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ERA UMA VEZ UMA ESCOLA

HOMENAGEM A PAULO FREIRE

Andréa Ramal

Era uma vez uma escola Nós sentados sempre em roda Quanto é que tu mudaste
Onde trabalhava um mestre Íamos tendo consciência Em razão e sentimento?
Que ensinava diferente De que toda a teoria, O que deste tu ao mundo
De tudo o que conheceste. De que toda a ciência. Com o teu conhecimento?

Em sua aula, não dizia: Só têm valor para o mundo Não te esqueças de uma coisa:
“Nada sabes, só eu sei”, Se ajudam a transformar. Se acaso o teu professor
Nem falava assim: “Copiem Se ajudam o homem pobre Não te vê como pessoa,
Tudo isso que expliquei”. Aos problemas superar. Não procura teu valor.

Disse que não era ele Naquela sala de aula Se contigo nada aprende,
Só quem tinha que ensinar Se formava, todo dia, Se não pode te escutar
E falou que todo mundo Em nossa humilde cabeça, E apenas nas suas provas
Tinha algo para dar. Uma linda utopia: É que podes te expressar;

“Ninguém educa ninguém”. Podemos mudar o mundo! Se não fala de justiça,


Ninguém “dá” educação: Pra isso serve aprender! Se não quer transformação,
“Os homens é que se educam, Pra construir a sociedade! Se não vê na aprendizagem
Um ao outro, em comunhão”. Nossa enxada é o saber! Um instrumento da ação,

Ensinando o alfabeto, Era assim como se dava Se ele nunca põe afeto
Não pediu, como já vi, Cada aula desse mestre. Na sua aula exemplar
Pra escrever “uva”, “vovó”, E no fim não tinha nota E é só ele quem escolhe
“Asa”, “ema” ou “siri”: Nem tinha prova, nem teste: A matéria que vai dar,

Pediu pra escrever “tijolo”, Cada um ia falando, Fala a ele desse mestre
“Enxada”, “trabalhador”. Se se sentia aprovado, Que acabei de te falar;
Ensinou a escrever “salário” Porque percebia em si Conta a ele dessa escola
“Justiça”, “direito”, “amor”. Como ele tinha mudado. Onde se pode sonhar.

Depois ele então pedia Tu também vais hoje à escola? Quem sabe ele te escute
Pra falar nossa opinião, Tu também tens o teu mestre? E juntos possam viver
Pois essas belas palavras E tu, como te avalias A fascinante aventura
Estavam nas nossas mãos. No fim de cada bimestre? Que se chama aprender.

RAMAL, Andréa. História de gente que ensina e aprende. Contos para repensar a Educação.
São Paulo: Loyola, 2003. p. 19 a 22.

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