Você está na página 1de 25

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

SUÍNOS IMUNOCASTRADOS NA SUINOCULTURA MODERNA

ALEXANDRE PEREIRA DOS SANTOS

Revisão de literatura apresentada como parte


das exigências da disciplina Seminário I do
Programa de Pós-Graduação em Ciência
Animal.

CAMPO GRANDE - MS
MAIO - 2009
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

SUÍNOS IMUNOCASTRADOS NA SUINOCULTURA MODERNA

ALEXANDRE PEREIRA DOS SANTOS


Zootecnista

Orientador: Prof. Dr. CHARLES KIEFER

Revisão de literatura apresentada como parte


das exigências da disciplina Seminário I do
Programa de Pós-Graduação em Ciência
Animal.

CAMPO GRANDE - MS
MAIO - 2009
1

1 Imunocastração na suinocultura moderna


2
3 Immunocastration in the modern swine production

5 RESUMO – O GnRH é um hormônio produzido no hipotálamo, que tem a função de

6 induzir a produção de gonadotrofinas pela hipófise anterior (LH e FSH), que por sua

7 vez agem nas gônadas, estimulando o crescimento testicular e a espermatogênese, entre

8 outras funções. Nos testículos, o LH atua na produção de hormônios esteróides, dentre

9 estes a androsterona, que não possui função anabolizante, mas resulta no aparecimento

10 do odor e sabor na carcaça em machos após a puberdade. Este odor desagradável

11 provoca a não aceitação dos consumidores pela carne de suínos machos inteiros. Deste

12 modo, buscam-se alternativas para evitar o aparecimento deste odor e sabor, das quais a

13 castração cirúrgica antes da desmama é o método mais aplicado atualmente. Porém, a

14 castração cirúrgica, por se basear na remoção dos testículos, provoca a eliminação dos

15 hormônios esteróides, impedindo o favorecimento de desempenho, além de ser um

16 procedimento invasivo, causando problemas relacionados ao bem-estar animal. Deste

17 modo, métodos alternativos são estudados visando a substituição da castração cirúrgica.

18 Neste sentido, a imunocastração se mostra como alternativa viável, pois é um

19 procedimento que não causa dor aguda aos animais, representando redução no estresse,

20 e resulta no aproveitamento das características de desempenho e deposição de carne

21 magra na carcaça de machos inteiros. Objetivou-se, portanto, discorrer sobre a

22 imunocastração em suínos machos inteiros.

23

24 Palavras-chave: desempenho, hormônios, imunocastração

25
2

1 SUMMARY – GnRH is a hormone originated in the hypothalamus, that works

2 inducing gonadotrophins production by the anterior hipophysis (LH and FSH), that act

3 in the gonads, stimulating testes growth and spermatogenesis, among other functions. In

4 the testes, LH acts in the production of steroid hormones, including androstenone,

5 which does not have anabolic function, but contributes for the arising of boar taint in

6 male swine after puberty. This unpleasant odor provokes the non-acceptance of meat

7 from boars by consumers. Thus, alternatives have been seek in order to avoid the arising

8 of this odor, of which surgical castration before weaning is the main applicable method

9 presently. However, as surgical castration is based on the removal of the testes, it

10 provokes the elimination of steroid hormones, impedes favored performance, despite

11 being a invasive procedure, causing problems related to animal welfare. Alternative

12 methods have been studied in order to substitute surgical castration. Immunocastration

13 has been seen as a feasible alternative in this matter, because it is not a pain-related

14 procedure to the animals, representing reduction in stress, and leads to the use of

15 performance characteristics and carcass lean meat deposition of boars. Therefore, the

16 objective of this work was to discuss about the immunocastration in boars.

17

18 Keywords: hormones, immunocastration, performance

19

20

21

22

23

24
3

1 1 INTRODUÇÃO

3 Na produção atual de suínos, grande parte dos animais destinados ao abate são

4 machos castrados. A castração cirúrgica (gonadectomia) de suínos machos jovens é um

5 procedimento comum dentro da produção de suínos no mundo todo. Estima-se que

6 cerca de 100 milhões de leitões sejam castrados anualmente, considerando apenas países

7 da União Européia (Thun et al., 2006).

8 Sabe-se, porém, que suínos machos castrados apresentam eficiência de

9 conversão alimentar e retenção de nitrogênio prejudicadas, e menor relação carne

10 magra:gordura, o que torna a criação significativamente mais cara em comparação a

11 machos inteiros. Outro fator levado em consideração, principalmente por países da

12 União Européia, baseia-se no fato de que os leitões são castrados cirurgicamente

13 durante os primeiros dias ou semanas de vida sem anestesia ou analgesia pós-operatória

14 (Prunier et al., 2006). Por ser um fator estressante aos animais, causando dor e

15 ferimentos que podem levar á deficiências crônicas no desempenho dos animais, tornou-

16 se um procedimento questionável, e até mesmo em processo de banimento em alguns

17 países. A Noruega, por exemplo, pretende banir completamente a castração cirúrgica até

18 o final de 2009 (Bonneau & Enright, 1995; Zeng et al., 2002; Bauer et al., 2008).

19 Apesar de estes fatores possuírem importância significativa para o progressivo

20 abandono da castração cirúrgica na produção suinícola, problemas relacionados com o

21 “odor na carcaça” (boar taint) ainda a tornam o procedimento mais prático na

22 eliminação deste fator. O odor está relacionado com a maturidade sexual e produção de

23 hormônios dos machos suínos, tornando a carne de animais não castrados imprópria

24 para o consumo (Babol et al., 1998).


4

1 Torna-se claro que alternativas para a castração de suínos devem ser

2 encontradas, de modo que tenham aplicação prática, sejam viáveis economicamente,

3 não causem impactos negativos ao desempenho produtivo dos animais e que atendam

4 aos requisitos impostos pelos consumidores e aos princípios de bem-estar animal.

5 Portanto, a seguinte revisão tem por objetivo discorrer sobre a imunocastração,

6 que vem sendo utilizada como alternativa em substituição à castração cirúrgica,

7 demonstrando os aspectos práticos que têm justificado sua utilização.

9 2 REVISÃO DE LITERATURA

10

11 2.1 ASPECTOS FISIOLÓGICOS E HORMONAIS QUE ANTECEDEM A

12 MATURIDADE SEXUAL

13

14 O entendimento sobre os aspectos fisiológicos que desencadeiam a maturidade

15 sexual de suínos machos é de extrema importância, pois estes têm ligação direta com o

16 chamado “odor na carcaça” que ocorre em machos suínos que atingiram a maturidade

17 sexual e afeta de modo significativo a qualidade da carne suína.

18 A diferenciação sexual do macho ocorre durante o crescimento fetal. Na

19 organogênese testicular, as células germinativas são atraídas e encapsuladas pelas

20 células somáticas, inicialmente em arranjos como cordões seminíferos, delimitados por

21 tecido conjuntivo. Os cordões de células formam os túbulos seminíferos em conexão

22 com os túbulos mesonéfricos. As células somáticas dentro dos túbulos seminíferos se

23 diferenciam, formando as células de Sertoli. Entre os túbulos seminíferos, as células

24 mesenquimais se diferenciam em intersticiais (células de Leydig). A partir deste ponto,


5

1 os testículos passam a produzir hormônios que induzem o desenvolvimento fenotípico

2 masculino normal (Hafez & Hafez, 2004).

3 A cadeia de eventos que desencadeia a puberdade começa após cinco meses de

4 idade, sendo que estes animais alcançam a maturidade sexual por volta dos 10 meses,

5 com aumento na secreção de gonadotrofinas, que resulta na eliminação do controle

6 inibidor do sistema nervoso central quando o desenvolvimento corpóreo atinge

7 progressivamente um nível compatível com a reprodução (Hafez & Hafez, 2004).

8 A partir do início da puberdade, ocorre um aumento da produção de hormônios

9 que definem as características reprodutivas secundárias, sendo o principal responsável o

10 hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH).

11 O GnRH é um decapeptídeo produzido no hipotálamo. Este fornece uma ligação

12 humoral entre os sistemas endócrino e nervoso, que age na hipófise anterior, induzindo

13 a secreção de hormônios gonadotróficos (hormônio luteinizante – LH e hormônio

14 folículo-estimulante - FSH). Estas duas gonadotrofinas agem nas gônadas estimulando o

15 crescimento testicular, a espermatogênese e a esteroidogênese. O LH e FSH

16 demonstram ter influência em diversos aspectos da espermatogênese, sendo que o FSH

17 apóia diversas fases críticas da maturação dos espermatócitos, por meio da estimulação

18 das células de Sertoli; enquanto o LH estimula o crescimento testicular e a secreção de

19 testosterona e outros hormônios esteróides nas células de Leydig. A testosterona por sua

20 vez, bem como estes outros esteróides testiculares, são subseqüentemente liberados na

21 circulação e transportados a vários tecidos, servindo a diversas funções, incluindo

22 feedback de regulação da secreção de GnRH, LH e FSH, e desenvolvimento das

23 características sexuais masculinas, causando elevação dos níveis de esteróides


6

1 testiculares. (Metz et al., 2002; Hafez & Hafez, 2004; Jaros et al., 2005; Einarsson,

2 2006).

4 2.2 ODOR NA CARCAÇA E SEUS PRINCIPAIS CONTRIBUINTES

6 O odor na carcaça é um problema que envolve características de qualidade do

7 alimento de modo significativo, e ocorre quando carne ou produtos derivados de carne

8 suína de machos considerados “inteiros” (machos não castrados antes de atingirem a

9 maturidade sexual) são cozidos, liberando odores desagradáveis (off-flavor),

10 provocando a não aceitação dos consumidores, que demandam produtos livres deste

11 odor. Este odor ocorre pelo acúmulo ou associação dos seguintes compostos: a

12 androsterona (5α-androsterona) e o escatol (3-metil-indol) (Bonneau & Enright, 1995;

13 Jaros et al., 2005; Einarsson, 2006; Zamaratskaia, 2008 b).

14

15 2.2.1 ANDROSTERONA

16

17 A androsterona, assim como a testosterona, é um hormônio esteróide produzido

18 pelas células de Leydig nos testículos. O efeito fisiológico da androsterona porém não é

19 androgênico, agindo apenas como feromônio, estimulando funções reprodutivas na

20 fêmea suína (Andressen, 2006; Clarke et al., 2008). Parte da androsterona é secretada na

21 saliva, servindo como feromônio, enquanto outra parte é depositada no tecido adiposo

22 (Jaros et al., 2005; Lundström & Zamaratskaia, 2006). Sabe-se pouco sobre a

23 degradação deste composto, que ocorre principalmente no fígado, mas em princípio, a

24 deposição excessiva de androsterona no tecido adiposo ocorre tanto por uma


7

1 desproporcional taxa de produção de androsterona nos testículos, um metabolismo

2 deficiente da androsterona ou ambos os fatores (Doran et al., 2004). Esse acúmulo de

3 androsterona é parcialmente responsável pelo odor na carcaça (Adams, 2005), e é

4 facilmente associável ao odor da urina (Metz et al., 2002; Claus et al., 2007).

6 2.2.2 ESCATOL

8 O escatol por sua vez possui um odor associado ao odor das fezes e, ao contrário

9 da androsterona, não é inteiramente específico de animais machos, mas produzido pelas

10 bactérias no intestino grosso dos suínos (mais especificamente no cólon), a partir da

11 degradação do triptofano. Tanto o triptofano da dieta quanto dos resíduos celulares da

12 degradação da mucosa intestinal podem ser metabolizados a escatol, sendo esta

13 produção dependente em grande parte da micro-flora intestinal e da disponibilidade de

14 substrato, que podem ser alteradas pela alimentação. Em alguns machos inteiros, uma

15 proporção do escatol passa pelo fígado sem ser metabolizado e se acumula no tecido

16 adiposo. Este acúmulo causa o odor fecal facilmente perceptível quando a carne é

17 aquecida, visto que a maioria das pessoas é capaz de detectar o odor do escatol na carne

18 suína (Jaros et al., 2005; Andressen, 2006; Lundström & Zamaratskaia, 2006;

19 Zamaratskaia, 2008 a).

20 A correlação entre os níveis de escatol e os níveis de androsterona no tecido

21 adiposo de machos inteiros pode ser explicada pela inibição do catabolismo do escatol

22 provocado pelos andrógenos. Resultados de Doran et al. (2004) sugerem que

23 concentrações excessivas de androsterona impedem a expressão do citocromo hepático


8

1 CYP2E1, responsável pelo metabolismo do escatol no fígado, provocando a redução na

2 degradação deste composto, e consequentemente, o acúmulo no tecido adiposo.

4 2.3 ALTERNATIVAS PARA EVITAR O ODOR NA CARCAÇA

6 2.3.1 CRIAÇÃO DE MACHOS INTEIROS

8 A criação de machos inteiros poderia ser uma alternativa prática e bastante

9 viável na criação de suínos, por possuírem melhor eficiência alimentar, reduzindo

10 significativamente a quantidade de poluentes biológicos excretados, além de menor

11 deposição de gordura corporal em relação a machos castrados (Bonneau & Enright,

12 1995; Lundström & Zamaratskaia, 2006). Esta alternativa, porém, possui sérias

13 implicações no manejo e nas questões relacionadas à qualidade da carne destes animais.

14 Machos inteiros apresentam comportamento agressivo e atividade sexual,

15 resultando em danos nas carcaças que aumentam progressivamente à medida que o

16 suíno atinge os estágios mais avançados da puberdade (Thun et al., 2006), além do

17 problema apresentado anteriormente relacionado ao odor na carcaça.

18 Como este odor está intimamente relacionado com a produção de androsterona a

19 partir da puberdade, tendo relação da mesma forma com o aumento e desenvolvimento

20 dos testículos, a busca por alternativas que controlem a produção de androsterona (e

21 consequentemente de escatol) é imprescindível para a aceitação da carne suína pelos

22 consumidores.

23

24 2.3.2 MÉTODOS ALTERNATIVOS


9

1 Existem alternativas que podem ser utilizadas visando eliminar o aparecimento

2 deste odor na carcaça de suínos machos inteiros. Procedimentos tradicionais de manejo

3 utilizados rotineiramente envolvem o abate antes do desencadeamento da puberdade,

4 adotada em alguns países como Austrália e Nova Zelândia, e muito mais

5 frequentemente, a castração cirúrgica antes da desmama (Dunshea et al., 2005; Clarke et

6 al., 2008).

7 O abate de animais antes da puberdade gera implicações econômicas para os

8 criadores de suínos, pois ocorre desta forma a redução na idade de abate, com

9 consequente redução nas taxas de crescimento e conversão alimentar, reduzindo a

10 relação custo-eficiência do procedimento. Outros métodos de castração como o

11 Burdizzo e o anel de borracha não têm aplicação pratica na castração de suínos devido

12 ao posicionamento dos testículos destes animais, que não são tão externos quanto os

13 testículos de bovinos e ovinos, por exemplo (Taylor & Weary, 2000), como pode ser

14 visto na Figura 1.

15

16

17 Figura 1. Aplicação da técnica de Burdizzo em bovinos e anatomia comparada da região


18 testicular de bovinos e suínos. (Adaptado de www.omafra.gov.on.ca e
19 www.thepigsite.com)
10

1 2.3.3 CASTRAÇÃO CIRÚRGICA

3 O método da castração cirúrgica, atualmente mais praticado na produção

4 suinícola, é um procedimento com ação direta nos testículos, assim impedindo a

5 produção de espermatozóides, e a de androsterona e testosterona, eliminando a

6 possibilidade da ocorrência de odor na carcaça, provocando a redução no

7 comportamento sexual e agressividade, facilitando o manejo destes animais (Bonneau &

8 Enright, 1995; Thun et al., 2006).

9 Prunier et al. (2006) descreveram o procedimento da castração cirúrgica em

10 leitões, que é feito rapidamente, podendo levar até menos de 30 segundos, incluindo o

11 tempo de captura dos animais. Este procedimento envolve o corte ou rompimento dos

12 tecidos, mas existem variações nos métodos utilizados. A localização das incisões

13 durante a castração cirúrgica é apresentada na Figura 2.

14
11

1 Figura 2. Anatomia do trato genital de leitões e localização das incisões durante a


2 castração cirúrgica (*locais de corte e /ou rompimento). Adaptado de Prunier
3 et al. (2006).
4

5 Os leitões são imobilizados durante a castração para minimizar os movimentos

6 do animal. Estes podem ser contidos das seguintes maneiras: entre as pernas do

7 manuseador, de cabeça para baixo ou imobilizados em um “receptáculo em v” ou

8 dispositivo comercial. O escroto é então incisado com um bisturi afiado. Alguns

9 produtores fazem duas incisões, de cada lado do escroto, enquanto outros fazem uma

10 única incisão. A(s) incisão(ões) no escroto tem aproximadamente 2 cm de comprimento,

11 dependendo do tamanho do testículo. É realizada uma separação adicional dos tecidos

12 para liberar cada testículo do tecido que o envolve, especialmente o gubernáculo.

13 Recomenda-se fazer incisão(ões) o mais baixo possível no escroto para facilitar a

14 drenagem de fluidos provenientes das feridas, reduzindo o risco de infecções. Os

15 testículos são extraídos e removidos tanto por corte quanto puxando o cordão

16 espermático, de forma que este rompa. O corte é feito com um bisturi seguido de

17 raspagem do cordão para remoção dos testículos com o mínimo de hemorragia. Um

18 anti-séptico é aplicado no local da ferida (Prunier et al., 2006)

19 A partir do que foi explanado acima, não é de se surpreender que durante os

20 últimos anos, organizações de defesa do bem-estar animal vêm acusando a castração

21 rotineira sem anestesia como sendo um procedimento cruel e doloroso para o animal

22 (Jaros et al., 2005). Taylor & Weary (2000), identificaram por meio da vocalização

23 quais aspectos da castração são mais dolorosos em leitões, e encontraram diferença

24 significativa indicando que o ato de puxar os testículos e raspar o cordão espermático

25 provocam mais dor nestes animais do que a incisão escrotal. A aplicação de anestesia

26 local ou geral certamente poderia reduzir a dor aguda durante a castração, mas não é
12

1 suficiente para eliminar o estresse e desconforto devido ao manejo antes da castração e

2 prevenir a dor pós-castração (Thun et al., 2006).

3 Considerando as dificuldades práticas em reduzir a dor associada com a

4 castração cirúrgica, uma solução mais promissora pode estar na busca por alternativas

5 não cirúrgicas. Neste contexto, a imunocastração como alternativa à castração cirúrgica

6 deve ser considerada.

8 2.4 IMUNOCASTRAÇÃO

10 Sabe-se que a função testicular regular depende da secreção hipotalâmica de

11 GnRH, que por sua vez estimula o LH a agir nos testículos e iniciar a produção de

12 esteróides testiculares. O princípio da imunocastração baseia-se na aplicação de vacinas

13 contendo uma forma modificada de GnRH conjugada à uma proteína, que induz a

14 formação de anticorpos direcionados contra o GnRH (Zamaratskaia et al, 2008 a). A

15 utilização do próprio sistema imune do suíno para suprimir o GnRH interrompe o eixo

16 hipotalâmico-hipofisário-gonadal, pelo estabelecimento de uma barreira imunológica

17 que interrompe a passagem de GnRH do local de liberação no hipotálamo ao local de

18 ação, na glândula pituitária. A supressão do GnRH o impede de estimular a secreção de

19 LH e FSH pela glândula pituitária, consequentemente, reduzindo o desenvolvimento dos

20 testículos e a síntese de hormônios esteróides (Oonk et al., 1998; Adams, 2005; Thun et

21 al., 2006; Claus et al., 2007; Bauer et al., 2008; Pauly et al., 2009), incluindo a

22 androsterona (Zamaratskaia, 2008 a), principal hormônio responsável pelo odor na

23 carcaça.

24
13

1 2.4.1 FATORES NECESSÁRIOS PARA UMA EFICIENTE IMUNIZAÇÃO

3 Desde a década de 80, pesquisas buscando protocolos eficientes na castração

4 imunológica vem sendo desenvolvidas. Bonneau et al. (1994) e Bonneau & Enright

5 (1995) já trabalhavam com tentativas de imunocastração, que esbarravam em algumas

6 barreiras que tornavam os protocolos não viáveis do ponto de vista prático.

7 Um dos problemas encontrados estava relacionado com o adjuvante utilizado

8 (adjuvante de Freund - FCA), que não tinha aceitação para uso em uma vacina

9 comercial, devido ao custo muito elevado e dificuldades extremas com repetidas

10 administrações. A utilização de uma proteína carreadora junto com adjuvantes se fazia

11 necessária, pois o GnRH por contra própria possui tamanho muito pequeno para ser

12 imunogênico. A idéia de executar a segunda imunização com um adjuvante aquoso já

13 era visada, buscando prevenir a formação de lesões na pele na área da injeção, visíveis

14 no momento do abate. Outro fator que dificultava a praticidade da vacina era a

15 quantidade de injeções necessárias para se ter o efeito esperado. Buscava-se uma vacina

16 que fosse além de econômica, altamente imunogênica, de forma a induzir título

17 suficiente de anticorpos anti-GnRH com a necessidade de apenas algumas injeções.

18 Protocolos já haviam sido testados na época visando a redução da quantidade de

19 aplicações para duas, o que tornaria o procedimento economicamente viável. Além

20 destes fatores, a imunocastração só se tornaria economicamente viável se a maior parte

21 das vantagens do crescimento corporal dos machos inteiros se mantivesse em machos

22 imunologicamente castrados. Para este propósito, um intervalo de tempo ótimo deveria

23 ser encontrado entre a injeção amplificadora e o abate. O desafio seria manter a

24 secreção testicular de esteróides anabólicos em um alto nível pelo máximo tempo


14

1 possível, e ainda considerar tempo suficiente para que a imunocastração reduza a

2 concentração de androsterona e escatol acumulados no tecido adiposo a níveis

3 aceitáveis antes do abate (Bonneau et al., 1994; Bonneau & Enright, 1995; Thompson

4 Jr., 2000; Jaros et al., 2005).

6 2.4.2 SITUAÇÃO ATUAL

8 Uma vacina (Improvac®, Pfizer Ltda) foi desenvolvida buscando adequar

9 protocolos que fossem economicamente viáveis do ponto de vista prático, superando os

10 problemas que tornava a imunocastração inviável nas pesquisas iniciais (adjuvante

11 utilizado, número de aplicações, imunogenicidade). Desde então, pesquisas vêm

12 testando a eficácia da vacina na eliminação da androsterona e escatol, buscando uma

13 eficiente eliminação do odor na carcaça.

14 Considera-se como principais efeitos desta vacina a redução dos níveis de LH,

15 FSH, androsterona e testosterona, devido ao aumento na titulação de anticorpos que

16 bloquearão o GnRH após a segunda imunização (Claus et al., 2007). Efeitos

17 semelhantes foram encontrados por Bauer et al. (2008), os quais são apresentados na

18 Figura 3.
15

2 Figura 3 – Desenvolvimento de títulos de anticorpos anti-GnRH (A), LH no


3 plasma (B), testosterona no plasma (C) e androsterona no plasma
4 em animais imunizados, com a primeira imunização ocorrendo no
5 dia 0 (18 semanas de idade), enquanto a segunda imunização
6 ocorreu 28 dias após a primeira imunização (linha pontilhada).
7 Adaptado de Claus et al. (2007).
8

9 2.4.3 POSSÍVEIS VANTAGENS E DESVANTAGENS DA

10 IMUNOCASTRAÇÃO

11

12 Einarsson (2006) citou diversos pontos positivos e negativos a serem

13 considerados na implementação ou não da imunocastração nos sistemas de produção

14 atuais utilizando a vacina comercial.


16

1 As vantagens incluem: a eliminação da dor causada pela castração cirúrgica;

2 duas vacinações aplicadas com 4 a 6 semanas de intervalo, sendo a primeira às 18

3 semanas de idade e a segunda cerca de 4 semanas pré-abate, que são eficientes em

4 reduzir as concentrações de androsterona e escatol no tecido adiposo a níveis similares

5 aos observados em machos castrados cirurgicamente antes das 2 semanas de idade; o

6 sistema adjuvante aquoso da vacina causa pouca irritação no local de aplicação da

7 injeção de animais vacinados; a redução nas lesões de luta que ocorrem após transporte

8 e reagrupamento pela redução de comportamentos agressivos e sexuais e; o ganho de

9 peso diferencial de machos inteiros (Einarsson, 2006).

10 Por outro lado, as desvantagens incluem: a dificuldade de promover a segunda

11 vacinação em animais agrupados em baias, 4 a 5 semanas antes do abate; problemas

12 com auto-injeção pelos operadores, que implica no treinamento do funcionário para uso

13 deste material em específico; e o fato de alguns animais vacinados, devido a variações

14 na resposta imunológica à vacina, ainda possuírem altas concentrações de androsterona

15 no tecido adiposo (Einarsson, 2006). Deve-se considerar também a preocupação dos

16 consumidores pela com questões relacionadas a efeito residual da vacina na carne dos

17 animais imunocastrados (Prunier et al., 2006), fato levantado por Huber-Eicher &

18 Spring (2008), avaliando a aceitação da imunocastração como método de substituição

19 da castração cirúrgica por consumidores na Suíça. Descobriu-se que 60,5% das

20 mulheres e 51,2% dos homens não consumiriam carne de animais imunocastrados,

21 sendo que nesta mesma pesquisa, 51,7% das mulheres e 42,5% dos homens

22 entrevistados não são a favor da imunocastração como método alternativo.

23 Em um estudo envolvendo 200 machos inteiros que foram abatidos em duas

24 idades diferentes (23 ou 26 semanas de idade), Dunshea et al. (2001) verificaram que,
17

1 no momento da aplicação da segunda dose necessária para a imunização completa, 85%

2 dos machos tratados ou com vacina imunogênica ou com placebo apresentaram

3 testosterona sérica de > 2nM (Tabela 1). Dentro de duas semanas após a segunda

4 vacinação, apenas 6% dos animais tratados com a vacina imunogênica apresentaram

5 concentrações de testosterona acima de 2 nM. Nos machos tratados com placebo, os

6 níveis de androsterona na carcaça foram quase oito vezes maiores em comparação com

7 os machos imunocastrados, que por sua vez não apresentaram diferença significativa

8 com os machos castrados cirurgicamente. Quando os grupos de idade foram

9 comparados (antes e depois), 24% dos machos do grupo controle apresentaram

10 concentrações de androsterona na carcaça entre 0,5 e 1,0, enquanto 49% apresentaram

11 concentrações de androsterona intermediárias na carcaça maiores do que 1,0 µg/g. Em

12 contraste, apenas 3% dos machos imunocastrados apresentaram concentrações de

13 androsterona na carcaça entre 0,5 e 1,0 µg/g. O restante dos machos nos quais a vacina

14 imunogênica foi aplicada apresentou concentrações de androsterona na carcaça menor

15 do que 0,5 µg/g, bem abaixo do limite de detecção.

16 Os machos vacinados com placebo apresentaram níveis de escatol quase duas

17 vezes mais altos do que os imunocastrados, que por sua vez, não foram significativos

18 em comparação com os castrados cirurgicamente. Nos machos vacinados com a vacina

19 imunogênica, não houve ocorrência de indivíduos excedendo o nível limiar de 0,25 µg/g

20 de escatol, em ambos os grupos de idade, comparados com os animais do grupo

21 placebo. Quando os grupos de idade forma comparados, 115 machos do grupo controle

22 apresentaram escatol acima de 0,25 µg/g. Em contraste, nenhum dos machos

23 imunocastrados apresentou níveis de escatol acima de 0,25 µg/g. Todos os machos

24 castrados cirurgicamente tinham concentrações de androsterona e escatol abaixo do


18

1 limiar máximo de 0,5 e 0,25 µg/g, respectivamente. Contra estes limiares, a vacina de

2 imunocastração foi 99 e 100% efetiva em suprimir o escatol e a androsterona,

3 respectivamente.

4 Pauly et al. (2009), comparando desempenho de crescimento e características de

5 carcaça de machos castrados, imunocastrados e animais inteiros, encontraram nos

6 animais imunocastrados consumo de ração e conversão alimentar semelhantes aos

7 valores apresentados por machos inteiros, sendo estes valores menores do que os

8 encontrados nos machos castrados, indicando melhor eficiência no aproveitamento de

9 nutrientes, além de ganho de peso diário maior do que os machos castrados

10 cirurgicamente, demonstrado principalmente no período final da fase de terminação

11 (Tabela 2).

12 Animais imunocastrados também apresentaram maior teor de carne magra na

13 carcaça, menor percentagem de gordura subcutânea e menor espessura de toucinho em

14 relação aos animais castrados cirurgicamente. É possível observar ainda a eficiência de

15 supressão da produção de andrógenos por meio da redução no peso das glândulas

16 salivares e dos testículos dos animais imunocastrados, sendo este quase duas vezes

17 menor do que o peso testicular de machos inteiros.

18
19

2 Tabela 1 – Efeito do sexo, idade a vacinação e vacina de imunocastração na testosterona plasmática, peso testicular ao abate e
3 androsterona no tecido adiposo ao abate (Adaptado de Dunshea et al., 2001).
Antes (a) Depois (b)
Inteiro Imunocastrado P-value Inteiro Imunocastrado P-value
Testosterona no plasma
(nM)
Dose secundária 13,7 12,7 NS 6,61 8,27 NS
Dose secundária + 2
semanas 8,52 0,51 <0,001 7,03 0,54 <0,001
Dose secundária + 4
semanas 10,5 1,16 <0,001 8,26 0,62 <0,001
Peso testicular (g) 421,6 182,6 <0,001 509,6 254,4 <0,001
Androsterona na carcaça
(µg/g) 1,21 0,16 <0,001 1,05 0,126 <0,001
Escatol na carcaça (µg/g) 0,133 0,068 <0,001 0,095 0,056 <0,001
(a) - Suínos recebendo vacinação primária, vacinação secundária e foram abatidos às 15, 19 e 23 semanas de idade, respectivamente.
(b) - Suínos recebendo vacinação primária, vacinação secundária e foram abatidos às 18, 22 e 26 semanas de idade, respectivamente.
4

6
20

1 Tabela 2 – Desempenho de crescimento, características de carcaça e


2 peso dos órgãos de machos castrados cirurgicamente (CC)
3 machos imunocastrados (IC) e suínos machos inteiros
4 (SMI) (Adaptado de Pauly et al., 2009).
Grupo experimental
CC IC SMI
Ganho de peso diário (g/dia)
Terminação - PI 1037 d 866 e 890 de
Terminação - PF 1007 b 1136 a 1030 b

Consumo médio diário de ração (kg/dia)


Terminação - PI 2,57 a 2,10 b 2,19 b
Terminação - PF 3,09 a 3,10 a 2,62 b

Conversão alimentar (kg/kg)


Terminação - PI 2,50 2,49 2,48
Terminação - PF 3,08 a 2,74 b 2,55 b

Carne magra (%) 54,5 c 56,3 b 57,5 a


Gordura subcutânea (%) 15,3 a 13,8 b 12,8 c
Espessura de toucinho na 10º costela
(mm) 24,9 a 19,3 b 17,8 c

Peso
Testículos (g) - 299 b 584 a
Glândulas salivares (g) 40 c 46 b 68 a
a,b,c
5 Em uma linha, a média dos quadrados mínimos para os tratamentos
6 experimentais sem um sobrescrito em comum diferem (P<0,05).
d,e
7 Em uma linha, a média dos quadrados mínimos para os tratamentos
8 experimentais sem um sobrescrito em comum diferem (P<0,10).
9

10 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

11

12 A castração imunológica com anti-GnRH é um procedimento que poderá

13 substituir a castração cirúrgica de suínos machos, sendo eficaz em reduzir as

14 concentrações dos principais hormônios responsáveis pelo desencadeamento do odor na

15 carcaça, permitindo além disso, que os animais apresentem por mais tempo as
21

1 características favoráveis de desempenho ponderal e de carcaça de machos inteiros,

2 gerando impacto produtivo positivo na produção suinícola. A sua aplicação, porém,

3 deve ser estudada com cautela, de forma que possam ser analisadas questões inerentes a

4 viabilidade econômica na implantação desta técnica, o preço pago por frigoríficos pela

5 carcaça destes animais e aceitação dos consumidores por estes produtos.

7 4 REFERÊNCIAS

8 ADAMS, T.E. Using gonadotropin-releasing hormone (GnRH) and GnRH analogs to


9 modulate testis function and enhance the the productivity of domestic animals.
10 Animal Reproduction Science, v.88, 127-139, 2005.
11
12 ANDRESSEN, Ø. Boar taint related compounds: Androstenone/skatole/other
13 Substances. In: PREVENTION OF BOAR TAINT IN PIG PRODUCTION: THE 19TH
14 SYMPOSIUM OF THE NORDIC COMMITTEE FOR VETERINARY
15 SCIENTIFIC COOPERATION, 1., 2005, Gardermoen, Norway. Acta Veterinaria
16 Scandinavica, Gardermoen, Norway: v.48, 2006. p.10-13. (Resumo).
17
18 BABOL, J.; SQUIRES, E.J.; LUNDISTROM, K. Hepatic metabolism of skatole in pigs
19 by cytochrome P4502E1. Journal of Animal Science, v.76, p.822-828, 1998.
20
21 BAUER, A; LACORN, M.; DANOWSKI, K. et al. Effects of immunization against
22 GnRH on gonadotropins, the GH-IGF-I-axis and metabolic parameters in barrows.
23 Animal, v. 2, supp. 8, p. 1215-1222, 2008.
24
25 BONNEAU, M.; DUFOUR, R.; CHOUVET, C. et al. The effects of immunization on
26 against luteinizing hormone-releasing hormone on performance, sexual
27 development, and levels of boar taint-related compounds in intact male pigs.
28 Journal of Animal Science, v.72, p.14-20, 1994.
29
30 BONNEAU, M.; ENRIGHT, W.J. Immunocastration in cattle and pigs. Livestock
31 Production Science, v.42, p.193-200, 1995.
32
33 CASTRATION of calves. Ontario: Ministry of Agriculture, Food and Rural Affairs.
34 Government of Ontario, Canada, 2007. Disponível em:
35 <http://www.omafra.gov.on.ca/english/livestock/beef/facts/07-029.pdf>. Acessado
36 em: 27 mai. 2009.
37
38 CLAUS, R.; LACORN, M.; DANOWSKI, K. et al. Short-term endocrine and metabolic
39 reactions before and after second immunization against GnRH in boars. Vaccine,
40 v.25, p.4689-4696, 2007.
41
22

1 CLARKE, I.; WALKER, J.; HENNESSY, D. et al. Inherent food safety of a synthetic
2 gonadotropin-releasing factor (GnRF) vaccine for the control of boar taint in entire
3 male pigs. Journal of Applied Research in Veterinary Medicine, v.6, n.1, 2008.
4
5 DORAN, E; WHITTINGTON, F.W; WOOD, J.D, McGIVAN, J.D. Cytochrome
6 P450IIE1 (CYP2E1) is induced by skatole and this induction is blocked by
7 androstenone in isolated pig hepatocytes. Chemico-Biological Interactions, v. 140,
8 p. 81-92, 2004.
9
10 DUNSHEA, F.R.; COLANTONI, C.; HOWARD, K. et al. Vaccination of boards with a
11 GnRH vaccine (Improvac) eliminates boar taint and increases growth performance.
12 Journal of Animal Science, v.79, p.2524-2535, 2001.
13
14 DUNSHEA, F.R.; D’SOUZA, D.N.; PETHICK, D.W. et al. Effects of dietary factors
15 and other metabolic modifiers on quality and nutritional value of meat. Meat
16 Science, v.71, p.8-38, 2005.
17
18 EINARSSON, S. Vaccination against GnRH: pros and cons. In: PREVENTION OF
19 BOAR TAINT IN PIG PRODUCTION: THE 19TH SYMPOSIUM OF THE
20 NORDIC COMMITTEE FOR VETERINARY SCIENTIFIC COOPERATION, 1.,
21 2005, Gardermoen, Norway. Acta Veterinaria Scandinavica, Gardermoen, Norway:
22 v.48, 2006. p.24-26. (Resumo).
23
24 HAFEZ, E.S.E.; HAFEZ, B. Reprodução Animal. São Paulo, Brasil: Manole, 7ed,
25 2004, 513p.
26
27 HUBER-EICHER, B.; SPRING, P. Attitudes of Swiss consumers towards meat from
28 entire or immunocastrated boars: A representative survey. Research in Veterinary
29 Science, v.85, p.625–627, 2008.
30
31 JAROS, P.; BÜRGI, E.; STÄRK, K.D.C. et al. Effect of active immunization against
32 GnRH on androstenone concentration, growth performance and carcass quality in
33 intact male pigs. Livestock Production Science, v.92, p.31-38, 2005.
34
35 LUNDSTRÖM, K.; ZAMARATSKAIA, G. Moving towards taint-free pork –
36 alternatives to surgical castration. . In: PREVENTION OF BOAR TAINT IN PIG
37 PRODUCTION: THE 19TH SYMPOSIUM OF THE NORDIC COMMITTEE
38 FOR VETERINARY SCIENTIFIC COOPERATION, 1., 2005, Gardermoen,
39 Norway. Acta Veterinaria Scandinavica, Gardermoen, Norway: v.48, 2006. p.24-
40 26.
41
42 METZ, C.; HOHL, K.; WAIDELICH, S. et al. Active immunization of boars against
43 GnRH at an early age: consequences for testicular function, boar taint accumulation
44 and N-retention. Livestock Production Science, v.74, p.147-157, 2002.
45
46 OONK, H.B.; TURKSTRA, J.A.; SCHAAPER, W.M.M. et al. New GnRH-like peptide
47 construct to optimize efficient immunocastration of male pigs by
48 immunoneutralization of GnRH. Vaccine, v.16, p.1074-1082, 1998.
23

1
2 PAULY, C.; SPRING, O’DOHERTY, J.V. et al. Growth performance, carcass
3 characteristics and meat quality of group-penned surgically castrated
4 immunocastrated (Improvac®) and entire male pigs and individually penned entire
5 male pigs. Animal, p.1-10, 2009.
6
7 PRUNIER, A.; BONNEAU M.; VON BORELL E.H. et al. A review of the welfare
8 consequences of surgical castration in piglets and evaluation of non-surgical
9 methods. Animal Welfare. v. 15, p. 277-289, 2006.
10
11 REPRODUCTIVE system – The reproductive tract of the boar. ThePigSite.com, 2009.
12 Disponível em: < http://www.thepigsite.com/pighealth/article/8/reproductive-
13 system>. Acessado em: 27 mai. 2009.
14
15 TAYLOR, A.A.; WEARY, D.M. Vocal responses of piglets to castration: identifying
16 procedural sources of pain. Applied Animal Behaviour Science, v.70, p.17-26,
17 2000.
18
19 THOMPSON JR, D.L. Immunization against GnRH in males species (comparatives
20 aspects). Animal Reproduction Science, v.60-61, p.459-469, 2000.
21
22 THUN, R.; GAJEWSKI, Z.; JANETT, F. F. Castration in male pigs: techniques and
23 animal welfare issues. Journal of physiology and pharmacology. v. 57 Suppl 8, p.
24 189-194, 2006
25
26 ZAMARATSKAIA, G.; RYDHMER, L.; ANDERSSON, H.K. et al. Long –term effect
27 of vaccination against gonadotropin-releasing hormone, using ImprovacTM, on
28 hormonal profile and behaviour of male pigs. Animal Reproduction Science, v.108,
29 p.37-48, 2008a.
30
31 ZAMARATSKAIA, G.; ANDERSSON, H.K.; CHEN, G. et al. Effect of a
32 gonadotropin-releasing hormone vaccine (ImprovacTM) on steroid hormones, boar
33 taint compounds and performance in entire male pigs. Reproduction in Domestic
34 Animals, v.43, p.351-359, 2008b.
35
36 ZENG, X.Y.;TURKSTRA, J.A.; JONGBLOED, A.W. et al. Performance and hormone
37 levels of immunocastrated, surgically castrated and intact male pigs fed ad libitum
38 high- and low- energy diets. Livestock Production Science, v.77, p.1-11, 2002.
39