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DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL

04.DIREITO ADMINISTRATIVO

SUMÁRIO
CAPÍTULO III – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA E ENTIDADES PARALELAS.....................................................2
1. DEFINIÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO INDIRETA................................................................................................2
2. ENTES DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA........................................................................................................2
2.1. Autarquias..................................................................................................................................................2
2.2. Fundações Públicas...................................................................................................................................4
2.3. Empresas Estatais.....................................................................................................................................5
2.4. Consórcio Público......................................................................................................................................6
3. ENTIDADES PARAESTATAIS..........................................................................................................................7
SÚMULAS DO STF................................................................................................................................................8

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04.DIREITO ADMINISTRATIVO

CAPÍTULO III – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA E ENTIDADES PARALELAS


1. DEFINIÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO INDIRETA: É o conjunto de pessoas jurídicas (desprovidas de
autonomia política) que, vinculada à Administração Direta, têm a competência para o exercício, de forma
descentralizada, de atividades administrativas. Tais atividades administrativas geralmente são repassadas a
estas pessoas por razões de celeridade, maior eficiência na prestação e melhor desempenho: autarquias,
fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista.
A criação de entidades da administração indireta encontra fundamento no princípio da especialização
(ou da especialidade), onde um ente federado (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios), ao editar uma
lei, atribuirá competências específicas a outra pessoa jurídica (integrante da administração indireta), no
pressuposto teórico de que tal especialização permitirá um desempenho melhor dessas competências.
O inciso XIX1 do art. 37 da CF prevê a possibilidade de criação de entidades da administração indireta,
conforme o caso, de duas formas distintas, a saber:
a) autarquias: a própria lei específica, diretamente, cria a entidade;
b) demais entidades: a lei específica apenas autoriza a criação da entidade, devendo o Poder
Executivo, então, providenciar concretamente a sua criação.
2. ENTES DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA:
2.1. Autarquias:
São entidades da administração indireta, dotadas de personalidade jurídica de direito público,
patrimônio próprio e autonomia administrativa, criadas por lei específica para o exercício de competências
estatais determinadas. A criação de autarquias, modalidade de descentralização administrativa,
consubstancia a personificação de um serviço retirado da administração pública centralizada (administração
direta). Por esse motivo, em regra, somente devem ser outorgadas serviços públicos típicos às autarquias, e
não atividades econômicas em sentido estrito, ainda que estas possam ser consideradas de interesse social.
2.1.1. Características:
a) Criação: criadas por meio de lei específica, de iniciativa do Chefe do Poder Executivo em
qualquer esfera de governo (autarquias federais, estaduais, distrital e municipais).
b) Organização: dá-se por ato administrativo, por meio de decreto ou estatuto.
c) Regime jurídico: possui regime jurídico de direito público, com imunidade tributária recíproca,
privilégios processuais da Fazenda Pública, regime de precatórios, responsabilidade civil objetiva, bens
públicos, servidores em regime jurídico único, atos públicos (administrativos), devem licitar etc.
d) Patrimônio: o patrimônio pertencente às entidades autárquicas é considerado como bens
público, portanto, dotado de inalienabilidade (não pode ser vendido), impenhorabilidade (não pode ser objeto
de penhora) e imprescritibilidade (não pode ser adquirido mediante usucapião).
e) Contratação de pessoal: seus membros são contratados em observância de Lei dos
Servidores Públicos (forma estatutária), mediante concurso de provas ou provas e títulos. Exceção: é possível
a contratação temporária de pessoal, sem que haja observância de concurso público, desde que seja em
casos de calamidade pública ou alguma situação de relevância e urgência que justifique essa situação.
f) Atos e contratos: os atos praticados por elas não são apenas atos administrativos, podendo
ser por atos regidos pelo Direito Privado, como no caso de locação de bens a particulares etc.
g) Responsabilidade civil: respondem pelos danos ocasionados a terceiros independentemente
da existência de culpa ou de dolo, enquadrando-se na responsabilidade objetiva ou extracontratual. Contudo,
poderá exercer o direito de regresso contra o servidor que diretamente provocou o dano.
h) Privilégios processuais:
• prazo em dobro para todas as manifestações processuais, salvo se houver prazo próprio
diverso a elas aplicáveis, expressamente estabelecidas em lei (art. 1832, CPC);

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Art. 37. XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade
de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
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Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público
gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.
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• isenção de custas judiciais, não excluída, entretanto, a obrigação de reembolso das


despesas judiciais feitas pela parte vencedora (Lei nº 9.289/1996, art. 4º, I, e parágrafo único 3).
• dispensa de exibição de instrumento de mandato em juízo, pelos procuradores de seu
quadro de pessoal, para a prática de atos processuais (art. 287, parágrafo único, III 4, do CPC; e art. 9°5, da
Lei nº 9.469/1997).
• dispensa de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, e de depósito prévio, para a
interposição de recursos (art. 1.007, § 1° 6, CPC; e art. 1°-A7, da Lei nº 9.494/1997).
• não sujeitos a concurso de credores ou à habilitação em falência, liquidação, recuperação
judicial, inventário ou arrolamento, para a cobrança de seus créditos; há somente concurso de preferências
entre pessoas jurídicas de direito público, com prioridade para as federais, seguidas das estaduais e distritais
e, por último, as municipais (art. 1°, 2°, § 1°, e 29, da Lei n° 6.830/1980 8).
• remessa necessária, onde são obrigatórios o duplo grau de jurisdição, mesmo que não
tenha havido recurso voluntário (apelação). Se o juiz não o fizer, caberá ao presidente do tribunal avocar os
autos (art. 496, § 1°9, CPC).
2.1.2. Autarquias corporativas: Surgiu inicialmente com natureza de autarquia. Com a Lei nº
9.649/1998 os conselhos de classe se tornaram pessoas jurídicas de direito privado.
Serve para controlar, fiscalizar (incluindo aplicar sanção) às diversas categorias profissionais, tem
poder de polícia.
Curiosidade: STF na ADI nº 1.717 reconheceu que os Conselhos de Classes não podem ter natureza privada, porque
exercem poder de polícia, e este, em nome da segurança jurídica não pode ser dada em mãos de particulares. Com isso, os
conselhos voltam a ter natureza de autarquia (poder de polícia não pode ser delegado ao particular).
O conselho de classe, enquanto autarquia, tem 5 características:
• anuidade (contribuição) dos Conselhos de classe tem natureza tributária (regra geral). Assim, o
não pagamento gera a execução fiscal (autarquia cobrando tributo);
• estão sujeitas a controle do Tribunal de Contas;
• estão sujeitas a concurso público, regime estatutário, após julgamento da ADI nº 2.135/DF.
*OAB: Embora se trata de conselho profissional, e tenha característica de autarquia (exercer poder
de polícia), o STF entende que a OAB não deve ser considerada uma entidade pública, mas autarquia sui
generis em virtude do papel que tem para defesa do estado democrático, portanto, o regime jurídico aplicável
aos demais conselhos profissionais não é extensível à OAB (ADI 3.026 10). Exemplo: (i) cobra seus devedores
como particular e não por execução fiscal; (ii) não gozam das prerrogativas de que gozam os conselhos
profissionais; (iii) não se submetem a fiscalização dos Tribunais de Contas.
Permanece como uma entidade privada, sob o argumento de que à OAB deve ser concedida maior
autonomia, independência e distanciamento da entidade ao Poder Público.
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Art. 4° São isentos de pagamento de custas:
I - a União, os Estados, os Municípios, os Territórios Federais, o Distrito Federal e as respectivas autarquias e fundações;
Parágrafo único. A isenção prevista neste artigo não alcança as entidades fiscalizadoras do exercício profissional, nem exime as pessoas jurídicas
referidas no inciso I da obrigação de reembolsar as despesas judiciais feitas pela parte vencedora.
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Art. 287. Parágrafo único. III – se a representação decorrer diretamente de norma prevista na Constituição Federal ou em lei.
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Art. 9º A representação judicial das autarquias e fundações públicas por seus procuradores ou advogados, ocupantes de cargos efetivos dos respectivos
quadros, independe da apresentação do instrumento de mandato.
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Art. 1.007. § 1º São dispensados de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, os recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo
Distrito Federal, pelos Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal.
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Art. 1°-A. Estão dispensadas de depósito prévio, para interposição de recurso, as pessoas jurídicas de direito público federais, estaduais, distritais e
municipais.
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Art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias será
regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil.
Art. 2º. § 1º - Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública.
Art. 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação,
inventário ou arrolamento.
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Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o
presidente do respectivo tribunal avocá-los-á.
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“... a OAB não é uma entidade da Administração Indireta, tal como as autarquias, porquanto não se sujeita a controle hierárquico ou ministerial da
Administração Pública, nem a qualquer das suas partes está vinculada. ADI 3.026, de relatoria do Ministro Eros Grau, DJ 29.09.2006. (...) STF. Plenário.
RE 405267, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 06/09/2018”
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2.1.3. Autarquias em regime especial : Determinadas entidades autárquicas possuem as mesmas


prerrogativas, privilégios e deveres das demais autarquias, porém, com alguns traços marcantes que as
diferenciam das chamadas autarquias comuns. Assim, dentre as principais características que diferencial as
autarquias em regime especial das autarquias comuns são:
• estabilidade e mandato fixo de seus dirigentes;
• maior autonomia regulatória e gerencial em relação ao Poder Executivo.
Exemplo: Universidades Federais, Agências Reguladoras.
a) Agências reguladoras: São autarquias em regime especial atuando com a finalidade de
regular a prestação de serviços públicos quando estes são prestados sob regime de concessão ou
permissão, na atuação do poder de polícia e na regulação de atividades privadas de interesse público.
Exemplo: ANP, ANS, ANEEL, ANATEL, ANVISA, ANTT, ANTAQ, ANAC.
Surgiu com a introdução da Política Nacional das desestatizações (termo mais correto para a
privatização), com o objetivo de regular setores que antes eram explorados unicamente pelo Poder Público,
em regime de monopólio estatal. Com a retirada da execução direta dos serviços públicos e das atividades
econômicas das mãos do Estado, transferindo estas funções para a iniciativa privada, se viu a necessidade
de criar as agências reguladoras, visando garantir que o livre mercado ingressasse em áreas que antes eram
monopólio do Poder Público, mas permitindo a supervisão estatal sobre a correta execução das atividades.
*Características:
• independência administrativa – Presidente da República nomeia, Senado Federal aprova;
• poder normativo técnico – normas técnicas e específicas relacionadas à área de atuação,
porém complementares à previsão legal;
• autonomia orçamentária e financeira -
• investidura especial – o mandato dos Diretores de todas as agências reguladoras federais
passou a ser de 5 anos (algumas leis previam mandato de 2, 3 e 4 anos);
• passou a ser proibida a recondução dos diretores ao final dos mandatos.
• quarentena remunerada – o ex-dirigente ficará impedido pelo período mínimo de 06 meses de
prestar serviço no setor público ou empresa integrante de setor regulado pela agência reguladora, recebendo
remuneração compensatória durante a quarentena (art. 8º, Lei nº 9.986/2000).
2.1.4. Autarquias executivas: São autarquias ou fundações públicas ineficientes que recebem essa
qualificação temporária, por meio de Decreto do Presidente da República, ao celebrarem com a
Administração Direta um Contrato de Gestão. Por meio desse contrato elas recebem alguns benefícios (como
ampliação da autonomia gerencial, orçamentária e financeira) em troca de cumprirem um plano estratégico de
estruturação, para que voltem a ser eficientes. O contrato de gestão terá duração mínima de 1 (um) ano,
podendo ser revisto a qualquer momento em caráter excepcional pelo Ministério Supervisor e poderá ser
prorrogado, igualmente após a análise do Ministério Supervisor.
São requisitos para a qualificação de agência executiva:
• Plano estratégico de reestruturação e desenvolvimento institucional em andamento;
• Contrato de gestão celebrado com o respectivo ministério supervisor, constando os objetivos.
Exemplo: ADA – Agência de Desenvolvimento da Amazônia; ADENE – Agência de
Desenvolvimento do Nordeste; INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.
Curiosidade: Agência Reguladora X Agência Executiva. A base de atuação da agência executiva é a operacionalidade, ou seja,
visam à efetiva execução e implementação da atividade descentralizada, diversamente da função de controle, esta alvo
primordialmente das agências reguladoras (função precípua de exercer controle sobre particulares prestadores de serviços
públicos.
2.2. Fundações Públicas:
São entidades da administração indireta instituídas pelo Poder Público mediante a personificação de
um patrimônio que, dependendo da forma de criação, adquire personalidade jurídica de direito público ou
personalidade jurídica de direito privado, à qual a lei atribui competências administrativas específicas,
observadas as áreas de atuação a serem definidas em lei complementar.

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2.2.1. Fundação instituída pelo Poder Público : Integrantes da Administração Indireta. Embora seja
tema controverso, a corrente majoritária e o STF, entendem que a fundação pública poderá ser instituída nos
2 regimes: direito público ou direito privado.
a) Fundações Públicas de Direito Público: é uma espécie de autarquia, chamada de autarquia
fundacional. A lei cria e pode ser transformada em agência executiva.
b) Fundações Públicas de Direito Privado: chamada de fundação governamental, segue o
mesmo regime de empresa pública e sociedade de economia mista. A lei autoriza sua criação, nos termos do
art. 37, XIX11, da CF.
2.2.2. Fundação instituída pelo Particular : Chamada de fundação privada, é matéria de estudo do
Direito Civil, pois ela não faz parte da administração pública, mesmo sendo supervisionada pelo Ministério
Público (art. 6612, CC). Tal supervisão se justifica pela necessidade de fiscalizar se a fundação está
efetivamente perseguindo os fins para os quais foi instituída. Trata-se, portanto, de controle finalístico.
Exemplo: Fundação Ayrton Senna.
Curiosidade: A fiscalização prevista no art. 66 do CC é dispensável nas fundações instituídas pelo poder público (privadas ou
públicas), independente da natureza da entidade, haja vista que o controle finalístico já é exercido pela respectiva Administração
Direta.
2.3. Empresas Estatais:
São pessoas jurídicas de direito privado, criadas mediante autorização legislativa, para exploração de
atividade econômica ou prestação de serviços públicos. São empresas estatais: (i) empresas públicas
(Exemplo: BNDS, CEF e EMBRAPA) e (ii) sociedade de economia mista (Exemplo: PETROBRAS, Banco do
Brasil e ELETROBRAS).
2.3.1. Criação e extinção : ambas são criadas após autorização legislativa específica, não cabendo
lei genérica (art. 37, XIX, CF), com a indicação clara de relevante interesse coletivo ou imperativo de
segurança nacional (art. 2º, § 1º 13, Lei nº 13.303/2016). Contudo, a lei não as institui por si só, apenas
autoriza; a criação só se efetivará após o registro dos atos constitutivos no órgão competente (cartório de
registro civil ou na junta comercial). Só após essa fase as empresas estatais irão adquirir personalidade
jurídica própria.
Em razão do princípio do paralelismo das formas a extinção das empresas estatais também
dependerá de lei com autorização específica, de iniciativa do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “e” 14, CF).
Curiosidade: A privatização das estatais (alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedade de economia mista)
exige autorização legislativa e licitação. O STF (2019) entendeu que para que o Estado se retire de determinada atividade
econômica, também há necessidade de concordância do Poder Legislativo, pois como a perda do controle acionário é equivalente à
extinção completa da sociedade de economia mista, essa operação demanda autorização legislativa (ADIs 5.624, 5.846, 5.924 e
6.029).
2.3.2. Controle e regime de pessoal : por integrarem a Administração Indireta do Poder Público estão
sujeitas ao controle interno e externo, seja pelo Tribunal de Contas, pela Supervisão Ministerial, interposição
de ação popular ou ação de improbidade administrativa. O regime de pessoal aplicável será o de emprego
público, regido pela CLT. Apesar de incidência das regras trabalhistas aos empregados das estatais:
• não podem acumular seus empregos com cargos ou funções públicas;
• são equiparados a funcionários públicos para fins penais; e
• são agentes públicos para fins de improbidade administrativa.
2.3.3. Falência e recuperação judicial : enquanto não sobrevier interpretação do STF sobre o art.
173, §1º, II, da CF, e art. 2º, I, da Lei nº 11.101/2005, permanece o entendimento de que empresas públicas e
sociedades de economia mista, seja qual for o seu objeto (prestação de serviço público ou exploração de
atividade econômica), não estão sujeitas à falência, não podendo ser objeto de recuperação judicial,
extrajudicial e à falência.
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Art. 37. XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia
mista e de fundação pública de direito privado, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;
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Ar. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.
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Art. 2º. § 1º A constituição de empresa pública ou de sociedade de economia mista dependerá de prévia autorização legal que indique, de
forma clara, relevante interesse coletivo ou imperativo de segurança nacional, nos termos do caput do art. 173 da Constituição Federal.
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Art. 61. §1º, II, e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;
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2.3.4. Capital: (i) empresas públicas: unicamente por recursos públicos, admitindo a participação
acionária de outras pessoas jurídicas de direito público interno e/ou de entidades da administração indireta;
(ii) sociedade de economia mista: deverá possuir a maior parte do capital votante, sendo permitido vender o
remanescente aos particulares interessados.
2.3.5. Forma societária: (i) empresas públicas: pode se revestir de qualquer forma societária
(limitada ou sociedade anônima); (ii) sociedade de economia mista: só pode se revestir na forma de
sociedade anônima.
2.3.6. Regime jurídico: (i) empresas públicas: podem ser predominantemente de direito público (se
atuarem em regime de monopólio ou prestando serviços públicos) ou de direito privado (caso explorem
atividades econômicas em concorrência com a iniciativa privada), estando submetidas a certas regras
especiais, uma vez que compõe a Administração Indireta e em razão da finalidade pública que perseguem; (ii)
sociedade de economia mista: são dotadas de personalidade jurídica de direito privado, mas submetidas à
regras especiais em razão de sua finalidade pública.
2.3.7. Foro competente: as causas em que atuarem como autoras, rés, assistentes ou oponentes: (i)
empresas públicas: serão julgadas pela Justiça Federal (art. 109, I 15, CF); (ii) sociedade de economia mista:
serão julgadas pela Justiça estadual, conforme Súmula nº 556 16 do STF.
2.3.8. Subsidiárias: as empresas subsidiárias ou controladas são subdivisões de uma empresa, que
se encarregam da execução de tarefas específicas. Trata-se de uma nova empresa, com personalidade
jurídica independente da empresa controladora. Exemplo: a PETROBRAS, possui como subsidiárias a
TRANSPETRO e a Liquigás.
A empresa pública ou sociedade de economia mista responsável pela constituição de uma empresa
subsidiária será conhecida como sociedade ou empresa de primeiro grau (primária) e a subsidiária será
conhecida como uma sociedade de economia mista ou empresa pública segundo grau (secundária). Essas
subsidiárias serão controladas diretamente pela sociedade ou empresa primária, mas também sofrerão um
controle indireto pelo ente instituidor da entidade de primeiro grau.
2.4. Consórcio Público: Consubstanciado pelo art. 241 17 da CF e disciplinado pela Lei nº 11.107/2005,
os consórcios públicos são a junção de 2 ou mais entes da federação, por meio de uma associação pública
ou privada, visando permitir que uma prestação de serviços ou gestão de determinada atividade seja feita em
conjunto. Possuem tanto personalidade jurídica de direito público como de direito privado (art. 6º, da Lei nº
11.107/2005). Exemplo: a Autoridade Pública Olímpica, que envolveu o consórcio entre a União, o Estado do
Rio de Janeiro e o Município do Rio de Janeiro.
2.4.1. Requisitos:
• Celebração necessária de um protocolo de intenções. O protocolo de intenções deverá ser
ratificado por lei ou ter uma autorização legal para ser celebrado. O representante legal o consórcio público
deve ser um chefe do poder executivo de qualquer dos entes da federação que estejam consorciados.
• Constituir pessoa jurídica, seja de direito público ou direito privado. Sendo de direito público, será
denominado de associação pública ou autarquia multifederativa.
2.4.2. Prerrogativas:
• Competência para celebrar contratos com entidades públicas ou privadas, receber incentivos
públicos, promover desapropriação, emitir documento de cobrança, exercer atividade de arrecadação de tarifa
etc.
• Haverá dispensa de licitação pela própria pessoa da administração direta ou indireta participante
do consórcio público. A pessoa jurídica criada pelo consórcio pode celebrar um contrato com dispensa de
licitação com uma das demais entidades administrativas que compõem o consórcio.
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Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I – as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho,
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Súmula nº 556 do STF: É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista.
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Art. 241. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de
cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de
encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
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• Em regra, os consórcios públicos se submetem ao procedimento de licitação, inclusive para a


questão de dispensa de licitação. Contudo, serão duplicados os valores de dispensa da modalidade convite,
quando houver até 3 entes consorciados, e triplicados caso haja mais de 3 entes consorciados.
• A área de atuação do consórcio será relativa à área de atuação dos entes consorciados. Poderá
abranger municípios e o DF, por conta da competência municipal.
3. ENTIDADES PARAESTATAIS: São entes privados (pessoas jurídicas privadas) que, sem integrarem a
estrutura da administração pública (direta ou indireta), colaboram com o Estado no desempenho de atividades
de interesse público, de natureza não lucrativa, dele recebendo variadas modalidades de fomento.
Os entes de cooperação não integram a administração indireta e compreendem:
• Serviços Sociais Autônomos (Sistema S). São pessoas jurídicas de direito privado, sem fins
lucrativos, criados por lei, que prestam atividade de interesse público em favor de certas categorias, sejam
sociais ou profissionais. Exemplo: SESI (Serviço Social da Indústria), SENAI (serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial, SESC e outros.
• Entidades de Apoio. Exercem atividades não exclusivos de Estado, mas relacionados à ciência,
pesquisa, saúde e educação. Exemplo: IFES (Instituto Federal de Ensino Superior), ICT (Instituto Científico
Tecnológico)
• Organizações Sociais (OS). Segundo a Lei nº 9.637/1998, o Poder Executivo pode qualificar como
organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado quando: (i) não tiverem fins lucrativos; e (ii) tenham
por finalidade desenvolver o ensino, pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico, preservação do meio
ambiente, cultura e saúde. A OS deverá ter no mínimo 20% de participação do Poder Público, podendo
chegar em até 40%.
• Organizações da Sociedade Civil de Serviço Público (OSCIP). Regulada pela Lei nº 9.790/1999, não
é uma pessoa jurídica, mas uma qualificação que uma pessoa jurídica recebe, desde que não tenham fins
lucrativos. Sua finalidade é realizar determinadas atividades sociais, mas essas atividades sociais estão
elencadas na Lei.
• Entidades de Utilidade Pública Federal (UPF). Trata-se de uma entidade que recebe um certificado de
utilidade pública federal.
• Entidades com certificado de entidades beneficentes de assistência social (CEBAS). A conferência
desse título permite imunidade tributária em relação a impostos (art. 150, VI, “c”, CF) e contribuições para a
seguridade social (art. 195, § 7º, CF). A Lei nº 12.101/2009 impõe os requisitos para a concessão da
certificação de entidade beneficente de assistência social: (i) pessoa jurídica de direito privado; (ii) não ter fins
lucrativos; (iii) seja reconhecida como entidade beneficente de assistência social; (iv) deve ter atividade
prestada na área de assistência social, saúde e educação; e (v) atender aos requisitos legais.
• Instituições Comunitárias de Ensino Superior (ICES). São instituições de Ensino Superior, reguladas
pela Lei nº 12.881/2013, que cumprem as seguintes características: (i) devem ser constituídas sob a forma de
associação ou fundação; (ii) sem fins lucrativos; (iii) adotam instrumentos de transparência administrativa; e
(iv) seu patrimônio, em caso de extinção, será destinado para outra instituição, seja pública ou privada, desde
que voltada para a educação superior.
O STF, na ADI nº 1.923/DF, determinou que se trata de um regime híbrido (direito público e direito
privado): por receberem recursos públicos, bens públicos e servidores públicos, o regime jurídico das
organizações sociais tem de ser minimamente informado pela incidência dos princípios da Administração
Pública (Art. 37, caput, CF). Resumidamente:
• Não há obrigatoriedade de licitação;
• Apesar de afastado o dever de licitar, os princípios administrativos devem ser observados;
• As compras e contratações com emprego de recursos públicos devem ocorrer mediante regulamento
próprio, com a devida publicidade e pautados pelos princípios administrativos;
• Os contratos de trabalho destas instituições são regidos pela CLT.
a) Características:
• Pertencer à iniciativa privada, nem direta ou indiretamente;
• Não tem finalidade lucrativa;
• Dotadas de personalidade jurídica;
• Exercer atividades voluntária.
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b) Elementos essenciais: são elementos essenciais para caracterização do terceiro setor:


• Origem privada, fora do estado;
• Inexistência de finalidade lucrativa;
• Objetivos e ações devem envolver atividades de interesse público.

SÚMULAS DO STF:
Súmula nº 52 do STF: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune o IPTU o imóvel pertencente a qualquer das
entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades
para as quais tais entidades foram constituídas.

Súmula nº 27 do STF: Compete à Justiça Estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de serviço público de
telefonia, quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva necessária, assistente nem oponente.

Súmula nº 8 do STF: Diretor de sociedade de economia mista pode ser destituído no curso do mandato.

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