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UNEMAT - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MATO GROSSO

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE BARRA DO BUGRES FACULDADE DE


CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS BACHARELADO EM DIREITO

LISA DE MEDEIROS MARQUES

FICHAMENTO DO LIVRO “AS MISÉRIAS DO PROCESSO PENAL” DE


FRANCESCO CARNELUTTI
e
RESUMO DO FILME “DÚVIDA”

DIREITO PROCESSUAL PENAL

GUSTAVO QUEIROZ RODRIGUES

BARRA DO BUGRES-MT
Outubro de 2021

AS MISÉRIAS DO PROCESSO PENAL – FRANCESCO CARNELUTTI

CAPÍTULO I - A TOGA

O autor inicia questionando o comportamento da corte, da justiça e de um


tribunal, tais como as vestimentas e nomes utilizados para referir-se a algum
integrante. Sobre o magistrado, ele nos traz algo interessante, que o mesmo, trata
de assuntos mais graves e mesmo o magistrado sendo composto por diversos juízes
é tratado como um só, pois todos se complementam como se fossem somente um
bem utilizado para nos trazer o que é de direito. Além disso, nos encontramos em
um paradoxo como, o juiz diz quem está certo em uma briga causada pelo Ministério
Público e pelo advogado, desse modo, é necessário uma guerra para alcançar a
paz.
Ademais, a toga leva o juiz a um isolamento prejudicial, á indiferença e
desconhecimento da realidade, talvez a desumanização.

CAPÍTULO II - O PRESO

O autor se refere ao momento em que se deparou com um encarcerado pela


primeira vez, no tribunal, chegou a conclusão que o homem mais pobre de todos é o
homem encarcerado. Tratado como um animal selvagem, dentro de uma cela, com
nenhuma dignidade. Mas o encarcerado não é o mesmo que o delinquente, tratam-
se de pessoas diferentes.
Além disso, ele destrincha aquela questão de bem e mal, compaixão e
desprezo, o que existe dentro de cada um de nós. Não somos melhores e nem
piores, somos todos um poucos parecidos, o que nos diferencia, talvez seja a
intensidade de nossos sentimentos somado de medo e coragem. Como o autor nos
revela, o que nos torna homens de novo, são as algemas da justiça.

CAPÍTULO III - O ADVOGADO

O autor profere sobre a vida de um preso, como uma vida miserável e tratada
perante todos, com insignificância, o que leva o sujeito a desejar somente uma
coisa, amizade e interação. Coisa que no direito, seria o contato com o advogado,
uma esmola.
O relacionamento do preso com o advogado é algo único, especial para o
preso que tem alguém ao seu lado, defendendo-o até o último degrau. E para o
advogado, que presta essa ajuda em benefício de ambos.
Mas a vida é assim, as intrigas e desentendimentos surgem das inimizades,
enquanto das amizades, surge a paz.

CAPÍTULO IV - O JUIZ E AS PARTES

O juiz tem o cargo mais importante, valorizado e supremo. E as partes,


também tem um valor inestimável, trata-se do ser e não ser. Mas se o juiz é e está
no tribunal, mesmo que seja o julgador, ele é sim uma parte. Desse modo, sendo o
juiz uma parte, ele não poderia ser melhor ou ser um julgador. Ademais, alguém que
está na posição de julgar um erro, deve ser perfeito e nunca ter cometido um erro.
Se não for assim, esse meio não seria diferente de autoritarismo.

CAPÍTULO V - DA PARCIALIDADE DO DEFENSOR

O homem para ser um juiz, não deveria ser avaliado apenas pelos
conhecimentos técnicos de direito, deve-se avaliar algo muito além, algo que seria
impossível de um homem alcançar, são expectativas, um patamar alto demais que
um julgador tem para que um homem assuma essa competência.
Além disso, o juiz julga e diz quem tem a razão, o que nos leva a um
paradoxo, pois a acusação desenvolve suas razões para o motivo de sua denúncia,
enquanto a defesa, apresenta as razões de sua absolvição, se em ambos os lados
tem razões ecada um tem uma verdade, como poderia outro homem definir quem
tem a razão?
O defensor e o acusador são partes importantes que expõem suas razões
com base em um raciocínio, de forma que o juiz tenha cada vez mais clareza para
tomar uma decisão.

CAPÍTULO VI - DAS PROVAS

No processo penal, antes do julgamento, nos deparamos com uma trajetória


do sujeito que em meio a sua história, ocorre um deslize. No tribunal todo esse
trajeto é estudado para que se tenha a compreensão de todas as perspectivas do
fato que resultarão em uma decisão. As provas apresentadas são resquícios do
passado, utilizadas para contar essa história. Cada delito desencadeia uma série de
investigações, pesquisar, coleta de provas e testemunhos.

CAPÍTULO VII - O JUIZ E O ACUSADO

O juiz também tem um papel importante em construir a história do que


aconteceu de fato, pois é apresentada duas histórias, duas perspectivas diferentes,
na qual o juiz deve analisar com muita atenção. Por exemplo, em um caso de
homicídio o juiz não deve julgar apenas pelo homicídio, mas entender as intenções e
motivações que levaram o acusado ao resultado. É preciso estabelecer uma justiça,
pesar na balança todos os elementos. Além disso, é avaliada a conduta do réu,
como os antecedentes, sua vida é posta em prova. Dessa forma, para o juízo final,
deve ser conhecido além do fato, o homem que é acusado.

CAPÍTULO VIII - O PASSADO E O FUTURO NO PROCESSO PENAL

Tendo em vista que o crime é a desordem instaurada, o processo está para


ordem, disciplina e paz. O remédio para o passado, o delito do sujeito, é o futuro.
Um momento em que o réu possa cumprir sua pena e, ser reinserido na sociedade,
com uma nova perspectiva de vida, um novo ser.
O autor traz uma crítica importante sobre o poder que o juiz tem de aplicar a
pena de sofrimento, encarcerando um homem por causa de suas ações em
sociedade, e isso poderia ser eficaz, talvez, se o sistema não fosse falho em
esclarecer através de métodos de prevenções, quais são os comportamentos
aceitos para poder conviver em sociedade.
O autor afirma que o direito é excelente em punir, porém se afasta da
responsabilidade de prevenir que as condutas ocorram, dessa forma, entende-se
que o direito é fraco e necessita de um longo desenvolvimento para se tornar eficaz.

CAPÍTULO IX - A SENTENÇA PENAL

O juiz determina se o sujeito é culpado ou inocente, se o fato aconteceu ou


não, se a conduta é lícita ou não, mas e se nada disso for suficiente? Na dúvida o
absolve. E assim é o processo da sentença. O debate entre a acusação e a defesa
gira em torno de esclarecer se o réu é um criminoso. Além disso, o processo precisa
ter fim, desse modo, as partes argumentam, o juiz analisa, profere uma decisão, as
partes podem recorrer e ao final é preciso que o juiz dê sua sentença para que o
processo possa transitar em julgado e ser arquivado.

CAPÍTULO X - DA EXECUÇÃO DA SENTENÇA

O sujeito pode ser absolvido, o processo ser transitado em julgado e


futuramente surgir novas provas que possam mudar todo o rumo daquele processo,
descobrindo que o sujeito era culpado. Isso nos traz a oportunidade de revisão e
reabertura do processo. Mas ao ser condenado, o processo não finaliza, ele apenas
é transferido para penitenciária e assim começa também a execução de pena.
A pena é feita não somente para que o culpado seja perdoado e pague pelo
que fez, mas é um método de prevenção, através do medo e coerção. Apesar disso,
a pena não consegue curar o preso, mas a falta de amor que leva o homem ao
delito. Depois da condenação o preso é apenas um homem faminto por amor e
redenção.

CAPÍTULO XI - DA LIBERTAÇÃO

Para o condenado, o processo só acaba quando ele está em liberdade.


Enquanto para aqueles que foram condenados a prisão perpétua, jamais poderão
ser libertos nem de corpo ou alma, pois se encontram sem amor, negligenciados e
pobres.
O processo finaliza com a liberdade, mas a pena de fato, não. Ainda há a
necessidade de se adaptar ao novo mundo, aprender a conviver em sociedade e ser
aceito pelas pessoas. Pois perante todos, há o peso de ser um ex-detento, nunca
será visto como um homem comum, mas como um preso que cometeu um crime. O
passado sempre irá condenar o homem que busca uma vida normal em sociedade.

CAPÍTULO XII - ALÉM DO DIREITO

No mundo, as coisas acontecem assim: a sociedade busca viver em paz e


civilizadamente, mas os que perturbam essa paz, são isolados e tratados como
animais que não podem conviver com os civis. E para que isso possa ser feito, essa
distinção ocorre em juízo, todo o ordenamento jurídico se move em volta disso. O
autor relata que a compaixão e o perdão é o melhor caminho para a paz, não se
trata de segregar e excluir, mas de olhar para o outro como olha para si, de enxergar
humanidade em todos a nossa volta.
CONCLUSÃO

O livro é profundamente poético e nos traz diversas reflexões sobre o


processo penal e o sistema judiciário que nos disciplina. Através dessa leitura, pude
compreender algumas coisas que eu não via, como as percepções de uma
sociedade sobre um indivíduo que comete um delito, as falhas do sistema
penitenciário e judiciário, o como poderíamos evoluir com pequenas mudanças, se o
objetivo do direito se desviasse um pouco, talvez, tudo poderia ser mais evoluído.

RESUMO DO FILME “DÚVIDA”

O filme gira em torno da escola católica St.Nicholas que nos traz a história do
primeiro garoto negro a ser aceito para estudar na respeitosa escola, ocorre na
década de 60, período no qual o preconceito racial e a homofobia era um assunto
muito desprezado e negligenciado. A diretora Aloysius Beauvier, uma irmã
extremamente convicta com sua fé e conservadora com os princípios e regras do
catolicismo, após fortes indícios de um ato de pedofilia na escola, acusa o padre
progressista de ter abusado sexualmente de um aluno da escola, o aluno negro. A
acusação surge da denúncia da irmã james sobre o garoto ter bebido vinho com o
padre, em um momento que ficaram a sós. O filme se desenrola em torno dessa
acusação, de um lado, o padre traz suas razões para provar sua inocência, por outro
a irmã apresenta a odo momento, argumentos, não muito sólidos para provar a
culpa do padre. Ao final, não temos certeza de nada.
O que podemos constatar no filme, que através dos longos diálogos entre o
suspeito do suposto crime e a acusação, é que fica a nosso critério decidir quem é o
culpado, em meio a tantas “verdades” expostas. Por um lado, temos um padre que
nega a todo momento ter cometido o crime e após tantas acusações, olhares e
julgamentos, o mesmo decide sair da escola, em busca de paz. Por outro lado, a
freira busca pressionar todos que constituem a escola, tanto os alunos como as
irmãs, a diretora é rígida e coercitiva, o que nos leva a duvidar, em alguns momentos
se o fato ocorreu.
Através de uma breve análise do filme, concluo que o padre possa ter usado
seu poder hierárquico para abusar do menino, e que talvez, seus métodos de
disciplinar carinhosamente e se aproximar demasiadamente dos meninos da escola,
seja um indício de que não havia apenas uma vítima, mas que outras crianças
possam ter sofrido abuso. É possível que O padre tenha ficado com medo de sofrer
uma punição, por isso saiu da instituição. Talvez, as crianças não tiveram coragem
de se expor por medo do que poderiam sofrer e vergonha do que aconteceu.
REFERÊNCIA.

CARNELUTTI, Francesco. As misérias do Processo Penal. Tradução: Ricardo Rodrigues


Gama. 2º ed. Campinas: Russel, 2009.

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