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São Paulo
2006
JEFFERSON ROCCO
São Paulo
2006
JEFFERSON ROCCO
Área de Concentração:
Engenharia de Transportes
Orientador:
Prof. Dr. Nicola Paciléo Netto
São Paulo
2006
Este exemplar foi revisado e alterado em relação à versão original, sob
responsabilidade única do autor e com a anuência de seu orientador.
FICHA CATALOGRÁFICA
Rocco, Jefferson
Métodos e procedimentos para a execução e o georreferen-
ciamento de redes subterrâneas da infra-estrutura urbana / J.
Rocco. -- ed.rev. -- São Paulo, 2006.
181 p.
Pelos esforços e ensinamentos enquanto estivemos juntos, sua presença sempre foi
importante na minha vida, pelo incentivo transmitido, nas dificuldades soube com
seu amor me fortalecer e com sua simplicidade me indicava o futuro, para que
sempre estivesse dando mais um passo adiante.
Pela compreensão dos dias distantes da família, tempo dedicado ao estudo, o que
permitiu chegar ao final deste trabalho.
Muito obrigado!
Ao Prof. Nicola Paciléo Netto
Um grande amigo, que nesta caminhada esteve sempre presente, com sua amizade
e confiança, me orientando com paciência e dedicação, contribuindo para alcançar
os objetivos deste trabalho.
Muito obrigado!
AGRADECIMENTOS
- Aos Professores Dr. Diogenes Cortijo Costa e Dr. Jorge Pimentel Cintra, por
atenderem ao convite e comporem esta banca;
- Aos amigos Marcos Almir de Oliveira, Daniel Silva Costa, Mario Alexandre de
Abreu, Adilson Haroldo Piveta, Flavio Vaz pelo companheirismo durante o curso;
- Aos amigos Adilson Romualdo, Manuel Moreira de Lima, Sônia de Paula Barrenha,
Gustavo de Paula Barrenha, Renan Moraes Sampaio, Elson Roney Servilha,
Ricardo S. Amon, Luis Carlos Sartori Ruiz, Antonio Carlos Fernandes e Shiguer Jose
Nishikawa pela colaboração durante o trabalho;
- Aos colegas Marcio Donizete Cardoso, Emerson Miguel Rossi Gonçalves, Alex
Sandro Marques Bezerra, Fabiano Alves Silva e Salomão Moyses, Marco Antonio
Coutinho, Marcelo Caetano, Carolina Maria Nalesso, Ariomar Xavier da Silva
“Mazinho” pela colaboração nos trabalhos de pesquisa;
- À Deus, por caminhar sempre ao meu lado e me dar forças para continuar sempre
lutando.
This study investigates the methods and procedures used in the urban infrastructure
underground network, from the demarcation to the production of the as-built survey
plant. The equipments used in the execution of services, as far as non destructive,
destructive as well as in the localization of underground pipe and cables are
concerned, are presented and the procedures are detailed for underground
infrastructure network georeferencing, considering the standard norms. The results of
the network positioning with the utilization of equipments for underground pipes and
cables equipments are analysed, as shown in the case study. Finally, proposals for
the urban underground network georeferencing are presented in order to build a
unique cadastre.
1. INTRODUÇÃO......................................................................... 21
1.1. Apresentação e justificativa ................................................................. 22
1.2. Objetivos ................................................................................................ 23
1.2.1. Objetivos gerais..................................................................................... 23
1.2.2. Objetivos específicos............................................................................ 24
1.3. Estrutura do trabalho ............................................................................ 25
2. REDES DE UTILIDADES E SEU IMPACTO NO
PLANEJAMENTO URBANO .................................................. 27
2.1. Conceitos ............................................................................................... 27
2.2. Histórico ................................................................................................. 31
2.3. Situação do cadastro das redes das concessionárias de alguns
municípios.............................................................................................. 37
2.4. Cadastro de redes ................................................................................. 42
2.5. Redes e planejamento urbano.............................................................. 47
2.5.1. Considerações sobre o planejamento municipal ............................... 47
2.5.2. Uso e ocupação do solo ....................................................................... 51
2.5.3. O Município dividido em setores.......................................................... 53
2.5.4. A cobrança do espaço subterrâneo..................................................... 55
2.5.5. Considerações sobre a legislação ....................................................... 60
3. MÉTODOS UTILIZADOS EM IMPLANTAÇÃO DE REDES
SUBTERRÂNEAS ................................................................... 65
3.1. Equipamentos ........................................................................................ 65
3.1.1. Estações totais integradas com GPS .................................................. 65
3.1.2. Perfuratriz unidirecional ....................................................................... 66
3.1.3. Perfuração direcional horizontal .......................................................... 69
3.1.4. Sondas utilizadas nas perfuratrizes horizontais direcionais............. 74
3.1.5. Perfuratriz direcional pneumática dirigível ......................................... 76
3.1.6. Cravação de tubo (Pipe jacking) .......................................................... 77
3.2. Metodologias para implantação de redes subterrâneas .................... 79
3.2.1. Considerações ....................................................................................... 79
3.2.2. Procedimentos utilizados para o georreferenciamento das redes
subterrâneas .......................................................................................... 80
3.2.3. Método não destrutivo .......................................................................... 85
3.2.3.1 Perfuratriz direcional............................................................................. 85
3.2.3.2 Tunnel liner ............................................................................................ 95
3.2.3.3 Pipe jacking............................................................................................ 98
3.3. Método destrutivo.................................................................................. 101
4. LEVANTAMENTO DE COMO CONSTRUÍDO DE REDES..... 110
4.1. Equipamentos de localização............................................................... 110
4.2. Tubulação metálica ............................................................................... 110
4.2.1. Modo Conexão direta ............................................................................ 112
4.2.2. Modo indutivo ........................................................................................ 114
4.2.3. Detectores de válvulas e tampões ....................................................... 117
4.3. Tubulação não metálica ........................................................................ 118
4.3.1. Georadar................................................................................................. 122
4.4. Metodologia ........................................................................................... 126
4.4.1. Levantamento de como construído - método destrutivo................... 126
5. PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA O
GEORREFERENCIAMENTO DAS REDES
SUBTERRÂNEAS....................................................................129
5.1. Conceitos ............................................................................................... 129
5.2. Normas técnicas .................................................................................... 130
5.3. Rede de Referência Cadastral Municipal............................................. 131
5.4. Redes de utilidades e suas extensões ................................................ 134
5.4.1. Redes de grande extensão ................................................................... 134
5.4.2. Redes de pequena extensão................................................................. 136
5.5. Poligonal e levantamento das interferências ...................................... 138
5.6. Referências de altitudes ....................................................................... 140
5.7. Locação e acompanhamento da obra.................................................. 140
5.7.1. Método não destrutivo .......................................................................... 142
5.7.1.1 Locação topográfica.............................................................................. 142
5.7.1.2 Locação através de rastreadores eletromagnéticos .......................... 144
5.7.2. Método destrutivo.................................................................................. 147
5.8. Levantamento de como construído e implantação da obra .............. 150
5.9. Gerenciamento do cadastro único das redes de utilidades .............. 154
6. ESTUDO DE CASOS .............................................................. 158
6.1. Rua Luis Salomão – Jundiaí/SP ........................................................... 160
6.1.1. Análise dos resultados ......................................................................... 162
6.2. Marginal da rodovia Anhangüera - km 58, Jundiaí/SP ....................... 163
6.2.1. Análise dos resultados ......................................................................... 165
6.3. Estrada velha de Campinas - São Paulo, Caieiras/SP ........................ 167
6.3.1. Análise dos resultados ......................................................................... 169
7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.................................. 170
7.1. Conclusões ............................................................................................ 170
7.2. Recomendações para estudos futuros................................................ 172
ANEXOS .............................................................................................................. 173
REFERÊNCIAS.................................................................................................... 174
21
1. INTRODUÇÃO
Definições Iniciais:
• Rede de infra-estrutura urbana
• Rede de Utilidade
• Rede de Utilities (termo em inglês)
1.2. Objetivos
2.1. Conceitos
1
Exatidão: expressa o grau de aderência do melhor valor para as observações em relação ao valor
verdadeiro. Precisão: expressa o grau de aderência das observações umas às outras, PACILÉO
NETTO (1993).
28
2
Furo Direcional: Execução de um furo piloto realizado no subsolo, através de equipamento
específico chamado de Perfuratriz direcional horizontal, utilizado na execução de rede de infra-
estrutura urbana.
31
2.2. Histórico
A partir do século XX, o acesso aos serviços públicos através das redes de
utilidades passou a ser oferecido com maior intensidade nas principais cidades do
mundo. No Brasil, as redes de infra-estrutura urbana, no caso de saneamento,
começaram a ser implantadas a partir do século XIX em especial na capital da
Província, hoje a cidade de São Paulo, diante do grande crescimento das
aglomerações urbanas daquela época.
3
Informações da Secretaria de Estado de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento. Disponível em
<http://recursoshidricos.sp.gov.br/historia.htm>. Acesso: 19 de Nov. 2006.
32
A forma de atuação dos Municípios teve que ser alterada, o aumento dos
serviços disponibilizados cresceram acentuadamente e para levar os mesmos para o
mercado consumidor é necessária a execução de obras de engenharia que
permitam a ampliação das redes de utilidades.
4
Subsolo: “1. Camada de solo, imediatamente inferior à que vê ou se pode arar. 2. Construção
abaixo do rés-do-chão.” Minidicionário escolar da língua portuguesa Michaelis. São Paulo:
Melhoramentos, 2002. p.744. “1.Tudo que está abaixo do solo.” SILVA, P. P. L. et al. Dicionário
brasileiro de ciências ambientais. 2ª ed. Rio de Janeiro: Thex, 2002. p. 221.
34
Isso dificulta a integração dos dados de outras redes que foram realizadas por
outras empresas e que utilizam o mesmo espaço público, não permitindo a
constituição de um banco de dados único de informações, características e
posicionamento georreferenciado das redes de utilidades o que permitiria um
controle mais seguro sobre as obras subterrâneas, minimizando os problemas de
rompimento de tubulações que, hoje, ocorrem na implantação de uma nova obra
subterrânea.
municípios
Enfim, existe a expectativa por parte dos municípios e das concessionárias que
se construa um banco de dados com informações espaciais unificadas nos próximos
39
“Cada elemento de uma base cartográfica não deve ter sua exatidão de
posicionamento tão rigorosa quanto possível, mas sim tão exigente quanto
necessário para a finalidade em questão” (CINTRA; IDOETA, 2003).
41
5
Cadastro: “Conjunto de informações fiéis de uma instalação, apresentada através de textos e
representações gráficas em escala conveniente”, NBR 12.587/1992.
6
Sistema de esgotamento sanitário: Canalizações, instalações e equipamentos destinados a coletar,
transportar, tratar e encaminhar os esgotos sanitários a um destino final conveniente,
compreendendo unidades não-lineares ou localizadas e unidades lineares ou não-localizadas, NBR
12.587/92.
7
Sistema de abastecimento de água: Canalizações, instalações e equipamentos destinados a captar,
transportar, tratar e distribuir águas, compreendendo unidades não-lineares ou localizadas e
unidades lineares ou não-localizadas, NBR 12.586/92.
43
Para coletar essas informações faz-se necessário a abertura dos tampões dos
poços de visitas e, em muitos casos onde existem caixas de inspeções de grandes
extensões, é necessário descer em seu interior para cadastrar os diâmetros de
tubos, cabos, largura das paredes e as direções que os mesmos seguem, conforme
apresenta a figura 2.3.
Planejamento urbano:
É o processo de criação e desenvolvimento de programas que buscam
melhorar ou revitalizar certos aspectos (como qualidade de vida da
população) dentro de uma dada área urbana como cidade ou vilas; ou do
planejamento de uma nova área urbana em uma dada região, tendo como
objetivo propiciar aos habitantes a melhor qualidade de vida possível. O
planejamento urbano, segundo um ponto de vista contemporâneo, tanto
enquanto disciplina acadêmica quanto como método de atuação no
ambiente urbano, lida basicamente com os processos de produção,
estruturação e apropriação do espaço urbano. A interpretação destes
processos, assim como o grau de alteração de seu encadeamento, varia de
acordo com a posição a ser tomada no processo de planejamento e
principalmente com o poder de atuação do órgão planejador8.
8
Origem:Wikipédia, a enciclopédia livre,a cesso
29/07/2006,<http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejamento_urbano>.
48
época, onde são tratados os problemas físico-territoriais, tais como o uso do solo
urbano - zoneamento, a circulação - sistema viário e os de serviços públicos.
“O planejamento urbano deve ser mais do que um modelo para uma cidade,
deve ser algo vivo, um local institucional onde sejam explicitadas as contradições e
as diferenças resultantes de vários agentes sociais” (ROLNIK,1990). Busca orientar
as ações do presente e futuro para a adequação do ambiente urbano, possibilitando
a ordenação do território e a melhoria da qualidade de vida.
9
Definição da Carta dos Andes, elaborada em outubro de 1958, Colômbia, pelo “Seminário de
Técnicos e Funcionários em Planejamento Urbano”, promovido pelo CINVA – Centro Interamericano
de Vivenda e Planejamento Urbano:”Planejamento é o processo de ordenação e previsão para
conseguir, mediante a fixação de objetivos e por meio de uma ação racional, a utilização dos
recursos de uma sociedade em uma época determinada”.
49
Esta nova realidade exige dos Municípios uma reflexão acerca de como
equacionar o problema de modo que:
50
TV E TELEFONE 0,60 **
ELÉTRICA 0,60 **
ENERGIA 0,60 **
TELEFONE
ENERGIA
TV A CABO
Uma cuidadosa vistoria em toda área urbana (setores) que possibilite identificar
as aglomerações/homogeneidades das redes de utilidades existentes em plantas
cadastrais e conhecidas do subsolo, facilitará a construção de plantas e cartogramas
do espaço subterrâneo, permitindo análises espaciais de seus elementos.
10
Cartograma: mapa temático em qualquer escala, em que as intensidades de um fenômeno
quantitativo nas diversas áreas são representadas mediante a intensidade do traço ou da cor
(Oliveira, C., 1993).
54
Esta análise tornará possível a visualização dos locais com grande número de
redes no subsolo e a indicação de novas diretrizes para o planejamento municipal,
estabelecendo critérios para a implantação de novos empreendimentos e parques
tecnológicos.
A cobrança pelo uso do subsolo nas grandes cidades brasileiras, tais como: São
Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Praia Grande, Campinas e outras são iniciativas
recentes, em que o poder público procura, de forma concreta, criar mecanismos
para a gestão do subsolo em seu território.
Deste modo, os municípios foram obrigados a definir leis para o uso do subsolo
na passagem das diversas redes, e que as mesmas teriam os valores cobrados pelo
seu uso, como sendo uma exigência legal em pecúnio ou em contrapartida.
Vm = (a x b x T) x L x D x R
Sendo:
Vm = Valor mensal
a = extensão da rede, em metros
b = largura da faixa >= (maior ou igual) 0,50 m
T = valor do terreno, conforme Mapa de Valores da Secretaria Municipal de Finanças do
Município de Campinas
L = índice locação = 1 a 3% (*)
D = índice de depreciação (área uso comum)= 50% (área equivalente de construção)
R = Coeficiente Redutor (**)
(*)
L .........………………………………………........... AP/UTB
3,0% ....……………………………………….......... 21 AP
2,5% .......................................................................... 13, 16, 17, 18, 19, 24 AP
33 E 36 UTB`S
2,0% .......................................................................... 10, 14, 25, 30, e 31 AP
37 E 38 UTB`S
1,5% .......................................................................... para as demais regiões
UTB = Unidade Territorial Básica
AP = Área de Planejamento
(**)
Coeficiente Redutor - R
0 - 5 Km ................. 1,00
5 - 15 Km ............... 0,90
15 - 30 Km ............. 0,80
30 - 50 Km ............. 0,70
50 - 100 Km ........... 0,60
A tabela 2.4 ilustra o cálculo obtido em dois locais distintos, para a passagem
de tubulação de fibra ótica em solo público, na cidade de Campinas. A tabela 2.5 a
estimativa da receita da cidade de Campinas.
Fonte:(STRUCHEL, 2005)
11
Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Obras e Projetos Públicos em junho/2002,
Fonte: (STRUCHEL, 2005),Gestão do uso do subsolo público no município de Campinas
SP.
60
Legislação Lei nº 5.787, de 21/12/00 Lei nº 5.501/78, 7091/95 e Decreto nº 12.789, de 05/07/00
Decreto nº 13.433/94 e Lei nº 8.267/99
Legislação Lei n.º - 2776, de Decreto nº 8.944, de Lei n.º 8.744, de 10/07/03 Lei n.º 1179, de
19/04/99 e Decreto nº 08/02/01 16/12/02
18.627 de 23/05/00
Figura jurídica Permissão de uso Permissão de uso Concessão de uso Permissão de uso
Distanciamento entre Não há previsão Não há previsão Não há previsão Não há previsão
caixas
Compartilhamento Não há previsão Não há previsão Há previsão como objetivo Há previsão como
objetivo
3.1. Equipamentos
As figuras 3.7, 3.8 e 3.9 ilustram as perfuratrizes Dicht Wicht JT 2720 em obra
de rede de gás natural na cidade de Jundiaí, a perfuratriz Vermeer e Case 6030 em
obras na cidade de Campinas.
12
Rastreador: equipamento que recebe o sinal emitido pela sonda (transmissor de freqüência
modulada) que se encontra instalado em um alojamento junto à pá de perfuração no subsolo,
indica a posição da sonda, rotação, inclinação, temperatura, outros.
70
Figura 3.14 - Sonda amarela utilizada nas obras de gás natural - Campinas
75
13
Shield: Equipamento que executa a escavação do túnel pelo sistema de cravação de tubos(Pipe
Jacking).
78
3.2.1. Considerações
14
Cardoso, M.D. (Técnico da Companhia de Gás de São Paulo). Informação verbal, 2005.
80
no trecho da obra. Em muitos casos são utilizadas as coordenadas UTM (N/E) como
se as mesmas estivessem no plano topográfico local, nenhuma correção é realizada
na execução dos levantamentos topográficos e, conseqüentemente, na locação da
obra.
20 metros
1,90m
A rede executada ficará aguardando até que todos os trechos sejam liberados;
posteriormente, será realizado teste com ar comprimido para verificar a integridade
do trabalho realizado; somente depois deste teste a rede será liberada para uso.
94
Figura 3.34 - Trincheira para conexão dos tubos - método não destrutivo
95
Iluminação artificial
comprimento por dia. A cada avanço são colocados os anéis e parafusados entre si.
Dependendo do comprimento do túnel, é necessário o uso de iluminação artificial.
dos casos de construção de túnel através do método pipe jacking, os mesmos são
retos. Caso seja necessária a execução de alguma curva, a mesma deve ser
realizada em um poço vertical previamente identificado na elaboração dos projetos.
A figura 3.38 ilustra o conjunto de equipamentos na execução de um túnel através
de cravação de tubos de concreto em um poço de partida. A figura 3.39 apresenta
um escavador (shield) em um poço de chegada.
O método destrutivo não tem sido muito utilizado nas obras subterrâneas de
redes de utilidades, pois as concessionárias e as Prefeituras fazem a opção pelo
método não destrutivo. Porém em locais em que a perfuratriz direcional não
consegue ultrapassar os obstáculos existentes no subsolo, é necessário utilizar o
método destrutivo, e também quando se tem grande quantidade de redes de
interferências em diferentes profundidades, impedindo que a haste consiga mudar
de direção em pequenas distâncias.
Ambos os métodos precisam que meia pista do leito carroçável seja interditada,
causando dificuldades no trânsito local. O problema principal do método destrutivo é
a grande movimentação de máquinas, caminhões e pessoal para a abertura das
valas, retirada do solo e reconstrução do pavimento rompido.
Figura 3.40 - Solo com grande quantidade de rocha – uso do método destrutivo
haste de aço que é introduzida no solo entre pequenas distâncias para tentar “tocar”
alguma interferência que não tenha sido cadastrada.
Existem várias empresas que trabalham com obras no subsolo, tendo como
objetivo principal a prestação de serviços em sistemas de tubulações de polietileno,
polipropileno e aço. Estes serviços são prestados para as Prefeituras e diversas
concessionárias/permissionárias, fazendo uso de tecnologia de ponta através de
perfuração direcional, unidirecional, tunnel liner e pipe jacking que atendem a vários
segmentos do mercado consumidor na execução de redes de utilidades.
Cabe também ao poder público tomar a iniciativa para exigir que as normas
técnicas existentes sejam seguidas dentro de seu território, que indique
procedimentos para a apresentação das informações contidas nos projetos
executivos de forma adequada, em meio digital e analógico.
15
Transmissor: Equipamento que gera um campo eletromagnético em torno da utilidade para ser
captado por um receptor.
16
Receptor: Equipamento que capta o sinal gerado pelo transmissor.
111
São capazes de fornecer grande variedade de dados sobre o duto ou cabo que
se encontra no subsolo, indicando:
17
EMS: Electronic Marker System, abreviação em inglês. São marcadores eletrônicos de diversos
tipos de redes de utilidades, existente em várias cores. Cada um emite uma freqüência diferente
capaz de ser captadas pelos receptores identificando a profundidade e tipo de rede.
112
No método indutivo, o sinal pode induzir uma corrente, também nas tubulações
adjacentes à tubulação alvo, e parte substancial deste sinal se perde no próprio solo.
Para evitar que o sinal seja captado diretamente do transmissor e não da tubulação,
o receptor não deve ser utilizado a menos de trinta metros do transmissor (ainda
mais se o transmissor estiver em modo de potência máxima). Este método é mais
utilizado para determinar a existência ou não de tubulações enterradas e não tem
115
como finalidade localizar e identificar as mesmas. As figuras 4.6 e 4.7 mostram outro
modelo de transmissor e receptor utilizado pela empresa Comgas na localização de
tubulações de gás natural do Sistema Cajamar – Caieiras.
O modo indutivo não deve ser utilizado para aplicar o sinal a uma tubulação
que está abaixo de tampas ou chapas metálicas ou sob concreto armado, pois o
116
Existem várias técnicas para se aplicar o sinal e que se possa detectá-lo. Cabe
ao operador, escolher qual a melhor forma de aplicar o sinal que permita a
localização da tubulação sem induzir indevidamente tubulações adjacentes. A
experiência do operador irá auxiliá-lo a determinar as melhores práticas de detecção
para cada caso. A figura 4.8 ilustra outro modelo de transmissores e receptores
utilizados na localização de tubos e cabos metálicos.
hidrômetro, sendo este ruído amplificado e captado pelo fone de ouvido, (Figura
4.11).
Omni Marker
4.3.1. Georadar
18
Esteio Engenharia e Aerolevantamento S. A , disponível em
http://www.esteio.com.br/servicos/so_gpr.htm. Acesso em: 17 de Nov. 2006
123
OBJETO CILÍNDRICO
CHAPA METÁLICA
CAIXA METÁLICA
Créditos – Sondeq Ltda
Figura 4.18 - Sinais detectados pelo georadar em diferentes superfícies
4.4. Metodologia
5.1. Conceitos
19
Rede de referência cadastral: Cidade de Campinas em: http://mapserver.campinas.sp.gov.br/
Acesso em: 04 de Nov. 2006.
133
A pré-seleção nas cartas dos locais onde poderão ser implantados os pontos
geodésicos, permite a visualização total da área de interesse e o planejamento
quanto a possíveis dificuldades a serem encontradas. A definição exata dos locais
onde os marcos serão implantados só poderá ser realizada através de vistoria
realizada in-loco, verificando as possíveis interferências de visadas e de sinais de
satélites.
No local onde a obra vai ser implantada, recomenda-se que todos os vértices
das poligonais utilizados para a elaboração do levantamento topográfico também
sejam nivelados geometricamente, conforme determina a NBR 13133/94 na tabela 8
- Nivelamento de linhas ou circuitos e seções, obtendo suas altitudes.
A Locação do projeto deve ser iniciada pelos pontos notáveis: início da rede,
mudanças de direções (PIs), pontos de interligações de outros ramais e o ponto
final, determinados através das coordenadas correspondentes, conforme
levantamento topográfico que deu origem ao projeto executivo.
• Locação topográfica;
Porém existem vários fatores que impedem que os projetos sejam implantados
conforme estabelecidos nos projetos executivos, ou seja, o encontro de uma
interferência que não tinha sido cadastrada por não conhecimento dos técnicos,
também pela mudança do perfil geológico onde é possível encontrar solos rochosos.
A cada avanço de uma haste da perfuratriz direcional, pode-se encontrar algum tipo
de problema não indicado em projeto e que levará à alteração do mesmo.
Enfim, o método não destrutivo tem sido utilizado em grande escala pelas
empresas prestadoras desses serviços, além dos governos municipais terem
preferência por essa metodologia de perfuração do subsolo. Resta saber se as
redes de utilidades que estão sendo implantadas nos municípios estão
perfeitamente georreferenciadas, pois os mesmos não mantêm fiscais durante a
execução das obras que tenham conhecimentos específicos sobre a metodologia
proposta.
10,00 metros
• PI1Æ PI1 X
• PI1Æ PI1 Y
• P1 Æ P1 X
• P1 Æ P1 Y
PI1
P1 – Ponto de poligonal
150
Após a locação dos elementos do projeto, deverá ser mantida uma equipe de
topografia, com os seguintes equipamentos:
• Estação total;
• Nível automático.
Os tubos que serão inseridos no subsolo, já estão soldados entre si, totalizando
um comprimento considerável, são arrastados pela perfuratriz direcional e a
trabalhabilidade com o conjunto da tubulação se torna difícil, o que dificulta garantir
a integridade da posição e profundidade estabelecida no projeto executivo que
dificilmente é atingida.
Recomenda-se:
• Utilizar os receptores GPS nos locais onde não se tenham problemas com
recepção de sinais de satélites ou algum tipo de interferência. O
levantamento poderá ser executado em tempo real, acompanhado de um
receptor para indicar a profundidade da tubulação no ponto medido.
152
Esta etapa não é realizada pelas empresas de perfuração, que garantem que a
tubulação será inserida na posição que foi executado o furo piloto, portanto não é
executado o levantamento de como construído. Os dados apresentados nas plantas
do As built são o da locação da obra.
Figura 5.10 - Local sugerido para colocação de uma sonda; junto ao alargador
adquirida na execução do furo piloto não seja utilizada como levantamento de como
construído, pois os dados da posição e profundidade são da sonda na execução do
furo piloto e não da tubulação inserida no subsolo após o aumento do diâmetro do
túnel. Com o advento de novas tecnologias de mapeamento como é o caso das
estações totais e dos localizadores de cabos e dutos enterrados, ambos integrados
com o GPS permitem a coleta das informações de forma rápida e precisa. Essas
informações podem ser associadas a software CAD e SIG, possibilitando a
integração e unificação dos dados entre os vários layers, viabilizando um cadastro
único de redes de utilidades.
20
Informação apresentada no manual do localizador de tubos e cabos Radiodetection série RD4000,
Ver. 03.00 – Nov/02, p.26 - p.27
155
1. Cadastro técnico;
2. Levantamento georreferenciado;
3. Referenciais únicos;
4. Execução das obras;
156
6. ESTUDO DE CASOS
• MÉTODO DESTRUTIVO
• Demarcação do eixo de projeto;
• Abertura da vala;
• Colocação da tubulação na vala;
• Levantamento de como construído;
• Sinalização, compactação e fechamento da vala;
• Sinalização através de marco de concreto e chapa.
3,00
2,80
2,60
2,40
2,20
Profundidade (metro)
2,00
1,80
1,60
1,40
1,20
1,00
0,80
0,60
0,40
0,20
0,00
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41
4,40
4,20
4,00
3,80
3,60
3,40
3,20
3,00
Profundidade (metro)
2,80
2,60
2,40
2,20
2,00
1,80
1,60
1,40
1,20
1,00
0,80
0,60
0,40
0,20
0,00
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 2425 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 4041 42 43 44 45 46 47 48
1,60
1,40
Profundidade (metro)
1,20
1,00
0,80
0,60
0,40
0,20
0,00
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Niv. Trig. Topografia 27/10/2005
RD4000 Mét.indutivo 27/10/2005
Pontos de solda de 12 em 12 metros
RD4000 Mét.Conectado 27/7/2006
Neste local não foi constatada nenhum tipo de rede elétrica e interferência
visível, pois se encontra na lateral de uma rodovia no perímetro rural, portanto, os
dados coletados inclusive pelo método indutivo foram satisfatórios em relação ao
levantamento trigonométrico.
7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
7.1. Conclusões
Os planos diretores dos municípios devem incorporar estudos dos locais para a
implantação de redes de utilidades, em função do crescimento da cidade e indicando
inclusive o uso do método de execução. A cobrança pelo uso do subsolo é legítima e
seus recursos devem ser aplicados na organização e desenvolvimento do cadastro.
171
ANEXOS
REFERÊNCIAS
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