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FICHEIR
O CRIME
ACTUALIZAÇÃO DAS
INFORMAÇÕES DO PAÍS Publicado por Greenpeace International MARÇO DE 2005

Portugal – Porta
de entrada para
madeira ilegal
“Existem várias indícios de que a
exploração ilegal de madeira
assenta em estruturas de crime
organizado... Tendo em
consideração que os compradores
Europeus possuem um profundo
conhecimento sobre a indústria, é
possível concluir que estarão
informados sobre as fontes ilegais
da madeira. É assim seguro

© GREENPEACE/BARRINGTON
assumir que os compradores
© GREENPEACE/BELTRA

permitem esta exploração ilegal


de madeira devido à forte pressão
competitiva tendo em vista
diminuir as despesas.” Crime
ambiental organizado nos
Estados-Membros da União
Europeia, 2003’ Aerial shot of the Arctic Sunrise sailing at Furo de Tajapuru.

As mais antigas florestas do mundo estão em crise. Uns gritantes 80% Europeia está actualmente a implementar medidas de combate ao
foram já destruídos ou degradados e os restantes 20% estão sob ameaça comércio de madeira ilegal, conhecidas sob a designação de Plano de
de práticas ilegais e destrutivas de exploração de madeira. Estas florestas Acção relativo à Aplicação da Legislação, à Governação e ao Comércio
são o habitat natural de dois terços das espécies terrestres conhecidas, e no Sector Florestal (FLEGT).
sustêm os modos de vida e padrões culturais de povos indígenas e outros
No âmbito deste plano, serão estabelecidas parcerias com os países
povos tradicionalmente ligados à floresta2.
produtores de madeira, sendo desenvolvido um esquema para verificar e
Algumas estimativas sugerem que o comércio de madeira ilegal garantir a legalidade dos produtos de madeira exportados para a União
representa cerca de um décimo do total do mercado da madeira, valendo Europeia. Estes acordos terão ainda como objectivo promover uma
mais de 150 mil milhões de dólares (113 milhões de euros) a cada ano3. melhor governação e a aplicação da legislação em vigor nos países
O Banco Mundial estima que as perdas para os países produtores de fornecedores. Em complemento, o Plano de Acção prevê que seja
madeira, devido à sua exploração ilegal, atingem montantes na ordem dos considerada a criação de legislação adicional de forma a proibir a
10 a 15 mil milhões de euros por ano4. Este valor é comparável com os importação ilegal de madeira para a Europa e lutar contra os crimes
10 mil milhões de euros que a CE canalizou para ajuda em 20025. A associados a este comércio7.
exploração ilegal de madeira contribui para a desflorestação e para a
Alguns países Europeus mais progressivos estão a apoiar uma rápida
perda de biodiversidade e ameaça a estabilidade internacional devido aos
implementação do FLEGT, bem como, o desenvolvimento de mais
subornos, à corrupção, ao crime organizado e ao desrespeito pelos direitos
medidas de forma a combater o comércio de madeira ilegal. Ao mesmo
humanos. Reduz os montantes disponíveis sob a forma de impostos para
tempo que o primeiro conjunto de medidas é discutido e aprovado
os países produtores, desestabiliza os mercados internacionais e prejudica
durante a cimeira de Primavera e Verão de 2005, o novo Governo
tanto os negócios legítimos como a gestão sustentável da floresta.
português deve aproveitar esta oportunidade para tomar uma posição
O principal motivo subjacente à exploração ilegal de madeira prende-se progressiva e desempenhar o seu papel na eliminação do comércio de
com a procura sentida no mercado internacional. Grandes companhias madeira ilegal, ao mesmo tempo que promove uma gestão responsável
comerciantes de madeira, atraídas pelas altas margens de lucro, da floresta em todo o mundo.
continuam a fazer o ‘branqueamento’ da madeira proveniente de
exploração ilegal e destrutiva. Fornecem madeira a países complacentes
Portugal: Uma importante porta de entrada de madeira ilegal
da Europa, América do Norte e Ásia, que fecham os olhos à sua origem.
Os agentes alfandegários e da polícia têm reduzidas possibilidades de Portugal é um país relativamente pequeno no seio da UE, com uma
intervir, uma vez que não existe uma legislação eficaz para detectar e população à volta de 10 milhões num total de 480 milhões de europeus.
perseguir o comércio ilegal de madeira6. Contudo, importa uma percentagem desproporcional de madeira. O país
é responsável por 15% das importações de madeira em toro para a UE,
Enquanto um dos principais importadores de produtos de madeira ilegal,
o terceiro maior importador a seguir à França e à Itália8.
a Europa tem a responsabilidade de enfrentar este problema e assumir
um papel de liderança no sentido de transformar o comércio internacional Em 2000 o Greenpeace e a Quercus chamaram, pela primeira vez, a
de madeira e de implementar medidas que possam sustentar uma gestão atenção em relação à importação por parte de Portugal de madeira
responsável da floresta. Em reconhecimento desta situação, a União proveniente de exploração destrutiva e ilegal. Nos cinco anos que se

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seguiram a esta campanha, pouco ou nada mudou. A maioria das inacessíveis. Assim que o stock de madeira se esgota nestas terras
importações de madeira tropical para Portugal continua a ser públicas, o espaço é ocupado por ranchos para criação de gado.
proveniente de duas das mais antigas áreas de floresta - a Bacia do
A falsificação de títulos de propriedade de terrenos é o método mais
Congo e a Floresta Amazónica - sem qualquer evidência credível de
frequentemente utilizado pelos madeireiros, rancheiros e especuladores de
que a madeira tenha sido explorada de forma legal e sustentável. Estas
terras para explorar as terras públicas. Proprietários ilegais tomam conta
duas áreas de floresta são tesouros, sustentando inúmeras espécies
de parcelas de terras públicas forjando títulos de propriedade e usando a
animais e vegetais e sendo a base de sustento para as populações locais
violência para expulsar populações informais e comunidades indígenas que
que, contudo, estão a desaparecer a ritmos sem precedentes, devido à
têm direitos legítimos sobre as terras. Devido a inúmeras queixas e à falta
exploração destrutiva e ilegal de madeira.
de um registo central no Brasil, o total da área registada numa dada
região pode ser superior à área efectiva dessa região.
A Amazónia
A ausência de controlo permite que o Pará seja o estado do Brasil com
A bacia da Amazónia cobre 5% da superfície terrestre do planeta. As a mais elevada taxa de assassínios relacionados com a posse de terra.
suas florestas representam um dos mais relevantes ecossistemas da De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), uma organização
Terra, representando 45% das florestas tropicais do mundo, católica que faz campanha pelas pessoas sem terra e pelos pobres, das
armazenando 40% do carbono disponível na vegetação terrestre e o 1237 mortes de trabalhadores rurais ocorridas no Brasil desde 1985
maior rio em extensão e volume de água do mundo. Quase metade das até 2001, 40% ocorreram no Pará.
espécies conhecidas vive na Amazónia; existem 353 espécies de
Entre os comerciantes internacionais de madeira que mais beneficiam
mamíferos, incluindo o Jaguar (Panthera spp.) e mais de 2000 espécies
com a destruição da Amazónia, e que fornecem madeira de exploração
de peixes de água doce.
destrutiva e ilegal, encontra-se a companhia com sede na Dinamarca
Só no território do Brasil a Amazónia cobre 5.2 milhões de Km29. Dalhoff, Larsen e Horneman (DLH). Alguns fornecedores da Amazónia
Sustenta 20 milhões de pessoas, incluindo 170 diferentes populações para o grupo DLH são: o Rancho da Cabocla, cujo proprietário
indígenas e muitos mais caboclos – exploradores tradicionais da (Moacir Ciesco) foi recentemente preso devido às actividades ilegais da
floresta de origem indígena e portuguesa. Providencia desde comida a sua empresa no Pará; e Milton Schnorr, multado por exploração ilegal
abrigo, a ferramentas e medicamentos. Desempenha ainda um papel de madeira em 2001, 2001 e 2004. A madeira destas duas companhias
fundamental na vida cultural e espiritual dos povos que a habitam. é habitualmente exportada para Portugal sob a marca DLH.

A Amazónia Brasileira possui uma das mais elevadas taxas de


destruição de floresta do mundo, em média cerca de 19 000 Km2 por
Em Fevereiro de 2005, uma freira de 74 anos de idade de origem Americana
ano nos últimos 10 anos. Em 2003 a desflorestação da Amazónia
e activista ambiental foi assassinada em Anapu, uma pequena cidade do
afectou 24 000 Km2 – quase um terço de Portugal transformou-se em
Pará. A sua vida foi dedicada à protecção da floresta tropical da Amazónia e
madeira e cinzas.
dos seus residentes pobres, e a sua morte foi atribuída a rancheiros,
Os maiores impactos devido à extracção de madeira foram sentidos no madeireiros e especuladores de terras contra quem ela se bateu. A irmã
Estado do Pará – a região que mais madeira produz e exporta de toda a Dorothy recebeu várias ameaças de morte desde 1999. Em 2003, graças à
área da Amazónia. O Pará representa 40% de toda a actividade de campanha social e ambiental da irmã Dorothy nesta região, 15 fornecedores
exploração de madeira da Amazónia Brasileira e grande parte da sua e companhias madeireiras foram multadas e viram o seu equipamento
produção resulta da exploração ilegal de terras públicas. Em 2001, o confiscado durante uma gigantesca operação levada a cabo pelo Governo
IBAMA (a Agência Brasileira do Ambiente) emitiu documentos que Federal. É conhecido que duas delas exportaram madeira para Portugal.
autorizavam a desflorestação de 5342 hectares, contudo, a área total
sujeita a desflorestação, segundo imagens de satélite do INPE (Instituto
Brasileiro de Pesquisas Espaciais), revelaram que 523 700 hectares
A República Democrática do Congo – o coração da Bacia
foram explorados durante esse mesmo período. Por outras palavras, em
do Congo Africana
2001, apenas 1% da área total desflorestada foi autorizada10.
A magnífica floresta tropical da África Central é a segunda maior
Em 2004, mais de 350 companhias exportaram 158,8 milhões de m3,
floresta tropical no mundo é alberga uma grande diversidade de
principalmente madeira já serrada e contraplacado, e uma pequena
espécies animais e vegetais. Milhões de exploradores da floresta,
quantidade de peças de mobiliário do Pará, com um valor aproximado
incluindo os semi-nómadas pigmeus, dependem directamente da
de 41,6 milhões de dólares (SECEX 2005). Portugal é o 5º maior
floresta para abrigo, para a medicina, para a alimentação e para sua
importador mundial de madeira do Pará.
sobrevivência cultural e espiritual.
A realidade na Amazónia Brasileira é que é mais barato para as
companhias comprar troncos de áreas desflorestados do que de áreas
© GP/BEHRING-CHISHOLM

com planos de gestão da floresta11. O mercado continua a alimentar


este perverso ciclo de destruição e no Pará, milhares de quilómetros de
© CANALONGA/GP

estradas ilegais foram abertos com o objectivo de procurar espécies de


madeira de alto valor comercial como a jatoba, ipê ou tatajuba, todas
muito comuns no mercado português. A abertura de estradas facilita o
processo de colonização e a ocupação de terras que antes eram

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Quase metade destas florestas ricas em termos biológicos, mais de 1


milhão de Km2 (aproximadamente o tamanho de França e Espanha

© GP/MIZUKOSHI

© GP/MAUTHE
juntas), está localizada na República Democrática do Congo (RDC). Mais
de um milhar de espécies de aves, 400 espécies de mamíferos, 300 répteis
e anfíbios podem ser encontrados na RDC. Três dos nossos parentes mais
próximos, o Gorila (Gorilla spp.), o Chimpanzé (Pan troglodytes) e o
Bonodo (Pan paniscus) podem ser encontrados aqui.
Nos cinco anos que se seguiram, nada sugere que tais acções tenham sido
O futuro destas diversificadas florestas tropicais e das comunidades que tomadas. A corrupção e a contínua ausência de implementação da
delas dependem está ameaçado devido ao rápido aumento das actividades legislação em países produtores com o Brasil ou a RDC, significa que a
de extracção destrutiva e ilegal de madeira. Entre as actividades ilegais madeira ilegal continua a inundar o mercado internacional. Nos países
regularmente identificadas no sector da madeira encontram-se: o suborno consumidores, tal como Portugal, os receios de prejudicar a competitividade
de autoridades públicas, a exploração de madeira para além dos limites da indústria transformadora de madeira e a preocupação com a elevação
estabelecidos na autorização, aquisição ilegal de autorizações de dos custos de produção, resultou na ausência de qualquer acção política
exploração e até exploração de madeira no seio de reservas naturais. tendo em vista acabar com o comércio ilegal de madeira. Como resultado, a
madeira ilegal continua a inundar o mercado virtualmente intocável.
A madeira desta região, incluindo espécies como a sapele, iroko e ekki,
continua a ser importada por Portugal, sem qualquer evidência credível Contudo, ao nível Europeu as coisas estão a mudar. Em 2003, a Comissão
de que foi extraída legalmente. Europeia desenvolveu o Plano de Acção FLEGT em reconhecimento da
posição que a Europa ocupa enquanto destino de madeira e produtos de
madeira de proveniência ilegal.
A indústria madeireira Portuguesa: Conversão de florestas
antigas em produtos de madeira O Plano, se implementado em pleno, pode ter um impacto muito positivo na
gestão das florestas em todo o mundo. Estabelece que o sistema seja
A combinação de laços históricos com o Brasil e outros países com uma
implementado de forma a verificar que a madeira foi explorada legalmente,
indústria bem desenvolvida, de nível mundial e com elevado grau de
depois é seguido o rasto desde a floresta até ao mercado europeu e para o
especialização, levou a que Portugal se assumisse como um líder no
estabelecimento de acordos de parceria com os países produtores, apoiar a
processamento de troncos e madeira serrada, transformando-os em
promoção de uma melhor governação e a aplicação da legislação ou, se for
inúmeros produtos, desde portas a janelas até soalhos e madeira
necessário, rever a legislação sobre florestas.Também estabelece que seja
contraplacada. A indústria de processamento está centrada na parte
explorada a possibilidade de implementação de legislação que proíba
Noroeste de Portugal, com os troncos, a madeira serrada e os contra-
expressamente a importação de madeira ilegal para a Europa e encoraja os
placados a serem enviados por navio desde a Bacia do Congo e da
Governos dos Estados-Membros a introduzir políticas que promovam a
Amazónia para os portos de Leixões e Viana do Castelo.
aquisição ambiental, usando os fundos públicos para apoiar o comércio de
Enquanto companhias noutros países começaram já a dar passos para madeira que comprovadamente tenha proveniência legal e de fontes sustentáveis.
assegurar que a madeira que adquirem provém de fontes sustentáveis e
Ainda que Portugal tenha afirmado que concorda com os objectivos
legais, Portugal continua a ficar para trás. Actualmente, o sistema de
estabelecidos no Plano FLEGT da Comissão Europeia, as acções concretas
certificação do Forest Stewardship Council (FSC) para madeira e
estão muito aquém do verificado noutros países importadores de madeira
produtos de madeira providencia um sistema reconhecido
da UE. Em Dezembro de 2004 o primeiro pacote de medidas no âmbito do
internacionalmente e credível, que assegura que a madeira é obtida de
FLEGT foi discutido pela primeira vez ao nível ministerial, durante um
florestas geridas segundo fortes critérios ambientais e sociais. O FSC
encontro do Conselho europeu da Agricultura. Sete Estados-Membros,
também exige que a madeira possua um historial desde a floresta até ao
incluindo Espanha, França, Reino Unido e Bélgica, fizeram uma declaração
mercado final, de forma a assegurar a legalidade da madeira. Serrações e
conjunta enfatizando a importância das medidas indicadas no Plano de
transformadores de madeira de todo o mundo estão a participar neste
Acção FLEGT de forma a combater a exploração ilegal de madeira.
sistema de certificação, para que possam seguir o rasto e comercializar
Encorajaram a comissão a apresentar outras propostas legislativas tendo
madeira certificada pelo FSC.
em vista controlar as importações de madeira explorada ilegalmente.
Em Portugal nenhuma das maiores companhias está acreditada pelo Portugal absteve-se de apoiar esta declaração.
FSC12. Quando, no final de 2004, o Greenpeace e a Quercus solicitaram a
Uma declaração assinada por 200 organizações não governamentais a nível
alguns dos comerciantes de madeira o apoio para a campanha destas duas
mundial que exige uma acção mais alargada, incluindo nova legislação
organizações no sentido da legislação comunitária proibir a importação de
europeia que criminalize a importação de madeira e de produtos de madeira
madeira ilegal, dois deles, Sardinha&Leite e Sonae Indústria responderam
ilegal, foi entregue aos membros do Conselho neste encontro ministerial.
positivamente. Nenhum dos outros respondeu à mensagem enviada.13
Decisões finais sobre o primeiro pacote de medidas do FLEGT estão
actualmente em discussão no seio do Conselho da UE, sendo expectável
Novo Governo Português: Nova oportunidade para acabar que sejam tomadas decisões até Setembro de 2005. Antes do Verão, a
com o comércio ilegal de madeira Comissão irá reportar ao Conselho opções em termos de medidas
Quando a Greenpeace e a Quercus desenvolveram a campanha em 2000 legislativas adicionais de forma a proibir a importação de madeira ilegal.
para chamar a atenção para importação para Portugal de madeira Existem oportunidades concretas para que o novo Governo Português
explorada de forma destrutiva e ilegal, foi solicitado ao Governo Português possa desempenhar um papel positivo no processo do FLEGT e encorajar
que agisse de forma rápida para pôr fim a este comércio14. o comércio de madeira legal e sustentável.

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Exigências Fontes
O governo Português deve aproveitar a oportunidade para tomar WRI World Resources Institute (2000) World Resources 2000-2001: People and Ecosystems: The Fraying Web of
Life. Oxford University Press, Oxford.
iniciativas e combater o comércio de Madeira ilegal. Espera-se que
OECD Environmental Outlook. (2001)
existam novos debates ministeriais sobre o pacote FLEGT no âmbito do
Greenpeace. Partners in mahogany crime: Amazon at the mercy of gentlemens' agreements. Manaus, 2001.
Conselho, numa reunião que terá lugar em Maio deste ano. O Greenpeace
Greenpeace. State of Conflict: an investigation into the landgrabbers, loggers and lawless frontiers in Para State,
e a Quercus desafiam o Governo Português a publicamente apoiar em Amazon.Manaus, 2003.

pleno o processo FLEGT já existente a tempo da próxima reunião e, mais Secretaria de Comércio Exterior/Ministério da Industria e Comércio. Exportation data to Portugal.
http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/. Brasília, 2005.
especificamente, a:
Veríssimo, A.; Lima, E & Lentini, M. Pólos madeireiros do Estado do Pará. Imazon - Belém, 2002.

* Encorajar o desenvolvimento de nova legislação que proíba a ISA - Instituto Sócio Ambiental. Estimativas sobre População Indígena na Amazónia Brasileira.
http://www.isa.org.br/pib/portugues/quonqua/quantossao/difest.shtm#t1. Brasília, 2005.
importação para a UE de toda a madeira ou produtos das
Malhi, Y., and Grace, J. 2000. Tropical forests and atmospheric carbon dioxide. Trends in Ecology and Evolution 15,
florestas de fontes ilegais, independentemente do país de origem. 332-337.

Esta legislação deverá promover uma gestão sustentável da floresta e Biologist Alberto Val, from INPA - National Institute for the Amazon Research. In Revista Ciência Hoje. Rio de
Janeiro. April 2001.
fazer com que as companhias madeireiras sejam responsabilizadas
INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Deforestation rates in Brazilian Amazon.
pelas suas práticas no estrangeiro. http://www.obt.inpe.br/prodes/prodes_1988_2003.htm. 2003.

EU FLEGT Action Plan, COM (2003) 251 final. Communication from the Commission to the Council and the
* Promover a negociação de acordos de parceria entre a UE e todos European Parliament. Forest Law Enforcement, Governance and Trade (FLEGT). Proposal for an EU Action Plan.
Brussels, 21.5.2003.
os países produtores de madeira. Com a efectiva participação da
World Bank (2002) Revised Forest Strategy
sociedade civil (incluindo as comunidades locais e os povos indígenas)
o processo tenderá a conduzir a uma reforma política, uma melhor
1| http://europa.eu.int/comm/environment/crime/organised_environmental_crime_in_member_states.pdf
governação (transparência, controle e sanções), aplicação da Lei e uma
2| As florestas ancestrais significam aqui o remanescente das florestas mundiais formadas de forma natural e com
gestão social e ambientalmente sustentável do sector florestal. poucos efeitos das actividades humanas. O comércio ilegal de madeira inclui o abate, transporte e a compra ou
venda de madeira em violação das leis nacionais. O processo de abate pode ele próprio ser ilegal, incluindo
através do recurso a formas corruptas para obter acesso à floresta; o abate e extracção sem licença ou de uma
* Apoiar o desenvolvimento e implementação do sistema de área protegida; o abate de espécies protegidas; ou a extracção de madeira acima das quantidades permitidas. As
ilegalidades podem também ocorrer durante o transporte, incluindo o processamento e a exportação ilegal, bem
acompanhamento/licenciamento para toda a madeira e todos os como a prestação de informação fraudulenta às alfândegas e a fuga aos impostos e outras taxas. No entanto, é
importante salientar que grande parte da extracção legal de madeira é igualmente destrutiva.
produtos de madeira, de forma a garantir a legalidade dos
3| OECD (2001) OECD Environmental Outlook. p 122.
produtos de madeira. Este sistema envolverá um mecanismo de
4| World Bank (2002) Revised Forest Strategy
acompanhamento do produto desde as fontes legais até ao ponto de
5| Relatório anual de 2003 da Comissão para o Conselho e o Parlamento Europeu sobre a Política de
venda, incluindo a monitorização e verificação independentes, aplicada Desenvolvimento da CE e a implementação da Assistência Externa em 2002.
a todos os produtos de madeira e a todas as exportações dos países 6| A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Flora e Fauna Selvagem Ameaçadas de Extinção
(CITES) regula o comércio internacional num número muito reduzido de espécies de madeira. A larga maioria
parceiros. De forma a evitar o ‘branqueamento’ da madeira ilegal, das espécies de madeira exploradas e comercializadas ilegalmente não fazem parte da listagem da CITES.
deverão ser exigidos a produtos importados de países não parceiros da 7| O primeiro pacote de medidas no âmbito do FLEGT foi apresentado ao Conselho pela Comissão Europeia em
Julho de 2004.
UE, informações adicionais para a certificação da origem dos
8| Eurostat/Hardwood markets. Em 2003 Portugal importou 200400 cm3 de troncos e 101100 cm3 de madeira
produtos. serrada.

9| Os 25 países da UE somam uma área quase 4 milhões de Km2.


* Implementar em Portugal uma política governamental de
10 | Na Amazónia Brasileira o Governo autoriza a desflorestação até 20% da propriedade para desenvolvimento da
procura/aquisição ambiental para a madeira e produtos de agricultura e criação de gado.
madeira. É essencial desenvolver linhas mestras na procura de bens 11 | A gestão da floresta pode ser descrita como "as melhores práticas de obtenção de madeira ou de outros
produtos que não madeira da floresta numa área específica, considerando as suas características, condições
legais, de forma a adquirir apenas produtos de madeira certificada e sócio-culturais, ambientais e económicas locais e o conhecimento técnico-científico. A gestão pode ser diferente
entre unidades de gestão, de acordo com as taxas de colheita, solo, espécies, áreas ou espécies protegidas, etc.
promover uma gestão responsável das florestas. A despesa pública Deve ser sustentável a longo prazo.
portuguesa deverá ser utilizada como um incentivo para promover as 12 | As maiores empresas de madeira em Portugal incluem: J. Pinto Leitão, Madeicentro - Estância e Serração de
Madeiras Exóticas Lda, Indústrias Jomar S.A, Sardinha & Leite S.A, Vicaima S.A, Exoprancha Lda, Portopal
melhores práticas e o melhor sistema certificação, estandardização e SA, A. A. Rodrigues & Rodrigues Lda, VALCO – Madeiras e Derivados S.A, Castro e Filhos SA, Darol –
Madeiras e Derivados Lda, F.Costa S.A, IMPAR- Indústria de Madeiras e Parquetes SA, Sonae Industria.
rotulagem, como o Forest Stewarship Council (FSC), ou outro
13 | Companhias contactadas: Vicaima, Ovarmadeiras, Sardinha&Leite, SONAE Indústria, COSIBOIS, Timborana.
equivalente, garantindo que os produtos são provenientes de florestas
14 | Os protestos foram desenvolvidos contra a importação de madeira dos Camarões para Portugal por uma
legal e responsavelmente geridas. companhia francesa SFID, uma companhia que comprovadamente explorava madeira ilegal na floresta tropical
dos Camarões durante o ano de 2000.
O Greenpeace e a Quercus também apelam às empresas madeireiras
portuguesas que:

* Obtenham a acreditação da cadeia de custódia FSC e desenvolvam


imediatamente planos de acção de forma a remover das suas cadeias de
fornecimento madeira suspeita de ter proveniência destrutiva ou ilegal.

* Assinem declarações públicas de apoio às iniciativas legislativas em


desenvolvimento na UE para acabar com o comércio ilegal de madeira,
tal como as empresas Sardinha & Leite e Sonae Industria já fizeram.
© GP/MIZUKOSHI

© GP/NAPCHAN

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