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1. INTRODUÇÃO

Este trabalho busca aliar os conceitos teóricos desenvolvidos ao longo do


tempo pela Matemática Financeira aos aspectos práticos dos investimentos produtivos,
preocupação primeira no mundo dos negócios, que se convencionou chamar de
Engenharia Econômica.
A Engenharia Econômica desenvolve seus estudos voltados à área
produtiva, preocupando-se, primeiramente, com o investimento de longo prazo,
abordando diversos aspectos da seleção e substituição de equipamentos, a melhoria de
processos, a compra ou construção de imóveis, a implantação ou substituição de plantas
industriais, o lançamento ou substituição de produtos, etc.
Pretendo com este trabalho, não só apresentar as ferramentas básicas para a
análise de investimentos por meio dos conceitos da Matemática Financeira, mas,
também, as diversas formas de utilização destas nas empresas ou órgãos
governamentais, mediante os denominados Métodos Clássicos de Análise de
Investimentos, que são as técnicas de análise utilizadas por estas instituições.
O trabalho é dividido, basicamente, em duas partes: Matemática Financeira
e Engenharia Econômica, respectivamente. A primeira parte trata da abordagem dos
conceitos e demonstração de fórmulas da Matemática Financeira, que mais tarde serão
aplicados nos problemas de Engenharia Econômica, correspondente à segunda parte do
trabalho.
Primeiramente esses conceitos serão abordados em um ambiente “perfeito”,
ou seja, sem a presença de aspectos particulares de cada economia, como por exemplo,
o Imposto de Renda (IR) e a Inflação, que serão embutidos posteriormente na análise.
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2. INTRODUÇÃO À
MATEMÁTICA FINANCEIRA

A Matemática Financeira é a principal ferramenta da Engenharia


Econômica. Para comparar as diversas opções de investimentos toma-se por base a
Matemática Financeira, onde os conhecimentos matemáticos necessários para tanto são
muito simples. Os conhecimentos básicos são: Progressão Aritmética (PA), Progressão
Geométrica (PG) e a combinação de ambas. Além das fórmulas e conceitos
matemáticos há outros conceitos subjacentes às fórmulas dos fatores, os quais são tão ou
mais importantes que estes.
Primeiramente, estuda-se estes conceitos para depois se voltar às fórmulas e
conceitos matemáticos.

2.1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS

- Fluxo de Caixa: É a representação das contribuições monetárias


(entradas e saídas de dinheiro) ao longo do tempo. É um conceito imprescindível para a
solução dos problemas que serão discutidos ao longo deste trabalho. O fluxo de caixa
pode ser representado de forma algébrica ou gráfica.
- Representação Gráfica do Fluxo de Caixa: é a maneira pela qual se
pode expressar, através de gráficos, a entrada e saída de numerário de um investimento,
de um projeto, ou até mesmo todo o fluxo financeiro. Na representação gráfica do fluxo
de caixa são adotadas as seguintes convenções:
a) O eixo horizontal representa o tempo (n) a partir de um instante
considerado inicial até um instante considerado final no prazo em questão. Tem sua
origem na extremidade esquerda, se projetando para a direita em direção ao futuro.
b) Os valores referentes a desembolso, ou saídas de dinheiro, são
considerados algebricamente negativos e representados por uma seta orientada para
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baixo. As receitas, ou entradas de dinheiro são valores considerados algebricamente


positivos e são representados por uma seta orientada para cima.
c) A taxa de juros a que o fluxo se encontra submetido e que deverá
corresponder preferencialmente ao mesmo período n ficará ao lado direito do fluxo,
como segue a figura abaixo.

Para estudar a representação algébrica do fluxo de caixa são necessários


alguns conceitos que serão vistos a seguir.

Simbologia e outros conceitos fundamentais

Esta simbologia que será vista a seguir não é a única existente, mas é a mais
universalmente aceita, portanto encontrada com maior facilidade em bibliografias do
gênero.
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i – representará a taxa de juros por período de capitalização. A


representação de juros pela letra i se deve ao fato de provir da palavra inglesa interest.
Se a taxa de juros i for, por exemplo, 10% a.a. (ao ano), ela é substituída nas fórmulas
por i = 0,10 (10/100) e não por i = 10.

n – número de períodos de capitalização. Um período representa qualquer


unidade de tempo (dia, mês, bimestre, ano, etc.) e deverá corresponder à periodicidade
da taxa de juros.

P – quantia existente ou equivalente no instante inicial e conhecido por


Valor Presente ou Valor Atual. Localizada à esquerda do fluxo de caixa.

S – representará a somatória do principal mais os juros, ou montante, ou


valor futuro, correspondentes a uma importância de dinheiro capitalizada após n
períodos de tempo, sujeita à determinada taxa de juros i. Localizada à direita do fluxo
de caixa.

R – representará uma série de pagamentos e/ou recebimentos nominalmente


iguais, que serão efetivados no final de cada período, desde o período inicial 1 até o
período de ordem n. É o que normalmente é chamado de prestação.

Estes cinco conceitos (i, n, P, S e R) compõem o que se denomina


“Triângulo de Equivalência”.
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Poderá haver situações em que é possível utilizar pelo menos mais um outro
conceito, chamado “Série em Gradiente de Pagamentos e/ou Recebimentos”.

G – representará uma série em gradiente de pagamentos e/ou recebimentos,


cujos valores nominais crescem uniformemente ao longo do tempo. Trata-se, portanto,
de uma P.A. (Progressão Aritmética).

Este novo conceito transforma o “Triângulo de Equivalência” em uma


“Pirâmide de Equivalência”.

2.2. TAXA DE JUROS

Um dos conceitos básicos da Matemática Financeira e da Engenharia


Econômica é: “Não se pode comparar, somar ou subtrair dinheiros ($) que se encontrem
em datas diferentes” (PILÃO, 2003, p. 13). Este conceito dará suporte para o estudo do
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conceito de taxas de juros e de equivalência de capitais. A taxa de juros será a “ponte”


entre dinheiros que se encontrem em datas diferentes. No mundo dos negócios pode-se
afirmar que a taxa de juros é a remuneração recebida pelo capital investido, ou paga
pelo empréstimo contraído.

2.2.1. JUROS ANTECIPADOS

São aqueles cobrados no início de cada período.

2.2.2. JUROS POSTECIPADOS

São aqueles cobrados ao final de cada período.

2.2.3. JUROS NOMINAIS / EFETIVOS / REAIS

Taxa efetiva – É aquela em que a unidade de referência de seu tempo


coincide com a unidade de tempo dos períodos de capitalização. Assim, são taxas
efetivas: 3% ao mês, capitalizados mensalmente; 4% ao semestre, capitalizados
semestralmente.
Taxa nominal – É aquela em que a unidade de referência de seu tempo não
coincide com a unidade de tempo dos períodos de capitalização. A taxa nominal é quase
sempre fornecida em termos anuais e os períodos de capitalização podem ser semestrais
trimestrais ou mensais. Exemplos de taxas nominais: 12% ao ano, capitalizados
mensalmente; 24% ao ano, capitalizados mensalmente.
Taxa Real – É a taxa efetiva corrigida pela taxa inflacionária do período da
operação.
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2.2.4. JUROS SIMPLES

Os juros simples caracterizam-se pela incidência de índices simples sobre o


principal, assim, os juros de qualquer período são sempre iguais.

J1 = J 2 = J 3 = ... = J k = ... = J n

Pela simbologia utilizada, tem-se:

Jk = P × i

Como em juros simples todas as parcelas são sempre iguais sua somatória
no futuro, após n períodos, será:

Somatória dos juros = P × i × n

Agora, querendo-se conhecer para determinada aplicação, sujeita a juros


simples, qual o valor no futuro (S), este será obtido através da fórmula:

S = P + P × i × n ⇒ S = P × [1 + ( i × n )]

2.2.5. JUROS COMPOSTOS

Os juros compostos caracterizam-se pela incidência de uma taxa de juros


simples sobre o principal mais juros vencidos, o que fará com que:

J1 ≠ J 2 ≠ J 3 ≠ ... ≠ J n e J1 < J 2 < J 3 < ... < J k < ... < J n


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Fórmula fundamental para juros compostos

A fórmula fundamental para juros compostos poderá ser obtida a partir da


somatória das diversas parcelas de juros ao principal, portanto, é a fórmula que
proporcionará o valor futuro ou montante de determinada aplicação ou financiamento
após n períodos de capitalização. Assim, tem-se:

VALOR FUTURO = PRINCIPAL + JUROS

Pela forma de representação, utilizada na montagem algébrica do fluxo de


caixa, ela será identificada como ( P → S )in , e será utilizada quando se tiver um valor no

presente e desejar conhecer seu valor no futuro. A fórmula será:

S = P × (1 + i)n

Fator de Valor Atual para Pagamento Único

Agora, conhecendo S, i, n e desejando saber qual o valor de P que lhe deu


⎡ 1 ⎤
origem basta inverter a fórmula fundamental e multiplicar S por ⎢ n ⎥
e tem-se o
⎣ (1 + i ) ⎦
valor correspondente no presente. O fator será ( S → P)in . Assim, tem-se:

⎡ S ⎤
P=⎢ n⎥
⎣ (1 + i ) ⎦

2.3. EQUIVALÊNCIA DE TAXAS

É utilizada em períodos fracionados. Nestes casos, é necessário encontrar a


taxa equivalente ao período dado.
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Equivalência de Juros em Juros Simples

Como a taxa é linear ao longo do tempo para obter a taxa equivalente basta
dividir ou multiplicar, dependendo do caso, o número de períodos que um couber dentro
do outro pela taxa do período conhecido em relação ao desejado.

Equivalência de Juros em Juros Compostos

Deve-se seguir a mesma regra de equivalência em juros simples, porém, não


pode ser feita pela simples multiplicação ou divisão de períodos, já que os juros
compostos obedecem a uma taxa exponencial.
No caso de juros compostos faz-se necessária a composição das taxas, onde
tem-se a fórmula:
I = [(1 + i)n ] − 1
Onde:
I = taxa de juros para a unidade de período maior;
i = taxa de juros para a unidade de período menor;
n = número de períodos menores necessários para compor o maior.

Tendo-se a taxa para um período maior e desejando encontrar a taxa para


um período menor, basta inverter a operação. Assim tem-se:

i = [(1 + I )1/ n ] − 1

2.4. ANÁLISE DE SITUAÇÕES ESPECIAIS

O que se fará agora é a interligação do vértice do “Triângulo de


Equivalência”.
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2.4.1. PRIMEIRA SITUAÇÃO

Conhecendo R, n e i deseja-se conhecer P. A esta situação denomina-se de


Fator de Valor Atual para uma Série Uniforme de Pagamentos e/ou Recebimentos,
ou fator ( R → P)in .
Para demonstrar a fórmula matemática será utilizado o seguinte exemplo:
“Um bem foi adquirido por um preço à vista de $100.000,00 que deverão
ser pagos em 5 parcelas mensais iguais e consecutivas, vencendo cada uma no final de
cada mês”.
Se os pagamentos fossem feitos sem juros, ter-se-ia $100.000,00 / 5 = $
20.000,00. Supondo que a taxa de juros seja de 10% ao mês. Então, passado um mês, os
juros a pagar seriam de $10.000,00. O valor das prestações mensais a serem pagas,
computando-se juros compostos e postecipados de 10% a.m. e n = 5, seria de R =
$26.379,75.
Se a prestação R é de $26.379,25 – $10.000,00 (juros), então, $16.379,25
servirão para amortizar parte da dívida. Isso fará com que a cada novo período tenha
sempre uma dívida diferente, portanto, o saldo devedor será sempre menor. No segundo
mês, por exemplo, tería-se $100.000,00 – $16.379,75 = $83.620,25, sobre os quais
passariam a incidir os juros, conforme quadro abaixo:

Final do Dívida – $ Juros – $ Amortização Prestação


1º mês 100.000,00 10.000,00 16.379,75 26.379,75
2º mês 83.620,25 8.362,03 18.017,72 26.379,75
3º mês 65.602,53 6.560,25 19.819,50 26.379,75
4º mês 45.783,03 4.578,30 21.801,45 26.379,75
5º mês 23.981,58 2.398,16 23.981,59 26.379,75

Pode-se afirmar que desejando saber qual o valor no presente que substitui a
série uniforme de cinco pagamentos com valor de $26.379,75 cada um, basta tirar dos
valores correspondentes a cada uma das datas os juros neles embutidos, para isso, deve-
se deslocar cada um deles para a data zero. Assim, tem-se:

R ⋅ ⎡1/ (1 + i ) ⎤ ⇒ lançamento da 1ª prestação para a data 0.


1
⎣ ⎦
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R ⋅ ⎡1/ (1 + i ) ⎤ ⇒ lançamento da 2ª prestação para a data 0.


2
⎣ ⎦

R ⋅ ⎡1/ (1 + i ) ⎤ ⇒ lançamento da 3ª prestação para a data 0.


3
⎣ ⎦

R ⋅ ⎡1/ (1 + i ) ⎤ ⇒ lançamento da enésima prestação para a data 0.


n
⎣ ⎦

Somatória na data 0 = ⎡ R / (1 + i ) + … + R / (1 + i ) ⎤ .
1 n
⎣ ⎦

Então, pela simbologia usada e colocando R em evidência, tem-se:

P = R × ⎡1/ (1 + i ) + + 1/ (1 + i ) ⎤
1 n
(1)
⎣ ⎦

Entre colchetes tem-se a somatória dos n primeiros termos de uma P.G.,


com primeiro termo a1 = 1/(1 + i) e razão q = 1/(1 + i). Pela fórmula da somatória dos n
termos de uma P.G., tem-se:
a1 × ( q n − 1)
∑= q −1

Fazendo a substituição, tem-se:

⎧⎡ ⎤ ⎫ ⎧ ⎫
⎪⎧ 1 ⎪⎫ ⎪ ⎣1/ (1 + i ) ⎦ − 1 ⎪
n
⎡1/ (1 + i )n ⎤ − 1
⎪ ⎣ ⎦ ⎪
∑ = ⎨⎪ (1 + i ) ⎬⎪ × ⎨ ⎡1/ (1 + i )⎤ − 1 ⎬ ⇒ ∑ = ⎨ ⎡(1 + i ) / (1 + i )⎤ − (1 + i ) ⎬
⎩ ⎭ ⎪⎩ ⎣ ⎦ ⎪⎭ ⎪⎩ ⎣ ⎦ ⎪⎭

⎧ ⎡1/ (1 + i )n ⎤ − 1 ⎫ ⎧ ⎡1/ (1 + i )n ⎤ − 1 ⎫ ⎧1 − ⎡1/ (1 + i )n ⎤ ⎫


⎪⎣ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎦⎪
∑ = ⎨ 1 − (1 + i⎦) ⎬ ⇒ ∑ = ⎨ ⎣ −i ⎦ ⎬ ⇒ ∑ = ⎨ ⎣ i ⎬
⎪⎩ ⎪⎭ ⎪⎩ ⎪⎭ ⎪⎩ ⎪⎭

Substituindo esse resultado em (1), tem-se:


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⎡1 − (1 + i )− n ⎤
P = R×⎢ ⎥
⎢⎣ i ⎥⎦

Assim, encontra-se a fórmula matemática para o fator ( R → P)in , ou seja,


conhecendo R, n e i é encontrado P.
Exemplo: Seja R = $26.379,75, n = 5 e i = 10% a.m., qual seria o valor presente (P) que
deu origem à série uniforme?
Solução:
⎡ ⎛ 1 ⎞⎤
⎢1 − ⎜ 5 ⎟

⎢ ⎜⎝ (1,10 ) ⎟⎠ ⎥
P = 26.379, 75 × ⎢ ⎥ ⇒ P = 100.000, 00
⎢ 0,10 ⎥
⎢ ⎥
⎢⎣ ⎥⎦

2.4.2. SEGUNDA SITUAÇÃO

Conhecendo P, n e i deseja-se conhecer R. Esta situação denomina-se Fator

de Recuperação de Capital, ou fator ( P → R )i .


n

A fórmula para esta situação, assim como todas as outras que se relacionam
com o R, será obtida considerando-se os mesmos pré-requisitos da 1ª situação.
Tem-se, pela 1ª situação, que:

⎧ ⎡ 1 ⎤⎫
⎪1 − ⎢ n ⎥

⎪ ⎣⎢ (1 + i ) ⎦⎥ ⎪
P = R×⎨ ⎬
⎪ i ⎪
⎪ ⎪
⎩⎪ ⎭⎪

Logo, precisa-se isolar R para obter-se a fórmula do fator ( P → R )i . Assim,


n

tem-se:
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⎡ i ⎤
R = P×⎢ −n ⎥
⎢⎣1 − (1 + i ) ⎥⎦

Ou seja, conhecendo-se P, n e i encontrou-se R.


Exemplo: Seja P = $100.000,00, n = 5 e i = 10% ao mês, determinar o valor das
prestações (R) suficientes para pagar todos os juros devidos ao longo do tempo e o
principal.
Solução:
⎛ ⎞
⎜ ⎟
⎜ 0,10 ⎟
R = 100.000, 00 × ⎜ ⎟ ⇒ R = $26.379, 75
⎜ ⎡ 1 ⎤⎟
⎜⎜ 1 − ⎢ 5⎥⎟
⎝ ⎢
⎣ (1,10 ) ⎟
⎦⎥ ⎠

2.4.3. TERCEIRA SITUAÇÃO

Conhecendo-se R, n e i deseja-se conhecer S. Esta situação denomina-se


Fator de Valor Futuro para uma Série Uniforme de Pagamento e/ou Recebimento,
ou fator ( R → S )in .
Para demonstrar a fórmula matemática deve-se pegar as prestações de valor
R, que iniciam no período de ordem 1 até ordem n, e utilizar a fórmula fundamental para

juros compostos, ( P → S )i , para lançar cada uma das parcelas para a data n e efetuar a
n

somatória dos resultados obtidos. Assim, tem-se:

R × (1 + i )
n −1
⇒ lançamento da 1ª parcela para o futuro.

R × (1 + i )
n−2
⇒ lançamento da 2ª parcela para o futuro.

R × (1 + i ) ⇒ lançamento da penúltima parcela para o futuro.


1

R × (1 + i ) ⇒ lançamento da parcela n para o futuro.


0
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Efetuando-se a somatória, tem-se:

∑ = ⎡⎣ R × (1 + i ) + R × (1 + i ) + … + R × (1 + i ) ⎤
0 1 n −1

Colocando R em evidência, tem-se:

∑ = R × ⎡⎣(1 + i ) + (1 + i ) + … + (1 + i ) ⎤
0 1 n −1

Então, pela simbologia usada, tem-se:

S = R × ⎡(1 + i ) + (1 + i ) + … + (1 + i ) ⎤
0 1 n −1
(2)
⎣ ⎦

Entre colchetes tem-se, novamente, a somatória dos n primeiros termos de


uma P.G., com primeiro termo a1 = 1 e razão q = (1 + i). Pela fórmula da somatória dos
n primeiros termos de uma P.G., tem-se:

⎧ ⎡(1 + i )n ⎤ − 1 ⎫ ⎡(1 + i )n ⎤ − 1
⎪ ⎪
∑ = 1× ⎨ ⎣ (1 + i ) −⎦ 1 ⎬ = ⎣ i ⎦
⎪⎩ ⎪⎭

Substituindo esse resultado em (2), tem-se:

⎧ [(1 + i ) n ] − 1 ⎫
S = R×⎨ ⎬
⎩ i ⎭

Assim, foi encontrada a fórmula matemática para o Fator ( R → S )in , ou seja,


conhecendo-se R, n,e i encontrou-se S.
Exemplo: Seja R = $26.379,75, n = 5 meses e i = 10% ao mês, determinar o valor de S
caso não se tivesse pagado nenhuma das prestações e precisasse quitá-las na data de
vencimento da “enésima” prestação.
Solução:
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⎧[(1,10)5 ] − 1 ⎫
S = 26.379, 75 × ⎨ ⎬ ⇒ S = $161.051, 01
⎩ 0,10 ⎭

2.4.4. QUARTA SITUAÇÃO

Conhecendo S, n e i deseja-se conhecer R. Esta situação denomina-se Fator


de Fundo de Amortização, ou fator ( S → R)in .

Tem-se, pela terceira situação, que a fórmula do Fator ( R → S )in é :

⎧ [(1 + i ) n ] − 1 ⎫
S = R×⎨ ⎬
⎩ i ⎭

Então, basta isolar R para obter a fórmula do Fator ( S → R)in . Assim, tem-
se:

⎧ i ⎫
R = S ×⎨ ⎬
⎩ [(1 + i ) ] − 1 ⎭
n

Ou seja, conhecendo-se S, n e i encontra-se R.


Exemplo: Seja i = 10% ao mês, n = 5 meses e S = $161.051,01, determinar o valor das
prestações para que a dívida seja quitada no 5° mês.
Solução:
⎧ 0,10 ⎫
R = 161.051, 01× ⎨ ⎬ ⇒ R = $26.379, 75
⎩[(1,10) ] − 1 ⎭
5
16

2.4.5. QUINTA SITUAÇÃO

Conhecendo G, n e i deseja-se conhecer S. Esta situação denomina-se Fator


de Valor Futuro para Séries em Gradiente, ou fator (G → S )in .
Para que o Gradiente (G) possa ser utilizado, devem ser satisfeitos três pré-
requisitos:
1) Data 0 → valor “nulo”;
2) Data 1 → valor “nulo”;
3) Gradiente → razão, o crescimento, ou a diferença entre os valores das
datas 2 e 1.
Esta situação ocorrerá quando for preciso deslocar ao longo do tempo uma
série de pagamentos e/ou recebimentos que crescem linearmente a partir do segundo até
o enésimo período e deseja-se encontrar o seu valor futuro. Para isso, deve-se raciocinar
como se esta série fosse decomposta em n séries uniformes (R) com períodos que vão de
n – 1 até 0. Portanto, deslocando-se todas estas séries uniformes desde n – 1 até “0”
para o futuro por meio do fator (R → S) e fazendo-se a somatória dos valores

encontrados na data correspondente ao final do “enésimo” período, será possível


conhecer S.
Assim sendo, substituindo-se na fórmula ( R → S ) o valor de R pelo de G e

procedendo-se como se em cada uma das séries decompostas o valor da série uniforme
fosse o valor de G, com seus respectivos períodos, tem-se:

⎧ ⎡(1 + i )n −1 ⎤ − 1 ⎫
⎪ ⎦ ⎪ , onde o S é o montante da data 2 até n.
(A) S 2 = G × ⎨ ⎣ ⎬ 2
⎪⎩ i ⎪⎭

⎧ ⎡(1 + i )n − 2 ⎤ − 1 ⎫
⎪ ⎦ ⎪ , onde o S é o montante da data 3 até n.
(B) S3 = G × ⎨ ⎣ ⎬ 3
⎪⎩ i ⎪⎭

Analogamente, o montante parcial correspondente ao último período, será:


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⎧ (1 + i ) − 1 ⎫
(C) S n −1 = G × ⎨ ⎬ =1
⎩ i ⎭

Portanto, somando-se os diversos S encontrados tem-se o montante, que será


dado por:
S = S1 + S2 + S3 +… Sn−1 ,
ou
⎧ ⎡(1 + i )n −1 ⎤ − 1 ⎫

S = G×⎨⎣ ⎦ ⎪ + … + G × ⎧ (1 + i ) − 1 ⎫
⎬ ⎨ ⎬
⎪⎩ i ⎪⎭ ⎩ i ⎭

Fazendo-se a somatória e colocando G em evidência, tem-se:

⎡ (1 + i )n −1 − 1 (1 + i ) − 1⎤
S = G×⎢ +…+ ⎥
⎢⎣ i i ⎥⎦

⎡1 ⎤
S = G × ⎡(1 + i ) + … + (1 + i ) − ( n − 1) ⎤ × ⎢ ⎥
n −1
⎣ ⎦ ⎣i ⎦

⎧ ⎡1 ⎤ ⎛ n ⎞ ⎫
S = G × ⎨ ⎡(1 + i ) + (1 + i ) + … + (1 + i ) + 1⎤ × ⎢ ⎥ − ⎜ ⎟ ⎬
n −1 n−2

⎩⎣ ⎦ ⎣ i ⎦ ⎝ i ⎠⎭

Conforme demonstrado na terceira situação especial, a somatória entre os


primeiros colchetes corresponde ao fator ( R → S )in , cuja fórmula é:

⎧ [(1 + i ) n ] − 1 ⎫
S = R×⎨ ⎬
⎩ i ⎭

Substituindo-se R pelo G, conforme explicado, tem-se o fator (G → S )in :

⎧⎛ ⎡(1 + i )n ⎤ − 1 ⎞ ⎫
⎪⎧ ⎡ (1 + i ) − 1⎤ ⎛ n ⎞ ⎪⎫
n
⎪⎜ ⎣ ⎦ ⎟ ⎛ 1 ⎞ ⎛ n ⎞⎪
S = G×⎨ × − ⇒ S = G × ⎨⎢ ⎥ − ⎜ ⎟⎬
⎜⎜ i ⎟⎟ ⎜⎝ i ⎟⎠ ⎜⎝ i ⎟⎠ ⎬ ⎢ i 2
⎥⎦ ⎝ i ⎠ ⎪⎭
⎪⎝ ⎠ ⎪ ⎪⎩ ⎣
⎩ ⎭
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Tem-se, então:

⎪⎧⎛ (1 + i ) − 1 ⎞ ⎛ n ⎞ ⎪⎫
n
S = G × ⎨⎜ ⎟ − ⎜ ⎟⎬
⎩⎪⎝ i2 ⎠ ⎝ i ⎠ ⎭⎪

Ou seja, conhecendo-se G, n e i encontra-se S.


Exemplo: Qual a somatória dos valores na data 12 (31/12/2002) do fluxo de caixa
(tabela), considerando-se que para tanto foram gastos $150.000,00 na data zero
(01/01/2002) e uma taxa de juros de 5% ao mês.

Mês Valores líquidos Mês Valores líquidos


Jan/2002 8.000,00 Jul/2002 20.000,00
Fev/2002 10.000,00 Ago/2002 22.000,00
Mar/2002 12.000,00 Set/2002 24.000,00
Abr/2002 14.000,00 Out/2002 26.000,00
Mai/2002 16.000,00 Nov/2002 28.000,00
Jun/2002 18.000,00 Dez/2002 30.000,00

Solução:

S = Σ em 31/12/2002 =
−150.000, 00 × ( P → S )5% + 8.000, 00 × ( R → S )5% + 2.000, 00 × ( G → S )5%
12 12 12

⎪⎧ (1, 05 ) − 1 ⎫⎪ ⎪⎧ ⎡ (1, 05 ) − 1 ⎤ ⎡ 12 ⎤ ⎪⎫
12 12

S = −150.000, 00 × (1, 05 ) + 8.000, 00 × ⎨ ⎬ + 2.000, 00 × ⎨ ⎢ −⎢


12
2 ⎥ ⎥⎬
⎩⎪ 0, 05 ⎭⎪ ⎢
⎪⎩ ⎣ ( 0, 05 ) ⎦ ⎣ 0, 05 ⎦ ⎭⎪

S = +$14.643, 65

2.4.6. SEXTA SITUAÇÃO

Conhecendo-se G, n e i deseja-se conhecer P. Esta situação denomina-se


fator (G → P)in .
Partindo dos mesmos princípios da quinta situação, caso deseja-se saber o
valor no presente correspondente a uma série em gradiente, deve-se deslocar o valor
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obtido pelo fator ( G → S ) para a data zero do fluxo. Para isso, basta multiplicar o

resultado obtido pelo fator ( G → S ) pelo fator ( S → P ) , ou ainda, dividir a fórmula

que se encontra subjacente ao fator ( G → S ) pelo fator (P → S) para obter como

resultado o fator (G → P)in .


Assim, tem-se:

⎡ ( G → S )n ⎤
P = G⋅⎢ i

⎢⎣ (1 + i ) ⎥⎦
n

Ou seja, conhecendo-se G, n e i encontra-se P.


Exemplo: Utilizando a mesma tabela do exemplo da 5° situação, deseja-se saber qual o
valor correspondente a tal fluxo na data zero.
Solução:

P = Σ em 01/01/2002 =
−150.000, 00 + 8.000, 00 × ( R → P )5% + 2.000, 00 × ( G → P )5%
12 12

⎧ ⎡ 1 ⎤⎫
⎪1 − ⎢ 12 ⎥

⎪ ⎢⎣ (1, 05 ) ⎥⎦ ⎪ ⎪⎧ ⎡ (1, 05 ) − 1 ⎤ ⎡ 12 ⎤ ⎪⎫ ⎡ 1 ⎤
12

P = −150.000, 00 + 8.000, 00 × ⎨ ⎬ + 2.000, 00 × ⎨ ⎢ 2 ⎥


−⎢ ⎥⎬× ⎢ 12 ⎥
⎪ 0, 05 ⎪ ⎢
⎪⎩ ⎣ ( 0, 05 ) ⎥
⎦ ⎣ 0, 05 ⎦ ⎢
⎪⎭ ⎣ (1, 05 ) ⎥⎦
⎪ ⎪
⎩⎪ ⎭⎪
P = +$8.152, 00

2.4.7. SÉTIMA SITUAÇÃO

Conhecendo-se G, n e i deseja-se conhecer R. Esta situação denomina-se

fator ( G → R )i .
n
20

Para encontrar a fórmula matemática do fator ( G → R )i deve-se partir da


n

mesma idéia dos fatores para gradiente anteriormente encontrados. Tem-se que o fator
(G → S )in é dado pela fórmula:

⎧⎪⎛ (1 + i) n − 1 ⎞ ⎛ n ⎞ ⎫⎪
S = G ⋅ ⎨⎜ ⎟ − ⎜ ⎟⎬
⎩⎪⎝ i2 ⎠ ⎝ i ⎠ ⎭⎪

Desdobrando-a, tem-se separadas as fórmulas de ( R → S )in e o

complemento referente à Gradiente. Substituindo o fator ( R → S )in pelo fator

( S → R)in , como segue, é obtido o fator ( G → R )i . Assim sendo:


n

⎧ ⎫
⎪⎛ ⎪
⎪ [1 + i ] − 1 ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎛ n ⎞ ⎪
n

S = G × ⎨⎜ ⎟ ⋅ ⎜ ⎟ − ⎜ ⎟⎬
⎪⎜⎝ i ⎟ ⎝ i ⎠ ⎝ i ⎠⎪

⎪ ⎪
⎩ ( R→S ) ⎭

Portanto, substituindo-se ( R → S )in por ( S → R)in , tem-se que o fator

( G → R )i
n
será:

⎧⎛ 1 ⎞ ⎛ i ⎞ ⎛ n ⎞⎫
R = G × ⎨⎜ ⎟ − ⎜ ⎟ × ⎜ ⎟⎬
⎩⎝ i ⎠ ⎝ [(1 + i ) ] − 1 ⎠ ⎝ i ⎠ ⎭
n

Ou seja, conhecendo-se G, n e i encontra-se R.


Exemplo: Uma pessoa deveria receber neste ano valores que começam a vencer no final
do mês de janeiro de $5.000,00 por mês, que se estenderão crescendo até o final de
dezembro, a partir de fevereiro, à razão de $1.000,00 por mês (gradiente = $1.000,00).
Como esta pessoa sabe que seu devedor terá dificuldades para conseguir tais valores,
está pensando em propor-lhe o pagamento de parcelas nominalmente iguais ao longo
dos 12 meses. Se ela considerar uma taxa de juros de 6% ao mês, de quanto será o valor
da prestação que irá receber?
21

Solução:
⎧⎛ 1 ⎞ ⎛ 0, 06 ⎞ ⎛ 12 ⎞ ⎫
R = 1.000, 00 × ⎨⎜ ⎟ −⎜ ⎟⋅⎜ ⎟ ⎬ + 5.000, 00
⎩⎝ 0, 06 ⎠ ⎝ [(1, 06) ] − 1 ⎠ ⎝ 0, 06 ⎠ ⎭
12

R = $9.811, 26

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