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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO – MESTRADO
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA EM EDUCAÇÃO

FICHAMENTO

GAMBOA, Silvio A. S. A dialética na pesquisa em educação: elementos de contexto. In: FAZENDA, Ivani
(org.). Metodologia da pesquisa educacional. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1997. pp. 93-115

Erivelto Rodrigues Teixeira


Mestrando – Matrícula: 2110284

O texto aborda a temática dialética caracterizada como uma das tendências da pesquisa educacional em um
universo de 502 dissertações e teses de cursos de pós-graduação em Educação no Estado de São Paulo en-
tre 1971 e 1984.
MODALIDADES DE PESQUISA
CATEGORIAS Fenomenológico-
Empírico-analíticas Crítico-dialéticas
hermenêutica
66% das pesquisas técnicas são nesta Utilizam técnicas não- Utiliza as técnicas
modalidade. Em comum temos: téc- quantitativas como entrevis- das pesquisas fe-
nicas de coleta, tratamento e análise tas, depoimentos, vivências, nomenológicas-
de dados quantitativos com uso de narrações, técnicas biblio- hermenêuticas e
Nível técnico
estatística. Além de testes padroniza- gráficas, histórias de vida e também a pesquisa-
dos e questionários codificados, e análise do discurso. ação e a pesquisa-
técnicas descritivas passíveis de co- participante.
dificação numérica, bem como técni-
cas de análise de conteúdos.

Nível teórico * Privilegia autores clássicos do po- * Maior parte das teses e * Nesta modalidade
sitivismo e da ciência analítica. Tra- dissertações privilegiam os os estudos sobre
PRESSUPOSTOS

tamento de temas obedece às defini- estudos teóricos e a análise experiências, práti-


LÓGICOS

ções de variáveis. Aparece como de textos e documentos. cas pedagógicas,


revisões bibliográficas sobre o tema processos históri-
* fundamentação tratado. A argumentação e a discus- cos, discussões
teórica são representa uma parcela reduzida, filosóficas ou análi-
pois tendem a ser exclusivos de pro- ses contextualiza-
duções que utilizaram publicações, das a partir de um
textos e similares. prévio referencial
teórico.
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* presença da *Algumas pesquisas excluem qual- * Críticas explícitas às *Postura crítica de


crítica quer discussão, confronto, debate ou abordagens fundadas no interesse transfor-
questionamento, amparada na ideia experimentalismo, nos mé- mador contextuali-
de neutralidade e imparcialidade. todos quantitativos e nas zando historica-
propõe-se diferenciar a pesquisa da propostas tecnicistas. O mente o tema e
crítica baseado no processo técnico e contexto ideológico da indicando possíveis

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nas posturas. As críticas que apare- conscientização está presen- mudanças.
cem estão em cima dos aspectos téc- te.
nicos.

Nível epistemo- * a causalidade é o eixo da explica- * Não priorizam a relação * Não priorizam a
lógico ção científica que se explicita na causal. A causalidade é uma relação causal. A
experimentação, sistematização, con- relação entre o fenômeno e causalidade é uma
trole e análise. Há vários conceitos a essência, o todo e as par- inter-relação entre
* concepção de de causalidade conforme a aborda- tes, o objeto e o contexto. os fenômenos, do
causalidade gem: empirista, positivista, sistêmica todo com as partes
e funcionalista. e vice-versa, da
tese com a antítese,
dos elementos da
estrutura econômi-
ca com os da supe-
restrutura social,
política, jurídica e
intelectual.
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*validação da prova científica se *confia no processo lógico *se fundamentam


fundamenta no teste dos instrumen- de interpretação e na capa- na lógica interna do
tos de coleta e tratamento dos dados, cidade de reflexão, a racio- processo e nos mé-
* critério de ci- no grau de significância estatística, nalidade prático- todos que explici-
entificidade nos modelos de sistematização das comunicativa. tam a dinâmica e as
variáveis e na definição operacional contradições inter-
dos termos utilizados. nas dos fenômenos
e sua razão trans-
formadora.

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*Está relacionada com a concepção * a ciência consiste na com- *as outras concep-
* concepção de de causalidade. A ciência busca a preensão dos fenômenos em ções são constan-
ciência causa do fenômeno e os fatos e con- suas variantes e invariantes, temente retomadas,
dicionantes que o geram. O processo ou na explicitação dos pres- criticadas e reinte-
hipotético-dedutivo se fundamenta supostos, das implicações e gradas, visando sua
na percepção e registro dos dados de dos mecanismos ocultos nos superação. Consi-
origem empírica e na lógica da de- quais se fundamentam os dera a ação como a
monstração matemática. Uso obriga- fenômenos, e estes precisam categoria epistemo-
tório de hipóteses e de processos ser compreendidos, interpre- lógica fundamental.
lógico-dedutivos para a verificação, tados. O interesse cognitivo
refutação ou falseamento dessas hi- que comanda as pesquisas é
póteses. Suas abordagens seguem a comunicação.
exclusivamente dados empíricos,
fatos objetivos, consequências ob-
servadas e elementos da rede causal.
O processo lógico-dedutivo se ex-
pressa por premissas dedutíveis e
sustentáveis. As hipóteses se tornam
afirmações científicas ou teses de-
pois de verificadas ou de terem resis-
tido às refutações. Seguem os mes-
mos princípios válidos para as ciên-
cias físicas e naturais.

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Elemento da O elemento é a objetividade, o pro- O elemento é a subjetivida- O elemento é a
relação gnosio- cesso cognitivo centralizado no obje- de, um processo centrado no concentricidade,
lógica que é pri- to que supõe a existência do dado sujeito. O acesso aos fatos é centralizada na
GNOSIOLÓGICOS
PRESSUPOSTOS

vilegiado imediato despido de conotações sub- dado através da compreen- relação dinâmica
jetivas. são do sentido, em lugar da sujeito-objeto. O
observação. concreto passa pelo
abstrato, de carac-
terísticas subjeti-
vas, e forma uma
síntese validada na
mesma ação de
conhecer.

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A noção de homem está marcada Predomina a visão existen- O homem é tido
pelas concepções tecnicistas e funci- cialista do homem. O ho- como ser social e
onalistas. A educação diz respeito ao mem é tido como projeto, histórico; embora
Concepção de treinamento através de estímulos, ser inacabado, ser de rela- determinado por
homem reforços e processos que visam ao ções com o mundo e com os contextos econômi-
desenvolvimento de suas aptidões, outros. cos, políticos e cul-
habilidades ou potencialidades, a turais, é o criador
aprendizagem de papéis, de normas da realidade social
PRESSUPOSTOS ONTOLÓGICOS

sociais e padrões de comportamento. e o transformador


desses contextos.
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A história tem uma concepção sincrôni- A história tem uma concepção A história tem uma
Concepção de ca. sincrônica e também se preo- concepção que se pre-
história cupa com a diacronia. ocupa com a diacronia
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Concepção de Visão homogênea e não-conflitiva da O fenômeno, fato, ou assun- A visão do mundo,


realidade ou vi- sociedade e à visão estática dos modelos to estudado é isolado, tendo entendida como
são de mundo positivistas, funcionalistas e estrutura- como pano de fundo fixo o uma percepção
listas, que privilegiam a concepção on- contexto, o ambiente exter- organizada da rea-
tológica do mundo, fundada no princí- no ou o cenário. As pesqui- lidade que orienta a
pio de identidade e que preferem a des- sas são coerentes com a produção da pes-
crição do universo ordenado, sujeito a visão dinâmica da realidade quisa, se constrói
leis permanentes. e as noções ontológicas de através da prática
mundo inacabado e universo cotidiana do pes-
em construção e estão preo- quisador e das con-
cupadas em perceber os dições concretas de
fenômenos no seu devir e na sua existência.
sua história.

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