconjunto particular aonde a propriedade
P não é válida.

Agora se quisermos provar que uma dada propriedade é verdadeira para um certo
conjunto P , e nós considerarmos um certo subconjunto de P no qual esta propriedade
é válida, temos que ser capazes de através deste subconjunto, de generalizarmos esta
propriedade para qualquer subconjunto de P . Feito isso esta propriedade será válida para
todo o conjunto P .

Considere os seguintes exemplos de generalização e especialização:

Exemplo 1: Mostre que o quadrado de todo número natural maior que 2, pode ser
escrito como a diferença de dois quadrados de números inteiros positivos.

Temos que mostrar que, para todo z > 2 com z ∈ N , existem r, s ∈ N tais que
r 2 − s2 = z 2 .

Observe que:
r 2 − s2 = z 2 ⇔

(r + s).(r − s) = z 2 ⇔
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 48

(r + s)|z 2

E além disso:
(r − s)|z 2

Observe que se z for um natural qualquer ele poderá ter muitos divisores ou poucos e
neste ficaria difícil de exibimos com clareza os valores de r e s que fazem com que r + s e
r − s sejam divisores de z 2 . Além disso, temos que lembrar que r + s e r − s tem que ser
de mesma paridade.

Mas, se considerarmos o caso particular de z ser um primo maior que 2 esta tarefa
poderá ser mais fácil, tendo em vista que existem apenas três divisores possíveis para z 2
que são: 1, z e z 2 e, como s > 0, então r + s > r − s. Assim obrigatoriamente iremos ter
que: r + s = z 2 e r − s = 1.
Somando estas duas equações nós temos:

2r = z 2 + 1 ⇔
z2 + 1
r= ⇔
2
z2 + 1 z2 − 1
s=r−1= −1=
2 2
assim temos que:
2 z2 + 1 2 z2 − 1 2
z =[ ] −[ ]
2 2

E como z é um primo maior que 2 então z é impar e assim z 2 + 1 e z 2 − 1 são pares


logo suas metades correspondem a números naturais. Assim o teorema ficar demonstrado
para o caso z primo maior que 2.

Note duas coisas importantes: primeiro temos que todo quadrado de número primo,
com exceção do 2, pode ser escrito de forma única como diferença de dois quadrados de
números inteiros como está escrito acima. Em segundo lugar temos que, no caso z = 2
isto não é possível uma vez que z 2 + 1 e z 2 − 1 são impares. Estas observações serão
levadas em consideração na hora de generalizamos esta propriedade.

Para generalizarmos primeiro demonstraremos para z impar com z > 1. Neste caso
z 2 +1 z 2 −1
observe que z 2 + 1 e z 2 − 1 são ambos pares e assim, se fizermos m = 2
en= 2
temos que m e n serão ambos naturais, e além disso temos que:

z2 + 1 2 z2 − 1 2
m2 − n2 = ( ) −( ) ⇔
2 2
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 49

z 4 + 2z 2 + 1 − (z 4 − 2z 2 + 1) 4z 2
m2 − n2 = = = z2
4 4
e assim ficar demonstrado para todo z impar maior do que 1, que existem m e n naturais
tais que m2 − n2 = z 2 .
Agora iremos generalizar para os pares. Primeiro devemos observar que todo número par
maior que 2 é uma potência de 2 mutliplicado por algum número natural ímpar, isto é,
z = 2t r com t > 1 e com r ímpar.
Agora se r = 1 temos que z = 2n com z > 2 e assim:

t≥2⇔

t−2≥0⇔

z 2 = 22t = 4t = 4(t−2) .42 ⇔

z 2 = 4(t−2) .(52 − 32 ) = (5.2t−2 )2 − (3.2t−2 )2

Assim z 2 pode ser escrito como uma diferença de quadrados quando z é uma potencia
de 2.

Agora se r > 1 com r ímpar, já mostramos que existem m e n naturais tais que
r = m2 − n2 e assim temos que:
2

z 2 = (2t )2 .r2 = (2t )2 .(m2 − n2 ) = (2t .m)2 − (2t n)2

Como queríamos demonstrar.

Vamos ver um exemplo agora de caso particular de especialização. Antes de vemos


algum caso de especialização, temos que notar que algumas propriedades não valem para
casos gerais e sim para casos particulares.

Um caso particular é representativo se este possuir uma propriedade P que poderá ser
generalizada para um caso mais geral. Este foi o caso do exemplo acima aonde tínhamos
um número primo ímpar que tinha a propriedade de que o seu quadrado podia ser escrito
como uma diferença de quadrados de números naturais e esta propriedade pode, a partir
deste caso particular, ser estendida para todos os naturais maiores que 2.

Agora veremos mais um exemplo de caso particular representativo.

Exemplo 2: Mostre que a soma dos ângulos internos de qualquer polígono convexo é
Sn = 180.(n − 2) onde n é o número de lados.
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 50

Para isso considere o caso particular n = 3. Neste caso temos um triângulo como
mostra a figura abaixo:

Observe que ao traçamos uma reta paralela ao segmento AB passando por C e tomando
dois pontos D e E sobre esta paralela, como mostra a figura, temos que: B ÂC = AĈD =
α e AB̂C = B ĈE = β. Pondo θ = AĈB temos que: α + β + θ = AĈD + AĈB + B ĈE =
DĈE = 180o e isto mostrar que a formula é verdade para n = 3.

Este caso particular é um caso representativo, pois, se pensarmos em um polígono


convexo com n lados e selecionarmos um vértice deste polígono teremos n − 2 vértices não
adjacentes a ele, e ligando este vértice a cada um dos vértices não adjacentes t o nosso
polígono ficar dividido em n − 2 triângulos, cada um com soma dos ângulos internos igual
a 180o . Isto resultar que a soma dos ângulos internos do polígono é Sn = 180.(n − 2).

Agora veremos um exemplo de um caso não representativo.


Exemplo 3: Considere a propriedade:
Dois triângulos ABC e EFG são tais que AB = EF e AC = EG e AB̂C = E F̂ G.
Então estes triângulos são congruentes.

Podemos verificar que esta propriedade é falsa quando se tratar de um triângulo acu-
tângulo, pois podemos dar como exemplo dois triângulos em que: AB = EF = 5 e
AC = EG = 4, 5 eABC = EF G = 60o cuja a figura esta representada abaixo:
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 51

Podemos calcular os valores de x e de y aplicando a lei dos cossenos em cada triângulo


e perceberemos que x e y são raízes da equação:
(4, 5)2 = 52 + t2 − 2.5.t.0, 5 →
20, 25 = 25 + t2 − 5t → t2 − 5t + 4, 75 = 0 →
√ √
5± 25−4.4,75 5± 6
t= 2
= 2

√ √
5+ 6 5− 6
Logo x = 2
≈ 3, 72 e y = 2
≈ 1, 28

Assim como x 6= y temos então que os triângulos não são congruentes logo a propriedade
é falsa em geral. Mas se tomamos o caso especial em que AB̂C = E F̂ G ≥ 90o esta
propriedade será verdadeira e é o que iremos prova a partir de agora.

Primeiro vamos considerar o caso em que AB̂C = E F̂ G = 90o . Sendo assim temos a
seguinte proposição:
Proposição : Dois triângulos ABC e A1 B1 C1 retângulos em B e B1 comAB = A1 B1 ,
AC = A1 C1 e AB̂C = A1 B̂1 C1 = 90o então os triângulos são congruentes.

De fato: Observe a seguinte figura :

Sobre o prolongamento do segmento BC de C para B, podemos tomar um ponto D tal


CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 52

que DB = B1 C1 e como AB = A1 B1 e AB̂D = AB̂C = A1 B̂1 C1 = 90o por hipótese,


então pelo caso LAL temos que os triângulos ABD e A1 B1 C1 são congruentes e assim
temos que A1 C1 = AD = AC e A1 Ĉ1 B1 = AD̂B logo o triângulo ADC é isósceles, os
ângulos da base são iguais logo: A1 Ĉ1 B1 = AD̂B = AĈB.
Além disso, como AB̂C = A1 B̂1 C1 = 90o e AC = A1 C1 segue pelo caso de congruência
(LAAo ) que os triângulos ABC e A1 B1 C1 são congruentes.

Agora com base nisto vamos mostrar que o resultado também é valido se AB̂C =
A1 B̂1 C1 > 90o .

Lema: Segundo caso especial de congruência: Seja dois triângulos ABC e EDF
tais que AB = DE, AC = EF e AB̂C = E D̂F > 90o . Mostre que ABC e DEF são
triângulos congruentes.

Demonstração: Do enunciado podemos construir a figura:

Observe que na figura os pontos G e H são as projeções ortogonais de A sobre a reta BC


e de E sobre a reta F D respectivamente. Observe ainda que:

E D̂H = 180o − E D̂F = 180o − AB̂C = AB̂G

Além disso AĜB = E ĤD = 90o e ED = AB. Logo pelo caso de congruência (LAAo )
temos que os triângulos AGB e EHD são congruentes logo EH = AG e BG = HD.
Mas como AĜC = E ĤF = 90o e AC = EF segue então do resultado anterior que os
triângulos AGC e EHF são congruentes e assim temos que CG = HF ⇔ BG + BC =
HD + DF com BG = HD ⇔ BC = DF. Assim pelo caso (LLL) ou (LAL) os triângulos
ABC e EDF são congruentes.

Observe que este caso especial, onde o triângulo é retângulo ou obtusângulo, o caso de
congruência (LALo ) é válido. Para triângulos em geral ele é falso, logo o fato deste caso
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 53

de congruência valer somente para triângulos retângulos e obtusângulos constituí um caso


especial não representativo.
Exercícios de particularização e generalização:
1) Construa uma reta tangente exterior a dois círculos dados de raios r1 e r2 , com os
seus centros nos pontos A e B respectivamente. Vamos considerar que um círculo não
seja interno ao outro. Obs: Com o objetivo de te ajudar,eu te pergunto: Existe um caso
especial para estes dois círculos?

Solução: Antes de resolvermos este problema vamos considerar um problema auxiliar


que é o seguinte.

Problema 1: Considere um círculo de raio r e um ponto P fora do círculo. Devemos


construir uma reta s que passe por P e seja tangente ao círculo. Para isso considere o
problema resolvido na figura:

Repare que se D é o ponto onde a reta s tangencia o círculo então o ângulo formado
por s e o raio BD é reto. Assim como o ângulo AD̂B é reto então D deve pertencer
ao semicírculo de diâmetro BD. Logo D deve ser a intercessão do círculo de raio r e do
semicírculo de diâmetro BD. Assim podemos construir essa reta da seguinte forma:

Primeiro construímos o ponto médio do segmento BP que iremos chamar de C.

Após isso colocarmos a ponta seca do compasso em C e abrimos o raio até P e cons-
truimos assim um círculo de raio CP de centro em C.

Por fim pegamos as intercessões deste círculo com o círculo de raio r, que serão dois
pontos de intercessão. Para cada um desses pontos teremos uma reta tangente que passa
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 54

por um desses pontos e pelo ponto P . Obtendo assim duas retas tangentes ao círculo
dado.

Agora iremos resolver o problema considerando primeiro o caso particular em que r1 =


r2 . Neste caso basta pegamos a reta determinada pelos centros desses dois círculos, que
iremos denotar pelos pontos A e B, construímos uma reta paralela à reta AB que esteja
a uma distância r1 desta reta, como mostrar figura abaixo:

Para construímos essa reta paralela, basta traçamos uma reta t prependicular a reta
AB passando por A, e pegarmos um ponto D em t que esteja a uma distância r1 de A.
E finalmente traçamos uma reta prependicular à reta t passando por D. Esta reta será a
paralela a AB que queremos.

Pois sendo C o ponto desta reta que está a uma distância igual a medida de AB do
ponto D , no mesmo semiplano definido pela reta t em que se encontra o ponto B, teremos
que o quadrilátero ABCD é um retângulo, visto que B ÂD = AD̂C = 90o e além disso
CD = AB. Logo C pertence ao círculo centrado em B, e a reta DC é prependicular aos
raios AD e BC, portanto essa reta é tengente aos dois círculos.

Agora iremos atacar o caso geral, onde r1 6= r2 . Iremos supor que r2 > r1 . Primeiro
iremos construir com o centro em B, um círculo de raio r2 − r1 , como o círculo de centro
em A não é interior ao círculo de centro em B, então AB > r2 − r1 , logo o ponto A está
fora do círculo de raio r2 − r1 como mostra a figura.
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 55

Para construímos a reta EF tangente aos dois círculos, primeiro construímos a reta
AG que é tangente ao círculo de raio r2 − r1 passando por A, onde G é o ponto tangencia
entre a reta e o círculo. Isso recai no problema 1 presente na página 53.

Após isso, construimos uma reta p prependicular a AG passando por A. Marcamos


então um ponto E na reta p a uma distãncia r1 de A . Por fim construímos uma reta
paralela a AG passando por E . Essa reta irá tangencia o círculo de raio r1 em E , e o
círculo de raio r2 em F .

Agora para justificarmos esse fato, basta lembrar que a reta AG é tangente ao círculo de
raio r2 −r1 em G então AĜB = 90o . Além disso como EF k AG então E F̂ G = AĜB = 90o
então podemos dizer que EF tangencia o círculo de raio r2 em F . Além disso temos que
AÊF = E ÂG = 90o , então EF tangencia o círculo de raio r1 em E

Antes de ir para o próximo exemplo iremos definir o que seria arco capaz de um segmento
ou corda.
4) Mostre que o ângulo central é o dobro do ângulo inscrito em um circulo.
Observe que uma vez que o ângulo central é determinado, existe varias posições para o
ângulo inscrito no circulo. Mas na prova de Euclides, qual é a especial posição do ângulo
inscrito no circulo ?
Solução: Dado um ângulo B ÂC e M o centro do círculo. Sabemos que o ângulo é incristo
em um círculo se e somente-se BC é uma corda de deste círculo e A pertence ao círculo.
Agora para resolvermos este problema iremos dividir este problema em três casos.

Caso 1: Se M pertecem a um dos lados do triângulo ABC, podemos supor que ele
pertece a BC. Neste caso M é o ponto médio de BC , visto que M B e M C são raios
como mostrar a figura:

.
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 56

Como M A = M B então o triângulo ABM é isósceles e C B̂A = M ÂB e como M C =


M A então o triângulo ACM é isósceles com B ĈA = M ÂC. Assim temos que:

B ÂC = M ÂB + M ÂC = C B̂A + B ĈA

Por outro lado temos que:

B ÂC + C B̂A + B ĈA = 180o

Logo:
2B ÂC = 180o ⇔ B ÂC = 90o

Neste caso o triângulo é retângulo em A. E como BC é diâmetro então B M̂ C = 180o


que é exatamente o dobro de B ÂC.

Caso 2: Se M está dentro do triângulo ABC, como mostra a figura:

Sabendo que M A = M B então o triângulo AM B é isósceles com M ÂB = AB̂M = α


e como o triângulo AM C também é isósceles então AĈM = M ÂC = β. Finalmente
também temos que o triãngulo BM C é isósceles com M B = M C, logo:

M B̂C = M ĈB = γ

Assim B ÂC = α + β e olhando para o triângulo BM C temos que B M̂ C = 180o − 2γ.


CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 57

Por fim olhando para o triângulo ABC temos que:

2α + 2β + 2γ = 180o ⇔

α + β + γ = 90o ⇔

α + β = 90o − γ

Assim temos que:

B M̂ C = 180o − 2γ = 2.(90o − γ) = 2.(α + β) = 2B ÂC

Logo o ângulo central B M̂ C é o dobro do ângulo inscrito B ÂC. E como B M̂ C < 180o
então B ÂC < 90o . Aplicando o mesmo raciocínio para os demais ângulos teremos um
triângulo acutângulo.

Caso 3: O ponto M se encontra fora do triângulo ABC. Podemos supor sem perda
de generalidade que M se encontra no semiplano, definido pela reta BC, oposto ao que
se encontra o ponto A. Neste caso teremos a seguinte figura:

Repare que neste caso temos que o M B̂A = M ÂB assim o triângulo M BA é isósceles e
B M̂ A = 180o − 2.M ÂB . De maneira análoga se olharmos para o triângulo M AC temos
que C M̂ A = 180o − 2M ÂC.
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 58

Desta forma temos que:

B M̂ C = M M̂ A + C M̂ A = 360o − 2M ÂB − 2M ÂC

Assim o ângulo não convexo formado pela semirretas BM e M C com origem C, que
iremos denotar por γ será:

γ = 360o − B M̂ C = 2.(M ÂB + M ÂC) = 2.B ÂC

Neste o ângulo central γ é o dobro do ângulo inscrito B ÂC e como γ > 180o então
B ÂC > 90o , obtendo assim um triângulo acutângulo.

Mas repare que em qualquer um desses três casos temos que o ângulo central é o dobro
do ângulo inscrito.

2.3 Analogia
A palavra analogia deriva do análogo, que significa “parecido ou semelhante”. As-
sim analogia é uma técnica de resolução de problemas que lida com objetos matemáticos
que possuem propriedades parecidas, por exemplo, um objeto análogo à esfera é o círculo,
já o análogo do cubo é o quadrado e assim sucessivamente.
Vejamos alguns exemplos de problemas que podem ser resolvidos por analogia.

Exemplo 1 : Considere a seguinte teorema:


Em um paralelogramo as diagonais se cortam ao meio.
Encontre um resultado análogo para a geometria sólida.
Nós sabemos que o análogo da reta no R3 é o plano, assim podemos argumentar que se
o paralelogramo é formado por pares de retas paralelas, então o análogo deste no R3 é
um sólido formado por 3 pares de planos paralelos, que damos o nome de paralelepípedo,
onde um par é concorrente ao outro par dois a dois.

As Faces do paralelepípedo são paralelogramos. Pois fixando o plano π1 como sendo um


dos seis planos, temos que existem entre os demais planos, dois pares de planos paralelos
que irão interceptar π1 , formado com este quatro retas paralelas duas a duas, obtendo
assim um paralelogramo.

Agora podemos definir a diagonal de um paralelepípedo como sendo um segmento


cujas a extremidades são vértices do paralelepípedo, nos quais não existe nenhuma face
do poliedro que os contém.
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 59

Assim com essas definições em mente podemos dizer que o análogo de um resultado
referente às diagonais de um paralelogramo será um resultado referente às diagonais do
paralelepípedo. Logo podemos intuir que o resultado análogo ao descrito acima seria:
“As quatro diagonais de um paralelepípedo se cortam ao meio”.

Observe que nós intuímos este resultado, a partir de uma analogia existente entre
paralelogramo e paralelepípedo, mas a partir disso temos que demonstrar este resultado
usando a lógica. Para isto considere o paralelepípedo ABCDEF GH e pegamos duas
diagonais qualquer deste paralelepípedo como mostra a figura abaixo:

Observe que cada face do paralelepípedo é um paralelogramo então AB k HG e HG k EF


e assim pela transitividade temos que EF k AB.

Logo existe um plano que contém as retas AB e EF e a intercessão deste plano com
o paralelepípedo determina o quadrilátero AEF B. Como AB k EF e AB = HG =
EF temos que ABEF é um paralelogramo e como AF e EB são as diagonais deste
paralelogramo então elas se cortam ao meio. Assim pode-se concluir que este resultado é
valido para quaisquer duas diagonais do paralelepípedo.

Exemplo 2: Considere a seguinte propriedade na geometria plana:“Duas retas cortam


três retas paralelas determinando quatro segmentos proporcionais”. Enuncie e prove um
teorema análogo a este na geometria sólida.

Solução:Observe que o análogo da reta no R3 , pode ser reta ou plano. Sendo assim
um teorema que é verdadeiro que análogo ao teorema anterior é:

Duas retas cortam 3 planos paralelos determinando quatro segmentos pro-


porcionais:
Demonstração:
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 60

Sejam Π1 , Π2 e Π3 planos paralelos e r e s são retas que interceptam os planos Π1 , Π2


e Π3 nos pontos Q, S, U e R, T e V respectivemente . Agora seja Z e A1 pontos esco-
lhidos no planos Π2 e Π3 respectivemente de forma que A1 V = T Z = QR e além disso
A1 V k ZT k QR, conforme mostra a figura:

Observe que o quadrilátero QRT Z é um paralelogramo, visto que T Z k QR e QR = T Z,


e assim QZ = RT e da mesma forma o quadrilátero ZT V A1 também é um paralelogramo,
assim A1 Z = T V . Mas olhando para o plano que contém os pontos Q, U e A1 temos que
os pontos Q, S, U, A1 e Z são todos coplanares sendo que as retas QS e QZ saõ tranversais
as retas paralelas U A1 e SZ, logo por Talles temos que:
QS QZ RT
= =
SU ZA1 TV
como queríamos demonstrar.

Exercícios:

1) Considere a seguinte propriedade na geometria plana: “Em um triângulo isósceles


a altura relativa ao vértice corta a base no seu ponto médio”. Enuncie e demonstre uma
propriedade análoga para a geometria sólida.
solução: O análogo ao triângulo isósceles no R3 é uma tetraedro cuja a distância do
vértice a cada um dos vértices da base é a mesma. Assim podemos intuir que um resultado
CAPÍTULO 2. GENERALIZAÇÃO, ESPECIALIZAÇÃO E ANALOGIA 61

análogo ao de cima seria : "Em uma tetraedro em que todas as arestas laterais tem o
mesmo comprimento, a altura do tetraedro passa pelo ponto centro da base "
Demosntração Seja ABCD um tetraedro de vértice D e base ABC e seja H a projeção
ortorgonal de D no plano ABC. Assim temos que:

AD2 = DH 2 + HA2 , BD2 = DH 2 + HB 2 , CD2 = DH 2 + HC 2

Mas como AD = BD = CD então:

HA2 = AD2 − DH 2 = BD2 − DH 2 = HB 2

do mesmo modo:
HA2 = AD2 − DH 2 = CD2 − DH 2 = HC 2

logo HA = HB = HC. Logo H é o circuncentro.

2) Considere a seguinte propriedade na geometria plana: “Um círculo possui uma área
igual a área de um triângulo com base medindo igual ao perímetro do circulo e com altura
igual ao raio”. Enuncie e verifique uma propriedade análoga para a geometria sólida.
solução: Sabemos que o análogo do circulo é a esfera e o análogo do triângulo é a pirâ-
mide. Assim podemos dizer que o comprimento da base de um triângulo é o análogo à
área da base da pirâmide no R3 e assim podemos enunciar o seguinte teorema:
Uma esfera possui um volume igual ao volume de uma pirâmide cuja a altura
é igual ao raio da esfera e a área da base tem mesma medida da área total da
esfera.
Demonstração:
Sabemos que a área da esfera é dada por:

Aesf era = 4πR2

e o volume da pirâmide é:

Abase .h 4π.R2 .R
Vpiramide = =
3 3

4π.R3
Vpiramide = = Vesf era
3

Como queriamos demonstrar.


3 Técnicas de construções geométricas

Neste capítulo iremos falar sobre construção com régua e compasso. Antes de fa-
larmos sobre as técnicas famosas para a resolução de problemas desse tipo iremos abordar
alguns lemas e construções geométricas elementares.

Lema 01: Dado um triângulo ABC e seja M o ponto médio do lado AB e N o ponto
médio do lado BC e G é o ponto de intercessão dos segmentos AN e CM , temos então
que:
AG CG
= =2
GN GM

Em outras palavras, este lema afirma que uma das medianas de um triângulo divide
cada uma das outras medianas em dois segmentos na proporção 2 por 1.

Demonstração: Observe a figura abaixo:

Na página XXX de Nesta figura podemos peceber que sendo M e N os pontos médios
dos lados AB e BC , temos que M N é uma base média do triângulo ABC. Pelo teorema da
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 63

AC
base média temos que M N e paralelo a AC e MN
= 2. Assim temos que AN̂ M = C ÂN ,
pois são ângulos alternos internos, e AĜC = N ĜM pois são opostos pelo vértice G. Assim
os triângulos AGC é semelhante ao triângulo N GM pelo caso de semelhança (AA), e vale
a seguinte proporção:
AG CG AC
= = =2
GN GM MN

3.1 A Técnica do problema resolvido


Segundo Papus, um grande matemático grego que viveu nos 300 de nossa era, que
é tido com o percursor desta técnica, a técnica do problema resolvido consiste em admitir
que aquilo que precisamos demonstrar ou construir, é algo verdadeiro ou que já tenha sido
feito e extrairmos a partir disso as consequências e as consequências das consequências
até chegamos ao um ponto que podemos usar como ponto de partida. Papus também
chama essa técnica de análise ou raciocínio regressivo.

Na página 104 do livro A arte de resolver problemas encontramos a seguinte idéia de


que nessa técnica admitimos que o que precisa ser feito já o foi (o que se procura já foi
encontrado, o que se tem a demonstrar é verdadeiro). Indagamos de qual antecedente
poderá ser deduzido o resultado desejado; em seguida, indagamos de novo qual poderá
ser o antecedente desse antecedente e assim por diante, até chegarmos finalmente a algo
que já conhecemos ou que admitimos como verdadeiro. Após isso devemos inverter o
processo, a partir do último ponto a que chegamos na análise deduzimos o que o precedeu,
e continuamos a fazer deduções até que, percorrendo o mesmo caminho no outro sentido,
conseguimos finalmente chegar aonde queríamos.

Vejamos alguns exemplos desta técnica.

Exemplo 1: Dado um triângulo ABC, determine um ponto M sobre o lado AB e um


ponto N sobre o lado AC tais que M N é paralela a BC e BM = AN

Solução: Suponha o problema resolvido como mostra a figura.


CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 64

Podemos traçar uma reta paralela a AB passando por N de forma que esta reta inter-
cepte o lado BC em D, e como M N é paralela a BC, por hipótese do problema resolvido,
temos que o quadrilátero M N DB é um paralelogramo, logo DN = BM = AN . Assim o
triângulo AN D é isósceles com N ÂD = N D̂A . Mas como N D k AB então temos que
B ÂD = N D̂A = N ÂD . Assim AD é a bissetriz de B ÂC. Logo como sabemos construir
a bissetriz do ângulo  também saberemos determinar os pontos N e M , como pediu o
enunciado.

Vamos agora a construção. Primeiro construimos a bissetriz do B ÂC de forma que


a intercessão dessa bissetriz com o lado BC determina o ponto D. Após isso traçamos
uma paralela a AB passando por D , de forma que esta intercepta o lado AC em N .
Por fim passamos uma paralela a BC passando por N que irá interceptar AB em M .
Esses pontos M e N satisfazem as condições do enunciado, pois como AD é bissetriz de
B ÂC então B ÂD = N ÂD. Como N D é paralelo a AB então N D̂A = B ÂD = N ÂD e
portanto o triângulo AN D é isóceles com AN = DN . Agora como o quadrilátero BDM N
é um paralelogramo então BM = DN = AN e M N é paralelo a BD. Isto termina a
construção.

Observe que neste exemplo o ponto de chegada que queremos é a posição dos pontos
M e N ,então para acharmos essas posições nós partimos do princípio que já tenhamos
encontrado, e construimos a parti disso o paralelogramo BDM N , este paralelogramo
funciona como uma espécie de antecedente para a nossa construção. A parti do paralelo-
gramo BDM N concluimos que AD é a bissetriz de B ÂC. Essa bissetriz podemos tomar
como ponto de partida para a nossa construção uma vez que a construção da bissetriz é
elementar.
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 65

Exemplo 2: Construa um triângulo ABC, retângulo em A, conhecendo o tamanho da


hipotenusa BC e o tamanho da mediana relativa a AC .

Solução: Usando a técnica do problema resolvido podemos construir a seguinte figura:

Como o ângulo B ÂC é reto, então o vértice A está sobre o circulo de diâmetro BC ,
logo se E é o ponto médio de BC então AE = BE = CE. Agora sendo D o ponto médio
de AC, então BD e AE são duas medianas do triângulo. Mas sabemos que cada mediana
do triângulo divide qualquer outra mediana em dois segmentos na proporção de 2 está
para 1. Logo sendo G o ponto de encontro dessas duas medianas então:
AE BE BC
AG = 2GE ⇔ GE = = =
3 3 6

Além disso:
2
BG = 2GD ⇔ BG = BD
3

Como nós conhecemos o tamanho de BC e de BD, então também conheceremos os


tamanhos de BE, GE e BG, basta dividirmos BC e BD em partes iguais. Logo podemos
então determinar a posição do ponto G, e com isso poderemos realizar a construção do
triângulo da seguinte maneira:
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 66

Primeiro construimos o triângulo BEG, usando o compasso respeitando o tamanho


das medidas de cada um dos lados. Após isso, construimos um circulo τ de diâmetro
BC. Finalmente traçamos a semirreta EG com origem E e pegamos a intercessão desta
semirreta com o circulo τ , que será o ponto A, obtendo assim o triângulo ABC que
queríamos.

Exemplo 3: Dado um círculo C, uma reta r exterior a C e um ponto A sobre r.


Construa um círculo tangente a C exteriormente e tangente a reta r em A. [3]

Solução: Novamente supondo o problema resolvido temos que analisar a seguinte


figura:

Sendo C1 o centro do círculo C e G o centro do círculo a ser construido que iremos


chama-lo de D, e F é o ponto de tangência entre os dois círculos. Como o círculo D é
tangente a r em A então GA é perpendicular à r. A partí disso iremos traçar uma reta
auxiliar paralela a GA passando por C1 , de forma que esta reta intercepta o círculo C
no ponto E pertencente ao semiplano definido pela reta C1 G que não contém o ponto A.
Essa reta irá intercepta a reta r no ponto H.

Observe que a AĤE = 90o , visto que EH é paralela a GA e H ÂG = 90o . Sabemos
também que quando dois círculos são tangentes os seus centros e o ponto de tangência
estão alinhados. Logo podemos perceber que os ângulos E Ĉ1 F e F ĜA são iguais pois
são alternos internos definido pelas retas paralelas GA e HA e pela tranversal C1 G. Logo
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 67

como os triângulos C1 EF e GF A são isósceles com C1 E = C1 F e GF = GA então:


1 1
C1 F̂ E = (180o − E Ĉ1 F ) = (180o − F ĜA) = GF̂ A
2 2

Isto mostra que os ângulos opostos pelo vértice F são iguais e logo os pontos E, F e A
estão alinhados. A parti disso podemos fazer a construção.

Primeiro traçamos uma perpendicular a r passando por C1 , esta perpendicular irá


interptar o círculo C no ponto E , que é o ponto do círculo que esta mais distante da
reta r. Após isso, determinanos o ponto F que será a intercessão do círculo C com o
segmento EA. Finalmente traçamos uma reta perpendicular a reta r passando por A
e determinamos o ponto G que será a intercessão desta reta com a reta C1 F . E assim
obtemos o círculo de centro em G que passa por F , e assim o problema está resolvido.

Observe que para o caso em que o ponto A for pé da perpendicular EC1 , isto é , A = H
o ponto F será igual ao ponto S, onde S é o ponto diamentralmente oposto E através de
C, e o ponto G será o ponto médio do segmento SA. [3]

Exemplo 4: Construir um triângulo ABC conhecendo os lados AB e BC e a mediana


relativa ao lado AC. [3]

Solução: Novamente usando a técnica do problema resolvido poderemos construir a


figura:

Traçamos então uma reta auxiliar paralela a AB passando por C, e tomamos um ponto
E sobre esta reta de forma que CE = AB. Observe que o quadrilátero ABCE é um
paralelogramo e portanto suas diagonais se encontram no ponto médio logo sendo D o
ponto de suas diagonais AC e BE, então BE = 2BC. Diante disso a construção é bem
simples.
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 68

Sobre o segmento BC dado podemos construir o triângulo BCE, visto que conhecemos
os três lados do triângulo. Após isso traçamos uma paralela à reta EC passando por B.
Como conhecemos o tamanho do segmento BA, então sobre esta reta podemos determinar
o ponto A de forma que A esteja no mesmo semiplano, definido pela reta BC , em que se
encontra o ponto E e assim o problema esta resolvido.

Exemplo 5: Construa um triângulo ABC conhecendo o tamanho de suas três media-


nas.

Considerando a técnica do problema resolvido e sendo D, E e F os pontos médios dos


lados AB, BC e AC respectivamente, podemos construir a seguinte figura:

Observe que conhecemos as medidas do segmento BF , CD e AE, e como cada mediana


divide cada uma das demais em dois segmentos em que um é o dobro do outro então
GE = 13 AE, CG = 23 CD e BG = 32 BF . Tomando um ponto H sobre a reta AE de modo
que GE = EH, com H 6= G, teremos que E é o ponto médio GH. Como as diagonais BC
e GH, do quadrilátero BGCH, se encontram no ponto médio, então este quadrilátero é
um paralelogramo.

Logo GH = 23 AE, CH = BG = 23 BF e BH = CG = 23 CD. Logo conhecemos os


três lados do triângulo CGH e os três lados do triângulo BGH. A partir disso podemos
construir o triângulo ABC da seguinte maneira:

Primeiro construímos os triângulos BGH e CGH, de modo que CH = BG = 23 BF ,


BH = CG = 32 CD e GH = AG = 32 AE, obtendo assim o paralelogramo BGCH. Após
isso, sobre o prolongamento do segmento HG, no sentido de H para G, tome o ponto A
tal que GA = HG. Assim o ponto A está definido. Logo o problema está resolvido.
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 69

Exemplo 6: Construa um triângulo ABC conhecendo o  = θ, o lado BC = r e a


mediana relativa à base AC.

Solução:

Usando a técnica do problema resolvido, isto é, supondo conhecido o triângulo ABC,


podemos montar a seguinte figura:

Considerando que o triângulo ABC está construído, seja D o ponto médio de AC e


E o ponto da semirreta BD de forma que D é o ponto médio de BE. Observe que o
quadrilátero ABCE é um paralelogramo, pois as suas diagonais AC e BE se encontram
no ponto médio D. Logo EC é paralelo a AB. Assim B ÂC = DĈE = θ. Logo C
pertence ao arco capaz do ângulo θ sobre DE,que chamaremos de Γ . Por outro lado,
como a distância de B até C é r, então C também pertence ao círculo de centro em B e
raio r. Logo C pertence à interseção de Γ com o círculo de centro em B. Com base nisso
podemos construir o triângulo da seguinte maneira.

Dado o segmento BD, usando o compasso com centro em D, obtemos o ponto E sobre a
semirreta BD de forma que DE = DB. Em seguida construimos o arco capaz Γ do ângulo
θ sobre a segmento DE. A intercessão de Γ com o círculo de centro B e raio r, determina
o ponto C. Traçamos um círculo com centro D e passando por C determinamos o ponto
A sobre a reta CD, de forma que AD = DC. Como os segmentos BE e AC se cortam ao
meio temos que quadrilátero ABCE é um paralelogramo, portanto B ÂC = DĈE = θ.
O triângulo ABC assim obtido tem BD como mediana e BC = r como base. Como
queríamos construir.
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 70

Exemplo 7: Construa um triângulo ABC conhecendo o ângulo Ĉ = 2θ, o lado AB e


a soma s = AC + BC.

Solução: Usando a técnica do problema resolvido, isto é, conhecido um triângulo ABC


sujeito as condições do enunciado, podemos construir a seguinte figura:

Neste exemplo temos que saber transformar a soma de AC com BC em um único


segmento, para isso podemos tomar um ponto D sobre o prolongamento do segmento
AC, no sentido de A para C, de modo que CD = BC. Desta forma:

AD = AC + CD = AC + BC = s

e o triângulo DCB é isósceles. Como conhecemos o ângulo AĈB = 2θ, que é um ângulo
externo ao triângulo DCB, então pelo teorema do ângulo externo temos que:
1
B D̂C = C B̂D = AĈB = θ
2

Logo D pertence ao arco capaz do ângulo θ sobre o segmento AB. Além disso, sabemos
que AD = s, logo D pertence também ao círculo de centro em A e raio s. Sendo assim D
pertence a intercessão desse círculo com o arco capaz, e isto torna possivel a construção
do triângulo ADB. Observe ainda que C pertence à mediatriz do segmento BD, visto
que CD = BC. A partir disso podemos construir o triângulo ABC da seguinte forma:

Sobre o segmento AB, construa o arco capaz do ângulo θ. Após isso, trace o círculo
de centro em A e raio s e considere D como a interseção desse círculo com o arco capaz
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 71

do ângulo θ. Finalmente, trace a mediatriz m do segmento BD e considere o ponto C


definido pela interseção de m com o segmento AD. O triângulo ABC satisfaz as condições
do enunciado.

Para verificar isso basta observar que o triângulo BCD é isósceles com BC = CD, pois
C pertence à mediatriz de BD. Portanto teremos que:

C B̂D = C D̂B = θ

Agora usando o teorema do ângulo externo teremos que:

AĈB = C B̂D + C D̂B = 2θ

AC + CB = AC + CD = AD = s

Exemplo 8: Construa um triângulo ABC, conhecendo o lado BC = a, o ângulo


 = 2α e a diferença d = AB − AC com AB > AC.

Solução: Usando a técnica do problema resolvido podemos construir a figura abaixo:

Nesta figura tomamos o ponto M sobre o lado AB de tal modo que AM = AC, observe
que M B = AB − AC = d. Além disso, temos que o triângulo ACM é isósceles, logo
AĈM = AM̂ C = 90o − α. Assim C M̂ B = 90o + α.
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 72

Com isso podemos construir o triângulo CM B, uma vez que conhecemos os tamanhos
dos lados BC e M B e também o ângulo C M̂ B. Essa construção iremos fazer de forma
detalhada a partir de agora.

Primeiro construímos o ângulo α a partir da construção da bissetriz do ângulo 2α. Em


seguida construímos o ângulo de 90o + α através do ângulo α, através de uma rotação de
90o . A partir disso construímos o arco capaz do ângulo 90o + α sobre o segmento BC.

Observe que a interseção do arco capaz com o círculo de centro em B e raio d determina
o ponto M .

Por fim temos que o ponto A pertence ao mesmo tempo à reta BM e também à
mediatriz do segmento M C, visto que AM = AC. Assim a interseção da reta BM com
a mediatriz do segmento M C determina o ponto A. O que finaliza a construção.

Exemplo 9: Considere duas retas r e s que se encontram em um ponto C inacessível


e um ponto P na região delimitada por essas duas retas. Trace uma reta passando por P
e por C.

Solução: Considere o problema o problema resolvido e observe a figura abaixo:

Nesta figura F e G são as projeções ortogonais de P sobre r e s, respectivamente. Logo


teremos que:
P ĜC + P F̂ C = 90o + 90o = 180o
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 73

Portanto o quadrilátero CF P G é inscritível num círculo Σ e assim concluímos que


F P̂ C = F ĜC = θ. Mas observe que o ângulo F ĜC é o menor ângulo formado pela reta
r e pela reta F G. Mas como os pontos F e G são pontos conhecidos então a reta F G está
determinada e o ângulo F ĜC também. Com isso podemos ir para a construção.

Partindo do ponto P , trace as perpendiculares às retas r e s, respectivamente, deter-


minando o ponto F sobre s e o ponto G sobre r. Vamos chamar de θ o ângulo agudo
formado pelas retas r e F G. Passando por P trace uma semirreta t que forma um ângulo
θ com o segmento F P , de modo que o ângulo θ esteja contido no interior do ângulo F P̂ G.
A semirreta t irá encontrar o círculo Σ em um ponto C1 . Os pontos C e C1 pertencem ao
arco F G que não contém o ponto P . Os ângulos inscritos F P̂ C1 e F P̂ C são iguais. Logo
os arcos F C e F C1 são iguais. Portanto C = C1 . Logo a semirreta t passa pelo ponto
inacessível C, como queríamos demonstrar.

Exemplo 10: Construa um trapézio conhecendo a soma das bases AB + CD = s, as


diagonais AC = p e BD = q e o lado AD = a.

Solução: Considere o problema resolvido e observe a figura abaixo.

Primeiro devemos traçar uma reta paralela a diagonal BD passando por C, de modo
que esta reta encontre a reta AB no ponto E. Como DC é uma reta paralela a AB e CE
é paralela a BD, então o quadrilátero BDCE é um paralelogramo e assim BD = CE = q
CAPÍTULO 3. TÉCNICAS DE CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS 74

e BE = DC. Logo:
AE = AB + BE = AB + DC = s

Observe que o triângulo ACE é fácil de construir, pois conhecemos as medidas dos seus
três lados. Este triângulo e o paralelogramo BDCE funcionam como antecendentes para
a nossa construção que faremos a partir de agora.

Primeiro construímos o triângulo ACE, respeitando as medidas de seus lados. A seguir,


traçamos uma reta r, paralela à AE, passando por C. A interseção da reta r com um
círculo de centro em A e raio a determina o ponto D em duas posições
4 Análise Combinatória

Análise combinatória
As definições e alguns exemplos desse capitulo foram tirados do livro "Os Fundamentos
da Matemática Elementar "Volume 5 de Gelson Iezzi e outros.

4.1 Introdução:
A análise combinatória é uma parte da matemática que visa desenvolver métodos que
permitam contar o número de elementos de um determinado conjunto.

Quando esta quantidade de elementos é pequena podemos listá-los, mas quando é um


número grande precisamos usar uma técnica para contar estes elementos, por isso iremos
destinar um capítulo para abordar essas técnicas.

Ao longo desse capítulo iremos resolver problemas tais como:

Problema 01:Calcule a quantidade de números de 6 algarismos que podem ser forma-


dos, onde o algarismo 2 aparece no minimo duas vezes.

Observe logo de cara que existem muitos números que sastisfazem esta condição, logo
listar todos eles fica inviável.

A pricipal dessas técnicas é o princípio fundamental da contagem. Este princípio possui


duas versões distintas. Antes de enunciá-las vamos demonstrar alguns lemas.

Lema 5.1: Dados dois conjuntos A e B com r e s elementos, então existem r.s pares
ordenados no formato (p, q) aonde p ∈ A e q ∈ B.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 76

Demonstração: Basta observar que para cada p ∈ A fixo, temos s possibilidades de


escolhas para o elemento q ∈ B. Assim temos s pares ordernados do tipo (p, q), com p
fixo em A e q variando em B. Como o conjunto A possui r elementos então o número de
pares ordenados (p, q), com p ∈ A e q ∈ B é igual a s + s + s + · · · + s (r vezes), que por
sua vez é igual a rs.

Lema 02:Dado um conjunto A com r elementos, o número de pares ordenados que


podemos formar no formato (m, n) com m, n ∈ A e m 6= n é r.(r − 1).

Demonstração: Basta observa que existem r pares ordenados da forma (m, m) com
m ∈ A. Pelo lema anterior, o número de pares ordenados (m, n), com m, n ∈ A, m 6= n é
r2 − r = r.(r − 1), como queríamos demonstrar.

Estes dois lemas quando generalizados, darão origem às duas versões do Princípio fun-
damental da contagem, que veremos logo a seguir.

4.2 Princípio fundamental da contagem


Versao 1: Sejam A1 , A2 , A3 · · · An , n conjuntos com m1 , m2 , m3 , · · · , mn elementos
respectivamente. A quantidade de n-uplas ordernadas no formato (p1 , p2 , p3 , · · · , pn ) com
p1 ∈ A1 , p2 ∈ A2 , · · · , pn ∈ An é m1 .m2 .m3 · · · mn .

Versão 2: Dado um conjunto B com n elementos ,a quantidade de r-uplas ordernadas


no formato (a1 , a2 , · · · , ar ), com ai , aj ∈ B, ai 6= aj para todo i 6= j e 1 ≤ i, j ≥ r é
n!
n.(n − 1).(n − 2) · · · (n − r + 1) = r!

A demonstração destas versões sai facilmente por indução, através dos dois lemas enun-
ciados anteriormente, e ficará a cargo do leitor. Iremos agora aos exemplos.

Exemplo 1:Em uma lanchonete, para um cliente montar o seu lanche, são oferecidas 4
opções de carnes, três opções de salada e dois sabores de suco. Sabendo que cada lanche
só pode ser formado por um tipo de cada elemento, de quantas formas diferentes o cliente
pode montar o seu lanche?
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 77

Solução: Observe que se fixamos em apenas um tipo de carne, temos que para cada
salada escolhida temos dois tipos de suco, como são 3 tipos de salada, temos então que
são 6 lanches com o mesmo tipo de carne .Mas são 4 tipos de carne, e com cada tipo de
carne pode ser formados 6 lanches, logo são ao todo 6.4 = 24 lanches.

Exemplo 2: Uma moeda honesta foi lançada 3 vezes. Quantas sequências de caras e
coroas podem sair nesses três lançamentos.

Solução: Vamos denotar cara por C e coroa por K. Sejam A, B e D, os conjuntos for-
mados por todos os resultados possiveis no primeiro, no segundo e no terceiro lançamento,
respectivamente. Logo temos que A = B = D ={ C,K}.

Sejam também a1 , a2 e a3 os resultados obtidos nesses lançamentos. Repare que a


quantidade de sequências formadas com os resultados, corresponde à quantidade de ternos
ordenados (a1 , a2 , a3 ), onde a1 ∈ { C,K}, a2 ∈ { C,K}, a3 ∈ { C,K}.

Logo pela versão 1 principio fundamental da contagem temos que o total de sequências
formadas é2.2.2 = 8 .

Exemplo 3: Quantos números de quatro algarismos podem ser formados com dígitos
que pertencem ao conjunto {1,2,3,4,5}?

Solução: Basta observar que a quantidade de números que foi requerida é a mesma
quantidade de quadruplas ordenadas no formato (a1 , a2 , a3 , a4 ) com a1 , a2 , a3 , a4 ∈ {1,2,3,4,5}.

Assim pela versão 1 príncipio fundamental da contagem, temos que a quantidade de


números com quatro algarismos é 5.5.5.5 = 54 = 625.

Exemplo 4:Quantos números de quatro algarismos distintos podem ser formados com
dígitos que pertencem ao conjunto {1,2,3,4,5}?

Solução: Observe que temos 5 possibilidades de escolha para o primeiro algarismo, 4


para o segundo, 3 para o terceiro e duas para o quarto. Então pela versão 2 princípio
fundamental da contagem, temos que existem 5.4.3.2 = 120 números sastifazendo as con-
dições do enunciado.

Exercícios:
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 78

1) Resolva os itens, considerando apenas o conjunto de algarimos{1, 2, 4, 5, 7, 8, 9 }.

a)Encontre a quantidade de números de 5 algarismos que podem ser formados com os


algarismos acima.

b)Encontre a quantidade de números de 5 algarimos, que são formados usando os


algarimos do conjunto acima, em que o algarismo 7 figura .

c)Encontre a quantidade de números de 5 algarismos distintos, que podem ser formados


usando os algarismos acima, aonde o algarismo 1 figura.

d)Encontre a quantidade de números com 5 algarismos distintos que podem ser forma-
dos com os algarismos acima, em que os algarimos 7 e 8 não figuram simultaneamente.

Solução: a) Observe que para cada posição de algarismos existem 7 possibilidades de


escolha, logo podem ser formados 75 números.

b) Do ítem anterior temos 75 números de 5 algarismos formados pelo conjunto dado no


enunciado. Mas entre esses números temos que descontar aqueles em que o 7 não aparece.
Para contamos os números em que o 7 não aparece basta observarmos que existem 6
possibilidades para cada um dos dígitos. Totalizando assim 65 números em que o 7 não
aparece. Logo temos 75 − 65 = 9031 números em que o 7 figura.

c)Novamente o algarismo 1 deve aparecer no número, tendo assim 5 possibilidades de


escolhas para a posição do algarismo. Uma vez escolhida esta posição, temos que escolher
4 algarismos distintos entre os outros 6, e isso poderá ser feito de 6.5.4.3 = 360 formas
diferentes. Gerando assim 360.5 = 1800 números.

d)Como o 7 e 8 não devem aparecer simultaneamente no número então podemos dividir


em dois casos, sendo que no primeiro caso nenhum dos dois aparece no número e no outro
caso apenas um deles aparece.

Caso 1: Quando nenhum dos dois digitos aparece.

Neste caso temos 5 possibilidades de escolha para a primeira posição, 4 para a segunda,
3 para a terceira, 2 para quarta e uma para a última. Gerando assim 5.4.3.2.1 = 5! = 120
números.

Caso 2: Quando apenas um deles aparace.


CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 79

Neste caso temos que escolher primeiro qual dos dois algarismos que vai entrar e também
a sua posição. Tendo 2 possibilidades de escolha para o algarismo e 5 possibilidades de
escolha para a sua posição. Depois que fixarmos o algarismo escolhido e a sua posição,
teremos 5 possibilidade de escolha de algarismos para a primeira posição que falta, 4 para
a segunda, 3 para a terceira e 2 para a quarta, gerando assim 2.5.5.4.3.2 = 10.120 = 1200
números.
Somando os números nos dois casos temos 1200 + 120 = 1320 números.

Solução alternativa para o item d: Podemos aqui empregar uma técnica de re-
solução de problemas de contagem, onde em primeiro lugar podemos contar coisas além
daquilo que queremos e depois descontar aquilo que não queremos.

Observe que os números que estamos procurando, possui algarismos distintos, então
tudo indica que primeiro temos que calcular a quantidade de números de 5 algarismos
distintos.
Nesta caso temos 7 possibilidades para o primeira posição, 6 para o segunda, 5 para a
terceira, 4 para a quarta e 3 para a ultima obtendo assim:7.6.5.4.3. = 7.6.60 = 7.3.120 =
21.120 = 2520 números com algarismos distintos.

Agora temos que calcular a quantidade de números que iremos descontar, que são
aqueles em que 7 e 8 aparecem no mesmo número. Observe que se o 7 e 8 aparecem
no mesmo número temos 5 possibilidades de escolha para o algarismo 7 e 4 possibilidade
de escolha para o algarismo 8, para as demais posições temos posições temos 5, 4 e 3
possibilidades de escolhas dos algarismos que irão ocupar essas posições. Logo isso resulta
em 5.4.5.4.3 = 5.4.60 = 1200 números que os algarismos 7 e 8 aparecem simultaneamente.
Logo para obtemos o resultado esperado basta subtrairmos e assim teremos:2520−1200 =
1320 números.

2) De quantos modos 3 pessoas podem sentar-se em 5 cadeiras em fila?

Solução: Observe que para a primeira pessoa temos 5 possibilidades de escolhas da


cadeira, já para a segunda temos 4 possibilidades e para a terceira temos 3 possibilidades,
logo pela parte 2 do princípio fundamental da contagem presente na página 76, temos que
o número total de modos que estas pessoas poderão se sentar será de 5.4.3 = 60 modos.

3)De quantos modos 5 mulheres e 5 homens podem se sentar em 5 bancos de dois


lugares, se em cada banco deve haver um homem e uma mulher ?
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 80

Solução: Primeiro iremos alocar os homens. Para isso observe que temos 5 bancos com
2 lugares cada um, obtendo um total de 10 lugares. Mas dois homens não podem sentar-
se juntos no mesmo banco, então teremos 10 possibilidades de escolha para o primeiro,
8 para o segundo, 6 para o terceiro, 4 para o quarto e 2 para o ultimo, obtendo assim
10.8.6.4.2 = 32.5! modos de alocar os homens. Agora uma vez definido os lugares dos
homens, cada mulher deve escolher o seu parceiro, tendo 5 possibilidades para a primeira,
4 para segunda, 3 para a terceira, 2 para a quarta e 1 para a quinta. Obtendo assim
5! modos de alocar as mulheres para cada configuração das posições dos homens. Logo
temos um total de 32.5!.5! = 32.(5!)2 = 460800 modos.

4) Usando um alfabeto de 26 letras, sendo que 5 delas são vogais e que as letras A e E
são duas dessas vogais, responda os itens abaixo:

a)Quantos anagramas de 5 letras podemos formar usando no máximo uma vogal?

b) Quantos anagramas de 5 letras podemos formar usando pelos menos uma vogal?

c) Quantos anagramas de 5 letras podemos formar usando exatamente 2 vogais distin-


tas?

d) Quantos anagramas de 5 letras distintas podemos formar nos quais as vogais A e E


não aparecem simultaneamente no mesmo anagrama?

Solução: a) Se não usamos nenhuma vogal, teremos 21 possibilidades para cada uma
das 5 letras, logo pela parte 1 do princípio fundamental da contagem teremos 215 modos
distintos.

Agora se fomos usar uma vogal, teremos que escolher uma entre 5 vogais para usar e
uma posição entre as 5 posições do anagrama, e isso poderá ser feito de 52 = 25 maneiras.
Uma vez que decidimos a vogal e o seu lugar, temos 21 possibilidade para cada uma
das quatro letras restantes, isto irá resultar em 214 modos de preenchimento das 4 letras
restantes. Assim ao todo são 25.214 + 215 = 214 .(25 + 21) = 46.214 anagramas.

b)Iremos usar a técnica de contar a mais e depois descontar. Observe que total de
anagramas que podem ser formados usando as 26 letras é de 265 , mas como queremos
que ao menos uma dessas letras seja vogal, então temos que descontar aqueles anagramas
que não possuem nenhuma vogal que são 215 anagramas. Logo são ao todo 265 − 215 =
11881376 − 4084101 = 7797275 anagramas.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 81

c)Primeiro devemos escolher as vogais que iremos usar. Para isso observe que existem
5.4 = 20 pares ordernados de vogais possiveis, mas para cada par ordernado (a, e) de
vogal escolhido existe um outro par ordernado (b, a) que iria também daria no mesmo
20
resultado. Assim existem 2
= 10 maneiras de escolhemos duas vogais entre cinco. De
modo análogo iremos escolher 2 posições entre 5 para alocar as vogais, que poderá ser
feita de 10 maneiras também. Depois de escolhidos os lugares e alocado as vogais temos
que verificar podemos trocar de posição as vogais gerando duas configurações diferentes.
E para cada uma dessas configurações percebemos que existem ainda 3 lugares com 21
possibilidade cada um, que ira resultar em 213 anagramas diferentes. Logo teremos um
total de 2.10.10.213 = 1852200 anagramas.

d)Observe que existem 26.25.24.23.22 anagramas com letras distintas, mas entre esses
existem anagramas em que as vogais A e E aparecem na mesma palavra. O número de
anagramas que possui as vogais A e E e têm letras todas distintas pode ser calculado da
seguinte maneira:
Primeiro escolhemos o lugar para a vogal A, que pode ser feito com 5 modos. Depois
escolhermos lugar para a vogal E, que poderá ser feito de 4 modos. Depois que ter
escolhido os dois lugares, existem 24 possibilidades para a escolha da terceira letra, 23
para a quarta e 22 para a quinta. Logo são ao todo 5.4.24.23.22 anagramas com letras
distintas e com as vogais A e E.

Assim descontando este número do número total teremos, 26.25.24.23.22−20.24.23.22 =


7650720 anagramas.

5) Calcule a quantidade de divisores do número 2034.

Solução: Fatorando o número 2034 temos que:

2034 = 2.32 .113

Sabemos que qualquer divisor p deste número deve ser no formato p = 2i .3r .113m com
m, r, i ∈ N, com m, i ∈ {0, 1} e r ∈ {0, 1, 2}. Assim existem 3 possibilidades para r e
duas possibilidades para m e duas para i . Logo a quantidade de divisores corresponde
à quantidade de ternos ordenados na forma (i, r, m) que são 3.2.2 = 12 ternos. Logo
teremos 12 divisores.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 82

4.3 Arranjos e permutações:


Definição: Dado um número n ∈ N, definimos o fatorial de n ou simplesmente n!,
como sendo o produto de todos os naturais menores que n. Assim 5! = 5.4.3.2.1 = 120.

Definição: Dado um número n ∈ N e um conjunto P com n elementos, dizemos que o


arranjo de n elementos tomados p a p, ou simplesmente An,p com 0 ≤ p ≤ n, é o número
de p-uplas ordenadas no formato (a1 , a2 , a3 , · · · , ap ) com ai ∈ P , para todo i ∈ N com
1 ≤ i ≤ p , isto é:
n!
An,p = n.(n − 1).(n − 2). · · · .(n − p + 1) =
(n − p)!

Definição: Dado um número natural n e um conjunto M com n elementos, dizemos que


quantidade de permutações do conjunto M é a quantidade de n-uplas ordenadas na forma
(a1 , a2 , a3 , · · · , an ), onde a1 , a2 , a3 , · · · , an ∈ M com ai 6= aj para todo i 6= j, onde i e j
são naturais com 1 ≤ i, j ≤ n. Isto é, a quantidade de permutações do conjunto M é a
quantidade de n-truplas ordernadas que podem ser formadas usando todos os elementos
de M .

Exemplo Encontre todas as permutações do conjunto {1, 2, 3, 4} .

Solução: Com esses quatro elementos podemos forma as seguintes quadruplas order-
nadas:

(1, 2, 3, 4), (1, 2, 4, 3), (1, 3, 2, 4), (1, 3, 4, 2), (1, 4, 2, 3), (1, 4, 3, 2), (2, 1, 3, 4), (2, 1, 4, 3), (2, 3, 1, 4)

(2, 3, 4, 1), (2, 4, 1, 3), (2, 4, 3, 1), (3, 1, 2, 4), (3, 1, 4, 2), (3, 2, 1, 4), (3, 2, 4, 1), (3, 4, 1, 2), (3, 4, 2, 1)

(4, 1, 2, 3), (4, 1, 3, 2), (4, 2, 1, 3), (4, 2, 3, 1), (4, 3, 1, 2), (4, 3, 2, 1)

Logo temos o total de 24 permutações.

Para resolvermos este exemplo usando o princípio fundamental da contagem, basta


lembramos que para a escolha da primeira coordernada temos 4 possibilidades e 3, 2, 1
para as demais coordenadas, totalizando 4.3.2.1 = 24 permutações.

Assim podemos concluir que o número de permutações de um conjunto com m elemen-


tos é m.(m − 1).(m − 2) · · · .2.1 = m!.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 83

Exercícios:

1)Uma familia de 8 pessoas, sendo duas delas crianças, alugou uma kombi para viajar.
Essa kombi possui dois lugares, na frente, três lugares no banco intermediário e três lugares
no banco de trás. De quantas formas podemos alocar essa familia no carro de forma que
as duas crianças não podem viajar na frente?

Solução: Primeiro nós devemos escolher dois adultos entre os cinco para ocupar os
5!
lugares dianteiros isso poderá ser feito de A5,2 = 3!
= 5.4 = 20 modos, visto que a posição
dos adultos também importa. Depois de escolhidos os adultos que irão na frente, temos
que escolher as pessoas que irão no banco intermediário, e logo em seguida as pessoas que
irão atrás, respeitando as posições com que as pessoas podem se assentar. Isso poderá ser
6! 3!
feito de A6,3 .A3,3 = .
3! 0!
= 6! modos.
Assim para cada combinação dos adultos na frente existem 6! combinações de pessoas
atrás, logo temos um total de 20.6! = 20.30.24 = 20.720 = 14400 modos distintos.

2)Em um torneio de 100 times, de quantas formas podemos prencher os três lugares no
pódio?

Solução:Usando o princípio fundamental da contagem temos que existem 100 possibi-


lidades de escolha para o primeiro lugar, 99 e possibilidades para o segundo e 98 para o
terceiro lugar. Logo são 100.99.98 = 100.9702 = 970200 modos distintos.

Solução alternativa: Se formos pensar em arranjo, basta então considerarmos o


conjunto M , formado por todos os times, que possui 100 elementos, e verificarmos quantos
ternos ordenados podemos fazer com estes elementos. A quantidade de ternos que podem
100!
ser formados é A100,3 = 97!
= 100.99.98 = 970200 ternos.

3) Quantos anagramas de 5 letras distintas podemos formar, usando as 26 letras do


alfabeto em ordem lexicográfica?

Solução:Primeiro observe que com as 26 letras do alfabeto podemos formar A26,5 =


26!
21!
= 26.25.24.23.22 = 7893600 quíntuplas ordenadas. Mas entre todas permutaçôes de
um conjunto formado por 5 letras, apenas uma delas está em ordem lexicográfica. Isto
é, para cada 5! quíntuplas ordenadas existe apenas uma que está em ordem lexicográfica.
7893600 7893600
Logo são 5!
= 120
= 65780 quíntuplas.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 84

4.4 Combinações simples


Dados dois números naturais m e n com n ≤ m e um conjunto M com m elementos,
chamamos de combinação simples de m elementos tomados n a n, isto é, Cm,n ou simples-
mente m

n
, ao número de subconjuntos de M que contém n elementos. Assim podemos
enunciar o seguinte lema.

Lema 5.1 Dados dois números naturais m e n com n ≤ m, então:


m! Am,n
Cm,n = =
n!.(m − n)! n!

Demonstração: Considere um conjunto M com m elementos repare que o número


de n-uplas ordenadas no formato (a1 , a2 , a3 , · · · , an ) com a1 , a2 , a3 , · · · , an ∈ M e ai 6= aj
para todo i 6= j, com i, j ∈ N; i, j ≤ n, é exatamente:
m!
Am,n = = m.(m − 1). · · · .(m − (n − 1))
(m − n)!

Mas repare que cada uma das n! permutações de um subconjunto N de M , com n


Am,n
elementos estão associadas ao mesmo subconjunto. Logo existe um total de n!
=
m!
n!.(m−n)!
subconjuntos de M com n elementos. Isto nos leva a concluir que:
m!
Cm,n =
n!(m − n)!

Exemplo 01: Considere o seguinte conjunto M = {1, 2, 4, 5, 6, 10, 11, 16}. Calcule a
quantidade de subconjuntos de M que só tenha dois elementos.

Solução: Temos que escolher dois elementos entre 8 para compor esse conjunto. Repare
que o número total de pares ordenados de coordenadas distintas que podemos formar com
estes elementos é A8,2 = 56. Além disso, podemos perceber que os pares ordernados nos
formatos (a, b) e (b, a) são permutações de um mesmo conjunto. Logo a quantidade de
subconjuntos é: A2!8,2 = C8,2 = 8!
2!.6!
= 28 subconjuntos.

Exemplo 02: Entre um grupo de 12 pessoas devemos escolher 8 para compor uma
equipe em um torneio. De quantas formas podemos fazer isso?

Considere o conjunto M , formado por todas as 12 pessoas, sendo assim devemos escolher
um subconjunto de M formado pelas 8 pessoas. Repare que a ordem das pessoas a serem
12! 12.11.10.9
escolhidas não importa, logo pelo lema anterior existem C12,8 = 8!.4!
= 4.3.2.1
= 495
subconjuntos com 8 elementos. Cada subconjunto representa uma comissão possivel, logo
existem 495 comissões.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 85

Exemplo 03: Qual é o número total de anagramas da palavra matemática? Admita


que o acento diferencia uma vogal da outra.

Solução: Considere o conjunto M sendo formado por todas as posições da palavra


matemática. Temos que então escolher um subconjunto de dois elementos do conjunto
M para alocar os dois m da palavra, isto poderá ser feito de C10,2 maneiras. Depois de
escolhido estes dois lugares temos um subconjunto N de M formado pelos oitos elementos
restantes. Deste conjunto temos que escolher mais um subconjunto com 2 elementos, para
alocar os t que poderá ser feito de C8,2 modos. Logo em seguida temos que escolher um
subconjuto, com 2 elementos, do conjunto formado pelo 6 elementos restantes, para alocar
os a sem acento. Isso poderá ser feito de C6,2 modos. Finalmente iremos permutar os
elementos restantes que poderá ser feito de 4! maneiras.

Assim pelo príncipio fundamental da contagem temos que o número total de possibili-
dades será dada por:
10!
n = C10,2 .C8,2 .C6,2 .4! = = 453600
8

Onde n é a quantidade total de anagramas.

Exercícios:

1) Um professor de educação física tem 15 alunos em uma turma, onde 2 desses alunos
são gêmeos. Com esses alunos o professor deve formar três equipes, com 4, 5 e 6 alunos
respectivamente, para competir em um torneio. Sabendo disso responda as perguntas.

a)De quantas formas distintas o professor pode montar as equipes?

b)De quantas formas distintas o professor poderá montar as equipes de forma que os
gêmeos estejam em equipes separadas?

Solução:

a)Considerando o conjunto formado pelos 15 alunos, devemos escolher um subconjunto


com 4 alunos para compor a primeira equipe que poderá ser feito de C15,4 modos. Logo
em seguida, ao considerarmos o conjunto formado pelo 11 alunos restantes, devemos
escolher 5 alunos para formar a segunda equipe que poderá ser feito de C11,5 modos.
Ao escolher a segunda equipe a terceira já estará determinada logo temos um total de
15!
C15,4 .C11,5 = 4!.5!.6!
= 630630 modos distintos de escolher as equipes.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 86

b)Aqui termos que considerar o total de modos e descontar os quantidade de modos


dos dois irmãos estarem juntos.

Caso 1: Suponha que os dois irmãos se encontrem juntos na primeira equipe. Neste
caso teremos o conjunto formado pelo 13 alunos restantes, dos quais devemos escolher
2 para compor a primeira equipe que poderá ser feito de C13,2 modos. Logo em seguida
devemos escolher 5 alunos entre os 11 restantes, para compor a segunda equipe, que poderá
ser feito de C11,5 modos. Ao compor a segunda equipe a última estará determinada. Assim
13!
temos um total de C13,2 .C11,5 = 2.5!.6!
= 36036 modos dos dois irmãos se encontrarem
juntos na primeira equipe.

Caso 2: Este será o caso em que os dois irmãos se encontram na segunda equipe.
Neste caso temos que escolher 3 alunos entre os 13 restantes, para compor o restante
da segunda equipe, e isso poderá ser feito de C13,3 modos. Logo em seguida devemos
escolher 4 alunos entre os 10 que ainda não foram escolhidos para compor a primeira
equipe, e isso poderá ser feito de C10,4 modos distintos. E finalmente ao compormos a
primeira equipe, a terceira estará determinada. Assim temos ao todo uma quantidade de
13!
C13,3 .C10,4 = 3!4!6!
= 60060 modos distintos para que os irmãos fiquem juntos na segunda
equipe.

Caso 3: Este será o caso dos irmãos estarem juntos na terceira equipe. Neste caso,
entre os 13 alunos restantes, devemos escolher 4 para compor o restante da terceira equipe.
Isto poderá ser feito de C13,4 modos distintos. Logo a seguir devemos escolher 4 alunos
entre os 9 que ainda não foram escolhidos, para compor a primeira equipe, e isto poderá
13!
ser feito de C9,4 maneiras distintas. Logo existe um total de C13,4 .C9,4 = 4!.4!.5!
= 90090
maneiras distintas dos dois irmãos se encontrarem na terceira equipe.

Logo considerando os três casos temos ao todo 36036+60060+90090 = 186186 maneiras


dos irmãos ficarem juntos. Como existem 630630 modos de escolhermos as equipes, então
podemos concluir que o número de modos dos irmãos ficarem separados será 630630 −
186186 = 444444 modos distintos.

2)Quantos anagramas da palavra ARACAJU, possuem o bloco CAJU?

Solução: Considerando o bloco CAJU, como sendo um bloco só da palavra ARACAJU,


então temos que esta palavra possui 4 blocos, sendo que dois delas são para a vogal A.
4!
Assim para escolher dois desses blocos para a vogal A, podemos proceder de C4,2 = 2.2
=
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 87

24
4
= 6 modos distintos. Logo em seguida devemos permutar os dois blocos restantes que
poderá ser feito de duas maneiras. Logo temos ao todo 2.C4,2 = 2.6 = 12 anagramas.

3)Um barco possui 8 lugares para se assentar, sendo 4 no lado direito e 4 do lado
esquerdo, onde em cada lado deve haver exatamente duas pessoas remando. De quantas
formas podemos alocar um grupo de 8 pessoas dentro desse barco, sabendo apenas 6 deles
sabem remar?

Observação: A posição dentro do barco diferencia a tripulação, isto é, não há simetria


entre os dois lados.

Solução: Primeiro em um grupo de 6 seis remadores, devemos escolher dois para remar
6!
do lado direito que poderá ser feito de C6,2 = 2.4!
= 15 modos diferentes. Logo em seguida
entre o grupo de 4 remadores restantes devemos escolher mais dois para remar no lado
esquerdo que poderá ser feito de C4,2 = 6 modos distintos. Depois disto temos que alocar
os 2 remadores escolhidos para remar do lado direito em seus respectivos lugares. Como há
4 possibilidades para o primeiro remador e 3 possibilidades para o segundo, isto poderá ser
feito de 4.3 = 12 modos distintos. De modo análogo, para o lado esquerdo também haverá
12 modos distintos para alocar os dois remadores escolhidos para remar neste lado. Por fim
iremos alocar as outras pessoas que poderá ser feito de 4! = 24 maneiras diferentes. Logo
pelo príncipio fundamental da contagem temos ao todo 15.6.12.12.24 = 90.3456 = 311040
modos distintos de alocar as oitos pessoas.

4.5 Combinação completa e o Método Bola-Traço


Segundo o livro "Análise combinatória e Probabilidade"do autor Augusto César de
Oliveira Morgado, uma combinação completa ou combinação com repetição representada
por CRnp , é o número de escolhermos p objetos, não necessariamente distintos, entre n
objetos distintos.

Assim por exemplo, o número de combinações completas de classe 4 dos objetos a, b, c, d


tomados 3 a 3 são: aaa; aab; aac; aad; bba; bbb; bbc; bbd; cca; ccb; ccc; ccd; dda; ddb; ddc;
ddd; abc; abd, acd; bcd.
Logo CR43 = 20.

Então problemas que envolvem a combinação, são problemas que envolvem um conjunto
M com r elementos, onde devemos escolher p elementos distintos ou não desse conjunto.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 88

A contagem de quantidade de modos que temos de fazer isto é feita através do método
bola traço. Para isso considere os exemplos abaixo.

Exemplo 1: De quantas formas distintas podemos distribuir 5 presentes entre 3 cri-


anças ?

Solução: Em primeiro lugar, devemos observar que em um conjunto de 3 crianças,


devemos escolher uma criança para cada presente, lembrando que uma criança pode ser
escolhida mais que uma vez. Podemos pensar nas variáveis x1 , x2 e x3 , onde x1 representa
a quantidade de presente que a primeira criança irá receber, x2 a quantidade de presentes
que a segunda criança irá receber e x3 a quantidade de presentes que a terceira criança
irá receber. Como a quantidade total de presentes é 5, resolver este problema equivale a
achar a quantidade de soluções inteiras não negativas da equação:

x1 + x2 + x3 = 5

A parti de agora iremos concentrar os nossos esforços a fim achar a quantidade de


soluções inteiras não negativas da equação acima.

Para resolvermos este problema iremos usar o método bola traço. Cada bola neste
esquema representa uma unidade no valor da incógnita e cada traço tem a função de
separar duas incógnitas. Como são três incógnitas serão necessário apenas dois traços.

Neste método cada solução da equação acima tem um e apenas um esquema represen-
tativo. Por exemplo para representar a solução x1 = 2 ,x2 = 1 e x3 = 2 podemos elaborar
o seguinte esquema:

Observe que a quantidade de bolas que vem antes do primeiro traço é exatamente o
valor x1 , ja a quantidade de bolas entre o primeiro e o segundo traço é o valor de x2 e quan-
tidade que vem após o segundo traço é a quantidade de x3 . Já a solução x1 = 1, x2 = 4 e
x3 = 0 poderá ser representada pelo seguinte esquema:
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 89

Assim para acharmos a quantidade de soluções da equação, precisamos organizar em


fila 5 bolas e 2 traços. Isto dar no mesmo que entre 7 elementos, sendo 5 bolas e 2
7!
traços, escolhermos dois para serem traços. E isto poderá ser feito de C7,2 = 2!5!
= 21
modos. Assim a quantidade de soluções inteiras da equação x1 + x2 + x3 = 5 é 21, e
consequentemente teremos 21 modos de distribuir 5 presentes para 3 crianças.

Exemplo 2: Quantas soluções inteiras e positivas possui a equação: x + y + z + t + w =


15?

Neste problema interpretando cada unidade como sendo bolas, teremos um total de 15
bolas. Como temos 5 incógnitas devemos ter 4 separadores, isto é, 4 traços. Novamente
cada solução da equação tem uma e apenas uma representação no esquema bola-traço.
Por exemplo a solução x = 2, y = 3, z = 4, t = 0, w = 6 pode ser representada pela figura
abaixo:

Observe que o número de soluções da equação é igual a quantidade de representações


no esquema bola-traço, que por sua vez é igual a quantidade de modos que podemos
organizar em uma fila 15 bolas e 4 traços. Mas isto dar no mesmo que escolhermos, entre
15 + 4 = 19 elementos, 4 elementos para serem traços que poderá ser feito de C19,4 = 3876
modos distintos. Logo há 3876 representações distintas no método bola-traço para este
problema, e cada uma das representações indica uma solução distinta da equação. Logo
há 3876 soluções para a equação.

Exemplo 3: De quantas formas distintas podemos distribuir 5 presentes iguais entre


3 crianças , de forma que cada criança receba pelo menos um presente ?

Solução: Neste problema iremos interpretar os presentes como sendo bolas. Como há
3 crianças, para separarmos os presentes iremos ultilizar 2 separadores, isto é, 2 traços.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 90

Cada traço tem a função de separar os presentes de cada criança, de modo que as bolas
que estiverem antes do primeiro traço representam a quantidade de presentes que será
dado a primeira criança, já as bolas que estiverem entre o primeiro e o segundo traço
representa a quantidade de presentes que será dado a segunda criança e por fim as bolas
que estiverem após o segundo traço que representa a quantidade de presente que será
dado a última criança.

Agora para garantirmos que cada criança irá receber pelo menos um presente, antes de
mais nada nós entregamos um presente para cada criança. Após isto teremos 5 − 3 = 2
presentes, que serão representados por 2 bolas, para serem distribuídos entre as três
crianças. Assim teremos que organizar 2 bolas e 2 traços em uma fila. Isto seria a
mesma coisa que escolhermos, entre 4 elementos, 2 para serem traços. Isto poderá ser
feito de C4,2 = 6 modos distintos. Como cada representação no esquema bola- traço
representa uma solução diferente para o nosso problema, então haverá 6 modos distintos
de distribuímos os presentes entre as crianças de modo que cada uma delas recebam ao
menos um presente.

Exemplo 4: Quantas soluções inteiras e não negativas possui a inequação x + y + z +


t + w ≤ 15 ?

Antes de mais nada iremos definir uma variável m, chamada de folga, por:

m = 15 − (x + y + z + t + w)

Como x + y + z + t + w ≤ 15, então m é um inteiro com 0 ≤ m ≤ 15. Além disso:

x + y + z + t + w + m = 15

É claro que existe uma correspondência biunívoca entre as soluções não negativas de
x + y + z + t + w ≤ 15 e as soluções de x + y + z + t + w + m = 15.

Logo o número de soluções inteiras e não negativas da inequação x + y + z + t + w ≤ 15 é


igual ao número de soluções inteiras não negativas da equação x + y + z + t + w + m = 15.

Então agora iremos calcular o número de soluções inteiras e não negativas da equação
acima usando o esquema bola-traço, onde as bolas correspondem as unidades e os traços
os traços são os separadores,cuja a função é separar o valor de cada incógnita.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 91

Como temos 15 unidades e cada bola representa uma unidade teremos então 15 bolas.
Agora como são seis incógnitas serão necessários 5 separadores para separar o valor de
cada incógnita, isto é, serão necessários 5 traços. Como cada representação no esquema
bola-traço representa uma solução diferente para a equação, então para calcularmos o
total de soluções da equação temos que escolher em um total de 20 elementos, sendo 15
bolas e 5 traços, 5 elementos para serem traços. Isto poderá ser feito de C20,5 = 15504
modos distintos. Assim a equação terá 15504 soluções distintas que é o mesmo número
de soluções da inequação do enunciado.

4.6 A Fórmula da Combinação Completa


O teorema a seguir permite resolver problemas de combinações completas através de
fórmulas.

Teorema 5.6: Dados n, p ∈ N, então o número de modos de escolhermos p objetos


distintos ou não entre n objetos distintos dados é:

(n + p − 1)! p
CRnp = = Cn+p−1
p!.(n − 1)!

Demonstração: Seja x1 a quantidade de vezes que iremos escolher o primeiro objeto,


x2 quantidade de vezes que iremos escolher o segundo objeto, e assim sucessivamente até
xn que a quantidade de vezes iremos escolher o n-ésimo objeto. Como devemos fazer ao
todo p escolhas então devemos ter:

x1 + x2 + · · · + xn−1 + xn = p

Então o total de modos de escolhermos p objetos, não necessariamente distintos, entre


n objetos é exatamente a quantidade total de soluções inteiras não negativas da equação.
Agora interpretando cada unidade como sendo bolas, como temos p unidades teremos
então p bolas. Como temos n incógnitas para separamos o valor de cada incógnita no
esquema bola-traço, serão necessários n − 1 separadores, isto é, n − 1 traços. Assim o
número total de soluções da equação será igual a quantidade de modos de organizarmos
em uma fila p bolas e n − 1 traços. Mas isto é o mesmo que escolher p elementos para
p
serem bolas em um total de p + n − 1 elementos que poderá ser feito de Cn+p−1 modos
distintos.

p
Assim concluímos que a equação acima terá Cn+p−1 soluções distintas, e consequen-
p
temente teremos Cn+p−1 modos de escolhermos p distintos ou não em um total de n
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 92

elementos distintos. Logo:

p (n + p − 1)!
CRnp = Cn+p−1 =
p!(n − 1)!

Como queríamos demonstrar.

Exemplo 1: De quantas formas podemos comprar 3 refrigerantes em uma loja onde


há 5 tipos de refrigerante?

Solução: Seja M o conjunto formado pelos sabores dos refrigerantes. Logo M tem
5 elementos, dos quais iremos escolher 3 elementos que poderão ser distintos ou não. O
número de formas de fazer isso será CR53 . Pelo teorema anterior teremos:

CR53 = C73 = 35

Logo teremos 35 modos distintos de comprar os refrigerantes.

Exemplo2: De quantas formas distintas podemos distribuir 6 presentes iguais entre 4


crianças?

Solução: Seja M o conjunto de crianças, que possuí 4 elementos. Como para cada
presente devemos escolher uma criança, então teremos 6 escolhas para fazer em um con-
junto de 4 elementos, que neste caso são crianças, lembrando que cada elemento pode ser
escolhido mais que uma vez. Logo pelo teorema anterior o total de modos será:
9.8.7
CR46 = C96 = = 3.4.7 = 84
3.2

Logo são 84 modos distintos de distribuímos os presentes entre as 4 crianças.

Exemplo 3: Encontre o número total de soluções da equação

Exercícios :

1) Três dados honestos, com 6 faces numeradas de 1 a 6, são lançados simultaneamente,


calcule a quantidade de configurações possíveis de forma que o número obtido em um dos
dados seja igual a soma dos números obtidos nos outros dois.

Observação: A escolha do dado para ser a soma dos outros dois diferencia a configu-
ração.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 93

Suponha que queiramos que o primeiro dado seja a soma dos demais e seja m1 , m2 e
m3 os resultados obtidos nos dados. Logo m1 = m2 + m3 . Mas como 1 ≤ m1 ≤ 6 então
1 ≤ m2 + m3 ≤ 6 com m2 , m3 ≥ 1. Assim devemos nos preocupar em achar a quantidade
de soluções da inequação m2 +m3 ≤ 6 com m2 e m3 inteiros menores que 6 . Como m2 ≥ 1
então podemos definir um número inteiro não negativo r como sendo r = m2 − 1 ≥ 0,
assim m2 = r + 1.

De modo análogo como m3 ≥ 1então podemos definir um inteiro não negativo s como
sendo s = m3 − 1 ≥ 0, logo m3 = s + 1. Assim temos que:

m2 + m3 ≤ 6 ⇔ r + 1 + s + 1 ≤ 6 ⇔

r+s≤4

Agora definindo uma variável t chamada de folga por t = 4 − (r + s), obtemos:

r+s+t=4

Como r e s são inteiros de forma que r + s ≤ 4 então t é um inteiro tal que t =


4 − (r + s) ≥ 0. Assim o nosso problema se resume a encontrar a quantidade de soluções
da inteiros não negativas da equação r + s + t = 4.

Para isto considere o conjunto formado pelas incógnitas, logo este conjunto terá 3
elementos. Agora como para cada unidade teremos que escolher uma incógnita na qual
esta unidade vai pertencer, e considerando que temos 4 unidades, então devemos fazer
4 escolhas em um conjunto com 3 elementos. Mas pelo teorema anterior o número de
maneiras de fazer isto é:
CR34 = C64 = 15

Logo a equação r + s + t = 15 terá 15 soluções e para cada uma das soluções teremos
uma representação diferente nos dados. Portanto uma vez que escolhermos o resultado do
primeiro dado para ser a soma dos resultados dos demais dados teremos 15 configurações
distintas. Como podemos escolher qualquer um dos dados para ser a soma dos demais
então teremos um total de 15.3 = 45 configurações.

2) De quantas formas diferentes, podemos colocar 6 anéis diferentes podemos colocar


nos 10 dedos da mão?

Observação: Suponha que em cada dedo pode caber mais que 6 anéis idependente do
tamanho do dedo.
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 94

Primeiro iremos fazer a escolha da quantidade anéis em cada dedo. Para isto considere
o conjunto formado por todos os dedos. Observe que para cada anel podemos escolher um
dedo, isto significa que em um conjunto de dez dedos precisamos fazer 6 escolhas de dedos,
6 6
podendo escolher um dedo mais que uma vez. Isto poderá ser feito de CR10 = C15 = 5005
modos distruimos os anéis entre os dedos. Mas como os anéis são diferentes então a ordem
dos anéis importa, então basta agora permutarmos os anéis entre os dedos, havendo então
6
10! permutações. Assim teremos C15 .10! modos distintos de colocar os anéis entre os
dedos.

3) A Relação de Stifel Seja m, n ∈ N com m > n, então prove que vale a relação:

Cm,n + Cm,n+1 = Cm+1,n+1

Solução Algébrica: Observe que:


m! m!
Cm,n + Cm,n+1 = + ⇔
n!.(m − n)! (n + 1)!(m − n − 1)!

1 1
Cm,n + Cm,n+1 = m!.( + )⇔
n!.(m − n).(m − n − 1)! (n + 1).n!.(m − n − 1)!

m! 1 1
Cm,n + Cm,n+1 = .( + )⇔
n!.(m − n − 1)! m − n n + 1

m! m+1 m!
Cm,n + Cm,n+1 = .( )= ⇔
n!.(m − n − 1)! (m − n)(n + 1) (n + 1)!.(m − n)!

Cm,n + Cm,n+1 = Cm+1,n+1

Como queríamos demonstrar.

Solução por contagem: Suponha que tenhamos um conjunto M com m+1 elementos
e queremos contar a quantidade de subconjuntos com n + 1 elementos distintos neste
conjunto. Uma das maneiras de fazer isto é olharmos para a combinação simples de m + 1
elementos tomados n + 1 a n + 1, isto é, Cm+1,n+1 .
CAPÍTULO 4. ANÁLISE COMBINATÓRIA 95

Uma outra maneira de proceder é fixarmos um elemento a de M e então contarmos a


quantidade de subconjuntos de M nos quais a pertece, e a quantidade de subconjuntos
de M nos quais a não pertence e após isso somarmos as quantidades.

Para isso seja C um subconjunto qualquer de M com n + 1 elementos. Supondo que


a ∈ C, temos que escolher entre os outros m elementos de M , n elementos para terminar
de compor o conjunto C. Isto poderá ser feito de Cm,n modos distintos. Logo haverá Cm,n
subconjuntos de M nos quais a pertece.

Agora se a ∈
/ C, então temos que escolher entre os m elementos restantes de M , n + 1
para compor o conjunto C. Isto poderá ser feito de Cm,n+1 modos distintos. Logo haverá
Cm,n+1 subconjuntos de M nos a não pertence.

Somando essas duas quantidades quantidades obtemos um total de Cm,n + Cm,n+1 sub-
conjuntos com n + 1 elementos. Logo:

Cm,n + Cm,n+1 = Cm+1,n+1

Como queríamos demosntrar.


5 Referências Bibliográficas

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CAPÍTULO 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 97

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