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Avelino Macheque

Bernância Nhabinde

Constância Simbine

Minélio Chemane

Defesa da paz, o diálogo e a unidade nacional do povo Moçambique

Licenciatura em Ensino de História

Universidade Pedagógica

Maputo

2021
Avelino Macheque

Bernância Nhabinde

Constância Simbine

Minélio Chemane

Defesa da paz, o diálogo e a unidade nacional do povo Moçambique

A presente Pesquisa será apresentado no


Departamento de História na Faculdade de
Ciências Sociais e Filosóficas na cadeira de
Tema Transversal com fim de avaliação.

Docentes:

Dr. Bruno Cuamba

Universidade Pedagógica

Maputo
2021

Índice

0. Introdução.........................................................................................................................1

0.1. Objectivo geral...........................................................................................................1

0.2. Objectivos específicos...............................................................................................1

0.3. Metodologia...............................................................................................................1

I. Defesa da paz, o diálogo e a unidade nacional do povo Moçambique.............................2

1. Paz em Moçambique.........................................................................................................2

1.1. Os Desafios para a Consolidação e Manutenção da Paz em Moçambique...............4

1.1.1. A Visão da Sociedade Civil................................................................................4

2. Diálogo no contexto moçambicano...................................................................................7

2.1. A diversificação dos mecanismos de diálogo............................................................8

3. Unidade Nacional..............................................................................................................9

4. Conclusão........................................................................................................................13

5. Bibliografia.....................................................................................................................14
1

1. Introdução

A Defesa Nacional é a actividade desenvolvida pelo Estado e pelos cidadãos, que visa
assegurar a independência e a unidade nacional, preservar a soberania, a integridade e a
violabilidade do país e garantir o funcionamento normal das instituições e a segurança dos
cidadãos contra qualquer ameaça ou agressão armada. A Paz pode ser definida, num sentido
positivo ou negativo. No seu sentido positivo, a Paz é um estado de tranquilidade e de quietude, a
paz positiva vem a ser não somente uma forma de prevenção contra a guerra, mas a construção
de uma sociedade melhor, na qual mais pessoas conjugam do espaço social. Já em sentido
negativo, a Paz é ausência da guerra ou violência. A defesa e paz são conceitos tradicionalmente
inseparáveis, porque os dois tornam conjunto de previdências que tornam a guerra improvável, e
procuram assegurar a paz como situação normal entre os Estados.

O presente trabalho surge no âmbito da cadeira Tema-Transversal cujo tema é Defesa da


Paz, o Dialogo e a Unidade Nacional do Povo moçambicano.Com esse pretendemos atingir os
seguintes objectivos:

1.1. Objectivo geral

 Compreender a Defesa da Paz, o Dialogo e a Unidade do Povo moçambicano.

1.2. Objectivos específicos

 Contextualizar a Paz em Moçambique;

 Descrever o processo do diálogo em Moçambique;

 Caracterizar a unidade nacional;

1.3. Metodologia

Para a realização do presente trabalho usou-se o método bibliográfico, no qual leu-se livros,
revistas para fazer a recolha de dados e uma posterior síntese das informações precisas.
2

I. Defesa da paz, o diálogo e a unidade nacional do povo Moçambique

2. Paz em Moçambique

A referência à Paz permeia a nossa Constituição, quer do ponto de vista do nosso


relacionamento como cidadãos, quer do ponto de vista da formação, estruturação e
funcionamento dos partidos políticos, quer ainda do ponto de vista da nossa política externa.

Foi como um Povo que celebrámos o alcance desta conquista, a 4 de Outubro de 1992. Por
isso, o Acordo Geral de Paz foi aprovado, por consenso pelos Deputados desta Magna Casa do
Povo, através da Lei nº 13/92, de 14 de Outubro 1, passando a integrar a nossa ordem jurídica.
Neste contexto, não há nada que foi acordado em Roma, cujo texto vigorou até à entrada em
funções do Governo saído das primeiras eleições multipartidárias de 1994, que tenha ficado de
fora da nossa Lei-Mãe. Não há nada sobre o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, que não
seja público e acessível a qualquer cidadão interessado.

As revisões subsequentes da Constituição da República contaram com a participação de


todos os partidos políticos, com assento parlamentar. Este procedimento recorda-nos que é nesta
Casa do Povo onde a alteração deste quadro jurídico nacional deve ser feita.

No reconhecimento de que a Paz é propriedade colectiva dos moçambicanos, esta Magna


Casa aprovou a Lei nº 12/2002, de 30 de Abril2, que consagra o dia 4 de Outubro como o Dia da
Paz e da Reconciliação na Nação Moçambicana. É também em reconhecimento desta
propriedade colectiva e da necessidade da sua preservação que todos os anos, a 4 de Outubro, são
realizados cultos ecuménicos, com a participação dos actores políticos e outras forças vivas da
sociedade. Durante estes eventos coloca-se acento tónico na promoção da Cultura de Paz.

Com a Paz, mais pessoal de saúde será colocado nas nossas unidades sanitárias e mais
professores nas nossas escolas. Com a Paz, mais técnicos de diversas especialidades serão
formados e colocados em diferentes espaços geográficos da Nação Moçambicana para darem o
seu contributo na luta contra a pobreza. Com a Paz, continuaremos a expandir os projectos de
abastecimento de água e saneamento e a implementar os nossos programas de gestão
1
Boletim da República, I Série, Nº 42 -Lei 13/92 de 14 de Outubro, Acordo Geral de Paz de Moçambique e
respectivos Protocolos.
2
Boletim da República, Lei № 12/2002 de 30 Abril
3

ambiental.Com a Paz, continuaremos a construir mais estradas sem poeira, mais pontes e
ferrovias. Com a Paz, continuaremos a mobilizar mais investimentos, públicos e privados, para o
turismo, transportes e comunicações, recursos minerais e energia, que gerem receita e postos de
trabalho para os nossos compatriotas3.

No contexto da consolidação da Paz e da reconciliação na Nação Moçambicana, temos vindo


a prestar atenção aos Combatentes da Luta de Libertação Nacional e aos desmobilizados de
guerra, implementando medidas de protecção especial, à luz do Estatuto do Combatente,
aprovado por esta Magna Casa.

O Governo está comprometido com a consolidação de um clima de Paz e tranquilidade na


nossa Pátria Amada. A irreticente disponibilidade para o diálogo profícuo, várias vezes expressa,
manifestada e concretizada pelo Governo, reafirma esta nossa convicção de que a única
alternativa à Paz é a própria Paz.

Entre nós, moçambicanos, haverá sempre diferenças por harmonizar, erros por corrigir e
desentendimentos por esclarecer sobre questões da agenda nacional. Todavia, essas diferenças
não se devem, nunca, sobre pôr ao nosso desejo colectivo de viver em Paz. Devem, sempre, ser
vistos como desafios à nossa capacidade de construir e gerar consensos duráveis e que se
renovem em cada diálogo em que nos engajamos.

Encorajamos os parceiros do nosso Governo na promoção da Paz, com particular destaque


para as organizações religiosas, da sociedade civil e empresariais, bem como para os líderes
comunitários e outras pessoas de bem, a mobilizarem toda a sua capacidade de esclarecimento e
de persuasão em prol da Paz. As mentes e os braços que se julgam que estão a armar-se para a
guerra e para a criação da instabilidade devem sentir que são uma minoria, pouco representativa
do espírito nacional, um espírito nacional virado para a concórdia e para a Paz.

2.1. Os Desafios para a Consolidação e Manutenção da Paz em Moçambique

2.1.1. A Visão da Sociedade Civil

Neste ponto procuraremos avaliar os desafios que se colocam a consolidação e manutenção


da paz, considerando as peculiaridades e especificidades duma sociedade com debilidades e

3
Ambicanos.blogspot.com acessado no dia 14/05/2021
4

limitações como a de Moçambique. E para abordar este capítulo apresento os significados de


alguns conceitos que os líderes moçambicanos devem usar aceitar para ultrapassar as suas
diferenças:

Desafio é o acto de instigar alguém para que realize alguma coisa, normalmente além das
suas competências ou habilidades. Ocasião ou grande obstáculo que deve ser ultrapassado4.

Consolidação é o acto de tornar sólido, é o endurecimento, solidificação, robustecimento,


preservação, fixação, estabilização, estabelecimento, alicerçamento, firmamento, cimento,
fortalecimento5.

Manutenção é a acção de manter, sustentar, consertar ou conservar. A manutenção tem o


intuito de reparar ou repor algo que está estragado ou que não funciona correctamente,
consertando para que volte a desenvolver a função requerida inicialmente6.

A paz em Moçambique ainda precisa de ser consolidada de modo a que se possa garantir a
sua manutenção. Ao invés, o que predomina são as demonstrações de intolerância, desconfiança,
ameaças mútuas entre os protagonistas do AGP. Nos discursos públicos persistem ainda tons de
ameaças, arrogância, e incitação ao ódio, regionalismo, tribalismo, infelizmente mantendo deste
modo o clima de incerteza e insegurança, e alimentando assim a continuidade de discursos
violentos, dos actos irresponsáveis de incitação a violência e de destabilização no país.

A paz é um desafio permanente e universal e, como tal, todos os moçambicanos devem se


propor a busca-la incansavelmente desde os mais pequenos gestos.

Mas analisemos o contexto Moçambicano, numa perspectiva social mais alargada para
continuar a análise que desenvolvemos no Capítulo anterior.

Assim, no entender de Salvador Forquilha7 “o debate sobre a paz em Moçambique não pode
ignorar a análise das dinâmicas políticas internas relativas ao processo de transição política que o
país vive desde o fim da guerra civil em 1992”. Segundo ele, alguns factores explicativos dos

4
http://www.dicio.com.br/desafio/ visitado á 14/05/2021
5
http://www.sinonimos.com,br/consolidação/ visitado a 14/05/2021.
6
http://www.significados.com.br./manuntencao visitado a 14/05/2021.
7
FORQUILHA, Salvador, “Do discurso da “história de sucesso” às dinâmicas políticas internas: O desafio da transição
política em Moçambique.”, Desafios para Moçambique 2014, IESE, disponível em
http://www.iese.ac.mz/lib/publication/livros/des2014/IESE-Desafios2014_01_DesPazMoc.pdf visitado em 14/05/2021
5

recuos verificados no processo de consolidação da paz e da construção democrática têm a ver


justamente com as dinâmicas políticas internas ligadas ao processo da transição política em
Moçambique. Assim, apesar de o país ter conseguido criar novas instituições no contexto da
implementação do AGP, a “transição política, mais de vinte anos depois do seu início, continua
um processo inacabado, particularmente ao nível dos principais actores políticos – a FRELIMO e
a RENAMO. A FRELIMO permanece um partido, cujas lógicas de actuação continuam sendo
aquelas de partido-Estado e a RENAMO, por sua vez, continua sendo uma organização, cujas
lógicas de funcionamento são tributárias de um movimento armado”.

O artigo conclui que, “num contexto de construção democrática, a reprodução e


desenvolvimento da FRELIMO através do processo da construção do Estado enfraquece os
mecanismos institucionalizados de inclusão política, facto que, por sua vez, contribui para uma
fraca institucionalização e legitimação do Estado. Isso, combinado com outros factores tais como
o carácter militarizado da RENAMO, a pobreza e as expectativas em relação aos benefícios
associados à exploração dos recursos naturais, reforça o potencial de violência política,
desafiando o próprio processo da consolidação da paz e o discurso de Moçambique como
“história de sucesso” (FORQUILHA et ali 2014, p. 79).

Julgamos que este entendimento é de facto relevante para mostrar mais uma dificuldade da
evolução em curso perante um “partido-Estado” que entendemos como gerado a partir do estado
e um partido “movimento armado” gerado a partir da reacção violenta à ordem uni-paritidária,
cada um dos quais com os seus reflexos instintivos próprios. Em que apesar de todas as
instituições criadas pelos AGP ou pelas leis da República, o percurso democrático está ainda a
decorrer.

De facto é notório que o processo de pacificação em Moçambique não foi conclusivo e que
logo após a assinatura dos acordos gerais, no país deveria se ter iniciado um processo de
passagem de um momento para o outro, pelo perdão, reconciliação, num processo gradual em
que o povo fosse sentindo a evolução gradual das várias fases que parece que foram ignoradas.
Este processo que deveria envolver a sociedade civil aos diferentes níveis deveria ter levado a
uma pacificação social, e ao estabelecimento de confiança mútua e de garantias suficientes para
que as diferenças referidas anteriormente por Forquilha fossem esbatidas.
6

Os desafios do processo de construção da sociedade moçambicana têm por isso também a ver
com a necessidade do envolvimento activo de todos os estratos da sociedade, desde os religiosos
aos profissionais e culturais para auxiliar a ultrapassar esta debilidade estrutural da subjacente à
formação e dinâmica dos partidos charneira. Tem ainda a ver com a elaboração e implementação
de políticas coerentes, capazes de responder à demanda e expectativas de todos os cidadãos,
particularmente no que refere aos sectores sociais e designadamente na educação, saúde,
emprego, protecção social, etc.

Luís de Brito8 mostra-nos que das alternativas que se colocam à sociedade moçambicana,
apenas a democracia pluralista pode acomodar todos os interesses. BRITO nota que “a trajectória
dos dois principais partidos, a FRELIMO e a RENAMO, desde a celebração do AGP e os
desenvolvimentos recentes, que se traduziram na entrada na cena política de um novo actor, o
MDM, mostram que a consolidação da paz em Moçambique é um verdadeiro desafio. Cada um
dos actores tem, logicamente, interesses diferentes e não parece que qualquer um deles tenha a
capacidade suficiente para se impor eliminando os restantes. Fica, pois a alternativa da
convivência dentro de regras e práticas aceitáveis por todos, o que significaria avançar no sentido
da democratização do sistema político, da formulação de mecanismos adequados de
representação dos interesses dos cidadãos e do respeito pelas normas instituídas o que está em
contradição total com a crise que o país vive actualmente, centrada numa confrontação armada
entre o governo da FRELIMO e a RENAMO” (BRITO et alii, 2014, p.38).

Brito refere igualmente que o “crescimento do MDM pela expressão da vontade popular
através do voto, mostra que é tempo de os dois partidos históricos se “civilizarem” e de
partilharem uma concepção de paz que só pode ser o fruto da democracia e não da imposição do
poder pela força.

Até agora não parece haver um consenso sobre o que possa ser o verdadeiro fundamento da
paz. A FRELIMO parece dar prioridade à garantia da sua hegemonia pelo controlo do Estado e à
exclusão dos demais; a RENAMO parece usar a questão da paz para conseguir a sua inclusão no
sistema, de maneira a poder partilhar oportunidades e recursos; e o MDM, dada a sua origem e a

8
BRITO, Luís, (2014), “Uma Reflexão Sobre o Desafio da Paz em Moçambique”, Desafios para Moçambique 2014,IESE,
disponível em http://www.iese.ac.mz/lib/publication/livros/des2014/IESE-Desafios2014_01_DesPazMoc.pdf visitado em
14/05/2021
7

forma como tem conquistado a sua parcela do espaço político, só pode conceber a paz em termos
de pluralismo e convivência”. E que “destas três orientações, apenas a que se constrói na lógica
do pluralismo e, portanto, da democracia, é que pode realisticamente servir para todos. O
caminho da reconcialiação efectivo é pois, um engajamento comum na construção das
instituições que podem fazer avançar a democracia no país, da inclusão política, social e
económica, assim como da promoção da igualdade de oportunidades para todos” (p. 39). Para
concluir que “a via seguida até agora para resolver a situação da crise tem sido mais uma
reedição empobrecida do processo de Roma, com os mesmos defeitos e fraquezas,
nomeadamente a desconfiança, as intenções escondidas e o formalismo, em detrimento de uma
abordagem mais aberta, participativa e criativa que seria hoje necessária”.

Isto é, no fundo Luís de Brito acredita que não é pela reedição de mais Acordos que se
atingirá a paz em Moçambique (apesar do que foi acordado dever ser naturalmente cumprido).
Mas que será necessário caminhar numa política de verdadeira reconciliação com base em
instituições que promovam a verdadeira democracia, a inclusão social, e a promoção de
oportunidades para todos.

3. Diálogo no contexto moçambicano

A expressão diálogo sobre políticas não é conhecida nem comummente usada em


Moçambique. A equipa teve dificuldades em conseguir uma tradução adequada para português.
A expressão adoptada, diálogo sobre política (s) não é considerada ideal, uma vez que denota o
diálogo relativo a políticas específicas, o que limita claramente o alcance do termo. No entanto, a
ideia de participação dos cidadãos está bem estabelecida, principalmente por uma série de
iniciativas governamentais que foram tomadas para fazer consultas sobre políticas. (Ministério
dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, 2012)

Em Moçambique, ganhou-se experiência sobretudo com três processos9 que influenciaram a


percepção e o entendimento actuais do que é o diálogo sobre políticas, de como a SC pode
estrategicamente usar da melhor maneira a experiência acumulada, e de como o ambiente actual
reage: a Campanha Terra, a Agenda 2025 e o Observatório da Pobreza.

9
José Negrão: “A Propósito das Relações Entre as ONG’s do Norte e a Sociedade Civil Moçambicana” (2003),
disponível em http://www.sarpn.org/documents/d0000650/P662-Relacoes.pdf.
8

A experiência dos três processos mostra que os espaços de diálogo não foram simplesmente
dados à SC, mas resultam antes, muitas vezes, de um longo processo de negociação e, por vezes,
de luta.

A ausência de diálogo é também a realidade de um segmento considerável da SC, por


exemplo, os madjermanes ou as revoltas espontâneas que surgiram como resposta à pressão
económica. Também é um facto que a SC moçambicana continua a caracterizar - se por ter um
grande número de organizações informais a trabalhar em todo o país. Com uma população
predominantemente rural, distribuída por uma superfície de 399.400 km 2 onde o Estado enfrenta
enormes dificuldades em satisfazer as necessidades sociais e económicas de base, os cidadãos
ainda dependem de diversos métodos de ajuda mútua como única forma de protecção social.
Estes grupos de ajuda mútua constituem a maior parte da SC moçambicana. São criados
espontaneamente, quando há necessidade, permanecem praticamente ignorados e sobrevivem
sem recursos externos10.

3.1. A diversificação dos mecanismos de diálogo

Comecemos pelo primeiro desafio, o desafio de diversificar os mecanismos de Diálogo. Ao


longo deste ano continuámos a promover e a diversificar esses mecanismos de interacção com as
forças vivas da sociedade, com destaque para os partidos políticos, as confissões religiosas, as
associações empresariais e as organizações sócio profissionais. A Presidência Aberta e Inclusiva
e as suas réplicas a nível local, bem como os seminários na Presidência da República, têm
contribuído para impulsionar e dar forma a este processo de diálogo.

Na edição da Presidência Aberta e Inclusiva deste ano, em que privilegiámos os postos


administrativos e as localidades, o diálogo foi, uma vez mais, nota dominante.

Em primeiro lugar, ganhou forma através dos comícios populares.

Nestes concorridos eventos foi, como tem sido a nossa prática, criado um espaço para que
dez cidadãos usassem da palavra na tribuna, com base no princípio de que são, aleatoriamente,
servidos os primeiros que chegam para colocar a nossa governação na mira da lupa crítica

10
“The Mirror of Narcissus – knowledge and self-conscience for a better development of the Mozambican Civil
Society. Lessons learned and recommendations from Mozambique on its experience in implementing CIVICUS
Civil Society Index”, PNUD Moçambique, Março de 2011.
9

popular. Os restantes que, por constrangimentos de tempo não se podem fazer à tribuna, têm a
oportunidade de colocar os seus pontos de vista aos membros da delegação Presidencial que as
incorpora no relatório final que é usado como instrumento de trabalho, tanto pelo Governo
Central, como pelos governos locais. Em segundo lugar, esse diálogo ganha expressão, através
dos encontros com os membros das estruturas administrativas das localidades e dos postos
administrativos, em sessões alargadas aos membros dos Conselhos Consultivos, durante as quais
também se abordam as questões levantadas no comício antecedente. Em terceiro lugar, este
diálogo ganha expressão através dos encontros com as organizações locais da sociedade civil,
com destaque para os encontros com as organizações juvenis, empresariais e com os fóruns
congregadores de várias associações.

4. Unidade Nacional

A Unidade Nacional está consagrada na nossa Magna Carta como um dos objectivos
fundamentais do Estado Moçambicano, garantindo, deste modo, o elo estruturante da interacção
entre nós, como cidadãos, e a nossa bela Nação11.

O patriotismo deriva do amor à nossa Pátria Amada, a única Pátria que é nossa, e do sentido
que atribuímos à nossa relação com ela, bem como do papel que lhe reconhecemos nas nossas
vidas e a forma como participam na sua edificação e projecção, no concerto das nações.

O amor à Pátria tem a sua base no cumprimento dos deveres, mas também no usufruto dos
direitos que a Lei nos confere para exercermos a nossa cidadania, e com esta cidadania,
enraizarmos os fundamentos do Estado, uma das mais importantes referências para a
consolidação da Unidade Nacional.

Graças ao sentido e valor que atribuímos à Unidade Nacional, as referências culturais, a


afirmação de valores e de interesses supremos da Nação Moçambicana, são necessariamente
perenes, sobrepondo-se aos interesses que se situam na fronteira do particular.

É neste prisma que, a nossa Constituição prevê a punição dos actos contrários à Unidade
Nacional, orienta para uma política económica virada para a sua consolidação e consagra a

11
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10

unidade na diversidade. Por isso, onde floresce a diversidade exulta o nosso mosaico cultural,
cimenta-se a moçambicanidade e consolida-se a Unidade Nacional.

Vista neste prisma, a Unidade Nacional ensina-nos que, as oportunidades para todos
participarmos na luta contra a pobreza, espalham-se por todo o nosso belo Moçambique. Assim
em todas as nossas províncias temos terra para a produção agrária e condições para o agro-
processamento, logística e turismo, incluindo o cinegético.

Também em todas elas, temos condições para o desenvolvimento da sociedade do


conhecimento e da indústria de serviços, incluindo serviços financeiros e de seguros.

o Em algumas províncias temos portos por explorar, construir e expandir;


o Noutras províncias temos gás natural; Noutras temos areias pesadas;
o Noutras temos carvão; Noutras temos pedras preciosas; e noutras ainda temos
condições de produção de energia, incluindo o recurso às fontes novas e renováveis.

A diferenciação com que os recursos naturais se distribuem pelo nosso solo pátrio, não deve
ser pretexto para fomentar a divisão e a separação, pondo em causa a Unidade Nacional. Basta
que nos recordemos, como moçambicanos de diferentes províncias lutaram juntos e alguns
perderam as suas preciosas vidas, para que esta Pátria de Heróis fosse, hoje, livre e independente.

Reafirmemos, pois, a necessidade de consolidar a Unidade Nacional, em torno dos nobres


interesses do nosso heróico Povo, independentemente das nossas convicções político-partidárias,
credo religioso, tribo, raça ou local de origem. No mesmo quadro, vinquemos o imperativo de
persistirmos na consolidação da Pátria Moçambicana, enformados pela comunhão do destino e
pelo adensamento da matriz que nos identifica como um só Povo, como uma só Nação.

Inspirados na Unidade Nacional, continuemos a cultivar a moçambicanidade, nas diversas


formas de representação do povo e expressemos essa diversidade de origem, de raça e de credo
religioso, quer nos órgãos centrais como nos órgãos locais de exercício do poder.

Ao recordarmo-nos dos seus feitos, dos Heróis Nacionais, façamos, nós próprios, hoje, uma
introspecção do quanto, na nossa idade, já fizemos pela Pátria, uma introspecção sobre o legado
que já construímos para, através desse legado, sermos recordados pelas gerações vindouras.
11

A exaltação destes Heróis Nacionais significa honrar e glorificar os exemplos de patriotismo


que caracterizaram aqueles nobres filhos de Moçambique e constitui uma oportunidade para a
preservação e disseminação do seu legado às gerações presentes e futuras.

Graças à Unidade Nacional que promovemos e consolidamos, tem ressaltado à nossa vista
que esta Pátria de Heróis continua a produzir heróis, na luta contra a pobreza, sejam eles
operários, camponeses, estudantes ou funcionários. Por exemplo, hoje, temos cada vez mais
quadros na função pública, formados pelo nosso Sistema Nacional de Educação que são
colocados não apenas na capital do País ou nas grandes cidades, mas também nos distritos,
postos administrativos e localidades.

O Programa “Férias Desenvolvendo o Distrito”, que vem sendo promovido pela Associação
de Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique, deve ser visto nesta perspectiva de
promoção e consolidação da Unidade Nacional, ao dar aos estudantes a oportunidade de
conhecerem melhor o seu Moçambique e de descobrirem que afinal os desafios com que se
debatem no quotidiano abrangem outros moçambicanos e que só juntos os podemos superar.

A Política e Estratégia de Descentralização e Desconcentração é outro factor impulsionador


da consolidação da Unidade Nacional, ao aproximar os centros de decisão, os símbolos do poder
e da Nação, para mais perto do cidadão. É ainda neste prisma que deve ser vista a Lei de Criação
de Novos Distritos, por Província, e a Lei da Criação de Mais Dez Novas Autarquias no País.

A Unidade Nacional é também articulada, através de uma Administração Pública cada vez
mais profissionalizada em que a capacitação, a formação e a rotação dos quadros mantêm-se
como necessidades permanentemente prementes.

Ainda no quadro da promoção da Unidade Nacional, temos estado a edificar infra-estruturas


que facilitam a circulação de pessoas e bens, como estradas, pontes e ferrovias, e outras que
aproximam mais serviços do cidadão. Por exemplo, a instalação de bombas de combustível,
reduz as quantidades de combustível que o cidadão tem que gastar nas suas viagens para a
compra de combustível para o seu veículo.

Este factor, junta-se a muitos outros que têm estado a carcomer o discurso de “zonas
recônditas”, em referência a determinados locais do nosso belo Moçambique. Ao aproximar
12

dirigentes, recursos e serviços criamos um outro sentimento, percepção e impacto de Unidade


Nacional na consciência do cidadão.

Com a Unidade Nacional temos Moçambique. Sem a Unidade Nacional Moçambique não
existe. Sem Moçambique não há Moçambicanos. Sem Moçambicanos há tribos, etnias, raças,
religiões e todo um exercício centrífugo para exacerbar toda a pletora do que distingue este
daquele seu semelhante.

A Unidade Nacional é o cimento da Moçambicanidade. É a argamassa que mantém coeso o


edifício forte e perene que temos estado a construir desde 1962. Ela foi o garante de todas as
nossas conquistas e vitórias de ontem e, por isso, continuando a consolidá-la, reforçamos a
certeza de que a nossa luta contra a pobreza, hoje e amanhã, será coroada de êxitos.

5. Conclusão

Fim do trabalho conclui-se que, a paz é um desafio permanente e universal e, como tal, todos
os moçambicanos devem se propor a busca-la incansavelmente desde os mais pequenos gestos
foi, a 4 de Outubro de 1992. Por isso, o Acordo Geral de Paz foi aprovado, por consenso pelos
Deputados desta Magna Casa do Povo, através da Lei nº 13/92, de 14 de Outubro, passando a
integrar a nossa ordem jurídica, a expressão diálogo sobre políticas não é conhecida nem
comummente usada em Moçambique. Em Moçambique, ganhou-se experiência sobretudo com
três processos que influenciaram a percepção e o entendimento actuais do que é o diálogo sobre
políticas, de como a SC pode estrategicamente usar da melhor maneira a experiência acumulada,
13

e de como o ambiente actual reage: a Campanha Terra, a Agenda 2025 e o Observatório da


Pobreza. A Unidade Nacional está consagrada na nossa Magna Carta como um dos objectivos
fundamentais do Estado Moçambicano, garantindo, deste modo, o elo estruturante da interacção
entre nós, como cidadãos, e a nossa bela Nação. O patriotismo deriva do amor à nossa Pátria
Amada, a única Pátria que é nossa, e do sentido que atribuímos à nossa relação com ela, bem
como do papel que lhe reconhecemos nas nossas vidas e a forma como participar na sua
edificação e projecção, no concerto das nações.

6. Bibliografia

BOLETIM DA REPÚBLICA, I Série, Nº 42 -Lei 13/92 de 14 de Outubro, Acordo Geral de

Paz de Moçambique e respectivos Protocolos.

BRITO Luís de. Desafios Para Moçambique, edição iese. Maputo. Moçambique, 2014.

Dicionário Moderno da Lingua Portuguesa, Edição de Bolso, Escolar Editora, s/d.

Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências, Verbo, 2001.

FORQUILHA, S. Desafios Para Moçambique, edição iese. Maputo. Moçambique, 2014.


14

NEGRÃO, José, A Propósito das Relações Entre as ONGs do Norte e a Sociedade Civil

Moçambicana, 2003. disponível em http://www.iid.org.mz/Relacoes_entre_ONG_do_

Norte_e_Sociedade_Civil_do_Sul.pdf

MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DA DINAMARCA. Avaliação

Conjunta do Apoio à Participação da Sociedade Civil no Diálogo sobre Políticas:

Relatório Nacional de Moçambique. ITAD, COWI, 2021.

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