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MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS

I – CONSTRUÇÃO:

Qualquer motor de indução monofásico possui o rotor semelhante ao usado nos


motores de indução polifásicos de rotor em gaiola de esquilo (ou em curto-circuito). Nos
motores de fase dividida, nosso objetivo, o estator é constituído de ranhuras uniformemente
distribuídas onde é inserido o enrolamento de estator que é dividido em duas partes, ligadas
em paralelo, cada uma delas deslocadas no espaço e no tempo. A finalidade deste
procedimento é a de produzir um campo magnético girante no estator e também o torque de
partida (figura 18.1), como será visto posteriormente.

Figura 18.1 – Posições relativas no estator entre os enrolamentos, principal (m) e auxiliar
(a), para um MIM de 2 pólos.

São os seguintes os dois enrolamentos do estator:

1. Enrolamento principal ou de funcionamento (“main” = m)

É formado por bobinas distribuído em ranhuras, uniformemente espaçadas em


volta do estator. Possui normalmente impedância apreciável para manter baixa a corrente
de funcionamento.

2. Enrolamento auxiliar ou de partida (“auxiliary” = a)

É também distribuído uniformemente na periferia do estator, mas começando


em ranhuras defasadas de 90 graus elétricos do início do enrolamento principal, sendo
ligado em paralelo com este enrolamento. Sua corrente e impedância são normalmente
ajustados em relação à tensão de linha de modo que sua corrente esteja adiantada em
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relação à corrente do enrolamento principal, não necessariamente de 90 graus, mais o
suficiente que haja um defasamento no tempo, uma vez que já há no espaço. Sua
finalidade essencial é produzir a rotação do rotor.

Figura 18.2 – Ligações de um MIM de fase dividida e capacitor permanente para 2 tensões;
(a) ligação paralelo 110 V; (b) ligação série 220 V.

FUNCIONAMENTO:

Os motores de indução trifásicos (MIT), precisam de um campo magnético


girante no estator para dar origem à rotação e à operação do motor. Como um MIM e um
MIT possuem enrolamentos de rotores idênticos (enrolamento em gaiola), mas estatores
diferentes (um é trifásico e o outro monofásico), faz-se necessário à formação de um campo
magnético no estator que se desloca de posição no tempo para produção de um conjugado
no rotor e assim girá-lo. Uma das maneiras de conseguir um campo girante de estator
equivalente a, por exemplo, 2 pólos, é utilizar dois enrolamentos no estator deslocados de
90 graus elétricos um de outro (figura 18.3) e fazer com que as correntes que devem
circular nos dois enrolamentos fiquem com uma defasagem no tempo de, no mínimo, o
suficiente para originar o movimento do rotor (partida).
Os MIM’s que usam dois enrolamentos no estator alimentados por uma única
fonte CA, ligados em paralelo, são chamados de “motores de indução monofásicos de fase
dividida” e, de acordo com o artifício utilizado para partir o motor (defasando as correntes)
são ainda subdivididos em vários tipos que são:

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1. MIM de fase dividida de partida à resistência (ou, simplesmente, de fase dividida).

(a) Diagrama de ligações

(b) Diagrama fasorial na partida

Figura 18.3

Neste caso, basta termos:

Ra Rm

Xa Xm

A figura 18.3a mostra uma maneira de conseguir isto, ou seja:

 Enrolamento auxiliar  menos espiras com condutor de menor seção


 Enrolamento principal  mais espiras com condutor de maior seção.

R alta e X a baixa  Z a 
Assim obtemos (na partida)  a  Zm  Z a
 m
R baixa e X m alta  Z m
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OBS.: Uma maneira de reduzir um pouco o valor de Xa é colocá-lo no topo da ranhura do
estator.

O enrolamento auxiliar é desligado após a partida, por uma chave centrífuga, a


cerca de 75% da velocidade síncrona. Razões:

a) O torque desenvolvido pelo enrolamento principal na condição nominal é superior ao


que seria desenvolvido por ambos os enrolamentos (figura 18.4).
b) Como vantagem adicional, as perdas são reduzidas com a eliminação do enrolamento
auxiliar e por causa disto este é também chamado de enrolamento de partida ou
auxiliar e o outro de enrolamento de funcionamento ou principal.

Figura 18.4 – Características torque x velocidade

 Vantagens : custo baixo


 Desvantagens : Tp baixo (de 1,5 a 2,0 vezes Tnom)

Em cargas pesadas o escorregamento aumenta (reduz N), resultando um torque


elíptico e pulsante e maiores vibrações.

 Aplicações: Ventiladores, bombas centrífugas e cargas barulhentas tais como esmeris,


máquinas de lavar, etc.
 Potências típicas: 1/20 a ½ HP

2. MIM de fase dividida com partida a capacitor

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(a) Diagrama de ligação

(b) Diagrama fasorial na partida

(c) Característica torque x velocidade

Figura 18.5

Neste tipo de motor, o torque de partida é melhorado com a inclusão de um


capacitor em série com o enrolamento auxiliar, figura 18.5a., dimensionado de tal maneira
a produzir um defasamento entre Im e Ia de quase 90 graus, figura 18.5b., (sendo 82 graus
um bom compromisso entre vários fatores como conjugado de partida, corrente de partida e
custo). O aumento do Tp pode ser entendido pela relação:

Tp = K Ia Im sen

Onde  = ângulo (defasamento) entre Ia e Im

Novamente o enrolamento auxiliar é desligado após o motor ter partido, figura


17.5c., e consequentemente este e o capacitor são projetados a mínimo custo para serviço
intermitente.

 Vantagens: - Tp elevado (de 3,5 a 4,5 vezes Tmon)


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- Ip reduzido
- Pode ser usado como “motor reversível”
 Desvantagens: - Aumento do custo
- Maiores danos pela falha nas chaves de partida em abrir o circuito
do enrolamento auxiliar devido ao capacitor.
 Aplicações: bombas, compressores, unidade de refrigeração e condicionamento de ar e
outras cargas de partida difícil ou que requeriam a inversão de rotação do motor.

3. MIM de fase dividida com capacitor permanente

(a) Diagrama de ligações

(b) Diagrama fasorial em funcionamento

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(c) Característica torque x velocidade

Figura 18.6

Neste tipo, o capacitor e o enrolamento auxiliar não são desligados após a


partida e a construção pode ser simplificada pela omissão da chave centrífuga. A
capacitância C deve ser bem menor que Cp do caso anterior para não sobrecarregar o
enrolamento auxiliar durante o funcionamento.

 Vantagens: - melhoria no fator de potência


- melhoria no rendimento
- melhoria nas pulsações de conjugado (se bem projetado teremos um
motor sem vibração)
- inversão de velocidade mais fácil
- não requer chave centrífuga
- possibilidade de corrente de velocidade pela variação da tensão
aplicada.
 Desvantagens: - Redução de Tp para C < Cp
- Tnom mais baixo

 Aplicações: ventiladores, exaustores, máquinas de escritório e unidades de


aquecimento.
 Potências típicas:

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4. MIM de fase dividida a duplo capacitor

(a) Diagrama de ligações

(b) Característica torque x velocidade

Figura 18.7

Este tipo de motor combina as vantagens do MIM a capacitor (tais como


operação silenciosa e controle limitado da velocidade) com as vantagens do MIM com
partida a capacitor (torque de partida elevado e corrente de partida reduzida).
Os diagramas fasoriais para as condições de partida e funcionamento são iguais
à figura 18.5b e figura 18.6b respectivamente.
 Aplicações: em compressores de unidade domésticas de ar condicionado.

Notas sobre os capacitores usados no motores:

1. O capacitor empregado para a partida de MIM (Cp) é do tipo eletrolítico, seco,


para C.A., compacto especial de forma cilíndrica, feito especialmente
para partida de motores, isto é, para uso intermitente.

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2. O capacitor utilizado permanentemente ligado (C) é do tipo a óleo, para C.A.,
para uso contínuo.
3. Ambos são encontrados nas tensões de 110 e 220 volts.
4. Em geral, Cp >> C. Ex.: Num motor de ½ HP seria utilizado um capacitor de

aproximadamente.

5. Motor de Indução de polos sombreados

Motor de indução monofásico com campo distorcido ou pólos sombreados (Shaded–Pole)


apresenta um enrolamento auxiliar curto-circuitado.
O motor de campo distorcido se destaca entre os motores de indução monofásicos, por seu
método de partida, que é o mais simples, confiável e econômico.
Uma das formas construtivas mais comuns é a de pólos salientes, sendo que cerca de 25 a
35% de cada pólo é enlaçado por uma espira de cobre em curto circuito. A corrente
induzida nesta espira faz com que o fluxo que a atravessa sofra um atraso em relação ao
fluxo da parte não enlaçada pela mesma.
O resultado disto é semelhante a um campo girante que se move na direção da parte não
enlaçada para a parte enlaçada do pólo, produzindo conjugado que fará o motor partir e
atingir a rotação nominal.

REFERÊNCIAS:

Kosow – Capítulo 10, ítens 10.1 a 10.8


Fitzgerald – Capítulo 11, ítens 11.1 e 11.2 e Cap9 item 9.2.4
Falcone – ítem 6.19

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