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FACULDADE DE ENGENHARIA

“CONSELHEIRO ALGACYR MUNHOZ MAEDERA”


ARQUITETURA E URBANISMO

ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO NO APOIO E


TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO

YASMIN MIRANDA PEROSSO

Presidente Prudente - SP
2017
FACULDADE DE ENGENHARIA
“CONSELHEIRO ALGACYR MUNHOZ MAEDERA”
ARQUITETURA E URBANISMO

ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO NO APOIO E


TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO

YASMIN MIRANDA PEROSSO

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado a Faculdade de Engenharia
“Conselheiro Algacyr Munhoz Maedera”,
Curso de Arquitetura e Urbanismo,
Universidade do Oeste Paulista, como parte
dos requisitos para a sua conclusão.

Orientador:
Prof. Maury Vieira de Jesus

Presidente Prudente - SP
2017
YASMIN MIRANDA PEROSSO

ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO NO APOIO E


TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado a Faculdade de Engenharia
“Conselheiro Algacyr Munhoz Maedera”,
Curso de Arquitetura e Urbanismo,
Universidade do Oeste Paulista, como
parte dos requisitos para a sua conclusão.

Presidente Prudente, 04 de dezembro de


2017

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________
Orientador: Prof. Maury Vieira de Jesus
Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE
Presidente Prudente - SP

_______________________________________________
Professora: Bruna Bessa Rocha
Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE
Presidente Prudente - SP

_______________________________________________
Arquiteto e Urbanista: José Andrade
Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE
Presidente Prudente - SP
DEDICATÓRIA

À toda minha família, pela compreensão, paciência e amor.


Pela referência, inspiração e admiração à minha tia Bianca e meus primos,
Guilherme e Rafael, gêmeos e autistas, que me instigaram a saber mais sobre essa
síndrome e entender de que forma poderia ajuda-los a partir do meu trabalho.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente à Deus, o arquiteto do universo, que me guiou, iluminou e concedeu


sabedoria para desenvolver este projeto.
À minha família e ao meu namorado pelo imenso amor, exemplo, compreensão,
incentivo e principalmente por acreditarem no meu potencial.
Às amigas que estiveram comigo ao longo dos cinco anos de curso pelo
companheirismo, o apoio, as sugestões e o incentivo constante.
A todos os professores que de algum modo contribuíram para minha formação, em
especial a professora Yeda Ruiz, pela atenção, paciência e por todo o tempo
dedicado a mim no desenvolvimento desde trabalho.
Ao meu orientador Maury Vieira, pela disposição, confiança e principalmente por ser
o maior incentivador das minhas ideias no período acadêmico.
À todos que de alguma forma participaram e contribuíram com esta conquista, meu
muito obrigada!
“A arte da arquitetura não consiste apenas
em fazer coisas belas – nem em fazer
coisas úteis, mas em fazer ambas ao
mesmo tempo [...].”
(Herman Hertzberger)
RESUMO

Anexo para a instituição Lumen et Fides especializado no apoio e tratamento a


pessoas com autismo

Este projeto tem por objetivo a concepção de um projeto arquitetônico de um anexo


para a instituição já existente Lumen et Fides, especializado no apoio e tratamento a
pessoas com Transtorno do Espectro Autista na cidade de Presidente Prudente. Os
autistas possuem uma percepção diferenciada dos ambientes que frequentam, pois
possuem uma sensibilidade extrema em relação a audição, visão e tato, assim, o
presente trabalho busca através da arquitetura e de ambientes confortáveis e
interativos proporcionar estímulos sensoriais que colaborem no desenvolvimento dos
usuários. Para o andamento deste trabalho, foram realizados levantamentos
bibliográficos, estudos de referências projetuais, visitas na instituição existente e
visitas no local de implantação do projeto, bem como estudos preliminares que
auxiliaram na elaboração e no desenvolvimento do projeto.

Palavras-chave: arquitetura; autismo; projeto arquitetônico; Lumen et Fides;


estímulos sensoriais.
ABSTRACT

Annex to the Lumen et Fides institution specialized in the support and


treatment of people with Autism

This project aims to design an architectural project of an attachment to the existing


institution Lumen et Fides, specialized in the support and treatment to people with
Autism Spectrum Disorder in the city of Presidente Prudente. The autistic individuals
have a differentiated perception of the environments they attend because they have
an extreme sensitivity to hearing, sight and touch, so the present work intends through
architecture and comfortable and interactive environments to provide sensorial
stimulus that collaborate in the development of users. For the progress of this work,
bibliographical surveys, studies of project references, visits to the existing institution
and visits to the project implementation site were carried out, as well as preliminary
studies that assisted in the elaboration and development of the project.

Keywords: architecture; autism; architectural project; Lumen et Fides; sensorial


stimulus.
LISTA DE SIGLAS

ABA – Applied Behavior Analysis (Análise Aplicada do Comportamento)


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ABRA – Associação Brasileira de Autismo
AMA – Associação de Amigos do Autista
Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
APA – Associação Americana de Psiquiatria
APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
CAPS – Centro de Atenção Psicossocial
CAPSi – Centros de Atenção Psicossocial infantil
CDC – Center of Deseases Control and Prevention
CID – Classificação Internacional de Doenças
NBR – Norma Brasileira
DMS – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
OMS – Organização Mundial de Saúde
ONG – Organização Não Governamental
ONU – Organização das Nações Unidas
PECS – Picture Exchange Communication System (Sistema de
Comunicação através da troca de figuras)
PRUDENCO – Companhia Prudentina de Desenvolvimento
SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
TCPP – Transporte Coletivo de Presidente Prudente
TEA – Transtorno do Espectro Autista
TEACCH – Treatment and of autistic and related Communication Handicap
Children (Tratamento e educação para crianças autistas e com
distúrbios correlatos da comunicação)
TGD – Transtorno Global do Desenvolvimento
TID – Transtorno Invasivo de Desenvolvimento
ZR – Zona residencial
LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 - Características apresentada por autistas (continua) ........................... 21


QUADRO 2 - Características apresentada por autistas (conclusão) ......................... 22
QUADRO 3 - Número de instituições existentes e número de instituições do mesmo
porte necessárias para atender à população com autismo por região brasileira ...... 29
LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – Mapa de Presidente Prudente com a locação das instituições que


atendem autistas - sem escala .................................................................................. 30

FIGURA 2 - Programa de necessidades: Setor Administrativo ................................. 35

FIGURA 3 - Programa de necessidades: Setores médico, de Apoio ao Tratamento e


Apoio Familiar ........................................................................................................... 36

FIGURA 4 - Programa de necessidades: Setor de Ensino divido por faixa etária ..... 37

FIGURA 5 - Diagrama geral dividido por setores ...................................................... 38

FIGURA 6 - Fluxograma dos ambientes ................................................................... 39

FIGURA 7 - Centro Internacional Sarah de Neuroreabilitação e Neurociência ......... 46

FIGURA 8 - Localização do Hospital Sara Kubitschek Rio de Janeiro ...................... 47

FIGURA 9 - Maquete Eletrônica da primeira versão do projeto ................................ 48

FIGURA 10 - Área de implantação final do hospital em relação ao Centro Sarah de


Reabilitação Infantil ................................................................................................... 48

FIGURA 11 - Vias do entorno imediato e acesso principal ....................................... 49

FIGURA 12 - Vista do espelho d’água e vista externa e interna do pavimento técnico


.................................................................................................................................. 50

FIGURA 13 - Implantação do Hospital Sarah Rio de Janeiro – sem escala .............. 50

FIGURA 14 - Maquete Eletrônica mostrando a horizontalidade da implantação ...... 51

FIGURA 15 - Estrutura em balanço do Solário.......................................................... 51

FIGURA 16 - Volume esférico do Auditório ............................................................... 52

FIGURA 17 - Portas de correr na fachada que se abrem para o jardim do Hospital


Sarah RJ ................................................................................................................... 52

FIGURA 18 - Setorização dos ambientes por blocos no pavimento térreo - sem


escala ........................................................................................................................ 53

FIGURA 19 - Eixos de circulação - sem escala......................................................... 54

FIGURA 20 - Vista da passarela coberta que liga o bloco de Serviços Técnicos com
o de Serviços Gerais. ................................................................................................ 54
FIGURA 21 – Croqui da composição da cobertura mostrando os Sheds - sem escala
.................................................................................................................................. 55

FIGURA 22 - Vista externa do hospital mostrando os Sheds .................................... 55

FIGURA 23 - Basculantes do teto fechados e abertos, respectivamente .................. 56

FIGURA 24 – Estrutura dos arcos retráteis - sem escala .......................................... 57

FIGURA 25 – Sistema de aspersão da água do espelho d’água .............................. 57

FIGURA 26 - Vistas internas e externas da cúpula se abrindo ................................. 58

FIGURA 27 - Trajetória solar e direção dos ventos dominantes - sem escala .......... 58

Figura 28 - Croqui das áreas - sem escala ............................................................... 59

FIGURA 29 - Foto aérea do Colégio Flor do Campo – Colômbia.............................. 60

FIGURA 30 – Terreno situado no bairro Flor do Campo ........................................... 61

FIGURA 31 – Setorização geral da implantação da Escola Flor do Campo ............. 61

FIGURA 32 – Referências utilizadas como conceito projetual .................................. 62

FIGURA 33 - Croqui esquematizando o método utilizado no Partido Arquitetônico –


sem escala ................................................................................................................ 63

FIGURA 34 – Maquete eletrônica do Colégio Flor do Campo ................................... 64

FIGURA 35 - Marquises sustentadas por pilotis metálicos ....................................... 65

FIGURA 36 - Pátio central ......................................................................................... 66

FIGURA 37 - Acesso que permite a transição entre a rua e a escola ....................... 66

FIGURA 38 – Fechamentos em placas vazadas pré-fabricadas de concreto em tons


de cinza ..................................................................................................................... 67

FIGURA 39 – Perspectiva da St. Coletta School - sem escala ................................. 68

FIGURA 40 - Localização da St. Coletta School com as ruas do entorno imediato


destacadas ................................................................................................................ 69

FIGURA 41 – Setorização geral da planta baixa do primeiro pavimento .................. 69

FIGURA 42 – Vista das casas que compõem o edifício da escola............................ 70

FIGURA 43 - Interior das casas que abrigam os espaços de aprendizagem ............ 71

FIGURA 44 – Hall central que possui pé direito duplo e claraboias .......................... 71

FIGURA 45 – Sala de hidroterapia e sala sensorial, respectivamente ...................... 72


FIGURA 46 – Forma do edifício e adição de volumes .............................................. 73

FIGURA 47 - Cores vibrantes, formas marcantes e linhas diferentes de coroamento


.................................................................................................................................. 73

FIGURA 48 – Localização da Lumen et Fides – sem escala .................................... 77

FIGURA 49 - Implantação dos blocos com a localização dos acessos – sem escala
.................................................................................................................................. 78

FIGURA 50 - Acesso principal localizado na fachada frontal .................................... 78

FIGURA 51 - Imagens de satélite com o contorno dos blocos em destaque ............ 79

FIGURA 52 - Cobertura que interliga os dois blocos da frente ................................ 80

FIGURA 53 – Planta baixa setorizada por setores – sem escala .............................. 81

Figura 54 – Ambientes do setor administrativo ......................................................... 81

FIGURA 55 – Ambientes do setor pedagógico.......................................................... 82

FIGURA 56 - Pé direito duplo do bloco que abriga o setor de terapia ....................... 83

FIGURA 57 - Ambientes que compõe o setor de terapia .......................................... 83

FIGURA 58 - Ambientes do setor de terapia ............................................................. 84

Figura 59 – Sala multissensorial do setor de terapia................................................. 84

FIGURA 60 - Vista externa do bloco que abriga o setor de apoio familiar ................ 85

FIGURA 61 - Setor dos cavalos ................................................................................ 85

FIGURA 62 - Ambientes do setor dos autistas .......................................................... 86

FIGURA 63 - Acesso ao setor dos autistas ............................................................... 86

FIGURA 64 - Vista da casa dos autistas ................................................................... 87

FIGURA 65 - Vista dos blocos da frente a partir do bloco do fundo, que abriga o
setor dos autistas ...................................................................................................... 87

FIGURA 66 - Vista das rampas de acesso do setor de terapia ................................. 88

FIGURA 67 - Localização da instituição Lumen et. Fides e do terreno onde será


implantado o anexo destinado ao apoio e atendimento de autistas - sem escala ..... 90

FIGURA 68 - Principais avenidas e estradas próximas ao empreendimento e ruas


que permitem o acesso direto ao terreno de implantação ......................................... 91

FIGURA 69 - Levantamento Planialtimétrico do terreno - sem escala ...................... 92


FIGURA 70 – Levantamento topográfico do entorno - sem escala ........................... 93

FIGURA 71 – Planta do quarteirão com edificações existentes e perfil topográfico do


quarteirão a partir da rua Maria Fernandes - sem escala .......................................... 94

FIGURA 72 - Planta esquemática da insolação e ventilação do terreno ................... 95

FIGURA 73 - Bairros que fazem divisa com o bairro Jardim Alto da Boa Vista......... 96

FIGURA 74 - Zoneamento urbano do município de Presidente Prudente com


destaque para o terreno escolhido ............................................................................ 97

FIGURA 75 - Levantamento de Uso e Ocupação do solo - sem escala.................... 98

FIGURA 76 - Levantamento de Gabarito de Altura sem escala ................................ 98

Figura 77 - Vista do terreno a partir da Rua Vergílio Zanchi ..................................... 99

FIGURA 78 - Levantamento dos equipamentos urbanos existentes sem escala .... 100

FIGURA 79 - Direção para onde escorrem as águas pluviais sem escala .............. 101

FIGURA 80 - Localização das bocas de lobo existente sem escala ....................... 102

FIGURA 81 - Distribuição de energia no entorno por meio de postes de concreto e


fiação aérea............................................................................................................. 103

FIGURA 82 - Hierarquia viária no entorno sem escala ........................................... 104

FIGURA 83 - Levantamento de fluxo das vias do entorno sem escala ................... 104

FIGURA 84 - Pontos de ônibus no entorno sem escala .......................................... 105

Figura 85 - Mobiliários urbanos existentes no entorno sem escala ......................... 106

FIGURA 86 - Levantamento da arborização do terreno e do entorno sem escala .. 107

FIGURA 87 - Barreira construída: muro que divide o terreno com a Chácara do


Macuco e sinaliza o fim da rua Vergílio Zanchi ....................................................... 108

FIGURA 88 - Barreira construída: muro que divide o bairro Jardim Alto da Boa Vista
com o condomínio fechado Damha III ..................................................................... 108

FIGURA 89 - Croqui de implantação e perspectiva, respectivamente - sem escala114

FIGURA 90 – Eixos de alinhamentos dos blocos .................................................... 118

FIGURA 91 - Relação dos blocos com a instituição existente, com o entorno e dos
blocos entre si ......................................................................................................... 119

FIGURA 92 - Composição da telha termo acústica sanduiche................................ 120


FIGURA 93 - Esquema de laje ventilada ................................................................. 121

FIGURA 94 - Terreno atual e terreno com os platôs ............................................... 123

FIGURA 95 - Esquema dos movimentos de terra ................................................... 124

FIGURA 96 - Rampas e escada .............................................................................. 124

FIGURA 97 - Rampa central ................................................................................... 125

FIGURA 98 - Taludes .............................................................................................. 125

FIGURA 99 - Vista do setor terapêutico .................................................................. 129

FIGURA 100 - Exemplo do interior de uma sala de aula da faixa etária de 3 a 7 anos
................................................................................................................................ 130

FIGURA 101 - Imagens da maquete eletrônica....................................................... 140

FIGURA 102 - Brises do bloco administrativo e pedagógico ................................... 141

FIGURA 103 - Esquema de fachada ventilada........................................................ 141


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 16
2. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA .............................................. 18
2.1 Breve histórico do TEA .................................................................................... 18
2.2 Características presente nos autistas .............................................................. 21
2.3 Métodos mais utilizados no desenvolvimento e educação dos autistas ........... 24
2.4 A incidência do autismo ................................................................................... 26
3. ESPAÇOS ARQUITETÔNICOS PARA AUTISTAS ............................................. 32
3.1 Ambientes que constituem locais especializados no apoio e tratamento do
autismo .................................................................................................................. 33
3.2 Elementos que proporcionam conforto ambiental nos espaços físicos destinado
a autistas................................................................................................................ 40
4. ANTECEDENTES ................................................................................................. 46
4.1 Hospital Sarah Kubitschek, Rio de Janeiro - RJ ............................................. 46
4.2 Colégio Flor de Campo, Colômbia – COL ........................................................ 60
4.3 St. Coletta School, Washington, DC – EUA ..................................................... 67
5. ESTUDO DE CASO: LUMEN ET FIDES .............................................................. 75
5.1 A Lumen et Fides ............................................................................................. 75
5.2 Análises Arquitetônica e Funcional .................................................................. 77
6. ESTUDOS DO TERRENO .................................................................................... 89
7. A PROPOSTA..................................................................................................... 110
7.1 O projeto: Memorial descritivo e justificativo .................................................. 115
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 143
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 144
16

1. INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista caracteriza-se por uma desordem no


desenvolvimento que ocasiona comportamentos estereotipados e prejuízos na
comunicação e interação social (ALVES, COUTINHO, MENEZES, 2009, p.83). Por
apresentarem deficiências em múltiplas áreas do desenvolvimento neuropsicomotor,
os autistas necessitam de profissionais de várias áreas para auxiliar no atendimento
e tratamento contínuo (SANTOS, 2008).
Segundo o DSM-5, o autismo pode ser classificado em três níveis de
gravidade. O nível 1 corresponde a um grau leve, em que a pessoa precisa de pouco
apoio. O nível 2 diz respeito a um grau moderado, que exige um apoio considerável e
por fim, o nível 3 refere-se a um grau severo, que exige apoio abundante (APA, 2014).
Compreendendo como a arquitetura, através da forma, da cor, da textura
e dos elementos presentes nos espaços projetados influenciam diretamente no
psicológico dos usuários, ao longo deste trabalho investiga-se a necessidade de
espaços específicos e a questão de como a arquitetura como um todo pode auxiliar
no atendimento a pessoas com todos os graus de autismo, com prioridade aos graus
mais severos. Dessa forma, busca-se obter subsídios para o aproveitamento de
soluções arquitetônicas na criação de espaços ideais que atendam às necessidades
dos frequentadores.
O local selecionado para realização deste projeto fica no bairro Jardim
Alto da Boa Vista, na cidade de Presidente Prudente, interior do estado de São Paulo.
O terreno localiza-se ao lado da instituição Lumen et Fides e a região destaca-se por
apresentar características que contribuem diretamente com a tipologia do projeto da
edificação, como por exemplo ser um bairro residencial calmo e de fácil acesso, dentre
outros aspectos que serão tratados ao longo do trabalho.
Este estudo justifica-se pela vivência real com crianças autistas, onde foi
constatado que no Oeste Paulista, em especial na cidade de Presidente Prudente há
uma certa carência de instituições que proporcionem apoio e tratamento aos autistas
em diversas especialidades e em um único espaço. Também notou-se a falta de
conhecimento por parte da sociedade de como a arquitetura pode auxiliar nesse
atendimento. Compreendendo que a instituição Lumen et Fides já atende pessoas
com autismo mas não consegue atender toda a demanda por falta de espaço, o
projeto de um anexo a instituição voltado aos autistas surge como uma solução para
17

amparar esses pacientes que tem tanta dificuldade em encontrar um local adequado
que proporcione o apoio e tratamento.
O presente trabalho tem como objetivo geral desenvolver um espaço
constituído por ambientes projetados essencialmente de acordo com as necessidades
dos autistas e que reúna diversas especialidades de assistência ao paciente. Como
objetivos específicos têm-se a identificação de elementos que sejam estimulantes
para os autistas; a disposição dos ambientes de forma setorizada para a melhor
compreensão do espaço; a criação de um local de convivência para incentivar a
interação social; a concepção de espaços adaptados e humanizados através de
iluminação e ventilação adequadas, cores, texturas e elementos que essencialmente
promova o conforto aos usuários e incentive a exploração do local, suprindo as
necessidades e contribuindo para a evolução pessoal.
A metodologia utilizada foi desenvolvida através de investigação
qualitativa, fazendo uso de levantamentos bibliográficos pertinentes ao tema proposto
e análises de antecedentes, que contribuíram como forma de inspiração na produção
do novo edifício. Nesta etapa, foram consultados trabalhos de conclusão de curso,
monografias, dissertações, teses e livros.
Em seguida, foi feito um estudo da instituição existente, através de
levantamentos métricos e fotográficos in loco, com a percepção de espaços e fluxos
do edifício que auxiliaram na explanação do conteúdo, e também na melhor
compreensão do espaço arquitetônico destinado a autistas.
Na etapa seguinte, foram feitos levantamentos topográficos, métricos,
de ventilação e insolação da área prevista para a implantação do projeto, assim como
levantamentos referentes ao entorno. Essas informações auxiliaram no
estabelecimento das diretrizes projetuais e serviram de base para os estudos
preliminares de projeto.
Por fim, foi definido um programa de necessidades que atrelado a todos
os outros dados obtidos até então, viabilizou a produção da etapa final do trabalho,
que consiste na concepção de um projeto arquitetônico de um anexo da instituição
Lumen et Fides especializado no apoio e tratamento de pessoas com Transtorno do
Espectro Autista. Nesta etapa foram elaboradas peças gráficas, incluindo plantas,
cortes e elevações, além de maquete física e eletrônica que facilitaram o
entendimento do projeto.
18

2. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA

O Transtorno do Espectro Autista - TEA é uma condição que afeta


diretamente o desenvolvimento dos indivíduos, ocasionando comprometimentos nas
habilidades de comunicação e interação social, além de comportamentos restritos e
repetitivos (ONG AUTISMO E REALIDADE, 20??).
O termo autismo, é uma junção das palavras gregas autos que significa
“eu” ou “si mesmo” e ismo que corresponde a “estado”. É utilizado para figurar a
incapacidade que os indivíduos têm de se relacionar com o mundo exterior, se
fechando em um mundo imaginário próprio (GOMES, 2012/13).
Este capítulo apresenta brevemente a história do TEA, mostrando como
o autismo foi abordado ao longo dos anos e chegou a condição de espectro. Ainda
aponta algumas das características presentes e os métodos mais utilizados no
desenvolvimento e na educação dos autistas. Também discorre sobre a incidência do
Transtorno do Espectro Autista nos dias atuais e trata das instituições destinadas ao
apoio e tratamento no Brasil, em especial na cidade de Presidente Prudente - SP.

2.1 Breve histórico do TEA

Segundo Baptista & Bosa (2002) e posteriormente Gomes (2012/13),


Eugen Bleuler, psiquiatra suíço, foi o primeiro a usar o termo Autismo em 1911 para
designar um dos sintomas da esquizofrenia. No entanto, as descrições do autismo só
tiveram início em 1943, como afirma Kanner (apud BOSA; CALLIAS, 2000, s/p.):

A primeira descrição dessa síndrome foi apresentada por Leo Kanner, em


1943, com base em onze casos de crianças que ele acompanhava e que
possuíam algumas características em comum: incapacidade de se
relacionarem com outras pessoas; severos distúrbios de linguagem (sendo
esta pouco comunicativa) e uma preocupação obsessiva pelo que é imutável
(sameness).

Klin (2006), ressalta que nestes onze casos, Kanner observou


comportamentos incomuns em crianças, como opção pela monotonia e repudio a
mudança, atrasos na aprendizagem da fala (e quando adquiriam, não tinha função
comunicativa), ecolalia (eco na linguagem), inversão dos pronomes e
19

comportamentos repetitivos, além da dificuldade em manter convívio social, optando


por um intenso isolamento.
Já em 1944, Hans Asperger, psiquiatra e pesquisador austríaco, relatou
um grupo de crianças que possuíam sintomas semelhantes aos retratados por Leo
Kanner. Asperger chamou o quadro de “psicopatia autista” e atribuiu a ele novas
características, detalhando-o mais profundamente (BAPTISTA & BOSA, 2002).
Gomes (2012/13) afirma que Leo Kanner e Hans Asperger foram os
precursores do estudo do autismo. De acordo com Baptista & Bosa (2002, p. 26) “no
final da década de 1960, o quadro “clássico” descrito por Kanner era largamente
difundido entre os profissionais”, enquanto Asperger, por seu trabalho ter sido
publicado originalmente em alemão, só ganhou grande visibilidade por volta da
década de 80, quando seus estudos foram disponibilizados em inglês (BAPTISTA &
BOSA, 2002; FRITH, 1991 apud GOMES, 2007).
Conforme Klin (2006), nas décadas de 50 e 60, houveram muitas
explicações equivocadas sobre o assunto, algumas ainda culpavam a própria família
do portador, entre elas está a hipótese nomeada como “mãe geladeira”, onde
acreditava-se que o autismo era desencadeado pelos pais, que por não
proporcionarem apoio emocional aos filhos e nem atitudes compreensivas, não
promoviam o desenvolvimento da autonomia.
Para Gauderer (1993) apud Praça (2011, p.20):

Nos anos seguintes, o autismo adquiriu novas denominações de acordo com


a área de interesse dos autores como: Esquizofrenia Infantil, usada por
Bender em 1947, pois para ela o autismo era a forma mais precoce de
esquizofrenia; Desenvolvimento Atípico do Ego, usado por Rank em 1949
baseando-se na sua visão psicanalítica; Psicose Simbiótica, empregada por
Mahler em 1952, pois associava a causa do autismo ao relacionamento mãe
e filho; Pseudo-Retardo ou Pseudo-Deficiente, novamente por Bender em
1956 na tentativa de diferenciar retardo mental e autismo; Psicose
Infantil, Psicose da Criança ou Psicose de Início Precoce, usada por Rutter
em 1963 para designar sinônimos de autismo quando as características são
percebidas antes dos 36 meses de vida.

Até 1960, pouco sabia-se sobre o autismo, suas definições


correlacionavam-se à psicose e à esquizofrenia, sem traços de deficiência mental, já
que basicamente as crianças aparentavam-se inteligentes e apresentavam
características como isolamento social e pais que não proporcionavam afeto
(GOMES, 2007).
20

Nos anos 1970 e 1980, o autismo conquistou a classificação de distúrbio


cognitivo, sendo apontado como um transtorno do desenvolvimento. A consideração
do déficit intelectual estimulou a análise de outros pontos, como os relacionados a
memória e linguagem, considerando-se outras características além do isolamento
social e emocional (LAMPREIA, 2004).
Em estudo datado de 1979, Mello (2005) aponta a existência de três
desvios qualitativos que são considerados a “tríade” do autismo, sendo esses
comprometimentos social, na comunicação, e no uso da imaginação, que se
constatados juntos qualificam o autismo.
Gomes (2007, p. 05) afirma que “a partir de então, o autismo foi
definitivamente diferenciado da esquizofrenia infantil e de outras psicoses, sendo que
a ausência de sintomas psicóticos, como delírios e alucinações tornou-se critério para
o diagnóstico.”
Nos anos 90, o termo Transtorno Invasivo do Desenvolvimento – TID se
fixou como a classificação do autismo, sendo utilizado pela Organização Mundial de
Saúde – OMS em 1993 na décima atualização da Classificação Internacional de
doenças – CID e em 1994 pela Associação Americana de Psiquiatria – APA na quarta
edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM. As
considerações sobre o autismo mantiveram-se divergentes dos conceitos de psicose
antes utilizados, considerando o autismo como mutação do desenvolvimento (KLIN,
2006; GOMES, 2007). Por consequência, “essas classificações passam a denominar
o autismo como Transtorno autista” (ALMEIDA, 2005, p. 71).
Gomes (2007) complementa que no ano 2000, uma revisão do DSM-IV,
tornou o “Transtorno de Rett”, o “Transtorno Desintegrativo da Infância”, o “Transtorno
de Asperger” e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação
(autismo atípico), subcategorias do Transtorno Global do Desenvolvimento – TGD, no
qual o autismo estava classificado.

Cabe ressaltar a mudança na forma de conceber o autismo, passando da


condição de “doença” com identidade definida e distinta dos quadros
envolvendo problemas orgânicos para a de “Síndrome” (conjunto de
sintomas). Dessa forma, quando se fala em transtornos ou síndromes
autísticas, quer-se designar a “tríade de comprometimentos” independente da
sua associação com aspectos orgânicos. Em outras palavras a síndrome do
autismo identifica um perfil comportamental com diferentes etiologias”
(GILLBERG, 1990, apud BAPTISTA & BOSA, 2002, p. 30-31).
21

Nos dias de hoje, a definição mais recente da síndrome está contida na


5° edição do DSM, publicada em 2014. Neste manual, os subcapítulos dos TGDs
foram eliminados e criou-se a categoria “Transtorno do Espectro Autista”, onde os
pacientes se enquadram por seus diagnósticos em um único espectro com níveis
diferentes de gravidades (MURI, 2016).
De acordo com Varella (2014), o TEA foi nomeado como espectro pois
envolve escalas que vão da mais leve à mais grave, com apresentações e sintomas
distintos, abrangendo outras síndromes que contam com alterações no
desenvolvimento neurológicos.
Varrela (2014) ainda aponta a privação do controle da linguagem que
prejudica a comunicação, os comportamentos estereotipados restritivos e a
dificuldade em se relacionar com as pessoas como as três condições que juntas ou
individualmente, podem caracterizar o autismo.
Desse modo, têm-se que todos os autistas apresentam particularidades
a respeito da comunicação, do comportamento e das relações interpessoais que
variam em grau e aspectos de um nível para o outro no TEA. Assim, há vários
aspectos diferentes que podem ser descritos de um autista para o outro.

2.2 Características presente nos autistas

As características apresentadas por autistas, partem do grau


apresentado no espectro e variam de pessoa para pessoa. Algumas delas,
corriqueiras nas crianças, foram listadas por Silva, Gaiatos e Reveles (2012)
baseadas na experiência clínicas dos autores (QUADRO 1). As características estão
divididas em três grupos, “a fim de enfatizar situações decorrentes dos sintomas
primários do autismo” (Silva, Gaiatos e Reveles, 2012, p.62), são essas:

QUADRO 1 - Características apresentada por autistas (continua)

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3


Distúrbio de sociabilidade Distúrbio na comunicação Distúrbios de comportamento
Algumas apresentam
dificuldades na fala, e não
utilizam de gestos para a Possuem interesses restritos
Não interagem socialmente.
comunicação. Outras falam, em determinados assuntos.
mas possuem tem dificuldades
de manter um diálogo.
22

QUADRO 2 - Características apresentada por autistas (conclusão)

Falta de contato visual Ecolalia (utilização de frases


Fixação pela rotina.
direto. decoradas e sem nexo)
Dificuldades de se preenderem
Não partilham momentos ou a brincadeiras, pois a Movimentos estereotipados e
interesses. imaginação é complexa e repetitivos.
confusa.
Invertem os pronomes e podem
Não antecipam movimentos Priorizam detalhes, como em
utiliza-los em excesso na
ou posturas. objetos, mais do que o todo.
mesma frase.
Se interessam mais por São muito sensíveis a toque
objetos e animais e menos Inocência. físico e na maioria das vezes
por pessoas. não gostam.
Utilização das pessoas como
Estão quase sempre em
“instrumentos” para apontar Não compreendem ironias.
movimento.
ou pegar algo desejado.
Utilizam as pontas dos pés
Risos sem motivos. Sinceridade
para caminhar.
Sabem ler e escrever antes de Aversão a mudanças,
– serem alfabetizados preferem os padrões.
– – Auto-agressão.
Gostam de atividades que
– – envolvam o equilíbrio do
corpo.
– – Fascinação por água.

– – Repulsa a barulho.
Repulsa a grande quantidade
– – de luz.
Prestam atenção por pouco
– – tempo.
– – Variações de humor.

– – Insônia.

– – Têm habilidades específicas.

Encantados por músicas,


– – principalmente por melodia.
As atividades básicas diárias
– – apresentam-se complexas.
Dificuldade de entender o que
– – não é palpável.
– – Falta de coordenação motora.
Andar rígido e sem jeito
– – (vistas como
desengonçadas“).
Não tem consciência do
perigo e aguentam sem
– – reclamar extremos de dor,
fome e temperatura.
Gostam de enfileirar ou
– – empilhar coisas.
Fonte: Elaborado pela autora, 2017.
23

Destaca-se que as características informadas no QUADRO 2 são


apenas algumas das que os autistas podem apresentar. Considerando que cada
característica é muito particular e varia de um indivíduo para o outro, (criando) têm-se
grandes desafios arquitetônicos ao projetar espaços para pessoas com autismo, pois
estes devem ser adaptados ao uso e bem estar dos frequentadores e atender a todos
os aspectos que possam apresentar.
Segundo Silva, Gaiatos e Reveles (2012, p. 09) “os primeiros sintomas
do autismo manifestam-se, necessariamente, antes dos 3 anos de idade, o que faz
com que os profissionais da área da saúde busquem incessantemente o diagnóstico
precoce.”
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista, conforme Mello (2005,
p. 22) “[...] é feito basicamente através da avaliação do quadro clínico. Não existem
testes laboratoriais específicos para a detecção do autismo. Por isso, diz-se que o
autismo não apresenta um marcador biológico.” O principal método utilizado são os
sistemas que classificam o autismo através das características apresentadas pelo
indivíduo, onde os mais comuns são o DSM-V e o CID-10. Santos (2008, p. 21)
complementa, dizendo que “a função do diagnóstico não é dar um nome ou um rótulo
à criança. Ele é um ponto de partida para a intervenção imediata e para a
determinação de uma estratégia e de uma direção de tratamento”
Em relação ao tratamento, pode se dizer, em concordância com Santos
(2008, p. 22) que:

Não existe um tratamento específico. Como o autista pode variar muito na


sua capacidade intelectual, compreensão e uso da linguagem, estágios de
desenvolvimentos, idade na época do tratamento, nível de desenvolvimentos
e personalidade, grau de gravidade do distúrbio, clima e estrutura familiar,
além de outros fatores, qualquer método usado pode funcionar muito para
uma criança e nem tanto para outra.

O Transtorno do Espectro Autista não tem cura, mas existem muitas


formas de tratamento, como Mello (2005, p. 40) expõe: “tratamentos
psicoterapêuticos, fonoaudiológicos, equoterapia, musicoterapia e outros, que não
têm uma linha formal que os caracterize no tratamento do autismo [...]”, sendo a
educação, segundo Giardinetto (2009) apud Souza (2014, p.18), o tratamento mais
bem-sucedido.
24

Em dezembro de 2007, para despertar a atenção e o interesse em


relação ao Transtorno do Espectro Autista, além de conscientizar, a Organização das
Nações Unidas – ONU, estabeleceu o dia 2 de abril como Dia Mundial da
Conscientização do Autismo, celebrado com a utilização da cor azul (PAIVA JÚNIOR,
2010).
Conclui-se que cada vez mais o autismo acarreta intenso interesse, tanto
em profissionais e pesquisadores quanto na própria sociedade, deste modo, novos
estudos estão sempre surgindo, favorecendo alterações conceituais e também
proporcionando alternativas terapêuticas de suma importância para o progresso do
autista e caracterização da síndrome (SOUZA, 2014).
Vale pontuar, que o espaço a ser proposto tem como desafio
arquitetônico adaptar-se aos diversos aspectos apresentados pelos autistas, sendo
que os métodos de tratamento utilizados foram de grande contribuição na elaboração
das diretrizes projetuais.

2.3 Métodos mais utilizados no desenvolvimento e educação dos autistas

Diante das características identificada e principalmente das dificuldades


de percepção e entendimento, tem-se uma complexidade no processo de
aprendizagem de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (GOMES, 2007).
Essa complexidade está ligada a alguns distúrbios na capacidade de
resposta aos estímulos em relação aos sistemas tátil, vestibular, proprioceptivo, visual
e auditivo, onde alguns comportamentos podem ser relatados como: o medo
exagerado ao ter de subir ou descer escadas, medo extremo de altura, irritabilidade
ao manuseio físico, fixação do olhar em objetos, incomodo ao ser exposto a forte
iluminação, desconforto a ambientes com muito estímulos visuais, irritabilidade a sons
altos e inesperados e facilidade de distração, dentre outros apontados por Lambertuci
& Magalhães (2005).
O processo de aprendizagem também é afetado diretamente pelos
comportamentos estereotipados e interesses restritos apresentados pelos autistas,
que expõem uma preferência maior por objetos do que por pessoas (GOMES, 2007).
De acordo com a APA (2014), os comportamentos podem ser um empecilho na
aprendizagem uma vez que as pessoas com autismo possuem privações nas
25

capacidades sociais e comunicacionais, desta forma, tendem a manter rotinas, resistir


a mudanças, terem alterações frequentes de humor e possuírem dificuldades na
linguagem e na organização.
Gomes (2007) salienta que devido à complexidade do autismo, não há
uma forma precisa de intervenção que atenda todas as necessidades dos indivíduos,
mas pontua que ao utilizar sistemas de ensino especializados e adequados, os
autistas estão propensos a aprender.
Deste modo, em geral, tem-se que:

Os programas de intervenção mais eficazes incorporam princípios de


aprendizagem baseados na análise do comportamento, intervenção precoce
e intensiva, ensino de habilidades variadas com redução de comportamentos
pouco adaptativos, ambientes estruturados, envolvimento da família e
treinamento em generalização e manutenção dos comportamentos
aprendidos pela criança (Aiello, 2002 apud GOMES, 2007, p. 11).

O ideal é que os programas comecem logo após a confirmação do


diagnóstico pois “o estímulo desde a infância é um fator indispensável ao
desenvolvimento do indivíduo, quanto mais cedo o indivíduo for estimulado, menores
serão os impactos da doença no seu desenvolvimento” (ALVES, COUTINHO,
MENEZES, 2009, p.83).
No Brasil, os métodos mais usuais de intervenção, são o TEACCH, o
ABA e o PECS. Apresentados segundo Mello (2001) como:

• Método TEACCH (Treatment and of autistic and related Communication Handicap


Children – Tratamento e educação para crianças autistas e com distúrbios
correlatos da comunicação): Teve origem em 1966, na Universidade da Carolina
do Norte nos Estados Unidos, e com o tempo foi difundido pelo mundo. Este
método consiste em um programa individualizado de acordo com as necessidades
dos autistas, possibilitado por uma avaliação das habilidades e dificuldades deste.
É um sistema que além de contar com a participação familiar, consiste em ofertar
professores para o aprendizado ao mesmo tempo que permite tornar o indivíduo
independente através de uma organização espacial que favorece a criação de
rotinas e torna o ambiente compreensível.
26

• Método ABA (Applied Behavior Analysis – Análise Aplicada do Comportamento):


É um tratamento comportamental analítico, que tem a intenção de ensinar as
habilidades ainda não adquiridas, introduzindo-as por etapas. Cada habilidade é
instruída individualmente e explicada inicialmente com uma orientação e com o
fornecimento de apoios, como por exemplo o físico, que são retirados assim que
possível para não ocasionar a dependência. O método trabalha com um sistema
de recompensa, que instiga a criança a identificar estímulos distintos e torna o
aprendizado mais agradável, pois realizando um trabalho de forma positiva,
comportamentos indesejados não tendem a ocorrer. Os aspectos mais
significativos dessa intervenção é a repetição das tarefas e os registros de todas
as tentativas e resultados de cada indivíduo.

• PECS (Picture Exchange Communication System – Sistema de Comunicação


através da troca de figuras): Esse sistema pode ser aplicado em jovens e adultos
com autismo ou de outros distúrbios de desenvolvimento com o intuito de adquirir
habilidade de comunicação. É destinado primeiramente aos indivíduos que
possuem a capacidade de comunicação mais afetada, sendo esta pouca ou
inexistente. O PECS, estimula a comunicação ao ensinar ao indivíduo que ao se
comunicar, o que ele deseja pode ser alcançado mais fácil e rapidamente, dessa
forma, diminuindo problemas de conduta.

Considerando que os locais especializados em atender autistas devem


dispor de mais de um método de intervenção, uma vez que cada atendido deve ser
avaliado e enquadrado no que lhe proporcionará maior desenvolvimento de acordo
com as suas características, os três métodos serão utilizados no projeto do anexo da
instituição Lumen et Fides com a finalidade de obter êxito no tratamento.

2.4 A incidência do autismo

Tendo em vista que a quantidade de autistas tem aumentado


progressivamente ao passar dos anos, entende-se que a maioria das escolas
regulares só conseguem trabalhar com alguns autistas, sendo estes com um grau de
27

deficiência mais leve, pois os que possuem grau mais elevados devem ser
encaminhados aos locais especializados.
Dessa forma, mesmo com a possibilidade de integração e inclusão
escolar, como atualmente vem acontecendo no Brasil, faz-se necessários o apoio
técnico e psicopedagógico dos locais especializados no apoio e tratamento ao
autismo, que são extremamente importantes no auxilio e desenvolvimento das
pessoas com TEA. Sendo assim, no projeto do anexo a instituição Lumen et Fides
proposto neste trabalho, todos os níveis de autismo poderão ser atendidos, mas a
prioridade serão as pessoas com graus mais severos.
Segundo a ONU – Organização das Nações Unidas, calcula-se que no
mundo há cerca de 70 milhões de pessoas autistas, o que corresponde a
aproximadamente 1% da população mundial.
Em pesquisas realizadas em 2012 pelo Center of Deseases Control and
Prevention – CDC, órgão dos Estados Unidos, estima-se que entre crianças na faixa
de oito anos de idade, uma a cada 110 seja autista, sendo a incidência quatro vezes
e meia maior em meninos do que em meninas. Segundo Paiva Junior (2014) “houve
aumento de quase 30% em relação aos dados anteriores, de 2008, em que apontava
para 1 caso a cada 88 crianças. Quase 60% para 2006, que era de 1 para 110.”
No Brasil, conforme Zorzetto (2011), não existem estudos concretos que
disponibilizem estatísticas a respeito do Transtorno do Espectro Autista.
De acordo Paula et. al (2011), um estudo piloto realizado no Brasil em
2010 que envolveu 1470 crianças de 7 a 12 anos da cidade de Atibaia, avaliou-se que
cerca de 0,3% dessa população seja autista. Este estudo foi publicado em 2011 no
Journal of Autism and Developmental Disorder, sendo considerado um dos únicos
feitos na América do Sul.
Levando em consideração a estatísticas levantadas pelo CDC nos
Estados Unidos, Oliveira (2016) afirma que “[...] estima-se que o Brasil, com seus 200
milhões de habitantes, possua cerca de 2 milhões de autistas. São mais de 300 mil
ocorrências só no Estado de São Paulo.”
Em 2012, foi aprovada a lei federal n° 12.764/2012, nomeada de “Política
Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista”
que garante a proteção a alguns direitos das pessoas com Autismo, além de
considera-los deficientes, o que assegura que partilhem dos mesmos direitos das
pessoas com deficiência no Brasil (BRASIL, 2012). Segundo Oliveira (2016) “entre
28

outros aspectos, a legislação garante que os autistas podem frequentar escolas


regulares e, se necessário, solicitar acompanhamento nesses locais” (OLIVEIRA,
2016).
A lei federal 7.853/89 (BRASIL, 1989), destinada a pessoas com
deficiência, ainda assegura tratamentos de saúde e educação especial, seja em
entidades públicas ou privadas, a todos os tipos de deficiência, o que pela lei
n°12.764/2012, inclui o autismo. Podendo-se afirmar, de acordo com Silva (2012, p.
166) que, “em São Paulo esse serviço é prestado por estabelecimentos públicos, em
geral pelos Caps – Centro de Atenção Psicossocial ou por entidades conveniadas ao
estado? Porém, esse direito é difícil de ser cumprido em toda sua amplitude.”
Zorzetto (2011) explica que os profissionais das unidades básicas de
saúde deveriam identificar os casos de autismo e encaminha-los para um tratamento
adequado nos centros de atenção psicossocial infantil – CAPSi, órgãos públicos.
Todavia, a escassez de centros como esse faz com que a maioria dos casos sejam
atendidos por associações de pais e amigos, como as unidades de APAEs –
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e AMAs – Associação de Amigos do
Autista), entre outras instituições filantrópicas ou privadas.
Nos anos de 2011 e 2012, a AMA elaborou uma pesquisa sobre a
situação da assistência ao autismo no Brasil, em que os resultados foram obtidos
através de um questionário respondido por 106 instituições e publicados no livro
“Retratos do Autismo no Brasil” e na Campanha Nacional pelos Direitos e pela
Assistência da Pessoa com Autismo, proposta pela AMA em conjunto com a ABRA –
Associação Brasileira de Autismo à Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da
Pessoa com Deficiência (MELLO et al., 2013).
Entre outros dados, essa pesquisa, através das entidades que
responderam ao questionário, forneceu o número de instituições que seriam
necessárias para atender aos autistas e o número de instituições existentes por região
do Brasil através da população total e de uma estimativa da população autista,
informações que são apresentadas na QUADRO 3 (MELLO et al., 2013).
29

QUADRO 3 - Número de instituições existentes e número de instituições do mesmo


porte necessárias para atender à população com autismo por região brasileira

Fonte: MELLO et al., 2013.

Ainda de acordo com Mello et al. (2013), os levantamentos expõem a


concentração de instituições na região sudeste, gerando uma possibilidade
assistencial desigual nas diferentes regiões e aponta que considerando uma média
de 1,2 milhões de autistas no país, seriam necessárias em torno de 40 mil instituições
destinada a autistas no Brasil.
Diante da quantidade de pessoas com TEA apresentada nos dados
acima, constata-se uma notável carência de instituições no país, o que acarreta em
uma grande quantidade de autistas sem auxilio e tratamento.
30

Na cidade de Presidente Prudente, as pessoas com Transtorno do


Espectro autistas são amparadas por apenas duas instituições (FIGURA 1).

FIGURA 1 – Mapa de Presidente Prudente com a locação das instituições que


atendem autistas - sem escala

Fonte: Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, 2014. Modificado pela autora, 2017.

A Lúmen et. Fides, atende crianças, adolescentes e adultos da cidade e


da região, que possuam disfunções neuromotoras, doenças neuromusculares e
Transtorno do Espectro Autista enquanto a APAE, atende pessoas de todas as idades
que possuam algum grau de deficiência intelectual.
31

Essa escassez de locais especializados no apoio e tratamento do


Transtorno do Espectro Autista na maior cidade do oeste paulista em conjunto com o
constante crescimento da demanda de autistas em relação a quantidade de
instituições existentes e a falta de espaço para atender essa demanda na Lumen et
Fides, uma das duas únicas instituições que atendem autistas em Presidente
Prudente, é o que justifica a realização deste projeto.
32

3. ESPAÇOS ARQUITETÔNICOS PARA AUTISTAS

A arquitetura tende a colaborar no atendimento dos autistas por meio da


estruturação dos espaços de acordo com as necessidades dos usuários, viabilizando
através de soluções arquitetônicas, ambientes confortáveis e propícios a serem
explorados, aumentando o desempenho dos indivíduos e se tornando fonte de
evolução no tratamento (HENRY, 2011).
Dessa forma, compreendendo as características gerais que as pessoas
com Transtorno do Espectro Autista apresentam é necessário se atentar ao espaço
que os acolhem e possibilitam o atendimento e tratamento, pois, como Góes (2010,
p. 39) afirma, a maior parte das instituições atuais “trabalham mais sobre a
metodologia do tratamento. A questão espacial nunca é enfatizada ou mesmo
mencionada.”
Alves, Coutinho e Menezes (2009) indicam que faltam recursos
relacionados a comunicação alternativa e a estruturação do ambiente para
compreensão dos autistas sobre atividades diárias e que é preciso desenvolver
estudos que buscam suprir essa carência e favorecer a autonomia dessas pessoas.
Sendo que “todo trabalho de interação da criança com objetos e com situações do
meio deve ser feito concomitantemente ao trabalho de capacitação, aos cuidados
pessoais e ao lazer para socialização” (SANTOS, 2008, p.31).
Para Alves, Coutinho e Menezes (2009, p.84) “estabelecer uma rotina
em locais que atendem autistas é uma das estratégias que podem colaborar para a
redução dos níveis de angústia, ansiedade e de distúrbios de comportamentos dessas
pessoas.”
O ambiente precisa explicitar as atividades que ali serão realizadas de
forma que não gere dúvidas, pois o desenvolvimento dos autistas está atrelado
diretamente com a interação entre eles e os espaços que os cercam, visto que tendem
a se fixar em aprendizagens já adquiridas, assim, mudanças bruscas nos ambientes
aos quais rotinas foram desenvolvidas faz com que eles deixem de demonstrar alguns
comportamentos que já haviam desenvolvido (CUNHA, 2005).
Bastos (2005) garante que ambientes desestruturados e imprevisíveis
fornecem resultados desfavoráveis, enquanto ambientes estruturados evitam crises
de comportamento pois amenizam a ansiedade a medida que se sabe quais
atividades devem ser feitas ali. Dessa forma, “o ambiente deverá ser tanto mais
33

estruturado quanto menor for a capacidade de interpretação e uso dos instrumentos


de antecipação por parte da pessoa com autismo (BASTOS, 2005, p.132-133).
Os espaços projetados para autistas devem ser dotados de estrutura
flexível que possibilite a assistência a todos os indivíduos, do grau mais ameno até o
mais elevado, sendo adaptados de acordo com as necessidades dos usuários e
permitindo atendimento especifico além de trabalhar principalmente as áreas da
comunicação e do comportamento.
O tratamento deve levar em conta as limitações e potencialidades dos
autistas e ser conduzido de modo que haja evolução no desempenho das atividades
realizadas, desse modo, a vivencia espacial contribui na redução do isolamento e no
estabelecimento de significado para a linguagem e conceitos (GÓES, 2010).
De acordo com Facion e Giannini (2005), os melhores resultados nos
tratamentos de pessoas com TEA são obtidos em instituições que possuem mais
aparência de um ambiente familiar do que de clínicas ou hospitais, pois os autistas,
como todo ser humano, se sentem melhor em espaços que sejam agradáveis e
proporcionem a sensação de acolhimento, conforto e aconchego.
Nesse contexto, este capitulo dará enfoque aos ambientes e elementos
que foram considerados no projeto do anexo da instituição Lumen et Fides destinado
a autistas com o intuito de compreender melhor esses espaços.

3.1 Ambientes que constituem locais especializados no apoio e tratamento do


autismo

Para Góes (2010), projetar para autistas é um grande desafio, visto que
nem a medicina ainda desvendou os elementos teóricos e metodológicos que
possibilitem o entendimento da mente dessas pessoas, logo, faltam critérios e padrões
arquitetônicos para o dimensionamento e a determinação dos aspectos ideais de cada
espaço.
Os locais especializados propiciam um desenvolvimento maior dos
portados do TEA à medida que:

A precocidade, severidade e amplitude de áreas de funcionamento atingidas


indicam claramente a necessidade de uma abordagem terapêutica também
precoce e multidisciplinar, centralizada em um ambiente estruturado e
contando com os recursos farmacológicos, psicopedagógicos,
34

psicoterapêuticos e ocupacionais, e envolvendo também os familiares de uma


maneira integrada (SUKIENNIK e SALLE, 2005, p.205).

Góes (2010) enfatiza que há infinitas possibilidades de forma espacial e


mesmo sem os parâmetros para a elaboração de um projeto, Freire (2005, p.142)
defende que “[...] o ambiente deve se adequar ao aluno e não o inverso, na medida
em que é fundamental termos alguns cuidados especiais quanto a disposição do
mobiliário, tipo de material a ser usado etc.”
No livro “Manual prático de arquitetura para clínicas e laboratórios”, Góes
(2010) propõe um programa arquitetônico (FIGURA 2, FIGURA 3 e FIGURA 4)
considerado o ponto de partida para o projeto de clinicas e locais destinados aos
autistas. Este programa de necessidades é dividido por setores (Administrativo, Apoio
Médico, Apoio ao Tratamento, Apoio Familiar, e Ensino Infantil por idade) e conta com
as metragens e dimensões mínimas, instalações elétricas necessárias e algumas
observações complementares a respeito de cada ambiente.
35

FIGURA 2 - Programa de necessidades: Setor Administrativo

Fonte: GÓES, 2010, p. 43.

No setor administrativo percebe-se que se localizam não só as salas


administrativas como a diretoria e a secretaria, mas outros ambientes como a entrada
principal com a recepção, o auditório e as salas de apoio a família. O primeiro contato
dos atendidos e suas famílias com a instituição faz-se pelo bloco administrativo, para
que só posteriormente haja contato com os outros blocos.
36

FIGURA 3 - Programa de necessidades: Setores médico, de Apoio ao Tratamento e


Apoio Familiar

Fonte: GÓES, 2010, p. 44.

O setor de apoio médico compreende as salas dos profissionais


especializados, como os psicólogos e psiquiatras como também as salas para
realização dos exames e a farmácia. Enquanto o setor de apoio ao tratamento
37

compreende os espaços destinados a fisioterapia e também os ambientes que


auxiliam na estimulação sensorial e na educação como a horta, o apiário, a quadra
poliesportiva e as salas de estímulos sensoriais.

FIGURA 4 - Programa de necessidades: Setor de Ensino divido por faixa etária

Fonte: GÓES, 2010, p. 45.

O setor de ensino é como o das escolas regulares, composto por salas


de aulas e banheiros para alunos acima dos 3 anos de idade, e para os alunos com
38

até 3 anos, creche e berçário. Destaca-se ainda a presença das salas destinadas as
famílias e também a orientação destas.
Pode-se considerar que por ser um ponto de partida, o programa fornece
requisitos básicos, mas não restritivos para a estruturação de um ambiente destinado
ao atendimento a pessoas com TEA, sendo facultativo a adição de novos espaços,
como por exemplo o espaço musicoterápico, que podem ser incluídos de acordo com
as necessidades dos usuários. Como afirma Góes (2010, p.42), “pelas próprias
condições dos pacientes que serão atendidos o planejamento destas unidades de
saúde é um processo.”
Góes (2010) também disponibiliza um diagrama (FIGURA 5) e um
fluxograma (FIGURA 6) que contribuem na compreensão da distribuição e interligação
dos ambientes de um local especializado no atendimento dos autistas.

FIGURA 5 - Diagrama geral dividido por setores

Fonte: GÓES, 2010, p. 46.

Este organograma permite melhor entendimento dos setores que


compõem a estrutura de um local projetado especialmente para os autistas. Ele
mostra a distribuição dos setores através de suas interligações, partindo do setor
administrativo, passando pelo setor de ensino, setor médico e terminando no setor de
apoio ao tratamento e familiar.
39

FIGURA 6 - Fluxograma dos ambientes

Fonte: GÓES, 2010, p. 47.

O fluxograma acima permite uma melhor visualização da distribuição dos


ambientes em seus respectivos setores, mostrando a circulação proposta e facilitando
40

a leitura e o entendimento dos espaços para posteriormente organiza-los na planta do


projeto arquitetônico.
Sobre o setor educacional, pode-se dizer que o ambiente de aprendizado
deve ser estruturado fisicamente de acordo com o nível de compressão dos alunos,
pois dessa forma os efeitos dos déficits no aprendizado são atenuados (MARQUES e
MELLO, 2005).

Retirar do ambiente objetos que gerem excitação ou exacerbem sua


hiperatividade é uma estratégia adequada para restringir esses
comportamentos. A adequação do ambiente é fundamental para a
organização e planejamento das atividades. Ambientes muito grandes,
abertos, recheados de estímulos visuais e sonoros são contraindicados para
uma situação de aprendizagem, embora sejam necessários numa instituição,
para outras situações menos dirigidas e estruturadas (BASTOS, 2005, p.133).

Deve-se lembrar que nas clínicas e locais especializados devem existir


ambientes programados que permitam a permanência dos autistas e também de
outras pessoas, como familiares, profissionais e visitantes, para estimular a interação
social. Porém, também “não podemos nos esquecer que devemos respeitar o ritmo
de cada criança e um ambiente adequado deve incluir, na medida do possível, um
local adequado para que o aluno possa descansar, relaxar ou mesmo ficar um pouco
sozinho” (FREIRE, 2005, p. 142-143).
Em suma, convém lembrar que os espaços propostos para os autistas
visam essencialmente proporcionar conforto a essas pessoas, dessa forma, destaca-
se que os elementos utilizados são fundamentais pois podem tornar os lugares mais
agradáveis e aconchegantes, contribuindo satisfatoriamente no projeto desses
ambientes.

3.2 Elementos que proporcionam conforto ambiental nos espaços físicos


destinado a autistas

A percepção dos espaços pelos autistas é diferente da percepção das pessoas


não autistas, assim como não há padrões dentro de cada grau do espectro, sendo
distinta de um portador para o outro. Os cuidados com a estimulação sensorial são
importantes pois eles possuem uma sensibilidade muito maior à luz, cores, texturas e
sons, além de que devido à dificuldade em processar e organizar informações, é de
suma importância o controle da quantidade e do tipo da estimulação visual e auditiva.
41

Assim como outros estabelecimentos que prestam serviços de assistência à


saúde, nos estabelecimentos destinados aos autistas é necessário, durante a
elaboração do projeto arquitetônico, uma atenção especial aos elementos ambientais
que proporcionem conforto ambiental (acústico, visual, higrotérmico, olfativo e
ergonômico), pois estes ambientes envolvem situações estressantes e críticas
relacionados aos graus de sofrimento físico e/ou psíquico dos usuários (BRASIL,
2014).

O Conforto Ambiental é uma parceria entre ambiente físico, características


do local e da arquitetura da edificação. O uso dos espaços e, portanto, a
implantação das edificações nos lotes, deverá observar as condições naturais
do terreno, visando à proteção ambiental e o seu aproveitamento para a
iluminação, ventilação e insolação adequada. Esses conceitos aliados às
limitações impostas pelo meio físico determinarão o posicionamento da
edificação no lote (KOWALTOWSKI et al., 2001 apud BLOWER e AZEVEDO,
2008, p. 03).

Brasil (2014) dispõe algumas soluções sustentáveis, que quando aplicadas no


edifício auxiliam na obtenção do conforto ambiental. Entre elas encontra-se para a
redução de temperatura nos ambientes internos o uso de ventilação natural, telhados
verdes, brises soleil (quebra-sol) e espelhos d’agua; o uso de vegetação para
diminuição de ruídos e também de temperaturas; e a utilização de energia solar como
energia elétrica e para aquecimento da água. Blower e Azevedo (2008) ainda
recomendam que a edificação deve ser implantada considerando o norte e seguindo
uma orientação adequada, também indicam a utilização de pés-direitos altos para uma
boa circulação de ar, a utilização de ventilação cruzada, o uso de materiais
construtivos isolantes e pátios internos arborizados.
De acordo com Lukiantchuki e Caram (2008), a iluminação e ventilação naturais
são muito utilizadas na humanização dos ambientes internos, uma vez que auxiliam
no tratamento à medida que melhoram as condições térmicas, visuais e higiênicas.
Para a Brasil (2014), o paisagismo também faz parte da humanização dos
ambientes e é extremamente importante pois a vegetação influencia no psicológico
das pessoas reduzindo o estresse, além de que não contribui somente para a estética
da paisagem, mas auxilia no conforto acústico diminuindo os ruídos do local e também
na qualidade climática da edificação no todo, pois através dele é possível sombrear
áreas e também administrar a trajetória dos ventos, possibilitando ventilação em toda
a edificação.
42

Sobre os brises soleil, Brasil (2014) destaca sua função principal de diminuir a
insolação nas fachadas e consequentemente obter melhores condições de conforto
térmico e lumínico nos ambientes internos, uma vez que o excesso de luz solar pode
provocar aumento das temperaturas e visualmente gerar ofuscamentos e contrastes
excessivos. As formas mais utilizadas de brises soleil são a proteção externa, que
pode ser fixa ou móvel (como placas verticais ou horizontais, pérgolas, marquises
entre outros); a proteção interna, sendo as cortinas e persianas; e a proteção solar
entre dois vidros, que são persianas reguláveis que também auxiliam no controle
acústico e na redução da poeira.
Em relação ao conforto acústico, entendendo que ambientes ruidosos afetam
na concentração dos indivíduos, é possível afirmar que “a aplicação dos princípios da
acústica arquitetônica ao projeto de ambientes de saúde deve evitar que os ruídos ou
a reverberação do som nos ambientes comprometam a realização dos serviços de
saúde, tanto para os pacientes quanto para os profissionais que atuam nesses
espaços" (BRASIL, 2014, p. 56). Assim, o arquiteto deve procurar soluções que
partem da forma e implantação da edificação até a escolha dos materiais de
revestimento para amenizar o desconforto acústico provocado pelos ruídos (BRASIL,
2014).
Devido ao fato dos materiais de revestimento precisarem ter boa durabilidade,
e ser de fácil higienização e manutenção, na maioria das vezes os materiais
escolhidos possuem superfícies totalmente lisas, que não absorvem e sim refletem o
som. Para a minimização desse efeito, a solução pode estar no uso de mobiliários,
cortinas, texturas ou até mesmo tetos paginados com inclinações ou recortes que
absorvam o som (BLOWER e AZEVEDO, 2008).
Outro item a ser considerado é o conforto visual, proporcionado através do uso
das cores e da iluminação, com o objetivo de facilitar o desenvolvimento de atividades
(BRASIL, 2014). De acordo com Mueller (2007, p.57) “o ambiente visual é agradável
de se ver, de se sentir e de nele se encontrar. Ele é acolhedor, luminoso; é influenciado
pelo espaço que o circunda e pela possibilidade de vistas para o exterior; é composto
por cores, superfícies, materiais, texturas e revestimentos que o enriquecem.”
Góes (2010) considera que os ambientes devem proporcionar tranquilidade aos
usuários, ao mesmo tempo que devem ser confortáveis, agradáveis e inteligentes.
Uma boa iluminação pode provocar essas sensações nas pessoas a maneira que
revela os aspectos do espaço, como as formas e proporções. A iluminação pode ser
43

natural, artificial ou a combinação das duas, o que importa acima de tudo é deve ser
projetada adequadamente, levando em consideração as temperaturas de cor e os
níveis de Iluminância, uma vez que pode-se dizer que a luz fria provoca inquietude e
irritação, enquanto a luz quente proporciona relaxamento, assim como uma
Iluminância abaixo do indicado pode provocar fadiga visual, e acima, provoca
ofuscamento.
Mueller (2007) sugere a utilização de algumas estratégias para se ter
ambientes com qualidade luminosa, entre elas a diminuição da utilização de vidros
nas fachadas, utilização de cores claras nas paredes opostas as janelas e no teto, de
iluminação zenital, brises soleil, persianas ou cortinas, integração do sistema de luz
natural com o artificial, e utilização de sensores e dimerizadores (reguladores de
voltagem) para o ajuste dos níveis de Iluminância interna.
As cores por sua vez, são consideradas estimulantes psicológicos e são
capazes de provocar diversos sentimentos nos seres humanos (BRASIL, 2014). São
utilizadas para atenuar a monotonia e tornar os ambientes mais agradáveis,
aumentando a produtividade e melhorando o humor das pessoas (MUELLER, 2007).
De acordo com Mueller (2007, p.58):

O ambiente monocromático induz a sentimentos de ansiedade, medo e


distração, resultando na sub-estimulação. A falta de estimulação gera
inquietação, impaciência, dificuldade de concentração e irritação. Já a
presença de cores na sala de aula estimula passivamente a atividade
cerebral, ajudando o aluno e o professor a manterem-se focados na tarefa
que está sendo realizada. A cor também pode criar um sistema de ordem e
ajudar a distinguir coisas importantes das não importantes nos ambientes,
principalmente em crianças que estão aprendendo a se orientar em um novo
espaço.

Em clínicas ou locais especializados, Góes (2010) salienta que os tons mais


claros das cores são os mais indicados, como por exemplo o salmão e o lilás. O
autor também sugere que em ambientes que tenham uma única cor, pode-se utilizar
vários tons para dar contraste, como os mais claros nas paredes e os mais escuros
em esquadrias e cortinas.
Sobre a influência das cores, Góes (2010) destaca que:
- Vermelho: chama a atenção e estimula a agressividade
- Amarelo: estimula a concentração e criatividade
- Laranja: proporciona alegria
- Preto: tem efeito isolante
44

- Verde: Acalma e acarreta o equilíbrio


- Azul: tem efeito calmante e é muito utilizada em terapias de distúrbios
psíquicos
- Índigo: estimula a imaginação e a criatividade
- Violeta: indica mudança
- Lilás: Propriedades relaxantes e sedativas
- Branco: cor neutra
Conforme Lang (apud Mueller, 2007, p. 60), “a cor, assim como uma estampa
ou uma textura, pode ser adicionada ao ambiente através do seu uso em um móvel,
no tratamento da esquadria ou no recobrimento de um piso.”
Brasil (2014, p.88) afirma que “as cores e o mobiliário têm uma função de
utilidade objetiva para os usuários de ambientes de saúde: a caracterização do
espaço como função e a familiarização com o ambiente”.
A proposição de Mueller (2007) a respeito do mobiliário é que este deve ser
seguro (como ter pontas arredondadas), saudável (como por exemplo ser de fácil
limpeza), estético, durável, ajustável, econômico e ergonômico.
Algumas recomendações gerais sobre os locais especializados são propostas
por Góes (2010), onde o autor indica que os espaços projetados devem apresentar
semelhança com os locais que habitualmente são vivenciados pelos autistas, assim
como devem apresentar claramente seus usos.
O autor salienta que a produção dos espaços bem como a distribuição destes
e dos elementos que os compõe devem contribuir para a maior interação social das
pessoas com autismo, sendo essencial a presença de lugares amplos que possam
comportar atividades coletivas e ambientes que proporcionem uma convivência
familiar.
Góes (2010) ainda recomenda a utilização de diversos materiais que
provoquem sensações diferentes no campo visual e tátil, como também a utilização
de diversas cores na paginação dos locais por favorecer a orientação. Destaca ainda
que deve-se evitar a utilização da cor branca e investir na utilização de cores quentes,
como por exemplo o laranja em ambientes que tem como proposito principal a
realização de atividades dinâmicas e cores relaxantes como o azul para aqueles que
são designados à reflexão.
45

Para Góes (2010) é importante estabelecer uma relação entre os autistas e a


natureza, seja a partir do contato físico ou visual e sobre a iluminação, o autor relata
que ela pode funcionar bem na diferenciação dos espaços.
Por fim, ressalta-se também que em um projeto de Anexo Especializado
no Apoio e Tratamento de pessoas com TEA é essencial e indispensável seguir as
recomendações da NBR 9050, pois como já dito ao longo deste trabalho, pela lei
federal n° 12.764/2012, os autistas são considerados deficientes, sendo assim,
necessitam de espaços acessíveis e adequados.
46

4. ANTECEDENTES

Para obtenção de um maior embasamento projetual foram analisados


três projetos arquitetônicos que apresentam soluções relacionadas aos quesitos de:
conforto térmico, implantação dividida em blocos a partir da setorização dos
ambientes e características pertinentes a construções destinadas a autistas. Para
tanto, as referências projetuais escolhidas foram: Hospital Sarah Kubtischek – Rio de
Janeiro, Escola Flor do Campo – Colômbia e St. Coletta School – EUA.

4.1 Hospital Sarah Kubitschek, Rio de Janeiro - RJ

O Centro Internacional Sarah de Neuroreabilitação e Neurociência


(FIGURA 7), também chamado de Hospital Sarah Kubitschek do Rio de Janeiro, faz
parte de uma rede de hospitais implantados em diversas cidades do Brasil e
destinados ao tratamento de doenças do aparelho locomotor.

FIGURA 7 - Centro Internacional Sarah de Neuroreabilitação e Neurociência

Fonte: Finotti, 20??.

Todos os edifícios da Rede Sarah, inclusive o do Rio de Janeiro, foram


projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima, mais conhecido como Lelé. Durante
os 30 anos que se dedicou aos projetos da Rede, Lelé expôs em suas obras a intensa
preocupação com os aspectos bioclimáticos dos edifícios e buscava identificar os
erros e acertos das edificações construídas para posteriormente corrigi-los ou
aprimora-los nos novos projetos (LUKIANTCHUKI E CARAM, 2014). Assim, “as
47

soluções arquitetônicas estão intimamente ligadas às características climáticas do


local, e devido a isso, a orientação, a forma do edifício, a geometria, o posicionamento
das aberturas, das paredes e da cobertura estão de acordo com a direção dos ventos
e a trajetória solar” (BRASIL, 2015, p.52).
No Rio de Janeiro, o hospital localiza-se na Zona Oeste da cidade, no
bairro Jacarepaguá, próximo ao segundo maior centro de convenções da América
Latina, o Rio Centro e o Parque dos Atletas, que foi uma das instalações realizadas
para a olimpíadas de 2016 (FIGURA 8).

FIGURA 8 - Localização do Hospital Sara Kubitschek Rio de Janeiro

Fonte: Google Earth, 2016. Modificado pela autora, 2017.

Voltado à reabilitação, foi projetado em 2001, mas a obra só foi concluída


em 2008. O projeto inicial (FIGURA 9) previa a implantação do Hospital Sarah RJ junto
ao Centro Sarah de Reabilitação Infantil, construído em 2002. A junção das
edificações formava um complexo e ocupava mais de 80% da área da Ilha Pombeba,
fato que o fez ser reprovado por conta da Legislação (MONTERO, 2006).
48

FIGURA 9 - Maquete Eletrônica da primeira versão do projeto

Fonte: Montero, 2006.

Deste modo, a unidade hospitalar foi implantada numa área próxima ao


Centro de Reabilitação (MONTERO, 2006), como pode ser visto na FIGURA 10.

FIGURA 10 - Área de implantação final do hospital em relação ao Centro Sarah de


Reabilitação Infantil

Fonte: Google Earth, 2016. Modificado pela autora, 2017.


49

Sobre a localização do projeto final, Santana (2016, p. 38) afirma que,


“sua área envoltória se caracteriza por ter relevo plano e pela forte presença de áreas
verdes. A ocupação da área é pouco consolidada, possuindo baixa densidade
construtiva – ou seja, há predominância dos espaços vazios sobre os espaços cheios.”
As vias do entorno dão acesso à rua José Wilker, onde se encontra o
acesso principal as dependências do hospital (FIGURA 11).

FIGURA 11 - Vias do entorno imediato e acesso principal

Fonte: Google Earth, 2016. Modificado pela autora, 2017.

Segundo Lukiantchuki (2010), o hospital foi implantado em um lote de


cerca de 80.000 m² que foi aterrado até a cota de segurança mínima de 2 metros
acima do nível da lagoa de Jacarepaguá devido ao risco de inundação por situar-se
em uma região baixa. O autor relata que nesta cota, que fica abaixo do pavimento
hospitalar, foi implantado um pavimento técnico (FIGURA 12) que abriga as
instalações do hospital. Rocha (2011, p.223) complementa que “Como precaução
adicional contra eventuais enchentes foi criado um lago artificial ao longo da faixa
central do terreno que recebe todas as águas pluviais do lote e as descarrega
diretamente no Arroio Pavuna [...]”.
50

FIGURA 12 - Vista do espelho d’água e vista externa e interna do pavimento técnico

Fonte: Lukiantchuki, 2010. Modificado pela autora, 2017.

A implantação do hospital no terreno é horizontal, linear e modulada,


organizada em blocos (FIGURA 13) que são interligados por circulação e jardins
(MONTERO, 2006).

FIGURA 13 - Implantação do Hospital Sarah Rio de Janeiro – sem escala

Fonte: Monteiro, 2006. Modificado pela autora, 2017.

Com 52.000 m² de área construída, o entorno descampado do próprio


terreno realça os volumes horizontais brancos de tipologia linear e volumetrias
retangulares (FIGURA 14), com exceção da estrutura em balanço do Solário (FIGURA
51

15) e do volume esférico do Auditório (FIGURA 16), sobre o qual Montero (2006, p.
218) afirma:

O auditório foi tratado como um volume independente de base circular


com 36m de diâmetro guarnecido em seu topo por uma semi-esfera com 13m
de diâmetro. Sua forma geométrica é bem definida facilitando sua produção
industrializada, embora sua implantação, como melhor convinha à solução do
espaço interno, ocorra segundo um plano inclinado em relação ao eixo da
geratriz da superfície.

FIGURA 14 - Maquete Eletrônica mostrando a horizontalidade da implantação

Fonte: Toledo, 2008.

FIGURA 15 - Estrutura em balanço do Solário

Fonte: Grunow, 2009.


52

FIGURA 16 - Volume esférico do Auditório

Fonte: Grunow, 2009.

A integração do interno com o externo ocorre gradualmente através das


portas de correr nas fachadas (FIGURA 17) que se abrem para as áreas verdes,
propiciando conforto ambiental e privacidade através da sequência alternadas entre
coberturas e vazios (BRASIL, 2015).

FIGURA 17 - Portas de correr na fachada que se abrem para o jardim do Hospital


Sarah RJ

Fonte: Lukiantchuki, 2010.


53

De acordo com Lukiantchuki (2010, p.167), “a topografia plaina do


terreno e a solução horizontal possibilitam a ampla integração do hospital com os
espaços verdes, facilitando a convivência e a locomoção dos pacientes”.
Os blocos de edifícios que constituem o Hospital Sarah do Rio de Janeiro
são organizados pela proximidade dos ambientes similares e divididos em quatro
edifícios interligados, sendo eles: Serviços técnicos; Internação; Serviços gerais;
Centro de estudos, residência e auditório (FIGURA 18).

FIGURA 18 - Setorização dos ambientes por blocos no pavimento térreo - sem


escala

Fonte: Montero, 2006. Modificado pela autora, 2017.

É possível notar que o bloco de Serviços Gerais que atende pacientes


externos localiza-se próximo ao acesso principal, enquanto o bloco de Internação que
atende os pacientes internos que necessitam de cuidados especiais, é interligado por
uma única ligação, estando completamente afastado do acesso (MONTERO, 2006).
A circulação interna configura-se em formato grelha (FIGURA 19) e se
concentra principalmente nas extremidades das edificações. Já a circulação entre os
blocos é feita por passarelas cobertas (FIGURA 20).
54

FIGURA 19 - Eixos de circulação - sem escala

Fonte: Monteiro, 2006. Modificado pela autora, 2017.

FIGURA 20 - Vista da passarela coberta que liga o bloco de Serviços Técnicos com
o de Serviços Gerais.

Fonte: Monteiro, 2006.

Segundo Ching (2013), a circulação em formato grelha caracteriza-se


por vias paralelas que cruzam com vias perpendiculares criando módulos quadrados
ou retangulares.
As diretrizes mais relevantes do projeto são: a integração dos ambientes
externos e internos proporcionada pela horizontalidade da implantação; a
potencialização da flexibilidade dos espaços internos; e a priorização da utilização da
55

iluminação natural e de sistemas alternativos de ventilação natural e ar condicionado


(MONTERO, 2006).
De acordo com Montero (2006), como partido arquitetônico adotou-se
grandes coberturas de disposição desvinculada a disposição interna com pé direito
variáveis superiores a 8 metros que formam grandes sheds. Entre a cobertura externa
em sheds e os ambientes internos, têm-se forros basculantes e arcos retráteis,
revestidos de policarbonato translúcido. O espaço entre a cobertura e o teto formam
um espaço de ar ventilado que contribui para a ventilação e iluminação dos ambientes
a medida que se torna um difusor da luz solar. Essas informações podem ser
observadas no esquema da FIGURA 21 e na vista externa do hospital na FIGURA 22.

FIGURA 21 – Croqui da composição da cobertura mostrando os Sheds - sem escala

Fonte: Lukiantchuki, 2010.

Basicamente essa cobertura em sheds funciona como uma árvore que


proporciona sombra e filtra a luz natural, além de captar os ventos dominantes.

FIGURA 22 - Vista externa do hospital mostrando os Sheds

Fonte: Finotti, 20??.


56

Os sheds, que são utilizados em todos os edifícios da Rede Sarah, além


de proporcionar conforto ambiental também são utilizados para dar leveza aos
desenhos dos hospitais. No Sarah Rio de Janeiro, o arquiteto utilizou um sistema de
construção pré-fabricado misto de estrutura metálica e vedação em argamassa
armada que possibilitou a estruturação destes (LUKIANTCHUKI, 2010).
Neste projeto, motivado pelo clima quente e úmido do Rio de Janeiro,
Lelé propôs um sistema de ventilação flexível e inovador, visando a redução da
utilização do ar condicionado mas não descartando seu uso. Assim, apresentou três
alternativas de resfriamento, sendo elas a natural, a natural forçada e a artificial, onde
ambas podem ser utilizadas de acordo com as necessidades já que são independes
entre si e não limitam a iluminação natural (MONTERO, 2006).
Sobre os sistemas de ventilação, Montero (2006) ainda afirma que a
ventilação natural é proporcionada através dos basculantes do teto (FIGURA 23) e
pelas aberturas dos arcos retráteis (FIGURA 24). No sistema artificial os basculantes
do teto são fechados e o ar do piso técnico é captado por unidades do tipo fan-coil,
refrigerado e insuflado nos ambientes pelos dutos, logo, voltam as unidades “fan coil”
também por dutos, que se localizam no piso técnico. Já a ventilação natural forçada
capta o ar do piso técnico exatamente da mesma forma que o sistema artificial,
todavia, a saída do ar acontece através de aberturas parciais nos basculantes do teto.

FIGURA 23 - Basculantes do teto fechados e abertos, respectivamente

Fonte: Lukiantchuki, 2010.


57

FIGURA 24 – Estrutura dos arcos retráteis - sem escala

Fonte: Lukiantchuki, 2010.

Vale ressaltar que o ar vindo do pavimento técnico na ventilação natural


forçada e na ventilação artificial sofre um resfriamento evaporativo, através da
aspersão de água do espelho d’água externo (FIGURA 25), colaborando com o
conforto térmico da edificação (LUKIANTCHUKI, 2010).

FIGURA 25 – Sistema de aspersão da água do espelho d’água

Fonte: Lukiantchuki, 2010.

Na edificação que abriga o auditório, além da ventilação artificial pelo


sistema de ar condicionado, a cobertura com abertura automatizada e constituída por
peças de metal em formato de pétalas propicia a ventilação e iluminação natural, vista
na FIGURA 26 (MONTERO, 2006).
58

FIGURA 26 - Vistas internas e externas da cúpula se abrindo

Fonte: Lukiantchuki, 2010.

Neste hospital, as fachadas que mais recebem insolação (FIGURA 27)


no verão são a sul, leste e oeste, enquanto a norte pode ser considerada a melhor
orientação uma vez que não tem incidência solar no verão mas recebe luz solar
durante o dia todo no inverno (LUKIANTCHUKI, 2010).

FIGURA 27 - Trajetória solar e direção dos ventos dominantes - sem escala

Fonte: Montero, 2006. Modificado pela autora, 2017.

Para tanto, Lelé explorou as vedações transparentes com estratégias


para minimizar a incidência dos raios solares nas fachadas, como brises, sheds,
beirais e pintura opaca. O arquiteto também explorou os ventos dominantes vindos do
sudeste para ventilar as edificações de forma indireta (LUKIANTCHUKI, 2010).
59

Sobre os jardins do hospital, pode-se dizer que não apenas integram os


quatro blocos como tornam os espaços agradáveis e amenizam o forte calor
característico do Rio de Janeiro (MONTERO, 2006). Segundo Lukiantchuki (2010, p.
222), o projeto paisagístico, feito por Beatriz Secco:

[...] demonstra uma grande preocupação com o conforto ambiental. Conceitos


como sombreamento das áreas de convivência, formação de jardins de
bloqueios, facilidade de deslocamento entre os espaços, caminhos
confortáveis e seguros, áreas internas integradas aos jardins, e a relação da
altura da vegetação com os prédios definem o paisagismo [...].

A área externa do hospital é revestida predominantemente por grama


resistente ao pisoteio com árvores e arbustos, além de outros elementos. Nos
estacionamentos foram utilizados o piso permeável de concregrama, sendo o piso
impermeabilizado de blocos de concreto foi utilizado apenas nas varandas, passarelas
e nas áreas de tratamento e lazer (LUKIANTCHUKI, 2010), como mostra a setorização
das áreas na FIGURA 28.

Figura 28 - Croqui das áreas - sem escala

Fonte: Monteiro, 2006. Modificado pela autora, 2017.

A preocupação com o conforto térmico, a mobilidade por todo o


complexo, a modulação da implantação, a integração do interno com o externo, as
soluções arquitetônicas inovadoras, o paisagismo, a sustentabilidade clara até nos
materiais de construção utilizados são algumas das vantagens explicitas deste
hospital. Essas vantagens se sobressaem as poucas desvantagens observadas, que
60

consistem nas grandes distâncias a serem percorridas e na utilização de mão de obra


especializada.
Por fim, pode-se dizer que devido à excelência da arquitetura
proporcionada por Lelé, os hospitais da Rede Sarah Kubitschek são referência na
arquitetura hospitalar mundial. Assim, do projeto hospitalar aqui exposto foram
utilizadas no projeto do anexo da instituição Lumen et Fides destinado a pessoas
autistas as soluções referentes ao conforto ambiental, como por exemplo o sistema
zenital e as ligações cobertas entre os blocos que permitem que os diferentes setores
sejam acessados pelos indivíduos de modo a estarem protegidos de intempéries.

4.2 Colégio Flor de Campo, Colômbia – COL

O colégio Flor do Campo (FIGURA 29) é uma escola de uso público que
localiza-se em Cartágena, na Colômbia e foi projetado pelos arquitetos Gincarlo
Mazzanti e Felipe Mesa.

FIGURA 29 - Foto aérea do Colégio Flor do Campo – Colômbia

Fonte: Plataforma Arquitectura, 2010.


61

O projeto venceu um concurso aberto realizado em 2007 (SOBREIRA,


20??) e foi implantado em um lote plano com cerca de 21.950 m² situado em um bairro
de classe média baixa também chamado Flor do Campo (FIGURA 30), que se
enquadra dentro de um contexto de isolamento urbano (HORTA, 2010).
A obra, concluída em 2010, é considerada um equipamento público de
caráter social que apoia as atividades comunitárias e oferece ao bairro uma nova
centralidade (HORTA, 2010).

FIGURA 30 – Terreno situado no bairro Flor do Campo

Fonte: Google Earth, 2017. Modificado pela autora, 2017.

A implantação do projeto acompanha o formato de triângulo reto do


terreno e o programa da escola é dividido em blocos independentes de dois
pavimentos chamados de anéis, onde cada um corresponde a um setor específico
(FIGURA 31). Dessa forma, dentre os quatro anéis existentes, um compreende
espaços públicos que podem ser utilizados pelos alunos e pela comunidade, enquanto
os outros três são destinados à educação infantil, a educação fundamental e ao ensino
médio (GONÇALVES, 2011).

FIGURA 31 – Setorização geral da implantação da Escola Flor do Campo


62

Fonte: Horta, 2010. Modificado pela autora, 2017.

Nesta setorização é possível observar a disposição dos três blocos


educacionais que podem ser acessados por uma entrada localizada no pátio central.
Também é notável que o bloco que abriga os espaços públicos possui uma entrada
exclusiva.
Segundo Sobreira (20??), o conceito do projeto é baseado em duas
referências, exemplificadas nos esquemas da FIGURA 32.

FIGURA 32 – Referências utilizadas como conceito projetual

Fonte: Autora, 2017.


63

A primeira diz respeito a teoria de conjuntos, onde há um contato entre


os elementos através de uma área de intersecção. A segunda refere-se ao
agrupamento de células que trocam matéria e energia através de suas membranas,
constituindo os tecidos biológicos.
Dessa forma, o partido arquitetônico é caracterizado pela disposição dos
anéis por setores, criando espaços de intersecção modulados de acordo com a idade
e o grau das atividades realizadas, onde os alunos se encontram sob a supervisão
dos professores e funcionários. Também é definido pela constituição de um tecido
arquitetônico no qual a configuração se assemelha a dos tecidos biológicos, onde os
anéis representam as células e os conectores (os pátios), que possuem estrutura
vazada, representam as membranas, que por sua vez possibilitam a interação entre
as pessoas (GONÇALVES, 2011). A FIGURA 33 demonstra o método utilizado no
partido em alusão as referências conceituais.

FIGURA 33 - Croqui esquematizando o método utilizado no Partido Arquitetônico –


sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Neste esquema observa-se o sistema de implantação por setores da


escola onde se nota ao centro o pátio central que é a área de intersecção de todos os
64

blocos e ao redor, os pátios formados a partir do encontro entre dois blocos. Essas
áreas são responsáveis pela troca de energia e informações do edifício.
Os anéis, feitos com blocos de concreto pré-moldados, são setorizados
de acordo com a faixa etária dos alunos e apesar de possuírem programas
independentes, são compostos basicamente por um prédio com salas e seu
respectivo pátio (HORTA, 2010), como é possível ver na FIGURA 34.

FIGURA 34 – Maquete eletrônica do Colégio Flor do Campo

Fonte: Fernandes, 2012.

Através da maquete é possível perceber a constituição dos espaços dos


blocos por edifícios e pátios.
De acordo com Horta (2010), os espaços dos pátios são delimitados por
marquises sustentadas por pilotis metálicos (FIGURA 35) e fechadas com brises feitos
com placas vazadas de concreto pré-fabricado.
65

FIGURA 35 - Marquises sustentadas por pilotis metálicos

Fonte: Horta, 2010. Modificado pela autora, 2017.

Para amenizar o clima quente da região, Horta (2010, s/p) ainda afirma
que:

Esses pátios têm um papel central em cada bloco: os corredores ao longo


das salas no pavimento superior formam um mezanino voltado para essas
áreas, que servem não apenas para a recreação dos alunos, como também
para criar microclimas que baixem as temperaturas e promovam correntes de
ar para refrescar as salas de aula por meio de ventilação cruzada.

No encontro de todos os blocos forma-se um grande pátio central


(FIGURA 36) arborizado, sinuoso, colorido e aberto para a rua por onde é feito o
acesso à escola (SOBREIRA, 20??).
66

FIGURA 36 - Pátio central

Fonte: Fernandes, 2012.

O prédio em si, com sua forma sinuosa distribuída em uma área


construída de 6.168 m² se destaca no entorno de casas simples, baixas e de telhado
metálico.
Todavia, o projeto ao invés de segregar, acolheu a comunidade, criando
uma relação com o entorno através do acesso para o pátio central (FIGURA 37)
interno que permite a transição direta com a rua, tornando-se uma área comunitária
(HORTA, 2010).

FIGURA 37 - Acesso que permite a transição entre a rua e a escola

Fonte: Plataforma Arquitectura, 2010. Modificado pela autora, 2017.


67

Nesta edificação, os muros foram substituídos por um fechamento com


as mesmas placas vazadas de concreto utilizadas no brises, pintadas em diferentes
tons de cinza (FIGURA 38), formando uma membrana permeável (SOBREIRA, 20??).

FIGURA 38 – Fechamentos em placas vazadas pré-fabricadas de concreto em tons


de cinza

Fonte: Fernandes, 2012.

Assim, o elemento que mais se destaca na obra são as placas vazadas


de concreto, usadas em todo fechamento da escola e que permitem não só a
iluminação e ventilação natural no interior do edifício como estabelece uma
comunicação entre o interior e o exterior proporcionada pela permeabilidade visual,
permitindo a interação entre a escola e a comunidade ao redor (HORTA, 2010).
Conclui-se que desta referência projetual foram utilizados no projeto do
anexo da Lumen et Fides destinado a autistas a setorização dos blocos de acordo
com as atividades realizadas e o elemento vazado que permite ao mesmo tempo a
segurança do prédio e permeabilidade visual entre o interior e o exterior da edificação.

4.3 St. Coletta School, Washington, DC – EUA

A St. Coletta School (FIGURA 39) é uma escola pública de ensino


especial que atende alunos de três a vinte e dois anos de idade diagnosticados com
deficiência intelectual, autismo ou deficiências secundárias (ST. COLETTA OF
GREATER WASHINGTON, 20??).
68

FIGURA 39 – Perspectiva da St. Coletta School - sem escala

Fonte: Graves, 2014.

A escola é administrada pela organização não-governamental St Coletta,


fundada em 1959 e que ao longo dos anos mudou-se várias vezes para diversos locais
até se estabelecer na St. Coletta School em Washington, DC (ST. COLETTA OF
GREATER WASHINGTON, 20??).
Inaugurada em setembro de 2006, a escola localiza-se na esquina da
Rua 19 com a Avenida Independência SE, em Washington DC (FIGURA 40) e foi
projetada pelo renomado arquiteto Michael Graves, que se inspirou nos bairros
residenciais da cidade e a descreve como um edifício que possui identidade própria
com uma arquitetura inovadora e focada na humanidade (GRAVES, 2014).
69

FIGURA 40 - Localização da St. Coletta School com as ruas do entorno imediato


destacadas

Fonte: Google Earth, 2017. Modificado pela autora, 2017.

A obra tem 99.000 m² de área construída e consiste em um conjunto de


cinco casas que são pequenas escolas conectadas ao longo de um volume central
que formam a edificação escolar em um todo (SVEIVEN, 2010), como é possível
observar na FIGURA 41.

FIGURA 41 – Setorização geral da planta baixa do primeiro pavimento

Fonte: Graves, 2014. Modificado pela autora, 2017.


70

Nesta setorização percebe-se que as casas situam-se nas extremidades


do volume central e que os espaços comuns e o acesso principal localizam-se
voltados para a Avenida Independência.
A disposição do programa arquitetônico em casas ao invés de seguir a
estrutura comum vista em escolas auxilia na relação dos alunos com os ambientes a
medida que tem a função de colaborar na orientação espacial dos usuários. Facion e
Giannini (2005) ainda afirmam que as instituições que remetem ao ambiente familiar
tendem a gerar melhores resultados no tratamento e consequentemente na
aprendizagem.
Segundo a St. Coletta of Greater Washington, (20??), os alunos são
agrupados nas casas (FIGURA 42) de acordo com as idades e ali permanecem por
vários anos consecutivos. Os professores e terapeutas também são designados por
casas com o intuito de formarem pequenas “famílias”.

FIGURA 42 – Vista das casas que compõem o edifício da escola

Fonte: Graves, 2014.

Conforme Sveiven (2010), as casas foram projetadas com dois andares


e seus interiores são pintados de cores diferentes (FIGURA 43).
71

FIGURA 43 - Interior das casas que abrigam os espaços de aprendizagem

Fonte: St. Coletta of Greater Washington, 20??.

Elas são anexas a um grande hall central que é chamado de “vila verde”,
que possui pé direito duplo e claraboias (FIGURA 44). A luz propiciada pela claraboia
realça as cores e ilumina o hall, que junto com o teto arqueado provoca sensações
distintas nos frequentadores (SVEIVEN, 2010).

FIGURA 44 – Hall central que possui pé direito duplo e claraboias

Fonte: Graves, 2014.

A diferença entre o pé direito do hall e dos ambientes que se ligam a ele


provoca a sensação de estar em meio a uma cidade, onde as casas remetem ao
espaço privado e abrigam os ambientes de aprendizagem pertencente aos alunos e
os corredores, com seu pé direito duplo, representam as ruas que são locais públicos.
O programa em geral é composto basicamente de ambientes que
colaboram com a aprendizagem e prática de habilidades diárias. Além disso, possui
72

um ginásio, sala de hidroterapia, sala sensorial, estúdios de arte e música (ST.


COLETTA OF GREATER WASHINGTON, 20??) e inclui ainda um centro de
enfermagem e centros de fisioterapia (SVEIVEN, 2010). Na FIGURA 45 pode-se
observar o interior das salas sensorial e de hidroterapia.

FIGURA 45 – Sala de hidroterapia e sala sensorial, respectivamente

Fonte: Graves, 2014.

De acordo com Sveiven (2010), a sala sensorial bem como os estúdios


de música e arte foram projetados para estimular os alunos através das cores, sons e
luzes.
Sobre o edifício é possível afirmar que este possui forma linear e é
composto pela adição de volumes a um volume central, o que pode-se notar na
FIGURA 46.
73

FIGURA 46 – Forma do edifício e adição de volumes

Fonte: Google Earth, 2017. Modificado pela autora, 2017.

Segundo Ching (2010, p. 59) a forma linear é basicamente “uma série


de formas distribuídas sequencialmente, em uma fileira.” Além disso o edifício possui
uma circulação também linear, que Ching (2010) caracteriza como uma série de
espaços organizados por um elemento principal, como o corredor.
Salienta-se ainda que o arquiteto utilizou cores vibrantes, linhas
diferentes de coroamento e formas marcantes para compor o edifício (FIGURA 47),
adequando-o de acordo com os usuários e com o propósito de torna-lo convidativo e
ajudar os alunos com deficiência cognitiva e autismo na orientação espacial.

FIGURA 47 - Cores vibrantes, formas marcantes e linhas diferentes de coroamento

Fonte: Graves, 2014.


74

Dessa forma, pode-se dizer que o edifício possui uma arquitetura


diferenciada, divertida e eficiente, que destaca-se na área onde foi implantado e
também na arquitetura voltada para os autistas e deficientes intelectuais.
Assim, o projeto da St. Coletta School foi escolhido como referência
projetual pela utilização de volumes simples dispostos linearmente e o uso de diversas
cores na composição dos ambientes, elementos que aplicados ao projeto do anexo
da Lumen et Fides destinado a autistas, auxiliaram na orientação espacial dos
principais usuários do espaço.
75

5. ESTUDO DE CASO: LUMEN ET FIDES

A Lumen et Fides é uma instituição filantrópica localizada na cidade de


Presidente Prudente - SP que atende pessoas de todas as idades diagnosticadas com
disfunções neuromotoras, doenças neuromusculares e Transtorno do Espectro
Autista.
Lembrando que o presente trabalho tem como objetivo a realização de
um projeto de um anexo da Lumen et Fides destinado a pessoas com Transtorno do
Espectro Autista, é de suma importância que haja um conhecimento a respeito do
funcionamento da instituição e das edificações existentes.
Assim, este capitulo faz uma breve abordagem acerca da história e do
funcionamento da entidade e apresenta análises arquitetônicas referentes aos
edifícios existentes.

5.1 A Lumen et Fides

A Lumen et Fides foi fundada em 15 de maio de 1957 por um grupo de


pais de Presidente Prudente - SP que buscavam tratamento adequado para os filhos
com autismo, deficiência e disfunção neuromotoras (GONÇALVES, MACHADO E
CAMPANHARO, 2010).
O nome, segundo o diretor administrativo da entidade Manoel Dionísio
Filho (apud GONÇALVES, MACHADO E CAMPANHARO, 2010, p. 47) é:

De origem latina, Lumen é a luz que brilha, é a seta que indica o bom
caminho, haja vista que Cristo é um Lumen. Fides são laços de amizade
que unem os homens para que possam, mutuamente, realizar algo de bom
e de bem. Portanto, o nome da instituição veio de um ideal comum de
cooperação para a realização social em torno de uma questão que merecia
atenção especial. No caso, a limitação neuromotora, neuromuscular e o
autismo de jovens e crianças.

De acordo com Gonçalves, Machado e Campanharo (2010), a princípio


a instituição funcionava em uma chácara situada em Álvares Machado - SP que
pertencia a um dos fundadores. A localização, vinculada ao difícil acesso ao local,
motivou a transferência para uma Igreja Adventista localizada em Presidente Prudente
- SP. Logo, a igreja precisou ocupar o espaço cedido ao funcionamento da instituição
provocando novamente sua transferência, dessa vez, para um edifício situado na
76

Avenida Coronel Marcondes. Posteriormente, na década de 80 a sede ainda ocupou


uma ala da APAE de Presidente Prudente SP e na década de 90, o prédio da SOS
crianças, na mesma cidade. Até que em 1992 a Prefeitura Municipal doou para a
Lumen et Fides um terreno onde antes funcionava a instituição Alberto Cevelin, que
por dificuldades financeiras havia encerrado suas atividades. Finalmente a sede foi
estabelecida no espaço doado e continua em expansão até os dias atuais.
A instituição oferece tratamento especializado com multiprofissionais
nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, serviço social, terapia
ocupacional, nutrição e pedagogia, onde adotam os métodos de ensino TEACCH e
Currículo Funcional Natural. Gonçalves, Machado e Campanharo (2010, p. 50)
afirmam que “a Lumen et Fides é uma escola especial que trabalha em todas as áreas
que possam garantir um excelente tratamento de reabilitação, que em mais de 20
anos tem proporcionado uma vida melhor aos pacientes.”
A instituição é mantida pela Associação de Desenvolvimento de
Crianças Limitadas com auxílio de verbas públicas, de eventos beneficentes e de
doações. Os recursos públicos são provenientes de convênios com a Secretaria de
Saúde (SUS), Secretaria da Educação (Escola de Educação Especial) e a Secretaria
Municipal de Assistência Social (GONÇALVES, MACHADO E CAMPANHARO, 2010).
A Lumen et Fides atende pacientes não só de Presidente Prudente - SP
como de toda a região por ser a única unidade que proporciona o atendimento
adequado a pessoas de todas as idades diagnosticadas com disfunções
neuromotoras, doenças neuromusculares e Transtorno do Espectro Autista.
Segundo Gonçalves, Machado e Campanharo (2010), a maior parte dos
atendidos pela Lumen ingressam na instituição ainda crianças e continuam ao longo
da vida, sendo que o principal critério para ser aceito na instituição e assim iniciar o
tratamento é o diagnóstico médico comprovando a necessidade de atendimento
especializado.
Em visitas in loco, a atual coordenadora da equipe de saúde, Luciana
Christine F. Tanaka e a diretora pedagógica Perlla Cristina R. Oliveira relataram que
atualmente a entidade possui 66 funcionários que atuam em diversas áreas e que
atendem um total de 155 pacientes, sendo que destes, 55 são autistas, que são
tratados em um setor especifico com capacidade física para 50 atendidos, existindo
ainda uma lista de espera de 45 pessoas já diagnosticadas com TEA e esperando por
vaga.
77

Sabendo que a quantidade de vagas disponibilizadas e o número de


pessoas que preenchem a capacidade máxima tem relação direta com a estrutura
física ofertada pela instituição, pontua-se que há uma falta de espaço físico para
receber a demanda de novos alunos, e que uma ampliação como o anexo proposto
poderia suprir essa demanda.

5.2 Análises Arquitetônica e Funcional

Situada em Presidente Prudente - SP, a Lumen et Fides localiza-se no


bairro Jardim Alto da Boa Vista, entre as ruas Maria Fernandes e Kasumi Obata
(FIGURA 48).

FIGURA 48 – Localização da Lumen et Fides – sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Pelo esquema acima, nota-se que a instituição situa-se na zona sul da


cidade, em frente à praça Sebastião Jorge Chammé. O lote vazio adjacente, que
também é de propriedade da entidade, é o terreno escolhido para implantação do
anexo destinado a autistas.
A instituição tem seu programa de necessidades organizado em quatro
blocos e possui três acessos (FIGURA 49), sendo que o acesso principal acontece
pela fachada frontal, voltada para a rua Maria Fernandes (FIGURA 50).
78

FIGURA 49 - Implantação dos blocos com a localização dos acessos – sem escala

Fonte: Autora, 2017.

FIGURA 50 - Acesso principal localizado na fachada frontal

Fonte: Autora, 2017.

Por se tratar de uma instituição que envolve saúde e educação, o


complexo é cercado por alambrado, o que garante uma relação com o entorno através
da permeabilidade visual e a entrada de pessoas é restrita, devendo ser autorizada
por algum funcionário, por isso, o acesso principal funciona como uma entrada social
e direciona quem chega primeiramente a recepção para que só depois da autorização
possa ter acesso aos outros ambientes. Já os acessos secundários só podem ser
utilizados por funcionários, pais e atendidos, pois permitem acesso direto as
dependências da entidade.
Os blocos foram implantados de acordo com a verba disponível e as
necessidades que surgiram ao longo do tempo, ocasionando construções e reformas
79

sem planejamento adequado. Na FIGURA 51 é possível observar a expansão da


instituição.

FIGURA 51 - Imagens de satélite com o contorno dos blocos em destaque

Fonte: Google Earth, 2017. Modificado pela autora, 2017.

Através das imagens de satélite com o contorno dos blocos destacados


em amarelo, nota-se a implantação de novos blocos e a expansão dos existentes
desde 2007 até os dias atuais. Dentre os quatro blocos, apenas dois são interligados
diretamente por meio de uma cobertura metálica sustentada por pilares metálicos
(FIGURA 52), enquanto os outros encontram-se a uma distância considerável e não
possuem conexão com as outras edificações.
80

FIGURA 52 - Cobertura que interliga os dois blocos da frente

Fonte: Autora, 2017.

Diante disso, pode-se afirmar que os blocos foram implantados de


maneira independente e sem uma ligação direta, não tendo um caminho pavimentado
indicando o percurso e nem cobertura que proteja os usuários de intempéries.
Assim como a cobertura que interliga os dois blocos, os edifícios
possuem cobertura metálica, são pintados nas cores branco, amarelo e azul e foram
construídos em alvenaria, sendo que em três deles foram utilizados blocos de
concreto e em apenas um, o que abriga o setor de apoio familiar, foram utilizados
tijolos de barro.
Os blocos são divididos por setores (FIGURA 53) que foram definidos
pela proximidade dos ambientes que possuem tipologias iguais ou parecidas.
81

FIGURA 53 – Planta baixa setorizada por setores – sem escala

Fonte: Dalton Mello, 20??. Modificado pela autora, 2017.

Assim, temos os setores administrativo, pedagógico, de nutrição, de


serviço, de terapia, de atendimento médico, de apoio familiar, dos autistas, dos
cavalos utilizados na equoterapia e também quadra descoberta, depósitos e
estacionamento. Para analisar melhor cada setor, os blocos foram numerados.
O setor administrativo (FIGURA 54) é composto pela recepção,
secretaria, sanitários, sala da assistente social, sala das coordenadoras e sala de
reuniões.

Figura 54 – Ambientes do setor administrativo

Fonte: Autora, 2017.


82

A figura acima é composta de uma sequência de fotos dos ambientes


que compõem o setor administrativo. A primeira mostra a recepção e a janela da
secretaria, visão inicial de quem acessa a Lumen et Fides pela entrada principal. A
segunda foto mostra o corredor que dá acesso aos outros ambientes e também
interliga o setor administrativo ao setor pedagógico. A terceira, mostra a entrada dos
dois sanitários, feminino e masculino. A quarta, a quinta e a sexta, respectivamente,
mostra a sala da assistente social, a sala das coordenadoras de saúde e pedagógica,
e a sala de reuniões.
O setor pedagógico (FIGURA 55) contém três salas de aula, a sala de
terapia ocupacional, sanitários e duas salas de pediasuit1.

FIGURA 55 – Ambientes do setor pedagógico

Fonte: Autora, 2017.

Essa imagem apresenta três fotos de ambientes do setor pedagógico, a


primeira mostra a continuação do corredor que vem do setor administrativo, passa
pelo pedagógico e vai leva até o setor de atendimento médico, ao setor de nutrição e
a saída do bloco para a quadra descoberta. Percebe-se que deste trecho em diante o
corredor é provido de barras de apoio. A segunda e terceira fotos, respectivamente,
mostram uma sala de aula e uma das salas de pediasuit, sendo essas iguais as outras
de mesma função.
Alguns setores não puderam ser fotografados pela presença de alunos
e funcionários, como o setor de nutrição que possui uma cozinha, refeitório e
ambientes de apoio como depósitos e câmara fria; o setor de serviço que abriga as

1
Terapia que potencializa a reabilitação dos pacientes.
83

áreas de limpeza com tanques e produtos; e o setor de atendimento médico que


possui uma sala para o atendimento dos pacientes.
O bloco que abriga o setor de terapia, é o maior, o mais antigo e o único
que tem pé direito duplo (FIGURA 56).

FIGURA 56 - Pé direito duplo do bloco que abriga o setor de terapia

Fonte: Autora, 2017.

Apesar de amplas janelas, que proporcionam iluminação e ventilação


natural, estas não são suficientes para proporcionar conforto térmico para este
edifício, já que as telhas metálicas absorvem calor e tornam o bloco extremamente
quente, assim como os outros prédios da instituição, que possuem o mesmo tipo de
cobertura.
O setor de terapia (FIGURAS 57, 58 e 59) é composto por uma área
com piscina aquecida destinada a hidroterapia, espaço para realização de exercícios,
sala de fonoaudiologia, sala de fisioterapia, sanitários e vestiários, sala com cama
elástica, sala de terapia ocupacional, sala multisensorial e um picadeiro.

FIGURA 57 - Ambientes que compõe o setor de terapia

Fonte: Autora, 2017.


84

Esta figura mostra respectivamente, o espaço utilizado para a prática de


exercícios, a sala da cama elástica, a sala da fonoaudiologia e a sala de fisioterapia.

FIGURA 58 - Ambientes do setor de terapia

Fonte: Autora, 2017.

Nesta, é possível observar, respectivamente, o picadeiro utilizado na


equoterapia, a piscina aquecida, o vestiário que se localiza próximo a piscina e a porta
de entrada da sala de terapia ocupacional.

Figura 59 – Sala multissensorial do setor de terapia

Fonte: Autora, 2017.

A figura acima mostra o interior da sala multissensorial, que tem as


paredes pintada de branco e o teto de azul escuro, além de ser composta por vários
elementos lúdicos e luzes que trocam de cores provocando sensações diferentes,
também tem um telão no chão onde as pessoas podem interagir com diferentes
paisagens e situações virtualmente.
O setor de apoio familiar (FIGURA 60) é composto por salas do grupo
cooperativo, varanda, sanitário e copa.
85

FIGURA 60 - Vista externa do bloco que abriga o setor de apoio familiar

Fonte: Autora, 2017.

Essa imagem mostra o bloco onde se localiza o setor de apoio familiar,


o único construído em alvenaria de tijolos de barro.
O setor dos cavalos (FIGURA 61) é composto por cinco baias, um
depósito de ração, enfermaria, selaria e uma sala para o tratador.

FIGURA 61 - Setor dos cavalos

Fonte: Autora, 2017.

Nota-se que diferentemente dos outros ambientes da instituição, as


paredes das baías não chegam até a cobertura metálica, proporcionando a ventilação
e iluminação necessárias para estes espaços que abrigam animais.
O setor dos autistas (FIGURA 62) ocupa o último bloco construído e
contém salas de aula, sanitários, copa, sala da diretoria, sala de atendimento
psicológico, cozinha, refeitório e uma casa, chamada de casa do autista, com quarto,
cozinha, banheiro, sala e área de serviço que se localiza no mesmo bloco do setor
dos cavalos.
86

FIGURA 62 - Ambientes do setor dos autistas

Fonte: Autora, 2017.

Na figura acima pode ser visto respectivamente o jardim entre as


varandas que dão acesso as salas, uma sala de aula, o banheiro, o refeitório e a sala
de terapia. Este bloco possui o formato em “U” e junto com a casa do autista forma
um conjunto separado por alambrado do restante da instituição, para evitar a fuga de
autistas.
O acesso a este setor é restrito aos atendidos e funcionários e por isso
é vedado com vidros, como pode ser visto na FIGURA 63.

FIGURA 63 - Acesso ao setor dos autistas

Fonte: Autora, 2017.

Nesta imagem, também pode-se observar uma sala de espera aberta


para o estacionamento com cadeiras para os acompanhantes dos atendidos.
A FIGURA 64 mostra o caminho que interliga o bloco que abriga parte
do setor dos autistas a casa dos autistas.
87

FIGURA 64 - Vista da casa dos autistas

Fonte: Autora, 2017.

Esta casa é utilizada para o aprendizado dos hábitos que eles devem
mantem em suas próprias casas, e no desenvolvimento de habilidades como escovar
os dentes. Quantos ao atendimento feito nos ambientes que compõem o setor dos
autistas, Gonçalves, Machado e Campanharo (2010, p. 51) afirmam que:

[...] o programa visa proporcionar ao atendido a superação de suas limitações


nas áreas motoras, cognitivas, de linguagem, afetiva, social e dentro de suas
potencialidades, o desenvolvimento de maior independência funcional e,
consequentemente, melhora na qualidade de vida.

Como já dito, a instituição atende deficientes e neste caso, um aspecto


importantíssimo para a garantia da mobilidade em suas dependências é a
acessibilidade, que pode ser considerada deficitária por dois motivos visíveis
(FIGURAS 65 e 66).

FIGURA 65 - Vista dos blocos da frente a partir do bloco do fundo, que abriga o setor
dos autistas

Fonte: Autora, 2017.


88

O primeiro motivo, como mostra a figura, diz respeito a interligação dos


blocos da frente com os blocos que se localizam mais ao fundo do lote, onde não há
caminhos adequados pois este percurso é feito pelo estacionamento que é coberto
por pedras, o que dificulta a passagem.

FIGURA 66 - Vista das rampas de acesso do setor de terapia

Fonte: Autora, 2017.

O segundo motivo é que visivelmente as rampas de acesso aos setores


da terapia e da pedagogia não atendem a inclinação de 8,33% exigida pela NBR 9050
referente a acessibilidade.
Vale pontuar que na Lumen et Fides os pacientes recebem um
atendimento humanizado e muito eficaz, obtendo um desenvolvimento excepcional.
Destaca-se ainda que este atendimento obtém êxito mesmo com as dificuldades
encontradas na ambientação atual do recinto, como a falta de acessibilidade e de
conforto térmico.
Os problemas arquitetônicos são visíveis e poderiam ser solucionados
com a realização de um projeto de adequação, mas este não é o foco do atual
trabalho, assim, o projeto do anexo destinado a autistas visa uma interligação deste
com os outros edifícios do complexo e a proposição de soluções para o prédio a ser
projetado que sejam melhores do que as utilizadas nas edificações existentes, para
que posteriormente essa arquitetura possa ser replicada em toda a instituição.
89

6. ESTUDOS DO TERRENO

A escolha do terreno para a implantação do anexo da Lumen et Fides


destinado ao apoio e tratamento de autistas justifica-se pela proximidade com a
instituição existente pois localiza-se adjacente ao lote onde está implantada a sede da
entidade e também por já ser de propriedade da mesma.
A instituição e o terreno situam-se no bairro Jardim Alto da Boa Vista,
região predominantemente residencial que possui aspectos que colaborarão
diretamente no projeto do anexo. Visto que neste tipo de edificação deve-se levar em
conta principalmente as características dos usuários e que estas tem relação direta
com o ambiente frequentado, este capítulo faz uma análise da área de implantação e
de um raio de 200 metros do entorno abordando pontos que devem ser considerados
ao projetar um edifício, como a localização da área, as características do terreno, os
aspectos socioeconômicos, os aspectos do uso do solo urbano, os equipamentos
urbanos, a infraestrutura urbana e as barreiras físicas.

Localização da área

O terreno localiza-se no município de Presidente Prudente - SP, interior


do Estado de São Paulo. Inserido na maior cidade do oeste paulista, situa-se a sul
do quadrilátero central, no bairro Jardim Alto da Boa Vista (FIGURA 67).
90

FIGURA 67 - Localização da instituição Lumen et. Fides e do terreno onde será


implantado o anexo destinado ao apoio e atendimento de autistas - sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Esse bairro faz divisa com o condomínio fechado Damha III, a chácara
do Macuco, a Avenida Vereador Aurelino Coutinho e a Rodovia Raposo Tavares, que
interliga Presidente Prudente as demais cidades da região. Também localiza-se
próximo a estrada velha de Pirapozinho, que faz a conexão por terra desta cidade com
Presidente Prudente. Essas vias, estrada e rodovia favorecem um deslocamento
urbano e também regional nesta área. Já o acesso direto ao terreno é feito a partir
das ruas Vergílio Zanchi e Maria Fernandes, mas deve-se destacar também a Avenida
Vereador Aurelino Coutinho, que possibilita o acesso ao bairro e consequentemente
a estas ruas e também as demais ruas do entorno (FIGURA 68).
91

FIGURA 68 - Principais avenidas e estradas próximas ao empreendimento e ruas


que permitem o acesso direto ao terreno de implantação

Fonte: Google Earth, 2017. Modificado pela autora, 2017.

Visto que a implantação do anexo da instituição Lumen et Fides


destinado aos autistas vai de encontro com a lei federal 7.853/89 (BRASIL, 1989),
destinada a pessoas com deficiência que assegura tratamentos de saúde e educação
especial, seja em entidades públicas ou privadas, a todos os tipos de deficiência, o
que pela lei n°12.764/2012, inclui o autismo (BRASIL, 2012), pode-se dizer que o local
escolhido é de fácil acesso aos moradores prudentinos e também aos moradores da
região.

Aspectos socioeconômicos

Localizado em Presidente Prudente, o Jardim Alto da Boa Vista é


considerado pelo zoneamento da cidade como um bairro residencial de média
densidade populacional. Através do levantamento de uso e ocupação do entorno no
raio de 200 metros que possui uma área de 159, 392 km², pode-se considerar que se
de um total de 160 são residências e que em média habitam 4 moradores por
residência, temos que esta área possui uma densidade demográfica de 0,249
hab./km².

Características do terreno

Sobre as características físicas do terreno, percebe-se que este


apresenta o formato de um quadrilátero, abrangendo uma área de 4.236,20 m².
92

A FIGURA 69 e 70, respectivamente, apresentam o levantamento


planialtimétrico do terreno, com as curvas de nível de 1 em 1 metro e o levantamento
topográfico do entorno, com as curvas de nível dispostas de 10 em 10 metros.

FIGURA 69 - Levantamento Planialtimétrico do terreno - sem escala

Fonte: Antônio Júlio Victorino, 2001. Modificado pela autora, 2017.


93

FIGURA 70 – Levantamento topográfico do entorno - sem escala

Fonte: Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, 2001. Modificado pela autora, 2017.

Estes levantamentos indicam que o quarteirão onde o terreno se localiza


situa-se na parte mais alta do bairro, que possui uma certa inclinação a medida que
se estende pela Rua Maria Fernandes em direção a parte mais baixa da área, como
é possível observar na FIGURA 71, que mostra o perfil topográfico do quarteirão e
destaca o terreno de implantação do anexo.
94

FIGURA 71 – Planta do quarteirão com edificações existentes e perfil topográfico do


quarteirão a partir da rua Maria Fernandes - sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Analisando as imagens acima, pode-se concluir que mesmo com a área


apresentando certo declive, o terreno está situado na parte mais baixa onde quase
não há inclinação.
Quanto aos aspectos climatológicos referentes ao terreno (FIGURA 72),
foram analisadas a trajetória solar e a direção predominante dos ventos da cidade de
Presidente Prudente pois são aspectos que irão condicionar o desenvolvimento do
projeto na busca do conforto térmico para os usuários.
95

FIGURA 72 - Planta esquemática da insolação e ventilação do terreno

Fonte: Antônio Júlio Victorino, 2001. Modificado pela autora, 2017.

Através destas análises e da análise do entorno, têm-se que tanto o sol


da manhã quanto o sol da tarde atingiram a edificação diretamente, pois não serão
barrados por outras construções uma vez que o entorno imediato é composto por
casas de um pavimento no lado oeste, pelas outras edificações da Lumen et Fides
além de espaços abertos no lado leste, por uma praça com predominância de
coqueiros no lado norte e pelo muro de divisa da chácara do Macuco, que pode ser
considerado baixo, no lado sul. A ventilação que provém do sudeste será pouco
prejudicada pela presença do muro de divisa com a chácara, mas por este ser baixo
e do outro lado ser campo aberto, não terá grandes impedimentos e poderá ser
aproveitada.

Aspectos do uso do solo urbano

O Jardim Alto da Boa Vista, região de implantação do anexo faz divisa


com o condomínio fechado Damha III e a chácara do Macuco (FIGURA 73).
96

FIGURA 73 - Bairros que fazem divisa com o bairro Jardim Alto da Boa Vista

Fonte: Google Earth, 2017. Modificado pela autora, 2017.

Pode-se dizer que esse local é privilegiado em questão de acesso já que


situa-se próximo à Rodovia Raposo Tavares e a Estrada Velha de Pirapozinho, que
interliga Presidente Prudente as demais cidades da região. Também está próximo a
grandes Avenidas como a Avenida da Saudade, Avenida Vereador Aurelino Coutinho
e Avenida Miguel Damha, onde as duas últimas levam a uma parte da cidade que tem
se expandido cada vez mais e é composta basicamente por condomínios fechados.
Dentro do zoneamento urbano de Presidente Prudente, que foi instituído
em 2008 através da Lei Municipal n° 153/2008 que “Dispõe sobre a Lei de
Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo, da Área Urbana do Município de Presidente
Prudente[...]” (PRESIDENTE PRUDENTE, 2008), o terreno escolhido encontra-se na
Zona Residencial 2 – ZR2 (FIGURA 74), que permite a construção de residências
unifamiliares e multifamiliares horizontais e verticais, comércio e serviço vicinal e de
bairro além de tolerar a implantação de comércio e serviço de geral e especifico, além
de indústria não poluitiva.
97

FIGURA 74 - Zoneamento urbano do município de Presidente Prudente com


destaque para o terreno escolhido

Fonte: Prefeitura Municipal, 2008. Modificado pela autora, 2017.

Na ZR2, os lotes devem ter um tamanho mínimo de 250 metros


quadrados e frente mínima de 12 metros, com exceção dos lotes de esquina que
devem ter no mínimo 14 metros de frente. Outras considerações que devem ser
respeitadas são que o coeficiente de aproveitamento máximo é 2, a taxa de ocupação
máxima é de 70% e a taxa de permeabilidade mínima é de 10%, com recuo frontal
mínimo de 4 metros.
Para compreender melhor o entorno do terreno, foram feitos
levantamentos de Uso e Ocupação do Solo e de Gabarito de Altura, vistos nas
FIGURAS 75 e 76 respectivamente.
98

FIGURA 75 - Levantamento de Uso e Ocupação do solo - sem escala

Fonte: Autora, 2017.

FIGURA 76 - Levantamento de Gabarito de Altura sem escala

Fonte: Autora, 2017.

De modo geral, o entorno é caracterizado principalmente pelo uso


residencial com predomínio de habitação unifamiliar de 1 pavimento. O bairro ainda
possui vários lotes vazios e conta com serviços e comércios basicamente
concentrados na Avenida Aurelino Coutinho.
99

O terreno em si é considerado vazio por não apresentar nenhum tipo de


uso e não possuir edificações (FIGURAS 77).

Figura 77 - Vista do terreno a partir da Rua Vergílio Zanchi

Fonte: Autora, 2017.

Percebe-se que ele é composto excepcionalmente por grama e possui


calçada em apenas um lado.
Para o levantamento de equipamentos urbanos do entorno foram
utilizadas as considerações da NBR 9284, que define equipamento urbano como
“todos os bens públicos ou privados, de utilidade pública, destinados à prestação de
serviços necessários ao funcionamento da cidade, implantados mediante autorização
do poder público, em espaços públicos e privados” (ABNT, 1986b, p. 01).
A NBR 9284 divide os equipamentos urbanos em categorias, sendo
essas: circulação e transporte, cultura e religião, esporte e lazer, infraestrutura,
segurança pública e proteção, abastecimento, administração pública, assistência
social, educação e saúde (ABNT, 1986b).
Na FIGURA 78 é possível observar os equipamentos urbanos existentes
no entorno.
100

FIGURA 78 - Levantamento dos equipamentos urbanos existentes sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Apesar de existir poucos equipamentos urbanos no raio de 200 metros


do terreno, pode-se dizer eles atendem muito bem ao bairro, todavia, também vale
ressaltar que em um raio de até 2km encontra-se outros equipamentos como a
Universidade do Oeste Paulista, o Hospital Regional, cemitério e supermercados.
Destaca-se que o equipamento que oferece apoio direto a instituição
existente e posteriormente ao anexo proposto é a praça “Sebastião Jorge Chammé”,
que localiza-se em frente a Lumen et Fides e ao terreno, que por ser uma praça
pública proporciona aos autistas o contato com a paisagem urbana.

Infraestrutura urbana

O entorno do terreno possui abastecimento de água e coleta de esgoto


sanitário feitos pela concessionária SABESP, que atua no município de Presidente
Prudente desde o ano de 1978 (SABESP, 20??). A infraestrutura existente é
totalmente capaz de atender ao anexo proposto.
O sistema de drenagem pluvial nessa região é feito através da rede de
drenagem pluvial instalada nas vias pavimentadas, onde as águas são conduzidas
pelas sarjetas das partes mais altas do bairro até a parte mais baixas (FIGURA 79) e
101

coletadas pelas bocas de lobos, que apesar de estarem conservadas, poderiam ser
maiores e de modelos mais modernos.

FIGURA 79 - Direção para onde escorrem as águas pluviais sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Foram encontradas apenas algumas bocas de lobo no entorno, elas


localizam-se nas partes mais baixa das ruas Maria Fernandes e Prefeito Floreal Leal
e na Avenida do Vereador, como ilustra a FIGURA 80. Por possuir uma grande
quantidade de lotes vazios e também grandes áreas de lazer, uma parte das aguas
pluviais terminam se infiltrando-se no solo, dessa forma, as bocas de lobo existentes
acabam atendendo as necessidades do bairro.
102

FIGURA 80 - Localização das bocas de lobo existente sem escala

Fonte: Autora, 2017.

O bairro Jardim Alto da Boa Vista conta com os serviços da Companhia


Prudentina de Desenvolvimento – PRUDENCO para a coleta comum e coleta seletiva,
transporte e destinação final dos resíduos sólidos, do município. Serviços que
atenderão ao anexo implantado.
O fornecimento de energia elétrica para a região é feito pela companhia
de energia elétrica Energisa, empresa que atua no município de Presidente Prudente.
A distribuição de energia, como na maior parte da área urbana da cidade
é feita através de postes de concreto com fiação aérea, como pode ser visto na
FIGURA 81.
103

FIGURA 81 - Distribuição de energia no entorno por meio de postes de concreto e


fiação aérea

Fonte: Autora, 2017.

O fornecimento de energia atende a todo o bairro, inclusive a instituição


e o terreno.
A Lei Municipal n° 8970/2015 que dispões sobre o sistema viário da
cidade de Presidente Prudente e visa promover a Mobilidade Urbana, determina a
classificação das vias em urbanas e rurais, subdividindo as urbanas em vias de
transito rápido, vias arteriais, vias coletoras e vias locais, e as rurais em rodovia e
estrada, definindo assim uma hierarquia viária (PRESIDENTE PRUDENTE, 2015).
Essa lei, define essas categorias como (PRESIDENTE PRUDENTE,
2015):
- Transito rápido: especifica para receber automóveis em maior velocidade;
- Arteriais: funciona como conectoras das demais vias da cidade aos eixos rodoviários;
- Coletoras: tem a função de receber o tráfego das vias locais e encaminha-lo as vias
arteriais;
- Locais: ruas que dão acessos as residências.
Conforme a lei citada, é possível identificar apenas “vias locais” e uma
“via coletora” n o entorno do terreno, como pode ser observado na FIGURA 82.
104

FIGURA 82 - Hierarquia viária no entorno sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Para uma melhor compreensão do sistema viário do local, também foi


feito um levantamento de fluxo das vias que pode ser visto na FIGURA 83.

FIGURA 83 - Levantamento de fluxo das vias do entorno sem escala

Fonte: Autora, 2017.


105

É possível avaliar que com exceção da Avenida Aurelino Coutinho todas


as vias podem ser consideradas vias locais, inclusive as que permitem acesso direto
ao terreno. Já em quesito fluxo, todas as ruas e Avenidas permites um fluxo de mão
dupla.
A Avenida Aurelino Coutinho é considera coletora pois auxilia no
escoamento de tráfego dos bairros adjacentes com destino ao centro da cidade ou as
vias marginais que dão acesso à Rodovia Raposo Tavares.
Em relação ao lote, destaca-se que é atendido por ruas locais com
transito lento e pouco intenso, visto que uma das vias, a rua Vergílio Zanchi, termina
na lateral deste. Como o anexo não tende a gerar um fluxo de tráfego intenso, uma
vez que a instituição já existe naquele local a muito tempo e a edificação a ser
projetada será apenas um anexo onde a maior parte do tráfego gerado será nas horas
de entrada e saída do recinto pelos pacientes e funcionários e lembrando que grande
parte destes utilizam o transporte público conclui-se que o impacto sobre o sistema
viário será mínimo.
O serviço de transporte coletivo no município de Presidente Prudente é
realizado pelas empresas TCPP e Pruden Express, atendendo todos os bairros do
perímetro urbano incluindo os distritos de segunda a domingo das 06:00 as 22:00
horas.
O terreno e seu entorno são contemplados com 4 pontos de ônibus,
sendo dois na rua Maria Fernandes, que permite o acesso direto ao lote e dois na
Avenida Aurelino Coutinho, como mostra a FIGURA 84.

FIGURA 84 - Pontos de ônibus no entorno sem escala

Fonte: Autora, 2017.


106

A empresa que atua no bairro é a Pruden Express e a linha mais utilizada


é a L108, com destino final no Jardim Planalto.
Sobre o mobiliário urbano, têm-se segundo a NBR 9283/86 que são
“todos os objetos, elementos e pequenas construções integrantes da paisagem
urbana, de natureza utilitária ou não, implantados mediante autorização do poder
público, em espaços públicos e privados.” (ABNT, 1986a, p. 01)
Dos mobiliários urbanos citados na NBR 9283/86, apenas alguns foram
identificados no entorno da área e podem ser observados na FIGURA 85.

Figura 85 - Mobiliários urbanos existentes no entorno sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Nota-se que os mobiliários urbanos existentes são bem distribuídos e


apresentam bom estado de conservação. De modo geral, conclui-se que os
mobiliários urbanos existentes atendem o bairro em um todo.
Sobre a arborização, segundo Camargo (2007), é possível afirmar que
proporciona no espaço urbano um aumento do conforto térmico e a sustentação da
biodiversidade, além de esteticamente embelezar a paisagem urbana e tornar os
lugares mais agradáveis, assim, atraindo a população.
Através do levantamento da arborização existente no entorno realizado
in loco (FIGURA 86), foi possível perceber grande quantidade de árvores e observar
que a maioria foi plantada a bastante tempo e já atingiu o tamanho indicado pelo porte,
107

o que torna o bairro um local arborizado e sombreado. Também é possível constatar


que a praça é o local com a maior vegetação e onde pode-se encontrar uma maior
diversidade de espécies.

FIGURA 86 - Levantamento da arborização do terreno e do entorno sem escala

Fonte: Autora, 2017.

Pode-se afirmar que não existe uma uniformidade na distribuição da


vegetação, encontra-se desde vegetação rasteira a árvores de pequeno, médio e
grande porte, sendo possível identificar a maior parte da vegetação rasteira como
Grama Mato-Grosso e também alguns tipos de árvores como Oitizeiro, Palmeiras do
tipo Rabo de Peixe e Imperial, Sibipirunas, Amoreiras, Goiabeiras, entre outras,
enfatizando que a árvore Oiti é a espécie vista predominante nas calçadas.
Grande parte das árvores que localizam-se nas calçadas recebem poda
frequente, todavia, a vegetação rasteira da praça e da grande maioria dos lotes vazios
não recebem poda já a algum tempo.

Barreiras físicas

As barreiras podem ser naturais ou construídas, segundo Lynch (1997)


os limites são elementos lineares entre dois lugares que podem ser considerados
108

barreiras à medida que dividem o ambiente urbano e interrompem a continuidade do


espaço, causando um efeito de separação da cidade em partes (segregação) e
dificultando a circulação e a permeabilidade visual.
No entorno do terreno foram identificadas duas barreiras, ambas
construídas, sendo essas o muro construído ao final da rua Vergílio Zanchi (FIGURA
87) que divide o bairro Jardim Alto da Boa Vista da Chácara do Macuco e o grande
muro do condomínio fechado Damha III (FIGURA 88), que também limita o bairro
dando início ao condomínio.

FIGURA 87 - Barreira construída: muro que divide o terreno com a Chácara do Macuco
e sinaliza o fim da rua Vergílio Zanchi

Fonte: Autora, 2017.

FIGURA 88 - Barreira construída: muro que divide o bairro Jardim Alto da Boa Vista
com o condomínio fechado Damha III

Fonte: Autora, 2017.


109

Percebe-se que as duas barreiras separam áreas do ambiente urbano,


causando uma interrupção do espaço e dificultando a permeabilidade visual destes
lugares além de impedirem a circulação direta entre os ambientes. Observa-se ainda
que o muro do condomínio fechado causa a segregação da cidade, não só física mas
socioeconômica, marcando uma divisão de classe social entre esses bairros
apresentados.
110

7. A PROPOSTA

As etapas de estudos a respeito do tema, das referências projetuais, da


instituição existente, bem como do local de intervenção e seu entorno possibilitaram
que neste capítulo fossem estabelecidas as diretrizes projetuais, o programa de
necessidades com pré-dimensionamento dos ambientes, conceito e partido
arquitetônico e o plano de volumes e massas, princípios norteadores para o
desenvolvimento projetual. Também foram elaboradas plantas técnicas, e o memorial
descritivo e justificativo do anteprojeto.

Diretrizes projetuais

A proposta projetual corresponde à concepção de um projeto


arquitetônico para um anexo da instituição Lumen et Fides destinado ao apoio e
tratamento do Transtorno do Espectro Autista.
Este anexo visa ampliar o atendimento já feito na instituição,
aumentando a quantidade de vagas ofertadas para crianças, adolescentes e adultos,
da cidade de Presidente Prudente e região, sem o estabelecimento de um limite de
idade, visto que o autismo não tem cura. Assim, funcionará semelhante a entidade,
como uma escola de ensino especial que oferece atendimentos especializados nas
áreas da saúde e educação, proporcionado um maior desenvolvimento dos usuários
através do tratamento de habilitação e/ou reabilitação, e atendendo no horário das
8:00 às 17:30 horas.
Através dos estudos feitos até agora, entendeu-se que um ambiente bem
projetado pode beneficiar a capacidade de concentração, facilitando o aprendizado e
influenciando diretamente no comportamento e desenvolvimento dos autistas, assim,
para o desenvolvimento do projeto foram estabelecidas as diretrizes projetuais abaixo:
Quanto a integração do projeto a Lumen et Fides: A relação estabelecida
entre o novo anexo e as atuais dependências da instituição se dará apenas pela
distribuição do programa de necessidade em blocos, remetendo as edificações
existentes, pois o projeto do anexo, através de suas soluções arquitetônicas, tem vista
ser uma arquitetura modelo para a entidade, inspirando um posterior projeto de
adequação dos existentes.
111

Quanto à implantação do anexo no lote: a disposição visa a mobilidade


dos usuários bem como a proteção contra intempéries por meio de caminhos cobertos
que interligam os blocos. Além disso, os adultos realizarão atividades e terão auxilio
no desenvolvimento de habilidades no setor dos autistas já existentes, composto por
salas de aula, sanitários, copa, sala da diretoria, sala de atendimento psicológico,
cozinha, refeitório e a casa dos autistas, enquanto o anexo atenderá as crianças e
adolescentes no ensino pedagógico e no aprendizado e desenvolvimento de
habilidades, e terá seu setor de terapia utilizado tanto pelas crianças e adolescentes,
como pelos adultos. Portanto, o anexo será implantado no terreno de forma a permitir
um fácil acesso a partir do setor de autistas existente, viabilizando a ida dos adultos
até o setor de terapia.
Quanto a relação do interno com o externo: a integração do anexo com
o entorno será estabelecida por meio da permeabilidade visual proporcionada pelos
elementos utilizados na delimitação dos espaços.
Por fim, quanto as edificações do anexo: o projeto visa atender
principalmente as características dos usuários, dessa forma, são necessários espaços
de socialização, que incentivem a interação social, bem como espaços de refúgio,
para onde possam ir para se acalmarem.
Além disso, todos os ambientes que compõem o anexo devem ser
acessíveis para garantir a mobilidade nos edifícios; possuir uma setorização de fácil
compreensão; terem formas simples e claras, sem que haja poluição visual; serem
flexíveis, possibilitando a troca de layout e ajustes de luz de acordo com as
necessidades dos atendidos; terem uma identidade visual, facilitando a localização
dos autistas através da criação de caminhos, de cores, de limites, formas e
numeração; oferecerem segurança devido à falta de consciência a respeito dos
perigos, evitando-se espaços muito abertos que possibilitem a fuga; proporcionarem
conforto acústico, por meio do uso de materiais que isolem ruídos externos; e
proporcionarem conforto térmico, que é essencial ao bem estar físico e mental,
através da utilização de sistemas zenitais e janelas altas, que possibilitam a entrada
de iluminação e ventilação natural nos ambientes evitando as distrações com o
ambiente externo e da mistura da iluminação natural com a artificial.

Conceito e Partido Arquitetônico


112

O conceito principal buscado neste projeto é uma arquitetura


integradora, que vai além dos aspectos estéticos e funcionais, integrando não só os
próprios blocos do anexo e este as edificações existentes, como instigando a
integração social dos autistas e destes com o ambiente.
Como forma de concretizar o conceito apresentado, adotou-se como
partido arquitetônico a interligação dos setores por meio de um espaço de
socialização, que incentivará a interação social dos usuários e interligando o anexo
com as edificações já existentes por meio de caminhos cobertos, protegendo os
indivíduos de intempéries.
Os elementos vazados também substituíram os alambrados existentes
que cercam a instituição e também separam o setor dos autistas dos outros blocos
existentes. Estes elementos tem a função de conter as pessoas com autismo no setor
desejado, já que estes tendem a fugir quando se sentem incomodados e também
garantir a permeabilidade visual, integrando a entidade com o entorno.
Para a integração do autista com o meio, serão utilizadas estratégias de
conforto ambiental, de acessibilidade, garantindo a mobilidade e a utilização de
ambientes com identidade visual com o intuito de fornecer orientação espacial.

Programa de necessidade

Para a determinação do programa de necessidade e do pré-


dimensionamento (QUADRO 4) dos ambientes considerou-se os estudos acerca das
características dos autistas, das análises das edificações existentes e das diretrizes
projetuais. Para auxiliar este estudo, foram estabelecidos números aproximados da
quantidade de atendidos e de funcionários, sendo cerca de 60 atendidos (24 crianças,
24 adolescentes e 12 adultos) e aproximadamente 60 funcionários. Como referência
utilizou-se o programa de necessidades e o pré-dimensionamento formulados por
Góes (2010).
113

QUADRO 4 - Programa de necessidade e do pré-dimensionamento dos ambientes

BLOCO ADMINISTRATIVO
AMBIENTES ÁREA MÍNIMA
Recepção 24 m²
Secretaria 12 m²
Sanitários 6 m²
Sala Assistente Social 12 m²
Sala de espera para acompanhantes 12 m²
Total 66 m²
BLOCO DE NUTRIÇÃO + SERVIÇO
AMBIENTES ÁREA MÍNIMA
Cozinha 60 m²
Despensa 24 m²
Refeitório 12 m²
Total 96 m²
BLOCO PEDAGÓGICO
AMBIENTES ÁREA MÍNIMA
Sala de aula Infantil 36 m²
Sala de aula dos Adolescentes 36 m²
Sanitários 18 m²
Total 90 m²
BLOCO MÉDICO + TERAPÊUTICO
AMBIENTES ÁREA MÍNIMA
Sala de Pediasuit 12 m²
Sala de Fonoaudiologia 12 m²
Sala de Fisioterapia 24 m²
Sala de Cama Elástica 12 m²
Sala de terapia ocupacional 12 m²
Sala multissensorial 48 m²
Sala para exercícios 36 m²
Piscina Aquecida 36 m²
Sanitários 18 m²
Vestiários 12 m²
Picadeiro para Equoterapia 60 m²
Total 282 m²
Fonte: Autora, 2017.

Plano de massas e volumes

Finalizando os estudos preliminares, propõe-se um plano inicial de


massas e volumes (FIGURA 89) constituído por uma espacialização dos volumes a
serem edificados.
114

FIGURA 89 - Croqui de implantação e perspectiva, respectivamente - sem escala

Fonte: Autora, 2017.


115

Esta disposição foi concebida com base nas diretrizes projetuais, no


conceito e no partido arquitetônico, assim a implantação dos blocos foi feita de acordo
com a sua respectiva função. Os blocos são integrados por um caminho coberto, que
proporciona espaços de convivência e tem o propósito de criar relações visuais entre
os volumes e os espaços externos.
A localização do bloco administrativo e do estacionamento deve-se ao
fato de que o acesso ao anexo a partir da rua é feito exclusivamente pelo setor
administrativo, assim, o bloco foi disposto defronte à rua Maria Fernandes, enquanto
o estacionamento foi disposto na rua Vergílio Zanchi, caracterizando a melhor escolha
uma vez que a rua Vergílio Zanchi não possui saída. O bloco terapêutico situa-se
próximo a interligação do anexo com os blocos existentes que abrigam o setor de
autismo e as baias atuais, visando o fácil acesso pelas crianças e adolescentes que
estudarão no anexo e dos adultos que estudarão nos blocos existentes. O picadeiro
localiza-se próximo as baias para facilitar o acesso dos cavalos, e por fim, o bloco de
nutrição e serviços e o bloco pedagógico situam-se próximos do bloco administrativo.
Ressalta-se que a proposta apresentada continuará a ser estudada
posteriormente e poderá sofrer alteração e adequações até a definição da proposta
final, que dará início ao projeto arquitetônico.

7.1 O projeto: Memorial descritivo e justificativo

Situação e implantação

Partindo dos estudos preliminares, o anexo da instituição Lumen et Fides


destinado a autistas é composto por quatro blocos, a quadra recreativa e o redondel.
Implantados separadamente, foram assim dispostos depois que novos
estudos foram realizados para compreender a viabilidade da ideia inicial, garantindo
que a implantação dos volumes inicialmente propostos era o modo mais adequado de
projeta-los.
A proposta de edificações horizontais setorizadas de acordo com os
usos foi definida desde o princípio como a melhor solução, já que através dos estudos
sobre os autistas foi possível constatar que os usuários poderiam não se adequar tão
bem a edificações verticais. A localização do terreno também foi uma das condições
que influenciaram na horizontalidade do anexo, pois situado no Jardim Alto da Boa
116

Vista, ao lado da Lumen et Fides e em frente à praça do bairro, localiza-se em área


predominantemente residencial com edificações de 1 pavimento, sendo assim, a
construção não destoaria do entorno.
Logo, com os setores divididos em blocos, e a definição da tipologia
horizontal dos edifícios, definiu-se que estes seguiriam formas simples, geométricas,
com adição e subtração de volumes, sendo facilmente compreendidos pelos usuários.
Assim, foram distribuídos de acordo com os estudos de insolação, ventilação,
comportamento do terreno, ruas de acesso e relação com a instituição existente.
A planta de situação (PRANCHA 01) mostra a localização dos edifícios
no terreno em duas escalas, a maior inserida no bairro Jardim Alto da Boa Vista e na
menor, inserida no recorte do entorno imediato, contendo os nomes das ruas de
acesso, medidas do terreno, medidas de amarração do terreno na quadra, áreas
verdes, áreas com piso permeável, as rampas e escadas e as árvores que serão
inseridas.
70.00

70.02

94.01
45.25
51.91

23
.6
77.82 4
R10.00
N

título título
projeto
página SITUAÇÃO 1 SITUAÇÃO 1I prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
117 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 01
1:2000 1:600
118

O terreno, localiza-se em uma área que no zoneamento urbano de


Presidente Prudente se enquadra na Zona Residencial 2 – ZR2, sendo assim, o anexo
foi projetado respeitando a Lei Municipal n° 153/2008, que indica um coeficiente de
aproveitamento máximo de 2, taxa de ocupação máxima de 70% e a taxa de
permeabilidade mínima de 10%, com recuo frontal mínimo de 4 metros.
A prancha de implantação (PRANCHA 02) mostra a forma das
construções no terreno, os muros, e indicando as medidas dos recuos, sendo as
mínimas de 4 metros na fachada frontal, e 1,5 metros nas fachadas laterais e posterior.
A implantação dos edifícios no terreno apresenta forma linear e um
alinhamento dos blocos (FIGURA 90) de modo que pelo menos uma parede de cada
prédio fique alinhada a parede do outro, facilitando a execução da obra.

FIGURA 90 – Eixos de alinhamentos dos blocos

Fonte: Autora, 2017.

Como já foi dito nos estudos preliminares, o bloco administrativo localiza-


se na fachada frontal, pois o acesso ao anexo de quem não é atendido ou funcionário
se dá exclusivamente por ele. Os estacionamentos estão posicionados com entrada
e saída pela rua Maria Fernandes, já que a rua Vergílio Zanchi não possui saída. O
bloco de refeitório e serviço está localizado próximo ao estacionamento com vaga de
119

carga e descarga para caminhões, possibilitando a entrada e saída de produtos. O


redondel está disposto próximo as baias existentes dos cavalos, facilitando o
deslocamento dos animais. O bloco terapêutico está implantado de forma a possibilitar
a interligação com os blocos existentes do setor de autismo da Lumen et Fides,
facilitando o acesso dos adultos que frequentaram as edificações já existentes e que
utilizaram apenas o bloco de terapia e o redondel do anexo proposto. Já o bloco
pedagógico e a quadra recreativa estão posicionados próximo à rua Vergílio Zanchi,
que apresenta menos movimento por não possuir saída, como pode ser visto na
FIGURA 91.

FIGURA 91 - Relação dos blocos com a instituição existente, com o entorno e dos
blocos entre si

Fonte: Autora, 2017.

Os blocos administrativo, refeitório/serviço, terapêutico e pedagógico


possuem platibanda e são cobertos por telhas termo acústicas, conhecidas como
telhas sanduíche, com inclinação de 10% (FIGURA 92).
120

FIGURA 92 - Composição da telha termo acústica sanduiche

Fonte: http://siote.com.br/blog/wp-content/uploads/2016/05/estrutura-da-telha-sanduiche.jpg.
Modificado pela autora, 2017.

A quadra recreativa tem sua cobertura sustentada por estrutura metálica


aparente e também é coberta por telha sanduiche, com a mesma inclinação. No
redondel, por estar relacionado ao animal e ao campo, assim, consequentemente a
rusticidade, foram utilizados madeiramento aparente e telhas de cerâmica com
inclinação de 30%. Já a rampa central, que permite a integração dos blocos, possui
uma moderna cobertura de concreto armado, protegendo quem percorre a circulação
principal de intempéries.
A cobertura dos quatro blocos ainda conta com uma estratégia de
conforto ambiental, a chamada laje ventilada (FIGURA 93).
121

FIGURA 93 - Esquema de laje ventilada

Fonte: http://www.pulsoarquitetura.com.br/consultorias/consultoria-baril, 2013. Modificado pela autora,


2017.

Como mostra a figura acima, essa estratégia consiste em aberturas


nas platibandas utilizando cobogós, posicionadas nas fachadas por onde circulam os
ventos dominante, que refrescam a laje, diminuindo a temperatura no interior dos
ambientes.
N
1.60

1.57

1.53

1.50

1.50

1.52
4.00

3.25

5.71
1.52

1.57

1.62

1.71

1.76

título título
projeto
página IMPLANTAÇÃO COBERTURA prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
122 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 02
1:500 1:400
123

Corte e aterro

Com o desnível de 4 metros do terreno, foram necessários ainda


movimentações de terra para a criação de platôs (PLANTA 03), solução adotada para
a implantação das edificações. Dessa forma, foram criados 3 níveis de platôs, como
pode ser observado na FIGURA 94.

FIGURA 94 - Terreno atual e terreno com os platôs

Fonte: Autora, 2017.

Logo, considerando a rua Vergílio Zanchi como nível 0, o bloco


administrativo, o estacionamento e o bloco de refeitório/serviço ficaram a um nível de
3,25 metros, o bloco terapêutico e o redondel ficaram a 4,35 metros e o bloco
pedagógico com a quadra recreativa ficaram em um nível de 2,25 metros, como pode
ser observado na FIGURA 95.
124

FIGURA 95 - Esquema dos movimentos de terra

Fonte: Autora, 2017.

Na figura acima é possível observar um esquema das movimentações


de terra propostas para o terreno. Na esquerda observa-se uma planta de como era o
terreno antes das intervenções, na planta central, quais modificações foram propostas
e na planta da direita, em quais curvas de níveis ficaram os platôs.
Para vencer os desníveis, foram propostas circulações em forma de
rampas e escadas (FIGURA 96).

FIGURA 96 - Rampas e escada

Fonte: Autora, 2017.


125

Como pode ser visto na figura acima, a circulação central possui uma
inclinação mais suave (FIGURA 97), para proporcionar conforto aos usuários e
possibilitar a sensação de estar percorrendo o terreno, e não uma rampa.

FIGURA 97 - Rampa central

Fonte: Autora, 2017.

Para isso utilizou-se taludes (FIGURA 98), que interligam os platôs.


Nesta rampa, os patamares funcionam como ponto de encontro e socialização,
proporcionando interação social e integrando as pessoas com o meio.

FIGURA 98 - Taludes

Fonte: Autora, 2017.


126

Já as rampas que servem apenas de acesso ao bloco administrativo,


possuem 8,33% de inclinação, enquanto as que dão acesso ao estacionamento,
utilizadas somente por carros, possuem 20% de inclinação.
N

título título
projeto
página CORTE/ ATERRO CORTE AA E BB prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
127 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 03
1:500 1:125
128

Planta baixa, layout e cortes

Para elaboração da planta baixa, utilizou-se como direcionamento o


Manual para Adequação de Prédios Escolares e o livro Espaços educativos. Ensino
fundamental. Subsídios para elaboração de projetos e Adequação de edificações
escolares, da FUNDESCOLA/MEC, as diretrizes do FDE, a Lei complementar nº
152/2008: Dispõe sobre a Lei de Normas para Edificações do Município e dá outras
providências, RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, o SOMASUS: Internação e apoio
ao diagnóstico e terapia (reabilitação) do Ministério da saúde e a NBR9050.

Na planta baixa (PRANCHA 4) foram locados os blocos no terreno e a


localização de todos os acessos. Ao todo, a instituição possui 4 acessos, o acesso
social, pelo bloco administrativo, o acesso de atendidos e funcionários feitos pelos
dois estacionamentos, o acesso dos cavalos, próximo ao redondel e o acesso a
instituição existente, próximo ao bloco terapêutico.

No setor administrativo encontra-se um hall de entrada, primeiro


ambiente a se ter contato no acesso social da instituição, a recepção, onde é
necessário pedir autorização para adentrar ao recinto, a sala de espera a esquerda,
com janelas com peitoril a 0,80 metros que possibilitam a visão do jardim, e um
banheiro unissex para deficientes. Passando a segunda porta, estão a secretaria, com
um cômodo para arquivos, a sala da assistente social, sala de reuniões e copa com
banheiro para funcionários. Não foram inseridos outros ambientes, como a
coordenação, pois já existem na instituição atual, e não houve necessidade de coloca-
los.

No setor de refeitório e serviços, logo após o acesso ao bloco encontra-


se os lavatórios para lavagens das mãos, para poderem se alimentar. O refeitório
possui 11 mesas, nas quais 3 são para crianças, 3 são para adolescentes e 5 para
adultos. Ainda neste bloco, temos banheiros femininos e masculinos, bem como
lavabos para deficiente unissex para utilização pelos atendidos, banheiros para
funcionários, para facilitar a troca e roupa pelos funcionários de serviços gerais e da
cozinha. Também possui cozinha industrial, despensa de utensílios, despensa de
alimentos e área de serviço.
129

No setor terapêutico há um hall de entrada com a possibilidade de


contemplar o redondel com os cavalos e o jardim que se encontra a frente (FIGURA
99).

FIGURA 99 - Vista do setor terapêutico

Fonte: Autora, 2017.

Neste setor, a distribuição das salas tem início pelas salas de


atendimento médico, de fonoaudiologia, de terapia ocupacional, passando por sala de
cama elástica e sala de pediassuit. A única sala não que possui abertura para o
exterior, fazendo-se necessário a utilização de dutos de ventilação é a sala de
fisioterapia, por ser pouco utilizada e estar necessariamente localizada ao lado da sala
de exercícios. Também encontrasse uma piscina para hidroterapia e banheiros com
vestiários, que propiciam uma vista para o jardim externo.

O setor pedagógico, para facilitar o acesso, possui 3 portas e por ter um comprimento
de mais de 35 metros, para obedecer às normas de saída de emergência, possui 2
portas de saída de emergência. Este bloco é composto por 9 salas de aula, sendo os
atendidos divididos por idade, dos 3 aos 7 anos de idade, de 8 a 12 anos e de 13 a
17, cada faixa etária possui 3 salas (FIGURA 100), que dividem os atendidos através
da capacidade cognitiva atendida.
130

FIGURA 100 - Exemplo do interior de uma sala de aula da faixa etária de 3 a 7 anos

Fonte: Autora, 2017.

Também existem na instituição o rendondel, utilizado para equoterapia


e a quadra recreativa, para realização de atividades.
N

projeto
página título escala prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO PLANTA BAIXA
131 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO GERAL
1:400 04
título título
projeto
página CORTE AA' CORTE BB' prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
132 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 05
1:100 1:100
título título
projeto
página CORTE CC' CORTE DD' prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
133 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 06
1:125 1:125
N

Pilar 15x30
Pilar 20x30
LEGENDA

Pilar 15x15 (amarração)

título título
projeto
página PLANTA BAIXA LAYOUT prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
134 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 07
1:100 1:100
N

Pilar 15x30
Pilar 20x30
LEGENDA

Pilar 15x15 (amarração)

título título
projeto
página PLANTA BAIXA LAYOUT prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
135 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 08
1:100 1:100
N

N
Pilar 15x30
Pilar 20x30
LEGENDA

Pilar 15x15 (amarração)

Dutos de ventilação

título título
projeto
página PLANTA BAIXA LAYOUT prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO escala escala
136 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 09
1:100 1:100
N

Pilar 15x30
Pilar 20x30
LEGENDA

Pilar 15x15 (amarração)

projeto
página título escala prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO PLANTA BAIXA
137 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 1:100 10
N

projeto
página título escala prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO LAYOUT
138 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO 1:100 11
N

projeto
página título escala prancha
ANEXO PARA A INSTITUIÇÃO LUMEN ET FIDES ESPECIALIZADO PLANTA BAIXA
139 NO APOIO E TRATAMENTO A PESSOAS COM AUTISMO redondel e quadra 1:100 12
140

Materialidade e soluções construtivas

Os blocos foram propostos em alvenaria de tijolos cerâmicos, com


revestimento de tinta. Em seus interiores, a proposta é a utilizar de piso vinílico, muito
utilizado na humanização de hospitais por possuir alta resistência a abrangência e
fácil limpeza. Na parte externa, o piso será permeável, com placas de concreto poroso.
As cores foram utilizadas na paginação do anexo para orientação
espacial do autista, e também como identidade visual das fachadas. O bloco
administrativo foi pintado na cor azul, que é utilizada como a cor símbolo do autismo
pela maior incidência em meninos do que em meninas. O bloco de refeitório e serviço,
foi pintado de laranja por ser uma cor quente que estimula o apetite. O bloco
terapêutico foi pintado na cor verde agua por ser uma cor que acalma e o bloco
pedagógico foi pintado de amarelo por ser uma cor que estimula a criatividade.

FIGURA 101 - Imagens da maquete eletrônica

Fonte: Autora, 2017.


141

Ao invés de muro de alvenaria ou grades, foram utilizadas para cercar a


instituição cerca palito de concreto, elemento vazado que permite a integração da
instituição com o entorno e também com a unidade existente.
Para a proteção solar das fachadas oestes foram utilizadas fachadas
ventiladas com brises de terracota (FIGURA 102) pintados na cor de cada bloco onde
foi inserido.

FIGURA 102 - Brises do bloco administrativo e pedagógico

Fonte: Autora, 2017.

Na fachada frontal, como pode-se visualizar na figura acima, foi utilizada


a fachada ventilada com placas inteiriças de terracota (FIGURA 103), pintados de
forma a remeter um quebra cabeça desconstruído, símbolo do autismo.

FIGURA 103 - Esquema de fachada ventilada

Fonte: Modificado pela autora, 2017.


142

Por fim, as esquadrias serão de alumínio com vidro, com portas de


abrir e de correr e janelas pivotantes e maxim-ar.
143

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho apresenta uma proposta de projeto de um anexo para a


instituição Lumen et Fides destinados a autistas na cidade de Presidente Prudente –
SP.
Ao longo do desenvolvimento, vários desafios surgiram, tais como o
desnivelamento do terreno, a relação do anexo com o bairro, o planejamento de um
bom fluxo, a setorização dos blocos, e principalmente a concepção de um projeto que
desenvolvesse uma arquitetura boa o suficiente para atender aos principais usuários,
os autistas.
Os desafios motivaram a reflexão e aplicação de conceitos e
aprendizados no contexto de muitas das disciplinas desenvolvidas ao longo do curso,
em especial, o conhecimento de leis e normas específicas, conforto térmico e
topografia, servindo de grande aprendizado e alcançando o objetivo principal do
trabalho.
144

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