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TIC e virtualidade

ESPECIALIZAÇÃO EM ARQUITETURA DE INTERIORES E CENOGRAFIA – UNIFRAN – Prof. César Muniz

Antes de começar

3 questões:
• O que é Tecnologia da Informação e da
Comunicação?
• O que é virtualidade?
• Qual o impacto da TIC na:
9Sociedade Contemporânea?
9Prática profissional do Arquiteto e Urbanista?

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Do que trataremos?

1. Materialidade versus virtualidade;


2. Permanência versus transitoriedade;
3. Espaço concreto, espaço virtual e espaços
híbridos;
4. Hipermídia, redes de interfaces e ambientes
interativos;
5. O interespaço cenográfico;

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Materialidade versus virtualidade

A oposição real x virtual não é apropriada.


Por que?
• O que é virtual não é concreto, não apresenta
materialidade;
• O que é virtual é real e tangível, pois é objeto da
nossa percepção, não apenas da nossa
imaginação;

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Materialidade versus virtualidade

Mas o que é realidade?


• “o modo de ser das coisas existentes fora da
mente humana ou independentemente dela”
(ABBAGNANO, 2000);
• Para os empiristas Berkley e Hume, a realidade é
o que pode ser percebido;
• Hegel não aceita a divisão interior/exterior. Para
ele, ela é a “unidade imediata, que se produziu,
da essência e da existência, ou do interno e do
externo”. (CROCE, 1903)
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Materialidade versus virtualidade

E a virtualidade?
• Expressão cunhada por Ted Nelson que também
inventou o termo ‘hipertexto’ em 1965. Para ele,
era a “estrutura conceitual de um sistema textual
em que idéias pudessem ser trocadas
livremente”;
• Potência. Algo que pode ser, uma pre-formação
(Aristóteles);
• Na Física, virtual é a imagem contida no espelho.

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Antes de continuar

Algumas questões:
1. Como fica o espaço, objeto central da atividade
do arquiteto diante destas idéias?
2. Tudo que é virtual está na Internet?
3. Tudo que está na Internet é virtual?

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Permanência versus transitoriedade

Um outro binômio deve ser considerado. A


questão da virtualidade introduz uma outra
questão:

PERMANENCIA x TRANSITORIEDADE

Por não possuir materialidade, o virtual, em


princípio, não está sujeito às mesmas restrições
espaciais e temporais sofridas pelo mundo
concreto.
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Permanência versus transitoriedade

Que relação podemos estabelecer entre o que é


material, o que é virtual, o que é permanente e o
que é transitório:

MATERIAL VIRTUAL

TRANSITÓRIO PERMANENTE

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Para relaxar
A Liquid Architecture de Marcos Novak

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Para relaxar
A Liquid Architecture de Marcos Novak

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Para relaxar
A Liquid Architecture de Marcos Novak

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Para relaxar
Stephen Parella

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Mais uma questão


• Como fica a cenografia frente às duas
polaridades que acabamos de discutir?

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Espaço concreto, espaço virtual e
espaços híbridos

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Espaço concreto, espaço virtual e


espaços híbridos

Esta separação pode ou não ser útil. Talvez seja


quando discutirmos interfaces. Mas não o será
quando discutirmos os espaços híbridos e os
interespaços.

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Espaço concreto, espaço virtual e
espaços híbridos

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Espaço concreto, espaço virtual e


espaços híbridos

O conceito do espaço híbrido permite incorporar,


integrar a transição entre o material e o virtual
tanto no processo projetual quanto na
compreensão das relações intersubjetivas.

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
Multimídia, hipertexto e hipermídia.
• Quais as semelhanças?
• Quais as diferenças?

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
• Multimídia
O conceito de multimídia nasce de uma
abordagem exclusivamente sensorial e
comunicativa. Há na verdade, um uso impróprio,
uma vez que mídia significa meio de
comunicação. Seria mais apropriado falar em
multimeios.

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
sentidos meios
visão imagem estática e em
movimento, texto escrito

audição ruído, música, texto falado

olfato perfumes, essências, líquidos


voláteis

tato textura, temperatura, texto em


braile, esculturas

paladar alimentos, bebidas

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
sentidos mídias
visão teatro, cinema, televisão, web,
publicações impressas

audição rádio + teatro, cinema e


televisão e web

olfato culinária?

tato publicações em braile

paladar culinária?

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
• Hipertexto
Ainda segundo Ted Nelson, “é um paradigma
para interface do usuário para a exibição de
documentos que possuem referências cruzadas
para outros documentos”. Essa definição é do
final dos anos 60. Sua origem, no entanto pode
ser atribuída ao Memex de Vannevar Bush.

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
• Hipermídia
Um dos mais importantes produtos da
convergência tecnológica que vem aproximando
a tecnologia da informação, da comunicação com
as mídias.
Em uma primeira aproximação, podemos dizer
que ela é resultado da utilização de meios
múltiplos estruturados segundo as ligações
semânticas próprias do hipertexto.

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
• Para refletir:
O que teríamos se adicionássemos a esta
estrutura, não apenas documentos digitais de
vários formatos (áudio, vídeo, texto, imagem),
mas dispositivos (microcomputadores, telefones
dos mais variados tipos, televisores etc)?

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
• Interface
Para Pierre Lévy “interface é uma superfície de
contato, de tradução, de articulação entre dois
espaços, duas espécies, duas ordens de
realidade diferente: de um código para o outro, do
analógico para o digital, do mecânico para o
humano. Tudo aquilo que é tradução,
transformação, passagem, é da ordem da
interface.” (1993)

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
• Interface, uniformização da
O objetivo de Douglas Engelbart era o de articular
entre si dois sistemas cognitivos humanos
através de dispositivos eletrônicos inteligentes. A
coerência das interfaces, uma espécie de
característica de interface elevada ao quadrado,
representa um princípio estratégico essencial em
relação a esta visão de longo prazo. Ela seduz o
usuário em potencial e o liga cada vez mais ao
sistema.

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
• Retomando:
De maneira simplificada, Hipermídia é uma
estrutura reticular formada por documentos
multimeios conectados por ligações semânticas.
• Mas, e se...
Além de somar os dispositivos, somássemos,
suas interfaces e os usuários?

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
• Interespaço
Para Terry Winograd, é o espaço híbrido
resultado da soma de uma rede de ligações
semânticas que conecta pessoas, documentos
multimeios, usuários, dispositivos e interfaces.

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
The traditional idea of "interface" implies that we
are focusing on two entities, the person and the
machine, and on the space that lies between
them. But beyond the interface, we operate in an
"interspace" that is inhabited by multiple people,
workstations, servers, and other devices in a
complex web of interactions. ...

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
In designing new systems and applications, we
are not simply providing better tools for working
with objects in a previously existing world. We are
creating new worlds. Computer systems and
software are becoming media for the creation of
virtualities: the worlds in which users of the
software perceive, act, and respond to
experiences. (WINOGRAD: 1997)

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
Antes de continuar:
1. Em que medida a separação entre material e
virtual é útil na concepção do interespaço?
2. Mas para que serve o conceito de interespaço?

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Hipermídia, redes de interfaces e
ambientes interativos
(Estamos quase acabando...)
• Ambientes interativos
Ambientes configurados como interespaços que
privilegiam, pela da interação homem-homem e
homem-máquina, tanto os processos
cognitivos individuais quanto a produção
coletiva de informações e conhecimento.
(Que papo cabeça!)

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Hipermídia, redes de interfaces e


ambientes interativos
• Processos cognitivos
Processos individuais da inteligência, do
processamento da informação e formação de
estados internos. Destacam-se:
9memória;
9atenção;
9percepção;
9ação;
9solução de problemas;
9imaginação;
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Aplicando o conceito de interespaço ao
espaço cenográfico
• Hora de tentar uma síntese
O conceito de interespaço é extremamente
abrangente e sua aplicação em nosso objeto de
estudo — a cenografia — não é tarefa trivial.
Se pensarmos no espaço cenográfico como
interespaço, o que muda?

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Aplicando o conceito de interespaço ao


espaço cenográfico
• Hora de tentar uma síntese
Vamos por partes:
1. O cenário virtual (CV) é um espaço material,
concreto ou híbrido?
2. O CV é permanente ou transitório?
3. O CV é multimídia, multimeio ou hipermídia?
4. O CV possui interfaces ou é a interface?
5. Que processos cognitivos são privilegiados no
CV?
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O Interespaço cenográfico

cenografia tradicional cenografia virtual

materialidade x material híbrido


virtualidade
permanência x predomínio da predomínio da
transitoriedade permanência transitoriedade
organização da não reticular e reticular e hipermídia
informação multimeios
potencial cognitivo limitado expandido

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Antes de continuar:
Atividade programada AP-02
Sua visão do espaço cenográfico foi alterada?
• Caso positivo, aponte:
Que alterações são mais significativas?
Que alterações são secundárias?
• Caso negativo, explique:
Como os conceitos e métodos da cenografia
tradicional podem ser aplicados na análise e no
projeto do cenário virtual?
• Dê um exemplo que justifique sua resposta
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Na próxima aula

1. Noção tradicional e ampliada do design


2. O design e o processo de significação e
representação no território da virtualidade
3. Proposta para um projeto experimental em VRML
(Virtual Reality Modeling Language)
4. Ferramentas e principais formatos de ilustração;
5. Ferramentas e principais formatos de modelagem
tridimensional;
6. Ferramentas de autoria e principais formatos.

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Na próxima aula

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