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JEFFERSON ROCCO

MÉTODOS E PROCEDIMENTOS PARA A EXECUÇÃO E O


GEORREFERENCIAMENTO DE REDES SUBTERRÂNEAS DA
INFRA-ESTRUTURA URBANA

São Paulo
2006
JEFFERSON ROCCO

MÉTODOS E PROCEDIMENTOS PARA A EXECUÇÃO E O


GEORREFERENCIAMENTO DE REDES SUBTERRÂNEAS DA
INFRA-ESTRUTURA URBANA

Dissertação apresentada à Escola


Politécnica da Universidade de São
Paulo para obtenção do título de Mestre
em Engenharia.

São Paulo
2006
JEFFERSON ROCCO

MÉTODOS E PROCEDIMENTOS PARA A EXECUÇÃO E O


GEORREFERENCIAMENTO DE REDES SUBTERRÂNEAS DA
INFRA-ESTRUTURA URBANA

Dissertação apresentada à Escola


Politécnica da Universidade de São
Paulo para obtenção do título de Mestre
em Engenharia.

Área de Concentração:
Engenharia de Transportes

Orientador:
Prof. Dr. Nicola Paciléo Netto

São Paulo
2006
Este exemplar foi revisado e alterado em relação à versão original, sob
responsabilidade única do autor e com a anuência de seu orientador.

São Paulo, 22 de dezembro de 2006.

Assinatura do autor ____________________________

Assinatura do orientador _______________________

FICHA CATALOGRÁFICA

Rocco, Jefferson
Métodos e procedimentos para a execução e o georreferen-
ciamento de redes subterrâneas da infra-estrutura urbana / J.
Rocco. -- ed.rev. -- São Paulo, 2006.
181 p.

Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica da Universidade


de São Paulo. Departamento de Engenharia de Transportes.

1.Informações espaciais 2.Georreferenciamento de redes


subterrâneas 3.Rede de infra-estrutura urbana I.Universidade de
São Paulo. Escola Politécnica. Departamento de Engenharia de
Transportes II.t.
DEDICATÓRIA

À minha mãe Aracy

Pelos esforços e ensinamentos enquanto estivemos juntos, sua presença sempre foi
importante na minha vida, pelo incentivo transmitido, nas dificuldades soube com
seu amor me fortalecer e com sua simplicidade me indicava o futuro, para que
sempre estivesse dando mais um passo adiante.

Onde estiver, Muito obrigado!


À minha família, Josiane e Gabriel

Pela compreensão dos dias distantes da família, tempo dedicado ao estudo, o que
permitiu chegar ao final deste trabalho.

Muito obrigado!
Ao Prof. Nicola Paciléo Netto

Um grande amigo, que nesta caminhada esteve sempre presente, com sua amizade
e confiança, me orientando com paciência e dedicação, contribuindo para alcançar
os objetivos deste trabalho.

Muito obrigado!
AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos aqueles, que de alguma forma participaram direta ou


indiretamente no desenvolvimento deste trabalho; são muitas as pessoas que se
traz à memória. Vou citar algumas destas pessoas e caso algumas delas não
tenham sido citadas por meu esquecimento, que me perdoem. Muito obrigado!

- Aos Professores Dr. Diogenes Cortijo Costa e Dr. Jorge Pimentel Cintra, por
atenderem ao convite e comporem esta banca;

- A todos os professores do PTR, pelos conhecimentos transmitidos durante a fase


de obtenção de créditos;

- Aos amigos Marcos Almir de Oliveira, Daniel Silva Costa, Mario Alexandre de
Abreu, Adilson Haroldo Piveta, Flavio Vaz pelo companheirismo durante o curso;

- Aos amigos Adilson Romualdo, Manuel Moreira de Lima, Sônia de Paula Barrenha,
Gustavo de Paula Barrenha, Renan Moraes Sampaio, Elson Roney Servilha,
Ricardo S. Amon, Luis Carlos Sartori Ruiz, Antonio Carlos Fernandes e Shiguer Jose
Nishikawa pela colaboração durante o trabalho;

- Aos colegas Marcio Donizete Cardoso, Emerson Miguel Rossi Gonçalves, Alex
Sandro Marques Bezerra, Fabiano Alves Silva e Salomão Moyses, Marco Antonio
Coutinho, Marcelo Caetano, Carolina Maria Nalesso, Ariomar Xavier da Silva
“Mazinho” pela colaboração nos trabalhos de pesquisa;

- Ao Engenheiro Jorge Dequech e Marcos A. Santos Romano pela colaboração nas


pesquisas;

- À Deus, por caminhar sempre ao meu lado e me dar forças para continuar sempre
lutando.

Muito obrigado a todos!


RESUMO

Neste trabalho foram pesquisados os métodos e procedimentos utilizados na


execução de obras das redes subterrâneas da infra-estrutura urbana, desde a
demarcação até a elaboração da planta do levantamento de como construído. Os
equipamentos utilizados na execução de obras, tanto os não destrutivos, como os
destrutivos e aqueles de localização de dutos e cabos enterrados. São também
apresentados e detalhados os procedimentos à luz das normas técnicas, para o
devido georreferenciamento das redes de infra-estrutura subterrânea. Foram
inclusive analisados os resultados obtidos para o posicionamento das redes,
conforme apresenta o estudo de casos, em obras com a utilização de equipamentos
para a localização de cabos e dutos enterrados. Finalmente são sugeridas propostas
para o georreferenciamento das redes de infra-estrutura urbana com a finalidade de
constituição de um cadastro único.

Palavras-chave: Informações espaciais. Georreferenciamento de redes


subterrâneas. Rede de infra-estrutura urbana.
ABSTRACT

This study investigates the methods and procedures used in the urban infrastructure
underground network, from the demarcation to the production of the as-built survey
plant. The equipments used in the execution of services, as far as non destructive,
destructive as well as in the localization of underground pipe and cables are
concerned, are presented and the procedures are detailed for underground
infrastructure network georeferencing, considering the standard norms. The results of
the network positioning with the utilization of equipments for underground pipes and
cables equipments are analysed, as shown in the case study. Finally, proposals for
the urban underground network georeferencing are presented in order to build a
unique cadastre.

Keywords: Spatial information. Underground network georeferencing. Urban


infrastructure network.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 2.1 - Cadastro através de triangulação dos registros .....................................43


Figura 2.2 - Folha de cadastro por triangulação........................................................44
Figura 2.3 - Ilustração de um poço de visita – Campinas SP ....................................45
Figura 2.4 - Detalhe de amarração através de triangulação .....................................46
Figura 2.5 - Sugestão para implantação de redes subterrâneas...............................52
Figura 3.1 - Estação total com GPS integrado - SmartStation - Leica.......................65
Figura 3.2 - Laser Scanner HDS 300 3 D – Leica .....................................................66
Figura 3.3 - Esquema de uso da perfuratriz unidirecional .........................................67
Figura 3.4 - Perfuratriz unidirecional grundomat - ponto de partida ..........................67
Figura 3.5 - Esquema de execução – perfuratriz unidirecional..................................68
Figura 3.6 - Perfuratriz unidirecional grundoram – grandes diâmetros......................69
Figura 3.7 - Perfuratriz direcional Dicht Wicht JT 2720 .............................................70
Figura 3.8 - Perfuratriz direcional – Marca Vermeer..................................................70
Figura 3.9 - Perfuratriz direcional – Marca Case, modelo 6030 ................................71
Figura 3.10 - Perfuratriz direcional - JT 7020 Mach 1 Ditch Witch ............................72
Figura 3.11 - Pá de perfuração e compartimento de instalação da sonda ................72
Figura 3.12 - Rastreador – modelo RD385L .............................................................73
Figura 3.13 - Rastreador 750 Tracker – SubSite Electronics ....................................73
Figura 3.14 - Sonda amarela utilizada nas obras de gás natural - Campinas ...........74
Figura 3.15 - Tipos de sondas e suas cores..............................................................75
Figura 3.16 - Esquema de uso da perfuratriz pneumática dirigível – grundosteer ....76
Figura 3.17 - Compartimento da sonda - perfuratriz direcional pneumática ..............77
Figura 3.18 - Escavador (Shield) no poço de partida para escavação do solo .........78
Figura 3.19 - Equipamento cravador de tubos, em um túnel de partida....................78
Figura 3.20 - Marco geodésico perto de prédios e de fácil destruição ......................82
Figura 3.21 - Marco geodésico destruído, implantado em local não protegido .........83
Figura 3.22 - Eixo demarcado da obra subterrânea, de 20 em 20 metros ................84
Figura 3.23 - Cadastro das interferências, antes da execução do furo direcional .....85
Figura 3.24 - Cadastro das interferências, antes da execução do furo direcional .....86
Figura 3.25 - Perfuratriz junto à “trincheira” para execução do furo piloto.................87
Figura 3.26 - Controle da posição da pá de perfuração através do rastreador .........88
Figura 3.27 - “Navegador” operando o rastreador.....................................................88
Figura 3.28 - Levantamento planimétrico e nivelamento trigonométrico ...................89
Figura 3.29 - Levantamento dos pontos demarcados pelo Navegador .....................90
Figura 3.30 - Conexão do alargador junto à tubulação de aço..................................91
Figura 3.31 - Aumento do diâmetro do túnel pelo alargador de 12 polegadas ..........92
Figura 3.32 - Análise de possíveis fissuras nos pontos de solda da tubulação.........92
Figura 3.33 - Compartimento das hastes da perfuratriz direcional ............................93
Figura 3.34 - Trincheira para conexão dos tubos - método não destrutivo ...............94
Figura 3.35 - Controle do alinhamento do tunnel liner, rodovia Anhangüera ............96
Figura 3.36 - Controle do alinhamento e declividade do tunnel liner.........................96
Figura 3.37 - Ilustração do interior do tunnel liner .....................................................97
Figura 3.38 - Esquema de operação de um micro túnel............................................99
Figura 3.39 - Ilustração do escavador(Shield) em poço de chegada ......................100
Figura 3.40 - Solo com grande quantidade de rocha – uso do método destrutivo ..102
Figura 3.41 - Serra clipper – corte do pavimento – método destrutivo ....................103
Figura 3.42 - Retro-escavadeira utilizada em método destrutivo ............................103
Figura 3.43 - Compactador manual - método destrutivo .........................................104
Figura 3.44 - Tubulação de PEAD inserida dentro da vala – método destrutivo .....105
Figura 3.45 - Tela de sinalização – advertência utilizada no método destrutivo .....106
Figura 3.46 - Colocação da tela de sinalização de advertência sobre o solo ..........106
Figura 3.47 - Ilustração da tela de advertência sobre o solo já compactado...........107
Figura 3.48 - Ilustração da tela de advertência sobre o solo já compactado...........107
Figura 3.49 - Marco de sinalização de advertência - gás natural ............................108
Figura 3.50 - Sinalização de advertência de tubulações subterrâneas ...................108
Figura 4.1 - Transmissor da série RD 4000 T10 .....................................................111
Figura 4.2 - Receptor da série RD 4000 – Radiodetection ......................................111
Figura 4.3 - Transmissor multifreqüência RD 433HCTx-2 da Radiodetection .........113
Figura 4.4 - Transmissor multifreqüência RD 433HCTx-2 da Radiodetection .........113
Figura 4.5 - Receptor Rd 1339L3/NT/4 – Radiodetection .......................................114
Figura 4.6 - Transmissor da série RD 4000 T10 – Radiodetection..........................115
Figura 4.7 - Receptor da série RD 4000 – Radiodetection ......................................115
Figura 4.8 - Transmissores e receptores – uso tubulação e cabos metálicos .........116
Figura 4.9 - Detector de tampões metálicos RD 316...............................................117
Figura 4.10 - Receptor utilizado em tubulação não metálica...................................118
Figura 4.11 – Localizador de tubos plásticos de água RD 500 ...............................119
Figura 4.12 - Receptor com antena Omni Marker - marcador eletrônico ................120
Figura 4.13 - Obras de infra-estrutura com o uso de marcadores eletrônicos.........120
Figura 4.14 - Ilustração do equipamento georadar em uso .....................................123
Figura 4.15 - Imagem das tubulações em excelentes condições de localização ....124
Figura 4.16 - Ilustração da movimentação do georadar na superfície.....................124
Figura 4.17 - Ilustração da tubulação identificada pelo georadar ............................124
Figura 4.18 - Sinais detectados pelo georadar em diferentes superfícies...............125
Figura 4.19 - Levantamento como construído dos pontos de solda ........................126
Figura 4.20 - Cadastro à trena da tubulação – geratriz superior .............................127
Figura 5.1 - Pilar de centragem forçada – Valinhos/SP...........................................136
Figura 5.2 - Demarcação topográfica do eixo da rede – método não destrutivo .....143
Figura 5.3 - Posicionamento da perfuratriz no eixo de projeto demarcado .............144
Figura 5.4 - Relatório de furo direcional ..................................................................145
Figura 5.5 - Navegador monitorando o deslocamento da sonda no subsolo ..........146
Figura 5.6 - Levantamento dos pontos demarcados pelo Navegador .....................146
Figura 5.7 - Eixo demarcado, estacas de 10 em 10 metros - método destrutivo.....148
Figura 5.8 - Método destrutivo, abertura da vala e lançamento da tubulação. ........148
Figura 5.9 - Levantamento como construído, geratriz superior da tubulação..........152
Figura 5.10 - Local sugerido para colocação de uma sonda; junto ao alargador ....153
Figura 6.1 - Desenho do levantamento como construído, trecho comparado .........166
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 6.1- Comparação entre rastreador e receptores.........................................161


Gráfico 6.2 - Comparação entre rastreador da perfuratriz e receptor......................164
Gráfico 6.3 - Comparação entre topografia e receptor ............................................168
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 - Dados disponíveis nas concessionárias visitadas.................................41


Tabela 2.2 - Dados disponíveis nas Prefeituras visitadas. ........................................41
Tabela 2.3 - Sugestão de afastamento e profundidade de redes subterrâneas ........52
Tabela 2.4 - Comparação de valores para uso do subsolo .......................................59
Tabela 2.5 - Estimativa de receita com a cobrança do uso do subsolo.....................59
Tabela 2.6 - Estudo comparativo de legislação e penalidades. ................................62
Tabela 2.7 - Estudo comparativo de legislação e penalidades .................................63
Tabela 2.8 - Estudo comparativo de legislação e penalidades .................................64
Tabela 4.1 - Uso dos marcadores eletrônicos .........................................................121
Tabela 6.1 - Valores das medidas de profundidade(metro) ....................................160
Tabela 6.2 - Valores das medidas de profundidade(metro) ....................................163
Tabela 6.3 - Valores das medidas de profundidade(metro) ....................................167
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas


AP Área de Planejamento
ASSEMAE Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
AUTOBAN Concessionária do Sistema Anhangüera Bandeirantes
CEC Comissão de Entendimentos das Concessionárias
CET Companhia de Engenharia de Tráfego
COMGAS Companhia de Gás de São Paulo
CONVIAS Departamento de Controle de uso de Vias Públicas
COPEL Companhia Paranaense de Eletricidade
CpQD Telecom & IT Solutions
DPOV Departamento de Projeto, Obra e Viação
EMPLASA Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo
ET Estação Total
GPS Sistema de Posicionamento Global
GTD Geração Transmissão Distribuição
G2L Long Range Dual Frequency DataSonde
G2M Médium Range Dual Frequency DataSonde
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INCRA Instituto Nacional de Reforma Agrária
IPPUC Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba
LDF Long Range Dual Frequency DataSonde
LDS Long Range DataSonde
MDF Medium Range Dual Fequency DataSonde
MDS Médium Range DataSonde
METRÔ Companhia do Metropolitano de São Paulo
MND Método Não Destrutivo
NBR Norma Brasileira
PEAD Polietileno de Alta Densidade
PETROBRÁS Petróleo Brasileiro S/A
PI Ponto de Interseção
PMC Prefeitura Municipal de Campinas
PMSP Prefeitura Municipal de São Paulo
PS Ponto de Segurança
PVC Poly Vinyl Chloride
RN Referência de Nível
RRNN Referências de Nível
SABESP Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
SAD69 South American Datum of 1969
SANASA Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas
SANEPAR Companhia de Saneamento do Paraná
SCN Sistema Cartográfico Nacional
SDS Short Range DataSonde
SGB Sistema Geodésico Brasileiro
SIG Sistema de Informação Geográfica
UNICAMP Universidade Estadual de Campinas
USP Universidade de São Paulo
UTB Unidade Territorial Básica
UTM Universal Transverso de Mercator
Z Altitude
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO......................................................................... 21
1.1. Apresentação e justificativa ................................................................. 22
1.2. Objetivos ................................................................................................ 23
1.2.1. Objetivos gerais..................................................................................... 23
1.2.2. Objetivos específicos............................................................................ 24
1.3. Estrutura do trabalho ............................................................................ 25
2. REDES DE UTILIDADES E SEU IMPACTO NO
PLANEJAMENTO URBANO .................................................. 27
2.1. Conceitos ............................................................................................... 27
2.2. Histórico ................................................................................................. 31
2.3. Situação do cadastro das redes das concessionárias de alguns
municípios.............................................................................................. 37
2.4. Cadastro de redes ................................................................................. 42
2.5. Redes e planejamento urbano.............................................................. 47
2.5.1. Considerações sobre o planejamento municipal ............................... 47
2.5.2. Uso e ocupação do solo ....................................................................... 51
2.5.3. O Município dividido em setores.......................................................... 53
2.5.4. A cobrança do espaço subterrâneo..................................................... 55
2.5.5. Considerações sobre a legislação ....................................................... 60
3. MÉTODOS UTILIZADOS EM IMPLANTAÇÃO DE REDES
SUBTERRÂNEAS ................................................................... 65
3.1. Equipamentos ........................................................................................ 65
3.1.1. Estações totais integradas com GPS .................................................. 65
3.1.2. Perfuratriz unidirecional ....................................................................... 66
3.1.3. Perfuração direcional horizontal .......................................................... 69
3.1.4. Sondas utilizadas nas perfuratrizes horizontais direcionais............. 74
3.1.5. Perfuratriz direcional pneumática dirigível ......................................... 76
3.1.6. Cravação de tubo (Pipe jacking) .......................................................... 77
3.2. Metodologias para implantação de redes subterrâneas .................... 79
3.2.1. Considerações ....................................................................................... 79
3.2.2. Procedimentos utilizados para o georreferenciamento das redes
subterrâneas .......................................................................................... 80
3.2.3. Método não destrutivo .......................................................................... 85
3.2.3.1 Perfuratriz direcional............................................................................. 85
3.2.3.2 Tunnel liner ............................................................................................ 95
3.2.3.3 Pipe jacking............................................................................................ 98
3.3. Método destrutivo.................................................................................. 101
4. LEVANTAMENTO DE COMO CONSTRUÍDO DE REDES..... 110
4.1. Equipamentos de localização............................................................... 110
4.2. Tubulação metálica ............................................................................... 110
4.2.1. Modo Conexão direta ............................................................................ 112
4.2.2. Modo indutivo ........................................................................................ 114
4.2.3. Detectores de válvulas e tampões ....................................................... 117
4.3. Tubulação não metálica ........................................................................ 118
4.3.1. Georadar................................................................................................. 122
4.4. Metodologia ........................................................................................... 126
4.4.1. Levantamento de como construído - método destrutivo................... 126
5. PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA O
GEORREFERENCIAMENTO DAS REDES
SUBTERRÂNEAS....................................................................129
5.1. Conceitos ............................................................................................... 129
5.2. Normas técnicas .................................................................................... 130
5.3. Rede de Referência Cadastral Municipal............................................. 131
5.4. Redes de utilidades e suas extensões ................................................ 134
5.4.1. Redes de grande extensão ................................................................... 134
5.4.2. Redes de pequena extensão................................................................. 136
5.5. Poligonal e levantamento das interferências ...................................... 138
5.6. Referências de altitudes ....................................................................... 140
5.7. Locação e acompanhamento da obra.................................................. 140
5.7.1. Método não destrutivo .......................................................................... 142
5.7.1.1 Locação topográfica.............................................................................. 142
5.7.1.2 Locação através de rastreadores eletromagnéticos .......................... 144
5.7.2. Método destrutivo.................................................................................. 147
5.8. Levantamento de como construído e implantação da obra .............. 150
5.9. Gerenciamento do cadastro único das redes de utilidades .............. 154
6. ESTUDO DE CASOS .............................................................. 158
6.1. Rua Luis Salomão – Jundiaí/SP ........................................................... 160
6.1.1. Análise dos resultados ......................................................................... 162
6.2. Marginal da rodovia Anhangüera - km 58, Jundiaí/SP ....................... 163
6.2.1. Análise dos resultados ......................................................................... 165
6.3. Estrada velha de Campinas - São Paulo, Caieiras/SP ........................ 167
6.3.1. Análise dos resultados ......................................................................... 169
7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.................................. 170
7.1. Conclusões ............................................................................................ 170
7.2. Recomendações para estudos futuros................................................ 172
ANEXOS .............................................................................................................. 173
REFERÊNCIAS.................................................................................................... 174
21

1. INTRODUÇÃO

As redes de utilidades públicas subterrâneas, originalmente, eram implantadas


através da técnica de abertura de valas a céu aberto. Com o desenvolvimento dos
grandes centros urbanos, aumento do volume de trânsito de veículos e pedestres, e
extensas áreas densamente povoadas, o emprego dessa técnica vem sendo menos
utilizado pelas concessionárias e Prefeituras, pois causam enormes transtornos a
sociedade e ao meio ambiente.

O crescimento das cidades vem acontecendo em ritmo cada vez mais


acelerado, tornando-se necessárias alternativas de expansão e melhoria da infra-
estrutura através das redes de utilidades. Desta forma novos métodos que
possibilitem causar menos interferências no dia a dia da população e dos grandes
centros são importantes.

São estudadas as técnicas que permitem a execução de obras subterrâneas


através dos métodos não destrutivo (MND) e destrutivo, apresentando informações
detalhadas sobre o uso destas tecnologias, hoje disponíveis nos países mais
desenvolvidos e que estão sendo utilizadas também no Brasil.

Entre os métodos apresentados estão as perfuratrizes unidirecionais,


direcionais, tunnel liner, pipe jacking, além dos equipamentos de localização e
detecção de cabos e dutos enterrados.

O georreferenciamento das redes de utilidades e os procedimentos de


execução das obras subterrâneas são fatores importantes, pois permitem produzir
plantas cadastrais, demarcação de obras e o levantamento de como construído, com
qualidade para se desenvolver projetos executivos com segurança e acurácia no
posicionamento destas redes. Essas informações serão importantes para a
constituição de um cadastro único de redes de utilidades subterrâneas.
22

1.1. Apresentação e justificativa

Para melhor identificar os termos usados ao longo deste trabalho, são


apresentadas a seguir algumas definições desses termos:

Definições Iniciais:
• Rede de infra-estrutura urbana
• Rede de Utilidade
• Rede de Utilities (termo em inglês)

Entende-se como rede de infra-estrutura urbana, utilidades e utilities, as redes


de água canalizada, esgoto, tv a cabo, fibra ótica, telefonia, energia elétrica, gás
canalizado, oleoduto, águas pluviais e outras, como sendo redes que levam serviços
ao mercado consumidor e que podem ser aéreas ou subterrâneas. Como exemplo
temos:

• Aéreas: Redes elétricas de baixa e alta tensão, tv a cabo,


telecomunicações, outros.

• Subterrâneas: Redes elétricas de baixa e alta tensão, telecomunicações,


gás natural, oleoduto, drenagem, água, tv a cabo, esgoto e outras.

Segundo COSTA (1996) São denominadas interferências todos os


acidentes topográficos naturais ou artificiais que determinam a sua
eliminação, remoção ou remanejamento que devem ser levados em conta
na elaboração dos projetos executivos, pois representam na implantação
desses projetos, além de custos, dificuldades construtivas que podem em
muitos casos inviabilizar a execução da obra. Essas interferências se
constituem em dois tipos: aéreas (acima do solo e visíveis) ou subterrâneas
(abaixo do solo e de difícil localização). As redes de utilidades se tornam
interferências quando estão no trajeto de uma obra.

Nos últimos anos, com o crescimento da demanda de infra-estrutura urbana em


algumas cidades do Estado de São Paulo, tem-se observado inconsistências nos
mapeamentos utilizados, falta de padronização nos projetos, ausências de sistemas
de coordenadas tanto na execução das obras de engenharia como nos elementos
apresentados aos órgãos públicos para análise e aprovação do empreendimento.
23

Considerando esses fatos associados à atividade profissional do autor, este


trabalho apresenta propostas de procedimentos para o georreferenciamento da
infra-estrutura urbana, que exigem dos profissionais, conhecimentos técnicos e
específicos para propor alternativas executivas, pesquisadas e desenvolvidas no
meio acadêmico.

Como as dificuldades para o mapeamento das redes são grandes, propõe-se a


pesquisa e análise dos equipamentos e procedimentos atualmente utilizados nas
obras de infra-estrutura, que vêm ao encontro das necessidades atuais das
empresas e órgãos públicos na solução desses problemas.

O estudo dos elementos cadastrais apresentados na execução das redes de


infra-estrutura, o posicionamento georreferenciado e a apresentação das
cartas/plantas cadastrais indicaram a escolha desse tema, permitindo colaboração
com a comunidade técnica nas discussões de alternativas e procedimentos de
execução das redes de infra-estrutura urbana.

1.2. Objetivos

1.2.1. Objetivos gerais

Os objetivos deste trabalho são:

1. Propor procedimentos e metodologias a serem utilizados em redes de infra-


estrutura urbana na obtenção de plantas e cartas cadastrais, com embasamento em
normas técnicas para a execução de levantamentos topográficos para o cadastro
técnico das redes de utilidades.

2. Propiciar, através das pesquisas realizadas em órgãos públicos e empresas


privadas, uma visão mais abrangente sobre os cadastros existentes e as
dificuldades atuais encontradas na implantação das obras de engenharia, onde
essas redes se tornam uma interferência a ser superada.
24

3. Apresentar os procedimentos que deverão ser seguidos para o


georreferenciamento dessas redes à luz das Normas Técnicas:

• NBR 13.133/94 – Execução de Levantamentos Topográficos –


Procedimentos;
• NBR 14.166/98 – Rede de Referência Cadastral Municipal – Procedimentos;
• NBR 14.645/01, Parte 1,2 e 3 – Elaboração do Como Construído (As Built),
para edificações;
• NBR 12.586/92 – Cadastro de sistema de abastecimento de água;
• NBR 12.587/92 – Cadastro de sistema de esgotamento sanitário;
• Normas internas das empresas privadas.

4. Apresentar os elementos cadastrais necessários para promover a


implantação de SIG de redes de utilidades aéreas e subterrâneas, com
formação de banco de dados geográficos e não geográficos.

5. Possibilitar uma análise crítica desse cadastro, com a precisão adequada


ao planejamento municipal, uso do solo, meio ambiente, além do espaço
público utilizado.

1.2.2. Objetivos específicos

1. Expor a necessidade de estabelecer mecanismos para a execução e o


aprimoramento do cadastro das redes, com precisão/exatidão e
posicionamento georreferenciado;

2. Propor metodologias para a produção de cartas/plantas cadastrais das redes


de serviços urbanos com a qualidade desejável para o planejamento
municipal;
25

3. Apresentar procedimentos para organizar e ordenar eficientemente o espaço


subterrâneo utilizado pela infra-estrutura urbana.

4. Permitir através dos procedimentos apresentados que a administração


pública tenha subsídios de cartas/plantas cadastrais georreferenciadas, com
dados confiáveis obtidos em campo gerando informações para o uso no
planejamento municipal.

Estes dados possibilitam que as Prefeituras realizem as cobranças das taxas


do uso do solo público, identificando as áreas utilizadas por permissionárias com
redes de utilidades aéreas ou subterrâneas em seu território.

Finalizando, as redes de utilidades cadastradas e georreferenciadas


adequadamente fornecem subsídios necessários à realização de um cadastro único,
que permite intervenção mais segura nas obras de engenharia, além de diminuir os
transtornos causados à sociedade, por problemas que poderiam ser previstos na
fase de elaboração dos projetos, permitindo, assim, o uso de tecnologia de SIG que,
integradas com as informações físicas de campo, possibilitam a tomada de
decisões.

1.3. Estrutura do trabalho

O presente trabalho está estruturado em sete capítulos, dos quais o capítulo 1


traz a introdução, apresentação, justificativa e os objetivos.

Na seqüência, o capítulo 2 apresenta as redes de utilidades e seu impacto no


planejamento urbano, alguns conceitos, histórico no Brasil, situação do cadastro de
alguns municípios visitados, considerações sobre o planejamento urbano, cobrança
pelo uso do espaço público e considerações sobre a legislação.
26

No capítulo 3 são apresentados os métodos utilizados em implantação de


redes subterrâneas, os equipamentos atualmente disponíveis e a metodologia para
a execução de obras subterrâneas, no método não destrutivo e destrutivo.

O capítulo 4 apresenta os equipamentos utilizados para a localização de


cabos e dutos enterrados, metálicos e não metálicos e as metodologias utilizadas,
tanto no método não destrutivo, bem como no método destrutivo

No capítulo 5, são apresentadas propostas de metodologias e


procedimentos para o georreferenciamento das redes de utilidades, normas
técnicas, Rede de Referência Cadastral Municipal; rede e sua extensão, poligonal,
referência de nível, locação da obra no método não destrutivo e destrutivo.
Apresenta detalhes sobre o levantamento de como construído e sobre o
gerenciamento do cadastro único de redes de utilidades.

O capítulo 6 traz o estudo de casos realizado durante o desenvolvimento


deste trabalho, em três locais diferentes. Apresenta os dados coletados em campo
com diferentes receptores, faz a comparação das medidas obtidas entre eles, além
dos dados de topografia convencional. Faz uma análise dos resultados em função
dos gráficos obtidos em função das leituras de campo.

O capítulo 7 apresenta as conclusões e recomendações para estudos futuros.


27

2. REDES DE UTILIDADES E SEU IMPACTO NO PLANEJAMENTO


URBANO

2.1. Conceitos

A Cartografia constitui um conjunto de operações que permite a obtenção


de informações espaciais, através da elaboração de mapas, cartas e
plantas topográficas, possibilitando aos técnicos, ações no sentido da busca
de soluções para o planejamento, projeto, implantação e acompanhamento
de empreendimentos de engenharia, tais como: sistemas viários, rodovias,
conjuntos habitacionais, sistemas de abastecimento de água e esgotos, e
outros que visam à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, sejam eles
urbanos ou rurais, COSTA( 2001).

A NBR 13133/94 define carta:


Representação gráfica sobre uma superfície plana, dos detalhes físicos,
naturais e artificiais, de parte ou de toda a superfície terrestre – mediante
símbolos ou convenções e meios de orientação indicados, que permitem a
avaliação das distâncias, a orientação das direções e a localização
geográfica de pontos, áreas e detalhes – podendo ser subdividida em
folhas, de forma sistemática, obedecido um plano nacional ou internacional.
Esta representação, em escalas médias e pequenas, leva em consideração
a curvatura da Terra, dentro da mais rigorosa localização possível
relacionada a um sistema de referência de coordenadas. A carta também
pode constituir-se numa representação sucinta de detalhes terrestres,
destacando, omitindo ou generalizando certos detalhes para satisfazer
requisitos específicos. A classe de informações que uma carta ou mapa se
propõe a fornecer é indicada, freqüentemente, sob a forma adjetiva, para
diferenciação de outros tipos, como por exemplo, carta aeronáutica, carta
náutica, mapa de comunicação, mapa geológico.

As cartas também podem ser elaboradas com o auxílio de novas tecnologias,


como é o caso do Laser Scanner e o Sistema de Posicionamento Global (GPS),
permitindo o posicionamento de pontos sobre a superfície terrestre com maior
precisão e exatidão1.

Atualmente, as plantas e cartas topográficas estão sendo elaboradas através


de programas específicos de topografia, permitindo maior confiabilidade da
informação que é apresentada para o usuário, seja através da tela do computador

1
Exatidão: expressa o grau de aderência do melhor valor para as observações em relação ao valor
verdadeiro. Precisão: expressa o grau de aderência das observações umas às outras, PACILÉO
NETTO (1993).
28

ou da planta em papel. A informação adquirida em campo, é transmitida de forma


eletrônica para o computador, evitando erros humanos no processo.

Os programas topográficos permitem a execução de cálculos e desenhos de


plantas cadastrais, aliados com os equipamentos geodésicos e topográficos que
realizam aquisição de dados espaciais na superfície da terra e também no seu
interior, produzindo um produto final de ótima qualidade, ou seja, a representação da
informação digital ou no papel através de cartas/plantas é fiel ao dado adquirido em
campo.

Com o grande desenvolvimento das cidades, o que nem sempre ocorre de


forma planejada, o poder público tem sido obrigado a realizar, constantemente,
obras de engenharia para adequação do sistema viário, construção de novos
terminais de transportes e a infra-estrutura, garantindo uma melhor qualidade de
vida à população.

A produção de cartas se tornou fundamental para subsidiar os projetos de


engenharia, fornecendo suporte às análises dos projetos e à implantação das obras.
A eletrônica tem colaborado muito com o trabalho dos técnicos; hoje a tecnologia
permite grandes precisões com o uso de equipamentos como a Estação Total (ET),
GPS e o Laser Scanner.

Para garantir as condições gerais de produção econômica e as necessidades


essenciais da população, as redes de infra-estrutura urbana como: abastecimento
de água potável, esgotamento sanitário, energia elétrica, telecomunicações, gás,
entre outras, são de fundamental importância para permitir o crescimento
econômico. Sem esses serviços, as indústrias e os comércios não podem ser
ampliados e gerar os empregos necessários à população.

Com o crescimento desordenado das cidades, os espaços aéreos e


subterrâneos disponíveis para a implantação das redes de infra-estrutura foram
ficando escassos. Deste modo, para a execução de obras de engenharia é
necessário um estudo detalhado da região onde será implantado esse projeto, para
29

garantir que os equipamentos já existentes não sejam danificados em função do


desconhecimento posicional das redes de utilidades.

Este trabalho apresenta pesquisa de dados adquiridos em órgãos públicos,


empresas privadas, concessionárias de serviços públicos, permissionárias, além de
acompanhamento de execução de obras de implantação de redes de utilidades, que
permitiu entender os problemas existentes.

Recomenda-se para os profissionais que vão elaborar obras no subsolo, que


seja realizada uma análise detalhada dos referencias topográficos planimétricos e
altimétricos a serem utilizados nos levantamentos topográficos, nas locações das
obras, na elaboração do levantamento de como construído, bem como dos
equipamentos de localização de cabos e dutos enterrados, além dos métodos
existentes de localização e de detecção de dutos e cabos metálicos e não metálicos
utilizados no método não destrutivo.

A necessidade de novos procedimentos e a constituição de um corpo técnico


exclusivo que centralize as atividades de cadastro das redes de infra-estrutura
urbana em seu território, permitindo o gerenciamento das informações produzidas
por todas as empresas da área, possibilitando a constituição de um cadastro único
de redes de utilidades, é o que será objeto de discussão nos próximos capítulos.

Com as privatizações das empresas estatais que mantinham o controle das


redes de utilidades, e a entrada das empresas privadas nesse setor através de
capital estrangeiro, houve um grande aumento na prestação dos serviços de tv a
cabo, energia elétrica, telefonia, gás natural e outros para o mercado consumidor.

Os produtos e serviços de tevê por assinatura, rede canalizada de gás, água


potável, telecomunicações entre outros, passaram a ser mais acessíveis às pessoas
de menor poder aquisitivo; portanto, as demandas para novas redes e suas
ampliações são inevitáveis, conseqüentemente, muitas novas obras de engenharia
nos grandes centros e corredores de tráfego devem ser projetadas e implantadas.
30

No entanto, não se encontram mecanismos para a constituição de um


cadastro único. As inovações tecnológicas estão disponíveis e permitem que as
informações coletadas sejam de qualidade nos trabalhos topográficos.

As informações cadastrais adquiridas em campo das redes já existentes são


tratadas de forma individualizada. Cada empresa realiza seu cadastro
individualmente, com procedimentos próprios, inviabilizando a unificação das
informações topográficas necessárias à constituição de um cadastro unificado.

As mesmas não são disponibilizadas e apresentadas às concessionárias e


Prefeituras na maioria das vezes. Somente o levantamento de como construído no
método destrutivo são apresentados de forma adequada. Os dados cadastrais das
redes já existentes ficam nos arquivos das empresas contratadas para a execução
do furo direcional2.

Desta forma, as Prefeituras recebem os projetos a serem implantados das


várias concessionárias, realizando as aprovações dos mesmos e, após sua
conclusão, os projetos como executados, porém não conseguem integrar as
informações recebidas nesses projetos.

Possuem várias informações das redes de utilidades que se encontram em seu


território e grande quantidade de dados desagregados não conseguindo unificar as
mesmas, seja por falta de procedimentos de apresentação e aprovação dos
projetos, seja por falta de recursos humanos especializados ou falta de softwares
específicos de SIG.

Finalizando, as empresas estão aptas a disponibilizar as informações


cartográficas e topográficas de suas obras de redes de utilidades georreferenciadas.
Cabe ao poder público municipal criar novos procedimentos e mecanismos que
busquem a constituição desse cadastro único tão importante para a sociedade.

2
Furo Direcional: Execução de um furo piloto realizado no subsolo, através de equipamento
específico chamado de Perfuratriz direcional horizontal, utilizado na execução de rede de infra-
estrutura urbana.
31

2.2. Histórico

Neste item serão abordados, de forma breve e resumida, o surgimento das


redes de infra-estrutura no Brasil e da sua importância para a sociedade, mostrando
seu crescimento e a evolução do uso desses serviços que está possibilitando
melhorar a qualidade de vida da população.

A partir do século XX, o acesso aos serviços públicos através das redes de
utilidades passou a ser oferecido com maior intensidade nas principais cidades do
mundo. No Brasil, as redes de infra-estrutura urbana, no caso de saneamento,
começaram a ser implantadas a partir do século XIX em especial na capital da
Província, hoje a cidade de São Paulo, diante do grande crescimento das
aglomerações urbanas daquela época.

“Foi o Governo da Província, o responsável pelo primeiro projeto oficial para


adução e distribuição de água na cidade, datado de 1842, e pela construção de sua
rede de esgoto a partir de 1876”(Secretaria de Estado de Energia, Recurso Hídricos
e Saneamento).

Em 1877 foi criada por empreendedores privados a Companhia Cantareira de


Águas e Esgotos, e no ano seguinte o governo paulista se associou, formando
então uma sociedade de economia mista. A primeira caixa de abastecimento de
água da cidade foi inaugurada em 1878 pelo então Imperador Pedro II, na
Consolação, e em 1883, é inaugurado, no Bairro da Luz, o primeiro distrito de
esgotos de São Paulo3.

São Paulo teve um crescimento muito acelerado e passa a requerer


ampliações significativas nos sistemas de águas e esgotos, quando surgiram os
primeiros serviços prestados diretamente pelo setor público. Em 1893 surge a
Repartição de Águas e Esgotos da Capital (RAE) que era subordinada à Secretaria
de Agricultura, Comércio e Obras Públicas. A cidade de São Paulo contava apenas

3
Informações da Secretaria de Estado de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento. Disponível em
<http://recursoshidricos.sp.gov.br/historia.htm>. Acesso: 19 de Nov. 2006.
32

com duas adutoras: a do Ipiranga e da Cantareira e no ano seguinte era concluída a


adutora do Guaraú.

Depois da Repartição de Águas e Esgoto da Capital, foram sendo criados


vários outros órgãos para gerenciar as atividades de saneamento da capital. Em
1954 foi criado o Departamento de Águas e Esgotos (DAE), para gerenciar e
executar as redes nas cidades em seu entorno, dando sinal de uma região
metropolitana.

Com a necessidade de implementar as diretrizes do setor de saneamento, é


criada a instituição do Sistema Financeiro de Saneamento (SFS), encarregado de
gerir políticas urbanas. Já em 1968, foram criados o Fundo Estadual de Saneamento
Básico (FESB) e a Companhia Metropolitana de Água de São Paulo (COMASP),
destinada a captar, tratar e vender água potável no atacado. Em 1970 é criada a
Companhia Metropolitana de Saneamento de São Paulo(SANESP) para tratar e dar
destinação final dos esgotos.

Em 1973 todas essas Companhias sofrem um processo de centralização e


surge a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), que
até hoje é responsável pela distribuição e tratamento de esgoto de várias cidades do
Estado de São Paulo.

O crescimento econômico do país fez com que o setor de infra-estrutura


tivesse um desenvolvimento acelerado, nas áreas de comunicações, energia
elétrica, água, outros sendo considerados essenciais para a sociedade e indústria.

Nas últimas duas décadas, houve um aumento significativo dos serviços


colocados à disposição do mercado consumidor, o que tem demandado novas obras
de engenharia, seja para sua ampliação ou mesmo a implantação de novas redes de
infra-estrutura que venham atender às demandas por esses serviços.

Como exemplo desses serviços, podemos citar o gás canalizado, esgoto,


energia elétrica, fibra ótica, água canalizada entre outros. Essa nova realidade exige
dos Municípios uma reflexão sobre o planejamento do uso do solo, além de
33

estabelecer critérios para minimizar os problemas que a ampliação desses serviços


possam trazer à comunidade, de forma que os mesmos sejam disponibilizados com
segurança e sendo priorizados os locais onde as redes de utilidades devem ser
implantadas.

Anteriormente, os trabalhos de extensão de redes de serviços, ou seja, de


utilidades, eram de responsabilidades exclusivas do Estado, todas as redes eram
estatais. Com a concessão dos serviços públicos decorrentes da reforma do Estado
e a abertura para a prestação desses serviços ao mercado consumidor, a
responsabilidade foi sendo transferida para o Município.

O Município precisa ter o domínio das informações sobre todos os “serviços”


que existam em seu território, e ser de sua competência dispor sobre a matéria e
possibilidade ou não do uso do espaço aéreo e subterrâneo, indicando através do
planejamento urbano os locais onde as extensões desses serviços são prioritárias.

Para o gerenciamento das informações dos serviços disponibilizados em seu


território, o Município deve ter controle absoluto do traçado, extensão e posição
exata das redes de utilidades, possibilitando gerar informações para o planejamento,
manutenção e para a cobrança do uso do espaço público utilizado, além de zelar
pela segurança da população na implantação dessas obras.

Quando os serviços eram prestados pelas estatais, o Município simplesmente


autorizava a utilização do subsolo4 para a abertura das “valas”, sem o controle e
registro das redes implantadas.

A forma de atuação dos Municípios teve que ser alterada, o aumento dos
serviços disponibilizados cresceram acentuadamente e para levar os mesmos para o
mercado consumidor é necessária a execução de obras de engenharia que
permitam a ampliação das redes de utilidades.

4
Subsolo: “1. Camada de solo, imediatamente inferior à que vê ou se pode arar. 2. Construção
abaixo do rés-do-chão.” Minidicionário escolar da língua portuguesa Michaelis. São Paulo:
Melhoramentos, 2002. p.744. “1.Tudo que está abaixo do solo.” SILVA, P. P. L. et al. Dicionário
brasileiro de ciências ambientais. 2ª ed. Rio de Janeiro: Thex, 2002. p. 221.
34

A falta do registro georreferenciado e de um cadastro único dessas redes tem


gerado vários problemas na execução de novas obras de engenharia. As empresas
que trabalham com serviços no subsolo normalmente mantêm apenas os cadastros
das redes que foram executadas por elas em uma determinada época.

Isso dificulta a integração dos dados de outras redes que foram realizadas por
outras empresas e que utilizam o mesmo espaço público, não permitindo a
constituição de um banco de dados único de informações, características e
posicionamento georreferenciado das redes de utilidades o que permitiria um
controle mais seguro sobre as obras subterrâneas, minimizando os problemas de
rompimento de tubulações que, hoje, ocorrem na implantação de uma nova obra
subterrânea.

No Brasil, já apareceram iniciativas de alguns órgãos para a constituição de um


cadastro único de redes de utilidades, como é o caso da cidade de São Paulo. A
partir de 1970, é aprovada a Lei Municipal nº 7.513 que tem como objetivo
normatizar a execução de obras e serviços nas vias e logradouros do município de
São Paulo. Todos os projetos devem ter aprovação prévia para posterior execução
de obras e serviços. Nesta lei, não é indicado um órgão responsável pela aprovação
dos projetos e também não se menciona questões referentes ao uso e gestão do
subsolo.

No ano de 1975, ainda na cidade de São Paulo, são tomadas algumas


medidas visando à recuperação do planejamento nas vias e logradouros públicos, é
constituída a Comissão de Entendimentos com Concessionárias (CEC), através do
Decreto n.º 12.044, de 20 de junho de 1975 (conforme íntegra no anexo A) que tem
como principais atribuições:

1. Examinar o planejamento e programação das obras e serviços que se


desenvolvem nas vias e logradouros públicos do Município;

2. Informar-se dos elementos e dados técnicos de tais obras e serviços, debater


os problemas de caráter geral;
35

3. Estabelecer normas para a execução das obras e serviços, com o mínimo de


inconvenientes para a população, remanejando as interferências, assim como
prevendo as ampliações e melhorias, os desvios de tráfego necessários para os
canteiros de obras e a sinalização adequada;

4. Propor soluções para os problemas emergentes e providências


harmonizadoras para os problemas de ordem geral.

Na década de 80, o Decreto Nº 23.969, de 05 de junho de 1987, restabelece e


reformula a Comissão de Entendimentos com Concessionárias de Serviços Públicos
que operam nas vias e logradouros públicos do Município, que tem as mesmas
preocupações em gerenciar o espaço urbano da cidade de São Paulo.

O objetivo principal era o de aperfeiçoar o entrosamento, a harmonização e a


eficácia das atividades que envolvem execuções de obras e serviços em vias e
logradouros públicos, cujas principais atribuições passaram a ser:

I - Divulgar, em caráter informativo, o planejamento e a programação das obras


e serviços que se desenvolvam nas vias e logradouros públicos do Município;

II - Informar-se, em casos especiais e quando solicitado, dos elementos e


dados técnicos de tais obras e serviços, para debater e ajustar possíveis problemas
de caráter geral ou de interferências, e acionar os órgãos envolvidos;

III - Elaborar, ouvidos os órgãos interessados, propostas normativas visando ao


melhor entrosamento dos planos, das programações e da execução das obras e
serviços, com o mínimo de inconveniente para a população;

IV - Articular entendimentos visando à solução dos problemas urgentes e


providências harmonizadoras para os de ordem geral.

A Comissão de Entendimentos com Concessionárias, seria composta por


cinco membros permanentes subordinados diretamente ao Gabinete do Secretário
de Vias Públicas, além de representantes de vários órgãos e entidades, sendo
36

acrescido ao decreto anterior a ELETROPAULO, CBTU, Prefeitura da Cidade


Universitária, EMPLASA, PETROBRÁS e CET.
37

2.3. Situação do cadastro das redes das concessionárias de alguns

municípios

Com a finalidade de conhecer os cadastros das concessionárias,


permissionárias, empresas da administração direta, indireta e Prefeituras, foram
realizadas visitas a várias delas, possibilitando conhecer a realidade desses
cadastros.

De forma geral, a grande maioria dos municípios não possuem um cadastro


centralizado das redes de utilidades, apenas fazem a análise do projeto
apresentado, realizando as aprovações necessárias. Os projetos normalmente são
apresentados em meio digital ou em papel, alguns são georreferenciados e outros
em sistemas arbitrários. Os procedimentos não são uniformes, isto quando existem,
não permitem a integração das informações, pois os mesmos estão em sistemas de
coordenadas diferentes, as legendas, linhas e os layers não são padronizadas.

As Normas existentes de topografia normalmente não são seguidas,


inviabilizando a constituição das informações cadastrais, pois existem usos de
referencias planimétricos diferenciados, além de coordenadas no sistema Universal
Transverso de Mercator (UTM) tanto em South American Datum of 1969 (SAD69)
como em Córrego Alegre, também em alguns casos o uso do Plano Topográfico
Local (PTL), o que dificulta a inserção e conversão dos dados para serem integrados
em uma base única.

Já as concessionárias e as permissionárias possuem as informações


georreferenciadas de forma centralizada. Algumas possuem informações em meio
digital somente no AutoCad. Atualmente, temos empresas que já estão constituindo
um Sistema de Informação Geográfica para gerenciar as suas atividades, integrando
as informações dos serviços que disponibilizarão para o mercado consumidor, como
é o caso da SABESP com o SIGNOS, a COMGAS com o GEOGAS e a COPEL do
Estado do Paraná onde todas já trabalham com tecnologia de ponta, proporcionando
maior agilidade em seus trabalhos.
38

Essas empresas trabalham sem a integração dos dados cadastrais coletados


em campo com outras empresas/concessionárias que disponibilizam serviços ao
mercado consumidor. Uma exceção é a SABESP e a COMGAS, que estão
trabalhando com dados compartilhados. As Prefeituras ainda não estão preparadas
para gerenciar todos os cadastros das redes em seu território, havendo a
necessidade de que seja indicado um órgão público gestor dessas atividades, que
centralize as informações de todas empresas que trabalham e disponibilizam
serviços no subsolo.

Esse órgão manteria o controle das informações de todas as redes de


utilidades em seu território, permitindo a constituição de um cadastro único e
centralizado, estabelecendo procedimentos e padronizações mínimas de
apresentação dos projetos, além da apresentação das plantas “como construído”.

As empresas especializadas na execução de obras subterrâneas possuem um


volume muito grande de informações cadastrais dos trabalhos que já foram
realizados por elas. Esses cadastros não são repassados para as concessionárias
contratantes e nem para as Prefeituras. Esses dados ficam arquivados nas mesmas
e serão utilizados quando do surgimento de novas obras naquela região. Isso
possibilita menor custo na fase de projetos, pois já se possuem dados da região
onde será implantada a nova obra, diminuindo serviços de cadastros para a
elaboração dos projetos de perfurações, sendo favorecidas em caso de novas
licitações. Cabe as Prefeituras e concessionárias indicarem em contratos e licitações
a entrega deste cadastro.

A necessidade de estabelecer mecanismos para a padronização, procedimento


e entrega dos cadastros, que foram executados e necessários para a realização de
uma determinada obra, é de extrema importância a unificação dos dados coletados,
pois nem sempre essas informações são de conhecimentos das próprias
concessionárias que fornecem um serviço.

Enfim, existe a expectativa por parte dos municípios e das concessionárias que
se construa um banco de dados com informações espaciais unificadas nos próximos
39

anos, permitindo sua integração e ordenamento do subsolo e das diversas redes de


utilidades.
Nas entrevistas realizadas com representante de órgãos públicos, empresas e
concessionárias, percebe-se um consenso quanto à necessidade da integração, que
é de interesse de todos, pois estão observando a necessidade imediata de um órgão
gestor que gerencie essas atividades tão importantes para o planejamento
municipal.

Abaixo listamos as Universidades, Concessionárias, Empresas, Órgãos


Públicos e Prefeituras, onde foram realizadas entrevistas, visitas técnicas e
acompanhamento de obras:

• COPEL – Companhia Paranaense de Eletricidade, Curitiba - PR;


• SANEPAR – Companhia de Saneamento do Paraná, Curitiba - PR;
• SANASA – Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento, Campinas
SP;
• COMGAS – Companhia de Gás de São Paulo, São Paulo - SP;
• DRC – Perfuração Direcional Ltda, São Paulo - SP;
• SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - SP;
• METRÔ – Companhia do Metropolitano de São Paulo, São Paulo - SP;
• CpQD – Telecom & IT Solutions, Campinas - SP;
• SONDEQ – Comercial de Equipamentos Ltda, São Paulo SP;
• MAPSOLO – Mapsolo Engenharia Ltda, Cotia - SP;
• ESTEIO – Esteio Engenharia e Aerolevantamentos S/A; Curitiba - PR;
• NEXUS – Nexus Geoengenharia e Comércio Ltda, São Paulo - SP;
• CONCREMAT – Concremat Engenharia, São Paulo - SP;
• UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas, Campinas - SP;
• UFPR – Universidade Federal do Paraná, Curitiba - PR;
• UFSCar – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos - SP.
• UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis - SC;
• PMSP – SIURB - CONVIAS – CEC - Prefeitura Municipal de São Paulo - SP;
• PMC – DPOV - Prefeitura Municipal de Campinas - SP;
• IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba - PR;
40

• JOFEGE – Pavimentação e Construção Ltda, Itatiba - SP;


• AZEVEDO E TRAVASSOS S/A, São Paulo - SP;
• QUEIROZ GALVÃO, DIVISÃO ENGIBRAS, São Paulo - SP;
• BORGES FONSECA ENGENHARIA, São Paulo - SP;

Através das visitas realizadas e do acompanhamento das obras, concluiu-se


pela necessidade urgente de constituição de uma base cartográfica unificada, de
uso comum entre as concessionárias e cada um dos municípios. Também a
necessidade de padronização das plantas cadastrais através de layers permitirá a
integração dos dados levantados em campo.

As empresas que trabalham com perfuração direcional têm procedimento de


demarcação e elaboração de projetos parecidos, sendo necessário sua adequação
em conjunto com os trabalhos topográficos.

O uso de sistema de coordenadas diferentes tem gerado problemas na


integração dos projetos, além do uso inadequado da altura geométrica como se as
mesmas fossem ortométricas. Essas visitas e acompanhamentos das obras foram
importantes para identificar as dificuldades que hoje as concessionárias e
Prefeituras vêm atravessando.

Nota-se que as concessionárias e Prefeituras possuem base cartográfica,


porém só atendem às necessidades de projetos funcionais. Muitas dessas bases
não possuem exatidão cartográfica necessária para a elaboração de projetos
básicos e executivos, como é o caso da cidade de Campinas. A cidade de São
Paulo está construindo uma base que atenda às suas necessidades, já Curitiba
dispõe de uma base cartográfica na escala 1:1000, com precisão de até 20
centímetros.

“Cada elemento de uma base cartográfica não deve ter sua exatidão de
posicionamento tão rigorosa quanto possível, mas sim tão exigente quanto
necessário para a finalidade em questão” (CINTRA; IDOETA, 2003).
41

Para uso nos projetos da infra-estrutura urbana, recomendam-se cartas na


escala 1:1000, produzidas através de cobertura aérea com câmara métrica, em
escala 1:4000 ou 1:5000 dependendo da região, densidade de pontos e exatidão
requerida, permitindo a elaboração de projetos executivos de redes de utilidades.

A tabela 2.1 indica algumas concessionárias e o que a mesma possui para o


controle das atividades em seu território. A tabela 2.2 apresenta alguns municípios
visitados e o que o mesmo possui para o gerenciamento das informações das redes
de utilidades subterrâneas.

Empresas Base cartográfica SIG Software


visitadas
COPEL SIM SIM VISION
SANEPAR SIM NÃO AUTOCAD MAP
SANASA SIM NÃO AUTOCAD MAP
COMGAS SIM GEOGAS SMALLWORD
SABESP SIM SIGNOS SMALLWORD
METRÔ SIM Não informado AUTOCAD
Tabela 2.1 - Dados disponíveis nas concessionárias visitadas.

Cidades visitadas Base cartográfica SIG Software


CAMPINAS SIM NÃO AUTOCAD
CURITIBA SIM NÃO AUTOCAD
SÃO PAULO SIM NÃO AUTOCAD
Tabela 2.2 - Dados disponíveis nas Prefeituras visitadas.

Com uma base cartográfica adequada será possível a implantação de um


Sistema de Informação Geográfica (SIG) integrando todas as redes de utilidades das
diversas concessionárias, permitindo a visualização e detalhes dos elementos
existentes, disponibilizando informações para a elaboração, execução dos projetos e
locação das obras.

Maiores detalhes sobre as entrevistas com as empresas, concessionárias e


prefeituras visitadas podem ser encontradas no Anexo B.
42

2.4. Cadastro de redes

Para a elaboração dos projetos executivos de redes de infra-estrutura faz-se


necessário o cadastro5 de interferências subterrâneas, que são obtidas em conjunto
com o levantamento topográfico da área em estudo. As dificuldades de não se
possuir os cadastros dos elementos dos sistemas de esgotamento sanitário6,
abastecimento de água7, gás natural, telecomunicações e outros, implica muitas
vezes na inviabilização dos projetos ou mesmo sua alteração, o que acaba elevando
o custo da obra.

Para permitir a elaboração do cadastro dos elementos do sistema de


esgotamento sanitário, de abastecimento de água, gás natural, telefonia e outros,
faz-se necessário a execução de levantamento topográfico em que devem constar
as dimensões principais da unidade a ser cadastrada conforme a NBR 12.587/1992.

Medidas externas e internas das dimensões principais e secundárias,


profundidade e diâmetro das tubulações, posições relativas dos
equipamentos, dos dispositivos, das peças especiais e órgãos acessórios,
dados de placa dos equipamentos e dispositivos hidromecânicos, anotando-
se o tipo de material das canalizações e peças especiais, amarrações das
edificações principais e secundárias aos pontos notáveis de planta
topográfica, nivelamento geométrico a partir das referências de níveis
(RRNN) e pontos de segurança, NBR 12.587/1992, Associação Brasileira
de Normas Técnicas(ABNT).

O rigoroso cadastro das redes de utilidades, permite definir as metodologias


construtivas a serem utilizadas nas obras de forma a garantir que a implantação da
mesma seja executada com maior segurança, mantendo a fidelidade dos projetos
implantados. “O cadastro de utilidades pode ser definido como sendo o registro
posicional das redes de abastecimento de água, esgoto, drenagem, gás, energia
elétrica, telefonia, tv a cabo, gasoduto, oleoduto e outros sistemas aéreos e
enterrados”. (COSTA, 2001).

5
Cadastro: “Conjunto de informações fiéis de uma instalação, apresentada através de textos e
representações gráficas em escala conveniente”, NBR 12.587/1992.
6
Sistema de esgotamento sanitário: Canalizações, instalações e equipamentos destinados a coletar,
transportar, tratar e encaminhar os esgotos sanitários a um destino final conveniente,
compreendendo unidades não-lineares ou localizadas e unidades lineares ou não-localizadas, NBR
12.587/92.
7
Sistema de abastecimento de água: Canalizações, instalações e equipamentos destinados a captar,
transportar, tratar e distribuir águas, compreendendo unidades não-lineares ou localizadas e
unidades lineares ou não-localizadas, NBR 12.586/92.
43

A ausência de dados cadastrais do sistema de esgotamento sanitário,


abastecimento de água, gás natural, telecomunicações e outras, dificulta os
trabalhos na elaboração dos projetos executivos. O cadastro dos elementos das
redes de utilidades (poço de visita, caixas de drenagem, bueiros, registros, eixo de
tubulação, cabos) através de amarração em canto de quadra, alinhamento de
edificações, pontos notáveis e outros inviabiliza a utilização plena das informações
coletadas devido às dificuldades e imprecisões no momento da amarração.

O uso de tecnologias disponíveis, estação total e GPS, possibilita um cadastro


eficiente, preciso e ágil, através do uso de poligonais de apoio, amarrada à Rede de
Referência Cadastral Municipal. A figura 2.1 apresenta um cadastro sendo realizado
através de triangulação em cantos notáveis, na cidade de Campinas no calçadão da
rua 13 de Maio, já a figura 2.2 apresenta um croqui de como essa triangulação é
realizada.

Figura 2.1 - Cadastro através de triangulação dos registros


44

Figura 2.2 - Folha de cadastro por triangulação

Entre as concessionárias visitadas, todas fazem o uso de triangulação para


execução dos cadastros dos elementos dos sistemas de água, esgoto,
telecomunicações. O cadastro utilizando instrumentos topográficos é inexistente em
muitos casos.

A grande dificuldade dos projetistas reside no fato de que quase não


existem registros cadastrais dessas interferências, visto não haver
preocupação da elaboração do “As built”, após a conclusão da obra.
Quando existem, os referidos cadastros pecam pela incerteza de
localização, diâmetros de tubos, profundidades, etc. (COSTA,1996).

Na execução do cadastro dos elementos da rede de infra-estrutura


subterrânea, é possível a identificação na superfície de: caixas, tampões, registros e
outros que indicam a existência de uma rede, possibilitando o seu cadastro,
indicando:
• Medidas externas e internas;
• Diâmetro da tubulação;
• Profundidade;
• Largura;
• Comprimento;
45

• Outros dependendo do tipo de elemento.

Para coletar essas informações faz-se necessário a abertura dos tampões dos
poços de visitas e, em muitos casos onde existem caixas de inspeções de grandes
extensões, é necessário descer em seu interior para cadastrar os diâmetros de
tubos, cabos, largura das paredes e as direções que os mesmos seguem, conforme
apresenta a figura 2.3.

Figura 2.3 - Ilustração de um poço de visita – Campinas SP

A coleta dessas informações permite a elaboração dos desenhos na escala


1:50 e 1:100, conforme indicado na NBR 12.587/1992, possibilitando o detalhamento
completo de cada elemento.

O uso das plantas cadastrais, obtidas através de levantamento topográfico ou


restituição aerofotogramétrica, na escala 1:1000 em conjunto com os instrumentos
de topografia para a obtenção das posições dos elementos pertencentes às redes
de utilidades, possibilitam melhorar a qualidade dos cadastros, permitindo melhorar
a qualidade da informação através de coordenadas e profundidade dos vários
elementos da rede de infra-estrutura urbana.
46

O autor do presente trabalho entende que o uso da amarração dos elementos


do sistema de esgotamento sanitário e abastecimento de água através da
triangulação, indicado nas NBRs 12.586/92 e 12.587/92, que não são
georreferenciado e sim referenciados e com as constantes alterações nos traçados
dos arruamentos e alinhamentos prediais, as posições desses elementos podem ser
perdidas com o tempo, levando os técnicos a cometerem erros na elaboração dos
projetos por falta da informação exata do posicionamento das redes e elementos do
sistema. A figura 2.4 apresenta um croqui de cadastro de cruzamentos de pontos
notáveis, utilizada pela empresa SANASA da cidade de Campinas.

Figura 2.4 - Detalhe de amarração através de triangulação


47

2.5. Redes e planejamento urbano

2.5.1. Considerações sobre o planejamento municipal

Com a finalidade de se estabelecer diretrizes para o desenvolvimento


municipal, faz-se necessário definir claramente os aspectos inerentes ao
gerenciamento da infra-estrutura e planejamento urbano.

Planejamento urbano:
É o processo de criação e desenvolvimento de programas que buscam
melhorar ou revitalizar certos aspectos (como qualidade de vida da
população) dentro de uma dada área urbana como cidade ou vilas; ou do
planejamento de uma nova área urbana em uma dada região, tendo como
objetivo propiciar aos habitantes a melhor qualidade de vida possível. O
planejamento urbano, segundo um ponto de vista contemporâneo, tanto
enquanto disciplina acadêmica quanto como método de atuação no
ambiente urbano, lida basicamente com os processos de produção,
estruturação e apropriação do espaço urbano. A interpretação destes
processos, assim como o grau de alteração de seu encadeamento, varia de
acordo com a posição a ser tomada no processo de planejamento e
principalmente com o poder de atuação do órgão planejador8.

BUARQUE (1999) afirma: Planejamento é uma ferramenta de trabalho


utilizada para tomar decisões e organizar as ações de forma lógica e
racional, de modo a garantir os melhores resultados e a realização dos
objetivos de uma sociedade, com os menores custos e no menor prazo
possíveis. Ou como diz Carlos Matus, planejamento é “o cálculo que
precede e preside a ação” (MATUS, 1989), em um processo permanente de
reflexão e análise para a escolha de alternativas que permitam alcançar
determinados resultados desejados no futuro.

De um modo geral, o planejamento governamental é o processo de


construção de um projeto coletivo capaz de implementar as transformações
necessárias na realidade que levam ao futuro desejado. Portanto, tem uma
forte conotação política. E no que se refere ao desenvolvimento local e
municipal, o planejamento é um instrumento para a construção de uma
proposta convergente dos atores e agentes que organizam as ações na
perspectiva do desenvolvimento sustentável,(BUARQUE, 1999)

O planejamento urbano é o instrumento dos governos municipais para a busca


de soluções para os problemas de uma sociedade em seu território em determinada

8
Origem:Wikipédia, a enciclopédia livre,a cesso
29/07/2006,<http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejamento_urbano>.
48

época, onde são tratados os problemas físico-territoriais, tais como o uso do solo
urbano - zoneamento, a circulação - sistema viário e os de serviços públicos.

“O planejamento urbano deve ser mais do que um modelo para uma cidade,
deve ser algo vivo, um local institucional onde sejam explicitadas as contradições e
as diferenças resultantes de vários agentes sociais” (ROLNIK,1990). Busca orientar
as ações do presente e futuro para a adequação do ambiente urbano, possibilitando
a ordenação do território e a melhoria da qualidade de vida.

Em um sentido amplo, Planejamento é um método de aplicação, contínuo e


permanente, destinado a resolver racionalmente os problemas que afetam a
sociedade situada em um determinado espaço, em determinada época,
através de uma previsão ordenada capaz de antecipar suas ulteriores
conseqüências9.

O crescimento rápido e desordenado das áreas urbanas, principalmente nas


metrópoles e cidades de médio porte, gera grande pressão sobre as
administrações municipais as quais nem sempre conseguem desenvolver a
infra-estrutura necessária frente à velocidade do crescimento urbano,
(MILITÃO; CARVALHO, apud FONSECA, 2004)

“A tendência de implantação de grandes empreendimentos de comércio e


serviços como shoppings centers, hipermercados e similares, contribui para
modificar a dinâmica da localização das atividades e vem reforçar o papel
polarizador dos grandes municípios no seu âmbito regional no atendimento
à demanda dos municípios vizinhos”, (COSTA, 2001).

Planejamento Municipal: É a aplicação para subespaços de pequena escala


dos métodos e técnicas consagrados na teoria e na prática do planejamento
governamental. Por outro lado, estes métodos e técnicas devem ser
adaptados e ajustados às concepções contemporâneas do planejamento e
desenvolvimento, incorporando os postulados do planejamento estratégico
e do desenvolvimento sustentável. Isto significa: visão de longo prazo,
abordagem sistêmica, tratamento multidisciplinar, negociação política e
participação social, (BUARQUE, 1999).

Os principais objetivos do planejamento municipal são:


• Qualidade de vida das pessoas;
• Análise do espaço territorial;
• Crescimento organizado da área urbana;
• Estabelecer diretrizes viárias e ambientais.

9
Definição da Carta dos Andes, elaborada em outubro de 1958, Colômbia, pelo “Seminário de
Técnicos e Funcionários em Planejamento Urbano”, promovido pelo CINVA – Centro Interamericano
de Vivenda e Planejamento Urbano:”Planejamento é o processo de ordenação e previsão para
conseguir, mediante a fixação de objetivos e por meio de uma ação racional, a utilização dos
recursos de uma sociedade em uma época determinada”.
49

O crescimento desordenado das cidades sempre foi a grande preocupação dos


técnicos em planejamento, trazendo muitos problemas para os governos municipais
e para a população em geral, evidenciando que crescer sem planejamento é
complicado e acaba saindo mais caro para o país e a sociedade como um todo.

Um dos problemas mais evidentes quando se trata de crescimento urbano no


Brasil são as redes de infra-estrutura urbana, que precisam acompanhar o mesmo
ritmo das cidades. A velocidade com que esses serviços necessitam ser
implantados, faz com que as obras estejam em primeiro plano e o planejamento
fique para o segundo.

Os planos diretores dos municípios não estabelecem diretrizes para o


crescimento dessa atividade no território; a necessidade de se estabelecer limites do
uso do subsolo para a implantação de redes de infra-estrutura subterrânea deve ser
lembrada na elaboração dos novos planos diretores.

A necessidade de disponibilizar a infra-estrutura para os novos bairros, distritos


industriais e parques tecnológicos sem o devido planejamento, tem contribuído para
dificultar o seu gerenciamento. Os municípios não dispõe de ferramentas
(programas, equipamentos e recursos humanos capacitados) e agilidade para
aprovar, acompanhar e fiscalizar a implantação das obras de redes subterrâneas, e
isso tem impedido a ordenação do espaço do subsolo de forma adequada, não
permitindo a constituição de um cadastro único.

A gestão do subsolo, que está começando a ser estudada e observada pelos


governos no planejamento urbano, deve prever as redes subterrâneas, permitindo
gerar banco de dados a fim de estabelecer critérios e a devida orientação para onde
a cidade deve crescer, também em função de análise da questão do uso do subsolo
e da saturação de redes subterrâneas em determinado espaço.

Esta nova realidade exige dos Municípios uma reflexão acerca de como
equacionar o problema de modo que:
50

Os serviços possam ser disponibilizados com a máxima segurança para os


munícipes;

A disponibilização dos serviços e a respectiva implantação da infra-estrutura


estejam compatibilizadas com o processo de planejamento municipal;

O poder local determine os espaços nos quais as redes possam ser


instaladas, considerando a peculiaridade de cada Município;

As redes instaladas em área de propriedade municipal devem observar o


regime jurídico dos bens públicos, (PRESTES, 2006).

A complexidade e a escassez do espaço subterrâneo das cidades sugerem


que as diretrizes urbanísticas sejam priorizadas, estabelecendo indicadores para o
crescimento urbano para um determinado local do território, fornecendo-se regras
para as instalações das redes de infra-estrutura urbana, de forma que os espaços
subterrâneos sejam também organizados neste estudo, evitando implantação de
redes em locais impróprios.

Organizar eficientemente o espaço subterrâneo utilizado pelas redes de infra-


estrutura de forma integrada será um grande desafio para os técnicos de
planejamento e para os governos. Essas atividades sempre ocorreram de forma
fragmentada ou mesmo isolada. A integração das cidades em regiões
metropolitanas vem de encontro às necessidades atuais, ou seja, cadastro único.
51

2.5.2. Uso e ocupação do solo

O uso e a ocupação do solo apresenta vetores ligados a fatores estruturais,


sendo que o sistema viário é um dos mais importantes. Com a crescente
urbanização no Brasil, o uso do solo assume grande importância no processo de
ocupação urbana.

As cidades são divididas em zonas (áreas) comerciais, industriais, residenciais,


ambientais e outras, a fim de facilitar o planejamento e implantação de projetos e
serviços. A implantação de novos empreendimentos comerciais de grande porte,
como é o caso dos shoppings centers e a nova tendência de loteamentos fechados,
a divisão em setores ou unidades territoriais básicas tem contribuído para auxiliar os
estudos de novos empreendimentos, adequando as regiões com a demanda pela
infra-estrutura.

A concentração das atividades planejadas em uma região permite estabelecer


procedimentos e métodos para a instalação de redes de utilidades subterrâneas
(método destrutivo, não destrutivo e galeria técnica). A ocupação desordenada do
território prejudica o ordenamento e a implantação das redes de infra-estrutura
urbana de forma organizada.

Nos novos condomínios e loteamentos fechados que estão sendo aprovados


na cidade de Campinas, em alguns casos, já estão sendo considerados os tipos de
redes que serão instaladas nesses locais para os consumidores finais, ou seja, a
população. A tendência do uso do subsolo para a instalação de redes de infra-
estrutura urbana já é realidade. As redes de utilidades (gás natural, telefonia, tv a
cabo, outras) já estão sendo incorporadas nos projetos apresentados a algumas
Prefeituras e Autarquias.

Os procedimentos e normas para a apresentação de projetos e posterior


implantação das redes nos condomínios, loteamentos fechados e parques
tecnológicos, são iniciativas tímidas e isoladas. A falta de procedimentos exclusivos
para esses trabalhos não está disciplinado nas Prefeituras e também prejudica os
52

trabalhos de todos. Quando os mesmos existem, deixam de apresentar detalhes


importantes como o georreferenciamento. Na busca pelo uso do subsolo prevalece à
proposta apresentada pelo engenheiro Renan Moraes Sampaio da SANASA –
Campinas na IX Exposição de Experiências Municipais de Saneamento, 35ª
Assembléia Nacional da Associação Nacional dos Serviços Municipais de
Saneamento (ASSEMAE), conforme tabela 2.3 e figura 2.5.

PROFUNDIDADE (m) POSIÇÃO(m) TESTADA


DO IMÓVEL
ÁGUA 1,00 1,70 da testada do imóvel

ESGOTO 1,50 Lado oposto * **

TV E TELEFONE 0,60 **

ELÉTRICA 0,60 **

ENERGIA 0,60 **

GÁS 0,60 0,80 da testada do imóvel

Tabela 2.3 - Sugestão de afastamento e profundidade de redes subterrâneas

* “ESGOTO DEVERÁ TER SAÍDA A JUSANTE DO LOTE”


** “ REDES ENTRE 2,00 E 3,00 m OU ATÉ FINAL DO PASSEIO”

TELEFONE

ENERGIA

TV A CABO

TV A CABO ILUMINAÇÃO PÚBLICA


GÁS
ESGOTO
ÁGUA ÁGUA

Figura 2.5 - Sugestão para implantação de redes subterrâneas – Ilustração


Fonte: SANASA – Campinas
53

A cidade de São Paulo, através do projeto de Lei 248/01 de 09/05/2001, dispõe


sobre a obrigatoriedade de tornar subterrâneo todo o cabeamento já instalado. A lei
de uso e ocupação do solo é importante para indicar e orientar o crescimento das
cidades. Por outro lado, a legislação ambiental não restringe as redes de infra-
estrutura nas áreas de proteção ambiental. Desta forma, cabe ao município
estabelecer regras e disciplinar o uso de forma que não permita a degradação do
meio ambiente com o adensamento de redes de infra-estrutura em locais de
preservação, além de indicar os métodos de execução menos degradantes quando
a mesma for autorizada pelo órgão oficial.

A procura por regiões próximas às áreas de proteção ambiental para


instalações de loteamentos e condomínios tem gerado grandes problemas no
controle e uso do solo. Os empreendedores insistem na implantação de obras
próximas a esses locais, por isso os municípios precisam desenvolver estudos
concretos a fim de impedir esse tipo de uso e a degradação ambiental.

2.5.3. O Município dividido em setores

A disponibilização dos projetos e informações das redes de infra-estrutura


existente em um município, e a identificação do tipo de serviço público permitem
espacializar a distribuição das redes em cada setor ou unidade, possibilitando a
construção de um cartograma10 com toda a distribuição, saturação e espaços vazios
ainda existentes, conforme ilustrado no Anexo C.

Uma cuidadosa vistoria em toda área urbana (setores) que possibilite identificar
as aglomerações/homogeneidades das redes de utilidades existentes em plantas
cadastrais e conhecidas do subsolo, facilitará a construção de plantas e cartogramas
do espaço subterrâneo, permitindo análises espaciais de seus elementos.

10
Cartograma: mapa temático em qualquer escala, em que as intensidades de um fenômeno
quantitativo nas diversas áreas são representadas mediante a intensidade do traço ou da cor
(Oliveira, C., 1993).
54

Esta análise tornará possível a visualização dos locais com grande número de
redes no subsolo e a indicação de novas diretrizes para o planejamento municipal,
estabelecendo critérios para a implantação de novos empreendimentos e parques
tecnológicos.

A visualização das redes contidas no subsolo através de um cartograma do


espaço subterrâneo possibilitará a orientação dos técnicos nas atividades de
planejamento, e a escolha de métodos de implantação das redes através de: Túnel,
galeria compartilhada, perfuração não destrutiva/destrutiva, outros.

A interação entre as Prefeituras e concessionárias que disponibilizam serviços


à população é de fundamental importância para o futuro da cidade. O trabalho
organizado e em conjunto irá evitar o desperdício de dinheiro público, dará maior
segurança para a população, bem como o ínicio da construção do cadastro único.

A cidade dividida em setores facilita análises pontuais para a implantação de


novos pólos geradores, loteamentos e condomínios, indicando a maneira e método
de estabelecer as redes de infra-estrutura nesses locais. Hoje, a aprovação do
empreendimento geralmente é relacionada aos serviços essenciais, como: água,
energia elétrica e esgoto, porém existem muitos outros serviços que não são
analisados no momento da aprovação do empreendimento e serão disponibilizados
logo a seguir para o mercado consumidor, gerando desorganização do subsolo e
dificuldades de atendimento, como os serviços: gás natural, tv a cabo, telefonia.

A facilidade de se contar com esses serviços deixou de ser privilégio dos


grupos mais abastados. Eles já são levados para vários bairros e a um grupo da
população diferenciado e bem maior do que acontecia no passado. Com o
cartograma dos locais onde o subsolo está saturado ou disponível, os municípios
poderão estabelecer critérios e regras para a instalação de novas redes e suas
extensões, de forma planejada e segura.

A obrigatoriedade pelas concessionárias do cadastro das redes já existentes no


traçado onde vai ser implantada uma nova rede de infra-estrutura, possibilitará a
construção de plantas cadastrais fornecendo subsídios para as próximas obras. O
55

estabelecimento de procedimentos georreferenciados e normas para a realização


dos cadastros são necessários. O Município, Estado e Federação devem
estabelecer, através de leis, as regras para que o mesmo obtenha sucesso com a
concretização do cadastro único de redes de infra-estrutura subterrânea, sendo o
mesmo disponibilizado para um órgão responsável pelo seu gerenciamento.

A identificação das áreas de proteção ambiental nos cartogramas, inclusive das


nascentes, permitirá estabelecer diretrizes de risco ambiental. O meio ambiente
sempre deve ser preservado, pois a interferência humana é prejudicial nos locais
protegidos, inclusive no subsolo quando essas redes não são planejadas, podendo
causar destruição de indivíduos arbóreos, contaminação de nascentes e lençóis
freáticos no caso de rompimento de tubulações ou acidentes.

2.5.4. A cobrança do espaço subterrâneo

A constituição de um cadastro único de redes de infra-estrutura, seja aérea ou


subterrânea, contribui como ferramenta para o planejamento municipal. O
conhecimento das diversas redes das concessionárias existentes no município
permite a aquisição de informações e detalhes cadastrais georreferenciados,
possibilitando conhecer as extensões e áreas das mesmas que são utilizadas no
espaço público municipal.

A cobrança pelo uso do subsolo nas grandes cidades brasileiras, tais como: São
Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Praia Grande, Campinas e outras são iniciativas
recentes, em que o poder público procura, de forma concreta, criar mecanismos
para a gestão do subsolo em seu território.

Todos os Municípios escolheram pela contribuição pecuniária mensal, com


exceção de Praia Grande que não cobra diretamente pela passagem dos
equipamentos de infra-estrutura de fibra ótica. Somente em São Paulo a
retribuição financeira será recolhida trimestralmente, sendo que,
conjuntamente com Campinas, preliminarmente solicita do requerente uma
contribuição à título de caução para apresentação de projeto executado
posteriormente à execução das obras para garantir a efetiva entrega e
56

alimentar os dados cadastrais para planejamento urbano, (STRUCHEL,


2005).

A instalação de parques tecnológicos no Estado de São Paulo, principalmente


nas cidades de São Paulo, Campinas e São José dos Campos, impõe a
necessidade imediata da expansão das redes de infra-estrutura urbana e,
necessariamente, o uso dos espaços públicos.

Segundo (STRUCHEL, 2005), na capital paulista, o uso do subsolo foi


inicialmente disciplinado pelo Decreto Municipal nº 38.139, de 01/07/99 e
posteriormente modificado pelo Decreto nº 40.532 de 08/05/01, com
aperfeiçoamento da matéria legislativa através da Lei nº 13.614/03 (Anexo
D). Novo decreto nº 44.755/04 (Anexo E).

A cobrança pelo uso do subsolo tem diferenciação dependendo da localização


do empreendimento. Na cidade de São Paulo, a empresa Telefônica e Eletropaulo
contestaram essas cobranças através de ações judiciais. Na cidade de Porto Alegre,
RS, o decreto nº 12.789/00 e a Lei nº 8.267/99 disciplinaram o uso do subsolo com a
previsão de cobrança do espaço público utilizado, como acontece na cidade de São
Paulo e Campinas.

Porto Alegre utiliza procedimento de licenciamento como instrumento de gestão


ambiental e de incentivo ao desenvolvimento sustentável, estabelecendo
zoneamento das redes aéreas e subterrâneas, possibilitando a ordenação do
espaço aéreo, solo e subsolo, sempre relacionado à política ambiental do local onde
será implantada a obra.

Já a cidade de Fortaleza utiliza os mesmos procedimentos de Porto Alegre,


somente para uso em serviços de telecomunicações. A cidade de Praia Grande
estabeleceu a implantação de um anel de fibra ótica, monitoramento por câmeras de
vídeos em ruas e próprios públicos, que foi denominado Projeto “Cidade Integrada”.

As necessidades de obras para a instalação de novas redes acabaram


intensificando a procura por autorizações junto as Prefeituras para a passagem em
solo municipal. Com a grande demanda, os municípios tiveram que agir
57

rapidamente, estabelecendo leis, regras e procedimento diferenciado, para tentar


organizar os espaços públicos para o uso das redes de infra-estrutura subterrânea.

Deste modo, os municípios foram obrigados a definir leis para o uso do subsolo
na passagem das diversas redes, e que as mesmas teriam os valores cobrados pelo
seu uso, como sendo uma exigência legal em pecúnio ou em contrapartida.

Na cidade de Campinas, os valores mensais que deveriam ser transferidos em


forma pecuniária seriam determinados em função da área física ocupada e o valor
do metro quadrado do terreno local, conforme estabelecido no mapa de valores
imobiliário do Município.

A divisão das cidades em setores ou unidades territoriais permite o


enquadramento e as características do local onde as redes serão instaladas. A
divisão possibilita análise precisa e detalhada da legislação urbanística. No anexo F,
indica-se a Lei nº 10.639/00 com a fórmula utilizada para o cálculo do valor mensal
do uso do espaço público por uma rede de utilidade na cidade de Campinas, SP.
58

Fórmula da Lei Municipal nº 10.639/00

Vm = (a x b x T) x L x D x R
Sendo:
Vm = Valor mensal
a = extensão da rede, em metros
b = largura da faixa >= (maior ou igual) 0,50 m
T = valor do terreno, conforme Mapa de Valores da Secretaria Municipal de Finanças do
Município de Campinas
L = índice locação = 1 a 3% (*)
D = índice de depreciação (área uso comum)= 50% (área equivalente de construção)
R = Coeficiente Redutor (**)
(*)
L .........………………………………………........... AP/UTB
3,0% ....……………………………………….......... 21 AP
2,5% .......................................................................... 13, 16, 17, 18, 19, 24 AP
33 E 36 UTB`S
2,0% .......................................................................... 10, 14, 25, 30, e 31 AP
37 E 38 UTB`S
1,5% .......................................................................... para as demais regiões
UTB = Unidade Territorial Básica
AP = Área de Planejamento
(**)
Coeficiente Redutor - R
0 - 5 Km ................. 1,00
5 - 15 Km ............... 0,90
15 - 30 Km ............. 0,80
30 - 50 Km ............. 0,70
50 - 100 Km ........... 0,60

Conforme Lei Complementar nº 004 de 17 de janeiro de 1996 (Plano Diretor do


Município de Campinas) e Divisão Físico - Territorial de Planejamento do Município
de Campinas.
59

A tabela 2.4 ilustra o cálculo obtido em dois locais distintos, para a passagem
de tubulação de fibra ótica em solo público, na cidade de Campinas. A tabela 2.5 a
estimativa da receita da cidade de Campinas.

Local Rua Padula – Jardim Aurélia Av. Francisco Glicério - Centro


Extensão (m) 3.500 3.500
T 45,00 1000,00
b 0,50 0,50
L 3% 1,5%
D 0,50 0,50
R 1,00 1,00
TOTAL (R$) 1.181,25 13125,00
Tabela 2.4 - Comparação de valores para uso do subsolo

Fonte:(STRUCHEL, 2005)

Estimativa de receita da cidade de Campinas com a cobrança do uso do solo


público:11

Contribuição das maiores empresas (Telefônica, CPFL e Net) 3,5 milhões/mês


Contribuição das empresas menores 450.000,00/mês
Atualmente arrecadado 150.000,00/mês
Tabela 2.5 - Estimativa de receita com a cobrança do uso do subsolo.

11
Dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Obras e Projetos Públicos em junho/2002,
Fonte: (STRUCHEL, 2005),Gestão do uso do subsolo público no município de Campinas
SP.
60

2.5.5. Considerações sobre a legislação

Conforme comentado, as cidades já estão elaborando suas próprias leis para a


cobrança do uso do solo público na passagem de rede de infra-estrutura urbana,
cuja iniciativa está dentro da normalidade jurídica. As conclusões são detalhadas e
fundamentadas por (PRESTES, 2006).

Segundo (PRESTES, 2006), a função municipal de planejamento,


decorrente do art. 182 da Constituição Federal, implica conhecer, manter
registro, induzir a expansão enfim, planejar a existência dos serviços postos
à disposição do mercado consumidor nas cidades.

Todos os serviços postos à disposição do mercado consumidor nas cidades


e que se utilizam do subsolo urbano e dos equipamentos do mobiliário
urbano (postes, estação de rádio base de celular, antenas, etc) devem ser
licenciados pelo Município.

O licenciamento municipal tem por fundamento registrar os serviços postos


à disposição do mercado consumidor local, disciplinar o subsolo de modo
que haja compatibilização entre as redes existentes, segurança para os
munícipes, certeza tanto das redes existentes quanto da localização das
mesmas no subsolo; disciplinar o local por onde passam as redes,
resguardando os interesses da municipalidade (vegetação, calçadas ou vias
com pavimentos históricos, etc), bem como ordenar o momento da abertura
de buracos e seja respeitado o fluxo do trânsito.

A competência municipal para tanto, encontra fundamento no art. 30, I e


VIII, combinado com o art. 182, da Constituição Federal, não interferindo na
competência federal de concessão dos serviços públicos, na medida em
que os municípios devem tratar igualmente todas as empresas que
estiverem aptas a atuar nas cidades. Assim, a mesma fonte de validade que
impede os municípios de interferirem na política de concessão federal, não
permite que a União disponha sobre o uso e ocupação do solo urbano e
sobre os bens municipais e estaduais, dizendo que os mesmos devem ser
utilizados pelas concessionárias dos serviços de telecomunicações.

O art. 74 da Lei Federal Nº 9.472/97 impõe que as prestadoras de serviços


atendam às regras municipais, estaduais ou do Distrito Federal, relativas à
construção civil e à instalação de cabos e equipamentos em logradouros
públicos, já afirmando a competência dos outros entes para tanto.

A Lei das telecomunicações criou as modalidades serviço de interesse


coletivo e restrito, sendo que o regime jurídico para prestação do serviço
pode ser público ou privado; para os serviços prestados em regime privado
não há obrigação de universalização e continuidade, característica
intrínseca ao serviço público.

As vias públicas e o equipamento do mobiliário urbano podem ser utilizados


para extensão das redes de infra-estrutura, observado o regime jurídico dos
bens públicos, sendo esta também passível de cobrança.
61

Todas as empresas e concessionárias tomaram medidas jurídicas para evitar a


cobrança do espaço público utilizado com suas redes de infra-estrutura urbana. Elas
se organizaram de forma a impedir a cobrança pelas Prefeituras, porém o município
tem a obrigação de cuidar dos espaços públicos e cabe a ele decidir sobre a
cobrança ou não por esse uso, além de estabelecer normas para a construção
dessas redes. O interesse entre as Prefeituras e concessionárias em solucionar os
problemas está cada vez maior. O órgão público não dispõe de plantas cadastrais
georreferenciadas e informações detalhadas das redes existentes em seu território,
as informações são obtidas nos processos administrativos relativos a implantação de
obras pontuais pelas empresas interessadas na execução de uma nova rede ou
mesmo a extensão da existente.

A falta de conhecimento posicional e da extensão das redes de infra-estrutura


tem dificultado a cobrança correta pelo uso do solo público. A lei existe, porém não
tem-se como colocá-la em prática de forma adequada, porque só as próprias
concessionárias conhecem os locais onde as mesmas estão localizadas. A falta de
procedimento padronizado para apresentação das plantas do levantamento como
construído não permite a constituição de um cadastro único que possibilite
integração dos dados sobre as redes de infra-estrutura urbana nas cidades
brasileiras. As tabelas 2.6, 2.7 e 2.8 ilustram um estudo comparativo entre alguns
municípios brasileiros, desde a legislação existente até as penalidades aplicadas
pelos órgãos públicos.
62
Parâmetros/Municípios São Paulo – SP Campinas - SP Florianópolis - SC

Legislação Lei 13.614/03 Lei nº 10.639, de 05/10/00 Decreto nº 746, de 18/12/00

Figura jurídica Permissão de uso Permissão ou autorização de Permissão de uso


uso
Os projetos serão aprovados Os projetos dependerão de Os projetos dependerão de
Procedimento pela Secretaria de Infra- aprovação da Secretaria de aprovação da Secretaria de
Administrativo Estrutura Urbana Obras e Projetos Urbanismo e Serviços Públicos
Não há previsão. Não há previsão Não há previsão. Apenas
Procedimento Licitatório alude que o caso de
permissão de uso retrata e
inexigibilidade de licitação para
estes casos.
Preço Público Contribuição pecuniária. Contribuição pecuniária Contribuição pecuniária
(trimestral)
Distanciamento entre caixas Há previsão de galeria técnica. Não há previsão Não há previsão
Há previsão. Não há previsão Há previsão, mediante
Compartilhamento composição entre os terceiros
ou arbitragem da Secretaria
licenciadora.
Há previsão Disponibilização de um par de Não há previsão, mas há
fibras ótica na extensão de seu permissão de que qualquer
Reserva de fibra projeto e um ponto do ente da administração
ótica/contrapartida respectivo cabo e interligações municipal faça uso do
pertinentes por cada 5 kms de equipamento de infra-estrutura
rede executada, inclusive com urbana.
responsabilidade pela
manutenção.
1 - multa pecuniária; Multa diária Multa diária
Penalidades 2 - apreensão dos materiais e
equipamentos de infra-
estrutura urbana que estejam
sendo utilizados para a
execução de obras e serviços
em desacordo com esta lei;
3 - inutilização ou remoção dos
equipamentos de infra-
estrutura urbana que estejam
sendo implantados sem prévio
alvará de instalação, sem
prejuízo da cobrança de
indenização pelo custo da
remoção;
4 - suspensão da expedição
de alvará de instalação.

Tabela 2.6 - Estudo comparativo de legislação e penalidades.

Fonte: (STRUCHEL, 2005).


63

Parâmetros/Municípios São José dos Campos - SP Santo André - SP Porto Alegre – RS

Legislação Lei nº 5.787, de 21/12/00 Lei nº 5.501/78, 7091/95 e Decreto nº 12.789, de 05/07/00
Decreto nº 13.433/94 e Lei nº 8.267/99

Figura jurídica Permissão de uso Permissão de uso Licenciamento


ambiental/Concessão de Uso
do espaço público
Os projetos serão aprovados Os projetos serão aprovados Os projetos dependerão de
Procedimento pelas Secret. de Transp. e pela Prefeitura Municipal aprovação da Secretaria de
Administrativo Secret. de Obras e Habitação Meio Ambiente
Não há previsão Não há previsão Não há previsão.
Procedimento Licitatório

Contribuição pecuniária Contribuição pecuniária. Contribuição pecuniária


Preço Público

Distanciamento entre caixas Não há previsão Não há previsão Não há previsão

Compartilhamento Não há previsão Não há previsão Há previsão.

Reserva de fibra Não há previsão Não há previsão Não há previsão.


ótica/contrapartida

1 – Notificação Multa diária Não há previsão.


Penalidades 2 – Multa diária
3 – suspensão da aprovação
de novos projetos
4 - Embargo

Tabela 2.7 - Estudo comparativo de legislação e penalidades

Fonte: (STRUCHEL, 2005).


64

Parâmetros/Municípios Rio de Janeiro - RJ Osasco- SP Fortaleza - CE Praia Grande- SP

Legislação Lei n.º - 2776, de Decreto nº 8.944, de Lei n.º 8.744, de 10/07/03 Lei n.º 1179, de
19/04/99 e Decreto nº 08/02/01 16/12/02
18.627 de 23/05/00
Figura jurídica Permissão de uso Permissão de uso Concessão de uso Permissão de uso

Os projetos Os projetos Os projetos dependerão de O processo de


Procedimento dependerão de dependerão de aprovação da Secretaria de instalação é
Administrativo aprovação da aprovação do Poder Meio Ambiente e Controle regulamentado por
Secretaria Obras e Executivo Municipal Urbano - SEMAN Decreto Municipal
Serviços Públicos
Procedimento Não há previsão Não há previsão Não há previsão Não há previsão
Licitatório
Preço Público Retribuição pecuniária Contribuição pecuniária Prestação pecuniária Não há previsão

Distanciamento entre Não há previsão Não há previsão Não há previsão Não há previsão
caixas

Compartilhamento Não há previsão Não há previsão Há previsão como objetivo Há previsão como
objetivo

Reserva de fibra Não há previsão Não há previsão Não há previsão Doação de


ótica/contrapartida equipamentos (inclui
fibra ótica)
Não há previsão 1 – Advertência 1 –multa de 1% A multa será

Penalidades 2 – Multa diária correspondente a rede regulamentada por


3 – suspensão da implantada; Decreto Municipal,
aprovação de novos 2 – retirada pelo Poder mas não poderá ser
projetos Público superior a R$
3.000,00.

Tabela 2.8 - Estudo comparativo de legislação e penalidades

Fonte: (STRUCHEL, 2005).


65

3. MÉTODOS UTILIZADOS EM IMPLANTAÇÃO DE REDES


SUBTERRÂNEAS

3.1. Equipamentos

3.1.1. Estações totais integradas com GPS

O desenvolvimento tecnológico dos instrumentos topográficos aliados ao


desenvolvimento da informática contribuiu para a evolução da topografia. A
metodologia de medir distâncias entre pontos, ângulos entre direções e locar pontos,
além da determinação de coordenadas, possibilitou um aumento significativo da
exatidão dos trabalhos, principalmente na área de cadastro. Atualmente, já temos
disponíveis equipamentos que possuem estação total com GPS totalmente
integrados, (figura 3.1) que permitem aos profissionais de diversas áreas obter
precisão em seus trabalhos e maior agilidade na coleta de dados de campo, além do
dispositivo de varredura a laser que cria modelos 3D, (figura 3.2).

Figura 3.1 - Estação total com GPS integrado - SmartStation - Leica


Precisão centimétrica (10mm+1ppm) a uma distância de até 50 km da estação de referência

Fonte : Leica Geosystems


66

Figura 3.2 - Laser Scanner HDS 300 3 D – Leica


Fonte : Leica Geosystems

3.1.2. Perfuratriz unidirecional

As perfuratrizes unidirecionais são utilizadas para instalação não destrutiva de


tubos de pequenos e grandes diâmetros em PEAD, PVC, aço e tubos-camisa.
Normalmente são pneumáticas.

A perfuratriz unidirecional grundomat é utilizada para a instalação não


destrutiva de tubos de PEAD, PVC de diâmetros variando entre 20 a 160 mm em
lances de aproximadamente 20 a 30 metros.

Executa a perfuração do solo de forma autopropelida, compactando o solo e


criando um micro túnel por onde se instala a tubulação, que é arrastada
imediatamente atrás da perfuratriz; é um equipamento apropriado para execução de
tubulações em ramais domiciliares de água, gás, telecomunicações, outros. As
figuras 3.3 e 3.4 ilustram o uso do equipamento.
67

Figura 3.3 - Esquema de uso da perfuratriz unidirecional


Créditos: Sondeq Ltda

Para a execução do furo, o equipamento é colocado em uma pequena vala de


partida, onde podem ser corrigidas eventuais declividades do terreno. Na
extremidade oposta também é executada uma pequena vala para a retirada do
equipamento após a colocação dos tubos. Caso não seja possível a execução de
uma vala de partida, o equipamento dispõe de um mecanismo que possibilita a
execução da perfuração e posterior reversão, fazendo com que retorne ao ponto de
partida.

Figura 3.4 - Perfuratriz unidirecional grundomat - ponto de partida

Créditos: Sondeq Ltda


68

A velocidade de perfuração é da ordem de 10 m/h. Pode-se trabalhar em todo


o tipo de solo que permita ser compactado, inclusive solos com cascalho, exceto
rocha sã e solos de argila orgânica. Sua eficiência de perfuração deve-se ao seu
exclusivo sistema de cabeça móvel, de movimento independente em relação ao
corpo, capaz de mantê-lo “rumo ao alvo” mesmo quando encontra obstáculos a
serem rompidos, com possibilidade de se monitorar a posição, profundidade e a
inclinação.

Existem perfuratrizes unidirecionais para a cravação de tubos de aço com


diâmetro de 100 mm até 3500 mm a uma distância de 100 metros. Permitem cravar
tubos-camisa para tubulações de esgoto, feixes de dutos de telecomunicações,
tubulações de gás, galerias de águas pluviais, outros.

Figura 3.5 - Esquema de execução – perfuratriz unidirecional

Créditos: Sondeq Ltda

Funcionam através de ar comprimido, cravando tubos de aço soldados entre si.


A partir de uma vala de partida, cravam-se os tubos com a frente aberta, não
havendo inconveniente que o solo penetre no mesmo, pois pode ser retirado ao final
com ar comprimido ou com água. A figura 3.5 apresenta o equipamento instalado
sob um poço vertical para execução de perfuração.

Esse método é aplicado em qualquer tipo de solo, inclusive com rochas de


tamanho de até 70% do diâmetro do tubo que está sendo instalado, não provocando
nenhum recalque na superfície. A figura 3.6 ilustra a perfuratriz unidirecional
posicionada para cravação dos tubos.
69

Figura 3.6 - Perfuratriz unidirecional grundoram – grandes diâmetros


Créditos: Sondeq Ltda

3.1.3. Perfuração direcional horizontal

A perfuratriz horizontal direcional e os rastreadores12 eletrônicos são utilizados


em serviços em tubulações de polietileno e aço nas diversas redes de utilidades
como: telecomunicações, eletricidade, gasoduto e outros. Possibilitam a travessia
subterrânea de rodovias, ferrovias, aeroportos, avenidas, além de rios e lagos.

A perfuratriz horizontal direcional é um equipamento montado sobre esteiras, o


que permite seu posicionamento para a perfuração do solo a partir da superfície.
Existem também equipamentos de dimensões mais compactas e sem esteira para
instalação direta em vala de serviços.

As figuras 3.7, 3.8 e 3.9 ilustram as perfuratrizes Dicht Wicht JT 2720 em obra
de rede de gás natural na cidade de Jundiaí, a perfuratriz Vermeer e Case 6030 em
obras na cidade de Campinas.

12
Rastreador: equipamento que recebe o sinal emitido pela sonda (transmissor de freqüência
modulada) que se encontra instalado em um alojamento junto à pá de perfuração no subsolo,
indica a posição da sonda, rotação, inclinação, temperatura, outros.
70

Figura 3.7 - Perfuratriz direcional Dicht Wicht JT 2720

Figura 3.8 - Perfuratriz direcional – Marca Vermeer


71

Figura 3.9 - Perfuratriz direcional – Marca Case, modelo 6030

Alguns equipamentos possuem um martelo percussivo hidráulico que permite a


perfuração em solos com a presença de até 30% de rocha, locais que sistemas
convencionais não perfuram.

Esses equipamentos têm capacidade para executar a perfuração de furos com


diâmetros desde de 200 mm até 700 mm como é o caso da perfuratriz JT 7020
Mach 1 Ditch Witch, com capacidade de tração de até 32.000 kg para a inserção da
tubulação no furo piloto. A figura 3.10 ilustra a perfuratriz em posição de escavação
para execução do furo piloto.
72

Figura 3.10 - Perfuratriz direcional - JT 7020 Mach 1 Ditch Witch


Créditos: Sondeq Ltda

A figura 3.11 ilustra a pá de perfuração e o compartimento onde se encontra


instalada a sonda. A figura 3.12 apresenta um rastreador modelo RD 385L, e a
figura 3.13 o rastreador 750 tracker utilizado nas obras de expansão de gás natural
na cidade de Jundiaí.
Compartimento da sonda

Figura 3.11 - Pá de perfuração e compartimento de instalação da sonda


73

Figura 3.12 - Rastreador – modelo RD385L


Créditos: Sondeq Ltda

Figura 3.13 - Rastreador 750 Tracker – SubSite Electronics


74

3.1.4. Sondas utilizadas nas perfuratrizes horizontais direcionais

A utilização de uma sonda é determinada após a elaboração do plano de furo,


que é definido em função das várias interferências existentes e também da
composição do solo no local. Após o conhecimento da profundidade da tubulação a
ser implantada, é definido o tipo de sonda a ser utilizada naquela obra.

Existem vários tipos de sondas que são utilizadas para diferentes


profundidades. Por exemplo, existe a sonda amarela (Figura 3.14) que envia sinais
confiáveis até uma profundidade de 10,00 metros. Essas sondas são identificadas
pelas cores.

Figura 3.14 - Sonda amarela utilizada nas obras de gás natural - Campinas
75

A figura 3.15 ilustra os vários tipos de sonda, cores, profundidade aproximada


do sinal, a vida útil da bateria e sua dimensão.

Cor Tipo Alcance aproximado(m) Duração bateria(horas) Diâmetro/Extensão(mm)

Preta SDS 4 10 25,4 x 203

Preta MDS 10 20 32 x 308

Vermelha LDS 15 12 32 x 308

Amarela MDF 10 20 32 x 308

Roxa LDF 15 12 32 x 308

Verde G2M 10 20 32 x 308

Laranja G2L 15 12 32 x 308

Figura 3.15 - Tipos de sondas e suas cores


Créditos: Sondeq Ltda
76

3.1.5. Perfuratriz direcional pneumática dirigível

As perfuratrizes direcionais pneumáticas dirigíveis são utilizadas para


instalação de tubos de PEAD de até 63 mm de diâmetro, em distâncias não
superiores a 70 metros. É um equipamento de pequeno porte que necessita
somente de um compressor, não utilizando fluidos e hastes para a perfuração.
Utiliza uma mini sonda para rastreamento em tempo real da perfuração, similar aos
sistemas convencionais de perfuratrizes direcionais, utiliza também um navegador
que acompanha a posição da sonda na superfície. Seu sistema de direcionamento
permite alterar, caso necessário, a trajetória da perfuração tanto na direção quanto
na profundidade. A figura 3.16 ilustra a utilização do equipamento, através de um
poço vertical. A figura 3.17 indica o compartimento da sonda da perfuratriz direcional
pneumática.

Figura 3.16 – Esquema de uso da perfuratriz pneumática dirigível – grundosteer


77

Figura 3.17 - Compartimento da sonda - perfuratriz direcional pneumática

Créditos: Sondeq Ltda

3.1.6. Cravação de tubo (Pipe jacking)

A mais moderna tecnologia não destrutiva é a de mini-túneis em tubos


cravados. O pipe jacking está sendo largamente usado em países mais
desenvolvidos desde a década de 70. No Brasil, o pipe jacking começou a ser
utilizado na década de 90, sendo seu uso restrito apenas ao eixo São Paulo Rio de
Janeiro.

Para a execução de túneis através deste método são necessários o uso de um


escavador (shield13, termo usado em inglês) e um cravador (potentes macacos
hidráulicos). A figura 3.18 apresenta o escavador. A figura 3.19 traz o conjunto em
um poço partida.

13
Shield: Equipamento que executa a escavação do túnel pelo sistema de cravação de tubos(Pipe
Jacking).
78

Figura 3.18 - Escavador (Shield) no poço de partida para escavação do solo


Créditos( Drösemeyer, 2004)

O método pipe jacking consiste na instalação dos tubos empregando potentes


macacos hidráulicos que cravam os tubos um após o outro, enquanto se executa a
escavação da frente do túnel. No item 3.2.3 será detalhada a metodologia
construtiva.

Figura 3.19 - Equipamento cravador de tubos, em um poço de partida


Créditos - Revista Engenharia
79

3.2. Metodologias para implantação de redes subterrâneas

3.2.1. Considerações

Com o desenvolvimento de novas tecnologias como o sistema de


posicionamento global (GPS), um grande avanço foi alcançado na área de
topografia, geodésia entre outras. A determinação posicional de acidentes naturais e
artificiais são realizadas com rapidez e precisão/exatidão.

A precisão posicional requerida das redes de utilidades normalmente é de 10%


do diâmetro da tubulação em planimetria e de 20% em altimetria, informação
fornecida por Cardoso14. Quando existe a necessidade de executar novas obras
enterradas, primeiramente deve-se ir à busca dos cadastros existente nas
concessionárias e Prefeituras.

Nessa etapa, as dificuldades são muitas, pois nem todas as concessionárias


têm mapeamento de suas redes, e quando existem, nem sempre apresentam a
acurácia necessária do posicionamento e profundidades dos cabos e dutos
enterrados.

As informações disponíveis sobre as redes na região em estudo, permitirá


fornecer subsídios para o estudo nos projetos de perfuração. Quando não existem
informações, plantas e cartas topográficas, torna-se necessário a execução de
sondagem no traçado da obra.

A constituição do cadastro único ainda é uma busca não consolidada pelas


Prefeituras e concessionárias, o poder público não tem se apercebido dos
problemas futuros que irão aparecer em seu território, tais como: interrupção de
trânsito, problemas com manutenção, corte de serviços, incerteza no planejamento
urbano entre outros.

14
Cardoso, M.D. (Técnico da Companhia de Gás de São Paulo). Informação verbal, 2005.
80

A responsabilidade do poder público é clara, ele deve conhecer todos os


serviços disponíveis em seu território, possibilitando tomar iniciativa em situação de
emergência, permitindo a cobrança de taxas do uso do solo que, hoje, em muitos
casos não é possível por falta da informação do cadastro da rede, enfim, obtendo
retorno para a sociedade e benefícios para a cidade.

3.2.2. Procedimentos utilizados para o georreferenciamento das redes


subterrâneas

Na execução de obras enterradas, atualmente, dispõe-se de métodos


construtivos e equipamentos que diminuem a intervenção na superfície como a
abertura de valas que causam transtornos à população, com interrupções de tráfego
e serviços; esses métodos são chamados de não destrutivos, consistem no uso de
equipamentos chamados de perfuratrizes unidirecionais, direcionais e cravador de
tubos(Pipe Jacking) e também o tunnel liner. Já no método destrutivo é utilizado a
retro-escavadeira para a abertura das valas, rompendo o pavimento/solo para
instalação das redes de infra-estrutura.

Quando as concessionárias e o governo municipal percebem que determinada


região está com falta de infra-estrutura urbana, são realizados estudos de viabilidade
para a implantação de novas redes de utilidades para levar o serviço à população e
ao mercado consumidor.

Nesta fase, inicia-se a elaboração de um novo projeto para dar continuidade a


uma rede já existente ou promovendo a implantação de uma nova rede. Depois de
realizados os estudos iniciais e de viabilidade, é contratada uma empresa para a
elaboração dos projetos básicos e executivos.

Normalmente, essas empresas terceirizam as atividades de topografia, com a


finalidade de execução do levantamento topográfico no trecho onde está prevista a
obra. São realizados estudos para a implantação de marcos de apoio geodésico e
para as poligonais.
81

O trabalho de transporte de coordenadas geodésicas também é terceirizado a


empresas/profissionais que trabalham com essa atividade. É analisada a melhor
posição destes pontos com base no traçado, sendo dividido em trechos onde serão
implantados pares de marcos de coordenadas e posteriormente adensamento
através de poligonais.

Os pontos de apoio normalmente são vinculados aos vértices do Sistema


Geodésico Brasileiro (SGB); porém a escolha de pontos próximos à obra para o
transporte das coordenadas nem sempre é levada em consideração. Os
profissionais preferem utilizar os pontos que são conhecidos por eles, independentes
da distância que a obra se encontra.

A integridade física dos vértices quase sempre é comprometida, pois os locais


escolhidos são impróprios e os mesmos raramente chegam ao término da obra e
acabam sendo destruídos por vários fatores: a falta de conhecimento de operadores
das máquinas, a má localização, a falta de indicação com testemunho, estrutura
física em desacordo com a qualidade estabelecida nas normas técnicas, isto quando
não são utilizados pregos entre as guias, piquetes de madeira e cruzetas que são
inutilizados facilmente. Foram observados pontos localizados ao lado de postes,
edifícios, árvores, o que compromete a recepção dos sinais de satélite e geram
multicaminhamento.

Após a implantação dos marcos de apoio, é realizado o transporte de uma


referência de nível para um dos pontos, possibilitando obter a altura ortométrica. O
transporte é realizado de um ponto homologado pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Para o transporte da altitude é utilizado o nivelamento
geométrico e, posteriormente, é utilizado o nivelamento trigonométrico para o
transporte da altitude aos pontos das poligonais. Em seguida, são realizadas as
poligonais entre os trechos determinados através de equipamentos de topografia, a
estação total.

As coordenadas obtidas através do rastreio de satélites com os receptores


GPS são apresentadas nos projetos no sistema de coordenadas UTM, com as
respectivas monografias. A poligonal é medida com estação total entre dois pontos
82

no trecho da obra. Em muitos casos são utilizadas as coordenadas UTM (N/E) como
se as mesmas estivessem no plano topográfico local, nenhuma correção é realizada
na execução dos levantamentos topográficos e, conseqüentemente, na locação da
obra.

Quando uma obra vai ser executada e a mesma se encontra na faixa de


domínio de uma rodovia ou nas laterais de ruas e estradas vicinais, a escolha do
lado em que a poligonal vai ser executada contribui na fase de demarcação da obra.
Observam-se poligonais implantadas no mesmo lado da execução da obra,
perdendo os pontos de referência do levantamento com facilidade.

O cronograma imposto para a execução dos serviços faz com que o


planejamento fique em segundo plano. A figura 3.20 ilustra um ponto de poligonal
localizado em local inadequado, próximo a prédios e no trajeto da obra. A figura 3.21
apresenta o mesmo marco já danificado pelo movimento das máquinas que passam
pelo local.

Figura 3.20 - Marco geodésico perto de prédios e de fácil destruição


83

Figura 3.21 - Marco geodésico destruído, implantado em local não protegido

Com essas deficiências, as análises e procedimentos utilizados na execução


dos levantamentos topográficos, locações das obras e levantamento de como
construído, ficam prejudicados, pois os técnicos das concessionárias não
conseguem distinguir os sistemas de coordenadas e qual o mais apropriado,
ocorrendo divergências na fase de implantação do projeto.

O uso inadequado das coordenadas UTM está presente na obras de


engenharia, além das referências de níveis, existem empresas/concessionárias
utilizando a altura geométrica como se fosse ortométrica, constatado por este autor
através de rastreio GPS e nivelamento geométrico.

Em duas obras que estavam sendo executadas paralelamente por diferentes


concessionárias, uma fazia uso de sistema topográfico local e utilizava a altura
geométrica e a outra concessionária executava sua obra em coordenadas UTM
como se as mesmas estivessem no plano topográfico local, porém fazia uso da
altitude ortométrica na implantação da obra.

Após a aprovação do projeto executivo pela Prefeitura e obtendo as licenças


para a execução das obras, é demarcado o trecho onde será implantada a rede de
84

utilidade, usando os marcos de apoio já mencionados. É demarcado o eixo da rede


e toda mudança de direção, o estaqueamento é de 20 em 20 metros (figura 3.22).

20 metros

Figura 3.22 - Eixo demarcado da obra subterrânea, de 20 em 20 metros


85

3.2.3. Método não destrutivo

3.2.3.1 Perfuratriz direcional

Após a demarcação do eixo da rede, é realizado o cadastro de todas as


interferências visíveis existentes no trajeto da obra. Esse trabalho é realizado pela
empresa que vai executar o furo direcional através do método não destrutivo ou
mesmo através do método destrutivo.

São realizadas sondagens quando não se consegue localizar a profundidade e


a posição das interferências em função das informações coletadas na superfície,
como: tampões, caixas, registros e outros. São também abertos as tampas de pvs,
caixa de drenagem, telefonia, esgoto, registro d’água potável e outras, é demarcado
in-loco a posição, o alinhamento e a profundidade da rede através de pintura no
solo/pavimento. A figura 3.23 ilustra o cadastro de um poço de visita indicando a sua
direção e profundidade de 1, 90 m, além de um bueiro que tem uma tubulação de
1,20 m de diâmetro e profundidade na geratriz inferior de 1,60 m.

1,90m

Figura 3.23 - Cadastro das interferências, antes da execução do furo direcional


86

Na figura 3.24 é indicada uma tubulação de águas pluviais sendo cadastrada e


que tem diâmetro de 0,60 m e está na profundidade de 1,70 m do nível do
pavimento, medido na geratriz inferior da mesma. Essa atividade tem o objetivo de
contribuir para a segurança na execução do furo direcional, diminuindo a
possibilidade de atingir alguma rede.

Figura 3.24 - Cadastro das interferências, antes da execução do furo direcional

Com o cadastramento das interferências visíveis na superfície e determinando


os alinhamentos, profundidades e diâmetros da tubulação no subsolo no trecho onde
será executada a obra, é elaborado um projeto de plano de furo pela empresa que
vai executar a implantação da nova rede subterrânea. Com o plano de furo definido,
inicia-se a execução da obra. O primeiro cuidado é o controle da segurança e do
trânsito no local da obra.
87

Para a execução do furo piloto é realizada uma “trincheira” com a retro-


escavadeira, permitindo que a perfuratriz se coloque em posição adequada para os
trabalhos de perfuração e introdução da pá de perfuração e as hastes necessárias
para a execução do furo piloto, até a extremidade oposta do trecho a ser executado,
conforme ilustrado na figura 3.25.

Haste sendo inserida Compartimento do conjunto de


para execução do furo hastes junto à perfuratriz.

Figura 3.25 - Perfuratriz junto à “trincheira” para execução do furo piloto

A demarcação executada pela topografia orienta o operador da perfuratriz e o


navegador; juntos controlam a execução do furo piloto através do acompanhamento
da posição e profundidade da pá de perfuração, a cada 3 metros, ou seja, o
tamanho da haste que é utilizada e indicada no plano de furo.

O navegador é a pessoa que tem a responsabilidade de manter a integridade


estabelecida no plano de furo em relação à profundidade e à posição do furo piloto;
ele orienta o operador da perfuratriz via rádio, indica qual a direção que deve seguir
em função dos sinais de radiofreqüência enviados pela sonda que se encontra no
88

subsolo e recebido pelo rastreador. As figuras 3.26 e 3.27 apresentam o momento


em que está sendo localizada a pá de perfuração e a sonda através dos
rastreadores eletrônicos.

Figura 3.26 - Controle da posição da pá de perfuração através do rastreador

Figura 3.27 - “Navegador” operando o rastreador


89

A orientação se faz através do eixo da rede locado pela equipe de topografia,


com estaqueamento de 20,00 em 20,00 metros e que indica os pontos de mudança
de direção. A equipe de perfuração utiliza esse alinhamento e tenta manter o que foi
estabelecido no plano de furo, indicando a posição da sonda em distâncias de 3,00
em 3,00 metros ou o comprimento da haste utilizada.

Nesta fase de perfuração do furo piloto, as profundidades e as posições obtidas


são estabelecidos como corretas; todos os pontos do estaqueamento são indicados
no solo através de pintura. Após a colocação do tubo, esses pontos são levantados
topograficamente através de irradiação com a estação total de um ponto de
poligonal conhecido. São coletadas as informações das coordenadas e da altitude
através de nivelamento trigonométrico, apenas com uma leitura direta.

As leituras de profundidade que o rastreador coletou na fase de demarcação


da perfuração do furo direcional (profundidade e posição) são estabelecidas e
consideradas como o As built. A figura 3.28 ilustra o operador da estação total no
momento em que se está levantando os pontos de estaqueamento de 3,00 em 3,00
metros, estabelecido pelo comprimento das hastes da perfuratriz.

Figura 3.28 - Levantamento planimétrico e nivelamento trigonométrico


90

A figura 3.29 apresenta o auxiliar de topografia posicionado com a baliza no


momento de execução do As built, observando as demarcações (pintura no
solo/pavimento) realizadas pelo navegador no instante da execução do furo piloto.

Figura 3.29 - Levantamento dos pontos demarcados pelo Navegador

Após a perfuração do micro túnel, é realizado outra trincheira no encontro das


tubulações onde haverá uma conexão na qual as peças serão soldadas. Após a
saída na superfície da pá de perfuração, a mesma é retirada junto com a sonda, é
conectado um alargador junto a última haste e na tubulação a ser inserida no “túnel”,
a figura 3.30 ilustra essa etapa.
91

Figura 3.30 - Conexão do alargador junto à tubulação de aço

O alargador gira em alta rotação injetando um líquido chamado polímero que


tem a finalidade de dar sustentação ao solo dentro do micro túnel. Desta forma, a
perfuratriz retorna as hastes com o alargador e a tubulação até a “trincheira” inicial, a
figura 3.31 apresenta esta etapa.
92

Figura 3.31 - Aumento do diâmetro do túnel pelo alargador de 12 polegadas

Esse procedimento é complexo e controlado; existe uma equipe que monitora


qualquer tipo de ranhura ou deficiência nas emendas dos tubos soldados, pois a
tubulação é arrastada, apoiada em cilindros localizados no solo, o que pode
ocasionar algum dano na peça (figura 3.32).

Figura 3.32 - Análise de possíveis fissuras nos pontos de solda da tubulação


93

A colocação da tubulação no micro túnel é realizada pela perfuratriz direcional,


que vai recolhendo as hastes e, consecutivamente, arrastando a tubulação para o
interior do túnel piloto, conforme apresenta a figura 3.33. Neste processo, não é
realizado mais nenhum controle de posição e profundidade do local em que a
tubulação realmente esta sendo inserida. Esse procedimento continua até que toda
a tubulação seja arrastada para a “trincheira” adjacente, que será soldada no tubo
de espera.

Após a soldagem dos tubos dentro da trincheira, é realizada uma análise da


qualidade da solda pelos técnicos especializados; são retirados os apoios das
laterais e a trincheira é aterrada, compactada e finalizada com o pavimento
recuperando-se a faixa de rolamento. A figura 3.34 ilustra uma trincheira ainda
aberta e com a tubulação já soldada.

Figura 3.33 - Compartimento das hastes da perfuratriz direcional

A rede executada ficará aguardando até que todos os trechos sejam liberados;
posteriormente, será realizado teste com ar comprimido para verificar a integridade
do trabalho realizado; somente depois deste teste a rede será liberada para uso.
94

Os comprimentos dos trechos variam de acordo com o solo; são comuns


trechos com extensão de aproximadamente 130 a 180 metros; dependendo do tipo
de solo é utilizada uma perfuratriz com maior capacidade de tração; essa escolha é
realizada através de identificação do tipo de solo, comprimento e diâmetro do túnel a
ser executado.

Figura 3.34 - Trincheira para conexão dos tubos - método não destrutivo
95

3.2.3.2 Tunnel liner

O tunnel liner é um método não destrutivo de execução de passagens


subterrâneas, muito utilizado na infra-estrutura urbana. Tem várias aplicações na
travessia de tubulações e cabos para:

• Rede de água e esgoto;


• Galerias de águas pluviais;
• Energia elétrica;
• Telecomunicações;
• Adutora;
• Oleodutos;
• Outras.

São executados de forma simples e manual. Fabricados em dois modelos


TL460 e TL500 em aço de alta resistência, com diâmetros variando entre 1,20m a
5,50 metros em forma circular. Pode ser utilizado, na maioria das vezes, em
qualquer tipo de solo. São executados manualmente e montados em barras
circulares de aço (STACCO, 2006).

Permite a execução da obra sem a necessidade de interrupção de tráfego, sem


interferir na superfície. Podem ser revestidos em: Galvanização por imersão a
quente, pós-conformação, para instalação em ambientes normais e Revestimento
em EPOXI HR, para instalações em meio agressivo.

As figuras 3.35 e 3.36 apresentam o controle do alinhamento e da declividade


através da topografia de um tunnel linear, sendo construído sob a rodovia
Anhangüera, no quilômetro 58, nas obras da Concessionária do Sistema
Anhangüera Bandeirantes (AUTOBAN), na cidade de Jundiaí/S.P.. Este túnel tem a
extensão de 76,36 metros e diâmetro de 2,00 metros. A espessura dos anéis é de
6,3 mm e a inclinação 0,015m/m.
96

Figura 3.35 - Controle do alinhamento do tunnel liner, rodovia Anhangüera

Iluminação artificial

Figura 3.36 - Controle do alinhamento e declividade do tunnel liner

A escavação é realizada com um grupo de 6 pessoas, que se revezam na


escavação e a retirada do solo, possibilitando a execução de 1,5 metros de
97

comprimento por dia. A cada avanço são colocados os anéis e parafusados entre si.
Dependendo do comprimento do túnel, é necessário o uso de iluminação artificial.

A locação do eixo do tunnel liner é realizada através de pontos de apoio de


poligonal. É demarcado um ponto no alinhamento à frente e um atrás na direção do
eixo de projeto. O controle do alinhamento e da declividade são realizados a cada
5,00 metros através de topografia convencional e nivelamento trigonométrico.

Após o término do tunnel liner são preenchidos os vazios entre o solo e os


anéis, com injeção de cimento e argila. No caso específico de uso de águas pluviais,
meia seção será revestida em concreto. A figura 3.37 ilustra detalhes do interior do
túnel ainda em execução.

Figura 3.37 - Ilustração do interior do tunnel liner


98

3.2.3.3 Pipe jacking

O ambiente competitivo acelera a adoção de tecnologias que permitam


desenvolver obras de engenharia com rapidez e qualidade. O pipe jacking possibilita
ganhos de produtividade e economia, sob padrões de qualidade e de segurança na
execução.

O sistema permite utilizar tubos de concreto de diâmetros entre 250 mm a 4000


milímetros. Os comprimentos mais utilizados estão entre 150 a 500 metros, porém
poderá ser executado em maiores distâncias dependendo do local, das condições
do solo e da necessidade da obra. Esse método está sendo utilizado em grande
escala na cidade de São Paulo no programa de despoluição do rio Tietê pela
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo(SABESP).

Os tubos utilizados são de grande qualidade e resistência sendo necessário um


cuidado especial no controle da moldagem e cura, além da necessidade de uma
quantidade de cimento bastante elevada; ensaiados conforme NBR 8890.

A técnica utilizada para execução de túneis através do método pipe jacking


consiste, primeiramente, em conhecer a distância em que será realizado o túnel.
Posteriormente, é necessária a abertura de um poço vertical, ou seja, um poço de
partida onde se desce o “shield”, que é o equipamento que vai começar a escavação
pelo processo de cravação dos tubos. O shield é cravado através de potentes
macacos hidráulicos que também são colocados no interior do poço de partida.
Depois que o shield é cravado, é introduzido um tubo na sua parte traseira, sendo o
mesmo é empurrado pelos macacos hidráulicos, cravando-se o primeiro módulo. A
partir da cravação do primeiro tubo, desce-se o segundo tubo que se encaixam uns
aos outros sendo cravado até encontrar o poço de chegada na outra extremidade.

No final do túnel, ou seja, no poço de chegada, o shield é retirado e os tubos


formam o túnel projetado. Todo o sistema é computadorizado. A direção e a
inclinação são controladas por um sinal de laser. Qualquer irregularidade no
alinhamento, o conjunto é deslocado para que volte à posição de projeto. Na maioria
99

dos casos de construção de túnel através do método pipe jacking, os mesmos são
retos. Caso seja necessária a execução de alguma curva, a mesma deve ser
realizada em um poço vertical previamente identificado na elaboração dos projetos.
A figura 3.38 ilustra o conjunto de equipamentos na execução de um túnel através
de cravação de tubos de concreto em um poço de partida. A figura 3.39 apresenta
um escavador (shield) em um poço de chegada.

Figura 3.38 - Esquema de operação de um micro túnel


Créditos – Drösemeyer, (2004)
100

Figura 3.39 - Ilustração do escavador(Shield) em poço de chegada


Créditos – Revista Engenharia

As maiores aplicações do método “pipe jacking” vêm sendo: instalação de


novos coletores de esgoto e sistema de drenagem, substituição ou
reparação do revestimento de coletores de esgoto, canalização de gás,
distribuição de água (adutora), oleodutos, instalação de cabos elétricos e de
telecomunicações e coletores de águas pluviais. E em aplicações especiais,
tais como: passagens subterrâneas para pedestres, passagens inferiores,
dentre outras.(STEIN et al, 1989).
101

3.3. Método destrutivo

O método destrutivo não tem sido muito utilizado nas obras subterrâneas de
redes de utilidades, pois as concessionárias e as Prefeituras fazem a opção pelo
método não destrutivo. Porém em locais em que a perfuratriz direcional não
consegue ultrapassar os obstáculos existentes no subsolo, é necessário utilizar o
método destrutivo, e também quando se tem grande quantidade de redes de
interferências em diferentes profundidades, impedindo que a haste consiga mudar
de direção em pequenas distâncias.

Em locais onde o solo é muito rochoso e nos cruzamento de ruas (esquinas)


onde a definição do projeto impõe o acompanhamento da curva circular, as hastes
não conseguem executar as curvas, pois os ângulos são fechados e o equipamento
não consegue realizar essa ação.

Ambos os métodos precisam que meia pista do leito carroçável seja interditada,
causando dificuldades no trânsito local. O problema principal do método destrutivo é
a grande movimentação de máquinas, caminhões e pessoal para a abertura das
valas, retirada do solo e reconstrução do pavimento rompido.

Nas obras de expansão do gás natural na região de Campinas, a primeira


etapa estabeleceu a implantação de cerca de 5 km de tubulação subterrânea,
somente 80 metros foram executados através do método destrutivo, pois naquele
local o solo era composto por grande quantidade de rocha, impedindo o avanço da
perfuratriz, conforme mostra a figura 3.40.
102

Figura 3.40 - Solo com grande quantidade de rocha – uso do método destrutivo

O método destrutivo é muito simples, consiste na execução de um corte no


pavimento na largura de 0,50 metros com o equipamento chamado “serra clipper”,
mais conhecido nas obras por cortadora de asfalto. O corte é realizado seguindo a
locação do eixo de projeto executado pela topografia.

A figura 3.41 ilustra o momento em que se realiza o corte do pavimento para a


retirada do material pela retro-escavadeira. A figura 3.42 apresenta a retro-
escavadeira executando a vala para instalação da rede de utilidade.
103

Figura 3.41 - Serra clipper – corte do pavimento – método destrutivo

Figura 3.42 - Retro-escavadeira utilizada em método destrutivo

Após o corte do pavimento, é realizada a escavação com uma pá de 0,40


metros de largura. Conforme a máquina avança na profundidade, é utilizada uma
104

haste de aço que é introduzida no solo entre pequenas distâncias para tentar “tocar”
alguma interferência que não tenha sido cadastrada.

A profundidade no trecho apresentado é de aproximadamente 1,00 metro.


Após a abertura da vala, é realizado um ”berço” com solo e compactado para
receber a tubulação que é arrastada pela retro escavadeira para dentro da vala.
Após esse procedimento, é colocada uma cobertura de 30 cm de solo e, em
seguida, compactado com o equipamento “compactador manual”; assim,
sucessivamente, até a colocação da tela de advertência.

A figura 3.43 apresenta a compactação de uma vala após a colocação da


tubulação de PEAD. A figura 3.44 ilustra a introdução da tubulação de PEAD dentro
da vala.

Figura 3.43 - Compactador manual - método destrutivo


105

Figura 3.44 - Tubulação de PEAD inserida dentro da vala – método destrutivo

Para permitir maior segurança nas novas escavações, manutenção ou mesmo


implantação de outras redes de utilidade, o local é sinalizado com telas plastificadas,
marco de concreto de indicação de dutos subterrâneos e também com tachões nas
calçadas e guias, nos locais onde passam as tubulações. Possibilita, assim, advertir
qualquer pessoa que pretenda fazer alguma intervenção no local, informando que,
nesta região, existe alguma rede de interferência, no caso especifico o gás natural.

A tela plastificada é colocada a uma distância de 0,60 m acima da geratriz


superior da tubulação, em toda a extensão do trecho implantado. Caso seja
escavado o solo, o operador da máquina vai encontrar a tela de sinalização e
perceber que existe uma rede de utilidade, interrompendo o trabalho.

As figuras 3.45 e 3.46 ilustram a tela de sinalização e o momento que é


colocada na vala após a compactação. As figuras 3.47 e 3.48 apresentam a tela já
inserida na vala que está preparada para receber o restante do solo e pavimento.
106

Figura 3.45 - Tela de sinalização – advertência utilizada no método destrutivo

Figura 3.46 - Colocação da tela de sinalização de advertência sobre o solo


Acima da tubulação de gás natural, cidade de Campinas SP.
107

Figura 3.47 - Ilustração da tela de advertência sobre o solo já compactado

Figura 3.48 - Ilustração da tela de advertência sobre o solo já compactado


108

As figuras 3.49 e 3.50 indicam os locais onde existe uma tubulação


subterrânea de gás natural, permitindo alertar as pessoas e profissionais na
escavação em sua proximidade.

Figura 3.49 - Marco de sinalização de advertência - gás natural

Figura 3.50 - Sinalização de advertência de tubulações subterrâneas


109

Existem várias empresas que trabalham com obras no subsolo, tendo como
objetivo principal a prestação de serviços em sistemas de tubulações de polietileno,
polipropileno e aço. Estes serviços são prestados para as Prefeituras e diversas
concessionárias/permissionárias, fazendo uso de tecnologia de ponta através de
perfuração direcional, unidirecional, tunnel liner e pipe jacking que atendem a vários
segmentos do mercado consumidor na execução de redes de utilidades.

Enfim, as tecnologias estão disponíveis no mercado. Os equipamentos para a


execução das obras de engenharia no subsolo permitem indicar a posição e a
profundidade das tubulações subterrâneas nos vários métodos existentes. Porém no
caso das perfuratrizes direcionais em conjunto com os rastreadores e receptores,
percebe-se algumas divergências das medidas coletadas em função das
características do local. Recomenda-se a execução de sondagem a cada 50 metros
para a confirmação das medidas indicadas no momento da execução do furo
direcional.

Desta forma os profissionais e as empresas da área trabalham com maior


garantia do dado coletado, sempre na busca de soluções e de procedimentos
adequados, como a padronização dos projetos executivos, permitindo que as
informações adquiridas em campo sejam utilizadas em sistemas computacionais
como o SIG. A importância do apoio geodésico e topográfico é base para todo esse
trabalho; é requisito para a constituição do cadastro único georreferenciado,
obedecendo às normas existentes de topografia.

Cabe também ao poder público tomar a iniciativa para exigir que as normas
técnicas existentes sejam seguidas dentro de seu território, que indique
procedimentos para a apresentação das informações contidas nos projetos
executivos de forma adequada, em meio digital e analógico.

A fiscalização deve ser implementada de forma consistente pelos órgãos


públicos, com técnicos experientes capazes de analisar as informações
apresentadas, verificando a forma que foram geradas e a qualidade das mesmas,
tendo controle absoluto sobre o material entregue.
110

4. LEVANTAMENTO DE COMO CONSTRUÍDO DE REDES

4.1. Equipamentos de localização

Para permitir a execução dos levantamentos “como construído” das redes


subterrâneas, é necessário o uso dos instrumentos topográficos e geodésicos que
utilizam o sistema de satélite – GPS, conforme já comentado no capítulo 3.

Com o significativo aumento de serviços disponíveis e a conseqüente


implantação de redes subterrâneas, os equipamentos de detecção de dutos
enterrados se tornaram ferramentas indispensáveis no apoio ao cadastro técnico de
redes de utilidades. Nos grandes centros urbanos são os locais onde essa
tecnologia é mais utilizada, a fim de se minimizar as interrupções no trânsito e
acidentes com rompimento de redes. Esses equipamentos permitem a localização
de tubulação metálica ou não metálica, possibilitando indicar sua posição e
profundidade com determinada precisão. As medidas apresentadas no display do
receptor devem ser tratadas com precaução, pois nem sempre a informação é
correta. Isso acontece devido as interferências existentes no local.

4.2. Tubulação metálica

Os equipamentos de localização de tubulações enterradas são de grande


importância no apoio à execução dos cadastros das redes subterrâneas. Utilizados
em conjuntos com os equipamentos topográficos permitem coletar várias
informações que possibilitam ao técnico dispor de elementos cadastrais para facilitar
os trabalhos na elaboração dos projetos ou mesmo na execução das obras. A figura
4.1 apresenta um transmissor 15e a figura 4.2 um receptor16 da Radiodetection.

15
Transmissor: Equipamento que gera um campo eletromagnético em torno da utilidade para ser
captado por um receptor.
16
Receptor: Equipamento que capta o sinal gerado pelo transmissor.
111

Figura 4.1 - Transmissor da série RD 4000 T10

Figura 4.2 - Receptor da série RD 4000 – Radiodetection

Créditos – Sondeq Ltda

São capazes de fornecer grande variedade de dados sobre o duto ou cabo que
se encontra no subsolo, indicando:

• Localização da tubulação ou cabo;


• Leitura da profundidade;
• Leitura da corrente;
• Direção da corrente;
• Localização de falhas;
• Localização de marcadores EMS17.

17
EMS: Electronic Marker System, abreviação em inglês. São marcadores eletrônicos de diversos
tipos de redes de utilidades, existente em várias cores. Cada um emite uma freqüência diferente
capaz de ser captadas pelos receptores identificando a profundidade e tipo de rede.
112

Existe grande variedade de equipamentos de localização disponíveis no


mercado, sendo que a maioria é fabricada fora do Brasil. Abaixo detalhamos dois
modos diferentes de operação destes equipamentos de alta tecnologia, que permite
a apresentação das informações e dados sobre a rede enterrada: modo conexão
direta e modo indutivo.

4.2.1. Modo Conexão direta

Neste modo, o sinal do transmissor é aplicado diretamente à tubulação


através de cabos e garras tipo jacaré. Conectando-se o transmissor a um ponto
conhecido da tubulação, determina-se sua trajetória acompanhando seu
caminhamento a partir deste ponto.

Permite localizar tubulações de água, gás, fios, marcadores, cabos de


telecomunicação, fugas em cabos elétricos, além de tubulações com proteção
catódica entre outras. A leitura da profundidade de uma tubulação ou cabo enterrado
é possível quando este está energizado com o sinal do transmissor e enterrados a
uma profundidade de até 3,00 metros. Essa profundidade apresentada no visor do
equipamento é sempre medida do centro geométrico do cabo ou da tubulação até a
extremidade inferior do equipamento; o recobrimento efetivo é menor que a leitura
uma vez que se deve descontar o raio da tubulação, conforme dados da fabricante –
Radiodetection, em condições adequadas de detecção, a leitura da profundidade
tem uma precisão de +- 5% de erro a cada metro de profundidade, (Radiodetection,
manual do Rd 4000). Como exemplo, medindo a profundidade de 1,00 metro, pode-
se ter um erro de 0,05m, ou seja, 1,05 ou 0,95 como valor da profundidade.

A figura 4.3 ilustra o transmissor RD 433 HCT-x2 de fabricação da


Radiodetection, já na figura 4.4 o equipamento está conectado a um ponto de
proteção catódica em um marco de advertência da Comgas. Nota-se, que o
transmissor encontra-se no pavimento ao lado do meio fio e um dos conectores
ligado em um orifício do marco de proteção catódica; o outro conector está inserido
no solo, sendo estabelecido o aterramento.
113

Figura 4.3 - Transmissor multifreqüência RD 433HCTx-2 da Radiodetection

Figura 4.4 - Transmissor multifreqüência RD 433HCTx-2 da Radiodetection

A figura 4.5 ilustra o receptor utilizado na localização de tubulação de gás


natural pela empresa Comgas nas obras do gasoduto do Sistema Cajamar –
114

Caieiras, onde é indicada a profundidade de 1, 46 metros até o centro geométrico da


tubulação.

Figura 4.5 - Receptor Rd 1339L3/NT/4 – Radiodetection

4.2.2. Modo indutivo

Os transmissores normalmente contêm uma bobina interna capaz de gerar e


induzir um sinal detectável que esteja alinhada diretamente abaixo do transmissor.
Este método de indução é geralmente eficiente para detectar tubulações que
estejam até dois metros de profundidade, mas pouco eficiente para tubulações mais
profundas. O sinal detectável pode ser aplicado facilmente sem que seja necessário
nenhum contato físico com a tubulação, de maneira simples e rápida.

No método indutivo, o sinal pode induzir uma corrente, também nas tubulações
adjacentes à tubulação alvo, e parte substancial deste sinal se perde no próprio solo.
Para evitar que o sinal seja captado diretamente do transmissor e não da tubulação,
o receptor não deve ser utilizado a menos de trinta metros do transmissor (ainda
mais se o transmissor estiver em modo de potência máxima). Este método é mais
utilizado para determinar a existência ou não de tubulações enterradas e não tem
115

como finalidade localizar e identificar as mesmas. As figuras 4.6 e 4.7 mostram outro
modelo de transmissor e receptor utilizado pela empresa Comgas na localização de
tubulações de gás natural do Sistema Cajamar – Caieiras.

Figura 4.6 - Transmissor da série RD 4000 T10 – Radiodetection

Figura 4.7 - Receptor da série RD 4000 – Radiodetection

O modo indutivo não deve ser utilizado para aplicar o sinal a uma tubulação
que está abaixo de tampas ou chapas metálicas ou sob concreto armado, pois o
116

sinal seria interceptado pelo metal da tampa ou da ferragem. Da mesma maneira, o


modo indutivo não poderá se aplicar o sinal em tubulações e cabos com bom
isolamento, a menos que estejam aterrados nas extremidades.

Antes da execução dos trabalhos de localização através dos modos citados, é


necessário o uso do transmissor para aplicar à tubulação que se deseja localizar, um
sinal detectável que permite que esta tubulação possa ser localizada e identificada,
utilizando-se do receptor.

Existem várias técnicas para se aplicar o sinal e que se possa detectá-lo. Cabe
ao operador, escolher qual a melhor forma de aplicar o sinal que permita a
localização da tubulação sem induzir indevidamente tubulações adjacentes. A
experiência do operador irá auxiliá-lo a determinar as melhores práticas de detecção
para cada caso. A figura 4.8 ilustra outro modelo de transmissores e receptores
utilizados na localização de tubos e cabos metálicos.

Figura 4.8 - Transmissores e receptores – uso tubulação e cabos metálicos


CAT+ e GENNY+

Créditos: Sondeq Ltda


117

4.2.3. Detectores de válvulas e tampões

Para possibilitar a localização de válvulas e tampões metálicos, existem


equipamentos que utilizam um magnetômetro. Permitem interpretar a mudança no
campo magnético causado por objetos ferromagnéticos. Emite um aumento do “bip”
e também uma indicação visual no painel quando se aproxima ou se passa sobre
estes objetos.

Localiza os objetos ferromagnéticos detectando o campo magnético irradiados


pelos mesmos. O localizador possui dois sensores precisamente balanceados e
milimetricamente espaçados para permitir um equilíbrio magnético quase perfeito.
Em um campo magnético uniforme como o campo terrestre, os dois sensores
permanecem balanceados, pois lêem o mesmo campo magnético. No entanto,
quando se aproxima de um objeto ferromagnético, o tamanho e a angulação do
campo nos sensores são diferentes, produzindo, então, um bip. Objetos não-
ferrosos não afetam o localizador. Objetos feitos em bronze, alumínio, cobre, latão,
etc serão ignorados, (RADIODETECTION, 2005). A figura 4.9 ilustra um detector de
válvulas e tampões.

Figura 4.9 - Detector de tampões metálicos RD 316


Créditos: Sondeq Ltda
118

4.3. Tubulação não metálica

Para a localização de tubulações não metálicas existe no mercado alguns


equipamentos, geralmente utilizados na inspeção e localização de dutos de
plásticos, cerâmicos, outros. Seu funcionamento é simples e permite rastrear os
dutos através da introdução de uma sonda conectada a um sistema guia de fibra de
vidro dentro dos dutos. Utiliza um pequeno transmissor que é alimentado por
baterias e que pode ser acoplado a qualquer outro objeto, como ferramenta de
perfuração ou câmeras. O comprimento do sistema de guias são variáveis e
dependem dos fabricantes. A figura 4.10 ilustra o sistema guia e uma sonda sendo
introduzida em uma tubulação não metálica, sendo captado o sinal através de um
receptor.

Figura 4.10 - Receptor utilizado em tubulação não metálica

Créditos: Sondeq Ltda

Para localização de tubos plásticos de água em carga, utiliza-se


equipamento com sistema acústico de detecção. O equipamento posiciona e segue
as tubulações plásticas enterradas até uma distância de 150,00 metros. Consiste
em conectar uma válvula que emite ondas de pressão na tubulação ou no
119

hidrômetro, sendo este ruído amplificado e captado pelo fone de ouvido, (Figura
4.11).

Créditos: Sondeq Ltda


Figura 4.11 - Localizador de tubos plásticos de água RD 500

Nas obras de infra-estrutura subterrânea, a grande dificuldade é a detecção


dos objetos enterrados, o uso de marcadores eletrônicos que tem contribuído com o
trabalho de localização dos vários tipos de redes.

Os marcadores têm forma esférica de aproximadamente 100 mm de diâmetro e


são enterrados sobre as redes ou junto dos equipamentos que se deseja localizar.
Transmitem um sinal toda vez que um localizador dotado de uma antena especial se
aproxima do local. A figura 4.12 apresenta um marcador eletrônico, e a figura 4.13
ilustra o uso dos mesmos nas obras de redes.

Possuem uma eletrônica interna capaz de irradiar os sinais para o receptor. Os


sinais transmitidos pelos marcadores foram padronizados mundialmente em relação
às freqüências, sua cor também foi padronizada em função da aplicação a que se
destina. A tabela 4.1 apresenta a aplicação, cores e freqüência que os marcadores
eletrônicos trabalham.
120

Receptor c/ antena Omni

 Omni Marker

Figura 4.12 - Receptor com antena Omni Marker - marcador eletrônico

Créditos – Sondeq Ltda

Figura 4.13 - Obras de infra-estrutura com o uso de marcadores eletrônicos

Créditos – Sondeq Ltda


121

APLICAÇÃO COR FREQÜÊNCIA

Energia elétrica Vermelho 169,8 khz


Água Azul 145,7 khz
Esgoto Verde 122,5 khz
Telefone Laranja 101,4 khz
Gás Amarelo 83,0 khz
TV a cabo Laranja e preto 77,0 khz
Tabela 4.1 - Uso dos marcadores eletrônicos
122

4.3.1. Georadar

O georadar também conhecido por GPR, abreviatura em inglês de Ground


Penetrating Radar, é um método geofísico de investigação do subsolo, que consiste
basicamente na emissão contínua de ondas eletromagnética no solo. Parte destas
ondas são refletidas nas estruturas ou objetos em profundidade. Os sinais são
emitidos e recebidos através de uma antena colocada na superfície do terreno. A
penetração do sinal de radar está condicionada, primeiramente, pelas propriedades
elétricas dos terrenos, condutividade e permissividade elétrica (constante dielétrica).
Portanto, locais onde ocorrem materiais de baixa condutividade, o sinal de radar
pode atingir profundidades superiores a 50,00 metros. Por outro lado, argilas
condutivas e água podem reduzir sensivelmente a penetração do sinal do radar à
profundidade inferior a 1,00 metro(ESTEIO,2005)18.

A freqüência do sinal emitido também contribui diretamente para uma maior ou


menor penetração e resolução do método. Freqüências maiores (400 - 2500 MHz)
possibilitam maior resolução em detrimento de uma maior penetração, que pode ser
obtida pela emissão de freqüências menores (10 – 200 MHz).

O georadar é uma equipamento importante que produz um perfil contínuo de


seções transversais ou o registro de características do subsolo, contribui na
localização de tubulações, cabos e objetos enterrados em qualquer tipo de material,
permitindo maior segurança na avaliação da implantação dos empreendimentos e
redes de infra-estrutura subterrânea. Sua limitação é a condutividade e a
composição do solo; permite detectar tubulações:

• Plásticas (PEAD e PVC);


• Cerâmica;
• Fibro-cimento;
• Fibra ótica;
• Outros.

18
Esteio Engenharia e Aerolevantamento S. A , disponível em
http://www.esteio.com.br/servicos/so_gpr.htm. Acesso em: 17 de Nov. 2006
123

A figura 4.14 ilustra um equipamento georadar realizando a varredura em uma


área onde encontra-se dutos enterrados. Na figura 4.15 são indicados as imagens
formadas pelos sinais emitidos pelo GPR quando da identificação de uma tubulação.
As imagens de semiparábolas indicam que um objeto circular foi identificado. A
tubulação localizada se encontra na parte superior das parábolas apresentadas,
conforme mostra as figuras 4.16 e 4.17.

Figura 4.14 - Ilustração do equipamento georadar em uso

Créditos - Georadar Ltda


124

Figura 4.15 - Imagem das tubulações em excelentes condições de localização

Figura 4.16 - Ilustração da movimentação do georadar na superfície

Figura 4.17 - Ilustração da tubulação identificada pelo georadar

Créditos – Sondeq Ltda


125

A figura 4.18 apresenta os sinais detectados pelo georadar e os prováveis


objetos identificados, desde objetos cilíndricos a caixas metálicas.

OBJETO SINAL DETECTADO

OBJETO CILÍNDRICO

CHAPA METÁLICA

CAIXA METÁLICA
Créditos – Sondeq Ltda
Figura 4.18 - Sinais detectados pelo georadar em diferentes superfícies

Como se pode notar, há vários equipamentos disponíveis que auxiliam no


cadastro técnico de tubulações e cabos enterrados facilitando as tomadas de
decisões dos profissionais, tanto na elaboração dos projetos de redes de infra-
estrutura, como na execução das obras. Esses equipamentos são importantes no
cadastro das redes de utilidades, porém cabe ao usuário a escolha do melhor
método, levando em consideração os locais em que os trabalhos estão sendo
realizados, devido às interferências que podem estar presentes e não ser
percebidas, como: rede elétrica, excesso de dutos no local, outras.
126

4.4. Metodologia

A metodologia para o levantamento de como construído através do método não


destrutivo foi apresentado no capítulo 3 item 3.2.3. A elaboração do levantamento se
faz concomitantemente com a execução dos túneis junto com a colocação da
tubulação pelos diversos métodos não destrutivos.

4.4.1. Levantamento de como construído - método destrutivo

A demarcação do eixo do traçado da tubulação é semelhante ao processo não


destrutivo: é realizada a locação das estacas de 20,00 em 20,00 metros com
estação total, e a obtenção das altitudes das estacas é feita através do nivelamento
trigonométrico. Quando a obra é executada em locais onde não existe pavimentação
consolidada, o levantamento de como construído é realizado após a colocação da
tubulação no local. De um vértice de poligonal conhecido são levantados todos os
pontos de solda, ou seja, união da tubulação, conforme figura 4.19.

Figura 4.19 - Levantamento como construído dos pontos de solda


127

Já nas obras onde existe a pavimentação consolidada são demarcados: o eixo


do projeto, as mudanças de direções e todas as estacas inteiras. As altitudes são
obtidas também pelo nivelamento trigonométrico no momento da demarcação do
eixo.

Após a colocação da tubulação na vala, é realizado o levantamento de como


construído que consiste em identificar a altura atual da tubulação em função do
pavimento existente, indicando no croqui a profundidade em que se localiza a
geratriz superior do tubo. A figuras 4.20 ilustra está etapa em uma tubulação de gás
natural em tubulação de Polietileno de Alta Densidade( PEAD).

Figura 4.20 - Cadastro à trena da tubulação – geratriz superior


Tubulação de PEAD 180 x 16,4 mm – Campinas SP

O levantamento do eixo da tubulação desta obra foi realizado de cinco em


cinco metros. As altitudes das estacas inteiras foram obtidas através de nivelamento
trigonométrico e as estacas quebradas foram interpoladas, pois a inclinação neste
trecho é constante.
128

Assim, para a execução do georreferenciamento das redes de utilidades temos


vários equipamentos com tecnologias de ponta, que permitem obter resultados
satisfatórios da profundidade e posição dos dutos enterrados se forem associados
com os instrumentos topográficos, e com uma análise rigorosa das supostas
interferências no local.

As empresas que trabalham com obras no subsolo possuem um corpo técnico


especializado muito reduzido, o que dificulta o acompanhamento das obras de redes
subterrâneas em todas as suas fases. Nota-se que os procedimentos de execução
das obras são muitos semelhantes nas empresas que prestam esses serviços e os
equipamentos são todos parecidos.

Percebe-se a falta de procedimentos adequados na elaboração dos trabalhos


de levantamento topográfico, demarcação da obra e a execução do levantamento de
como construído, o que inviabiliza a constituição de um cadastro unificado.
129

5. PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA O


GEORREFERENCIAMENTO DAS REDES SUBTERRÂNEAS

5.1. Conceitos

Para possibilitar a execução do georreferenciamento de todos os elementos


das redes de utilidades subterrâneas e aéreas, é necessário que no município onde
será implantada a rede ou o georreferenciamento das existentes, possua uma Rede
de Referência Cadastral Municipal, fixada conforme NBR 14.166/98.

Permite, assim, compatibilizar os procedimentos, estabelecendo infra-estrutura


de apoio geodésico e topográfico para todos os trabalhos de engenharia no âmbito
municipal, possibilitando a atualização de plantas cadastrais, execução de serviços
de topografia, implantação, demarcação e acompanhamento das obras de
engenharia, além do levantamento de como construído, sem deixar de estar
referenciada ao SGB, portanto com mapeamento sistemático.

A rede de apoio básico é constituída por pontos de coordenadas


planialtimétricas, materializado no terreno, tendo como referência um vértice de 1ª
ordem do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), que possui um mesmo sistema de
representação cartográfica, garantindo a posição do ponto de representação e a
correlação entre os vários sistemas de projeção ou representação.

A origem de coordenada do Sistema Geodésico Brasileiro foi o Datum Chuá


que integra o Sul-Americano de 1969 (SAD69), tendo como imagem geométrica da
terra definida pelo Elipsóide de Referência Internacional de 1967, preconizado pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, até 24 de fevereiro de 2005.

Com o Decreto nº 5334 de 06/01/2005, publicado em 07/01/2005 no Diário


Oficial da União que da nova redação ao artigo do Decreto Nº 89.817, de 20 de
junho de 1984, que estabelece as Instruções Reguladoras das Normas Técnicas da
Cartografia Nacional, sendo revogado pelo mesmo ato o artigo 22 do referido
decreto.
130

Com a nova redação, ficou definido que os referenciais planimétrico e


altimétrico para a Cartografia Brasileira são aquele que definem o Sistema
Geodésico Brasileiro, conforme estabelecido pela Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística , em suas especificações e normas.

Em 25 de fevereiro de 2005, a Resolução do Presidente do IBGE Nº 1/2005


estabelece o Sistema de Referência para as Américas (SIRGAS), em sua realização
do ano de 2000 (SIRGAS2000), como novo sistema de referência geodésico para o
Sistema Geodésico Brasileiro e para o Sistema Cartográfico Nacional (SCN), tendo
como objetivo compatibilizar os sistemas geodésicos pelos países da América do
Sul, conforme o Anexo G.

O período de transição estabelecido a partir da assinatura da resolução é não


superior a dez anos, sendo que o SIRGAS2000 pode ser utilizado em concomitância
com o SAD69 para o SGB e com o SAD69 e Córrego Alegre para o SCN, portanto
deixando um referencial topocêntrico e passando para um geocêntrico.

Essas alterações têm como objetivo o atendimento dos padrões globais de


posicionamento, ficando garantida a qualidade dos levantamentos GPS em todo
território nacional, além de manter um referencial geodésico único com os países
sul-americanos.

5.2. Normas técnicas

Os trabalhos de cartografia, geodésia e topografia realizados no território


brasileiro, obedecem às normas técnicas estabelecidas pelos órgãos federais
competentes, ou seja:

1 - Ao Conselho Nacional de Geografia, do Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística, no que concerne ao Sistema Geodésico Brasileiro;
131

2 - À Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), no que se referem as


NBRs:

• NBR nº 13.133/94 - Execução de Levantamento Topográfico;


• NBR nº 14.166/98 - Rede de Referência Cadastral Municipal –
Procedimentos;
• NBR nº 14.645/00 – Elaboração do “como construído (As built) para
edificações, parte 1 - Levantamento planialtimétrico e cadastral de imóvel
urbanizado com área de até 25.000 metros quadrados, para fins de estudos,
projetos e edificações;
• NBR nº 14.645/00 - 2 - Levantamento planialtimétrico – Registro Público;
• NBR nº 14.645/00 - 3 - Locação topográfica e controle dimensional da obra;
• NBR nº 12.586/92 - Cadastro de sistema de abastecimento de água;
• NBR nº 12.587/92 - Cadastro de sistema de esgotamento sanitário.

5.3. Rede de Referência Cadastral Municipal

A NBR 14.166 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define


Rede de Referência Cadastral Municipal como:

É a rede de apoio básico de âmbito municipal para todos os serviços que se


destinem a projetos, cadastros ou implantação e gerenciamento de obras,
sendo constituída por pontos de coordenadas planialtimétricas,
materializados no terreno, referenciados a uma única origem (Sistema
Geodésico Brasileiro - SGB) e a um mesmo sistema de representação
cartográfica, permitindo a amarração e conseqüente incorporação de todos
os trabalhos de topografia e cartografia na construção e manutenção da
Planta Cadastral Municipal e Planta Geral do Município. Sendo esta rede
amarrada ao Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), fica garantida a posição
dos pontos de representação e a correlação entre os vários sistemas de
projeção ou representação, ( ABNT, 1998).

Segundo (COSTA, 2001), o sucesso de empresas públicas ou privadas


depende principalmente da agilidade e eficácia na tomada de decisão por
parte de seus dirigentes. Decisões acertadas devem ser baseadas em
informações precisas e objetivas que reflitam a realidade.
132

Para que um governo municipal tenha condições de administrar seu território


de forma favorável, é necessário o conhecimento do espaço físico-territorial do
município. A composição de uma base cartográfica confiável agregada à informação
espacial tridimensional exata, permite o gerenciamento das atividades de governo
que envolve mapeamento.

Portanto, o município que tem implantado uma Rede de Referência Cadastral19


e a utiliza para o gerenciamento das atividades de engenharia, é capaz de garantir a
confiabilidade das informações adquiridas, permitindo que a mesma seja utilizada
para a cobrança de taxas do uso do espaço público e o planejamento municipal
territorial.

“Deste modo, qualquer administração pública municipal deve se


instrumentalizar com as ferramentas necessárias à boa gestão do município, para a
qual os seus dirigentes foram eleitos pela população” (COSTA, 2001).

O principal objetivo desta Rede de Referência é a amarração de todos os


serviços topográficos executados para a implantação da infra-estrutura que,
posteriormente, serão utilizados para a locação, implantação e acompanhamento
das obras até a fase de levantamento de como construído.

A falta de uma rede de referência cadastral nos municípios tem levado as


empresas privadas a executarem seus próprios pontos de apoio geodésico e,
conseqüentemente, as poligonais, permitindo o apoio topográfico e geodésico nos
trabalhos de levantamento topográfico e na implantação de infra-estrutura urbana,
que vem acontecendo em grande velocidade.

Como as Prefeituras ainda não possuem procedimentos que permitam a


apresentação das plantas de uma única forma, padronização de desenhos, layers,
sistemas de coordenadas, não permite a integração das plantas apresentadas pelas
empresas. A NBR 14.166/98 define como sendo planta indicativa de sistemas de
infra-estrutura urbana:

19
Rede de referência cadastral: Cidade de Campinas em: http://mapserver.campinas.sp.gov.br/
Acesso em: 04 de Nov. 2006.
133

Planta obtida a partir da Planta de Referência Cadastral do Município, onde


estão registradas as informações referentes à sistemas de infra-estrutura
urbana(água, esgoto, eletricidade, iluminação pública, drenagem, guias,
sarjetas, pavimentação, telefone, gás, oleodutos e outros), sendo um meio
auxiliar às atividades de planejamento, programação e coordenação dos
serviços de implantação de obras em vias públicas, NBR 14.166/98,
(ABNT,1998)

A falta de procedimentos adequados de apresentação das plantas cadastrais e


dos levantamentos topográficos têm gerado sérios problemas para os municípios e
para as próprias concessionárias/permissionárias que executam obras no espaço
aéreo e subterrâneo.

Os referenciais planimétrico e altimétrico nem sempre são os mesmos


utilizados nos levantamentos topográficos entre diferentes projetos, gerando erros e
inconsistências nas informações, inviabilizando a constituição de um cadastro único.

A necessidade de possuir e controlar as informações são fundamentais para


a administração pública, desta forma, possuindo o melhor conjunto de
informações e a aplicação da tecnologia agora disponível (geotecnologias,
informática, softwares, hardwares, GPS, CAD’s entre outros), de forma a
permitir o acesso a essas informações, estará dando um salto de qualidade
no atendimento dos anseios da população, (COSTA, 2001).

Finalizando, o gerenciamento das atividades cartográficas e topográficas e os


procedimentos utilizados para a apresentação dos projetos executivos são de
fundamental importância para as Prefeituras e concessionárias/permissionárias,
permitindo a integração dos dados coletados.

Possibilitará tomada de decisões acertadas no planejamento municipal e


elaboração dos projetos executivos, pois as informações poderão estar
disponibilizadas em um Sistema de Informação Geográfica, evitando que o dinheiro
público seja desperdiçado em erros de projetos e implantações de obras que não
tragam benefícios para a população.

O conhecimento do território é de fundamental importância no gerenciamento


das atividades de planejamento e projetos da administração pública. A Norma
Brasileira 14.166/98, Rede de Referência Cadastral Municipal – Procedimentos,
dispõe de informações necessárias para a execução das atividades topográficas nos
municípios que se dispõem à implantação dessa rede.
134

5.4. Redes de utilidades e suas extensões

5.4.1. Redes de grande extensão

Recomenda-se que, na fase de planejamento da rede de infra-estrutura, a


escolha dos locais onde serão implantados os marcos geodésicos seja elaborada
em cartas na escala 1:10.000 disponíveis da região e atualizadas, identificado o
possível trajeto da rede, os locais onde existam prédios públicos, de
concessionárias, postos avançados de monitoramento, outros.

Esse estudo permite a visualização de todos os elementos cartográfico da área


como um todo, possibilitando a escolha em planta dos melhores locais para a
implantação de pares de marcos de apoio imediato, que deverá ser confirmada
posteriormente in-loco.

Em se tratando de obras lineares de grande extensão, sugere-se que o traçado


seja dividido em vários trechos, facilitando a implantação dos marcos geodésicos
que são executados através de rastreio GPS, posteriormente dividido em sub-trecho
para elaboração de poligonal através de estação total permitindo facilitar o
levantamento dos pontos de detalhes em campo.

A implantação dos marcos geodésicos é estabelecida pela NBR 14.166/98 da


ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas:

Os marcos geodésicos de apoio imediato devem necessariamente apoiar-se


em marcos geodésicos do IBGE, próximos à área. Não havendo estes
vértices, deve-se transportar coordenadas do vértice mais próximo a área,
com a exatidão constante do quadro I - "Sistema Geodésico Brasileiro,
Classificação dos Levantamentos Geodésicos", do documento
"Especificações e Normas Gerais para Levantamentos geodésicos - IBGE",
servindo como marco geodésico de precisão ao sistema a ser
implantado,(ABNT, 1998).

Os marcos geodésicos de apoio imediato devem ser localizados


preferencialmente no cume das elevações e no alto dos edifícios de grande
porte, e se possível em propriedades públicas, numa densidade aproximada
de um para cada 3 km² nas áreas urbanizadas e, nas áreas rurais, de um
135

para cada 16 km² a 50 km², na dependência da densidade demográfica de


interferências e do uso e ocupação do solo, (ABNT, 1998).
Os marcos geodésicos de apoio imediato e os pontos topográficos devem
estar situados de modo a permitir intervisibilidade com os pontos contíguos,
no mínimo dois a dois, em lugares favoráveis a sua identificação, devendo
ser materializados e monografados de acordo com as prescrições e os
modelos da NBR 13133, (ABNT, 1998).

Nas monografias dos pontos topográficos devem constar as suas amarrações


para, no mínimo, três pontos bem definidos e identificáveis nas suas proximidades,
(ABNT, 1998).

Nas obras de redes de utilidades, a implantação de dois pares de marcos de


apoio imediato a cada 5 quilômetros lineares, permite densificar o apoio geodésico
básico, assegurando o suporte necessário à qualidade das operações topográficas,
visando ao apoio suplementar de campo para o apoio topográfico, locação,
acompanhamento das obras e levantamento de como construído.

A etapa seguinte será o reconhecimento em campo dos locais escolhidos na


fase de planejamento, realizando as alterações necessárias devido às interferências
encontradas in-loco, como: visadas, ângulos de elevação, vegetação, possibilidade
de obras nos locais, outros.

O local escolhido deve ser bem localizado, permitindo que o mesmo se


mantenha seguro por longos anos, evitando ser destruídos facilmente. O
investimento financeiro em uma rede de marco geodésico de apoio imediato tem um
valor significativo, portanto, seu uso deve ser prolongado.

A materialização dos vértices poderá ser realizada através de pilares ou


marcos troncos de pirâmide (preferencialmente em próprios públicos ou nos prédios
das concessionárias), possibilitando o gerenciamento das atividades nas obras de
engenharia.

A escolha dos pilares em pontos estratégicos permite o uso do processo de


centragem forçada de antenas GPS, teodolitos, estações totais. Esses pilares
devem ser construídos em concreto com estrutura armada, sobre fundações e
136

sapatas retangulares, garantindo a estabilidade do ponto. A figura 5.1 ilustra um pilar


geodésico que faz parte da rede do IBGE, na cidade de Valinhos.

Figura 5.1 - Pilar de centragem forçada – Valinhos/SP

5.4.2. Redes de pequena extensão

No caso de redes de infra-estrutura urbana que sejam de pequena extensão,


ou seja, menores que 1 quilômetro e localizadas em áreas urbanas, há necessidade
de que o município possua uma Rede de Referência Cadastral Municipal, conforme
já comentado anteriormente.

Caso o município não possua a Rede de Referência Cadastral Municipal, será


necessário executar transporte de coordenadas para a implantação de marcos
geodésicos de apoio imediato. Para a materialização destes marcos devemos utilizar
necessariamente os marcos geodésicos do IBGE, próximo à área em questão.
137

Não havendo estes vértices, deve-se transportar coordenadas do vértice


mais próximo à área, com a exatidão constante do quadro I - "Sistema
Geodésico Brasileiro, Classificação dos Levantamentos Geodésicos", do
documento "Especificações e Normas Gerais para Levantamentos
geodésicos - IBGE", servindo como marco geodésico de precisão ao
sistema a ser implantado, (ABNT, 1998), conforme descrito anteriormente.

Para o planejamento e a análise dos possíveis locais onde serão implantados


os pontos geodésicos, a escolha dos locais poderá ser elaborada junto às cartas
disponíveis da região. Recomendam-se as escalas 1:5000, 1:2000 e 1:1000,
possibilitando identificar os prováveis locais a serem utilizados para a implantação
dos marcos, por se tratar de redes de utilidades em áreas urbanizadas, com grande
densificação de edifícios, torres, casas, viadutos, outros.

A pré-seleção nas cartas dos locais onde poderão ser implantados os pontos
geodésicos, permite a visualização total da área de interesse e o planejamento
quanto a possíveis dificuldades a serem encontradas. A definição exata dos locais
onde os marcos serão implantados só poderá ser realizada através de vistoria
realizada in-loco, verificando as possíveis interferências de visadas e de sinais de
satélites.

O uso de marco tronco pirâmide/pilares é o recomendado pela NBR 14166/98,


mas em função de várias dificuldades na materialização desse tipo de marco como
nos locais de grande trânsito de veículos e pessoas, muitas vezes utiliza-se ponto
identificável com placas de bronze chumbada em guias, pisos e alto de prédios.

É importante que os marcos geodésicos implantados estejam em locais


seguros, ou seja, em locais onde a possibilidade de destruição seja menor
permitindo a execução do levantamento topográfico e também do levantamento de
como construído, além de monitoramento futuro do posicionamento tridimensional
da rede de infra-estrutura urbana.

Após a implantação do referido pilar é necessária a elaboração da


monografia correspondente, fornecendo os itinerários e distâncias de
acesso, bem como o nome, número, coordenadas geográficas/plano
retangulares (sistema de projeção e datum), altitudes e azimutes para
outros vértices nas imediações.(COSTA, 1996).
138

5.5. Poligonal e levantamento das interferências

Na determinação de uma rede básica urbana, ou para projetos viários,


recomenda-se que as poligonais tenham o seu desenvolvimento o mais
próximo possível da faixa de projeto, levando-se em consideração as
tolerâncias para seus erros acidentais de fechamento angular, transversal e
longitudinal, NBR 13133/94,(ABNT, 1994).

A NBR 13133/94 define: Poligonal Principal (ou poligonal básica) “Poligonal


que determine os pontos do apoio topográfico de primeira ordem”, (ABNT, 1994).

A constituição de poligonais para levantamentos topográficos de rede de infra-


estrutura urbana possibilita o controle dos elementos coletados em campo; à
distância entre os pontos topográficos variando de 50,00 a 100,00 metros é imposta
pela própria metodologia de execução das redes de utilidades, o estaqueamento
sempre é inferior a 5,00 metros (método não destrutivo) e de 10,00 metros (método
destrutivo).

A necessidade de levantamentos dos pontos de soldas das tubulações,


mudança de direção, caixas, outros, definem as distâncias relativamente pequenas,
o tubo de aço utilizado pela empresa COMGAS nas redes de gás natural tem
aproximadamente 12,00 metros de comprimento, portanto um ponto de solda a ser
levantado a cada 12,00 metros.

As distâncias próximas entre os pontos topográficos das poligonais permitem


melhor controle planimétrico da obra, tanto na fase de levantamento topográfico,
locação e no levantamento de como construído.

Na execução do levantamento planialtimétrico e cadastral, que possibilitará a


aquisição de informações planimétricas e altimétricas para a elaboração dos projetos
básicos e executivos, é importante observar as recomendações da NBR 13133/94
item 3.17 – Levantamento Topográfico Planimétrico Cadastral, no que diz respeito
aos detalhes visíveis e acima do solo.

Por ausência de indicação na referida Norma dos levantamentos de redes de


infra-estrutura subterrânea, recomenda-se que na execução dos cadastros
139

referenciados e levantamentos topográficos sejam identificadas todas as possíveis


redes subterrâneas, através de visualização de elementos físicos e visíveis acima do
solo, tais como tampões, caixas, hidrantes, válvulas, outros.

A busca por informações cadastrais nas Prefeituras, concessionárias e


permissionárias que possuem redes de utilidades em seu território deverão ser
consultadas, permitindo o maior número de informações possíveis para o trecho a
ser levantado. Os equipamentos específicos de localização e detecção de massa
metálica são instrumentos que auxiliam os trabalhos topográficos não devendo ser
desprezados.

O levantamento topográfico e o cadastro técnico das interferências permitem a


orientação da profundidade e posição planimétrica desses elementos. A execução
de sondagem permite conhecer o perfil geológico do terreno, sendo informações
importantes que possibilitam a melhor escolha da metodologia a ser aplicada, o
método destrutivo ou não destrutivo, possibilita, também, a análise quanto ao lençol
freático, definindo os procedimentos e as metodologias aplicáveis que serão
apresentadas às Prefeituras.
140

5.6. Referências de altitudes

Apoio geodésico altimétrico: Conjunto de referência de nível, materializadas


no terreno, que proporciona o controle altimétrico dos levantamentos
topográficos e o seu referenciamento ao datum (origem) altimétrico do país,
NBR 13133/94, (ABNT, 1994).

Para permitir o controle altimétrico do levantamento topográfico e,


posteriormente, o uso na locação da obra e levantamento de como construído, é
importante que sejam determinadas às alturas ortométricas dos Marcos e Pilares
Geodésicos, tendo como referência o Datum Vertical de Imbituba - SC.

Apoio topográfico altimétrico: Conjuntos de pontos materializados no


terreno, com suas alturas referidas a uma superfície de nível arbitrária
(cotas) ou ao nível médio do mar (altitudes), que serve de suporte
altimétrico ao levantamento topográfico. Estes pontos são hierarquizados
pelo seu erro médio quilométrico da sua determinação, classificando-os
como de ordem superior e de ordem inferior (NBR 13133/94).

No local onde a obra vai ser implantada, recomenda-se que todos os vértices
das poligonais utilizados para a elaboração do levantamento topográfico também
sejam nivelados geometricamente, conforme determina a NBR 13133/94 na tabela 8
- Nivelamento de linhas ou circuitos e seções, obtendo suas altitudes.

A implantação de pontos de Ponto de Segurança (PS) em locais seguros, fora


do local onde será implantada a obra, possibilitará restabelecer o apoio altimétrico
caso esses pontos de referências de nível (RRNN) sejam destruídos pelo próprio
caminhamento da rede de utilidade ou por fatores externos que não temos controle.

5.7. Locação e acompanhamento da obra

Os elementos necessários para a locação da obra são: Coordenadas N e E dos


pontos de interseção do eixo de projeto e altitude ortométrica dos mesmos. A
locação desses elementos deverá ser executada de forma criteriosa através de
procedimentos que garantam a exatidão e fidelidade do projeto executivo.
141

Recomenda-se que a locação da obra tenha como ponto de partida os vértices


das poligonais que foram implantados para a execução do levantamento topográfico,
através dos instrumentos eletrônicos - estação total e do GPS, além dos pontos PS
que devem permanecer fora da área de interferência da obra, garantindo as
referências em coordenadas e altitudes, conforme mencionado no item anterior.

A Locação do projeto deve ser iniciada pelos pontos notáveis: início da rede,
mudanças de direções (PIs), pontos de interligações de outros ramais e o ponto
final, determinados através das coordenadas correspondentes, conforme
levantamento topográfico que deu origem ao projeto executivo.

Como normalmente as redes de utilidades acompanham o traçado do sistema


viário existente, os alinhamentos retilíneos são demarcados e estaqueados
conforme o método executivo estabelecido, ou seja, destrutivo ou não destrutivo.
142

5.7.1. Método não destrutivo

Neste método a locação da obra é dividida em duas etapas:

• Locação topográfica;

• Locação através de rastreadores eletromagnéticos.

5.7.1.1 Locação topográfica

É a locação topográfica tradicional em função dos vértices da poligonal


utilizados na elaboração do levantamento topográfico e os pontos estabelecidos no
projeto executivo, sendo conhecidas as coordenadas N, E e Z. O eixo de projeto da
rede de infra-estrutura é demarcado em estacas inteiras, sendo indicadas às caixas
e pontos de deflexões.

A demarcação é realizada através de estação total. Recomenda-se que sejam


realizadas duas leituras do ângulo vertical, direta e inversa, possibilitando identificar
a diferença de nível entre o vértice topográfico e a estaca de projeto, permitindo,
através do nivelamento trigonométrico, estabelecer a diferença de nível e,
conseqüentemente, a altitude da estaca em questão. A figura 5.2 apresenta o
momento da demarcação do eixo de uma rede de utilidade.

Conforme recomenda a NBR 13133/94, o levantamento altimétrico dos pontos


de detalhes pode ser realizado por nivelamento trigonométrico, a partir dos vértices
das poligonais (principais, secundárias e auxiliares), cujas altitudes devem ser
determinadas a partir das referências de níveis do apoio topográfico, por meio de
nivelamento geométrico ou por nivelamento trigonométrico.
143

Nas obras de rede de infra-estrutura urbana, o uso do nivelamento


trigonométrico agiliza os trabalhos e permite obter as precisões necessárias para os
trabalhos com obras subterrâneas.

Figura 5.2 - Demarcação topográfica do eixo da rede – método não destrutivo


144

5.7.1.2 Locação através de rastreadores eletromagnéticos

A locação através do rastreador eletromagnético é uma etapa realizada em


conjunto com a execução da obra, em função da demarcação topográfica do eixo de
projeto da rede. A perfuratriz direcional é posicionada estrategicamente no
alinhamento do eixo da rede e inicia a perfuração do furo piloto. A figura 5.3 ilustra a
perfuratriz no momento da execução do furo piloto.

Figura 5.3 - Posicionamento da perfuratriz no eixo de projeto demarcado

A posição da sonda e a pá da perfuratriz são acompanhadas na superfície pelo


Navegador (operador do rastreador), que controla a posição e profundidade do furo
piloto, conforme estabelecido no plano de furo. A posição é demarcada no solo e a
profundidade indicada no display do equipamento é anotada, gerando o relatório de
furo direcional, conforme figura 5.4. Esse trabalho é realizado a cada avanço de uma
haste da perfuratriz, normalmente variando de 3,00 metros a 4,50 metros.
145

Figura 5.4 - Relatório de furo direcional


146

Os deslocamentos da sonda no subsolo é monitorado na superfície (figuras 5.5


e 5.6) e indicados através de pintura no pavimento. Esse ponto é levantado pela
estação total, permitindo conhecer as coordenadas e altitudes em função da
profundidade indicada pelo rastreador. Recomenda-se que o nivelamento seja o
trigonométrico e executado com leitura do ângulo vertical na posição direta e
inversa, proporcionando menor possibilidade de erro na visada do ponto.

Figura 5.5 - Navegador monitorando o deslocamento da sonda no subsolo

Figura 5.6 - Levantamento dos pontos demarcados pelo Navegador


147

Na execução da locação do furo piloto, o navegador e o operador da


perfuratriz devem possuir habilidade na interpretação das informações apresentadas
no visor do rastreador, tentando garantir a fidelidade do projeto executivo e do plano
de furo estabelecido.

Porém existem vários fatores que impedem que os projetos sejam implantados
conforme estabelecidos nos projetos executivos, ou seja, o encontro de uma
interferência que não tinha sido cadastrada por não conhecimento dos técnicos,
também pela mudança do perfil geológico onde é possível encontrar solos rochosos.
A cada avanço de uma haste da perfuratriz direcional, pode-se encontrar algum tipo
de problema não indicado em projeto e que levará à alteração do mesmo.

Enfim, o método não destrutivo tem sido utilizado em grande escala pelas
empresas prestadoras desses serviços, além dos governos municipais terem
preferência por essa metodologia de perfuração do subsolo. Resta saber se as
redes de utilidades que estão sendo implantadas nos municípios estão
perfeitamente georreferenciadas, pois os mesmos não mantêm fiscais durante a
execução das obras que tenham conhecimentos específicos sobre a metodologia
proposta.

5.7.2. Método destrutivo

No método destrutivo a locação do eixo de projeto é executada através da


estação total. Em terreno com pequena inclinação, de 2% a 3% o estaqueamento
poderá ser executado em estacas inteiras, já em locais com maiores inclinações, o
eixo deverá ser demarcado de 10,00 em 10,00 metros (figura 5.7). No momento da
locação são coletados os ângulos verticais permitindo conhecer a altitude do terreno
através do nivelamento trigonométrico, conseqüentemente, o off-set poderá ser
demarcado para a abertura da vala que é executada com a retro-escavadeira. A
figura 5.8 ilustra uma tubulação de aço já inserida na vala.
148

10,00 metros

Figura 5.7 - Eixo demarcado, estacas de 10 em 10 metros - método destrutivo

Figura 5.8 - Método destrutivo, abertura da vala e lançamento da tubulação.

A locação dos alinhamentos e mudança de direção (PIs) do eixo do traçado da


rede é calculada através das coordenadas desses pontos, obtendo-se os rumos e
149

azimutes em função dos pontos topográficos utilizados para a demarcação. No


exemplo abaixo, consideramos as coordenadas:
Coordenadas do Ponto de Interseção:

• PI1Æ PI1 X
• PI1Æ PI1 Y

Coordenadas do Vértice Topográfico:

• P1 Æ P1 X
• P1 Æ P1 Y

Os rumos são obtidos;

Rumo P1ÆPI1 = arc tg I (PI1 X - P1 X) / (PI1 Y - P1Y) I

Distância P1 Æ PI1 = (PI1X − P1X )² ⊕ (PI1Y − P1Y )²

Recomenda-se que os pontos de interseções sejam demarcados de dois


vértices topográficos, garantindo, assim, a integridade estabelecida no projeto
executivo.
P2 - Ponto de poligonal

PI1

P1 – Ponto de poligonal
150

5.8. Levantamento de como construído e implantação da obra

Após a locação dos elementos do projeto, deverá ser mantida uma equipe de
topografia, com os seguintes equipamentos:

• Estação total;
• Nível automático.

Conforme os processos construtivos forem avançando, é necessário o


constante monitoramento da posição tridimensional da rede que está sendo
implantada, garantindo a qualidade da obra e a fidelidade dos projetos.

A implantação de uma rede de utilidade exige sincronismo entre as equipes


que estão envolvidas no trabalho, as etapas são dependentes, tornando um trabalho
difícil de executar. O principal desafio é garantir a execução da obra conforme o
projeto executivo.

Os tubos que serão inseridos no subsolo, já estão soldados entre si, totalizando
um comprimento considerável, são arrastados pela perfuratriz direcional e a
trabalhabilidade com o conjunto da tubulação se torna difícil, o que dificulta garantir
a integridade da posição e profundidade estabelecida no projeto executivo que
dificilmente é atingida.

Na ocorrência de situações que determinem alterações nos projetos durante a


execução da obra, as mesmas deverão ser levantadas através dos equipamentos já
mencionados, amarrado ao sistema de coordenada em uso, obtendo-se novas
plantas dos projetos nas mesmas escalas.
151

A NBR 14.641-1 define: “como construído” (as built) ou levantamento


topográfico de obras:

Levantamento topográfico específico, integrante do procedimento fiscal de


execução de obras na construção civil e industrial, que, amarrado ao
mesmo sistema tridimensional de referência espacial adotado no projeto de
uma construção e utilizando instrumentalmente todos os processos
adequados ao rigor exigido pelo procedimento fiscal, que realiza o
acompanhamento da obra, passo a passo, até a sua conclusão. Este
levantamento determina no seu desenvolvimento, uma exatidão adequada,
o posicionamento espacial das bases de assentamento e dos detalhes
específicos da configuração espacial da construção considerada em relação
a pontos notáveis existentes no terreno e/ou às divisas de imóveis que lhe
são adjacentes, escolhidas como amarração da construção, quando da
elaboração do seu projeto, (ABNT, 2001).

Para possibilitar a exatidão do posicionamento tridimensional da rede


implantada, é necessária a realização do levantamento de como construído. Nas
obras de engenharia onde é utilizado o método destrutivo, esse trabalho é
executado após a colocação da tubulação na vala e, posteriormente, são levantados
todos os pontos de solda de união dos tubos. A figuras 5.9 apresenta o momento em
que se está executando o levantamento de como construído de uma rede de gás
natural em aço da concessionária COMGAS, na geratriz superior da tubulação
através do nivelamento trigonométrico.

Recomenda-se:

• Que esses pontos sejam levantados com estação total, através do


método de irradiação, utilizando leituras duplas do ângulo horizontal e
vertical (tombo da luneta).

• Utilizar os receptores GPS nos locais onde não se tenham problemas com
recepção de sinais de satélites ou algum tipo de interferência. O
levantamento poderá ser executado em tempo real, acompanhado de um
receptor para indicar a profundidade da tubulação no ponto medido.
152

• As altitudes sejam adquiridas através do nivelamento trigonométrico,


tendo como referência um dos vértices da poligonação de apoio
topográficos com altitude ortométrica conhecida.

• As distâncias para a coleta desses dados não devem ser superiores a


80,00 metros, o que pode aumentar o erro da observação. Os pontos são
levantados com a baliza posicionada na geratriz superior dos tubos.

Figura 5.9 - Levantamento como construído, geratriz superior da tubulação

No método não destrutivo, recomenda-se a colocação de uma sonda no início


da tubulação junto ao alargador, que vai retornar pelo mesmo local onde foi
executado o “furo piloto”, aumentando o diâmetro do micro túnel. A figura 5.10
apresenta o local recomendado para a colocação da sonda.

Esse procedimento permite acompanhar o local provável onde a tubulação está


sendo inserida, sendo acompanhado na superfície pelo rastreador, que vai
153

localizando a sonda a cada momento, possibilitando a coleta das informações de


profundidade e posição dos tubos no instante em que são inseridos no subsolo.

Esta etapa não é realizada pelas empresas de perfuração, que garantem que a
tubulação será inserida na posição que foi executado o furo piloto, portanto não é
executado o levantamento de como construído. Os dados apresentados nas plantas
do As built são o da locação da obra.

Local sugerido para colocação da sonda

Figura 5.10 - Local sugerido para colocação de uma sonda; junto ao alargador

Após a inserção da tubulação no subsolo, é possível realizar o levantamento


dos pontos onde foram coletadas as informações de profundidade e a posição da
tubulação. Executa-se o levantamento topográfico com a estação total, dos pontos
demarcados na superfície pelo navegador, através de um ponto de poligonal
conhecido em planimetria e altimetria.

Com o procedimento acima a posição tridimensional da tubulação, tem maior


garantia do posicionamento real da tubulação; recomenda-se que a informação
154

adquirida na execução do furo piloto não seja utilizada como levantamento de como
construído, pois os dados da posição e profundidade são da sonda na execução do
furo piloto e não da tubulação inserida no subsolo após o aumento do diâmetro do
túnel. Com o advento de novas tecnologias de mapeamento como é o caso das
estações totais e dos localizadores de cabos e dutos enterrados, ambos integrados
com o GPS permitem a coleta das informações de forma rápida e precisa. Essas
informações podem ser associadas a software CAD e SIG, possibilitando a
integração e unificação dos dados entre os vários layers, viabilizando um cadastro
único de redes de utilidades.

A elaboração de um mapa geoidal dos municípios permite a execução dos


levantamentos topográficos, locações de obras e dos levantamentos de como
construído com maior agilidade e produtividade, quando os mesmos forem
associados aos receptores GPS. A exatidão de um mapa geoidal é compatível com
as necessidades das redes subterrâneas, pois a porcentagem de erro imposta pelos
fabricantes dos instrumentos de localização são +- 5% da leitura da profundidade em
condições adequadas20. Caso a leitura realizada da profundidade de uma tubulação
tenha sido de 2,00 metros o erro que o equipamento apresenta é de +- 10 cm.

5.9. Gerenciamento do cadastro único das redes de utilidades

Quando um novo projeto de rede de utilidade é planejado, o primeiro trabalho a


realizar é a busca de informações dos cadastros existentes do local da intervenção.
As buscas são realizadas nas concessionárias, permissionárias, empresas privadas
e prefeituras, conforme já comentado no capítulo 3.

As dificuldades para se obter as informações que permitam fornecer subsídios


para a elaboração dos projetos executivos são muitas: falta de cadastro, incertezas
das informações prestadas, desenhos esquemáticos de instalações, entre outras.

20
Informação apresentada no manual do localizador de tubos e cabos Radiodetection série RD4000,
Ver. 03.00 – Nov/02, p.26 - p.27
155

Para tentar desviar das possíveis interferências existentes, recomenda-se


realizar um “raio-x” no subsolo da região em questão, garantindo maior
confiabilidade das informações para a elaboração dos projetos executivos.

A busca de documentação é considerada um simples apoio ao


desenvolvimento dos trabalhos. O levantamento em campo é fundamental para
fornecer subsídios de segurança sobre o local da intervenção. Independente dos
cadastros adquiridos, será necessário o cadastro in-loco.

Os dados técnicos fornecidos pelas concessionárias, Prefeitura, outros, são


apenas mais uma informação indicativa da existência de uma rede no local que se
tornou interferência para a obra, porém nem sempre as informações são
atualizadas. Portanto para a implantação de uma nova rede, extensão ou
remanejamento, será necessário o cadastro em campo de todos esses elementos
(dutos, cabos, caixas, registros, outros), que poderá ser executado com o apoio dos
localizadores eletromagnéticos, georadar, prospecções localizadas, inspeções de
dispositivos. Os mesmos devem ser amarrados com a topografia através de
levantamento topográfico georreferenciado dos elementos cadastrados no subsolo e
superfície. Com esse trabalho é possível compor informações para constituir um
cadastro unificado das várias interferências existentes na região.

Os esforços para a constituição de um cadastro único de redes subterrâneas,


vem sendo discutido há muito tempo, mas as iniciativas são tímidas nesse sentido.
As reuniões entre concessionárias e poder público não tem levado ao êxito. A
legislação precisa ser alterada para permitir ao órgão público dispor de ferramentas
para que a mesma seja cumprida.

A constituição de um cadastro único requer iniciativas simples até então não


colocadas em prática como:

1. Cadastro técnico;
2. Levantamento georreferenciado;
3. Referenciais únicos;
4. Execução das obras;
156

5. Fiscalização rígida dos órgãos públicos e concessionárias;


6. Levantamento de como construído;
7. Apresentação dos arquivos em meio digitais, padronizados;
8. Base cartográfica única.

De forma geral, existem muitos debates, seminários e discussões entre vários


setores da área técnica e órgãos públicos, porém questões básicas de unificação de
procedimentos cartográficos e topográficos são pouco lembradas e, quando estão
presentes, não são adequadas.

Com essas dificuldades, a constituição de um cadastro único se torna cada vez


mais difícil de ser implantado. A integração dos dados e informações cadastrais
devem ser unificadas, estabelecendo procedimentos desde a execução do
levantamento topográfico, conforme detalhado na NBR 13133/94, até a produção da
planta final do levantamento de como construído em conjunto com os arquivos em
meio digital.

A simples reformulação dos processos e procedimentos cartográficos/


topográficos e a fiscalização rigorosa, possibilita a constituição de um cadastro único
de redes de infra-estrutura subterrânea. As iniciativas não são claras, o processo de
padronização dos procedimentos, a centralização das atividades em um centro de
comunicação como os chamados One-Call System (existente no Estados Unidos e
Japão) onde o início de uma obra é comunicado através do Call Center, fax ou
internet permite colaborar com a segurança, porém somente isso não resolve o
problema aqui no Brasil.

Algumas iniciativas estão sendo tomadas, como é o caso da cidade de São


Paulo que possui um projeto piloto de gerenciamento dessas atividades, e pretende
alterar os procedimentos através de edição de nova portaria, a fim de tentar a
ordenação das obras no subsolo. Como existe o objetivo de constituição de cadastro
único das redes de infra-estrutura urbana, recomenda-se que sejam estabelecidos
procedimentos que garantam a exatidão da informação tridimensional.
157

Finalizando, a implantação de um Sistema de Informação Geográfica – SIG,


será de fundamental importância para o controle das atividades no subsolo,
permitindo a rapidez no atendimento aos reparos necessários às redes,
planejamento, expansão e outros. Este autor recomenda a constituição de um
Instituto que faça o gerenciamento dessas atividades no subsolo, recebendo as
informações cadastrais e de projetos das concessionárias, empresas e Prefeituras,
sendo disponibilizadas aos usuários.
158

6. ESTUDO DE CASOS

Nas obras de expansão da rede de gás natural na cidade de Campinas,


Jundiaí, Caieiras e Franco da Rocha, tendo como concessionária a Companhia de
Gás de São Paulo – COMGAS, foi feito o acompanhamento de todo o trabalho
desde o ínicio da execução da obra até a finalização, conforme detalhado abaixo.

• MÉTODO NÃO DESTRUTIVO


• Demarcação do eixo de projeto;
• Execução do furo piloto pela perfuratriz direcional;
• Acompanhamento da localização da sonda pelo rastreador;
• Introdução da tubulação no micro túnel;
• Análise das soldas executadas nos tubos;
• Fechamento das trincheiras.

• MÉTODO DESTRUTIVO
• Demarcação do eixo de projeto;
• Abertura da vala;
• Colocação da tubulação na vala;
• Levantamento de como construído;
• Sinalização, compactação e fechamento da vala;
• Sinalização através de marco de concreto e chapa.

Na execução das obras das redes de infra-estrutura, estiveram envolvidas as


empreiteiras Azevedo e Travassos S/A nas cidades de Jundiaí, Caieiras e Franco da
Rocha e na cidade de Campinas a empreiteira Queiroz Galvão/Grupo Engibras.

A perfuração foi realizada pela perfuratriz direcional, e os dados transmitidos


pela sonda foram anotados no relatório de plano de furo, para serem utilizados na
elaboração das planta do levantamento de como construído.

Os trabalhos de comparação dos equipamentos foram desenvolvidos em três


locais diferentes e fases distintas da obra, possibilitando a análise dos dados em
159

situações diferenciadas, pois existiam interferências externas que poderiam


prejudicar os sinais enviados pelo transmissor e recebidos pelo receptor. Abaixo,
indicamos as fases em que as obras se encontravam no momento da execução dos
trabalhos de coletas dos dados, além dos equipamentos utilizados.

• Na execução do furo piloto, obra em andamento. Utilizado a sonda


”preta” da perfuratriz, modelo Ditch Witch 2720 e rastreador SubSyte
750 Tracker;
• Após a conclusão da obras, sem a rede estar em operação através do
método indutivo. Transmissor RD 4000 e RD 433 da Radiodetection;
• Após a conclusão da obra, já com a rede estando em operação,
através do método conectado. Transmissor e receptor e RD 4000 e RD
433 da Radiodetection.

A tabela 6.1 apresenta as leituras obtidas pelos diversos receptores em datas


diferenciadas, permitindo identificar a profundidade da tubulação de aço,
possibilitando a comparação e análise dos resultados.

Para a execução desses trabalhos contamos com a presença de um técnico da


Companhia de Gás de São Paulo na operação dos receptores e localizadores.
Tivemos também a colaboração de um agrimensor da empresa Azevedo e
Travassos na demarcação do eixo da rede onde está enterrada a tubulação, além da
execução do nivelamento trigonométrico que possibilitou a comparação dos
resultados das profundidades.

Os instrumentos comparados foram os receptores e transmissores da linha RD


4000, RD 433, todos da Radiodetection e a perfuratriz direcional Ditch Witch que
trabalha com o rastreador SubSite 750 tracker, os quais já foram ilustrados
anteriormente.
160

6.1. Rua Luis Salomão – Jundiaí/SP


Rastreador SubSite 750 tracker x Transmissor/ Receptor RD 433 e RD 4000
COMGAS - Obra: Sistema Cajamar - Caieiras
Estaca inicial 383 + 15,00 - Estaca final 389 + 12,00
Operador: Emerson M. R. Gonçalves - Técnico da Comgas
Haste Ditch witch RD 433 RD4000 RD 4000
SubSite 750 Mét.conectado Mét.indutivo Mét.conectado
2/6/2005 14/10/2005 27/10/2005 12/7/2006
1 1,43 1,50 1,74 1,44
2 1,52 1,58 1,78 1,57
3 1,52 1,63 1,85 1,56
4 1,51 1,61 1,88 1,57
5 1,53 1,61 1,93 1,63
6 1,60 1,66 2,00 1,63
7 1,58 1,70 2,05 1,65
8 1,62 1,64 2,03 1,62
9 1,61 1,67 2,00 1,61
10 1,65 1,57 1,98 1,60
11 1,54 1,55 2,01 1,57
12 1,53 1,51 1,91 1,57
13 1,57 1,90 1,99 0,00
14 1,61 1,95 2,31 1,67
15 1,61 1,92 0,00 1,64
16 1,66 1,60 0,00 1,74
17 1,70 1,65 2,92 0,00
18 1,65 0,00 0,00 1,82
Zero na tabela (não
19 1,71 1,63 2,18 1,54 foi possível coletar o
dado em campo).
20 1,65 1,42 1,90 1,52
21 1,50 1,34 1,74 1,46
22 1,36 1,24 1,64 1,32
23 1,25 1,19 1,55 1,23
24 1,20 1,19 1,57 1,15
25 1,27 1,22 1,57 1,14
26 1,30 1,22 1,61 1,15
27 1,38 1,22 1,61 1,14
28 1,33 0,00 1,67 1,12
29 1,32 1,25 1,66 1,12
30 1,34 1,17 1,68 1,09
31 1,34 1,19 1,78 1,07
32 1,33 1,19 1,77 1,07
33 1,30 1,22 2,15 1,12
34 1,34 1,28 2,31 1,14
35 1,34 1,29 1,80 1,19
36 1,35 1,40 1,82 1,20
37 1,35 1,39 1,97 1,18
38 1,40 0,00 1,88 1,15
39 1,39 0,00 2,06 0,00

Tabela 6.1 - Valores das medidas de profundidade(metro)


161

GRÁFICO 1 - DISPERSÃO DOS RESULTADOS

Comparação entre Rastreador e Receptores


3,20

3,00

2,80

2,60

2,40

2,20
Profundidade (metro)

2,00

1,80

1,60

1,40

1,20

1,00

0,80

0,60

0,40

0,20

0,00
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41

Per.Direcional Ditch witch 2/6/2005 Hastes - estacas de 3 em 3 metros


RD 433 Mét.conectado 14/10/2005 valor zero não foi medido
RD4000 Mét.indutivo 27/10/2005
RD 4000 Met.conectad 12/7/2006

Gráfico 6.1- Comparação entre rastreador e receptores


162

6.1.1. Análise dos resultados

Comparando os resultados da tabela 6.1 e do gráfico 6.1, percebe-se que o


método indutivo não é aconselhado para esse tipo de trabalho, confirmando as
informações no manual do equipamento RD 4000, principalmente em locais onde
existe cabo de energia elétrica, como é o caso da rede na rua em questão, onde se
tem uma rede elétrica sobre a tubulação; portanto, os resultados foram descartados.

O uso do receptor no método conectado possibilitou verificar que houve maior


coesão dos dados coletados com indicação de melhor qualidade quando relacionado
com o rastreador da perfuratriz direcional. Percebe-se que existiram algumas
variações que podem ser significativas, porém estão na margem de erro utilizada
pela Comgas 15% da profundidade. Na haste 13,14 e 15 o RD 433 não coletou
dados confiáveis: as diferenças foram maiores (sugere-se o retorno ao campo para
avaliação do problema). É possível avaliar que entre as hastes 24 e 36 o gráfico do
Rd 433 se manteve distante em relação ao da perfuratriz, induzindo a pensar que
houve um recalque da tubulação naquele trecho.

Já com o Rd 4000 no método conectado, também encontramos pontos


divergentes entre as hastes 24 e 36. O gráfico é muito parecido com o do RD 433
confirmando a possibilidade de recalque na tubulação no trecho.

O método indutivo deve ser descartado para a localização de tubulações


enterradas na busca da profundidade do tubo. O método conectado permite maior
precisão dos dados coletados, trabalhando conforme determina o fabricante. Como
já comentado, esses equipamentos operam com uma precisão de +- 5% de erro na
leitura da profundidade medida, sempre em relação ao eixo do tubo.
163

6.2. Marginal da rodovia Anhangüera - km 58, Jundiaí/SP

Rastreador SubSite 750 tracker x transmissor da série RD 4000


COMGAS - Obra: Sistema Cajamar - Caieiras
Estaca inicial 184 + 0,00 - Estaca final 190 + 14,00
Operador: Emerson M. R. Gonçalves - Técnico da Comgas
Haste Ditch witch RD4000 RD4000
SubSite 750 Mét.indutivo Mét.conectado
28/9/2005 27/10/2005 12/7/2006
1 2,30 2,42 2,20
2 2,35 2,73 2,27
3 2,45 2,74 2,26
4 2,55 3,01 2,57
5 2,60 3,12 2,68
6 2,70 3,25 2,78
7 2,75 3,28 2,84
8 2,76 3,59 2,98
9 2,95 3,39 3,09
10 3,00 3,46 3,11
11 3,12 3,64 3,24
12 3,17 3,60 3,31
13 3,18 3,59 3,34
14 3,16 3,85 3,33
15 3,13 4,11 3,36
16 3,13 4,09 3,41
17 3,17 3,72 3,39
18 3,21 3,74 3,32
19 3,32 3,66 3,33
20 3,28 3,85 3,35
21 3,35 3,62 3,33
22 3,20 3,90 3,34
23 3,22 3,87 3,33
24 3,22 3,45 3,30
25 3,18 3,81 3,37
26 3,11 3,81 3,40
27 3,10 3,83 3,41
28 3,06 3,53 3,41
29 3,04 3,50 3,39
30 2,98 3,44 3,35
31 2,90 3,35 3,21
32 2,81 3,15 2,98
33 2,70 3,06 2,84
34 2,55 2,81 2,50
35 2,35 2,66 2,44
36 2,25 2,44 2,32
37 2,17 2,45 2,28
38 2,20 2,56 2,28
39 2,20 2,52 2,31
40 2,24 2,50 2,40
41 2,25 2,58 2,39
42 2,20 2,41 2,28

Tabela 6.2 - Valores das medidas de profundidade(metro)


164

GRÁFICO 2 - DISPERSÃO DOS RESULTADOS

Comparação entre Rastreador e Receptor

4,40
4,20
4,00
3,80
3,60
3,40
3,20
3,00
Profundidade (metro)

2,80
2,60
2,40
2,20
2,00
1,80
1,60
1,40
1,20
1,00
0,80
0,60
0,40
0,20
0,00
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 2425 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 4041 42 43 44 45 46 47 48

Per.Direcional Ditch witch 28/9/2005


Hastes - estacas de 3 em 3 metros
RD4000 Mét.conectado 12/7/2006
RD4000 Mét.indutivo 27/10/2005

Gráfico 6.2 - Comparação entre rastreador da perfuratriz e receptor


165

6.2.1. Análise dos resultados

Neste trecho, foram comparados os resultados obtidos pelo rastreador SubSite


750, utilizado com a perfuratriz direcional e o receptor RD 4000 nos métodos
indutivo e conectado. Através da tabela 6.2 e gráfico 6.2. Analisando os resultados
do gráfico de dispersão e como mencionado na análise elaborada no item anterior, o
método indutivo deve ser descartado para esse tipo de trabalho, pois não atende as
necessidades e as tolerâncias admitidas.

Na comparação entre o rastreador da perfuratriz direcional e o receptor RD


4000 no método conectado, percebe-se a simetria das medidas entre as hastes 1 a
12. Entre as hastes 13 e 33 os dados coletados foram incompatíveis com a
necessidade e precisão requerida, indicando que, aparentemente, houve uma
elevação da tubulação neste trecho no momento da colocação da tubulação no
subsolo pela perfuratriz. Sugere-se que a empresa faça novas leituras ou mesmo
sondagem para buscar identificar os problemas apresentados durante o estudo.

Algumas diferenças estão sendo encontradas porque as leituras realizadas em


campo são interpretadas como se fossem medidas na geratriz superior do tubo. As
mesmas são repassadas para os desenhistas e executadas as plantas do
levantamento de como construído dessa forma, sem considerar o diâmetro do tubo,
gerando dados incorretos.

Como não é realizado o levantamento de como construído após a colocação da


tubulação, as dúvidas sempre estarão presentes, portanto, é necessária a sua
execução após a colocação da tubulação, e o controle constante quando a mesma
estiver em operação. A figura 6.1 ilustra parte de uma planta que foi elaborado o
levantamento de como construído, onde não foi considerado o diâmetro da
tubulação nas leituras realizadas em campo.
166

Figura 6.1 - Desenho do levantamento de como construído, trecho comparado

Observa-se que na haste H 19 a leitura realizada em campo e anotada no


relatório de plano de furo (figura 5.4 e tabela 6.2) é de 3,32 metros de profundidade.
Essa leitura foi transferida para a planta do levantamento “como construído” sem a
subtração da meia seção do tubo, já que os rastreadores obtém as leituras de
profundidade no centro do tubo.
167

6.3. Estrada velha de Campinas - São Paulo, Caieiras/SP

Comparação do levantamento como construído


x Transmissor da série RD 4000
COMGAS - Obra: Sistema Cajamar - Caieiras
Método destrutivo - Estrada Velha Campinas - São Paulo
Op.: Emerson M.R. Gonçalves - Técnico da Comgas
Estacas Niv. Trig. RD4000 RD4000
Topografia Mét.indutivo Mét.Conectado
27/10/2005 27/10/2005 27/7/2006
1 1,51 1,56 1,53
2 1,51 1,64 1,57
3 1,52 1,50 1,45
4 1,44 1,44 1,40
5 1,56 1,46 1,50
6 1,68 1,65 1,60
7 1,70 1,65 1,63

Tabela 6.3 - Valores das medidas de profundidade(metro)


168

GRÁFICO 3 - DISPERSÃO DOS RESULTADOS

Comparação entre Topografia e Receptor


1,80

1,60

1,40
Profundidade (metro)

1,20

1,00

0,80

0,60

0,40

0,20

0,00

0 1 2 3 4 5 6 7 8
Niv. Trig. Topografia 27/10/2005
RD4000 Mét.indutivo 27/10/2005
Pontos de solda de 12 em 12 metros
RD4000 Mét.Conectado 27/7/2006

Gráfico 6.3 - Comparação entre topografia e receptor


169

6.3.1. Análise dos resultados

Neste trecho, foram realizadas leituras com os receptores RD 4000 através do


método indutivo e conectado, também coletadas as medidas através do
levantamento trigonométrico na geratriz superior da tubulação com equipamento de
topografia, ou seja, a estação total, sendo realizado a soma da meia seção da
tubulação. Comparando os resultados obtidos no gráfico 6.3 e na tabela 6.3, verifica-
se que os mesmos são compatíveis, inclusive o método indutivo.

Neste local não foi constatada nenhum tipo de rede elétrica e interferência
visível, pois se encontra na lateral de uma rodovia no perímetro rural, portanto, os
dados coletados inclusive pelo método indutivo foram satisfatórios em relação ao
levantamento trigonométrico.

Este estudo de caso permitiu concluir que os receptores e rastreadores podem


contribuir no cadastro e execução das obras subterrâneas. Porém em alguns
momentos as dificuldades com interferências prejudicam a coleta da medida e a
resposta não é satisfatória, como pode-se observar no estudo de caso do item 6.1 e
6.2. Nestes locais os equipamentos não apresentaram dados satisfatórios, ou seja,
medidas próximas, o que na teoria deveria acontecer.

Portanto os dados foram inconsistentes, gerando dúvidas na profundidade real


da rede executada, conseqüentemente na planta do levantamento de como
construído. Recomenda-se a execução de poço de inspeção a cada 50,00 metros
para conferir as leituras de profundidade feita pelos rastreadores, permitindo resolver
possíveis problemas na implantação da obra.
170

7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

7.1. Conclusões

Os esforços conduzidos neste trabalho de dissertação, envolveram coletas de


informações novas, bem como o estudo de casos de redes de utilidades. No que diz
respeito ao método não destrutivo, pode-se notar que as tecnologias disponíveis no
Brasil são as mesmas utilizadas nos países mais desenvolvidos, tanto para a
execução das obras e da localização dos cabos e dutos enterrados.

Com o crescimento das cidades envolvendo novos serviços, o gerenciamento


das atividades no subsolo são importantes para evitar a escassez do espaço
subterrâneo que vem sendo ocupado de forma inadequada, mostrando que os
governos devam instituir normas e procedimentos para seu uso.

Como mencionado no capítulo 2, nenhum Município possui um cadastro


centralizado e georreferenciado de redes, reforçando a necessidade imediata da
construção desse cadastro. A inexistência de uma base cartográfica unificada, que
permita exatidão dos pontos levantados é necessidade.

Percebe-se que na implantação das obras de redes, as referências


planimétricas e altimétricas são negligenciadas, sendo que o uso inadequado tem
contribuído para aumentar os erros no posicionamento dos pontos. Nas entrevistas e
acompanhamento das obras, nota-se a falta de capacitação dos profissionais
envolvidos com essa atividade.

Os planos diretores dos municípios devem incorporar estudos dos locais para a
implantação de redes de utilidades, em função do crescimento da cidade e indicando
inclusive o uso do método de execução. A cobrança pelo uso do subsolo é legítima e
seus recursos devem ser aplicados na organização e desenvolvimento do cadastro.
171

A fiscalização pelos órgãos públicos não existe e a falta de procedimentos


para apresentação dos projetos não são padronizados. Portanto é necessário que
cada concessionária possua um cadastro georreferenciado de suas redes,
permitindo organizar eficientemente o espaço subterrâneo utilizado de forma
integrada, tornando-se fundamental para a constituição de um cadastro único.

Na metodologia proposta no capítulo 5 se mostrou necessária a constituição de


um cadastro único que até então não foi colocado em prática por nenhum município
visitado ou conhecido.

No estudo de casos mencionados no capítulo 6, permite concluir que existem


várias dificuldades na coleta da profundidade das redes, e que os valores obtidos
não possibilitam segurança da informação, conforme mostram as tabelas 6.1, 6.2 e
6.3. Na minha avaliação final os equipamentos não atendem a exatidão necessária
para as obras de redes de utilidades subterrâneas.
172

7.2. Recomendações para estudos futuros

1. Estender a pesquisa referentes aos equipamentos de localização e


rastreadores com a topografia convencional, realizando comparações através
de abertura de poço de sondagem a cada 50 metros;

2. Realizar, no método pipe jacking, pesquisa para análise da direção,


inclinação e posição do túnel estabelecido em projeto comparando com o
levantamento de como construído;

3. Revisar a NBR nº 12586/92 – Cadastro de sistema de abastecimento de


água, adequando às novas tecnologias de mapeamento;

4. Revisar a NBR nº 12587/92 – Cadastro de sistema de esgotamento sanitário,


adequando às novas tecnologias de mapeamento;

5. Revisar a NBR nº 13133/94 – Execução de Levantamentos Topográficos -


contemplando nos levantamentos específicos das redes de infra-estrutura, os
equipamentos auxiliares (localizadores, detectores de massa metálica e
cabos enterrados, estabelecendo exatidão para as obras no subsolo);

6. Alterar a legislação referente ao cadastro subterrâneo dos municípios;

7. Realizar ensaios comparativos de custo/tempo/qualidade entre as redes


executadas pela perfuratriz direcional, sistema pipe jacking, tunnel liner e
galeria técnica.

8. Constituir um Instituto que gerencie todas as atividades realizadas no


subsolo, que integre representantes das concessionárias, empresas de
perfuração, Prefeituras e Governo do Estado;
173

ANEXOS

Os anexos estão apresentados em um CD que faz parte desta dissertação.


174

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