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Danielle Farias

Nutricionionista
Mestranda em Epidemiologia
e Vigilância em Saúde - IEC
Política Nacional de Atenção
Básica: considera equivalentes
os termos Atenção Básica e
Atenção Primária a Saúde
(BRASIL, 2011).
Princípios modernos

Oferta de ações de atenção à


saúde integradas e acessíveis
segundo as necessidades
locais, desenvolvidas por
equipes multiprofissionais
responsáveis por abordar uma
ampla maioria das
necessidades individuais e
coletivas em saúde,
desenvolvendo uma parceria
sustentada com as pessoas e
comunidades.
Níveis de Atenção
PNAB

 Ministério da Saúde: Portaria MS/GM


no.2.488, de 21 de outubro de 2011:

 Revisou as diretrizes e normas para a


organização da Atenção Básica para a
ESF e o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS) (BRASIL,
2011).
 As normas e resoluções das portarias
anteriores permanecem em vigor desde
que não conflitem com a atual.
PNAB

 Define características do processo de


trabalho das equipes de Atenção Básica:

 Definição de território de atuação;


 Programação das atividades com a
priorização de solução dos problemas de
saúde mais frequentes;
 Desenvolvimento de ações educativas
que possam interferir no processo saúde-
adoencimento da população e ampliar
o controle social na defesa da qualidade
de vida.
PNAB

 Realização de primeiro atendimento às


urgências médicas e odontológicas;
 Participação das equipes no
planejamento e na avaliação das ações;
 Desenvolvimento de ações intersetoriais,
integrando projetos sociais e fatores afins,
voltadas para a promoção da saúde,
 Apoio as estratégias de fortalecimento
da gestão local e do controle social.
PNAB

 Conjunto abrangente de ações e


procedimentos de assistência, prevenção
e promoção de saúde realizadas na rede
pública pelas Unidades Básicas de Saúde
(UBS) e pelas equipes Estratégia Saúde da
Família.
Princípios

 Porta de entrada preferencial do sistema de


saúde e contato inicial dos usuários com a
rede assistencial.
 Território adstrito, população definida e
devidamente cadastrada.
 Continuidade e integralidade da atenção.
 Cuidado humanizado, centrado na família e
focado na comunidade.
 Busca do equilíbrio adequado das ações
curativas e preventivas, de promoção de
saúde.
 Assistência padronizada e de qualidade aos
portadores de doenças agudas ou crônicas.
Rede de atenção à saúde
 Decreto nº 7.508/11 (regulamenta a Lei
nº 8.080/90): o acesso universal,
igualitário e ordenado às ações e
serviços de saúde se inicia pelas portas
de entrada do SUS e se completa na
rede regionalizada e hierarquizada.
 Dispõe sobre a organização do SUS, o
planejamento da saúde, a assistência à
saúde e a articulação interfederativa, e
dá outras providências.
Rede de Atenção

 Arranjos organizativos formados por


ações e serviços de saúde com
diferentes configurações tecnológicas e
missões assistenciais.
 Primeiro ponto de atenção e principal
porta de entrada do sistema: atenção
básica estruturada.
 Organização de Redes de Atenção à
Saúde (RAS): estratégia para um
cuidado integral e direcionado às
necessidades de saúde da população.
Decreto nº 7.508/11
Art. 10:
Ordena
Acesso universal e Avaliação de gravidade
Atenção do risco individual e
igualitário às ações e
primária coletivo e no critério
serviços de saúde.
cronológico.

Observadas as
especificidades previstas
para pessoas com
proteção especial,
conforme legislação
vigente.

População Indígena:
regramentos
diferenciados de acesso
Responsabilidades comuns a todas as
esferas de governo
 Garantir a infraestrutura necessária ao
funcionamento das Unidades;
 Básicas de Saúde, de acordo com suas
responsabilidades;
 Contribuir com o financiamento tripartite
da atenção básica;
 Estabelecer, nos respectivos planos de
saúde, prioridades, estratégias e metas
para a organização da atenção básica.
Compete às secretarias municipais de
saúde e ao distrito federal:
 Inserira ESF em sua rede de serviços como tática
prioritária de organização da atenção básica;
 Organizar, executar e gerenciar os serviços e
ações de atenção básica;
 Garantir a educação permanente aos
profissionais de saúde;
 Garantir a estrutura física, recursos materiais,
equipamentos e insumos suficientes.
 Assegurar o cumprimento da carga horária
integral de todos os profissionais que compõem
as equipes de atenção básica.
Infraestrutura e funcionamento da
atenção básica
 UBS construídas de acordo com as normas
sanitárias:
 Devem estar cadastradas no sistema de
cadastro nacional vigente;
 Recomenda-se que disponibilizem:
- Consultórios e consultório com sanitário;
- Sala multiprofissional de acolhimento;
- Sala de administração e gerência;
- Sala de atividades coletivas para os
profissionais da atenção básica;
Características do trabalho das
equipes de atenção básica:

I. Definição do território de atuação e de


população sob responsabilidade das UBS;
II. Programação e implementação das
atividades de atenção à saúde de acordo
com as necessidades de saúde da
população;
III. Desenvolver ações que priorizem os grupos
de risco e os fatores de risco clínico-
comportamentais, alimentares e/ou
ambientais, com a finalidade de prevenir o
aparecimento ou a persistência de doenças e
danos evitáveis.
IV. Realizar o acolhimento com escuta
qualificada, classificação de risco, avaliação
de necessidade de saúde e análise de
vulnerabilidade;
V. Prover atenção integral, contínua e
organizada à população adscrita;
VI. Realizar atenção à saúde na Unidade, no
domicílio, em locais do território e em outros
espaços que comportem a ação planejada;
VII. Desenvolver ações educativas que
possam interferir no processo de saúde-
doença da população
IX. Participar do planejamento local de
saúde, monitoramento e avaliação;
X. Desenvolver ações intersetoriais;
XI. Apoiar as estratégias de fortalecimento
da gestão local e do controle social;
XII. Realizar atenção domiciliar destinada a
usuários que possuam problemas de
saúde controlados/compensados e com
dificuldade ou impossibilidade física de
locomoção até uma unidade de saúde.
Especificidades da ESF
1. O número de ACS: deve ser suficiente
para cobrir 100% da população cadastrada;
2. Máximo de 750 pessoas por ACS e de 12
ACS por equipe, não ultrapassando o limite
máximo recomendado.
3. Equipe: 4.000 pessoas no máximo.
4. ↑ Grau de vulnerabilidade das famílias do
território: ↓ a quantidade de pessoas por
equipe.
5. Cadastramento de cada profissional de
saúde em apenas uma ESF.
6. Carga horária de 40h/s para todos os
profissionais de saúde membros da equipe.
Núcleos de Apoio à Saúde
da Família - NASF
 Objetivo: ampliar a abrangência e o
escopo das ações da atenção básica;
 São constituídos por equipes compostas
por profissionais de diferentes áreas de
conhecimento, que devem atuar de
maneira integrada e apoiando os
profissionais das equipes de Saúde da
Família.
 Atuam diretamente no apoio matricial às
equipes.
NASF
 Atuar de forma integrada à Rede de
Atenção à Saúde e seus serviços: demandas
identificadas no trabalho conjunto com as
equipes.
 Contribuir para a integralidade do cuidado
aos usuários do SUS.
A composição de cada um dos
NASF será definida pelos
gestores municipais, seguindo os
critérios de prioridade
identificados a partir dos dados
epidemiológicos e das
necessidades locais e das
equipes de saúde que serão
apoiadas.
NASF
 Horário de funcionamento: coincidente com
o das equipes de Saúde da Família;
 Não recomendada a existência de uma
unidade de saúde ou serviço de saúde
específicos para a equipe de NASF.
 Compete às Secretarias de Saúde dos
municípios e do Distrito Federal:
 Definir o território de atuação de cada.
 Selecionar, contratar e remunerar os
profissionais dos NASF.
 Disponibilizar espaço físico adequado nas UBS
e garantir os recursos de custeio necessários ao
desenvolvimento das atividades mínimas.
ATUALIDADES
PNAB – MINUTA DE
ATUALIZAÇÃO
MINUTA
MINUTA
 “Émuito importante ler a minuta, pois
reúne demandas dos profissionais de
saúde, gestores municipais e estaduais,
conselhos e tantos outros
representantes. As mudanças visam
adequar as diretrizes da PNAB à
realidade de hoje, reforçando como
modelo prioritário a Estratégia Saúde
da Família”, explica Allan Sousa, diretor
do Departamento de Atenção Básica.
MINUTA

Mudanças propostas para


os principais temas da PNAB:
MINUTA
A abertura da agenda de
aperfeiçoamento da PNAB considerou,
entre outras demandas, as indicações dos
gestores municipais da saúde sobre a
necessidade de se elevar o grau de
responsabilidade e de autonomia das
gestões locais na definição de ações que
pudessem responder às especificidades de
cada localidade.
MINUTA - MUDANÇAS

 Mudanças
Os recursos, credenciamentos e habilitações das
Equipes de Saúde da Família continuarão sendo
prioritários e maiores, tendo em vista ser a
estratégia principal para expansão da Atenção
Básica.
 A medida ainda deve ampliar o número de
equipes que recebem apoio dos NASF.
 Atualmente, os NASF apoiam somente as ESF.
Com a revisão, passarão a apoiar também outras
equipes de Atenção Básica. Também haverá a
possibilidade da atuação de um gerente da
Unidade, com o objetivo de contribuir para o
aprimoramento e qualificação do processo de
trabalho nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
MINUTA - MUDANÇAS
 Outra mudança melhora o acesso do cidadão
aos serviços das UBS. Atualmente, o usuário é
vinculado à unidade próxima à residência. Com o
novo texto, o cidadão poderá acessar outras
unidades, como UBS próximas ao trabalho, mas
tendo uma equipe como referência para o
cuidado. Com a implantação do Prontuário
Eletrônico em todas as UBS, a população poderá
ser atendida em qualquer unidade de saúde,
caso haja necessidade.
 A nova legislação traz novas atribuições para os
ACS, como aferir pressão arterial e glicemia
capilar, além de fazer curativos limpos. Essas
novas atividades começarão após autorização
legal e capacitação técnica para tal.

Mudanças PNAB
Reconhecimento de outros formatos de
equipe
 Na atual PNAB, as equipes de outros
formatos apareciam sem definição
específica e sem financiamento.
 A proposta traz obrigações que atendam
os princípios e diretrizes propostas para a
AB, a gestão municipal poderá compor
equipes de acordo com características e
necessidades locais, compostas
minimamente por médicos, enfermeiros e
ou técnicos de enfermagem.
Mudanças PNAB
Gerente de Unidade Básica de Saúde (UBS)
 Recomenda-se a inclusão do Gerente de
AB com o objetivo de contribuir para o
aprimoramento e qualificação do
processo de trabalho nas UBS, em
especial ao fortalecer a atenção à saúde
prestada pelos profissionais das equipes à
população adscrita. A inclusão deste
profissional deve ser avaliada pelo gestor,
segundo a necessidade do território e
cobertura de AB.
Mudanças PNAB
Prazo de implantação

 Não havia período definido para


implantação de equipes depois da
publicação do credenciamento em
Portaria. A proposta define o prazo
máximo de quatro meses para que o
gestor municipal implante a equipe de
saúde.
Mudanças PNAB
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf)
 O Nasf foi criado com o objetivo de
ampliar a abrangência e o escopo das
ações da Atenção Básica, bem como
sua resolutividade. A minuta propõe que
essas equipes multiprofissionais passem a
complementar não só equipes de Saúde
da Família, mas também equipes de AB
“tradicionais”. Por isso, o nome mudaria
para Núcleo Ampliado de Saúde da
Família e Atenção Básica (Nasf-AB).
Mudanças PNAB
Teto populacional

O texto proposto reduz a população


adscrita por equipe de Atenção Básica e
de Saúde da Família de quatro mil
pessoas localizadas dentro do seu
território para 2.000 a 3.500, garantindo os
princípios e diretrizes da AB.
Mudanças PNAB
Incorporação do Registro Eletrônico em
Saúde
 Para a atualização da PNAB, o texto
reforça e garante a continuidade do uso
dos sistemas de informação em saúde da
estratégia e-SUS AB, colocando como
responsabilidades dos entes federados
desenvolver, disponibilizar e implantar
essas ferramentas e o prontuário
eletrônico. A diretriz está em
conformidade com o plano de
informatização das UBS, uma das
prioridades do Ministério da Saúde.
Mudanças PNAB
Integração Vigilância em Saúde e AB
 Pressupõe a reorganização dos processos
de trabalho da equipe, a integração das
bases territoriais (território único), o que
melhoraria a cobertura, e a discussão das
ações e atividades dos Agentes
Comunitários de Saúde (ACS) e dos
Agentes de Combate às Endemias (ACE),
com definição de papéis e
responsabilidades. Desta forma, abriria a
possibilidade do ACE de compor a equipe
de AB para ampliar o atendimento à
população.
PARECERES
PNAB APROVADA
Nova PNAB ajuda meta de resolver 80% dos
problemas de saúde nesta área da assistência

 Mais equipes vão receber recursos do MS e os


ACS passam a ter atribuições como medir
pressão e fazer curativos. Serão capacitados
cerca de 200 mil profissionais. Iniciativa atende às
diferentes realidades dos municípios e torna a
assistência mais resolutiva
 Amplia o número de equipes aptas a receber
recursos e valoriza a atuação dos ACS e de
endemias. Agora, esses profissionais vão poder
aferir PA e glicemia, além de fazer curativos. Isso
vai qualificar e tornar mais resolutivo o
atendimento da população nas visitas
domiciliares.
PNAB APROVADA
 De um total de 329 mil ACS, 40% já possuem
qualificação como técnicos em enfermagem e
estão aptos a realizar as novas funções.
 Os outros 200 mil serão capacitados pelo
Ministério da Saúde em um prazo máximo de 5
anos. As prefeituras que mantinham equipes
menores ou que não cumpriam o padrão
estabelecido passam agora a receber recursos.
 A nova legislação mantém o mínimo de
profissionais – médico, técnico de enfermagem,
odontólogo –, garantindo a qualidade do
atendimento, mas flexibiliza o número de ACS. O
mínimo agora é 1 agente nas equipes de Saúde
da Família nas regiões e 4 nas regiões de
vulnerabilidade social.
ABRASCO
Associação Brasileira de Saúde
Coletiva; Centro Brasileiro de
Estudos de Saúde – Cebes;
Escola Nacional de Saúde Pública
Sérgio Arouca – ENSP/Fiocruz

SE COLOCAM CONTRA A MUDANÇA


DA PNAB PROPOSTA PELA MINUTA
ABRASCO
A Abrasco, o Cebes e a ENSP se
manifestam contra a revisão da PNAB que
pode ser aprovada, durante a 7ª Reunião
Extraordinária da Comissão Intergestores
Tripartite – CIT, uma instância de
articulação e pactuação na esfera federal
que atua na direção nacional do SUS,
integrada por gestores do SUS das três
esferas de governo – União, estados, DF e
municípios.
“Nenhum direito a menos! Em defesa do SUS público
universal de qualidade e pela revogação da EC 95.”
ABRASCO
“As atuais ameaças aos princípios e diretrizes do SUS de
universalidade, integralidade, equidade e participação
social parecem não ter fim. Não bastasse o estado de
sítio fiscal imposto por um governo ilegítimo e golpista
com a promulgação da EC 95 que fere de morte o SUS
ao agravar o subfinanciamento crônico, reduzindo
progressivamente seus recursos por 20 anos, agora nos
defrontamos com uma proposta de reformulação da
Política Nacional de Atenção Básica (PNAB).
Causa imensa preocupação a proposição de uma
reformulação da PNAB num momento de ataque aos
direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal de
1988. A revisão das diretrizes para a organização da
Atenção Básica proposta pelo Ministério da Saúde
revoga a prioridade do modelo assistencial da Estratégia
Saúde da Família no âmbito do SUS”.
ABRASCO
 Embora a minuta da PNAB afirme a Saúde da
Família estratégia prioritária para expansão e
consolidação da Atenção Básica, o texto na
prática rompe com sua centralidade na
organização do SUS, instituindo financiamento
específico para quaisquer outros modelos na
atenção básica (para além daquelas populações
específicas já definidas na atual PNAB como
ribeirinhas, população de rua) que não
contemplam a composição de equipes
multiprofissionais com a presença de agentes
comunitários de saúde. Esta decisão abre a
possibilidade de organizar a AB com base em
princípios opostos aos da Atenção Primária.
ESCOLA POLITÉCNICA
DE SAÚDE - EPSJV/Fiocruz
 Entrevista:Márcia Valéria Morosini
 ‘A nova PNAB é uma volta ao passado’
 Em reunião realizada na quinta-feira (31/08), a
Comissão Intergestores Tripartite (CIT) aprovou o
texto da nova PNAB. O texto, que foi submetido à
consulta pública entre os dias 27 de julho e 10 de
agosto, vinha sendo alvo de críticas por parte da
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
(Abrasco), o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde
(Cebes), e também EPSJV/Fiocruz, que durante o
período da consulta pública apresentou um
documento com contribuições à proposta de
revisão da PNAB.
ESCOLA POLITÉCNICA
DE SAÚDE - EPSJV/Fiocruz
 Segundo Márcia Valéria Morosini, professora-
pesquisadora da EPSJV, que acompanhou pela
internet a reunião, foram mais de 6 mil
contribuições recebidas através da consulta
pública, mas pouca coisa foi incorporada ao
texto final. Algumas alterações, diz ela, inclusive
aprofundaram aspectos da nova política que
vinham sendo criticados, como a falta de
prioridade dada à Estratégia de Saúde da Família
e a ausência de um compromisso, previsto na
PNAB anterior, com a cobertura de 100% da
população. Nesta entrevista, a pesquisadora fala
sobre estes e outros pontos que ela considera mais
críticos da nova PNAB aprovada pela CIT.
Atenção a essas matérias

 http://dab.saude.gov.br/portaldab/notici
as.php?conteudo=_&cod=2442

 http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entre
vista/a-nova-pnab-e-uma-volta-ao-
passado

 http://www.agentesdesaude.com.br/201
7/08/PNABaprovada.html
Obrigada!!!

danicfarias@hotmail.com
981692350

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