Você está na página 1de 34

1

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................2
1.1 A caracterização da situação-problema;.....................................................................................2
2. METODOLOGIA.....................................................................................................................4
2.1 Atividade de remoção de rocha subaquática através de fio diamantado...........................................5
3. IMPACTOS DA INICIATIVA................................................................................................9
4. COMUNICAÇÃO..................................................................................................................10
5. DESAFIOS..............................................................................................................................11
5.1 Evento Teste.............................................................................................................................12
5.2 Monitoramento Ambiental Do Evento Teste............................................................................14
5.2.1 Programa de monitoramento da qualidade de água...................................................................14
5.2.2 Programa de monitoramento do ruído subaquático...................................................................15
5.2.3 Programa de monitoramento da biota aquática.........................................................................16
5.2.4 Programa de monitoramento da biota aquática.........................................................................18
5.3 Resultados Do Monitoramento Ambiental Do Evento Teste....................................................19
5.3.1 Programa de monitoramento da qualidade da água...................................................................19
5.3.2 Programa de monitoramento de ruído subaquático...................................................................22
5.3.3 Programa de biota.....................................................................................................................24
5.3.3.1 Comunidade Fitoplanctônica....................................................................................................24
5.3.3.2 Comunidade Planctônica..........................................................................................................26
5.3.3.3 Comunidade Planctônica..........................................................................................................28
6. CONCLUSÃO........................................................................................................................31
2

1. INTRODUÇÃO

1.1 A caracterização da situação-problema;

Com o constante aumento da capacidade de transporte de cargas e consequentes


aumentos das embarcações e calado, faz-se necessário projetos de dragagem cada vez mais
profundos dos canais de navegação. Além de aumentar a movimentação, faz-se necessário,
também, o aumento da camada de segurança à navegação. Diante disso, frequentemente são
encontros afloramentos rochosos nos processos de dragagem de canais de acessos portuários,
sendo necessário a remoção dessas rochas.

Em 2009 foi realizada a dragagem de aprofundamento do canal de acesso ao


complexo portuário de Itaguaí com a finalidade de atingir a cota de -20 m. No entanto,
devido a um afloramento rochoso na cota de -19,5 m localizado entre as boias 05 e 06, não é
possível utilizar a profundidade máxima obtida na dragagem. Com este nivelamento será
possível aumentar o calado operacional do canal principal em 0,5 metros (de -17,8m para
-18,3m) propiciando assim um aumento da segurança de navegação das embarcações. O
volume total de material a ser fragmentado e removido é de aproximadamente 100 m 3, nas
proximidades da Laje das Enxadas, no ponto conhecido como Boia 5, conforme pode-se
observar na Figura 1.
3

Figura 1 - Localização da Baía de Sepetiba. Em destaque a localização do afloramento rochoso situado


no canal de acesso ao Complexo Portuário de Itaguaí.

Fonte: XXXXXX

A remoção subaquática de materiais de alta dureza, chamada de derrocagem, requer


considerações que são específicas dos locais em questão. Informações geomorfológicas são
necessárias para um correto estabelecimento das alternativas em relação aos diferentes
métodos de engenharia a serem utilizados.

No ano de 2015, foi realizada uma tentativa de eliminação do afloramento rochoso


em questão pelo Porto Sudeste do Brasil, através de um escaramento da rocha, que consiste
na raspagem do afloramento. O método foi testado através do uso de um arado submarino
que promove ranhuras e desgaste na rocha, permitindo sua eventual remoção. Entretanto,
devido à natureza altamente dura do afloramento granítico, este método de engenharia
demonstrou-se não ser operacionalmente adequado para o caso em questão. Não foram
obtidos desempenhos produtivos satisfatórios e por isso descartou-se esta alternativa, sendo
necessário considerar outro método de remoção.

Para a execução desta atividade, geralmente são utilizadas técnicas com uso de
explosivos, envolvendo, portanto, a execução de perfuração da rocha para preenchimento
com material explosivo em linhas de detonação dispostas ao longo do afloramento, o
carregamento dos furos e posterior na sequência a detonação. Diferentes tipos de materiais
expansivos podem ser utilizados, sendo possível a utilização de materiais expansivos “a frio”
ou não. Devido a onda de choque criada pelos eventos de detonação, o método explosivo
4

para derrocamento também apresenta potencial de impacto nas estruturas físicas ao redor e
por essa razão de impactar o patrimônio e cultural da área de influência (quando for o caso).

As detonações podem gerar potenciais impactos e riscos, como acidentes com os


explosivos, a alteração de habitats (afetando a fauna) com efeitos provenientes da liberação
de energia térmica e propagação de ondas de choque e bolhas, além de riscos de danos
durante a operação de derrocagem (patrimônio histórico e arqueológico, estruturas civis,
navegação e atividades portuárias, além de afetar a pesca), entre outros. Mesmo com a
adoção de medidas mitigadoras, a derrocagem por detonação sofre restrições em localidades
que possuem maior rigor sobre os controles ambientais e impactos decorrentes de obras.

Algumas medidas de mitigação podem ser tomadas, como a utilização de cortinas de


bolha que atenuam as ondas de choque. Porém, apesar das medidas de mitigação, este
método de descomissionamento de estruturas submersas constitui-se em dos métodos de
maior impacto ambiental, dado a potencialidade de causar efeitos danosos diretos a fauna
local.

2. METODOLOGIA

II- Os objetivos da iniciativa;

III- O público-alvo;

IV- A descrição das etapas da prática inovadora;

A partir de 1977, iniciou-se a utilização dos fios diamantados nas pedreiras de


mármore de Carrara na Itália, tendo seu uso voltado exclusivamente para mármores e
travertinos e após 10 anos de evolução tecnológica passou a ser utilizados também nas
pedreiras de granitos na região da Sardenha, no fim dos anos 80 (REGADAS, 2006). A partir
da década de 80 sua aplicação foi intensificada ao redor do mundo e a aplicação do fio
diamantado nas pedreiras brasileiras começou na década de 90 e seu uso intensificado nos
últimos anos (VIDAL et al., 2012).

Diante dos desafios de se obter uma nova técnica para remoção de rochas submersas,
aliadas a diminuição dos impactos ao mio ambiente, a empresa de engenharia UMISAN em
parceria com a Porto Sudeste do Brasil, desenvolveu o desmonte de estruturas submersas
com o uso de fio diamantado, que constitui numa adaptação do método largamente utilizado
5

em jazidas de rochas ornamentais. Salienta-se que a UMISAN, desenvolvedora da técnica,


patenteou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial o corte de rocha submerso
através de fio diamantado. A demanda de utilização e adaptação deste método surge em
detrimento de técnicas de desmonte de estrutura submersa com menores impactos
ambientais. Esta técnica pode ser utilizada não somente para fragmentação de material
rochoso como também no descomissionamento de estruturas offshore da indústria de
petróleo e gás.

A técnica consiste no corte através do atrito de cabos de aço dotados de contas


diamantadas que desgastam o material a ser removido. O corte é obtido através do desgaste
do material no ponto de contato entre essa e o cabo, que por sua vez é obtido por
tracionamento promovido por um dispositivo motor e um sistema de polias motrizes,
conforme será detalhado mais adiante.

Os benefícios decorrentes da obra são inúmeros e envolvem aspectos ambientais e


socioeconômicos, além de beneficiar as comunidades locais, organizações empresariais
dependentes do canal acesso, órgãos regulatórios, prefeitura e o Complexo Portuário de
Itaguaí, como um todo. Além de aumentar os níveis de segurança da navegação para o
acesso aos portos da baía de Sepetiba, reduzindo a possiblidade de acidentes envolvendo as
embarcações que utilizam o canal principal, a execução da obra propiciará também um
incremento na produtividade portuária da região, ao mesmo tempo em que permitirá uma
redução dos números de viagens de navios aos portos, uma vez que embarcações com maior
porte de carga nominal poderão acessar os portos da baía de Sepetiba.

É importante salientar que cada terminal está licenciado para movimentar a


quantidade de carga estabelecida através de sua licença de operação, sendo assim, não
haverá aumento de embarcações na região e sim, diminuição, já que a mesma quantidade de
carga estabelecida pela licença será transportada por navios mais cheios, resultando na
redução do número final de navios.

2.1 Atividade de remoção de rocha subaquática através de fio diamantado

As atividades tiveram início no dia 03/08/21 com o lançamento das boias articuladas
de sinalização náutica para delimitação da área e demais equipamentos, porém a atividade
iniciou-se no dia 08/08/21 com o início do corte.
6

O fio diamantado é um cabo de aço flexível, que serve de suporte para anéis
diamantados, conhecidos como pérolas. As pérolas consistem em um anel metálico de
aproximadamente 7,00 mm que serve de suporte para a pasta diamantada, composta pelos
diamantes (elemento abrasivo que realiza o corte da rocha) e pela liga metálica que os
mantêm fixos. As pérolas são separadas regularmente entre si por um revestimento de
borracha galvanizada, obedecendo a uma quantidade de 39 a 43 pérolas por metro de fio. O
fio diamantado pode ser utilizado em todas as fases do desmonte de rochas, seja ele primário
(isolamento de grandes porções de rochas do maciço) ou secundário (divisão em filões ou
esquadrejamento).

Figura 2 -Exemplo de fio diamantado

Fonte: XXXX

Para a atividade, está sendo utilizada uma máquina de fio diamantado (equipamento
de corte), que consiste em uma plataforma motorizada com uma polia motriz ligada ao motor
principal, com potência variando de 30 CV a 100 CV. A polia motriz, também conhecida
como volante, tem a função de transladar o fio diamantado em contato com a rocha, com
uma velocidade determinada, gerando atrito entre o fio e a rocha e desgastando a rocha,
ocasionando o corte.
7

Figura 3-Desenho do corte com a cortadora na posição vertical (esquerda) e horizontal (direita).

Fo
nte:xxxxxxxxx

Após estudos realizados entre a parceira do Porto Sudeste do Brasil, UMI SAN e a
fabricante dos fios, foi desenvolvida uma metodologia para aplicação da máquina em uso
subaquático. Assim como ocorrido em seu emprego para atividades em solo, a utilização
subaquática demanda experimentação para definição de fatores como produtividade e limites
operacionais. Dessa forma, os serviços foram planejados para compreender as condições
próprias da região especificada pela Porto Sudeste do Brasil para a utilização desta
metodologia de retirada da rocha submersa.

Para execução das atividades, é posicionado um cabeçote da máquina de corte,


contendo jogo de poitas e polias no leito marinho, nas proximidades da rocha a ser removida
e demais equipamentos (painel de controle e gerador) que compõem o sistema de corte e que
são instalados sobre o convés da embarcação. Além disso, no local há uma balsa para
içamento, transporte e despejo das rochas cortadas, que é dependente de um rebocador de
apoio para navegação.

Figura 4- (esquerda) Equipamento de corte posicionado no leito e equipe de mergulho posicionando o


fio em torno da rocha. (direita) Embarcação com equipamento de corte sendo posicionado no leito marinho e
painel de controle da máquina instalado no convés da embarcação
8

Fo
nte: xxxxx

Com o equipamento de corte posicionado no fundo com a ajuda de mergulhadores,


faz-se necessário, devido ao tamanho da rocha, efetuar o corte em blocos menores,
facilitando a retirada. Para tal, é necessário realizar o corte vertical com o objetivo de atingir
a base da rocha e cota desejada. Neste caso, são posicionadas duas poitas nas extremidades
do ponto de corte desejado, sendo uma poita de cada lado. Com o tensionamento do fio
exercido pela máquina, o fio desgastará a rocha no plano vertical até atingir o alinhamento
do ponto de ligação das poitas.

Após realização do vertical, com o equipamento de corte posicionado e fio


diamantado circundando a rocha, será dado início ao “corte horizontal”, no qual o fio efetua
o corte no plano horizontal, cortando a base da rocha.

Após esse procedimento, a equipe de mergulho instalará chumbadores para ligação


de um cabo de aço ao equipamento de içamento ou instalação de cintas, visando retirada do
material e disposição no local desejado devidamente licenciando pela Porto Sudeste do
Brasil.

Figura 5-Corte vertical com fio até a cota desejada. (esquerda superior) e horizontal (esquerda inferior).
içamento da rocha retirada no evento teste (direita).
9

Fonte: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Para a realização das atividades os seguintes equipamentos e equipes são utilizadas:

 Rebocador dotado de câmara hiperbárica, preparado para reboque e atividades


de mergulho;
 Embarcação hidrográfica, equipamentos de batimetria, equipe especializada,
marégrafo e lancha de apoio;
 Cábrea para apoio nos lançamentos dos sistemas de fundeio e
içamento/remoção das rochas;
 Máquinas de corte de rocha, fio diamantado, poitas, jogo de polias e
acessórios;
 Equipe de mergulho completa conforme Normam 15/DPC para montagem do
arranjo submerso e ajuste ao longo do corte;
 Equipe de operação da máquina de corte;
 Furadeiras, Filmadoras, sistema de posicionamento emerso e submerso,
motobomba e acessórios.
10

3. IMPACTOS DA INICIATIVA

V- A situação hoje, resultados e/ou impactos da iniciativa;

VI- Parcerias, se existentes;

VII-- Participação dos usuários ou da sociedade em geral;

VIII- Grau de replicabilidade;

Como mencionado anteriormente, o afloramento rochoso está localizado dentro do


canal de acesso ao Complexo Portuário de Itaguaí, entre as boias 05 e 06, sendo este canal de
utilizado por diversas empresas que compõem o Complexo Portuário de Itaguaí. Ressalta-se
que este canal é de responsabilidade da Autoridade Portuária, representada por Docas do Rio
de Janeiro, dessa forma, é de responsabilidade da mesma manter a manutenção da cota de
projeto, garantindo a segurança a navegação para as atividades na região.

Porém, a Porto Sudeste visando o crescimento regional, a segurança a navegação e


em busca de atividades com menor impacto ambiental, doou a execução dos serviços a
Autoridade Portuária, que serão benéficos para todos envolvidos nessa parceria, incluindo os
terminais locais, autoridades portuárias e praticagem.

A atividade derrocagem é comum no mundo inteiro, e cada vez mais necessária


devido a dinamicidade de aumento das embarcações e necessidade de transporte em larga
escala. Por isso, haja visto a necessidade de retirada das rochas, assegurando que os navios
transportem com segurança as cargas através dos canais de navegação. Sendo assim,
metodologias inovadoras se fazem necessárias cada vez mais, afim de se interferir o menos
possível no ambiente, com menor impacto às comunidades marinhas e a comunidade local,
dependente deste ambiente para sobrevivência.

Através da atividade do corte de rocha submersa, e devido a classificação de baixo


impacto ambiental, os benefícios e grau de replicabilidade serão grandiosos, uma vez que o
licenciamento se dará em menos tempo e a necessidade de remoção de afloramentos
rochosos com baixo impacto ambiental em diversas localidades, não só no Brasil, mas ao
redor do mundo.

4. COMUNICAÇÃO
11

Com o propósito de manter uma relação próxima com as comunidades do entorno e


manter a comunicação assertiva entre os interessados, a Porto Sudeste criou o Programa de
Comunicação Social, contido dentro do Plano de Controle Ambiental, revisado e aprovado
pelo órgão licenciador da atividade, o INEA (Figura 6).

Figura 6-Plano de Controle Ambiental para remoção de rocha submersa.

Fonte: xxxxxx

As execuções das atividades de comunicação são feitas por meio do contato pessoal e
distribuição de material informativo para os moradores, e comunicação oficial aos órgãos
públicos (INEA e Secretarias de Meio ambiente de Itaguaí e Mangaratiba), Marinha, ONGs,
associações e entidades de pesca e meio ambiente que atuam na região onde a atividade será
realizada. Abaixo, são listadas as ações que estão sendo executadas:

Mapeamento das partes interessadas;

• Comunicado aos órgãos oficiais, ONGs e entidades de classe;

• Contato com as comunidades;

• Consolidação de canais de comunicação;

• Elaboração de material informativo como banners, folhetos e vídeos explicativos.

Dessa forma, a comunicação nesse processo é de extrema relevância não só para


esclarecer sobre a atividade, mas para assegurar que não haja ruídos que possam gerar
12

interpretações errôneas sobre a operação da remoção da rocha, já que é uma atividade inédita
e ainda desconhecida do público em geral.

Além disso, foram criados vídeos informativos mostrando de forma clara e


consciente, como é realizada a atividade, e enviados através de grupos em aplicativos das
comunidades locais, pescadores e entidades envolvidas no processo, multiplicando dessa
forma, o alcance da população em geral.

5. DESAFIOS

IX- As principais barreiras encontradas no desenvolvimento da prática


inovadora;

X- As barreiras vencidas e como; e

Um dos maiores desafios relacionadas a atividade do corte de rocha submersa é o de


trazer a tecnologia já existente para o meio marinho, adaptando de forma geral os
equipamentos envolvidos nos processos. Mapear e acompanhar de forma integral a
realização do corte é um dos desafios inerentes da atividade em meio marinho, já que a
atividade sofre ações ambientais constantes, como correntes hidrodinâmicas, ondas, ventos,
maré e por se tratar de uma atividade abaixo do nível d’água, onde há dificuldade em se
estabelecer o posicionamento do mergulhador e dos equipamentos. Para o posicionamento
dos equipamentos e poitas no leito marinho, foi utilizado um GPS submarino, que permite
acompanhar a posição espacial do mergulhador no leito marinho de acordo com as áreas alvo
plotadas, dessa forma, temos a confirmação da área alvo observando a posição do
mergulhador.

Desafios constantes são enfrentados quando se trata de uma tecnologia inovadora,


não diferente quando se trata de licenciamento ambiental. Por ser de uma tecnologia
inovadora, o órgão ambiental responsável pelo licenciamento, o Instituto do Meio Ambiente
– INEA, solicitou ao Porto Sudeste do Brasil um evento teste, no qual seriam realizadas
atividades iguais às que ocorreriam na região do canal de acesso, porem com condições com
maior controle, em águas mais abrigadas, afim de se obter informações sobre a nova técnica
e nos possíveis impactos que ela possa gerar no ambiente, através de monitoramento
ambiental.
13

5.1 Evento Teste

A Figura 7 apresenta a área em que foi realizado o teste de corte de rocha com fio
diamantado, em área externa ao Canal Principal de Acesso ao Porto de Itaguai, na Baia de
Sepetiba, Rio de Janeiro, nas proximidades do Porto Sudeste. A área de teste foi a mesma
indicada no plano de trabalho enviado aos órgãos competentes (INEA e Marinha do Brasil).

Figura 7- Localização da remoção da rocha para o evento teste.

Fonte: XXXXX

Para o evento teste, realizou-se, primeiramente, uma inspeção de mergulho na região


da rocha, e então iniciou-se a atividade de lançamento de poitas para fundeio das
embarcações e poita de travamento do cabeçote da máquina do fio diamantado.
Posteriormente ao lançamento das poitas, preparou-se a unidade hidráulica e o cabeçote a ser
submerso, visando instalação deste sistema no leito marinho. Após instalação da máquina no
leito marinho, sobre uma poita, o fio diamantado foi instalado na máquina e posicionado em
torno da rocha, visando realizar um corte horizontal, conforme observa-se na Figura 8.
salienta-se que todo o processo realizado está descrito no capítulo x, mencionado
anteriormente.

Figura 8-Lançamento de poitas (esquerda superior), máquina hidráulica (direita superior) e atividade de corte
através de fio diamantado (inferior)
14

Fonte: xxxxxx

Após conclusão do corte, as cintas foram instaladas na rocha cortada para içamento e
posicionamento no convés da embarcação e retirada. Para esse evento, foi retirada uma rocha
com cerca de 2,5 metros de comprimento, 1,60 metro de largura e cerca de 0,70 metro de
altura com aproximadamente 3,5 toneladas, conforme observado na Figura 9. Após a
remoção da Rocha, a mesma não foi descartada em um bota-fora, retornando para a posição
de origem.
15

Figura 9- Rocha sendo içada após o término do evento teste de corte

Fonte: xxxxx.

5.2 Monitoramento Ambiental Do Evento Teste

Para o teste, foi criado um Plano de Controle Ambiental para o evento teste do corte
de rocha submerso, realizado entre os dias 20 e 22 de março de 2020 pela empresa
contratada pela Porto Sudeste do Brasil, PH MAR CONSULTORIA AMBIENTAL LTDA,
contendo os seguintes programas de monitoramento ambiental:
16

5.2.1 Programa de monitoramento da qualidade de água

Monitoramento in situ de parâmetros físico-químicos e a coleta de amostras de água


para análise laboratorial de alguns parâmetros. Dessa forma, foram analisados oxigênio
dissolvido, temperatura, salinidade, Ph, Turbidez, transparência da coluna d’água, além de
sólidos suspensos totais.

Para realização das medições in situ dos parâmetros físico-químicos do


monitoramento ambiental da qualidade de água foi utilizada uma sonda multiparamétrica e
disco de sechi, utilizado para medições de transparência. As medições foram feitas nas
camadas superficial (~ 0,20 m da superfície) e de fundo da coluna d’água local (~ 1,0 m do
leito marinho).

Para o monitoramento da qualidade química da água na área de corte foram


executadas amostragens de água nas camadas superficial (~ 0,20 m da superfície) e de fundo
(~ 1,0 m do leito marinho) para análise do parâmetro RNFT/SST. Para a coleta foram
utilizadas garrafas do tipo Van Dorn de 10 L (Figura 10), teflonada internamente e de fluxo
vertical. Estes tipos de garrafa permitem a amostragem de água na profundidade de interesse,
e possuem cabos graduados e dispositivos de vedação acionados por mensageiros de lastro.

Figura 10-Coleta de água com garrafa Van Dorn

Fonte: xxxxxx

5.2.2 Programa de monitoramento do ruído subaquático


17

O monitoramento de ruído subaquático durante as atividades de testes foi realizado


através de amostragens pontuais executadas em uma malha amostral pré-definida, composta
de 3 pontos, distribuída radialmente ao redor do ponto de execução dos testes (250 metros,
500 metros e 1000 metros de distância do local do teste). Para obtenção dos dados acústicos
subaquáticos, utilizou-se 01 dispositivo de medição acústica submarina, dotado de hidrofone
devidamente calibrado, pré-amplificador e gravador de dados de áudio(figura 11).
As medições foram realizadas a partir de embarcação ancorada nas estações de
monitoramento definidas. Durante o período de coleta de dados os motores da embarcação
permaneceram desligados, para evitar uma influência nos dados coletados.

Figura 11- Hidrofone na água e sistema de gravação utilizado no monitoramento do ruído.

Fonte: xxxxxx

5.2.3 Programa de monitoramento da biota aquática

Campanha de coleta e análise da fauna bentônica de substrato não consolidados e


planctônica (fitoplâncton e zooplâncton), antes e após a atividade de corte da rocha.

Para análise qualitativa de fitoplâncton foram realizados arrastos horizontais (com


duração de 1 minuto) e verticais com rede cônico-cilíndrica com 60 µm de abertura de
malha. Para os arrastos de zooplâncton foi utilizada uma rede cônico-cilíndrica com 200 m
de abertura de malha. Já para a análise quantitativa foram coletadas amostras de água
superficial com garrafa oceanográfica de Van Dorn.
18

Figura 12-Arrasto com redes para coleta de plâncton

Fonte: XXXXXX

O sedimento para análise da macrofauna de substrato não consolidado foi coletado


com auxílio de draga busca fundo de Petersen com área de “mordida” de 900 cm² e
capacidade de 5 L (Figura 13). Foram realizadas 3 amostragens (réplicas) de sedimento
superficial, totalizando 9 amostras coletadas por campanha.
19

Figura 13 -Draga de Petersen e sedimento coletado com o amostrador para análise de macrofauna
bentônica de substrato não consolidado

Fonte:XXXXXX

5.2.4 Programa de monitoramento da biota aquática

Foi feito o monitoramento da avistagem de cetáceos e quelônios marinhos


diariamente antes e durante as atividades realizadas. O monitoramento foi feito por técnicos
a partir de uma embarcação de apoio, sendo realizado apenas durante o período luminoso do
dia.

A procura por cetáceos e quelônios teve início nas primeiras horas com luz do dia,
através de uma rota pré-definida em zigue-zague, e teve duração de até 8 horas seguidas por
dia, sendo realizado apenas no período diurno. A atividade foi contínua até que houvesse
alguma avistagem, sendo realizada a olho nu e/ou com auxílio de binóculo. Dada uma
avistagem, era registrado em ficha a hora e o local da avistagem, espécie, tamanho do grupo,
presença de filhotes e comportamento. Durante as atividades de teste, a operação foi
interrompida imediatamente quando havia ocorrência de cetáceos dentro do raio de 500m
monitorado. As atividades eram retomadas assim que o indivíduo ou o grupo se afastasse
deste raio conforme figura 14.
20

Figura 14- Zona de avistagem definida para o monitoramento de cetáceos e quelônios.

Fonte-xxxxx

5.3 RESULTADOS DO MONITORAMENTO AMBIENTAL DO EVENTO


TESTE

Neste capítulo serão apresentados e discutidos alguns dos resultados encontrados


para as atividades realizadas no Plano de Controle Ambiental, por ocasião do processo de
teste de remoção de alto fundo realizado entre os dias 21 e 22 de março de 2020.

5.3.1 Programa de monitoramento da qualidade da água


21

Os dados físico-químicos apresentados serão comparados frente aos padrões para


água salina classe 2 da resolução CONAMA 357/2005 (que dispõe sobre a classificação dos
corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as
condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências). Aplicam-se os
limites para os parâmetros oxigênio dissolvido (5 mg/L O2) e pH (de 6,5 até 8,5).

Os dados mostraram que a salinidade da água se encontra no limiar entre a água


salobra e salina, apresentado média global de 28,9 ‰, variando entre 26,9 até 31,8‰. De
forma geral, a salinidade medida no fundo da coluna d’água mostrou-se ligeiramente mais
salinas (média 30,3 ‰ – água salina) do que as medidas na superfície (27,5 ‰ – água
salobra). Já os resultados de condutividade, intimamente ligados à salinidade da água,
variaram entre 42.056 até 48.628 µS/cm, com valor médio global de 44.586 µS/cm.

A temperatura média da água em todos os dias de monitoramento foi de 25,3 °C,


sendo a temperatura no fundo (média 24,2 °C) menor que a observada na superfície (média
26,4 °C), sendo este comportamento o esperado, dado que a água da superfície sofre maior
influência da radiação solar e da atmosfera. Em relação aos resultados da transparência de
Secchi, foram observados valores variando de 1,5 até 2,5 m. Dados históricos levantados
pelo órgão ambiental do Estado do Rio de Janeiro (FEEMA, 2006), revelaram medianas de
transparência de Secchi variando de 1,8 até 4,1 entre os anos de 2000 até 2005. Desta forma
os dados encontrados no presente trabalho não são estranhos aos normalmente verificados na
região de interesse. A Figura 15 apresenta os gráficos para os resultados obtidos para as
medições dos parâmetros salinidade, temperatura, condutividade e transparência de Secchi.

Figura 15- Gráficos de resultados das medições de salinidade, temperatura, condutividade e


transparência nos pontos monitorados
22

Fonte:xxxxxxxxxxxxxxx

Conforme pode ser visto na Figura 16, os resultados para o parâmetro pH (superfície
e fundo) revelaram uma mínima variação no conjunto de dados obtidos, com valor mínimo
de 8,2 até 8,39 (média de 8,31). Desta forma os valores encontrados mostram-se totalmente
enquadrados aos limites de referência da Resolução CONAMA 357/2005 para águas salinas
classe 2. Em relação ao oxigênio dissolvido Todos os pontos medidos demostraram
concentrações de O2 maiores que 5 mg/L, demonstrando enquadramento frente ao padrão da
Resolução CONAMA 357/2005. O valor médio no fundo foi de 6,5 mg/L e na superfície de
9,6 mg/L.

Figura 16- Gráficos de resultados das medições de oxigênio dissolvido e pH nos pontos monitorados
23

Fomte:xxxxxx

Os resultados das medições de turbidez variaram de 0,8 até 2,1 NTU, com média de
1,3 NTU para todas as medições realizadas, conforme pode ser observado na Figura 16. Os
resultados estão na mesma ordem de grandeza dos valores verificados na região entre os
anos de 2000 e 2005 pelo órgão ambiental (FEEMA, 2006).

Com relação aos dados de Sólidos Suspensos Totais, os dados variaram de 2,2 até
31,4 mg/L, sendo que a maior média global foi observada no dia 22/03/2020 (23,4 mg/L) e a
menor no dia 21/03/2020 (8,7 mg/L), conforme mostrado no gráfico da Figura 17. Ressalta-
se que os dados do monitoramento realizado pelo órgão ambiental do Rio de Janeiro entre
2000 e 2005 (FEEMA, 2006) na Baia de Sepetiba mostraram variações de SST (RNFT)
variando de 2 até 210 mg/L, com a mediana em todas as regiões do corpo hídrico variando
entre 35 e 40 mg/L, sendo assim, os resultados verificados neste estudo não se mostraram
incomuns para a região. Salienta-se que a região altamente dinâmica, recebendo aportes
regulares da bacia hidrográfica e estando sujeito às entradas e saídas de água do oceano.

Figura 17 - Gráficos de resultados das medições de turbidez e Sólidos Suspensos Totais nos pontos
monitorados
24

Fonte:xxxx

5.3.2 Programa de monitoramento de ruído subaquático

Na campanha prévia ao início da atividade, os níveis de pressão sonora variaram


entre 130 e 154 dB rel 1µPa, enquanto nas duas campanhas de amostragem com atividade
em curso, tais níveis variaram entre 141 e 167 dB rel 1µPa no dia 21/03/2020 e entre 145 e
169 dB rel 1µPa na campanha de 22 de março de 2020.

A principal referência são os valores estabelecidos por SOUTHALL et. al. (2007) e
sugeridos por (NOAA, 2013). Para o risco de danos temporários causados pela emissão de
ruídos não pulsados, como é o caso da atividade em questão, o limite é estabelecido pelo
valor de 224 db rel 1 µPa. Para o risco de danos permanentes este limite é estabelecido pelo
valor de 230 db rel 1 µPa.
25

Dessa forma, comparando-se os níveis de pressão sonora médios entre a campanha


prévia e as campanhas com atividade em curso (Figura 18), observa-se que nestas últimas, os
níveis de pressão sonora médios variaram entre 15 e 22 dB rel 1µPa.

Figura 18 Gráfico dos níveis de pressão sonora (SPL) médios para cada ponto e
campanha de amostragem.

Fonte:xxxxxxxxxxxxxxxx

É importante ressaltar que independente da atividade de remoção de alto fundo


rochoso, os níveis de pressão sonora encontrados são similares a ambientes sujeitos a
interferência de atividades antrópicas como a navegação comercial de embarcações de médio
e grande porte. Sanchez-Gendriz & Padovese (2015) encontraram valores de SPL entre 100 e
142 dB rel 1µPa com média igual a 120 dB rel 1µPa na banda total analisada, em área
adjacente ao Porto de Santos (SP), local com um dos tráfegos marítimos mais intensos do
Brasil. Por sua vez, na Baía de Guanabara Bittencourt et al. (2014) encontrou maiores níveis
de pressão sonora em locais da baía com intenso tráfego de embarcações de grande porte.
Neste estudo, os autores obtiveram valores médios de SPL iguais a 96 dB rel 1µPa para o
setor com predominância da presença de pequenas embarcações, 102 dB rel 1µPa em locais
com a presença de embarcações de médio porte e finalmente 108 dB rel 1µPa em pontos de
medição onde haviam a presença de embarcações de grande porte. Em 12 estações de
monitoramento ao longo do a costa o Reino Unido, Merchant et. al. (2016) encontraram
valores medianos de SPL entre 81 e 95 dB rel 1µPa para baixas frequências (63-500 Hz).

Considerando os resultados encontrados e os limites de danos temporários ou


permanentes sugeridos pela literatura, observou-se que em nenhum momento em que as
26

atividades de remoção de alto fundo estavam em curso tais limites foram ultrapassados,
considerando os valores máximos encontrados. Ressalta-se que tais valores máximos e
principalmente os valores médios e medianos dos níveis de pressão sonora medidos foram
significativamente inferiores aos limites de danos físicos a cetáceos.

5.3.3 Programa de biota

5.3.3.1 Comunidade Fitoplanctônica

A menor riqueza (30) foi obtida na amostra da estação A03 coletada na campanha
pós e a maior (39), obtida na amostra da estação A02 da campanha prévia (Figura 18). De
maneira geral, a estação A03 apresentou as menores riquezas. A Figura 19 apresenta estes
resultados.

Figura 19- Riqueza taxonômica do fitoplâncton obtida em cada uma das três estações de amostragem
nas duas campanhas realizadas (prévia e pós atividade de corte)

Fonte: xxxxx

Em relação às análises quantitativas, no que diz respeito às densidades populacionais


da comunidade fitoplanctônica, os maiores valores foram obtidos nas amostras da campanha
prévia. A densidade variou entre 3,30x106 cel/L (estações A02 e A03 – campanha pós) e
9,02x10 6cel/L (estação A01 – campanha prévia). Apesar da campanha pós atividade de corte
ter apresentado as menores densidades, estes valores estão na mesma ordem de grandeza que
os obtidos na campanha prévia conforme figura 20.
27

Figura 20- Densidade celular média do fitoplâncton (valores expressos em cel/L) em cada um dos três
pontos de amostragem nas duas campanhas realizadas (prévia e pós atividade de corte).

Fonte: xxxx

O gráfico representado na figura 21 apresenta os valores de diversidade e


equitabilidade calculados para as amostragens realizadas. Segundo Ricklefs (1996), o índice
de diversidade considera a riqueza taxonômica junto à abundância relativa de cada taxa,
representando dessa forma um meio de determinar quais as espécies que efetivamente
participam da comunidade. Já o índice de equitabilidade de Pielou (J’) expressa a relação
entre a diversidade real e a diversidade máxima teórica, tratando-se de uma medida de
uniformidade da comunidade. O índice mais usado para medir a diversidade de uma
comunidade é o Índice de Shannon-Wiener, pois esse índice incorpora a riqueza e a
equitabilidade de uma comunidade. Desta forma, na campanha prévia o índice calculado foi
de 0,66 e na campanha pós atividade de corte, 1,91. Os valores de equitabilidade foram,
respectivamente, 0,27 e 0,65. A Figura 21 apresenta graficamente os valores calculados dos
índices ecológicos para as duas campanhas realizadas (prévia e pós).
28

Figura 21- Diversidade (H’) e equitabilidade (J’) calculadas para o fitoplâncton nas duas campanhas
realizadas (prévia e pós atividade de corte)

Fonte: xxxxx

5.3.3.2 Comunidade Planctônica

A maioria dos animais marinhos possui representantes no zooplâncton, seja como


holoplâncton, que passa toda a vida no plâncton, ou como meroplâncton, representado por
fases iniciais de vida, tais como ovos, larvas e juvenis (Morgado et al., 2019). Poucos
organismos do zooplâncton são herbívoros estritos, e aqueles que se alimentam de
fitoplâncton também se alimentam ocasionalmente de outros organismos zooplanctônicos.
Desta forma, este grupo representa a conexão entre os produtores primários do fitoplâncton e
o resto da comunidade biológica (Castro & Huber, 2012).

Com referência às análises qualitativas, foram identificados um total de 40 táxons


zooplanctônicos, com 32 deles sendo identificados na campanha prévia e 30 na campanha pós
atividade de corte. Na campanha prévia a riqueza taxonômica variou de 17 (estação A03) a 29
táxons (estação A01); já na campanha pós a riqueza variou de 20 (estação A03) a 25 táxons.
Nas duas campanhas realizadas, a estação de amostragem A03 apresentou as menores
riquezas conforme apresentado na figura 22.
29

Figura 22: Riqueza taxonômica do zooplâncton em cada um dos três pontos de amostragem nas duas
campanhas realizadas (prévia e pós atividade de corte).

Fonte: xxxxxx

A campanha prévia apresentou a maior densidade média, principalmente porque a


amostra da estação A03 apresentou densidade superior em uma ordem de grandeza em
relação às demais estações, sendo responsável por quase 70% da densidade total de
organismos coletados na campanha (Figura 23).

Figura 23-Riqueza taxonômica do zooplâncton em cada um dos três pontos de amostragem nas duas
campanhas realizadas (prévia e pós atividade de corte).

Fonte: xxxxxxxx
30

Os valores obtidos para o índice de diversidade foram de 2,19 na campanha prévia e


2,09 na campanha pós atividade de corte. Os valores de equitabilidade foram de 0,69
(prévia) a 0,66 (pós). A Figura 24 apresenta graficamente os valores calculados dos índices
ecológicos para as amostras coletadas nas duas campanhas realizadas.

Figura 24- Diversidade (H’) e equitabilidade (J’) calculadas para o zooplâncton nas duas campanhas
realizadas (prévia e pós atividade de corte).

Fonte: xxxx

5.3.3.3 Comunidade Planctônica

A comunidade bentônica constitui um importante componente do ecossistema


marinho, fazendo parte da cadeia alimentar e provendo alimento para uma grande variedade
de espécies, participando de diversos processos ecológicos, como a aeração do sedimento,
decomposição de matéria orgânica, ciclagem de nutrientes e produção de biomassa
(SOARES-GOMES et al ,2002) e (LAVRADO & IGNACIO, 2006), os bentos da plataforma
continental brasileira é composto por quase todos os filos de invertebrados marinhos.

Fatores como hidrodinamismo costeiro, manchas sedimentares, assentamento larval,


mortalidade pós-assentamento, predação e competição, dentre outros, podem influenciar a
distribuição dos organismos bentônicos (SOARES-GOMES et al. 2002). Além destes
31

fatores, a granulometria do sedimento local pode interferir na ocorrência e composição dos


bentos. (Martins, 2001) relata, em estudo realizado na Baía de Sepetiba, maiores
abundâncias da macrofauna em locais onde o sedimento é constituído predominantemente
por areia.

As amostras coletadas na campanha prévia apresentaram riqueza taxonômica de


apenas 02 táxons bentônicos, sendo eles um poliqueta da Família Opheliidae, observado nas
réplicas 1 e 2 da estação de amostragem A02; e um crustáceo decápoda da Família
Pinnotheridae, observado nas réplicas 2 e 3 da estação de amostragem A02 e réplica 1 da
estação A03. Em relação às densidades relativas, foram calculados 11 indivíduos/m3 em cada
uma das 05 réplicas citadas anteriormente, totalizando 55 indivíduos/m3 na campanha prévia.
Na estação A01 não foram observados organismos bentônicos.

Em relação à campanha pós atividade de corte, foi observado um aumento na riqueza


e na densidade de organismos, com todas as estações apresentando organismos bentônicos.
A riqueza observada na campanha foi de 7 táxons, sendo três poliquetas (Polychaeta N.I.,
Família
Sigalionidae e Família Ophellidae); um molusco bivalve (Família Tellinidae); um crustáceo
da Infraordem Brachyura; um cnidário da Classe Hydrozoa e um táxon do Filo Bryozoa. A
Estação A01, que na campanha prévia se mostrou estéril de organismos bentônicos, na
campanha pós atividade de corte apresentou riqueza de 04 táxons. As densidades relativas
calculadas para esta campanha estão apresentadas na Tabela 14. O táxon com maior
densidade foi o Filo Bryozoa, com ocorrência em 100% das amostras analisadas.

Diferentemente das campanhas prévia, foi possível realizar o cálculo dos índices
ecológicos (figura 25) a partir dos resultados de densidade e riqueza de organismos da
campanha pós atividade de corte, uma vez que foi observada a ocorrência de mais de um
táxon em cada estação de amostragem. Na campanha citada, não foi possível realizar os
cálculos dos índices de diversidade(H’) e de equitabilidade (J’) em decorrência das
limitações conceituais intrínsecas ao método, como a ocorrência de um único táxon.
32

Figura 25- Índices ecológicos calculados para cada um dos três pontos de amostragem na campanha
realizada pós atividade de corte.

Fonte:xxx

5.3.3.3 Programa de monitoramento de quelônios e cetáceos

Durante o período de monitoramento, foi feito um esforço total de 51 horas e 18


minutos de busca por cetáceos e quelônios dentro da área predefinida e foram avistados 11
grupos de cetáceos, todos da espécie Sotalia guianensis. Nenhum quelônio foi avistado
durante o período. Dentre as avistagens de cetáceos, pode-se observar que grupos de botos-
cinza foram avistados tanto antes quanto durante as atividades, dentro e fora da zona de
exclusão.

Quando observado algum cetáceo dentro da área de exclusão (raio de 500 m) a


operação foi imediatamente interrompida. As atividades foram retomadas assim que o
indivíduo ou o grupo se afastasse deste raio. Um mapa com as avistagens pode ser
visualizado na Figura 26.
33

Figura 26- Mapa de registro das avistagens de Sotalia guianensis antes e durante as atividades de
remoção de alto fundo rochoso

Fonte: xxxxxx

A área interior da Baía de Sepetiba, onde está localizada a área de monitoramento já é


conhecida por ter uma baixa concentração de botos-cinza e além disso, os grupos que
frequentam essa área são geralmente pequenos (Flach et al., 2008)30, assim como foi
observado no presente estudo.

Apesar do pequeno número de observações de grupos e indivíduos de botos-cinza no


local, foi possível observar a presença de grupos de golfinhos na área monitorada ao longo
de todo o período de estudo, independentemente ou não da presença de atividade de remoção
de alto fundo, mostrando que os padrões e resultados apresentados corroboram e retratam a
regularidade do uso do habitat, distribuição e comportamento já apresentados para a espécie
na região.

6. CONCLUSÃO
34

Após a realização do teste e da análise dos dados obtidos através dos programas do
monitoramento ambiental, constatou-se pelo órgão ambiental que a atividade do corte de
rocha submersa é mais segura e que gera menos impactos ambientais ao meio ambiente,
além de comprovar o baixo e praticamente inexistentes efeitos à biota, comprovando a
classificação como baixo impacto ambiental.

Sendo assim, o órgão ambiental responsável pelo licenciamento emitiu a Autorização


Ambiental nº IN051362 em 15 de junho de 2020 no qual autorizou a remoção de do
afloramento rochoso nas proximidades das boias 05 e 06, promovendo o nivelamento do
leito marinho do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itaguaí.

Para a emissão dessa Autorização Ambiental,

XI- Os fatores que contribuíram para o sucesso da prática inovadora inscrita.

Referencias

REGADAS, I. C. M. C. (2006). Aspectos Relacionados às Lavras de Granitos


Ornamentais com Fio Diamantado no Norte do Estado do Espírito Santo,Brasil. Tese de
Mestrado. Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo. USP. 128p.

VIDAL, F.W.H; PINHEIRO, J.R; CASTRO, N.F; CARANASSIOS, A (in


memoriam).Lavra de rochas ornamentais. In: Tecnologia de Rochas Ornamentais. VIDAL,
et al. (Org.).Rio de Janeiro: CETEM/MCTI, 2012. [no prelo].

Você também pode gostar