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Disciplina: Transferência de Calor e Massa

Professor: Franciélio Gomes da Silva


Ementa
 Conceitos fundamentais. Equações básicas. Condução
unidimensional em regime permanente e multidimensional
em regimes permanente e não‐permanente. Convecção com
escoamento laminar no interior de dutos, escoamento
laminar externo, escoamento turbulento, convecção natural
e forçada. Radiação. Processos combinados de Transmissão
de Calor. Aletas. Isolamento Térmico. Transferência de calor
com mudança de fase. Transferência de massa. Trocadores
de calor.

2
Programa (Objetivos)
 Fornecer aos alunos conhecimentos básicos para a
resolução de problemas industriais envolvendo os
mecanismos de transferência de calor (condução,
convecção e radiação).

 Compreender os mecanismos de troca de calor por


condução, convecção e radiação; aplicar os
conhecimentos adquiridos em problemas práticos de
engenharia.

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Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
1. Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
1.2 E exigência da conservação de energia.
1.3 Análise de problemas de transferência de calor: metodologia.
1.4 Relevância da transferência de calor.
1.5 Unidades e dimensões.

2. Introdução à condução
2.1 A equação da taxa de condução.
2.2. As propriedades térmicas da matéria
2.3. A equação da difusão de calor
2.4. Condições de contorno e inicial

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Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
3. Condução unidimensional em regime estacionário
3.1. A parede plana
3.2. Análise alternativa da condução
3.3. Sistemas radiais
3.4. Condução com geração de energia térmica
3.5. Superfícies estendidas

4. Condução bidimensional em regime estacionário


4.1. Método da separação de variáveis
4.2. Fator de forma e taxa de condução de calor adimensional
4.3. Equações de diferenças finitas

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Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
5. Condução transiente
5.1. Método da capacitância global
5.2. Efeitos espaciais
5.3. Parede plana com convecção
5.4. Sistemas radiais com convecção
5.5. Sólido semi‐infinito
5.6. Objetos com temperatura ou fluxo térmico constante na superfície

6. Introdução à Convecção
6.1. As camadas limite da convecção
6.2. Coeficientes convectivos local e médio
6.3. Escoamentos laminar e turbulentos
6.4. Equações de camada‐limite
6.5. Significado físico de parâmetros adimensionais
6
Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
7. Escoamento externo
7.1. Método empírico
7.2. Placa plana em escoamento paralelo
7.3. Metodologia para cálculo de convecção
7.4. Cilindro em escoamento cruzado
7.5. Esfera
7.6. Jatos colidentes

8. Escoamento interno
8.1. Considerações fluidodinâmicas e térmicas
8.2. Balanço de energia
8.3. Escoamento laminar em tubos circulares
8.4. Correlações de convecção para escoamento turbulento
8.5. Intensificação da transferência de calor
8.6. Transferência de massa por convecção 7
Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
9. Convecção natural
9.1. Equações da convecção natural
9.2. Convecção natural laminar sobre superfície vertical
9.3. Efeitos da turbulência
9.4. Correlações empíricas
9.5. Convecção natural entre placas paralelas
9.6. Convecções natural e forçada combinadas
10. Trocadores de calor:
10.1. Tipos de trocadores de calor
10.2. Coeficiente global de transferência de calor
10.3. análise do trocador de calor:
10.3.1.uso da média logarítmica das diferenças de temperatura e
efetividade‐NUT
10.3.2.o trocador de calor em correntes paralelas, contracorrente e condições
especiais de operação
8
10.4. Trocadores de calor compactos, cálculos de projeto e desempenho
Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
11. Transferência de massa por difusão
11.1. Origens físicas e equações
11.2. Transferência de massa em meios não‐estacionários
11.3. Conservação de espécies em meio estacionário
11.4. Difusão transiente
11.5. Condições de contorno e concentrações descontínuas em interfaces

12. Ebulição e condensação


12.1. Parâmetros adimensionais
12.2. Modos de ebulição
12.3. Ebulição em piscina
12.4. Condensação: mecanismos físicos
12.5. Condensação em filme laminar sobre uma placa vertical

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Bases Científico-Tecnológicas
(Conteúdos)
13. Radiação térmica
13.1. Conceitos
13.2. Intensidade da radiação
13.3. Radiação de corpo negro
13.4. Emissão de superfícies reais
13.5. Absorção, reflexão e transmissão em superfícies reais
13.6. Lei de Kirchhoff

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Programa
 Procedimentos Metodológicos
*Visitas técnicas; Aulas expositivas/dialogadas;
* Aulas práticas no Laboratório de Termofluidos;
* Listas de exercícios.
 Recursos Didáticos
* Quadro branco, pincel e projetor de multimídia;
* Catálogos e manuais de fabricantes de materiais e equipamentos elétricos.
 Avaliação
Provas escritas, projetos e apresentação de seminários.
 Bibliografia Básica
1. INCROPERA, F. P.; DEWITT, D. P.; BERGMAN, T. L.; LAVINE, A. S. Fundamentos de Transferência de Calor e Massa. S.
Paulo, LTC. 7ª edição, 694p. 2014.
2. ÇENGEL, Y. A.; GHAJAR, A. J. Transferência de Calor e Massa – Uma Abordagem Prática. McGraw‐Hill. 4ª edição. 906p.
2012.
3. BIRD, R. B.; LIGHTFOOT, E. N.; STEWART, W. E. Fenômenos de Transporte. São Paulo, LTC. 2ª edição. 2004.
 Bibliografia Complementar
1. HOLMAN, J. P. Transferência de Calor. Mc Graw‐Hill. 8a. Ed. 484 p. 1998 (em espanhol).
2. BEJAN, A.; KRAUSS, A. D. Heat Transfer Handbook. Jonh Wiley & Sons, Inc. 1a. Ed. 148 p. 2003
3. OZISIK, M. N. Heat Transfer: a Basic Approach, Mc Graw‐Hill Education. 1a. Edição 1985.

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1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
Como engenheiros, é importante que entendamos os
mecanismos físicos que fundamentam os modos de
transferência de calor e que sejamos capazes de usar as
equações das taxas que determinam a quantidade de energia
sendo transferida por unidade de tempo

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1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução
Com a menção da palavra condução, devemos imediatamente
Visualizar conceitos das atividades atômicas e moleculares,
pois são processos nesses níveis que mantêm este modo de
transferência de calor. A condução pode ser vista como a
transferência de energia das partículas mais energéticas para
as menos energéticas de uma substância devido às interações
entre partículas.

13
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução

O mecanismo físico da condução é mais facilmente explicado


através da consideração de um gás e do uso de ideias familiares
vindas de seu conhecimento da termodinâmica.
14
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução
Na fig 1.2 Associamos a temperatura em qualquer ponto à
energia das moléculas do gás na proximidade do ponto. Essa
energia está relacionada ao movimento de translação
aleatório, assim como aos movimentos internos de rotação e
de vibração das moléculas.

Transf. de energia das moléculas mais energéticas para as


menos energéticas deve ocorrer.

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1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução
São inúmeros os exemplos de transf. de calor por condução. A
extremidade exposta de uma colher de metal subitamente
imersa em uma xícara de café quente será, após um certo
tempo, aquecida devido à condução de energia através da
colher. Em um dia de inverno, há perda significativa de energia
de um quarto aquecido para o ar externo. Esta perda ocorre
principalmente devido à transferência de calor por condução
através da parede que separa o ar do interior do quarto co ar
externo.

16
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução (Eq. de taxa)
Para condução térmica, a eq. da taxa é conhecida como lei de
Fourier. Para a parede plana unidimensional, mostrada na fig.
1.3 com uma distribuição de temperatura T(x), a equação da
taxa é representada na forma

=− è =

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1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução (Exemplo)
A parede de um forno industrial é construída em tijolo
refratário com 0,15 m de espessura, cuja condutividade
térmica é de 1,7 W/(m.K). Medidas efetuadas ao longo de 1400
e 1150 K nas paredes interna e externa, respectivamente. Qual
é a taxa de calor perdida através de uma parede que mede 0,5
m por 1,2 m?
Solução
Dados: Condições de regime estacionário com espessura,
área, condutividade térmica e temperaturas das superfícies da
parede especificadas.
18
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução (Exemplo)
Achar: Perda de calor pela parede.
Esquema:

19
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução (Exemplo)
Considerações:
1. Condições de regime estacionário.
2. Condução unidimensional através da parede.
3. Condutividade térmica constante.
Análise: Como a transferência de calor através da parede é por
condução, o fluxo térmico pode ser determinado com a lei de
Fourier. Usando a Eq. 1.2, temos


= = 1,7 x = 2833 W/m²
. ,
20
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Condução (Exemplo)
O fluxo térmico representa a taxa de transferência de calor
através de uma seção de área unitária e é uniforme
(invariante) ao longo da superfície da parede. A perda de
calor através da parede de área A = H x W é, então,

=( ) = (0,5 m x 1,2 m) 2833 W/m² = 1700 W

Comentário: Observe o sentido do fluxo térmico e a


diferença entre o fluxo térmico e a taxa de transferência de
calor.
21
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção
O modo de transferência de calor por convecção abrange
dois mecanismos. Além de transferência de energia devido ao
movimento molecular aleatório (difusão), a energia também
é transferida através do movimento global, ou macroscópico,
do fluido. Tal movimento, na presença de um gradiente de
temperatura, contribui para a transferência de calor.

22
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção
Considere o escoamento de um fluido sobre a superfície
aquecida da Fig.

23
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção
Uma consequência da interação entre o fluido e a
superfície é o desenvolvimento de uma região no fluido
através da qual a sua velocidade varia entre zero, no contato
com a superfície (y=0), e um valor finito u͚ , associado ao
escoamento do fluido. Essa região do fluido é conhecida por
camada limite hidrodinâmica ou de velocidade.

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1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção
A transferência de calor por convecção pode ser
classificada de acordo com a natureza do escoamento do
fluido.
1. Convecção forçada – quando o escomaneto é causado
por meios externos, tais como ventilador, uma bomba, ou
ventos atmosféricos.
2. Convecção livre (ou natural) – o escoamento do fluido
é induzido por forças de empuxo, que são originadas a
partir de diferenças de densidades (massas espessíficas)
causadas por variações de temperatura no fluido.
25
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção

26
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção
Dois casos particulares de interesse são a ebulição e a
condensação. Por exemplo, transferência de calor por
convecção resulta da movimentação do fluido induzida por
bolhas de vapor geradas no fundo de uma panela contendo
água em ebulição (Fig. 1.5c), ou pela condensação de vapor
d’água na superfície externa de uma tubulação por onde escoa
água fira. (Fig. 1.5d).

27
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Convecção
Independente da natureza específica do processo de
transferência de calor por convecção, a equação apropriada
para a taxa de transferência:
= ℎ( − )
onde,
= fluxo de calor por convecção (W/m²)
= temperatura da superfície (°K)
= temperatura do fluido (°K)
h = coeficiente de transferência de calor (W/(m².K))
28
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Radiação
Radiação térmica é a energia emitida pela matéria que se
encontra a uma temperatura não‐nula. A energia do campo
de radiação é transportada por ondas eletromagnéticas (ou,
alternativamente, fótons). Enquanto a transferência de
energia por condução ou convecção requer a presença de um
meio material, a radiação não necessita dele. Na realidade, a
transferência por radiação ocorre mais eficientemente no
vácuo.

29
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Radiação

30
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Radiação
A radiação que é emitida pela superfície tem sua origem
na energia térmica da matéria delimitada pela superfície e a
taxa na qual a energia é liberada por unidade de área (W/m²)
é conhecida como poder emissivo (lei de Stefan‐Boltzman).

= (corpo negro ou radiador ideal)


= temperatura absoluta (K) da superfície
= constante de Stefan‐Boltzmann ( =5,67 x 10 W/(m².
)).
31
1.Introdução
1.1 Origens físicas e equações de taxa.
 Radiação
O fluxo térmico emitido por uma superfície real é menor
do que aquele emitido por um corpo negro à mesma
temperatura e é dado por:

=
= propriedade radiante (emissividade) 0 ≤ ≥1

Essa propriedade fornece uma medida de eficiência na


qual uma superfície emite energia em relação ao corpo
negro. Ela depende do material da superfície e de seu
acabamento.
32
1.Introdução
1.2 A exigência da conservação de
energia (relações com a
termodinâmica)
Os escopos da termodinâmica e da transferência de calor
são em grande parte complementares. Na transferência de
calor ele trata da taxa na qual o calor é transferido, esse
assunto pode ser tratado como uma extensão da
termodinâmica. A 1ª lei da termodinâmica (lei da conservação
de energia) é essencial.

33
1.Introdução
1.2 A exigência da conservação de
energia.
Relações com a 1ª lei da termodinâmica (Conserv. Energia)
No fundo, a primeira lei da termodinâmica é
simplesmente um enunciado de que a energia total de um
sistema é conservada e, consequentemente, a única forma na
qual a quantidade de energia em um sistema pode mudar é se
a energia cruzar sua fronteira. A primeira lei também indica as
formas nas quais a energia pode cruzar as fronteiras de um
sistema. Para um sistema fechado (uma região de massa fixa),
há somente duas formas: transferência de calor através das
fronteiras e trabalho realizado pelo ou no sistema.
34
1.Introdução
1.2 A exigência da conservação de
energia.
Relações com a 1ª lei da termodinâmica (Conserv.
Energia)

∆ = −
no qual ∆ é a variação da energia total acumulada no
sistema, Q é o valor líquido do calor transferido para o
sistema e W é o valor líquido do trabalho efetuado pelo
sistema.

35
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de transferência
de calor: metodologia.
Dados: Após uma leitura cuidadosa do problema, escreva
sucinta e objetivamente o que se conhece a respeito do problema.
Achar: Escreva sucinta e objetivamente o que deve ser
determinado.
Esquema: Desenhe um esquema do sistema físico.
Considerações: Liste todas as considerações simplificadoras
pertinentes.
Propriedades: Compile os valores das propriedades
físicas necessárias para a execução dos cálculos subsequentes e
identifique a fonte na qual elas foram obtidas.
Análise: Comece sua análise aplicando as leis de
conservação apropriadas e introduza as equações de taxa quando
necessárias.
Comentários: Discuta seus resultados. 36
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de
transferência de calor: metodologia.
Exemplo 1: O revestimento de uma placa é curado através
de sua exposição a uma lâmpada de infravermelho que fornece
uma irradiação uniforme de 2000 W/m². Ele absorve 80% da
irradiação e possui uma emissividade de 0,50. A placa também
se encontra exposta a uma corrente de ar e a uma grande
vizinhança, cujas temperaturas são de 20°C e 30°C,
respectivamente.

1. Se o coeficiente de transferência de calor por convecção


entre a placa e o ar ambiente for de 15 W/(m2 · K), qual é a
temperatura de cura da placa?
37
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de
transferência de calor: metodologia.
2. As características finais do revestimento, incluindo uso e
durabilidade, são sabidamente dependentes da temperatura
na qual é efetuada a cura. Um sistema de escoamento de ar é
capaz de controlar a velocidade do ar e, portanto, o coeficiente
convectivo sobre a superfície curada. Entretanto, o engenheiro
de processos precisa saber como a temperatura depende deste
coeficiente convectivo. Forneça a informação desejada
calculando e representando graficamente a temperatura
superficial em função do valor de h para 2 ≤ h ≤ 200 W/(m2 ·
K). Que valor de h forneceria uma temperatura de cura de
50°C? 38
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de transferência
de calor: metodologia.
Solução
Dados: Revestimento com propriedades radiantes conhecidas é
curado pela irradiação de uma lâmpada de infravermelho. A
transferência de calor a partir do revestimento é por convecção para
o ar ambiente e por troca radiante com a vizinhança.

Achar:
1. Temperatura de cura para h = 15 W/(m2 · K).
2. Influência do escoamento do ar na temperatura de cura para 2 ≤
h ≤ 200 W/(m2 · K). O valor do h para o qual a temperatura de cura
é de 50°C. 39
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de
transferência de calor: metodologia.
Solução
Esquema:

40
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de
transferência de calor: metodologia.
Solução
Considerações:
1. Condições de regime estacionário.
2. Perda de calor pela superfície inferior da placa
desprezível.
3. A placa é um objeto pequeno em uma vizinhança grande
e o revestimento possui uma absortividade αviz = ε = 0,5 em
relação à irradiação oriunda da vizinhança.

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1.Introdução
1.3 Análise de problemas de
transferência de calor: metodologia.
Solução
Análise:
1 ‐ Uma vez que o processo apresenta condições de regime
estacionário e não há transferência de calor pela superfície
inferior da placa, a placa deve ser isotérmica (Ts = T).
Ėent − Ėsai = 0
( ) − " − " =0
( ) − ℎ( − )− ( − )=0
0,8 x 2000 W/m² ‐ 15 W/(m².K)(T‐293)K‐0,5 x 5,67 x
10 W/(m². )(( − 300 ) = 0 è T = 377 K = 104°C
42
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de transferência de
calor: metodologia.
Solução
Análise:
2 ‐ Resolvendo o balanço de energia anterior para valores selecionados
de h dentro da faixa desejada e representando graficamente os resultados,
obtemos

Se uma temperatura de cura de 50°C for desejada, a corrente


de ar deve ser tal que o coeficiente de transferência de calor por
convecção resultante seja h(T=50°C)=51,0W/(m²>K) 43
1.Introdução
1.3 Análise de problemas de transferência
de calor: metodologia.
Solução
Comentários:
1. A temperatura do revestimento (placa) pode ser reduzida pela
diminuição de e , bem como pelo aumento da velocidade do
ar e, consequentemente, do coeficiente de transferência de calor por
convecção.

2. As contribuições relativas das transferências de calor por


convecção e por radiação saindo da placa variam bastante com o
valor do h. Para h = 2 W/(m² · K), T = 204°C e a radiação é
dominante ( " = 1232 W/m², " = 368 W/m²). Ao contrário,
para h = 200 W/(m² · K), T = 28°C e a convecção prevalece ( " =
1606 W/m², " = 6 W/m²). Na verdade, nesta condição a
temperatura da placa é ligeiramente inferior àquela da vizinhança e
a troca líquida radiante é para a placa. 44
1.Introdução
1.4 Relevância da transferência de calor.
O desafio de fornecer quantidade suficiente de
energia para a humanidade é bem conhecido. Suprimentos
adequados de energia são necessários não somente para
abastecer a produtividade industrial, mas também para
fornecer de forma confiável água potável e comida para a
maioria da população mundial e para disponibilizar o
saneamento necessário para controlar doenças que
ameaçam a vida.
Quais são algumas das formas de aplicação dos
princípios da transferência de calor pelos engenheiros para
tratar problemas de sustentabilidade energética e
ambiental?
45
1.Introdução
1.4 Relevância da transferência de calor.

46
2.Introdução à condução
Lembre‐se de que condução é o transporte de
energia em um meio devido a um gradiente de
temperatura e o mecanismo físico é a atividade atômica
ou molecular aleatória.

A transferência de calor por condução é governada


pela lei de Fourier e que o uso desta lei para determinar o
fluxo térmico depende do conhecimento da forma na qual
a temperatura varia no meio (a distribuição de
temperaturas). Inicialmente, restringimos nossa atenção
a condições simplificadas (condução unidimensional e
em regime estacionário em uma parede plana). Contudo,
a lei de Fourier pode ser aplicada à condução transiente e
multidimensional em geometrias complexas.
47
2.Introdução à condução
2.1 A equação da taxa de condução.
A lei de Fourier é fenomenológica, isto é, ela é
desenvolvida a partir de fenômenos observados ao invés de ser
derivada a partir de princípios fundamentais. Por esse motivo,
vemos a equação da taxa como uma generalização baseada em
uma vasta evidência experimental.
Exemplo 1, um bastão cilíndrico de material conhecido
tem sua superfície lateral isolada termicamente, enquanto as
duas faces de suas extremidades são mantidas a diferentes
temperaturas, com T1 > T2. A diferença de temperaturas causa
transferência de calor por condução no sentido positivo do eixo x.
Somos capazes de medir a taxa de transferência de calor qx e
buscamos determinar como qx depende das seguintes variáveis:
ΔT, a diferença de temperaturas; Δx, o comprimento do bastão; e
A, a área da seção transversal do bastão.

48
2.Introdução à condução
2.1 A equação da taxa de condução.
Podemos imaginar que, inicialmente, os valores de ΔT e
Δx sejam mantidos constantes, enquanto o valor de A varia. Ao
fazermos isso, verificamos que qx é diretamente proporcional a
A. Analogamente, mantendo ΔT e A constantes, observamos que
qx varia inversamente com Δx. Finalmente, mantendo A e Δx
constantes, temos que qx é diretamente proporcional à ΔT. O
efeito conjunto é, então,

49
2.Introdução à condução
2.1 A equação da taxa de condução.
Δx = 0 è =−
Para o fluxo de calor (fluxo térmico)
" = −
podemos escrever um enunciado mais geral da equação da
taxa da condução (lei de Fourier) da seguinte maneira:
"
=− ∇ =− + +

k = a condutividade térmico (W/(m.K))


∇ é o operador “grad” tridimensional.
T(x, y, z) é o campo escalar de temperaturas.
50
2.Introdução à condução
2.1 A equação da taxa de condução.
A relação entre o sistema de coordenadas, o sentido do
escoamento do calor e o gradiente de temperatura em uma
direção.

O vetor fluxo térmico normal a uma isoterma em um


sistema de coordenadas bidimensional.

51
2.Introdução à condução
2.1 A equação da taxa de condução.
Cada uma dessas expressões relaciona o fluxo térmico
através de uma superfície ao gradiente de temperatura em uma
direção perpendicular à superfície.
A lei de Fourier é a pedra fundamental da transferência de
calor por condução e suas características principais são
resumidas a seguir. Ela não é uma expressão que possa ser
derivada a partir de princípios fundamentais; ao contrário, ela é
uma generalização baseada em evidências experimentais. Ela é
uma expressão que define uma importante propriedade dos
materiais, a condutividade térmica. Além disso, a lei de Fourier é
uma expressão vetorial, indicando que o fluxo térmico é normal a
uma isoterma e no sentido da diminuição das temperaturas.
Finalmente, note que a lei de Fourier se aplica a toda matéria,
independentemente do seu estado físico (sólido, líquido ou gás).
" " "
=− =− =−
52
2.Introdução à condução
2.2 As propriedades térmicas da matéria
Para usar a lei de Fourier, a condutividade
térmica do material deve ser conhecida. Essa
propriedade, que é classificada como uma
propriedade de transporte, fornece uma indicação
da taxa na qual a energia é transferida pelo processo
de difusão. Ela depende da estrutura física da
matéria, atômica e molecular, que está relacionada
ao estado da matéria.
A partir da lei de Fourier, equação anterior, a
condutividade térmica associada à condução na
direção x é definida como:
"
=
( / ) 53
2.Introdução à condução
2.2 As propriedades térmicas da matéria
Definições similares estão
associadas às condutividades térmicas
nas direções y e z (ky, kz), porém para
um material isotrópico a condutividade
térmica é independente da direção de
transferência, kx = ky = kz ≡ k.

54
2.Introdução à condução
2.2 As propriedades térmicas da matéria
Da equação anterior tem‐se que, para um
dado gradiente de temperatura, o fluxo térmico
por condução aumenta com o aumento da
condutividade térmica. Em geral, a
condutividade térmica de um sólido é maior do
que a de um líquido, que, por sua vez, é maior
do que a de um gás. Conforme ilustrado na
Figura a seguir, a condutividade térmica de um
sólido pode ser mais do que quatro ordens de
grandeza superior à de um gás. Essa tendência
se deve, em grande parte, à diferença no
espaçamento intermolecular nos dois estados.55
2.Introdução à condução
2.2 As propriedades térmicas da matéria

56
2.Introdução à condução
2.3 A equação da difusão térmica
Um dos objetivos principais em uma análise da
condução é determinar o campo de temperaturas em um
meio resultante das condições impostas em suas fronteiras.
Ou seja, desejamos conhecer a distribuição de temperaturas,
que representa como a temperatura varia com a posição no
meio. Uma vez conhecida essa distribuição, o fluxo de calor
por condução (fluxo térmico condutivo) em qualquer ponto
do meio ou na sua superfície pode ser determinado através
da lei de Fourier.

57
2.Introdução à condução
2.3 A equação da difusão térmica
Para um sólido, o conhecimento da distribuição de
temperaturas pode ser usado para averiguar sua integridade
estrutural através da determinação de tensões, expansões e
deflexões térmicas. A distribuição de temperaturas também
pode ser usada para otimizar a espessura de um material
isolante ou para determinar a compatibilidade entre
revestimentos especiais ou adesivos usados com o material.

̇ = ⇒ ̇ = ̇
58
2.Introdução à condução
2.3 A equação da difusão térmica
̇ é a taxa na qual a energia é gerada por unidade de
volume do meio (W/m3). a taxa de variação com o
tempo da energia sensível (térmica) do meio, por unidade
de volume.

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MUITO OBRIGADO!
“Como é feliz o homem
que acha a sabedoria,
o homem que obtém entendimento”
Provérbios 3.13

CONTATO: francielio@hotmail.com
Sistemas Térmicos – DIACIN/CNAT
+55 (84) 99840‐1711

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