Você está na página 1de 9

MITOLOGIA ARABE

Mas quanta Mitologia!

O povo da península arábica se desenvolveu dentro de um círculo cultural caracterizado pelo


nomadismo, o comércio e uma constante fusão entre tribos que habitavam a península. Entre
550 a 600 d. C., o templo de Meca, localizado no centro da província de Hiyaz, esteve habitado
por diversos cultos idólatras, as quais haviam se dedicado a população árabe.

Esse templo, no período pré-islamico era contornado pela muralha sagrada (Hâram) e continha
primitivamente o "bélito" (pedra sagrada, símbolo da Deusa Mãe). Á ele estava ligada à
fundação de Meca, em torno da nascente Zamzam (associada a divindade suméria Zababa),
importantíssima na região desértica que media as regiões do Sul, produtoras de incenso, e a
atual Jordânia, onde chegavam as caravanas.

Meca, nesse período estava convertida na metrópole religiosa de toda Arábia, cujas funções
eram controladas por dirigentes da cidade. Dessa maneira, essa hegemonia religiosa se
converteu em hegemonia política.

Em Meca era praticada a adoração do Deus Lunar supremo era denominado de Hubal que
tinha como consorte Deusa Sol. Dessa união, nasceram três filhas estrelas: Al-Lat, Al-Uzza e
Manat, que representam também as facetas femininas do Deus Lunar. As três Deusas
chamam-se “banat al-Lah”.

Como Deus Lunar, Hubal, teria dois aspectos: uma vivida no mundo superior, e outra, durante
a fase obscura da lua no submundo. Mas na composição de Hubal há uma outra diferenciação.
O templo de esplendor era dividido em três períodos representados pelos diferentes aspectos
de suas três filhas, que regem os segmentos do período brilhante da lua. Esse é provavelmente
o começo da divisão do mês lunar em períodos de quatro semanas, o quarto período sendo o
de escuridão.

Em torno dessas três Deusas, se generalizou um culto que se propagou por todo mundo árabe
e que era especialmente peculiar da tribo Quraych.
AS FILHAS DO DEUS LUNAR

Al-Uzza, Al-Lat e Monat (nessa seqüência na figura acima), formam a trindade de Deusas do
Deserto que representam facetas de uma mesma Deusa.

DEUSA AL-UZZA

A Deusa nabatea Al-Uzza ("A Poderosa", "A Forte"), representava a faceta da Deusa Virgem
guerreira, vinculada com a estrela da manhã (Planeta Vênus), que tinha como santuário um
bosque de acácias ao sul de Meca, onde era adorada na forma de uma pedra sagrada. Hoje a
pedra é cuidada por homens conhecidos como "Beni Shaybah" (os filhos da Velha Mulher).

Al-Uzza pode ser associada com a Deusa Isthar, Ísis e Astarte, como Deusa da Estrela
Vespertina e grandes gatos eram consagrados à ela. Foi associada também, pelos gregos à
Deusa Afrodite Urania e com Caelistis, uma Deusa da Lua.

Essa Deusa protegia ainda, os navios em suas viagens oceânicas. Embora a Arábia seja uma
terra de deserto e nômades, os Nabateas navegavam pelo oceano para negociar. Nesse
aspecto, tinha como símbolo o golfinho, cujo o hábito de nadar ao lado dos navios, os tornou
guardiões e protetores.
A Deusa Al-Uzza representa a confiança, a vigilância e a preparação. É uma feroz protetora e
uma grande aliada para enfrentar as batalhas da vida. Foi honrada em épocas antigas com
sacrifícios de seres humanos e animais.

Os símbolos da Deusa incluem a acácia, as palmeiras e a pedra encontrada no Kaaba em Meca.

Os muçulmanos conquistaram Meca no ano de 683 d.C. e se apoderaram de Kaaba, destruindo


os 360 ídolos que continha, no entanto, conservaram a citada pedra. Não deixa de ser um
enigma que o Islã, inflexível inimigo dos ídolos, respeitasse esse, símbolo de fecundidade e até
tê-lo convertido, junto com o templo, o principal templo da "Nova Fé". Tão grande era o
respeito, ou o temor que essa divindade feminina impunha, que não se atreveram a destruí-la
e reservaram um lugar de honra em sua religião, enquanto essa era essencialmente
masculina?

Al-Uzza deve ser invocada com o nome de Mari (Meri) para pedir-lhe proteção em viagens
marítimas.

É conhecidas pelos nomes: Al Uzzah, o al-Uzza, o ëUzza do Al, o Al Uzza, ëUzza, e o Uzza.
Também chamada de Propitious, e a Vênus de Meca.

Verde é sua cor sagrada. O granito e os meteoritos são também suas pedras sagradas.

AL-LAT, A DEUSA DA LUA CHEIA

Al-Lat, cujo nome significa apenas "Deusa", representava a faceta da "Deusa Mãe", ligada com
a Terra e com seus frutos, regia a fecundidade. Era adorada em At Ta'if, perto de Meca, na
forma de um grande bloco fruto de granito branco, onde mais tarde se erigiu uma mesquita .
Era a Deusa regente dos templos agora proibidos para mulheres.
Al-Lat foi igualada pelos gregos a Deusa Atena e chamada de "Mãe dos Deuses". Era uma
Deusa da Primavera, da Fertilidade, uma Mãe-Terra que traz muita prosperidade.
Representando uma Deusa da Fertilidade, ela carrega nas mãos um feixe de trigo.

MANAT OU MANAWAYAT

Manat ou Manawayat deriva da palavra árabe "maniya", que quer dizer "destruição, morte"
ou de "manato" (parte, parcela). Manat, portanto, era a faceta da Deusa que regia o destino e
a morte. Entre as três Deusas, era a mais antiga e seu santuário localizava-se na estrada entre
Meca e Medina, onde era adorada na forma de uma pedra negra bruta.

Maomé, o profeta, em sua luta para estabelecer uma religião dominada pelos homens,
perseguiu os adoradores da Deusa e destruiu seus santuários. Curiosamente, parece que
Maomé, encontrando dificuldades para vencer o culto das pedras sagradas da Deusa,
substituiu esse costume ritual por um rito da sua própria religião, tal como o fez a Igreja cristã
na Europa com os incômodos costumes pagãos antigos. Ele instituiu o culto da Pedra Sagrada
do Islã, a Kaaba, em Meca.

A Deusa Manat, era representada como uma mulher idosa com um copo na mão e os símbolos
que servem de fundo para o seu vestido, soletram seu nome em Sabaic. A lua minguante é
mostrada como símbolo de Deusa Anciã associada à morte.

LUA MASCULINA OU FEMININA?

O símbolo da Lua é tão polivalente que, de início, parece impossível demonstrar sua relação
inequívoca com o feminino, pois ele aparece tanto como feminino quanto masculino como
hermafrodita.
No nosso mito, temos Hubal, como um Deus Lunar casado com uma Deusa Sol, mas com maior
freqüência é a lua que é esposa do sol. Na fase patriarcal tardia, o sol pode ser macho e a lua
fêmea, ou a lua pode, como no nível matriarcal, ser vista como masculina; mas o
relacionamento sol-lua é sempre percebido mitologicamente como uma forma simbólica entre
sexos.

Na fase matriarcal, a ênfase recai nos fenômenos do céu à noite, isto é, essa fase representa
uma psicologia noturna e lunar. O mundo da consciência solar-diurna é menos enfatizado,
porque, psicologicamente interpretadas a humanidade nessa fase ainda vive mais no
inconsciente do que na consciência, e porque o desenvolvimento que atinge o seu zênite no
ato de despertar da inconsciência para consciência não foi ultrapassado.

Muito embora a lua masculina tenha sido associada a um estágio matriarcal antigo e uma lua
feminina, com um estágio masculino mais recente, seria demasiado simples afirmar que o
simbolismo masculino da lua seria mais tarde substituído por um simbolismo feminino. O que
ocorre, realmente, é que no caso de uma lua masculina, ela representa os componentes
arquetípicos masculinos ("animus") da vida de uma mulher no nível matriarcal. Já, quando a
lua é feminina, representará os componentes femininos ("anima") da vida de um homem no
estágio patriarcal.

O Deus Hubal, como Deus Lunar, representa a consciência masculina ("animus") de todas as
mulheres terrestres. Isso significa dizer que a mulher pertence à lua, se sente ligada à ela e
identificada com ela, em todas as experiências essenciais de sua existência, dependendo dela e
fundindo-se com ela.

O CULTO ÀS PEDRAS

A representação mais primitiva da divindade lunar e talvez a mais universal era de um cone ou
pilar de pedra. Essas pedras, algumas vezes, caídas do céu na forma de meteoritos, eram
consideradas algo muito fabuloso. A própria origem miraculosa dessas pedras aumentava o
respeito e a admiração que tinham por elas. Na maioria das vezes, a pedra não era deixada em
sua forma natural, mas sim trabalhada.

Na Melanésia, por exemplo, uma pedra em forma de lua crescente é adorada como sendo um
aspecto da lua. Em geral ela é encontrada ao lado de uma pedra circular representando a lua
cheia.

A cor das pedras também varia; algumas vezes são brancas (Al-Lat), outras vezes preta (Manat;
Pedra Negra de Meca), correspondendo aos aspectos brilhante e obscuros da divindade lunar.
Em Pafos, Chipre, Bealeth ou Astarte era representada por um cone branco ou pirâmide. Um
cone similar representava Astarte em Biblos e Ártemis em Perge, na Panfília, enquanto que
uma rocha meteórica era adorada como Cibele em Pessino, na Galácia. Cones de arenito
aparecem no santuário da Soberana-da-turqueza entre os precipícios do monte Sinai,
sugerindo que a Grande Deusa Lua era adorada nessa Montanha-da-lua, na forma de um cone,
antes que Moisés ali recebesse as tábuas da Lei.

Na Caldéia, a Grande Deusa, Magna Dea, ou a Deusa da Lua, era adorada na forma de uma
pedra negra sagrada, e se acredita ser a mesma pedra ainda venerada em Meca. Al-Uzza, a
Deusa objeto de nosso estudo, foi colocada na Caaba, em Meca, e servida pelas antigas
sacerdotisas.

Nessa pedra negra há uma marca chamada de "impressão de Afrodite". A forma grega do
nome veio a ser associada por alguma razão com essa marca, que é uma depressão oval,
significando o "yoni" ou órgãos genitais femininos. É o sinal de Ártemis, a Deusa do Amor
Sexual livre, e indica claramente que a pedra negra de Meca pertenceu originalmente à
Grande Mãe.

A pedra foi coberta por uma mortalha de material preto chamada "a camisa de Caaba" e
atualmente homens substituem as "sacerdotisas antigas". Esses homens, "Filhos da Velha
Mulher", já citados anteriormente, são descendentes lineares das velhas mulheres que
cumpriam os mesmos deveres em tempos antigos.

A pedra que representa não aparece sempre exatamente da mesma forma. Algumas vezes é
um mero montículo redondo lembrando o "omfalos", que é provavelmente a mais primitiva
representação da Mãe Terra. Outras vezes é alongada, formando um cone ou pilar, e em
muitos casos é trabalhada, esculpida.
Goblet d'Alviella em seu "Migration of Symbols", configurou essas pedras em uma série,
culminando com a estátua de Ártemis, que em sua característica atitude hierática completa a
série sem afastar-se da forma geral. Ela sugere que a forma da estátua brotou da pedra. A
pedra era a representação original da Deusa Lua que gradualmente tomou características
humanas.

O símbolo feminino freqüentemente encontrado nas pedras sagradas da Mãe Lua é um


símbolo de poder generativo da mulher sagrada, e da sua atração sexual por homens, tendo
uma conotação ligeiramente diferente da taça e do cálice, que são símbolos do útero e
representam as qualidades maternas da mulher. Entretanto, as duas idéias não estão muito
distantes e podem fundirem-se uma na outra.

A MULHER ÁRABE PAGÃ E A ATUAL

Antes do advento do Islamismo, as mulheres árabes pagãs gozavam de um "status" respeitável


dentro da sociedade. Elas possuíam o direito de empreender negócios, escolher seus maridos
e tomavam parte na maioria das atividades de guerra e paz, incluindo ainda, a adoração
pública.

No paganismos árabe, ocupavam um lugar de destaque as Deusas: Al-Uzza, Al-Lat e Manat.


Suas estátuas eram muito reverenciadas. Dessa maneira, Allah

A poesia pagã árabe estava dedicada principalmente a graça e a beleza da mulheres, assim
como à glória de seus valores tribais na paz e na guerra. Nessa sociedade, o homem ainda não
praticava a poligamia, que só foi introduzida e fomentada pelo profeta, depois da revelação do
islamismo. Foi a partir daí, que as mulheres passaram a constituir-se objetos de consumo e
produção do maior número possível de muçulmanos.

O período que se seguiu ao paganismo, ou seja, o islamismo primitivo, continuou com as


tradições pré-islâmicas, ou seja, ainda não havia a obrigatoriedade do uso de "hijabs" ou
"véus" para as mulheres.
O véu semi-transparente que cobre metade do rosto e tão conhecido por todos nós, era um
costume muito antigo que se originou nos tempos assírios, sendo considerado, a princípio, um
símbolo de "status" ou uma marca de distinção social usado pela mulher livre. A mulher árabe
pagã das cidades, estava acostumada a usar esse véu semi-transparente, porém as mulheres
tribais nunca o usavam.

Mais tarde, o Islã agregou medidas que se dizia serem "a preservação da modéstia de mulher"
como: baixar os olhos em público, ocultar seus seios e jóias e coisas similares. No entanto,
essas restrições foram muito além de suas intenções originais.

Essa situação de insegurança e exclusão da mulher se perpetuou por pelo menos 100 anos até
que durante o reinado de Abbasid Calif Harun ur Rashid, tudo ficou bem pior, pois a mulheres
passaram a ser joguetes sexuais e máquinas de reprodução. As mulheres casadas passaram a
ser servas, simplesmente apêndices sociais dos homens. E mais ainda, escravas sexuais
passaram a ser vendidas livremente em mercados abertos de todos os países islâmicos e se
podia hipotecar, rendar ou emprestá-las como presentes aos amigos. Não havia limite ao
número de escravas sexuais que um homem pudesse possuir.

Hoje a mulher muçulmana se diz mais valorizada. O Corão, livro sagrado dos muçulmanos,
contém versículos afirmando que, "aos olhos de Alá", homens e mulheres são iguais.

O problema da opressão à mulher muçulmana não é causado, portanto, pela crença islâmica
em si, ela surgiu em culturas que incorporaram tradições prejudiciais às mulheres, ou seja em
sociedades machistas.

O véu, mundialmente criticado, é um ato que está integrado à cultura e não a religião, e é por
isso que as mulheres o usam mesmo quando não há nenhuma obrigação de fazê-lo, como é o
caso das que imigram para outros países, mas não abandonam seus véus. Acredito inclusive,
que o véu dá personalidade, guia e dá um toque todo especial a essas mulheres e não será um
véu que irá calar suas vozes e alma feminina. O que as silencia é a idéia da superioridade dos
homens sobre elas. Tal estrutura mental é tão poderosa, que toda a educação dos filhos
descansa sobre essa desigualdade. E, são as próprias mães muçulmanas que transmitem essa
estrutura mental para as crianças, da mesma maneira que suas próprias mães fizeram com
elas.
Para se quebrar esse círculo vicioso, a mulher muçulmana teria que ter condições de entender
que tal estrutura mental não corresponde as necessidades de sua espécie. A resignação e a
perpetuação desta dita estrutura mental, as tornaram indiscutivelmente cúmplices
inconscientes desta estafa que recai atualmente sobre a sociedade incapaz de encontrar o seu
equilíbrio.

O islamismo, ao renegar as Deusas, mencionadas no Corão como filhas de Allah, castrou-se de


humanidade e sentimentos.

Você também pode gostar