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ARTIGO 170 DA CONSTITUICAO FEDERAL DE 1988:

Aspectos jurídicos e econômicos

1. Introdução a Ordem Econômica:

A ordem econômica no ordenamento brasileiro é fulcro da Constituição


Federal de 1934, está por sua vez foi baseada principalmente no principio da
liberdade econômica, difundidos na Constituição Mexicana de 1917 e na
Constituição Alemã – conhecida como Constituição de Weimar - de 1919.
Hoje, a Constituição brasileira de 1988 em seu título VII – da ordem econômica
e financeira - capítulo I – dos princípios gerais da atividade econômica – define
a ordem econômica como:

“conjunto de objetivos, atividades, normas, mecanismos, controles e


princípios - legais, éticos e morais -, além das chamadas leis do
mercado, os quais, interagindo uns sobre os outros, promovem ou
limitam o crescimento da produção e a fluência da circulação,
distribuição e consumo de bens e serviços. Tal seja o grau de liberdade
que nela prevaleça, a ordem econômica operará com maior ou menor
eficiência, nos seus aspectos mais visíveis na perspectiva das pessoas,
tais como o abastecimento e os preços ao consumidor.” 1

Sendo assim, entende-se a legislação constitucional como meio de


controle da economia nacional, a fim de assegurar, conforme o art. 170 in fini e
seus incisos da CF, a todos a existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de
seus processos de elaboração e prestação;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e
administração no País.

2. Análise dos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência.

De forma prática, “tanto o princípio da livre iniciativa como da livre


concorrência, se traduzem em pautas normativas que devem orientar a
atuação dos poderes públicos de modo a estimular a concorrência, que do
ponto de vista econômico é necessária ao desenvolvimento social.” 2
JOSÉ AFONSO DA SILVA argumenta que "A livre concorrência está
configurada no art. 170, IV, como um dos princípios da ordem econômica. Ele é
uma manifestação da liberdade de iniciativa e, para garanti-la, a Constituição

1
Disponível em: http://www.politicaecidadania.com.br/site/dicionario_main.asp?
strVerbete=Ordem%20econ%F4mica,%20conceito. Acessado em: 03/11/2010.
2
Afonso de Paula Pinheiro Rocha. Implicações do princípio da livre iniciativa e da livre
concorrência sobre o perfil constitucional da propriedade intelectual.
estatui que a lei reprimirá o abuso de poder econômico que vise à dominação
dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos
lucros. Os dois dispositivos se complementam no mesmo objetivo. Visam
tutelar o sistema de mercado e, especialmente, proteger a livre concorrência
contra a tendência açambarcadora da concentração capitalista. A Constituição
reconhece a existência do poder econômico. Este não é, pois, condenado pelo
regime constitucional. Não raro esse poder econômico é exercido de maneira
antisocial. Cabe, então, ao Estado coibir este abuso." 3
Por outro lado, a liberdade de iniciativa trazida pela Constituição
prestigia o reconhecimento de um direito titularizado por todos que é o de
explorarem as atividades empresariais, decorrendo no dever, imposto à
generalidade das pessoas, de respeitarem o mesmo direito constitucional, bem
como a ilicitude dos atos que impeçam o seu pleno exercício e que se
contrapõe ao próprio estado, que somente pode ingerir-se na economia nos
limites constitucionais definidos contra os demais particulares. Repudiando-se
as formas de concorrência que desprestigiem a livre iniciativa, quais sejam: a
concorrência desleal e o abuso de poder.
Por fim, os prejuízos à Livre Concorrência ou Livre Iniciativa estão
delineados na Lei 8.884/94, em seu artigo 20, que diz:

“Constituem infração da ordem econômica, independentemente de culpa,


os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham por objeto ou
possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados:
I – limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou
a livre iniciativa;
II – dominar mercado relevante de bens ou serviços;
III - aumentar arbitrariamente os lucros;
IV – exercer de forma abusiva posição dominante.”

3. Análise do parágrafo único do artigo 170 da CF.

A Constituição Federal, em seu o art. 5º, inc. XIII, assegura liberdade de


trabalho, ofício ou profissão, desde que atendidas as qualificações profissionais
estabelecidas em lei. Sendo assim, a Constituição Federal, competente para
legislar sobre essa matéria, assegura de modo literal e expresso, a qualquer
pessoa – física ou jurídica - o exercício de qualquer atividade profissional, não
podendo o poder público arvorar-se na condição de ente responsável pela
autorização ou não de tal exercício, visto que somente por lei podem ser
estabelecidos condições e requisitos.

3
Dicionário técnico jurídico. São Paulo : Riedeel, 1998. p. 761.
Referencias:
http://www.direitopublico.com.br/pdf_14/DIALOGO-JURIDICO-14-JUNHO-AGOSTO-2002-
LUIS-ROBERTO-BARROSO.pdf

http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/afonso_de_paula_pinheiro_rocha-
2.pdf