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ANGELA MARIA ROSSETO SENCIO

Olhar o outro - Olhar a si mesmo, com a


fotografia

São Paulo
2012
ANGELA MARIA ROSSETO SENCIO

Olhar o outro – Olhar a si mesmo, com a


fotografia

Monografia apresentada ao Curso de Mídias na Educação,


realizado pela Universidade Federal de Pernambuco, pelo Núcleo
de Comunicação e Educação e pela Escola de Comunicação e
Arte da Universidade de São Paulo, como requisito parcial para a
obtenção do título de especialista em nível de pós-graduação em
Mídias na Educação.

Orientadora: Profª Dra. Tania Callegaro

São Paulo
2012
Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por meio de qualquer
meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.
Angela Maria Rosseto Sencio

Olhar o Outro – Olhar a si mesmo, com a fotografia

Monografia apresentada ao Curso de Formação Continuada em


Mídias na Educação, realizado pela Universidade Federal de
Pernambuco, pelo Núcleo de Comunicação e Educação e pela
Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo,
como requisito parcial para a obtenção do título de especialista
em nível de pós-graduação em Mídias na Educação.

Aprovado em:

Banca Examinadora

________________________________________
Profa. Dra. Tania Callegaro
Orientador

________________________________________
Prof. Me. Luiz Gustavo Sousa de Carvalho

________________________________________
Prof. Esp. Alexandre Araujo Bispo

São Paulo
2012
Dedicatória

À minha irmã de alma professora Henriqueta


pelo carinho, apoio, incentivo e pelas
incansáveis revisões gramaticais em meus
textos.
Agradecimentos

A equipe diretiva da EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello Diretor prof. Marcos Paulo
Oliveira Obata e o coordenador pedagógico Lucas Suzuki, a profª Gretchen Rodrigues
pelo apoio e colaboração durante a realização desta pesquisa, e aos professores e alunos
que participaram, sem os quais esta pesquisa não teria razão de existir.

À Profa. Dra. Márcia Cristina de Oliveira Mello, pelo apoio e contribuição na


organização da metodologia.

Ao prof. Ms. Luiz Gustavo Sousa de Carvalho pelas observações pertinentes e preciosas
sobre esta pesquisa.

Ao Paulo, meu esposo e a Maria Laura, minha filha pela paciência e compreensão no
decorrer de todo o curso.

À Dra. Tânia Callegaro, pela orientação precisa e presente, por mostrar que a construção
do conhecimento requer reflexões e mudanças de postura, ah... refazer, reconstruir!
RESUMO

O foco desta pesquisa é o uso da imagem fotográfica como ação educomunicativa no ensino
da Arte. Um de seus objetivos é identificar, dentro do ecossistema comunicativo que a escola
e todos seus integrantes estão inseridos, os processos referentes ao envolvimento de alunos e
professores com o universo imagético, o qual permeia a sociedade globalizada. Investiga-se
os tipos de imagens que os alunos e os professores consomem, como se apropriam das
mesmas, quais suas fontes de busca e como produzem imagens fotográficas em seu cotidiano,
e em processos mediados pela autora da pesquisa, considerando os aspectos sensível, estético,
comunicativo e criativo. Para obter essas informações optou-se pela pesquisa ação, pelo uso
de técnicas de investigação como entrevistas, trocas de experiências - utilizando imagens
fotográficas trazidas pelos participantes - questionários, análises de imagens fotográficas e
produção imagética. Após identificar os resultados obtidos através destas indagações, os
resultados são comparados e expostos para toda comunidade escolar, gerando novos quadros
que permitem a construção de uma ação educomunicativa em Arte.
Esta experiência permitiu conhecer como os alunos e professores consomem, apreciam,
produzem e interpretam imagens fotográficas e, principalmente, como a fotografia permite
olhar a si mesmo e olhar outro, construindo assim novos olhares.

Palavras-chave: fotografia; ensino da arte; educomunicação.


ABSTRACT

The focus of this study is the use of the photographic image as an educommunication action
in the teaching of the Art. One of its objectives is to identify, inside the communicative
ecosystem in which the school and all its members are inserted, the processes referring to the
students and teachers' involvement with the imagistic universe, which permeates the global
society. It investigates the types of images that the students and the teachers consume, how
they get in possession of them, what their search sources are and how they produce their
photographic images in their daily lives, and in processes mediated by the author of the
research, considering the sensitive, aesthetic, communicative and creative aspects. An action
research was opted to obtain these information, the use of investigation techniques such as
interviews, exchange of experience - using photographic images brought by the participants -
surveys, analyses of photographic images and imagistic production. After identifying the
results obtained through these inquiries, generating new perspectives that allow the
construction of an educommunication action in Art.
This experience allowed us to know how students and teachers consume, enjoy, produce and
interpret images, and especially how photography let’s look at yourself and look at the other,
thus creating new looks.

Key words: photography; teaching of the art; educommunication.


LISTA DE IMAGENS

Imagem 1 – Sós, a dois .............................................................................................20


Imagem 2 – The Window .........................................................................................20
Imagem 3 – Sem título .............................................................................................21
Imagem 4 – Notícias frescas .....................................................................................21
Imagem 5 – Descendentes ........................................................................................22
Imagem 6 – Sadamm’s Palace .................................................................................44
Imagem 7 – Untitled 90 ............................................................................................45
Imagem 8 – Cenas de beijos .....................................................................................46
Imagem 9 – Árvores separadas .................................................................................69
Imagem 10 – A luz do sol na flor ...............................................................................69
Imagem 11 – Giz fotogênico ......................................................................................69
Imagem 12 – Minhas memórias .................................................................................69
Imagem 13 – Reflexos ................................................................................................70
Imagem 14 – Meu olhar .............................................................................................70
Imagem 15 – Duchamp, eu também tenho! ................................................................70
Imagem 16 – Caminho ...............................................................................................85
Imagem 17 – Céu ........................................................................................................85
Imagem 18 – Colhendo uma flor ................................................................................86
Imagem 19 – Meu bebê ..............................................................................................86
Imagem 20 – Irmão do bebê .......................................................................................87
Imagem 21 – Fundo azul ............................................................................................87
Imagem 22 – Solto no céu ..........................................................................................88
Imagem 23 – Meu céu ................................................................................................88
Imagem 24 – Folgada .................................................................................................89
Imagem 25 – Lá fora ..................................................................................................89
Imagem 26 – No ritmo ...............................................................................................90
Imagem 27 – Hora do lanche......................................................................................90
Imagem 28 – Luz no café ...........................................................................................91
Imagem 29 – Caminho da música ..............................................................................91
Imagem 30 – Minhas origens .....................................................................................92
Imagem 31 – Quebrado mas iluminado......................................................................92
Imagem 32 – Muito loco ............................................................................................93
Imagem 33 – Muito loco II .........................................................................................93
Imagem 34 – Prisão ....................................................................................................94
Imagem 35 – Perto de casa .........................................................................................94
Imagem 36 – Passeio ..................................................................................................95
Imagem 37 – Olha o sol..............................................................................................95
Imagem 38 – O lobo ...................................................................................................96
Imagem 39 – Estou escondido ....................................................................................96
Imagem 40 – Corrimão ...............................................................................................97
Imagem 41 – Fim de dia .............................................................................................97
Imagem 42 – Mosquito posando para foto .................................................................98
Imagem 43 – Brilho no parquinho..............................................................................98
Imagem 44 – E Capitu ................................................................................................99
Imagem 45 – Café em casa .........................................................................................99
Imagem 46 – Fogo para o café .................................................................................100
Imagem 47 – Só olhando ..........................................................................................100
Imagem 48 – Anoitecer chegando em Ourinhos ......................................................101
Imagem 49 – Biblioteca de vidro .............................................................................101
Imagem 50 – Caminho para a quadra, oba! ..............................................................102
Imagem 51 – Alegria ................................................................................................102
Imagem 52 – Canavial ..............................................................................................103
Imagem 53 – Eu vou.................................................................................................103
Imagem 54 – Flor solitária .......................................................................................104
Imagem 55 – Caminho .............................................................................................104
Imagem 56 – Leque verde ........................................................................................105
Imagem 57 – Paz ......................................................................................................105
Imagem 58 – CREF I ai ai ........................................................................................106
Imagem 59 – CREF II não aguento ..........................................................................106
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Imagens que gosta de ver, de ter ...........................................................56


Gráfico 2 – Forma como consegue estas imagens ....................................................56
Gráfico 3 – Imagens que chamam atenção na internet .............................................57
Gráfico 4 – Busca informações na internet tendo como base a
imagem ou a manchete .........................................................................57
Gráfico 5 – Habito de olhar fotos mais antigas em casa ..........................................58
Gráfico 6 – Imagens que gosta de ver, de ter ...........................................................58
Gráfico 7 – Forma como consegue estas imagens ....................................................59
Gráfico 8 – Imagens que chamam a atenção na internet ..........................................59
Gráfico 9 – Busca informações na internet tendo como base a
imagem ou a manchete ..........................................................................60
Gráfico 10 – Habito de olhar fotos mais antigas em casa ..........................................60
Gráfico 11 – Pessoas retratadas nas fotografias .........................................................61
Gráfico 12 – Local onde as fotos foram realizadas ....................................................62
Gráfico 13 – Essas pessoas lembram ..........................................................................62
Gráfico 14 – Gosta dessas imagens ............................................................................63
Gráfico 15 – Essas imagens são bonitas .....................................................................63
Gráfico 16 – Pessoas retratadas nas fotografias .........................................................64
Gráfico 17 – Local onde as fotos foram realizadas ....................................................64
Gráfico 18 – Essas pessoas lembram ..........................................................................65
Gráfico 19 – Gosta dessas imagens ............................................................................65
Gráfico 20 – Essas imagens são bonitas .....................................................................66
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .....................................................................................................13
1.2 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................16
1.3. OBJETIVOS ..........................................................................................................17
1.3.1 Objetivos gerais .....................................................................................................17
1.3.2 Objetivos Específicos ............................................................................................17
2. METODOLOGIA ..................................................................................................18
3. A IMAGEM FOTOGRÁFICA E FRAGMENTOS DA
REALIDADE ........................................................................................................28
3.1 Leitura dos fragmentos ..........................................................................................29
4. IMAGENS EM PROCESSOS EDUCOMUNICATIVOS E
ARTÍSTICOS ........................................................................................................33
4.1 Apropriações estéticas e tecnológicas ...................................................................39
4.1.1 Imagens e identidades questionadas ......................................................................42
4.1.2 Martha Rosler.. ......................................................................................................43
4.1.3 Cindy Shermann ....................................................................................................44
4.1.4 Solon Ribeiro .........................................................................................................45
4.2 Entre a técnica e o produto artístico ......................................................................46
5. OLHAR O OUTRO – OLHAR A SI MESMO, COM A
FOTOGRAFIA. .....................................................................................................48
6. CONCLUSÃO.... ....................................................................................................70
REFERÊNCIAS
ANEXOS .........................................................................................................................75
1. INTRODUÇÃO

O presente estudo, fundamentado na linha de pesquisa ARTES E MÍDIAS NA


EDUCAÇÃO, está focado em identificar como alunos e professores consomem, apreciam,
interpretam imagens fotográficas, onde as buscam, e como as produzem, promovendo em
seguida, uma comparação e intervenção dos resultados obtidos. Busca-se contribuir para o
estudo da imagem fotográfica nas aulas de Arte sob a perspectiva da educomunicação e da
arte educação, dos processos de comunicação mediados que permitem o ensinar e aprender
com o outro.
Sabe-se que apesar de tanta inovação tecnológica, ainda existe uma significativa
parcela da sociedade brasileira à margem do acesso a essa inovação. Parcela essa inserida nas
cidades, dentro da chamada vida urbana, frequentando escolas, assistindo a uma mudança
tecnológica, mas sem que lhe seja permitido o acesso a ela. São múltiplas e diversas
realidades que compõem as contradições da sociedade brasileira.
Neste contexto, está inserida a escola pública municipal EMEF Profª Adelaide
Pedroso Racanello, da cidade de Ourinhos - SP (cidade com 100 mil habitantes
aproximadamente) atendendo a um alunado heterogêneo, que vai do 1º ano do Ens.
Fundamental I ao 9º ano do Ens. Fundamental II e Escola de Jovens e Adultos (EJA). Essa
heterogeneidade - associada aos problemas já mencionados acima e à falta de políticas
públicas de educação compromissadas com a formação do cidadão - soma-se, particularmente
no contexto das aulas de Arte, leituras de imagens um tanto quanto superficiais no que tange à
formação de opinião e ao domínio dos elementos da linguagem visual. É importante ressaltar
que embora toda forma de leitura sempre agrega ao observador algum conhecimento, é dentro
da escola, da sala de aula que dar-se-á uma maior exploração educomunicativa e estética em
relação à essas imagens, salientando que Paulo Freire, filósofo brasileiro, de renome
internacional, defendeu uma teoria educacional focada na comunicação dialógica e
participativa, que para Soares (2011, p. 17):

“[...] uma comunicação essencialmente dialógica e participativa, no espaço


do ecossistema comunicativo escolar, mediada pela gestão compartilhada (professor/aluno/comunidade escolar)
dos recursos e processos da informação, contribui essencialmente para a prática educativa, cuja especificidade é
o aumento imediato do grau de motivação por parte dos estudantes, e para o adequado relacionamento no

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convívio professor/aluno, maximizando as possibilidades de aprendizagem, de tomada de consciência e de
mobilização para a ação. A essa condição e a esse esforço multidisciplinar denominamos educomunicação.”

Portanto, a educomunicação permite a ampliação dos diálogos em todas as suas


possibilidades enquanto forma de comunicação humana.
Para esta pesquisa formulou-se os seguintes objetivos: 1. comparar a leitura e a
produção fotográfica de professores e alunos, sob a possibilidade de criar uma ação
educomunicativa em arte; 2. Identificar as imagens que os alunos e educadores de uma UE
consomem: fontes, tipos e apropriações; 3. Avaliar a criação e o desenvolvimento de uma
ação educomunicativa no campo da fotografia artística.
Estabeleceu-se como metodologia de pesquisa o estudo de caso, por se tratar de uma
única escola, tendo como instrumentos de coleta de dados: 1. entrevista, onde alunos e
professores (separadamente) analisaram 5 imagens (sem os respectivos títulos e seus autores)
explorando as mais variadas situações; 2. questionários os quais aferiram suas relações com a
fotografia em relação ao consumo, apropriação e memória (através de fotografias trazidas de
suas casas); 3. produção fotográfica seguida de leitura da mesma, onde alunos e professores
registraram e expressaram de forma não-verbal e verbal seus diferentes olhares; 4. informação
da professora acerca da sintaxe visual fotográfica; 5. exposição das fotografias no espaço da
UE com a presença da comunidade escolar e acerca dela.
A aplicação dos instrumentos de coleta de dados ocorreu da seguinte maneira:
No 1º momento, ocorreu a entrevista com alunos e depois com os professores. No
decorrer da entrevista os alunos (posteriormente os professores) observaram as 5 imagens,
uma a uma e emitiram suas leituras sobre as mesmas, essas leituras foram registradas pelos
próprios participantes através da escrita.
O 2º momento envolveu a resposta de um questionário sobre suas preferências (alunos
e professores) em relação a imagens fotográficas (consumo, fonte, apropriação e apreciação).
No 3º momento, outro questionário foi apresentado aos participantes e teve como
referência fotografias que trouxeram de suas casas com o intuito de conhecer a relação dos
participantes com a fotografia a título de memória.
E finalmente, o 4º momento, no qual alunos e professores realizaram uma produção
fotográfica (sem orientação técnica ou estética). Feita essa produção, os alunos começaram a
comentar sobre alguns resultados de suas fotos. Nesse momento a pesquisadora iniciou um
diálogo com os alunos esclarecendo alguns elementos técnicos da fotografia como

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perspectiva, profundidade, ângulo, luminosidade, planos e distância focal (esse foi o ponto
que despertou maior curiosidade, por interferir na nitidez da foto).
Após esse diálogo, os alunos começaram a comentar sobre suas produções,
empregando elementos como perspectiva, profundidade, ângulo e luminosidade. Em seguida
foi montada uma exposição nos corredores da escola com as fotos realizadas. Neste momento
alunos e professores entraram em contato um com a produção do outro, realizando leituras o
que resultou em um contato com diferentes olhares para alunos e professores.
A parte teórica discorre sobre os seguintes aspectos: 1. A Imagem Fotográfica e
Fragmentos da Realidade, que apresenta a imagem fotográfica na condição de parte de uma
realidade, o que possibilita ao observador a construção de uma segunda realidade e mais
outras; 2. Imagens em Processos Educomunicativos, procura demonstrar a importância da
imagem na relação entre comunicação e educação, como forma de aprimorar a comunicação
dentro do espaço escolar; 3. Apropriações Estéticas e Tecnológicas, que parte da pesquisa
sobre a produção artística de diferentes fotógrafos, em diferentes épocas, desde os anos 20 até
o presente; 4. O Olhar o Outro, Olhar a Si Mesmo, busca demonstrar como por meio da
fotografia é possível perceber diferentes olhares, compreendê-los, bem como analisar o
próprio olhar.
Ao final desta pesquisa, pode-se dizer que alunos e professores chegam à escola
repletos de informações proporcionadas por diferentes recursos midiáticos; cujas informações
são, na maioria das vezes, ignoradas pela escola que não as enxergam como potencialidades
educomunicativas e estéticas. Incorporar essas informações requer esforço tanto por parte do
professor quanto por parte do aluno, pois será necessário buscar, questionar, desconstruir o
tempo e paradigmas da escola, para reconstruir novos espaços dialógicos, conhecimentos e
olhares.
Creio que a utilização da fotografia nas aulas de Arte envolve aspectos intelectuais e
emocionais, estéticos e artísticos, sociais, comunicativos e culturais. Permite tanto ao aluno
quanto ao professor uma visão sensível da realidade e sobre o outro, bem como conhecer
diferentes realidades vivenciadas, compartilhadas/construídas pelos mesmos.

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1.2 JUSTIFICATIVA

A arte-educação ao longo do tempo sofreu com o descaso do MEC – Ministério da


Educação – e com a falta de informação de deputados federais e senadores que, instituídos
pelo povo, votam os projetos referentes à educação.
Na votação no senado para aprovação da LDB – Leis de Diretrizes e Bases – segundo
a arte educadora Ana Mae Barbosa (2008, p.19) houve uma pressão imensa para que a
disciplina de arte não fosse obrigatória; alegava-se falta de conteúdo na disciplina, ignorando
as pesquisas e mudanças realizadas ao longo do tempo.
Ainda hoje, esse conceito sobre a disciplina mantém-se presente, inclusive entre os
educadores, tornando as aulas de arte descomprometidas com a formação do aluno em seu
exercício da cidadania.
Por essa razão, a presente pesquisa - cujo objeto de estudo é identificar as diferentes
apropriações de imagens por meio da fotografia - surgiu da necessidade detectada durante as
aulas de arte no que tange à análise de imagens. Foi possível constatar que os alunos e
professores, durante as reuniões técnico-pedagógicas, detêm uma leitura imagética superficial
e bastante limitada, identificando o que a imagem apresenta diretamente, seu aspecto
figurativo, sem embrenhar-se em uma busca de informações como aspectos estéticos,
emocionais, sociais, culturais e históricos comprometendo assim a gama de informações
implícita na imagem.
Deriva daí, o motivo de ser mister o uso do recurso da fotografia na prática
pedagógica e, para que isso aconteça, faz-se necessário, investigar para obter respostas para
questionamentos como: quais os tipos de imagens eles consomem, buscam; onde buscam suas
imagens; quais seus critérios para escolher imagens; qual o valor emocional das imagens e
como as interpretam. É importante comparar as respostas de alunos e professores a estes
questionamentos bem como suas produções fotográficas, com a intenção de propor uma ação
educomunicativa em Arte.
Considerando que a imagem fotográfica revela um pouco da história, da cultura, dos
sentimentos, das predileções do indivíduo e, através de discussões, permite conhecer
particularidades implícitas nas mesmas, é necessário valorizar, na prática pedagógica,
imagens que contemplem a história pessoal, cultural, política, social local, regional, nacional e
global para que alunos e professores possam diferenciar e fazer relações entre a sua cultura e
as demais, de forma dinâmica, crítica e sensível.

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Algumas questões nortearam o início desta pesquisa, por exemplo: como as imagens
agem no meio comunicativo escolar e social em que alunos e professores estão inseridos?
Como utilizar esse recurso comunicativo no ensino da arte? Quais imagens alunos e
professores gostam e valorizam? Quais consomem em seu cotidiano? O que alunos e
professores revelam e enxergam sobre si mesmos e sobre os outros? Sob quais aspectos as
pessoas são enxergadas na imagem fotográfica?

1.3 OBJETIVOS

Considerando que a escola hoje está imersa em um ecossistema comunicativo, no qual


coabitam diferentes experiências culturais e tecnologias diversas, faz-se necessário, por meio
de investigações, compreender como alunos e professores vivenciam o consumo de imagens,
como as interpretam, de que forma têm acesso a elas, quais produzem e qual a relevância das
mesmas em seus cotidianos.

1.3.1 Objetivo geral


Comparar a leitura e a produção fotográfica de professores e alunos, sob a
possibilidade de criar uma ação educomunicativa em arte.

1.3.2 Objetivos específicos:

1.3.2.1 Identificar as imagens que os alunos e educadores de uma UE


consomem: fontes, tipos e apropriações;
1.3.2.2 Avaliar a criação e o desenvolvimento de uma ação educomunicativa
no campo da fotografia artística.

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2. METODOLOGIA

A presente pesquisa tem como sujeitos professores e alunos da EMEF Profª Adelaide
Pedroso Racanello – rede pública municipal da cidade de Ourinhos, localizada no centro da
cidade. Estão envolvidos 03 professores de Arte e 24 alunos com idade entre 13 e 16 anos,
sendo 12 do sexo feminino e 12 do sexo masculino, matriculados nos 8ºs e 9ºs anos.
Estes alunos compõem um grupo bastante diversificado social e culturalmente, pois
embora a escola esteja localizada no centro da cidade, ela agrega alunos de diferentes bairros,
uns financeiramente privilegiados e outros extremamente carentes, mas, a maioria tem acesso
a recursos tecnológicos como câmera digital e/ou aparelho celular com câmera.
Estes recursos tecnológicos permitem a realização de imagens fotográficas, as quais
contribuirão para uma melhor comparação entre a visão dos alunos e a dos professores em
relação ao registro e leitura de imagens.
As informações serão produzidas e coletadas através de estudo de caso, de técnicas de
investigação quantitativa e qualitativa, nas quais serão utilizadas entrevistas estruturadas,
questionários com questões fechadas, prática fotográfica, imagens fotográficas trazidas pelos
participantes, bem como troca de experiências e discussões.
Salientando que, segundo Gil (2002, p. 140), “A maior utilidade do estudo de caso é
verificada nas pesquisas exploratórias. Por sua flexibilidade, é recomendável nas fases de uma
investigação sobre temas complexos, para a construção de hipóteses ou reformulação do
problema.”
Portanto, fazendo uso do estudo de caso, será possível identificar como alunos e
professores se apropriam e consomem imagens, onde as buscam, quais os tipos de imagens
utilizadas, qual é o seu olhar crítico, sensível e estético ao produzir e analisar imagens
fotográficas.

Este estudo será realizado em 4 momentos:

Primeiramente, ocorrerá uma entrevista com alunos e com os professores envolvidos


(separadamente). Esta entrevista iniciará através da apresentação de algumas imagens,
suscitando nos participantes suas impressões (significados, sentidos, aspectos emocionais,
educativos); em seguida, a entrevista continuará de forma estruturada, ou seja, os

18
entrevistados seguirão a um roteiro pré-estabelecido através que questões que norteiem a
entrevista.

Imagem 1
Marco Ricca. Sós a dois.
http://www.1000imagens.com/tema.asp?idt=14&o=
Acesso: [08/03/2012]

Imagem 2
Susana Neto. The Window.
http://www.1000imagens.com/tema.asp?idt=14&o=
Acesso: 08/03/2012

19
Imagem 3
Paulo Santos .Sem título.
http://www.1000imagens.com/tema.asp?idt=14&o=
Acesso: 08/03/2012

Imagem 4
Luís Lobo Henriques. Notícias Frescas
http://www.1000imagens.com/tema.asp?idt=14&o=
Acesso: 08/03/2012

20
Imagem 5
Marta Bucher. Descendente
http://www.1000imagens.com/tema.asp?idt=14&o=
Acesso: 08/03/2012

As fotografias apresentadas no início da entrevista foram escolhidas pelas razões


abaixo citadas, razões estas que contribuirão para a investigação da maneira como os
participantes se relacionam com as imagens apresentadas em seu cotidiano, o que estas
imagens significam, simbolizam, como analisam seu aspecto estético, sua relação com as suas
realidades.
Imagem 1: pelo aspecto técnico da imagem, predomínio de linhas retas, a sensação de
perspectiva, o casal expressando companheirismo e uma sensação de tranqüilidade
valorizados pela impressão em preto e branco.
Imagem 2: a valorização do detalhe da arquitetura valorizada através da janela, o que
imprime na cena uma sensação de reflexão, aprimorada pelos tons de cinza, característico da
fotografia em preto e branco.
Imagem 3: essa foto se aproxima da realidade em que uma parcela significativa da
população mundial vive, explora também o lúdico presente na vida das crianças retratadas,
valorizado pelas cores da imagem.
Imagem 4: aborda uma cena comum nas cidades, a qual as pessoas se informam
através de diferentes fontes impressas.

21
Imagem 5: explora um aspecto artístico e bem subjetivo, possibilitando infinitas
interpretações. Possui um ar de mistério reforçado pela cor.
Durante a exposição das figuras, não serão fornecidas aos participantes nenhuma
informação sobre as mesmas, como: título, autor, data, local, bem como informações a
respeito de seus aspectos técnicos no que tange a perspectiva, profundidade, planos,
elementos compositivos.
Os participantes serão estimulados através das seguintes colocações:
O que veem?
Qual a sensação que estas imagem lhes causam?
O que elas representam para vocês?

Estas informações serão coletadas através relatos manuscritos pelos alunos e


professores, depois serão digitados pela pesquisadora na sua íntegra, para em seguida a
pesquisadora levantar como os dois grupos leem e interpretam imagens, traçando um paralelo
entre as respostas dos dois grupos.
Após essa leitura de imagens (no 2º momento), os participantes responderão através
de um formulário aos seguintes questionamentos:

Leituras fotográficas para ação educomunicativa em Arte


Curso de Mídias na Educação, realizado pela Universidade Federal de Pernambuco e pelo Núcleo de
Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo – 3ª oferta
Pesquisadora: Profª Angela Maria Rosseto Sencio

Instituição pesquisada: EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello / Ourinhos – SP


Período da pesquisa de dados: de 02 a 13/04/2012

Aluno(a) participante:

Série:

Atividade: Leitura de imagens – parte 2

QUESTÕES
01) Quais os tipos de imagens que você gosta de ver, de ter?
( )Natureza ( )pessoas famosas ( )animais ( )esportes
( )outros________________
02) De que forma você consegue essas imagens?

22
( )Internet ( )revistas ( )livros ( )jornais ( )outros________________

03) Na internet quais são as imagens que lhe chamam a atenção?


( )moda ( )esportes ( )carros ( )shows, artistas ( )outros
04) Você busca informações na internet tendo como base a imagem ou a
manchete (a chamada escrita)?
( )imagem ( )manchete
05) Em sua casa, você tem o habito de olhar fotos mais antigas de sua e sua
família?
( )sim, sempre ( )raramente ( )só quando tem visitas ( )nunca

Leituras fotográficas para ação educomunicativa em Arte


Curso de Mídias na Educação, realizado pela Universidade Federal de Pernambuco e pelo Núcleo de
Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo – 3ª oferta
Pesquisadora: Profª Angela Maria Rosseto Sencio

Instituição pesquisada: EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello / Ourinhos – SP


Período da pesquisa de dados: de 02 a 13/04/2012

Professor(a) participante:

Séries:

Atividade: Leitura de imagens – parte 2

QUESTÕES
01) Quais os tipos de imagens que você gosta de ver, de ter?
( )Natureza ( )pessoas famosas ( )animais ( )esportes
( )outros________________
02) De que forma você consegue essas imagens?
( )Internet ( )revistas ( )livros ( )jornais ( )outros________________

03) Na internet quais são as imagens que lhe chamam a atenção?


( )moda ( )esportes ( )carros ( )shows, artistas ( )outros
04) Você busca informações na internet tendo como base a imagem ou a
manchete (a chamada escrita)?

23
( )imagem ( )manchete
05) Em sua casa, você tem o habito de olhar fotos mais antigas de sua e sua
família?
( )sim, sempre ( )raramente ( )só quando tem visitas ( )nunca

Estas informações serão tabuladas obedecendo ao percentual de respostas


semelhantes.
Após a entrevista (3º momento), tanto os alunos como os professores (em grupos
distintos) farão uma troca de experiências, utilizando fotografias trazidas de suas casas. Este
momento será fundamental para compreender como os participantes se relacionam
emocionalmente com as imagens. A pesquisadora observará e registrará em um diário de
bordo as colocações por eles realizadas durante suas falas, considerando aspectos como:
época das fotos (infância, atualmente,); integrantes das imagens; locais onde foram realizadas
(cidade ou no campo); lembranças que elas trazem; valores estéticos e sensíveis das imagens
(os quais estão ligados diretamente ao gostar ou não de determinada foto); diálogos e
conversas que ocorrem entre os participantes.
Durante a troca de experiências os alunos e os professores (separados) responderão
aos seguintes questionamentos:

Leituras fotográficas para ação educomunicativa em Arte


Curso de Mídias na Educação, realizado pela Universidade Federal de Pernambuco e pelo Núcleo de
Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo – 3ª oferta
Pesquisadora: Profª Angela Maria Rosseto Sencio

Instituição pesquisada: EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello / Ourinhos – SP


Período da pesquisa de dados: de 02 a 13/04/2012

Aluno(a) participante:

Série:

Atividade: Troca de experiências / Fotos pessoais

QUESTÕES

01) Quem são as pessoas retratadas em suas fotografias?

24
( )você ( )sua família ( )amigos ( )outros_______________
02) Qual o local onde as fotos foram realizadas?
( )em casa ( )na rua onde moro ( )na cidade ( )no campo
( )outros______________
03) O que essas fotografias fazem você lembrar?
( )brincadeiras ( )festas de aniversário ( )festa na escola ( )natal / ano
novo ( )outros_______________
04) O que você gosta nestas imagens?
( )dos lugares ( )das roupas que você ou as pessoas estão usando ( )das
pessoas que estão com você ( )outros________________
05) Você considera essas imagens bonitas:
( )pelas cores ( )pela composição ( )pelas lembranças que elas lhe
proporcionam
( )outros_________________

Leituras fotográficas para ação educomunicativa em Arte


Curso de Mídias na Educação, realizado pela Universidade Federal de Pernambuco e pelo Núcleo de
Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo – 3ª oferta
Pesquisadora: Profª Angela Maria Rosseto Sencio

Instituição pesquisada: EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello / Ourinhos – SP


Período da pesquisa de dados: de 02 a 13/04/2012

Professor(a) participante:

Séries:

Atividade: Troca de experiências / Fotos pessoais

QUESTÕES

01) Quem são as pessoas retratadas em suas fotografias?


( )você ( )sua família ( )amigos ( )outros_______________
02) Qual o local onde as fotos foram realizadas?
( )em casa ( )na rua onde moro ( )na cidade ( )no campo
( )outros______________

25
03) O que essas fotografias fazem você lembrar?
( )brincadeiras ( )festas de aniversário ( )festa na escola ( )natal / ano
novo ( )outros_______________
04) O que você gosta nestas imagens?
( )dos lugares ( )das roupas que você ou as pessoas estão usando ( )das
pessoas que estão com você ( )outros________________
05) Você considera essas imagens bonitas:
( )pelas cores ( )pela composição ( )pelas lembranças que elas lhe
proporcionam
( )outros_________________

As respostas registradas no formulário serão tabuladas e transformadas em gráficos


com as respostas expressas em percentuais.
Em seguida, (4º momento) alunos e professores (separadamente) serão convidados a
realizarem algumas fotografias, esse momento acontecerá da seguinte forma:
 Os alunos e os professores (separadamente) realizarão algumas fotografias baseadas
em suas predileções e em lugares de sua preferência. Esse ato de fotografar acontecerá
sem qualquer orientação técnica (como manuseio do equipamento, regras para
realização de uma fotografia, cuidados com ângulo e iluminação), pois a proposta é
verificar o seu conhecimento e os aspectos técnicos da fotografia, os quais permitem
uma produção imagética plástica e esteticamente mais interessante.
 Os professores envolvidos bem como os alunos (através de seus responsáveis legais)
assinarão uma autorização cedendo os diretos da imagem para esta pesquisa,
autorização esta que exporá o propósito para o qual as imagens serão produzidas e
cedidas.
 Feita essa produção imagética, alunos e professores, com seus respectivos grupos, o
material produzido por eles será revelado em papel fotográfico, para em seguida
comporem uma exposição nos corredores da escola onde os participantes e apreciarão
os resultados de suas produções, discutirão sobre suas preferências temáticas ao
fotografar, seus olhares estéticos, sensíveis e críticos. Depois esta exposição
permanecerá por um período de 15 dias para que os demais alunos, professores e

26
funcionários da escola, bem como a comunidade conheçam os diferentes olhares, sob
os quais alunos e professores registraram os mais variados assuntos.
 Depois dessa produção, a pesquisadora realizará uma comparação entre as produções
imagéticas realizadas pelos alunos e pelos professores, com o intuito de identificar as
semelhanças e as diferenças sob todos os aspectos explorados no decorrer da pesquisa
como: temas, locais, olhares estéticos, críticos e sensíveis (seu olhar a si mesmo e seu
olhar em relação aos outros). Essa comparação, será transformada em um gráfico o
qual informará quais as semelhanças e diferenças identificadas nas produções
imagéticas.
O intuito das atividades propostas é identificar e comparar por meio das informações
obtidas como alunos e professores relacionam-se com as imagens, como as acessam, quais são
suas fontes, quais imagens atraem seus olhares e como enxergam suas produções fotográficas
em relação as produções dos outros, avaliando a criação de uma ação educomunicativa no
campo da fotografia artística.
É importante que ao longo dessa pesquisa seja possível levá-los a compreenderem que
podem rever, reafirmar, reestruturar seus conceitos estéticos, seus valores sobre os mais
variados assuntos a partir de análises, o que proporcionará um crescimento na sua condição
humanista.
Durante o processo de orientação e pré banca, foi sugerido pesquisar os trabalhos de
Solon Ribeiro para uma melhor compreensão da fotografia como arte.
Ao consultar via internet sobre o artista, foi localizado o seu blog, no qual constava o
e-mail artista o que tornou possível um contato mais direto com o mesmo.
Através do contato por e-mail o artista se dispôs a fornecer um de seus livros, bem
como manter um contato via facebook. Por meio dessa ferramenta o artista disponibilizou
algumas imagens de seus trabalhos envolvendo a fotografia, fotogramas e fotomontagens.

27
2. A IMAGEM FOTOGRÁFICA E FRAGMENTOS DA REALIDADE

A fotografia tem mostrado, ao longo de sua história, sua condição de perpetuar a


memória através de fragmentos que constituem diferentes realidades. Permite ao observador
conhecer um pouco ou muito do passado, seja este distante ou recente.
Dentre suas possibilidades, enquanto forma de registro, está a sua capacidade de
preservar a memória mundial, mostrando aspectos políticos, culturais, sociais, religiosos,
contribuindo para a diversificação de formas de leitura, pois permite que determinadas
informações subentendidas nos textos possam ser visualizadas através de imagens com novos
sentidos tornando possível um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto.
Outro aspecto importante da fotografia está na sua condição de criar uma memória
pessoal, através de fotos da família, amigos, lugares onde essas pessoas moraram, moram,
seus costumes, seus gostos, seus olhares, constituindo uma verdadeira linha do tempo do
indivíduo.
A imagem fotográfica possui um papel fundamental no mundo contemporâneo. Por
meio de diferentes recursos midiáticos, elas circulam no cotidiano das pessoas, informando,
educando, provocando, estimulando, seduzindo, enriquecendo seus respectivos acervos
imagéticos, diante dos quais as pessoas identificam seus gostos por produtos, pessoas, estilos,
locais, causas sociais, políticas e religiosas.
Diante de toda circulação imagética e de seu papel perante a sociedade, é importante
compreender que essas imagens são fragmentos de realidades. Elas mostram o congelamento
de um determinado acontecimento em um determinado momento. Apresentam o olhar do
autor da imagem, o que, segundo Kossoy (2009, p. 51 e 52 ), constitui sua percepção em
relação ao momento registrado, a primeira realidade, a qual pode ser manipulada criando
estereótipos em relação à política, religião, problemas sociais, mostrando de forma
tendenciosa esses aspectos, com o intuito de oferecer uma opinião já formada ao observador,
que muitas vezes a aceita.
Ao observador, conforme Kossoy (2009, p. 44 ), cabe a construção de uma segunda
realidade, na qual ele faz a sua leitura do fragmento exposto na imagem. Essa interpretação
implica na utilização de seus conhecimentos, de seu repertório cultural e de sua sensibilidade
para enxergar novas possibilidades na imagem, as quais ficam implícitas à espera de um olhar
que as explore de forma crítica, sensível e estética, construindo, assim, realidades aos olhos
do observador.
28
Kossoy (2009, p. 57) enfatiza que a imagem fotográfica esconde em si toda uma
trama, permeada por mistérios, cabendo ao olhar do observador desvendar esses mistérios e o
conteúdo dessa trama.
A imagem fotográfica, em um primeiro olhar, permite uma leitura superficial,
destituída de significados. Para que essa leitura se torne ampla, é necessário olhar a imagem
de forma plena, explorando todos os detalhes que estão impressos e, através desse conjunto de
detalhes, identificar e compreender o que está implícito nela. Flusser (2011, p. 22) assinala
que “Quem quiser aprofundar o significado e restituir as dimensões abstraídas, deve permitir à
sua vista vaguear pela superfície da imagem.”
A constituição de fragmentos de determinados momentos, realizados pelo fotógrafo
através de uma máquina fotográfica, resulta em expressões de realidades e não
obrigatoriamente em verdades absolutas. Embora esses fragmentos sejam extraídos de um
momento temporal, eles necessitam de interpretações para serem descobertos e
compreendidos, Estas interpretações vêm de diferentes olhares, muitos carregados de
informações ou não, o que resulta em leituras diversas, às vezes ambíguas ou estereotipadas.
Segundo Lipmann (2010, p. 85), “na confusão brilhante, ruidosa do mundo exterior,
pegamos o que a nossa cultura já definiu para nós, e tendemos a perceber aquilo que captamos
de forma estereotipada para nós por nossa cultura.”
Para o autor, o observador adiciona às imagens que vê algumas verdades prontas, as
quais não viu, mas ouviu dizer e as tomou como corretas.
Samain (2005, p. 116) faz uma reflexão sobre o que e como observar e a função do
observador na formação de uma antropologia visual, buscando uma significação no ato de
“observar”, detalhamento deste, que permitirá uma melhor compreensão da sociedade
humana, de seu funcionamento, do papel que cabe a cada um dentro dela.

3.1 Leitura dos fragmentos

Na apreciação da Fotografia, a compreensão tanto do papel do observador quanto do


ato de observar permitirá ao aluno e ao professor ter uma maior percepção da sociedade em
que estão inseridos, como também de uma sociedade formada por culturas diversas de
regiões, de países e de continentes variados, construir novos olhares em relação a si mesmo e
em relação aos outros, bem como compreender que, através de imagens fotográficas, se
29
constrói a identidade da pessoa, de um bairro, de uma cidade em seus aspectos cultural,
sentimental, religioso, estético, econômico, político e social.
Convém ressaltar também que toda a imagem fotográfica possui elementos
compositivos como luz (aliás, este é grande responsável pela construção da imagem), sombra,
ângulos, plano, perspectivas e profundidade de campo. Esses elementos compositivos
interferem na interpretação tanto por parte do fotógrafo quanto por parte do observador, pois,
segundo Fuzari & Ferraz (1993, p. 92), tudo o que é fotografado, sejam pessoas, objetos,
ângulos diversos, resulta em imagens peculiares A posição do fotógrafo ao fotografar pode
ocasionar, em uma imagem, uma maior concentração de elementos, mais próximos, ou um
número menor de elementos – no caso das imagens muito próximas (close) os detalhes são
mais definidos e passariam despercebidos em uma fotografia distante (chamada Plano Geral).
Os elementos visuais, como cores, superfícies, texturas, luminosidade, forma e linhas, são
registrados nas mais diferentes possibilidades, implicando diretamente na intenção, na
sensibilidade, na criatividade de quem realizou as imagens e principalmente, no significado,
nas possibilidades de múltiplas interpretações.
As autoras deixam clara a importância do conhecer alguns elementos compositivos da
imagem, os quais contribuirão para uma leitura mais aprofundada da imagem fotográfica,
leitura esta que permitirá a construção de novas realidades.
Pareyson (1997, p. 207) afirma que, partindo de uma iniciativa consciente, a
contemplação plena provém da interpretação na qual se instala um diálogo com a obra, o qual
é necessário, pois, por meio dele, o observador não só terá um contato com os aspectos
plásticos da obra como também com suas possibilidades sensíveis e emocionais.
Ainda para Pareyson (1997):

[...] não há interpretação definitiva nem processo de interpretação que,


alguma vez, possa dizer-se verdadeiramente acabado: a série das revelações não está
nunca fechada, e toda proposta de interpretação é passível de revisão, integração e
aprofundamento. (PAREYSON, 1997, p 226)

Para o autor, a interpretação, é um eterno exercício, movimentado por retomadas e por


novas informações alimentando a dialética da interpretação.

30
Ao interpretar imagens, permite-se a concepção de novas realidades, tornando-se
necessário compreender a evolução da fotografia ao longo dos tempos. DUBOIS (1994, p. 26
e 27), em um de seus ensaios, enfoca o percurso histórico da fotografia, dividindo-o em três
fases: como espelho do real, como transformação do real e como um traço do real, analisando
a evolução da fotografia enquanto imagem, do final do século XIX até o século XX.
Essa análise da fotografia permite conhecer o seu papel tanto como forma de registro,
documento, quanto a sua transição para a linguagem artística como elemento transformador
da realidade e como vestígios de uma realidade passiva de interpretações mais subjetivas e
sensíveis.
Essa diversidade de leituras propiciada por diferentes interpretações pode tornar a
imagem fotográfica um elemento poético, em arte, pois para interpretá-la de forma plena é
necessário senti-la, vivenciá-la, penetrar em sua subjetividade, olhá-la com o corpo, com
todos os seus sentidos.
Em relação à arte, Alfredo Bosi (1999) esclarece que:

[...] a arte tem representado, desde a Pré-História, uma atividade fundamental


do ser humano. Atividade que, ao produzir objetos e suscitar certos estados psíquicos
no receptor, não esgota absolutamente seu sentido nessas operações. Estas decorrem
de um processo totalizante, que as condiciona: o que nos leva a sondar o ser da arte
enquanto modo específico dos homens entrarem em relação com o universo e consigo
mesmo. (BOSI, 1999, p.8)

Para o autor, a ligação entre o sujeito e o objeto artístico permite sentir, apreciar, e
principalmente se identificar em seu contexto cultural e social bem como associar-se a
contextos sociais e culturais diversos.
Considerando também que a arte desempenha um papel importante dentro as
sociedade, Canclini (1980, p. 34) afirma que para entender a arte em um determinado meio
social se faz necessário compreender a importância tanto do processo de produção quanto do
processo de recepção, pois ao vivenciar esses processos o observador estará construindo a sua
bagagem cultural, conhecendo melhor a sociedade em que vive.
Alfredo Bosi (1999) explana:

31
A arte é uma produção; logo supõe trabalho. Movimento que arranca o ser do
não ser, a forma do amorfo o ato da potência, o cosmo do caos.[...]. [...]No século XX,
as correntes artísticas que se seguiram ao Impressionismo levaram ao extremo a
convicção de que um objeto artístico obedece a princípios estruturais que lhe dão o
estatuto de ser construído, e não ser dado, “natural”.[...] (BOSI, 1999, p. 13 e 14)

Dessa forma, ao observar a imagem fotográfica na condição de fragmento de uma


realidade, o observador está construindo, através de seu olhar, não só uma segunda realidade,
a qual está alicerçada nos seus conhecimentos, nos seus sentimentos, na imaginação, nas
sensações, na capacidade de produzir, criar e reelaborar algo novo, mas também está
aprimorando suas verdades ou até mesmo descobrindo novas verdades através do que está
explícito e implícito na fotografia.

32
3. IMAGENS EM PROCESSOS EDUCOMUNICATIVOS E ARTÍSTICOS

Hoje, a construção de novas realidades através da imagem fotográfica se depara com


mudanças significativas na realidade comunicativa do mundo ocorrida nos últimos tempos,
mais precisamente do final do século XX - década de 80 até a atualidade, quando recursos
como a internet, a TV e a mídia impressa passaram a influenciar a sociedade de forma mais
intensa. Para Arthur Goldsmith em seu artigo "The Photographer as a God", publicado na
revista Popular Photography:

"Vivemos numa época dominada pela fotografia. No universo invisível do


intelecto e das emoções do homem, a fotografia exerce hoje uma força comparável à
da liberação da energia nuclear no universo físico. O que pensamos, sentimos, nossas
impressões dos acontecimentos contemporâneos e da história recente, nossas
concepções do homem e do cosmo, as coisas que compramos (ou deixamos de
comprar), o padrão de nossas percepções visuais, tudo isso é modelado, em certa
medida e o mais das vezes decisivamente, pela fotografia ."( GOLDSMITH apud
DONDIS,1999, p. 213 e 214)

Dessa forma, fica evidente o papel e a importância da fotografia no mundo


contemporâneo, de como a imagem fotográfica produz realidades e significados sob os mais
variados aspectos.
A imagem fotográfica permeia por recursos midiáticos como a TV, a internet e a mídia
impressa as quais funcionam integradas num sistema comunicativo, social, tecnológico e
cultural, disponibilizados para os mais diferentes grupos sociais e culturais.
Estes grupos exploram a imagem em suas diversas possibilidades informativa,
sensibilizadora, sedutora, ideológica e estética. Considerando que cada grupo social prioriza
possibilidades diferentes em suas interpretações, é imprescindível promover uma integração
desses diferentes grupos, de forma educativa envolvendo o consumo e a crítica dessas
imagens.
Para Flusser (2011, p. 87), o mundo da fotografia vive em uma constante mudança;
novas imagens surgem a todo o momento, em locais de fácil visualização para a população,
reabastecendo imageticamente nosso cotidiano visual, compondo a cultura visual.
33
O autor enfatiza o quanto as pessoas estão habituadas a essa mudança imagética,
criando nelas a sensação de progresso, sem que percebam que, na verdade, não há tanto
progresso, mas a alimentação dessa mudança imagética, à qual estão habituados, sem que essa
lhe ofereça uma mudança substancial no que tange à cultura e ao intelecto.
A fotografia (como as demais imagens) está repleta de signos, os quais embasam a
maneira como o observador reconhece, aprende, relembra, sente, se emociona, acha belo ou
não, tanto sobre seu cotidiano, sua cultura quanto em relação a culturas diversas.
Para Smith-Shank:
“A análise dos sistemas de signos visuais de um grupo cultural promove
reações críticas e auxilia estudantes a compreenderem as múltiplas formas que
assemelham e diferem culturas entre si [...]. A educação da cultura visual ajuda os
alunos a observarem e a compreenderem como grupos culturais grandes e pequenos
codificam seus mundos e como sistemas e práticas de crenças são claramente
revelados por meios de artefatos culturais; em outras palavras, os alunos passam a
compreender que enxergamos, processamos, codificamos, reverenciamos e
interpretamos dentro dos contextos de nossas lembranças, conhecimentos e sistemas
de crenças.” (SMITH-SHANK, 2009, p. 260)

A autora destaca a importância da leitura dos signos presentes nos artefatos culturais
(os quais estão presentes nas fotografias) como forma de conhecer, interpretar e compreender
diferentes culturas com base em nossos conhecimentos.
Essa colocação reforça a importância de alunos e professores trazerem para dentro da
sala de aula suas bagagens culturais, suas lembranças, para olharem para as suas realidades e
para a realidade do outro e nelas encontrem semelhanças, diferenças, reconstruindo novos
olhares.
Diante desse cenário, a escola está frente a frente com grande desafio de agregar esse
universo comunicativo, composto por diferentes linguagens, as quais fogem do padrão
convencional no qual a escola está alicerçada: a leitura textual e a escrita ao universo escolar.
A este respeito, Barros (2005) salienta que:

Acreditamos que o educador não deve prescindir dos recursos técnico-


visuais contemporâneos, mas se impõe igualmente a contextualização da sociedade
técnica que produz essa necessidade. A escola não pode ignorar um cotidiano no qual
os signos imagéticos são subsumidos a mercadorias, e nesse posicionamento deve

34
incorporar um papel mais afetivo e secular. Oferecer aos educadores os instrumentos
básicos para intelegibilidade da visualidade técnica é qualificar a escola para os
desafios das novas formas de percepção e cognição que ora são gestadas.
A presença pedagógica da imagem educando os sentidos é histórica.
Todavia, a escola permanece entre o fascínio, o receio e a paralisia. Mais do que
práticas apenas voluntaristas em sua crítica ou recurso, urge discutir seu estatuto, seu
campo, suas metodologias, de forma a permitir à escola intervir concretamente nas
práticas sociais que autorizam ao olhar significar a imagem, identificando e
dialogando com os atores sociais que teimam em ocultar-se.
No fim do século XX, quando a sociedade planetária se constitui como
videosfera e o homem saturado por informações videoclipadas, como negar a urgência
de refletir sobre os caminhos que a escola deve trilhar contra a imagem e com a
imagem? (BARROS, 2005, p. 198)

Barros expõe uma preocupação no que concerne ao papel da instituição escolar, o


quanto esta deve rever e discutir a importância da imagem (consequentemente, a tecnologia),
seus significados tanto explícitos quanto implícitos, e que explorem suas possibilidades
interativas em suas práticas pedagógicas.
Não se pode ignorar que os estudantes e os professores vêm à escola carregados de
informações promovidas pelas imagens buscadas por eles em diferentes recursos
comunicativos, o que torna necessário a existência de um diálogo entre a educação e a
comunicação.
Cabe, neste momento, salientar a importância da leitura da imagem fotográfica da
memória e das lembranças, as quais constituem o repertório histórico e imagético de todos,
independente de sua formação intelectual e cultural.
Ecléa Bosi (2003, p. 200 e 201) defende a importância da memória através de seu
resgate por meio de relatos bem como de imagens. Para a autora, a construção da história de
um bairro, de uma rua se faz através desses relatos, carregados de detalhes, de lembranças as
quais permitem a construção e a transmissão da cultura local.
Essas informações compõem a bagagem cultural do ser humano. É necessário que
essas informações sejam explicitadas no contexto escolar para que haja um conhecimento de
diferentes olhares sobre a mesma cidade, sobre os bairros e ruas, resgatando assim, a história
do local onde alunos e professores vivem, convivem e interagem, pois, como esperar que o
aluno conheça e compreenda a história dos outros, do mundo, se o mesmo não vê a menor

35
ligação dessas informações com o seu mundo, o qual começa em sua casa, em sua rua, em seu
bairro e em sua cidade.
Para tanto, é ideal que o aluno conheça a sua cultura local, para depois associá-las às
demais culturas. Ana Mae (2002, p. 19 e 20) esclarece que, para definir a diversidade cultural,
é necessário conhecer a cultura local, nacional e de outras nações, promovendo uma
interculturalidade.
Para a autora, a arte-educação focada na realidade comunitária tem obtido sucesso,
mas isso não significa isolar a cultura local, e sim relacioná-la com outras. Dessa forma, é
preciso que os professores de Arte valorizem a cultura local, a que o aluno traz para a sala de
aula, aquela em que a comunidade escolar está inserida.
Freire (2011) chama a atenção para o papel do professor:

Ditamos ideias. Não trocamos ideias. Discursamos aulas. Não debatemos ou


discutimos temas. Trabalhamos sobre o educando. Não trabalhamos com ele.
Impomos-lhe uma ordem a que ele não adere, mas se acomoda. Não lhe propiciamos
meios para o pensar autêntico, porque, recebendo as fórmulas que lhe damos,
simplesmente as guarda. Não as incorpora porque a incorporação é resultado de busca
de algo que exige, de quem o tenta, esforço de recriação e de procura. Exige
reinvenção. (FREIRE, 2011, p. 127)

O autor salienta que os professores agem como meros informantes, não contribuindo
de forma eficiente para o desenvolvimento autêntico do pensamento dos alunos.
Embora, segundo ele, essa postura tenha suas origens no início da colonização
brasileira, pouco ou quase nada tem sido feito para mudar essa realidade, o que reforça a
condição dos alunos como mutistas, impossibilitando ou não permitindo que vivenciem a
verdadeira experiência democrática de poder contribuir para uma transformação da sociedade.
Esse mero informar, sem se preocupar com o aproveitamento do educando em relação ao que
lhe está sendo exposto, dificulta e muito um processo educomunicativo, no qual o aluno
atuará também como produtor de conhecimento e o professor como mediador desse processo,
ambos fazendo uso de sua bagagem cultural e associando-a a outras culturas.
Para Freire (2011, p. 123) não há nada mais danoso do que uma educação que não
exponha o aluno ao debate, à experimentação, à análise e à criticidade, tolhendo-o de uma
verdadeira participação.

36
Em suas pesquisas, Luria (2010, et al. p. 58) conclui que “...a autoconsciência crítica
era o produto final de um desenvolvimento psicológico socialmente determinado e não seu
ponto de partida primário...”.
Sendo assim, o indivíduo inserido em uma sociedade tende a absorver as informações
que lhe são dispostas e, para que haja um crescimento crítico, é necessário que ele disponha
de condições para caminhar do pensamento concreto para o pensamento abstrato (a escola é a
grande responsável para auxiliar o indivíduo nesse caminhar).
Hoje, esse caminhar pode acontecer envolvendo a educação através de seus
conteúdos, entre professores e alunos com suas diferentes culturas e com a comunicação por
meio de diferentes recursos midiáticos, os quais já promovem uma educação, a qual precisa
ser mediada em sala de aula para que interaja com a educação formal promovida pelos
professores.
Na visão de Soares (2000, p. 12 e 13), o papel do professor/instrutor diante da
evolução tecnológica não deve se pautar na questão-tecnologia e sim na questão-chave, no
próprio modelo de comunicação adotado, conceito-base para se falar em educação e
tecnologia.
Cabe aqui, o grande desafio do professor que assume o paradigma educomunicativo:
promover uma educação com diferentes recursos tecnológicos, cujos conteúdos e funções são
relacionados ao campo social, econômico, cultural, político e artístico da sociedade
contemporânea repleta de informações; proporcionar uma formação cultural, diversificada, na
qual a escola tem um papel fundamental enquanto instituição que recebe o aluno carregado de
informações, mas que na maioria das vezes, não sabe como analisar, interpretar e formar uma
opinião em relação à mesma.
A escola se torna, sob esse paradigma, mais um novo espaço de produção de sentido e
de comunicação, e as tecnologias, meios de transformação das relações sociais e de atitude
diante da realidade.
Nesse avanço tecnológico, a sociedade contemporânea, de mercado, utiliza a imagem
fotográfica com os mais variados recursos (como internet, cinema, mídia impressa, televisão)
criando um verdadeiro bombardeio imagético, o qual as pessoas observam, absorvem e
incorporam ao seu modo de pensar, agir, sentir e até mesmo de reagir, recriando,
simultaneamente, visões estereotipadas em relação a fatos, pessoas, situações e culturas e
novos conhecimentos.
Para Soares (2007):

37
Aplicada ao campo da educação formal, a educomunicação veio garantir
que, mais importante que “defender” as crianças e os jovens dos meios de
informação, seria ajudá-los a apoderarem-se deles, coletiva e colaborativamente. A
nova perspectiva não nega que os professores devam, eles próprios, dominar novas
tecnologias, mas propugna que é a comunidade educativa, composta por mestres e
discípulos, que deve realizar, em conjunto, o exercício da prática comunicativa por
meio de uma gestão democrática dos recursos tecnológicos. A questão não seria,
pois, apenas adequar-se à sociedade da informação, mas construir um novo modelo
de comunicação para a própria sociedade. Não se pretende apenas promover o
conhecimento sobre como funciona o sistema de meios, mas, substancialmente,
propor ações voltadas para a construção, no espaço da educação, de uma nova prática
comunicativa, inspirada no ideário de Paulo freire de uma educação dialógica.
(SOARES, 2007, p. 42).

Essa consideração deixa clara a necessidade de a escola, professores, alunos e


dirigentes se conscientizarem da importância de agregar esse avanço nas comunicações à
prática pedagógica, construindo um modelo de comunicação pertinente à sociedade que já
está em contato com toda essa tecnologia, mas sem saber como utilizá-la de forma construtiva
e criativa.
Para a construção de uma atitude artística e comunicativa a leitura e produção da
imagem fotográfica (como de outras expressões) pode ser realizada de modo desprovido de
pré-conceitos, valorizando o processo de ler, de aquisição de informações sobre produções
artísticas e o fazer novas imagens. Rizzi (2008) esclarece que:

A Abordagem Triangular permite uma interação dinâmica e


multidimensional entre as partes e o todo e vice-versa, do contexto do ensino da arte,
ou seja, entre as disciplinas básicas da área, entre outras disciplinas, no inter-
relacionamento das três noções básicas: ler, fazer e contextualizar e no inter-
relacionamento das quatro ações decorrentes: decodificar, experimentar, refletir e
informar. (RIZZI in: BARBOSA, 2008, p.345).

Através dessa abordagem, a leitura da imagem fotográfica (e outras expressões


plásticas) assume um caráter dialógico, não se limitando somente a ser informativa, mas sim
38
um elemento que, por meio de suas ações reflexivas, estimula, sugere, propõe e permite
reflexões, as quais contribuirão para a formação de um posicionamento crítico, estético e
construtivo, tanto para o observador quanto para a sociedade.
Dessa forma, a educação estará, através da fotografia, criando uma ação
educomunicativa e artística, pela qual alunos e professores conhecerão um a cultura do outro,
e associando-as a culturas globais.

3.1 Apropriações estéticas e tecnológicas

A fotografia, em sua trajetória, é fruto da sociedade moderna, na qual a indústria da


publicidade, setor econômico em expansão, foi uma de suas forças motrizes de renovação
estética desde a década de 20. Por outro lado, ela serviu muito para a propaganda política nas
duas guerras mundiais. Nesse mesmo contexto, o artista transita entre a esfera política,
econômica e artística, influenciando, de forma significativa a construção histórica, cultural e
social, promovendo também uma mudança nos valores artísticos.
É evidente que existe uma infinidade de artistas que exploram a fotografia sob os mais
diferentes aspectos técnicos e estéticos, bem como com a intenção de promover críticas
sociais. Fotógrafos como Sebastião Salgado e Dorothea Lange trouxeram ao público imagens
extremamente dramáticas, as quais retrataram e retratam (no caso de Sebastião Salgado)
conflitos, segregações raciais e sociais, como também a miséria pelo mundo provocada por
questões econômicas, políticas e sociais.
Embora seja impossível arrolar todos neste trabalho, é possível mostrar o quanto a
fotografia avançou tecnicamente e como ocorreram diferentes apropriações estéticas com essa
tecnologia, ao longo dos tempos, envolvendo diferentes técnicas, diferentes intenções e
diferentes valores estéticos, chamando o observador para as mais variadas formas de
interpretação dessas imagens fotográficas e levando-os a uma reflexão não só sobre a
sociedade em que o observador está inserido, mas em relação à sociedade no mundo.
Vários movimentos artísticos – entre eles o Dadaísmo, o Surrealismo, o Pop Art e o
Concretismo – fizeram uso do recurso fotográfico como forma de expressão, de
experimentação e crítica. Cada um utilizando a linguagem fotográfica de acordo com os ideais
do movimento, promovendo uma ruptura com os meios convencionais da pintura e ao mesmo

39
tempo proporcionando a essa mesma pintura novas possibilidades plásticas, estéticas e
interpretativas.
Dessa forma, a fotografia mostra que muito mais do que o equipamento, é necessário
saber olhar, explorar, contemplar, extrair o subjetivo de um momento, provocando em si
mesmo questionamentos, suposições e novas conclusões.
A partir da 2ª década do século XX, a construção de novas possibilidades expressivas
através da fotografia passa a ser explorada pelos mais diferentes artistas, com as mais variadas
propostas, valorizando ora aspectos estéticos, ora políticos, sociais, comunicativos e culturais.
O Dadaísmo, movimento fundamentado na negação, inclusive da própria arte, teve
início em Zurique (1916), propagando-se para os Estados Unidos (1918). O grupo era
composto por artistas e poetas do qual faziam parte nomes como Hans Arp, Jean Arp, Hugo
Ball e Tristan Tzara (em Zurique). Outro grupo se formou Nos Estados Unidos (1918), em
que participaram Marcel Duchamp, Francis Picábia, Stieglitz e Man Ray. É importante
esclarecer que este movimento surge no contexto da 1ª Guerra Mundial, acontecimento que
influenciou toda a ideologia Dadaísta.
Segundo Argan (2008):

A reação psicológica e moral à guerra leva a polêmica contra a sociedade da


época aos seus extremos. A guerra era um acontecimento em contradição com o
racionalismo sobre o qual se pretendia baseado o progresso social; os intelectuais que
não queriam compartilhar da responsabilidade das classes dirigentes que desejaram a
guerra teriam de assumir uma posição, e havia apenas duas posições possíveis.[...]
(ARGAN, 2008, p. 356)

Para o autor, a eclosão da guerra levou os artistas a questionarem a razão, a lógica de


uma guerra, posicionando-se contra o acontecimento, pois caso tomassem uma posição
contrária, estariam afirmando que a guerra era uma consequência lógica do progresso
científico.
Dessa forma, o Dadaísmo (1916) se firmou como movimento antiarte, realizando suas
críticas, seus questionamentos inclusive em relação à própria arte, com rejeição ao
formalismo acadêmico, surgia, assim, o objeto de arte, pois os artistas não queriam criar obras
artísticas, mas sim promover interferências, as quais despertavam a curiosidade, a dúvida,

40
promoviam a indagação, o levantamento de hipóteses e, muitas vezes, a não aceitação do seu
aspecto plástico e estético.
Considerando a presença da fotografia no movimento, cabe destacar os seguintes
nomes: Alfred Stieglitz (1864-1946) e Man Ray (1890-1976), os quais exploraram não só a
fotografia, mas as possibilidades oferecidas pelo processo físico/químico, pela técnica
fotográfica.
Man Ray, pintor e fotógrafo, empregou a técnica do fotograma, a qual dispensa o uso
da câmera. O artista faz um arranjo com objetos sobre o papel fotográfico e o expõe à luz
branca, construindo uma imagem abstrata.
Para Stieglitz, considerado um dos pioneiros da fotografia moderna, a imagem
fotográfica não tinha que necessariamente reproduzir o real, ela deveria também produzir
novas realidades que não a do mundo real.
Embora Marcel Duchamp (1887-1968) não tenha feito uso da fotografia em suas
composições, o artista seguiu alguns princípios inerentes à fotografia moderna na criação de
seus ready-mades.
A fotografia proporciona a criação através da tecnologia, em que o enquadramento
(olhar através do visor) suplanta a necessidade do domínio técnico na pintura (olhar e através
das mãos reproduzir na tela aquilo que o olho humano vê). Nos ready-mades, o recorte, a
colagem, a montagem também suplantam essa necessidade técnica necessária à pintura.
No Surrealismo (1920), movimento artístico que teve suas origens na pintura
metafísica, André Breton (1896-1966), médico psiquiatra, fundamentou o Manifesto
Surrealista (1924) nas teorias psicanalíticas de Freud sobre o inconsciente. Segundo Argan
(2005, p. 360) “[...] No inconsciente pensa-se por imagens, e, como a arte formula imagens, é
o meio mais adequado para trazer, à superfície, os conteúdos profundos do inconsciente. [...]”.
Esses conteúdos apresentam imagens desconectadas de tempo, de relação entre si na
mesma obra, criando uma imagem impossível dentro do controle da razão.
Man Ray, também se desponta no surrealismo, através da solarização na fotografia.
Nesta técnica o artista expõe à luz branca por alguns segundos o papel fotográfico já
sensibilizado pela imagem. Em seguida completa o processo de revelação da fotografia
(revelação, interrupção e fixação), criando um contorno desfocado em torno da imagem,
resultando em uma fotografia surrealista.
Já no Pop Art (fim dos anos 50 e início dos anos 60), a utilização da fotografia
acontece principalmente em relação à imagem publicitária, propiciando uma nova
sensibilidade estética. A imagem tem o papel de tornar-se atraente e despertar no observador
41
o desejo de adquirir tudo o que lhe proporcione uma sensação de prazer e conforto e, que
atinja a grande massa populacional (afinal, nesse momento o que importava era o
reaquecimento das economias norte americana e inglesa pós-segunda guerra mundial).
Alguns artistas desse período, procuraram popularizar a arte. Richard Hamilton (1922-
2011) explorou temas como o consumo e a industrialização através do recorte e colagem de
imagens de propaganda mostrando a toda sociedade os supostos benefícios e prazeres
proporcionados pelo avanço tecnológico.
Andy Warhol (1928-1987) defendia que a arte deveria seguir os meios mecânicos e
assim atingiria um maior número de pessoas em um espaço menor de tempo. O artista foi
contra a ideia de arte produzida para uma elite culta; para ele, a arte deveria ser acessível a
todos. Dessa forma, o artista empregou em suas obras imagens populares, de celebridades em
evidência, utilizando fotografias coletadas de mídias impressas (jornais e revistas) em um
processo serigráfico. O resultado foi uma produção artística a qual explorou os estereótipos
lançados à sociedade através de uma imprensa sensacionalista.

4.1.1 Imagens e identidades questionadas

Na contemporaneidade, fotógrafos artistas como Martha Rosler (1943-2004), Cindy


Shermann (1954- ) e Solon Ribeiro (1973- ) rompem com a ideia de fotografia como
ilustração de um texto, de um fato histórico e as empregam de forma crítica e questionadora.
Percebe-se então um ecletismo técnico e conceitual em relação à fotografia. Portanto, é
oportuno falar um pouco de cada artista e de suas produções, bem como a relevância destes
trabalhos para esta pesquisa.
As obras de Martha, Cindy e Solon vêm ao encontro da proposta desta pesquisa que é
de promover leituras através de diferentes formas de exploração da imagem fotográfica,
permitindo ao observador sensibilizar-se quanto às inúmeras possibilidades estética, plástica,
política, social e cultural.
Martha Rosler, em suas propostas, suscita a interpretação da relação de diferentes
imagens compositivas de uma obra e provoca o observador com imagens antagônicas de
realidades distintas, mas que, pelo fato de estarem na mesma composição, permitem a criação
de uma nova realidade.

42
As fotografias de Cindy Shermann remetem a uma reflexão que envolvem aspectos
técnicos (diferentes ângulos, luminosidade contrastante), os quais mexem com as emoções e
com aspectos culturais e sociais, levando o observador a analisar emocional, estética e
criticamente a imagem, o que, em sala de aula, contribui para discussões variadas, entre elas
as relativas aos estereótipos culturais em relação à mulher.
A proposta de Solon Ribeiro, (segundo o artista) consiste em buscar a identidade do
homem sob um viés filosófico e metafísico através de recortes e isolamento de fragmentos de
filmes cinematográficos, permitindo uma leitura movida pela busca de uma nova realidade
naquele fotograma de forma criativa, sensível e dialógica.

4.1.2 Martha Rosler

Martha Rosler nasceu no Brooklyn cidade de Nova Iorque, em 1943. Desenvolveu seu
trabalho explorando a arte visual, a fotografia, o vídeo. Foi uma das artistas pioneiras ao
mesclar diferentes recursos midiáticos, a linguagem e performances. Na década de 70, inspira-
se na Arte Conceitual, empregando, nos textos, as imagens fotográficas, procurando romper
com a rotulação da mulher na condição de objeto, em uma sociedade (na sociedade norte-
americana, o que não se difere das demais sociedades no mundo) em que a mulher era vista
como objeto sexual. Em 2004 a artista aborda em suas fotomontagens aspectos da cultura pop
em conjunto com imagens de guerra, como no caso da imagem “Saddam Palace (Frebeze)”,
em que a artista mostra como a política norte-americana tenta amenizar seus equívocos em
relação às guerras (no caso da imagem, a guerra contra o Iraque). Segundo a diretora da
revista digital Burnway, Susannah Darrow (2008), nesta composição, a artista utiliza a
imagem de um comercial de produto de limpeza e uma imagem do palácio de Saddam
Russeim destruído pelo exército norte americano, sugerindo uma limpeza no local após a sua
destruição.

43
Imagem 6
Martha Rosler. Saddam’s Palace, 2004
http://www.arthistoryarchive.com/arthistory/feminist/Martha-Rosler.html
Acesso em 30/03/2012

4.1.3 Cindy Shermann

A fotógrafa Cindy Shermann (nascida em Nova Jersei – EUA, em 1954), na década de


80, explora os estereótipos femininos mostrados no cinema americano nos anos 50. Através
de fotos simples e aparentemente casuais a artista mostra a solidão da mulher ocidental no
mundo pós-guerra, bem como a questão da identidade feminina e seu papel na sociedade.

Imagem 7
Cindy Sherman. Untitled #90, 1981
http://www.arthistoryarchive.com/arthistory/photography/Cindy-Shermans-Photography.html
Acesso em 30/03/2012

44
4.1.4 Solon Ribeiro

Solon Ribeiro (nascido em Israel, no ano de 1973 e vivendo atualmente na cidade de


Fortaleza, CE) é formado em comunicação e arte pela L’école Superieure des Artes
Décoratifs, Paris-France. Realiza trabalhos envolvendo fotogramas, produzindo recortes de
realidades.
Nos anos 1990, ele herdou de seu pai uma coleção de mais de trinta mil fotogramas
de filmes, iniciada na década 50 por seu avô Ubaldo Uberaba Solon, proprietário de um
cinema no interior do Ceará. Nesses fotogramas, são apresentados atores principais dos mais
variados filmes e fotogramas.
Segundo Solon (2006), a fotografia possui um aspecto filosófico. Para ele:

Esse desejo humano de apreender a imagem guarda um grande mistério. Tem


o lado diabólico, a manipulação da imagem. No desenvolvimento da sociedade, hoje é
muito mais difícil saber o que é o ser e o que é a imagem dele, o ser se confunde com
a própria imagem até se perder. Por isso, acho que a fotografia tem muito mais a ver
com a Filosofia do que com a Sociologia. Ela está muito mais perto de uma questão
relacionada ao que é o Homem, é muito mais uma máquina a serviço da investigação
do que é o Homem, o objeto ou a natureza do que apenas registro histórico ou
perpetuação. Com o tempo ela vai virando documento, mas a princípio, ou por
princípio, ela é uma máquina filosófica. Por isso, em todos os meus trabalhos, busco
trazer a fotografia sempre para a esfera da magia, da Filosofia, da metafísica.[...]
(SOLON, 2006, p. s/n)

O artista provoca um deslocamento de elementos para realidades distintas através


desses recortes da realidade cinematográfica. Ao compor imagens que remetem o observador
a uma condição transcendental, metafísica, as pessoas e objetos se deslocam de sua origem,
criando uma sensação de solidão, de isolamento e suscitando uma série de questionamentos
no observador.
Solon (2006, p. s/n) enfatiza: “É a partir da razão de ser da fotografia e do cinema com
a construção de um corpo capaz de acolher o encontro da diversidade de linguagens, que
procuro realizar um corte no tempo cinematográfico”.

45
Suas produções valorizam a mistura de duas linguagens: a fotografia e o cinema,
considerando que uma gera a outra.

Imagem 8
Solon Ribeiro. Cenas de beijos, s/d
http://www.artref.com.br/index.php/noticias/view/2227/artesPlasticas
Acesso em 30/03/2012

4.2 Entre a técnica e o produto artístico

Ao falar sobre leitura de imagem fotográfica e seu valor estético, é oportuno abordar
as tecnologias que produzem essas imagens, pois estas possuem suas limitações em relação à
resolução (algumas imagens são produzidas para visualização somente em visores de câmeras
e monitores de computadores), possibilidades de ampliação, contrastes (claro/escuro),
luminosidade, distância focal e profundidade de campo, o que acaba interferindo no destino
destas imagens (para materiais impressos como revistas, jornais, etc., materiais digitais como
álbuns, internet, celulares).
Há um tempo, a imagem fotográfica esteve relegada à posição de mera ilustração de
textos, auxiliando-os em sua interpretação.
Na primeira metade do século XX, a tecnologia utilizada era a das câmeras
convencionais, as quais necessitavam de filmes (negativos) para registrarem as imagens, que
seriam visualizadas e lidas por um grupo seleto de pessoas, com certo grau de instrução, que
tinham acesso à mídia impressa como revistas e jornais. Nesse momento, ainda, a fotografia
era vista também como uma forma de registro social da família e de viagens. As imagens
compunham os álbuns de família com todos os integrantes produzidos para eternizar aquele
momento, mas esse recurso era relativamente caro, consequentemente limitado.
46
Junto à essa limitação da fotografia como forma de registro social ela se depara com
um outro entrave, segundo Rouillé (2009, p. 139), no início da segunda metade do século XX,
a fotografia, principalmente a de reportagem sofreu um declínio em virtude da ascensão da
televisão.
Já no final do século XX, a evolução tecnológica proporcionou o desenvolvimento das
câmeras digitais (lembrando que a primeira câmera digital foi desenvolvida pela Kodak na
década de 70) e dos celulares com câmeras, tornando o recurso da fotografia acessível à boa
parte da sociedade, tirando-a da condição de ilustração de textos e álbuns de família,
trazendo-a para o cotidiano das pessoas, em registros de suas festas no bairro, na escola, das
reuniões com os grupos de amigos como também sua utilização por mídias como a internet
através de sites, blogs, facebooks, orkuts, etc. Este avanço tornou a fotografia uma fonte
visual das diversas culturas existentes no mundo, possibilitando o acesso à elas por uma
parcela considerável da sociedade.
Diante dessa diversidade de emprego da imagem fotográfica, convém ressaltar que,
mesmo com a popularização dos equipamentos fotográficos e da facilidade de manuseá-los, é
fundamental que as pessoas (no caso em especial alunos e professores) compreendam que o
registro fotográfico só é possível através da luz. Sem luz não há imagem. Partindo desse
princípio, eles compreenderão que é necessário saber explorar a luminosidade para atender as
suas intenções estéticas e técnicas tanto ao fotografar quanto ao ler uma imagem fotográfica.
Hoje, os equipamentos fotográficos atendem a diferentes necessidades e intenções por
parte de quem fotografará como por parte de quem realizará leituras dessas imagens
produzidas. Provocam novas experimentações que podem ocorrer utilizando apenas uma das
tecnologias ou na convergência delas.
Além das câmeras convencionais (com negativos), as quais são pouco utilizadas hoje
(devido ao custo do filme), praticamente todos os celulares possuem câmeras que permitem
não só fotografar como também filmar, enviar e receber imagens com o recurso do Bluetooth,
além de câmeras digitais com as mais variadas resoluções na qualidade da imagem.
A fotografia, por meio desses diferentes equipamentos, permite a invenção, a criação e
a exploração, bem como possibilita interações culturais dentro do ecossistema comunicativo
existente na escola.

47
4. OLHAR O OUTRO - OLHAR A SI MESMO, COM A FOTOGRAFIA

O trabalho de pesquisa de campo foi dividido em 4 momentos, realizado com alunos e


professores de Arte da EMEF Professora Adelaide Pedroso Racanello, da cidade de Ourinhos
– SP.
O 1º momento foi desenvolvido por meio de entrevista, envolvendo a leitura de
imagens apresentadas aos participantes, mediante as quais emitiram as mais variadas opiniões
estéticas, técnicas e sensíveis sobre as mesmas.
Em seguida, o 2º momento envolveu um questionário através do qual, alunos e
professores, separadamente, informaram como se apropriam da imagem, suas fontes de busca,
o que priorizam nestas imagens.
No 3º momento, os participantes trouxeram fotografias suas, de suas famílias para que
realizassem uma troca de experiências, falando sobre seus hábitos de ver essas fotos em casa,
com a família, dos sentimentos provocados por estas imagens, dos locais onde foram
realizadas.
Em seguida, no 4º momento, alunos e professores, separadamente, foram convidados a
realizarem algumas fotos, explorando seus gostos, seus olhares, sem um direcionamento
técnico prévio.
Dando continuidade ao 4º momento, foi realizada uma exposição com duas fotos de
cada participante dos dois grupos (professores e alunos);. Nesta exposição, alunos e
professores puderam emitir suas opiniões em relação ao trabalho do outro e principalmente se
surpreenderam com seus próprios olhares.
A seguir, os resultados obtidos em cada momento:

1º Momento – Entrevista com alunos

A entrevista com os alunos ocorreu no dia 22/03/2012, no período da manhã na


biblioteca da EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello sob orientação da pesquisadora.
Os alunos visualizaram imagens fotográficas as quais apresentavam temas, aspectos
plásticos, e recursos técnicos diferentes uma da outra.

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A atividade ocorreu de maneira descontraída, sendo os participantes estimulados a
falarem através de questionamentos: O que viam? Qual a sensação que estas imagem lhes
causavam? O que elas representavam para eles?
Conforme iam observando as imagens emitiam suas opiniões que estão registradas nas
tabelas abaixo:

Imagem 1 Imagem 2 Imagem 3

Imagem 4 Imagem 5

Alunos:

1. Marjila (idade 12 anos)


Imagem 1 – Não gostei muito da imagem, a cor dela dá uma sensação de angústia; a
cerca a beira mar expressa uma liberdade que o casal não pode viver; a árvore seca
dá uma sensação de morte. É uma imagem triste.
Imagem 2: A imagem não me agrada, aparenta ser o interior de uma casa velha,
abandonada. A parte debaixo da porta está quebrada. É um lugar assustador.
Imagem 3: Representa a alegria de um grupo de crianças com tão pouco. Elas estão

49
brincando com simples balões, apesar de serem pobres e morarem em casebres são
alegres.
Imagem 4: Amei essa imagem. Me lembra uma rua parisiense, há uma banca
repleta de revistas. Tem muitas pessoas lendo as notícias na banca. Muitos prédios
antigos ao fundo, essa a parte que mais me agrada na imagem.
Imagem 5: A imagem é confusa, há uma janela de vidro enrolada em espiral,
através da janela pode-se ver árvores e o céu.

2. Isadora (14anos)
Imagem 1: Na imagem eu vejo um casal, os dois estão abraçados observando a
paisagem que é um rio ou o mar. Uma imagem muito bonita.
Imagem 2: É a imagem de uma porta, de um ambiente escuro, com a luz do dia
iluminando parcialmente o ambiente.
Imagem 3: Crianças provavelmente de classe baixa, moradoras de um bairro pobre,
se divertindo com bexigas, com muita alegria.
Imagem 4: Uma banca de jornal na rua de alguma cidade, com pessoas interagindo
entre si tendo como assunto da conversa as manchetes dos jornais.
Imagem 5: É a imagem de algum lugar com escadas, uma torre provavelmente, com
uma sombra descendo. Dá uma sensação de medo.

3. Roberta (14anos)
Imagem 1: A fotografia mostra um casal sentado, olhando para um rio, no pôr do
sol. Uma cena bem românticca.
Imagem 2: No meu ponto de vista é uma porta, antiga, rústica, de um quarto escuro.
Uma porta aberta com uma luz, retratando a liberdade.
Imagem 3: São crianças pobres e fracas. Elas brincam com simples bexigas. Seus
sorrisos são bem expressivos. Com as casas no fundo da imagem se percebe que é
um lugar bem simples.
Imagem 4: Um bairro antigo de uma cidade, com pessoas provavelmente de mais
idade, olhando para imagens que estão em jornais e revistas em uma banca. Estão
olhando o placar de um jogo de futebol.

50
Imagem 5: Uma escada em espiral com sombras de pessoas descendo. O tom
marrom da imagem dá um ar de mistério na foto.

4. Guilherme (14 anos)


Imagem 1: eu vejo na imagem o amor e também a solidão e a velhice. As árvores
reforçam a ideia de solidão juntamente com o preto e branco da imagem.
Imagem 2: Eu vejo na fotografia a janela que está entreaberta permitindo a entrada
da luz na casa. Um fio de esperança.
Imagem 3: simplicidade e alegria representada pelas crianças que estão brincando
com algumas bexigas ignorando a miséria em que vivem. Esta miséria é reforçada
pelas casas que aparecem no fundo.
Imagem 4: Representa um tempo antigo, aonde as pessoas parava para ler as
notícias dos jornais que ficavam pendurados nas bancas de revistas. A banca fica na
esquina, dando uma ideia de perspectiva no restante da imagem.
Imagem 5: Uma escada espiral com sombras de fantasmas que moraram naquela
casa. Parece que a escada não tem fim. Vai para o além.

5. Rafael 3 (15 anos)


Imagem 1: Imagem 1: a foto mostra duas pessoa sentada na beira de um lago ao
amanhecer. A imagem é preta e branca o que reforça ar de romance entre as pessoa.
A árvore dá uma ideia de equilíbrio na foto junto com a cerca que divide a foto
separano o lago da rua.
Imagem 2: uma janela meia com um jato de luz demonstrando uma esperança, a
liberdade. Essa imagem também é preta e branca deixa a foto mais misteriosa.
Imagem 3: um grupo de crianças negras brincando felizes com balões coloridos em
uma situação de pobreza com roupas sujas, rasgadas e estão descalças. As casas que
elas moram são bem humildes, mostrando ainda mais a pobreza e miséria.
Imagem 4: Senhores vendo as notícias em uma banquinha que vende jornais e
revistas comDVDs e outras coisas. Essa banquinha está em uma rua apertada com
carros antigos no canto da rua. Tem também casas antigas.
Imagem 5: Um escada no formato de espiral com pessoas com o teto meio ofuscado

51
e com lâmpadas claras

Professores:

1.Silmara (43 anos)


Imagem 1: nesta imagem vejo um casal, provavelmente namorados sentados a beira
mar. É uma foto bem tirada o clima de namoro é reforçado pelo efeito preto e
branco.
Imagem 2: a foto retrata uma janela antiga de madeira. A foto está bem enquadrada,
bem divida. Tem um clima de mistério na foto provocado pelo efeito de preto e
branco.
Imagem 3: nesta foto tem um grupo de crianças muito pobres (são negras). Embora
sejam muito pobres são felizes brincando com bexigas coloridas numa rua de terra.
Suas casas certificam sua condição social de muita pobreza.
Imagem 4: Nesta foto tem um grupo de pessoas idosas que estão observando as
notícias de jornais que estão pendurados em uma banca de jornais. Esta banca está
localizada na esquina de uma rua, provavelmente é uma foto antiga. O efeito preto e
branco contribui para essa ideia.
Imagem 5: nesta foto tem uma escada no formato de espiral com algumas pessoas
descendo esta escada. Representa a escada de uma casa com dois andares. A cor
marrom dá um toque de elegância na foto.

2.Fabiana (24 anos)


Imagem 1: A imagem mostra um casal, acredito que seja de namorados, observando
o entardecer a beira de um lago. A maneira como os elementos estão dispostos
(árvores, cerca, banco de pedra) proporcionam equilíbrio na fotografia e a sua
ampliação em preto e branco cria um ar de nostalgia na cena.
Imagem 2: A janela de madeira retratada na foto ocupando toda a extensão da foto
mostra como um detalhe pode ter um efeito plástico muito mais atraente.

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Imagem 3: Esta foto apresenta um grupo pequeno de crianças negras e pobres
brincando com balões. O fundo da foto é composto por casas simples feitas de
madeira o que reforça a condição de extrema miséria em que essas crianças vivem.
Nesta foto as crianças em primeiro plano e as casas em segundo plano tem o mesmo
valor estético, os dois planos se destacam.
Imagem 4: A foto retrata uma esquina de um bairro com uma banca de revistas e
jornais onde um grupo de pessoas observam as notícias estampadas nos jornais. A
imagem mostra uma cena cotidiana em uma cidade pequena. A banca posicionada
na esquina cria um efeito de profundidade na foto.
Imagem 5: esta foto mostra uma escada em espiral com sombras de pessoas
descendo essa escada. É um detalhe de arquitetura colocado em destaque.

3. Nilse (43 anos)


Imagem 1: Nesta imagem aparece uma cena de fim de tarde com um casal de
namorados curtindo o momento. Passa uma sensação de tranquilidade e romance.
Imagem 2: É a foto de uma janela entreaberta, deixando um pouco de luz penetrar no
interior da casa. Passa uma sensação de mistério envolvendo a janela e observador.
Imagem 3: mostra algumas crianças pobres em um bairro pobre. Mas independente
dessa pobreza as crianças brincam felizes sem a menor preocupação. Ainda sobre
esta imagem, ela traz uma crítica a questão social e racial.
Imagem 4: Essa foto descreve uma cena tranquila onde um grupo de pessoas leem as
manchetes dos jornais em uma banca de revistas em uma esquina. Dá um ar de
cidade do interior, sem grande movimentação nas ruas.
Imagem 5: essa foto tem um ar de mistério, com essa escada em formato espiral e
com sombras de pessoas aparentemente descendo essa escada. Sua cor marrom
reforça a ideia de mistério ma imagem. Lembra a escada de igrejas da idade média.

Nesta pesquisa foram envolvidos 24 alunos e 3 professores. Para obter a


totalidade das leituras consultar o ANEXO A.

Após estas entrevistas, foi possível conhecer um pouco o olhar dos alunos e dos
professores de arte em relação a fotografia. Nas leituras realizadas pelos alunos ficou claro

53
que a maioria deles leem imagens fotográficas considerando primeiramente o seu aspecto
subjetivo, pois partiram dos elementos apresentados nas fotos e criam uma história para as
mesmas. Também exploraram de forma sensível os fragmentos de realidade apresentados nas
fotos, relacionando-os com seus conhecimentos de mundo.
Dos 24 alunos envolvidos, 5 realizaram uma leitura mais poética associando suas
emoções (como sensação de liberdade, angústia, alegria) aos elementos que compunham as
imagens como pessoas, objetos, lugares e natureza.
A leitura dos elementos técnicos que compõem a fotografia como primeiro e segundo
plano, elemento principal e secundário, e a leitura de elementos como perspectiva,
profundidade de campo, luminosidade equilíbrio é feita de forma superficial por quase todo
o grupo, sendo que 6 alunos identificaram alguns desses elementos especificamente como
profundidade, perspectiva e equilíbrio salientando a importância destes na imagem.
É interessante dizer que durante estas leituras os alunos sentiram o quanto eles olham
as imagens de forma superficial, pois segundo os próprios, não tem o costume de prestar
atenção nos detalhes das imagens no dia-a-dia.
Na leitura realizada pelos professores constatou-se uma leitura sensível, na qual
buscaram associar os fragmentos de realidades apresentados nas fotos ao seu repertório
cultural, resultando em uma leitura carregada de subjetividade. Por essa Razão a utilização de
elementos técnicos foi explorada de maneira informal, agregada a leitura subjetiva.
Nessa proposta foi possível identificar nas leituras realizadas tanto pelos alunos
quanto pelos professores uma interpretação sensível e criativa, a qual promoveu a exploração
de outros olhares, que não os seus, resultando em uma construção de novas realidades.

2º Momento – Questionário

Na segunda parte das atividades propostas na pesquisa de campo, alunos e


professores responderam a um questionário como forma de conhecer quais os tipos de
imagens os envolvidos na proposta consomem.
Após responderem ao questionário, as respostas foram tabuladas (cada questão
representada por um gráfico) apresentando os seguintes resultados:

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Alunos:

Gráfico 1 – Tipos de imagens que gosta de ver, de ter

O resultado deste gráfico surpreendeu a pesquisadora, pelo fato dos alunos mostrarem
uma preferência por imagens com cenas da natureza, pois no dia a dia, através de suas
conversas percebe-se um conhecimento vasto em relação à pessoas famosas expostas nos
mais diferentes meios de comunicação. Mostra também o quanto o esporte deixou de ser
interessante entre os estes jovens.

Gráfico 2 - Forma como consegue essas imagens

Neste gráfico, a resposta não deixa a menor dúvida quanto à fonte de pesquisa de
imagens utilizadas pelos alunos. O que não deixa de ser preocupante, pois mostra o quanto os
outros recursos estão fora de seus cotidianos, considerando que estes recursos compõem e
mídia impressa.

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Gráfico 3 – Imagens que chamam a atenção na internet

As informações apuradas neste gráfico evidencia uma realidade referente as imagens


disponibilizadas nas homepages dos sites vistos pelos alunos envolvidos, os quais exploram a
moda e artistas famosos como forma estimular visualmente o acesso a estes sites.

Gráfico 4 - busca informações na internet tendo como base a imagem ou a manchete

O dado apurado neste gráfico, não surpreende, mas alerta para uma orientação em
relação ao buscar informações, seja pela internet ou por outros recursos. É necessário que se
una as duas formas de buscar informações, pois uma reforça a afirmação da outra.

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Gráfico 5 - habito de olhar fotos mais antigas em casa

O resultado mostra que os alunos, em sua maioria, raramente olham fotografias em


casa, porém alguns realizam essa prática. Segundo a aluna Jéssica, ela e sua família o faz
como forma de relembrar a cultura de sua família em seu país de origem, o Japão.

Professores:

Gráfico 6 - tipos de imagens que gosta de ver, de ter

Neste gráfico, em que os dados se diferem totalmente dos dados levantados em


relação aos alunos, aqui os professores priorizaram a alternativa “outros” onde colocaram suas
preferências por filhos e elas próprias.

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Gráfico 7 – Forma como consegue imagens

Aqui as informações coincidem com as respostas dos alunos, mas cabe ressaltar que
dos três participantes, duas utilizam também livros e revistas, mas priorizam a internet pela
facilidade e rapidez no acesso.

Gráfico 8 – Imagens que chamam a atenção na internet

Aqui, as informações são semelhantes às coletadas junto aos alunos, mostrando uma
situação comum em um mundo capitalista no qual o aspecto visual e a diversão tornaram-se
imprescindíveis no cotidiano das pessoas independente de sua formação cultural.

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Gráfico 9 - Busca de informações na internet tendo como base a imagem ou a manchete

Neste gráfico, os professores envolvidos priorizam a imagem como base para uma
busca de informações na internet, mas justificaram que a imagem permite uma melhor
visualização no processo de busca de informações.

Gráfico 10 - Habito de olhar fotos mais antigas em casa

Através dos dados levantados, nota-se que os professores, assim como os alunos,
também não cultivam o habito de olhar fotos referente à sua história.

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3º Momento: Troca de experiências – fotos pessoais

Na sequencia, os alunos realizaram entre uma troca de experiências com fotos trazidas
de suas casas.
Nesse momento, falaram a respeito de suas fotos (riram muito) e em seguida
permitiram a troca de fotos entre si. Questionaram uns aos outros sobre as fotos (roupas,
lugares, idade), após esse troca responderam ao questionário proposto (formulário 2),
resultando nos seguintes dados:

Alunos:

Gráfico 11 - Pessoas retratadas nas fotografias

As fotografias trazidas pelos alunos mostram que a maioria deles possuem fotos
envolvendo toda a família, mas conforme podemos ver em gráficos anteriores, essas fotos
existem para ficar guardadas e não para serem revistas, servirem como elementos de
comunicação dentro da família, agindo como fonte histórica das mesmas. A valorização da
figura do amigo nas fotografias deixa claro que o grande centro de referência destes alunos
está se deslocando da família para os amigos. Este dado é normal, pois na idade deles o centro
de interesse está nos amigos.

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Gráfico 12 - As fotos foram realizadas

Aqui se constata a preferência dos alunos e de suas famílias por fotografar em lugares
por onde passaram que não é necessariamente a cidade onde moram, mas conforme disseram
durante a troca de experiências por lugares que visitaram durante viagens, o que é natural.

Gráfico 13 - Essas fotografias lembram

Neste gráfico os alunos pontuaram em suas trocas de experiências que suas fotos os
fazem lembrar além dos dados acima (como festa de aniversário, festas na escola e natal e ano
novo) de seus passeios tanto pela cidade como também dos lugares em que passaram de
viagem. A maioria dos alunos que registraram fotos de viagem disse que fizeram as fotos por
que os pais pediram, mas que eles preferem mais as fotos com os amigos feitas na cidade e na
escola.

61
Gráfico 14 - Gosta nestas imagens

O resultado deste gráfico reflete a preferência dos alunos por fotos realizadas por eles
na cidade, envolvendo familiares e amigos, como também das roupas que as pessoas estão
trajando.

Gráfico 15 - Essas imagens são bonitas

Este dado vem ao encontro com a primeira entrevista realizada com os alunos, pois
durante a mesma os alunos mostraram uma preocupação em salientar a questão da imagem ser
preto e branco associando esse fato ao clima de romance ou a tristeza e, quando colorida
associando-as a alegria. Condição esta que se repete neste gráfico.

62
Professores:

Os professores (assim como aconteceu com os alunos) riram muito ao ver as fotos
mais antigas trazidas pelos colegas. Foi um retorno ao passado, através das roupas e cabelos.

Gráfico 16 - Pessoas retratadas nas fotografias

Neste resultado os professores participantes alegaram que nas fotos com os amigos
sempre seus filhos estavam presentes e, que a presença desses amigos em seus cotidianos é
fundamental, considerando que seus filhos já estão estudando fora.

Gráfico 17 - As fotos foram realizadas

A resposta “outros” refere-se a passeios por outras cidades.

63
Gráfico 18 - Essas fotografias lembram

Na alternativa “outros” os professores envolvidos disseram se tratar de viagens e


reuniões de amigos.

Gráfico 19 – Gosta nestas imagens

Neste gráfico os professores justificaram suas respostas por valorizarem tanto seus
filhos quanto os amigos.

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Gráfico 20 - Essas imagens são bonitas

Assim como os alunos, os professores olham as fotografias considerando o sua carga


emocional, deixando aspectos plásticos e estéticos em segundo plano.

4º Momento: Produção, informação, exposição e leitura fotográficas

Após a aplicação do segundo questionário alunos e professores foram convidados a


realizarem algumas fotos, considerando seus gostos, suas preferências quanto a temas e
lugares.
Para esta atividade tanto alunos quanto professores não receberam nenhuma
orientação a respeito de técnicas para fotografar, dessa forma as imagens feitas por eles
refletiriam seus olhares, para em seguida todos os participantes realizarem uma leitura
coletiva das imagens produzidas. Produziram fotos explorando os mais variados temas,
resultando em surpresas agradáveis, para os dois grupos verdadeiras descobertas.
Primeiramente, os alunos trouxeram suas produções, em seguida foram os professores.
Após coletar todas as imagens, foram selecionadas duas imagens cada para compor uma
exposição dos dois grupos em conjunto. As fotos foram reveladas e montadas em passepartout
e dispostas em um dos corredores da escola para que os todos os participantes visualizassem
uns os trabalhos dos outros.
No dia 20/04/2012, às 18h foi realizado um exposição com duas fotos de cada
participantes, neste dia, professores e alunos se encontraram e realizaram suas leituras tanto
em seus trabalhos como nos trabalhos dos outros. Foi um momento muito rico em colocações
de diferentes olhares.

65
Durante este encontro, os alunos estavam mais atentos as suas observações,
diferenciando muito da primeira atividade (a entrevista). Os alunos realizaram leituras
empregando termos como composição, equilíbrio, luminosidade e sensível.
Considerando que estes termos foram comentados com eles após o recolhimento de
suas produções, para que eles soubessem quais desses elementos eles empregaram em suas
fotos e, após a explanação sobre perspectiva, ângulo, composição, luminosidade, os alunos
começaram a comentar entre si que em suas fotos tinham esses elementos, mas que agora, ao
fotografar eles procurariam ver estes elementos na cena antes de clicar para registrar a foto.
Isso mostra um amadurecimento em relação ao seu olhar em relação ao seu mundo.
Durante a exposição, ao analisar as fotografias, os alunos Márjila (12anos) e
Guilherme (14 anos) diziam: se esta foto tivesse sido feita em outro ângulo teria uma
perspectiva melhor, uma sensação de profundidade; a cor está muito clara, por causa do sol,
seria melhor ter fotografado mais tarde ou mais cedo...
Foi possível notar que não se sentiram intimidados por terem seus trabalhos expostos
juntamente com os trabalhos dos professores e comentados por estes (pois no momento em
que lhes foi dito que esse encontro aconteceria, os mesmos ficaram preocupados, dizendo que
era claro que as fotos dos professores seriam muito melhores que as deles...) muito pelo
contrário, durante a exposição sentiram que foram capazes de produzir imagens que
despertassem elogios e comentários dos professores participantes como o comentário da
professora Nilse (43 anos): jamais pensei que um giz quebrado fosse tão bonito.
Os professores também ouviram os mais variados comentários em relação as suas
produções, e comentaram que os alunos realizaram leituras a respeito dos trabalhos realizados
por eles, professores, de forma bastante crítica e sensível e, que eles não esperavam esses
olhares partindo dos alunos. Realmente os surpreendeu. Pode-se dizer que este encontro
promoveu descobertas para alunos e professores. Puderam perceber que através da fotografia
é possível conhecer o seu ambiente, o espaço por onde caminha, ver de forma sensível os
pequenos detalhes que compõem o seu cotidiano como um giz, uma árvore, um óculos, um
copo de café.
É importante salientar que com os professores não foi realizada a explanação dos
elementos como ângulo, perspectiva, composição, luminosidade, 1º plano, elemento principal
e outros, por considerar que estes elementos já são de conhecimento dos professores, afinal é
uma linguagem explorada com frequência nas aulas de Arte.
Cabe ressaltar a participação da aluna Naira (16 anos, sexo fem., aluna especial,
portadora de Síndrome de Down), com uma produção de imagens realmente surpreendente.
66
Embora ela não escreva, quando indagada sobre fotografar ou não a mesma disse: nunca fiz
foto...quero sim. Neste momento foi disponibilizada uma câmera para a aluna e a mesma
caminhou pela escola realizando várias fotos, nas quais se identificou o emprego de elementos
como perspectiva, enquadramento, ângulo, profundidade e o que mais chamou a atenção
devido ao horário das fotos (por volta das 10:30h, 4ª aula), foi a luminosidade, não fez fotos
com contraste acentuado de claro/escuro através da escolha do ângulo.
A aluna explorou todos esses recursos de forma sensível, mesmo não os conhecendo
formalmente, mostrou que através de um olhar sensível e simples é possível empregá-los na
fotografia.
No decorrer da semana, os alunos levaram seus familiares para visitarem a exposição
e, durante estas visitas os pais ficaram surpresos com as fotos realizadas pelos seus filhos.
Inclusive cumprimentaram a direção da escola pela exposição. Esse fato mostra, o quanto é
possível através da fotografia promover a integração/comunicação entre escola e comunidade,
exercitar o olhar construtivo do artista, segundo Bosi (1999), perceber a beleza da flor que
está todos os dias ali no jardim em meio as outras, do copo plástico com resto de café, do
braço do violão, enfim, que a comunidade por intermédio da escola vivencie novas
possibilidades estéticas, culturais e comunicativas.
Através desta exposição foi possível romper com olhares as vezes estereotipados, com
a ideia de consumo de imagem impulsionado pelo mundo capitalista, onde imagens
importantes são imagens que fazem referência ao ter. Neste momento alunos e professores
descobriram que é possível através da fotografia (leitura, produção) conhecer elementos que
compõem suas identidades bem conhecer um pouco da identidade do outro.
É oportuno associar as fotografias realizadas pelos alunos e professores às produções
dos artistas citados no capítulo 7 desta pesquisa: Martha Rosler, Cindy Shermann e Solon
Ribeiro, pois estes artistas romperam com a fotografia convencional como forma de registro
de um fato e promoveram através da fotografia questionamentos quanto à identidade feminina
(Cindy Shermann), em relação ao mundo aos pés de uma cultura imposta pelo capitalismo
(Martha Rosler) e, a quebra da identificação do observador com os mitos hollywoodianos,
através da fragmentação do filme cinematográfico, levando o observador a uma leitura
extremamente subjetiva, surreal (Solon Ribeiro).
Nas produções realizadas pelos alunos e professores, ocorreu também um rompimento
com o convencional, com a visão de que imagem tem que ser de moda, de consumo, de
identificação com personalidades. Eles produziram imagens buscando uma identificação com
seus mundos, com o que compõem esses mundos, provocando em quem observa essas
67
imagens uma busca por novos olhares, na tentativa de compreender tudo o que está explícito e
implícito naquele fragmento de realidade.

Abaixo seguem algumas imagens expostas feitas pelos alunos:

Imagem 9 Imagem 10
Naira. Arvores separadas com o muro, 2012 Naira. A luz do sol na flor, 2012

Imagem 11 Imagem 12
Guilherme. Giz fotogênico, 2012 Márjila. Minhas memórias 2012

Imagem 13
Thainara. Reflexos, 2012

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Foi envolvidos 24 alunos na produção de fotografia. Para ver as demais fotos,
consultar o ANEXO B.

Professores:

Imagem 14 Imagem 15
Fabiana. Meu olhar, 2012 Fabiana. Duchamp, eu também tenho!, 2012

Foi envolvido um total de três professores na produção fotográfica. Para ver as


demais fotos, consultar o ANEXO C.

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6. CONCLUSÃO

Esta pesquisa propiciou a pesquisadora conhecer a relação dos alunos e professores de


Arte da EMEF Profª Adelaide Pedroso Racanello com a fotografia, suas preferências
imagéticas e suas diferentes formas de interpretá-las e produzi-las.
Durante a entrevista que deu início as atividades propostas na pesquisa, tanto alunos
quanto professores realizaram leituras carregadas de sensibilidade, associando sua bagagem
cultural à interpretação das imagens apresentadas, resultando em leituras subjetivas e
criativas. Por meio das imagens apresentadas os participantes tiveram um contato com
diferentes momentos, resultado de fragmentos de realidades sob outras óticas que não às suas,
mas que lhes permitiram uma reflexão sobre as realidades apresentadas nas mesmas,
agregando novos traços a estas realidades re-significando-as, através do compartilhar seus
olhares/leituras.
Ao pontuarem suas preferências por imagens, fontes, razões pelas quais buscam
imagens, fica evidente o contato destes com a comunicação via internet/imagem.
Diante desse fato, é importante refletir sobre o papel que a internet vem assumindo de
fomentadora de novas culturas no universo comunicativo, no qual alunos e professores estão
inseridos, cabendo aí uma ação mediadora pelo professor para a busca e entendimento de
novas imagens e informações que contribuam para a construção de novos saberes.
Foi interessante ver e sentir alunos e professores retomando o prazer e a alegria de
observar fotos de anos atrás. Os alunos relembraram de festas na escola, festas de aniversário,
alguns fantasiados de personagens de histórias em quadrinhos, propiciando verdadeiras
histórias fundamentadas nestas imagens, onde os alunos por meio de suas fotos tornaram-se
sujeitos de sua história.
Os professores retornaram no tempo com fotos de casamento, de aniversário dos
filhos, trazendo à tona lembranças sobre esses momentos que renderam verdadeiros contos.
Essa troca de experiências propiciou aos participantes através da interação não só a
construção de novos olhares, mas também, contribuiu para o desenvolvimento da expressão
verbal através de suas histórias extraídas de suas fotos, quando indagados sobre as imagens.
Conheceram um pouco da história do outro, fazendo relações com a sua própria
história, reforçando o que os estudiosos em arte-educação Barbosa (1996) e Fuzari & Ferraz
(1993) vêm defendendo a a importância de conhecer a própria cultura, a cultura local para
conhecer outras culturas.
70
A valorização daquilo que compõe a sua identidade (professores e alunos) enquanto
indivíduo inserido em uma sociedade foi revelada por meio da produção, informação,
exposição/divulgação e leitura de suas próprias fotografias.
Ao realizarem e lerem essas fotografias os participantes exploraram locais que
compõem realidades onde vivem, estudam, a relação de objetos como um giz, um livro, um
copo com café, moedas e muitos outros com esses locais e, o principal, perceberam a beleza, a
riqueza simbólica, plástica e estética presentes nesses lugares que compõem seus cotidianos.
Olharam de forma sensível os lugares pelos quais circulam, convivem, interagem e constroem
suas identidades.
Essa pesquisa não tem a pretensão de trazer receitas para o uso de tecnologias na
escola, pois o mundo avança num ritmo acelerado em termos de tecnologia, porém, ele é
movido por seres humanos, providos de sentimentos, emoções, cultura, intelecto e cotidiano
únicos, o que o tornam único em sua maneira de ser, pensar e agir. Diante disso, cabe a partir
desta pesquisa levantar reflexões sobre o trabalho educativo em Arte, o papel do
professor/mediador de Arte nessa sociedade capitalista e intercultural.
No decorrer das atividades propostas foi possível compreender a necessidade da
atuação do professor quanto mediador e, mediar não significa determinar escolhas como essa
imagem é boa, informativa e essa não informa de maneira alguma, significa auxiliar o aluno a
compreender e refletir sobre o que está vendo, mas para isso é preciso conhecer um pouco da
cultura que esse aluno traz para dentro da sala de aula.
A realização de um trabalho educativo, bem como a atuação como mediador em um
mundo capitalista, não é tarefa das mais fáceis, pois imagens que estimulam o consumo, o
desejo de ter bombardeiam toda a sociedade.
Isso não significa que sejam imagens que devam ser boicotadas pelos professores, elas
também têm seus valores estéticos, plásticos e culturais, cabe ao professor enfatizar esses
valores.
Para que haja uma ação educativa e comunicativa na escola é preciso planejar
(envolver toda a comunidade escolar, pois a escola não é o professor e sua disciplina isolados,
é todo um conjunto, o qual deve partilhar dos mesmos objetivos), conhecer o ecossistema (as
relações comunicativas) da escola, envolver o aluno e a comunidade nesse conhecer, para
depois construir novos ecossistemas (como a produção, leitura e exposição das fotografias
realizadas por alunos e professores nesta pesquisa).
Finalizando, a fotografia atuando como ação educomunicativa e artística permite que
alunos e professores reconheçam e compreendam a sociedade em que vivem e que conheçam
71
outras culturas. Possibilita ao professor mediar discussões que tracem paralelos entre a
produção artística de alunos e de artistas, onde descobrirão semelhanças e diferenças em
relação aos olhares, bem como permite ao aluno através do ler, produzir e informar-se
construir seu conhecimento de forma sensível, dialógica e estética.

72
Referência Bibliográfica

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BARBOSA, Ana Mae T. Bastos. “As mutações do conceito e da prática”. In: Inquietações e
mudanças no ensino da Arte.1. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
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fundamento na preparação do pedagogo”. In: Samain Etienne (org). O fotográfico e outros
ensaios. Campinas: Senac. São Paulo: Senac, 2005. (p.192).
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BOSI, Eclea. Memória da cidade: lembranças paulistanas. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142003000100012&script=sci_arttext>
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CANCLINI, Néstor Garcia. A socialização da Arte-Teoria e Prática na América Latina.
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FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da
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FUSARI, Maria F. de Resende; Ferraz, Maria Heloísa C. Toledo. Arte na educação escolar.
2. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. 4 ed. São Paulo: Ateliê
Editorial, 2009.
KOSSOY, Boris. “Fotografia e memória: reconstituição por meio da fotografia”. In:
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SMITH-SHANK, Deborah. “Cultura visual e pedagogia visual”. In: MARTINS,
Raimundo. TOURINHO, Irene (orgs). Educação da cultura visual: narrativas de ensino e
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SOARES, Ismar Oliveira. Educomunicação: Um campo de mediações. Disponível
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______. Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação. 2 ed. São Paulo: Paulinas,
2011.
ANEXOS

ANEXO A – entrevistas com os alunos participantes

Vitória (14 anos)


Imagem 1: duas pessoas sentadas num banco, tem uma árvore perto. A imagem está
preta e branca, e eles tão observando o mar.
Imagem 2: Parece uma porta, lembra saída, liberdade.
Imagem 3: crianças negras, provavelmente em uma favela, brincando com bexigas,
algumas estão descalças. Parecem felizes.
Imagem 4: Várias pessoas em uma banca de jornal lendo as capas das revistas e
jornais. Estão lendo sem pagar.
Imagem 5: parece ser uma escada de um farol, algo assim. Parece que tem pessoas
descendo a escada. Mas dá para ver só o movimento dessas pessoas.

Ianara (13 anos):


Imagem 1: Imagem 1 – Vejo um casal de namorados, que estão de costas para o
fotógrafo. Estão olhando o rio. É uma imagem calma, romântica.
Imagem 2: Parece uma janela de casa antiga. Lembra casas de sítio. Na cidade hoje
não se vê mais dessas janelas. Mas é bonita.
Imagem 3: São várias crianças brincando. Acho que são bem pobres, porque estão
com roupas bem velhas, descalças. Mas mesmo bem pobres, estão brincando com
bexigas, rindo e correndo.
Imagem 4: A imagem mostra uma banca de jornal cheia de pessoas em volta
olhando as revistas. O lugar parece um lugar antigo, talvez por causa da cor da foto
preto e branco.
Imagem 5: A imagem mostra uma escada meio estranha, com vultos de pessoas
descendo e correndo, a escada é redonda e grande. A imagem dá medo.

Thainara (14anos)

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Imagem 1: Imagem 1 – Um rio, duas pessoas sentadas e ao fundo uma mata. Acho
que estão discutindo, porque não estão bem juntinhos.
Imagem 2: Uma porta velha, antiga. Dá a ideia de uma casa pobre, de madeira.
Imagem 3: Crianças africanas que moram em um lugar pobre, lugar deserto, com
casas de madeira e no fundo das casas tem uma floresta. As crianças estão contentes,
correndo e brincando.
Imagem 4: Mostra algumas pessoas em frente a uma banca, observando as revistas
e jornais. A banca fica em uma rua longa, a imagem foi registrada em preto e branco
que dá um ar antigo na foto.
Imagem 5: É uma escada que parece uma concha, com reflexos de pessoas dentro
dela.
Jessica (13anos)
Imagem 1: – a imagem retrata uma paisagem com um rio, árvores e um casal sob a
sombra das árvores. A imagem foi feita em preto e branco.
Imagem 2: retrata uma porta velha com raios solares refletindo sobre ela, que
também está em preto e branco. A porta é um sinal muito importante na nossa vida
porque retrata entrada e saída, liberdade e prisão.
Imagem 3: mostra a pobreza mas ao mesmo tempo a felicidade das crianças ao
receberem os balões que para elas podem ser raros. A foto é colorida, o que reforça
a sensação de alegria. As crianças estão correndo, pulando o que dá uma impressão
de movimento na foto.
Imagem 4: Mostra uma parte da rua e uma banca de revistas e jornais. Existem
várias pessoas aparentemente lendo as revistas e os jornais, procurando se informar.
A foto foi feita em preto e branco, dando uma impressão de foto antiga.
Imagem 5: mostra uma escada em forma de espiral, o que cria uma sensação de
perspectiva e profundidade. Nessa escada, aparece sombras de pessoas que
aparentemente estão descendo. A cor meio amarronzada deixa a foto com um ar de
foto envelhecida.

Thayná (14 anos)


Imagem 1: A imagem retrata duas pessoas observando o mar, um romantismo.
Imagem 2: É uma porta, tem a aparência de ser velha.
Imagem 3: São crianças negras, pobres se divertindo com bexigas, em uma vila de

76
uma baixa classe social.
Imagem 4: várias pessoas observando revistas em uma banca de jornal.
Imagem 5: Para ser uma escada de um farol, ou algo parecido, da impressão que
não tem fim.

Gabrielle (16 anos)


Imagem 1: a primeira figura mostra um rio e duas pessoas, namorado sentado e
uma árvore neles.
Imagem 2: uma imagem que simboliza uma janela antiga que ninguém dentro dela.
Imagem 3: a imagem a menina está com negócio vermelho na mão enrolada e ima
criancinha com bexiga na mão ele está dando risada.
Imagem 4: representa umas pessoas vendo revista e jornais. A rua é comprida e fica
fina.
Imagem 5: uma escada descendo pessoas e uma pessoa subindo. A escada é
enrolada e a imagem é toda marrom.

Victória (14 anos)


Imagem 1: uma paisagem com duas pessoas. As pessoas observando o rio. A
imagem tem no fundo árvores e um banco. Parece triste porque a cor é preta e
branca.
Imagem 2: uma porta aberta pela qual entra luz em uma sala escura. É uma imagem
que dá medo, a cor preta e branca ajuda dar medo. Não tem pessoas.
Imagem 3: tem crianças pobres, africanas brincando na rua de terra. As casas que
aparece no fundo são casas de favela feitas com restos de paus. Mas as crianças
estão felizes. A imagem é colorida e alegre.
Imagem 4: pessoas em uma rua antiga olhando para os jornais e revistas em uma
banca na esquina. A imagem tem fundo, a sensação de que a rua vai ficando fina
com a distância.
Imagem 5: Pessoas subindo uma escada em espiral. A imagem está desfocada,
borrada. Dá uma impressão de filme de terror.

Bianca (14 anos)


Imagem 1: um casal sentado na berada do rio, tão de costa para a foto. A foto é

77
triste porque é preta e branca. Tem uma árvore seca que deixa a foto mais triste
ainda.
Imagem 2: É a janela de uma casa velha e abandonada e também é triste por causa
da cor preta e branca. Mais entra um pouco de luz porque ela tá meia aberta talvez
tem gente la dentro.
Imagem 3: tem um monte de criança escura brincando e elas são muito pobre e
também tão feliz com bexigas na mão. Tão correndo na terra com roupa rasgada
mais não liga para isso tão feliz do mesmo jeito.
Imagem 4: tem uns homens olhando a notícia do jornal da banca da esquina. Assim
eles não vão compra o jornal mais vão saber o que tem na notícia. A foto parece de
uma cidade velha antiga. A cor dela deixa mais antiga ainda. A rua da foto e
cumprida parece que não tem fim.
Imagem 5: Não gostei da foto parece que tem fantasma subindo e decendo uma
escada toda torcida que parece de uma igreja abandonada. A foto também tá com
uma cor esquisita meia marron escura misturada com preta. Podia ter aparecido mais
coisa na foto aí dava para fala mais dela.

Gabriel (14 anos)


Imagem 1: Duas pessoas sentada num banco olhando um rio ou mar com uma
árvore e uma paisagem no fundo. Parece que são namorados, tem um ar romântico,
acho que pela cor preto e branco.
Imagem 2: lembra uma porta aberta com a luz entrando. Passa uma ideia de
liberdade.
Imagem 3: meninos brincando com bexigas em uma espécie de favela. São crianças
negras e muito pobres, mas tão felizes com suas bexigas. É uma imagem bem
colorida, que reforça o ar de alegria.
Imagem 4: pessoas olhando um estabelecimento comercial, uma banca de revistas
que está em uma esquina. Tem várias pessoas mais velhas olhando as manchetes dos
jornais. Tem uma sensação de perspectiva na rua, parece que ela vai diminuindo.
Imagem 5: Uma torre com uma escada de forma espiral. Tem sombras de pessoas
na escada, parece que tão descendo...A cor caramelo escuro ocupa toda a imagem.

Gabriel 2 (14 anos)

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Imagem 1: Uma linda paisagem com duas pessoas olhando para o mar. A imagem é
dividida por uma cerca que separa o mar da calçada. É uma imagem romântica por
causa da cor preto e branco.
Imagem 2: Uma janela aberta velha e suja tudo preto e branco. Parece a janela de
uma casa abandonada. É uma imagem triste.
Imagem 3: crianças felizes brincando e se divertindo com bexigas na frente de duas
casas. São crianças pretas e bem pobres, parece africanas. As casas são bem pobres
do tipo favela. A fotografia é bem colorida da mais ainda o ar de alegria.
Imagem 4: pessoas olhando uma banca de jornais e revistas. Todos são homens. A
banca está numa esquina e a rua aparece bem comprida o que dá a ideia de
perspectiva na foto.
Imagem 5: aparentemente um túnel com escada em formato de espiral. Tem uns
borrões que parecem pessoas descendo. É uma imagem surrealista

Felipe (15 anos)


Imagem 1: Eu achei essa paisagem dessa imagem com o fundo bonito com um
casal, perto da beira do rio abraçado em um fim de dia bem romântico ao lado de
uma árvore. É uma imagem bem dividida.
Imagem 2: nessa imagem eu vejo uma porta aberta e está um dia de sol e o interior
da casa é com pouca iluminação. A porta ocupa toda a imagem.
Imagem 3: mostra cinco crianças se divertindo em um lugar que é bem pobre com
uns barracos no fundo. A imagem é colorida e bem alegre mesmo as crianças sendo
muito pobres.
Imagem 4: nela acredito que seja em uma cidade que foi fotografada a pouco tempo
atrás. Tem um povo olhando na parede em uma esquina que parece ser uma
banquinha de jornal. Esse povo está lendo os jornais se informando.
Imagem 5: parece uma escada para subir dentro de uma torre. Parece ser um farol
para navios. Tem sombras de pessoas, acho que é um farol abandonado e as sombras
são fantasmas. O formato da escada parece que ela está se mexendo.

Otávio (14 anos)


Imagem 1: Uma paisagem de fundo, com árvores e a luz do sol que realça as duas
pessoas da frente, a árvore que dá o efeito tranquilo do local, o rio calmo, que dá

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brilho a imagem.
Imagem 2: é uma janela meio aberta, a escuridão presente na maioria da imagem
que simboliza o fim da esperança, o escuro, o terror. A pouca luz que entra, mostra
que o branco dá o último feixe de paz.
Imagem 3: a imagem mostra a triste realidade de quem vive na miséria, mas mesmo
assim encontra alegria e felicidade nas coisas mais simples como correr e brincar ao
ar livre com simples bexigas. Mas é uma imagem que devemos pensar sobre ela, e
ver que existe muita miséria no mundo.
Imagem 4: o efeito preto e branco dá a impressão de um local que sempre será
igual, uma esquina diferente das outras, onde tem uma banca de jornais que desperta
a curiosidade pela informação. Tem uma profundidade na imagem que faz o
observador se sentir dentro da foto.
Imagem 5: uma imagem confusa, dá a impressão de infinito, que a escada não tem
fim por causa do seu formato espiral. Tem um jogo de luzes e sombras que deixa o
local misterioso.

João Fernando (14 anos)


Imagem 1: a minha opinião sobre a foto é que este lugar parece ser muito calmo,
poucas árvores, com um mar bem a frente. Tem um casal de namorados olhando
esta paisagem. Tem uma cerca que divide a imagem praticamente na metade, coloca
equilíbrio na foto. A cor preto e branco também colabora com o ar romântico do
casal.
Imagem 2: é uma janela, que mais parece um quadro, porque ocupa toda a foto.
Está em preto e branco, parece misteriosa, abandonada.
Imagem 3: São crianças muito pobres e negras, acho que africanas. Mas estão
brincando muito e felizes com algumas bexigas. As casas que eles moram são casas
de favela.
Imagem 4: Parece a rua da feira da 25 de março em São Paulo, bem antiga mas
muito bonita. Neste local as pessoas se encontram para ler as manchetes que estão
na banca de jornais. É uma imagem bonita com o ar de antiga por causa da cor preto
e branco.

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Imagem 5: é uma escada que leva para um portal para ir do futuro para o passado.
A cor ajuda dar essa ideia, as sombras também, mistura o real e a ilusão.

Henrique (14 anos)


Imagem 1: Um casal observa o céu e o mar juntos, de um modo romântico. Parece
um dia meio nublado, por causa da cor da foto preto e branco.
Imagem 2: Uma grande janela antiga de madeira que lembra uma casa abandonada.
Esta imagem também está de cor preto e branco, que ajuda a deixar a janela com
cara de velha.
Imagem 3: São crianças pobres, mais felizes brincando com bexigas.
Aparentemente estão comemorando algo. O colorido da foto reforça a alegria das
crianças que são negras. Tem umas casas no fundo da imagem que casas bem pobres
de favela,
Imagem 4: São pedestres observando alguma coisa dentro de uma banca de jornais
no centro da cidade numa esquina. Parece ser uma rua tranquila.
Imagem 5: é uma escada mas que se parece com um trilho de montanha russa,
distorcida em espiral. As sombras dão uma ideia de lugar mal assombrado.

Gabriel 2 (13 anos)


Imagem 1: esta primeira imagem mostra uma paisagem com duas pessoas sentadas
no banco observando um lago, demonstra sossego, paz, tranquilidade.
Imagem 2: Essa imagem mostra uma janela de uma casa meio sombria. A janela
um pouco aberta mostra a ideia de entrada de luz que dá paz no lugar.
Imagem 3: Aqui é mostrado cinco crianças negras brincando muito. Elas estão com
bexigas nas mãos e estão felizes, mesmo sendo muito pobres e morando na favela.
Imagem 4: mostra uma banca de revistas em uma cidade tranquila onde as pessoas
mais velhas tem o hábito de parar na frente da banca e ler as notícias. A fotografia
foi bem feita tudo está bem distribuído.
Imagem 5: esta mostra uma escada dentro de uma torre, parece que indo para um
sino. Representa uma torre abandonada de uma igreja, com fantasmas subindo e
descendo. É uma foto que dá um ar de coisa impossível de existir.

Rafael 3 (14 anos)

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Imagem 1: eu vejo duas pessoas sentada no banco de pedra apreciando a paisagem
que tem um rio e algumas árvores.
Imagem 2: uma janela de uma casa humilde e pobre. A luz ilumina a abertura da
janela. Parece que a luz corta a imagem, divide a foto.
Imagem 3: as crianças estão festejando alguma coisa em uma vila de classe baixa.
Elas são bem escuras e bem pobres, mas são felizes. As casas que aparece na
imagem mostra a pobreza do lugar.
Imagem 4: vejo um centro de uma cidade com alguns homens lendo jornais numa
banca de revista. Parece uma cidade pequena e antiga.
Imagem 5: Eu vejo nesta imagem uma escada que provavelmente é uma escada de
um castelo ou de um farol com espíritos indo para cima e para baixo.

Nicolas (14 anos)


Imagem 1: : mostra provavelmente o por do sol em que duas pessoas se encontram
a sós com um clima romântico e de plenitude e calma. Tudo isso olhando o mar
sentados num banquinho de praça.
Imagem 2: Uma porta ou algo desse tipo que dá entrada para uma sala escura, mas
também pode levar para outro ambiente onde há muita luz. Traz a sensação de bem
e mal.
Imagem 3: mostra a pobreza e a miséria e ao mesmo tempo a felicidade de algumas
crianças ao receberem alguma coisa como um presente. A fotografia colorida ajuda
na alegria.
Imagem 4: Mostra praticamente o comércio e um modo de sobreviver encontrado
por algumas pessoas. Esse comércio parece uma loja de revistas e jornais e tem
algumas pessoas lendo os jornais mais sem comprar. Parece uma cidade pequena e
antiga.
Imagem 5: Demonstra a grandeza de uma escada que quer mostrar a ligação com
algo superior, mais espiritual. As sombras das pessoas dão a ideia de espíritos
andando pelas escadas.

Rafael 2 (15 anos)


Imagem 1: a foto mostra duas pessoa sentada na beira de um lago ao amanhecer. A
imagem é preta e branca o que reforça ar de romance entre as pessoa. A árvore dá

82
uma ideia de equilíbrio na foto junto com a cerca que divide a foto separano o lago
da rua.
Imagem 2: uma janela meia com um jato de luz demonstrando uma esperança, a
liberdade. Essa imagem também é preta e branca deixa a foto mais misteriosa.
Imagem 3: um grupo de crianças negras brincando felizes com balões coloridos em
uma situação de pobreza com roupas sujas, rasgadas e estão descalças. As casas que
elas moram são bem humildes, mostrando ainda mais a pobreza e miséria.
Imagem 4: Senhores vendo as notícias em uma banquinha que vende jornais e
revistas comDVDs e outras coisas. Essa banquinha está em uma rua apertada com
carros antigos no canto da rua. Tem também casas antigas.
Imagem 5: Um escada em formato de espiral com pessoas com o teto meio
ofuscado e com lâmpadas claras.

Gabriel 3 (14 anos)


Imagem 1: duas pessoas na beira do rio observando a bela paisagem de lá. Acho
que são namorados, mais não tão brigando.
Imagem 2: pode ser uma porta mais talvez por um outro ângulo pode ser uma até
uma janela. Parece que essa porta ou janela e de uma casa bem velha, bem pobre.
Imagem 3: crianças em aldeia de gente negra e bem pobre. Tão brincando com
bexigas coloridas que ganharam de alguém.
Imagem 4: pessoas lendo alguma reportagem ou notícias em uma banca só para não
compra o jornal. Acho que são pobres também, senão compraria o jornal.
Imagem 5: parece ser uma escada de um farol igual o de filme com mar.

83
ANEXO B – Fotografias realizada pelos alunos participantes

Bianca, 14 anos

Imagem 16
Caminho, 2012

Imagem 17
Céu, 2012

84
Felipe, 15 anos

Imagem 18
Colhendo uma flor, 2012

Gabriel 2, 14 anos

Imagem 19
Meu bebê, 2012

85
Gabriel, 14 anos

Imagem 20
Irmão do bebê, 2012

Isadora, 14 anos

Imagem 21
Fundo azul, 2012
86
Isadora, 14 anos

Imagem 22
Solto no céu, 2012

Vitória, 14 anos

Imagem 23
Meu céu, 2012
87
Victória, 14 anos

Imagem 24
Folgada..., 2012

Ianara, 13 anos

Imagem 25
Lá fora, 2012

88
Ianara, 13 anos

Imagem 26
No ritmo, 2012

Thainara, 14 anos

Imagem 27
Hora do lanche, 2012
89
Roberta, 14 anos

Imagem 28
Luz no café, 2012

Imagem 29
Caminho da música, 2012
90
Jessica, 14 anos

Imagem 30
Minhas origens, 2012

Imagem 31
Quebrado mas iluminado, 2012

91
Tainá, 14 anos

Imagem 32
Muito loco, 2012

Imagem 33
Muito loco 2, 2012

92
Gabrielle, 16 anos

Imagem 34
Prisão, 2012

Imagem 35
Perto de casa, 2012

93
Gabriel, 14 anos

Imagem 36
Passeio, 2012

Imagem 37
Olha o sol, 2012

94
Otávio, 14 anos

Imagem 38
O lobo, 2012

Imagem 39
Estou escondido, 2012

95
João Fernando, 14 anos

Imagem 40
Corrimão, 2012

Imagem 41
Fim de dia, 2012
96
Henrique, 14 anos

Imagem 42
Mosquito posando para foto, 2012

Imagem 43
Brilho no parquinho, 2012

97
Guilherme, 14 anos

Imagem 44
E Capitu, 2012

Gabriel 3, 14 anos

Imagem 45
Café em casa, 2012

98
Gabriel, 14 anos

Imagem 46
Fogo para o café, 2012

Rafael 2, 14 anos

Imagem 47
Só olhando, 2012

99
Rafael 2, 14 anos

Imagem 48
Anoitecer chegando em Ourinhos, 2012

Rafael, 14 anos

Imagem 49
Biblioteca de Vidro, 2012

100
Nícolas, 14 anos

Imagem 50
Caminho para quadra, eba!, 2012

Imagem 51
Alegria, 2012

101
Gabriel 4, 14 anos

Imagem 52
Canavial, 2012

Imagem 53
Eu vou, 2012

102
ANEXO C - Fotografias realizadas pelos professores participantes

Silmara, 43 anos

Imagem 54
Flor solitária, 2012

Imagem 55
Caminho, 2012

103
Fabiana, 24 anos

Imagem 56
Leque verde, 2012

Imagem 57
Paz, 2012

104
Nilse, 43 anos

Imagem 58
CREF I – Ai ai, 2012

Imagem 59
CREF II – Não aguento, 2012

105

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