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Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

Câmpus Pato Branco


Curso de Engenharia Mecânica – DAMEC
Disciplina: Soldagem

Tema: Qualificação na Soldagem e


Introdução a Metalurgia da Soldagem
Qualificação na Soldagem
Qualificação na Soldagem
• Quais são os requisitos de projeto exigidos em uma estrutura soldada (exigências)?
• Quais serão os impactos se uma falha ocorrer em relação as perdas financeiras, ambientais e
humanas?
• Os níveis de exigências serão muitos distintos, dependerá da aplicação da estrutura soldada
• Soldagem de grade de uma de janela ou de um portão (soldagem de pouca exigência)
• Soldagem com requisitos elevados – estruturas que as vezes devem suportar cargas elevadas (estáticas e
dinâmicas), além disso , essas cargas podem ser aplicas em condições em que ocorrem grandes variações de
temperatura (stress térmico e fluência); as vezes ainda temos condições que os elementos soldadas estarão
submetidos a cargas de impacto; outra questão importante é o ambiente onde o elemento soldado está
atuando (p. ex. ambientes corrosivos, abrasivos, etc)
Qualificação na Soldagem
• Como garantir a qualidade das soldas nos diferentes requisitos de projetos (exigências)?
• Com o uso de “Procedimentos e Qualificações de Soldagem e Soldadores”
• EPS – Especificação do Procedimento de Soldagem (EPS – preliminar ou Pré-EPS) – Documento preliminar que descreve
todos os procedimentos de soldagem (P. ex. processo de soldagem, consumíveis usados, parâmetros do processo, Tipo de
junta,...
• QPS - Qualificação do Procedimento de Soldagem - Antes de uma EPS ser utilizada ela deve antes ser qualificada
(Aprovada)  Realizar soldas testes acompanhada por um inspetor e posteriormente realizar ensaios (destrutivos e não
destrutivos). Ensaios baseados no uso de normas (ASME, API, AWS, Petrobrás, etc)  1) Destrutivos: dobramento, tração,
teste de impacto; macrográfico; de corrosão 2) Não destrutivos: Visual, líquidos penetrantes, partículas magnéticas,
inspeção radiográfica e ultrassônica

• Quando a QPS é aprovado, tem-se uma EPS qualificada e obtêm-se com os testes realizados um documento chamado de
RQPS – Registro de Qualificação de Procedimentos de Soldagem

• Qualificação do soldador na EPS qualificada– O Soldador deve demonstrar capacidade de executar o serviço da EPS
qualificada. Para isso, ele deverá soldar corpos de prova, os quais serão testados a sua integridade usando inspeção visual
da junta, ensaio de dobramento, macrografia, radiografia e ensaios práticos de fratura (tenacidade). Com os resultados
dos testes de qualificação obtém-se um documento chamada de Registro de Teste de Qualificação de Soldador (Obs.: Os
soldadores também devem estar qualificado nas diversas posições de soldagem)
Qualificação na Soldagem – Exemplos de Ensaios de qualificação
Ensaio de dobramento
Ensaios visuais – Lupa e Ultrassom
Boroscopia

Ensaio de tração

Líquidos Penetrantes

Ensaio de dureza
Qualificação na Soldagem – Exemplos de Ensaios na Qualificação
• Ensaio de Corrosão Sob Tensão • Ensaio de Tenacidade (impacto)
Defeitos em soldagem identificados por Macrografias

Porosidades
Falta de fusão

Trinca Induzida por hidrogênio


(trincas a frio)

Trinca de Solidificação
(trincas a quente)
Informações Complementares – Códigos Normas e
outros para Qualificação
• Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem (FBTS-SNQC) -
http://www.fbts.org.br/Cursos/InspetorSoldagem
• Cursos de Inspetores de Soldagem Nível 1 e Nível 2

• CÓDIGO ASME IX - Qualificação dos procedimentos de soldagem e soldadores

• Norma ISO 15614-1:2017 - Especificação e qualificação de procedimentos de


soldagem para materiais metálicos

• O código AWS D1.1 (aço carbono) - Requisitos para fabricar e montar estruturas
de aço soldadas (AWS D1.6 – Aço Inoxidável)

• Norma Petrobrás N-2301


Metalurgia da Soldagem – Parte 1
Metalurgia da Soldagem – Introdução e Importância
• Soldagem  aplicação localizada de calor e/ou deformação plástica
• Alterações das propriedades e defeitos dos materiais podem ocorrer na região da junta
• Dependendo onde serão utilizadas as estruturas soldadas as vezes essas alterações são
inaceitáveis
• P. ex. precipitações de fases indesejáveis  queda de tenacidade, redução na resistência a
corrosão, aumento de dureza, etc.
• A maioria das alterações ocorrem durante a solidificação (p.ex. segregações) e resfriamento da
solda (a taxa de resfriamento vai depender de uma série de parâmetros).
• A metalurgia da soldagem é muito importante para que uma solda possa atender os requisitos
do projeto
• Principais Interesses:
• Análise da Macroestrutura  Macroestruturas formadas durante a solidificação (região da
ZTA ou ZAC e região da Solda), análise de defeitos macros (porosidades, trincas, etc)
• Transformações microestruturais  Alterações da propriedades: Metalúrgicas/ mecânicas 
Tamanho de grão, fases formadas, precipitação de fases indesejáveis  alterações na
resistência mecânica, dureza, ductilidade, tenacidade, resistência a corrosão, etc
• Tensões residuais  Tratamento de alívio de tensões residuais
• Deformações (Distorções)
Metalurgia da Soldagem – Introdução e Importância

https://www.youtube.com/watch?v=hRqTgoZtMWY

Trincas de solidificação – Trincas a quente


Fluxo de Calor na Soldagem
• Soldagem por fusão – produzidas por fontes de calor com
temperaturas elevadas (2000 – 20.000°C)
• Energia concentrada – arco elétrico atinge 8x108W/m2
• A energia concentrada gera pequenas regiões, de temperaturas
elevadas, com altos gradientes térmicos (102 a 103°C/mm) e
variações bruscas na temperatura (até 103°C/s)
• Consequência da energia concentrada  alterações de
microestruturas e propriedades, em um pequeno volume do
material
• O fluxo de calor na soldagem pode ser dividido em duas etapas
básicas:
• Fornecimento de calor (arco elétrico) à junta e dissipação
(extração) deste calor pela peça
• Na primeira etapa um parâmetro importante para caracterizar o
processo é a energia de soldagem (aporte térmico ou heat input).
Definida como a quantidade de energia fornecida à junta por
unidade de comprimento da mesma
Aporte de Calor ou Energia de Soldagem (Heat Input)
Para um processo a arco elétrico considerando o arco como única fonte de calor temos:
• H – energia de soldagem (Heat Input - J/mm)
Velocidade de soldagem
• Ƞ - é a eficiência térmica do processo
Potência do arco elétrico útil • V - é a tensão do arco(V)
• I – Corrente de soldagem (A)
• V – velocidade de soldagem (mm/s)
• L – comprimento da solda (mm)
• t- tempo para percorrer o comprimento L (s)
Dissipação de Calor - Extração de Calor
• A dissipação de calor ocorre principalmente por condução, na peça, das regiões aquecidas para o restante do
material, a evolução da temperatura em diferentes pontos, devido a soldagem, pode ser estimada teórica
(equações analíticas ou simulações numéricas) ou experimentalmente (termopares)
• Cada ponto do material localizado próximo a junta experimentará uma diferente variação de temperatura
devido á passagem da fonte de calor, isso gera uma curva chamada “ciclo térmico da soldagem”
Sentido da solda

Posicionamento dos
termopares (A-B-C-D
e A´-B´-C´-D´)
Extração de Calor – Importância do Ciclo Térmico
• Temperatura de pico (Tp): temperatura máxima atingida pelo ponto. Indica se haverá ocorrência de
transformação microestrutural, determinando a extensão da região afetada pelo calor. (T>450 oC)
• Tempo de permanência (tc) acima de uma temperatura crítica (Tc):
tempo em que o ponto fica submetido a temperaturas superiores a uma
temperatura mínima (temperatura crítica, Tc ) para ocorrer uma
alteração microestrutural ou de propriedade significativa no material. • p, densidade do material;
• Velocidade de resfriamento (Φ): é obtida pela derivada (ou inclinação) • c, é o calor específico;
• h é a espessura da peça;
em uma determinada temperatura (T) da curva de resfriamento • Tf é a temperatura de
• Tempo necessário (ΔtT1/T2) para a solda se resfriar de uma dada fusão do material;
temperatura (T1) até outra (T2)  aços considera-se em geral, entre • T0 é a temperatura inicial e
800 e 500°C (Δt8/5) • H é a energia de soldagem
• O tempo necessário (ΔtT1/T2) para a solda se resfriar de uma dada
temperatura (T1) até outra (T2) é particularmente importante na
soldagem de aços carbono, pois estas ligas, quando aquecidas a
temperaturas elevadas são austenitizadas na região da solda e, no
resfriamento, os produtos da transformação da austenita dependem
fortemente das condições de resfriamento
Exemplo de aplicação da taxa de resfriamento

Soldagem de um aço Inox Duplex –


(50% de ferrita e 50 % de austenita) –
Na soldagem do aço deve-se manter
o equilíbrio das fases
Exemplo de aplicação da taxa de resfriamento
Curva TTS – Tempo_Temperatura_Sensitização  Corrosão intergranular
Soldagem do aço Inox 304 e 304L
Cr2O3 – naturalmente formar óxido de cromo  Sensitização Cr23C6 (Carboneto de Cromo)
Fatores que Influenciam a Extração de Calor
• Condutividade térmica
• Metais de elevada condutividade dissipam o calor rapidamente da poça de fusão para o restante da peça,
o que torna difícil a formação da poça de fusão  Cu, Al
• Metais com baixa condutividade térmica tendem a apresentar gradiente térmicos mais abruptos no
aquecimento e menores velocidades de resfriamento, nesses materiais, a energia térmica é melhor
aproveitada para a fusão localizada necessária na soldagem
• Geometria da junta: Junta em ângulo maior extração de calor
• Espessura da junta
• Uma junta mais espessa tem maior velocidade de
resfriamento
• Chega um valor que a velocidade de resfriamento
independe da espessura, para essa condição, o
tempo de resfriamento da solda entre 800 e 500°C

• Energia de soldagem e temperatura inicial da peça


• A velocidade de resfriamento diminui com o aumento desses dois parâmetros
• Controlar esses parâmetros permite controlar a velocidade de resfriamento da região da solda e
portanto sua microestrutura e propriedades
Macroestruturas de Soldas por Fusão e Repartição Térmica
Zona fundida (ZF) – local onde o metal se fundiu e solidificou, nessa
região as temperaturas de pico foram superiores a Tfusão  Tp > Tfusão

Zona Termicamente Afetada (ZTA) ou Zona Afetada


pelo Calor (ZAC): região não fundida do metal de base
mas que teve suas microestrutura e/ou propriedades
afetadas pelo ciclo térmico de soldagem  Tp superior a
Tcrítica e inferior a Tfusão  Tcrítica  Tp  Tfusão

Influência da energia de soldagem


Metal de base – região mais afastada do
cordão de solda e que não foi afetada pela
soldagem  Tp inferior a Tcrítica  Tp < Tcritica

Alargamento da ZTA

A repartição térmica é representada pela máxima temperatura atingida em cada ponto, em função da distância deste
ponto ao centro do cordão de solda.
Macroestruturas de Soldas por Fusão e Repartição Térmica
Temperatura de pico (centro da solda)
Temperatura limite de fusão

Temperatura crítica em que ocorrem alteração microestrutural ou de propriedade


significativas

Macrografia de uma solda de múltiplos passes duplo chanfro

ZTA produzida durante o


processo FSW (Friction Stir
Welding) aço carbono

• Processo hibrido (Laser/GMAW)


Vídeos complementares

• METALURGIA DA SOLDAGEM - PARTE 1 - https://www.youtube.com/watch?v=zob1MfBvNh0&list=PLzSIt-


N3z8RLmjes8GbUEa8IAxzZFvP5p
• METALURGIA DA SOLDAGEM - PARTE 2 - https://www.youtube.com/watch?v=Ry80-xpzlWo&list=PLzSIt-
N3z8RLmjes8GbUEa8IAxzZFvP5p&index=2
• METALURGIA DA SOLDAGEM - PARTE 3 - https://www.youtube.com/watch?v=_1D9fbwj1G4&list=PLzSIt-
N3z8RLmjes8GbUEa8IAxzZFvP5p&index=3
• METALURGIA DA SOLDAGEM - PARTE 4 - https://www.youtube.com/watch?v=juGMrnNm9Wk&list=PLzSIt-
N3z8RLmjes8GbUEa8IAxzZFvP5p&index=4
• METALURGIA DA SOLDAGEM - PARTE 5 https://www.youtube.com/watch?v=vpaIq_eUH8w&list=PLzSIt-
N3z8RLmjes8GbUEa8IAxzZFvP5p&index=5

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