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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Fabiana Rigamonte Alves


Pólo Aracruz

Massabni, Vânia Galindo. O construtivismo na prática de professores de


ciências: realidade ou utopia? Ciência e Cognição, vol. 10, março de 2007,
publicação on line: <http://www.cienciaecognicao.org>
Massabni é formada em Ciência Biológicas, especialista em Educação
Ambiental, mestre em Ensino de Ciências e Doutorada em Educação Escolar
(UNESP). Foi professora na escola básica e atua em Licenciatura na ESALQ-USP,
investigando a prática docente.

RESENHA: O CONSTRUTIVISMO NA PRÁTICA DE PROFESSORES DE


CIÊNCIAS: REALIDADE OU UTOPIA?

O artigo científico: O Construtivismo na prática de professores de ciências,


realidade ou utopia? Encontra-se dividido em quatro capítulos. O primeiro capítulo,
introdução encontra-se subdivido em três: o construtivo apresentado aos
professores; histórico das idéias construtivistas na educação brasileira e o
construtivismo pedagógico. O capítulo dois: metodologia não apresenta subdivisões.
Já o capítulo três: resultados e discussão têm duas subdivisões: caracterização das
atividades: há um construtivismo na prática docente? E prática construtivista versus
elementos construtivistas na prática. No capítulo quatro é apresentada a conclusão.
O artigo tem como foco principal o construtivismo na sala de aula, a autora
realiza uma pesquisa com professores de ciências (5ª a 8ª séries do Ensino
Fundamental) de quatro escolas de uma cidade do interior de São Paulo, sendo três
estaduais e uma municipal.
A autora começa seu artigo apresentando o construtivismo aos professores,
mostrando que mesmo que a palavra não apareça muito já ouviram as seguintes
afirmações: “é preciso auxiliar o aluno a construir conhecimentos”, “o professor deve
ser mediador ou facilitador da aprendizagem”, “o limite do aluno deve ser respeitado”
e tais afirmações remetem a uma orientação construtivista.
Mas é preciso que se tenha atenção, pois um construtivismo desconhecido
em sua fundamentação teórica pode gerar práticas excludentes, isto é o inverso do
que se propõe nos objetivos propostos pelo construtivismo.
O construtivismo começou a sua história no Brasil por volta de 1980 e foi
muito divulgado em livros e revistas, com a edição especial da revista Educacional e
Realidade, n. 19, de 1994 e a Nova Escola, dirigida aos professores da escola
básica. Também na década de 1990, após a promulgação da LDB em 1996, foram
apresentados os Parâmetros Curriculares nacionais, cuja palavra de ordem é
“construir conhecimentos”, mostrando assim que o construtivismo é um referencial
teórico presente e fundamental para se compreender o ensino no Brasil atualmente.
A autora no tópico 1.3 que fala sobre o construtivismo pedagógico faz uma
crítica, pois diz que seus fundamentos teóricos são diversificados e confusos, pois
partem de uma mistura de teorias: as de Piaget, Viygotsky, Wallon, Susubel,
Gardner, Glasersfeld, entre outras. Ela destaca que o aspecto positivo está na
valorização da ação do aluno como construtor de seu conhecimento e tira do
professor da posição de detentor soberano do saber.
Na metodologia a autora descreve como foi realizada sua pesquisa, os
critérios que foram usados para avaliar cada aula observada, deixou também claro o
anonimato e o conhecimento tanto dos professores quanto dos alunos da pesquisa.
No resultado e discussão, a autora descreve as aulas de quatro professores,
fazendo um comparativo com o construtivismo. Nos seus resultados ela deixa claro
que os professores fazem misturas do construtivismo com o ensino tradicional.
Deixa claro também que os professores fazem uso do construtivismo sem saber, e
que o construtivismo na prática não condiz com a prática imaginada pelo
construtivismo pedagógica.
Com a pesquisa pode-se perceber, ao acompanhar os professores que o
Construtivismo é um pressuposto teórico válido, mas não para ser colocado em
prática o tempo todo na sala de aula, eles buscam inserir o construtivismo em
atividades escolares realizadas sem grandes percalços, sem grandes inovações ou
descobertas por parte dos alunos.
Na sua conclusão a autora deixa claro que os professores tentam colocar o
construtivismo em prática, mas ainda existe uma mescla de atividade construtivista
com tradicionais, o que está longe do construtivismo pedagógico, esperado pelos
autores.
Esse artigo é muito importante para todos os professores que estão buscando
conquistar o aluno dentro da sala de aula, é com este artigo que os professores
perceberão que as aulas construtivistas estão longe das sonhadas pelos autores. É
um desafio difícil, mas importante que se busque um aluno que seja capaz de
aprender de uma maneira que faça o aluno refletir sobre o que esta sendo pensado
e não tenha que somente decorar para se tornar um cidadão consciente de suas
atitudes e responsabilidades.