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SUMÁRIO
1.TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS ............................................................................................................ 2
1.3 CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS ............................................................................................... 2
A) UNIVERSALIDADE .................................................................................................................................... 2
B) ESSENCIALIDADE ..................................................................................................................................... 3
C) RELATIVIDADE ......................................................................................................................................... 3
D) HISTORICIDADE ....................................................................................................................................... 3
E) INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA ............................................................................................... 4
F) IMPRESCRITIBILIDADE ............................................................................................................................. 4
G) INALIENABILIDADE .................................................................................................................................. 4
H) IRRENUNCIABILIDADE ............................................................................................................................. 5
I) INEXAURABILIDADE/ABERTURA/NÃO EXAUSTIVIDADE .......................................................................... 5
J) VEDAÇÃO AO RETROCESSO ..................................................................................................................... 5

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1.TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS


1.3 CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS
A) UNIVERSALIDADE para todos sem discriminação

Os direitos humanos conferem titularidade de gozo às pessoas tão somente por ostentarem
a condição humana, independentemente de sexo, raça, cor, religião, etnia ou outra condição. A
universalidade surge no pós-segunda guerra mundial (se contrapondo à ideia de superioridade
de raças proveniente do nazismo), mormente em 1948, com a edição da Declaração Universal de
Direitos Humanos (“Declaração de Paris”) que dispõe que basta a condição humana para a
titularidade de direitos – “ todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
(Art. 1° DUDH).
Há uma relativização da soberania dos países.
Para alguns doutrinadores, transnacionalidade consiste no reconhecimento dos direitos
humanos onde quer que o indivíduo esteja.
A ideia de inerência, ou seja, qualidade de pertencimento à natureza humana, decorre da
universalidade.
A tese da universalidade é contrariada pelo relativismo cultural: esta tese se contrapõe ao
universalismo e defende que os direitos humanos não são universais, eis que o direito é produzido
de acordo com o sistema político, econômico, cultural, social e moral, vigentes em determinada
sociedade.
Para o relativismo cultural, cada cultura possui seu discurso próprio de direitos
fundamentais e que se relaciona com as específicas circunstâncias culturais e históricas de cada
sociedade.
Para além dessa divergência, a doutrina entende por um forte universalismo e fraco
relativismo cultural, ou seja, a cultura não pode servir de óbice ao desrespeito a direitos humanos
que são consenso no mundo.
Veja a Convenção de Viena que fala sobre o forte universalismo e fraco relativismo:

“Convenção de Viena, 1993  item 5: Todos os direitos humanos são


universais, indivisíveis interdependentes e inter-relacionados. A
comunidade internacional deve tratar os direitos humanos de
forma global, justa e equitativa, em pé de igualdade e com a mesma
ênfase. Embora particularidades nacionais e regionais devam ser
levadas em consideração, assim como diversos contextos históricos,
culturais e religiosos, é dever dos Estados promover e proteger todos os
direitos humanos e liberdades fundamentais, sejam quais forem seus
sistemas políticos, econômicos e culturais.”

Obs.: A proteção à universalidade não contraria a ideia de que determinados


grupos vulneráveis (minorias) precisam de maiores doses de proteção do Estado, por
intermédio da igualdade material. Por exemplo, com o estabelecimento de cotas para
ingresso em universidades públicas.

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B) ESSENCIALIDADE
São direitos essenciais, necessários à existência do ser humano. No que se refere ao plano
formal, estão previstos no topo do sistema normativo de cada país – constituição federal e no plano
material refere-se aos direitos mais importantes para o convívio social, valores supremos do ser
humano e a prevalência da dignidade humana.
Deriva da essencialidade a superioridade normativa. Os tratados internacionais de direitos
humanos estão acima da legislação ordinária, equiparados às emendas constitucionais, quando
aprovados na forma do Art. 5°, §3° da Constituição Federal ou quando não aprovados por esse
quórum especial têm a natureza supralegal, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal.

Obs.: Nos direitos humanos, utiliza-se a expressão “normas de Jus Cogens”


significando, basicamente, normas imperativas que são aceitas e conhecidas pela
comunidade internacional e inderrogáveis, salvo por outra norma de igual hierarquia.

C) RELATIVIDADE
Por relatividade, entende-se que não há direito absoluto. No caso concreto, os direitos irão
colidir. Exemplo: Direito a imagem x direito a informação jornalística. Estão sujeitos à ponderação,
sopesamento entre eles, sendo que um irá prevalecer sobre o outro em situações específicas,
diante de critérios de razoabilidade e proporcionalidade.
O direito à vida, um dos mais importantes bem jurídicos da sociedade, não é absoluto.
Falamos de relativização, por exemplo, no caso previsto constitucionalmente de guerra declarada
e, também, no instituto penal da legitima defesa.
No direito constitucional, essa característica é conhecida como princípio da convivência das
liberdades públicas.

CUIDADO: Para alguns doutrinadores, a vedação à escravidão e à vedação a


tortura seriam direitos absolutos, eis que, em casos concretos, nunca são relativizados.

No sentido de que a vedação a tortura seria um direito absoluto, o Art. 2° da Convenção da


ONU contra Tortuta aduz:

Art. 2. Item 2: Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias


excepcionais tais como ameaça ou estado de guerra, instabilidade
política interna ou qualquer outra emergência pública como justificação
para tortura.

D) HISTORICIDADE
Os direitos humanos são históricos, construídos ao longo do tempo, em um movimento
pendular de avanços e retrocessos. Segundo Hanah Arendt, os direitos humanos não são um dado,
mas um construído.

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Com o fim da Segunda Guerra e com o nascimento da Organização das Nações Unidas, a partir
de 1945, que os direitos humanos começaram a se efetivar no plano internacional. A partir desse
momento – pós 2ª Guerra Mundial –, fala-se em Internacionalização dos Direitos Humanos ou
Direitos Humanos contemporâneos.

Segundo Bobbio (A era dos direitos), os direitos humanos são históricos, nascidos
em certas circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades
contra velhos poderes, e, nascidos de modo gradual, não todos de uma vez nem de
uma vez por todas.

Direitos humanos são mutáveis, adaptáveis, dinâmicos, e não são estacionários.

 CUIDADO: Quando se estuda o fundamento jusnaturalista, verificamos que os direitos


humanos são decorrentes da natureza, fixos, absolutos, imutáveis e preexistente ao
surgimento do Estado. No entanto, atualmente, não subsiste mais o fundamento
jusnaturalista, prevalece que os direitos humanos são mutáveis – a sociedade demanda
do Estado novos carecimentos e o Estado, por vezes, reconhece essa demanda criando
um novo direito, sobretudo pela introdução desse direito na Constituição Federal.

 Ex.: As emendas constitucionais que criaram novos direitos sociais (espécie de direitos
fundamentais): transporte, alimentação e moradia e foram introduzidas no art. 6° da
Constituição Federal.

E) INDIVISIBILIDADE E INTERDEPENDÊNCIA
Os direitos humanos possuem mesma hierarquia. São incindíveis entre si e, por
consequência, não é possível proteger alguns direitos e esquecer os outros. Não adiantaria
garantir os direitos de 1º geração, as liberdades públicas, sem efetivar direitos sociais (art.6º
CF – 2ª Geração). Portanto, são interdependentes, ou seja, todos os direitos contribuem para
a realização da dignidade da pessoa humana, de modo que o conteúdo de um direito depende
e se vincula ao conteúdo de outro.

F) IMPRESCRITIBILIDADE
Os direitos em abstrato não se perdem pelo decurso do tempo. O que pode existir é a
prescrição do direito decorrente do exercício dos direitos humanos. É possível, portanto,
desenvolver relações negociais a partir dos direitos humanos (por exemplo, cedendo o direito à
imagem na realização de uma propaganda de televisão).

G) INALIENABILIDADE
Os direitos (em abstrato) não podem ser objetos de contrato. Direitos humanos não podem
ser transferidos ou cedidos (onerosa ou gratuitamente) a outrem, sendo, portanto, indisponíveis
e inegociáveis. No entanto, o exercício de direitos pode ser facultativo, sujeito à negociação.
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O art. 14, do código civil, por exemplo, prevê que a disposição do corpo após a morte, seja
com objetivo científico ou com sentido altruístico, somente será possível de forma gratuita.

Art. 14. Código Civil. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a


disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois
da morte.

H) IRRENUNCIABILIDADE
A irrenunciabilidade significa que nem mesmo o consentimento do titular pode validar a
violação de seus direitos. Não é possível, por exemplo, determinada pessoa dispor do próprio
corpo, quando isso importar a diminuição permanente da integridade física, conforme se extrai do
art. 13 do código civil.

Art. 13. Código Civil. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de
disposição do próprio corpo, quando importar diminuição
permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.

I) INEXAURABILIDADE/ABERTURA/NÃO EXAUSTIVIDADE
Os direitos humanos não constituem um rol taxativo de direitos. Há sempre a possibilidade
de expansão em razão do surgimento de novas demandas sociais. A expansão de novos direitos é
desdobramento da característica da historicidade. O art. 5º, §2º da Constituição Federal estabelece
uma cláusula de abertura material de direitos e garantias expressos na Constituição.

Art. 5, § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não


excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados,
ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil
seja parte.

J) VEDAÇÃO AO RETROCESSO
Também chamados de “efeito cliquet”, princípio da proibição da evolução reacionária ou
entrincheiramento. Significa que a proteção conquistada na concretização dos direitos não pode
ser suprimida por nosso legislador. É vedado que os Estados diminuam ou amesquinhem a
proteção já conferida aos direitos humanos. Pode-se afirmar, portanto, que a proteção aos direitos
humanos é expansiva.

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