Você está na página 1de 284

Caro aluno

O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às


melhores universidades do Brasil.
Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferen-
cial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas
e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado.
Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu
os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios:
• Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixa-
ção da matéria dada em aula.
• Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio,
buscando a consolidação do aprendizado.
• Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade.
• Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais ves-
tibulares do Brasil.
• Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano,
preparando o aluno para esse tipo de exame.
• Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das universi-
dades públicas de São Paulo.
• Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase
das universidades públicas de São Paulo
• Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha que possibilitam a consolida-
ção do aprendizado para o vestibular da Uerj.
• Uerj (exame discursivo): exercícios dissertativos que possibilitam a consolidação do apren-
dizado para o vestibular da Uerj.
Visando a um melhor planejamento dos seus estudos, os livros de Estudo Orientado rece-
berão o encarte Guia de Códigos Hierárquicos, que mostra, com prático e rápido manuseio,
a que conteúdo do livro teórico corresponde cada questão. Esse formato vai auxiliá-lo a
diagnosticar em quais assuntos você encontra mais dificuldade. Essa é uma inovação do
material didático 2020. Sempre moderno e completo, trata-se de um grande aliado para seu
sucesso nos vestibulares.
Bons estudos!

Herlan Fellini

1
SUMÁRIO
HISTÓRIA
HISTÓRIA GERAL
Aulas 17 e 18: Renascimentos Cultural e Científico 4
Aulas 19 e 20: Reforma e Contrarreforma 20
Aulas 21 e 22: Antigo regime: mercantilismo e absolutismo 34
Aulas 23 e 24: Absolutismo inglês e revoluções inglesas do século XVII 48
Aulas 25 e 26: Iluminismo 64

HISTÓRIA DO BRASIL
Aulas 17 e 18: Primeiro Reinado (1822-1831) 80
Aulas 19 e 20: Regência (1831-1840) e Segundo Reinado: política interna (1840-1889) 96
Aulas 21 e 22: Segundo Reinado: políticas externa e economia 109
Aulas 23 e 24: Crise do império 127
Aulas 25 e 26: República da Espada 145

GEOGRAFIA
GEOGRAFIA 1
Aulas 17 e 18: Domínios morfoclimáticos II 160
Aulas 19 e 20: Problemas ambientais do Brasil 170
Aulas 21 e 22: Protocolos e conferências para o meio ambiente 188
Aulas 23 e 24: 5HJLRQDOL]D©¥RGRHVSD©REUDVLOHLUR 199
Aulas 25 e 26: 6LVWHPDVDJU£ULRV 212

GEOGRAFIA 2
Aulas 17 e 18: $QWLJD ordem mundial 226
Aulas 19 e 20: 1RYDRUGHPPXQGLDO 239
Aulas 21 e 22: *OREDOL]D©¥RHEORFRVHFRQ¶PLFRV 246
Aulas 23 e 24: &RP«UFLRLQWHUQDFLRQDO 262
Aulas 25 e 26: 5HJL·HVVRFLRHFRQ¶PLFDVPXQGLDLV,$P«ULFDDQJORVD[¶QLFD 276

2
HISTÓRIA GERAL

3
AULAS RENASCIMENTOS CULTURAL E CIENTÍFICO
17 E 18
COMPETÊNCIAS: 4e8 HABILIDADES: 13, 15, 16 e 28

E.O. APRENDIZAGEM a) Elogio da Loucura que, junto com Ensaios, iniciava


a época do Renascimento, cujas origens localizam-se
na Itália, mas que ganha uma grande projeção em
1. (UEPA) As crenças de navegadores portugueses e es- Portugal e Espanha, a partir do momento que esses
panhóis dos séculos XV e XVI, inspiradas na teologia dois países se projetam nas grandes navegações.
medieval, de que o Paraíso estava ao alcance dos ho- b) Utopia, escrito no período de transição entre o
mens, embora em lugar ainda desconhecido, estimula- chamado Medievo e os tempos Modernos, quando
ram as viagens de “descobertas” que incorporaram o muitas mudanças ocorrem não só na percepção do
Novo Mundo ao espaço geográfico das terras conheci- espaço geográfico, como também por acontecimen-
das pelos europeus. As pistas desta mentalidade estão tos que apontam para mudanças culturais, pregadas
em obras filosóficas e literárias da Antiguidade Greco- inicialmente pelos humanistas.
-Romana e de autores humanistas, além de novelas de c) Gargântua e Pantagruel que, escrito inicialmen-
cavalaria. O conteúdo destas obras fazia parte do patri- te em francês, ganha notoriedade quando ocorre a
mônio intelectual europeu de fins da Idade Média e for- Reforma e seu conteúdo passa a se constituir como
neceu o quadro mental a partir do qual foram escritas modelo de sociedade a ser construída por essa nova
as obras de viajantes europeus que vieram à América doutrina religiosa.
no século XVI. A busca do paraíso terrestre, quando da d) Ensaios, que ganhou projeção após seu autor ter
expansão marítima europeia voltada para a descoberta sido condenado e morto pela Inquisição num mo-
de novas rotas de comércio com o Oriente, significou: mento em que a Igreja Católica, sentindo-se ameaça-
a) a ruptura entre a mentalidade medieval e aquela da pela Reforma, passa a combater de forma drástica
do Renascimento. ideias que apresentassem modelos que se contrapu-
b) a permanência de elementos da mentalidade me- nham à teologia católica.
dieval no período inicial do Renascimento. e) Utopia, escrita em inglês inicialmente e logo pu-
blicada em diversos idiomas devido à projeção que
c) a confirmação dos relatos bíblicos, que podiam ser
ganham os livros em função da invenção da impren-
constatados com as navegações.
sa, o que provoca na sociedade europeia da época o
d) a correspondência entre as crenças europeias e os desejo de se aventurar por além-mar em busca desse
mitos indígenas do Novo Mundo. lugar em que o ser humano era valorizado.
e) o uso da justificativa religiosa para o financiamento
das navegações pelas Coroas Ibéricas. 3. (UPE) Que obra de arte é o homem! Que nobre na
razão, que infinito nas faculdades, na expressão e nos
2. (UEPA) O teólogo humanista Tomas Morus publicou movimentos, que determinado e admirável nas ações;
em 1516 aquele que seria um dos mais importantes que parecido a um anjo de inteligência, que semelhante
livros de todos os tempos. Trata-se de uma descrição a um deus!
conjectural de um não lugar, numa ilha do Atlântico Sul,
(SHAKESPEARE, WILLIAM. HAMLET. SÃO PAULO:
com uma baia esplendorosa e ao fundo uma cadeia de ABRIL CULTURAL, 1976. P. 87.)
montanhas. Ali viveria um povo diferente: homens e
mulheres solidários uns aos outros, sem diferenças so- Partindo da análise da fala da personagem shakespea-
ciais ou econômicas decidindo os assuntos políticos em riana, assinale a alternativa que a associa às caracterís-
coletivo. De onde Morus havia tirado as informações? ticas do Renascimento Cultural.
No prólogo, ele relata que conversara com marinheiros a) A fala de Hamlet ilustra o teor teocêntrico do Re-
irlandeses que haviam estado no Brasil e lhe contado nascimento ao associar o homem a anjos e deuses.
detalhes sobre o povo que lá vivia: eram os tupinambás. b) O texto apresenta Deus como centro do universo
Foi esse povo o modelo para a obra que irá influenciar ao explorar a semelhança entre o homem e o divino.
todo um sonho do Ocidente. c) Hamlet apresenta o homem como uma obra-pri-
GOMES, MÉRCIO PEREIRA. BOM SELVAGEM, MAU SELVAGEM. REVISTA DE
ma nata, dialogando com a perspectiva filosófica do
HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL. ANO 8/N° 91/ABRIL 2013. P.34). empirismo.
d) O texto explora o hedonismo ao destacar o homem
Identifique, nas alternativas abaixo, a obra e o período como “infinito nas faculdades, na expressão e nos
histórico a que o texto se refere. movimentos”.

4
e) Hamlet apresenta um elogio ao homem, ilustrando e) invenção dos tipos móveis ter sido feita por um
o antropocentrismo característico do Renascimento alemão protestante, o que assinalava o perigo do do-
Cultural. mínio político-religioso alemão da nova tecnologia,
num contexto de disputa por espaços coloniais entre
4. (UFRGS) Os humanistas dos séculos XV e XVI procu- as potências europeias.
raram validar os modelos antigos nas artes, na filosofia,
na política, na literatura, desviando-se das derivações 6. (UCS) Sobre as características do Renascimento, mo-
medievais. Nesse sentido, as inovações do Renascimen- vimento artístico, cultural e intelectual que atingiu seu
to podem ser definidas como retomada de concepções apogeu nos séculos XV e XVI, é correto afirmar que
antigas e criações inéditas. Considere os seguintes au- a) defendia ser Deus o centro de tudo e que a fé se
tores e respectivas obras. sobrepunha à razão.
I. Maquiavel e a obra O Príncipe – Thomas Morus e a b) pregava a democratização do saber letrado como
obra Utopia
uma forma de diminuir a distância entre os morado-
II. Montaigne e a obra Ensaios – Rousseau e a obra O
contrato social res do campo e da cidade.
c) se contrapôs ao modelo medieval, procurando
III. Da Vinci e a obra Mona Lisa – Michelângelo e a obra
Moisés enaltecer o individualismo, o nacionalismo e a fé.
d) tinha como fundamentos a retomada dos valores
Quais são desse período?
clássicos (greco-romanos), o antropocentrismo e o
a) Apenas I. racionalismo.
b) Apenas II. e) defendia a crença inabalável na fé e se contrapu-
c) Apenas III. nha à existência de leis naturais regendo a dinâmica
d) Apenas I e II. do progresso.
e) Apenas I e III.
7. (Espcex) “A partir do século XI, a Europa Ocidental foi
5. (Uepa) Produzir e divulgar livros em Portugal, no palco de uma série de mudanças: crescimento da popula-
século XV, estava longe de ser uma tarefa tranquila. ção, avanço técnico, aumento da produtividade agrícola,
Em 1451, no mesmo ano em que Johannes Gutenberg intensificação do comércio entre o Ocidente e o Oriente
(1400-1468) revolucionava a Europa com a prensa e ascensão da burguesia (mercadores, armadores, ban-
mecânica, o rei Afonso V (1432-1481) promulgava um queiros). Todas essas mudanças inspiraram uma nova vi-
alvará mandando queimar livros falsos ou heréticos, di- são do mundo, da arte e do conhecimento, impulsionan-
fundidos ainda como manuscritos. Foi sob este clima de do, assim, um movimento de grande renovação cultural,
forte repressão cultural que o país adotou a tipografia, único na história do Ocidente: o Renascimento.”
por volta de 1490. Durante o reinado de D. Manuel I, en- BOULOS JR, 2011
tre 1495 e 1521, o ofício ganhou impulso, graças à ação
empreendedora de Valentin Fernandes, um alemão de São características do Renascimento:
nome lusitano. Essa expansão, porém, não significou o a) antropocentrismo e misticismo.
fim da repressão. b) hedonismo e antropocentrismo.
ZILBERMAN, REGINA. LETRAS ENTRE A CRUZ E A ESPADA. c) teocentrismo e individualismo.
IN: REVISTA HISTÓRIA. ANO 2, Nº 19, 2005, P.68. d) teocentrismo e nacionalismo.
e) misticismo e hedonismo.
A censura à publicação de livros no Império Português
do século XVI, no contexto de expansão da arte tipográ- 8. (UEPB) Das universidades medievais italianas surgi-
fica na Europa, se explica pelo fato de(a): ram duas práticas culturais que teriam impacto na for-
a) difusão das ideias humanistas através de obras de mação de estudiosos: o estudo vernacular, a língua pró-
grande tiragem produzidas por escritores renascentis- pria de um lugar, e a prática da retórica (...). Os letrados
tas portugueses como Luís de Camões e Gil Vicente, italianos, como Petrarca e Leonardo Bruni, defendiam o
ferozes opositores da doutrina católica. uso do próprio idioma para se expressar, e não a língua
b) preocupação geopolítica de controlar a difusão de oficial da cristandade, o latim. A utilização de uma lín-
ideias religiosas e políticas nas colônias americanas, gua própria estimulava a adoção de expressões da par-
de modo a conter a notória expansão religiosa pro- ticularidade de cada local, criando um estilo próprio e
testante na América Portuguesa, como ocorreu com a negando a padronização feita por outros (...). A retórica
instalação da França Antártica. tinha a função de educar e persuadir. O ato de estudar
e debater levava à reformulação dos pensamentos e à
c) criação da tipografia ser avaliada pelo Tribunal do
capacidade de expressar ideias publicamente.”
Santo Ofício como uma ameaça ao domínio ideológi-
co católico na Península Ibérica, já abalado pela forte JOSÉ A. DE FREITAS NETO E CÉLIO RICARDO TASINAFO. HISTÓRIA
presença religiosa islâmica. GERAL E DO BRASIL. SÃO PAULO: EDITORA HABRA, P. 168.
d) nova tecnologia ser vista pelo estado português
O texto oferece subsídios para compreensão:
de forma ambivalente: tanto como revolução cultural
quanto como instrumento de subversão dos princí- a) do liberalismo
pios morais da sociedade civil e religiosa. b) do medievalismo

5
c) do catolicismo b) A presença dos cavaleiros, o pensamento humanis-
d) do culturalismo ta; a contrarreforma católica e a descentralização do
e) do humanismo poder político.
c) O teocentrismo, a presença do Estado Moderno e
9. (PUC) as reformas religiosas, e o tribunal de Inquisição.
d) A imprensa como espaço de divulgação do pensa-
mento teocêntrico, a descentralização do poder polí-
tico e a Guerra dos Cem Anos.
e) A descoberta do Novo Mundo, a presença de novos
atores sociais como a burguesia e a utilização da bús-
sola, da pólvora e da imprensa.

2. (PUC) A renovação literária que se verifica no norte


da Itália no século XIV, com as obras de Dante Alighie-
ri (1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Gio-
vani Boccaccio (1313-1375), é considerada um marco
para o chamado Renascimento Cultural. Produzindo
obras de transição para a cultura renascentista, esses
autores NÃO:
A imagem acima, “A Escola de Atenas”, é considerada
uma das maiores obras de arte renascentista. Foi elabo- a) glorificavam as conquistas humanas.
rada sob a forma de afresco, realizado entre os anos de b) utilizavam uma linguagem popular.
1506 e 1510, sob encomenda do Vaticano para ornar um c) ironizavam a moral corrente.
dos aposentos do palácio principal. Rafael Sanzio soube d) criticavam a cultura medieval.
representar de modo magistral o espírito de sua época. e) ignoravam a temática religiosa.
No centro do afresco, as figuras dos filósofos Platão e
Aristóteles bem como de outros sábios da Antiguidade. 3. (UPE) Analise a imagem a seguir:
Considerando o contexto histórico retratado na obra
e as proposições que se seguem, marque a alternativa
CORRETA.
I. A realização da grandiosa obra foi em parte possível
pela prática do mecenato, que propiciava ao artista as
condições materiais para a produção de obras de arte e
de inventos científicos.
II. A técnica da perspectiva, a valorização do volume
dos corpos pelo contraste claroescuro, e a utilização,
no original, de cores vivas revelam a preocupação em
representar as pinturas da forma mais realista possível.
O quadro O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli,
III. Apesar da crença em um conhecimento racional do
é uma das grandes realizações da arte renascentista.
mundo, os intelectuais desse contexto acreditavam na
existência de Deus, que dotou o homem de raciocínio Sobre essa obra e seu contexto histórico, assinale a al-
para desvendar as leis do universo. ternativa CORRETA.
IV. Os intelectuais renascentistas buscaram inspiração a) A temática pagã da obra, baseada na mitologia gre-
nos padrões estéticos e nos conhecimentos produzidos co-romana, constituiu-se numa ousadia que destoava
pelos clássicos greco-romanos da Antiguidade. do restante da produção artística do Renascimento.
a) I, II, III e IV. b) A nudez representada no quadro também aparece em
obras de outros artistas da época, como Michelangelo.
b) I e IV, apenas.
c) Botticelli, personagem símbolo do ideal humanista,
c) II e III, apenas.
também foi arquiteto, engenheiro, músico e poeta.
d) II e IV, apenas.
d) O nascimento de Vênus, assim como a Última Ceia
e) I e III, apenas. de Da Vinci, é uma pintura de temática bíblica.
e) Botticelli destacou-se por sua produção em escultura.

E.O. FIXAÇÃO 4. (UEMG) As transformações históricas geralmente não


acontecem de forma repentina; elas se dão de forma
1. (UEPB) O olhar que os europeus tinham sobre o mundo gradual, com o passar dos anos, décadas ou séculos. Se
medieval mudou com o advento do chamado mundo mo- levarmos em consideração as mudanças culturais, as
derno, devido à inserção de novos elementos, tais como: transformações são ainda mais demoradas. No período
a) A presença dos cavaleiros, a economia autossufi- medieval, não foi diferente: as mudanças culturais co-
ciente, a força dos artesãos e o teocentrismo. meçaram a ser percebidas nos dois séculos anteriores.

6
Sobre esse assunto, leia a passagem seguinte: b) pela subordinação à visão clerical, que valorizava
“Mas o novo humanismo era, mais geralmente, um hu- a iluminação divina para chegar à verdade sobre o
manismo cristão. «Somos anões empoleirados nos om- homem, a mais perfeita realização de Deus.
bros de gigantes»: esta fórmula de Bernard de Chartres c) por um esquema do universo baseado no modelo
(cerca de 1130), muitas vezes repetida, ilustra a exten- heliocêntrico e por uma exaltação das capacidades
são da dívida que os espíritos mais sérios da época re- humanas para chegar à verdade.
conheciam ter para com a cultura clássica”. d) por um ideal que partia da valorização do homem e,
por consequência, via a Terra como centro do universo.
BLOCH, MARC. A SOCIEDADE FEUDAL. LISBOA: EDIÇÕES 70, 1979, P.135.
6. (PUC) Os humanistas e artistas do Renascimento ita-
Segundo o relato de Marc Bloch sobre o pensamento de liano apregoavam a “volta aos Antigos” como funda-
Bernard de Chartres, é CORRETO afirmar: mento de suas ações no presente.
a) A sociedade do tempo de Chartres, após as desco- Assinale a alternativa que expressa o que era entendido
bertas dos originais gregos, via-se como independen- por “volta aos Antigos”.
te das influências clássicas.
a) Dar continuidade ao pensamento medieval, em
b) Faziam parte do contexto da época de Chartres a particular aos preceitos da Escolástica que apregoava
mediocridade dos intelectuais que lhe foram contem- a conciliação da fé cristã com a razão fundada na
porâneos e a supremacia da mentalidade grega. tradição grega de Platão e Aristóteles.
c) Todo o universo acadêmico estava dedicado a su- b) Tomar como fundamento exclusivamente as Escri-
plantar suas heranças passadas, motivo pelo qual os turas Sagradas – o Antigo e o Novo Testamento – na
intelectuais contemporâneos a Chartres dedicavam- medida em que as formas culturais deveriam estar a
-se ao estudo dos clássicos. serviço da religião.
d) Os intelectuais da geração de Chartres são gratos c) Inspirar-se na arte e na cultura da civilização greco-
aos clássicos, pois, com suas obras em mãos, podiam -romana que teria sido desvalorizada pelo pensamen-
perceber a magnitude de seus conceitos. to medieval, o qual limitava a liberdade do indivíduo.
5. (UFRN) Os historiadores fazem distinção entre o perí- d) Imitar fielmente as atitudes dos homens da anti-
odo medieval e a modernidade na Europa Ocidental. As guidade, em seu modo de escrever, falar, esculpir, pin-
imagens a seguir evidenciam essa nova concepção de tar, construir, se vestir, entre outras. Assim, sentiam-se
mundo, característica da modernidade. alcançando as glórias do passado.
e) Reagir ao movimento que defendia a autoridade
do presente em relação ao Antigo e exigia uma rup-
tura total com o passado.

IMAGEM PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

SISTEMA COPERNICANO, DE ANDREAS CELLARIUS.

7. (UEL) A figura acima se insere em um momento histó-


rico marcado por inúmeras transformações científicas,
tecnológicas e culturais.
Com base nessas transformações e nos conhecimentos
sobre cultura e ciência na Idade Moderna, considere as
afirmativas a seguir.
HOMEM VITRUVIANO, DE LEONARDO DA VINCI. I. A imprensa de tipos ou caracteres móveis restringiu
Essas imagens remetem a aspectos da mentalidade do a disseminação das informações científicas e culturais
mundo moderno, que era caracterizado: por meio da censura realizada pelo aparato estatal.
a) pela reafirmação da visão aristotélica do universo II. Por meio do ensino do latim e da autorização da inter-
e do homem, afirmando um padrão de círculos perfei- pretação dos dogmas pelos fiéis, a Igreja Católica disse-
tos no movimento dos astros. minou os conhecimentos bíblicos para a população.

7
III. O método científico baseado na experiência, na ob- Os textos permitem constatar o contraste de diferentes
servação e na verificação buscou as regularidades, esta- concepções entre a renascença e a mentalidade me-
belecendo certezas científicas sobre a natureza. dieval. A alternativa que apresenta o contraste que os
IV. Os Bizantinos e os Islâmicos preservaram os valores textos revelam é:
clássicos da cultura greco-romana, e o antropocentris- a) humanismo × laicismo;
mo constituiu-se em um modelo de proporções exatas. b) individualismo × coletivismo;
Assinale a alternativa correta. c) antropocentrismo × teocentrismo;
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. d) hedonismo × misticismo;
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. e) naturalismo × dogmatismo.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. E.O. COMPLEMENTAR
8. (UPE) Quais características do Renascimento estão 1. (UFMG) “Que obra de arte é o homem: tão nobre no
presentes na obra? raciocínio, tão vário na capacidade; em forma o mo-
vimento, tão preciso e admirável; na ação é como um
anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do
mundo, o exemplo dos animais.”
(SHAKESPEARE, WILLIAM. HAMLET.)

O valor renascentista expresso nesse texto é:


a) o antropomorfismo.
b) o hedonismo.
c) o humanismo.
d) o individualismo.
e) o racionalismo.

2. (UEL) A arte renascentista, de uma forma geral, se


caracterizou pela
a) representação abstrata do mundo.
b) estreita relação entre arte-romantismo-melancolia.
c) representação cubista da ideia de Deus.
d) aproximação entre arte-pesquisa-inovações técnicas.
e) valorização estética dos afrescos da antiguidade
egípcia.

3. (FEI) As principais características do Renascimento


foram:
a) A filosofia Escolástica e a Patrística a) teocentrismo, realismo e intensa espiritualidade;
b) A exaltação a Deus e o Teocentrismo b) romantismo, espírito crítico em relação à política,
c) A misoginia e a exaltação do masculino temas de inspiração exclusivamente naturalistas;
d) O Orientalismo e as influências chinesas c) ausência de perspectiva e adoção de temas do co-
e) O Humanismo e a retomada de temas clássicos tidiano religioso, tendo como foco apenas os valores
espirituais;
9. (ESPM) Que obra de arte é o homem: tão nobre no d) uso de temas ecológicos evidenciando a preocu-
raciocínio; tão vário na capacidade; em forma de mo- pação com o meio ambiente, execução de variados
vimento, tão preciso e admirável, na ação é como um retratos de personalidades da época.
anjo; no entendimento é como um Deus; a beleza do
e) antropocentrismo, humanismo e inspiração greco-
mundo, o exemplo dos animais.
-romana.
(WILLIAN SHAKESPEARE. HAMLET)
4. (Unitau) Durante o Renascimento, houve um notável
Pois o Senhor reinará na terra com seus santos, como desenvolvimento da produção literária, além das artes
dizem as escrituras, e nela terá sua Igreja, na qual ne- plásticas. Indique a alternativa em que obra e autor es-
nhum mal penetrará, afastada e pura de toda a mancha tão corretos:
do mal. A Igreja se revelará então com grande clareza, a) O príncipe − Shakespeare
dignidade e justiça. Então não haverá prazer em enga- b) Dom Quixote − Miguel de Cervantes
nar, em mentir, em ocultar o lobo sob a pele da ovelha.
c) Os Lusíadas − Erasmo de Rotterdan
(SANTO AGOSTINHO. A CIDADE DE DEUS) d) Hamlet − Dante Alighieri

8
e) Utopia − François Rabelais conhecimento das coisas da natureza, quero que a isso
te entregues curiosamente (...) depois (...) revisita os li-
5. (UFPE) Sobre o Renascimento, pode-se afirmar: vros dos médicos gregos, árabes e latinos, sem despre-
a) pode ser visto como uma revolução religiosa, resul- zar os talmudistas e cabalistas, e por frequentes anato-
tado das profundas transformações que ocorreram na mias adquire perfeito conhecimento do outro mundo [o
transição entre o feudalismo e o capitalismo; microcosmos] que é o homem.”
b) Florença e Roma, Pequim e Bagdá foram centros (RABELAIS, FRANÇOIS. PANTAGRUEL [1532]. IN: FREITAS, GUSTAVO DE.
de irradiação do movimento renascentista; 900 TEXTOS E DOCUMENTOS DE HISTÓRIA.
c) o Renascimento valorizava o anonimato e fortale- LISBOA: PLÁTANO, 1976, V. 11)
cia o sentimento nacionalista;
Considerando os documentos acima, além dos conhe-
d) o Renascimento foi um movimento artístico, literá- cimentos sobre o período, disserte sobre as principais
rio e científico defensor do humanismo, baseado no características do Renascimento, relacionando-as com
antropocentrismo e no espírito crítico em oposição ao as transformações sociais em curso na Europa.
teocentrismo;
e) o Renascimento fez renovar toda tradição islâmica 3. (UFJF) Observe as seguintes figuras e leia o texto a
da península Ibérica reprimida pelas Cruzadas. seguir:

E.O. DISSERTATIVO
1. (UFG) Leia a citação a seguir.
Mago designa um homem que alia o saber ao poder de
agir para a criação de mundos desejáveis.
BRUNO, GIORDANO. TRATADO DA MAGIA, 1591. APUD JOB,
NELSON. ONTOLOGIAS EM DEVIR: CONFLUÊNCIAS ENTRE MAGIA E
CIÊNCIA. DISPONÍVEL EM: <WWW.HCTE.UFRJ.BR/DOWNLOADS/SH/SH3/
TRABALHOS/NELSONJOB.PDF>. ACESSO EM: 14 NOV. 2012.

Tal como demonstra a citação de Giordano Bruno, sen- No final da Idade Média, a Europa Ocidental passou por
tenciado pela Inquisição à morte na fogueira, a magia transformações sociais, políticas e econômicas relaciona-
despertava o interesse de pensadores e cientistas que das ao desenvolvimento do comércio e das cidades. E, no
estudavam as formas de intervir nas forças da nature- âmbito da cultura, as cidades italianas constituíam um
za, no período entre os séculos XV e XVI. Com base no ambiente propício para a consolidação de um movimen-
exposto, to de transformação cultural, o chamado Renascimento.
a) explique como a citação de Giordano Bruno contra- a) Disserte sobre uma transformação socioeconômica
ria os princípios que sustentaram a ação da Inquisição; que possibilitou a afirmação da cultura renascentista
b) relacione a citação de Giordano Bruno aos valores na Península Itálica.
renascentistas sobre o conhecimento humano. b) Cite e analise um aspecto da cultura renascentista que
entrava em conflito com os ensinamentos da Igreja.
2. (UFPR) Considere os dois extratos de documentos c) Analise um aspecto do Renascimento no âmbito
abaixo: das artes.
I. Ilustrações publicadas na obra “De humani corporis
fabrica”, do médico belga André Vessálio (1543). 4. (UFF) Um dos aspectos mais importantes da nova or-
dem decorrente do Renascimento foi a formação das
repúblicas italianas. Dentre elas, se destacaram Floren-
ça e Veneza. Essas repúblicas inovaram no sentido das
suas formas de governo, assim como na redefinição do
lugar do homem no mundo, inspirando a partir daí no-
vas formas de representá-lo.
a) Tomando o caso de Florença, explique como fun-
cionavam as repúblicas italianas, levando em conta a
organização política e os vínculos entre os cidadãos e
a cidade, e indique o nome do principal representante
das ideias sobre a política florentina no século XVI.
b) Analise o papel de Veneza no desenvolvimento do
comércio europeu, e suas relações com o Oriente.

II. “Aconselho-te, meu filho, a que empregues a tua ju- 5. (UFJF) As imagens abaixo ilustram alguns procedi-
ventude em tirar bom proveito dos estudos e das virtu- mentos utilizados por um novo modo de conhecer e
des (...). Do direito civil quero que saibas de cor os belos explicar a realidade que se estruturou entre os séculos
textos e que mos compare com filosofia. Enquanto ao XVI e XVIII.

9
para trás a cabeça e o tronco), permaneci durante quase
toda noite fora dos limites da cidade a fim de conseguir
pegar o tórax, que se encontrava firmemente preso a
uma corrente.
VESALIUS, ANDREAS. DE HUMANI CORPORIS FABRICA, 1543.
DISPONÍVEL EM: WWW.CIENCIAHOJE.UOL.COM.BR/NOTICIAS/ HISTORIA-
DA-CIENCIA-E-EPISTEMOLOGIA/RELANCADO-TRATADOQUE-INAUGUROU-
ANATOMIA-MODERNA/. ACESSO EM: 11 OUT.. 2010. [ADAPTADO]

Datada de 1543, a narração do médico Andreas Vesa-


Ilustração do Sistema solar no manuscrito
de Copérnico na obra “Das Revoluções Ilustração de Andreas Versalius na obra
lius, considerado o precursor dos estudos de anatomia
das esferas celestes”
Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>.
“Da Organização do Corpo Humano”
Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org>.
moderna, indica a formação de um novo modelo de co-
Acesso em: 8 out. 2011. Acesso em: 8 out. 2011.
nhecimento, no período. Com base na leitura do texto e
considerando o contexto histórico,
Com base nas informações acima e em seus conheci-
mentos, responda ao que se pede: a) explique o processo pelo qual a concepção de mundo
dos homens se transformou na época do Renascimento;
a) Que processo histórico pode ser identificado pelas b) analise a concepção de ciência que se formava, apre-
referências acima? sentando o conflito social que essa nova concepção gerou.
b) Cite e analise uma característica desse novo modo
de conceber o conhecimento. 8. (UFBA) O Renascimento, como expressão de concep-
c) Explique o impacto desse novo modo de conceber ções inovadoras de artistas, escritores e cientistas,
o conhecimento sobre os dogmas religiosos vigentes marcou o campo cultural e o científico da civilização
na época. europeia ocidental.
Partindo dos conhecimentos sobre o movimento renas-
6. (FGV-RJ) Observe atentamente a imagem abaixo e centista, indique uma concepção, relativa a cada grupo
responda às questões propostas. indicado, responsável por modificações na mentalidade
da época.
Concepção inovadora de:
• artistas:
• escritores:
• cientistas:

9. (PUC) A CIDADE IDEAL


Em 1485, uma peste matou quase a metade da popula-
ção de Milão, na Itália. No final dos anos 1480, Leonar-
do da Vinci transferiu-se para lá e, entre outros projetos,
dedicou-se a planejar a "cidade ideal", tema e preo-
cupação regular do Renascimento. Quase cinco séculos
depois, a busca utópica da cidade ideal prosseguia, ma-
a) Aponte duas características da pintura que permi- nifesta em projetos urbanos como o de Brasília.
tam identificá-la com o movimento cultural conhecido "Uma cidade, ou melhor, um lugar, um sítio urbano fixa-
como Renascimento. do sobre uma perspectiva que desdobra sobre o olhar o
b) Explique por que o Renascimento pode ser asso- leque simétrico de suas linhas de fuga. A imagem de uma
ciado ao processo de transição da Idade Média para praça deserta, grosseiramente retangular, pavimentada
a Idade Moderna. de mármore policrômico, cercada em três de seus lados
pela fachada de palácios e de casas burguesas; e um edi-
7. (UFG) Leia o texto a seguir. fício de forma circular, com dois planos superpostos de
Enquanto andava à procura de ossos pelas estradas colunas e uma cobertura cônica, ocupa o centro."
rurais, onde eventualmente os indivíduos executados
SOBRE "A CIDADE IDEAL DE URBINO". HUBERT DAMISCH. "L'ORIGINE
são deixados, deparei-me com um cadáver ressecado. DE LA PERSPECTIVE". PARIS: FLAMMARION, 1993, P. 192
Os ossos estavam totalmente expostos, mantendo-se
unidos apenas pelos ligamentos, e tinham sido pre- "Compara-se [...] Brasília com as duas cidades ideais de
servadas somente a origem e a inserção dos múscu- Le Corbusier [arquiteto modernista suíço, 1887-1965].
los. Escalei o poste e destaquei o fêmur do osso ilíaco. Notem-se as similaridades explícitas entre ambas e Bra-
Quando puxei a peça com força, a omoplata, os braços sília: o cruzamento de vias expressas; as unidades de
e as mãos também se destacaram, embora faltassem os moradia com aparência e altura uniformes, agrupadas
dedos de uma das mãos, as duas rótulas e um dos pés. em superquadras residenciais com jardins e dependên-
Depois de trazer secretamente para casa as pernas e os cias coletivas; os prédios administrativos, financeiros e
braços e após sucessivas idas e vindas (tinha deixado comerciais em torno do cruzamento central; a zona de

10
recreação rodeando a cidade. O 'pedigree' de Brasília é texto sobre a ideia de "cidade ideal" no Renascimento
evidente". e no mundo atual, considerando:
JAMES HOLSTON. A CIDADE MODERNISTA: UMA CRÍTICA DE BRASÍLIA • sua relação com as preocupações humanistas e
E SUA UTOPIA. SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1993, P. 38 racionalistas do Renascimento cultural e com as
concepções de arte que se afirmaram na época
"(...) o modelo urbanístico de Leonardo da Vinci, um de- de Leonardo;
senho de cidade perfeita, detalhava como deveriam ser • as semelhanças de objetivos do urbanismo renas-
as ruas, casas, esgotos, etc. Pelas ruas altas não deveriam centista com o urbanismo modernista que resultou
andar carros nem outras coisas similares, mas apenas na cidade de Brasília, capital brasileira.
gentis-homens; pelas baixas deveriam andar carros e
outras coisas somente para uso e comodidade do povo. 10. (UFMG) Analise esta imagem:
De uma casa a outra, deixando a rua baixa no meio, por
onde chegam vinho, lenha, etc. Pelas ruas subterrâneas
estariam as estrebarias e outras coisas fétidas.
A cidade descrita por Leonardo já é, de certa forma,
utopia: é uma exigência completamente racional que
espera ser traduzida na prática."
BERRIEL, CARLOS EDUARDO ORNELAS. CIDADES UTÓPICAS
DO RENASCIMENTO. DISPONÍVEL EM:>HTTP://CIENCIAECULTURA.
BVS.BR./PDF/CIC/V56N2/A21V56N2.PDF>.

Davi, de Michelangelo.

A partir da análise dessa imagem e considerando ou-


tros conhecimentos sobre o assunto,
a) identifique o movimento artístico a que pertence
a obra.
b) identifique e explique duas características desse
movimento artístico.

E.O. ENEM
1. (Enem) Acompanhando a intenção da burguesia re-
nascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza
e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa cien-
tífica e da invenção tecnológica, os cientistas também
iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a
forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a
expressão e o sentimento.
SEVCENKO, N. O RENASCIMENTO. CAMPINAS: UNICAMP, 1984.

O texto apresenta um espírito de época que afetou


também a produção artística, marcada pela constante
relação entre
a) fé e misticismo.
b) ciência e arte.
FIGURA 1: ARTISTA DESCONHECIDO. PAINEL A CIDADE IDEAL DE URBINO. c) cultura e comércio.
GALERIE NATIONALE DES MARCHES. d) política e economia.
FIGURA 2: LEONARDO DA VINCI: ESQUEMA DE VIA DE CIRCULAÇÃO E EDIFÍCIOS,
EM DOIS NÍVEIS, PARA A CIDADE IDEAL
e) astronomia e religião.
(C. 1485). ELKE BUCHHOLZ. LEONARDO DA VINCI. VIDA Y OBRA.
BARCELONA: KONEMANN, 2000, P. 36 FIGURA 3: BRASÍLIA. 2. (Enem) O texto foi extraído da peça “Tróilo e Crés-
sida” de William Shakespeare, escrita provavelmente,
A partir dos textos e imagens apresentadas, escreva um em 1601.

11
“Os próprios céus, os planetas, e este centro reconhe- GALILEI, G. CARTA A BENEDETTO CASTELLI. IN: CIÊNCIA E FÉ:
cem graus, prioridade, classe, constância, marcha, dis- GALILEU SOBRE O ACORDO DO SISTEMA COPERNICANO
CARTAS DE
COM A BÍBLIA. SÃO PAULO: UNESP, 2009. (ADAPTADO)
tância, estação, forma, função e regularidade, sempre
iguais; eis porque o glorioso astro Sol está em nobre O texto, extraído da carta escrita por Galileu (1564-
eminência entronizado e centralizado no meio dos ou- 1642) cerca de trinta anos antes de sua condenação
tros, e o seu olhar benfazejo corrige os maus aspectos pelo Tribunal do Santo Ofício, discute a relação entre
dos planetas malfazejos, e, qual rei que comanda, orde- ciência e fé, problemática cara no século XVII. A decla-
na sem entraves aos bons e aos maus.” ração de Galileu defende que
(PERSONAGEM ULYSSES, ATO I, CENA III). SHAKESPEARE, W. a) a Bíblia, por registrar literalmente a palavra divina,
TRÓILO E CRÉSSIDA. PORTO: LELLO & IRMÃO, 1948. apresenta a verdade dos fatos naturais, tornando-se
guia para a ciência.
A descrição feita pelo dramaturgo renascentista inglês
b) o significado aparente daquilo que é lido acerca da
se aproxima da teoria:
natureza na Bíblia constitui uma referência primeira.
a) geocêntrica do grego Claudius Ptolomeu. c) as diferentes exposições quanto ao significado das
b) da reflexão da luz do árabe Alhazen. palavras bíblicas devem evitar confrontos com os
c) heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico. dogmas da Igreja.
d) da rotação terrestre do italiano Galileu Galilei. d) a Bíblia deve receber uma interpretação literal por-
e) da gravitação universal do inglês Isaac Newton. que, desse modo, não será desviada a verdade natural.
e) os intérpretes precisam propor, para as passagens
3. (Enem) O franciscano Roger Bacon foi condenado, en- bíblicas, sentidos que ultrapassem o significado ime-
tre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos teólogos, por diato das palavras.
uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no mé-
todo experimental, e também por introduzir, no ensino,
as ideias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escre- E.O. UERJ
EXAME DISCURSIVO
veu: “Pode ser que se fabriquem máquinas graças às
quais os maiores navios, dirigidos por um único homem,
se desloquem mais depressa do que se fossem cheios
de remadores; que se construam carros que avancem 1. (UERJ)
a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que
se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem “O casal Arnolfini”
(...) bata o ar com asas como um pássaro. Máquinas que
permitam ir ao fundo dos mares e dos rios”
BRAUDEL, FERNAND. CIVILIZAÇÃO MATERIAL, ECONOMIA E CAPITALISMO:
SÉCULOS XV-XVIII. SÃO PAULO: MARTINS FONTES, 1996, VOL. 3.

Considerando a dinâmica do processo histórico, pode-


-se afirmar que as ideias de Roger Bacon: http://upload.wikimedia.org

a) inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média


ao privilegiarem a crença em Deus como o principal
meio para antecipar as descobertas da humanidade.
b) estavam em atraso com relação ao seu tempo ao
desconsiderarem os instrumentos intelectuais oferecidos
pela Igreja para o avanço científico da humanidade.
JAN VAN EYCK (1389-1441)
c) opunham-se ao desencadeamento da Primeira Revo-
lução Industrial, ao rejeitarem a aplicação da matemáti- Sempre que se evoca o tema do Renascimento, a ima-
ca e do método experimental nas invenções industriais. gem que nos vem à mente é a dos grandes artistas e de
d) eram fundamentalmente voltadas para o passado, suas obras mais famosas. Isso nos coloca a questão: por
pois não apenas seguiam Aristóteles, como também que razão o Renascimento implica esse destaque tão
baseavam-se na tradição e na teologia. grande dado às artes visuais? De fato, as artes plásticas
e) inseriam-se num movimento que convergiria mais acabaram se convertendo num centro de convergên-
tarde para o Renascimento, ao contemplarem a pos- cia de todas as principais tendências da cultura renas-
sibilidade de o ser humano controlar a natureza por centista. E mais do que isso, acabaram espelhando os
meio das invenções. impulsos mais marcantes do processo de evolução das
relações sociais e mercantis.
4. (Enem) Assentado, portanto, que a Escritura, em mui-
NICOLAU SEVCENKO. O RENASCIMENTO. SÃO PAULO:
tas passagens, não apenas admite, mas necessita de ATUAL; CAMPINAS: ED. UNICAMP, 1984.
exposições diferentes do significado aparente das pa-
lavras, parece-me que, nas discussões naturais, deveria As diversas manifestações da cultura renascentista na
ser deixada em último lugar. Europa ocidental, entre os séculos XIV e XVI, estiveram

12
relacionadas à criação de novos valores e práticas so- c) As transformações artísticas e políticas do Renasci-
ciais que se confrontaram com aqueles da sociedade mento incluíram a inspiração nos ideais da Antiguida-
medieval. Cite dois aspectos da cultura renascentista de Clássica na pintura, na arquitetura e na escultura.
que justifiquem a sua importância para o início dos d) As inquietações religiosas vividas principalmente
Tempos Modernos. ao longo do século XVI culminaram nas Reformas
Calvinista, Luterana, Anglicana e finalmente no movi-
2. (UERJ) Leia o texto escrito por Marsílio Ficino no sé- mento da Contrarreforma, que defendeu a fé protes-
culo XV: tante contra seus inimigos.
Quem poderia negar que o homem possui quase o mes-
mo gênio que o Autor dos céus? E quem pode negar 3. (Fuvest) Em uma significativa passagem da tragédia
que o homem também poderia de algum modo criar os Macbeth, de Shakespeare, seu personagem principal
céus, obtivesse ele os instrumentos e o material celeste, declara: “Ouso tudo o que é próprio de um homem;
pois até agora o faz, se bem que com um material dife- quem ousa fazer mais do que isso não o é”. De acor-
rente mas ainda segundo uma mesma ordem? do com muitos intérpretes, essa postura revela, com
extraordinária clareza, toda a audácia da experiência
HELLER, AGNES. O HOMEM DO RENASCIMENTO.LISBOA: PRESENÇA, 1982. renascentista.
Explique uma característica da civilização do Renasci- Com relação à cultura humanista, é correto afirmar que
mento evidenciada no texto. a) o mecenato de príncipes, de instituições e de fa-
mílias ricas e poderosas evitou os constrangimentos,
prisão e tortura de artistas e de cientistas.
E.O. OBJETIVAS b) a presença majoritária de temáticas religiosas nas
artes plásticas demonstrava as dificuldades de assimilar
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) as conquistas científicas produzidas naquele momento.
c) a observação da natureza, os experimentos e a pes-
1. (Unesp) Podemos afirmar que as obras A divina co- quisa empírica contribuíram para o rompimento de
média, escrita por Dante Alighieri no início do século alguns dos dogmas fundamentais da Igreja.
XIV, e Dom Quixote, escrita por Miguel de Cervantes no d) a reflexão dedutiva e o cálculo matemático limita-
início do século XVII, ram-se à pesquisa teórica e somente seriam aplicados
a) parodiaram as novelas de cavalaria e defenderam na chamada Revolução Científica do século XVII.
a hegemonia da Igreja Católica e da aristocracia, res- e) a avidez de conhecimento e de poder favoreceu
pectivamente. a renovação das universidades e a valorização dos
b) derivaram de registros orais e foram apenas orga- saberes transmitidos pela cultura letrada.
nizadas e sistematizadas na escrita de seus autores.
4. (Fuvest) Nos séculos XIV e XV, a Itália foi a região
c) contribuíram para a unificação e o estabelecimento
mais rica e influente da Europa. Isso ocorreu devido à
da forma moderna dos idiomas italiano e espanhol.
d) assumiram forte conotação anticlerical e intensifi- a) iniciativa pioneira na busca do caminho marítimo
caram as críticas renascentistas à conduta e ao poder para as Índias.
da Igreja Católica. b) centralização precoce do poder monárquico nessa
e) retrataram o imaginário da burguesia comercial as- região.
cendente na Itália e na Espanha do final da Idade Média. c) ausência completa de relações feudais em todo o
seu território.
2. (Unicamp) De uma forma inteiramente inédita, os hu- d) neutralidade da península itálica frente à guerra
manistas, entre os séculos XV e XVI, criaram uma nova generalizada na Europa.
forma de entender a realidade. Magia e ciência, poesia e) combinação de desenvolvimento comercial com
e filosofia misturavam-se e auxiliavam-se, numa socie- pujança artística.
dade atravessada por inquietações religiosas e por exi-
gências práticas de todo gênero. 5. (Fuvest) "No campo científico e matemático, o proces-
so da investigação racional percorreu um longo caminho.
EUGENIO GARIN, CIÊNCIA E VIDA CIVIL NO RENASCIMENTO Os Elementos de Euclides, a descoberta de Arquimedes
ITALIANO. SÃO PAULO: ED. UNESP, 1994, P. 11.
sobre a gravidade, o cálculo por Eratóstenes do diâmetro
Sobre o tema, é correto afirmar que: da terra com um erro de apenas algumas centenas de
quilômetros do número exato, todos esses feitos não se-
a) O pensamento humanista implicava a total recusa da riam igualados na Europa durante 1500 anos."
existência de Deus nas artes e na ciência, o que libertava
o homem para conhecer a natureza e a sociedade. MOSES I. FINLEY. OS GREGOS ANTIGOS
b) A mistura de conhecimentos das mais diferentes
O período a que se refere o historiador Finley, para a
origens – como a magia e a ciência – levou a uma
retomada do desenvolvimento científico, corresponde
instabilidade imprevisível, que lançou a Europa numa
onda de obscurantismo que apenas o Iluminismo a) ao Helenismo, que facilitou a incorporação das ci-
pôde reverter. ências persa e hindu às de origem grega.

13
b) à criação das universidades nas cidades da Idade c) nos centros urbanos romanos, onde predominava
Média, onde se desenvolveram as teorias escolásticas. a escultura gótica.
c) ao apogeu do Império Bizantino, quando se incen- d) nas cidades-estados gregas, onde o estilo dórico
tivou a condensação da produção dos autores gregos. era hegemônico.
d) à expansão marítimo-comercial e ao Renascimen- e) nos castelos senhoriais, onde prevalecia a arquite-
to, quando se lançaram as bases da ciência moderna. tura românica.
e) ao desenvolvimento da Revolução Industrial na In-
glaterra, que conseguiu separar a técnica da ciência. 8. (Unicamp) A primeira lei de Kepler demonstrou que
os planetas se movem em órbitas elípticas e não cir-
6. (Unesp) culares. A segunda lei mostrou que os planetas não se
movem a uma velocidade constante.
PERRY, MARVIN. CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL: UMA HISTÓRIA CONCISA.
SÃO PAULO: MARTINS FONTES, 1999, P. 289. (ADAPTADO)

É correto afirmar que as leis de Kepler:


a) confirmaram as teorias definidas por Copérnico e
são exemplos do modelo científico que passou a vi-
gorar a partir da Alta Idade Média.
b) confirmaram as teorias defendidas por Ptolomeu e
permitiram a produção das cartas náuticas usadas no
período do descobrimento da América.
c) são a base do modelo planetário geocêntrico e se
tornaram as premissas científicas que vigoram até hoje.
A pintura representa no martírio de Cristo os seguintes
princípios culturais do Renascimento italiano: d) forneceram subsídios para demonstrar o modelo
planetário heliocêntrico e criticar as posições defen-
a) a imitação das formas artísticas medievais e a ên- didas pela Igreja naquela época.
fase na natureza espiritual de Cristo.
b) a preocupação intensa com a forma artística e a 9. (Unicamp) A teoria da perspectiva, iniciada com o ar-
ausência de significado religioso do quadro. quiteto Filippo Bruneleschi (1377-1446), utilizou conhe-
c) a disposição da figura de Cristo em perspectiva ge- cimentos geométricos e matemáticos na representação
ométrica e o conteúdo realista da composição. artística produzida na época. A figura a seguir ilustra o
d) a gama variada de cores luminosas e a concepção estudo da perspectiva em uma obra desse arquiteto. É
otimista de uma humanidade sem pecado. correto afirmar que, a partir do Renascimento, a teoria
e) a idealização do corpo do Salvador e a noção de da perspectiva:
uma divindade desvinculada dos dramas humanos.

7. (Unesp) Os centros artísticos, na verdade, poderiam


ser definidos como lugares caracterizados pela presen-
ça de um número razoável de artistas e de grupos signi-
ficativos de consumidores, que por motivações variadas
— glorificação familiar ou individual, desejo de hege-
monia ou ânsia de salvação eterna — estão dispostos a
investir em obras de arte uma parte das suas riquezas.
Este último ponto implica, evidentemente, que o centro
seja um lugar ao qual afluem quantidades considerá-
veis de recursos eventualmente destinados à produção a) foi aplicada nas artes e na arquitetura, com o uso
artística. Além disso, poderá ser dotado de instituições de proporções harmônicas, o que privilegiou o domínio
de tutela, formação e promoção de artistas, bem como técnico e restringiu a capacidade criativa dos artistas.
de distribuição das obras. Por fim, terá um público mui-
b) evidencia, em sua aplicação nas artes e na arquite-
to mais vasto que o dos consumidores propriamente
tura, que as regras geométricas e de proporcionalida-
ditos: um público não homogêneo, certamente (...).
de auxiliam a percepção tridimensional e podem ser
CARLO GINZBURG. A MICRO-HISTÓRIA E OUTROS ENSAIOS, 1991. ensinadas, aprendidas e difundidas.
c) fez com que a matemática fosse considerada uma
Os “centros artísticos” descritos no texto podem ser
arte em que apenas pessoas excepcionais poderiam
identificados:
usar geometria e proporções em seus ofícios.
a) nos mosteiros medievais, onde se valorizava espe- d) separou arte e ciência, tornando a matemática
cialmente a arte sacra. uma ferramenta apenas instrumental, porque essa
b) nas cidades modernas, onde floresceu o Renasci- teoria não reconhece as proporções humanas como
mento cultural. base de medida universal.

14
E.O. DISSERTATIVAS A partir desse trecho, responda:
a) Em que termos a expressão “Idade Média” pode
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) carregar consigo um valor depreciativo?
b) Como o período comumente abarcado pela expres-
1. (Unesp) [...] tudo que os renascentistas pretendiam são “Idade Média” poderia ser analisado de outra
era assumir a condição humana até seus limites, até as maneira, isto é, sem um julgamento de valor?
últimas consequências. Nem Deus e nem o demônio;
4. (Fuvest) O grande mérito do sábio toscano estava
todo o desafio consistia em ser absolutamente, radical-
exatamente na apresentação de suas conclusões na
mente humano, apenas humano.
forma de “leis” matemáticas do mundo natural. Ele
(NICOLAU SEVCENKO. O RENASCIMENTO, 1985.) não apenas defendia que o mundo era governado por
essas “leis”, como também apresentava as que havia
Explique a caracterização que o texto faz do Renasci- “descoberto” em suas investigações.
mento e dê exemplo de uma obra artística em que tal
intenção se manifeste. CARLOS Z. CAMENIETZKI, GALILEU EM SUA ÓRBITA.
IN: REVISTA DE HISTÓRIA, JAN. 2014.
2. (Fuvest) Observe a imagem e leia o texto a seguir.
Considerando que o texto se refere a Galileu Galilei
(1564-1642),
a) identifique uma das “leis” do mundo natural pro-
posta por ele;
b) indique dois dos principais motivos pelos quais ele
foi julgado pelo Tribunal da Inquisição.

5. (Fuvest) A personagem "Dom Quixote" representa-


va um ideal de vida não mais dominante no tempo em
que Miguel de Cervantes escreveu sua famosa obra
(1605-1615).
a) Explique esse ideal.
Fonte: Michelangelo, A criação de Adão, detalhe do teto da b) Por que tal ideal deixou de ser dominante?
Capela Sistena, Vaticano (c. 1511). www.rastel.com

6. (Unesp) Leia o trecho de A divina comédia, escrita


Michelangelo começou cedo na arte de dissecar ca- pelo poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), no iní-
dáveres. Tinha apenas 13 anos quando participou das cio do século XIV.
primeiras sessões. A ligação do artista com a medicina
foi reflexo da efervescência cultural e científica do Re- Como, em seu 1Arsenal, os venezianos
nascimento. A prática da dissecação, que se encontrava
fervem, no inverno, o pegajoso 2pez,
dormente havia 1.400 anos, foi retomada e exerceu in-
fluência decisiva sobre a arte que então se produzia. pra de seus 3lenhos consertar os danos,

CLAYTON LEVY, PESQUISADORES DISSECAM LIÇÃO DE ANATOMIA DE pois, não podendo navegar, ao invés
MICHELANGELO. IN: JORNAL DA UNICAMP, Nº 256, JUNHO DE 2004.
há quem renove o lenho, ou 4calafete
a) Explique a relação, mencionada no texto, entre ar-
tes plásticas e dissecação de cadáveres, no contexto o casco que viagem muita fez;
do Renascimento.
e um na proa, na popa outro arremete,
b) Identifique, na imagem acima, duas características
da arte renascentista. um faz o remo, outro torce o cordame,
um remenda a grã vela, outro o 5traquete.
3. (Fuvest) Se utilizássemos, numa conversa com homens
medievais, a expressão “Idade Média”, eles não teriam A DIVINA COMÉDIA, 2009.
ideia do que isso poderia significar. Eles, como todos 1
arsenal: lugar de conserto de navios.
os homens de todos os períodos históricos, se viam vi-
2
vendo na época contemporânea. De fato, falarmos em pez: piche.
3
Idade Antiga ou Média representa uma rotulação pos- lenho: barco.
terior, uma satisfação da necessidade de se dar nome 4
calafetar: vedar, fechar.
aos momentos passados. No caso do que chamamos de 5
traquete: mastro.
Idade Média, foi o século XVI que elaborou tal conceito.
Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava um Nos versos, o poeta refere-se ao trabalho de repara-
desprezo indisfarçado pelos séculos localizados entre a ção dos navios venezianos. Descreva a natureza do
Antiguidade Clássica e o próprio século XVI. trabalho desenvolvido no arsenal e explique o motivo
HILÁRIO FRANCO JÚNIOR. A IDADE MÉDIA. NASCIMENTO DO OCIDENTE. da crise econômica das cidades italianas a partir do
3ª ED. SÃO PAULO: BRASILIENSE, S.D. [1986]. P.17. ADAPTADO. final do século XV.

15
7. (Unesp) Um peso colossal de estupidez esmagou o 6. C 7. C 8. E 9. C
espírito humano. A pavorosa aventura da Idade Média,
essa interrupção de mil anos na História da civilização.
ERNEST RENAN. REMINISCÊNCIAS DA INFÂNCIA E DA MOCIDADE, 1883.
E.O. Complementar
a) Explique a origem, no Renascimento, do termo Ida- 1. C 2. D 3. E 4. B 5. D
de Média.
b) Forneça dois exemplos de natureza cultural que con-
tradizem o juízo do autor sobre o período medieval.
E.O. Dissertativo
1.
8. (Unicamp) A partir do século IX, aumentou a circula-
ção da ciência e da filosofia vindas de Bagdá, o centro a) Os princípios que sustentaram a ação da Inquisição
da cultura islâmica, em direção ao reino muçulmano eram baseados no combate a toda e qualquer forma
instalado no Sul da Espanha. No século XII, apesar das de oposição aos dogmas da Igreja Católica. Esses prin-
divisões políticas e das guerras entre cristãos e mouros cípios eram efetivados por meio de práticas como: vi-
que marcavam a península ibérica, essa corrente de co- gilância e controle do comportamento moral dos fiéis
nhecimento virou um rio caudaloso, criando uma base e severa censura às produções culturais e às inovações
que, mais tarde, constituiria as fundações do Renasci- científicas. A citação de Giordano Bruno contraria esses
mento no mundo cristão. Foi dessa maneira que o Oci- princípios por exaltar o “saber” e o “poder de agir” do
dente adquiriu o conhecimento dos antigos. No quadro homem, avaliado, então, como ator capaz de dominar
pintado pelo italiano Rafael, A escola de Atenas (1509), a natureza para criar “mundos desejáveis”. A citação
o pintor daria a Averróis, sábio muçulmano da Andalu- se refere ao trabalho desenvolvido pelo mago. No pe-
zia, um lugar de honra, logo atrás do grego Aristóteles, ríodo citado, seus conhecimentos provinham de fontes
cuja obra Averróis havia comentado e divulgado. não aprovadas pela Igreja, que resultavam em práti-
cas consideradas ocultas por ameaçarem os dogmas
DAVID LEVERING LEWIS, GOD’S CRUCIBLE: ISLAM AND THE MAKING OF EUROPE, religiosos. Em virtude dessa compreensão por parte
570-1215. NEW YORK: W. W. NORTON, 2008, P. 368-69, 376-77. da Igreja, a Inquisição reservaria aos hereges (dentre
a) Identifique no texto dois aspectos da relação entre eles, os magos) denúncias, investigações, julgamentos
cristãos e muçulmanos na Europa medieval. e condenações, com penas como prisão perpétua e
b) Relacione as características do Renascimento cul- morte na fogueira (o caso de Giordano Bruno).
tural europeu à redescoberta dos valores da Antigui- b) A citação está associada aos valores renascentistas
dade clássica. porque se refere a um tipo distinto de poder e de sa-
ber, que ultrapassa os limites impostos pelos dogmas
9. (Unicamp) Em Roma, no século XV, destruíram-se mui-
da Igreja Católica, na medida em que essa instituição
tos e belos monumentos, sem que as autoridades ou
tem a revelação divina como fonte única do saber. Três
os mecenas se lembrassem de os restaurar. No melhor
pontos associam a citação a esses valores: 1) a eleição
período desse "regresso ao antigo", ocorrido durante o
do homem como agente; 2) a referência a uma ação
Renascimento italiano, não se restaura nenhuma ruína,
racionalmente elaborada para transformar a realidade,
e toda a gente continua a explorar templos, teatros e
o que remete à criação de novos mundos; 3) o registro
anfiteatros, como se fossem pedreiras.
de que os mundos a serem criados dependeriam da
JACQUES HEERS. IDADE MÉDIA: UMA IMPOSTURA. vontade humana. Assim, os pontos mencionados ex-
PORTO: EDIÇÕES ASA. 1994, P. 111. plicitam os seguintes valores do Renascimento: o hu-
a) Segundo o texto, quais foram as duas atitudes em manismo e o antropocentrismo (valorização do homem
relação à cidade de Roma no Renascimento? e de seu poder de ação, o que resultava em colocar
b) Explique a importância da cidade de Roma na An- o homem no centro da ação e conferir-lhe vontade e
tiguidade. desejo para a intervenção na natureza); o racionalismo
c) Por que o Renascimento italiano valorizou as cidades? (a valorização da razão humana).
2. O Renascimento Cultural foi um amplo movimento caracte-

GABARITO rizado por uma mudança significativa na forma de enxergar o


mundo, principalmente nos centros urbanos, caracterizada pelo
antropocentrismo, individualismo e racionalismo. Tanto as ima-
gens do corpo humano, destacando o esqueleto e a musculatura
E.O. Aprendizagem de forma científica, quanto o texto reforçam a necessidade do
1. B 2. B 3. E 4. E 5. D conhecimento racional sobre o ser humano e o universalismo
desse conhecimento, que deixa de ser monopólio da Igreja Cató-
6. D 7. B 8. E 9. A lica e pode ser formado a partir de diferentes culturas.

3.
E.O. Fixação a) A reabertura do Mar Mediterrâneo, proporcionada
1. E 2. E 3. B 4. D 5. C pela ocorrência das Cruzadas, favoreceu o enriqueci-
mento de mercadores e comerciantes. Tal segmento

16
social passou a apoiar práticas que denotavam luxo e que este processo produziu na Igreja, a exemplo do
riqueza, como o colecionamento de obras de arte, o acirramento das perseguições aos adeptos desta nova
que incentivou a prática do mecenato, principalmente forma de pensar e da condenação de diversas obras de
na Península Itálica. intelectuais da época. Além de obras condenadas, diver-
b) Concepção antropocêntrica de mundo, em opo- sos intelectuais foram condenados e executados na fo-
sição à concepção teocêntrica proposta pela Igreja gueira, destacando-se como principais exemplos Giorda-
Católica. no Bruno e Galileu Galilei (que para fugir à condenação
c) Influência da cultura greco-romana, humanismo, negou suas teorias).
valorização do corpo humano.
6.
4.
a) Antropocentrismo (valorização do homem) e Natu-
a) As repúblicas italianas da Renascença desenvolve- ralismo (valorização da natureza).
ram formas de organização política opostas ao domí- b) Na transição da Idade Média para a Idade Moder-
nio dos senhores feudais, estabelecendo como base a na havia na Europa uma mudança estrutural em toda
cidade e nela constituindo um governo coletivo voltado sociedade. Na Política, uma transição da descentrali-
para a garantia de sobrevivência da cidade e liderado zação política feudal para a centralização do poder
pelos chanceleres. Para efetivar isso, desenvolveram nas mãos dos reis. Na economia, de uma economia
uma verdadeira atitude de patriotismo entre os seus agrária, rural e de subsistência para uma economia
habitantes que recebeu o nome de virtude cívica e que mais urbana, monetária e comercial. Na religião,
coloca a cidade como principal objetivo da vida do quebrou a unidade cristã com o surgimento de novas
cidadão. O principal nome da política de Florença foi religiões no início do século XVI como o luteranismo,
Maquiavel. No entanto, vale a pena lembrar que a or- calvinismo, anglicanismo. No plano da cultura, uma
ganização independente das cidades italianas é ante- mudança do teocentrismo medieval para o antropo-
rior ao Renascimento e sua importância já é destacada centrismo moderno. Assim, o Renascimento Cultural
na Baixa Idade Média, como renascimento comercial. que ocorreu nos séculos XIV, XV e XVI caracteriza esta
b) O papel vanguardista de Veneza no desenvolvi- transição no âmbito da cultura.
mento do comércio com o Oriente e associar a isso
a variedade de produtos colocados na Europa que 7.
aumentaram o comércio e expandiram o luxo. Em a) No processo de formação do mundo moderno (XII-
decorrência disso, foram criadas novas necessidades -XVII), o Renascimento introduziu algumas importan-
que ajudaram a alterar as formas econômicas feudais tes transformações, que incidiram sobre a concepção
e que levaram às trocas científicas e culturais com de mundo dos homens daquela época. Colocou no
o Ocidente. Tais modificações alimentaram mudan- centro de suas preocupações o homem, o que ficaria
ças no cenário da ciência, da religião e da arte. Os conhecido como antropocentrismo. O humanismo, o
mercadores de Veneza tiveram papel fundamental na estudo da natureza e o desenvolvimento do espírito
reabertura do Mediterrâneo ao comércio europeu, na crítico, em conjunto, colaboraram para a ampliação
época das cruzadas, contribuindo para o aumento da dos horizontes em vários campos do conhecimento,
circulação de mercadorias orientais, as especiarias. que, difundidos, transformaram a concepção do ho-
mem sobre o mundo.
5.
b) Desenvolvia-se a importância de observação direta
a) Revolução Científica. Também serão aceitos: renasci- nos estudos científicos, procedimento que afirmaria a
mento científico, renascimento da ciência moderna. O empiria como forma de construção do conhecimento
Renascimento Científico pode ser enquadrado no con- científico. Com o Renascimento e a difusão de seus
texto do Renascimento Cultural que, ao contrário do princípios, as dúvidas sobre o corpo humano tornaram
senso comum, não deve ser vinculado apenas à arte, legítima, por parte dos médicos, a investigação empíri-
mas a toda produção cultural guiada pelo racionalis- ca, daí a prática de dissecação de cadáveres. Ainda as-
mo, espírito crítico, antropocentrismo e humanismo. sim, a narrativa do médico, ao revelar que as suas ati-
b) O racionalismo, empirismo, o antropocentrismo, vidades eram feitas em segredo, indica implicitamente
a experimentação, a observação. O racionalismo se que, apesar das mudanças produzidas pelo Renasci-
contrapõe ao dogmatismo (a crença em verdades mento, tais “novidades” provocavam conflitos, posto
absolutas e universais), dessa forma está associa- que não eram consensuais. Na verdade, nesse mesmo
do ao senso crítico e a possibilidade de levantar e período, a Igreja Católica condenava práticas como a
discutir novas hipóteses em todos os campos do da dissecação de cadáveres, pois o corpo humano era
saber. O antropocentrismo não deve ser percebido considerado sagrado e não poderia ser violado.
apenas como “o homem no centro”, representa a
preocupação em entender e, nesse sentido, em dar 8. Concepções inovadoras de artistas:
importância ao ser humano. • técnicas de perspectiva, de tridimensionalidade, introduzin-
c) O choque entre as concepções teocêntricas e da Igreja do a impressão de realismo;
Católica e as baseadas no empirismo e no racionalismo.
• inclusão de paisagens da natureza;
Também será considerada a identificação das reações

17
• influência do humanismo na reprodução de formas humanas; 1. Dois dos aspectos:
• temas religiosos revestidos de percepção humanista. • valorização do indivíduo.
Concepções inovadoras de escritores: • abandono do teocentrismo.
• humanismo, destacando-se as emoções humanas; • defesa dos ideais humanistas.
• textos em línguas nacionais, abordando temas profanos e • defesa dos valores burgueses.
das culturas locais;
• valorização da liberdade individual.
• revisão crítica de textos clássicos;
• utilização da razão na explicação do mundo.
• inclusão de temas políticos.
• visão mais natural e humanizada da religião.
Concepções inovadoras de cientistas:
O início da modernidade coincide com o período de expansão
• valorização da observação e da experiência; das atividades mercantis e de ascensão da classe burguesa.
• influência do humanismo, libertando o estudo do universo Os valores do renascimento expressão uma nova visão de mundo
e da Terra; na qual a capacidade de criação e de ação humana se destaca.
• abordagens de estudos no campo da física e no da medicina. 2. No texto, destaca-se a visão humanista que defendia, numa
Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de perspectiva otimista, as potencialidades do homem, característi-
mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa ca da civilização do Renascimento.
Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retoma-
da dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clás-
sica. Esse momento é considerado como um importante período
E.O. Objetivas
de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
9. A concepção de "cidade ideal" na Época Renascentista pode 1. C 2. C 3. C 4. E 5. D
ser explicada a partir de um conjunto de fatores, quais sejam:
6. C 7. B 8. D 9. B
• A influência dos valores da Antiguidade Clássica que leva-
ram à retomada dos padrões estéticos da arquitetura gre-
co-romana; E.O. Dissertativas
• A eliminação ou minimização dos problemas sanitários e (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
de funcionalidade das cidades medievais, cacterizados pela
1. O Renascimento caracterizou-se por ser anticlerical, opondo-
precariedade dos edifícios, os esgotos a céu aberto e as ruas
-se à cultura religiosa e teocêntrica da Idade Média. Valoriza o
estreitas;
homem a partir do antropocentrismo e do humanismo (glorifica-
• A influência do racionalismo e o humanismo presentes nas ção do natural e do humano). Como exemplo as esculturas Davi
concepções de filósofos, artistas e cientistas quanto à solu- e Pietá de Michelangelo.
ção de todos os problemas.
2.
As semelhanças de objetivos do urbanismo renascentista com o
urbanismo modernista que resultou na cidade de Brasília podem a) Influenciado pelas concepções gregas de huma-
ser identificadas quanto: ao arrojo dos projetos em relação às nismo e naturalismo, os renascentistas procuravam
respectivas épocas, à amplitude das vias de circulação e quanto reproduzir e valorizar o homem. A dissecação de
à organização do espaço urbanizado, particularmente a setoriza- cadáveres – como mencionada no texto – permitiu
ção das práticas econômicas, administrativas e sociais. maior conhecimento do corpo humano, favorecendo
a riqueza de detalhes e fortalecendo o realismo.
10. b) A valorização do ser humano (antropocentrismo) e
a) Renascimento Cultural. a adoção da perspectiva na pintura, associada a no-
b) Dentre as principais características do movimento vidades como a noção de profundidade e a projeção
renascentista, pode-se destacar o antropocentrismo, de luz e sombra.
visão que considera o homem o centro de tudo, e o 3.
racionalismo, princípio de que o exercício da razão é
o único caminho para o saber. a) A expressão “Idade Média” foi cunhada pelos
renascentistas do século XV, que consideravam o
momento em que viviam como sendo de grande de-
E.O. Enem senvolvimento intelectual, artístico e científico, com-
1. B 2. C 3. E 4. E parável ao momento que gregos e romanos viveram
no passado, intermediado por um período de obscu-
rantismo, de trevas. Portanto, ao valorizar uma cultu-
E.O. UERJ ra antropocêntrica, racional e individualista, criaram
profundo desprezo e preconceito ao período anterior,
Exame Discursivo marcado por características diferenciadas, considera-

18
das inferiores. guidade clássica dos muçulmanos ao ocidente cristão
b) A Idade Média deve ser compreendida a partir de e presença islâmica na península ibérica deu origem
suas próprias características, entendida dentro de seu à guerra da Reconquista.
tempo, portanto em um contexto específico, com seus b) O Renascimento é assim chamado em virtude da
valores e contradições, sem ser comparada com ou- redescoberta e revalorização das referências cultu-
tros períodos em termos de valores. rais da antiguidade clássica durante a passagem da
Idade Média para a Idade Moderna, destacando-se o
4.
racionalismo, o antropocentrismo, o individualismo e
a) Podemos citar algumas leis criadas por Galileu, o naturalismo.
como (1) a teoria de que todos os planetas orbitam
em torno do Sol – o heliocentrismo e (2) a teoria de 9.
que, sem a resistência do ar, todos os corpos em que- a) A destruição de monumentos romanos ainda exis-
da livre atingem a mesma velocidade independente tentes e a não preocupação de restaurar outros que
de suas massas. já se encontravam deteriorados.
b) Como todos os pensadores renascentistas, Galileu b) Foi a capital do mais importante império na Antigui-
primava pelo uso da razão em suas análises. Assim, dade, sendo um poderoso centro político e adminis-
muitas vezes, suas teorias iam de encontro ao que a trativo e centro de difusão, irradiação e consolidação
Igreja Católica preconizava. Em especial, ele foi per- dos valores da civilização clássica (greco-romana).
seguido pela teoria do heliocentrismo, uma vez que a
c) Por que as cidades italianas à época do Renasci-
Igreja defendia o geocentrismo.
mento eram, além de importantes centro econômicos,
5. verdadeiros Estados dotados de soberania, onde os
governantes ou a burguesia em busca de projeção,
a) O personagem Dom Quixote representa o ideal
estimulavam as artes. Também, os valores da Renas-
de cavalaria, característico do mundo feudal, baseado
nos princípios de lealdade, honra, coragem e proteção cença representavam uma contraposição aos valores
aos mais fracos. do mundo feudal, essencialmente rural.
b) Porque os ideais medievais, próprios da nobreza
feudal, foram superados pelos valores da burguesia,
classe social em ascensão no contexto da transição
feudo-capitalista.
6. O texto relata o trabalho de construção e reparo dos navios
em Veneza. Tal trabalho era livre, assalariado e especializado. No
que diz respeito à crise do século XV nas cidades italianas, ela
se deve, basicamente, a duas razões: (1) os turcos, ao tomarem
Constantinopla, passaram a dificultar e encarecer a travessia do
Mediterrâneo e (2) portugueses e espanhóis lançaram-se ao mar,
achando caminhos alternativos para as Índias e inseriram-se no
mercado das especiarias.

7.
a) O termo Idade Média foi empregado pelos huma-
nistas da Renascença para estabelecer a divisão da
História em três grandes períodos: a Idade Antiga, a
Idade Média e a Idade Moderna.
Os humanistas referiam-se ao período como a "Idade
das Trevas" por negarem os valores da cultura medie-
val fundamentados na exaltação do divino.
b) Os mosteiros medievais contribuíram significativa-
mente para a preservação de obras da antiguidade
clássica e durante o reinado de Carlos Magno, pro-
moveu-se um grande estímulo ás artes e à cultura,
consagrando-se a criação da "Escola Palatina".
Acrescenta-se ainda que do contato do ocidente
medieval europeu com o mundo árabe, importantes
conhecimentos técnicos e culturais foram assimilados
e difundidos pelos europeus.

8.
a) De acordo com o texto, pode-se considerar como
aspectos da relação entre cristãos e muçulmanos na
Idade Média, a transmissão conhecimentos da anti-

19
AULAS REFORMA E CONTRARREFORMA
19 E 20
COMPETÊNCIAS: 4e8 HABILIDADES: 13, 15, 16 e 28

E.O. APRENDIZAGEM político para atrair seus partidários, ainda que esse
apoio se fizesse necessário para consolidar os resulta-
dos alcançados pelo ataque inicial dos profetas. Não se
1. (UFMG) Leia estes trechos: pode esquecer que, em seus inícios, a Reforma foi um
I. “Assim vemos que a fé basta a um cristão. Ele não movimento espiritual com uma mensagem religiosa.”
precisa de nenhuma obra para se justificar.”
LUCIEN FEBVRE APUD MARQUES, ADHEMAR MARTINS; BERUTTI, FLAVIO
II. “O rei é o chefe supremo da Igreja [...] Nesta qualida- COSTA, FARIA, RICARDO DE SOUZA. HISTÓRIA MODERNA ATRAVÉS DE TEXTOS.
de, o rei tem todo o poder de examinar, reprimir, corrigir SÃO PAULO: CONTEXTO, 2005 - COLEÇÃO TEXTOS E DOCUMENTOS - 3.
[...] a fim de conservar a paz, a unidade e a tranquilida-
de do reino...” Em relação aos movimentos religiosos que atingiram a
III. “Por decreto de Deus, para manifestação de sua gló- Europa no século XVI, é INCORRETO afirmar que:
ria, alguns homens são predestinados à vida eterna e a) Lutero, apesar de não ter sido o primeiro teólogo a
outros são predestinados à morte eterna.” se posicionar de forma contrária à Igreja, apresentava
A partir dessa leitura e considerando-se outros conheci- como um dos pontos centrais de seus questionamen-
mentos sobre o assunto, é CORRETO afirmar que as con- tos a condenação da prática, coordenada pelos pró-
cepções expressas nos trechos I, II e III fazem referência, prios membros do clero católico, da venda de indul-
respectivamente, às doutrinas: gências, de relíquias e de cargos religiosos.
b) as reformas religiosas levaram a Europa a teste-
a) católica, anglicana e ortodoxa. munhar sangrentas rebeliões e guerras, que, apesar
b) luterana, anglicana e calvinista. de figurarem como motivadas por questões de cunho
c) ortodoxa, luterana e católica. estritamente religioso, estavam também associadas a
d) ortodoxa, presbiteriana e escolástica. disputas políticas ou insatisfações das camadas me-
nos favorecidas da população.
2. (UFRGS) Em 1648, foi celebrada a Paz de Vestfália, um
c) o Anglicanismo surgiu na Inglaterra sob o governo
conjunto de tratados que encerrava a Guerra dos Trinta
de Henrique VIII. Este, sendo um religioso fervoroso,
Anos e, como consequência, o período de guerras reli-
começou a questionar e, posteriormente, a criticar, al-
giosas europeias, causadas pela Reforma Protestante.
guns dogmas como os sacramentos do matrimônio e
Entre os principais efeitos da Paz, pode-se citar: do celibato. Essa discordância teve como consequên-
a) a unificação política do Sacro Império Romano Ger- cia a ruptura definitiva com a Igreja Católica.
mânico e o surgimento do Estadonação alemão. d) a contrarreforma foi a resposta dada pela Igreja
b) o reconhecimento da soberania nacional como Católica, a partir de duas frentes de ação: por um
elemento lapidar das relações internacionais entre os lado procurou corrigir alguns desvios de conduta de
diferentes Estados europeus. seus membros, alvos recorrentes de ataque dos refor-
c) a supressão do luteranismo do Sacro Império Ro- madores; e por outro reafirmou os dogmas que foram
mano Germânico e o reconhecimento do catolicismo condenados pelas novas religiões.
e do calvinismo como únicas religiões permitidas nos e) o calvinismo pregava a devoção à oração e ao
Estados alemães. trabalho como valores edificadores daqueles que,
d) a ascensão da Casa dos Habsburgo como a mais segundo a doutrina da predestinação, estariam en-
poderosa das dinastias reais europeias. caminhados ao paraíso. Os homens que não vivessem
e) a subjugação completa da Revolta Holandesa con- de acordo com esses valores, sinalizariam que seu
tra a Espanha e a anexação dos Países Baixos ao Im- destino seria a danação no inferno.
pério Espanhol.
4. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre a
3. (PUC-RJ) “O ódio contra o clero, muito extenso, de- Companhia de Jesus, ordem fundada em 1534, pelo ex-
sempenhou o seu papel (...). A cobiça, o endividamento -militar espanhol Ignacio de Loyola, e à qual pertence o
e os cálculos políticos, também devem ser levados em papa Francisco.
conta. Mas a mensagem dos reformadores, respondeu I. Foi um instrumento importante da Igreja Católica na
– isto é indubitável – a uma intensa sede espiritual que luta contra a Reforma Protestante do século XVI, de-
a igreja oficial foi incapaz de satisfazer (...) os prega- fendendo a ortodoxia católica contra os movimentos
dores da reforma não necessitaram de nenhum apoio reformadores, como o luteranismo e o calvinismo.

20
II. Foi banida pela bula papal Dominicus ad Redemptor, A partir do texto, é correto concluir que a Inquisição
de 21 de julho de 1773, mas recuperou suas prerroga- espanhola
tivas em 1814. a) ampliou as suas prerrogativas nas nações euro-
III. Desempenhou um papel essencial na atividade evan- peias menos fiéis ao poder do papado, com o intuito
gelizadora dos indígenas nas Américas, com o estabele- de ampliar o número de seguidores.
cimento das chamadas “reduções”, a partir do início do b) perdeu parte de suas atribuições e poderes a partir
século XVII. da Contrarreforma católica, conforme deliberação do
Quais estão corretas? Concílio de Trento.
a) Apenas I. c) manteve, durante a sua existência secular, vínculos
b) Apenas II. essenciais com a questão religiosa, excepcionalmente
c) Apenas I e III. confundindo-se com a questão política.
d) Apenas II e III. d) resumiu sua atuação a alguns poucos casos exem-
e) I, II e III. plares, com o intuito de evitar a propagação do isla-
mismo e das igrejas reformadas.
5. (FGV) Em 1939, atendendo ao apelo do Papa Pio XII, e) apesar de sua fundamentação religiosa, esteve vin-
o Conselho de Imigração e Colonização do Ministério culada ao Estado e serviu aos interesses de grupos
das Relações Exteriores do Brasil resolveu autorizar a ligados ao poder.
entrada de 3000 imigrantes de origem “semita”. Con-
dição sine qua non para obter “o visto da salvação”: a 7. (FGV-RJ) A Reforma, a despeito de sua hostilidade à
conversão ao catolicismo. Pressionados pelos aconteci- magia, estimulara o espírito de profecia. A abolição dos
mentos que marcavam a história do III Reich, os judeus, intermediários entre o homem e a divindade, bem como
mais uma vez, foram obrigados a abandonar seus valo- a ênfase na consciência individual, deixavam Deus falar
res culturais em troca do título de cristão. diretamente a seus eleitos. Era obrigação destes tornar
conhecida a Sua mensagem. E Deus não fazia acepção
[MARIA LUIZA TUCCI CARNEIRO, O ANTISSEMITISMO
NA ERA VARGAS (1930-1945)]
de pessoas: preferia falar a John Knox do que à sua rai-
nha, Maria Stuart da Escócia. O próprio Knox agradeceu
A situação apresentada tem semelhança com o proces- a Deus ter-lhe dado o dom de profetizar, que assim esta-
so histórico da: belecia que ele era um homem de boa-fé. Na Inglaterra,
a) permissão apenas do culto católico no Brasil, confor- as décadas revolucionárias deram ampla difusão ao que
me preceito presente na primeira Constituição, de 1891. praticamente constituía uma profissão nova – a do pro-
b) repressão ao arraial de Canudos, no sertão baiano, feta, quer na qualidade de intérprete dos astros, ou dos
pois recaiu sobre os sertanejos a acusação de ateísmo. mitos populares tradicionais, ou, ainda, da Bíblia.
c) obrigatoriedade, conforme costume colonial, dos HILL, CHRISTOPHER, O MUNDO DE PONTA-CABEÇA. IDEIAS RADICAIS
negros alforriados de conversão ao catolicismo para DURANTE A REVOLUÇÃO INGLESA DE 1640. TRAD. RENATO JANINE

a obtenção da efetiva liberdade. RIBEIRO. SÃO PAULO, COMPANHIA DAS LETRAS, 1987, P. 103.
d) conversão obrigatória dos judeus na Espanha e em O texto se refere ao ambiente político e religioso da
Portugal, a partir do final do século XV, o que gerou a Inglaterra no século XVII. A esse respeito é CORRETO
denominação cristão-novo. afirmar:
e) separação entre Estado e Igreja no Brasil, determi-
nada pelo Governo Provisório da República, coman- a) A insatisfação popular na Inglaterra era decorrente
dada por Deodoro da Fonseca. da perspectiva protestante de manter os sacerdotes
como intermediários entre Deus e os homens.
6. (FGV) Leia o fragmento. b) Os revolucionários basearam-se em princípios es-
Um famoso escândalo político foi o de Antônio Perez, tritamente racionais e científicos, em uma nítida rup-
que em 1571 era secretário de Estado de Felipe II, ten- tura com as crenças e o profetismo da época.
do alcançado um dos postos mais importantes na mo- c) Apesar de todas as disputas religiosas dos sécu-
narquia. Por rivalidades, viu-se envolvido em intrigas los XVI e XVII, os monarcas ingleses mantiveram-se
internacionais. Conhecia todos os segredos da coroa, neutros, o que permitiu a preservação da monarquia.
tendo absoluto controle sobre o Tesouro. Foi acusado d) Para os revolucionários ingleses, Deus considerava
de vender cargos, de suborno e de trair segredos do Es-
apenas os parlamentares como pessoas aptas a trans-
tado. Felipe viu um caminho para atingi-lo: a Inquisição.
mitir a doutrina e indicar os caminhos da salvação.
Tinha de ser acusado de heresia. Foi difícil encontrar
provas contra seu catolicismo, mas o confessor do rei e) A movimentação revolucionária esteve vinculada
conseguiu-as. Mesmo sendo íntimo amigo do inquisi- aos conflitos religiosos decorrentes da chamada Re-
dor-mor e tendo o apoio da população de Saragoça, Pe- forma Protestante iniciada no século XVI.
rez foi acusado de herege. Conseguiu fugir e morreu em
8. (UPE) No início da Idade Moderna, a Europa Ociden-
Paris, e, conforme testemunhou o núncio apostólico da
tal experimentou uma profunda mudança na vivência
região, sempre viveu como fiel católico.
religiosa do cristianismo. Sobre a Reforma Religiosa do
(ANITA NOVINSKY, A INQUISIÇÃO) século XVI, analise as afirmativas seguintes:

21
I. O pensamento de Jan Huss influenciou as ideias de terceira via. Nesse sentido, o luteranismo e o calvinis-
Lutero. mo, no que se referem à doutrina, são anti-humanistas.
II. Sobre a questão da salvação dos fiéis, Calvino e Lute- FALCON, F.; RODRIGUES, A. E. A FORMAÇÃO DO MUNDO
ro consideravam a teoria da predestinação. MODERNO. A CONSTRUÇÃO DO OCIDENTE DOS SÉCULOS XIV
AO XVIII. RIO DE JANEIRO: ELSEVIER, 2006. P. 130.
III. Muitos franceses se converteram ao calvinismo, tor-
nando-se conhecidos como huguenotes.
As ideias apresentadas pelos autores no trecho acima,
IV. A reforma anglicana teve início por meio das ações a respeito do contexto das divergências teológicas do
do monarca britânico Henrique VIII. século XVI, apontam para o fato de que o(a)
V. A Rússia converteu-se ao luteranismo durante o rei- a) Luteranismo é uma doutrina em tudo oposta ao
nado de Pedro Romanov. Calvinismo.
Estão CORRETAS: b) Renascimento deve ser interpretado como perten-
a) I, III e IV. cendo à teologia católica.
b) I, II e V. c) Humanismo não caracterizou apenas os reforma-
c) I, II e III. dores protestantes.
d) II, IV e V. d) Reforma protestante se opôs às ideias do classi-
e) III, IV e V. cismo grego.
e) Utopia foi um movimento de reafirmação das dou-
9. (Udesc) Em 1545, o papa convocou uma reunião en- trinas anglicanas.
tre os membros mais importantes da Igreja Católica a

E.O. FIXAÇÃO
fim de debater sobre questões doutrinárias e discipli-
nares. O Concílio de Trento, como ficou conhecida esta
reunião, durou 18 anos e foi motivado pelos questiona-
mentos à Igreja Católica os quais se tornaram cada vez 1. (UEPB) “A arte mineira caracterizou-se pelo estilo
mais frequentes no início do século XVI, e que levaram barroco que esteve em voga na Europa até princípios
à Reforma Protestante. do século XVIII.”
Analise as proposições em relação ao contexto. (JOSÉ ALVES DE FREITAS NETO E CÉLIO RICARDO TASINAFO.
I. A Reforma Protestante difundiu-se em várias regiões HISTÓRIA GERAL E DO BRASIL. HARBRA. P. 325).
da Europa, entre as quais as regiões que atualmente Sobre o barroco é correto afirmar:
compõem a Alemanha, Suíça, Inglaterra e Holanda.
a) Como forma única de expressão, as imagens barro-
II. Martinho Lutero foi um crítico da Igreja Católica.
cas são uniformes e regulares, conforme o pensamen-
Após a publicação das suas críticas, conhecidas como
to religioso católico.
95 teses, que foram afixadas na porta da Igreja de Wit-
b) O barroco expressava o racionalismo da época
tenberg, ele foi excomungado pelo Papa Leão X.
moderna, condenando as expressões metafísicas e o
III. Entre as novas doutrinas que surgiram com a Refor- sentimento religioso.
ma Protestante estão o Luteranismo, o Calvinismo e o
c) Era um estilo intimamente ligado à Contrarreforma,
Anglicanismo.
pois expressava os fundamentos da devoção religio-
IV. A Reforma Protestante ocorreu juntamente com ou- sa por meio de construções, esculturas e iconografias
tras mudanças, como o aumento do poder dos reis e o que enalteciam os princípios da fé católica.
fortalecimento dos Estados Nacionais. d) O barroco esteve intimamente ligado ao protestan-
Assinale a alternativa CORRETA. tismo, condenando as iconografias e dando ênfase
a) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. apenas ao estilo arquitetônico.
b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. e) O barroco mineiro desenvolveu características uni-
c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras. versais evitando as especificidades e o regionalismo.
d) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. 2. (ESPCEX) A Reforma protestante foi um movimento
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. ocorrido no século XVI que causou uma grande ruptura
no mundo cristão e deu origem a novas doutrinas reli-
10. (FMP) A respeito das relações entre o Renascimen- giosas. Dentre os fatores que levaram a esse movimen-
to e o Cristianismo na Europa, os professores Francisco
to, está(estão) o(a)(s):
Falcon e Edmilson Rodrigues escreveram: Não busca-
vam os humanistas o caminho até Deus pelo desespero, a) apoio da Igreja católica à prática da usura e ao lucro.
como Lutero, e muito menos concordavam com o ser- b) críticas de alguns membros da Igreja a práticas
vo-arbítrio. Além disso, desaprovavam a violência e os promovidas pela instituição, como a venda de indul-
cismas, o que explicava por que grandes intelectuais se gências (perdão dos pecados).
recusaram a aderir à Reforma. Essa atitude dos huma-
nistas, como Erasmo e Morus, acabou por criar uma ter- c) reação à decisão da Igreja de restabelecer e reor-
ceira via para a crise que se apresentava sob a forma de ganizar a Inquisição.
uma renovação das doutrinas e dos sentimentos diante d) valorização do racionalismo e do cientificismo,
do mundo. A utopia foi uma das representações dessa além dos ideais iluministas.

22
e) estímulo à leitura e à livre interpretação da Bíblia, a) à defesa, por parte dos reformadores, da liberdade
promovido pelo Vaticano. de interpretar a Bíblia, de modo que qualquer fiel ti-
vesse acesso às fontes da doutrina.
3. (Unioeste) “Em primeiro lugar, nosso modesto pedi- b) ao desejo de facilitar para os fiéis a leitura da Vul-
do (…) nos sejam dados poder e autoridade para que gata, tradução da Bíblia em latim, aceita como versão
cada comunidade possa eleger o seu pastor (…). Ele oficial da Igreja Luterana.
nos pregará o Evangelho de maneira acessível e sem
c) ao projeto de melhoria da instrução do povo para que
deturpá-lo (...). Em terceiro lugar, até agora éramos
este pudesse compreender a doutrina luterana, cujo en-
tratados como escravos, o que é uma vergonha, pois,
sino era de competência exclusiva dos sacerdotes.
com o seu precioso sangue, Jesus Cristo nos salvou a
todos, (…). Por esse motivo, deduzimos das Sagradas d) à proposta de difusão da leitura entre o povo, para
Escrituras que somos livres, e livres queremos ser. (...) que este conhecesse os catecismos produzidos no
Em quarto lugar, somos prejudicados ainda pelos nos- Concílio de Trento.
sos senhores, que se apoderam de todas as florestas. 5. (UFPR) As guerras de religião na França (século XVI) e
Se o pobre precisa de lenha ou madeira tem que pagar a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) marcaram profun-
o dobro por ela. Nós somos da opinião que deve ser damente as sensibilidades coletivas e exerceram uma
restituída à comunidade toda e qualquer floresta que influência considerável na reflexão política produzida
se encontra em mãos de leigos ou religiosos que não por católicos e protestantes. Sobre as relações entre
adquiriram legalmente. (...)”. religião e poder político no contexto de consolidação
MANIFESTO DOS CAMPONESES EM 1525. IN: ANTOLOGIA HUMANÍSTICA dos Estados monárquicos modernos, é correto afirmar:
ALEMÃ. PORTO ALEGRE, GLOBO, 1972, PP.15-16. a) Os conflitos religiosos desencadeados com a Refor-
O trecho acima reproduz parte do manifesto elaborado ma Protestante estão na origem dos poderes teocráti-
durante as Revoltas Camponesas ocorridas no contexto cos das monarquias modernas.
da Reforma Protestante. Sobre o sentido da Reforma Pro- b) Desde que a tolerância religiosa se consolidou nos
testante e Revoltas Camponesas, pode-se afirmar que: domínios do Sacro Império Romano Germânico, sob o
poder de Carlos V, houve um enfraquecimento do po-
a) a Reforma Protestante foi um movimento de ca- der papal, que ficou restringido somente ao Vaticano.
ráter estritamente religioso sem qualquer conotação
c) Autores como Maquiavel, Montaigne e Jean Bodin
política ou social.
foram defensores da religião protestante, e seus escri-
b) inspirados na doutrina calvinista de que todos os tos constituíram um ataque à monarquia centralizada.
cristãos já nasciam salvos, os camponeses liquidaram
d) Apesar da violência crescente contra os protestan-
com a servidão existente nos principados alemães.
tes, Lutero e Calvino defenderam a autoridade civil e
c) sob a influência da reforma luterana os campo- condenaram qualquer forma de resistência aos pode-
neses alemães questionaram os privilégios da Igreja res legitimamente instituídos.
Católica e dos príncipes alemães.
e) As guerras de religião foram desencadeadas pelas
d) a revolta dos camponeses alemães culminou num classes populares (artesãos urbanos e camponeses),
evento trágico conhecido como a Noite de São Bar- em luta contra a nobreza e a monarquia.
tolomeu em que o ódio religioso dos protestantes
matou centenas de católicos. 6. (Espcex Aman) A Reforma foi um movimento religio-
e) com o apoio da Igreja Anglicana, interessada no so ocorrido no século XVI, marcado pelo surgimento
rompimento com o controle exercido pelo Papa, os de novas religiões cristãs. Dentre suas consequências,
camponeses lutaram pela distribuição das terras da observamos:
Igreja Católica. a) uma grande ruptura na Igreja Católica, levando ao
4. (UFRN) Ao comentar a Reforma Protestante do século retrocesso de práticas, como a usura e os juros nas
XVI, Márcio Ferrari afirma: regiões onde foi adotado o luteranismo.
b) o aumento da interferência da Igreja Católica em ques-
O nascimento do protestantismo teve profundas impli-
tões políticas, nos países que se tornaram calvinistas.
cações sociais, econômicas e políticas. Na educação, o
c) o surgimento da Igreja Anglicana na Inglaterra, que
pensamento de Lutero produziu uma reforma global
adotou o calvinismo e criou um novo papa, para se
do sistema de ensino alemão, que inaugurou a escola
tornar o chefe da nova igreja.
moderna. [...]
d) a reação da Igreja Católica, para tentar acabar com
A ideia da escola pública e para todos, organizada em o avanço do movimento, promovendo guerras religio-
três grandes ciclos (fundamental, médio e superior) e sas contra os países protestantes e revendo alguns de
voltada para o saber útil nasce do projeto educacional seus dogmas.
de Lutero.
e) a tentativa da Igreja Católica de se fortalecer no-
FERRARI, MÁRCIO. MARTINHO LUTERO: O CRIADOR DO CONCEITO vamente, promovendo uma reorganização da Institui-
DE EDUCAÇÃO ÚTIL. NOVA ESCOLA. N. 187, NOV. 2005. P. 30. ção e reafirmando princípios tradicionais.
A proposta educacional de Lutero, referida no comentá- 7. (UFG) No século XVI, com a ocorrência da Reforma e
rio acima, está diretamente relacionada: da Contra-reforma, católicos e protestantes, apesar de

23
manterem o tronco comum no cristianismo, passam a (...) somos prejudicados ainda pelos nossos senhores, que
divergir quanto às práticas e às explicações para suas se apoderaram de todas as florestas. Se o pobre precisa
crenças. Considerando as divergências, conclui-se que, de lenha ou madeira tem que pagar o dobro por ela.
em relação à hierarquia religiosa: (...) preocupam-nos os serviços que somos obrigados a
a) os católicos aceitaram o poder temporal dos Reis, prestar e que aumentam dia a dia (...)
constituindo uma relação de submissão da Igreja em
IN ANTOLOGIA HUMANÍSTICA ALEMÃ, APUD MARQUES E OUTROS.
relação ao Estado. HISTÓRIA MODERNA ATRAVÉS DE TEXTOS, 2010.
b) os luteranos aceitaram a relação direta entre Deus
e o fiel por meio da oração, sem dispensar a figura de A partir do documento, é correto afirmar que, no terri-
um religioso. tório da atual Alemanha:
c) os católicos negavam a autoridade dos clérigos, a) os movimentos camponeses foram liderados por
indignados com o privilégio que eles tinham como Lutero contra a exploração feita pelos nobres que,
intérpretes das Escrituras. de forma ilegal, apropriavam-se das florestas e repri-
d) os calvinistas conservaram o ritual litúrgico deter- miam violentamente os movimentos trabalhistas.
minado por Roma, mantendo o culto aos santos e à b) os movimentos dos trabalhadores em favor das
Virgem Maria. mudanças propostas por Lutero baseavam-se na so-
e) os luteranos aboliram os sacramentos do batismo e lidariedade entre os homens e em contraposição ao
da eucaristia, rompendo com o ordenamento propos- individualismo tão característico da Idade Média.
to pelo cristianismo. c) a liderança dos movimentos camponeses defendeu
a exploração dos trabalhadores, na Alemanha, apoiada
8. (FGV) A ligação entre os reformadores com o poder por Lutero, e, juntos, receberam proteção dos nobres
político pode ser verificada por meio: locais contra a perseguição feita pela Igreja Católica.
a) da defesa que o duque Frederico da Saxônia fez de d) as revoltas camponesas irromperam exigindo re-
Martinho Lutero e da adesão dos príncipes alemães às formas sociais e religiosas que prejudicariam parte da
teses luteranas. nobreza apoiada por Lutero, o qual se colocou aber-
b) da ação de Henrique VIII que, pautado pela dou- tamente contra os movimentos.
trina da predestinação divina, funda a igreja nacional e) as experiências dos camponeses contra os nobres,
na Inglaterra, mas ainda ligada a Roma. apoiados por Lutero, restringiram-se aos aspectos re-
c) do decisivo apoio político de Martinho Lutero e dos seus ligiosos, isto é, de domínio da Igreja Católica, pois a
seguidores à revolta dos camponeses alemães, em 1524. cooperação entre os trabalhadores e os proprietários
d) da efetivação da aliança, a partir de 1533, entre marcava a sociedade alemã.
João Calvino e a monarquia francesa, ambos interes-

E.O. COMPLEMENTAR
sados em reforçar o poder da Igreja católica.
e) da interferência da nobreza alemã para que os lu-
teranos e calvinistas se mantivessem fiéis ao papa.
1. (Puc-Camp) No início da Época Moderna pode-se re-
9. (UEG) O protestantismo encontra-se em franca ex- lacionar a Reforma Protestante, nos campos político e
pansão no estado de Goiás. Suas origens remontam aos cultural, respectivamente:
movimentos reformistas ocorridos na Europa entre os a) à fragmentação do poder temporal na Inglaterra e
séculos XIV e XVI. Sobre a Reforma Protestante, é à disseminação do racionalismo.
CORRETO afirmar: b) ao enfraquecimento do poder central no Santo
a) Martinho Lutero pregou a volta dos valores clássicos Império e à divulgação da língua alemã, a partir da
greco-romanos para combater a corrupção da Igreja. tradução da Bíblia.
b) As teses reformistas de Lutero tiveram apoio de c) ao surgimento do poder de origem divina na França
setores da burguesia e da nobreza do Sacro Império e ao progresso científico.
Romano-Germânico, interessados em escapar da in- d) ao desaparecimento do poder absolutista e à valo-
fluência da Igreja. rização do individualismo, na Espanha.
c) A Reforma Protestante impediu o desenvolvimento e) à expansão do poder feudal e ao desenvolvimento
do capitalismo, uma vez que condenava radicalmente da estética barroca na pintura e na escultura, na Itália.
a usura.
2. (Unirio) Dentre os fatores que contribuíram para a
d) Na Inglaterra, a Reforma Protestante foi suprimida
eclosão do movimento reformista protestante, no início
através da criação da Igreja Anglicana, resultante de
do século XVI, destacamos o(s):
um acordo entre Henrique VIII e o Papa.
a) declínio do nacionalismo no processo de formação
10. (FGV) Leia trechos do Manifesto dos camponeses, dos estados modernos.
documento de 1525. b) embate entre o progresso do capitalismo comercial
(...) nos sejam dados poder e autoridade, para que cada e as teorias religiosas católicas.
comunidade possa eleger o seu pastor e, da mesma for- c) fim do comércio de indulgências patrocinado pela
ma, possa demiti-lo, caso se porte indevidamente. Igreja Católica.

24
d) encerramento da liberdade de crítica provocado II. O desenvolvimento da imprensa contribuiu para que
pelo Renascimento Cultural. pessoas comuns tivessem acesso a informações antes
e) abusos cometidos pela Companhia de Jesus e pela controladas pela Igreja Católica.
ação política do Concílio de Trento. III. A venda de indulgências pela Igreja Católica foi um
dos motivos que levou o monge Martinho Lutero a es-
3. (PUC-Camp) O Calvinismo foi:
crever suas 95 teses, criticando vários pontos da dou-
a) a doutrina que sintetizou as ideias dos reforma- trina católica.
dores que a antecederam, formulando o campo pro- IV. Uma das medidas da Contrarreforma foi o retorno
testante em torno dos princípios do cesaropapismo e
da Inquisição, que tinha como objetivo reprimir aqueles
culto dos santos.
que não estavam seguindo a doutrina católica.
b) apenas um prolongamento das ideias preconiza-
das por Lutero, que admitia que o Príncipe, além de V. A censura exercida pela Igreja Católica Apostólica Ro-
exercer poder civil absoluto, devia vigiar e governar, mana foi determinante para a expansão do protestantis-
por direito divino, a Igreja cristã. mo na Itália e na Península Ibérica.
c) um movimento originário na Suíça, como resultado Assinale a alternativa correta.
de convulsões sociais locais, que revelavam uma ma- a) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
nifestação de rebeldia contra as taxas cobradas pela b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
Igreja e sobre a liberação da prática do divórcio.
c) Somente a afirmativa IV é verdadeira.
d) o resultado das preocupações pessoais de Ulriko
d) Somente a afirmativa I é verdadeira.
Zwinglio e dos problemas relacionados com o celi-
bato clerical. e) Todas as afirmativas são verdadeiras.
e) a mais extremada seita protestante em relação ao
Catolicismo e a mais próxima das questões levanta-
das, em termos éticos, pelo rápido desenvolvimento E.O. DISSERTATIVO
do capital comercial e financeiro.
1. (UFG) Somos prejudicados pelos nossos senhores,
4. (Puc-RS) O Parlamento Inglês, ao promulgar o cha- que se apoderam de nossas florestas. Se o pobre pre-
mado Ato de Supremacia (Act of Supremacy), em 1534, cisa de lenha, tem que pagar o dobro por ela. Nós so-
subordinou as leis da Igreja à soberania jurídica das mos de opinião que deve ser restituída à comunidade
leis civis, concedendo ao Rei Henrique VIII o poder de toda e qualquer floresta que se encontre nas mãos de
“único chefe supremo da Igreja”. O resultado do Ato de leigos ou religiosos que não a adquiriram legalmente.
Supremacia foi/foram: […] Preocupam-nos os serviços que somos obrigados
a prestar e que aumentam dia a dia. Exigimos que esse
a) a difusão do protestantismo calvinista, principal-
assunto seja examinado, a fim de que não sejamos so-
mente pela Escócia.
brecarregados. […] Não queremos que nosso senhorio
b) o início do expansionismo inglês, constituindo as aumente suas exigências, mas que se atenha ao acordo
bases do seu império colonial. estabelecido entre ambas as partes.
c) a centralização de poder, que esteve na base da
reforma anglicana. MANIFESTO DOS CAMPONESES, DATADO DE 1525. IN:
MARQUES, ADHEMAR MARTINS; BERUTTI, FLÁVIO COSTA;
d) a implantação do catolicismo, que gerou repressão FARIA, RICARDO DE MOURA. HISTÓRIA MODERNA ATRAVÉS DE
tanto dos reformistas quanto do parlamento inglês. TEXTOS. SÃO PAULO: CONTEXTO, 1990. P. 128. (ADAPTADO).
e) os conflitos entre o Rei e o Parlamento, pois o pri-
meiro buscava restaurar antigos direitos feudais reti- O texto destacado consiste em trechos do manifesto ela-
rados da Magna Carta de 1215. borado pelo movimento camponês da Alemanha no sé-
culo XVI durante a chamada Reforma Protestante. A par-
5. (Udesc) Na obra O queijo e os vermes, o historiador tir do documento e de seu contexto histórico, explique:
Carlo Ginzburg conta a história de Domenico Scandella,
a) as críticas e as reivindicações do movimento cam-
vulgo Menocchio, um moleiro do norte da Itália que, no
ponês expressas no manifesto.
século XVI, foi considerado herege pela Igreja por afir-
mar que a origem do mundo estava na putrefação. Ao b) a reação de Martinho Lutero e da nobreza alemã
analisar o processo inquisitorial que trata do caso, Ginz- diante da revolta camponesa.
burg chama a atenção para as peculiares opiniões de Me- TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
nocchio sobre os dogmas da igreja e para suas críticas ao
“O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é as-
seu poder excessivo: a igreja chegou a controlar um terço
segurado como liberdade de expressão, mas atitudes
das terras cultiváveis da Europa. Para o autor, dois gran-
agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém
des eventos históricos tornaram possível um caso como
em função de crença ou de não ter religião são crimes
o de Menocchio: a invenção da imprensa e a Reforma.
inafiançáveis e imprescritíveis.”
Com base nas informações e nos estudos sobre a Idade
Moderna europeia, analise as proposições. (“INTOLERÂNCIA RELIGIOSA É CRIME DE ÓDIO E FERE A DIGNIDADE”.
PORTAL DE NOTÍCIAS DO SENADO FEDERAL. PUBLICADO EM
I. A Reforma Protestante contribuiu para a uniformi- 16 DE ABRIL DE 2013. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW12.
zação das práticas e dos significados religiosos no SENADO.GOV.BR/JORNAL/ EDICOES/2013/04/16/INTOLERANCIA-
século XVI. RELIGIOSA-E-CRIME-DE ODIO-E-FERE-A-DIGNIDADE>).

25
2. (UFPR) Destaque dois conflitos religiosos ocorridos 4. (UEG) A Reforma Protestante marcou o grande cis-
após a Reforma Protestante na Europa, entre os séculos ma do cristianismo no Ocidente. Acerca desse aconte-
XVI e XVII, discorrendo sobre os motivos de seu desen- cimento,
volvimento. a) cite duas diferenças teológicas entre o protestan-
tismo luterano e o catolicismo romano.
3. (FGV) Luteranismo, anglicanismo e calvinismo são ex- b) cite os principais desdobramentos políticos da Re-
pressões religiosas ligadas à chamada Reforma Protes- forma Protestante na Suíça e na Inglaterra.
tante, iniciada na Europa a partir do século XVI.
5. (UFJF) Os Tribunais da Inquisição foram criados pela
a) Aponte uma característica de cada uma dessas ex-
Igreja no século XIII, para investigar e punir os crimes
pressões religiosas.
contra a fé. No século XVI a Inquisição foi reativada em
b) Por que luteranismo e calvinismo espalharam-se vários países europeus, inicialmente para fazer frente
por diversas regiões da Europa e o anglicanismo con- ao avanço do protestantismo. Portugal foi um dos paí-
centrou-se sobretudo na Inglaterra? ses que não só reativou essa instituição, como estendeu
c) Quais relações podem ser estabelecidas entre o sua atuação também para seus domínios ultramarinos,
calvinismo e o desenvolvimento do capitalismo? inclusive para o Brasil.

Inquiseção na Espanha, por Bernard Picard, 1723.


Disponível em: <www.integral.br/zoom> e capturada em junho de 2009.

Com base nas afirmações anteriores, na imagem e em Deus chama cada um para uma vocação particular cujo
seus conhecimentos, cite e analise: objetivo é a glorificação dele mesmo. O comercian-
a) uma característica da Inquisição na Europa Moderna. te que busca o lucro, pelas qualidades que o sucesso
econômico exige: o trabalho, a sobriedade, a ordem,
b) uma característica da atuação da Inquisição no
responde também ao chamado de Deus, santificando
Brasil colonial.
de seu lado o mundo pelo esforço, e sua ação é santa.
6. (UFJF) O texto e a gravura abaixo se referem ao con- (CALVINO, João apud MOUSNIER, Roland).
texto de um importante processo histórico ocorrido no MOUSNIER, ROLAND. OS SÉCULOS XVI E XVII: OS PROCESSOS DA CIVILIZAÇÃO
século XVI em vários países europeus. EUROPEIA. IN: CROUZET,
MAURICE. HISTÓRIA GERAL DAS CIVILIZAÇÕES. 4. ED. SÃO
PAULO: DIFEL, 1973, P. 90. V. 1, TOMO IV.

Com base nas referências acima e em seus conhecimen-


tos, responda ao que se pede.
a) Qual movimento pode ser identificado pelas refe-
rências acima?
b) Identifique e analise dois desdobramentos desse
movimento para a Europa moderna:
• quanto aos aspectos econômicos.
• quanto às questões religiosas.

7. (PUC-RJ) Observe a reprodução da gravura Os refor-


madores: Wycliffe, Huss, Lutero, Zwínglio, Calvino, Me-
lanchton, Bucer e Beza (1886).

26
E.O. UERJ
EXAME DE QUALIFICAÇÃO
1. (UERJ) No meio de pestes terríveis, de repetidas guer-
ras e de aflitivas lutas civis, numa Europa Ocidental e
Central abalada por brutais reviravoltas da conjuntura
econômica, a Igreja de Cristo parecia navegar à deriva
para o abismo. Mas o século XVI viu-a recuperar-se e,
ao mesmo tempo, quebrar-se e mostrar à luz do dia o
escandaloso espetáculo de ódio entre os seus filhos.
(DELUMEAU, J. A CIVILIZAÇÃO DO RENASCIMENTO. LISBOA, ESTAMPA, 1984.)

O texto acima refere-se à conjuntura do seguinte pro-


cesso histórico:
a) Iluminismo.
a) A imagem sugere que a problemática central desses
reformadores era o retorno à Bíblia, às Sagradas Escritu- b) Liberalismo.
ras, traduzidas e consideradas como o único fundamento c) Reforma Religiosa.
da fé e da conduta para todos os seres humanos. d) Revolução Filosófica e Científica.
EXPLIQUE um motivo pelo qual a adoção desse princípio
foi uma das causas das reformas religiosas no século XVI.
b) Na imagem, Calvino e Lutero estão enfileirados E.O. UERJ
em primeiro plano, ressaltando a importância de suas
propostas para a criação de novas igrejas, reforma- EXAME DISCURSIVO
das, na Época Moderna.
1. (UERJ)
APRESENTE DUAS diferenças entre o luteranismo e
o calvinismo.

8. (UFU) O chamado “cisma protestante” foi um dos


fenômenos que teve importantes consequências na Eu-
ropa Moderna entre os séculos XVI e XVII. Desse fenô-
meno surgiram várias Igrejas separadas do catolicismo
romano, destacando-se aquelas de base teológica Lute-
rana e outras de base teológica Calvinista.
Sobre este assunto, responda:
a) Quais são as principais características comuns en-
tre as Igrejas Luterana e Calvinista, que surgiram do
chamado “cisma protestante”?
b) Quais as principais diferenças entre as Igrejas Lu-
terana e Calvinista?
De forma especial, queria que esse mandato ressoasse
9. (UFES) “A Reforma protestante do século XVI teve
em vocês, jovens da Igreja na América Latina, compro-
um duplo caráter de revolução social e revolução reli-
metidos com a Missão Continental promovida pelos
giosa. As classes populares não se sublevaram somen-
te contra a corrupção do dogma e os abusos do clero. Bispos. Este continente recebeu o anúncio do Evange-
Também o fizeram contra a miséria e a injustiça. Na Bí- lho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto.
blia, não buscaram unicamente a doutrina da salvação Agora este anúncio é confiado também a vocês, para
pela fé, mas também a prova da igualdade original de que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de
todos os homens”. vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que
os caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-
(HAUSE, H. APUD MARQUES, A. ET AL. “HISTÓRIA MODERNA -aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando
ATRAVÉS DE TEXTOS”. SÃO PAULO: CONTEXTO, 2001, P. 107.)
tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor
A Reforma protestante foi desencadeada por fatores instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem!
sociais, políticos e religiosos difíceis de separar na His- Este é o caminho a ser percorrido por vocês.
tória Moderna do século XVI. Com base no texto ante- PAPA FRANCISCO. ADAPTADO DE ESTADAO.COM.BR, 28/07/2013.
rior, identifique e explique dois princípios doutrinários
dessa Reforma que respondiam aos anseios sociais e A visita do Papa Francisco ao Brasil, em julho de 2013,
religiosos do povo europeu da época. por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, mobilizou

27
milhares de fiéis, representando valores e práticas do quanto para os rumos afinal tomados pela organização
projeto missionário da Igreja Católica para a América La- das novas Igrejas.
tina. No texto, a menção a José de Anchieta aponta para
FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON IN: RODRIGUES, ANTONIO
outra época da ação da Igreja: a colonização da América EDMILSON M. E FALCON, FRANCISCO JOSÉ C. “TEMPOS MODERNOS: ENSAIOS
portuguesa no século XVI. DE HISTÓRIA CULTURAL”. RIO DE JANEIRO: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2000.
Explicite o principal objetivo do projeto missionário
da Igreja Católica no século XVI. Em seguida, cite uma O texto acima se refere a processos da Reforma Religio-
proposta atual da Igreja Católica associada ao projeto sa ocorridos na Europa. O movimento reformista, entre-
missionário para a América Latina. tanto, conheceu diferentes reações em distintas áreas.
Indique duas causas para a Reforma Religiosa na Ingla-
2. (UERJ) Relações entre a pregação protestante e as terra e uma consequência econômica desse movimento.
estruturas políticas então existentes foram muitas ve-
zes decisivas tanto para os destinos da pregação em si 3. (UERJ 2018)

O “Muro dos Reformadores” foi construído em Gene- 1. (Fuvest) “O senhor acredita, então”, insistiu o inquisi-
bra, Suíça, em 1909, em celebração aos 400 anos de dor, “que não se saiba qual a melhor lei?” Menocchio res-
nascimento de João Calvino, protagonista das reformas pondeu: “Senhor, eu penso que cada um acha que sua fé
religiosas dos séculos XVI e XVII. O monumento, com- seja a melhor, mas não se sabe qual é a melhor; mas, por-
posto por 10 estátuas, algumas com 5 metros de altu- que meu avô, meu pai e os meus são cristãos, eu quero
ra, representa reformadores que atuaram em diversos continuar cristão e acreditar que essa seja a melhor fé”.
países, revelando a difusão e o alcance do movimento.
CARLO GINZBURG. O QUEIJO E OS VERMES. SÃO PAULO:
Considerando a Época Moderna, apresente uma carac- COMPANHIA DAS LETRAS, 1987, P. 113.
terística – política, social, econômica ou tecnológica
– que tenha contribuído para a difusão das reformas O texto apresenta o diálogo de um inquisidor com um
religiosas em diferentes países. homem (Menocchio) processado, em 1599, pelo Santo
Em seguida, cite uma medida da Igreja Católica, na- Ofício. A posição de Menocchio indica:
quela época, que explique o número reduzido de refor- a) uma percepção da variedade de crenças, passíveis de
madores vinculados ao continente americano, como se serem consideradas, pela Igreja Católica, como heréticas.
observa no monumento. b) uma crítica à incapacidade da Igreja Católica de
combater e eliminar suas dissidências internas.

E.O. OBJETIVAS
c) um interesse de conhecer outras religiões e formas de
culto, atitude estimulada, à época, pela Igreja Católica.
d) um apoio às iniciativas reformistas dos protestantes,
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) que defendiam a completa liberdade de opção religiosa.

28
e) uma perspectiva ateísta, baseada na sua experiên- d) as missões evangelizadoras, desenvolvidas pela
cia familiar. Igreja Católica na América e na Ásia.
e) o princípio do livre-arbítrio, defendido pelo Santo
2. (Unifesp) No século XVI, nas palavras de um estudio-
Ofício, órgão diretor da Igreja Católica.
so, “reformar a Igreja significava reformar o mundo,
porque a Igreja era o mundo”. Tendo em vista essa afir- 6. (Unesp)
mação, é correto afirmar que:
a) os principais reformadores, como Lutero, não se
envolveram nos desdobramentos políticos e socioe-
conômicos de suas doutrinas.
b) o papado, por estar consciente dos desdobramen-
tos da reforma, recusou-se a iniciála, até ser a isso
obrigado por Calvino.
c) a burguesia, ao contrário da nobreza e dos príncipes,
aderiu à reforma, para se apoderar das riquezas da Igreja.
d) os cristãos que aderiram à reforma estavam pre-
ocupados somente com os benefícios materiais que
dela adviriam.
e) o aparecimento dos anabatistas e outros grupos
radicais são a prova de que a reforma extrapolou o
campo da religião.
A imagem reproduz um auto de fé. Essas cerimônias
3. (Fuvest) O período 1450-1550, de transição da Me- a) ocorreram em todos os países da Europa e nas re-
dievalidade para a Modernidade, conheceu dentre ou- giões colonizadas por portugueses e espanhóis.
tras características: b) permitiram a difusão do catolicismo e tiveram pa-
a) decadência econômica e racionalização da vida pel determinante na erradicação do protestantismo
religiosa. na Europa central.
b) revalorização do aristotelismo e consolidação do c) eram conduzidas por autoridades leigas, pois a
Estado Absolutista. Igreja Católica não tinha vínculo com a perseguição e
c) forte efervescência religiosa e intensa expansão co- a punição dos hereges.
mercial. d) tinham caráter exemplar, expondo publicamente os
d) avanço do liberalismo burguês e recuo do feudalismo. réus forçados a pedir perdão, antes de serem encami-
e) hegemonia europeia francesa e despontar da arte nhados para a execução.
gótica. e) visavam a executar os judeus e islâmicos, não atingin-
do protestantes nem católicos romanos ou ortodoxos.
4. (Unesp) Remonta ao Século XVI a mensagem religio-
sa associado à ideia de que “no mundo comercial e da
concorrência, o êxito ou a bancarrota não dependem da
atividade ou da aptidão do indivíduo, mas de circuns-
E.O. DISSERTATIVAS
tâncias independentes dele” (UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP)
(FRIEDRICH ENGELS - DO SOCIALISMO UTÓPICO
AO SOCIALISMO CIENTÍFICO). 1. (Unicamp) Observe a imagem abaixo:

Assinale o nome do movimento protestante que prega-


va a salvação da alma e apresentava princípios básicos
apoiados na prática econômica da burguesia nascente.
a) Luteranismo.
b) Medievalismo.
c) Jansenismo.
d) Calvinismo.
e) Judaísmo. Adriaen van de Venne. A pesca de almas (1614). Rijksmuseum, Amsterdã, Holanda. Detalhe.

5. (Unesp) As reformas protestantes do princípio do a) A imagem representa a disputa entre calvinistas e


século XVI, entre outros fatores, reagiam contra : católicos. Como estão representados os calvinistas na
obra do artista holandês?
a) a venda de indulgências e a autoridade do Papa,
b) Explique a importância econômica da Holanda como
líder supremo da Igreja Católica.
potência marítima no contexto europeu do século XVII.
b) a valorização, pela Igreja Católica, das atividades
mercantis, do lucro e da ascensão da burguesia. 2. (Unicamp) A base da teologia de Martinho Lutero
c) o pensamento humanista e permitiram uma ampla reside na ideia da completa indignidade do homem,
revisão administrativa e doutrinária da Igreja Católica. cujas vontades estão sempre escravizadas ao pecado.

29
A vontade de Deus permanece sempre eterna e inson- das obrigações servis.
dável e o homem jamais pode esperar salvar-se por b) Príncipes e nobres reagiram de maneira truculenta
seus próprios esforços. Para Lutero, alguns homens es- contra os camponeses na década de 1520 na Ale-
tão predestinados à salvação e outros à condenação manha. Milhares de camponeses foram mortos entre
eterna. O essencial de sua doutrina é que a salvação eles o líder dos anabatistas Thomas Munzer. Lutero,
se dá pela fé na justiça, graça e misericórdia divinas. por sua vez, também contribuiu para a violência prati-
cada contra os camponeses. Lutero tinha uma aliança
(ADAPTADO DE QUENTIN SKINNER, “AS FUNDAÇÕES DO PENSAMENTO POLÍTICO
MODERNO”. SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1996, P. 288-290.) com os nobres considerando que a nobreza o defen-
a) Segundo o texto, quais eram as ideias de Lutero deu diante do papa.
sobre a salvação? 2. Os conflitos ocorridos após a Reforma Protestante ocorreram,
b) Quais foram as reações da Igreja Católica à Refor- em geral, em função do direito ao reconhecimento da liberdade
ma Protestante? de culto das novas religiões e das disputas de poder entre nobre-
za e burguesia em várias nações.
3. (Fuvest) A Reforma religiosa do século XVI provocou
na Europa mudanças históricas significativas em várias Podemos citar os seguintes conflitos: Noite de São Bartolomeu
esferas. (França), Guerra dos Trinta Anos (vários países) e Revolução Pu-
ritana (Inglaterra).
Indique transformações decorrentes da Reforma nos
âmbitos: 3.
a) político e religioso. a) A Reforma Protestante ocorreu no início do século
b) socioeconômico. XVI, começando na Alemanha (Sacro Império Romano
Germânico), em 1517, com Martinho Lutero, que de-
4. (Fuvest) Antes de o luteranismo e calvinismo sur- fendeu a salvação pela fé. João Calvino, em Genebra,
girem, no século XVI, e romperem com a unidade do criou o Calvinismo, defendendo a ideia de que o ho-
cristianismo no ocidente, houve, na Baixa Idade Média, mem é predestinado por Deus à salvação ou a conde-
movimentos heréticos importantes, como o dos cátaros nação. Henrique VIII criou o Anglicanismo, na Inglater-
e dos hussitas, que a Igreja Católica conseguiu reprimir ra, do qual foi chefe supremo. O Anglicanismo mesclou
e controlar. elementos do catolicismo com ideias calvinistas.
Explique: b) O Anglicanismo, criado por Henrique VIII, possuía
a) como a Igreja Católica conseguiu dominar as he- uma finalidade política e econômica, como confiscar
resias medievais? os bens da Igreja e aumentar o poder real diante do-
b) por que o luteranismo e o calvinismo tiveram êxito? poder papal. O Luteranismo considerava o dinheiro
obra do demônio e condenava o capitalismo, daí sua
sustentação social era a nobreza alemã, que ainda
GABARITO possuía fortes elementos feudais. Desta forma, esta
religião se propagou para o norte da Alemanha e aos
países escandinavos. O Calvinismo defendeu valores
E.O. Aprendizagem religiosos que agradaram a burguesia e, por isso, foi a
1. B 2. B 3. C 4. E 5. D religião que mais se espalhou pela Europa e fora dela.
c) Ao defender o trabalho, a disciplina, a poupança,
6. E 7. E 8. A 9. E 10. C o comércio, o lucro, a riqueza material, entre outros,
o Calvinismo contribui para o espírito do capitalismo.
Vale dizer que os valores da Igreja Católica e Luterana
E.O. Fixação não valorizavam as práticas capitalistas. Max Weber, na
1. C 2. B 3. C 4. A 5. D obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo,
escreveu sobre esta relação entre religião e economia.
6. E 7. B 8. A 9. B 10. D
4.

E.O. Complementar a) Duas das seguintes especificidades do Protestantis-


mo Luterano em relação ao Católico: salvação pela fé,
1. B 2. B 3. E 4. C 5. A interpretação livre das escrituras bíblicas, negação da
autoridade do Papa, reconhecimento de apenas dois
E.O. Dissertativo sacramentos: batismo e eucaristia, dentre outras.
b) O controle de João Calvino por meio do Consistório do
1. governo de Genebra e a criação, por motivações políticas,
a) O documento critica a concentração de terras afir- da Igreja Anglicana, na Inglaterra, por Henrique VIII.
mando que os nobres exploram de forma ilícita as
5.
terras. Critica também à exploração dos senhores
sobre os servos através de pesados impostos. Desta a) A Inquisição na Europa Moderna está inserida no
forma, os camponeses pedem a revisão e a limitação contexto da Contrarreforma, uma vez que visava a

30
combater o avanço protestante por meio do persegui- luteranismo pela sua valorização do trabalho e do enri-
ção e punição aos que se recusavam aceitar o catoli- quecimento material fruto do empenho honesto, vistos
cismo como doutrina-mor. como sinais da salvação, o que lhe rendeu um explícito
apoio da burguesia.
b) A Inquisição no Brasil colonial funcionou apenas
como visitação. Tinha como característica a persegui- 8.
ção aos cristãos novos, além da defesa constante das
práticas católicas. Ao ser observado pelo inquisidor, a) Tanto o luteranismo quanto o calvinismo surgiram
num contexto de contestação à Igreja Católica Roma-
ou simplesmente ser denunciado por algum desafeto,
na no início do século XVI, devido ao luxo e osten-
o réu era levado a julgamento. Caso condenado, po-
tação do alto clero, à prática da simonia, ao distan-
deria ser punido até com a morte.
ciamento do clero em relação aos anseios dos fiéis e
6. sobretudo à cobrança de indulgências.
Ambas as doutrinas defendiam a livre interpretação da
a. A Reforma Protestante.
Bíblia, a supressão dos cultos aos santos e às imagens e
b.
da maioria dos sacramentos, exceto o batismo, a eucaris-
• A gravura mostra a venda de indulgências, con- tia e o casamento. Defendiam ainda, o uso dos idiomas
siderada a “gota d’água” para o início do movi- nacionais nas celebrações e no exame da Bíblia.
mento reformista liderado por Martinho Lutero na b) Lutero defendia a tese de que a salvação depende
região alemã; enquanto o texto de Calvino – im- da fé em Deus. Calvino estabeleceu a Teoria da Pre-
portante reformador de origem francesa – apre- destinação em que sustentava ser o destino de todos
senta uma nova visão para a ideia de salvação, homens, ou a vida eterna ou a eterna danação, previa-
exemplificada através de atividades de trabalho. mente determinado por Deus, ressaltando que o pro-
• As ideias de “livre interpretação da Bíblia” e do gresso material resultante do trabalho e um comporta-
“trabalho” como demonstração da escolha di- mento ascético e legal são indícios da escolha de Deus.
vina, estimularam o individualismo e o próprio
capitalismo, ao ponto de o calvinismo ser consi- 9.
derado como a “religião do capitalismo”.
• Doutrina da “Salvação pela fé, e não pelas obras”;
A reforma protestante rompeu o monolitismo cris-
tão, ou seja, acabou com o monopólio que a Igreja • Doutrina do “Livre Exame”.
Católica possuía em relação ao cristianismo, pois Com a institucionalização da compra da salvação por meio de es-
deu origem a novas religiões, todas elas cristãs. A molas e doações, que quanto mais vultosas maior era a possibilida-
situação estabelecida pela expansão do protestan- de de indulgência dos pecados, a Igreja aprofunda o desespero e a
tismo na Europa forçou a Igreja Católica a se reor- confusão dos valores morais na sociedade europeia do século XVI.
ganizar, política definida pelo Concílio de Trento e
normalmente denominada de Contrarreforma. A venda de indulgências praticada pela Igreja era uma forma de
manter e resguardar sua riqueza feudal ameaçada pela econo-
7. mia comercial emergente. O povo (lavradores, mercadores, arte-
a) A gravura faz uma referência explicita à centralida- sãos), amedrontado pela ameaça de condenação e, ao mesmo
de da Bíblia, considerada única fonte de autoridade tempo, revoltado com a exploração e os abusos econômicos da
religiosa e única regra em que o crente deve acreditar. Igreja, vê na reforma da doutrina cristã, pregada por Martinho
A livre interpretação da Bíblia eliminava a necessida- Lutero, uma resposta religiosa às suas angústias morais e sociais.
de e o valor da hierarquia eclesiástica; introduzia as A doutrina reformista da “salvação pela fé e não pelas obras”
línguas nacionais nos ofícios religiosos e estimulava se opunha à doutrina tradicional da “salvação pela compra de
a tradução da Bíblia de modo a torná-la diretamente indulgências” e consequente perdão papal. A salvação pela fé e
acessível aos crentes. Assim, o acesso direto ao tex- não pelas “doações” à Igreja ou compra de cartas de indulgência
to sagrado convertia-se em um forte instrumento de oferece ao povo o canal religioso para a salvação individual, por
contestação da autoridade espiritual e temporal da meio da contrição e penitência e para a contestação à instituição
Igreja Católica. católica e sua autoridade feudal.
b) As principais diferenças entre calvinismo e lutera-
nismo eram quanto à doutrina da salvação - o lute- A doutrina reformista do “livre exame” condena o latim, de
ranismo defendia que apenas a fé em Deus salvaria, acesso restrito ao clero e aos homens ilustrados, e proclama o
enquanto o calvinismo acrescentava de forma explicita alemão, de acesso popular, como a língua oficial a ser usada nos
a doutrina da predestinação – e quanto à difusão: o ritos religiosos e nas Sagradas Escrituras. A tradução da Bíblia do
luteranismo se concentrou naqueles países dos quais latim para o alemão por Lutero oferece ao povo comum o acesso
recebeu o apoio direto das autoridades políticas (a no- às Sagradas Escrituras e estabelece que a Verdade só poderia ser
breza germânica e a monarquia na Dinamarca, Suécia encontrada na palavra de Deus e não na palavra do Papa. Com
e Noruega), enquanto os calvinistas penetraram na a doutrina do “livre exame”, difunde-se o princípio da igualdade
Escócia (conhecidos como presbiterianos), na França entre os homens diante de Deus, propiciando a todos os cristãos
(huguenotes), e na Inglaterra (puritanos), onde foram o direito à busca individual da salvação, bastando a prática da
perseguidos e imigraram em grande número para a contrição, da simplicidade e a fé. O “livre exame” faz emergir um
América. Além disso, o calvinismo se diferenciava do novo princípio religioso, o do individualismo cristão.

31
Essas doutrinas protestantes, entre outras, fundamentam a Re- • criação do Index
forma e favorecem a revolução social e política em curso na
• instituição do seminário
Europa. No princípio do individualismo cristão defendido pelos
reformistas, pobres, nobres e burgueses encontram o apoio mo- • promoção da contrarreforma
ral necessário à libertação social, política e econômica da Igreja, • atuação da Companhia de Jesus
principal representante do poder e da ordem feudais.
• realização do Concílio de Trento
Uma vez que na Idade Média religião e sociedade se confun-
diam, a Reforma contribuiu para a deflagração da “revolução • reafirmação dos dogmas católicos
burguesa” na Europa, deixando o caminho aberto em direção à • reativação do Tribunal do Santo Ofício
autonomia política dos Estados com relação a Roma, à liberdade
social e a um novo tipo de riqueza: não mais a terra e o domínio • adoção do padroado nas colônias ibéricas
territorial, mas o comércio e o dinheiro.
E.O. Objetivas
E.O. UERJ (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
Exame de Qualificação 1. A 2. E 3. C 4. D 5. A
1. C 6. D

E.O. UERJ E.O. Dissertativas


Exame Discursivo (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. O grande objetivo do projeto missionário da Igreja Católica
1.
no Brasil era a expansão da religião para o Novo Mundo, em
uma clara tentativa de recuperação de parte do prestígio perdido a) No primeiro plano, a disciplina e organização. O
após a Reforma Protestante. Atualmente, a Igreja Católica tem rigor religioso, típico da burguesia calvinista, e o livro
como preocupação missionária na América Latina a contenção representam o uso, e a valorização da Bíblia uma crí-
do avanço protestante, a colocação dos jovens como evangeliza- tica aos desvios da Igreja Católica.
dores e a aproximação com os menos favorecidos. b) Praticando o mercantilismo (comercialismo) a Holan-
da se tornou hegemônica através dos negócios com o
2. Duas das causas: açúcar brasileiro (financiamento, transporte e refino),
• interesse do rei Henrique VIII nas terras da Igreja; criação de companhias comerciais levando os flamengos
a uma disputa com a Espanha, Inglaterra e Portugal.
• interesse da burguesia na queda de taxas e impostos;
• interesse da burguesia em ampliar o seu poder no Parla- 2.
mento; a) Segundo o texto, para Lutero o homem, por seus
próprios esforços não faria jus salvação eterna, fican-
• interesse do rei em fortalecer sua autoridade a partir da
do dependente de sua fé na misericórdia divina.
criação de uma Igreja subordinada diretamente a ele;
b) No que se convencionou chamar “Contrarrefor-
• não concessão da anulação do casamento do rei com Cata- ma”, a Igreja Católica promoveu o combate ao pro-
rina de Aragão pelo Papa e consequente interdição de seu testantismo pela ação da Companhia de Jesus nos
casamento com Ana Bolena. campos da catequese e da educação, através da In-
Uma das consequências: quisição (Tribunal do Santo Ofício) e pela censura im-
posta no Índice dos Livros Proibidos (Index). No Con-
• aceleração do processo de cercamento dos campos cílio de Trento a Igreja reviu e reafirmou os dogmas
• início da projeção da Inglaterra como potência econômica católicos e procurou reorganizar e moralizar o clero.
e naval na Europa
3.
• confisco e leilão das terras da Igreja Católica, ampliando os a) No âmbito político, favoreceu o fortalecimento da
recursos disponíveis à monarquia autoridade real em decorrência do enfraquecimento da
3. Uma das características: Igreja Católica e ocorreram violentos conflitos religio-
sos envolvendo católicos e protestantes que influen-
• difusão da imprensa
ciaram eventos como a migração de puritanos para as
• ascensão da burguesia comercial Treze Colônias Inglesas, a fundação da França Antártica
no Brasil por huguenotes e os conflitos envolvendo os
• fortalecimento do Estado Moderno
reis Habsburgos. No âmbito religioso, promoveu o se-
• avanço da navegação intercontinental gundo grande cisma no interior da Cristandade devido
o advento do protestantismo.
Uma das medidas:
b) No âmbito socioeconômico, o calvinismo, através da

32
Teoria da Predestinação, ao estabelecer a salvação con-
dicionada à acumulação material, contribuiu para ajus-
tar a moral cristã ao capitalismo nascente. O calvinismo
foi rapidamente incorporado pela burguesia por justificar
moralmente a acumulação primitiva de capital.

4.
a) No combate às heresias medievais, a Igreja utili-
zou-se da Inquisição das Cruzadas e do rígido contro-
le ideológico sobre a sociedade.
b) As mudanças estruturais ocorridas entre a Baixa
Idade Média e o início da Idade Moderna – como, por
exemplo, o desenvolvimento comercial e urbano e o
surgimento de novas elites econômicas propiciaram o
questionamento das interpretações que a Igreja fazia
do cristianismo. Além disso, a corrupção do clero e
particularidades regionais também contribuíram para
o fortalecimento tanto do luteranismo quanto do cal-
vinismo. O luteranismo contou ainda com o apoio da
nobreza alemã, interessada em ampliar seus poderes
políticos e econômicos, enquanto o calvinismo foi fa-
vorecido por burguesias locais que questionavam a
mentalidade católica.

33
AULAS ANTIGO REGIME:
21 E 22 MERCANTILISMO E ABSOLUTISMO
COMPETÊNCIAS: 4e8 HABILIDADES: 13, 15, 16 e 28

E.O. APRENDIZAGEM
1. (UEMG) O Absolutismo como forma de governo es-
teve presente na península Ibérica, na França e na In-
glaterra, tendo impactado e influenciado as maiores
economias de seu tempo. Seus pensadores mais conhe-
cidos e suas teorias foram:
a) Nicolau Maquiavel e sua teoria de que o indivíduo
estava subordinado ao Estado; Thomas Hobbes, criador
da teoria do Contrato; Jacques Bossuet e Jean Bodin,
que defenderam que o Rei era um representante divino.
b) Nicolau Maquiavel e a teoria do Contrato; Thomas
Hobbes e a teoria da supremacia do Rei como repre-
sentante divino; Jacques Bossuet e Jean Bodin, que
defenderam a subordinação do indivíduo ao Estado.
c) Maquiavel, Jacques Bossuet e Jean Bodin, cujas te-
orias só se diferenciaram na aplicabilidade teológica,
bem como Thomas Hobbes, que preconizou o indiví-
duo como senhor de seus direitos. “L’État c’est moil”. (O Estado sou eu!)

d) Maquiavel e Thomas Hobbes, que conceberam o Analise as assertivas abaixo:


Contrato Social, Jacques Bossuet, que estabeleceu o
I. O reinado de Luís XIV durou mais de 50 anos, fundado
conceito de individualismo primordial, e Jean Bodin,
no absolutismo monárquico. O rei controlava a política
que defendeu a primazia da esfera governamental.
e os assuntos do Estado, a economia, a sociedade e até
2. (ESPCEX) O absolutismo desenvolveu-se no ocidente mesmo o modo da nobreza se vestir. Ele incentivava as
europeu durante a Idade Moderna (séculos XV ao XVIII), artes, pois as considerava, também, assunto de Estado.
favorecido, principalmente, pela(o)(s): II. O poder absoluto e a centralização administrativa
a) falta de freio nas concepções morais e nos costu- eram objetivos de Luís XIV. Ele fez o Estado francês se
mes da época. tornar ateu e laico. A ideia era acabar com a influência
b) fortalecimento da Igreja Católica e pelos lucros au- que a Igreja Católica tinha no meio da nobreza para que
feridos pelas vitórias dos cruzados. o rei não tivesse que perder fatias de seu próprio poder.
c) formação dos estados nacionais e transferência do III. Luís XIV seguia a tradição da dinastia capetiana
eixo econômico do Oceano Atlântico para o Mar Me- adepta da ideia do “rei que faz alguma coisa” (para
diterrâneo. não dizer do rei que faz tudo!). Após a coroação, ele
d) riquezas obtidas pelos reis europeus na América, anunciou que comandaria o Estado por si mesmo e que
solicitaria a opinião de seus ministros apenas quando
África e Ásia.
julgasse necessário.
e) reforma protestante e transferência do eixo econô-
mico do Oceano Atlântico para o Mar Mediterrâneo. IV. Luís XIV fez uma reorganização administrativa, eco-
nômica, política e militar e se dedicou a coisas como
3. (UEPB) A frase no quadro abaixo teria sido dita por a fortificação das regiões fronteiriças, o fortalecimen-
Luís XIV e muito já se discutiu se o “Rei-Sol” francês a to da marinha de guerra, a criação de academias e a
teria realmente pronunciado, em que pese ela simboli- elaboração do primeiro mapa da França. A construção
zar o espírito do absolutismo, em que a glória do rei e o do Palácio de Versalhes, uma vitrine cultural, científica
bem do Estado eram princípios inseparáveis. e política da França, foi por ele acompanhada de perto.
Assinale a alternativa correta:
a) I e II corretas, enquanto III e IV incorretas.
b) II e III corretas, enquanto I e IV incorretas.

34
c) I, III e IV corretas, enquanto II incorreta. Segundo Perry Anderson, o Estado absolutista:
d) II, III e IV corretas, enquanto I incorreta. a) não tinha força política para submeter os traba-
e) III e IV corretas, enquanto I e II incorretas. lhadores do campo e a aristocracia com a cobrança
de pesados impostos e, simultaneamente, oferecer
4. (UPF) Nos séculos XIV e XV, a Europa medieval viven- participação política e vantagens econômicas para o
ciou uma grave crise geral, que abalou profundamen- crescimento da burguesia comercial e manufatureira.
te as estruturas da sociedade, abrindo espaços para a b) nunca se submeteu aos interesses da burguesia
criação de relações capitalistas no interior dessas socie- mercantil e manufatureira em detrimento da aristo-
dades europeias, dando início ao que se convencionou cracia, mas, ao contrário, tornou-se um escudo de
chamar de Idade Moderna. Dentre as alternativas abai- proteção dos camponeses contra o domínio feudal
xo, assinale a que não caracteriza os efeitos da transi- exercido por meio de pesados impostos.
ção da Idade Média para a Idade Moderna. c) garantiu, sob a sua proteção, o domínio econômico
a) A expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI, e político da aristocracia sobre os camponeses e, para
rompendo os estreitos limites do comércio medieval. sobreviver economicamente, atendeu aos interesses
b) A centralização do poder nas mãos do rei, totalmen- de expansão do mercado da burguesia mercantil e
te diferente do poder pulverizado dos senhores feudais. manufatureira, mas a afastou do poder político.
c) O surgimento de uma nova cultura, mais urbana e laica, d) preservou a propriedade feudal e os interesses dos
em oposição à cultura ruralreligiosa do período medieval. camponeses, mas, para que isso se efetivasse, subme-
d) A busca de uma nova espiritualidade, possibilitando a teu-se à pressão da burguesia mercantil e manufa-
ruptura da unidade cristã a partir da Reforma Religiosa. tureira ao aproximá-la do poder político, oferecendo
cargos públicos a essa classe.
e) A ocupação do poder político pela burguesia, ba-
e) não protegeu a aristocracia nem os camponeses
seada no crescente enriquecimento econômico dessa
que, para sobreviverem, estabeleceram alianças pon-
classe social.
tuais com a burguesia comercial em ascensão eco-
5. (ESPM) A França no século XVI viveu mergulhada nômica e com crescente participação política, com o
em uma instabilidade que envolvia aspectos políticos intuito de obter acesso à terra.
e religiosos, como foi exemplo o infame massacre da
7. (Ufrgs) Leia o segmento abaixo.
Noite de São Bartolomeu, em 1572. Com a intenção de
pacificar o país, o rei Henrique IV promulgou o Edito de O rei tomou o lugar do Estado, o rei é tudo, o Estado
Nantes pelo qual: não é mais nada. Ele é o ídolo a quem se oferecem as
províncias, as cidades, as finanças, os grandes e os pe-
a) foi concedida liberdade de culto aos protestantes, quenos, em uma palavra, tudo.
bem como o direito de conservar algumas praças de
guerra para sua defesa. JURIEN, PIERRE. APUD ELIAS, NORBERT. A SOCIEDADE DE
CORTE. RIO DE JANEIRO: ZAHAR, 2001. P. 133.
b) o rei renunciou ao protestantismo e se fez batizar
católico. Essa afirmação de um contemporâneo de Luís XIV, na
c) revogou a liberdade de culto permitida aos france- França, diz respeito a uma forma de governo que ficou
ses e impôs o catolicismo. conhecida como
d) o rei obteve o direito de nomear bispos e cardeais a) monarquia constitucional.
o que permitiu que a dinastia Bourbon pudesse exer- b) autocracia despótica oriental.
cer influência so bre a Igreja Católica. c) autocracia parlamentar.
e) foi criada a Igreja Anglicana, separada da Igreja d) monarquia absolutista.
Católica Romana, subordinada ao poder do rei. e) tirania teocrática.
6. (FGV) O paradoxo aparente do absolutismo na Eu- 8. (Mackenzie)
ropa ocidental era que ele representava fundamental-
mente um aparelho de proteção da propriedade dos
privilégios aristocráticos, embora, ao mesmo tempo, os
meios pelos quais tal proteção era concedida pudessem
assegurar simultaneamente os interesses básicos das
classes mercantis e manufatureiras nascentes. Essen-
cialmente, o absolutismo era apenas isto: um aparelho
de dominação feudal recolocado e reforçado, destina-
do a sujeitar as massas camponesas à sua posição tra-
dicional. Nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a
burguesia, e menos ainda um instrumento da burguesia
nascente contra a aristocracia: ele era a nova carapaça
política de uma nobreza atemorizada.

(PERRY ANDERSON. LINHAGENS DO ESTADO ABSOLUTISTA. P. 18 E 39. ADAPTADO)

35
“O Estado sou eu”, frase atribuída ao rei francês Luís 1. (Unioeste) “Três razões fazem ver que este governo é
XIV, traduzia o grau de centralização de poderes típica o melhor. A primeira, é que é o mais natural e se perpe-
dos Estados absolutistas europeus. Tal forma de orga- tua por si próprio… A segunda razão... é que esse go-
nização política destacava a figura do monarca como verno é o que interessa mais na conservação do Estado
bem caracteriza a imagem acima. e dos poderes que o constituem: o príncipe, que traba-
Assinale a alternativa correta que expressa o papel da lha para o seu Estado, trabalha para os seus filhos... A
monarquia absolutista. terceira razão tira-se da dignidade das casas reais… O
trono real não é trono de um homem, mas o trono de
a) O regente, ao aparecer publicamente com trajes sun-
Deus… O rei vê mais longe e de mais alto… e deve-se
tuosos, exprimia a união entre o poder temporal e o
obedecer-se-lhe sem murmura, pois o murmúrio é uma
espiritual, apoiado publicamente pelo Papa em cada
disposição para sedição”.
aparição pública.
b) O monarca, ao se utilizar da pompa e da suntuosi- BOSSUET, JAQUES-BENIGNE. POLÍTICA TIRADA DA SAGRADA
dade, sintetizava os anseios da própria nação e dos di- ESCRITURA. IN: FREITAS, GUSTAVO DE. 900 TEXTOS E DOCUMENTOS
DE HISTÓRIA. LISBOA, PLÁTANO EDITORA, S/D, P.201.
versos grupos religiosos existentes no território francês.
c) A exposição pública da figura do monarca enfraque- No trecho acima, Bossuet justificou uma forma de or-
cia a nobreza e as tradições aristocráticas, ao mesmo ganização do Estado europeu na Idade Moderna, em
tempo em que fortalecia os interesses burgueses. relação a qual é correto afirmar que:
d) O rei, ao simbolizar o próprio Estado francês, conse-
gue articular o anseio do grupo mercantil em ascensão, a) se tratava do Estado Moderno, caracterizado pela
articulando-os com os interesses da nobreza nacional. centralização do poder nas mãos do rei, cuja legitimi-
e) Eliminar as revoltas camponesas francesas, recor- dade seria conferida por Deus.
rendo ao luxo e majestade configurados na imagem b) o Estado Absolutista foi constituído sob a influên-
do monarca, garantia estabilidade à nação. cia das ideias iluministas, um movimento filosófico e
político que fundou as bases do Estado Absolutista.
9. (Udesc) Em relação à Formação dos Estados Nacio- c) a formação do Estado Moderno estava apoiada em
nais Modernos, é correto afirmar. termos filosóficos no pensamento teocêntrico e, em
a) O absolutismo e o poder centralizado no monarca termos políticos, na fragmentação política.
foram as bases iniciais para a formação do Estado d) o Estado Moderno se sustentava na tradição de-
Nacional Moderno. mocrática herdada da antiguidade clássica.
b) Os Estados se formam sob bases democráticas e e) Bossuet representa uma corrente de filósofos que
não sob as absolutistas. justificava o poder soberano dos reis através da teoria
c) O poder descentralizado foi uma das marcas da do contrato social.
Instituição Estado Nacional Moderno.
d) A forte mobilidade social fez com que os burgueses 2. (FGV-RJ) Diversas tensões e diversos conflitos euro-
produzissem a Instituição do Estado Nacional Moderno. peus ocorridos nos séculos XVI e XVII foram motivados
e) Os burgueses controlavam o exército e cobravam ou intensificados por questões de natureza religiosa.
impostos do povo para as cortes. Dentre eles, um dos mais conhecidos episódios é a
“Noite de São Bartolomeu”, de 24 de agosto de 1572. A
10. (ESPM) Já que os governos acreditavam nessa teoria esse respeito, é correto afirmar:
de que quanto mais ouro e prata houvesse num país, tan-
to mais rico este seria, o passo seguinte era óbvio. Baixa- a) Trata-se do massacre de judeus, em Amsterdã, por
ram-se leis proibindo a saída desses metais do país. Um católicos holandeses, que precedeu o estabelecimen-
governo após outro tomou essa medida. Tais medidas to do Tribunal do Santo Ofício nas Províncias Unidas.
podiam conservar no país o ouro e a prata já existentes b) Trata-se da noite de celebração, na França, do acordo
nele. Mas como se haviam os países que não dispunham entre protestantes e católicos, que pôs fim a anos de
desses recursos? Como podiam enriquecer? intensos conflitos entre seguidores das duas religiões.
LEO HUBERMAN. HISTÓRIA DA RIQUEZA DO HOMEM. c) Trata-se da cerimônia de encerramento do Concílio
de Trento, quando se decidiu pela condenação das
Assinale a alternativa que apresente, respectivamente, ideias luteranas e pela perseguição de seus seguidores.
do que trata o texto e qual o mecanismo que responde d) Trata-se da decisão tomada pelos monarcas Habs-
à interrogação ao final do trecho: burgos no sentido de banir os protestantes do territó-
a) Feudalismo – Metalismo. rio do império espanhol.
b) Feudalismo – Monopólio. e) Trata-se do massacre de cerca de 30 mil hugueno-
c) Mercantilismo – Balança Comercial favorável. tes, que intensificou, na França, a animosidade entre
d) Mercantilismo – Livre cambismo. católicos e protestantes.
e) Liberalismo – Intervencionismo. 3. (Uespi) O poder dos reis tinha, na época do absolu-
tismo, respaldo em ideias de filósofos, como Hobbes, e

E.O. FIXAÇÃO fortalecia a centralização de suas ações colonizadoras


no tempo das navegações. Os reis do absolutismo:

36
a) encontraram apoio dos papas da Igreja Católica que O documento embasa:
concordavam, sem problemas, com o autoritarismo dos a) a organização de uma sociedade liberal, precursora
reis e a existência das riquezas vindas das colônias. dos ideais da Revolução Francesa.
b) eram desfavoráveis ao crescimento político da bur- b) o direito divino dos reis, reforçando as estruturas
guesia, pois se aliavam com a nobreza latifundiária e políticas e religiosas medievais.
defensora da continuidade de princípios do feudalismo.
c) o absolutismo monárquico, sob a ótica de um es-
c) dominaram na Europa moderna, contribuindo para critor renascentista.
diminuir o poder do papa e reorganizar a economia
d) a origem do Estado Moderno, através do Contrato
conforme princípios do mercantilismo.
Social.
d) fortaleceram as alianças políticas entre grupos da
e) o republicanismo como regime político, apropriado
aristocracia europeia que queriam a descentralização
para os Estados Modernos.
administrativa dos governos.
e) fizeram pactos com grupos da burguesia, embo- 6. (Acafe) A formação dos Estados Modernos, o Absolu-
ra fossem aliados da Igreja Católica e concordassem tismo Monárquico e o Mercantilismo caracterizaram a
com a teoria do ‘justo-preço’. centralização política em várias partes da Europa, em
oposição ao poder político descentralizado do sistema
4. (Uel) “Aliás, o governo, embora seja hereditário numa
feudal. Nesse sentido é correto afirmar, exceto:
família, e colocado nas mãos de um só, não é um par-
ticular, mas um bem público que, consequentemente, a) O mercantilismo foi caracterizado pelo controle es-
nunca pode ser tirado das mãos do povo, a quem per- tatal da economia e priorizava o domínio de colônias
tence exclusiva e essencialmente e como plena proprie- para fornecer matérias-primas e criar mercados con-
dade. [...] Não é o Estado que pertence ao Príncipe, é o sumidores para a metrópole.
Príncipe que pertence ao Estado. Mas governar o Esta- b) O casamento de Fernando, herdeiro do trono de
do, porque foi escolhido para isto, e se comprometeu Aragão, com Isabel, do trono de Castela, consolidou
com os povos a administrar os seus negócios, e estes a formação do território que corresponde à Espanha.
por seu lado, comprometeram-se a obedecê-lo de acor- c) O processo de fortalecimento do poder real atingiu
do com as leis.” seu ápice com o absolutismo. O monarca passou a
(DIDEROT, D. (1717-1784). “VERBETES POLÍTICOS DA
exercer o controle total sobre o comércio, as manufa-
ENCICLOPÉDIA”. SÃO PAULO: DISCURSO, 2006.) turas e sobre a máquina administrativa.
d) As Guerras da Reconquista, ao expulsarem os
Com base no texto, é correto afirmar: muçulmanos da Europa, contribuíram decisivamente
a) Mesmo em monarquias absolutas, o soberano é para a formação da Monarquia francesa numa alian-
responsável pelos seus súditos. ça com setores da nobreza.
b) Ao Príncipe são concedidos todos os poderes, in-
7. (Mackenzie) “O fim último, causa final e desígnio dos
clusive contra o povo de seu reino.
homens (que amam naturalmente a liberdade e o domí-
c) O governante é ungido pelo povo, podendo agir nio sobre os votos), ao introduzir aquela restrição sobre
como bem lhe convier. si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o
d) O povo governa mediante representante eleito por cuidado com a sua própria conservação e com uma vida
sufrágio universal. mais satisfeita.”
e) Príncipes, junto com o povo, administram em prol
(THOMAS HOBBES)
do bem comum.

5. (Ufpel) “Daqui nasce um dilema: é melhor ser amado Hobbes, teórico e filósofo do século XVII, elaborou as
do que temido, ou o inverso? Respondo que seria pre- bases do seu pensamento político, admitindo a existên-
ferível ambas as coisas, mas, como é muito difícil conci- cia de um pacto social entre os homens e o governo,
liá-las, parece-me muito mais seguro ser temido do que capaz de realizar uma construção racional da sociedade.
amado, se só se puder ser uma delas. [...] Os homens Considere as assertivas abaixo.
hesitam menos em prejudicar um homem que se torna I. A humanidade, no seu estado natural, era uma selva.
amado do que outro que se torna temido, pois o amor Mas quando os homens eram submetidos por Estados
mantém-se por um laço de obrigações que, em virtu- soberanos, não tinham que recear um regresso à selva
de de os homens serem maus, quebra-se quando surge no relacionamento entre indivíduos, a partir do momen-
ocasião de melhor proveito. Mas o medo mantém-se to em que os benefícios consentidos do poder absoluto,
por um temor do castigo que nunca nos abandona. Con- em princípio ilimitado, permitiam ao homem deixar de
tudo, o príncipe deve-se fazer temer de tal modo que, ser uma ameaça para os outros homens.
se não conseguir a amizade, possa pelo menos fugir à II. Sua doutrina, a respeito do direito divino dos reis ser-
inimizade, visto haver a possibilidade de ser temido e viu como suporte ideológico ao despotismo esclarecido
não ser odiado, ao mesmo tempo.” dos monarcas europeus durante a Era Moderna e de
MAQUIAVEL, NICOLAU (1469-1527). “O inspiração para a burguesia mercantil, em luta contra o
PRÍNCIPE”. LISBOA: EUROPA-AMÉRICA, 1976. poderio que a nobreza exercia sobre as cidades.

37
III. O Absolutismo, por ele defendido, seria uma nova (LEVIATÃ. SÃO PAULO: NOVA CULTURAL, 1988. P. 103-
forma de governo capaz de articular setores sociais 6, 200-1. COL. OS PENSADORES, V. 1.)
distintos. Atenderia aos anseios dos setores populares
O período do Antigo Regime foi permeado de muitos
urbanos, interessados em apoiar o poder real a fim de
defensores, tanto quanto de opositores à soberania
contar com isenção fiscal, assim como a aristocracia,
real. Na visão de Hobbes, autor do livro “O Leviatã”,
que encontra, nessa forma de governo, possibilidade de
bem como na visão de outros filósofos contemporâne-
manter seus privilégios econômicos e sociais.
os a ele, como Bossuet e Maquiavel, o poder do rei deve
Assinale
a) existir, desde que comprovada a sua aptidão e efi-
a) se apenas I estiver correta. ciência em relação à gestão pública.
b) se apenas II estiver correta. b) ser visto como inalienável, ilimitado e inquestionável, já
c) se apenas III estiver correta. que, segundo alguns desses pensadores, procede de Deus.
d) se apenas I e II estiverem corretas. c) prevalecer acima de outros poderes (executivo, legislati-
e) se apenas II e III estiverem corretas. vo e judiciário), desde que não os exclua ou os contradiga.
d) ser baseado na astúcia e na sabedoria, mas, acima
8. (PUC-PR) O Estado Absoluto da Idade Moderna de tudo, no preparo intelectual e acadêmico, ao qual
apresentou um caráter ambíguo, refletindo o sentido tem que se submeter qualquer governante.
de transição do período. De um lado, foi um “Estado
feudal transformado” com a burocracia administrativa, 10. (UFJF) Leia o seguinte texto:
formada em grande parte pelos senhores feudais, que O mercantilismo envolve um conjunto de práticas e te-
mantinham valores e privilégios seculares; de outro, um orias econômicas desenvolvidas ao longo da Idade Mo-
dinâmico agente mercantil, unificando mercados, elimi- derna. Nesse contexto histórico, observamos a relevan-
nando barreiras internas que entravavam o comércio, te associação entre os Estados nacionais, que buscavam
uniformizando moedas, pesos e leis, além de empreen- meios de fortalecer seu poder político, e a classe bur-
der conquistas de novos mercados. Entretanto, nascido guesa, que era responsável pelo empreendimento das
da aliança do rei com a burguesia na Baixa Idade Média, atividades comerciais. Essa experiência de longo prazo
da necessidade socioeconômica e da política da época, teve grande importância para a acumulação primitiva
acabou se tornando parasitário e aristocrático, necessi- de capitais.
tando cada vez mais de uma crescente tributação. Em
fins da Idade Moderna, o poderio e o esplendor dos reis DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.BRASILESCOLA.COM/HISTORIAG/MERCANTILISMO.
HTM>.
absolutistas opunham-se ao empreendimento burguês, ACESSO EM: 28 AGO. 2014.
à lucratividade e à capitalização em curso, levando ao
processo das revoluções burguesas que, ao derrubar os Sobre o mercantilismo, assinale a alternativa INCORRETA.
monarcas absolutistas, inaugurariam o mundo contem- a) O termo “mercantilismo” se refere a um conjunto de
porâneo. Com base no exposto, assinale a alternativa práticas econômicas marcadas pelo controle do Estado.
que caracteriza o Estado Absolutista em suas institui- b) O mercantilismo era a política econômica típica dos
ções políticas e econômicas. Estados no Antigo Regime, que também foram mar-
a) Liberalismo econômico: permitia a ascensão políti- cados pelo Absolutismo e pela sociedade estamental.
ca da burguesia. c) Uma das características desse período é a adoção
b) Absolutismo esclarecido: gradual retirada do Esta- de padrões comuns de comércio, como a criação de
do da arena econômica. tributos, moedas, pesos e medidas compartilhados, o
c) Economia social de mercado: economia liberal com que facilitava o controle centralizado.
limitações do Estado, visando melhor distribuição de d) O colonialismo era um de seus elementos fundamentais,
renda e oferta de oportunidades para as classes me- pois, com o monopólio comercial as colônias mantinham-
nos privilegiadas. -se em situação periférica e complementar à Metrópole.
d) Absolutismo liberal: iniciativa privada na economia e o e) A teoria da balança comercial favorável defendia uma
Estado apenas aplica a justiça e conduz a política externa. maior entrada de produtos importados, de forma a fo-
e) Absolutismo monárquico: forte intervenção do Es- mentar o comércio e aumentar o acúmulo de capitais.
tado na economia.

9. (Uern) O cargo de soberano (seja ele um monarca ou


uma assembleia) consiste no objetivo para o qual lhe
E.O. COMPLEMENTAR
foi confiado o soberano poder, nomeadamente a obten- 1. (Espm) Na Idade Moderna, os intelectuais, sobrepu-
ção da segurança do povo, ao qual está obrigado pela jando a mentalidade medieval, criaram uma ideologia
lei da natureza, e do qual tem de prestar contas a Deus, política típica do período, legitimando o absolutismo.
o autor dessa lei, e a mais ninguém além dele. [...] Deus (CLÁUDIO VICENTINO. “HISTÓRIA GERAL”)
é rei, que a terra se alegre, escreve o salmista. E tam-
bém, deus é rei muito embora as nações não o queiram; Assinale entre as alternativas a seguir aquela que apre-
e é aquele que está sentado entre os querubins, muito senta um dos pensadores que se destacaram na teoria
embora a terra seja movida. política do período absolutista, bem como a obra em

38
que trata do assunto. “(...) De fato a monarquia absoluta no ocidente foi, por-
a) Thomas Morus, que escreveu “Utopia”. tanto, sempre duplamente limitada: pela persistência
de corpos políticos tradicionais colocados abaixo dela
b) John Locke, que escreveu “Segundo Tratado do
e pela presença de uma lei moral situada acima. Por ou-
Governo Civil”.
tras palavras, a dominação do Absolutismo exerceu-se,
c) Charles Fourier, que escreveu “O Novo Mundo In-
no fim das contas, necessariamente nos limites da clas-
dustrial”.
se cujos interesses ele preservava.”
d) Jacques Bossuet, autor da obra “Política Segundo
a Sagrada Escritura”. ANDERSON, PERRY. “CLASSES E ESTADOS – PROBLEMAS DE PERIODIZAÇÃO.”
e) Barão de Montesquieu, autor da obra “O Espírito IN: HESPANHA, ANTÓNIO MANUEL. PODER E INSTITUIÇÕES NA EUROPA DO
ANTIGO REGIME. LISBOA: FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, 1984, P. 133.
das Leis”.
Considerando o texto, assinale a alternativa CORRETA.
2. (Cesgranrio) A frase de Luiz XIV, “L’Etat c’est moi” (O
Estado sou eu), como definição da natureza do absolu- a) Na monarquia absolutista, o poder político era igual-
tismo monárquico, significava: mente dividido entre o monarca, a aristocracia e o clero,
sendo que os plebeus ficavam completamente excluídos.
a) a unidade do poder estatal, civil e religioso, com a
criação de uma Igreja Francesa (nacional). b) A formação das monarquias absolutistas corresponde
ao crescimento de poder da classe burguesa, pois com
b) a superioridade do príncipe em relação a todas as
os impostos vindos do crescimento do comércio e da na-
classes sociais, reduzindo a um lugar humilde a bur-
vegação, o rei tornou-se dependente dessa classe.
guesia enriquecida.
c) Na monarquia absolutista, o poder real era exer-
c) a submissão da nobreza feudal pela eliminação de
cido com certos limites, oferecidos pela aristocracia,
todos os seus privilégios fiscais.
classe que participava do poder político, e pela Igreja,
d) a centralização do poder real e absoluto do monar- que oferecia as bases morais para o sistema.
ca na sua pessoa, sem quaisquer limites institucionais
d) No momento da formação dos Estados nacionais
reconhecidos.
europeus, o poder da Igreja cresceu, fazendo com que
e) o desejo régio de garantir ao Estado um papel de juiz os reis precisassem se submeter ao poder papal.
imparcial no conflito entre a aristocracia e o campesinato.
e) No sistema de governo da monarquia absolutista,
3. (Fei) O “bulhonismo” ou entesouramento, caracteri- apesar da centralização política, o rei tinha sempre os
zava a prática mercantilista do início dos tempos mo- seus poderes limitados por uma constituição, à qual
dernos. Tal prática pode ser entendida como: deveria obedecer.
a) a exclusividade econômica garantida pelas metró-
poles no comércio colonial.
b) a disposição dos europeus em defender seus inte-
E.O. DISSERTATIVO
resses econômicos por meio de sucessivos tratados. 1. (UFG) Leia o texto a seguir.
c) a intenção das nações ibéricas no sentido de liderar A ilha de Utopia tem cinquenta e quatro cidades gran-
uma unificação econômica europeia. des e magníficas, onde todos falam a mesma língua,
d) a preocupação dos portugueses e espanhóis em ga- têm os mesmos hábitos e vivem sob as mesmas leis e
rantir o desenvolvimento da economia de suas colônias. instituições. O governador conserva o cargo por toda a
e) a disposição de se procurar e acumular metais pre- vida, a menos que se suspeite que o titular deseja insti-
ciosos. tuir uma tirania. Uma lei proíbe que as questões de in-
teresse público sejam discutidas durante menos de três
4. (Ufrgs) A essência do Sistema Colonial Mercantilista
consistia em dias, sendo crime de morte deliberar sobre assuntos de
Estado fora do Senado ou da Assembleia Popular. Apa-
a) implantar colônias de povoamento com controle e rentemente, isso é feito para impedir que o governador
fiscalização flexível por parte da metrópole. e os representantes das famílias conspirem para igno-
b) destinar às metrópoles o produto do comércio co- rar os desejos da população e alterar a Constituição.
lonial, visando à acumulação de capitais.
c) desenvolver o mercado interno das colônias, com MORE, THOMAS. UTOPIA. SÃO PAULO: EDITORA MARTINS
FONTES, 2009. P. 82 E SEQ. (ADAPTADO).
estímulo ao artesanato e à manufatura.
d) assegurar a presença e o controle colonial pelas Este texto integra a obra de Thomas Morus, publicada
populações nativas. em 1516, na Inglaterra governada por Henrique VIII.
e) estimular o emprego de trabalhadores livres e pe- Ao narrar a vida cotidiana em um país fictício, chama-
quenas propriedades familiares. do Utopia, o autor descreve instituições políticas que
projetam um governo voltado à vida comunitária ideal.
5. (PUC-PR) Com a formação dos Estados nacionais eu-
Com base no texto apresentado, explique como essa
ropeus, surgiu em vários países um sistema de governo
vida comunitária ideal:
centralizado denominado de “monarquia absoluta”.
Sobre o caráter desse sistema de governo, diz o histo- a) revela os princípios que sustentam o processo de
riador Perry Anderson: formação do Estado nacional moderno.

39
b) expressa um elemento de crítica ao governo ab- Thomas Hobbes (1588-1679) ficou conhecido como um
solutista. dos teóricos do Absolutismo. Nessa ilustração da sua
obra, sintetiza-se a formação do Estado Absolutista.
2. (FGV) “Essencialmente, o absolutismo era apenas
isto: um aparelho de dominação feudal alargado e re- a) CITE três características do Estado Absolutista.
forçado, destinado a fixar as massas camponesas na b) EXPLIQUE a representação de poder expressa nes-
sua posição social tradicional (...). Por outras palavras, sa imagem.
o Estado absolutista nunca foi um árbitro entre a aris-
6. (UFG) Leia os documentos apresentados a seguir.
tocracia e a burguesia, ainda menos um instrumento da
burguesia nascente contra a aristocracia: ele era a nova Se rende-se culto ao Deus verdadeiro, servindo com sa-
carapaça política de uma nobreza atemorizada (...).” crifícios sinceros e bons costumes, é útil que os bons
reinem por muito tempo e onde quer que seja.
ANDERSON, PERRY. LINHAGENS DO ESTADO ABSOLUTISTA.
TRAD. PORTO: AFRONTAMENTO, 1984, PP. 16-17. SANTO AGOSTINHO. A CIDADE DE DEUS: CONTRA OS
PAGÃOS. 3A. ED. PETRÓPOLIS, RJ: VOZES, 1991. S. P.
a) Na perspectiva de Anderson, o Estado absolutista sig-
nificou um rompimento drástico com relação à fragmen- O príncipe deve aparentar ser todo piedade, fé, inte-
tação política característica do período feudal? Justifique. gridade, humanidade, religião. Contudo não necessita
b) Na visão de Anderson, qual era o grupo social do- possuir todas estas qualidades, sendo suficiente que
minante nos quadros do Estado absolutista? Justifique. aparente possuí-las. Até mesmo afirmo que se possuí-
c) Além dos elementos apontados no texto, ofereça -las e usá-las, elas lhes seriam prejudiciais.
mais duas características constitutivas dos chamados
MAQUIAVEL, NICOLAU. O PRÍNCIPE. DISPONÍVEL EM: <WWW.
Estados absolutistas.
CULTURABRASIL.PRO.BR/OPRINCIPE.HTM>. ACESSO EM: 4 ABR. 2012.

3. (UEG) Atualmente, o ataque de piratas africanos a na-


Ambos os documentos tratam da postura do governan-
vios comerciais é um grave desafio ao comércio inter-
te na administração de uma cidade ou de um reino. O
nacional. Desde a antiguidade, piratas e corsários são
primeiro foi escrito por Santo Agostinho, no século V, e
presença permanente nos mares, desafiando potências
o segundo, por Nicolau Maquiavel, no século XVI. Com
e provocando insegurança nos navegantes. Em relação
base nos documentos apresentados, explique a relação
a esse fato, responda ao que se pede:
existente entre religião e política
a) Qual é a diferença entre piratas e corsários?
a) no pensamento medieval.
b) Qual foi a motivação da rainha britânica Elisabeth I
b) no pensamento moderno.
ao apoiar os saques de corsários ingleses?
7. (UFG) Leia o fragmento a seguir.
4. (UFG) Um príncipe desejoso de conservar-se no poder
tem de aprender os meios de não ser bom. O regime dos Césares era muito diferente das monar-
quias que nos são familiares, a saber: a realeza medieval
MAQUIAVEL, N. O PRÍNCIPE. IN: WEFFORT, FRANCISCO. “OS e moderna. Sob o Império Romano (40 a.C. – 476 d.C.), a
CLÁSSICOS DA POLÍTICA”. SÃO PAULO: ÁTICA, 1993. P.37.
palavra “República” nunca cessará de ser pronunciada.
Com Nicolau Maquiavel (1469-1527), constitui-se um Sob o Absolutismo, todos estarão a serviço do Rei; um
novo pensamento político, crítico em relação aos cri- Imperador, ao contrário, estava a serviço da República:
térios que fundamentavam a legitimidade do príncipe ele não reinava para a sua própria glória, à maneira de
medieval. Explique por que o pensamento político mo- um Rei, mas para a glória dos Romanos.
derno excluiu a bondade como critério legitimador do VEYNE, PAUL. “L’EMPIRE GRÉCO-ROMAIN”. PARIS:
poder do príncipe. SEUIL, 2006. P. 15-41. [ADAPTADO].

5. (UFMG) Observe esta imagem: O texto acima compara e distingue dois regimes políti-
cos. Explique o que diferenciava a legitimidade do po-
der político de um imperador romano da legitimidade
do poder político de um rei absolutista.

8. (UEG) Nada havendo de maior sobre a terra, depois


de Deus, que os príncipes soberanos, e sendo por Ele
estabelecidos como seus representantes para gover-
narem os outros homens, é necessário lembrar-se de
sua qualidade, a fim de respeitar-lhes e reverenciar-
-lhes a majestade com toda a obediência, a fim de sen-
tir e falar deles com toda a honra, pois quem despreza
seu príncipe soberano despreza a Deus, de Quem ele é
a imagem na terra.
Frontispício da 1º edição da obra BODIN, J. IN: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. “HISTÓRIA
de Hobbes, Leviatã (1651) MODERNA ATRAVÉS DE TEXTOS”. SÃO
PAULO: CONTEXTO, 1999. P. 61-62.

40
O documento citado refere-se a uma forma de gover- Na França, o rei Luís XIV teve sua imagem fabricada por
no existente na Europa na Idade Moderna. Sobre ela, um conjunto de estratégias que visavam sedimentar
responda: uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a
a) Qual era esta forma de governo? charge apresentada demonstra:
b) Como era justificada ideologicamente? a) a humanidade do rei, pois retrata um homem co-
mum, sem os adornos próprios à vestimenta real.
9. (Ufrrj) “A monarquia absolutista, com uma longa
b) a unidade entre o público e o privado, pois a figura
gestação no espírito da realeza, tornou-se a realidade
do rei com a vestimenta real representa o público e
dominante em França apenas durante o reinado de Luís
sem a vestimenta real, o privado.
XIV (1643-1715). A Fronda de 1648-1653 representou a
última vez que seções da nobreza territorial pegaram c) o vínculo entre monarquia e povo, pois leva ao co-
em armas contra a realeza centralizadora.” nhecimento do público a figura de um rei despreten-
cioso e distante do poder político.
SKOCPOL THEDA. “ESTADOS E REVOLUÇÕES SOCIAIS”. d) o gosto estético refinado do rei, pois evidencia a
LISBOA, EDITORIAL PRESENÇA, 1985. P. 62.
elegância dos trajes reais em relação aos de outros
O Antigo Regime estendeu-se em França até a Revolu- membros da corte.
ção Francesa de 1789. Um dos impedimentos à conso- e) a importância da vestimenta para a constituição
lidação do poder monárquico era justificado pela tenaz simbólica do rei, pois o corpo político adornado es-
resistência da nobreza. Uma vez dominada a nobreza, conde os defeitos do corpo pessoal.
consolidava-se a monarquia absoluta.
2. (Enem) O príncipe, portanto, não deve se incomodar
a) Cite duas características do Absolutismo. com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o
b) Estabeleça uma relação entre o reinado de Luís XIV povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos
e o Absolutismo. duros poderá ser mais clemente do que outros que, por
10. (Ufscar) Nicolau Maquiavel, autor de “O Príncipe”, muita piedade, permitem os distúrbios que levem ao
refletindo sobre as razões do sucesso ou do fracasso assassínio e ao roubo.
político dos governantes, escreveu: MAQUIAVEL, N. O PRÍNCIPE, SÃO PAULO: MARTIN CLARET, 2009.
... restringindo-me aos casos particulares, digo que se
vê hoje o sucesso de um príncipe e amanhã a sua ruí- No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, refle-
na, sem ter havido mudança na sua natureza, nem em xão sobre a Monarquia e a função do governante. A
algumas de suas qualidades. Creio que a razão disso (...) manutenção da ordem social, segundo esse autor, ba-
é que, quando um príncipe se apóia totalmente na for- seava-se na
tuna, arruína-se segundo as variações daquela. Também a) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
julgo feliz aquele que combina o seu modo de proceder b) bondade em relação ao comportamento dos mer-
com as particularidades dos tempos, e infeliz o que faz cenários.
discordar dos tempos a sua maneira de proceder.
c) compaixão quanto à condenação de transgressões
(“O PRÍNCIPE”, TRAD. DE LÍVIO XAVIER. SP: ABRIL CULTURAL, 1973, P. 110.) religiosas.
a) Em que período histórico-cultural Maquiavel viveu d) neutralidade diante da condenação dos servos.
e, portanto, escreveu as suas obras? e) conveniência entre o poder tirânico e a moral do
b) Defina a noção maquiavélica de fortuna e explicite príncipe.
como o autor entende os motivos do fracasso ou do
sucesso dos governantes. 3. (Enem) O que se entende por Corte do antigo regi-
me é, em primeiro lugar, a casa de habitação dos reis
de França, de suas famílias, de todas as pessoas que,
E.O. ENEM de perto ou de longe, dela fazem parte. As despesas da
Corte, da imensa casa dos reis, são consignadas no re-
1. (Enem) gistro das despesas do reino da França sob a rubrica
significativa de Casas Reais.
ELIAS, N. A SOCIEDADE DE CORTE. LISBOA: ESTAMPA, 1987.

Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande


efetividade política e terminaram por se transformar
em patrimônio artístico e cultural, cujo exemplo é:
a) o palácio de Versalhes.
b) o Museu Britânico.
c) a catedral de Colônia.
d) a Casa Branca.
(Charge anônima. BURKE, P. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.)
e) a pirâmide do faraó Quéops.

41
E.O. UERJ 2. (UERJ) Leia.
Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que

EXAME DE QUALIFICAÇÃO temido ou temido que amado. Responde-se que am-


bas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil
1. (UERJ) Os meios de persuasão empregados por go- juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado,
vernantes do século XX com Hitler, Mussolini e Stalin - e, quando haja de faltar uma das duas. Deve, todavia, o
em menor grau, pelos presidentes franceses e norte-a- príncipe fazer-se temer de modo que, se não adquire
mericanos - são análogos, sob certos aspectos impor- amizade, evite ser odiado, porque pode muito bem ser
tantes, aos meios empregados por Luís XIV. ao mesmo tempo temido e não odiado; o que sempre
conseguirá desde que respeite os bens dos seus conci-
(BURKE, PETER. A FABRICAÇÃO DO REI. RIO DE JANEIRO, ZAHAR ED., 1994.) dadãos e dos seus súditos porque os homens esquecem
mais depressa a morte do pai que a perda do patrimô-
Na época de Luís XIV, esses meios de persuasão para nio. Mas quando um príncipe está com os exércitos e
se fabricar a imagem pública do rei justificavam-se em tem uma multidão de soldados sob o seu comando, en-
função da lógica inerente ao absolutismo. tão é de todo necessário que não se importe de passar
Este regime político pode ser definido como um siste- por cruel; porque sem esta fama não se mantém um
ma em que: exército unido, nem disposto a qualquer feito.
a) o poder se restringia a um só homem, sem leis. O PRÍNCIPE, DE NICOLAU MAQUIAVEL. ADAPTADO DE WWW.ARQNET.PT
b) a centralização do poder na figura do rei era legiti-
mada através do povo. Nicolau Maquiavel foi um pensador florentino que vi-
c) os grupos e instituições não tinham o direito de veu na época do Renascimento. Ele é considerado um
opor-se às decisões do rei. dos fundadores do pensamento político moderno e
d) a tradicional divisão dos poderes - executivo, legis- suas ideias serviram de base para a constituição do Ab-
lativo, e judiciário - era o desejo do soberano. solutismo monárquico.
Identifique no texto duas práticas do Absolutismo mo-
nárquico.
E.O. UERJ 3. (UERJ)
EXAME DISCURSIVO
1. (UERJ)

Felipe II, Espanha Luís XIV, França

www.consciencia.org http://cdhi.mala.bc.ca
Os séculos XVI e XVII marcaram a afirmação do absolu- A ilustração anterior está estampada na folha de rosto
tismo político na Europa, embora com particularidades da obra “Leviatã”, de Hobbes, publicada em 1651, na
em cada reino. Dois exemplos de reis absolutistas são Inglaterra. A figura do Leviatã é proveniente de mito-
Felipe II, cujos domínios eram tão vastos que se dizia logias antigas, sendo empregada para personificar o
que neles “o sol nunca se punha”, e Luís XIV, conhecido Estado Absolutista europeu.
como “rei sol”. Descreva a conjuntura política da Inglaterra em meados
Indique duas medidas estabelecidas pelo poder real do século XVII e aponte duas características da teoria
que tenham auxiliado a afirmação do absolutismo polí- de Estado formulada por Hobbes.
tico e dois fatores que funcionaram como resistência ao
processo de centralização política. 4. (UERJ)

42
d) Durante o século XIX, a etiqueta deixou de ser um
elemento distintivo de grupos sociais, pois houve a
abolição da sociedade de privilégios.

2. (Unesp) Quando sucumbe o monarca, a majestade


real não morre só, mas, como um vórtice, arrasta con-
sigo tudo quanto o rodeia (...) Basta que o rei suspire
para que todo o reino gema.
(HAMLET, 1603.)

Essas palavras, pronunciadas por Rosencrantz, perso-


nagem de um drama teatral de William Shakespeare,
Versalhes seria largamente imitado por monarcas por aludem:
toda a Europa, de Potsdam a Hampton Court, e da Es- a) ao absolutismo monárquico, regime político pre-
candinávia a Nápoles. Era o centro de uma espécie de dominante nos países europeus da Idade Moderna.
“estado teatral” no qual o ator principal, o próprio
monarca, interpretava uma série de rotinas. A maneira b) à monarquia parlamentarista, na qual os poderes
de viver no palácio – a grande ostentação familiar, os políticos derivam do consentimento popular.
rituais nos espaços públicos, o teatro do cotidiano, até c) ao poder mais simbólico do que verdadeiro do rei,
as atividades mundanas de acordar, fazer refeições e ir expresso pela máxima “o rei reina, mas não governa”.
dormir – era imitada por nobres e monarcas rivais. d) à oposição dos Estados europeus à ascensão da bur-
guesia e à emergência das revoluções democráticas.
ADAPTADO DE JONES, C. THE CAMBRIDGE ILLUSTRATED HISTORY
OF FRANCE. CITADO POR KOPPER, M. E. ARQUITETURA, e) à decapitação do monarca inglês pelo Parlamento
PODER E OPRESSÃO. PORTO ALEGRE: UFRGS, 2004. durante as Revoluções Puritana e Gloriosa.

Do século XVIII ao XIX, a construção de diversos palá- 3. (Unifesp) “O fim último, causa final e desígnio dos
cios na Europa inspirados no Palácio de Versalhes signi- homens (que amam naturalmente a liberdade e o do-
ficou mais do que uma influência arquitetônica. mínio sobre os outros), ao introduzir aquela restrição
Denomine esse modelo político inspirado em Versalhes. sobre si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados,
Aponte, ainda, dois objetivos políticos dos governantes é o cuidado com sua própria conservação e com uma
europeus ao construírem palácios inspirados na monu- vida mais satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair daquela
mentalidade de Versalhes. mísera condição de guerra que é a consequência neces-
sária (conforme se mostrou) das paixões naturais dos
homens, quando não há um poder visível capaz de os
E.O. OBJETIVAS manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo,
ao cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) leis de natureza.”
(THOMAS HOBBES (1588-1679). “LEVIATÔ. OS
1. (Unicamp) À medida que as maneiras se refinam, tor- PENSADORES. SÃO PAULO: ABRIL CULTURAL, 1979.)
nam-se distintivas de uma superioridade: não é por aca-
so que o exemplo parece vir de cima e, logo, é retoma- “O príncipe não precisa ser piedoso, fiel, humano, ínte-
do pelas camadas médias da sociedade, desejosas de gro e religioso, bastando que aparente possuir tais qua-
ascender socialmente. É exibindo os gestos prestigiosos lidades (...). O príncipe não deve se desviar do bem, mas
que os burgueses adquirem estatuto nobre. O ser de um deve estar sempre pronto a fazer o mal, se necessário.”
homem se confunde com a sua aparência. Quem age
(NICOLAU MAQUIAVEL (1469-1527). “O PRÍNCIPE”. OS
como nobre é nobre. PENSADORES. SÃO PAULO: ABRIL CULTURAL, 1986.)
(ADAPTADO DE RENATO JANINE RIBEIRO. A ETIQUETA NO ANTIGO
REGIME. SÃO PAULO: EDITORA MODERNA, 1998, P. 12.) Os dois fragmentos ilustram visões diferentes do Esta-
do moderno. É possível afirmar que:
O texto faz referência à prática da etiqueta na França a) Ambos defendem o absolutismo, mas Hobbes vê o
do século XVIII. Sobre o tema, é correto afirmar que: Estado como uma forma de proteger os homens de
a) A etiqueta era um elemento de distinção social na sua própria periculosidade, e Maquiavel se preocupa
sociedade de corte e definia os lugares ocupados pe- em orientar o governante sobre a forma adequada de
los grupos próximos ao rei. usar seu poder.
b) O jogo das aparências era uma forma de disfarçar b) Hobbes defende o absolutismo, por tomá-lo como
os conluios políticos da aristocracia, composta por bur- a melhor forma de assegurar a paz, e Maquiavel o
gueses e nobres, e negar benefícios ao Terceiro Estado. recusa, por não aceitar que um governante deva se
c) Os sans-culottes imitavam as maneiras da nobreza, comportar apenas para realizar o bem da sociedade.
pois isso era uma forma de adquirir refinamento e tor- c) Ambos rejeitam o absolutismo, por considerarem
nar-se parte do poder econômico no estado absolutista. que ele impede o bem público e a democracia, valores

43
que jamais podem ser sacrificados e que fundamen- a) fortalecimento do poder da nobreza e retardamen-
tam a vida em sociedade. to da formação do Estado Moderno.
d) Maquiavel defende o absolutismo, por acreditar b) ampliação da dependência do rei em relação aos
que os fins positivos das ações dos governantes jus- senhores feudais e à Igreja.
tificam seus meios violentos, e Hobbes o recusa, por c) desagregação do feudalismo e centralização política.
acreditar que o Estado impede os homens de viverem d) diminuição do poder real e crise do capitalismo co-
de maneira harmoniosa. mercial.
e) Ambos defendem o absolutismo, mas Maquiavel acre- e) enfraquecimento da burguesia e equilíbrio entre o
dita que o poder deve se concentrar nas mãos de uma só
Estado e a Igreja.
pessoa, e Hobbes insiste na necessidade da sociedade
participar diretamente das decisões do soberano. 8. (Unesp) O fim último causa final e desígnio dos ho-
mens (...), ao introduzir aquela restrição sobre si mes-
4. (Unesp) (...) O trono real não é o trono de um homem,
mos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o cuida-
mas o trono do próprio Deus. Os reis são deuses e par-
do com sua própria conservação e com uma vida mais
ticipam de alguma maneira da independência divina. O
rei vê de mais longe e de mais alto; deve-se acreditar satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair daquela mísera
que ele vê melhor, e deve obedecer-se-lhe sem murmu- condição de guerra que é a consequência necessária (...)
rar, pois o murmúrio é uma disposição para a sedição. das paixões naturais dos homens, quando não há um
poder visível capaz de os manter em respeito, forçan-
(JACQUES-BÉNIGNE BOSSUET (1627-1704), POLÍTICA do-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus
TIRADA DA SAGRADAESCRITURA. APUD GUSTAVO DE FREITAS. pactos (...).
900 TEXTOS E DOCUMENTOS DE HISTÓRIA)
(THOMAS HOBBES. LEVIATÃ, 1651. IN: OS PENSADORES, 1983.)
Com base no texto, assinale a alternativa correta.
a) O autor critica o absolutismo do rei e enfatiza o De acordo com o texto:
limite da sua autoridade em relação aos homens. a) os homens são bons por natureza, mas a sociedade
b) Para Bossuet, o poder real tem legitimidade divina instiga a disputa e a competição entre eles.
e não admite nenhum tipo de oposição dos homens. b) as sociedades dependem de pactos internos de fun-
c) Bossuet defende a autoridade do rei, mas alerta para cionamento que diferenciem os homens bons dos maus.
as limitações impostas pelas obrigações para com Deus. c) os castigos permitem que as pessoas aprendam
d) Os princípios de Bossuet defendem a soberania valores religiosos, necessários para sua convivência.
dos homens diante da autoridade divina dos reis. d) as guerras são consequências dos interesses dos Esta-
e) O autor reconhece o direito humano de revolta con- dos, preocupados em expandir seus domínios territoriais.
tra o soberano que não se mostre digno de sua função. e) os Estados controlam os homens, permitindo sua
5. (Unifesp) Do ponto de vista sócio-político, o Estado sobrevivência e o convívio social entre eles.
típico, ou dominante, ao longo do Antigo Regime (sé-
9. (Unicamp) Na formação das monarquias confessio-
culos XVI a XVIII), na Europa continental, pode ser de-
nais da Época Moderna houve reforço das identidades
finido como:
territoriais, em função de critérios de caráter religioso
a) burguês-despótico. ou confessional. Simultaneamente, houve uma progres-
b) nobiliárquico-constitucional. siva incorporação da Igreja ao corpo do Estado, através
c) oligárquico-tirânico. de medidas de caráter patrimonial e jurisdicional que
d) aristocrático-absolutista. procuravam uma maior sujeição das estruturas e agen-
e) patrício-republicano. tes eclesiásticos ao poder do príncipe. Na busca pela
homogeneização da fé dentro de um território político,
6. (Unifesp) Sobre as cidades europeias na época mo- a Igreja cumpria também papel fundamental na forma-
derna (séculos XVI a XVIII), é correto afirmar que, em ção do Estado moderno por meio de seus mecanismos
termos gerais: de disciplinamento social dos comportamentos.
a) mantiveram o mesmo grau de autonomia política
(ADAPTADO DE FREDERICO PALOMO, A CONTRA-REFORMA EM PORTUGAL,
que haviam gozado durante a Idade Média. 1540-1700. LISBOA: LIVROS HORIZONTE, 2006, P.52.)
b) ganharam autonomia política na mesma propor-
ção em que perderam importância econômica. Considerando o texto acima e seus conhecimentos so-
c) reforçaram sua segurança construindo muralhas bre a Europa Moderna, assinale a alternativa correta.
cada vez maiores e mais difíceis de serem transpostas. a) Cada monarquia confessional adotou uma identida-
d) perderam, com os reis absolutistas, as imunidades de religiosa e medidas repressivas em relação às dissi-
políticas que haviam usufruído na Idade Média. dências religiosas que poderiam ameaçar tal unidade.
e) conquistaram um tal grau de auto-suficiência eco- b) Monarquias confessionais são aquelas unidades po-
nômica que puderam viver isoladas do entorno rural.
líticas nas quais havia a convivência pacífica de duas
7. (Fuvest) No processo de formação dos Estados Na- ou mais confissões religiosas, num mesmo território.
cionais da França e da Inglaterra podem ser identifica- c) São consideradas monarquias confessionais os ter-
dos os seguintes aspectos: ritórios protestantes que se mostravam mais propícios

44
ao desenvolvimento do capitalismo comercial, tornan-
do-se, assim, nações enriquecidas.
E.O. Aprendizagem
d) As monarquias confessionais contavam com a ins- 1. A 2. D 3. C 4. E 5. A
tituição do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição em
6. C 7. D 8. D 9. A 10. C
seu território, uma forma de controle cultural sobre
religiões politeístas.
E.O. Fixação
E.O. DISSERTATIVAS 1. A 2. E 3. C 4. A 5. C

(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) 6. D 7. A 8. E 9. B 10. E

1. (Unicamp) Da Idade Média aos tempos modernos,


os reis eram considerados personagens sagrados. Os
E.O. Complementar
reis da França e da Inglaterra “tocavam as escrófu- 1. D 2. D 3. E 4. B 5. C
las”, significando que eles pretendiam, somente com o
contato de suas mãos, curar os doentes afetados por
essa moléstia. Ora, para compreender o que foram as
E.O. Dissertativo
monarquias de outrora, não basta analisar a organi- 1.
zação administrativa, judiciária e financeira que essas a) O estado nacional moderno foi fundado sobre as
monarquias impuseram a seus súditos, nem extrair dos bases do Absolutismo, regime de concentração total
grandes teóricos os conceitos de absolutismo ou direito de poder nas mãos dos monarcas que, na maioria das
divino. É necessário penetrar as crenças que floresce- vezes, não se importam com a configuração de uma
ram em torno das casas principescas. “vida comunitária ideal”.
(ADAPTADO DE MARC BLOCH. “OS REIS TAUMATURGOS”. SÃO b) Ao descrever o cotidiano de “utopia”, Thomas
PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS. 1993, P. 43-44.) Morus buscava criticar o regime absolutista, no qual
a) De acordo com o texto, como se pode compreen- não se buscava a “vida comunitária ideal”, mas sim,
der melhor as monarquias da Idade Média e da Idade atender aos interesses políticos e econômicos de reis,
Moderna? nobreza e burguesia.
b) O que significa “direito divino dos reis”? 2.
c) Caracterize a política econômica das monarquias
a) Segundo o autor, que representa um dos expoentes da
europeias entre os séculos XVI e XVIII.
visão marxista de História, o Estado Absolutista não repre-
2. (Unicamp) O grande teórico do absolutismo monár- senta uma mudança drástica, pois preserva os tradicionais
quico, o bispo Jacques Bossuet, afirmou: “Todo poder privilégios da velha elite feudal. Tal modelo, desenvolvido
vem de Deus. Os governantes, pois, agem como minis- na Idade Moderna, apesar de possuir uma estrutura cen-
tros de Deus e seus representantes na terra. Resulta de tralizada de poder, representou uma adaptação.
tudo isso que a pessoa do rei é sagrada e que atacá-lo é b) Para o autor, a classe dominante é a nobreza, res-
sacrilégio. O poder real é absoluto. O príncipe não pre- ponsável pelo controle dos principais cargos políticos.
cisa dar contas de seus atos a ninguém.” Ministros, conselheiros e assessores do Rei perten-
ciam à nobreza, colocando essa classe social no con-
(CITADO EM “COLETÂNEA DE DOCUMENTOS HISTÓRICOS PARA
O 1° GRAU.” SÃO PAULO, SE/CENP, 1978, P. 79.).
trole do Estado.
a) Aponte duas características do absolutismo monár- c) Os Estados Absolutistas garantiam privilégios ao
quico. clero e eram caracterizados por grande intolerância
religiosa, principalmente nos países católicos, nos
b) Em que período o regime político descrito no texto
quais o poder do rei era justificado como sendo de
esteve em vigor?
origem divina. No campo econômico, os Estados
c) Cite duas características dos governos democráticos
exerciam forte intervenção e controle, preocupados
atuais que sejam diferentes das mencionadas no texto.
em obter balança comercial favorável, segundo uma
3. (Unifesp) Mercantilismo é o nome normalmente dado mentalidade mercantilista.
à política econômica de alguns Estados Modernos euro-
3.
peus, desenvolvida entre os séculos XV e XVIII. Indique
a)
a) duas características do Mercantilismo.
• Piratas são grupos autônomos de navegadores
b) a relação entre o Mercantilismo e a colonização da que buscam a riqueza por meio de saques de
América. navios ou regiões.
• Corsários são navegadores autorizados por meio
GABARITO de Missão de Governo ou Carta de Autorização
a saquear navios de outra nação inimiga.

45
b) tário, mas como mandatário da coletividade encarregado por ela
• Enfraquecer militarmente e economicamente a de dirigir o Estado. Mesmo que um descendente substituísse ao pai
Espanha, inimiga dos ingleses; imperador, essa substituição não era assegurada pelo princípio da
• Combater o catolicismo; sucessão dinástica, tal como veremos no Absolutismo.
• Angariar as riquezas do Novo Mundo para a Co- A legitimidade política de um rei absolutista, ao contrário, era oriun-
roa Britânica. da do poder divino. Um rei era proprietário de um reino, que era
4. Há uma crítica à noção de “bom governo”, fundamental para seu patrimônio familiar legítimo. Esse poder era transmitido a um
o pensamento político medieval. Segundo essa noção, o rei deve- descendente que lhe sucedia pelo princípio da hereditariedade.
ria ser portador de virtudes cristãs, morais e principescas. O prín- 8.
cipe deveria ser amado por seus governados. Para Maquiavel, o
rei bom, portador de virtudes morais e religiosas, corre o risco de a) Absolutismo monárquico.
perecer e perder o seu reino. b) Os principais ideólogos do Absolutismo defendiam
a soberania do Estado sobre o indivíduo, por meio de
Sua crítica se dirige à ineficiência do rei bom em conservar o teses como a do “direito divino” e da “soberania do
poder. Para manter os principados, sobretudo os recém-conquis- Estado”. A primeira tese pressupunha que o poder do
tados, até alcançar respeito e legitimidade entre seus súditos, ele rei provinha diretamente de Deus e contestar o sobe-
“tem de aprender os meios de não ser bom”. A partir do século rano significava opor-se à vontade divina. A segunda
XVI, com Maquiavel, o pensamento político se desliga da moral tese defendia que as leis de uma nação dependiam
e da religião. Maquiavel substitui na política a categoria “bonda- exclusivamente da vontade do rei, representante su-
de” pela “eficácia”. premo do Estado.
5. 9.
a) A concentração de poderes nas mãos do monarca, a a) O candidato deve associar o Estado Absoluto e a
política econômica mercantilista e a contemplação dos transição do feudalismo ao capitalismo; indicar a cen-
interesses da burguesia, da nobreza e do clero, que ao tralização monárquica e a perda de poder político da
mesmo tempo que constituíam ordens sociais submis- nobreza; vincular o absolutismo à implementação da
sas aos monarcas, davam-lhes sustentação no poder. política econômica do mercantilismo.
b) A imagem simboliza a noção de Estado como enti- b) Luís XIV (1638-1715) reforçou a autoridade real,
dade detentora de todos os poderes e que deve estar promoveu a unidade religiosa e consolidou a econo-
acima dos cidadãos e de seus interesses particulares. mia mercantilista com Colbert, na França.
6. 10.
a) O pensamento medieval alicerça-se no princípio a) Maquiavel (1469-1527) viveu durante o Renasci-
cristão. Nesse sentido, no primeiro documento, o mento, no início dos tempos modernos
governante deve guiar-se por tal princípio. Não há,
b) Maquiavel considera a fortuna (acaso) como um
para Santo Agostinho, a separação entre os princípios
dos fatores responsáveis pelo destino do príncipe. As-
morais, religiosos e políticos. Ao responder às críti-
sim, aquele que deixa seu destino nas mãos do acaso
cas que vinculavam a queda do Império Romano ao
pode ter sucesso ou fracasso, enquanto aquele que,
abandono dos cultos pagãos e à associação entre os
dotado de virtude, “combina o seu modo de proceder
governantes e o cristianismo, Santo Agostinho pre-
com as particularidades dos tempos” tem mais chan-
tende demonstrar que somente um governante fiel
ces de obter sucesso nas suas ações.
ao Deus verdadeiro consegue manter-se no poder. Ao
fazer isso, o filósofo submete a política à religião.
b) O pensamento moderno alicerça-se nos princípios E.O. Enem
da razão, da separação das esferas pública e privada
1. E 2. E 3. A
e da autonomia. Nesse sentido, alguns desses ele-
mentos encontram-se no segundo documento. Para
Maquiavel, o governante deve apenas aparentar ser E.O. UERJ
religioso para alcançar a admiração de seus súditos,
não se orientando pelo princípio cristão. Para man- Exame de Qualificação
ter-se no poder, o governante precisará fazer o mal, 1. C
usando da razão para decidir quando essa ação será
necessária. Escrevendo em um contexto no qual o
processo de orientação da vida humana ganha gra- E.O. UERJ
dualmente autonomia em relação à orientação moral
da Igreja Católica, Maquiavel separa religião (moral
Exame Discursivo
religiosa) e política (ética política). 1. Como medidas para a afirmação do absolutismo político, po-
demos citar:
7. A legitimidade política de um Imperador Romano era oriunda
da soberania popular: do poder que lhe era delegado pelo povo e • criação da Justiça Real, para unificação dos critérios de Jus-
pelo Senado. Ele não ocupava o trono na qualidade de seu proprie- tiça nos Reinos;

46
• formação dos Exércitos Reais, para defender os Reinos e c) Trata-se do mercantilismo, política econômica das
enfrentar possíveis resistências da Nobreza. Monarquias Nacionais, visando o enriquecimento do
Estado através das atividades comerciais, e por con-
Como fatores que funcionaram como resistência ao processo de
seguinte, o fortalecimento do poder real. Caracteri-
centralização, podemos citar:
zava-se pelo metalismo (acumulação de metais pre-
• manutenção dos privilégios nobiliárquicos; ciosos), pelo estímulo à balança comercial favorável,
• desejo de ascensão política da burguesia. pelo protecionismo alfandegário, pelo intervencionis-
mo e pela exploração de colônias.
2. A concentração de poderes está na essência da ideia do ab-
solutismo, na medida em que o governo não faz apenas as leis, 2.
mas controla seu cumprimento. Destaca-se ainda a necessidade a) Concentração de todos os poderes nas mãos do
da força para a manutenção do poder e da ordem constituída, rei; equilíbrio do rei entre nobreza e burguesia, con-
entendida como fundamental para a preservação da nação, im- cedendo à primeira privilégios sociais e à segunda,
pedindo que interesses particulares se sobreponham aos inte- vantagens econômicas; prática da política econômica
resses sociais. mercantilista; justificativa do absolutismo pela Teoria
3. A Inglaterra foi marcada, em meados do século XVII, por uma do Direito Divino.
série de conflitos que opuseram o rei - que defendia um abso- b) Idade Moderna, entre os séculos XVI e XVIII.
lutismo de feições continentais - a setores do Parlamento - que c) O poder emana do povo, e não de qualquer entida-
visavam a limitar os poderes reais e afirmar a supremacia parla- de divina; os governantes são representantes dos ci-
mentar em alguns âmbitos como o fiscal. Esses conflitos foram dadãos e agem em nome destes, os governantes são
denominados de Revoluções Inglesas. responsáveis por seus atos, deve haver divisão de po-
Duas dentre as características: deres, o governante deve prestar contas de seus atos.

• ideia do pacto social; 3.


• o direito de legislar do soberano; a) São características do Mercantilismo: metalismo
(acumulação de metais preciosos), balança comercial
• fundamentação racional da política; favorável, intervencionismo estatal na economia, pro-
• a renúncia de direitos do indivíduo para o soberano. tecionismo alfandegário e sistema colonial.
b) A exploração de colônias na América constituía-
4. O contexto histórico a que se refere a questão é o Absolutis-
-se num dos meios de acumulação mercantilista para
mo Monárquico com a presença de uma nobreza que habitava
os Estados Nacionais Modernos da Europa, pois as
em grandes palácios cujo o objetivo era a ostentação, reforçar
colônias eram, de um lado, fornecedoras de gêne-
o poder real, centralização do poder, adoção de uma sociedade
ros tropicais, negociados no mercado europeu, de
aristocrática, entre outros objetivos. Vale destacar que a constru-
matérias-primas e metais amoedáveis, e por outro,
ção destas grandes obras no continente europeu se deu graças
consumidoras de manufaturas, além de integrarem o
à colonização e a exploração do trabalho dos índios e negros na
lucrativo tráfico negreiro.
condição de escravos na América.

E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. A 2. A 3. A 4. B 5. D

6. D 7. C 8. E 9. A

E.O. Dissertativas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1.
a) Nas idades Média e Moderna, a intensa religiosi-
dade dos europeus permitia aos reis se apresentarem
como possuidores de dons divinos, o que reforçava
sua autoridade junto aos súditos.
b) A teoria do “Direito Divino” dos reis foi elaborada
por Jacques Bossuet em seu livro “A Política Segundo
as Sagradas Escrituras”, estabelecendo que o rei deve
ter poderes absolutos porque é escolhido por Deus,
representante Dele entre os homens e, portanto, so-
mente a Ele deve prestar contas dos seu atos.

47
AULAS ABSOLUTISMO INGLÊS E REVOLUÇÕES
23 E 24 INGLESAS DO SÉCULO XVII
COMPETÊNCIAS: 4e8 HABILIDADES: 13, 15, 16 e 28

E.O. APRENDIZAGEM vapor e o uso do carvão como fonte de energia primária


marcam o início das mudanças nos processos produtivos.
1. (UFG) Leia as informações a seguir. Em meados do II. O Reino Unido foi o primeiro país a reunir condições
século XVIII, James Watt patenteou na Inglaterra seu básicas para o início da industrialização devido à inten-
invento, sobre o qual escreveu a seu pai: “O negócio sa acumulação de capitais no decorrer do Capitalismo
a que me dedico agora se tornou um grande sucesso. Comercial.
A máquina de fogo que eu inventei está funcionando e III. Os mais destacados segmentos fabris desta fase fo-
obtendo uma resposta muito melhor do que qualquer ram o têxtil, o metalúrgico e o de mineração.
outra que tenha sido inventada até agora”. IV. As transformações produtivas desta fase atingiram
DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.AMPLTD.CO.UK/DIGITAL_ GUIDES/
rapidamente outros países como a Alemanha, França e
IND-REV-SERIES-3-PARTS-1-TO-3/DETAILED-LISTINGPART-1. Estados Unidos ainda no Século XVIII recrutando ope-
ASPX>. ACESSO EM: 29 OUT. 2012. (ADAPTADO). rários com salários atrativos promovendo, assim, um
intenso êxodo rural.
A revolução histórica relacionada ao texto, a fonte primá-
Estão corretas:
ria de energia utilizada em tal máquina e a consequência
ambiental de seu uso são, respectivamente: a) apenas I, II e III.
a) puritana, gás natural e aumento na ocorrência de b) apenas I, II e IV.
inversão térmica. c) apenas II, III e IV.
b) gloriosa, petróleo e destruição da camada de ozônio. d) apenas I, III e IV.
c) gloriosa, carvão mineral e aumento do processo de e) I, II, III e IV.
desgelo das calotas polares.
3. (ESPCEX) “O acúmulo de capitais, a modernização
d) industrial, gás natural e redução da umidade at- da agricultura, a disponibilidade de mão de obra e de
mosférica. recursos naturais e a força do puritanismo ajudam a
e) industrial, carvão mineral e aumento da poluição explicar o pioneirismo da __________ na Revolução
atmosférica. Industrial”.
2. (Mackenzie) BOULOS JR, P.421

Das opções abaixo listadas, o país que melhor preenche


o espaço acima é:
a) Alemanha.
b) Holanda.
c) Itália.
d) Inglaterra.
e) Espanha.

4. (UFPR) Na figura abaixo vemos à esquerda uma ilus-


tração de Guy Fawkes, inglês católico morto em 1605
após tentar explodir o Parlamento inglês na “Conspi-
ração da Pólvora”, e um manifestante inglês usando a
máscara de Guy Fawkes em 2011 (inspirada na graphic
novel V de Vingança, transformada em filme em 2006)
e portando um cartaz no qual se lê: “O povo não deve
Tendo como base de análise a figura e os aspectos que temer seu governo”.
definiram a Primeira Revolução Industrial, considere as
afirmativas a seguir:
I. Inicia-se nas últimas décadas do século XVIII e estende-
-se até meados do século XIX. A invenção da máquina a

48
europeu, inclusive a Rússia, a América do Norte e a
Ásia, já apresentavam importantes núcleos industriais.
e) que a nova forma da economia, o capitalismo in-
dustrial, exigiu uma reforma nos modelos de adminis-
tração do Estado e fez com que países desenvolvidos
adotassem políticas de regulação do mercado global.

6. (Mackenzie) A Revolução Gloriosa, na Inglaterra (1688-


1689), marcou o início de uma época de grande prospe-
ridade para o país, lançando as bases para o desenvolvi-
mento capitalista, e permitiu que o país fosse o pioneiro
na Revolução Industrial do século XVIII. Podemos estabe-
lecer uma relação entre os dois eventos porque:
(Fonte: http://abcnews.go.com/blogs/headlines/2011/11/how-did-guy-fawkes-become-
a-symbol-of-occupy-wall-street/. Acesso em 23 jul. 2013.) a) o governo passou a impor a religião anglicana,
dando fim aos conflitos religiosos e aos massacres
Sobre os contextos do século XVII e do século XXI em entre católicos e protestantes, liberando mão de obra
que a figura de Guy Fawkes aparece, identifique como
para as novas técnicas de produção.
verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
b) o poder real, com a retomada do absolutismo, não
( ) Guy Fawkes pertenceu a uma legião de opositores ca- encontra empecilhos para dar fim ao sistema feudal
tólicos à dinastia dos Stuart, que tentou estabelecer um e incentivar a prática capitalista para aumentar os re-
regime absolutista na Inglaterra ao longo do século XVII. cursos do Tesouro Nacional.
( ) Atualmente, o uso da máscara de Guy Fawkes man- c) o país, com o advento do Parlamentarismo, passou
tém o ativismo católico do personagem original, ao de- por transformações, como o acordo político e econô-
fender a opção preferencial pelos pobres e uma teolo- mico entre a burguesia e a nobreza rural que, juntas,
gia de libertação através do ciberativismo. promoveram o desenvolvimento econômico.
( ) Enquanto Guy Fawkes foi demonizado como traidor d) tanto a tolerância religiosa quanto uma maior li-
à Coroa inglesa desde o século XVII, atualmente as berdade de expressão política por parte da sociedade
máscaras de Guy Fawkes representam a contestação ao civil, características do despotismo esclarecido, incen-
autoritarismo e à injustiça, como no movimento Ocupe tivaram o desenvolvimento econômico.
Wall Street e em diversos protestos pelo mundo.
e) o desenvolvimento de uma monarquia, com carac-
( ) Após a Conspiração da Pólvora, outras revoltas ocor- terísticas de um Estado liberal, permitiu a união de
reram no século XVII na Inglaterra, culminando na Re- todas as classes sociais na Inglaterra, o que permitiu
volução Puritana (1640) e na Revolução Gloriosa (1688), a modificação das relações trabalhistas no campo.
seja por questões religiosas, seja pelos cercamentos, seja
disputa de poder entre a monarquia e o parlamento. 7. (UFRN) Segundo o historiador David Landes, a Revo-
Assinale a alternativa que apresenta a sequência corre- lução Industrial:
ta, de cima para baixo. [...] começou na Inglaterra no século XVIII e expandiu-se
a) V – F – F – V. de forma distinta nos países da Europa continental e
b) F – F – V – F. em algumas áreas do ultramar. Em um espaço de me-
nos de duas gerações, transformou a vida do homem
c) F – V – F – V.
ocidental, a natureza de sua sociedade e seu relaciona-
d) V – V – V – F.
mento com outros povos do mundo.
e) V – F – V – V.
LANDES, DAVID S. PROMETEU DESACORRENTADO: TRANSFORMAÇÃO
5. (PUC-RJ) A Revolução Industrial representou uma TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL NA EUROPA OCIDENTAL, DESDE
profunda mudança nas relações políticas e econômicas 1750 ATÉ OS DIAS DE HOJE. RIO DE JANEIRO: ELSEVIER, 2005. P. 1.
no ocidente e no mundo.
A Revolução Industrial significou mudanças radicais,
Sobre esse processo, é INCORRETO afirmar: promovendo:
a) que, em seus inícios, a industrialização se deu em a) avanços técnicos, oposição entre a burguesia e o
setores de baixo investimento tecnológico e financei- proletariado, e revalorização mundial dos princípios
ro como, por exemplo, a indústria de tecidos e fibras. mercantilistas.
b) que a Revolução Industrial se desenvolveu com b) alteração no processo de produção, sujeição do pro-
especial vigor na Inglaterra tornandoa a principal po- letariado ao capital e divisão internacional do trabalho.
tência industrial do século XIX.
c) aumento da produtividade, acelerada urbanização
c) que, com novas tecnologias, como o uso industrial e equilíbrio geopolítico entre as nações europeias.
do vapor e do aço, os investimentos do capitalismo
d) exploração de nova fonte de energia, modificações de
nascente se voltaram para novos setores econômicos
estilos de vida e rejeição às práticas políticas imperialistas.
como transportes e siderurgia.
d) que, em meados do século XIX, parte do continente 8. (UECE) Atente ao seguinte excerto:

49
“O crime [...] consistiu em herdar as piores feições do c) uma ampla geração de energia elétrica.
sistema doméstico num contexto em que inexistiam as d) a obtenção de empréstimos financeiros obtidos da
compensações do lar: ‘ele sistematizou o trabalho das França.
crianças pobres e desocupadas, explorando-o com uma e) a Revolução Gloriosa que favoreceu o capitalismo.
brutalidade tenaz...’ [...] Na fábrica a máquina ditava as
condições, a disciplina, a velocidade e a regularidade
da jornada de trabalho, tornando-as equivalentes para
o mais delicado e o mais forte”.
E.O. FIXAÇÃO
EDWARD P. THOMPSON. A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA INGLESA. VOL. II: A
1. (Uern) O movimento Cartista, retratado na charge, e
MALDIÇÃO DE ADÃO. o movimento Ludista ocorridos na Inglaterra, estão di-
RIO DE JANEIRO, PAZ E TERRA. 1987. P. 207. retamente ligados:

Considerando os processos de transformação ocorridos


na sociedade ocidental, é correto afirmar que esse tre-
cho da obra do historiador inglês Edward P. Thompson
se refere à:
a) Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra entre
1688 e 1689, que garantiu o fim do absolutismo na
Inglaterra e possibilitou o desenvolvimento social e
econômico daquele país.
b) Revolução Francesa, que no final do século XVIII
criou um novo modelo social e econômico para o
mundo ocidental.
c) Revolução Industrial, que, principiando no século
XVIII, estabeleceu novas formas de organização do
trabalho na sociedade capitalista.
d) Revolução Haitiana, que teve início em 1791 e
marcou a independência do país caribenho do domí- (Disponível em: http://1.bp.blogspot.com/-Pqns5CuawTQ/UF8
nio francês, mas colocou-o sob o controle do capital Csz3BQWI/AAAAAAAAAsE/LhiBm-B-Quk/s1600/cartismo.jpg.)
industrial inglês.
a) a luta pela liberdade religiosa empreendida pelos
9. (UPE) A Revolução Industrial não dependeu só de um anglicanos, a partir da carta papal que os impedia de
tipo qualquer de expansão econômica, técnica ou cien- escolher o culto que mais lhes conviesse.
tífica, mas, da criação da fábrica, isto é, de um sistema b) ao processo de unificação engendrado pelos pa-
fabril mecanizado, a produzir em quantidades tão gran- íses da Grã-Bretanha – Escócia, Inglaterra e Irlanda
des e a um custo tão rapidamente decrescente, a ponto –, com o objetivo de fortalecer a hegemonia inglesa.
de não depender de uma demanda existente, mas de c) aos embates entre capitalistas e socialistas radi-
criar seu próprio mercado. cais, em luta pela supremacia política no parlamento
CANÊDO, LETÍCIA BICALHO. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. inglês, até então dominado pela Câmara dos Lordes.
SÃO PAULO: ATUAL, 1991, P. 31. (ADAPTADO). d) ao processo conhecido como Revolução Industrial,
que trouxe, entre outras consequências, a mobiliza-
Sob o aspecto apontado pelo texto, apenas uma indús- ção operária por melhores condições de trabalho.
tria estava em condições de expandir sua produção de
forma simples e barata. 2. (Espm) Morto o rei, em maio do mesmo ano, a re-
Estamos tratando da indústria: pública foi proclamada, o que dava a entender que as
reivindicações dos niveladores estavam sendo atendi-
a) do aço. das, mas a revolução parou aí, e a sensação de traição
b) têxtil. foi virando certeza. A revolta dos niveladores malogrou.
c) petrolífera. Além da fracassada tentativa dos Niveladores, o país
d) siderúrgica. conheceu também o movimento dos Escavadores, que,
por meio da ação direta e pacífica, tentaram chegar a
e) da mineração.
uma forma de comunismo agrário.
10. (Espcex) A Revolução Industrial, que teve lugar na (PAULO MICELI. AS REVOLUÇÕES BURGUESAS)
Inglaterra do século XVIII, pode ser definida como uma
transformação sem precedentes no modo da produção O texto deve ser relacionado com:
manufatureira que trouxe profundas mudanças na es- a) a Revolução Puritana, na Inglaterra.
trutura social e econômica da sociedade. Teve papel
b) a Revolução Gloriosa, na Inglaterra.
preponderante na sua ocorrência :
c) as Frondas, na França.
a) o Cartismo. d) a Revolução Francesa de 1789.
b) o Ludismo. e) a Revolução de 1830, na França.

50
3. (PUC-RJ) Entre 1837 e 1839, o escritor inglês Charles controle dos nobres por Henrique VII e, finalmente, as
Dickens publicou o romance “Oliver Twist”. Abaixo, es- ações de Henrique VIII, que rompeu com o papa e fun-
tão reproduzidos os primeiros parágrafos desse texto dou a Igreja Anglicana, mantida sob sua tutela. Com a
de Dickens: morte de Henrique VIII e a ascensão de Elizabeth I, o ab-
“Dentre os vários monumentos públicos que enobre- solutismo inglês conheceu seu período de maturidade.
cem uma cidade de Inglaterra, cujo nome tenho a pru- As ações de Elizabeth I e de seus sucessores, adotando
dência de não dizer, e à qual não quero dar um nome medidas mercantilistas, criando companhias de comér-
imaginário, um existe comum à maior parte das cidades cio, dissolvendo o Parlamento, exigindo pensão vitalícia
grandes ou pequenas: é o asilo da mendicidade. Lá em e criando taxas, marcaram acontecimentos que culmi-
certo dia, cuja data não é necessário indicar, tanto mais naram, décadas mais tarde, numa página da história da
que nenhuma importância tem, nasceu o pequeno mor- sociedade inglesa conhecida como Revolução Gloriosa.
tal que dá nome a este livro. Neste cenário,
Muito tempo depois de ter o cirurgião dos pobres da a) a economia inglesa, diante da instabilidade políti-
paróquia introduzido o pequeno Oliver neste vale de lá- ca, teve um desenvolvimento irregular no século XIX,
grimas, ainda se duvidava se a pobre criança viveria ou atrasando sua industrialização frente a outros países.
não; se sucumbisse, é mais que provável que estas me- b) a monarquia absolutista inglesa, reconhecendo
mórias nunca aparecessem, ou então ocupariam poucas suas limitações, tomou a iniciativa na criação do Bill
páginas, e deste modo teriam o inapreciável mérito de of Rights, evitando novas guerras civis no país.
ser o modelo de biografia mais curioso e exato que ne- c) as medidas absolutistas insuflaram questionamen-
nhum país em nenhuma época jamais produziu.” tos na sociedade inglesa, favorecendo mudanças e
(CHARLES DICKENS, OLIVER TWIST, TRADUÇÃO DE MACHADO DE rupturas na estrutura política do país.
ASSIS E RICARDO LÍSIAS, 1ª. ED., SÃO PAULO, HEDRA, 2002.) d) as características absolutistas da monarquia ingle-
sa a afastavam do modelo constitucional que, desde
Considerando a passagem acima, assinale a alternativa o final da Idade Média, predominava na Europa.
que indica corretamente as características do período a
que Dickens se refere. 6. (PUC-RS) A Revolução Industrial que se consolidou
a) Crescimento urbano e pobreza que acompanharam na Inglaterra da segunda metade do século XVIII apre-
o desenvolvimento material da revolução industrial. sentava fatores condicionantes em variados campos da
sociedade britânica. No campo institucional, tem-se a
b) Revolução comercial, reforma protestante e surgi-
_________; no que se refere ao pensamento econômi-
mento de uma nova ética de trabalho.
co, apresenta-se o _________; no plano ético de funda-
c) Crise econômica do feudalismo e ascensão das mentação religiosa, cita-se o _________ e, no campo
ideias científicas do liberalismo. econômico, verifica-se a liberação de mão de obra cau-
d) Espírito regenerador dos valores cristãos pratica- sada pela prática dos _________.
dos pela Contra Reforma na Inglaterra.
a) Monarquia Parlamentar; mercantilismo; protestan-
e) Exaltação da classe operária inglesa e suas propen- tismo; cercamentos.
sões naturais para o socialismo e a revolução.
b) República Parlamentar; liberalismo; catolicismo;
4. (UPF) A Revolução Inglesa de fins do século XVII pode campos abertos.
ser considerada como a primeira revolução burguesa c) Monarquia Parlamentar; liberalismo; protestantis-
no continente Europeu. Sobre esta revolução é correto mo; cercamentos.
afirmar: d) República Parlamentar; mercantilismo; protestan-
tismo; campos abertos.
a) O Parlamento e os monarcas tinham a mesma po-
sição em relação à necessidade de impostos para a e) Monarquia Parlamentar; liberalismo; catolicismo;
manutenção do Estado e a confiança de que o rei cercamentos.
decidia sobre essa questão. 7. (UFV) Sobre as Revoluções Inglesas do século XVII, é
b) Jaime I e Carlos I reorganizaram o Estado com seu CORRETO afirmar que:
comando forte e centralizador, deixando o legado da
eficiência para os próximos monarcas. a) Oliver Cromwell evitou a centralização do poder
quando se tornou o Lorde Protetor da Inglaterra em
c) As condições econômicas e políticas estiveram es-
1653, pois repudiava o poder absolutista.
táveis durante o período pré-revolucionário.
b) após a guerra civil da década de 1640, o rei Carlos
d) A Carta dos Direitos sagrou-se como documento de
I foi executado e a República na Inglaterra foi estabe-
valor constitucional e foi aceita pelo casal Guilherme e
lecida temporariamente.
Maria, novos monarcas por declaração do Parlamento.
c) Guilherme de Orange, um dos líderes do Exército
e) As divergências entre anglicanos e calvinistas foram
Revolucionário que lutou na década de 1640 contra
um elemento essencial do processo revolucionário, que
o poder absolutista do rei Carlos I, foi coroado como
findou com a aceitação da mesma religião por todos.
o novo rei inglês.
5. (UFU) Entre os eventos que merecem destaque na d) a Revolução Gloriosa (1688) representou a ascen-
consolidação do absolutismo inglês estão o embate en- são ao poder dos grupos sociais mais radicais que
tre os York e os Lancaster, na Guerra das Duas Rosas, o aboliram a propriedade privada.

51
8. (PUC-RJ) “Para o progresso do armamento marítimo se opunham ao desenvolvimento industrial destruindo
e da navegação, que sob a boa providência e proteção máquinas, em revolta contra as condições de trabalho
divina interessam tanto à prosperidade, à segurança e sub-humanas e os baixos salários.
ao poderio deste reino [...], nenhuma mercadoria será ( ) Nesse período houve a primeira Divisão Internacio-
importada ou exportada dos países, ilhas, plantações nal do Trabalho, na qual as matérias-primas eram trans-
ou territórios pertencentes à Sua Majestade, ou em formadas em produtos manufaturados que provinham
possessão de Sua Majestade, na Ásia, América e África, do império chinês, como o tecido.
noutros navios senão nos que [...] pertencem a súditos
( ) O aumento populacional foi uma das características
ingleses [...] e que são comandados por um capitão in-
da Revolução Industrial, entre os fatores que levaram
glês e tripulados por uma equipagem com três quartos
a esse aumento está a intensa migração do campo
de ingleses [...], nenhum estrangeiro [...] poderá exercer
para a cidade, motivada pela criação de empregos nas
o ofício de mercador ou corretor num dos lugares su-
indústrias.
pracitados, sob pena de confisco de todos os seus bens
e mercadorias [...]”. Assinale a alternativa que apresenta a sequência corre-
ta, de cima para baixo.
SEGUNDO ATO DE NAVEGAÇÃO DE 1660. IN: PIERRE DEYON. O
MERCANTILISMO. SÃO PAULO: PERSPECTIVA, 1973, P. 94-95.
a) F – V – V – F.
b) V – V – F – F.
Por meio do Ato de Navegação de 1660, o governo c) V – F – V – F.
inglês: d) F – V – F – V.
a) estabelecia que todas as mercadorias comercializa- e) V – F – F – V.
das por qualquer país europeu fossem transportadas
por navios ingleses. 10. (UEMG) “Uma sociedade de bem-estar social teria
b) monopolizava seu próprio comércio e impulsionava sem dúvida distribuído alguns destes vastos acúmulos
a indústria naval inglesa, aumentando ainda mais a para fins sociais. Na Inglaterra do período de 1780 a
presença da Inglaterra nos mares do mundo. 1840 nada era menos provável. Virtualmente livre de
impostos, as classes médias continuaram a acumular
c) enfrentava a poderosa França retirando-lhe a posição
em meio a um populacho faminto, cuja fome era o re-
privilegiada de intermediária comercial em nível mundial.
verso daquela acumulação.”
d) desenvolvia a sua marinha, incentivava a indústria,
expandia o Império, abrindo novos mercados internacio- HOBSBAWM, ERIC. A ERA DAS REVOLUÇÕES: EUROPA, 1789-1848.
nais ao seu excedente agrícola. TRADUÇÃO DE MARIA TEREZA LOPES TEIXEIRA E MARCOS PENCHEL.
RIO DE JANEIRO: PAZ E TERRA, 1977, P. 75.
e) protegia os produtos ingleses, matérias-primas e manu-
faturados, que deveriam ter sua saída dificultada, de modo Em resposta às transformações acima salientadas, os
a gerar acúmulo de metais preciosos no Reino inglês. trabalhadores organizaram-se para lutar por seus direi-
tos, formando
9. (UFPR) Considere o fragmento a seguir:
a) partidos operários de composição camponesa e de
Afirmo que cada homem, e cada mulher, e cada criança
multidões em paralisação.
deve obter algo mais, na distribuição geral dos frutos
do trabalho, além de alimento, farrapos e uma miserá- b) manifestações fabris de exigência de salário e de
vel rede com uma manta pobre a cobri-la: e isso, sem impedimento de grevistas.
ter de trabalhar doze ou quatorze horas por dia [...] dos c) associações políticas de discussões sindicais e de
seis aos sessenta anos. - Eles têm uma reivindicação, simpatia pelos cercamentos.
uma sagrada e inviolável reivindicação por um pouco d) movimentos sociais de destruição de máquinas e
de comodidade e divertimento [...] por algum tempo li- de reivindicações por escrito.
vre razoável para essas discussões, e por alguns meios
ou informações que possam levá-los à compreensão
dos seus direitos. E.O. COMPLEMENTAR
(OS DIREITOS DA NATUREZA. THELWALL, JOHN. IN: THOMPSON, 1. (PUC-Camp) Os conflitos político-sociais do século XVII
EDWARD P. A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA INGLESA. RIO foram o meio pelo qual a Inglaterra:
DE JANEIRO: PAZ E TERRA, 2004. P. 175-176.)
a) transformou o Absolutismo de direito em Absolu-
Sobre o período destacado no excerto, identifique como tismo de fato.
verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: b) promoveu a substituição do Estado liberal - capita-
( ) O contexto se dá na Revolução Industrial na Ingla- lista pelo Estado Absolutista.
terra, em que as condições de trabalho eram insalubres, c) organizou o Exército do Parlamento, conferindo pos-
motivo pelo qual muitos trabalhadores adoeciam ou fa- tos de comando segundo o critério de origem familiar
leciam, causando a diminuição habitacional das cidades e não pelo merecimento militar.
inglesas, uma das principais características do período. d) consolidou os interesses da nobreza agrária tradi-
( ) O trecho se refere aos movimentos de trabalhadores cional rompendo com os ideais da burguesia.
que sofriam as consequências da Revolução Industrial. e) diluiu os obstáculos para o avanço capitalista, marcan-
Um exemplo desses movimentos foram os Luditas, que do o início da desagregação do Absolutismo Monárquico.

52
2. (PUC-Camp) Guilherme de Orange foi proclamado rei 5. (ESPM) Nenhum homem livre será detido, aprisiona-
depois de ter assinado a Declaração de Direitos, impos- do, ou privado de seus bens, ou posto fora da lei, ou
ta pelo Parlamento, à qual determinava limitações ao exilado, ou prejudicado de algum modo a não ser em
poder real. Dentre as limitações, destacavam-se a virtude de um julgamento legal dos seus pares ou em
a) obrigação de indicar nobres para as forças arma- virtude das leis do país.
das e elementos do clero para dirigir as universidades. (G. M. TREVELYAN. HISTÓRIA CONCISA DA INGLATERRA)
b) negação do Anglicanismo como religião oficial da
Inglaterra e a tolerância a todos os cultos. O trecho acima foi retirado de um documento conside-
c) exigência do Parlamento ser composto por dois rado referência fundamental das Liberdades Inglesas.
terços de puritanos e a concordância em apoiar mili- Assinale-o:
tarmente o combate às heresias. a) Provisões de Oxford.
d) obrigação de convocar o Parlamento periodica- b) Magna Carta.
mente e a proibição de criar novos impostos. c) Ato de Supremacia.
e) pacificação interna da Inglaterra e o respeito à su- d) Declaração de Direitos.
premacia papal. e) Lei dos Pobres.
3. (Unitau) O capitalismo, com base na transformação
técnica, atinge seu processo específico de produção,
caracterizado pela produção em larga escala, onde há E.O. DISSERTATIVO
uma radical separação entre o trabalho e o capital. Esta
1. (UEL) Leia o texto a seguir.
afirmativa está tratando:
A tecnologia tem sido o catalizador da mudança social
a) da separação entre capitalismo e socialismo. desde antes do matemático grego Arquimedes de-
b) da Revolução Industrial. monstrar que a água pode ser levantada para irrigar um
c) do advento do Mercantilismo. terreno ressecado acima de um fluxo de água, por meio
d) da Revolução comunista na Rússia. de um mecanismo contínuo propulsor dentro de um
e) do plano Marshall após a 2a Guerra Mundial. tubo flexível. Contudo, ao mesmo tempo, a diferença
entre os contemplados e os tecnologicamente carentes
4. (UFJF) Leia a frase a seguir: tornou-se um abismo. Para cada um que agora compra
Por meio de tudo isso – pela divisão de trabalho, super- sua passagem de avião, trem e ingresso de teatro onli-
visão do trabalho, multas, sinos e relógios, incentivos ne, milhões ainda esperam pela eletricidade e por água
em dinheiro, pregações e ensino, supressão das feiras e limpa corrente.
dos esportes – formaram-se novos hábitos de trabalho
(ADAPTADO DE: JARDINE, L. COMO A TECNOLOGIA AFETA A
e impôs-se uma nova disciplina de tempo. TRANSFORMAÇÃO SOCIAL. IN: SWAIN, H. GRANDES QUESTÕES DA
HISTÓRIA. RIO DE JANEIRO: JOSÉ OLYMPIO, 2010. P.255-259.)
THOMPSON, E. P. COSTUMES EM COMUM. SÃO
PAULO: CIA DAS LETRAS, 2000, P. 297. a) Com base no texto, descreva duas características fun-
damentais da Revolução Industrial inglesa do século XVIII.
O relógio era um aparelho pouco utilizado até o século b) Discuta as relações entre desenvolvimento tecno-
XVIII. O tempo era marcado pelos movimentos naturais lógico e bem-estar social no mundo contemporâneo.
e atividades agrícolas da maioria da população da In-
glaterra. A partir da Revolução Industrial, o relógio pas- 2. (UFRN) O historiador Christopher Hill se notabilizou
sou a ser considerado o principal marcador do tempo pelos seus estudos sobre a Revolução Inglesa do século
nas sociedades capitalistas. XVII (Revolução Puritana/Revolução Gloriosa). Conside-
Sobre a relação entre a marcação do tempo e o pro- rando essa revolução como um evento capital não só
cesso de industrialização na Europa, marque a resposta da história inglesa, mas também da história de todo o
CORRETA: mundo contemporâneo, Christopher Hill afirma:
a) o relógio se tornou o principal objeto de troca comer- Se você observar a Inglaterra no século XVI, verá que
cial durante o processo de industrialização europeia. é uma potência de segunda classe, levando um embai-
b) o controle do tempo servia para ampliar as horas xador inglês em 1640 a dizer que seu país não gozava
de lazer dos trabalhadores da indústria, garantindo de qualquer consideração no mundo. O que era verda-
melhor qualidade de vida. de. Mas já no começo do século XVIII a Inglaterra é a
c) a utilização do tempo do relógio passou a servir maior potência mundial. Logo, alguma coisa aconteceu
para controlar o trabalho e disciplinar os trabalhado- no meio disso.
res nas fábricas, garantindo maior produtividade. MARQUES, ADHEMAR M.; BERUTTI, FLÁVIO C.; FARIA,
d) a preocupação com o controle do tempo do relógio RICARDO DE M. HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA ATRAVÉS DE
servia para a realização das tarefas na agricultura, de TEXTOS. SÃO PAULO: CONTEXTO, 2012. P. 12.

modo que a família pudesse trabalhar coletivamente. a) Mencione e explique duas mudanças que contribu-
e) o controle do tempo, através do relógio, não gerou íram para a Inglaterra, no começo do século XVIII, se
benefício para o capitalismo industrial, uma vez que tornar a maior potência mundial.
o trabalhador não podia ser disciplinado. b) Justifique por que a Revolução Inglesa do século

53
XVII pode ser considerada um evento capital de todo Parlamentos para satisfazer os agravos, assim como
o mundo ocidental contemporâneo. para corrigir, afirmar e conservar as leis.”
A partir do documento acima e de seus conhecimentos
3. (UEL) Leia os textos a seguir.
sobre a Revolução Gloriosa e seus desdobramentos, ex-
O reino recém-unido da Grã-Bretanha estava emergin- plique por que ela é interpretada como uma revolução
do como uma potência europeia, intelectual, militar e liberal, parlamentar e burguesa.
comercial. Newton era reconhecido como o gênio su-
premo da época, enquanto a Royal Society de Londres 6. (UFMG) “O que significa a frase ‘a revolução industrial’
era vista como seu árbitro científico supremo. Locke explodiu? Significa que a certa altura da década de 1780,
estava fundando a Filosofia empírica e promulgando as e pela primeira vez na história da humanidade, foram re-
ideias políticas liberais que, na altura do fim do século, tirados os grilhões do poder produtivo das sociedades
seriam corporificadas na constituição americana. En- humanas, que daí em diante se tornaram capazes da
quanto isso, Robinson Crusoé, de Defoe, e As Viagens de multiplicação rápida, constante, e até o presente ilimita-
Gúliver, de Swift, satisfaziam, cada um à sua maneira, da, de homens, mercadorias e serviços. [...] Sob qualquer
a fome de aventuras estrangeiras do público. Essa era aspecto, este foi provavelmente o mais importante acon-
uma nação autoconfiante, experimentando os primei- tecimento na história do mundo, pelo menos desde a in-
ros rebuliços do que viria a ser a Revolução Industrial venção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela
– a máquina a vapor já estava sendo usada nas minas Grã-Bretanha. É evidente que isto não foi acidental.”
da Cornualha.
HOBSBAWM, ERIC J. “A ERA DAS REVOLUÇÕES: EUROPA 1789-
(STRATHERN, P. UMA BREVE HISTÓRIA DA ECONOMIA. 1848”. RIO DE JANEIRO: PAZ E TERRA, 1977. P. 44-5.
RIO DE JANEIRO: ZAHAR, 2003. P.62.) 1. CITE e ANALISE dois fatores que tornaram possível
o pioneirismo inglês no processo de industrialização.
Há hoje, nas planícies da Índia e da China, homens e 2. EXPLIQUE uma das razões por que a indústria têxtil
mulheres, infestados por pragas e famintos, vivendo se tornou o setor de ponta nos primórdios da indus-
pouco melhor, aparentemente, do que o gado que tra- trialização.
balha com eles de dia e que compartilha seu local de
dormir à noite. Esse padrão asiático, e esses horrores 7. (PUC-RJ) “A Revolução Industrial assinala a mais radi-
não mecanizados, é o destino daqueles que aumentam cal transformação da vida humana já registrada em do-
seus números sem passar por uma revolução industrial. cumentos. Durante um breve período ela coincidiu com
a história de um único país, a Grã-Bretanha. Assim, toda
(ASHTON, T. S. THE INDUSTRIAL REVOLUTION, 1760-1830.
uma economia mundial foi edificada com base na Grã-
LONDON: OXFORD UNIVERSITY PRESS, 1948. P.161.)
-Bretanha, ou antes, em torno desse país. (...) Houve um
Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o momento na história do mundo em que a Grã-Bretanha
tema, responda aos itens a seguir. podia ser descrita como sua única oficina mecânica, seu
único importador e exportador em grande escala, seu
a) Explique o contexto histórico da Revolução Industrial. único transportador, seu único país imperialista e quase
b) Situe o posicionamento dos autores desses textos que seu único investidor estrangeiro; e, por esse moti-
quanto a esse evento histórico. vo, sua única potência naval e o único país que possuía
uma verdadeira política mundial. Grande parte desse
4. (FGV-RJ) Em 1640, dois processos de transformação
monopólio devia-se simplesmente à solidão do pionei-
iniciaram-se quase simultaneamente, na Inglaterra e ro, soberano de tudo quanto se ocupa por causa da au-
em Portugal: a Revolução Inglesa e a Restauração Por- sência de outros ocupantes.”
tuguesa.
(ERIC J. HOBSBAWM. “DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INGLESA AO
a) Compare esses processos dos pontos de vista so- IMPERIALISMO”. RIO DE JANEIRO: FORENSE UNIVERSITÁRIA, 1983, P.9)
cial, político e econômico.
b) Explique como a História da Inglaterra e a de Por- Tendo como referência o texto anterior:
tugal acabaram por se articular no século XVII. a) Explique dois fatores que contribuíram para que a
Inglaterra tenha experimentado a “solidão do pionei-
5. (UFPR) Leia o excerto da “Declaração de Direitos” ro” no processo de Revolução Industrial.
(Bill of Rights), assinada pelo rei Guilherme de Oran-
b) Identifique duas mudanças ocorridas na sociedade
ge, em 1689, após a chamada Revolução Gloriosa na inglesa do século XIX que exemplifiquem a afirmativa
Inglaterra em 1688: do autor de que “a Revolução Industrial assinala a
“Os Lords (...) e os membros da Câmara dos Comuns, mais radical transformação da vida humana já regis-
declaram, desde logo, o seguinte: trada em documentos”.
1. Que é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade
8. (Ufrrj) Sobre o movimento ludista veja as impressões
real para suspender as leis ou seu cumprimento (...). do industrial inglês Wedgwood e responda às questões
5. Que os súditos têm direitos de apresentar petições a seguir.
ao Rei, sendo ilegais as prisões, vexações de qualquer Quando chegávamos a Bolton, encontramos no cami-
espécie que sofram por esta causa. (...). nho várias centenas de homens. Creio que eram apro-
13. Que é indispensável convocar com frequência os ximadamente uns quinhentos; e como perguntássemos

54
a um dentre eles por que se encontravam reunidos em TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES
tão grande número, responderam-nos que iam destruir A segunda coluna da tabela abaixo expressa os percen-
as máquinas e que fariam o mesmo em todo o país. tuais das exportações da Inglaterra frente ao conjunto
MANTOUX, . APUD ARRUDA, J. J. DE A. “HISTÓRIA MODERNA da produção nacional daquele país durante o século da
E CONTEMPORÂNEA”. SÃO PAULO: ÁTICA, 1976. P.126. Revolução Industrial. As colunas seguintes indicam os
a) Aponte dois fatores que possibilitaram a revolução pesos das diferentes áreas consumidoras destas expor-
industrial. tações no comércio externo inglês.
b) De que forma podem ser explicados os movimen-
9. (Ufrj) Variação (%) dos valores das exportações bri-
tos ludistas?
tânicas frente ao total da produção nacional bruta e de
acordo aos seus mercados compradores

% das exportações
% da produção nacional % das exportações britânicas % das exportações
britânicas
Anos britânica voltada destinadas à Europa britânicas
destinadas a outras
para a exportação Continental destinadas às Américas
partes do mundo
1700-1701 8 85 10 5
1750-1760 15 77 16 7
1770-1780 9 49 37 14
1797-1800 16 30 57 13
FONTE: ADAPTADO DE SOLOW, BARBARA & ENGERMAN, STANLEY (EDS.). SLAVERY AND THE RISE OF THE ATLANTIC SYSTEM.
CAMBRIDGE, CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS, 1991, P.186-187.

Considerando que muitos historiadores associam o cres- questiona semelhante ideia.


cimento da produção nacional britânica do século XVIII 10. (UFRJ) Variação (%) dos valores das exportações bri-
ao mercado consumidor externo - particularmente ao tânicas frente ao total da produção nacional bruta e de
das Américas -, explique de que modo a tabela acima acordo aos seus mercados compradores
% das exportações
% da produção nacional % das exportações britânicas % das exportações
britânicas
Anos britânica voltada destinadas à Europa britânicas
destinadas a outras
para a exportação Continental destinadas às Américas
partes do mundo
1700-1701 8 85 10 5
1750-1760 15 77 16 7
1770-1780 9 49 37 14
1797-1800 16 30 57 13
FONTE: ADAPTADO DE SOLOW, BARBARA & ENGERMAN, STANLEY (EDS.). SLAVERY AND THE RISE OF THE ATLANTIC SYSTEM.
CAMBRIDGE, CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS, 1991, P.186-187.

Explique como a conjuntura europeia própria do perí- na Época Moderna. A peculiaridade inglesa e o regime
odo 1797-1800 contribuiu para o declínio das exporta- político que predominavam na Europa continental es-
ções britânicas destinadas à Europa continental. tão indicados, respectivamente, em:
a) Redução da influência do papa − Teocracia.

E.O. ENEM b) Limitação do poder do soberano − Absolutismo.


c) Ampliação da dominação da nobreza − República.
1. (Enem) Que é ilegal a faculdade que se atribui à auto- d) Expansão da força do presidente − Parlamentarismo.
ridade real para suspender as leis ou seu cumprimento. e) Restrição da competência do congresso − Presi-
Que é ilegal toda cobrança de impostos para a Coroa dencialismo.
sem o concurso do Parlamento, sob pretexto de prerro-
2. (Enem) A Inglaterra pedia lucros e recebia lucros, Tudo
gativa, ou em época e modo diferentes dos designados
por ele próprio. se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujei-
ra lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucra-
Que é indispensável convocar com frequência os Par-
tiva, sua desordem lucrativa, sua ignorância lucrativa,
lamentos para satisfazer os agravos, assim como para
seu desespero lucrativo. As novas fábricas e os novos
corrigir, afirmar e conservar as leis.
altos-fornos eram como as Pirâmides, mostrando mais
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS. DISPONÍVEL EM HTTP://DISCIPLINAS. a escravização do homem que seu poder.
STOA.USP.BR. ACESSO EM: 20 DEZ. 2011 (ADAPTADO).
DEANE, P. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. RIO DE
No documento de 1689, identifica-se uma particulari- JANEIRO: ZAHAR, 1979 (ADAPTADO).
dade da Inglaterra diante dos demais Estados europeus

55
Qual relação é estabelecida no texto entre os avanços FRANK & ERNEST/Thaves
tecnológicos ocorridos no contexto da Revolução In-
dustrial Inglesa e as características das cidades indus-
triais no início do século XIX?
a) A facilidade em se estabelecerem relações lucrati-
vas transformava as cidades em espaços privilegiados
para a livre iniciativa, característica da nova socieda- “Jornal do Brasil”, 19 de fevereiro de 1997.
de capitalista. A respeito do texto e do quadrinho são feitas as seguin-
b) O desenvolvimento de métodos de planejamento tes afirmações:
urbano aumentava a eficiência do trabalho industrial.
I. Ambos retratam a intensa divisão do trabalho, à qual
c) A construção de núcleos urbanos integrados por são submetidos os operários.
meios de transporte facilitava o deslocamento dos
II. O texto refere-se à produção informatizada e o qua-
trabalhadores das periferias até as fábricas.
drinho, à produção artesanal.
d) A grandiosidade dos prédios onde se localizavam
III. Ambos contêm a ideia de que o produto da ativida-
as fábricas revelava os avanços da engenharia e da
de industrial não depende do conhecimento de todo o
arquitetura do período, transformando as cidades em
processo por parte do operário.
locais de experimentação estética e artística.
Dentre essas afirmações, apenas:
e) O alto nível de exploração dos trabalhadores in-
dustriais ocasionava o surgimento de aglomerados a) I está correta.
urbanos marcados por péssimas condições de mora- b) II está correta.
dia, saúde e higiene. c) III está correta.
d) I e II estão corretas.
3. (Enem) A prosperidade induzida pela emergência das
e) I e III estão corretas.
máquinas de tear escondia uma acentuada perda de
prestígio. Foi nessa idade de ouro que os artesãos, ou os
tecelões temporários, passaram a ser denominados, de
modo genérico, tecelões de teares manuais. Exceto em E.O. UERJ
alguns ramos especializados, os velhos artesãos foram
colocados lado a lado com novos imigrantes, enquanto EXAME DISCURSIVO
pequenos fazendeiros tecelões abandonaram suas pe- 1. (UERJ) O rei é vencido e preso. O Parlamento tenta
quenas propriedades para se concentrar na atividade negociar com ele, dispondo-se a sacrificar o Exército.
de tecer. Reduzidos à completa dependência dos teares A intransigência de Carlos, a radicalização do Exército,
mecanizados ou dos fornecedores de matéria-prima, os a inépcia do Parlamento somam-se para impedir essa
tecelões ficaram expostos a sucessivas reduções dos saída “moderada”; o rei foge do cativeiro, afinal, e uma
rendimentos. nova guerra civil termina com a sua prisão pela segun-
THOMPSON, E. P. THE MAKING OF THE ENGLISH WORKING CLASS. da vez. O resultado será uma solução, por assim dizer,
HARMONDSWORTH: PENGUIN BOOKS, 1979 (ADAPTADO). moderadamente radical (1649): os presbiterianos são
excluídos do Parlamento, a câmara dos lordes é extin-
Com a mudança tecnológica ocorrida durante a Revolu- ta, o rei decapitado por traição ao seu povo após um
ção Industrial, a forma de trabalhar alterou-se porque julgamento solene sem precedentes, proclamada a re-
a) a invenção do tear propiciou o surgimento de no- pública; mas essas bandeiras radicais são tomadas por
vas relações sociais. generais independentes, Cromwell à testa, que as esva-
b) os tecelões mais hábeis prevaleceram sobre os ziam de seu conteúdo social.
inexperientes. RENATO JANINE RIBEIRO. IN: HILL, CHRISTOPHER. “O MUNDO
c) os novos teares exigiam treinamento especializado DE PONTA-CABEÇA: IDEIAS RADICAIS DURANTE A REVOLUÇÃO INGLESA
para serem operados. DE 1640”. SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1987.

d) os artesãos, no período anterior, combinavam a te-


O texto faz menção a um dos acontecimentos mais im-
celagem com o cultivo de subsistência.
portantes da Europa no século XVII: a Revolução Puritana
e) os trabalhadores não especializados se apropria- (1642-1649). A partir daquele acontecimento, a Inglater-
ram dos lugares dos antigos artesãos nas fábricas. ra viveu uma breve experiência republicana, sob a lide-
4. (Enem) “... Um operário desenrola o arame, o outro o rança de Oliver Cromwell. Dentre suas realizações mais
endireita, um terceiro corta, um quarto o afia nas pon- importantes, destaca-se a decretação do primeiro Ato de
tas para a colocação da cabeça do alfinete; para fazer Navegação. Explique a importância do Ato de Navegação
a cabeça do alfinete requerem-se 3 ou 4 operações di- para a economia inglesa e aponte duas ações políticas da
ferentes, ...” República Puritana.

SMITH, ADAM. A RIQUEZA DAS NAÇÕES. INVESTIGAÇÃO SOBRE A SUA 2. (UERJ) Assim, ninguém pode negar que a “Revolução
NATUREZA E SUAS CAUSAS. VOL. I. SÃO PAULO: NOVA CULTURAS, 1985. Puritana” era uma luta tão religiosa quanto política; mas

56
era mais que isso. Aquilo por que os homens lutavam era 1. (Fuvest) As chamadas “revoluções inglesas”, trans-
toda a natureza e o desenvolvimento futuro da socieda- corridas entre 1640 e 1688, tiveram como resultados
de inglesa. imediatos
(HILL, CHRISTOPHER. “A REVOLUÇÃO INGLESA DE a) a proclamação dos Direitos do Homem e do Cida-
1640”. LISBOA: PRESENÇA, 1981. dão e o fim dos monopólios comerciais.
a) Indique um fator político que contribuiu para o de- b) o surgimento da monarquia absoluta e as guerras
senvolvimento das Revoluções Inglesas do século XVII. contra a França napoleônica.
b) Estabeleça a relação existente entre a Revolução c) o reconhecimento do catolicismo como religião
Puritana e a colonização das possessões inglesas no oficial e o fortalecimento da ingerência papal nas
litoral atlântico da América do Norte. questões locais.
d) o fim do anglicanismo e o início das demarcações
3. (UERJ) das terras comuns.
e) o fortalecimento do Parlamento e o aumento, no
governo, da influência dos grupos ligados às ativida-
des comerciais.

2. (Unesp) Leia.
Todo processo de industrialização é necessariamente
doloroso, porque envolve a erosão de padrões de vida
tradicionais. Contudo, na Grã-Bretanha, ele ocorreu com
uma violência excepcional, e nunca foi acompanhado
por um sentimento de participação nacional num esfor-
ço comum. Sua única ideologia foi a dos patrões. O que
ocorreu, na realidade, foi uma violência contra a natu-
reza humana. De acordo com uma certa perspectiva,
esta violência pode ser considerada como o resultado
da ânsia pelo lucro, numa época em que a cobiça dos
proprietários dos meios de produção estava livre das
antigas restrições e não tinha ainda sido limitada pelos
novos instrumentos de controle social. Não foram nem
a pobreza, nem a doença os responsáveis pelas mais
negras sombras que cobriram os anos da Revolução In-
dustrial, mas sim o próprio trabalho.
Coketown era uma cidade de tijolos vermelhos, ou me- (EDWARD P. THOMPSON. A FORMAÇÃO DA CLASSE
lhor, de tijolos que seriam vermelhos se a fumaça e as OPERÁRIA INGLESA, VOL. 2, 1987. ADAPTADO.)

cinzas permitissem, cidade de máquinas e de altas cha-


O texto afirma que a Revolução Industrial
minés. Apresentava muitas ruas largas, todas iguais, e
muitas ruazinhas ainda mais iguais, cheias de pessoas a) aumentou os lucros dos capitalistas e gerou a con-
também muito iguais, pois todas saíam e entravam nas vicção de que era desnecessário criar mecanismos de
mesmas horas, andando com passo igual na mesma cal- defesa e proteção dos trabalhadores.
çada, para fazer o mesmo trabalho, e para elas cada dia b) provocou forte crescimento da economia britânica
era parecido com o da véspera e com o dia seguinte. e, devido a isso, contou com esforço e apoio plenos
de todos os segmentos da população.
CHARLES DICKENS
IN: ENDERS, ARMELLE E OUTROS. HISTÓRIA EM c) representou mudanças radicais nas condições de
CURSO. RIO DE JANEIRO: FGV, 2008. vida e trabalho dos operários e envolveu-os num duro
processo de produção.
A Revolução Industrial provocou grandes mudanças em d) piorou as condições de vida e de trabalho dos ope-
algumas cidades inglesas a partir de finais do século rários, mas trouxe o benefício de consolidar a ideia de
XVIII. A imagem de Birmingham, de 1886, e o fragmen- que o trabalho enobrece o homem.
to do romance Tempos difíceis, publicado em 1854, e) preservou as formas tradicionais de sociabilidade
apresentam sinais dessas transformações. operária, mas aprofundou a miséria e facilitou o alas-
Apresente uma mudança causada pelo processo de in- tramento de epidemias.
dustrialização nas cidades inglesas e uma de suas con-
sequências para as condições de vida do operariado. 3. (Fuvest) Maldito, maldito criador! Por que eu vivo?
Por que não extingui, naquele instante, a centelha de
vida que você tão desumanamente me concedeu? Não

E.O. OBJETIVAS sei! O desespero ainda não se apoderara de mim. Meus


sentimentos eram de raiva e vingança. Quando a noite

(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...)
Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno

57
devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar características da organização do trabalho no contexto
e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar- da Revolução Industrial:
-me e contemplar satisfeito a destruição. Declarei uma
guerra sem quartel à espécie humana e, acima de tudo, a) a introdução de máquinas, a valorização do artesa-
contra aquele que me havia criado e me lançara a esta nato e o aparecimento da figura do patrão.
insuportável desgraça! b) o aumento do mercado consumidor, a liberdade
no emprego do tempo e a diminuição na exigência
MARY SHELLEY. FRANKENSTEIN. 2ª ED. PORTO ALEGRE: LPM, 1985. de mão de obra.
O trecho acima, extraído de uma obra literária publi- c) a escassez de mão de obra qualificada, o esforço
cada pela primeira vez em 1818, pode ser lido correta- de importação e a disciplinarização do trabalhador.
mente como uma d) o controle rigoroso de qualidade, a introdução do
relógio de ponto e a melhoria do sistema de distribui-
a) apologia à guerra imperialista, incorporando o de-
ção de mercadorias.
senvolvimento tecnológico do período.
e) a especialização do trabalhador, o parcelamento de
b) crítica à condição humana em uma sociedade industriali-
tarefas e a maquinização da produção.
zada e de grandes avanços científicos.
c) defesa do clericalismo em meio à crescente laiciza- 6. (Unesp) O “Ato de Navegação” de 1651 teve impor-
ção do mundo ocidental. tância e consequências consideráveis na história da In-
d) recusa do evolucionismo, bastante em voga no glaterra porque:
período. a) favoreceu a Holanda que obtinha grandes lucros
e) adesão a ideias e formulações humanistas de com o comércio inglês.
igualdade social. b) Oliver Cromwell dissolveu o Parlamento e se tor-
nou ditador.
4. (Unesp) A Revolução Puritana (1640) e a Revolução
Gloriosa (1688) transformaram a Inglaterra do século c) contribuiu para aumentar o poder e favorecer a su-
XVII. Sobre o conjunto de suas realizações, pode-se di- premacia marítima inglesa no mundo.
zer que d) considerava o trabalho como a verdadeira fonte de
riqueza nacional.
a) determinaram o declínio da hegemonia inglesa no
e) abolia todas as práticas protecionistas.
comércio marítimo, pois os conflitos internos provoca-
ram forte redução da produção e exportação de ma- 7. (Fuvest) Identifique, entre as afirmativas a seguir, a
nufaturados. que se refere a consequências da Revolução Industrial:
b) resultaram na vitória política dos projetos populares a) redução do processo de urbanização, aumento da
e radicais dos cavadores e dos niveladores, que defen- população dos campos e sensível êxodo urbano.
diam o fim da monarquia e dos privilégios dos nobres.
b) maior divisão técnica do trabalho, utilização cons-
c) envolveram conflitos religiosos que, juntamente com tante de máquinas e afirmação do capitalismo como
as disputas políticas e sociais, desembocaram na re- modo de produção dominante.
tomada do poder pelos católicos e em perseguições c) declínio do proletariado como classe na nova estru-
contra protestantes. tura social, valorização das corporações e manufaturas.
d) geraram um Estado monárquico em que o poder real d) formação, nos grandes centros de produção, das asso-
devia se submeter aos limites estabelecidos pela legis- ciações de operários denominadas “trade unions”, que
lação e respeitar as decisões tomadas pelo Parlamento. promoveram a conciliação entre patrões e empregados.
e) precederam as revoluções sociais que, nos dois sécu- e) manutenção da estrutura das grandes proprieda-
los seguintes, abalaram França, Portugal e as colônias des, com as terras comunais, e da garantia plena dos
na América, provocando a ascensão política do prole- direitos dos arrendatários agrícolas.
tariado industrial.
8. (Fuvest 2017)
5. (Unesp) Este considerável aumento de produção que,
devido à divisão do trabalho, o mesmo número de pes- Níveis per capita de industrialização, 1750-1913
soas é capaz de realizar, é resultante de três circuns-
(Reino Unido em 1900 = 100)
tâncias diferentes: primeiro, ao aumento da destreza
de cada trabalhador; segundo, à economia de tempo, País 1750 1800 1860 1913
que antes era perdido ao passar de uma operação para Alemanha 8 8 15 85
outra; terceiro, à invenção de um grande número de Bélgica 9 10 28 88
máquinas que facilitam o trabalho e reduzem o tempo
China 8 6 4 3
indispensável para o realizar, permitindo a um só ho-
mem fazer o trabalho de muitos. Espanha 7 7 11 22
EUA 4 9 21 126
(ADAM SMITH. “INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA E AS CAUSAS
DA RIQUEZA DAS NAÇÕES (1776)”. IN: ADAM SMITH/RICARDO. França 9 9 20 59
OS PENSADORES. SÃO PAULO: ABRIL CULTURAL, 1984.) Índia 7 6 3 2
O texto, publicado originalmente em 1776, destaca três Itália 8 8 10 26

58
Japão 7 7 7 20 que não percebiam que as máquinas auxiliavam e fa-
cilitavam seu trabalho.
Reino Unido 10 16 64 115
e) simbolizavam a rebeldia da maioria dos trabalha-
Rússia 6 6 8 20 dores, envolvidos com partidos e agrupamentos polí-
RONALD FINDLAY E KEVIN O’ROURKE. POWER AND PLENTY: ticos de inspiração marxista.
TRADE,WAR, AND THE WORLD ECONOMY IN THE SECOND MILLENNIUM.
PRINCETON: PRINCETON UNIVERSITY PRESS, 2007. ADAPTADO.

Com base na tabela, é correto afirmar: E.O. DISSERTATIVAS


a) A industrialização acelerada da Alemanha e dos
Estados Unidos ocorreu durante a Primeira Revolução
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP)
Industrial, mantendo-se relativamente inalterada du- 1. (Unicamp) Um motivo para a melhoria da dieta ao
rante a Segunda Revolução Industrial. longo do século XIX era que chegavam cada vez mais
b) Os países do Sul e do Leste da Europa apresenta- alimentos do que chamamos de “periferia” da Europa,
ram níveis de industrialização equivalentes aos dos denominação vaga que engloba a Rússia e a Europa
países do Norte da Europa e dos Estados Unidos du- do Leste, como também das zonas de abastecimento
rante a Segunda Revolução Industrial. do Novo e do Velho Mundo. Grande parte da Europa
c) A Primeira Revolução Industrial teve por epicentro acabou por beneficiar-se dessas importações, mas os
o Reino Unido, acompanhado em menor grau pela países mais necessitados desses produtos eram aque-
Bélgica, ambos mantendo níveis elevados durante a les onde a industrialização e o desenvolvimento urbano
Segunda Revolução Industrial. ocorreram com maior ímpeto, ou seja, Grã-Bretanha, os
d) Os níveis de industrialização verificados na Ásia em Países Baixos e a Alemanha. Do Novo Mundo chegavam
meados do século XVIII acompanharam o movimento o açúcar, o café e o cacau, e da China, do Ceilão e da
geral de industrialização do Atlântico Norte ocorrido Índia chegavam o chá e o arroz.
na segunda metade do século XIX.
(ADAPTADO DE NORMAN J. G. POUNDS, LA VIDA COTIDIANA: HISTORIA DE LA
e) O Japão se destacou como o país asiático de mais CULTURA MATERIAL. BARCELONA: EDITORIAL CRÍTICA, 1992, P. 507-509.)
rápida industrialização no curso da Primeira Revolu-
a) Explique a relação entre o processo de industriali-
ção Industrial, perdendo força, no entanto, durante a
zação e importação de alimentos na Europa.
Segunda Revolução Industrial.
b) Por que a dieta europeia melhorou ao longo do
9. (Unesp 2017) Nem todos os homens se renderam século XIX?
diante das forças irresistíveis do novo mundo fabril, e
2. (Unesp) Sob qualquer aspecto, este [a Revolução In-
a experiência do movimento dos quebradores de má-
dustrial] foi provavelmente o mais importante aconte-
quina demonstra uma inequívoca capacidade dos tra-
cimento na história do mundo, pelo menos desde a in-
balhadores para desencadear uma luta aberta contra
venção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela
o sistema de fábrica. De um lado, esse movimento de
Grã-Bretanha. É evidente que isto não foi acidental.
resistência visava investir contra as novas relações hie-
rárquicas e autoritárias introduzidas no interior do pro- (ERIC HOBSBAWM. A ERA DAS REVOLUÇÕES: 1789-1848, 1986.)
cesso de trabalho fabril, e nessa medida a destruição
das máquinas funcionava como mecanismo de pressão Aponte dois fatores que justifiquem a importância dada
contra a nova direção organizativa das empresas; de pelo texto à Revolução Industrial e indique dois moti-
outro lado, inúmeras atividades de destruição carrega- vos do pioneirismo britânico.
ram implicitamente uma profunda hostilidade contra as
novas máquinas e contra o marco organizador da pro- 3. (Unesp) Noite após noite, quando tudo está
dução que essa tecnologia impunha. tranquilo
EDGAR DE DECCA. O NASCIMENTO DAS FÁBRICAS, 1982. ADAPTADO. E a lua se esconde por trás da colina,
Marchamos, marchamos para realizar nosso desejo.
De acordo com o texto, os movimentos dos quebrado-
Com machado, lança e fuzil!
res de máquinas, na Inglaterra do final do século XVIII
e início do XIX, Oh! meus valentes cortadores!
a) expunham a rápida e eficaz ação dos sindicatos, Os que com golpes fortes
capazes de coordenar ações destrutivas em fábricas As máquinas de cortar destroem.
de diversas partes do país. Oh! meus valentes cortadores! (...).
b) representavam uma reação diante da ordem e da dis-
ciplinarização do trabalho, facilitadas pelo emprego de (CANÇÃO POPULAR INGLESA DO INÍCIO DO SÉCULO XIX. CITADA POR: LUZIA
MARGARETH RAGO E EDUARDO F. P. MOREIRA. O QUE É TAYLORISMO, 1986.)
máquinas na produção fabril.
c) indicavam o aprimoramento das condições de tra- A canção menciona os “quebradores de máquinas”, que
balho nas fábricas, que contavam com aparato de se- agiram em muitas cidades inglesas nas primeiras déca-
gurança interna contra atos de vandalismo. das da industrialização. Alguns historiadores os consi-
d) revelavam a ingenuidade de alguns trabalhadores, deram “rebeldes ingênuos”, enquanto outros os veem

59
como “revolucionários conscientes”. Justifique as duas 6. C 7. B 8. C 9. B 10. E
interpretações acerca do movimento.

4. (Unicamp) Na Inglaterra, por volta de 1640, a mo- E.O. Fixação


narquia dos Stuart era incapaz de continuar governan-
1. D 2. A 3. A 4. D 5. C
do de maneira tradicional. Entre as forças sociais que
não podiam mais ser contidas no velho quadro políti- 6. C 7. B 8. B 9. D 10. D
co, estavam aqueles que queriam obter dinheiro, como
também aqueles que queriam adorar a Deus seguindo
apenas suas próprias consciências, o que os levou a E.O. Complementar
desafiar as instituições de uma sociedade hierarquica- 1. E 2. D 3. B 4. C 5. B
mente estratificada.
(ADAPTADO DE CHRISTOPHER HILL, “UMA REVOLUÇÃO BURGUESA?”. REVISTA
BRASILEIRA DE HISTÓRIA, SÃO PAULO, VOL. 4, Nº 7, 1984, P. 10.)
E.O. Dissertativo
a) Conforme o texto, que valores se contrapunham à for- 1.
ma de governo tradicional na Inglaterra do século XVII?
a) Sobre a revolução industrial, o candidato deve arti-
b) Quais foram as consequências da Revolução Ingle-
cular uma resposta que aponte suas características: o
sa para o quadro político do país?
surgimento da manufatura, a urbanização, o surgimen-
5. (Unicamp) Na Europa, até o século XVIII, o passado to do proletariado, o surgimento da indústria de bens
era o modelo para o presente e para o futuro. O ve- de consumo, a expulsão do homem do campo, o cerca-
lho representava a sabedoria, não apenas em termos mento das terras, a exploração do trabalho assalariado.
de uma longa experiência, mas também da memória b) Espera-se que o candidato articule uma reflexão
de como eram as coisas, como eram feitas e, portanto, demonstrando como o desenvolvimento tecnológico
de como deveriam ser feitas. Atualmente, a experiência pode contribuir para o desenvolvimento humano e
acumulada não é mais considerada tão relevante. Des- até mesmo para a preservação ambiental. Essas tec-
de o início da Revolução Industrial, a novidade trazida nologias não estão, contudo, disponíveis para todos,
por cada geração é muito mais marcante do que sua o que reforça a desigualdade existente. Em suma, o
semelhança com o que havia antes. candidato deverá argumentar sobre os aspectos con-
traditórios das relações entre desenvolvimento tecno-
(ADAPTADO DE ERIC HOBSBAWM, O QUE A HISTÓRIA TEM A DIZER- lógico e bem-estar social.
NOS SOBRE A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA?, EM: SOBRE HISTÓRIA.
SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1998, P. 37-38.) 2.
a) Segundo o texto, como a Revolução Industrial
a) Durante o século XVII a burguesia inglesa assumiu o
transformou nossa atitude em relação ao passado?
controle político do país, através da Revolução Puritana,
b) De que maneiras a Revolução Industrial dos sécu-
consolidada décadas depois pela Revolução Gloriosa,
los XVIII e XIX alterou o sistema de produção?
dando ao governo um caráter empreendedor. Após a Re-
6. (Unifesp) A paz não passa de um engodo, de uma qui- volução Puritana, durante o governo de Oliver Cromwell,
mera, de um sonho fugaz; a indústria tornou-se o suplí- o país adotou o “Ato de Navegação”, que permitiu a
cio dos povos, depois que uma ilha de piratas [refere-se ampliação do comércio das empresas inglesas e se cho-
à Inglaterra] bloqueia as comunicações (...) e transfor- cou com a principal potência naval da época, a Holanda,
ma suas fábricas e oficinas em viveiros de mendigos. que perdeu rotas e áreas de comércio.
b) Ela marca a ascensão política da burguesia apoiada
(CHARLES FOURIER. THÉORIE DES QUATRE MOUVEMENTS (1808), IN OEUVRES em novos ideais que deram origem ao iluminismo, que
COMPLÈTES. PARIS: ANTHROPOS, VOL. I, 1978, CITADO POR ELIAS THOMÉ
SALIBA. AS UTOPIAS ROMÂNTICAS. SÃO PAULO: ESTAÇÃO LIBERDADE, 2003.) se propagará na Europa e América a partir de então.

O fragmento, escrito em 1808, mostra a visão de Char- 3.


les Fourier acerca do nascimento das fábricas. Explique a) A Revolução Industrial ocorreu em um momento
a) Por que o autor chama as fábricas de “viveiros de de crescimento da Inglaterra, como o texto atesta. E
mendigos”. promoveu uma série de modificações na sociedade
de então: aceleração da produção industrial, subs-
b) O que leva o autor a afirmar que a Inglaterra “blo-
tituição da manufatura pela maquinofatura, êxodo
queia as comunicações”.
rural promovido pelos cercamentos, divisão social en-
tre empresários e operários e acúmulo de capital são

GABARITO alguns exemplos.


b) O primeiro texto exalta os avanços produzidos pela
Revolução e o segundo texto destaca as dificuldades en-
E.O. Aprendizagem frentadas por países que não passaram pela Revolução.
1. E 2. A 3. D 4. E 5. E 4.

60
a) No século XVII ocorreu na Inglaterra um inten- uma massa de mão de obra disponível, barata e farta
so conflito entre o Parlamento que representava as resultante dos cercamentos dos campos, para ser utili-
ideias liberais burguesas e capitalistas contra os reis zada nas primeiras fábricas; a existência de mercados
que lutavam para manter o absolutismo e seus pri- produtores de matérias-primas e de mercados con-
vilégios. Este processo culminou com a Revolução sumidores para os produtos industrializados ingleses,
Gloriosa de 1689 que consistiu em uma revolução decorrência de seu grande poderio naval e comercial,
burguesa que destruiu o absolutismo implantando a que permitiu à Inglaterra formar um dos maiores impé-
monarquia parlamentarista. Foi a vitória das ideias li- rios coloniais da época moderna; a abundância, em seu
berais de Locke. Em 1640, ocorreu a Restauração Mo- território, de jazidas de ferro e carvão, matérias-primas
nárquica Portuguesa, que através da ajuda inglesa, fundamentais para a construção das máquinas e para
livrou-se do domínio espanhol. a produção de energia; os interesses da burguesia es-
b) De 1580 até 1640 a nação portuguesa esteve atre- tavam representados na política do Estado inglês des-
de a Revolução Gloriosa.
lada a Espanha no contexto da União Ibérica. A partir
de 1640, com a Restauração Monárquica, Portugal b) O aluno poderá identificar duas dentre as seguin-
ficou muito atrelado e submisso a Inglaterra. Como tes mudanças: a crescente urbanização; o aumento
exemplo podem ser citados o Tratado de Methuem de demográfico, devido, em parte, às modificações nas
1703 que acabou transferindo boa parte do ouro do técnicas agrícolas; o início do movimento de resistên-
cia dos trabalhadores, como o Ludismo e o Cartismo,
Brasil para os cofres da Inglaterra bem como a vinda
em função das péssimas condições de trabalho e de
da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808 escoltado
vida naquela época; o desenvolvimento da produção
pela marinha britânica.
em massa e a maior divisão do trabalho; a formula-
5. O século XVII na Inglaterra foi caracterizado por um intenso ção de políticas econômicas liberais e industriais; o
conflito entre o “velho” (estruturas feudais e poder absoluto para início da organização do movimento operário com o
o rei) e o “novo” (forças capitalistas ligadas a burguesia e ao surgimento das tradeunions; o surgimento de novas
Parlamento que defendia maior liberdade política e econômica). teorias sociais, como o Socialismo e o Anarquismo.
Todo este século de conflito culminou na famosa Revolução Glo-
riosa de 1689, apoiada nas ideias liberais do filósofo John Locke, 8.
mentor teórico desta revolução. Foi a vitória do “novo” sobre o a) Entre os fatores que possibilitaram a Revolução In-
dustrial na Inglaterra no século XVIII, pode-se desta-
“velho”, Jaime II foi deposto, acabou a monarquia absolutista e
car a disponibilidade de capitais acumulados durante
foi implantada a monarquia parlamentarista constitucional. Foi a
a fase mercantilista do capitalismo e os cercamentos
vitória das ideias liberais de Locke, do Parlamentarismo e da clas-
(enclusers) responsáveis pela redução da oferta de
se burguesa que desejava maior liberdade política e econômica
trabalho no campo e o consequente êxodo rural, ge-
para implementar seus negócios. Foi um grande passo para a Re-
rando nas áreas urbanas, um contingente de mão de
volução Industrial. A Revolução Gloriosa teve a mesma natureza
obra barata para a nascente indústria.
histórica da Revolução Francesa, isto é, uma revolução burguesa
b) O movimento ludista caracterizou-se pela reação,
que destruiu o “Antigo Regime”, Absolutismo e o Mercantilismo.
sobretudo de artesãos falidos por não conseguirem
6. concorrer com as fábricas, mas também devido às
precárias condições de vida, através da destruição das
1. Pode-se mencionar como fatores que tornaram máquinas por considerá-las responsáveis pela situação
possível o pioneirismo inglês no processo de indus- em que se encontravam. Tal atitude evidencia uma ma-
trialização: nifestação de revolta, mas também a falta da consci-
• a disponibilidade de capitais acumulados duran- ência política dos operários em relação à sua situação.
te a fase mercantilista do capitalismo graças às
exportações de manutaturas e à hegemonia da 9.
a. A tabela evidencia que apesar do crescimento das ex-
marinha britânica no comércio internacional;
portações, sobretudo para a América a partir de 1770, o
• os cercamentos (enclousers) - utilização das mercado interno inglês absorvia a maior parte da produção
terras cultiváveis em bases capitalistas - que industrial britânica, elemento decisivo para o crescimento do
promoveram o êxodo rural e, por conseguinte, processo de industrialização na Inglaterra no século XVIII.
a disponibilidade de mão de obra abundante e
barata nas áreas próximas às fábricas. b.A conjuntura europeia no final do século XVIII e no início
2. Os tecidos eram as principais manufaturas expor- do XIX, era de conflitos decorrentes dos efeitos da Revolução
tadas pelos ingleses durante a fase do capitalismo Francesa, como os que envolviam a França e o império austría-
mercantilista e graças à disponibilidade de mercados, co e em particular as guerras napoleônicas, responsáveis pelas
no contexto da Revolução Industrial, o setor têxtil foi dificuldades para as exportações britânicas na Europa Ociden-
tal. Ao mesmo tempo, a dependência de Portugal e Espanha
o primeiro a passar pelo processo de mecanização.
em relação ao capital inglês, permitia aos britânicos a expor-
7. tação de seus produtos para as colônias ibéricas na América.
a) O aluno deverá explicar dois dentre os fatores a se-
guir: a acumulação de capital entre os séculos XVI e E.O. Enem
XVIII por parte da burguesia e da gentry nas atividades
1. B 2. E 3. D 4. E
agrícolas, comerciais e manufatureiras; a existência de

61
a) O processo de industrialização dos países europeus
E.O. UERJ contou com um fator comum: o êxodo dos trabalha-
Exame Discursivo dores do campo para as cidades. Nesse sentido, a
mão de obra que anteriormente lavrava os campos e
1. A decretação do primeiro Ato de Navegação (1651) deter- produzia os alimentos que abasteciam os países pas-
minou que o transporte de produtos importados pela Inglaterra sou a trabalhar nas recém criadas fábricas, criando a
deveria ser feito apenas em navios ingleses ou pertencentes aos necessidade de importação de alimentos.
países de origem dos respectivos produtos, ampliando o proces-
b) Como o próprio texto deixa claro, a dieta melho-
so de acumulação de capitais.
rou porque a Europa passou a importar alimentos de
Duas das ações: dissolução do Parlamento; conquista da Jamaica “novos” lugares, ampliando a quantidade e a varie-
à Espanha; supressão da Câmara dos Lordes; vitórias militares dade de produtos. Nesse contexto, o neocolonialismo
contra a Holanda e a Espanha; submissão da Irlanda e da Escó- promovido na África e na Ásia contribuiu para essa
cia, outra vez, à Inglaterra; confisco e leilão das terras pertencen- melhora, porque os países europeus passaram a im-
tes à Igreja Anglicana e aos nobres que apoiaram o rei; autopro- portar novos alimentos de localidades como a Índia
clamação de Cromwell como Lorde; Protetor das Repúblicas da e a China.
Inglaterra, Escócia e Irlanda 2. A Revolução Industrial gerou uma série de transformações no
mundo, tais como: a consolidação do capitalismo, o surgimento
2.
de proletariado, a separação entre capital (burguesia) e trabalho
a) O conflito entre o parlamento e o Rei, decorrente das (operário), intensificou o êxodo rural, entre outros. O pioneirismo
tentativas de imposição do Absolutismo Monárquico. da Inglaterra na Revolução Industrial se deve a um conjunto de
b) A Revolução Puritana acentuou a intolerância reli- fatores, entre eles: marinha forte, recursos naturais como ferro e
giosa, que pressionou grupos de variadas tendências carvão, acúmulo de capital, estabilidade política, ética protestan-
religiosas, a buscar um novo local - a América - para te, entre outros.
iniciar uma nova sociedade, acelerando o processo de 3. O movimento dos quebradores de máquinas entre os séculos
colonização da América inglesa. XVIII e XIX, na Inglaterra, também conhecido por “Ludismo”,
3. Uma das mudanças: reuniu operários nos principais centros urbanos, que invadiam
as fábricas e destruíam as máquinas. Para alguns, em especial os
• expansão, diversificação e maior complexidade da paisa- autores marxistas, eram rebeldes ingênuos, pois representaram
gem urbana; um movimento espontâneo, sem ideologia, objetivos concretos
• separação entre bairros operários, mais próximos das zonas ou forma mais acabada de organização, portanto, fadados à
de localização das indústrias, e bairros nobres, áreas de la- derrota. Para outros, eram revolucionários conscientes, encaixan-
zer e logradouros destinados à administração; do-se nessa visão, historiadores mais tradicionais que entendem
que os operários tinham consciência do papel nefasto das má-
• alteração do espaço natural decorrente da concentração in- quinas e das fábricas em suas vidas, responsáveis pelo aumento
dustrial em áreas urbanas, causadora de efeitos poluentes do desemprego e pela precarização do trabalho; ou ainda os
e de degradação ambiental, associados tanto à aplicação historiadores anarquistas, que consideram que o movimento or-
dos progressos tecnológicos na mecanização da produção ganizado de massas tem potencial revolucionário e, de alguma
quanto aos processos de expansão e de concentração de- forma, pretende se opor ao “status quo”.
mográfica;
4.
• crescimento populacional decorrente da ampliação da de-
manda por mão de obra e alimentado por feixes migrató- a) Pode-se dizer que um grande valor se contrapunha
rios originários das áreas rurais. a monarquia Stuart, a Liberdade. Segundo o texto, a
ascensão da burguesia no plano econômico se fazia
Uma das consequências: sentir também na vida política e essa classe preten-
• crescente divisão do trabalho; deu ocupar lugar de comando na vida do país. Dentro
do mesmo contexto se desenvolveu a oposição à re-
• padronização dos ritmos de vida. ligião do Estado, o anglicanismo, e esta foi dirigida,
principalmente, pelos puritanos, grande parte deles
burgueses, com o argumento de que a religião deve-
E.O. Objetivas ria se desvincular do Estado.
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) b) A Revolução Inglesa – puritana e gloriosa – foi
responsável pela eliminação do absolutismo na Ingla-
1. E 2. C 3. B 4. D 5. E
terra e pela adoção de um modelo baseado no Par-
6. C 7. B 8. C 9. B lamento. A monarquia parlamentarista inglesa foi o
primeiro modelo político liberal na história moderna e
esteve baseada nos princípios iniciais do iluminismo
E.O. Dissertativas a partir das teorias de John Locke.
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp) 5.
1. a) De acordo com o texto sim, pois antes da Revolução
Industrial, “o passado era o modelo para o presente

62
e o futuro”, pois o velho representava a sabedoria,
experiência e a memória. Depois da Revolução Indus-
trial, as novidades surgidas a cada geração ganharam
mais importância em relação a sua semelhança com
o que havia antes.
b) A Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX pro-
moveu a substituição da produção artesanal como
sistema de produção predominante pelo sistema fa-
bril. Promoveu também a mecanização da produção
e a perda o controle por parte do trabalhador sobre o
processo de trabalho, isto é, a alienação.

6.
a) Nas fábricas dos primeiros tempos da Revolução
Industrial, os operários trabalhavam em precárias
condições, devido às longas jornadas de trabalho em
ambiente em insalubre, sujeitos a acidentes e a casti-
gos físicos e em troca de salários insignificantes.
b) A afirmação de Charles Fourier de que a Inglaterra
“bloqueia as comunicações”, remete, no contexto em
que se deu, à hegemonia inglesa no comércio inter-
nacional, condição que a Inglaterra ostentava desde
o século XVII e que foi consolidada com a Revolução
Industrial no século XVIII.

63
AULAS ILUMINISMO
25 E 26
COMPETÊNCIAS: 1, 2, 3, 4, 5 e 6 HABILIDADES: 13, 15, 16 e 28

E.O. APRENDIZAGEM o alto clero, ameaçados pela dissolução da sociedade de


ordens promovida pelos soberanos esclarecidos.
1. (UPE) A Filosofia das Luzes teria destruído as bases Assinale:
sobre as quais a monarquia se mantivera durante sécu- a) se somente a afirmativa I estiver correta.
los. Revolução, Iluminismo e Republicanismo formariam b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
assim uma tríade inseparável para a compreensão dos c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
acontecimentos que abalaram a França no final do sé-
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
culo XVIII.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
(BIGNOTTO, NEWTON. AS AVENTURAS DA VIRTUDE: AS IDEIAS
REPUBLICANAS NA FRANÇA DO SÉCULO XVIII. SÃO PAULO: 3. (PUC-RS) No século XVIII, os soberanos absolutistas
COMPANHIA DAS LETRAS, 2010. PP. 16-17. ADAPTADO) Frederico II, da Prússia, José II, da Áustria, Catarina, da
Rússia, José I, de Portugal, e Carlos III, da Espanha, pro-
Sobre a temática e o período indicado no texto, assinale moveram em seus países, relativamente atrasados no
a alternativa CORRETA. cenário europeu, políticas administrativas baseadas em
a) O ideário republicano iluminista teve um papel princípios:
muito importante na formatação ideológica da Revo- a) liberais.
lução Americana de 1776. b) tomistas.
b) Na América Hispânica, esse ideário não influenciou c) iluministas.
o processo de independência das antigas colônias
d) corporativistas.
espanholas.
e) contrarreformistas.
c) Jean-Jacques Rousseau foi um dos grandes críticos
do Republicanismo. 4. (Espcex) O século XVIII registrou profundas transfor-
d) As ideias republicanas francesas foram a base polí- mações na maneira de governar de diversos dirigentes:
tica do processo de independência do Brasil em 1822. • Frederico II, da Prússia, “aboliu as torturas aplica-
e) Apesar da força do pensamento republicano no das aos presos em seu país [...] incentivou as letras,
processo revolucionário, a monarquia persistiu na as artes e as ciências [...] e dirigiu pessoalmente a
França, após a Revolução de 1848. reforma de Berlim, capital da Prússia na época”.
2. (PUC-RJ) Em meados do século XVIII, diversas monar- (BOULOS JR, 2011)
quias europeias se modernizaram com base nos ideais
iluministas para um programa de reformas que assegu- • O Marquês de Pombal, “principal ministro do rei
rasse uma administração mais racional e eficiente do D. José I [...] valendo-se de seu enorme poder, de-
Estado. Embora afirmassem agir em nome da “maior cretou a emancipação dos indígenas na América
felicidade dos povos”, estes permaneciam excluídos da portuguesa, a abolição da escravidão africana e a
tomada de decisões políticas. fundação da Imprensa Régia, em Portugal”
Considerando as relações entre a cultura iluminista e as (BOULOS JR, 2011).
reformas promovidas pelos “soberanos esclarecidos”,
analise as afirmativas a seguir. • José II, da Áustria, adotou a tolerância religiosa,
I. Os soberanos reformadores concentraram seus esfor- mas manteve intocados o militarismo e a servidão.
ços no desmantelamento de privilégios fiscais e no redi- (BOULOS JR, 2011)
mensionamento dos poderes eclesiásticos, como no caso
de Frederico II na Prússia e de D. José I e de seu ministro • Catarina II, da Rússia, “mandou construir escolas,
Pombal em Portugal. fundou hospitais, dirigiu a reforma da capital (São
II. Os filósofos iluministas forneceram o tema da razão, Petersburgo) e combateu a corrupção nos meios
da boa administração e da pública felicidade aos proje- civis e religiosos”.
tos absolutistas dos monarcas e o da liberdade à oposi-
(BOULOS JR, 2011)
ção antiabsolutista.
III. Os opositores do reformismo monárquico eram juris- Sobre os dirigentes acima mencionados e seus gover-
tas e magistrados tradicionalistas, a nobreza fundiária e nos, pode-se afirmar que:

64
a) todos foram provavelmente inspirados por ideias A grande Revolução Francesa, como outras revoluções
iluministas, e o tipo de governo adotado por eles foi burguesas do século XVIII, refletiu as ideias dos filóso-
chamado pelos historiadores do Século XIX de despo- fos iluministas. Dentre as características a seguir rela-
tismo esclarecido. cionadas, assinale a alternativa que apresenta a base
b) somente Frederico II e Catarina II foram inspirados do Iluminismo.
por ideias iluministas, e o tipo de governo adotado a) A defesa da doutrina de que a soberania do Estado
por eles foi chamado de socialismo. absolutista garantiria os direitos individuais e elimi-
c) todos foram provavelmente inspirados pelo filósofo naria os resquícios feudais ainda existentes.
Jean-Jacques Rousseau, e o tipo de governo adotado b) A proposição da criação de monopólios estatais e a
por eles foi chamado de democracia. manutenção da balança de comércio favorável, para
d) Frederico II e o Marquês de Pombal militarizaram assegurar o direito de propriedade.
seus países e adotaram governos comunistas. c) A crítica ao mercantilismo, à limitação ao direito à
e) fundamentaram-se em correntes filosóficas dife- propriedade privada, ao absolutismo e à desigualda-
rentes, mas todos adotaram governos liberais. de de direitos e deveres entre os indivíduos.
d) A crença na prática do entesouramento como meio
5. (UEPB) O século XVIII europeu foi marcado pela crise adequado para eliminar as desigualdades sociais e
do Antigo Regime” e pelo advento do Iluminismo - um garantir as liberdades individuais.
movimento intelectual e político favorável ao uso da e) A defesa da igualdade de direitos e liberdades in-
razão como forma de se alcançar a liberdade, a felicida- dividuais, proporcionada pela influência da Igreja Ca-
de e o bem-estar social. tólica sobre a sociedade, por intermédio da educação.
Analise as assertivas abaixo:
7. (UPE) A passagem do século XVIII para o XIX foi mar-
I. Enquanto movimento intelectual, o Iluminismo preten- cada por um desequilíbrio nas relações entre a Europa
dia divulgar o conhecimento até então produzido pela e o Novo Mundo. As lutas políticas na América estavam
humanidade. Foi por isso que se produziu, entre 1751 ligadas à resistência contra a colonização europeia e às
e 1780, uma Enciclopédia (composta de 35 volumes). A influências das ideias liberais. Sobre essa crise do An-
ideia dos enciclopedistas era travar uma batalha perma- tigo Regime e suas implicações na América, assinale a
nente contra a ignorância e a favor da educação popular. alternativa CORRETA.
lI. A base ideológica do Antigo Regime, assim chamado a) A Guerra de Independência dos Estados Unidos acir-
por se inspirar na elaboração aristotélica, era a crítica ao rou as tensões políticas pré-existentes entre a França e
poder absolutista e a defesa da soberania popular. Filo- a Inglaterra, servindo de palco para um confronto indi-
soficamente, se filiava à elaboração de enciclopedistas reto entre essas duas nações.
como Voltaire, d’Alembert, Montesquieu e Rousseau. b) As tensões políticas entre a Espanha e suas colônias
III. As sociedades europeias do Antigo Regime eram esta- na América acabaram por reestruturar o império espanhol
mentais e o poder político e econômico estava nas mãos que, mediante as reformas bourbonianas, conseguiu man-
da nobreza e da Igreja. Mas a educação ficava a cargo ter seu poderio na América, até o final do século XIX.
dos enciclopedistas, que fundaram universidades para le- c) As relações entre Portugal e a América Portuguesa só
cionar aos filhos da elite um tipo de conhecimento laico, se agravaram após a transmigração da família real para
científico e comprometido com a reestruturação social. o Brasil em 1808, fugindo da invasão napoleônica.
IV. Enquanto movimento político, o Iluminismo criticava d) A Guerra do Paraguai, envolvendo Brasil, Portugal, Pa-
as sociedades estamentais baseadas no Antigo Regime. raguai, Espanha e Inglaterra, é fruto direto desse contexto.
Os “homens da ilustração” questionavam a influência e) As Conjurações Baiana e Mineira, ocorridas no início
política e cultural da Igreja, os privilégios da nobreza, do século XIX, são reflexos desse quadro de desequi-
a servidão no campo e a censura às chamadas ideias líbrio político entre Portugal e sua colônia na América.
perigosas”.
Assinale a alternativa correta: 8. (FGV) (...) Nós temos essas verdades como eviden-
tes por si mesmas: que todos os homens nascem iguais;
a) I, II e III corretas, enquanto IV incorreta. que o seu Criador os dotou de certos direitos inaliená-
b) IV correta, enquanto I, II e III incorretas. veis, entre os quais a Vida, a Liberdade e a procura da
c) II e III corretas, enquanto I e IV incorretas. Felicidade; que para garantir esses direitos, os homens
d) II correta, enquanto I, II e IV incorretas. instituem entre eles Governos, cujo justo poder emana
e) I e IV corretas, enquanto II e III incorretas. do consentimento dos governados; que, se um governo,
seja qual for a sua forma, chega a não reconhecer esses
6. (UPF) “A revolução francesa consigna-se desta ma- fins, o povo tem o direito de modificá-lo ou de aboli-lo
neira um lugar excepcional da história do mundo con- e de instituir um novo governo, que fundará sobre tais
temporâneo. Revolução burguesa clássica, ela constitui, princípios e de que ele organizará os poderes segundo
para a abolição do regime senhorial e da feudalidade, as formas que lhe parecem mais próprias para garantir
o ponto de partida da sociedade capitalista e da demo- a sua Segurança e a sua Felicidade.
cracia liberal na história da França”.
(DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA
SOBOUL, ALBERT. A REVOLUÇÃO FRANCESA. AMÉRICA DO NORTE, 04 DE JULHO DE 1776 APUD GUSTAVO
SÃO PAULO: DIFEL, 1985, P. 122. DE FREITAS, 900 TEXTOS DE HISTÓRIA. P. 60)

65
Segundo o documento, é correto afirmar que : e) As doutrinas sociais emergentes do contexto da
a) a separação das 13 colônias inglesas da metrópole sociedade industrial pregavam a ampliação da parti-
foi ilegítima, uma vez que os sagrados laços coloniais cipação política à classe operária, além de melhores
não foram rompidos, isto é, o Antigo Sistema Colonial condições de vida para a mesma.
assimilou os princípios iluministas. 10. (UEPB) Analise as proposições a seguir:
b) o rompimento dos laços políticos e econômicos
I. O fundamento do governo pombalino foi o controle
com a metrópole baseou-se nos princípios iluministas
do Estado sobre a economia, por meio da instituição de
e deu às ex-colônias o direito de serem Estados livres,
regulamentos, taxas, subsídios e monopólios — práti-
com o consentimento dos governados.
cas mercantilistas que fortaleciam os grandes comer-
c) a quebra das relações entre as 13 colônias e a me- ciantes locais e combatia os contrabandistas.
trópole tem a sua legitimidade baseada nos princí-
pios do Antigo Sistema Colonial, isto é, na Igualdade, II. Pombal pretendeu transformar a cidade no símbo-
na Liberdade e na Felicidade. lo de uma nova fase da história do país, caracterizada
pela ampliação da capacidade administrativa do Estado
d) os princípios iluministas fundados na Vida, Liberda-
português e, por conseguinte, pela independência eco-
de e procura da Felicidade sustentam os novos Esta-
nômica nacional.
dos livres e independentes com o consentimento da
elite da metrópole. III. A principal justificativa da expulsão da Companhia
e) os direitos inalienáveis como a Vida, a Liberdade e de Jesus de todos os territórios portugueses pelo go-
a procura da Felicidade referem-se tanto ao povo das verno pombalino foi a total incompatibilidade entre o
colônias como ao povo da metrópole, preservando controle das práticas pedagógicas adotadas pelos jesu-
assim os sagrados vínculos coloniais. ítas e o projeto educacional iluminista pombalino.
Está(ão) correta(s) a(s) proposição(ões):
9. (PUC-RJ) Os parágrafos que se seguem foram extra-
a) Apenas I e II.
ídos do documento “Declaração de Independência dos
Estados Unidos”, assinado pela unanimidade dos re- b) I, II e III.
presentantes políticos das Treze Colônias, no Segundo c) Apenas I e III.
Congresso Continental no ano de 1776. d) Apenas II e III.
“Quando no decurso da História do Homem se torna e) Apenas II.
necessário um povo quebrar os elos políticos que o li-
gavam a outro e assumir, de entre os poderes terrenos,
um estatuto de diferenciação e igualdade ao qual as E.O. FIXAÇÃO
Leis da Natureza e do Deus da Natureza lhe conferem o
direito, o respeito que é devido perante as opiniões da 1. (UPF) O movimento iluminista teve maior desenvolvi-
Humanidade exige que esse povo declare as razões que mento na França. Entre os intelectuais que se destaca-
o impelem à separação. (...) ram naquele contexto estão Voltaire, Rousseau e o nobre
Charles de Montesquieu, cuja obra de maior repercussão
(...) o Povo tem direito a (...) instituir um novo gover- foi Do espírito das leis, publicação na qual defendia um
no, assentando os seus fundamentos nesses princípios fracionamento dos poderes, como se lê na seguinte pas-
e organizando os seus poderes do modo que lhe pareça sagem: “Não há liberdade se o poder Judiciário não está
mais adequado à promoção de sua Segurança (...).” separado do Legislativo e do Executivo... Se o Judiciário
HTTP://WWW.INFOPEDIA.PT/$DECLARACAO-DE-INDEPENDENCIA-DOS-ESTADOS se unisse com o Executivo, o juiz poderia ter a força de
um opressor” (Charles de Montesquieu, Do espírito das
Assinale a alternativa que corresponde CORRETAMEN- leis, 1748). Sobre o pensamento e o constante nas obras
TE ao conjunto de ideias e ideais relacionados à época de Montesquieu é correto afirmar que:
histórica tratada pelo documento.
a) os poderes Legislativo, Executivo e Federativo, inde-
a) O liberalismo enquanto doutrina defendia a menor pendentes um do outro, são a melhor garantia contra a
intervenção possível do Estado na condução política opressão dos governantes.
da sociedade. b) cada governo deve ser eleito por sufrágio univer-
b) O racionalismo científico renascentista atribuía ao sal, válido para todos os que tiverem renda econômica
homem o poder de conhecimento e intervenção tanto igual ou superior a três salários mínimos.
na natureza como na condução política das sociedades. c) a infelicidade humana deriva de liberdade, pois essa
c) O nacionalismo partia do pressuposto de que a leva à anarquia.
lealdade do indivíduo ao Estado-nação deveria estar d) o Legislativo, o Executivo e o Judiciário devem ser in-
acima dos interesses pessoais ou dos interesses de dependentes e fiscalizar um ao outro, reciprocamente.
determinados grupos. e) as alternativas “b” e “d” estão corretas.
d) O Iluminismo defendia, de modo geral, a ideia de
que o Estado deveria assegurar ao Homem o direito 2. (UPE) O pensamento de Jean-Jacques Rousseau, fruto
de expressar sua consciência de forma autônoma, do Iluminismo do século XVIII, serve de base, até hoje,
bem como os direitos inalienáveis à vida e à busca para a estrutura política de vários países democráticos
da felicidade. ocidentais.

66
Sobre essa realidade, assinale a alternativa CORRETA. um vigia e, na periferia, uma construção em forma de
a) No pensamento de Rousseau, gesta-se a teoria do anel. A construção periférica era dividida em celas para
Estado Contratualista. os presos, com duas janelas (uma interna ao anel e ou-
tra externa), que permitiam a luz atravessar a cela. Com
b) Os atuais regimes socialistas do ocidente condenam a
essa disposição espacial, o pan-óptico expressava o ideal
propriedade privada com base nos textos de Rousseau.
iluminista, na medida em que o controle sobre os indiví-
c) A teoria da tripartição do poder é herança do pen- duos era exercido por meio da:
samento de Rousseau.
d) A teoria contratualista foi desenvolvida por Rousseau a) descentralização dos espaços reservados para os
na obra Origem da desigualdade social entre os homens. confinados.
e) Na obra Do contrato social, Rousseau defende a b) valorização da punição ao comportamento em de-
propriedade privada. trimento da vigilância.
c) manutenção de comunicação monitorada entre o
3. (UFG) A segunda lei de Newton, divulgada em 1687, é ambiente de confinamento e a sociedade.
conhecida como a equação fundamental da dinâmica e d) hierarquização entre os presos separados pelas ce-
sintetiza os fundamentos da mecânica clássica. Nela es- las construídas no anel.
tão contidas as ideias que influenciaram a modernidade e) utilização da claridade para conferir visibilidade
europeia. De acordo com essa lei, aos presos e às suas ações.
a) a aceleração é uma constante universal, tal como
demonstrado pelos avanços científicos necessários à 5. (UFPR) Considere o excerto abaixo, escrito pelo filó-
Revolução Industrial. sofo John Locke em 1689:
b) a massa pode ser considerada permanente, tal Ninguém pode impor-se a si mesmo ou aos outros, quer
como anunciado pela concepção do Iluminismo sobre como obediente súdito de seu príncipe, quer como
os regimes absolutistas. sincero venerador de Deus: considero isso necessário
c) a resultante das forças é uma constante, tal como sobretudo para distinguir entre as funções do gover-
explicado pelos estudos renascentistas sobre a fun- no civil e da religião, e para demarcar as verdadeiras
ção da musculatura humana. fronteiras entre a Igreja e a comunidade. Se isso não for
feito, não se pode pôr um fim às controvérsias entre os
d) o movimento acelerado de um corpo uniformiza
que realmente têm, ou pretendem ter, um profundo in-
as percepções sobre o tempo, tal como exposto pela
teresse pela salvação das almas, de um lado, e, de outro,
visão apocalíptica da Contrarreforma.
pela segurança da comunidade.
e) as forças podem atuar sobre os corpos, tal como
indicado pelo princípio liberal que trata da atuação (LOCKE, JOHN. CARTA ACERCA DA TOLERÂNCIA. SÃO PAULO: ABRIL
do mercado na economia. CULTURAL, 1973, COL. OS PENSADORES, VOL. XVIII, P. 11.)

4. (UFG) Analise a imagem a seguir. Sobre a relação desse pensamento de Locke com o
contexto político e religioso da Europa do século XVII,
identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V)
ou falsas (F):
( ) John Locke defende a separação entre poder político
e poder espiritual como base para o estabelecimento
de novas comunidades religiosas na Europa ocidental,
em referência às novas ações da Inquisição nos reinos
católicos.
( ) John Locke defende a tolerância religiosa e a separa-
ção entre a religião e o poder político civil como bases
para a convivência pacífica entre os povos de religiões
diferentes, em referência às guerras entre católicos e
protestantes nos reinos europeus.
( ) John Locke defende a separação entre Igreja e Esta-
do no contexto das perseguições empreendidas pelos
puritanos na Inglaterra, após saírem vitoriosos da Re-
volução Gloriosa.
( ) John Locke defende a tolerância religiosa como con-
dição primordial para a convivência entre diferentes
religiões que nasciam na Europa no século XVII e que
No século XVIII, criou-se um projeto arquitetônico para
eram perseguidas pela Igreja Católica, como o espiritis-
as prisões chamado “pan-óptico”. O objetivo era trans-
formar a ambiência do confinamento, distinguindo-a das mo kardecista.
masmorras do Antigo Regime. Tal como demonstra a Assinale a alternativa que apresenta a sequência corre-
imagem, o projeto estabelecia no centro uma torre com ta, de cima para baixo.

67
a) F – F – V – F. assentando a sua fundação sobre tais princípios e organi-
b) F – V – F – F. zando-lhe os poderes da forma que pareça mais provável
c) V – F – F – F. de proporcionar segurança e felicidade.”
d) F – F – F – V. A DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS.
e) V – F – F – V. RIO DE JANEIRO: ZAHAR, 2004, P. 53.

6. (UPE) Qual das alternativas a seguir apresenta ape- Sobre a Declaração de Independência dos Estados Uni-
nas características associadas ao Liberalismo? dos, é correto afirmar que:
a) Monarquia parlamentarista, mínima participação do a) Defendia o princípio da igualdade de direitos dos
estado na economia, propriedade privada e metalismo. seres humanos, mas condenava o direito à rebelião
b) O processo de cercamentos, tolerância religiosa, como uma afronta à ordem social.
direito divino, crescimento urbano. b) O radicalismo da sua formulação, com respeito ao
c) Sistema de livre concorrência, monarquia parlamen- direito de rebelião dos escravos, provocou forte rea-
tarista, divisão entre os poderes, sufrágio universal. ção dos proprietários de escravos em toda a América.
d) Livre comércio, o processo de cercamentos, a mo- c) Sua formulação foi baseada no ideário liberal-ilu-
narquia parlamentarista e o trabalho servil. minista e acabou influenciando outros movimentos
e) Propriedade privada, livre comércio, igualdade peran- políticos na América e na Europa.
te a lei e mínima participação do estado na economia. d) Influenciada pelos tratadistas espanhóis, a declara-
ção defendia a origem do poder divino e condenava a
7. (UFSJ) Entre os processos políticos citados abaixo, desobediência dos subordinados.
aquele que instaurou um regime republicano fundamen- e) A declaração sustentava que os governos poderiam
tado em princípios liberais como a eleição do chefe de
cercear a liberdade dos indivíduos em nome da segu-
Estado e a defesa da propriedade privada foi a:
rança e da felicidade coletivas.
a) Revolução Gloriosa na Inglaterra, em 1688.
b) Independência dos Estados Unidos da América, em 10. (Espcex) Durante a colonização inglesa na América,
1776. as colônias do norte tiveram uma flexibilização política
c) Independência do Brasil, em 1822. ao monopólio, pois, durante algum tempo, permitiram o
comércio entre as colônias e com as Antilhas francesas
d) Revolução Russa, em 1917.
e espanholas, além de a metrópole não reprimir o con-
8. (Uespi) As teorias dos economistas clássicos foram trabando. Tal fato sucedeu-se devido a estas colônias:
importantes para consolidar o capitalismo e reorgani- a) terem como características o trabalho livre e a
zar a produção da época, quebrando tradições nos ne- grande propriedade.
gócios e rompendo preconceitos com relação ao uso do b) estarem localizadas em área de clima temperado,
trabalho assalariado. Os economistas clássicos: que não favorecia o cultivo da cana-de-açúcar, tabaco
a) definiam a necessidade de intensificar a coloniza- e algodão, por isto não produziam produtos tropicais
ção, focalizando a produção no avanço das técnicas que interessavam à Inglaterra.
agrícolas e na exportação de mercadorias. c) terem sido formadas por pessoas da nobreza para-
b) reforçaram as teses dos mercantilistas, mas rede- sitária, que desejavam manter o “status quo”.
finiram o lugar do trabalho, defendendo a melhoria d) serem de origem holandesa, colônia fundada por
salarial e o fim da escravidão. Giovanni Caboto, italiano radicado em Amsterdã.
c) criticavam a excessiva interferência do Estado na e) estarem numa posição geográfica próxima às Anti-
economia, derrubando teses mercantilistas e valori- lhas; além disso, a Inglaterra encontrava-se em guerra
zando o trabalho produtivo. com a França e por isso sofriam com a escassez de
d) admitiram a ideia de que a agricultura era a grande mão de obra especializada.
fonte de riqueza e seguiram os caminhos sugeridos

E.O. COMPLEMENTAR
pelos fisiocratas.
e) estavam desatualizados com as questões finan-
ceiras da época, sendo criticados pelos pensadores
iluministas franceses. 1. (Cesgranrio) A independência das 13 colônias ingle-
sas da América do Norte - a Revolução Americana - re-
9. (FGV) “Consideramos (...) que todos os homens são sultou:
criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos
I. do desdobramento natural da relativa autonomia
direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a li-
econômica e política dessas colônias de povoamento;
berdade e a busca da felicidade. Que para garantir esses
direitos são instituídos entre os homens governos que II. da reação dos colonos às medidas fiscais e adminis-
derivam os seus justos poderes do consentimento dos trativas tomadas pela Inglaterra após a Guerra dos Sete
governados; que toda vez que uma forma qualquer de Anos;
governo ameace destruir esses fins, cabe ao povo o di- III. dos prejuízos causados aos colonos pela política li-
reito de alterá-la ou aboli-la e instituir um novo governo, beral inglesa, que aboliu o “pacto colonial”;

68
IV. da manutenção e intensificação das práticas mer- d) a Inglaterra incorpora a Escócia e transforma-se em
cantilistas britânicas que se opunham ao “comércio Grã-Bretanha, consolidando também seu domínio so-
triangular”. bre a Irlanda, enquanto a França entra num processo
Assinale se estão corretas apenas: agudo de crise econômica que acentua a decadência
da sociedade do Antigo Regime.
a) I e II.
e) a França adquire a região das Antilhas dos espa-
b) I e III. nhóis e amplia seu domínio sobre a Ásia, assumindo
c) II e IV. o controle da região do sudeste asiático.
d) I, II e III.
e) I, II e IV. 5. (Puc-Camp) Os primeiros tempos da história dos Es-
tados Unidos como nação independente foram marca-
2. (Cesgranrio) Uma das características básicas do pro- dos pela Declaração de Independência, que celebrava
cesso de independência das 13 colônias da América do a legítima busca por oportunidades, prosperidade e
Norte é: felicidade por todas as famílias, apregoando valores
a) isolamento do movimento no contexto americano. que mais tarde seriam associados ao chamado “sonho
b) ocorrência pacífica. americano”. Corroborou, posteriormente, para a difu-
c) adoção de uma constituição republicana parlamen- são desses valores a:
tarista. a) implantação da Lei de Terras como medida prioritária
d) alteração da estrutura social vigente. após a independência, incentivando o assentamento das
e) preservação da unidade territorial. famílias de imigrantes em pequenos lotes adquiridos a
preços simbólicos.
3. (Cesgranrio) Analise as definições a seguir, relativas b) descoberta de ouro na Califórnia, que provocou uma
às orientações econômicas que estão presentes na for- onda desenfreada de migrações para o oeste, atraindo,
mação do mundo burguês: inclusive, trabalhadores estrangeiros.
I. O mercantilismo é a política econômica dos Estados c) promulgação da Constituição dos Estados Unidos, com-
modernos europeus numa fase de acumulação primiti- posta por um conjunto de leis que asseguravam o fim da
va do capital. escravidão, o voto universal e o sistema federativo.
II. O fisiocratismo valorizava a terra como única possi- d) política de remoção indígena acompanhada da cria-
bilidade de riqueza, incentivando a produção agrícola e ção de reservas, conjuntamente à campanha de que o
mantendo o poder das antigas senhorias. respeito à diversidade e a tolerância eram pilares da so-
III. O liberalismo é a expressão política e ideológica dos ciedade americana.
movimentos revolucionários do final do século XVIII, e) transposição das fronteiras ao sul, por meio da Guerra
como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial. de Secessão, que resultou na anexação de metade do
IV. A economia clássica, associada a Adam Smith, é a território antes pertencente ao México, despertando o
forma mais desenvolvida da economia medieval, com- entusiasmo da população pela política expansionista.
prometida com o absolutismo monárquico.

E.O. DISSERTATIVO
Assinale a opção que apresenta as afirmativas corretas:
a) Somente I e III.
b) Somente I, II e IV. 1. (UFG) Leia os textos a seguir.
c) Somente I, III e IV.
d) Somente II e IV. Texto 1
e) Somente II, III e IV. Já havíamos chegado no ano da Encarnação do Filho de
4. (Cesgranrio) No século XVIII, nas tensões entre Ingla- Deus, de 1348, quando, na cidade de Florença, sobreveio
terra e França, ocupou um lugar privilegiado a questão a mortífera pestilência. Por iniciativa dos corpos supe-
dos domínios coloniais, o que se pode verificar pela riores, ou em consequência das nossas ações, esta peste,
Guerra dos Sete Anos (1756 - 1763), durante a qual: lançada sobre os homens por justa ira divina e para a
nossa exemplificação, começara nas regiões orientais.
a) se consolida o poder britânico sobre a América do
Norte com a vitória, em Quebec, sobre os franceses BOCACCIO. DECAMERON, 1348/1353. IN: MARQUES, ADHEMAR;
e pela ampliação da fronteira oeste com a conquista BERUTTI, FLÁVIO; FARIA, RICARDO. (ORG.). HISTÓRIA MODERNA
do México. ATRAVÉS DE TEXTOS. SÃO PAULO: CONTEXTO, 1994. P. 33.

b) os dois estados lutam pelo domínio da América do Texto 2


Norte e onde os franceses são derrotados, perdendo
parte do Canadá, especialmente Quebec, que, entre- – Esse terremoto não é novidade nenhuma – respondeu
tanto, mantém a cultura e a língua francesa. Pangloss. – A cidade de Lima experimentou os mesmos
c) os dois estados disputam suas possessões na Amé- tremores de terra no ano passado, iguais causas, iguais
rica e na Índia, luta que termina com o Tratado de Pa- efeitos: há com certeza uma corrente subterrânea de
ris (1763), que concedia à Inglaterra a posse da Índia, enxofre, desde Lima até Lisboa.
Canadá, Senegal, parte da Louisiânia e das Antilhas. – Nada mais provável – respondeu Cândido.

69
– Como, provável? Sustento que é a coisa mais demons- Montesquieu e Rousseau, citados abaixo, são pensado-
trada que existe. […] res cujas ideias exemplificam as posições iluministas.
Pangloss consolou a todos, assegurando que as coisas Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo
não podiam ser de outra maneira. […] Um homenzinho corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exer-
de preto, familiar da Inquisição, que se achava ao seu cesse esses três poderes: o de fazer as leis, o de execu-
lado, tomou a palavra e disse: tar as resoluções públicas, e o de julgar os crimes ou as
– Pelo visto, o senhor não crê no pecado original, pois divergências dos indivíduos.
se tudo está o melhor possível, não houve queda nem
MONTESQUIEU, CHARLES DE. O ESPÍRITO DAS LEIS. BRASÍLIA: EDITORA
castigo. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 1982. P. 187. (PENSAMENTO POLÍTICO).
VOLTAIRE. CÂNDIDO, 1759. P. 12-13. DISPONÍVEL EM: <WWW.
DOMINIOPUBLICO.GOV.BR/PESQUISA/DETALHEOBRAFORM.DO?SETEC_ A primeira e mais importante consequência decorrente
ACTION=&CO_OBRA=2239>. ACESSO EM: 22 OUT. 2013. (ADAPTADO). dos princípios até aqui estabelecidos é que só a vonta-
de geral pode dirigir as forças do Estado de acordo com
Os fragmentos apresentados integram duas obras lite-
a finalidade de sua instituição, que é o bem comum,
rárias, abordando, no texto 1, a Peste Negra, que asso-
porque, se a oposição dos interesses particulares tor-
lou a Europa no século XIV, e, no texto 2, o terremoto
que devastou a cidade de Lisboa em 1755. Diante do nou necessário o estabelecimento das sociedades, foi
exposto, explique como: o acordo desses mesmos interesses que o possibilitou.
[...] Somente com base nesse interesse comum é que a
a) os textos interpretam, de modos diferentes, a cau-
sociedade pode ser governada.
sa dos fenômenos abordados.
b) o texto 2 associa-se à filosofia iluminista. ROUSSEAU, JEAN-JACQUES. OS PENSADORES. SÃO
PAULO: NOVA CULTURAL, 1987. P. 43.
2. (UFMG) Analise o trecho publicado na Enciclopédia a) A partir dos fragmentos textuais acima, identifique
pelo filósofo francês Denis Diderot. uma característica do Antigo Regime e explique-a.
A autoridade do príncipe é limitada pelas leis da na- b) Explique outras duas características do Antigo Re-
tureza e do Estado. [...] O príncipe não pode, portanto, gime às quais se opunha o pensamento iluminista.
dispor de seu poder e de seus súditos sem o consenti-
mento da nação e independentemente da escolha esta- 5. (UFJF) Como se vê na figura abaixo, a Europa, na se-
belecida no contrato de submissão [...]. gunda metade do século XVIII, foi abalada por revolu-
ções e reivindicações que envolviam também suas co-
AUTORIDADE POLÍTICA, ENCICLOPÉDIA, 1751.
lônias americanas.
A partir da leitura do trecho e considerando outros co-
nhecimentos sobre o assunto:
a) IDENTIFIQUE a corrente de pensamento a qual per-
tenceu Denis Diderot.
b) DEFINA o sistema político criticado pelo trecho.
c) EXPLIQUE um dos motivos que mobilizou Diderot
e muitos de seus contemporâneos a se oporem ao
sistema político vigente.

3. (UFES) No apogeu da crítica ao Antigo Regime, o


filósofo e escritor francês Denis Diderot (1713-1784)
afirmou: “Os homens somente serão livres quando o
último rei for enforcado nas tripas do último padre”. Ao
lado de D´Alembert, Rousseau, Montesquieu, Voltaire
e outros pensadores do seu tempo, Diderot produziu a Baseando-se na imagem e em seus conhecimentos, res-
famosa Enciclopédia, obra em 33 volumes, com 71.818 ponda ao que se pede:
artigos e 2.885 ilustrações, redigida entre 1750 e 1772. a) Qual foi o primeiro movimento vitorioso da história
Essa obra integrava um importante movimento filosó- americana que ilustra a vitória das reivindicações das
fico conhecido como Iluminismo, que realizou forte crí- elites locais contra o sistema colonial europeu?
tica às monarquias de então e aos costumes da época, b) Analise uma repercussão desse episódio no restan-
consolidando a modernidade. te do continente americano.
a) Aponte duas das principais ideias do Iluminismo.
6. (UFRJ) “Entre outra qualquer população, ou num pe-
b) Analise a relação entre o pensamento iluminista e
o surgimento do despotismo esclarecido, adotado por ríodo mais moderno da história da Nova Inglaterra,
algumas monarquias europeias. a sisuda rigidez que petrificava as caras hirsutas da-
queles bons cidadãos teria indicado algum tremendo
4. (UFRN) Durante o século XVIII, ganhou corpo na Eu- acontecimento em perspectiva. Teria indicado nada
ropa o Iluminismo, um movimento intelectual que pro- menos do que a execução de algum criminoso notó-
punha a transformação das relações sociopolíticas que rio, sobre o qual a sentença do tribunal da lei não fi-
caracterizavam o Antigo Regime. zesse mais do que confirmar o veredicto da opinião

70
popular. Entretanto, em face da primitiva rigidez do Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) era um dos seus
caráter puritano, não era dado estabelecer-se com cer- mais importantes representantes. Escreva um texto
teza uma conclusão dessa espécie. Podia ser que um sobre o iluminismo, comentando três representantes
escravo preguiçoso ou um menino rebelde, entregue contemporâneos de Rousseau e três das propostas
à autoridade civil, tivesse de ser castigado no pelou- mais importantes desse movimento intelectual.
rinho. Podia ser que um antinomiano, um quacre, ou
qualquer sectário da religião heterodoxa, estivesse 9. (UFJF) Leia atentamente um trecho da Declaração de
em via de expulsão da cidade [Boston], ou que um ín- Independência dos Estados Unidos, de 1776.
dio vadio e errante, que a água-de-fogo dos brancos Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se tor-
houvesse tornado turbulento nas ruas, fosse ser tingido na necessário a um povo dissolver os laços políticos que
a chicote para as sombras da floresta. Também podia o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra,
ser que uma feiticeira [...] fosse subir ao pelourinho. Em posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis
qualquer dos casos haveria da parte dos espectadores da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno
a mesma solenidade, como cumpria a uma gente para a para com as opiniões dos homens exige que se decla-
qual a religião e a lei constituíam quase uma só coisa, e rem as causas que os levam a essa separação. Conside-
em cuja mentalidade ambas se fundiam de tal maneira
ramos estas verdades como evidentes por si mesmas,
que os mais suaves ou os mais severos atos de disci-
que todos os homens são criados iguais, dotados pelo
plina coletiva eram, igualmente, veneráveis e terríveis.”
Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes
FONTE: HAWTHORNE, NATHANIEL. A LETRA ESCARLATE. estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que
SÃO PAULO: MARTIN CLARET, 2006, P. 57. a fim de assegurar esses direitos, governos são instituí-
dos entre os homens, derivando seus justos poderes do
Identifique um elemento que configurará a maior dife- consentimento dos governados; que, sempre que qual-
rença econômica e social entre o norte e o sul dos Esta-
quer forma de governo se torne destrutiva de tais fins,
dos Unidos, sobretudo após a independência.
cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir
novo governo, baseando-o em tais princípios e organi-
7. (UFRJ) “Na realidade, a prudência recomenda que
zando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais
não se mudem os governos instituídos há muito tempo
por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicida-
experiência tem mostrado que os homens estão mais de. (...) Mas quando uma longa série de abusos e usur-
dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, pações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto,
do que a se desagravar, abolindo as formas a que se indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto,
acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais
e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo governos e instituir novos Guardiães para sua futura
objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas
absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar
abolir tais governos e instituir novos - Guardas para sua os sistemas anteriores de governo. A história do atual
futura segurança.” Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidas injúrias e
Declaração de Independência dos Estados Unidos da usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabele-
América (4 de julho de 1776) cimento da tirania absoluta sobre estes Estados.
O fragmento faz menção a medidas de natureza coer- FONTE: DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.ARQNET.PT/PORTAL/TEORIA/
citiva impostas pela Inglaterra às Treze Colônias após a DECLARACAO_VPORT.HTML>. ACESSO EM: 28 AGO. 2014.

Guerra dos Sete Anos (1756-1763). a) Segundo os autores da declaração, quais as justifi-
a) Cite e explique uma destas medidas. cativas para a ruptura com a metrópole?
b) Identifique e explique um princípio, presente no texto, b) Relacione a Declaração a um ideário político do período.
derivado da mentalidade democrática e liberal da época. 10. (Pucrj 2017) Às vésperas da independência das
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 13 colônias inglesas na América, em janeiro de 1776,
Thomas Paine publica o seu famoso panfleto Senso Co-
Eu chamo, pois, república todo Estado regido por leis,
independente da forma de administração que possa mum, no qual defendia enfaticamente a separação da
ter; porque então somente o interesse público governa, Inglaterra:
e a coisa pública algo representa. Todo governo legíti- “A Inglaterra é, apesar de tudo, a pátria-mãe, dizem al-
mo é republicano (...). As leis não são propriamente se- guns. Sendo assim, mais vergonhosa resulta sua con-
não as condições de associação civil. O povo, submetido duta, porque nem sequer os animais devoram suas
às leis, deve ser o autor das mesmas; compete unica- crias nem fazem os selvagens guerra a suas famílias; de
mente aos que se associam regulamentar as condições modo que esse fato volta-se ainda mais para a conde-
da sociedade. nação da Inglaterra. [...] Europa é a nossa pátria-mãe,
não a Inglaterra. Com efeito, este novo continente foi
ROUSSEAU, JEAN-JACQUES. DO CONTRATO SOCIAL. VERSÃO PARA E-BOOK,
<EBOOKBRASIL.COM>. TRADUÇÃO ROLANDO ROQUE DA SILVA. P. 54. asilo dos amantes perseguidos da liberdade civil e reli-
giosa de qualquer parte da Europa [...] a mesma tirania
8. (Ufpr) Durante o século XVIII, foi se constituindo que obrigou os primeiros imigrantes a deixar o país se-
uma corrente de pensamento chamada iluminismo. gue perseguindo seus descendentes”.

71
A partir da leitura do documento acima, faça o que se d) Por ter sido pioneira, a Revolução Francesa exerceu
pede nos itens abaixo. forte influência no desencadeamento da independên-
a) Explique as razões para a referência que o autor cia norte-americana.
do panfleto faz à “vergonhosa conduta” e à “tirania” e) Ao romper o Pacto Colonial, a Revolução Francesa
para descrever as relações da Inglaterra com suas co- abriu o caminho para as independências das colônias
lônias nesse momento. ibéricas situadas na América.
b) Indique duas ações empreendidas pela coroa in-
glesa que exemplifiquem essa conduta.
E.O. UERJ
E.O. ENEM EXAME DISCURSIVO
1. (Enem 2017) Fala-se muito nos dias de hoje em di- 1. (UERJ)
reitos do homem. Pois bem: foi no século XVIII — em
1789, precisamente — que uma Assembleia Constituin-
te produziu e proclamou em Paris a Declaração dos Di-
reitos do Homem e do Cidadão. Essa Declaração se im-
pôs como necessária para um grupo de revolucionários,
por ter sido preparada por uma mudança no plano das
ideias e das mentalidades: o iluminismo.
FORTES, L. R. S. O ILUMINISMO E OS REIS FILÓSOFOS.
SÃO PAULO: BRASILIENSE, 1981 (ADAPTADO).

Correlacionando temporalidades históricas, o texto


apresenta uma concepção de pensamento que tem
como uma de suas bases a
a) modernização da educação escolar.
b) atualização da disciplina moral cristã.
c) divulgação de costumes aristocráticos. Na pintura O século das luzes, observam-se elementos
d) socialização do conhecimento científico. representativos do movimento intelectual denominado
e) universalização do princípio da igualdade civil. Iluminismo. Em 1784, o filósofo alemão Immanuel Kant
definiu esse movimento como um processo de esclareci-
2. (Enem) Em 4 de julho de 1776, as treze colônias que mento que permitiu ao homem chegar à sua maioridade.
vieram inicialmente a constituir os Estados Unidos da Identifique na imagem dois elementos representativos
América (EUA) declaravam sua independência e justifica- do pensamento iluminista. Associe, também, um desses
vam a ruptura do Pacto Colonial. Em palavras profunda- elementos a uma característica do Iluminismo.
mente subversivas para a época, afirmavam a igualdade
dos homens e apregoavam como seus direitos inaliená- 2. (UERJ) A liberdade política é esta tranquilidade de
veis: o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. espírito que provém da opinião que cada um tem so-
Afirmavam que o poder dos governantes, aos quais cabia bre a sua segurança; e para que se tenha esta liberdade
a defesa daqueles direitos, derivava dos governados.
é preciso que o governo seja tal que um cidadão não
Esses conceitos revolucionários que ecoavam o Ilumi- possa temer outro cidadão. Quando o poder legislativo
nismo foram retomados com maior vigor e amplitude está reunido ao poder executivo, não existe liberdade.
treze anos mais tarde, em 1789, na França. Tampouco existe liberdade se o poder de julgar não for
EMÍLIA VIOTTI DA COSTA. APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO. IN: WLADIMIR POMAR. separado do poder legislativo e do executivo.
REVOLUÇÃO CHINESA. SÃO PAULO: UNESP, 2003 (COM ADAPTAÇÕES).
MONTESQUIEU. O ESPÍRITO DAS LEIS, 1748.
Considerando o texto acima, acerca da independência
O direito eleitoral ampliado, a dominação do parlamen-
dos EUA e da Revolução Francesa, assinale a opção
to, a debilidade do governo, a insignificância do presi-
correta.
dente e a prática do referendo não respondem nem ao
a) A independência dos EUA e a Revolução Francesa caráter, nem à missão que o Estado alemão deve cum-
integravam o mesmo contexto histórico, mas se base- prir tanto no presente como no futuro próximo.
avam em princípios e ideais opostos.
b) O processo revolucionário francês identificou-se JORNAL KÖLNISHE ZEITUNG, 04/08/1919. ADAPTADO DE
REIS FILHO, DANIEL AARÃO (ORG.). HISTÓRIA DO SÉCULO
com o movimento de independência norte-americana XX. VOLUME 2. RIO DE JANEIRO: RECORD, 2002.
no apoio ao absolutismo esclarecido.
c) Tanto nos EUA quanto na França, as teses ilumi- Os trechos apresentam aspectos do pensamento polí-
nistas sustentavam a luta pelo reconhecimento dos tico em duas épocas distintas: o liberalismo proposto
direitos considerados essenciais à dignidade humana. por Montesquieu no século XVIII e a crise do liberalismo

72
na crítica de um jornal alemão na recém-estabelecida 1. (Unesp) As transformações na Europa Ocidental do
República de Weimar. Século XVIII produziram e propagaram novas ideias
Identifique um dos princípios liberais expresso no texto econômicas, sociais, políticas e culturais. Esse contexto
de Montesquieu e a opinião no texto do jornal alemão serviu de pano de fundo para a crise do antigo sistema
que contradiz esse princípio. Apresente, também, um fa- colonial. O processo de libertação das Treze Colônias
tor que explique a crise do liberalismo no período entre Inglesas repercutiu como sopro revolucionário. E, no
decurso da desagregação do Império Espanhol na Amé-
as duas grandes guerras.
rica, os criollos rebelaram-se contra:
3. (UERJ) a) as rivalidades franco-inglesas.
b) a ideologia nacionalista assumida pela burguesia
europeia.
c) o liberalismo econômico.
d) a igualdade de todos perante a lei.
e) as restrições mercantilistas.

2. (Fuvest) Qual das afirmações seguintes, sobre o regime


republicano de governo, é verdadeira?
a) Na Europa, por volta de 1900, era o regime político
da maioria dos países.
b) O Brasil adotou esse regime político por interven-
ção direta dos demais países da América espanhola.
c) Os Estados Unidos e o Canadá adotaram simulta-
neamente o regime referido.
Na pintura de Pompeo Batoni, de 1769, estão represen-
d) Como regime político, apareceu no mundo ociden-
tados dois imperadores austríacos do Antigo Regime:
tal, pela primeira vez, no século XVIII.
José II e seu irmão Leopoldo II. No detalhe, pode-se
observar um exemplar em francês do livro O espírito e) As ex-colônias espanholas da América adotaram
das leis, de Montesquieu, expoente da Ilustração ou tal regime político antes de sua ex-metrópole.
Iluminismo. A presença do livro na pintura não é me- 3. (Unesp) Todos os homens são criados iguais, dotados
ramente decorativa, mas revela modos e práticas de pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os
governo adotados por diversos Estados europeus no quais figuram a vida, a liberdade e a busca da felicida-
século XVIII. de. Para assegurar esses direitos, entre os homens se
Nomeie esse modo de governar. Em seguida, apresen- instituem governos, que derivam seus justos poderes
te uma ação promovida por monarquias europeias que do consentimento dos governados. Sempre que uma
empreenderam tais práticas. forma de governo se dispõe a destruir essas finalida-
des, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la, e
4. (UERJ) Que os tiranos de todos os países, que todos os instituir um novo governo, assentando seu fundamento
opressores políticos ou sagrados saibam que existe um sobre tais princípios e organizando seus poderes de tal
lugar no mundo onde se pode escapar aos seus grilhões, forma que a ele pareça ter maior probabilidade de al-
onde a humanidade desonrada reergueu a cabeça; (...); cançar-lhe a segurança e a felicidade.
onde as leis não fazem mais que garantir a felicidade;
(DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS (1776). IN: HAROLD
onde (...) a consciência deixou de ser escrava (...). SYRETT (ORG.).
DOCUMENTOS HISTÓRICOS DOS ESTADOS UNIDOS, 1988.)
(RAYNAL (ABADE). “A REVOLUÇÃO DA AMÉRICA”.
RIO DE JANEIRO: ARQUIVO NACIONAL, 1993.)
O documento expõe o vínculo da luta pela independên-
A posição apresentada pelo abade Raynal sintetiza al- cia das treze colônias com os princípios:
guns aspectos da ilustração política. a) liberais, que defendem a necessidade de impor re-
a) A partir do texto, indique, com suas próprias pala- gras rígidas de protecionismo fiscal.
vras, dois princípios do pensamento iluminista. b) mercantilistas, que determinam os interesses de
expansão do comércio externo.
b) Para o autor do texto, a independência das treze
colônias inglesas foi um processo revolucionário, ra- c) iluministas, que enfatizam os direitos de cidadania
zão pela qual denomina-a de Revolução Americana. e de rebelião contra governos tirânicos.
Cite e explique um fator que contribuiu para essa Re- d) luteranos, que obrigam as mulheres e os homens a
volução. lutar pela própria salvação.
e) católicos, que justificam a ação humana apenas em
função da vontade e do direito divinos.
E.O. OBJETIVAS 4. (Unesp) Encontrar uma forma de associação que de-

(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) fenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado
com toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se

73
a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo d) acreditava, como os demais filósofos do Iluminis-
assim tão livre quanto antes. Esse, o problema funda- mo, na revolução armada como único meio para a
mental cuja solução o contrato social oferece. deposição de monarcas absolutistas.
[...] e) defendia, como a maioria dos filósofos iluministas,
Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o os princípios do liberalismo político que se contrapu-
seu poder sob a direção suprema da vontade geral, e nham aos regimes absolutistas.
recebemos, enquanto corpo, cada membro como parte 7. (Unifesp) As mulheres ricas para as quais o prazer
indivisível do todo.
constitui o maior interesse e a única ocupação, não são
(JEAN-JACQUES ROUSSEAU. DO CONTRATO SOCIAL, 1983.) as únicas que consideram a propagação da espécie hu-
mana como um preconceito dos velhos tempos; hoje
O texto apresenta características em dia, os segredos funestos, desconhecidos de todos
a) iluministas e defende a liberdade e a igualdade so- os animais exceto do homem, chegaram aos campone-
cial plenas entre todos os membros de uma sociedade. ses; engana-se a natureza até nas aldeias.
b) socialistas e propõe a prevalência dos interesses (MOHEAU, 1778.)
coletivos sobre os interesses individuais.
c) iluministas e defende a liberdade individual e a ne- O texto, ao revelar a difusão de práticas contraceptivas,
cessidade de uma convenção entre os membros de indica o:
uma sociedade. a) crescimento da distância que separava o mundo
d) socialistas e propõe a criação de mecanismos de rural do mundo urbano.
união e defesa de todos os trabalhadores. b) aumento da ação do Estado, preocupado com a
e) iluministas e defende o estabelecimento de um explosão demográfica.
poder rigidamente concentrado nas mãos do Estado. c) conformismo com o domínio da nobreza, por parte
dos camponeses.
5. (Unesp) Leia as assertivas sobre a independência das
13 colônias inglesas na América do Norte. d) prestígio dos filósofos iluministas que pregavam a
igualdade sexual.
I. Foi um movimento que manteve as bases da estrutura
da sociedade colonial, preservando a escravidão. e) declínio da dominação da Igreja sobre a sociedade
como um todo.
II. A resistência interna das colônias foi fortalecida com
o apoio externo dos países ibéricos. 8. (Unicamp 2018)
III. Sofreu influência das ideias iluministas francesas,
baseadas nos princípios da liberdade, propriedade e
igualdade civil.
IV. A união das 13 colônias inglesas contra a Inglaterra
objetivou a ruptura do pacto colonial.
Estão corretas as afirmativas:
a) I e IV, apenas.
b) II e III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) I, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.
A ilustração anterior, com Marie Lavoisier representada
6. (Fuvest) “A autoridade do príncipe é limitada pelas
à direita, foi produzida nas últimas décadas do século
leis da natureza e do Estado... O príncipe não pode, por-
tanto, dispor de seu poder e de seus súditos sem o con- XVIII, e mostra uma experiência para entender a fisio-
sentimento da nação e independentemente da escolha logia da respiração e o papel do oxigênio nela. Consi-
estabelecida no contrato de submissão...” derando o contexto histórico e o seu conhecimento de
química, assinale a alternativa correta.
DIDEROT, ARTIGO “AUTORIDADE POLÍTICA”, ENCICLOPÉDIA. 1751
a) No século XVIII, Marie Lavoisier, como outras mu-
Tendo por base esse texto da Enciclopédia, é correto lheres, não participava da produção do conhecimento
afirmar que o autor: científico. Por outro lado, seu marido, Antoine Lavoi-
a) pressupunha, como os demais iluministas, que os sier, ficou famoso pela frase “na natureza nada se
direitos de cidadania política eram iguais para todos cria, nada se perde, tudo se transforma”, conhecida
os grupos sociais e étnicos. como a lei de conservação da quantidade de matéria.
b) propunha o princípio político que estabelecia leis b) A Revolução Francesa favoreceu cientistas e inte-
para legitimar o poder republicano e democrático. lectuais franceses independentemente de suas posi-
c) apoiava uma política para o Estado, submetida aos ções ideológicas e das questões de gênero. É o caso
princípios da escolha dos dirigentes da nação, por de Marie Lavoisier e de Antoine Lavoisier, este último
meio do voto universal. famoso pela frase “na natureza nada se cria, nada se

74
perde, tudo se transforma”, conhecida como a lei de implicava a abolição da ordem política e social vigen-
conservação das massas. te na maior parte da Europa”
c) No século XVIII, as mulheres participavam da pro-
ERIC J. HOBSBAWM. A ERA DAS REVOLUÇÕES, 1789-1848.
dução do conhecimento científico. Marie Lavoisier
registrou e publicou muitos dos experimentos feitos Descreva a ordem política e social que o Iluminismo cri-
pela equipe de seu marido, Antoine Lavoisier, famoso ticava e pretendia destruir.
pela frase “na natureza nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma”, conhecida como a lei de conser- 4. (Fuvest 2018)
vação das massas.
d) A Revolução Francesa garantiu às mulheres a cida-
dania e a participação na produção do conhecimento
científico. Marie Lavoisier registrou e publicou muitos
dos experimentos feitos pela equipe de seu marido, An-
toine Lavoisier, famoso pela frase “na natureza nada
se cria, nada se perde, tudo se transforma”, conhecida
como a lei de conservação da quantidade de matéria.

E.O. DISSERTATIVAS
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP)
1. (Unesp) Leia o texto.
“O governo arbitrário de um príncipe justo [...] é sempre
mau. Suas virtudes constituem a mais perigosa das sedu-
ções: habituam o povo a amar, respeitar e servir ao seu
Integrante da poderosa família dos Habsburgos, José II
sucessor, qualquer que seja ele. Retira do povo o direito
foi coroado imperador da Áustria em 1765, um dos mais
de deliberar, de querer ou de não querer, de se opor à
vigorosos centros da cultura europeia no século XVIII.
vontade do príncipe até mesmo quando ele deseja fa-
zer o bem. O direito de oposição [...] é sagrado. Uma das a) A partir de elementos representados na pintura,
maiores infelicidades que pode advir a uma nação seria aponte e explique duas características das sociedades
a sucessão de dois ou três reinados de um todo poderoso europeias no período.
justo, doce, [...] mas arbitrário: os povos seriam conduzi- b) Explique por que José II é considerado um déspota
dos pela felicidade ao esquecimento completo de seus esclarecido.
privilégios, a mais perfeita escravidão”.
(D. DIDEROT. “REFUTAÇÃO DE HELVÉTIUS”, 1774.)
a) Como se denomina a forma de regime monárquico
GABARITO
a que se refere Diderot?
b) O texto apresentou uma concepção de cidadania E.O. Aprendizagem
que teve reflexos, quase imediatos, nas revoluções do 1. A 2. B 3. C 4. A 5. E
século XVIII e permaneceu nas experiências democrá-
ticas e no horizonte político dos séculos seguintes. 6. C 7. A 8. B 9. D 10. B
Quais aspectos de cidadania são defendidos por Di-
derot ao afirmar que, sem esses direitos, “os povos
seriam conduzidos a mais perfeita escravidão”? E.O. Fixação
1. D 2. A 3. E 4. E 5. B
2. (Unesp) As colônias europeias da América realizaram
as suas independências entre os anos de 1776 e 1824. O 6. E 7. B 8. C 9. C 10. B
movimento iniciou-se com a emancipação das colônias
inglesas da América do Norte. O processo de indepen-
dência da América Latina ocorreu, com algumas exce- E.O. Complementar
ções, entre 1808 e 1824. Considerando-se esse processo 1. E 2. E 3. A 4. C 5. B
de independência, explique:
a) O pioneirismo das 13 colônias inglesas da América.
b) A conjuntura política e econômica europeia favorá- E. O. Dissertativo
vel à libertação das colônias espanholas e portuguesa
1.
da América.
a) Cada um dos textos constrói uma interpretação
3. (Fuvest) “Seria mais correto chamarmos o Iluminis- para os fenômenos naturais, tal como segue:
mo de ideologia revolucionária... Pois o Iluminismo

75
• em Decameron, a voz narradora interpreta a cau- 3.
sa da Peste Negra como expressão da vontade a) O Iluminismo defende a limitação dos poderes re-
divina, identificando a epidemia como “iniciativa ais, a divisibilidade do poder, a liberdade econômica,
dos corpos superiores” ou celestes. Além disso, a tolerância religiosa e a liberdade de expressão.
ao destacar a pestilência como manifestação de
b) O pensamento iluminista como crítico do absolu-
uma “justa ira divina”, o narrador responsabiliza
tismo abalava o poder de alguns monarcas, principal-
as próprias vítimas pela dizimação que assolou
mente aqueles em que os países passavam por crises
a Europa, compreendendo que os atos humanos
econômicas. Por conta disso, alguns regimes absolutis-
assumiram papel preponderante para a ocorrên-
tas, com o objetivo de se preservarem no poder, ado-
cia do fenômeno. Assim, os homens provocaram
taram medidas de modernização do Estado inspiradas
a ira divina, que, por conseguinte, enviou a peste
no Iluminismo.
como punição legítima e exemplar;
• em Cândido, a fala da personagem Pangloss for- 4.
mula uma explicação natural para o terremoto,
a) O absolutismo se caracterizava em grande medida
identificando em fatores geográficos as causas
pela centralização do poder nas mãos dos monarcas,
da ocorrência do fenômeno (“há com certeza
legitimados pela ideia de que o poder emanava de Deus.
uma corrente subterrânea de enxofre”). Além
b) O pensamento Iluminista também se opunha às práti-
disso, ao se referir a outros terremotos, como o
cas mercantilistas de limitação do livre comércio e a into-
que havia ocorrido em Lima (Peru), a persona-
lerância religiosa por parte de alguns regimes absolutistas.
gem constrói uma explicação baseada na for-
mulação de leis naturais (“iguais causas, iguais 5.
efeitos”), ao invés de recorrer à ação do sobre-
natural. Com essa interpretação racional, não se a) A Independência das 13 colônias.
culpabiliza os habitantes de Lisboa (Portugal) b) A Independência das 13 colônias guiadas por pre-
pelo desastre que lhes abateu. Em virtude disso, ceitos iluministas e o rompimento do sistema colonial
a ação humana não tem papel ou interferência nessa área, vão influenciar uma série de movimentos
na causa do fenômeno. pela separação política colonial. No Brasil, a Indepen-
b) O texto 2, de Voltaire, associa-se à filosofia ilu- dência dos Estados Unidos influenciou as revoltas
minista ao combater a supremacia das concepções emancipacionistas que lutavam pela independência
religiosas na construção de sentidos para o mundo de regiões coloniais portuguesas.
e para a história. No século XVIII, a compreensão 6. Um elemento que configurou a maior diferença econômica e
do mundo era fortemente mediada pela crença no social entre o norte e o sul dos Estados Unidos após a Indepen-
sobrenatural, identificando a intervenção divina nos dência, sem dúvida, foi a predominância do trabalho escravo e
acontecimentos e nos aspectos do cotidiano. Decor- da grande propriedade exportadora nos territórios sulinos, en-
re disso o fato de o terremoto em Portugal ter sido quanto que, no Norte, predominava a pequena propriedade e o
compreendido por muitos como punição divina aos trabalho livre.
habitantes de Lisboa. Tal imaginário religioso é re-
presentado, no fragmento, pela figura descrita como 7.
“homenzinho de preto, familiar da Inquisição”, que a) Após a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), a me-
compreende a realidade a partir da crença na queda trópole inglesa, endividada, reforçou as medidas mo-
humana e no castigo divino. Em contraposição a essa nopolistas em relação ao território das Treze Colônias
visão de mundo, o texto recorre a um tipo de explica- com a imposição de uma série de leis como a Lei do
ção baseada no método comparativo (“iguais causas, Selo, na qual toda publicação, jornal ou contrato que
iguais efeitos”) e na demonstração (“é a coisa mais circulasse na colônia deveria receber uma selagem da
demonstrada que existe”). Com isso, são expressos
metrópole. O aluno poderia explicar ainda a Lei do
princípios da filosofia iluminista, que preconizava o
Açúcar, Lei do Aquartelamento, Atos Townshend e Lei
uso da razão, estabelecendo que o conhecimento de-
do Chá como medidas restritivas e monopolistas por
veria adquirir caráter lógico ou empírico.
parte da metrópole.
2. b) “Mas quando uma longa série de abusos e usurpa-
ções, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto,
a) Denis Diderot pertenceu à corrente filosófica Iluminista.
indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absolu-
b) O sistema político criticado pelo texto é o absolu-
to, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abo-
tismo, que se define pela centralização dos poderes
lir tais governos...”. O princípio expresso no trecho diz
na figura do monarca, legitimada em grande medida,
respeito ao direito dos povos à insurreição visando
pela concepção de direito divino dos reis.
a mudança dos governantes, assim como defende o
c) Os críticos do regime questionavam a intolerância
princípio das liberdades individuais.
religiosa, característica dos regimes absolutistas e a
indivisibilidade de poder, que segundo alguns filósofos 8. O Iluminismo ou a Ilustração foi um movimento cultural que
levava à usurpação do poder pelos reis. Além disso, a se iniciou na Inglaterra no século XVII com o filósofo John Locke
limitação à propriedade privada e as práticas mercanti- e atingiu seu apogeu na França no século seguinte, espalhan-
listas foram objetos de crítica pelos iluministas. do-se por toda a Europa e América. Influenciou diretamente as

76
Revoluções Americana (1776) e Francesa (1789), assim como os
movimentos de independência na América Latina.
Exame Discursivo
1. A distribuição de panfletos pode ser vista como uma caracterís-
John Locke, pai do Liberalismo e Iluminismo, escreveu o Segundo
tica do Iluminismo, pois contribuía para a difusão e circulação de
Tratado sobre o Governo Civil, defendendo a teoria do governo
ideias pela Europa, a presença de jornais e livros como elementos
limitado e criticando o regime Absolutista. Caso o governo não
que estimulavam o racionalismo e o pensamento crítico, além da
garantisse os “direitos naturais do homem”, poderia ser subs-
estátua de filósofos como símbolo de crítica ao Antigo Regime,
tituído. Voltaire foi considerado o maior dos filósofos franceses
dentre outros aspectos que reforçam a busca pelo conhecimento.
iluministas. Defendia a liberdade de pensamento e de expressão,
criticou a ignorância, intolerância, superstição e o fanatismo. De- 2. Podemos destacar a divisão dos poderes e a independência
fendia que o governante deveria realizar reformas sob influência e autonomia entre Executivo, Legislativo e Judiciário no texto de
dos ideais iluministas. Montesquieu escreveu O Espírito das Leis Monstesquieu, como princípios liberais. A opinião do texto que
e propunha a divisão do poder em executivo, legislativo e judiciá- contradiz esse princípio está presente no trecho “a dominação
rio, mantendo-se os três em equilíbrio permanente. Desta forma, do parlamento, a debilidade do governo, a insignificância do pre-
também criticou o Absolutismo, pois o poder deve ser contido sidente...”. Um fator que explica a crise do Liberalismo no perío-
pelo poder. As propostas iluministas podem se resumir na va- do entre guerras, é a Grande Depressão Capitalista de 1929, que
lorização da razão, considerada a ferramenta mais importante em países já debilitados pela Grande Guerra levou à implantação
para se alcançar qualquer conhecimento e liberdade; crença nos de regimes extremados.
direitos naturais, que todos os indivíduos possuem em relação à
3. Despotismo Esclarecido. Ocorreu nos países mais atrasados
vida, à liberdade, a posse de bens materiais; defesa da liberdade
da Europa, nos quais os reis adotaram algumas ideias Iluministas
política e econômica; igualdade de todos perante a lei.
visando modernizar o Estado com o intuito de preservar o regime
9. absolutista. O despotismo esclarecido evidenciou-se como con-
traditório, uma vez que o Estado absolutista tentou se compatibi-
a) O texto se apoia nas ideias do pensador inglês John lizar com o Iluminismo, cujas as ideias eram nitidamente antiab-
Locke, defensor dos “direitos naturais” do homem, solutistas. Os déspotas esclarecidos mais importantes foram José
tais como o direito à vida, liberdade, propriedade e II da Áustria, Catarina II da Rússia, Frederico II da Prússia, Jose I
à busca da felicidade. Caso o governo instituído não de Portugal (com seu poderoso ministro Pombal) e Carlos III da
garanta estes direitos cabe à sociedade civil se rebe- Espanha (com seu ministro Aranda).
lar. A metrópole inglesa, segundo o texto, tem abu-
sado do poder político e explorado muito a colônia. 4.
b) A Declaração está vinculada ao ideário Iluminista, a) Dois dentre os princípios:
movimento filosófico do século XVIII que defendia
• tolerância religiosa;
ideias como liberdade política, religiosa e de expres-
são, igualdade política, entre outras. • liberdade de expressão;
• condenação à escravidão;
10. • liberdade de pensamento;
a) O autor está inconformado com a política Ingle- • crítica ao governo absoluto.
sa diante dos Estados Unidos. A Inglaterra venceu a b) Um dentre os fatores e sua respectiva explicação:
França na Guerras dos Sete Anos, 1756-1763, porém • Imposição de novos impostos por parte da Ingla-
contraiu dívidas e repassou o prejuízo para os colo- terra às colônias americanas. Os colonos considera-
nos na forma de impostos. O autor critica a tirania da vam que apenas suas assembleias coloniais tinham
política inglesa bem como a exploração econômica. de consentir a cobrança de qualquer novo imposto.
b) Criação de diversos impostos como as leis do chá, • Fim da “negligência salutar”. A perda de autono-
açúcar, alojamento, selo, etc. Inconformados com tais mia dos colonos constituiu-se em um empecilho
desmandos e inspirados pelos escritos dos pensado- para a continuação do desenvolvimento das elites
res John Locke e Thomas Paine, grandes opositores das colônias.
da dominação colonial, os colonos norte-americanos • As ideias de liberdade oriundas do pensamento da
começaram a se opor à presença britânica nas Treze Ilustração. As ideias de liberdade levaram os colo-
Colônias. Em dezembro de 1773, organizaram uma nos a questionar a aplicação do pacto colonial.
revolta contra o monopólio do chá que ficou conhe- • Insatisfação dos colonos em relação à Linha da
cida como Boston Tea Party. Intransigente aos protes- Proclamação Régia. Por meio desta a Coroa In-
tos coloniais, a Inglaterra decidiu fechar o porto de glesa estabelecia o monopólio sobre as terras
Boston (local da revolta) e impor as chamadas Leis obtidas em decorrência do Tratado de Paris.
Intoleráveis.

E.O. Enem E.O. Objetivas


1. E 2. C
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. E 2. E 3. C 4. C 5. D

E.O. UERJ 6. E 7. E 8. C

77
E.O. Dissertativas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1.
a) Absolutismo Monárquico, modelo de governo ca-
racterístico do Antigo Regime.
b) Denis Diderot defende o direito à cidadania, apoia-
do no direito de oposição à opressão e ao direito à
liberdade de escolha.

2.
a) As Treze Colônias inglesas na América do Norte fo-
ram pioneiras no processo de independência porque
este foi liderado pelas colônias nortistas de povoa-
mento que já haviam alcançado no século XVIII, um
grau de desenvolvimento econômico e social superior
ao das colônias de exploração. As colônias de povoa-
mento tinham de autonomia administrativa; e, quan-
do esta lhes foi limitada pelo Parlamento Inglês, os
colonos iniciaram o processo de independência.
b) Hegemonia napoleônica sobre o continente euro-
peu, provocando o enfraquecimento da autoridade da
Espanha sobre suas colônias e, de outro lado, forçan-
do a transferência da Família Real Portuguesa para o
Brasil. Interesse histórico em quebrar o Pacto Colonial
Ibérico, com a finalidade de ampliar seus mercados
consumidores.
3. O texto de Hobsbawm refere-se ao Antigo Regime, que vi-
gorava em boa parte da Europa na Idade Moderna. Caracteri-
zava-se, no campo político, pela monarquia absoluta, baseada
na teoria do direito divino (o poder emana de Deus); no campo
social, pela sociedade de privilégios, baseada no nascimento. O
movimento iluminista tinha como bandeira a luta pela igualdade
e pela liberdade - elementos básicos para se alcançar o progres-
so humano por meio do desenvolvimento científico.

4.
a) A Europa do Antigo Regime, retratada no quadro,
tinha como elementos representativos o Absolutismo
Monárquico e a estrutura hierarquizada da sociedade,
com clero e nobreza sendo privilegiados.
b) Porque ele foi um dos monarcas que buscou con-
ciliar Absolutismo e Iluminismo. Apesar da concentra-
ção de poder em suas mãos, buscou adotar medidas
de caráter progressista, como a abolição da servidão.

78
HISTÓRIA DO BRASIL

79
AULAS PRIMEIRO REINADO (1822 - 1831)
17 E 18 1, 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10,
COMPETÊNCIAS: 1, 2, 3, 5 e 6 HABILIDADES: 11, 13, 14, 15, 22, 24
e 29

E.O. APRENDIZAGEM por D. Pedro I, por ter proposto um projeto que privi-
legiava os grandes proprietários de terra e excluía os
pobres da participação política.
1. (UFPA) Mesmo antes da ruptura da colônia brasileira
c) A primeira Constituição do Brasil foi outorgada por D.
com a metrópole portuguesa em 1822, José Bonifácio
Pedro I e estabelecia o voto censitário e a formação de
de Andrada e Silva já admitia que seria muito difícil:
quatro poderes – Legislativo, Judiciário, Executivo e Mode-
[...] a liga de tanto metal heterogêneo, como brancos, rador –, ficando os dois últimos sob controle do Imperador.
mulatos, pretos livres e escravos, índios, etc., em um d) A primeira Constituição brasileira, estabelecida em
corpo sólido e político. 25 de março de 1824, instituiu uma monarquia here-
SILVA, ANA ROSA CLOCLET DA. CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO ditária no Brasil e o catolicismo como religião oficial do
E ESCRAVIDÃO NO PENSAMENTO DE JOSÉ
BONIFÁCIO: 1783- novo País, subordinando a Igreja ao controle do Estado.
1823. CAMPINAS, SP: ED. DA UNICAMP,1999. P. 178. e) Instituído pela Constituição outorgada de 1824, o Po-
Na presente fala do “Patriarca da Independência” em der Moderador garantia a D. Pedro I o direito de nomear
relação à sociedade brasileira, é importante observar ministros, dissolver a Assembleia Legislativa, controlar as
que existe uma preocupação de ordem social na cons- Forças Armadas e nomear os presidentes das províncias,
trução da Nação brasileira. Bonifácio considerava que a favorecendo a concentração de poderes no Imperador.

a) heterogeneidade dos habitantes do Brasil, marcada 3. (Uepa) A crise política do I Império Brasileiro, que
pela presença de negros e índios, revelava-se um pro- resultou na abdicação de D. Pedro I, teve como cerne
blema para a construção de um projeto nacional com a disputa entre a inclinação centralista-absolutista do
a edificação de um Império do Brasil mais civilizado. monarca e a defesa do federalismo pelas elites eco-
b) presença de gente de tantas cores e condições poderia nômicas regionais. A renúncia do imperador em 1831
atrapalhar a convivência harmoniosa entre os habitantes resultou:
da futura Nação, sobretudo porque os índios eram muito a) na transferência de poder às elites regionais e aos
belicosos e os negros não se adaptariam à liberdade. regentes, ordem política que se mostrou frágil e abriu
c) presença de negros na sociedade brasileira decor- caminho para levantes oposicionistas e populares.
rente do escravismo colonial atrapalhava a constru- b) na transformação imediata de Pedro II em monarca
ção da Nação por não servir à sustentabilidade da do Reino Português na linha de sucessão da Casa de
economia agroexportadora e monocultora do café. Bragança.
d) mistura de raças não era recomendável para uma co- c) no fortalecimento de movimentos separatistas re-
lônia que queria se tornar uma monarquia constitucional gionais, em desacordo com a manutenção do regime
reconhecida por todos os países europeus, principalmen-
monárquico e da escravidão.
te pelos anglo-saxões, que eram abolicionistas.
d) no surgimento de grupos políticos republicanos,
e) grande dificuldade seria colocar em prática o pro-
que seriam embrionários do movimento que promo-
cesso de catequização dos índios e de civilização aos
veu a Proclamação da República em 1889.
negros africanos, sobretudo porque esses grupos
eram considerados pelos homens brancos como inca- e) na emergência de uma identidade nacional brasi-
pazes de sair da barbárie. leira, em oposição a qualquer posição de mando de
autoridades portuguesas em território nacional.
2. (PUC) Depois de declarada a Independência do Brasil,
foi necessário dar uma ordenação legal ao novo país 4. (UFG) Leia o texto a seguir.
por meio da sua primeira constituição. Sobre esse pro- Fugiu da loja de tecidos da Rua do Queimado, n. 13,
cesso, é INCORRETO afirmar que: Recife, escravo Caetano, idade de 12 anos, pouco mais
a) O primeiro projeto de constituição recebeu o nome ou menos, nação Angola, levou vestido calça e camisa
de Constituição da Mandioca, porque estabelecia de algodão, tem uma cruz no braço esquerdo, marca de
que, para votar ou se eleger, a pessoa deveria com- fogo, e no meio da cabeça tem falta de cabelo de car-
provar uma renda mínima, equivalente a determinada regar peso.
quantidade de alqueires plantados desse vegetal. DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 23 JAN. 1830. IN: FREYRE, GILBERTO.
b) A Assembleia Legislativa reunida em 1823 para ela- O ESCRAVO NOS ANÚNCIOS DE JORNAIS BRASILEIROS DO SÉCULO XIX.
borar a primeira Constituição do Brasil foi dissolvida SÃO PAULO: GLOBAL, 2010, P. 110-111. (ADAPTADO).

80
Publicado em 1830, o anúncio do jornal registra o coti- d) Sabinada.
diano da sociedade escravocrata brasileira, cuja carac- e) Farroupilha.
terística expressa-se
7. (Uema) Quem desconhece ser mais interessante para
a) pela valorização do trabalho manual, destacando
as províncias do Norte do Cabo de São Roque obedecer
as marcas corporais na cabeça como expressão da
antes a Portugal que ao Rio de Janeiro? [...] Haverá, por-
aptidão do escravo ao trabalho.
ventura, alguém tão louco que troque o certo, pelo du-
b) pela denúncia das mazelas do cotidiano dos escra- vidoso? Acaso não temos nós já os nossos direitos de-
vos, demonstrando a intolerância da imprensa com o clarados, a nossa propriedade garantida, e o que é mais
tratamento destinado aos cativos. apreciável, os nossos nomes de homens livres inscritos,
c) pela demanda de escravos para o trabalho urbano, nas bases da constituição que abraçamos e juramos?
ampliando as possibilidades de fugas como estraté-
gia de resistência ao cativeiro. JORNAL O CONCILIADOR. [S.N.], N. 88, 15 MAI. 1822.
d) pela compra de escravos da mesma origem para Publicadas em um jornal de grande circulação na cidade
facilitar a convivência nas senzalas, predominando a de São Luís – MA, essas palavras expressam o repúdio
importação de escravos oriundos de Angola. de algumas províncias do Norte da América portuguesa
e) pela adesão dos escravos ao catolicismo, tendo à possibilidade de
expressa a devoção do cativo na marca da cruz que
carrega no corpo. a) emancipação política do Brasil.
b) juramento da Constituição portuguesa.
5. (Cefet) Em 1827, o Presidente da Província de Minas c) retorno do rei D. João VI para Portugal.
Gerais, Francisco Pereira, ao ser indagado sobre os ín- d) transferência da capital do Império luso.
dios Aimorés, respondeu: “Permita-me V. Exa. refletir e) queda do príncipe regente, à época no Rio de Janeiro.
que de tigres só nascem tigres; de leões, leões se ge-
ram; e dos Aimorés só pode resultar prole semelhante” 8. (ESPCEX) Era “exclusivo do imperador e definido pela
[...]. Na segunda metade do século XIX, o Senador do Constituição como ‘chave mestra de toda organização
Império, Dantas de Barros, afirmava: “No Reino ani- política’. Estava acima dos demais poderes”.
mal, há raças perdidas; parece que a raça índia, por um
(COTRIM, 2009)
efeito de sua organização física, não podendo progre-
dir no meio da civilização, está condenada a esse fatal O texto em epígrafe aborda a criação no Brasil, pela
desfecho. Há animais que só podem viver e produzir no Constituição de 1824, do Poder
meio das trevas; e se os levam para a presença da luz,
ou morrem ou desaparecem. Da mesma sorte, entre as a) Moderador.
diversas raças humanas, o índio parece ter uma organi- b) Justificador.
zação incompatível com a civilização”. c) Executivo.
d) Judiciário.
CUNHA, MANUELA CARNEIRO DA. (ORG.) LEGISLAÇÃO INDIGENISTA
NO SÉCULO XIX. SÃO PAULO: EDUSP, 1992 (ADAPTADO). e) Legislativo.

Analisando os discursos do presidente da província e do 9. (UFRGS) Em 1824, é outorgada a Constituição do


senador do império, é correto inferir que Império do Brasil. Entre suas características, podemos
afirmar que
a) atualizavam as teorias da época para analisar a
diversidade existente entre a população brasileira. a) dividia os poderes do Estado exclusivamente em
b) demonstravam a eficácia dos avanços científicos para Executivo, Legislativo e Magistratura.
recuperar os delinquentes sociais existentes no país. b) separava a Igreja Católica do Estado Laico.
c) incentivavam a ocupação planejada do território c) previa a eleição direta do Primeiro Ministro.
para conservar a diversidade biológica brasileira. d) estabelecia o voto universal e secreto para a popu-
d) adotavam argumentos convincentes para defender lação masculina.
a necessidade de proteger os povos nativos do país. e) dividia os poderes do Estado em Executivo, Legisla-
e) defendiam a urgência da demarcação das terras tivo, Judiciário e Moderador.
indígenas para proteger os imigrantes colonizadores.
10. (FGV) A história da construção do Estado brasilei-
6. (UEPB) Movimento implantado em Pernambuco de ro na primeira metade do século XIX foi a história da
1824, que teve adesão das províncias da Paraíba, Ce- tensão entre unidade e autonomia. Por outro lado, no
ará e Rio Grande do Norte, tendo como um dos seus interior do Estado, de elites com fortes vínculos com os
objetivos estabelecer uma República com princípios fe- interesses de sua região de origem e ao mesmo tempo
deralistas e que teve a participação de homens livres e comprometidas com uma determinada política nacio-
escravos, foi a: nal, pautada pela negociação destes interesses e pela
manutenção da exclusão social, marcou não apenas o
a) Balaiada. século XIX, como também o século XX. Através do par-
b) Insurreição Pernambucana. lamento essas elites regionais têm imposto uma deter-
c) Confederação do Equador. minada dinâmica para o jogo político que se materializa

81
na imensa dificuldade de empreender reformas sociais No campo da historiografia, essa imagem:
profundas. a) sintetiza o verdadeiro sentimento de toda a nação
DOLHNIKOFF, MIRIAM. O PACTO IMPERIAL. AS ORIGENS DO FEDERALISMO em relação a Portugal.
NO BRASIL. SÃO PAULO: GLOBO, 2005, P. 11-12. b) expõe a luta de classes existente no país no perío-
do da independência.
De acordo com o ponto de vista apresentado no texto,
c) expressa o apoio popular ao processo de autono-
a) a história brasileira é marcada por práticas de tole- mia política do Brasil.
rância política acentuadas nas últimas décadas com a d) representa uma visão heroica e romanceada da
redemocratização do país. separação política do país.
b) o parlamento é a única instituição política imune e) mostra a independência como anseio de grupos
aos interesses e ao controle das elites regionais bra-
subalternos.
sileiras.
c) as profundas reformas sociais só foram possíveis 3. (UFPR) “Temos a tendência de pressupor que todas as
graças às transformações políticas ocorridas na pri- mudanças que decorreram de um movimento de inde-
meira metade do século XIX no Brasil. pendência foram para o melhor. Raramente, por exem-
d) a dinâmica política do Estado nacional se consti- plo, consideramos um movimento de independência
tuiu com base em negociações entre as elites regio- como uma regressão, um triunfo do despotismo sobre
nais e a exclusão social de outros setores. a liberdade, de um regime imposto sobre um regime
e) as características descritas sobre o Estado revelam representativo. Apesar disso, no caso da independência
a supremacia do Poder Judiciário sobre o Poder Legis- do Brasil, essas acusações foram na época imputadas
lativo na história política brasileira. ao novo regime”.
MAXWELL, K. POR QUE O BRASIL FOI DIFERENTE? O CONTEXTO DA

E.O. FIXAÇÃO INDEPENDÊNCIA. IN: MOTTA, C. G. (ORG.). VIAGEM INCOMPLETA: A


EXPERIÊNCIA BRASILEIRA. SÃO PAULO: EDITORA SENAC, 2000, P 181.

1. (UPF) Em setembro de 1822, o príncipe regente Dom Qual dos eventos citados a seguir gerou as acusações
Pedro proclamou a separação do Brasil em relação ao mencionadas no texto?
reino de Portugal. Sobre a independência do Brasil é
a) A outorga da Constituição de 1824, feita por D. Pe-
correto afirmar:
dro I depois de dissolvida a Assembleia Constituinte
a) Modificou parcialmente as estruturas do país, pois, que elaborava o texto constitucional.
embora tivesse mantido o latifúndio, a monocultura e b) O tratado de comércio que estipulou vantagens
a escravidão, o Brasil tornou-se política e economica- econômicas para a Inglaterra.
mente independente.
c) O incentivo à imigração europeia e a gradual emanci-
b) Não modificou o país em profundidade, pois manteve pação dos escravos, resultado de políticas públicas reali-
a concentração da terra, a monocultura e a escravidão. zadas no período monárquico com objetivo de promover
c) Modificou o país, pois a Lei de Terras propiciou um a transição do trabalho escravo para o trabalho livre.
maior acesso à terra pela população.
d) A guerra empreendida contra o Paraguai na déca-
d) Não chegou a modificar o país concretamente, da de 1860.
pois as ideias de fim de escravidão e de adoção de
e) A decretação da maioridade de D. Pedro II que, em
uma política agrária para o país não foram cumpridas,
1840, favoreceu as medidas de centralização do po-
como queriam os cafeicultores.
der, chamadas à época de “regresso”.
e) Representou um avanço social, pois o país passou
a ser governado por uma família real cuja mentalida- 4. (Uece) No que concerne à Confederação do Equador
de era abolicionista. de 1824, analise as afirmações a seguir, e assinale com
V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
2. (UFPB) A pintura é uma manifestação artística que
pode ser utilizada como fonte histórica, reforçando ( ) A Confederação costuma ser considerada um prolon-
uma versão da história. Nesse sentido, observe o qua- gamento da Revolução Pernambucana de 1817.
dro do pintor paraibano Pedro Américo: ( ) As propostas liberais, republicanas e federativas ser-
viram de bandeira política para os insurretos.
( ) Os revoltosos propunham a organização de uma re-
pública nos moldes dos Estados Unidos da América.
( ) A adesão dos segmentos populares foi fundamental
para unir todos os revoltosos.
( ) A imprensa, infelizmente, atuou contra o movimento
e nenhum jornal nas províncias envolvidas quis apoiar
a causa.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.KAYDARA.COM.BR/UPLOAD/
IMAGENS>. ACESSO EM: 11 JUL. 2011. a) F, V, V, V, F.

82
b) V, F, F, V, V. e) a organização do Estado brasileiro, segundo as
c) V, F, F, V, V. determinações da Constituição outorgada de 1824.
d) V, V, V, F, F.
7. (Uespi) Em 1988, foi promulgada, através da Assem-
5. (UPE) A liberdade política exige lutas e enfrentamen- bleia Constituinte eleita pelo voto popular, a constituição
tos, muitas vezes, violentos. Em Pernambuco, a insatis- conhecida como “Constituição Cidadã”. Mas, nem todas
fação da população levou à organização da Confedera- as Constituições brasileiras tiveram essa feição, a exem-
ção do Equador, logo depois de 1822. plo da outorgada em 1824 por D. Pedro I, pela qual:
Liderada pelos liberais, a Confederação tinha como ob- a) foi instituído o Poder Moderador.
jetivo: b) se extinguiu o Poder Judiciário.
a) afirmar um governo baseado numa Monarquia Cons- c) consolidou-se a vitória do Partido Brasileiro.
titucional, segundo os modelos do Iluminismo francês. d) estabeleceu-se a separação entre os poderes ecle-
b) definir um governo democrático, com o fim imedia- siástico e civil.
to da escravidão e do governo monárquico. e) se conseguiu o desenvolvimento do que se conven-
c) eforçar a centralização política, sem, contudo, al- cionou chamar de questão militar.
terar a Constituição de 1824 e suas normas básicas.
d) criar uma República Federativa, facilitando a des- 8. (Udesc) Observe as imagens e o excerto:
centralização política e o fim do autoritarismo. “Tudo assenta pois, neste país, no escravo negro; na roça,
e) destruir o poder dos grandes latifundiários, procla- ele rega com seu suor as plantações do agricultor; na
mando uma constituição radicalmente liberal. cidade, o comerciante fá-lo carregar pesados fardos; se
pertence ao capitalista é como operário ou na qualidade
6. (FGV) Observe o quadro. de moço de recados que aumenta a renda senhor”.
DEBRET, JEAN BAPTISTE. VIAGEM PITORESCA E HISTÓRICA AO
BRASIL. SÃO PAULO: LIVRARIA MARTINS EDITORA, 1979, P. 85.

DEBRET, Jean Baptiste. Viagem Pitoresca e


Histórica ao Brasil. São Paulo: Livraria
Martins Editora, 1979, p. 85.

O quadro apresenta: DEBRET, Jean Baptiste. Pranha 32 - “Negras


livres vivendo de suas atividades” In:
a) as transformações institucionais originárias da refor- DEBRET, Jean Baptiste. Viagem Pitoresca e
ma constitucional de 1834, chamada de Ato Adicional Histórica ao Brasil. São Paulo: Livraria
Martins Editora, 1979, p. 216.
b) a mais importante reforma constitucional do Bra-
sil monárquico, com a instituição da eleição direta a
partir de 1850. Sobre o contexto histórico e as relações sociais e de po-
c) a reorganização do poder político, determinada der que lhes são inerentes, representados nas reprodu-
pela efetivação do Brasil como Reino Unido a Portu- ções de imagem e no excerto de Jean Baptiste Debret
gal e Algarves, em 1815. (1768-1848), analise as proposições abaixo:
d) a organização de um parlamentarismo às avessas, I. As imagens reproduzem o cotidiano do ambiente de
em que as principais decisões derivavam do poder trabalho e da rua, vivenciado pelas negras livres na pri-
legislativo. meira metade do século XIX, nas cidades.

83
II. O excerto e as imagens indicam a significativa parti- de Janeiro em 1823, sendo rechaçada a seguir.
cipação dos negros na economia do Brasil dos oitocen- II. A resistência, na Bahia, das tropas do Brigadeiro Ma-
tos, seja na condição de escravos ou na de libertos. deira de Melo, até 1823.
III. Nas imagens, a observação sensível do vestuário e III. A busca de apoio Militar Britânico, por parte de
dos calçados supõe que também entre a população ne- Portugal.
gra havia relações sociais hierárquicas.
IV. A dissolução da Constituinte de 1823 por D. Pedro,
Assinale a alternativa correta. de origem portuguesa, e hostilizado pelos deputados.
a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. V. Resistência militar portuguesa no Maranhão, Pará,
b) Somente a afirmativa II é verdadeira. Piauí e Cisplatina.
c) Somente a afirmativa III é verdadeira. a) I, III e IV.
d) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. b) II, III e V.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. c) apenas I e III.
9. (UPE) A luta pela emancipação política do Brasil foi d) apenas II e V.
marcada por rebeliões que enfraqueceram o domínio e) apenas III e IV.
português, divulgando as ideias liberais. Com a chegada
2. (FGV) “A propagação das ideias republicanas, anti-
de D. Pedro I ao poder, a sociedade brasileira da época
portuguesas e federativas (...) ganhou ímpeto com a
a) conseguiu sua autonomia econômica e libertou-se presença no Recife de Cipriano Barata, vindo da Euro-
do poder dos europeus. pa, onde representava a Bahia nas Cortes. É importante
b) conviveu com um governo descentralizado e liberal ressaltar (...) o papel da imprensa na veiculação de crí-
nas normas jurídicas. ticas e propostas políticas (...). Os Andradas, que tinham
c) manteve a escravidão, mas fez mudanças impor- passado para a oposição depois das medidas autoritá-
tantes na legislação social. rias de D. Pedro, lançaram seus ataques através de ‘O
d) recuperou sua produção agrícola, destacando-se o Tamoio’; Cipriano Barata e Frei Caneca combateram a
algodão e o café. monarquia centralizada, respectivamente na ‘Sentinela
e) enfrentou dificuldades políticas, sendo D. Pedro I da Liberdade’ e no ‘Íbis Pernambucano’.”
acusado de autoritarismo. BORIS FAUSTO, HISTÓRIA DO BRASIL
A conjuntura exposta no texto anterior refere-se à
10. (Uern) Observe o quadro.
emergência da:
a) Rebelião Praieira;
b) Cabanagem;
c) Balaiada;
d) Sabinada;
e) Confederação do Equador.

3. (UFC) Em 29 de maio de 1829, oficiais ingleses abor-


daram o navio Veloz. “Os diários de bordo e mais papéis
do Capitão foram examinados... estavam em ordem. O
número de pessoas transportadas obedecia ao que es-
tipulava a lei...”
GÓES JOSÉ ROBERTO PINTO DE, CORDEIROS DE DEUS: TRÁFICO, DEMOGRAFIA
A partir da análise do quadro e tendo em vista o con- E POLÍTICA NO DESTINO DOS ESCRAVOS, EM: MARCO. A. PAMPLONA (ORG.)

texto do Brasil no I Império, é possível classificar o voto, ESCRAVIDÃO, EXCLUSÃO E CIDADANIA. RIO DE JANEIRO, ACCESS, 2001, P. 23
naquele período, como
Com base no texto acima e em seus conhecimentos, as-
a) censitário, amplo, indireto e irrestrito. sinale a alternativa correta sobre o tráfico de escravos,
b) universal, masculino, direto e representativo. durante o Império.
c) censitário, masculino, indireto e em dois graus. a) A Inglaterra vistoriava os navios para impedir o
d) universal, apartidário, direto e em quatro graus. contrabando de produtos que pudessem concorrer
com as manufaturas inglesas.

E.O. COMPLEMENTAR b) Os traficantes de escravos obedeceram aos tra-


tados e leis firmados com a Inglaterra, inclusive os
compromissos assumidos por Portugal, a partir da
1. (PUC-PR) Portugal resistiu à nossa Independência, transferência da Corte.
procurando revertê-la, inclusive pela via das armas.
c) Portugal tinha se comprometido a limitar a prática
Com respeito à oposição lusitana, quais das alternati-
do tráfico ao sul do Equador e, desde então, a Ingla-
vas estão corretas?
terra tinha o direito de vigiar pelo cumprimento dos
I. O envio ao Brasil, de uma frota que bombardeou o Rio acordos firmados.

84
d) Tratados firmados entre o Brasil e a Angola proi- pode ser demonstrado pela permanência da escravidão.
biam o tráfico ao sul do equador. A respeito da questão escravista no I Reinado:
e) Os tratados assinados, em 1810 e 1831, permi-
a) Apresente duas razões pelas quais, de acordo com
tiam aos piratas de Sua Majestade sequestrar carre-
José Bonifácio, o fim do tráfico de escravos ameaçaria
gamentos de escravos e levá-los para as plantações
a própria existência do governo.
do Caribe.
b) Caracterize a política inglesa em relação ao tráfico
4. (Imed) A Constituição de 1824, primeira Constituição de escravos no Brasil.
do Brasil, estabelecia:
2. (UFG) Analise as imagens a seguir.
I. Estado unitário, monárquico e hereditário.
II. Independência da Igreja Católica em relação ao Es-
tado.
III. Voto indireto, censitário e aberto.
Quais estão corretas?
a) Apenas II.
b) Apenas I e II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

5. (Mackenzie) Como em 1822, a união contra o perigo


comum levou de vencida os adversários. O 7 de abril
aparece como o complemento necessário do 7 de se-
tembro.
CARLOS GUILHERME MOTA, 1822 DIMENSÕES

O perigo comum a que se refere o texto e a complemen-


tação referida seriam:
a) a ameaça de recolonização liderada pelo partido
português derrotado na Independência e na Abdica-
ção a 7 de abril de 1831.
b) a oposição dos grandes proprietários, que na In-
dependência e Abdicação pretendiam liquidar com a As duas pinturas representam a Proclamação da Inde-
escravidão. pendência do Brasil (1822) e a figura de D. Pedro I. Com
c) o apoio dos democratas do Partido Brasileiro em base na análise comparativa das imagens,
ambas as ocasiões à política absolutista de Pedro I.
a) explique as diferenças de sentido nas representa-
d) a união da Maçonaria e Apostolado para implantar
ções das imagens do príncipe D. Pedro I, da guarda
a República nestes dois momentos históricos.
real e do povo, em cada uma das pinturas.
e) a coincidência de projeto de nação entre as elites
b) descreva um elemento comum a ambas as pinturas
portuguesa e brasileira em ambas as oportunidades.
que corrobora uma mesma concepção de história e
explique que concepção de história é essa.
E.O. DISSERTATIVO 3. (UFRJ) “D. Pedro I, por graça de Deus e unânime acla-
mação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor
1. (UFU) Você sabe o quanto eu, sinceramente, detesto o
Perpétuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos sú-
tráfico de escravos, o quanto acredito ser ele prejudicial
ditos, que tendo-nos requerido os povos deste Império,
ao país, o quanto desejo sua total cessão, embora isso
juntos em Câmaras, que nós quanto antes jurássemos e
não possa ser feito imediatamente. As pessoas não es-
fizéssemos jurar o Projeto de Constituição (...).”
tão preparadas para isso, e até que seja feito, colocaria
em risco a existência do governo, se tentarmos fazê-lo (PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRAZIL, 1824)
repentinamente.
Identifique, no preâmbulo da Constituição de 1824,
CORRESPONDÊNCIA DE JOSÉ BONIFÁCIO AO ENVIADO BRITÂNICO HENRY uma passagem que expresse a incorporação de certas
CHAMBERLAIN, 1823. CITADA EM: MAXWELL, KENNETH. POR QUE O
BRASIL FOI DIFERENTE? O CONTEXTO DA INDEPENDÊNCIA. IN: MOTA, CARLOS
inovações políticas que caracterizavam a Europa desde
GUILHERME (ORG.). VIAGEM INCOMPLETA. A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA (1500- fins do século XVIII. Justifique sua resposta.
2000). FORMAÇÃO: HISTÓRIAS. SÃO PAULO: EDITORA SENAC, 2000, P.192.
4. (UFRJ) A primeira e única Constituição brasileira do
A emancipação política do Brasil não significou uma rup- Império foi a de 1824. Após dissolver a Assembleia
tura total com a ordem socioeconômica anterior, o que Constituinte, em 12 de novembro de 1823, D. Pedro I

85
nomeou um Conselho de Estado composto por dez nossos descendentes os benefícios da Liberdade, pro-
membros, o qual redigiu a Constituição, incorporando mulgamos e estabelecemos esta Constituição para os
inúmeros artigos do anteprojeto do grupo conservador Estados Unidos da América.
da Constituinte. A Constituição foi outorgada pelo Im-
perador em 25 de março de 1824. Estabelecia-se, assim, ARTIGO I
um sistema político calcado em diversas restrições ao Seção 1
pleno exercício do voto.
a) Cite dois segmentos sociais que, junto com os Todos os poderes legislativos conferidos por esta Cons-
escravos, estavam impedidos de votar nas eleições tituição serão confiados a um Congresso dos Estados
primárias (paroquiais), que escolhiam os eleitores de Unidos, composto de um Senado e de uma Câmara de
cada uma das províncias do Império. Representantes.
b) Para ser um eleitor nos Colégios Eleitorais que, no
segundo turno, escolhiam os Deputados e Senadores, ARTIGO II
as exigências aumentavam. Indique um requisito ne- Seção 1
cessário à capacitação desse tipo de eleitor.
O Poder Executivo será investido em um Presidente dos
5. (UFF) “Juro defender o vasto Império do Brasil e a Estados Unidos da América. Seu mandato será de qua-
liberal constituição digna do Brasil e digna do seu imor- tro anos, e, juntamente com o Vice-Presidente, escolhi-
tal defensor como pedem os votos dos verdadeiros do para igual período.
amigos da Pátria”
Segundo Lucia Neves, com essas palavras, D. Pedro I ARTIGO III
colocava-se, antecipadamente, na qualidade de juiz e Seção 1
revisor da Constituição Brasileira que seria elaborada
pelos representantes da Nação. O Poder Judiciário dos Estados Unidos será investido
NEVES, LUCIA PEREIRA DAS & MACHADO, HUMBERTO. O IMPÉRIO em uma Suprema Corte [...]
DO BRASIL. RIO DE JANEIRO: NOVA FRONTEIRA, 1999, P. 84.
(DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.USEMBASSY-MAPUTO.GOV.
MZ/U.S.CO STITUTION.HTM>. ACESSO EM: 18 OUT. 2005.)
Com base nessa afirmativa, analise o contexto político
que originou a Carta outorgada de 1824. CONSTITUICÃO POLITICA DO IMPERIO DO BRAZIL (DE
25 DE MARÇO DE 1824)
6. (UFG) Analise a imagem a seguir.
EM NOME DA SANTISSIMA TRINDADE.

[...]
Art. 1. O IMPÉRIO do Brasil é a associação política de
todos os Cidadãos Brasileiros. Eles formam uma Nação
livre e independente, que não admite com qualquer ou-
tra laço algum de união ou federação que se oponha à
sua Independência. [...]
Art. 3. O seu Governo é Monárquico Hereditário, Consti-
tucional e Representativo.
DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e Histórica pelo Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp,
1989. s. p. (Figura 144)
Art. 4. A Dinastia Imperante é a do Senhor Dom Pedro I,
atual Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil [...]
Produzida em 1822, esta pintura constituiu uma alego-
ria do Estado nacional por ocasião da Independência.
TÍTULO 3º
Nela se construiu uma imagem positiva do Império e
do papel político do monarca, aclamado como “Defen- Dos Poderes, e Representação Nacional. [...]
sor Perpétuo do Brasil”. Ao longo do Primeiro Reinado,
Art. 10. Os Poderes Políticos reconhecidos pela Constitui-
entretanto, a imagem do monarca se modificou. Diante
ção do Império do Brasil são quatro: o Poder Legislativo,
do exposto e com base na análise da pintura, explique
o Poder Moderador, o Poder Executivo, e o Poder Judicial.
a) uma característica do projeto político monárquico
do Primeiro Reinado; TÍTULO 4º:
b) um dos motivos que levaram à mudança da ima-
gem de D. Pedro I ao longo do Primeiro Reinado. Do Poder Legistativo. [...]
Art. 14. A Assembleia Geral compõe-se de duas Câma-
7. (Ufes) A Constituição dos Estados Unidos da América ras: Câmara de Deputados e Câmara de Senadores ou
Nós, o povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma Senado.
União mais perfeita, estabelecer a justiça, assegurar DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.PRESIDENCIA.GOV.BR/
a tranquilidade interna, prover a defesa comum, pro- CCIVIL03/CONST TUICAO/CONSTITUI%C3%A7AO24.HTM>.
mover o bem-estar geral, e garantir para nós e para os ACESSO EM: 18 OUT. 2005. TEXTO ATUALIZADO.

86
Os textos anteriores se referem à Constituição dos Es- visto como fruto de um longo consolidar de interesses e
tados Unidos da América e à do Brasil, surgidas no con- projetos em disputa, o que nos leva a concordar com Il-
texto de crise do sistema colonial. mar R. de Mattos, quando afirmou a impossibilidade de
se conceber a consolidação do Estado brasileiro antes
a) Identifique e explique uma característica política e
da década de 1840.”
uma econômica da referida crise.
b) Compare a solução política de formação do Estado PEREIRA, ALINE PINTO. O ARQUIVO NACIONAL E A HISTÓRIA LUSA-BRASILEIRA.
independente adotada no caso norte-americano com a
adotada no caso brasileiro. Discorra sobre os interesses e projetos em disputa que
impediram a consolidação do Estado nacional antes dos
8. (PUC) “Nós, representantes do povo brasileiro, reuni- anos 1840.
dos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir
um Estado democrático, destinado a assegurar o exer-
cício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a se-
gurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e
E.O. ENEM
a justiça, como valores supremos de uma sociedade fra- 1. (Enem) Após o retorno de uma viagem a Minas Ge-
terna, pluralista e sem preconceitos (...), promulgamos, rais, onde Pedro I fora recebido com grande frieza, seus
sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição (...)”. partidários prepararam uma série de manifestações a
favor do imperador no Rio de Janeiro, armando foguei-
“PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”, 1988
ras e luminárias na cidade. Contudo, na noite de 11 de
“D. Pedro I, por graça de Deus e unânime aclamação março, tiveram início os conflitos que ficaram conheci-
dos povos, Imperador constitucional e Defensor Perpé- dos como a Noite das Garrafadas, durante os quais os
tuo do Brasil: Fazemos saber a todos os nossos súditos, “brasileiros” apagavam as fogueiras “portuguesas” e
que tendo-nos requerido os povos deste Império, juntos atacavam as casas iluminadas, sendo respondidos com
em Câmaras, que nós quanto antes jurássemos e fizés- cacos de garrafas jogadas das janelas.
semos jurar o Projeto de Constituição (...)”. VAINFAS, R. (ORG.). DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL.
RIO DE JANEIRO: OBJETIVA, 2008 (ADAPTADO).
(“PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRASIL”, 1824)
a) Tomando como referência os textos apresentados, Os anos finais do I Reinado (1822-1831) se caracteriza-
IDENTIFIQUE uma característica da Constituição de ram pelo aumento da tensão política. Nesse sentido, a
1824 e uma característica da Constituição de 1988.
análise dos episódios descritos em Minas Gerais e no
b) EXPLIQUE a relação entre o Poder Moderador e
Rio de Janeiro revela
os demais poderes políticos de Estado, instituída pela
Constituição brasileira de 1824. a) estímulos ao racismo.
b) apoio ao xenofobismo.
9. (UFRRJ)
c) críticas ao federalismo.
d) repúdio ao republicanismo.
e) questionamentos ao autoritarismo.

2. (Enem) A Confederação do Equador contou com a


participação de diversos segmentos sociais, incluindo
os proprietários rurais que, em grande parte, haviam
apoiado o movimento de independência e a ascensão
de D. Pedro I ao trono. A necessidade de lutar contra o
poder central fez com que a aristocracia rural mobilizas-
se as camadas populares, que passaram então a ques-
Estampa anônima de 1839. Litografia de Frederico Guilherme Briggs. tionar não apenas o autoritarismo do poder central,
In: MOREL, Marco. O período das regências,1831-1840. mas o da própria aristocracia da província. Os líderes
Coleção Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2003.
mais democráticos defendiam a extinção do tráfico ne-
A caricatura apresentada, de 1839, mostra Bernardo Pe- greiro e mais igualdade social. Essas ideias assustaram
reira de Vasconcellos, então líder conservador, acusado os grandes proprietários de terras que, temendo uma
de enterrar os avanços liberais conquistados com a ab- revolução popular, decidiram se afastar do movimento.
dicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, travestido Abandonado pelas elites, o movimento enfraqueceu e
de Napoleão. não conseguiu resistir à violenta pressão organizada
a) Explique uma atitude política de D. Pedro I consi- pelo governo imperial.
derada autoritária pelos contemporâneos e que pro-
FAUSTO, B. HISTÓRIA DO BRASIL. SÃO PAULO: EDUSP, 1996 (ADAPTADO).
vocou sua abdicação em 1831.
b) Aponte uma diferença e uma semelhança entre li- Com base no texto, é possível concluir que a composi-
berais e conservadores nos últimos anos da Regência. ção da Confederação do Equador envolveu, a princípio,
10. (UFPR) “O processo de construção da unidade ter- a) os escravos e os latifundiários descontentes com o
ritorial e da formação do Estado no Brasil tem que ser poder centralizado.

87
b) diversas camadas, incluindo os grandes latifundiá- pelas Luzes do presente século que a soberania reside na
rios, na luta contra a centralização política. nação essencialmente, logo é sem questão que a mes-
c) as camadas mais baixas da área rural, mobilizadas pela ma nação ou pessoa da comissão é quem deve esboçar
aristocracia, que tencionava subjugar o Rio de Janeiro. a sua constituição, purificá-la das imperfeições e afinal
d) as camadas mais baixas da população, incluindo os estatuí-la.
escravos, que desejavam o fim da hegemonia do Rio FREI JOAQUIM DO AMOR DIVINO CANECA CRÍTICA DA CONSTITUIÇÃO OUTORGADA,
de Janeiro. 1824. IN: JUNQUEIRA, CELINA (ORG).
e) as camadas populares, mobilizadas pela aristocra- ENSAIOS POLÍTICOS. RIO DE JANEIRO: DOCUMENTÁRIO, 1976.
cia rural, cujos objetivos incluíam a ascensão de D.
A Confederação do Equador, ocorrida em 1824, apre-
Pedro I ao trono.
sentou propostas alternativas à organização do Impé-
rio do Brasil, sendo, porém, reprimidas pelo governo
E.O. UERJ de Pedro I. Explicite o motivo central para a eclosão da
Confederação do Equador e cite duas de suas propostas
EXAME DISCURSIVO para a organização do poder de Estado.

E.O. OBJETIVAS
1. (UERJ) Trecho da carta de despedida de D. Pedro I a
seu filho Pedro II
Meu querido filho e imperador... Deixar filhos, pátria e
amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a (UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP)
honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se
sempre de seu pai, ame a sua e a minha pátria, siga os 1. (Unesp) O Brasil assistiu, nos últimos meses de 1822
conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem de sua e na primeira metade de 1823,
educação, e conte que o mundo o há de admirar... Eu me a) ao reconhecimento da Independência brasileira
retiro para a Europa: assim é necessário para que o Bra- pelos Estados Unidos, pela Inglaterra e por Portugal.
sil sossegue, e que Deus permita, e possa para o futuro b) ao esforço do imperador para impor seu poder às
chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz. províncias que não haviam aderido à Independência.
Adeus, meu amado filho, receba a bênção de seu pai c) à libertação da Província Cisplatina, que se tornou
que se retira saudoso e sem mais esperanças de o ver. independente e recebeu o nome de Uruguai.
D. PEDRO DE ALCÂNTARA, 12 DE ABRIL DE 1831 <REVISTADEHISTORIA.COM.BR> d) à pacífica unificação de todas as partes do território
nacional, sob a liderança do governo central, no Rio
Ainda permanece a imagem de Pedro I como um dos de Janeiro.
responsáveis pela autonomia política do Brasil. Contu-
e) à confirmação, pelas Cortes portuguesas e pela Assem-
do, nove anos após proclamar o 7 de setembro de 1822,
bleia Constituinte, do poder constitucional do imperador.
o imperador abdicava de seu trono e retornava à Euro-
pa. A instabilidade política e econômica foi a marca de 2. (Unicamp) Se eu pudesse alguma coisa para com
seu breve reinado. Deus, lhe rogaria muita geada nas terras de serra aci-
Cite um setor da sociedade brasileira da época que se ma, porque a cultura da cana nessas terras, onde se faz
opunha à manutenção do governo de Pedro I e uma o açúcar, tem abandonado ou diminuído a cultura do
razão para essa oposição. Em seguida, aponte um mo- milho e do feijão e a criação dos porcos; estes gêneros
tivo para a instabilidade econômica que caracterizou têm encarecido, assim como o trigo, o algodão e o azei-
esse governo. te de mamona; tem introduzido muita escravatura, o
que empobrece os lavradores, corrompe os costumes e
2. (UERJ) leva ao desprezo pelo trabalho de enxada; tem devasta-
Bandeira da Confederação do Equador do as matas e reduzido a taperas muitas herdades; tem
roubado muitos braços à agricultura, que se empregam
no carreto dos africanos; tem exigido grande número
de mulas que não procriam e consomem muito milho.
JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA, PROJETOS PARA O BRASIL.
SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1998, P. 181-182.

De acordo com o texto acima, podemos concluir que,


para José Bonifácio, o cultivo da cana-de-açúcar:
a) estimulava o desenvolvimento da economia, pois
exigia maior emprego de escravos na agricultura, in-
www.historiabrasileira.com
tensificando o comércio de africanos.
O poder moderador de nova invenção maquiavélica é a b) favorecia o desenvolvimento social, pois o encareci-
chave mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mento de gêneros como milho, feijão, porcos e trigo le-
mais forte da liberdade dos povos. É princípio conhecido vava ao enriquecimento de pequenos proprietários rurais.

88
c) prejudicava a economia do país, pois desestimulava a) da anexação do Uruguai por D. Pedro e da sua
o cultivo de outros produtos agrícolas, encarecendo transformação em Província Cisplatina, limitando o
os gêneros alimentícios. comércio inglês no Prata.
d) prejudicava o meio ambiente, pois devastava as b) da oposição inglesa aos privilégios alfandegários
matas e reduzia o cultivo de milho, o que dificultava a concedidos, desde 1819, aos produtos portugueses
procriação das mulas. importados pelo Brasil.
c) dos incentivos do governo brasileiro à exportação
3. (Unesp) Em troca do reconhecimento de sua inde- de algodão, o que tornava este produto mais barato
pendência por parte da Inglaterra, o Brasil assinou um do que o produzido nas colônias britânicas.
tratado em 1826, incluindo cláusulas para por termo: d) do início da imigração europeia para o Brasil, fato
a) ao tráfico negreiro. que poderia levar à industrialização e à diminuição
b) ao tratado comercial de 1810. das importações de produtos ingleses.
c) à escravidão africana. e) da oposição do Estado inglês ao tráfico negreiro
d) à autonomia municipal. que o governo brasileiro, depois de resistir, proibiu,
e) ao pacto colonial. em 1850.

4. (Fuvest) Examine o gráfico. 6. (Fuvest) A Constituição Brasileira de 1824 colocou o


Imperador à testa de dois Poderes. Um deles lhe era “de-
legado privativamente” e o designava “Chefe Supremo
da Nação” para velar sobre “o equilíbrio e harmonia dos
demais Poderes Políticos”, o outro Poder o designava
simplesmente “Chefe” e era delegado aos Ministros de
Estado. Estes Poderes eram respectivamente:
a) Executivo e Judiciário
b) Executivo e Moderador
c) Moderador e Executivo
d) Moderador e Judiciário
e) Executivo e Legislativo.

7. (Unesp) O fechamento da Assembleia Constituinte,


O gráfico fornece elementos para afirmar: por D. Pedro I, em novembro de 1823,
a) A despeito de uma ligeira elevação, o tráfico ne- a) impediu a tentativa de recolonização portuguesa e
greiro em direção ao Brasil era pouco significativo nas eliminou a influência política da Igreja Católica.
primeiras décadas do século XIX, pois a mão de obra b) isolou politicamente o imperador e determinou o
livre já estava em franca expansão no país. imediato final do Primeiro Reinado brasileiro.
b) As grandes turbulências mundiais de finais do sé- c) representou a centralização do regime monárquico
culo XVIII e de começos do XIX prejudicaram a eco- e provocou reações separatistas.
nomia do Brasil, fortemente dependente do trabalho d) ampliou a força política dos estados do nordeste e
escravo, mas incapaz de obter fornecimento regular e facilitou o avanço dos projetos federalistas.
estável dessa mão de obra. e) assegurou o caráter liberal da nova Constituição e
c) Não obstante pressões britânicas contra o tráfico aumentou os poderes do judiciário.
negreiro em direção ao Brasil, ele se manteve alto,
contribuindo para que a ordem nacional surgida com 8. (Unesp) O trabalho é incessante. Aqui uma chusma
a Independência fosse escravista. [grupo] de pretos, seminus, cada qual levando à cabeça
d) Desde o final do século XVIII, criaram-se as condi- seu saco de café, e conduzidos à frente por um que dan-
ções para que a economia e a sociedade do Império ça e canta ao ritmo do chocalho ou batendo dois ferros
do Brasil deixassem de ser escravistas, pois o tráfico um contra o outro, na cadência de monótonas estrofes
negreiro estava estagnado. a que todos fazem eco; dois mais carregam no ombro
pesado tonel de vinho [...], entoando a cada passo me-
e) Rapidamente, o Brasil aderiu à agenda antiescra-
lancólica cantilena; além, um segundo grupo transporta
vista britânica formulada no final do século XVIII,
fardos de sal, sem mais roupa que uma tanga e, indife-
firmando tratados de diminuição e extinção do trá-
rentes ao peso como ao calor, apostam corrida gritando
fico negreiro e acatando as imposições favoráveis ao
a pleno pulmão. Acorrentados uns aos outros, aparecem
trabalho livre.
seis outros com balde d’água à cabeça. São criminosos
5. (Fuvest) Houve um estremecimento nas relações entre empregados em trabalhos públicos, também vão can-
os Estados inglês e brasileiro, na primeira metade do sé- tando em cadência...
culo XIX, em consequência da forte pressão que a Ingla- ERNEST EBEL. O RIO DE JANEIRO E SEUS ARREDORES EM 1824.
terra exerceu sobre o Brasil a partir do reconhecimento
da Independência (1826). Tais pressões decorreram O texto, escrito pelo viajante Ernest Ebel, exprime:

89
a) a presença de um número significativo de negros É humilhação
na sociedade brasileira da época e as tarefas cotidia- que sofrer jamais podia
nas que, como escravos, eram obrigados a realizar.
brasileiro de coração.
b) o estado de rebelião dos escravos brasileiros, co-
agidos a um trabalho extenuante sob os olhos dos A quadrinha acima reflete o temor vivido no Brasil de-
senhores e permanentemente acorrentados. pois do retorno de D. João VI a Portugal em 1821. Ape-
sar de seu filho Pedro ter ficado como regente, acirrou-
c) uma visão positiva e otimista da sociedade dos tró-
-se o antagonismo entre “brasileiros” e “portugueses”
picos, em que o trabalho é acompanhado pela música
até que, em dezembro de 1821, as Cortes de Portugal
e pela dança.
determinaram o retorno do príncipe. Se ele acatasse,
d) o ritmo do trabalho urbano determinado pelas im- tudo poderia acontecer. Inclusive, dizia d. Leopoldina,
posições do processo de industrialização que se ini- “uma Confederação de Povos no sistema democrático
ciava na cidade do Rio de Janeiro. como nos Estados Livres da América do Norte”.
e) a ineficácia da mão de obra escrava no trabalho
urbano, quando comparada com a produtividade do EDUARDO SCHNOOR, SENHORES DO BRASIL. IN: REVISTA DE HISTÓRIA DA
BIBLIOTECA NACIONAL, N. 48. RIO DE JANEIRO, SET. 2009, P. 36.
trabalho assalariado.
a) Identifique os riscos temidos pelas elites do centro-
9. (Unifesp) Os membros da loja maçônica fundada por -sul do Brasil com o retorno de D. João VI a Lisboa e
José Bonifácio em 2 de junho de 1822 (e que no dizer de a pressão das Cortes para que D. Pedro I retornasse
Frei Caneca não passava de um “clube de aristocratas a Portugal.
servis”) juraram “procurar a integridade e independên- b) Explique o que foi a Confederação do Equador.
cia e felicidade do Brasil como Império constitucional,
opondo-se tanto ao depotismo que o altera quanto à 2. (Unicamp) No tempo da independência, não havia
anarquia que o dissolve”. ideias precisas sobre o federalismo. Empregava-se
Na visão de José Bonifácio e dos membros da referida “federação” como sinônimo de “república” e de “de-
loja maçônica, o despotismo e a anarquia eram encar- mocracia”, muitas vezes com o objetivo de confun-
nados, respectivamente, di-la com o governo popular, embora se tratasse de
concepções distintas. Por outro lado, Silvestre Pinheiro
a) pelos que defendiam a monarquia e a autonomia Ferreira observava ser geral a aspiração das províncias
das províncias. à autonomia, sem que isso significasse a abolição do
b) por todos quantos eram a favor da independência governo central da monarquia. Mas a historiografia da
e união entre as províncias. independência tendeu a escamotear a existência do
c) pelo chamado partido português e os republicanos projeto federalista, encarando-o apenas como produto
ou exaltados. de impulsos anárquicos e de ambições personalistas e
d) pelos partidários da separação com Portugal e da antipatrióticas.
união sul-americana. (ADAPTADO DE EVALDO CABRAL DE MELO, A OUTRA
e) pelos partidos que queriam acabar com a escravi- INDEPENDÊNCIA. O FEDERALISMO PERNAMBUCANO DE 1817
dão e a centralização do poder. A 1824. SÃO PAULO: ED. 34, 2004, P. 12-14.)

a) Identifique no texto dois significados distintos para


10. (Unifesp) Realizada a emancipação política em 1822, o federalismo.
o Estado no Brasil b) Quais os interesses econômicos envolvidos no pro-
a) surgiu pronto e acabado, em razão da continui- cesso de independência do Brasil?
dade dinástica, ao contrário do que ocorreu com os
demais países da América do Sul. 3. (Fuvest) Não parece fácil determinar a época em que os
b) sofreu uma prolongada e difícil etapa de consolidação, habitantes da América lusitana, dispersos pela distância,
tal como ocorreu com os demais países da América do Sul. pela dificuldade de comunicação, pela mútua ignorância,
pela diversidade, não raro, de interesses locais, começam
c) vivenciou, tal como ocorreu com o México, um longo
a sentir-se unidos por vínculos mais fortes do que todos
período monárquico e uma curta ocupação estrangeira.
os contrastes ou indiferenças que os separam, e a querer
d) desconheceu, ao contrário do que ocorreu com os
associar esse sentimento ao desejo de emancipação po-
Estados Unidos, guerras externas e conflitos internos.
lítica. No Brasil, as duas aspirações – a da independência
e) adquiriu um espírito interior republicano muito seme- e a da unidade – não nascem juntas e, por longo tempo
lhante ao argentino, apesar da forma exterior monárquica. ainda, não caminham de mãos dadas.
SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA, A HERANÇA COLONIAL –
E.O. DISSERTATIVAS SUA DESAGREGAÇÃO. IN: HISTÓRIA GERAL DA CIVILIZAÇÃO
BRASILEIRA. 2. ED., SÃO PAULO: DIFEL, 1965, P. 9.

(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) a) Explique qual a diferença entre as aspirações de “in-
dependência” e de “unidade” a que o autor se refere.
1. (Unicamp) Passar de Reino a Colônia b) Indique e caracterize ao menos um acontecimen-
to histórico relacionado a cada uma das aspirações
É desar [derrota] mencionadas no item a).

90
4. (Unifesp) A independência do Brasil, quando compa- 50-) porque exige grande número de bestas muares que
rada com a independência dos demais países da Améri- não procriam e que consomem muito milho; 60-) porque
ca do Sul, apresenta semelhanças e diferenças. Indique diminuiria a feitura da cachaça, que tão prejudicial é do
as principais moral e físico dos moradores do campo.”
a) semelhanças. JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA, PROJETOS PARA O BRASIL.
b) diferenças. SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1998, P. 181, 182.

5. (Fuvest) O texto (I) e a imagem (II) a seguir foram pro- Retome o texto apresentado, escrito por José Bonifácio
duzidos por viajantes europeus que estiveram no Brasil de Andrada e Silva.
na primeira metade do século XIX e procuraram retratar a) Identifique dois aspectos negativos da cultura da
aspectos da sociedade que aqui encontraram. cana-de-açúcar mencionados no texto.
I. “Como em todas as lojas, o mercador se posta por trás b) A Assembleia Constituinte, à qual José Bonifácio
de um balcão voltado para a porta, e é sobre ele que encaminhou seus projetos sobre a escravidão, foi dis-
distribui aos bebedores a aguardente chamada cacha- solvida em novembro de 1823 por D. Pedro I, que
ça, cujo sabor detestável tem algo de cobre e fumaça.” promulgou uma Constituição em março de 1824.
AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE, 1816.
Essa carta outorgada instituiu o Poder Moderador. De
que maneira o Poder Moderador levou à centraliza-
II. ção da Monarquia?
c) Aponte dois fatores que contribuíram para a aboli-
ção da escravidão no Brasil.

GABARITO
E.O. Aprendizagem
1. A 2. B 3. A 4. C 5. A
Fonte: Johann Moritz Rugendas, 1935.
6. C 7. A 8. A 9. E 10. D
Indique elementos ou indícios presentes no texto ou na
imagem que sinalizem características da época relati-
vas a E.O. Fixação
a) fontes de energia. 1. B 2. D 3. A 4. D 5. D
b) processos de industrialização. 6. E 7. A 8. E 9. E 10. C
c) vida urbana.

6. (Fuvest) O movimento político conhecido como “Con- E.O. Complementar


federação do Equador”, ocorrido em 1824 em Pernam-
1. D 2. E 3. C 4. C 5. A
buco e em províncias vizinhas, contou com a liderança
de figuras como Manuel Carvalho Paes de Andrade e
Frei Joaquim do Amor Divino Caneca. Relacione esse
movimento com
E.O. Dissertativo
a) o projeto político desenvolvido pela Corte do Rio 1.
de Janeiro, na mesma época; a) Para Bonifácio, o fim imediato do tráfico de escra-
b) outros dois movimentos ocorridos em Pernambuco, vos era uma ameaça porque (1) a diminuição da mão
em anos anteriores. de obra escrava geraria uma crise econômica no país
e (2) a elite brasileira, extremamente dependente dos
7. (Unicamp) “Se eu pudesse alguma coisa com Deus, lhe escravos, poderia colocar-se contra o governo.
rogaria quisesse dar muita geada anualmente nas terras b) A Inglaterra desenvolvia uma política de defesa da
de serra acima, onde se faz o açúcar; porque a cultura da abolição da escravatura desde o século XIX, basica-
cana tem sido muito prejudicial aos povos: 10-) porque mente por três motivos, a saber: (1) interesse na ex-
tem abandonado ou diminuído a cultura do milho e do ploração da África e, devido a isso, interesse em que
feijão e a criação dos porcos; estes gêneros têm encare- a mão de obra africana não saísse do Continente, (2)
cido, assim como a cultura de trigo, e do algodão e azeite interesse em diminuir a produção de açúcar do Brasil,
de mamona; 20-) porque tem introduzido muita escrava- para abrir concorrência para o açúcar inglês produzi-
tura, o que empobrece os lavradores, corrompe os cos- do nas Antilhas no mercado mundial e (3) interesse
tumes e leva ao desprezo pelo trabalho de enxada; 30-) em transformar a mão de obra escrava em mão de
porque tem devastado as belas matas e reduzido a tape- obra paga para ampliar o número de consumidores
ras muitas herdades; 40-) porque rouba muitos braços à para seus produtos manufaturados.
agricultura, que se empregam no carreto dos africanos;

91
2. 6.
a) A obra de Pedro Américo mostra D. Pedro I como a) A pintura alude a diversas características do proje-
um herói militar levantando sua espada. A guarda to político monárquico, dentre as quais:
está em destaque e o povo está à margem do fato • a ideia de soberania da Monarquia frente aos
histórico com um camponês em seu carro de boi. O distintos setores da sociedade brasileira recém-
artista retrata o caráter militar da independência. Mo- -emancipada, conforme pode ser observado na
reaux, por sua vez, representa D. Pedro I como herói presença de diferentes tipos sociais na cena re-
popular levantando seu chapéu no centro da tela e tratada por Debret. O intuito era garantir a legiti-
ao lado do povo. O povo ganha importância no acon- midade do poder do Príncipe junto à população.
tecimento e legitima a ação de D. Pedro I. Moreaux • a ideia de união das raças com o objetivo de de-
atribui caráter civil ao movimento. fender o território nacional, conforme pode ser
b) O que há de comum entre os quadros é a figura observado na disposição das personagens repre-
de D. Pedro I no centro da tela, ou seja, do aconteci- sentadas: indígenas, negros, brancos e mestiços.
mento. As obras abordam o aspecto heroico do 7 de Essas figuras aparecem em torno do trono, com
setembro de 1822. Assim, possui um viés positivista armas e instrumentos de trabalho em punho,
de história ao privilegiar o herói destacando o indiví- dispostos a defender a Monarquia;
duo em detrimento do coletivo não compreendendo • a referência à Monarquia como institui ção pro-
a história enquanto um processo coletivo. tetora da Nação, conforme pode ser verificado
na centralidade da personagem que a represen-
3. Os trechos são: “Imperador Constitucional”; “tendo-nos re- ta. Essa centralidade é reforçada pela referência
querido os povos deste Império, juntos em Câmaras”; ou “que ao brasão de D. Pedro I e pela posição ocupada
nós quanto antes jurássemos e fizéssemos jurar o Projeto de pela figura, que se encontra em plano superior
Constituição”. A justificativa deverá mencionar a relação com as às demais personagens.
ideias iluministas que propunham mudanças nos regimes políti- b) Foram vários os motivos que levaram à mudança
cos monárquicos através do questionamento do poder absoluto da imagem de D. Pedro I, dentre os quais:
dos reis e da promoção de iniciativas no sentido do seu controle. • as atitudes autoritárias, associadas ao caráter ab-
Poderão também ser mencionadas as influências do liberalismo solutista da formação política do Imperador. Essa
francês, da constituição francesa de 1791, entre outros movi- atitude pode ser observada, por exemplo, na dis-
mentos políticos. solução da Assembleia Constituinte de 1823, na
4. elaboração da Constituição Outorgada de 1824,
que legitimou o poder pessoal do Imperador, e na
a) Nas primárias que escolhiam os eleitores das pro- repressão violenta aos participantes da Confede-
víncias, não votavam: estrangeiros não naturalizados; ração do Equador, em Pernambuco;
brasileiros sem direitos políticos; menores de 21 anos; • a dinâmica socioeconômica do I Império, que
menores de 25 anos, excetuando-se os que, tendo colocou em choque os interesses das elites bra-
mais de 21 anos, fossem casados, bacharéis forma- sileiras que tinham na agricultura sua principal
dos e oficiais militares; índios; mulheres; religiosos atividade econômica, e os interesses das elites
regulares; criados de servir; filhos que vivessem na portuguesas da Corte, normalmente associados
dependência dos pais; todos os detentores de renda ao grande comércio. Tais divergências, elevadas
anual inferior a 100 mil-réis. ao plano político com a formação de dois agru-
b) Alguns requisitos para ser um eleitor nos Colégios pamentos concorrentes, não conseguiram ser
Eleitorais: não ser liberto; não estar envolvido em administradas por D. Pedro I;
“querelas e devassas” e ter uma renda anual superior • a insistência e o insucesso na Guerra da Cis-
a 200 mil-réis. platina (1825-1828), que teve forte impacto no
5. Nos primeiros anos da Independência, o debate político se erário público.
concentrou no problema da aprovação de uma Constituição. As
desavenças entre Dom Pedro e a Assembleia giraram em torno 7.
do papel do Imperador, ou seja, das atribuições do Poder Executi- a) Dentre os fatores que caracterizam a crise do sistema
vo. Os constituintes queriam, por exemplo, que o imperador não colonial, destacam-se as concepções fisiocráticas e libe-
tivesse o poder de dissolver a Câmara dos Deputados. Queriam rais, relacionadas com a transição das práticas mercanti-
também que ele não tivesse o poder do veto absoluto, isto é, o listas para as novas relações capitalistas, bem como com
direito de negar validade a qualquer lei aprovada pelo Legislativo. a transição da manufatura para a maquinofatura. Nesse
Nesse sentido, era consenso a escolha da monarquia constitucio- processo, incluem-se a crise do trabalho escravo e a sua
nal, como regime de governo, capaz de sustentar a união até substituição pelo trabalho livre e remunerado. A crise do
então compartilhada por todos os constituintes de várias regiões sistema colonial também implica substituição do “pacto
do recente império. A carta outorgada de 1824 consolidou, no colonial”, que compreendia protecionismo, monopólios
entanto, a centralização do poder político no Rio de Janeiro, sus- e privilégios, pelo livre comércio, com repercussões po-
tentada especialmente pelas camadas de grandes comerciantes líticas nas regiões colonizadas, onde se manifestaram
e traficantes de escravos. A concentração do poder na esfera do insurgências que culminaram com os processos de
Executivo, ou seja, no Imperador e seus ministros, em detrimento emancipação política e formação dos Estados nacionais
do Poder Legislativo, reforçou o projeto centralizador. no continente americano.

92
b) As comparações entre os Estados Unidos e o Brasil Constituição de 1824, de tendência absolutista.
devem considerar, em primeiro lugar, que a repúbli-
Podem-se perceber ainda outros interesses em disputa, como
ca norte-americana emerge da sociedade, represen-
das elites regionais aliada a setores intelectualizados, principal-
tada na frase inicial “Nós, o povo...”, enquanto a
mente do norte (nordeste), que pretendia maior autonomia para
Monarquia brasileira demonstra sua origem divina, as províncias, destacando-se ideais republicanos.
representada na frase “Em nome da Santíssima Trin-
dade...”. Trata-se de uma comparação entre as pre-
missas democrática e absolutista. As diferenças na E.O. Enem
forma de governo incluem também a existência do
1. E 2. B
Poder Moderador e o respectivo Conselho de Estado
como instância complementar da monarquia brasilei-
ra, o que não existe na república americana. As con- E.O. UERJ
cepções legislativas são semelhantes quanto ao as-
pecto bicameral do parlamento - (Senado e Câmara), EXAME DISCURSIVO
mas, no que se refere ao mandato para o Senado, no 1. Um dos setores e uma das respectivas razões:
caso brasileiro, diferentemente do norte-americano, o
• traficantes de escravos / discordância em relação ao acordo
mandato é vitalício. Notam-se, também, diferenças na
assinado com a Inglaterra pelo fim do tráfico de escravos
composição dos respectivos poderes judiciários.
• comerciantes nativos / insatisfação com as vantagens e
8. privilégios dispensados pelo imperador aos comerciantes
a) Características da Constituição de 1824: a divisão portugueses e ingleses
em 4 poderes de Estado, a instituição do regime mo- • grandes proprietários de escravos e terras / insatisfação
nárquico, o voto censitário e indireto, a subordinação com os altos impostos, com a centralização política imposta
entre Igreja e Estado; por Pedro I e com o acordo relativo ao final do tráfico
Características da Constituição de 1988: a instaura-
• grupos médios urbanos liberais / defesa do federalismo, rei-
ção de uma República federativa, a existência de três
vindicação de reformas à Constituição de 1824, crítica ao en-
poderes de Estado, o voto universal direto, a separa-
dividamento do Estado, aos rumos da Guerra da Cisplatina e
ção entre Igreja e Estado, entre outras.
ao envolvimento do Imperador na sucessão portuguesa
b) Segundo a Constituição de 1824, o Poder Mode-
rador era a chave da organização política do Estado • Um dos motivos:
Imperial, pois sua função era promover e garantir o • crise da economia açucareira
equilíbrio entre os outros poderes de Estado. Nessa
qualidade, o Poder Moderador, privativo do Impera- • gastos com a estruturação do Estado Imperial
dor, permitia a ele, entre outras atribuições, dissolver • dívidas geradas pelas Guerras de Inde pendência e da
a Câmara dos Deputados. Assim, numa certa medida, Cisplatina
o Poder Moderador ampliava as atribuições do Impe-
rador como chefe do Poder Executivo, estabelecendo • acordos comerciais desfavoráveis assina dos, principalmen-
te, com Portugal e Inglaterra
possibilidades de intervenção no funcionamento do
Legislativo e do Judiciário. 2. A Confederação do Equador foi a principal rebelião contra a
política autoritária e centralizadora de D. Pedro I, após outorgar
9. a Constituição de 1824, quando impôs a nomeação de Francisco
a) O encerramento da Assembleia Nacional Consti- Paes Barreto como presidente da província de Pernambuco; em
tuinte por forças do Exército, destacando a outorga lugar de Pais de Andrade, apoiado pelo povo. A Confederação foi
da Constituição de 1824 através da qual D. Pedro I um movimento separatista, de caráter republicano e liberal, que
garantiu a total supremacia do executivo (poder mo- pretendia a organização de um novo Estado reunindo as provín-
derador) sobre o legislativo; a dura repressão imposta cias do norte (nordeste), constituído a partir da organização dos
por D. Pedro aos confederados de Pernambuco, re- três poderes de Estado.
duzindo o território da província e executando vários
líderes do movimento.
b) Diferença: os liberais defendiam uma maior au-
E.O. Objetivas
tonomia para as províncias do Império e a predomi- (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
nância do legislativo sobre o executivo. Semelhança: 1. B 2. C 3. A 4. C 5. E
ambos temiam a dissolução das antigas fronteiras
sociais pela ampliação da participação política. 6. C 7. C 8. A 9. C 10. B
10. Tradicionalmente, essa disputa é entendida entre dois grupos
da elite: a elite brasileira, formada pelos proprietários rurais e arti- E.O. Dissertativas
culadores da Independência, e a elite de origem lusitana instalada
no Brasil, vinculada ao comércio, e que havia sido contrária à In- (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
dependência. Esses dois grupos procuraram estabelecer influência 1.
sobre D. Pedro I, destacando-se o segundo, que conseguiu impor a

93
a) As elites brasileiras temiam a recolonização do da política lusitana desde a implantação da derrama.
Brasil. Este temor estava baseado na política desen- Quanto à questão da unidade territorial, destaca-se a
volvida pelas cortes portuguesas que adotaram medi- “Confederação do Equador”, nascida em Pernambuco e
das liberais em Portugal, como a elaboração de uma espalhada pelo nordeste, contra a centralização e auto-
Constituição e a limitação do poder real, mas, frente ritarismo do imperador D. Pedro I, pretendeu a formação
ao Brasil, desenvolveram uma política conservadora de um Estado independente na região.
que pretendia o fechamento dos portos, restaurando
o monopólio comercial perdido em 1808 e a situação 4.
colonial. Essa política restauradora dos portugueses a) Semelhanças: Tanto no Brasil, como nas colônias
contrariava os interesses da elite, formada por gran- espanholas, os processos de independência foram
des proprietários rurais, que lucravam mais com os conduzidos sob a liderança das elites econômicas co-
portos abertos e o comércio realizado diretamente. loniais, influenciadas pela ideologia liberal; em ambos
b) Após a Independência do Brasil, iniciou-se o pro- os casos houve interferência da Inglaterra em favor
cesso de organização do Estado, caracterizado pelos da emancipação, interessada no fim do Pacto Colo-
choques de interesses, principalmente de “brasilei- nial devido à demanda por mercados em decorrência
ros” e “portugueses” (defensores de Portugal, mas de sua industrialização; consolidadas as emancipa-
residentes no Brasil e ligados ao comércio). Nesse ções, as elites econômicas que se constituiram tam-
contexto, D. Pedro I outorgou a Constituição, auto- bém em oligarquias políticas, assumiram o controle
ritária e centralizadora. A luta contra o autoritarismo dos recém-fundados Estados nacionais latinoameri-
imperial manifestou-se no mesmo ano quando da canos, não promovendo alterações na estrutura social
eclosão de uma grande rebelião em Pernambuco, que e econômica do período colonial e impediram a parti-
se alastrou pelo nordeste, com caráter separatista e cipação política dos segmentos populares.
republicano, denominada Confederação do Equador. b) Diferenças: O caso brasileiro é considerado “suis
generis”, pois a independência em relação a Portugal
2. não se deu através de revoltas ou revoluções, sen-
a) De acordo com o texto, o federalismo poderia sig- do efetivada em 1822, sob a liderança do príncipe
nificar a autonomia provincial, porém sem a abolição regente português no Brasil, D. Pedro I; foi adotado
do governo central, e também democracia, república o regime monárquico de governo e foi preservada a
ou governo popular. unidade política nacional.
b) Pode-se apontar entre os interesses econômicos • Na América Espanhola, a independência das co-
envolvidos no processo de independência do Brasil, lônias, liderada pelos “criollos” (descendentes
o interesse inglês em romper o pacto colonial portu- de espanhóis nascidos na América que consti-
guês sobre Brasil evidenciado no apoio à transferên- tuíam a elite econômica), foi conquistada atra-
cia da Corte Portuguesa para o Brasil e nos benefícios vés de guerras prolongadas, com batalhas san-
obtidos com a Abertura dos Portos brasileiros em grentas; consolidada a autonomia política, foi
1808, o interesse da aristocracia agroexportadora em adotado o regime republicano presidencialista
defender o livre comércio e preservar seus privilégios e as antigas colônias fragmentaram-se, dando
e o interesse português em restaurar o monopólio do origem aos vários Estados nacionais atuais de
comércio com o Brasil quando da instalação das Cor- língua espanhola na América do Sul.
tes Portuguesas (Parlamento) a partir da Revolução 5.
do Porto em 1820.
a) As expressões “cachaça” e “algo de cobre e fu-
3. maça” presentes no texto indicam a destilação de
aguardente em alambiques com utilização de energia
a) Os primeiros movimentos de emancipação fren-
térmica nas fornalhas.
te à metrópole surgiram com força no decorrer do
século XVIII e foram fortemente influenciados pela b) As mesmas expressões podem ser consideradas
indicativas da existência de atividade industrial no
percepção de que a exploração portuguesa impedia
período ao qual pertencem o texto e a imagem. Tal
o desenvolvimento, assim como pelos ideais iluminis-
indústria devia caracterizar-se pelo processo de ma-
tas, mas nesse momento não havia a preocupação
nufatura, pois as datas do texto e da imagem são
em discutir a unidade territorial. Na década de 1820,
anteriores a maquinofatura da Revolução Industrial.
enquanto o desejo de independência era percebido em
c) A descrição da loja feita no texto e os elementos pre-
toda a elite colonial de diferentes regiões do Brasil,
sentes na tela de Rugendas são indicativos os da vida
o “unitarismo” era rejeitado, pois as elites regionais,
urbana da época, do pequeno comércio e do escravismo.
principalmente do nordeste, defendiam uma situação
de autonomia ou mesmo de separação em relação ao 6.
restante do Brasil.
a) A Confederação do Equador foi um movimento
b) diversos movimentos emancipacionistas podem ser
deflagrado em Pernambuco como resposta a centrali-
destacados, sendo o mais conhecido a “Inconfidência
zação de poder nas mãos do Imperador Pedro I, con-
Mineira”, liderado pela elite econômica e intelectual da
ferida pela outorga da Constituição de 1824.
região, que vivia a decadência da mineração e os abusos
b) Guerra dos Mascates (1710), que foi igualmente

94
“anti-Portugal” e Revolução Pernambucana (1817),
de caráter liberal, federalista e anti-Portugal.

7.
a) Entre os aspectos negativos mencionados no tex-
to, pode-se destacar: a diminuição da produção de
gêneros para o mercado interno, com a consequente
elevação dos preços e o emprego do trabalho escravo
que segundo o autor, “... empobrece os lavradores,
corrompe os costumes e leva ao desprezo pelo traba-
lho de enxada...”. Pode-se mencionar ainda, a der-
rubada das matas.
b) O Poder Moderador, constante na Constituição
imperial, conferia ao imperador autoridade para in-
terferir nos demais poderes. Por exemplo, podia o
imperador dissolver a Câmara dos Deputados, con-
vocar ou anular eleições, nomear ou demitir juízes e
empossar Senadores. Assim sendo, o Poder Modera-
dor representava o fortalecimento do poder imperial,
através do fortalecimento do Poder Executivo, dando
a monarquia um caráter centralista.
c) Entre os fatores que contribuíram para a abolição
da escravidão pode-se mencionar o fim do tráfico ne-
greiro, estabelecido pela Lei Eusébio de Queirós em
1850, que levou a uma diminuição gradativa do nú-
mero de escravos e a Campanha Abolicionista, que
envolveu setores da classe média e intelectuais.

95
REGÊNCIA (1831-1840) E SEGUNDO
AULAS REINADO: POLÍTICA INTERNA (1840-1889)
19 E 20
1, 9, 10, 11, 13, 14, 15
COMPETÊNCIAS: 1, 2, 3 e 5 HABILIDADES:
e 22

E.O. APRENDIZAGEM Caxias, é enviado pelo Império para comandar as forças


legalistas. A atuação de Caxias pacificou a região já no
ano de 1845.
1. (Mackenzie) Quem viver em Pernambuco Abaixo são listadas algumas medidas que poderiam ser
Há de estar enganado utilizadas para solução do conflito:
Que ou há de ser Cavalcanti I. Repressão violenta com prisão e fuzilamento de todos
Ou a de ser cavalgado os líderes do movimento farroupilha.
Quem for para Pernambuco II. Aumento de taxas de importação do charque platino
Leve contas pra rezar para tornar o similar rio-grandense-do-sul mais compe-
titivo no mercado nacional.
Pernambuco é purgatório
III. Cerco impiedoso sobre as maiores cidades rebela-
Onde a gente vai penar
das, provocando a morte de milhares de civis, minando
(QUADRINHAS POPULARES DA ÉPOCA) a moral do inimigo e levando os insurretos à rendição.
IV. Incorporação ao Exército Brasileiro de comandantes
As revoluções de 1848, na Europa, marcam o fim de um
farroupilhas com os mesmos postos que ocupavam nas
ciclo revolucionário iniciado em 1789, com a Revolução
tropas rebeldes.
Francesa. No Brasil, a Revolução Praieira, em 1848, tam-
bém representou o fim das agitações políticas e sociais V. Reconhecimento, pelo governo imperial, da liberdade
iniciadas com o processo de organização do Império dos escravos que lutaram na revolução como soldados.
brasileiro. A respeito desse episódio, considere as as- Na ocasião, Caxias propôs:
sertivas abaixo. a) todas as medidas acima listadas.
I. É remanescente do contexto revolucionário do Perí- b) apenas as medidas I, II e III.
odo Regencial, pois marca o confronto político entre c) apenas as medidas I, III e IV.
liberais e conservadores pelo poder, porém possui uma
d) apenas as medidas II, III e V.
forte conotação social, uma vez que manifesta a insa-
e) apenas as medidas II, IV e V.
tisfação das classes populares contra a concentração da
propriedade fundiária. 3. (Uece) O período historicamente conhecido como Pe-
II. A vitória dos praieiros, revoltosos pernambucanos, ríodo Regencial foi caracterizado:
deu início ao processo de rejeição, por parte das elites
a) por rebeliões populares cujas ações exigiam o retorno
brasileiras, ao poder centralizador monárquico.
da antiga realidade social com a volta de Pedro I ao poder.
III. A rebelião praieira foi o último movimento liberal a b) pela promoção política e pela ascensão social dos se-
defender o modelo descentralizado de poder para o país. tores menos favorecidos proporcionadas pelos regentes.
Assinale a alternativa correta. c) por um conjunto de rebeliões populares que clama-
a) Somente a afirmativa I está correta. vam pelo estabelecimento da republica e pelo final da
b) Somente a afirmativa II está correta. escravidão.
c) Somente a afirmativa III está correta. d) pela convulsão política que desencadeou várias re-
d) Somente as afirmativas I e II estão corretas. beliões que questionavam as estruturas estabelecidas.
e) Somente as afirmativas I e III estão corretas. 4. (Espm) Num momento da história do império conhe-
cido como “avanço liberal”, durante as regências, fo-
2. (Espcex) “O mais duradouro movimento rebelde do
ram adotadas algumas medidas que concediam maior
Império foi a Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio
poder à representação local.
Grande do Sul e em Santa Catarina, entre 1835-1845.
[...] Em 1836, após importantes vitórias sobre as tropas (SONIA GUARITA DO AMARAL. O BRASIL COMO IMPÉRIO)
legalistas, os farroupilhas proclamaram a República Rio
Grandense”. Aponte entre as alternativas aquela que apresente duas
reformas liberais:
(BOULOS JR, 2011)
a) Ato Adicional – Reforma do Código de Processo
Em 1842, Luís Alves de Lima e Silva, então Barão de Criminal.

96
b) Lei de Terras – Lei Saraiva Cotegipe. “conservadores” e “liberais” possuíam concepções po-
c) Lei Rio Branco – Código de Processo Criminal. líticas muito diferentes e defendiam a participação po-
d) Tarifa Alves Branco – Lei Interpretativa do Ato Adicional. pular no poder.
e) Código de Processo Criminal – Ato Adicional. De acordo com essa análise, são CORRETAS apenas as
alternativas:
5. (Uece) No Brasil, o período que seguiu logo após a
a) I e III.
abdicação de D. Pedro I foi marcado por um conjunto de
crises. Observe o que é dito sobre o que ocorria nesse b) II e IV.
momento. c) I e IV.
I. As diversas forças políticas lutavam pelo poder, e as d) II e III.
reivindicações populares eram por melhores condições 8. (FGV) A independência oficial do Brasil, prevalecendo
de vida. sobre a libertação sonhada pelos patriotas – para usar
II. Os conflitos ocorridos representavam o protesto do uma palavra em voga na época – frustrou grande parte
povo contra a centralização do governo, e eram marca- da população. A independência oficial sedimentou uma
dos pela reivindicação por maior participação popular estrutura econômica e política herdada da Colônia,
na vida política do País. pouco alterando a situação das massas e, por adotar
III. As convulsões populares do período exigiam o refor- um centralismo autoritário, pressionava também o sis-
ço das antigas realidades sociais, bem como a submis- tema político nas províncias.
são das forças políticas ao poder central. A oportunidade perdida de democratizar a prática polí-
Está correto o que se afirma somente em: tica, de um lado, e a insistência em manter inalterado o
instituto da escravidão, de outro, praticamente fizeram
a) II e III.
aflorar todo o anacronismo do Estado brasileiro, provo-
b) I. cando várias reações. Entre elas a Sabinada.
c) I e II.
d) III. (JÚLIO JOSÉ CHIAVENATO, AS LUTAS DO POVO BRASILEIRO)

6. (PUC-RJ) Durante o período imperial brasileiro, ins- É correto caracterizar essa rebelião como:
taurou-se uma ordem política caracterizada pelo cen- a) um movimento apoiado pelas camadas médias e bai-
tralismo e unitarismo. Houve, contudo, manifestações xas de Salvador, que tomou o poder da cidade e separou
de contestação a essa ordem, destacando-se aquelas a província da Bahia do resto do Império do Brasil pro-
que possuíam caráter separatista e a defesa de propos- visoriamente até a maioridade de D. Pedro de Alcântara.
tas de maior autonomia para as províncias. b) a mais radical revolução social ocorrida no Brasil do
Assinale a opção que identifica corretamente duas des- século XIX, já que o governo sabino foi efetivamente
sas revoltas. revolucionário, tendo como uma das primeiras ações
a) Revolta dos Malês e Cabanagem. a extinção do trabalho cativo em terras baianas.
b) Guerra dos Farrapos e Revolução Praieira. c) um episódio marcado pelo ingênuo republicanismo
c) Balaiada e Revolta do Vintém. dos rebeldes baianos, derivado das reformas políticas
ocorridas nos Estados Unidos do presidente Monroe e
d) Sabinada e Revolta do Quebra-Quilos.
que defendia o poder advindo das classes populares.
e) Revolta da Chibata e Revolta da Vacina.
d) uma rebelião elitista, apoiada nos setores da elite
7. (Ufsj) “[...] Nada mais liberal que um conservador na baiana – brancos, proprietários e letrados –, que de-
oposição; nada mais conservador que um liberal no go- fendia o separatismo como forma de preservar os in-
verno.” teresses econômicos da mais rica província nordestina.
e) uma revolução liberal radical, inspirada no parla-
SILVA, FRANCISCO DE ASSIS, BASTOS, PEDRO IVO DE ASSIS. HISTÓRIA
DO BRASIL. SÃO PAULO: EDITORA MODERNA, 1976 P. 107.
mentarismo inglês, que exigia a imediata convocação
de uma Assembleia Nacional Constituinte e a procla-
Analise as afirmativas a seguir, sobre a expressão acima. mação de uma república federalista.
I. Muito propagada no Período Regencial, mostra que,
9. (Cefet - MG) “[...] nasci e me criei no tempo da regên-
embora com denominações diferentes, “conservado-
res” e “liberais” possuíam basicamente os mesmos in- cia; e que neste tempo o Brasil vivia, por assim dizer,
teresses. muito mais na praça pública do que mesmo no lar do-
méstico; ou, em outros termos, vivia em uma atmosfera
II. Muito propagada no Período Regencial, mostra que tão essencialmente política que o menino [...] em casa
“conservadores” e “liberais” possuíam posições políti-
muito depressa aprendia a falar liberdade e pátria [...],
cas, sociais e econômicas muito distintas.
começava logo a ler e aprender a constituição política
III. Muito propagada no Período Regencial, mostra que do império. Daqui resultava que não só o cidadão ex-
“conservadores” e “liberais” possuíam as mesmas ori- tremamente se interessava por tudo quanto dizia res-
gens sociais e não se opunham, por exemplo, à escra- peito à vida pública; mas que não se apresentava um
vidão. motivo, por mais insignificante que fosse de regozijo
IV. Muito propagada no Período Regencial, mostra que nacional ou político, que imediatamente todos não se

97
comovessem [...] e se tratasse de por na rua uma bonita A superação da crise, que coincidiu com o fim do perío-
alvorada. [...] eu vou dizer o que é que então se tinha do regencial, deveu-se à
por costume de chamar de alvorada. Quando se tratava a) antecipação da maioridade do príncipe herdeiro.
[...] de regozijo geral por qualquer ato político ou pú-
b) consolidação da Regência Una e Permanente.
blico, apenas a noite começava a escurecer, toda a vila
tratava logo de iluminar-se [...].” c) formação e consolidação do Partido Republicano.
d) fundação das agremiações abolicionistas.
REZENDE, FRANCISCO DE PAULA FERREIRA DE. MINHAS RECORDAÇÕES. BELO e) volta imediata de D. Pedro I às terras brasileiras.
HORIZONTE: IMPRENSA OFICIAL, 1987 (1887). P. 67-68. (ADAPTADO)
2. (Ufsj) “Entretanto, a revolta não uniu toda a popula-
O texto acima se refere a um período da história brasi-
ção gaúcha. Ela foi preparada por estancieiros da fron-
leira no qual se:
teira e algumas figuras da classe média das cidades, ob-
a) confirmou o princípio político do republicanismo. tendo apoio principalmente nesses setores sociais. Eles
b) constatou a influência política de ideários socialistas. pretendiam acabar com a taxação de gado na fronteira
c) atribuiu a conquista de direitos humanos à luta política. com o Uruguai ou reduzi-la, estabelecendo a livre circu-
d) presenciou a emergência de diferentes projetos po- lação dos rebanhos que possuíam nos dois países [...].
líticos. Nas fileiras dos revoltosos, destacaram-se pelo menos
e) reproduziu a forma norte-americana de manifestação duas dezenas de revolucionários italianos refugiados no
política. Brasil, sendo o mais célebre deles Giuseppe Garibaldi”.
FAUSTO, BORIS. HISTÓRIA DO BRASIL. SÃO PAULO: EDITORA
10. (Fatec) Leia o texto. DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2003, P. 169.
Em abril de 1831, Dom Pedro I abdicou ao trono do
Brasil em favor de seu filho, Dom Pedro de Alcântara O texto refere-se a um dos períodos mais agitados da
que tinha, então, cinco anos de idade. Uma Regência história política do país, pois estavam em jogo a uni-
foi criada para governar até que Dom Pedro II, como dade nacional, a centralização e a descentralização do
ficaria conhecido, atingisse a maioridade e pudesse poder, a autonomia das províncias e a organização das
ser coroado. forças armadas. A passagem descreve a revolta da:
Durante o Período Regencial, a política brasileira foi a) Sabinada.
marcada b) Cabanagem.
a) pela intensificação da política expansionista do re- c) Balaiada.
gente Feijó, que acentuou os conflitos internacionais d) Farroupilha.
no Cone Sul (Guerras da Cisplatina e do Paraguai), e
pelo aumento progressivo da dívida externa brasileira. 3. (ESPM) Ocorrida no Brasil, no século XIX, foi a últi-
ma das rebeliões provinciais do Império. Os revoltosos
b) pela fragmentação do Império, marcada pela perda
lançaram um manifesto ao mundo em que propunham
de territórios fronteiriços (Província Cisplatina, Ama-
o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, a in-
zônia Colombiana) nos combates com as tropas de
dependência dos poderes constituídos, a extinção do
Simón Bolívar e José de San Martín.
poder moderador, o federalismo e a nacionalização do
c) pelo pacto federativo, conduzido pelo jovem impe- comércio varejista.
rador, que favoreceu as demandas dos regionalistas,
concedendo autonomia administrativa às províncias. A revolta a que o enunciado se refere é:
d) pela promulgação da primeira Constituição do Impé- a) Sabinada.
rio, que sofreu forte resistência das elites regionais por b) Farroupilha.
seu caráter centralizador, pela criação do poder Modera- c) Confederação do Equador.
dor e pela extensão do direito de voto aos analfabetos. d) Praieira.
e) pela criação das Assembleias Legislativas Provin- e) Balaiada.
ciais e pela eclosão de rebeliões em diversas provín-
cias, sendo algumas de caráter popular (como a Ca- 4. (Uespi) Após a abdicação de D. Pedro I ao trono, o Bra-
banagem) e outras comandadas pelas elites regionais sil foi governado por Regências Trinas, conforme previa
(caso da Guerra dos Farrapos). a Constituição, mas o Ato Adicional de 1834 provocou
algumas mudanças, entre as quais se estabelecia:

E.O. FIXAÇÃO
a) a regência una, para a qual o candidato era eleito e
não mais indicado pela Assembleia Nacional, saindo vi-
torioso no primeiro pleito o Padre Diogo Antônio Feijó.
1. (UEL) No contexto histórico das transformações ocor- b) a eleição direta e secreta de um regente, cuja candi-
ridas no século XIX, que envolveram questões da identi- datura era efetivada por seu partido político, ganhando
dade nacional e da política, no Brasil, após a abdicação em primeiro lugar o brigadeiro Francisco de Lima e Silva.
de D. Pedro I, ocorreu uma grave crise institucional. As c) a nomeação de um regente escolhido pelo presi-
tentativas de superação por meio das Regências provo- dente do Senado, a partir de uma lista composta dos
caram uma série de revoltas como a Sabinada (BA), a nomes de três deputados, sendo nomeado o ministro
Balaiada (MA) e a Cabanagem (PA). Diogo Antonio Feijó.

98
d) as regências unas provisórias, cujo regente seria esco- II. Nos últimos anos da Guerra, os escravos represen-
lhido entre os deputados provinciais, que revezavam-se tavam o principal contingente militar dos rebeldes, em
no poder, sendo o primeiro, José da Costa Carvalho. função da dificuldade dos farroupilhas para recrutar
e) a eleição popular de um regente, que ocuparia o soldados.
cargo até a maioridade do herdeiro do trono, sendo III. No final desta Guerra, foi assinada a Paz de Ponche
eleito em primeiro lugar o senador Nicolau Vergueiro. Verde, que concedia liberdade aos escravos que luta-
ram ao lado dos farroupilhas.
5. (Ufrgs) A respeito da Revolta dos Malês, ocorrida na
cidade de Salvador em 1835, é correto afirmar que ela Quais estão corretas?
foi um movimento liderado por: a) Apenas I.
a) escravos oriundos da África Oriental, inspirados na b) Apenas II.
independência do Haiti. c) Apenas I e III.
b) escravos e libertos de origem africana, que profes- d) Apenas II e III.
savam a religião muçulmana. e) I, II e III.
c) escravos nascidos no Brasil e grupos excluídos do
processo político-partidário. 9. (Uftm) No Brasil, os anos que se seguiram à Indepen-
dência foram marcados por crises políticas e revoltas
d) escravos e índios aldeados no Recôncavo, que pro-
em várias províncias. A situação ganhou novos rumos
testavam contra a exploração.
com o Golpe da Maioridade, que pode ser caracterizado
e) populares que se inspiraram na Revolta dos Alfaiates. como:
6. (Uespi) Durante o governo Regencial, foi criada no a) o movimento que afastou D. Pedro I e deu início ao
Brasil a Guarda Nacional (1831), que teve entre seus Período Regencial.
objetivos: b) a luta entre monarquistas e republicanos, que mar-
a) apoiar o reinado de D. Pedro I na consolidação da cou o Primeiro Reinado.
Independência. c) a manobra do Partido Liberal, que antecipou a co-
b) proteger os grupos que lideravam a oposição à roação de D. Pedro II.
aristocracia rural. d) a reação conservadora, que restringia o poder das
c) substituir as tropas das milícias do exército e refor- assembleias provinciais.
çar o poder das elites agrárias. e) a ação de Feijó que, com apoio da Guarda Nacio-
d) proteger as fronteiras quanto a possíveis invasões, nal, instituiu a Regência Una.
sobretudo as do Nordeste.
10. (Ufjf-pism) Leia atentamente o texto abaixo e em
e) conter as rebeliões e motins que pudessem pertur- seguida responda:
bar a ordem institucional militar.
O Ato Adicional de 1834 reformou a constituição em
7. (Uespi) Entre os movimentos sociais que contesta- sentido descentralizante. Criou as assembleias provin-
vam o poder centralizado do Império brasileiro, desta- ciais, concedendo mais poder às províncias, e aboliu
ca-se o conflito cuja duração se estendeu da Regência o Conselho de Estado. À maior descentralização se-
ao Segundo Reinado, reconhecido como: guiu-se um recrudescimento dos conflitos e revoltas
provinciais. Nunca houve período mais conturbado na
a) Confederação do Equador, que, iniciando-se em
história do Brasil.
Pernambuco, contou com a adesão de grande parte
das demais províncias nordestinas. CARVALHO, J. M. D. PEDRO II: SER OU NÃO SER. SÃO
b) Revolução Praieira, que se singularizou pela luta PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 2007, P. 36.
contra o poder das oligarquias locais de Pernambuco. As revoltas ocorridas durante o período regencial ex-
c) Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador (BA) e or- pressavam um grande descontentamento com o proje-
ganizada por negros de religião muçulmana, sendo to centralizado de Estado, liderado pelas elites enraiza-
considerada a maior rebelião de escravos do Brasil. das na Corte.
d) Guerra dos Farrapos, empreendida pelos Republi- Sobre as revoltas regenciais é CORRETO afirmar que:
canos gaúchos, denominados de Farroupilhas, em que
lutaram juntos grandes estancieiros, peões e escravos. a) os revoltosos eram formados, exclusivamente, por
e) Revolta de Beckman, deflagrada no Maranhão pe- grandes proprietários de terra que disputavam entre
los colonos, contra o poder dos jesuítas e o monopó- si o direito de maior representatividade e projeção no
lio comercial português. cenário nacional.
b) em sua maioria, as revoltas regenciais ameaçavam
8. (Ufrgs) Considere as seguintes afirmações, relativas a unidade do Império por meio de reivindicações que
à participação dos escravos na Guerra dos Farrapos poderiam levar à fragmentação do território em pe-
(1835-1845). quenas repúblicas.
I. Nesta Guerra ocorreu o polêmico episódio conhecido c) índios e africanos foram os grupos sociais que re-
como “Surpresa de Porongos”, o qual resultou no mas- presentaram maior resistência aos movimentos revol-
sacre de muitos escravos. tosos, lutando ao lado do governo imperial.

99
d) a luta contra a escravidão era uma reivindicação eram administradores das províncias, corporações do
comum a todas as revoltas que ocorreram no período, exército local e elite dos comerciantes portugueses;
representando o início das manifestações abolicionis- defendiam o retorno da família imperial.
tas no país. b) Os farroupilhas eram pequenos proprietários rurais e
e) o sucesso dos conflitos armados contribuiu para comerciantes, representavam o setor mais conservador
que as províncias alcançassem maior autonomia ad- do grupo dos chimangos; postulavam o retorno da mo-
ministrativa e suas elites pudessem implementar pro- narquia com a imposição de medidas centralizadoras.
jetos políticos baseados no federalismo. c) Os liberais exaltados eram proprietários rurais,
integrantes do exército e classe média urbana, que

E.O. COMPLEMENTAR
defendiam a descentralização do poder imperial e a
autonomia das províncias.
d) Os liberais moderados, ou chimangos, eram comer-
1. (Cesgranrio) “O período regencial que se iniciou em 1831 ciantes portugueses, aristocratas e integrantes da alta
teve no Ato Adicional de 1834 um alento de abertura e um patente do exército, que defendiam a volta do ex-im-
ensaio de um regime menos centralizado. Para os monar- perador e a autonomia das províncias.
quistas conservadores, a Regência foi uma ‘verdadeira’ re-
e) Os restauradores, ou caramurus, eram membros
pública, que mostrou sua ineficiência. Tal período é caracte-
do setor rural abolicionista e intelectuais da classe
rizado como sendo de CRISE.” média; defendiam as reformas socioeconômicas que
Segundo o texto, pode-se dizer que a crise ocorreu por- visavam à expulsão do ex-imperador.
que:
4. (FGV) Sobre a regência do paulista Diogo Antônio Fei-
a) a descentralização era um desejo antigo dos con-
jó, entre 1835 e 1837, é correto afirmar que:
servadores.
b) a centralização “encarnava” bem o espírito repu- a) o regente conseguiu vencer a eleição devido ao
blicano. apoio recebido dos produtores de algodão do Nor-
deste, classe emergente nos anos 1830, o que pos-
c) a partilha do poder não se coadunava com o espí-
sibilitou o combate às rebeliões regenciais e o início
rito republicano.
do processo de centralização político-administrativa.
d) a descentralização provocou a reação dos meios
b) o apoio inicial que Feijó recebeu de todas as for-
conservadores.
ças políticas do Império foi, progressivamente, sendo
e) a descentralização se opunha aos princípios liberais. corroído porque o regente eleito mostrou simpatia
2. (Cesgranrio) No 2º Reinado, o parlamentarismo não pelo projeto político da Balaiada, que defendia uma
ofusca a importância do Poder Moderador, mas o siste- Monarquia baseada no voto universal.
ma como um todo expressa a hegemonia dos grandes c) a opção de Feijó em negociar com os farroupilhas
proprietários e o compromisso entre a centralização e o e com a liderança popular da Cabanagem provocou
poder local, de modo que: forte reação dos grupos mais conservadores, espe-
cialmente do Partido Conservador, que organizaram
a) os dois partidos - Conservador e o Liberal - depen- a queda de Feijó por meio de um golpe de Estado.
diam estreitamente do Poder Moderador para imple- d) o isolamento político do regente Feijó, que provo-
mentarem seu projeto político centralizador. cou a sua renúncia do mandato, relacionou-se com
b) com o Apogeu do Estado Imperial, foi possível re- a sua incapacidade de conter as rebeliões que se es-
duzir a intervenção política do Poder Moderador, e as- palhavam por várias províncias do Império e com a
sim abrir caminho à descentralização administrativa. vitória eleitoral do grupo regressista.
c) em oposição ao 1o Reinado, houve uma tendência e) as condições econômicas brasileiras foram se deterio-
para ampliar o poder em mãos dos chefes políticos rando durante a década de 1830 e provocaram um forte
locais - os coronéis - em nome da ordem e do fortale- desgaste da regência de Feijó, que renunciou ao cargo
cimento da “Nação”. depois de um acordo para uma reforma constitucional.
d) esse regime parlamentar foi a forma encontrada
para solucionar os conflitos entre o poder local e o 5. (Ufrgs) O processo de formação do Estado nacional
central, garantindo-se, com a Guarda Nacional e o brasileiro, no século XIX, envolveu uma série de fatores
Senado vitalício, a autoridade provincial. políticos, sociais e culturais.
e) a vida política assegurava a livre participação de Considere as afirmações abaixo, sobre esse processo.
todos os cidadãos, através de eleições democráticas e I. A vinda da família real portuguesa para o Brasil, em
diretas em todos os níveis. 1808, ocasionou o completo desmantelamento das elites
coloniais, que foram retiradas da administração política.
3. (UEL) Sob o ponto de vista das ideias, foram diversas
II. A lei de 07 de novembro de 1831, conhecida como
as correntes políticas que atuaram no período regencial
Lei Feijó, declarou livres os escravos importados para
no Brasil (1831-1840).
o Brasil, impondo penas aos mercadores responsáveis
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, os pela entrada desses escravos no território brasileiro.
integrantes e suas posições político-ideológicas.
III. O período entre a abdicação de Pedro I e a regência
a) Os cabanos situavam-se na região norte do país, efetiva de Pedro II foi caracterizado pela consolidação

100
do processo emancipatório, pelo desenvolvimento eco- teve por base a cidade de Salvador, na Bahia. A Balaiada
nômico com a produção do café e pela estabilidade po- (1838-1841) alastrou-se pelo Maranhão e Piauí. A Farrou-
lítica marcada pela ausência de conflitos armados. pilha (1835-1845) desenrolou-se no Rio Grande do Sul e
Quais estão corretas? Santa Catarina.
a) Apenas I. a) Aponte uma característica de cada revolta indicada
b) Apenas II. no enunciado.
c) Apenas I e III. b) Do ponto de vista das propostas sociais, qual a
grande diferença entre os projetos da Balaiada, em
d) Apenas II e III.
sua fase final, e os da Farroupilha?
e) I, II e III.
c) Em que contexto da política brasileira ocorreram
tais revoltas?
E.O. DISSERTATIVO 3. (Unb) Durante séculos, os escravos afro-americanos
aprenderam a ler em condições extraordinariamente
1. (UFG) Leia o texto e analise a imagem apresentados difíceis, arriscando a vida. Aqueles que quisessem se al-
a seguir. fabetizar eram forçados a encontrar métodos tortuosos
Pela linha paterna, o príncipe imperial descendia de reis de aprender. Aprender a ler, para os escravos, não era um
e antepassados ilustres. D. Pedro II era o oitavo duque passaporte imediato para a liberdade, mas uma maneira
de Bragança, cuja família estava entrelaçada com os de ter acesso a um dos instrumentos poderosos de seus
Capetos da França. Pela linhagem materna, D. Pedro opressores: o livro. Os donos de escravos (tal como os di-
era ligado ao imperador Francisco I, da Alemanha, da tadores, tiranos, monarcas absolutos e outros detentores
Áustria, da Hungria e da Boêmia, ele mesmo filho de Le- do poder) acreditavam firmemente no poder da palavra
opoldo II, imperador da Alemanha e irmão de Maria An- escrita. Como séculos de ditadores souberam, uma mul-
tonieta, mulher de Luís XVI. Ao mesmo tempo, isolado tidão analfabeta é mais fácil de dominar; uma vez que
no Paço, esquecido em consequência das conturbações a arte da leitura não pode ser desaprendida, o segundo
políticas e da doença da mãe, D. Pedro II se tornava o melhor recurso é limitar seu alcance. Os livros, escreveu
“órfão da nação”. Voltaire no panfleto satírico Sobre o Terrível Perigo da
SCHWARCZ, L.M. AS BARBAS DO IMPERADOR: D. PEDRO Leitura, “dissipam a ignorância, a custódia e a salvaguar-
II, UM MONARCA NOS TRÓPICOS. SÃO PAULO: COMPANHIA da dos estados bem policiados”.
DAS LETRAS, 1998. P. 47-49. (ADAPTADO).
ALBERTO MANGUEL. UMA HISTÓRIA DA LEITURA. (TRAD. PEDRO MAIA SOARES).
SÃO PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1997, P. 312-15 (COM ADAPTAÇÕES).

A partir do texto acima, julgue o item abaixo.


Em Salvador, na rebelião conhecida como a Revolta dos
Malês — confronto sangrento entre escravos africanos
seguidores do islamismo e tropas do governo brasilei-
ro —, destaca-se o fato de muitos revoltosos estarem
aptos para ler e escrever no idioma árabe, o que contri-
buiu para a preparação da insurreição.

4. (UFC) Leia o texto a seguir.


Não há sombra de dúvidas sobre o papel central de-
sempenhado pelos muçulmanos na rebelião de 1835.
Os rebeldes - ou uma boa parte deles - foram para as
ruas com roupas usadas na Bahia pelos adeptos do isla-
PALLIÈRE, A. J., (1830). In.?: SCHWARCZ, L. M. As barbas
do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São mismo. No corpo de muitos dos que morreram a polícia
Paulo: Companhia das Letras, 1998. s. p.
encontrou amuletos muçulmanos e papéis com rezas e
O texto descreve a linhagem familiar de D. Pedro II, que passagens do Qur’ãn usados para proteção.
descende de portugueses e austríacos, enquanto a ima- REIS, JOÃO JOSÉ. “REBELIÃO ESCRAVA NO BRASIL”. SÃO
gem representa D. Pedro II criança, que seria considera- PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 2003, P. 158.
do órfão da nação, desde a Abdicação de seu pai. Dian-
te do exposto e com base nos documentos, explique a Considerando os fatos descritos no episódio acima e o
associação entre: tema do islamismo, responda o que se pede a seguir.
a) a linhagem familiar e as relações internacionais, a) Por qual nome ficou conhecida a rebelião de que
no Império. trata o texto?
b) a orfandade de D. Pedro II e a construção de um b) A imigração forçada de africanos ao Brasil trouxe
projeto de nação para o Brasil, no Segundo Império. para trabalhar como escrava uma população de di-
versas etnias, que pode ser englobada genericamente
2. (FGV) Entre 1831 e 1845, estouraram revoltas em di- em dois grupos bastante distintos, com claras diferen-
versas províncias brasileiras. A Revolta dos Malês (1835) ciações culturais e linguísticas.

101
I. De qual desses dois grupos se originou a maior par- surgiu em algumas províncias brasileiras. Sobre esse con-
te dos africanos islamizados? texto, responda ao que se pede.
II. De qual área geográfica da África esse grupo procede? a) Cite e analise duas características do contexto no
c) Como ocorreu a propagação da religião islâmica qual ocorreram esses conflitos assinalados no mapa.
entre as populações da região africana citada acima? b) Eleja um desses conflitos e analise-o.
5. (UFC) Em 07 de abril de 1831, o Imperador D. Pedro 8. (UFRRJ)
I renunciou ao trono do Brasil, deixando como herdei-
ro seu filho de apenas cinco anos de idade, o futuro D.
Pedro II.
a) Cite quatro elementos que provocaram a renúncia
de D. Pedro I.
b) Como ficou conhecido o sistema de governo que vi-
gorou no período entre a abdicação de D. Pedro I e a
coroação de D. Pedro II?
c) O que motivou a instalação desse sistema de governo?
d) Cite dois fatores que contribuíram diretamente para
a antecipação da coroação de D. Pedro II, por meio do Estampa anônima de 1839. Litografia de Frederico
In: MOREL, Marco. O período das regências
“golpe da maioridade”. Coleção Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro, Jo

6. (UFC) Leia o texto a seguir. A caricatura apresentada, de 1839, mostra Bernardo Pe-
“Frequentemente, os liberais reformistas propunham reira de Vasconcellos, então líder conservador, acusado
as reformas e os conservadores as implementavam.” de enterrar os avanços liberais conquistados com a ab-
dicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831, travestido
CARVALHO, JOSÉ MURILO DE. “A CONSTRUÇÃO DA ORDEM: A ELITE POLÍTICA
de Napoleão.
IMPERIAL”. 4. ED. RIO DE JANEIRO: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2003, P. 224.
a) Explique uma atitude política de D. Pedro I consi-
Os conservadores e os liberais, citados anteriormente, derada autoritária pelos contemporâneos e que pro-
foram protagonistas de um sistema político engenhoso, vocou sua abdicação em 1831.
que funcionava ao modo de uma monarquia parlamen- b) Aponte uma diferença e uma semelhança entre li-
tar, de um lado garantindo a estabilidade política do berais e conservadores nos últimos anos da Regência.
País, a partir da defesa da “ordem” e da “civilização”,
de outro retardando reformas necessárias, como a abo- 9. (Pucrj) Após a abdicação do primeiro imperador, di-
lição. A partir dessas informações e dos seus conheci- versas províncias do Império do Brasil foram sacudidas
mentos, responda às questões propostas. por uma série de movimentos de contestação política e
a) Cite dois grupos sociais que compuseram cada um des- social, dos quais o mais longo foi a Guerra dos Farrapos
ses dois partidos. (Partido Conservador e Partido Liberal) (1835-1845). A respeito de tais movimentos, em geral, e
da Revolução Farroupilha, em particular:
b) Apresente uma razão pela qual padres e soldados ti-
veram sua ação política limitada durante a Regência e o a) Explique duas reivindicações do movimento ocorri-
Segundo Reinado. do no Rio Grande do Sul.
b) Cite dois outros movimentos ocorridos nesse mesmo
7. (UFJF) Observe o mapa: contexto, indicando as províncias em que ocorreram.
REVOLTAS DO PERÍODO 10. (UFG) Analise a imagem e leia o texto a seguir.
REGENCIAL
MA
Grão-pará RN
CE
PB
PI PE
AL
BA SE
GO
MT
MG
ES
SP RJ
Revoluções
SC
Cabanagem RS

Balaida
Sabinada
Juliana (SC) Na corte, teorias e experimentos médicos tinham livre
Rio-grandense (Piratini/RS) } Repúblicas
Farroupilhas curso de permeio às terapias tradicionais. Na Regência,
Fonte: Baseado em IstoÉ Brasil, 500 anos; Atlas histórico. ainda se fazia um unguento, supostamente útil para
São Paulo, Três, 1998. (adaptado)
prevenir a queda dos cabelos, com a gordura do cor-
No período regencial (1831-1840), uma série de conflitos po dos escravos. Certo Dr. Santos publicou, em 1838, os

102
resultados de uma experiência inédita; fizera uma cas- Rio-grandenses! Tenho o prazer de anunciar-vos que a
cavel picar um negro leproso para estudar os efeitos do guerra civil que por mais de nove anos devastou esta
veneno da cobra na evolução da doença. Mas o experi- bela província está terminada. Os irmãos contra quem
mento fracassou porque o doente morreu em 24 horas. combatíamos estão hoje congratulados conosco e já
obedecem ao legítimo governo do Império do Brasil.
ALENCASTRO, LUIZ FELIPE. “VIDA PRIVADA E ORDEM PRIVADA NO
IMPÉRIO”. IN: HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL. IMPÉRIO: A CORTE União e tranquilidade sejam de hoje em diante nossa
E A MODERNIDADE NACIONAL. V. 2. 1997. P. 76-77. (ADAPTADO). divisa. Viva a religião, viva o Imperador Constitucional
e Defensor Perpétuo do Brasil. Viva a integridade do
A imagem e o texto remetem ao cotidiano da cidade do Império.
Rio de Janeiro, na primeira metade do século XIX. Nesse
ambiente de intensas trocas culturais, ao negro eram PROCLAMAÇÃO FEITA PELO BARÃO DE CAXIAS EM 1845, FIM DA REVOLUÇÃO
atribuídas diferentes representações. FARROUPILHA.
ADAPTADO DE SOUZA, A. B. DE. DUQUE DE CAXIAS: O HOMEM POR TRÁS
Diante do exposto, explique: DO MONUMENTO. RIO DE JANEIRO: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2008.

a) como a pintura expressa as trocas culturais no Rio


A consolidação do Império do Brasil, entre as décadas
de Janeiro, na primeira metade do século XIX;
de 1830 e 1850, significou a vitória de determinado
b) a diferença na forma de representação do negro, projeto político e também o combate de propostas,
na imagem e no texto. como as defendidas pelos que lutaram na Revolução
Farroupilha.

E.O. ENEM Aponte uma das propostas dos líderes farroupilhas e


explique por que esse movimento foi considerado ame-
açador pelos dirigentes do Império do Brasil.
1. (Enem) Respeitar a diversidade de circunstâncias en-
tre as pequenas sociedades locais que constituem uma
2. (UERJ) O Sete de Abril de 1831, mais do que o Sete
mesma nacionalidade, tal deve ser a regra suprema das
de Setembro de 1822, representou a verdadeira inde-
leis internas de cada Estado. As leis municipais seriam
pendência nacional, o início do governo do país por si
as cartas de cada povoação doadas pela assembleia
mesmo, a Coroa agora representada apenas pela figura
provincial, alargadas conforme o seu desenvolvimento,
quase simbólica de uma criança de cinco anos.
alteradas segundo os conselhos da experiência. Então,
administrar-se-ia de perto, governar-se-ia de longe, alvo O governo do país por si mesmo, levado a efeito pelas
a que jamais se atingirá de outra sorte. regências, revelou-se difícil e conturbado. Rebeliões e
revoltas pipocaram por todo o país, algumas lideradas
BASTOS, T. A PROVÍNCIA (1870). SÃO PAULO: CIA. por grupos de elite, outras pela população tanto urbana
EDITORA NACIONAL, 1937 (ADAPTADO). como rural, outras ainda por escravos. (...) A partir de
1837, no entanto, o regresso conservador ganhou força,
O discurso do autor, no período do Segundo Reinado no
até que o golpe da Maioridade de 1840 colocou D. Pe-
Brasil, tinha como meta a implantação do:
dro II no trono, inaugurando o Segundo Reinado. Estava
a) regime monárquico representativo. estruturado o Império do Brasil com base na unidade
b) sistema educacional democrático. nacional, na centralização política e na preservação do
c) modelo territorial federalista. trabalho escravo.
d) padrão político autoritário. (CARVALHO, J. MURILO ET AL. DOCUMENTAÇÃO POLÍTICA, 1808-
e) poder oligárquico regional. 1840. IN: "BRASILIANA DA BIBLIOTECA NACIONAL". RIO DE JANEIRO:
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL/NOVA FRONTEIRA, 2001.)

E.O. UERJ Indique um exemplo de revolta popular, ocorrida no


período regencial e explique por que a antecipação da
EXAME DISCURSIVO maioridade de D. Pedro II foi uma solução para a crise.

1. (UERJ) Em nome do povo do Rio Grande, depus o go-


vernador e entreguei o governo ao seu substituto legal.
E em nome do Rio Grande do Sul, digo que nesta pro-
E.O. OBJETIVAS
víncia extrema, afastada da Corte, não toleramos impo-
sições humilhantes. O Rio Grande é a sentinela do Brasil
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP)
que olha vigilante o Rio da Prata. Não pode e nem deve 1. (Unesp) A Revolução Farroupilha foi um dos movi-
ser oprimido pelo despotismo. Exigimos que o governo mentos armados contrários ao poder central no Perío-
imperial nos dê um governador de nossa confiança, que do Regencial brasileiro (1831-1840). O movimento dos
olhe pelos nossos interesses, ou, com a espada na mão, Farrapos teve algumas particularidades, quando com-
saberemos morrer com honra, ou viver com liberdade. parado aos demais.
Em nome do povo do Rio Grande, depus o governador
CARTA ESCRITA EM 1835 POR BENTO GONÇALVES, LÍDER FARROUPILHA, AO
Braga e entreguei o governo ao seu substituto legal Mar-
REGENTE FEIJÓ.
ADAPTADO DE PESAVENTO, S. J. A REVOLUÇÃO ciano Ribeiro. E em nome do Rio Grande do Sul eu lhe
FARROUPILHA. SÃO PAULO: BRASILIENSE, 1990. digo que nesta província extrema [...] não toleramos im-

103
posições humilhantes, nem insultos de qualquer espécie. a) o pleno congraçamento de todas as forças políticas
[...] O Rio Grande é a sentinela do Brasil, que olha vigi- da época.
lante para o Rio da Prata. Merece, pois, maior considera- b) a vitória parlamentar do bloco partidário liberal.
ção e respeito. Não pode e nem deve ser oprimido pelo c) a trama bem-sucedida do grupo conservador que
despotismo. Exigimos que o governo imperial nos dê um fundara a Sociedade Promotora da Maioridade.
governador de nossa confiança, que olhe pelos nossos d) a anulação da ordem escravista que prevalecia so-
interesses, pelo nosso progresso, pela nossa dignidade, bre os interesses particulares.
ou nos separaremos do centro e com a espada na mão
e) a debandada do grupo político liderado por um
saberemos morrer com honra, ou viver com liberdade.
proprietário rural republicano.
(BENTO GONÇALVES [CARTA AO REGENTE FEIJÓ, SETEMBRO DE 1835]
SANDRA JATAHY PESAVENTO. A REVOLUÇÃO FARROUPILHA, 1986.) 5. (Fuvest) Sobre a Guarda Nacional, é correto afirmar
que ela foi criada:
Entre os motivos da Revolução Farroupilha, podemos a) pelo imperador, D. Pedro II, e era por ele diretamen-
citar: te comandada, razão pela qual tornou-se a principal
a) o desejo rio-grandense de maior autonomia políti- força durante a Guerra do Paraguai.
ca e econômica da província frente ao poder imperial, b) para atuar unicamente no Sul, a fim de assegurar a
sediado no Rio de Janeiro. dominação do Império na Província Cisplatina.
b) a incorporação, ao território brasileiro, da Província c) segundo o modelo da Guarda Nacional Francesa, o
Cisplatina, que passou a concorrer com os gaúchos que fez dela o braço armado de diversas rebeliões no
pelo controle do mercado interno do charque. período regencial e início do Segundo Reinado.
c) a dificuldade de controle e vigilância da fronteira d) para substituir o exército extinto durante a me-
sul do império, que representava constante ameaça noridade, o qual era composto, em sua maioria, por
de invasão espanhola e platina. portugueses e ameaçava restaurar os laços coloniais.
d) a proteção do charque rio-grandense pela Corte, e) no período regencial como instrumento dos setores
evitando a concorrência do charque estrangeiro e ga- conservadores destinado a manter e restabelecer a
rantindo os baixos preços dos produtos locais. ordem e a tranquilidade públicas.
e) a destruição das lavouras gaúchas pelas guerras
de independência na região do Prata e a decorrente 6. (Fuvest) "Nossas instituições vacilam, o cidadão vive
redução da produção agrícola no Sul do Brasil. receoso, assustado; o governo consome o tempo em
vãs recomendações... O vulcão da anarquia ameaça de-
2. (Unesp) A maioridade do príncipe D. Pedro foi ante- vorar o Império: aplicai a tempo o remédio."
cipada, em 1840, para que ele pudesse assumir o tro-
PADRE ANTONIO FEIJÓ, EM 1836.
no brasileiro. Entre os objetivos do chamado Golpe da
Maioridade, podemos citar o esforço de: Essa reflexão pode ser explicada como uma reação à:
a) obter o apoio das oligarquias regionais, insatisfei- a) revogação da Constituição de 1824, que fornecia
tas com a centralização política ocorrida durante o os instrumentos adequados à manutenção da ordem.
Período Regencial. b) intervenção armada brasileira na Argentina, que
b) ampliar a autonomia das províncias e reduzir a inter- causou grandes distúrbios nas fronteiras.
ferência do poder central nas unidades administrativas. c) disputa pelo poder entre São Paulo, centro econô-
c) abolir o Ato Adicional de 1834 e aumentar os efei- mico importante, e Rio de Janeiro, sede do governo.
tos federalistas da Lei Interpretativa do Ato, editada d) crise decorrente do declínio da produção cafeeira, que
seis anos depois. produziu descontentamento entre proprietários rurais.
d) promover ampla reforma constitucional de caráter e) eclosão de rebeliões regionais, entre elas, a Caba-
liberal e democrático no país, reagindo ao centralismo nagem no Pará e a Farroupilha no sul do país.
da Constituição de 1824.
e) restabelecer a estabilidade política, comprometida 7. (Unesp) A escravatura, que realmente tantos males
durante o Período Regencial, e conter revoltas de ca- acarreta para a civilização e para a moral, criou no es-
ráter regionalista. pírito dos brasileiros este caráter de independência e
soberania, que o observador descobre no homem li-
3. (Fuvest) O período regencial foi politicamente marca- vre, seja qual for o seu estado, profissão ou fortuna.
do pela aprovação do Ato Adicional que: Quando ele percebe desprezo, ou ultraje da parte de
a) criou o Conselho de Estado. um rico ou poderoso, desenvolve- se imediatamente
b) implantou a Guarda Nacional. o sentimento de igualdade; e se ele não profere, con-
c) transformou a Regência Trina em Regência Una. cebe ao menos, no momento, este grande argumento:
não sou escravo. Eis aqui no nosso modo de pensar, a
d) extinguiu as Assembleias Legislativas Provinciais.
primeira causa da tranquilidade de que goza o Brasil:
e) eliminou a vitaliciedade do Senado. o sentimento de igualdade profundamente arraigado
4. (Unesp) O resultado da discussão política e a apro- no coração dos brasileiros.
vação da antecipação da maioridade de D. Pedro II re- PADRE DIOGO ANTÔNIO FEIJÓ APUD MIRIAM
presentou: DOLHNIKOFF. O PACTO IMPERIAL, 2005.

104
O texto, publicado em 1834 pelo Padre Diogo Antônio (ADAPTADO DE JOSÉ MURILO DE CARVALHO. “A CONSTRUÇÃO DA
Feijó, ORDEM: A ELITE IMPERIAL. TEATRO DE SOMBRAS: A POLÍTICA IMPERIAL”.
RIO DE JANEIRO: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2003. P. 252-253.)
a) parece rejeitar a escravidão, mas identifica efeitos a) Segundo o texto, o que diferenciava a Cabanagem
positivos que ela teria provocado entre os brasileiros. da Farroupilha?
b) caracteriza a escravidão como uma vergonha para b) Quais os significados das revoltas provinciais para
todos os brasileiros e defende a completa igualdade a consolidação do modelo político imperial?
entre brancos e negros.
c) O que levava as elites agricultoras e pecuaristas a
c) defende a escravidão, pois a considera essencial se rebelarem contra o poder central do Império?
para a manutenção da estrutura fundiária.
d) revela as ambiguidades do pensamento conserva- 3. (Fuvest) Criada pelo Ato Adicional de 1834, a Regên-
dor brasileiro, pois critica a escravidão, mas enfatiza a cia Una (1835-1840) é considerada como uma experi-
importância comercial do tráfico escravagista. ência republicana do Império que usou elementos da
e) repudia a escravidão e argumenta que sua manu- Constituição dos EUA.
tenção demonstra o desrespeito brasileiro aos princí-
pios da igualdade e da fraternidade. Quais determinações do Ato Adicional tornaram possí-
vel tal experiência?
8. (Unifesp) Como elemento comum aos vários movi-
mentos insurrecionais que marcaram o período regen-
cial (1831-1840), destaca-se:
a) a oposição ao regime monárquico.
GABARITO
b) a defesa do regime republicano.
c) o repúdio à escravidão. E.O. Aprendizagem
d) o confronto com o poder centralizado. 1. E 2. E 3. D 4. E 5. C
e) o boicote ao voto censitário. 6. B 7. A 8. A 9. D 10. E

E.O. DISSERTATIVAS E.O. Fixação


(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) 1. A

6. C
2. D

7. D
3. D

8. E
4. A

9. C
5. B

10. B
1. (Unicamp) O imperador D. Pedro II era um mito antes
de ser realidade. Responsável desde pequeno, pacato
e educado, suas imagens constroem um príncipe dife- E.O. Complementar
rente de seu pai, D. Pedro I. Não se esperava do futuro 1. D 2. A 3. C 4. D 5. B
monarca que tivesse os mesmos arroubos do pai, nem
a imagem de aventureiro, da qual D. Pedro I não pôde
se desvincular. A expectativa de um imperador capaz E.O. Dissertativo
de garantir segurança e estabilidade ao país era muito
grande. Na imagem de um monarca maduro, buscava-se 1.
unificar um país muito grande e disperso. a) A linhagem familiar no Antigo Regime constituía o
tamanho da influência internacional de um membro
(ADAPTADO DE LILIA MORITZ SCHWARCZ, AS BARBAS DO
IMPERADOR: D. PEDRO II, UM MONARCA NOS TRÓPICOS. SÃO de qualquer casa real. Quanto maior a linhagem fami-
PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 2006, P. 64, 70, 91) liar, maiores as relações internacionais, uma vez que
a) Segundo o texto, quais os significados políticos da a linhagem familiar, em especial pelo lado paterno,
construção de uma imagem de D. Pedro II que o dife- estabelecia laços políticos e de sucessão de tronos.
renciasse de seu pai? b) A “orfandade” de Pedro II se deveu, além da morte
b) Que características do período regencial ameaça- da mãe, à abdicação ao trono por parte de seu pai, D.
vam a estabilidade do país? Pedro I. Ao deixar o trono brasileiro, D. Pedro I voltou
para a Europa, deixando Pedro II, então com 5 anos,
2. (Unicamp) Iniciada como conflito entre facções da eli- aos cuidados de José Bonifacio. O Brasil entrava, então,
te local, a Cabanagem, no Pará (1835-1840), aos poucos no Período Regencial. A partir disso, Pedro II começou
fugiu ao controle e tornou-se uma rebelião popular. A a ser preparado para assumir o trono, e todo um pro-
revolta paraense atemorizou até mesmo liberais como jeto de nação foi configurado a partir de sua imagem,
Evaristo da Veiga. Para ele, tratava-se de gentalha, que passou por um processo de “envelhecimento”, na
crápula, massas brutas. Em outras revoltas, o conflito busca por uma sensação de maturidade. O golpe da
entre elites não transbordava para o povo. Tratava-se, maioridade, que fez com que Pedro II assumisse o tro-
em geral, de províncias em que era mais sólido o siste- no com 14 anos, é uma prova de que nossos políticos
ma da grande agricultura e da grande pecuária. Neste associavam o projeto de nação brasileira à figura de
caso está a revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul, nosso segundo imperador.
que durou de 1835 a 1845.

105
2. do Saara, principalmente pela rota de Tombuctou. Es-
a) A Revolta dos Malês ocorreu na Bahia, em 1835, sas incursões islâmicas provocaram a desagregação
liderada por negros muçulmanos que falavam árabe. do antigo Império de Ghana. No século XVI, início do
Criticavam a escravidão e a imposição do catolicis- tráfico de escravos para o Brasil, era o Reino Songai,
mo. A Revolta da Farroupilha ocorreu no Rio Grande o atual estado do Mali (daí uma das possibilidades
do Sul, entre 1835-1845, e possuía um caráter se- para a origem do termo “malê”), que dominava todo
paratista, ou seja, separar-se do Brasil e adotar uma o vale do rio Niger, região original das populações
república. A Balaiada ocorreu no Maranhão e suas islâmicas (principalmente haussás e nagôs) que che-
origens remetem às disputas políticas pelo controle garam ao Brasil.
do poder local. 5.
b) A Balaiada foi constituída por elementos populares, a) São os quatro elementos que provocaram a renún-
incluindo escravos que sonhavam com a liberdade. Es- cia do Imperador:
tes sujeitos históricos contestavam os privilégios dos • A crise financeira, desencadeada pelo declínio das
comerciantes portugueses e da elite agrária. Devido à exportações, pelo crescente endividamento exter-
divergência entre os líderes e a falta de unidade em no e pelos gastos com a Guerra da Cisplatina;
torno de um projeto, o movimento entrou em declí- • Insatisfação com a centralização do poder e o
nio e foi derrotado em 1841. A Farroupilha, por sua autoritarismo do Imperador;
vez, foi um movimento de elite liderado pelos estan- • Conflitos entre portugueses e brasileiros, repre-
cieiros contra os impostos abusivos cobrados sobre o sentada por meio de partidos políticos (Partido
charque, que acabavam beneficiando o charque dos Restaurador e Partido Liberal);
países vizinhos. Desta forma, o movimento defendeu
• Luta entre D.Miguel, seu irmão, e D. Pedro I pelo
a separação, surgindo à República Rio-grandense e a
trono português, após a morte de D. João VI.
República Juliana em Santa Catarina. O movimento
terminou em 1845 depois de uma intensa luta entre b) Ficou conhecido como Período Regencial.
as tropas do império e os revoltosos. c) A menoridade do herdeiro, que tinha, à época da
abdicação, apenas cinco anos de idade, o impossibili-
c) Estas revoltas ocorreram no Período Regencial,
tou de governar. Por esse motivo, foi estabelecido um
1831-1840, momento em que começou a surgir o Es-
governo regencial, que deveria dirigir o Império até
tado Nacional Brasileiro e os partidos políticos: Parti-
que o príncipe atingisse a maioridade.
do Liberal (defendeu o federalismo, maior autonomia
d) A centralidade do poder político em uma única pes-
para as províncias) e o Partido Conservador (defen-
soa, além da estratégia de manter a unidade nacional,
deu a centralização do poder).
já que havia rebelições de caráter emancipacionista.
3. Correto – considerando que a base da religião é o Corão e
que essa obra é escrita em língua árabe e não era traduzida, os 6.
convertidos de qualquer região acabavam forçados a aprender o a) O partido Conservador congregava os proprietários
árabe. Isso explica o fato de diversos povos africanos conhece- de terra ligados ao setor exportador e burocratas, em
rem essa língua, pois desde o século VII houve um processo de grande parte, magistrados, de importância na consoli-
islamização em diferentes regiões do continente. dação do Estado brasileiro, devido a sua ação em prol
da centralização administrativa.
O conflito citado foi uma das rebeliões do período regencial, • O Partido Liberal reunia proprietários ligados
ocorrida em 1835 e massacrada pelo governo. ao mercado interno e às áreas recentes de co-
4. lonização e profissionais liberais, na sua maioria
a) O episódio descrito no texto ficou conhecido como advogados, professores, jornalistas, médicos e
a Revolta dos Malês, que teve a participação de uma engenheiros.
maioria de negros muçulmanos. b) Os limites a atuação política de padres e soldados
podem ser explicados pelo fato de:
b) Os africanos trazidos ao Brasil entre os séculos XVI
• A Constituição de 1824, por unir a Igreja ao Es-
e XIX procederam de duas grandes regiões distintas.
tado, conferindo ao último o poder de nomear os
Os povos sudaneses, que desembarcaram em maior
bispos e a responsabilidade de pagar os salários
quantidade na Bahia, eram provenientes da África
dos padres, a deterioração do ensino religioso e
Ocidental, da grande região do Golfo da Guiné ou do clero e a situação financeira dos seminários
Costa da Mina ou, ainda, Costa do Ouro, onde atual- maiores, colocava os religiosos sob a dependên-
mente se localizam Gana, o Benin, a Nigéria e a Gui- cia e a autoridade do Estado.
né, entre outros países. Na Bahia, a maioria dos ne- • Os soldados, aceitos na véspera e após a inde-
gros sudaneses islamizados pertencia às populações pendência, pela oposição aos oficiais e comer-
haussás, e também àquela dos nagôs ou iorubá. Já os ciantes portugueses, foram descartados na Re-
povos bantos eram provenientes das atuais regiões gência, com a criação da Guarda Nacional, por
do Congo e de Angola. A islamização de populações Feijó. O histórico de participação desses militares
habitantes da África negra norte-ocidental foi feita a em movimentos de cunho popular atemorizava
partir do século XI pelo contato delas com os merca- as elites. Com o fim da Guerra do Paraguai, em
dores árabes e berberes, viajantes através do deserto 1870, reativaram a ação política.

106
7.
E.O. Enem
a) O candidato deverá indicar e analisar duas caracte-
1. C
rísticas do período regencial. Entre elas, destacamos os
mais citados do período marcado pela abdicação de D.
Pedro I e minoridade de D. Pedro II e pelo exercício do
poder nas mãos dos regentes.
E.O. UERJ
• Governo marcado por uma certa instabilidade Exame Discursivo
política, no qual emergiram projetos de natureza 1. Uma das propostas:
política diversa como o republicanismo, a pre-
sença de restauradores, os embates entre libe- • defesa do federalismo.
rais e conservadores etc. • abolição da escravidão somente para cativos que participa-
• Questionamento ao modelo político proposto pela ram dos conflitos.
constituição de 1824. A aprovação do Ato Adicio-
• possibilidade de separatismo.
nal, o debate em torno da autonomia provincial, a
criação da Guarda Nacional, as restrições ao exer- • defesa do regime republicano.
cício do poder moderador, entre outros.
• revisão da política tributária imperial relativa ao charque
b) O candidato tinha o auxílio do mapa, no qual en- sulino.
contrava os nomes e locais das quatro grandes revol-
tas do período. A partir destas informações, deverá Os farroupilhas criticavam a monarquia e principalmente sua
apresentar as características gerais das revoltas. Entre política centralizadora e unitarista, ameaçando a integridade
os mais citados, tivemos a Revolta Farroupilha, com territorial da nação e o ideal de unidade estabelecido pela Cons-
seu republicanismo e desejo de autonomia regional. tituição de 1824.
A principal ameaça da rebelião gaúcha era o separatismo, que
8.
romperia a integridade do império do ponto de vista político e
a) O encerramento da Assembleia Nacional Consti- territorial. A Revolução Farroupilha iniciou-se no período regen-
tuinte por forças do Exército, destacando a outorga cial, marcado pela reorganização do Estado brasileiro e por lutas
da Constituição de 1824 através da qual D. Pedro I que ameaçam a estrutura tradicional de poder e encerrou-se já
garantiu a total supremacia do executivo (poder mo- durante o Segundo Reinado, após forte repressão, mas com a
derador) sobre o legislativo; a dura repressão imposta preocupação de reconciliação, como se depreende do discurso
por D. Pedro aos confederados de Pernambuco, re- de Duque de Caxias.
duzindo o território da província e executando vários
líderes do movimento. 2. Uma dentre as revoltas populares:
b) Diferença: os liberais defendiam uma maior au- • Sabinada (Bahia)
tonomia para as províncias do Império e a predomi-
• Balaiada (Maranhão)
nância do legislativo sobre o executivo. Semelhança:
ambos temiam a dissolução das antigas fronteiras • Cabanagem (Grão-Pará)
sociais pela ampliação da participação política.
A maioridade de D. Pedro II foi a solução para a crise, pois teve
9. como consequência a restauração do Poder Moderador, além de
ser o mecanismo encontrado pelas elites imperiais de retorno à
a) 1ª reivindicação: o aumento dos impostos sobre ordem com o fim das revoltas descentralizadoras que ameaçavam
o charque platino, para facilitar a venda do charque a unidade do Império e dos confrontos gerados pelas regências.
gaúcho; 2ª reivindicação: a redução do imposto de im-
portação do sal, que encarecia a produção de charque.
b) Cabanagem, no Grão-Pará e Sabinada, na Bahia. E.O. Objetivas
10. (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
a) Na pintura temos um conjunto de homens negros, 1. A 2. E 3. C 4. B 5. E
aparentemente libertos, porém trajando vestes dife- 6. E 7. A 8. D
renciadas; no entanto, o fato de estarem descalços
nos remete a sua condição de inferioridade. Em parte
ela expressa certa preocupação com a higiene, que E.O. Dissertativas
pode ser interpretada de forma equivocada e precon-
ceituosa como uma influência branca. (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
b) Se a imagem mostra negros libertos, vestidos e 1.
asseados, o texto retrata o negro como alvo de ex-
a) De acordo com o texto, a construção da imagem de
periências pseudocientíficas, como cobaias humanas,
D. Pedro II, diferenciada da de seu pai, representaria
para a obtenção de produtos ou medicamentos úteis
segurança e estabilidade para o país e sua unificação
para a sociedade da época.
em torno da figura do imperador.
b) Das características do período regencial que ame-

107
açavam a estabilidade do país, pode-se considerar
a vacância do trono em razão da menoridade de D.
Pedro II e a ocorrência de revoltas de caráter separa-
tistas autonomistas em algumas províncias.

2.
a) A Cabanagem foi uma revolta de caráter popular,
realizada pelas camadas despossuídas, representadas
pelos cabanos, populações ribeirinhas do Pará. Já a
Revolução Farroupilha teve caráter elitista, por ter
sido conduzida pelos estancieiros ligados à grande
propriedade rural.
b) As revoltas provinciais puseram em risco a unidade
do Brasil, na medida em que representaram a defesa
de interesses localizados, representados pelas pro-
posições federalistas e/ou separatistas presentes nos
movimentos. Assim sendo, a derrota desses movimen-
tos significou a consolidação do centralismo/unitaris-
mo e dos interesses da aristocracia fundiária e escra-
vista que marcaram a política do Segundo Reinado.
c) Essas elites provinciais rebelavam-se fundamen-
talmente contra o excessivo centralismo do Império,
pois aspiravam à autonomia de suas províncias. No
caso da Revolução Farroupilha, deve-se acrescentar o
descontentamento com as altas taxas cobradas sobre
o charque e outros produtos sul-rio-grandenses.
3. A Criação das Assembleias Legislativas nas províncias e
a criação da Regência Una com eleição pelo voto censitário
com mandato de 4 anos, assemelham-se ao federalismo e
presidencialismo que constituíam a organização política dos
Estados Unidos. Daí, se falar em experiência republicana no
Brasil, durante o Período Regencial.

108
SEGUNDO REINADO: POLÍTICAS
AULAS EXTERNA E ECONOMIA
21 E 22
1, 4, 7, 8, 9, 10, 14, 15,
COMPETÊNCIAS: 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADES:
16, 18 e 22

E.O. APRENDIZAGEM e) Os governos dos estados produtores optaram por


não proteger a agricultura do café, para manter os
princípios da não intervenção.
1. (PUC-RJ) Assinale a alternativa que NÃO caracteriza de
modo correto o rápido processo de urbanização e mo- 3. (UPE) O Brasil da segunda metade do século XIX viveu
dernização ocorrido nas Américas, entre 1870 e 1920. um desenvolvimento urbano e econômico, que gerou
a) Os Estados Unidos experimentaram, no período, uma reflexos na sua produção cultural. Espaço de surgimen-
industrialização em grande escala e altamente concen- to e atuação de vários artistas e intelectuais, as cidades
trada, acompanhada de rápida urbanização. A expansão do Brasil Imperial foram o palco de uma efervescência
comercial e financeira para além de suas fronteiras atin- artístico-cultural ímpar.
giu países vizinhos da América Central e Caribe. Sobre essa realidade, assinale a alternativa CORRETA.
b) A urbanização e modernização aceleradas foram a) Machado de Assis, principal escritor do Modernis-
características visíveis nas capitais dos países latino- mo brasileiro, foi autor de várias obras que tiveram
-americanos que vinham se beneficiando do sucesso ampla aceitação popular, o que lhe proporcionou, in-
de suas economias agrário-exportadoras, como o Mé- clusive, fama no exterior.
xico, a Argentina e o Chile.
b) As pinturas de Pedro Américo refletiam um tom
c) A sobrevivência da monarquia e a continuação romântico e nacionalista, retratando, inclusive, acon-
da escravidão até 1888 impediram a urbanização, o tecimentos históricos pátrios.
acesso à modernização e ao progresso industrial de
c) Aluísio de Azevedo, grande expoente do romantis-
fins do século XIX no Brasil cuja economia ainda de-
pendia da produção cafeeira. mo literário no Brasil, sofreu com a censura imperial,
em relação a sua obra.
d) A imigração em massa para as Américas de traba-
lhadores europeus pobres de distintas nacionalidades d) Castro Alves, grande símbolo do chamado ‘mal do
foi outro importante aspecto no processo de rápida século’, foi autor de poesias que tiveram ampla reper-
modernização e industrialização em fins do século cussão nacional.
XIX e início do século XX. e) A produção teatral de Artur de Azevedo era marca-
e) As propostas civilizatórias eurocêntricas que fize- da por uma dramaturgia de conotações trágicas.
ram da raça um atributo negativo apenas dos povos 4. (Ufrgs) Considere as seguintes afirmações sobre a Lei
não brancos foram admiradas pelas elites governan-
de Terras de 1850.
tes das Américas que não raro adotaram políticas de
branqueamento para suas populações. I. Legislou, pela primeira vez, a propriedade privada no
país, essencial para a modernização capitalista da nação.
2. (Unifor) O café foi introduzido no Brasil no início do II. Possibilitou a compra de terras por imigrantes, inde-
século XVIII para consumo doméstico. Com o avanço da pendente do tempo de permanência no país.
Revolução Industrial, na Europa e depois nos Estados
III. Proibiu a doação de terras públicas.
Unidos, a agricultura do café expandiu-se rapidamente
e na terceira década do século XIX este produto já era Quais estão corretas?
exportado em larga escala. a) Apenas I.
Sobre o assunto assinale a alternativa correta. b) Apenas III.
a) Os primeiros cafezais para exportação concentra- c) Apenas I e III.
ram-se no Vale do Rio Paraíba no estado do Rio de d) Apenas II e III.
Janeiro e no oeste de São Paulo. e) I, II e III.
b) O trabalho assalariado foi a principal forma de uso
da mão de obra nesta etapa inicial. 5. (UEPB) O café é uma bebida mundialmente conhecida.
c) Na medida em que as boas terras do vale do Paraí- No Brasil, as primeiras sementes chegaram no século XVIII
ba foram esgotando-se o plantio do café deslocou-se e foram introduzidas no Pará por Francisco Melo Palheta.
para o Espírito Santo e Bahia. Assinale a alternativa correta.
d) Na segunda metade do século XIX o café já era a) Produtores e investidores do café no Oeste Paulis-
o principal produto de exportação com largo cresci- ta passaram a ter maior sintonia com as tendências
mento em São Paulo. capitalistas, o que inicialmente era apresentado pela

109
base produtiva escravista foi sendo substituído pelo a) adesão dos proprietários rurais à plena concretiza-
trabalho livre. ção dos direitos humanos.
b) Os fazendeiros do Vale do Paraíba tinham uma b) elaboração da Constituição por pessoas compro-
visão empresarial moderna, e utilizavam da própria metidas com a justiça social.
lucratividade do café para investir em outras ativida- c) criação de leis emancipacionistas para a manuten-
des econômicas. ção da Guerra do Paraguai.
c) A atividade cafeicultora em expansão no Oeste d) mobilização de diferentes grupos sociais em torno
Paulista não incentivou o crescimento urbano na se- da campanha abolicionista.
gunda metade do século XIX porque o Brasil tinha
uma população efetivamente rural. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
d) O sistema de parcerias implementado pelo senador Um pensamento liberal moderno, em tudo oposto ao
Vergueiro resolveu a questão da mão de obra da pro- pesado escravismo dos anos 1840, pode formular-se
dução cafeeira, prosperando até o século XX. tanto entre políticos e intelectuais das cidades mais im-
e) O sucesso da economia cafeeira no século XIX se portantes quanto junto a bacharéis egressos das famí-
deve ao fato de este produto ter atendido exclusiva- lias nordestinas que pouco ou nada poderiam esperar
mente o mercado interno. do cativeiro em declínio.

6. (UEG) Leia o texto a seguir. (BOSI, ALFREDO. DIALÉTICA DA COLONIZAÇÃO. SÃO


PAULO: COMPANHIA DAS LETRAS, 1992, P. 224)
As guerras estrangeiras, como métodos políticos, sempre
foram encaradas pelo país como importunas e até crimi- 8. (Puccamp) Considere as seguintes proposições sobre
nosas, e nesse sentido especialmente a Guerra do Para- a situação do escravismo no Brasil Império, na segunda
guai não deixou de sê-lo; os voluntários que a ela acu- metade do século XIX:
diram eram, de fato, muito pouco por vontade própria. I. A Lei Eusébio de Queiroz, ainda que tenha determinado
o fim do tráfico negreiro para o Brasil, não impediu o
LIMA, OLIVEIRA. IN. HOLANDA, SÉRGIO B. DE. RAÍZES DO BRASIL.
comércio interno de escravos, ativo até o final do século.
SÃO PAULO: CIA. DAS LETRAS, 1995. P. 177.
II. Diversas rebeliões populares, algumas rurais, outras
O texto citado, do embaixador Oliveira Lima, tematiza urbanas, como a Balaiada, a Revolta dos Malês ou a Re-
a política belicista brasileira e corrobora a ideia de que: volta de Manuel Congo foram integradas por cativos e
escravos foragidos, causando ações repressivas virulen-
a) o Brasil, secularmente, procura passar uma imagem
tas por parte das elites.
externa de país pacífico e respeitoso da autonomia
política dos países vizinhos. III. A condenação moral da escravidão fez-se cada vez
b) as guerras externas foram uma estratégia dos go- mais presente na imprensa, durante esse período no
vernantes a fim de consolidar a hegemonia imperia- qual se fortaleceram os movimentos abolicionistas.
lista do Brasil na América do Sul. IV. A abolição da escravatura foi decretada com a Lei Áu-
c) o governo Imperial relutou decisivamente em en- rea, que não garantiu o direito à cidadania aos libertos
volver-se no conflito com o Paraguai, só o fazendo e previu o pagamento de indenizações aos fazendeiros.
por causa da pressão popular. Está correto o que se afirma APENAS em:
d) a participação do país em guerras estrangeiras, a) I, II e IV.
como na I e II Guerras Mundiais, faz parte do esforço b) I e IV.
de transformar o Brasil em uma potência militar. c) II e III.
e) as guerras são utilizadas pelos governantes como d) I e III.
estratégia política de desviar a opinião pública inter- e) II, III e IV.
na dos graves problemas sociais do país.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
7. (Uemg) “As consequências da escravidão não atin-
É interessante notar como, em Machado de Assis, se alia-
giram apenas os negros. Do ponto de vista da forma-
vam e se irmanavam a superioridade de espírito, a maior
ção do cidadão, a escravidão afetou tanto o escravo
liberdade interior e um marcado convencionalismo. Dois
quanto o senhor. Se um estava abaixo da lei, o outro
termos que se repelem, pensador e burocrata, são os que
se considerava acima. A libertação dos escravos não
melhor o exprimem. Entre Memórias póstumas de Brás
trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era
Cubas e Quincas Borba, a vida nacional passara pelas
afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje,
profundas modificações da Abolição e da República.
apesar das leis, aos privilégios e à arrogância de pou-
cos correspondem o desfavorecimento e a humilhação − Que pensa de tudo isso Machado de Assis? indagava
de muitos.” Eça de Queirós.
À queda da Monarquia, disse Machado no seu gabinete
CARVALHO, JOSÉ MURILO DE. CIDADANIA NO BRASIL: O LONGO CAMINHO. de burocrata, diante da conveniência de tirar da parede
14ª ED.RIO DE JANEIRO: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, 2011, P. 53.
o retrato do imperador:
No século XIX, o combate à escravidão no Brasil rela- − Entrou aqui por uma portaria, só sairá por outra por-
cionou-se à: taria.

110
Era o que tinha a dizer aos republicanos, atônitos com despontara nessas e em outras cidades do Vale do
esse acatamento ao ato de um regime findo. Paraíba, repercutindo no desenvolvimento fabril.
d) ousados investimentos do empresário Barão de Mauá,
ADAPTADO DE: PEREIRA, LÚCIA MIGUEL. MACHADO DE ASSIS. 6. ED.
REV., BELO
HORIZONTE: ITATIAIA; SÃO PAULO: EDUSP, 1988, P. 208 que, juntamente com negociantes ingleses, fundou inúme-
ras indústrias fabris e construiu ferrovias, modernizando a
9. (Puccamp) De acordo com o texto, na segunda meta- região e garantindo o rápido escoamento da produção.
de do século XIX, ocorreram profundas transformações e) ricos agricultores latifundiários e o acesso facilitado
econômicas e sociais no Brasil. por linhas férreas que se expandiram vigorosamente a
Sobre este tema é correto afirmar que partir de 1860, no oeste do Estado, momento em que a
região se consolida como polo cafeeiro após o declínio
a) o abolicionismo, a imigração e o processo de trans-
das fazendas situadas no sudoeste do Rio de Janeiro.
formações proporcionadas pela cafeicultura, num
contexto mundial de expansão capitalista, selaram a
sorte da escravidão.
b) a abolição alterou profundamente as formas de E.O. FIXAÇÃO
produção agrícola, uma vez que possibilitou o esta- 1. (UPF) No Segundo Reinado (1840-1889), alguns acon-
belecimento das bases do trabalho livre e assalariado tecimentos ocuparam lugar de destaque na política,
em todo o país. com efeitos sobre o contexto socioeconômico e sobre
c) os movimentos abolicionistas receberam apoio da as relações internacionais do Brasil.
Igreja Católica, em especial dos padres templários, e
Considerando isso, associe os eventos da coluna 1 com
foram idealizados por homens livres, desvinculados
a descrição equivalente na coluna 2.
de tradições locais.
d) a incipiente industrialização, a exigência de indeni- COLUNA 1
zação pelos proprietários e a ineficiente política bra-
1. Guerra do Paraguai.
sileira de substituição da mão de obra retardaram o
fim da escravidão. 2. Lei Eusébio de Queiroz.
e) a abolição progressiva da escravidão e o movimen- 3. Questão Christie.
to republicano contribuíram para a instalação da in- 4. Lei de Terras.
dústria de bens de consumo e para a urbanização da 5. Tarifa Alves Branco.
região Sudeste.
COLUNA 2
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO ( ) Lei de extinção do tráfico atlântico de escravos para
O setor fabril já se fazia notar, não só em São Paulo, o Brasil.
como também em Campinas e Piracicaba, produzindo ( ) Medida protecionista das manufaturas brasileiras.
tecidos, chapéus e calçados. As casas de fundição co- ( ) Tríplice Aliança.
locavam à disposição serras, bombas, sinos, prensas e
( ) As terras públicas seriam vendidas e não mais doadas.
ventiladores (...). As narrativas de viagem, gênero de
escrita muito apreciado por autores e leitores, registra- ( ) Incidente diplomático que levou ao rompimento das
vam dessa nova sociedade as impressões colhidas em relações entre Brasil e Inglaterra.
trânsito e dispostas em painel. A sequência correta de preenchimento dos parênteses,
de cima para baixo, é:
FERREIRA, ANTONIO CELSO. A EPOPEIA BANDEIRANTE.
LETRADOS, INSTITUIÇÕES E INVENÇÃO HISTÓRICA (1870-1940). a) 1, 3, 5, 4, 2.
SÃO PAULO: EDITORA UNESP, 2002, P. 78-79. b) 2, 5, 3, 4, 1.
10. (Puccamp) As cidades mencionadas, que assistem ao c) 2, 5, 1, 4, 3.
surgimento de pequenas indústrias nas últimas décadas d) 3, 4, 1, 5, 2.
do século XIX, apresentavam em comum e) 4, 2, 3, 5, 1.
a) grandes concentrações urbanas provenientes da 2. (Uepa)
intensa imigração europeia, que as transformou nas
três maiores cidades da região e contribuiu para a
instalação de comerciantes e empreendedores res-
ponsáveis pelas primeiras indústrias paulistas.
b) oligarquias rurais endinheiradas, que compartilha-
vam ideais republicanos, abolicionistas, nacionalistas
e que investiam parte substantiva de seu capital em
indústrias voltadas para seu próprio consumo de ar-
tigos de luxo.
c) rápido desenvolvimento econômico proveniente do
acúmulo de dividendos gerado pela produção cafeei-
ra baseada no latifúndio e no trabalho escravo, que

111
A charge acima apresenta o processo de alistamento crescimento do número de empresas industriais se faria
ocorrido durante o período da Guerra do Paraguai (1865- com relativa rapidez.
1870) e, sobre este processo é correto afirmar que: Mas o que provocaria essas mudanças?
a) inicialmente o governo criou o Corpo de Voluntários
(SONIA MENDONÇA, A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA. P. 12)
mas, como a guerra se prolongou por muitos anos, o
alistamento era garantido com o uso da violência. Ho- É correto responder à indagação afirmando que:
mens eram caçados nas ruas, nas igrejas, prisões eram
a) a Câmara dos Deputados aprovou medidas restri-
esvaziadas, e escravos eram comprados pelo Estado.
tivas às importações, como a proibição da entrada
b) a criação do Corpo de Voluntários foi a solução de mercadorias similares às já produzidas no país, e
encontrada pelo governo brasileiro para conseguir também criou a primeira política industrial brasileira.
compor suas tropas, no entanto a oposição utilizava
b) houve a importante contribuição do fim do tráfico
a imprensa alternativa, como o jornal acima citado,
de escravos para o Brasil, que possibilitou a disponi-
para ironizar esse alistamento.
bilidade de capitais, além dos efeitos duradouros da
c) recrutava principalmente os escravos negros que agricultura, especialmente do café.
desejassem ganhar a liberdade, pois em troca do alis-
c) a nacionalização do subsolo brasileiro, presente na
tamento voluntário e de sua permanência nas tropas
Constituição imperial, impulsionou os investimentos
até o final do conflito, receberiam a carta de alforria.
privados na exploração mineral, conjuntamente com
d) conseguia recrutar voluntariamente um grande os incentivos governamentais na criação de estaleiros.
número de homens jovens e adultos para as tropas
d) ocorreu uma rápida modernização dos grandes en-
brasileiras, pois as razões que contribuíram para que
genhos de açúcar do Nordeste em função dos finan-
o conflito ocorresse afetavam profundamente a sobe-
ciamentos ingleses e, em 1851, fundou-se um banco
rania do império brasileiro.
estatal de desenvolvimento.
e) recebia um grande número de homens vindos do
e) acertou-se com a Inglaterra a renovação dos Trata-
norte e nordeste desejosos de ingressar na carreira
dos de 1827, que ofereciam tarifas privilegiadas aos
militar e que viam na convocação para o alistamento,
ingleses e estes, em contrapartida, proporcionavam
feito pela imprensa da época, como uma grande opor-
transferência de tecnologia industrial.
tunidade de melhorar suas condições materiais de vida.
5. (UPF) O Brasil foi um dos países receptores de mi-
3. (PUC-RJ) A abolição do tráfico de escravos a partir
lhões de europeus e asiáticos que vieram para as Amé-
de 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, provocou sig-
ricas em busca de oportunidade de trabalho e ascensão
nificativas mudanças na vida brasileira. Dentre elas, é
social. Aproximadamente 3 milhões de estrangeiros
CORRETO afirmar que:
entraram no Brasil entre 1887 e 1914, 72% do total de
a) houve um deslocamento imediato de mão de obra imigrantes que vieram para o continente americano. É
escrava das áreas decadentes para a região cafeiculto- correto afirmar que essa concentração se explica, entre
ra do Vale do Paraíba, o que provocou um agravamen- outros fatores, pela:
to das questões platinas em decorrência do incentivo
a) forte demanda de força de trabalho para as lavou-
daqueles países vizinhos à produção para exportação.
ras de café.
b) os países da região platina montaram um tráfico clan-
b) vinda de um forte contingente de japoneses fugi-
destino de escravos de maneira a tornar os seus produtos
dos da Primeira Guerra.
mais competitivos no comércio internacional, desbancan-
do, desta forma, a produção das Antilhas inglesas. c) necessidade de mão de obra altamente especializa-
da para a indústria do sul do país.
c) os capitais liberados do tráfico de escravos foram
aplicados em atividades de modernização econômica d) política de imigração altamente subsidiada pelos
do país e que a inevitável extinção futura da escravi- governos italiano e japonês.
dão suscitou debates sobre a questão da substituição e) excelente recepção oferecida aos imigrantes pelos
da mão de obra e os primeiros ensaios de imigração usineiros do nordeste.
estrangeira para o Brasil.
6. (UECE) Pode-se afirmar corretamente que a Guerra
d) a abolição do tráfico de escravos para o Brasil levou do Paraguai representou para o Brasil:
a Inglaterra a decretar o Bill Aberdeen, lei que conseguiu
estancar em definitivo o comércio de cativos no Oceano a) a afirmação do exército brasileiro como um perso-
Atlântico incrementando a produção industrial na região. nagem importante junto à sociedade brasileira.
e) a proibição do tráfico de escravos incentivou a subs- b) a concretização da emancipação política dos escra-
tituição do regime de produção em larga escala para vos nascidos no Brasil.
exportação na lavoura brasileira pelo cultivo em pe- c) o incentivo à adoção de um regime republicano
quenas propriedades com mão de obra livre, o que le- constitucional no País.
vou ao surgimento de um mercado interno expressivo. d) a solução de uma profunda crise financeira pela
qual passava o Brasil.
4. (FGV) Somente a partir de 1850 vai se observar um
maior dinamismo no desenvolvimento econômico do 7. (ESPCEX) “Os interesses na região platina levaram o
país em geral e de suas manufaturas, em particular. O Brasil a participar de três guerras: contra Oribe e Rosas

112
(presidentes do Uruguai e da Argentina, respectivamen- 9. (UFSJ) Sobre o tráfico negreiro no século XIX, é COR-
te), contra Aguirre (do Uruguai) e a Guerra do Paraguai.” RETO afirmar que ele:
(COTRIM, 2009) a) praticamente foi extinto depois de sua proibição
pelo Estado brasileiro em 1831 e, a partir de então,
Sobre esse tema, leia as afirmações abaixo: o tráfico de cativos ficou restrito ao comércio entre as
I. Garantir o direito de navegação pelo rio da Prata, for- províncias do Império, pois a cafeicultura paulista e a
mado pela junção dos rios Paraná e Uruguai; mineira adquiriam escravos nas províncias nordestinas.
II. Garantir a permanência de Solano Lopes na presidên- b) ocorreu intensamente no Brasil durante a primeira
cia do Paraguai; metade do século, apesar de sua proibição legal em
1831, e, a partir de 1850, o Estado brasileiro tomou me-
III. Manter o Uruguai como província;
didas efetivas para coibir a vinda de cativos da África.
IV. Impedir que a Argentina anexasse o Uruguai; c) foi oficialmente proibido no Brasil apenas com a
V. Conquistar uma saída para o Oceano Pacífico. Proclamação da República, na segunda metade do
Assinale a única alternativa que apresenta todas as afir- século, quando ocorreu intensa imigração de euro-
mações corretas sobre os objetivos brasileiros nesses peus para as áreas de expansão da cafeicultura, via-
conflitos: bilizando o fim do tráfico.
a) I e IV. d) estava proibido no Brasil desde a chegada da fa-
mília real portuguesa, em 1808; todavia, continuou
b) II, III e V.
a se realizar clandestinamente durante boa parte do
c) II e III.
século, sendo efetivamente extinto em 1888, em fun-
d) I, IV e V. ção da pressão britânica.
e) I e III.
10. (FGV) Empreiteiro da Companhia Estrada de Ferro
8. (Udesc) No Brasil do século XIX, as principais formas D. Pedro II, o imigrante norte-americano David Somp-
de trabalho e os meios de acúmulo de riquezas esta- son decidiu dar fim à própria vida na noite de 29 de
vam ligados à posse de escravos. Além da riqueza, ter outubro de 1869, em Sapucaia, província do Rio de
escravos era sinal de poder e prestígio na sociedade Janeiro. Por ser protestante e suicida, Sompson foi en-
escravista. Contudo, após 1850 esse sistema sofreria terrado do lado de fora dos muros do cemitério. O di-
mudanças e entraria em crise. retor da companhia chegou a solicitar a realização de
Analise as proposições sobre o contexto histórico que um sepultamento digno para seu funcionário, mas foi
contribuiu para o entendimento da crise do sistema es- em vão: sob a justificativa de impedir a “profanação
cravista. das almas”, o vigário-geral não autorizou o enterro no
I. Principalmente nas capitais das províncias passaram mesmo espaço sagrado dos católicos – “Tenho a honra
a surgir os primeiros movimentos abolicionistas, sendo de declarar que as leis da Igreja Católica proíbem o
que em 1880 o abolicionismo representava um amplo enterrar-se em sagrado aos que se suicidam, uma vez
movimento social, com o envolvimento de jornais, clu- que antes de morrer não tenham dado sinais de arre-
bes e comícios, liderado por intelectuais e políticos. pendimento, acrescendo a circunstância no presente
Muitos negros e mestiços participaram dessas lutas. caso de ser o falecido protestante”.
II. Com a proibição do tráfico negreiro, o número de Em 20 de abril de 1870, o imperador D. Pedro II tomou
escravos, no Brasil, passou a decrescer, consequente- conhecimento do parecer e concordou com a opinião
mente o preço dos escravos aumentou, dificultando o dos membros do Conselho de Estado: “Recomende-se
aos Reverendos Bispos que mandem proceder às so-
atendimento da demanda das grandes fazendas de café
lenidades da Igreja nos cemitérios públicos, para que
e de açúcar.
neles haja espaço em que possam enterrar-se aqueles
III. Fugas em massa, desobediências e rebeliões de es- a quem a mesma Igreja não concede sepultura em sa-
cravos ocorreram por quase toda a região Sudeste no grado. E aos Presidentes de Província que providenciem
último quartel do século XIX, o que contribuiu para fa- para que os cemitérios que de agora em diante se es-
zer ruir o sistema baseado na propriedade escrava. tabelecerem se reserve sempre para o mesmo fim o es-
IV. A crise do sistema escravista não pode ser dissociada paço necessário”.
da própria crise do Império no Brasil. Não é por acaso
SÉRGIO AUGUSTO VICENTE. SEGREGAÇÃO DOS MORTOS, 1.2.2015. IN REVISTA DE
que o decreto que pôs fim à escravidão seria assinado HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL, Nº 113, FEVEREIRO DE 2015. ADAPTADO.
apenas um ano antes do fim do Império e da inaugura-
ção do novo regime político: a República. A partir do fato apresentado e do contexto do Segundo
Assinale a alternativa correta. Reinado, é correto afirmar que a segregação dos mortos:
a) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras. a) marcou os primeiros embates da chamada Questão
Religiosa, que opôs o recém-fundado Partido Republi-
b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
cano Paulista, patrono do projeto legislativo que revia
c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. o padroado, contra a cúpula da Igreja Católica no Bra-
d) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. sil, que advogava a necessidade de as escolas básicas
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. estarem sob a administração das ordens religiosas.

113
b) decorreu dos preceitos constitucionais do Império que integra ao mercado internacional capitalista. (...) “Ti-
atribuíam à Igreja Católica prerrogativas superiores às rar cipó” – isto é, fugir para o mato – continuou du-
do Estado em algumas questões, caso dos sepultamen- rante muito tempo como sinônimo de evadir-se, como
tos, mas tais prerrogativas estavam sendo revistas pelo aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as
Legislativo, e o Imperador defendia, desde o início do seu fugas, como tendência, não se dirigem mais simples-
reinado, a separação entre a Igreja e o Estado. mente para fora, como antes; se voltam para dentro,
c) representou a etapa final de um longo processo de isto é, para o interior da própria sociedade escravista,
desgaste nas relações entre o governo imperial e as onde encontram, finalmente, a dimensão política de
mais importantes lideranças da Igreja Católica brasi- luta pela transformação do sistema. “O não quero dos
leira, porque havia novas posições católicas que, desde cativos”, nesse momento, desempenha papel decisivo
1850, condenavam a ausência de propostas objetivas na liquidação do sistema, conforme analisou o aboli-
para a extinção do trabalho compulsório no Brasil. cionista Rui Barbosa”.
d) revelou uma face das contradições entre o poder REIS, JOÃO JOSÉ. SILVA, EDUARDO. NEGOCIAÇÃO E CONFLITO:
espiritual da Igreja e o poder secular da Monarquia A RESISTÊNCIA NEGRA NO BRASIL ESCRAVISTA. SÃO PAULO:
brasileira, em uma conjuntura na qual a hierarquia COMPANHIA DAS LETRAS, 1989, P. 62-66-71.
eclesiástica esforçava-se para ampliar sua autonomia
perante as políticas do Estado e o Imperador buscava 2. (Udesc) Analise as proposições em relação à escravi-
a conciliação dos interesses da religião oficial com o dão e à abolição no Brasil.
direito civil dos não católicos. I. O Brasil foi o último país independente do continente
e) anunciou um novo patamar nas relações entre o americano a abolir a escravidão, mantendo-a por prati-
Estado e as religiões no país, em especial a Igreja Ca- camente todo o período imperial.
tólica, porque o princípio constitucional que permitia II. Milhões de pessoas foram trazidas de diferentes re-
apenas a prática do culto católico no Brasil estava em giões africanas para o Brasil e escravizadas ao longo de
debate público e dom Pedro II já havia manifestado a mais de três séculos. Contudo, a mão de obra escrava,
sua simpatia a uma ampla liberdade religiosa. no Brasil, não foi exclusivamente africana.
III. A lei Eusébio de Queirós, em 1850, cessou a compra

E.O. COMPLEMENTAR e a venda de escravos no Brasil, e a pressão inglesa foi


significativa para a promulgação desta lei.
1. (Cesgranrio) No Brasil, a expansão cafeeira, na segun- IV. O fim da escravidão, no Brasil, se deu com a promul-
da metade do século XIX, pode ser identificada a partir gação da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, não tendo
das seguintes características: os escravos participado do processo de abolição.
V. Após a abolição, o estado brasileiro não ofereceu
a) Expansão do consumo externo, progressos técni-
condições adequadas para que os ex-escravos se inte-
cos, abertura de créditos, desenvolvimento das ferro-
grassem no mercado de trabalho assalariado, tendo a
vias e introdução da mão de obra escrava;
imigração europeia sido justificada, inclusive por teo-
b) Expansão das áreas cultivadas na Província Flumi- rias raciais.
nense, tráfico interprovincial de escravos, avanços tec-
nológicos, créditos externos e maior consumo interno; Assinale a alternativa correta.
c) Expansão ferroviária, crescimento do Oeste Novo a) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras.
paulista, aumento do tráfico negreiro, maior consumo b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras.
interno e externo e chegada dos imigrantes; c) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras.
d) Incentivos estatais à produção, créditos do Banco do d) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
Brasil, introdução do trabalho livre, desenvolvimento fer- e) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
roviário e aumento das áreas cultivadas em Minas Gerais;
e) Substituição do escravo pelo imigrante, capitais in- 3. (Unisc) Na História do Rio Grande do Sul, encontra-
gleses, introdução de máquinas modernas, elevação mos diferentes exemplos de disputas entre portugue-
dos preços e rápida urbanização. ses e espanhóis, entre grupos políticos regionais, e de
conflitos sucessivos em torno de interesses e de frontei-
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO ras na Região do Prata. Assinale a alternativa que apre-
“A unidade básica de resistência no sistema escravis- senta exemplos desses conflitos, com a participação
ta, seu aspecto típico, foram as fugas. (...) Fugas indi- sul-rio-grandense, no século XIX.
viduais ocorrem em reação a maus tratos físicos ou a) Campanha da Legalidade, Guerra da Cisplatina e
morais, concretizados ou prometidos, por senhores ou
Guerra do Paraguai.
prepostos mais violentos. Mas outras arbitrariedades,
b) Guerra da Cisplatina, Guerra contra Aguirre e Guerra
além da chibata, precisam ser computadas. Muitas fu-
gas tinham por objetivo refazer laços afetivos rompi- do Paraguai.
dos pela venda de pais, esposas e filhos. (...) No Brasil, c) Revolução Farroupilha, Revolução de 1923 e Revo-
a condenação [da escravidão] só ganharia força na se- lução Federalista.
gunda metade do século, quando o país independente, d) Revolta da Armada, Guerra da Cisplatina e Confe-
fortemente penetrado por ideias e práticas liberais, se deração do Equador.

114
e) Guerra da Cisplatina, Guerras Guaraníticas e Cam- de escravos; e que calculava os investimentos ingleses
panha da Legalidade. no Brasil em 5 milhões de libras, parte dos quais desvia-
do para o comércio de escravos”.
4. (Ufrgs) Considere as afirmações abaixo, sobre imigra-
ção para o Brasil e as suas políticas públicas de fomento. TAVARES, LUÍS HENRIQUE DIAS. COMÉRCIO PROIBIDO DE
ESCRAVOS. SÃO PAULO: ÁTICA, 1988. (ADAPTADO)
I. A lei orgânica de 1867 previa uma série de benefícios
e facilidades à vinda dos imigrantes europeus, como, Essa afirmação indica uma contradição da política ingle-
por exemplo, o pagamento de suas passagens às colô- sa com relação ao Brasil. Identifique-a.
nias e a atribuição de um lote de terra de até 60 hecta-
res por família imigrante. 2. (UFG) Analise os documentos a seguir.
II. Uma das metas do incentivo à imigração europeia Art. 1º. As embarcações brasileiras encontradas em
era a política de “branqueamento” do país, exemplifi- qualquer parte, e as estrangeiras encontradas nos por-
cada pelo decreto n.º 528 de 1890, que, entre outras tos do Brasil, tendo a seu bordo escravos, ou havendo-os
medidas, proibia a entrada de imigrantes africanos no desembarcado, serão apreendidas pelas autoridades,
país, salvo em condições excepcionais. ou pelos navios de guerra brasileiros, e consideradas
III. As regiões do país que mais atraíra imigrantes foram importadoras de escravos.
o Sudeste e o Nordeste, principalmente pela ausência Art. 4. A importação de escravo no território do Império
de latifúndios significativos e de mão de obra disponí- fica nele considerada como pirataria, e será punida pe-
vel à industrialização de ambas as regiões. los seus tribunais com as penas declaradas no Código
Quais estão corretas? Criminal.

a) Apenas I. LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS, DE 4 DE SETEMBRO DE 1850.


DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.GPTEC.CFCH.UFRJ.BR/HTML/EUSEBIO.
b) Apenas II.
HTML>. ACESSO EM: 26 OUT. 2012. (ADAPTADO).
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III. Art. 1º. Ficam proibidas as aquisições de terras devolu-
e) I, II e III. tas por outro título que não seja o de compra.
Art. 18. O Governo fica autorizado a mandar vir anual-
5. (Uece) Em 1850, ano de extinção oficial do tráfico de mente à custa do Tesouro certo número de colonos livres
escravos no Brasil, foi votada a Lei de Terras. Esta lei, em para serem empregados, pelo tempo que for marcado,
linhas gerais, determinou que: em estabelecimentos agrícolas, ou nos trabalhos dirigi-
I. todo proprietário registrasse suas terras, ficando proi- dos pela Administração pública, ou na formação de colô-
bida a doação de propriedades ou qualquer outra for- nias nos lugares em que estas mais convierem; tomando
ma de aquisição de bens fundiários, a não ser por meio antecipadamente as medidas necessárias para que tais
da compra. colonos achem emprego logo que desembarcarem.
II. se mantivesse o alto custo do registro imobiliário, LEI DE TERRAS, DE 18 DE SETEMBRO DE 1850. DISPONÍVEL
impedindo que os posseiros mais pobres obtivessem a EM: <HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/LEIS/L0601-
propriedade do solo onde plantavam. 1850.HTM>. ACESSO EM: 26 OUT. 2012. (ADAPTADO).
III. ficasse assegurado o direito dos imigrantes – cujo
A promulgação da Lei Eusébio de Queirós e da Lei de
trabalho, em muitos casos, substituiria o trabalho dos
Terras revela uma preocupação latente com a definição
escravos – de se tornarem proprietários das terras onde
do estatuto da escravidão e da propriedade fundiária no
laboravam.
Brasil. Com base nos documentos apresentados e con-
IV. fossem possíveis a aquisição e a posse de terras pú- siderando-se o contexto do Segundo Império, explique:
blicas, a baixo custo, pelos grandes proprietários, seus
herdeiros e descendentes. a) uma consequência socioeconômica da implemen-
tação da Lei Eusébio de Queirós, no Rio de Janeiro;
Estão corretas as complementações contidas em
b) as mudanças na estrutura produtiva brasileira, pro-
a) I, II, III e IV. porcionadas pelas duas leis.
b) I e II apenas.
c) II, III e IV apenas. 3. (UFG) Leia o documento a seguir.
d) I, III e IV apenas. A que causa devíamos atribuir esta irrupção da cólera
ou, melhor, a que causa não a atribuirmos – Seria talvez
a carne estragada que éramos obrigados a comer, ou a
E.O. DISSERTATIVO fome curtida quando as náuseas venciam o apetite, ou
ainda o insuportável ardor dos incêndios que nos escal-
1. (Uema) Analise a afirmação abaixo: davam o sangue, quiçá a infecção oriunda de todas as
Em 1849, o inglês Robert Hesketh, cônsul no Brasil por substâncias vegetais que devorávamos, brotos, frutos
mais de trinta anos, afirmava que “todo o comércio do verdes e podres, ou também, enfim, a insalubridade do
Brasil obedecia ao capital inglês; que todos os manufa- ar viciado pela água estagnada dos charcos e lodaçais
turados ingleses eram vendidos a crédito e a prazo; que que naquela região tanto abundam.
todos os seus compradores eram ligados ao comércio Supunham alguns fosse o próprio inimigo o veiculador

115
do cólera. É muito possível que aos paraguaios houves- (ADAPTADO DE: TORAL, ANDRÉ. IMAGENS EM DESORDEM:
se acontecido – embora jamais suportassem as mesmas A ICONOGRAFIA DAGUERRA DO PARAGUAI (1864-1870).
SÃO PAULO: HUMANITAS / FFLCH-USP, P.181.)
privações que nós – porque, de seu exército do Sul,
dizimado pelo flagelo, tinham recebido reforços. Uma a) Considerando as imagens, os textos e os conheci-
circunstância ocorria fazendo-nos crer que também rei- mentos sobre o tema, apresente uma síntese funda-
nasse o mal em suas fileiras: a frouxidão, para o fim, dos mentada sobre a Guerra do Paraguai.
ataques, embora sempre frequentes. b) A partir das imagens, dos textos e dos conhecimen-
tos sobre o tema, analise o papel desempenhado pela
TAUNAY, ALFREDO D´ESCRAGNOLLE. A RETIRADA DE LAGUNA. 1870. P. imprensa nesse conflito.
57. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.DOMINIOPUBLICO.GOV.BR/DOWNLOAD/
TEXTO/BV00304A.PDF>. ACESSO EM: 20 MAR 2013. (ADAPTADO).
5. (UFF)
O documento apresentado, publicado em 1870, relata
um dos principais eventos da Guerra do Paraguai, a Re-
tirada de Laguna. Com base na leitura do documento,
explique
a) as condições a que as tropas brasileiras foram sub-
metidas, durante o conflito;
b) uma consequência para a política interna brasilei-
ra, com o fim da Guerra do Paraguai.
Estação central da Estrada de Ferro Central
4. (UEL) Observe as imagens publicadas, durante a do Brasil (Marc Ferrez, c. 1870).
Guerra do Paraguai, pelo jornal paraguaio El Centinela
A inauguração da estação da Estrada de Ferro Central
e pela revista ilustrada brasileira Vida Fluminense, e leia
do Brasil em 1870 simboliza uma aparente contradição:
os textos.
o Brasil era um país escravocrata ao mesmo tempo que
EL CENTINELA, 3, 9.5.1867 buscava instalar as novas e modernas máquinas e tec-
nologias oriundas da Revolução Industrial. O trem era,
assim, o símbolo da modernização.
A partir dessa afirmação, discuta a importância da es-
trada de ferro na manutenção das relações escravistas
na economia brasileira do século XIX.

6. (UFPR) O encerramento definitivo do tráfico de es-


cravos em 1850 coincidiu com a ascensão e prosperi-
dade da economia cafeeira, a qual então se expandia
T - E que fazem aqui esses três?
principalmente nas províncias de São Paulo e do Rio de
C - É o Imperador do Brasil, o Visconde de Tamandaré e Janeiro. Discuta a relação entre escravidão e expansão
o Marechal Polidoro que estão em conferência secreta da cultura do café nessa nova conjuntura, marcada pelo
sobre a Guerra do Paraguai. tráfico interno de cativos e por projetos de estímulo à
(ADAPTADO DE: TORAL, ANDRÉ. IMAGENS EM DESORDEM: imigração europeia.
A ICONOGRAFIA DAGUERRA DO PARAGUAI (1864-1870).
SÃO PAULO: HUMANITAS / FFLCH-USP, P.184.) 7. (Ufjf-pism 2) Dentre os países do continente ame-
ricano o Brasil foi o último país a acabar com a es-
Vida Fluminense, 58, 6. 2. 1869 cravidão em seu território. Até a assinatura do último
decreto que libertava definitivamente a escravidão
todo um longo percurso foi trilhado, tanto do ponto
de vista legal, como dos próprios movimentos sociais,
interessados no fim do regime escravocrata.
Observe a sucessão das leis decretadas no século XIX:
O século XIX e a questão da mão de obra
Leis Abolicionistas
1850 – Lei Eusébio de Queirós
1871 – Lei do Ventre Livre
Notícias do Sul
1885 – Lei dos Sexagenários
Tendo dado cabo de tudo quanto havia de bípedes no
1888 – Lei Áurea
Paraguai, o El Supremo, que tem muita paciência acha
ainda meio de reorganizar um novo exército de quadrú- Com base nessas informações e em seus conhecimen-
pedes, a quem faz [...] proclamação [...] à qual os solda- tos, responda ao que se pede:
dos entusiasmados respondem: Au! Au! Au! Miau! Au! a) A Lei Eusébio de Queirós proibiu definitivamente o
Miau! tráfico atlântico de escravos. Com o fim da oferta de

116
escravos africanos, proprietários escravistas no Bra- Apesar dos esforços de diversos setores abolicionistas,
sil buscaram outras formas de reposição da mão de tanto no Brasil como na Grã-Bretanha, e mesmo após
obra. Explique DUAS alternativas utilizadas para dar a proibição do tráfico decretado pelo país europeu em
continuidade à exploração escravista. 1807, temos que o tráfico não apenas não diminuiu,
b) A abolição da escravidão no Brasil foi o coroamen- como também passou de um estado de legalidade para
to de uma política de gabinete, ou seja, ela foi fruto um de contrabando ilegal. Considerando o trecho acima
da ação isolada de deputados e senadores do Império e com base nos conhecimentos sobre o tráfico ilegal de
do Brasil. Você concorda com essa afirmativa? Expli- escravos para o Brasil, identifique três fatores que faci-
que sua resposta. litaram esse tráfico ilegal, quais regiões da África foram
as mais afetadas por esse contrabando, assim como os
8. (Ufes) portos mais importantes de embarque e desembarque
em ambas as costas, africana e brasileira.

E.O. ENEM
1. (Enem)

Na imagem acima (autoria desconhecida), soldados


brasileiros se ajoelham diante da imagem de Nossa
Senhora da Conceição em 30 de maio de 1868, em ter-
ritório paraguaio. Eles integravam as forças da Tríplice
Aliança, que unia Brasil, Argentina e Uruguai.
a) Identifique o conflito que envolveu a Tríplice Aliança.
b) Aponte o impacto, para o fim da escravidão no Bra-
sil, da presença de negros, ao lado de brancos e mu-
latos, nas tropas brasileiras que defenderam os países DE VOLTA DO PARAGUAI
da Tríplice Aliança. Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derra-
mado seu sangue em defesa da pátria e libertado um
9. (FGV) Em torno de dois grandes rios, Uruguai e Para- povo da escravidão, o voluntário volta ao seu país natal
guai, quatro nações dividiam fronteiras: Brasil, Uruguai, para ver sua mãe amarrada a um tronco horrível de re-
Argentina e Paraguai. Nesse terreno, quatro contendo- alidade!...
res aplicavam-se bem em desempenhar o complicado
jogo das fronteiras. Em questão, estavam, além do aces- AGOSTINI. “A VIDA FLUMINENSE”, ANO 3, N. 128, 11 JUN. 1870. IN:
so à livre navegação da bacia platina, a hegemonia na LEMOS, R. (ORG). UMA HISTÓRIA DO BRASIL ATRAVÉS DA CARICATURA
região e os diferentes processos por que passavam os (1840-2001). RIO DE JANEIRO: LETRAS & EXPRESSÕES, 2001 (ADAPTADO).
Estados nacionais envolvidos. Na charge, identifica-se uma contradição no retorno de
(LILIA SCHWARTZ, “AS BARBAS DO IMPERADOR”.) parte dos “Voluntários da Pátria” que lutaram na Guer-
ra do Paraguai (1864-1870), evidenciada na
O texto registra algumas questões que estiveram na a) negação da cidadania aos familiares cativos.
origem de uma das mais importantes disputas militares
b) concessão de alforrias aos militares escravos.
entre países sul-americanos no século XIX: a Guerra do
Paraguai (1864-1870). c) perseguição dos escravistas aos soldados negros.
d) punição dos feitores aos recrutados compulsoriamente.
A partir dessas informações, EXPLIQUE dois motivos do
envolvimento do Império do Brasil nesse conflito. e) suspensão das indenizações aos proprietários pre-
judicados.
10. (Ufpr 2018) Leia o excerto abaixo:
2. (Enem)
“Embora o comércio escravista tenha sofrido um forte
abalo nos primeiros anos da década de 1830, a partir
de 1835-36 assistimos à sua recuperação, muito em
função do contexto político da Regência. Do total de
africanos trazidos para o Brasil em trezentos anos de
tráfico atlântico, aproximadamente 20% chegou entre
1831 e 1855, demonstrando a importância do tráfico
ilegal de escravos”.
(CICCHELLI PIRES, ANA FLÁVIA. “A ABOLIÇÃO DO COMÉRCIO ATLÂNTICO
DEESCRAVOS E OS AFRICANOS LIVRES NO BRASIL”. EM CLACSO, 2008,
PÁGS. 96-97. DISPONÍVEL EM: <HTTP://BIBLIOTECAVIRTUAL.CLACSO.ORG.
AR/CLACSO/COEDICIONES/20100823031440/07PIRE.PDF>.)

117
4. (Enem) Substitui-se então uma história crítica, pro-
funda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo
e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos
motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e
argentinos para a destruição da mais gloriosa república
que já se viu na América Latina, a do Paraguai.
CHIAVENATTO, J.J. GENOCÍDIO AMERICANO: A GUERRA DO
PARAGUAI. SÃO PAULO: BRASILIENSE, 1979 (ADAPTADO).

O imperialismo inglês, “destruindo o Paraguai, mantém


o status quo na América Meridional, impedindo a as-
censão do seu único Estado economicamente livre”.
Essa teoria conspiratória vai contra a realidade dos fa-
tos e não tem provas documentais. Contudo essa teoria
tem alguma repercussão.
(DORATIOTO. F. MALDITA GUERRA: NOVA HISTORIA DA GUERRA DO
PARAGUAI. SÃO PAULO: CIA. DAS LETRAS, 2002 (ADAPTADO).

Uma leitura dessas narrativas divergentes demonstra


que ambas estão refletindo sobre:
As imagens, que retratam D. Pedro I e D. Pedro II, procu- a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os reais
ram transmitir determinadas representações políticas motivos dessa Guerra.
acerca dos dois monarcas e seus contextos de atuação. b) o caráter positivista das diferentes versões sobre
A ideia que cada imagem evoca é, respectivamente: essa Guerra.
a) Habilidade militar – riqueza pessoal. c) o resultado das intervenções britânicas nos cená-
b) Liderança popular – estabilidade política. rios de batalha.
c) Instabilidade econômica – herança europeia. d) a dificuldade de elaborar explicações convincentes
sobre os motivos dessa Guerra.
d) Isolamento político – centralização do poder.
e) o nível de crueldade das ações do exército brasilei-
e) Nacionalismo exacerbado – inovação administrativa.
ro e argentino durante o conflito.
3. (Enem) Ninguém desconhece a necessidade que to-

E.O. UERJ
dos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus
trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fa-

EXAME DE QUALIFICAÇÃO
zendeiros dos braços necessários? As fazendas eram
alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor
auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se
supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los 1. (UERJ)
ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo
não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira,
isto é, à sua custa?
RESPOSTA DE MANUEL FELIZARDO DE SOUSA E MELLO, DIRETOR
GERAL DAS TERRAS PÚBLICAS, AO SENADOR VERGUEIRO. IN:
ALENCASTRO, L. F. (ORG.). HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO
BRASIL. SÃO PAULO: CIA. DAS LETRAS, 1988 (ADAPTADO).

O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do


Império refere-se às mudanças então em curso no cam-
po brasileiro, que confrontam o Estado e a elite agrária
em torno do objetivo de:
a) fomentar ações públicas para ocupação das terras A RESTITUIÇÃO DA PASSAGEM
do interior. As famílias chegadas a Santos com passagens de 3ª
b) adotar o regime assalariado para proteção da mão classe, tendo pelo menos 3 pessoas de 12 a 45 anos,
de obra estrangeira. sendo agricultores e destinando-se à lavoura do estado
c) definir uma política de subsídio governamental de São Paulo, como colonos nas fazendas ou estabe-
para o fomento da imigração. lecendo-se por conta própria em terras adquiridas ou
d) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos arrendadas de particulares ou do governo, fora dos su-
para a sobrevivência das fazendas. búrbios da cidade, podem obter a restituição da quan-
tia que tiverem pago por suas passagens.
e) financiar afixação de famílias camponesas para es-
tímulo da agricultura de subsistência. ADAPTADO DE O IMMIGRANTE, Nº 1, JANEIRO DE 1908

118
A publicação da revista O immigrante fazia parte das
ações do governo de São Paulo que tinham como ob-
jetivo estimular, no final do século XIX e início do XX, a
ida de imigrantes para o estado. Para isso, ofereciam-se
inclusive subsídios, como indica o texto.
Essa diretriz paulista era parte integrante da política
nacional da época que visava à garantia da:
a) oferta de mão de obra para a cafeicultura.
b) ampliação dos núcleos urbanos no interior.
c) continuidade do processo de reforma agrária.
d) expansão dos limites territoriais da federação.

2. (UERJ)

A pintura histórica alcançou no século XIX importan-


te lugar no projeto político do Segundo Reinado. Esse
gênero artístico mantinha intenso diálogo com a pro-
dução do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Por meio da pintura histórica, forjou-se um passado
épico e monumental, em que toda a população pu-
desse se sentir representada nos eventos gloriosos da
história nacional. O trabalho de Araújo Porto-Alegre
Iracema (1881), de José Maria de Medeiros. www.itaucultural.org.br
como crítico de arte e diretor da Academia Imperial
O romance Iracema, de José de Alencar, publicado em de Belas Artes possibilitou a visibilidade da pintura
1865, influenciou artistas, como José Maria de Medei- histórica com seus pintores oficiais, Pedro Américo e
ros, que nele encontraram inspiração para representar Victor Meirelles.
imagens do Brasil e do povo brasileiro no período im-
perial (1822-1889). CASTRO, ISIS PIMENTEL DE.
ADAPTADO DE PERIODICOS.UFSC.BR.
Na construção da identidade nacional durante o Impé-
rio do Brasil, identifica-se a valorização dos seguintes Considerando as imagens das telas e as informações do
aspectos: texto, as pinturas históricas para o governo do Segundo
a) clima ameno e índole guerreira dos ameríndios. Reinado tinham a função essencial de:
b) grandeza territorial e integração racial das etnias. a) consolidar o poder militar.
c) extensão litorânea e sincretismo religioso do povo. b) difundir o pensamento liberal.
d) natureza tropical e herança cultural dos grupos nativos. c) garantir a pluralidade política.
d) fortalecer a identidade nacional.
3. (UERJ)
4. (UERJ) Sobretudo compreendam os críticos a missão
dos poetas, escritores e artistas, neste período espe-
cial e ambíguo da formação de uma nacionalidade.
São estes os operários incumbidos de polir o talhe e
as feições da individualidade que se vai esboçando no
viver do povo.
O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabu-
ticaba pode falar com igual pronúncia e o mesmo es-
pírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a
nêspera?
JOSÉ DE ALENCAR, PREFÁCIO A SONHOS D’OURO, 1872.
ADAPTADO DE EBOOKSBRASIL.ORG.

De acordo com José de Alencar, a caracterização da


identidade nacional brasileira, no século XIX, estava
vinculada ao processo de:
a) promoção da cultura letrada.
b) integração do mundo lusófono.

119
c) valorização da miscigenação étnica. DEZ PROVÍNCIAS COM MAIOR POPULAÇÃO
d) particularização da língua portuguesa. ESCRAVA SEGUNDO O CENSO DE 1872

5. (UERJ) Número de Número de pessoas livres


Província
escravos para cada escravo

Minas Gerais 370.459 4,51

Rio de Janeiro 292.637 1,67

São Paulo 156.612 4,37

Bahia 107.824 11,24

Pernambuco 89.028 8,45

Maranhão 74.939 3,79


Rio Grande
67.791 5,41
do Sul
Diversas experiências históricas da sociedade brasileira Município
interferiram nas variações dos fluxos imigratórios nos 48.939 4,62
Neutro*
séculos XIX e XX. Para o período situado entre 1880 e
Alagoas 35.741 8,74
1899, a variação indicada no gráfico associou-se ao se-
guinte fator: Ceará 31.913 21,61
a) expansão cafeeira. *DESIGNAÇÃO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO DE 1834 A 1889.
b) crise da monarquia.
ADAPTADO DE CHALHOUB, S. POPULAÇÃO E SOCIEDADE. IN:
c) abolição da escravidão. CARVALHO, J. M. DE (ORG.). HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO. VOL. II.
d) modernização industrial. MADRID: FUNDACIÓN MAPFRE; RIO DE JANEIRO: OBJETIVA, 2012.

O total de escravos e a quantidade de pessoas livres


E.O. UERJ para cada escravo são indicadores das atividades eco-
nômicas desenvolvidas nas províncias do Império do
EXAME DISCURSIVO Brasil no século XIX.
A partir da tabela, cite a principal atividade econômica
1. (UERJ 2017) nas três províncias com maior concentração de popula-
ção escrava. Aponte, ainda, uma razão para a proporção
de pessoas livres nas províncias que atualmente inte-
gram a região Nordeste do Brasil.

E.O. OBJETIVAS
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP)
1. (Fuvest) O tráfico de escravos africanos para o Brasil:
a) teve início no final do século XVII, quando as pri-
meiras jazidas de ouro foram descobertas nas Minas
Gerais.
O anúncio exemplifica uma prática que se tornou co- b) foi pouco expressivo no século XVII, ao contrário
mum na imprensa brasileira no século XIX: a divulgação do que ocorreu nos séculos XVI e XVIII, e foi extinto,
de oferta de recompensas por escravos fugidos. Tal prá- de vez, no início do século XIX.
tica possibilita situar a importância dessa mão de obra c) teve início na metade do século XVI, e foi praticado,
em diversas atividades econômicas. de forma regular, até a metade do século XIX.
A partir das informações do anúncio, identifique duas d) foi extinto, quando da Independência do Brasil, a
características da condição de vida dos escravos, no despeito da pressão contrária das regiões auríferas.
Brasil, naquele momento. Indique, também, a principal e) dependeu, desde o seu início, diretamente do bom
transformação no mercado de compra e venda de es- sucesso das capitanias hereditárias, e, por isso, esteve
cravos ocorrida em 1850 que justifique o pagamento concentrado nas capitanias de Pernambuco e de São
de uma recompensa. Vicente, até o século XVIII.

2. (UERJ 2018) 2. (Fuvest)

120
d) acentuou a crise comercial da segunda metade do
século XIX.
e) liberou capitais para outros setores da economia.

5. (Fuvest) Qual dos fatores a seguir mais contribuiu


para a grande expansão das lavouras de café no Brasil,
no período 1830-1890?
a) Impulso demográfico interno de 1800 a 1830.
b) Maciça transferência de capitais estrangeiros para
o setor agrícola.
c) Destruição das lavouras nas Antilhas Francesas.
d) Adoção das tarifas Alves Branco e Murtinho.
VICTOR MEIRELES, MOEMA, 1866.
e) Elevação dos preços pela crescente demanda mundial.
Em seu contexto de origem, o quadro acima correspon-
6. (Fuvest) Durante o Império, a economia brasileira foi
de a uma:
marcada por sensível dependência em relação à Inglater-
a) denúncia política das guerras entre as populações ra e a outros países europeus. Essa situação foi alterada
indígenas brasileiras. em 1844 com:
b) idealização romântica num contexto de construção
a) a substituição do livre-cambismo por medidas pro-
da nacionalidade brasileira.
tecionistas, através da Tarifa Alves Branco.
c) crítica republicana à versão da história do Brasil
b) a criação da Presidência do Conselho de Ministros,
difundida pela monarquia.
que fortaleceu a aristocracia rural.
d) defesa da evangelização dos índios realizada pelas
ordens religiosas no Brasil. c) a aprovação da Maioridade, que intensificou as re-
lações econômicas com os Estados Unidos.
e) concepção de inferioridade civilizacional dos nati-
vos brasileiros em relação aos indígenas da América d) a eliminação do tráfico de escravos e a consequen-
Espanhola. te liberação de capitais para novos investimentos.
e) o estabelecimento do Convênio de Taubaté com a
3. (Unesp) Ao lado do latifúndio, a presença da escravi- intervenção do Estado na economia.
dão freou a constituição de uma sociedade de classes,
não tanto porque o escravo esteja fora das relações de 7. (Fuvest) O Bill Aberdeem, aprovado pelo Parlamento
mercado, mas principalmente porque excluiu delas os inglês em 1845, foi:
homens livres e pobres e deixou incompleto o processo a) uma lei que abolia a escravidão nas colônias ingle-
de sua expropriação. sas do Caribe e da África.
(MARIA SYLVIA DE CARVALHO FRANCO. HOMENS b) uma lei que autorizava a marinha inglesa a apresar
LIVRES NA ORDEM ESCRAVOCRATA, 1983.) navios negreiros em qualquer parte do oceano.
c) um tratado pelo qual o governo brasileiro privile-
Segundo o texto, que analisa a sociedade cafeeira no
giava a importação de mercadorias britânicas.
Vale do Paraíba no século XIX,
d) uma imposição legal de libertação dos recém-nas-
a) a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre cidos, filhos de mãe escrava.
assalariado freou a constituição de uma sociedade de
e) uma proibição de importação de produtos brasilei-
classes durante o período cafeeiro.
ros para que não concorressem com os das colônias
b) o imigrante e as classes médias mantiveram-se fora das
antilhanas.
relações de mercado existentes na sociedade cafeeira.
c) o caráter escravista impediu a participação direta 8. (Fuvest 2017) No Brasil, do mesmo modo que em
dos homens livres e pobres na economia de exportação muitos outros países latino-americanos, as décadas
da sociedade cafeeira. de 1870 e 1880 foram um período de reforma e de
d) a inexistência de homens livres e pobres na socieda- compromisso com as mudanças. De maneira geral,
de cafeeira determinou a predominância do trabalho podemos dizer que tal movimento foi uma reação às
escravo nos latifúndios. novas realidades econômicas e sociais resultantes do
e) a ausência de classes na sociedade cafeeira deveu- desenvolvimento capitalista não só como fenômeno
-se prioritariamente ao fato de que o escravo estava mundial, mas também em suas manifestações especi-
fora das relações de mercado. ficamente brasileiras.

4. (Fuvest) A extinção do tráfico negreiro, em 1850 : EMÍLIA VIOTTI DA COSTA, “BRASIL: A ERA DA REFORMA, 1870-
1889”. IN: LESLIE BETHELL, HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA,
a) reativou a escravização do Índio. V. 5. SÃO PAULO: EDUSP, 2002. ADAPTADO.
b) ocasionou a queda da produção cafeeira no Oeste
Paulista. A respeito das mudanças ocorridas na última década do
c) acarretou uma crise na indústria naval. Império do Brasil, cabe destacar a reforma:

121
a) eleitoral, que, ao instituir o voto direto para os do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira
cargos eletivos do Império, ao mesmo tempo em que no Nordeste colonial.
proibiu o voto dos analfabetos, reduziu notavelmente
a participação eleitoral dos setores populares. 2. (Unesp)
b) religiosa, com a adoção do ultramontanismo como
política oficial para as relações entre o Estado brasilei-
ro e o poder papal, o que permitiu ao Império ganhar
suporte internacional.
c) fiscal, com a incorporação integral das demandas
federativas do movimento republicano por meio da re-
visão dos critérios de tributação provincial e municipal.
d) burocrática, que rompeu as relações de patrona-
to empregadas para a composição da administração
imperial, com a adoção de um sistema unificado de
concursos para preenchimento de cargos públicos.
e) militar, que abriu espaço para que o alto-comando
do Exército, vitorioso na Guerra do Paraguai, assumis-
se um maior protagonismo na gestão dos negócios
internos do Império.

E.O. DISSERTATIVAS
(UNESP, FUVEST, UNICAMP E UNIFESP) Cheio de glória, coberto de louros, depois de ter derra-
mado seu sangue em defesa da pátria e libertado um
1. (Unesp) É particularmente no Oeste da província de povo da escravidão, o voluntário volta ao país natal para
São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os ver sua mãe amarrada a um tronco! Horrível realidade!...
cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se
das formas de exploração agrária estereotipadas desde (ÂNGELO AGOSTINI. A VIDA FLUMINENSE,
11.06.1870. ADAPTADO.)
os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura ca-
navieira e do “engenho” de açúcar. Identifique a tensão apresentada pela representação e
(SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA. RAÍZES DO BRASIL, 1987.) por sua legenda e analise a importância da Guerra do
Paraguai para a luta de abolição da escravidão.
Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas
entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista 3. (Fuvest) Observe os dois quadros a seguir.

Essas duas pinturas se referem à chamada Guerra da b) A Guerra do Paraguai foi antecedida por vários con-
Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai), ocorrida na flitos na região do Rio da Prata, que coincidiram e se
América do Sul entre 1864 e 1870. relacionaram com o processo de construção dos Esta-
a) Esses quadros foram pintados cerca de dez anos de- dos nacionais na região. Indique um desses conflitos,
pois de terminada a Guerra do Paraguai, o da esquer- relacionando-o com tal processo.
da, por um brasileiro, o da direita, por um uruguaio.
Analise como cada um desses quadros procura cons- 4. (Fuvest) Imagem de Ângelo Agostini sobre o impac-
truir uma determinada visão do conflito. to da Guerra do Paraguai na sociedade brasileira.

122
da análise do trecho, explicite a visão do proprietário
sobre os seus escravos, as origens desses escravos e os
tipos de exploração escravista na sociedade brasileira
do século XIX.

6. (Unesp) Analise a tabela.

População livre e população escrava no Brasil


(em número de habitantes)

Ano População livre População escrava


1822 2.000.000 1.000.000
1872 8.500.000 1.500.000
1887 14.000.000 700.000
(EMÍLIA VIOTTI DA COSTA. A ABOLIÇÃO, 1986. ADAPTADO)

Que informações a tabela oferece sobre as mudanças na


população escrava, durante o período, comparada à po-
pulação livre? Que motivos justificaram tais mudanças?

7. (Unifesp) “Na Bélgica haviam impresso e exposto à


venda um folheto em flamengo, com tradução francesa,
no qual se prometia aos trabalhadores o salário de seis
a quinze francos diários. O folheto pareceu-me um cha-
mariz para aliciar gente para o Brasil. Chegaram ao Rio
vários navios com esses iludidos”.
Observando a ilustração, explique (ROBERT AVÉ-LALLEMENT. “VIAGENS PELAS PROVÍNCIAS DE SANTA CATARINA,
a) o impacto social a que ela se refere; PARANÁ E SÃO PAULO”, 1858. BELO HORIZONTE: ITATIAIA, 1980.)
b) os desdobramentos políticos dessa guerra. O relato mostra o incentivo à imigração europeia para o
5. (Unesp 2017) Leia o trecho do romance Dom Casmur- Brasil na metade do século XIX. Explique:
ro (1899), de Machado de Assis (1839-1908), em que o a) Por que o autor considera os imigrantes “iludidos”,
personagem Bento apresenta ao amigo Escobar os bens explorando a semelhança com a experiência de ale-
de sua família. mães e suíços que vieram ao Brasil na década anterior.
– Não, agora não voltamos mais [a viver na fazenda]. b) A importância e o significado da mão de obra imi-
Olhe, aquele preto que ali vai passando, é de lá. Tomás! grante no Brasil da metade do século XIX.
– Nhonhô!
Estávamos na horta da minha casa, e o preto andava
em serviço; chegou-se a nós e esperou. GABARITO
– É casado, disse eu para Escobar. Maria onde está?
– Está socando milho, sim, senhor. E.O. Aprendizagem
[...] 1. C 2. D 3. B 4. C 5. A
– Bem, vá-se embora. 6. A 7. D 8. D 9. A 10. E
Mostrei outro, mais outro, e ainda outro, este Pedro,
aquele José, aquele outro Damião...
– Todas as letras do alfabeto, interrompeu Escobar. E.O. Fixação
Com efeito, eram diferentes letras, [...] distinguindo-se 1. C 2. A 3. C 4. B 5. A
por um apelido ou da pessoa [...] ou de nação como
6. A 7. A 8. E 9. B 10. D
Pedro Benguela, Antônio Moçambique.
– E estão todos aqui em casa? perguntou ele.
– Não, alguns andam ganhando na rua, outros estão E.O. Complementar
alugados. Não era possível ter todos em casa. Nem são 1. E 2. B 3. B 4. C 5. B
todos os da roça: a maior parte ficou lá.
DOM CASMURRO, 1994. E.O. Dissertativo
O enredo de Dom Casmurro transcorre na cidade do 1. A Inglaterra no século XIX vivia o contexto da Revolução
Rio de Janeiro, capital do Império brasileiro. A partir Industrial. As máquinas produziam muito e o país necessitava

123
de mercado consumidor. Desta forma, os britânicos defen- dos vegetais estragados que comiam” são algumas
diam o fim tráfico de escravos e consequentemente de toda das informações fornecidas pelo autor que demons-
a escravidão na América Latina. Acontece que a elite agrária, tram como era a vida das tropas brasileiras no conflito.
grande consumidora de produtos ingleses, utilizava a mão de b) A Guerra do Paraguai conferiu enorme poder ao
obra escrava. Os consumidores, em geral, dos manufaturados exército brasileiro. Os muitos soldados e comandan-
ingleses no Brasil estavam vinculados, de alguma forma, ao tes que voltaram da guerra passaram a questionar,
comércio de escravos. Esta é a grande contradição da política então, a escravidão e a forma de governo do Brasil.
Inglesa no século XIX. Essa influência do exército brasileiro vai terminar na
Proclamação da República, alguns anos à frente.
2.
a) A implementação da Lei Eusébio de Queirós teve as 4.
seguintes consequências socioeconômicas para a cidade a) Na abordagem da Guerra com o Paraguai, o candi-
do Rio de Janeiro (o candidato deve indicar apenas uma): dato pode adotar as tradicionais linhagens interpre-
• inversão dos investimentos aplicados no tráfico de tativas existentes na historiografia e reproduzida nos
escravos para a consolidação da infraestrutura da livros didáticos: a mais conservadora, que trata do
cidade. Nesse sentido, as ações podem assim ser Paraguai como responsável pela guerra. Uma outra
descritas: 1) implantou-se a malha ferroviária, a que vai primar pela apresentação da guerra como de-
partir de 1864, bem como a primeira linha de telé- corrência das relações imperialistas, fazendo da alian-
grafo, em 1852; 2) ampliou-se o sistema bancário; ça apenas uma marionete das intenções inglesas de
• intensificação do comércio de produtos com a sufocar o desenvolvimento autônomo do Paraguai. A
Europa, que incidiu no aumento das importa- chave desta interpretação é a ideia de Imperialismo
ções de bens de consumo; Inglês, decorrente das interpretações marcadamente
• melhorias na estrutura urbana da capital, que po- marxistas elaboradas nos anos 80 e 90 do século XX.
dem ser identificadas por meio da construção de Uma terceira linhagem interpretativa é mais contem-
palácios, do calçamento de ruas, da instalação de porânea e procura analisar temas caros à linhagem
iluminação a gás e de bonde com tração animal. mais conservadora, que dizem respeito aos proble-
b) As leis, aprovadas com uma diferença de duas mas de fronteiras, às complexas relações políticas no
semanas, transformaram diretamente a estrutura cone sul entre os países protagonistas da guerra e à
econômica do Segundo Império. Por um lado, a im- problemática da formação nacional destes. Mais do
plementação da Lei Eusébio de Queirós trouxe como que uma verdade histórica, o que interessa é – não
consequência a diminuição da oferta de mão de obra importando qual a versão abraçada pelo candidato
escrava, necessária à manutenção da vida econômica – verificar a fundamentação e a coerência da argu-
nacional, principalmente em São Paulo, onde a ca- mentação elaborada por ele.
feicultura utilizava-se do trabalho compulsório em b) É importante destacar que a “liberdade de impren-
larga escala. Na indisponibilidade da utilização da sa” é um elemento fundamental na caracterização
mão de obra escrava, o incentivo à imigração foi o dos regimes políticos. Quanto mais livre é a imprensa,
mecanismo substitutivo encontrado, capaz de evitar a mais democrático é o país. Por outro lado, esta liber-
crise da economia nacional. Ao mesmo tempo, a im- dade não é absoluta. Se, no século XIX, a conside-
plementação da mão de obra livre foi feita de modo rando os textos em questão, há uma maior liberdade
condicional, com o objetivo de garantir o controle da de imprensa, mesmo em situações de guerra, em pa-
propriedade fundiária, restringindo-lhe o acesso – íses regidos por constituições liberais, como o Brasil,
esse controle e restrição foram normatizados pela Lei isto não é norma geral. De fato, mesmo em países
de Terras. Com a implementação dessa lei, o acesso mais livres no mundo contemporâneo, a liberdade de
a terra, que antes era considerada sem valor, ficou imprensa é limitada quer por interesses ligados ao
restrito àqueles que possuíam condições de adquiri-la regime, quer por necessidade de sobrevivência eco-
por meio da compra e de registrá-la. Esse dispositivo
nômica ou por motivações ideológicas. Esses limites
visava a impedir que os trabalhadores recém-chega-
se tornam mais claros e contundentes em situações
dos pleiteassem a posse do solo onde trabalhavam
e, ao mesmo tempo, tornou-os dependentes das re- de guerra. Nestas situações, muitas vezes, a imprensa
lações de trabalho impostas pelos proprietários da se torna uma arma que atua através da propaganda
terra. Em virtude disso, por um lado, ambas as leis de guerra (é o caso da mídia impressa, televisiva e
garantiram que o instrumento promotor da riqueza mesmo do cinema) de modo a mobilizar a sociedade
individual permanecesse nas mãos da elite proprie- em torno de um esforço de guerra. O candidato aqui
tária, por outro, sua aplicação modificou a estrutura deve exemplificar, a partir dos textos e das imagens,
produtiva da agricultura brasileira. esta situação nos séculos XIX e XX.
5. É possível perceber a redução dos custos de transportes
3.
propiciada pela instalação dos ramais ferroviários entre as
a) A partir do texto, podemos perceber que as tropas regiões produtoras de café e o porto, mesmo porque, grande
brasileiras eram submetidas a condições péssimas na parte dos investimentos foi realizada pelo Estado em associa-
Guerra do Paraguai. “Carne estragada”, “náuseas cau- ção ao capital inglês, desonerando o produtor. Ainda deverá
sadas pela fome”, “incêndios”, “infecções oriundas destacar que a ferrovia possibilitou a concentração de mão

124
de obra escrava diretamente na produção cafeeira, força de aprovadas ao longo do século XIX, alguns elementos con-
trabalho antes, também, utilizada no transporte do produto tribuíram para o comércio ilegal de africanos para o Brasil,
até as zonas portuárias. tais como, o lucro com o tráfico de escravos, a necessidade
de mão de obra na lavoura cafeeira, a arrecadação de mer-
6. cadorias necessárias para trocar pelos africanos, entre outros
• Desde os primórdios da história do Brasil, o fatores. Bantus e Sudaneses oriundos da África Centro-Oci-
trabalho na terra foi realizado por escravos, em dental eram deslocados para o Brasil graças a atuação de
uma estrutura que envolvia não apenas os la- mercadores e chefes políticos. Os principais portos no Brasil
tifundiários, mas um setor importante – parte estavam localizados Sudeste, como o porto do Valongo no
dele português – envolvido no lucrativo tráfico Rio de Janeiro. Na África os principais portos foram Luanda,
africano. As pressões inglesas contra o tráfico Ambriz, Benguela, Cabinda, entre outros.
aumentaram numa época de expansão da ca-
feicultura, portanto, de maior necessidade de
trabalhadores. E.O. Enem
• Para contornar tal situação, desenvolveu-se o 1. A 2. B 3. C 4. D
tráfico interno, com latifundiários nordestinos
vendendo seus escravos para os latifundiários
de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo,
E.O. UERJ
o governo deu créditos e estimulou a vinda de Exame de Qualificação
famílias de imigrantes para trabalhar na lavoura 1. A 2. D 3. D 4. D 5. C
de café como colonos livres, num primeiro mo-
mento, utilizando-se do “sistema de parceria”.
7. E.O. UERJ
a) Duas estratégias foram adotadas: (1) o tráfico in- Exame Discursivo
terprovincial (de uma província para outra dentro do
1. A condição de vida dos escravos era muito precária, compro-
Brasil) e (2) o tráfico ilegal pelo Atlântico (tentando
metendo a saúde, com escassez de alimentos e intensa jornada de
burlar a fiscalização inglesa)
trabalho. Mesmo com a independência do Brasil e a Constituição
b) A abolição da escravatura no Brasil atendeu muito
de 1824, os negros permaneceram na condição de escravos, sem
mais à pressão inglesa (principal credora do Império)
acesso à cidadania e exercendo as mais diversas atividades eco-
do que à vontade de deputados ou senadores (que
nômicas. Em 1850, com a aprovação da Lei Eusébio de Queirós,
compunham a elite nacional e, logo, eram adeptos da
o comércio intercontinental de escravos foi proibido ocorrendo, a
escravatura). Assim, a abolição foi uma ação isolada
partir desta data, um comércio interprovincial de escravos em ge-
do governo imperial na figura de D. Pedro II e sua fi-
lha, princesa Isabel, e não de deputados e senadores. ral saindo do Nordeste brasileiro (que estava em crise econômica)
para o Sudeste em função da expansão da lavoura cafeeira.
8. 2. Atividade econômica: cafeicultura.
a) O conflito é a “Guerra do Paraguai” (para os para-
Uma das razões:
guaios foi a Guerra da Tríplice Aliança). Segundo a visão
brasileira, a guerra foi causada pela política militarista • expansão da cafeicultura no Sudeste;
e expansionista do Paraguai, que pretendia conquistar,
• crise do modelo dos engenhos centrais;
à força, uma saída para o mar, através do Rio da Prata.
b) A presença de negros – na maioria escravos – nas • declínio da atividade açucareira nos engenhos;
fileiras do exército foi de grande importância. Ape- • aumento do preço do escravo após o fim do tráfico
sar do número inferior ao de brancos, a mortalidade Atlântico;
de negros foi muito maior. Muitos negros foram para
a guerra alforriados ou com a promessa de alforria. • tráfico interno de mão de obra escrava para o sudeste
Acabada a guerra cria-se uma contradição em parcela cafeeiro.
significativa da sociedade urbana, pois dentre os he-
róis que voltavam da guerra, alguns eram negros. Tal
condição contribuiu para o movimento abolicionista,
E.O. Objetivas
assim como o fato dos militares serem marginaliza- (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
dos pelo império escravista. 1. C 2. B 3. C 4. E 5. E
9. A participação do Império do Brasil na Guerra do Paraguai
6. A 7. B 8. A
foi motivada por fatores como a “defesa da integridade do
território brasileiro” diante da invasão paraguaia, o interesse
do Império do Brasil “em terminar com os problemas em sua E.O. Dissertativas
fronteira sul” e assegurar “os interesses políticos e econômi-
cos do país na região do Prata”. (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
10. Apesar das leis ligadas ao fim do tráfico de escravos 1.

125
• Semelhanças: Entre outros, o latifúndio, a monocul- escravos em defesa da pátria na Guerra do Paraguai.
tura visando o mercado externo. b) A Guerra do Paraguai contribuiu para o declínio
• Diferenças: Entre outros: em São Paulo surgiu do Império por contribuir para a promoção dos ideais
uma elite que podemos denominar de “burgue- abolicionistas e republicanos no Brasil. Acrescenta-se
sia cafeeira paulista” com mentalidade empre- ainda que o fortalecimento do Exército Brasileiro em
sarial e empreendedora vinculada ao capitalismo decorrência da guerra, levou vários oficiais a se en-
internacional (bem diferente da elite tradicional volver na vida política aderindo ao republicanismo.
do nordeste colonial). No nordeste colonial pre-
5. Fica claro que, para Bento, os escravos são propriedades,
valeceu a utilização do trabalho escravo africano
fazendo parte do patrimônio familiar. O texto também deixa
enquanto em São Paulo ocorreu a transição do
claro que os escravos são de origem africana e trabalham em
trabalho escravo para o trabalho livre com a che-
4 frentes: (1) lavoura/roça, (2) casa (escravos domésticos), (3)
gada dos imigrantes.
atividades urbanas remuneradas (escravos de ganho) e (4) ce-
2. didos a terceiros mediante pagamento (escravos de aluguel).
• A gravura destaca a contradição do soldado 6. O gráfico destaca a queda acentuada nos números da popu-
negro, ex-escravo, libertado para participar da lação escrava no Brasil ao longo do século XIX, em contraste
Guerra do Paraguai que, ao voltar, se depara com o crescimento também rápido da população livre. Esta
com a mesma realidade, marcada pela manu- população cresceu não apenas pela incorporação daqueles
tenção do cativeiro para a maioria. que deixaram a escravidão, como também pela adição de
• A Guerra contribuiu de diversas maneiras com grandes contingentes de imigrantes que chegavam ao país.
o movimento abolicionista, não apenas por le- Com a aprovação da lei Eusébio de Queirós (1850), que pu-
vantar a óbvia questão do heroísmo de todos, nha fim ao tráfico de escravos nos portos brasileiros, o preço
inclusive dos escravos que participaram, mas dos escravos nos mercados teve aumento significativo, tor-
fortaleceu no interior do exército a ideologia nando a mão de obra escrava cada vez mais custosa. A par-
liberal, influenciada pelo positivismo, ajudada ticipação de soldados negros na Guerra do Paraguai (1864-
ainda pelo contato com soldados argentinos e 1870) contribuiu para aumentar o tom dos protestos contra
uruguaios, países nos quais não mais havia es- a exploração e imoralidade associadas à manutenção da
cravidão. escravidão, levando a aristocracia a aprovar novas leis para
promover uma transição lenta para o trabalho livre, tais como
3. a Lei do Ventre Livre (1871) e a dos Sexagenários (1885).
a) O quadro da esquerda, pintado por um brasileiro, Desse modo, o gráfico apresenta um processo que se iniciou
retrata uma das mais importantes batalhas da guerra em 1850 e que foi se acentuando diante do contexto de
(Batalha do Riachuelo), na qual o exército brasileiro mudança da própria sociedade brasileira.
se faz vencedor. Tal obra exalta o exército como uma
força superior (navios brasileiros X homens inimigos), 7.
que iria acabar definitivamente com o conflito e mar- a) Porque os primeiros imigrantes vindos para o Brasil
car a hegemonia brasileira na região. Já o quadro da esperavam encontrar aqui uma vida de boas opor-
direita, pintado por um uruguaio, representa a situ- tunidades e bem melhor do que a que enfrentavam
ação de destruição e miséria na qual se encontram nos seus países de origem, pois eram seduzidos por
as localidades marcadas pela guerra (mais especifi- falsas propagandas. Quando aqui chegavam, eram
camente, áreas paraguaias). Vale ainda a ressalva de em sua maioria, sujeitos à exploração e desmandos
que esta obra retrata uma mulher solitária em meio à de latifundiários que preservavam uma mentalidade
destruição e morte, situação que marcou o Paraguai escravocrata.
após o fim do conflito devido ao alto índice de mor- b) Em decorrência da demanda por mão de obra na
tandade masculina. lavoura cafeeira em processo de expansão e da publi-
b) A Guerra da Cisplatina (Brasil x Argentina), entre cação da Lei Eusébio de Queirós que proibia o trafico
1825 e 1828, que resultou na Independência do Uru- negreiro africano para o Brasil, ambos em meados
guai. A região havia sido anexada por D. João VI e do século XIX, os imigrantes vieram atender a essa
a população local, assim como os argentinos nunca demanda sendo fundamentais para a implementação
aceitaram tal situação. Apesar do desejo argentino de do trabalho livre em substituição ao escravismo e a
controlar a região, a guerra garantia a independência consequente modernização das relações de trabalho.
e a origem de um novo Estado, o Uruguai. Mais tarde, também foram fundamentais no processo
Podemos citar ainda a Guerra contra Oribe e Aguirre, de industrialização sendo muitos na condição de em-
líderes blancos uruguaios contrários à influência do preendedores e a maioria como operários.
Brasil na sua nação; e a Guerra contra Rosas, líder
argentino que buscava anexar o Uruguai e ameaçava
o domínio brasileiro na região.

4.
a) A ilustração refere-se à contradição existente entre
a continuidade da escravidão e a participação dos

126
AULAS CRISE DO IMPÉRIO
23 E 24
1, 7, 8, 10, 11, 13, 14,
COMPETÊNCIAS: 1, 2, 3, 4 e 5 HABILIDADES:
15, 20, 21, 22, 23 e 25

E.O. APRENDIZAGEM 1889, o Brasil entra em nova fase, pois pode-se conside-
rar finda a Monarquia, passando o regime francamente
democrático com todas as consequências da Liberdade”
1. (Acafe) Acerca da Monarquia e da República na cons-
trução do Estado brasileiro é correto afirmar, exceto: Assim se referiu a manchete do jornal carioca Gazeta
da Tarde, anunciando a Proclamação da República no
a) A República brasileira passou por diversas fases. Na Brasil. Pode-se dizer que tal ato:
chamada 1ª República, apesar do discurso de mudan-
ça em relação ao período monárquico, permaneceram a) reforçou as posições conservadoras dos positivis-
muitas formas autoritárias de poder como, por exem- tas brasileiros, o que facilitou a ascensão do exército,
plo, a estrutura oligárquica. como liderança do movimento, e auxiliou na decreta-
ção de um Estado em bases religiosas e federalistas.
b) A Monarquia brasileira manteve a escravidão e teve
sério atrito com a Grã-Bretanha, quando essa última b) resultou da conjugação de variados fatores, desta-
tentou acabar com o tráfico de escravos no século XIX. cando as insatisfações de grupos militares, camadas
médias urbanas e setores latifundiários com os rumos
c) A transição da Monarquia para a República envolveu
políticos e sociais do Império no Brasil.
um conflito grave entre a aristocracia agrária do nordeste
e do sudeste contra os movimentos modernizadores cen- c) colocou fim à longa crise do Segundo Reinado, con-
trados no exército e na burguesia industrial de São Paulo. tribuindo para a emergência do populismo enquanto
prática política manipuladora, voltada para a satisfa-
d) Em 1993 houve um plebiscito no Brasil que contra-
ção dos anseios de camadas trabalhadoras urbanas.
pôs Monarquia e República. A República foi vitoriosa
e manteve-se como a forma de governo no país. d) rompeu com a legalidade da sucessão ao trono,
uma vez que impediu a ascensão da princesa Isabel,
2. (UEPB) “Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, que como governante, causando, por sua vez, revoltas po-
ocupava a regência do trono na ausência do pai, que es- pulares por todo o país.
tava fora do país, assinou a Lei Áurea, que acabava com e) corroborou a busca pela modernização política do
a escravidão do país.” Brasil e mostrou-se decisivo para a elaboração de
políticas governamentais de inserção dos ex-escravos
(JOSE A. DE FREITAS NETO E CÉLIO RICARDO TASINAFO. HISTÓRIA
GERAL E DO BRASIL. SP. EDITORA HABRA, 2006) no mercado de trabalho livre.

Assinale a alternativa correta. 4. (Uepa) Homens de luta:


André Rebouças (1838-1898): Filho do Conselheiro An-
a) O processo de erradicação de trabalho escravo no
Brasil foi resultado de uma concessão dos brancos tônio Pereira Rebouças, político e advogado mulato, e
aos cativos, gerando condições para que estes fossem de Carolina Pinto Rebouças, nasceu na Bahia, mudou-se
integrados à sociedade urbana. para a Corte e formou-se em Engenharia. Em visita aos
EUA nos anos de 1870 revoltou-se com a segregação
b) Com a abolição, o contingente de escravos que
racial e mais tarde aderiu à Sociedade Brasileira Contra
migraram para a cidade foi significativo. Sem quali-
ficação profissional, engrossaram as fileiras daqueles a Escravidão e a Confederação Abolicionista.
que viviam de biscates e venda ambulante. José do Patrocínio (1854-1905): Filho do padre e dono
c) Os negros livres, pardos e mulatos aceitaram a ex- de escravos João Carlos Monteiro e de sua escrava Justi-
clusão e viveram pacificamente, sem causar tumultos na do Espírito Santos nasceu em Campos do Goitacazes,
nas ruas das cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. no Rio de Janeiro. Optou pelo jornalismo, embora tenha
d) Mesmo sendo proprietários de uma extensa escrava- se formado farmacêutico. Atuou em periódicos abolicio-
ria, fazendeiros do Nordeste e do Vale do Paraíba ad- nistas como a Gazeta de Notícias e Gazeta da Tarde. Em
mitiram a abolição e foram os principais abolicionistas. 1883 lançou o Manifesto da Confederação Abolicionista
e ao lado de Joaquim Nabuco fundou a Sociedade Brasi-
e) A Lei dos Sexagenários, promulgada em 1885,
leira contra a Escravidão.
beneficiou efetivamente os escravos de 65 anos de
idade ou mais, pois garantia a liberdade para todos e Luiz Gama (1830-1882): Nasceu em Salvador, filho de
um auxílio alimentação para que pudessem viver sem um fidalgo português com uma negra Luiza Mahin.
precisar de abrigo dos senhores. Apesar de livre, seu pai o vendeu como escravo em São
Paulo. Foi escrivão, poeta, jornalista e “advogado” dos
3. (Mackenzie) “A partir de hoje, 15 de novembro de escravos, sem diploma. Tinha apenas uma provisão do

127
governo. Em 1881, criou a Caixa Emancipadora Luiz tropa. O oficial descontrolou-se e ordenou fogo contra a
Gama para a compra de alforrias. multidão. As estatísticas de mortos e feridos são impreci-
Francisco de Paula Brito (1809-1861): Carioca, filho de sas. Falou-se em 15 a 20 feridos e em três a dez mortos.
carpinteiro, nunca foi à escola, mas tornou-se poeta, A multidão dispersou-se e, salvo pequenos distúrbios nos
tradutor, jornalista, editor e livreiro famoso, a ponto de três dias seguintes, o motim do vintém havia terminado.
D. Pedro II imprimir todo o material oficial em suas ofi- A cobrança da taxa passou a ser quase aleatória. As pró-
cinas. Em 1833, publica O homem de cor, considerado prias companhias de bondes pediam ao governo que a
um dos primeiros jornais a discutir o preconceito racial. revogasse. Desmoralizado, o ministério caiu a 28 de mar-
ço. O novo ministério revogou o desastrado tributo.
(MATTOS, HEBE MARIA. “A FACE NEGRA DA ABOLIÇÃO”. IN:
REVISTA HISTÓRIA, ANO 2, N.19, MAIO DE 2005. P. 20). CARVALHO, JOSÉ MURILO DE. A GUERRA DO VINTÉM.
DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.REVISTADEHISTORIA.COM.
Os breves relatos no texto informam aspectos biográfi- BR> ACESSO EM: 31 JUL. 2013 (ADAPTADO).

cos de homens que lutaram a favor das ideias abolicio-


nistas, a partir dos quais se infere que: A eclosão da chamada Guerra do Vintém, descrita no
texto acima, está relacionada com a(o):
a) o fim da escravidão resultou da articulação política
entre simpatizantes da ideologia americana no tocante a) descaso dos cidadãos cariocas com a conservação
à igualdade civil dos homens e dos ideais franceses de das vias públicas.
liberdade defendidos por jovens brancos de classe so- b) aversão da população contra o monopólio portu-
cial privilegiada economicamente que eram jornalistas, guês do comércio varejista.
bacharéis, poetas e militares conforme aponta o texto. c) hostilidade do povo com o recrutamento forçado
b) as ideias abolicionistas se limitaram ao restrito círculo para as tropas nacionais.
dos intelectuais menos populares, como o dos jornais, d) desilusão dos moradores com a atuação das forças
onde trabalhou Luiz Gama, considerado o “advogado” armadas brasileiras.
dos escravos e cujas ideias favoreceram a reflexão, a di- e) descontentamento de segmentos sociais com a ca-
vulgação e o amadurecimento de estratégias de compra restia do transporte urbano.
de escravos com o intuito de alforriá-los.
c) a presença de donos de escravos como a do pai 6. (Uea) Depois da abolição os libertos foram esqueci-
de José do Patrocínio fortaleceu a luta em favor da dos. [...] O governo republicano que tomou o poder em
abolição pois, nestes casos, os laços de solidariedade 1889 excluiu os analfabetos do direito de voto, elimi-
entre proprietários e negros forros contribuíram para nando a maioria dos ex-escravos do eleitorado. Poucos
aumentar a pressão sobre o Estado, até que foi pro- foram os abolicionistas que, como o engenheiro negro
mulgada a lei Áurea. André Rebouças, continuaram a afirmar que a tarefa
deles ainda estava incompleta. Com esse fim em vista,
d) os jornais foram importantes veículos de comuni-
Rebouças propôs uma reforma agrária que poria fim
cação dos ideais de liberdade, embora ainda estives-
ao latifúndio [...]. A proposta encontrou e encontra, até
sem sob a guarda de D. Pedro II, que encomendava
hoje, feroz oposição dos grandes proprietários de terra.
o material gráfico do Império em uma das tipografias
abolicionistas, retardando a publicação da Lei que ga- (COSTA, EMÍLIA VIOTTI DA. A ABOLIÇÃO, 2008.)
rantia aos escravos os mesmos direitos dos cidadãos.
e) a abolição declarada na Lei Áurea, em 13 de maio O excerto refere-se às razões históricas de exclusão
de 1888, é devedora da luta de homens que, em social de setores substanciais da população brasileira,
que se estende, de certa forma, até os diais atuais. De
suas vivências, expressaram suas ideias em publica-
acordo com a autora, os motivos essenciais da exclusão
ções que discutiam o preconceito, como foi o caso
foram:
de Francisco de Paula Brito, e que se indignavam com
situações de segregação social, como foi o caso de a) a dedicação das camadas populares à cultura do
André Rebouças. samba e do futebol e a rápida urbanização do país.
b) de ordem política e econômica, pois sustentada pela
5. (Cefet-MG) No dia 01 de janeiro de 1880, uma massa democratização incompleta e pela marginalidade eco-
popular concentrou-se nos arredores do Largo de São nômica.
Francisco, no Rio de Janeiro, protestando contra a entra- c) o forte aparato policial de repressão do povo brasi-
da em vigor de uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o leiro e a ausência de liberdade de imprensa.
serviço de bondes puxados a burro. O vintém era moeda d) de natureza ideológica, considerando que os ex-es-
de cobre, a de menor valor da época. O delegado que cravos julgavam-se incapazes para o trabalho industrial.
comandava as tropas da polícia pediu reforços ao Exér- e) a ampla consciência política do povo brasileiro e o
cito, mas, antes que a ajuda chegasse, ordenou à polícia fim do coronelismo no campo.
que dispersasse a multidão a cacetadas. A um grito de
“Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espan- 7. (Unifor) Acontecimentos importantes marcaram a
car condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar História do Brasil na segunda metade do século XIX,
os trilhos. Com a chegada do Exército, alguns mais exal- dentre eles pode-se destacar imigração, a abolição da
tados passaram a arrancar paralelepípedos e atirá-los escravidão e a Proclamação da República. Sobre estes
contra os soldados. Um deles atingiu o comandante da acontecimentos assinale a alternativa CORRETA:

128
a) A imigração não foi importante para a generaliza- princesa Izabel, em 1888. Atualmente, os historiadores
ção do trabalho assalariado, pois os colonos viviam reconhecem o papel das lutas dos escravos pela liber-
praticamente como escravos. dade, bem como dos diversos movimentos abolicionis-
b) A República proclamada em 15 de Novembro de tas brasileiros. Foram líderes abolicionistas negros:
1889 introduziu um amplo programa de adaptação a) o advogado Joaquim Nabuco, o médico Nina Ro-
do escravo liberto à vida na sociedade brasileira. drigues e o engenheiro André Rebouças.
c) A Proclamação da República visava, dentro outros b) o fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro, o en-
objetivos, descentralizar o poder político, facilitando genheiro Francisco Pereira Passos e o jornalista José
a ação dos estados em favor das economias locais. do Patrocínio.
d) A imigração desenvolveu largamente as formas de c) o médico Nina Rodrigues, o fazendeiro Nicolau de
trabalho assalariado dinamizando a industrialização Campos Vergueiro e o advogado Luís Gama.
do Nordeste do Brasil. d) o engenheiro Francisco Pereira Passos, o advogado
Rui Barbosa e o médico Nina Rodrigues.
e) A indústria brasileira desenvolveu-se no período,
basicamente direcionada à exportação, dado o pouco e) o advogado Luís Gama, o engenheiro André Re-
dinamismo do mercado interno. bouças e o jornalista José do Patrocínio.

E.O. FIXAÇÃO
8. (Udesc) A Lei do Ventre Livre foi uma lei abolicionista,
promulgada, no Brasil, em 28 de setembro de 1871.
Sobre a Lei do Ventre Livre, assinale a alternativa correta.
1. (PUC-RS) Considere as afirmações abaixo sobre a Pro-
a) Foi promulgada pelo Imperador Pedro II e concedia clamação da República no Brasil, em 1889.
liberdade a todas as crianças e às respectivas mães I. Teve, como uma das suas principais causas, a abolição
que viviam sob a escravidão no território brasileiro. da escravidão, em 1888, pois essa medida levou a oli-
b) Essa lei encontrou forte resistência entre os senhores, garquia cafeeira e escravocrata carioca, uma das bases
visto que não previa indenização pelo fim da escravidão de apoio do Imperador, a se sentir traída pela monar-
das crianças nascidas a partir da publicação da lei. quia e abandonar o regime imperial.
c) Instituía a liberdade de todas as crianças nascidas a II. Resultou em profundas alterações estruturais no Bra-
partir da publicação da lei, mas deixava a possibilida- sil, na medida em que a queda da monarquia acarretou
de dessas crianças permanecerem sob “os cuidados” a perda de poder da oligarquia cafeeira, que foi alijada
do antigo proprietário até a idade de 21 anos. do sistema político, em favor da ascensão das classes
d) Como a lei libertava a criança, mas não libertava os médias urbanas.
pais, assim que nasciam essas crianças eram retiradas III. Teve, como um dos seus principais agentes, o exérci-
do convívio com os pais escravizados e eram destina- to brasileiro, que, desde a Guerra do Paraguai, desejava
das a um abrigo mantido pelo Estado. ampliar o seu papel político no Império, o que não era
e) De acordo com a lei, os senhores tinham a opção permitido pelo Imperador.
de manter as crianças libertas junto aos pais escravi- IV. Atendeu aos interesses das camadas mais humildes
zados até a maioridade, mas os senhores não podiam da população brasileira, tendo em vista a impopularida-
usufruir da mão de obra delas. de do Imperador e a tendência de o regime republicano
9. (UCS) Sobre o Movimento Republicano no Brasil, é permitir a participação popular no sistema eleitoral re-
correto afirmar que: cém-implantado.
a) foi acompanhado de forte mobilização popular, Estão corretas as afirmativas:
uma vez que grande parte dos brasileiros estava can- a) I e II, apenas.
sada do pagamento de pesados impostos para a ma- b) II e III, apenas.
nutenção da Corte Imperial. c) I e III, apenas.
b) aconteceu de forma integrada à campanha aboli- d) I, II e IV, apenas.
cionista, uma vez que os líderes tinham os mesmos e) I, II, III e IV.
interesses, o que acabou confundindo um movimento
com o outro e propiciando o fortalecimento de ambos. 2. (Mackenzie) “Apareceu a 1º do corrente [janeiro de
c) ganhou força a partir da criação do Partido Republi- 1888] em Piracicaba o primeiro número de uma folha
cano Paulista, em 1873, apoiado no poder econômico trissemanal intitulada O Lavrador Paulista, e consagra-
dos cafeicultores paulistas e na ação dos estudantes da aos (...) interesses negreiros das fazendas” [interes-
e professores da Faculdade de Direito de São Paulo. ses dos grandes proprietários de escravos]
d) temeu a ocorrência de tumultos e, consequentemen- DIÁRIO POPULAR (JORNAL DE SÃO PAULO), 03/01/1888
te, prejuízos econômicos, por isso, as camadas médias
da população urbana se mantiveram afastadas. “O órgão escravocrata que sob este título [O Lavrador
e) sofreu com prisões, fechamento de jornais, sedes Paulista] apareceu em Piracicaba, deu três números e
de clubes e de partidos favoráveis à Monarquia. morreu. O povo não esteve para sustentar folhas de se-
melhante jaez” [espécie/qualidade/laia]
10. (FGV) Durante muito tempo, o fim da escravidão
no Brasil foi visto como uma concessão generosa da DIÁRIO POPULAR (JORNAL DE SÃO PAULO), 10/01/1888

129
Considerando o contexto histórico em que as notícias 4. O imperador, excetuando-se a Guerra do Paraguai,
acima foram divulgadas, assinale a alternativa que não enfrentou conflitos ou rebeliões locais.
apresente uma explicação satisfatória para a falta de 5. O imperador envolveu-se em questões diplomáticas
apoio popular ao O Lavrador Paulista. com a Inglaterra, com a Igreja e com os Militares.
a) No momento em que o jornal foi publicado, a po- Estão corretas apenas:
pulação não tinha aderido ao abolicionismo, portanto
a) 1, 2 e 3.
a principal causa de sua extinção foi o desinteresse
popular pelos destinos reservados aos negros após a b) 2, 3 e 4.
Lei Áurea, assinada naquele contexto. c) 3, 4 e 5.
b) Era consenso, naquele momento, que a abolição d) 1, 3 e 5.
fosse uma questão de tempo, por isso a população e) 1, 2 e 4.
não deu atenção ao jornal que defendia os interesses
escravistas da burguesia cafeeira do Oeste paulista 5. (Upe) Analise a charge a seguir.
e sua indenização, caso a Lei Áurea fosse assinada.
c) O interesse escravista, predominante naquele mo-
mento, tentou influenciar as populações rurais de São
Paulo a não aderirem ao abolicionismo, daí a neces-
sidade de fundação de um jornal naquele sentido,
apesar de sua extinção alguns dias depois.
d) O abolicionismo, predominante na sociedade brasi-
leira da época contava com a adesão de diversos su-
jeitos sociais – camadas médias urbanas, intelectuais,
políticos, jornalistas dentre outros – assim como a ação
efetiva dos negros na luta pelo fim da escravidão.
e) É preciso levar em consideração, na análise, a si-
tuação financeira do município citado – Piracicaba
– uma vez que, afastado dos grandes centros pro- A charge de Bordallo Pinheiro, publicada em 1875, mos-
dutores de café, não foi possível aos seus cidadãos o tra o imperador D. Pedro II sendo castigado pelo Papa
financiamento do jornal citado. em clara alusão à chamada questão religiosa. Sobre
esse episódio do final do regime monárquico no Brasil,
3. (ESPM) Caifazes foi o nome adotado pelos seguidores é correto afirmar que:
de Antonio Bento. O jornal A Redenção, publicado du- a) a tensão entre Estado e Igreja não contribuiu para
rante os anos de 1887 e 1888, era a face mais visível a crise da monarquia no Brasil.
e conhecida do movimento que sempre manteve um
b) a origem da questão foi a não determinação de
caráter secreto e conspiratório, apesar de penetrar nas
expulsão de maçons das irmandades religiosas por D.
diversas esferas da sociedade paulista.
Pedro II, descumprindo determinação papal.
(RONALDO VAINFAS – DIREÇÃO. c) apesar da opinião pública contrária, o imperador
DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL) manteve na prisão, até o cumprimento total da pena,
os dois bispos por não acatarem suas determinações.
Os caifazes, citados no texto, devem ser relacionados
com o seguinte fato ocorrido no Brasil Imperial: d) na província de Pernambuco, as determinações de D.
Pedro II foram postas em prática pelo bispo de Olinda.
a) Movimento Republicano.
e) após o incidente, a Igreja passou a condenar ofi-
b) Movimento Abolicionista. cialmente a prática da escravidão negra no Brasil.
c) Movimento Constitucionalista.
d) Movimento Federalista. 6. (Uespi) Vez por outra, nos defrontamos com notícias
e) Movimento Parlamentarista. sobre a escravização de trabalhadores/as em diversas
regiões do Brasil, prática coibida pelo Direito e pela
4. (Uespi) Em várias obras historiográficas, D. Pedro II é Justiça. Mas nem sempre foi assim. A escravidão como
representado como tendo sido um mecenas, protetor sistema de trabalho legal no Brasil apenas extinguiu-
das artes e da cultura, e, o seu longo reinado, como um -se em 1888, pela promulgação da Lei Áurea, embora o
período de paz social. A propósito, analise as seguintes processo de libertação dos escravos tenha sido também
proposições. pontuado por outras leis, como:
1. O imperador estimulava a produção de obras artísti- a) a Lei do Ventre Livre, de 1871, que libertava os
cas e literárias que possibilitassem ao povo brasileiro filhos de escravos nascidos no Brasil a partir daquela
identificar-se como Nação. data, e pela qual se obrigava também o proprietário
2. O imperador rejeitava qualquer manifestação artísti- a sustentá-los até os oitos anos de idade.
ca ou cultural que seguisse padrões europeus. b) a Lei dos Sexagenários, que obrigava os proprie-
3. O imperador chegou a presenciar a consolidação tários a libertar, de imediato, aqueles escravos que
da economia cafeeira e incentivou o desenvolvimento tivessem sessenta ou mais anos de idade, recebendo,
urbano. para tanto, uma indenização.

130
c) a Lei Saraiva Cotegipe, que extinguia o tráfico ne- abolicionistas, escreve uma metáfora sobre a crise do
greiro, tanto ao nível internacional como entre as Império no seu romance O Ateneu, publicado em 1888.
províncias brasileiras, favorecendo a contratação de
trabalhadores livres. 9. (Ufpr) Se, durante décadas, o dia 13 de maio foi co-
d) a Lei de Terras, de 1850, pela qual o governo impe- memorado como a data da abolição da escravidão, re-
rial distribuiu entre ex-escravos lotes de terras devolu- centemente o dia 20 de novembro foi instituído no Bra-
tas para o cultivo do café na região do Parnaíba do Sul. sil como o Dia da Consciência Negra. Sobre os sentidos
dessas duas datas, identifique como verdadeiras (V) ou
e) a Lei Eusébio de Queirós, que obrigava os proprie-
falsas (F) as seguintes afirmativas:
tários a prover o sustento dos seus ex-escravos maio-
res de sessenta e cinco anos. ( ) O 13 de maio simboliza uma libertação conquistada
pelos escravos e pelos abolicionistas junto ao Império,
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO que instituiu políticas de reparação aos ex-escravos e
Há no Romantismo nacional uma expressão evidente aos seus descendentes.
do culto da nacionalidade, o qual, tomado num sentido ( ) O 20 de novembro tem se firmado como uma data
mais amplo, se manifesta também em lutas pela afir- que relembra a resistência escrava, pois a abolição da
mação da liberdade política e determina a exaltação de escravidão não ocorreu sem a luta de parte dos escravos,
valores e tradições. Esse sentimento é tomado também seja de forma coletiva organizada (quilombos), seja de
nos seus aspectos sociais, sob o apanágio dos direitos forma individual (suicídio, fuga, abandono do trabalho).
do homem livre, razão de ser do movimento abolicio- ( ) O 13 de maio foi resultado tanto da resistência dos
nista e matéria para o romance, para o teatro e para a escravos quanto da atuação dos abolicionistas, porém a
poesia da época. abolição da escravidão foi um processo lento que seguiu
(ADAPTADO DE: CANDIDO, ANTONIO E CASTELLO, JOSÉ a situação e as vontades política e econômica das elites.
ADERALDO. PRESENÇA DA LITERATURA BRASILEIRA I. DAS ORIGENS ( ) A razão pela demora em se estabelecer o 20 de no-
AO ROMANTISMO. SÃO PAULO: DIFE, 1974, P. 207-208)
vembro como uma data comemorativa deveu-se à es-
7. (Puccamp) O texto de Antonio Candido e José Aderal- cassez de indícios que confirmassem a luta política dos
do Castello faz referência à razão de ser do movimento abolicionistas, visto que Rui Barbosa, então ministro da
abolicionista. Fazenda do início da República, incinerou os documen-
tos que comprovavam essas ações.
Sobre este movimento é correto afirmar que:
Assinale a alternativa que apresenta a sequência corre-
a) se estruturou a partir dos centros urbanos e encon- ta, de cima para baixo.
trou apoio no nordeste, onde o contingente de escra-
vos estava declinando desde o século XVIII. a) F – V – F – V.
b) agravou, com o comércio interno de escravos, a b) F – F – V – V.
situação econômica do norte/nordeste, mas resolveu c) F – V – V – F.
o problema de mão de obra do sul. d) V – F – V – V.
c) alterou as formas de produção agrícola no norte e e) V – V – F – F.
nordeste ao estimular o tráfico interno entre as pro-
10. (Uepb) Assinale a única alternativa INCORRETA:
víncias do sudeste durante o século XIX
d) aproximou-se ideologicamente de movimentos de a) Com a abolição da escravidão nos Estados Unidos,
insurreição de escravos que aconteciam nas colônias em 1865, D. Pedro II adotou um discurso abolicio-
europeias no norte da África e na Ásia. nista. Em 1867, ele fez seus conselheiros elaborarem
e) provocou a diminuição de importação de escravos um projeto que tratava da libertação dos filhos de
e reduziu o abastecimento de mão de obra escrava escravos e de um fundo que custearia a compra da
para o setor cafeeiro, durante o século XIX. liberdade dos escravos.
b) A abolição da escravidão foi um processo que du-
8. (UPE) Sobre a produção cultural no Brasil do século rou quase todo o século XIX. A elite escravocrata se
XIX, assinale a alternativa CORRETA. adaptou lentamente à ideia de que lucraria mais e
a) O auge da produção cultural, especialmente lite- melhor se pagasse um salário àqueles que labutavam
em suas plantações ao invés de obrigá-los a trabalhar
rária no Brasil oitocentista, se deu ainda no Primeiro
com base no açoite.
Reinado, sob o mecenato de D. Pedro I.
c) A partir de 1860, se discutia a escravidão no Brasil,
b) A obra de Machado de Assis consolidou o Roman-
mas não para aboli-la e sim para humanizá-la”. Em
tismo no Brasil, sob forte influência do escritor fran-
1865, o governo imperial decretou que os escravos
cês Victor Hugo.
condenados a trabalhos forçados não poderiam ser
c) José de Alencar produziu uma literatura extrema- chicoteados. Em 1866, declarou extinto o emprego
mente crítica, voltando sua pena contra a sociedade de escravos em obras públicas.
e o governo do Brasil do Segundo Reinado. d) Mesmo com as ações em prol da abolição do sé-
d) A obra de Carlos Gomes, especialmente sua produ- culo XIX e com a libertação dos escravos em 1888,
ção operística, teve amplo sucesso popular no Brasil. a escravidão só acabou de fato em 1915, quando o
e) Raul Pompeia, autor de convicções republicanas e governo brasileiro precisou montar um exército para

131
enviar para lutar naquela que ficou conhecida como foi uma importante liderança militar no processo de
Primeira Guerra Mundial. Guerra de Independência da Bahia; criou a primeira as-
e) O governo de D. Pedro II foi paulatinamente aca- sociação política em defesa do voto feminino no Brasil.
bando com a escravidão. Em 1869, editou uma lei
que proibia o leilão público de escravos. Proibiu, ain- 3. (Upf) Convencidos de que a escravidão estava desti-
da, que um casal de escravos fosse separado após nada a desaparecer, da mesma maneira que os america-
uma operação de compra e venda. nos da época estavam convencidos da inevitabilidade
da democracia (uma convicção nunca compartilhada
pelos brasileiros), os latifundiários brasileiros decidiram
E.O. COMPLEMENTAR preparar-se para o inevitável.
(DA COSTA, EMÍLIA VIOTTI. DA MONARQUIA À REPÚBLICA.
1. (Cesgranrio) A Proclamação da República, em 1889, MOMENTOS DECISIVOS. SÃO PAULO: BRASILIENSE, 1985, P. 245.)
está ligada a um conjunto de transformações econômi-
cas, sociais e políticas ocorridas no Brasil, a partir de Assinale a alternativa que apresenta corretamente ele-
1870, dentre as quais se inclui: mentos relativos à conjuntura de transição do trabalho
escravo para o trabalho livre.
a) a universalização do voto com a reforma eleitoral
de 1881, efetivada pelo Partido Liberal. a) Os fazendeiros ofereceram aos escravos leis sociais
b) o desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro e que os beneficiavam, tais como a lei do Ventre Livre e
de São Paulo, criando uma classe operária combativa. dos Sexagenários.
c) a progressiva substituição do trabalho escravo, cul- b) O governo imperial propôs indenizar todos os fa-
minando com a Abolição em 1888. zendeiros que perderiam seus escravos com a abolição.
d) a concessão de autonomia provincial, que enfra- c) O movimento abolicionista foi o principal fator na
queceu o governo imperial. libertação dos escravos das fazendas.
e) o enfraquecimento do Exército, após as dificulda- d) A contratação de imigrantes chineses foi a opção
des e os insucessos durante a Guerra do Paraguai. mais rentável e os chinos adaptaram-se muito bem
aos trópicos.
2. (FGV) Chiquinha Gonzaga alinha-se a outras figuras e) A vinda dos imigrantes europeus substituiu, ao me-
femininas do Império (...) como a Imperatriz Leopoldina nos momentaneamente, o braço escravo no trabalho
e Anita Garibaldi. Todas as três, embora de diferentes nas fazendas de café.
maneiras, de diferente proveniência social e, em dife-
rentes épocas, desempenharam um papel político que, 4. (Uepa) Leia o texto para responder à questão.
certamente, contribuiu para as mudanças por elas de- A expansão cafeeira em direção ao Oeste de São Paulo,
fendidas e as inscreveu na História do Brasil. inaugurada justamente na fase de abolição do tráfico
atlântico, além de estimular os debates e políticas imi-
(SUELY ROBLES REIS DE QUEIROZ, POLÍTICA E
CULTURA NO IMPÉRIO BRASILEIRO. 2010)
grantistas, ativou outras formas de tráfico de escravos,
dessa vez entre regiões do Brasil.[...] Essa nova mo-
Em termos políticos, a Imperatriz Leopoldina, Anita Ga- dalidade de tráfico negociou basicamente crioulos e,
ribaldi e Chiquinha Gonzaga, respectivamente: como no tráfico atlântico, nela predominaram homens
adultos, sendo poucas as mulheres e menos ainda as
a) atuou, ao lado de Dom Pedro e de José Bonifácio, no
crianças e velhos.
processo de emancipação política do Brasil; participou da
mais longa rebelião regencial, a Farroupilha; militou pela (VAINFAS, RONALDO (ORG.). DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL
abolição da escravatura e pela queda da Monarquia. (1822-1889). RIO DE JANEIRO: OBJETIVA, 2002, P. 237-239.)
b) articulou a bancada constitucional brasileira na As- O desenraizamento do escravo crioulo provocado pelo
sembleia Constituinte; organizou as forças populares tráfico interno teve peso considerável para o fim da es-
participantes da rebelião regencial ocorrida no Grão- cravidão, pois:
-Pará, a Cabanagem; foi a primeira mulher brasileira a
a) a separação de famílias, ou o perigo dela, gerava re-
se eleger para o Senado durante o Império.
voltas, fugas, formação de quilombos e atentados indivi-
c) convenceu Dom Pedro I a assumir o trono português duais contra senhores e feitores, sem contar os suicídios.
após a morte do rei Dom João VI; defendeu a amplia-
b) o progressivo aparecimento de pequenos proprie-
ção dos direitos de cidadania durante a reforma cons- tários de escravos contribuiu para a crescente desle-
titucional que instituiu o Ato Adicional; liderou uma gitimação da propriedade escrava e o aumento das
frente parlamentar de apoio às leis abolicionistas. forças opositoras ao escravismo.
d) participou como diplomata do Império brasileiro na c) os escravos de nação resistiram ao processo de la-
Guerra da Cisplatina; foi a primeira mulher a trabalhar dinização, que afetava o modo de vida de africanos,
como jornalista e romancista durante o Segundo Rei- desestimulando o trabalho coletivo, base das estraté-
nado; tornou-se uma importante liderança política na gias de resistência.
defesa do fim do tráfico de escravos para as Américas. d) o número de escravos nas áreas urbanizadas aumen-
e) articulou com os diplomatas ingleses o reconheci- tou em relação ao das rurais, onde os fazendeiros rejei-
mento da Independência do Brasil junto a Portugal; taram o tráfico interprovincial e investiram na abolição.

132
e) as Províncias onde o número de escravos era maior que tudo corrompe e tudo concentra em si – na ordem
antes de 1850, aderiram à campanha abolicionista moral e política, como na ordem econômica e adminis-
deflagrada pelo Império para combater o tráfico in- trativa.”
terno e estimular a imigração.
(MANIFESTO REPUBLICANO. A REPÚBLICA. RIO DE JANEIRO, 3-12-1870).
5. (UECE) Atente para as afirmações a seguir, acerca do
Processo de Abolição dos Escravos no Brasil, e assinale Com base no trecho extraído do Manifesto Republica-
com V as afirmações verdadeiras e com F, as falsas. no, analise a correlação de forças políticas que deu ori-
gem ao Partido Republicano no Brasil em 1870.
( ) Em 1850, o Brasil foi levado a extinguir o tráfico
internacional, porém, surgiu o tráfico interno com a 3. (UFRJ)
venda de escravos das áreas mais pobres para as mais
desenvolvidas.
( ) Nesse processo, algumas leis foram aprovadas com o
objetivo de acalmar os abolicionistas e ir lenta e gradu-
almente extinguindo a escravidão, quais sejam: Lei do
Ventre Livre, Lei do Sexagenário.
( ) Nesse movimento não se tem notícias de insurrei-
ções ou ações dos próprios escravos em prol da própria
liberdade, em virtude da forte repressão presenciada
nos últimos momentos do período escravocrata.
( ) A abolição da escravatura se deu ainda no Reinado de – QUEIRA PERDOAR, MAS... COM AQUELLE NEGRINHO
D. Pedro II e representou um grande avanço para a inser- NÃO PODE ENTRAR.
ção do ex-escravo como cidadão na sociedade brasileira. – MAS É QUE EU NÃO POSSO SEPARAR-ME DELLE: É
A sequência correta, de cima para baixo, é: QUEM ME VESTE, QUEM ME DÁ DE COMER, QUEM... ME
SERVE EM TUDO, AFINAL!
a) V - V - V - F.
– É QUE... ENFIM, EM ATTENÇÃO ÁS ILLUSTRES QUALIDA-
b) V - V - F - F.
DES PESSOAES DE TAO SABIO SOBERANO, CREIO QUE AS
c) F - V - F - V.
NAÇÕES CIVILIZADAS NÃO DUVIDARÃO EM ADMITI-LO.
d) F - F - F - V.
LEMOS, RENATO. UMA HISTÓRIA DO BRASIL ATRAVÉS DA
CARICATURA, 1840-2001. RIO DE JANEIRO: BOM TEXTO

E.O. DISSERTATIVO E LETRA & EXPRESSÕES EDITORAS, 2001, P. 13)

Explique de que maneira a charge acima, de autoria


1. (UnB) Leia o texto a seguir. de Angelo Agostini, expressa uma das ambiguidades
O ano de 1870 é um ma