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ANGLO

ENSINO FUNDAMENTAL
9 º-
ano

1
Volume

MANUAL
DO
PROFESSOR
BIOLOGIA
o
9 ano
Ensino Fundamental

Manual do
Professor
Biologia
José Manoel Martins
Marcos Engelstein

1
volume
Direção geral: Guilherme Luz
Direção executiva: Irina Bullara Martins Lachowski
Direção editorial: Renata Mascarenhas e Luiz Tonolli
Gestão de conteúdo: Carlos Eduardo Lavor (Caê)
Gestão de projetos editoriais: Marcos Moura e Rodolfo Marinho
Gestão de área: Isabel Rebelo Roque e Tatiana Leite Nunes
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Rodrygo Martarelli Cerqueira
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Adjane Oliveira (coord.), Daniela Carvalho e Mayara Crivari
Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.),
Rosângela Muricy (coord.), Danielle Modesto, Marília Lima, Tayra Alfonso;
Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias)
Arte: Daniela Amaral (ger.), André Vitale (coord.) e
Daniel Hisashi Aoki (edit. arte)
Diagramação: JS Design
Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Roberto Silva (coord.),
Roberta Freire Lacerda Santos (pesquisa iconográfica)
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Angra Marques (licenciamento de textos), Erika Ramires,
Luciana Pedrosa Bierbauer e Claudia Rodrigues (Analistas Adm.)
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Martins, José Manoel


Ensino fundamental 2 : biologia 9º ano : volume 1 e 2 :
professor / José Manoel Martins, Marcos Engelstein. -- 1.
ed. -- São Paulo : SOMOS Sistemas de Ensino, 2019.

1. Biologia (Ensino fundamental). I. Engelstein,


Marcos. II. Título.

2018-0061 CDD-372.35

Julia do Nascimento – Bibliotecária – CRB-8/010142

2019
ISBN 978 85 468 1761 0 (PR)
1a edição
1a impressão
Impressão e acabamento

Uma publicação
SUMÁRIO

VOLUME 1................................................................................................4
1. Lavem as mãos! – um caso de aplicação da metodologia científica ........................................ 5
2. Abandonando antigas ideias, criando hipóteses: o caso dos dedos enrugados .................... 11
3. O que herdamos dos nossos pais? ........................................................................................ 17
4. As vacinas e o sistema imune ............................................................................................... 22
5. Genética do sistema ABO ..................................................................................................... 28
6. Potenciais terapêuticos das células-tronco ........................................................................... 33
7. Terapia gênica e doenças genéticas ..................................................................................... 39
8. O diabetes e o caso dos transgênicos ................................................................................... 44

8
VOLUME 1

Caros professores,
Durante o Ensino Fundamental 2, em Ciências – Química, Física e Biologia – os estudantes conheceram
uma série de conteúdos relacionados a temas como os métodos científicos, as questões ambientais que
estão presentes nas cidades e no campo, a evolução dos seres vivos na Terra, o movimento dos planetas no
Sistema Solar e a influência do Sol no nosso planeta, o funcionamento do nosso organismo e a promoção
de saúde através de hábitos diários, as modalidades de energia e suas transformações, as substâncias e suas
propriedades e características, entre tantos outros temas da Ciência. Não há dúvidas de que os estudantes
acumularam muitos conhecimentos nesse período, a exemplo do que ocorre na Ciência.
Mas como bem sabemos, acumular conhecimentos não é a única proposta da Ciência. Seu papel vai
muito além, esses conhecimentos podem ser utilizados com um caráter transformador, que se modifica ao
longo do tempo, que não têm verdades absolutas e que sempre nos permitirá novas descobertas.
Várias dessas mudanças provocadas pela Ciência foram estudadas e inseridas nos conteúdos até agora
abordados. Neste último ano do Ensino Fundamental, a Biologia, que permeou grande parte dos estudos
dos alunos nos anos anteriores, e mais explicitamente no 8o ano, vai ser explorada de forma um pouco dife-
rente do que os alunos estão acostumados. Os assuntos serão apresentados na forma de estudos de caso,
isto é, eles partirão de fatos que foram ou ainda são um problema para a humanidade e trarão conteúdos
ligados à Biologia.
Neste volume serão abordados assuntos instigantes, como: descobrir quando lavar as mãos se tornou
um hábito entre os médicos; porque os dedos enrugam; como as características hereditárias são passadas
de geração em geração; porque as vacinas são importantes; do que depende uma transfusão de sangue e
quais tipos sanguíneos existem; como as células-tronco e a terapia gênica são alternativas proporcionadas
pelo avanço científico para lidar com doenças e qual é a relação entre organismos transgênicos e o diabetes.
Esperamos que essa nova proposta atenda às suas expectativas e que forneça uma ferramenta importante
para o desenvolvimento de suas aulas. Foi um grande prazer produzi-la e lhe convidamos para continuarmos
juntos esse processo de construção e aperfeiçoamento do nosso material. Bom trabalho!
Os autores

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8 Ensino Fundamental
1. LAVEM AS MÃOS! – UM CASO DE APLICAÇÃO DA
METODOLOGIA CIENTÍFICA

AULAS 1, 2 e 3

Nestas aulas pretende-se formalizar um pouco o tema Metodologia Científica, presente em diferentes contextos
e iniciado no 6º ano, por meio do caso de um médico que buscou investigar a morte de mulheres por febre puer-
peral no século XIX.
O título “Lavem as mãos” é uma referência à história parcialmente contada neste Módulo. Não se conhece muito
bem que fim levou Semmelweis, mas uma das lendas é de que ele teria enlouquecido e andava pelas ruas de Bu-
dapeste gritando “Lavem as mãos”, antes de sua morte.
Nenhum método científico em particular possui um manual que os pesquisadores devam seguir à risca. Abordare-
mos dois tipos de pesquisa científica: a ciência da descoberta e a ciência com base em hipóteses.

Objetivos
• Conhecer a ciência da descoberta e a ciência baseada em hipóteses.
• Identificar o método hipotético-dedutivo.
• Compreender a importância da coleta e análise de dados em Ciências.
• Entender a história da busca pela prevenção da febre puerperal na perspectiva da metodologia científica.

Roteiro de aula (sugestão)

Aula Descrição Anotações


Senso comum versus conhecimento científico

De olho… no senso comum

Você sabia? A peste negra na Europa medieval


1
Atividade 1

Rumo ao Ensino Médio (item 1)

Orientações para a tarefa 1 (Em casa)

Retorno da tarefa 1

Semmelweis e a febre puerperal Manual do Professor

De olho… na febre puerperal


2
Atividade 2

Rumo ao Ensino Médio (item 2)

Orientações para a tarefa 2 (Em casa)

8
5
Retorno da tarefa 2
A higienização das mãos nos dias de hoje
De olho… na higienização e na prevenção de infecções
Você sabia? Qual é o verdadeiro método científico?
3
A importância da coleta e da análise de dados
Atividade 3
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observaç‹o: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

Noções básicas sensatez, criatividade, cooperação, competição, paciência


e persistência para superar reveses.
• Elaboração de hipóteses a partir de observações
(conhecimento prévio) e perguntas. Os experimentos Pesquisadores utilizam dois tipos principais de pes-
são planejados no sentido de confirmar ou refutar a quisa científica: a ciência da descoberta e a ciência com
hipótese. base em hipóteses. A ciência da descoberta envolve basi-
camente descrever a natureza a partir de observações. A
• A ciência da descoberta envolve basicamente a obser-
vação, a descrição da natureza e a indução. A ciência ciência com base em hipóteses se relaciona, basicamente,
com base em hipóteses se baseia na explicação de com a explicação da natureza e de seus fenômenos. A
fenômenos da natureza e fundamenta-se em dedução. maioria das pesquisas científicas combina essas duas
abordagens.
• A higienização das mãos é fundamental na prevenção
de doenças. Geralmente, a ciência da descoberta descreve estru-
turas e processos naturais com a maior precisão possível,
a partir de cuidadosas observações e análises de dados
Estratégias e orientações
e com base na indução ou na argumentação indutiva.
As aulas deste Módulo pretendem discutir o conhe- Por meio da indução, é possível fazer generalizações a
cimento do senso comum e o conhecimento produzido partir de muitas observações científicas. Por exemplo, a
por meio da pesquisa científica. partir da ciência da descoberta, foi possível construir o
O senso comum é o conhecimento sem comprova- conhecimento necessário para nossa compreensão sobre
ção científica que se faz presente em diferentes con- a estrutura celular e expandir nossa base de dados sobre
textos sociais, passando de geração em geração como os genomas de diversas espécies.
explicações para diferentes fenômenos. Esse conhe- As observações e as induções da ciência da desco-
cimento surge da necessidade de resolver problemas berta estimulam a busca de causas e explicações para
imediatos e que emergem no dia a dia das pessoas. Po- essas observações. Essa pesquisa geralmente envolve
deríamos elencar várias situações-problema que exigem a proposição e o teste de explicações hipotéticas – ou
da comunidade científica a necessidade de pesquisar, seja, hipóteses. Um tipo de lógica denominada dedução
aprofundar interpretações dos resultados e propor so- fundamenta a ciência com base na hipótese. A dedução
luções ou indicar caminhos a partir do senso comum. contrasta com a indução. No raciocínio dedutivo, a ló-
Um exemplo é a pesquisa com plantas usadas tradicio- gica flui na direção oposta, do geral para o específico.
nalmente como remédios, cujos efeitos benéficos ou Partindo de premissas gerais, pode-se extrapolar para os
efeitos colaterais podem ser comprovados por meio de resultados específicos que deveriam ser esperados se as
pesquisa científica. premissas fossem verdadeiras. As deduções geralmente
Não há fórmula que garanta o sucesso de uma pes- assumem a forma de predições de resultados experimen-
quisa científica. Nenhum método científico possui um tais ou observacionais encontrados se uma determinada
manual que os pesquisadores devam seguir à risca. Como hipótese (premissa) estiver correta. Então, testamos essa
em todas as buscas, as Ciências incluem elementos de hipótese com a realização de experimentos ou observa-
desafio, de aventura e de sorte, aliados a planejamento, ções para revelar se os resultados são previsíveis ou não.
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8 Ensino Fundamental
É comum os alunos usarem o termo “hipótese” como sinônimo de “chute”: por exemplo, quando se inicia
um novo tema e pedimos referências, eles acreditam estar sugerindo hipóteses. A hipótese parte de um proble-
ma baseado no conhecimento científico e não é um “chute” ou achismo, ainda que seja refutada mais adiante.
Quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um
fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressadas pelo problema, são formuladas
conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se consequências que deverão ser testadas, per-
mitindo que sejam corroboradas ou refutadas.
Vale a pena conversar com os professores das Ciências Socias, especialmente se sua escola trabalha com Filo-
sofia no 9º ano, para avaliar um trabalho multidisciplinar. A Filosofia da Ciência permeia toda a metodologia usada
e permite uma ampliação da visão de como se abordam os fatos para logo estudá-los.

Senso comum versus conhecimento científico (página 7)


Antes de iniciar o Módulo, pode ser bastante proveitoso propor aos estudantes uma reflexão que será retomada
na página seguinte: “Será que o frio causa doenças?”, “Por que é comum ouvirmos ‘veste o casaco senão você vai
ficar gripado’ ou ‘fecha a porta da geladeira senão você vai ficar com dor de garganta’?”. Essa reflexão tem como
objetivo diagnosticar a visão de senso comum dos estudantes. Ao final do Módulo será possível voltar a essa reflexão
perguntando se eles mantêm suas ideias iniciais (ver p. 12).
Explore o conhecimento do senso comum, pedindo aos alunos diferentes exemplos na área da saúde, da
alimentação, da previsão de tempo, entre outros. Em seguida, sugira a leitura do item Senso comum versus
conhecimento científico na página 7 e do boxe Você sabia? sobre a peste negra na Europa medieval (p. 8).
Avalie a possibilidade de um trabalho interdisciplinar com História, contextualizando o período de maior
incidência da peste negra na Europa. Os estudantes poderão relacionar a construção e a organização das
cidades na época com as condições sanitárias da maior parte da população. As crenças da época também
podem ser significativas para contextualizar o período e o motivo de a peste negra ter sido tão devastadora
para a população.
Em seguida, oriente os alunos para a realização da Atividade 1, do item 1 da seção Rumo ao Ensino Médio e da
tarefa 1 da seção Em casa.

Semmelweis e a febre puerperal (página 9)


A segunda aula é inteiramente dedicada ao trabalho de Semmelweis sobre a febre puerperal, um exemplo clássico
de pesquisa com aplicação do método científico hipotético-dedutivo. Sugira a leitura coletiva dos textos, enfatizando
a tabela da página 9 em uma análise mais atenta. Oriente os alunos para a realização da Atividade 2 e do item 2 da
seção Rumo ao Ensino Médio. Se achar interessante, peça uma pesquisa sobre a situação política da Hungria (país de
origem de Semmelweis) e da Áustria (país onde ele estudou e onde trabalhava) na época dessas análises. A Hungria
estava dominada pela Áustria (compunham o Império Austro-Húngaro) cultural e politicamente, e os húngaros, como
Semmelweis, eram vítimas de discriminações étnicas, até mesmo no ambiente universitário. Na época do Império Aus-
tro-Húngaro, havia muita rivalidade entre os dois povos. Os estudantes poderão verificar que a Ciência não é apolítica
e que as posições científicas dos médicos austríacos podiam ser influenciadas pela rivalidade entre as nações, o que
levava a desconfianças quanto às contribuições de Semmelweis.
Em seguida, oriente os alunos para a realização da tarefa 2 da seção Em casa.
Manual do Professor
A higienização das mãos nos dias de hoje (página 11)
Inicie a terceira aula com a correção da tarefa 2 da seção Em casa. Oriente a leitura do item A higienização das
mãos nos dias de hoje e depois explique os tópicos seguintes: Você sabia? Qual é o verdadeiro método científico?
(p. 13) e A importância da coleta e da análise de dados (p. 14). Oriente os alunos para a realização da Atividade 3
(p. 14), que poderá ser feita em grupo, para que haja troca de informações durante a análise dos dados. Dedique
uma boa parte da aula para a análise e a discussão dos resultados. Oriente, então, a realização do item 3 da seção
Rumo ao Ensino Médio e da tarefa 3 da seção Em casa.

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7
Respostas e comentários
Atividade 1 (página 8)
Resposta pessoal, mantendo o conceito de planejar um experimento e, a partir dos dados, tirar uma conclusão.
É possível que apareça a ideia de hipótese.

Atividade 2 (página 10)


1. Segundo o texto, ele observou a posição das camas das doentes em relação ao norte e ao sul, provavelmente
pensando na incidência do Sol ou de ventos.
2. A doença era contagiosa, mas não passava de pessoa para pessoa pelo ar.
3. Com esses dados, o médico pôde verificar que havia um número maior de mortes em uma das clínicas. Depois,
os dados recolhidos puderam ser comparados com os dados após a aplicação de uma rotina de higienização
das mãos. Esses resultados serviram para validar a hipótese de Semmelweis.
4. Resposta pessoal. Professor(a), esta atividade tem dois objetivos principais. O primeiro é fazer os estudantes re-
fletirem sobre como poderiam analisar e qual hipótese poderiam propor para explicar esse novo fator: mulheres
continuarem morrendo na clínica 1 mesmo após as “partículas cadavéricas” terem sido eliminadas na higienização
das mãos dos médicos e dos estudantes. O segundo é promover uma oportunidade para discutir com os alunos
que as respostas encontradas usando a lógica ou o raciocínio científico não são verdade absoluta, portanto podem
sofrer modificações tão logo outros fatos ou outras ideias apareçam.

Atividade 3 (página 14)


a) Verificar se o novo medicamento é eficiente e se ele é mais eficiente do que os atuais.
b) O grupo 1 foi mantido sem medicamento, permitindo que o resultado do grupo 2 pudesse ser comparado com
a situação basal. No caso que estudamos no Módulo, foi isso que a clínica 2 possibilitou ao médico que dirigia a
clínica 1. Nas Ciências, o grupo que é submetido ao teste sem que haja variação de nenhum fator que se pretende
observar é chamado grupo controle.
c) Grupo 1: 315 mg/dL; Grupo 2: 305 mg/dL.
d) Não. A proposta do medicamento era ser mais eficiente que os remédios existentes, que reduzem as taxas de co-
lesterol no sangue em 10%. Nesse caso, a média dos valores após o uso foi de 305 mg/dL (grupo 2), uma redução
de cerca de 5% da média inicial (320 mg/dL).
e) A média da taxa de colesterol do grupo 1, que apenas mudou de hábitos alimentares (sem que houvesse par-
ticipação do novo medicamento), passou de 320 mg/dL para 315 mg/dL, uma redução muito discreta e não
significativa para que se possa afirmar que a mudança na alimentação surtiu algum efeito.

Professor(a): discuta com os alunos a ideia de resultado negativo. Existe uma tendência em considerá-lo
um erro, mas um resultado contrário à hipótese inicial nada mais é do que uma indicação para o descarte
dessa hipótese e o replanejamento do estudo.

Em casa (página 16)


1. a) A afirmação não é verdadeira, mas teoricamente possível. Para isso, seria necessário que as ondas eletromag-
néticas recebidas e produzidas pelo aparelho celular gerassem uma chama ou uma faísca, o que dificilmente
ocorreria em componentes de tão baixa voltagem.

Professor(a): os alunos terão dificuldade de localizar um site de alguma universidade para descartar
esse senso comum, mas existem muitas reportagens de veículos da mídia que são confiáveis, como as
que contêm entrevistas com professores de universidades.

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8 Ensino Fundamental
b) Esse tema é mais polêmico. Os alunos podem ter dificuldade de encontrar trabalhos de longo prazo que
sejam conclusivos. Não existe nenhum trabalho afirmando que eles fazem mal, mas também não existe
nenhum negando com base em resultados de pesquisas científicas. A discussão deve ser na linha da
necessidade de manter a pesquisa em andamento, até chegar a alguma conclusão.
c) Não irrita, nem poderia, porque os touros não enxergam cores. Essa afirmação vem das touradas, que
usam o pano vermelho para representar o sangue escorrendo do touro. Após ser provocado e espetado
várias vezes por peões a cavalo, o touro se irrita com qualquer coisa, no caso, com a agitação da capa,
que, por coincidência, é vermelha.

Professor(a): o objetivo de pedir a fonte das informações é para desenvolver nos alunos a prática
de pesquisa. É claro que essa prática não se esgota nesta simples atividade, mas contribui para que eles
sejam críticos em relação às fontes que usam, especialmente na rede. Pode ser interessante comentar
isso com outros professores para a discussão sobre a disseminação de notícias falsas (“fake news”).

2. a) Ambas partiram da observação de fatos (contato de mãos contaminadas com pessoas doentes e microrganis-
mos presentes em feridas supuradas, respectivamente), ambas utilizaram experimentos e coletas de dados,
assim como análise dos dados para chegar a uma conclusão.
b) A grande contribuição reside na relação estabelecida por Pasteur de que microrganismos não surgem por
geração espontânea nas feridas supuradas, além de estabelecer uma relação entre doença e microrganismos,
que Lister transferiu para o fato de as feridas supurarem.

c) A análise dos dados do experimento de Lister, de usar substâncias desinfetantes nos curativos, mostrou uma
queda acentuada do número de mortes no hospital em que o médico trabalhava. A partir desses resultados
(números), ele confirma a sua hipótese.

3. Etapas do método
Trabalho de Van Helmont
científico

As plantas produziam seu próprio alimento utilizando recursos do solo.


Observação

Criação de O solo sozinho não era suficiente para nutrir as plantas.


hipótese

Van Helmont cultivou um salgueiro em um vaso de cerâmica, ao qual adicionava apenas


Realização de água.
experimento e Passados cinco anos, o salgueiro cultivado apresentou 74,4 kg de ganho de massa
coleta de dados (descontada a massa de água que foi adicionada), enquanto o solo no qual foi
cultivado teve uma redução de apenas 57 gramas em seu peso.

Não era apenas do solo que a planta retirava recursos para crescer, o que fica evidente
Conclusões pela diferença entre a massa da planta e a massa do solo reduzida. Manual do Professor

Rumo ao Ensino Médio (página 17)

1. Alternativa A. As demais alternativas estão corretas. A alternativa a está incorreta pois o senso comum não é
utilizado para as discussões e as conclusões científicas, apenas como observação para posterior construção
de hipóteses.

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2. Alternativa B. As alternativas a, c e d são etapas do método científico, sendo a a compilação dos dados obtidos,
c a observação de fatos e d a elaboração de hipótese (pode ser considerada também a conclusão do trabalho,
se pensarmos que ele já foi testado). A única alternativa que utiliza o senso comum como explicação de um
fenômeno, como era feito nos tempos de Aristóteles, é a b.

3. Alternativa C. A alternativa a está incorreta pois a pesquisa inicia-se pela observação de fatos e pela elaboração
de hipóteses. A alternativa b está incorreta pois a hipótese é uma etapa anterior à metodologia. A alternativa d
está incorreta pois algumas conclusões podem servir de base para novas hipóteses. A alternativa e está incorreta
pois os cientistas também podem utilizar outras formas para compartilhar suas informações, como a publicação
de artigos em revistas científicas.

Professor(a): a alternativa d pode gerar alguma dúvida. Se for o caso, discuta com os alunos que resul-
tados de experimentos que não confirmam a hipótese inicial costumam gerar uma nova hipótese, que deverá
ser testada com novos experimentos. A alternativa e (compartilhamento de informações entre os cientistas)
não foi discutida no texto, mas eles não devem ter dificuldades em deduzir que existem revistas científicas,
até mesmo no formato eletrônico.

Sugestão de atividade extra


Existem muitas pesquisas descritas que podem servir para discutir metodologia científica. Alguns exemplos que
podem gerar um bom debate:
• A receita do cientista belga Von Helmont para produzir ratos permite questionar a metodologia de outros ex-
perimentos descritos na literatura. Sobre o mesmo tema, a teoria do flogístico e os experimentos de Lavoisier
também podem ser trabalhados.
• A pesquisa de Edward Snow, em Londres no século XIX, para entender a transmissão da cólera, é excelente.
• Se quiser discutir mais sobre a relação entre saúde e transmissão de doenças, o caso de Mary Mallon, no início
do século XX, em Nova York, é muito bom.
Existem muitos exemplos de trabalhos científicos e resultados de experimentos que podem ser utilizados pelo
professor(a). A leitura de livros sobre a história da Ciência pode servir de inspiração para desenvolver o tema da
metodologia científica.

Sugestão de material para consulta

Na estante
• BRYSON, Bill. Breve história de quase tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Na internet

• A HISTÓRIA da Ciência no processo de ensino-aprendizagem. Física na Escola, v. 10, n. 1, 2009. Disponível em:
<www.sbfisica.org.br/fne/Vol10/Num1/a04.pdf>.
• ALFABETIZAÇÃO científica. Genética na Escola. Disponível em: <http://docs.wixstatic.com/ugd/b703be_b5c72
5a4e6bd4a2fa8bbbd063e977a2d.pdf>.
• MÉTODOS de pesquisa. Editora UFRGS. Disponível em: <www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.
pdf>. Acesso em: 18 set. 2018.

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8 Ensino Fundamental
2. ABANDONANDO ANTIGAS IDEIAS, CRIANDO
HIPÓTESES: O CASO DOS DEDOS ENRUGADOS

AULAS 4, 5 e 6

Neste Módulo, mostraremos como o procedimento científico é concebido, por meio de um estudo de caso de
por que os dedos enrugam quando em contato com a água por muito tempo. Será enfatizada a importância da
produção de conhecimento por vários campos da Ciência, permitindo a elaboração de novas hipóteses diante das
novas observações.
São apresentados os processos de difusão e osmose, a vasoconstrição dos vasos periféricos e as hipóteses
existentes para explicar o motivo de enrugamento dos dedos. Além disso, também será recordada a estrutura dos
principais tecidos que compõem o corpo humano.

Objetivos
• Perceber que a curiosidade humana pode levar a descobertas científicas.
• Compreender que a maneira de “fazer ciência” (o método científico) se inicia com o levantamento de hipóteses
baseadas em observações feitas com critério.
• Elaborar hipóteses com base em observações de fenômenos.

Professor(a): esses mesmos três primeiros objetivos já foram observados na primeira aula do 6o ano
(Ciências), tratando-se, portanto, de um resgate e um aprimoramento nesta série.

• Compreender como novas observações sobre um fenômeno levam à elaboração de novas hipóteses.
• Reconhecer que várias áreas do conhecimento podem contribuir para a elucidação de um tema.
• Identificar os componentes da estrutura da pele humana.
• Entender como ocorrem os processos de difusão e osmose.

Roteiro de aula (sugestão)


Aula Descrição Anotações
Retorno da tarefa 3 do Módulo 1
Por que superfícies externas enrugam?
Você já pensou nisso? 1
4
Atividade 1
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Manual do Professor
Retorno da tarefa 1
A hipótese da osmose a partir de conhecimentos prévios
Difusão e osmose
5
Atividade 2
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)

11
8
Retorno da tarefa 2
A explicação pela osmose é questionada
De olho… nos principais tecidos do corpo humano
Você já pensou nisso? 2
Novas hipóteses para o enrugamento dos dedos
6
O caminho percorrido pelas hipóteses nas Ciências
Atividade 3
Desafio
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

Noções básicas Por que superfícies externas enrugam?


• Neste material seguiremos as seguintes etapas dos (página 19)
métodos científicos (na maioria dos casos): observa- Retome o que foi discutido no Módulo 1 a respeito
ção e identificação de um problema; levantamento da metodologia científica e comente o que será estudado
de hipóteses; execução de experimentos; obtenção nas próximas três aulas: o porquê de os dedos enrugarem
de dados e/ou resultados; registro de conclusões. quando estão na água, mas sem dar explicações científi-
cas para o fenômeno. Em seguida, faça o levantamento
Professor(a): essa noção básica sobre a meto- dos conhecimentos prévios dos alunos a respeito desse
dologia científica foi apresentada nas primeiras aulas tema, de preferência sem que eles consultem a apostila.
do 6º ano (Ciências), tratando-se, portanto, de um Anote as ideias e as hipóteses deles na lousa e peça a eles
resgate e um aprimoramento nesta série. que as registrem no caderno. Ao final da aula 6, retome
essas anotações e comente-as já com os novos conhe-
• Os dedos enrugam quando ficam mergulhados muito cimentos que terão adquirido. Pode-se pedir ainda que
tempo na água em parte pela osmose, mas principal- façam uma crítica por escrito de algumas dessas ideias,
mente por um estímulo controlado pelo sistema nervoso. justificando o porquê de estarem erradas ou incompletas,
como provavelmente será o caso.
• O enrugamento dos dedos pode ser uma adaptação que
conferiu vantagem aos primeiros seres humanos, auxi- Faça a leitura coletiva do texto desta aula, escla-
liando na coleta e na pesca de seres vivos submersos. recendo a cada parágrafo as eventuais dúvidas dos
alunos. Quando chegar à seção Você já pensou nisso?
1, dê um tempo para que respondam e certifique-se de
Estratégias e orientações
que as respostas estejam de acordo com o esperado.
A metodologia científica continua a ser estudada neste Nesse caso, a importância está em os alunos estabe-
Módulo, enfatizando agora as etapas dos métodos científi- lecerem a comparação correta do que ocorre com os
cos em um estudo de caso (por que os dedos enrugam na dedos enrugados e as uvas-passas para que possam
água?) e como as hipóteses e conclusões mudam de acordo responder à Atividade 1, na qual a contradição entre
com o aparecimento de novas descobertas e observações. os fenômenos será identificada.
A leitura coletiva dos textos deste Módulo pode ser A seção Rumo ao Ensino Médio, item 1, traz uma
um bom condutor para o desenvolvimento dessas três situação em que os alunos terão de prever o que vai
aulas. Isso porque o assunto “metodologia científica” e acontecer com base em seus conhecimentos prévios.
o processo de “investigação científica” são tratados por Pode-se solicitar essa atividade para casa, pois eles po-
meio de um estudo de caso, uma história que está sendo derão fazer o experimento proposto e verificar in loco
contada. Dessa forma, algumas respostas que os alunos o que acontece.
darão aos exercícios, durante o desenvolvimento das au- Finalize a aula com a recomendação para a tarefa 1
las, não serão necessariamente as mais aceitas e corretas, da seção Em casa, que relaciona o que foi estudado nesta
mas serão as possíveis e esperadas para aquela etapa. aula com as etapas dos métodos científicos.
12
8 Ensino Fundamental
A hipótese da osmose a partir de conhecimentos A última parte desta aula busca concretizar as novas
prévios descobertas feitas a respeito do porquê do enrugamen-
to dos dedos, traçando um paralelo de como o “fazer
Difusão e osmose (página 20) ciência” é encaminhado pelos cientistas. Recomenda-se
Nesta aula, os alunos vão conhecer a difusão e que para essa etapa seja feita a leitura coletiva destes
a osmose. Inicie contextualizando a osmose como o últimos tópicos, já que a explicação envolvendo o sis-
processo responsável pela entrada de água nas célu- tema nervoso no controle do enrugamento é um pouco
las da epiderme dos dedos, o que poderia levar ao mais complexa.
enrugamento. Os exercícios da Atividade 3 e a tarefa 3 da seção
Uma boa estratégia para explicar difusão e osmose Em casa, bem como a seção Rumo ao Ensino Médio
pode ser por meio de uma demonstração simples para (item 3), buscam trabalhar essas novas descobertas para
auxiliar na explicação do processo de difusão. Para isso, a explicação do enrugamento dos dedos. A seção De-
leia o primeiro parágrafo do item Difusão e osmose (p. 20). safio propõe uma situação bem relevante do ponto de
Em seguida, realize a demonstração de uma atividade vista da saúde, que envolve o tecido epitelial da pele
prática similar usando água e corante. Peça que obser- e o uso de protetor solar adequado, tanto no fator de
vem o que acontece com o corante, que vai se espalhar, proteção quanto no limite do tempo de exposição. Pode
mesmo sem agitação, demonstrando a difusão dele na ser proposta como lição de casa. Nesta atividade, a ha-
água. bilidade envolvida na leitura de dados de uma tabela
Em relação à osmose, há algumas atividades práticas é bem explorada.
que podem ser utilizadas como demonstração ou mesmo, Para abordar esses exercícios em sala de aula, uma
se tiver mais tempo, ser feitas em sala com os alunos em boa estratégia é o trabalho em duplas, pois, como há
pequenos grupos. Algumas sugestões são destacadas na situações em que os alunos têm de emitir opiniões e
seção Sugestão de atividade extra no final deste Módulo. utilizar seus conhecimentos prévios, o debate em duplas
Os esquemas apresentados na aula são um ótimo favorece um bom resultado.
recurso para auxiliar na explicação dos processos de Caso tenha tempo, uma boa atividade, de certa forma
difusão e osmose. até lúdica, é a realização de um experimento simples em
Realize os exercícios da Atividade 2 e da seção Rumo que os alunos são convidados a testar se, em uma solução
ao Ensino Médio (item 2). A tarefa 2 da seção Em casa, salina concentrada, os dedos nela mergulhados enrugam
expõe um caso de observação da osmose em uma situ- mais rápido que em água de torneira (com poucos sais,
ação real. A questão do enrugamento dos dedos pode portanto). Prepare a solução salina saturada despejando
parecer nesse momento secundária, mas será retomada sal, em um copo de água, e mexendo sempre com uma
na aula seguinte. Aqui, exploramos a oportunidade para colher. Continue com esse procedimento até o sal não se
ampliar o conhecimento desse processo metabólico tão dissolver mais na água. Em outro copo (controle) coloque
importante para as células: o transporte de substâncias apenas água na mesma quantidade.
através das membranas celulares.
Peça a um aluno que mergulhe um dedo no copo com
A explicação pela osmose é questionada a solução salina e o mesmo dedo da outra mão no copo
(página 22) controle. Sugira aos alunos que elaborem hipóteses do que
vai acontecer em cada copo e suas justificativas. Observe o
Novas hipóteses para o enrugamento dos dedos
(página 24)
que acontece com cada um dos dedos de 5 em 5 minutos,
comparando o grau de enrugamento. Espera-se que a rea-
O caminho percorrido pelas hipóteses nas Ciências ção na água doce (controle) seja mais rápida que na água
(página 25) salgada. Supondo-se que uma solução salina saturada seja Manual do Professor
Inicie a aula mostrando a diversidade de tecidos no mais concentrada que a solução dentro das células, seria
corpo humano, utilizando para isso o boxe De olho… esperado que, se a osmose tivesse um papel fundamental
nos principais tecidos do corpo humano (p. 23). A ex- no enrugamento dos dedos, a perda de água das células da
plicação em conjunto com o esquema disponível é uma epiderme para a solução salina seria maior, como ocorreria
boa estratégia, pois alguns dos tecidos importantes para nas uvas-passas, causando desidratação e enrugamento. No
a discussão estão bem representados. Realize em seguida entanto, é na água doce que o enrugamento é mais rápido,
o Você já pensou nisso? 2. Ele será o mote para a reto- o que sugere que a explicação para o enrugamento dos
mada da questão-problema deste Módulo. dedos não pode ser apenas pela osmose.

13
8
Respostas e comentários
Você já pensou nisso? 1 (página 20)
Se o que ocorre no enrugamento dos dedos é semelhante ao que acontece com as uvas, então as camadas mais
internas da pele perderiam água para o ambiente, mesmo com a mão mergulhada na água.

Professor(a): essa explicação, apesar de imprecisa, levando em consideração o que realmente ocorre, é co-
erente em relação ao que está sendo estudado pelos alunos. A ideia é construir esse conhecimento apresentando
hipóteses que vão sendo testadas e corroboradas ou não à luz de novos conhecimentos.

Atividade 1 (página 20)


A contradição reside no fato de que as uvas enrugam porque sofrem desidratação em suas camadas
mais internas (pericarpo), enquanto os dedos enrugam por um processo inverso, de hidratação das camadas mais
externas da pele.

Atividade 2 (página 22)


1. Como nas camadas mais externas da pele humana há maior concentração de substâncias do que no meio exter-
no, a tendência é que a água, por osmose, atravesse a membrana da célula no sentido de maior concentração,
até que ambos os lados se igualem.
2. Como os temperos, especialmente o sal, tornam o meio externo às células das verduras mais concentrado do
que o meio interno, estas tendem a perder a água por osmose e murchar.

Você já pensou nisso? 2 (página 23)


Apesar de a queratina impermeabilizar a pele, devemos lembrar que ela é porosa e permite a ocorrência de
osmose. No entanto, a osmose tem um papel secundário no enrugamento dos dedos, como será visto em seguida.

Professor(a): pode-se ainda comentar duas outras evidências que invalidam a hipótese da osmose e que
não aparecem no texto: a de que apenas os dedos das mãos, dos pés e a parte de baixo dos pés tendem a
enrugar quando submersos ou molhados por muito tempo. Se a osmose estivesse diretamente relacionada ao
enrugamento, todas as partes da pele do indivíduo deveriam enrugar. Um contra-argumento apresentado se
baseou no fato de que a camada externa da pele é mais espessa nessas áreas e, por isso, ficariam mais sujeitas ao
inchaço e ao consequente enrugamento. Acontece que a medição das partes enrugadas mostrou uma diminuição
do volume, e não um aumento, descartando o inchaço como causa.

Atividade 3 (página 26)


Resposta pessoal. Além da situação apresentada no texto, de que os dedos enrugados poderiam trazer vantagens
ao manipular objetos e/ou alimentos embaixo da água ou em ambientes úmidos, os estudantes podem sugerir novas
ideias. Por exemplo: ter as solas e os dedos dos pés enrugados poderia aumentar a aderência ao chão, reduzindo
as chances de sofrer escorregões e acidentes sérios perto de rios e de lagos.

Professor(a): lembre os estudantes de que alguns cientistas estão desenvolvendo pesquisas que
buscam descobrir se o enrugamento dos dedos é uma característica que aparece em outros primatas. Se
estiver presente, pode-se ter um indício da vantagem evolutiva na locomoção em áreas úmidas. Se ocorrer
apenas em seres humanos, é uma característica que conferiu vantagem apenas nesse caso, possivelmente
relacionada à coleta ou à pesca de alimentos em rios, lagos ou mar.

14
8 Ensino Fundamental
Desafio (página 26)

1. Alternativa B. A alternativa a está errada, pois todas as pessoas, independentemente do tipo de pele, estão su-
jeitas a queimaduras. A alternativa c está errada, pois as pessoas nunca devem se expor ao sol antes de passar o
protetor solar; 6 minutos é o tempo em média que uma pessoa de pele sensível poderia suportar sem o protetor
solar. A alternativa d está errada, pois as pessoas de pele morena e amarela têm o mesmo tempo de tolerância
de exposição ao sol. A alternativa e está errada, pois o tempo de tolerância sem protetor solar é medido em
minutos, e não em horas.

Em casa (página 27)

1. 1) Os dedos enrugam quando ficam muito tempo embaixo da água ou em ambientes úmidos;
2) A exemplo das uvas-passas, os dedos enrugam quando estão em ambientes úmidos, mas não por desidratação,
e sim pela absorção de uma grande quantidade de água pelas células de sua camada mais externa;
3) Dedos dentro da água enrugam e fora dela, depois de estarem secos, voltam ao normal;
4) Os dedos enrugam em ambientes úmidos porque a água é absorvida pela camada mais externa da pele.

Professor(a): os métodos científicos e suas etapas foram estudas no Módulo 1 do Caderno 6.1.

2. Se há necessidade de bombeamento constante de água para fora da célula, isso significa que água entra conti-
nuamente nesse animal. Desse modo, pode-se inferir que a água do lago é menos concentrada do que o meio
interno do protozoário. Esse protozoário precisará bombear o excesso de água do meio intracelular para fora,
caso contrário, seu volume aumentará tanto que sua membrana poderá se romper.
3. Resposta pessoal. O estudante poderá sugerir um experimento em que algumas pessoas manuseiem objetos com
os dedos lisos e enrugados em um local úmido e em um local seco. A comparação entre os resultados desses
dois grupos (dedos lisos versus dedos enrugados) poderá possibilitar responder à pergunta sobre a existência
de vantagem em algum dos modos.

Rumo ao Ensino Médio (página 27)

1. Alternativa B. A alternativa a está errada, pois o volume aumenta, mas não pelo aumento da casca, que perma-
nece com a mesma área. As alternativas c, d e e estão erradas, pois o volume deve aumentar com a entrada de
água na fruta.
2. Alternativa A. A alternativa b está errada, pois a difusão do sal não acontece entre a membrana celular. A al-
ternativa c está errada, pois a água sai das células devido ao desequilíbrio na concentração dos solutos (mais
concentrado fora da célula). As alternativas d e e estão erradas, pois não há ganho de água pelas células, inde-
pendentemente do processo.
3. Alternativa E. As alternativas a e b estão erradas, pois não se trata da raiz de um pelo, mas sim de um nervo. Manual do Professor
As alternativas c e d estão erradas, pois a origem do nervo é de tecido nervoso e conjuntivo.

Sugestão de atividade extra


Experimentos com osmose
Uma atividade prática que pode enriquecer a aula é observar o processo de osmose em células vegetais (cebola
e elódea são bons materiais para serem observados com o uso do microscópio).

15
8
Observação de fenômenos de plasmólise em células de Elodea sp. e/ou da película da epiderme da
cebola (Allium cepa)
Material
• Elódea
• Cebola
• Pinça
• Corante vermelho neutro
• Lâmina, lamínula e microscópio
Procedimentos
a) Retire com a ajuda de uma pinça uma folha jovem de elódea ou a epiderme da cebola.
b) No caso da epiderme da cebola, adicione uma gota de corante vermelho neutro.
c) Coloque uma gota de água entre a lâmina e a lamínula e observe ao microscópio óptico.
d) Faça um desenho identificando as estruturas, no aumento médio.
e) Adicione duas ou três gotas de uma solução salina hipertônica (NaCℓ 10% p/v) em um dos bordos da lamínula.
f) Retire o excesso de líquido com papel absorvente no lado oposto ao que adicionou a solução de NaCℓ (método
de irrigação).
g) Observe o efeito da ação da solução concentrada sobre as células.
h) Faça um desenho identificando as estruturas e represente o que se observa depois de adicionar a solução salina.
Questões
1. O que aconteceu com as células da elódea após a adição da solução salina?
Resposta: Espera-se que as células aparentem apresentar espaços vazios dentro delas, com todos os cloroplastos
juntos e sem movimento em seus interiores.
2. Como se explicam os resultados obtidos?
Resposta: A solução salina hipertônica fez com que a água contida no interior das células saísse dos vacúolos
e do citoplasma por meio da osmose, tornando as células com o aspecto comentado na questão anterior.
Na impossibilidade de usar o microscópio, cubos de batata podem ser usados em experimentos conforme
descritos em “Batata chorona”. Disponível em: <http://www.casadaciencia.com.br/batata-chorona/>. Acesso em:
18 set. 2018.
Sobre a relação do sal com osmose e difusão, consulte a aula prática sobre “Osmose em folha de alface”. Dispo-
nível em: <http://www.biologia.seed.pr.gov.br/arquivos/File/praticas/osmose_alface.pdf>. Acesso em: 18 set. 2018.

Sugestão de material para consulta

Na internet

• CIENTISTAS descobrem por que os dedos enrugam na água. BBC Brasil. Atualizado em: jan. 2013. Disponível em:
<www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130109_dedos_enrugadosrg>.
• POR QUE o enrugamento da pele molhada intriga os cientistas. BBC Brasil. Atualizado em: jun. 2016. Disponível
em: <www.bbc.com/portuguese/vert-fut-36480819>.
• ROTHMAN, Paula. Por que os dedos enrugam na água? Info Online, set. 2011. Disponível em: <https://exame.
abril.com.br/ciencia/estudo-desvenda-por-que-dedos-enrugam-na-agua/>.
• WHY Skin Wrinkles in Water. Today I Found Out. Disponível em: <www.todayifoundout.com/index.php/2014/03/
skin-wrinkles-water/>.
Acesso em: 18 set. 2018.
16
8 Ensino Fundamental
3. O QUE HERDAMOS DOS NOSSOS PAIS?

AULAS 7, 8 e 9

Neste Módulo, pretende-se apresentar um breve histórico da construção do conhecimento sobre o mecanismo
da hereditariedade e como se dá a transmissão das características genéticas.

Objetivos
• Conhecer a história de Mendel e reconhecer os resultados e conclusões de seus experimentos com ervilhas como
a base para o entendimento dos mecanismos envolvidos na hereditariedade.
• Analisar o mecanismo de transmissão das características genéticas, segundo a primeira lei de Mendel.
• Identificar os conceitos de gene e alelo, genótipo e fenótipo, homozigoto e heterozigoto, característica domi-
nante e recessiva.

Roteiro de aula (sugestão)


Aula Descrição Anotações
Retorno da tarefa 3 do Módulo 2
O monge
Atividade 1
7 Você sabia? As primeiras ideias de hereditariedade
As ervilhas
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Retorno da tarefa 1
O trabalho de Mendel
8 Atividade 2
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)
Retorno da tarefa 2
Manual do Professor
Mendel e os genes
Atividade 3
9
Atividade 4
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

17
8
Noções básicas As ervilhas (página 30)
• As características hereditárias estão localizadas no Apresente as características das ervilhas como material
núcleo, em estruturas chamadas cromossomos. de pesquisa de Mendel, discutindo o que ele chamava de
• Trechos de DNA responsáveis pela determinação das linhagem pura. Levante, se possível, hipóteses para isso.
características dos indivíduos são chamados de genes. Na seção Sugestão de atividade extra, no final deste
Os genes para as mesmas características, localizados módulo, existe um encaminhamento de aula proposto
nos cromossomos homólogos, podem apresentar por dois cientistas, usando personagens dos livros de
duas ou mais variáveis, chamadas de alelos. Harry Potter. Se for de seu interesse, este é um bom mo-
• As características hereditárias são determinadas por um mento para iniciar os estudos de hereditariedade, pois
par de alelos herdados dos pais (um da mãe e outro nos livros e nos filmes usa-se a expressão “famílias puras”.
do pai), que podem ser dominantes ou recessivos.
• O par ou conjunto total de alelos para determinada O trabalho de Mendel (página 32)
característica de cada pessoa é chamado genótipo. A segunda aula é focada nas explanações do professor(a),
A manifestação do genótipo e sua interação com o uma vez que os alunos estão sendo introduzidos de maneira
ambiente é chamada de fenótipo. formal nesse assunto somente agora, e o conhecimento que
têm ainda é incipiente e informal e gera bastante curiosidade.
Estratégias e orientações Mesmo assim, é importante explorar o conhecimento que já
Uma das grandes dificuldades dos alunos, relatada possuem, fazendo correções quando necessário.
pelos professores de Biologia do Ensino Médio, é en- Faça um passo a passo do trabalho proposto por Men-
tender a relação entre cromossomos e genes. Podemos del, para um melhor entendimento dos alunos. Resgate
colaborar insistindo na demonstração da organização as ideias discutidas no Módulo 1, sobre a metodologia
dos cromossomos aos pares e que trechos iguais (lo- científica, identificando como o monge seguiu os passos
cus) dos cromossomos homólogos têm alelos de genes de uma boa pesquisa científica. Essa sequência pode
para uma mesma característica. Reforce que os alelos ser feita até mesmo com uma leitura compartilhada do
não são necessariamente iguais e que cada cromos- texto. A Atividade 2 serve para sistematizar o trabalho
somo vem de um progenitor, o que contribui para a de Mendel descrito até o momento.
variabilidade genética encontrada na população. Como o aprofundamento desse tema será feito no
Ensino Médio, no momento não passaremos da primei-
O monge (página 29) ra lei de Mendel; a ideia é apenas ilustrar a construção
A primeira aula é uma introdução ao tema Genética. do conhecimento nessa área da Biologia. Mesmo que,
A atividade 1 procura mostrar características hereditá- atualmente, a Genética esteja muito longe do modelo
rias observáveis e que estão expressas nos diferentes proposto por Mendel, suas leis serviram para construir
indivíduos. Atente-se para o fato de que a transmissão as ideias de hereditariedade da ciência atual.
das características escolhidas para esta atividade não No texto, optamos por nos referir aos alelos dos genes.
A Biologia costuma usar como jargão a referência aos genes
se explica apenas pela primeira lei de Mendel. O uso
dominantes e recessivos, mas isso não é conceitualmente exa-
de algumas características que possuem herança apro-
to. O gene é um trecho do DNA; dominantes ou recessivos
ximada às proporções da primeira lei de Mendel é um
são as variantes desse gene, ou seja, os alelos. Não precisamos
recurso utilizado, mas discutível. Veja essa discussão no
levar essa discussão aos alunos, mas, utilizando a nomen-
texto “Para ensinar genética mendeliana: ervilhas ou
clatura adequada, podemos aproximá-los da correção de
lóbulos de orelha”, publicado na revista Genética na
conceitos, o que os ajudará na continuação de seus estudos.
Escola, v. 11, n. 2, sup., 2016. Disponível em: <www.
geneticanaescola.com.br/volume-11-n-2-sup>. Acesso Mendel e os genes (página 34)
em: 18 set. 2018. Inicie a terceira aula com uma rápida leitura do texto
O breve histórico das explicações sobre hereditarie- (ou explanação, se preferir) e dedique boa parte da aula
dade pode ser uma leitura compartilhada. A hipótese às Atividades 3 e 4, que podem ser feitas em pequenos
de Hipócrates foi aceita por séculos, uma vez que grupos (três a quatro alunos), para que possam discutir
nada significativo foi descoberto para questioná-la. as possíveis soluções.
Valorize a ideia de que hipóteses são refutadas quan- Em determinado ponto do item Mendel e os genes (3º
do conhecimentos novos permitem a proposição de parágrafo), afirma-se que os gametas das plantas são óvulos e
outra hipótese que explica de forma mais satisfatória pólen. Isso é uma aproximação, pois os gametas estão dentro
determinado fato. dessas estruturas pluricelulares, que existem em angiosper-
18
8 Ensino Fundamental
mas e gimnospermas. Não cabe, neste momento, discutir a Atividade 4 (página 36)
organização dessas estruturas, daí a simplificação.
1.
Existem muitos exercícios sobre a primeira lei de
Mendel de vestibulares, que podem ser usados com os Gametas
alunos se houver interesse. Eles podem servir para re-
A a
forçar os conceitos de homozigoto, heterozigoto, domi-

Gametas
nante e recessivo, mas não é preciso esgotar o tema nem a Aa aa
garantir que o aluno tenha uma compreensão perfeita
desses conceitos; afinal, é um assunto bastante abstrato. a Aa aa
Se a turma mostrar entusiasmo e você tiver tempo hábil,
proponha exercícios com alelos múltiplos, como os tipos 2 amarelo : 2 verde
sanguíneos e a cor de pelos em coelhos.
2. Heredograma:
Respostas e comentários
I. 1 – Aa 2 – aa
Atividade 1 (página 29)
As respostas serão diferentes dependendo de cada tur- II. 1 – aa 2 – Aa 3 – aa 4 – aa 5 – Aa 6 – aa
ma. O importante é que os alunos identifiquem e calculem
III. 1 – aa 2 – Aa 3 – aa 4 – aa 5 – Aa
a razão entre as características estudadas. Pode ser interes-
sante apresentar esta atividade aos colegas de Matemática,
caso eles estejam trabalhando esse tipo de conteúdo. Desafio (página 37)
Os heredogramas A e C são compatíveis com he-
Atividade 2 (página 32) rança autossômica recessiva. Em A, os pais são hetero-
a) zigotos, e, em C, a mãe é heterozigota ou homozigota
Caracte- Cruzamento Caracte- normal. Em B, ambos os pais devem ser heterozigotos
Cruzamento autossômicos para uma característica dominante. A
rística da da geração rística da
da geração P
geração F1 F1 geração F2 ideia é o aluno praticar os conceitos de dominante/
Plantas Auto- Plantas recessivo e de homozigoto/heterozigoto e a leitura
Fecundação
de plantas com fecundação com de heredogramas.
de sementes sementes de plantas sementes
amarelas amarelas com amarelas Em casa (página 38)
com plantas sementes e verdes 1. a) Durante o período, não houve descobertas cien-
de sementes amarelas tíficas significativas ou hipóteses levantadas que
verdes tornassem a pangênese insatisfatória. Relembre
os alunos sobre as etapas dos métodos científi-
b) Considerando que o resultado total é de 8 023 cos e que hipóteses podem ser descartadas caso
sementes, em que 6 022 são amarelas e 2 001 são sejam falseadas.
verdes, a divisão do valor encontrado pelo total
deve resultar em uma proporção de 3,01 : 1 ou b) Resposta pessoal. Pode ser dito que a hipótese não
aproximadamente 3 : 1 ou ainda 75% para 25% explica a variabilidade entre os descendentes, não
3 leva em conta a junção do material genético da
ou ainda e . O importante é deixar claro aos
4 mãe e do pai, não explica se as gêmulas de um
alunos que os valores ficaram em torno de 3 : 1.
órgão são sempre iguais ou diferentes.
Atividade 3 (página 35) Manual do Professor

Gametas Professor(a): se houver tempo, promova um rá-


pido debate em sala de aula sobre essa questão, que
A a
envolve metodologia científica, estudada no Módulo
Gametas

A AA Aa 1. Essa será uma boa forma de avaliar o impacto na


aprendizagem dos estudantes sobre a dinâmica das
a Aa aa
mudanças nos conhecimentos científicos.
3 amarelo : 1 verde

19
8
2. Os alunos devem perceber que a característica dominante será sempre aquela que aparecer em maior número
em F2. A proporção em F2 será sempre por volta de 3 : 1, que os alunos podem apresentar também em fração
3 1
: ou, ainda, em porcentagem, 75% : 25%.
4 4

Proporção
Caráter Cruzamento entre a geração parental Geração F2
em F2

Lisa 3 Rugosa

1. Forma da semente 5 474 lisas : 1 850 rugosas 2,96 : 1

Dominante Recessiva

Amarela 3 Verde

2. Cor da semente 6 022 amarelas : 2 001 verdes 3,01 : 1

Dominante Recessiva

Púrpura 3 Branca

3. Cor da flor 705 púrpuras : 224 brancas 3,15 : 1

Dominante Recessiva

Lisa 3 Rugosa

4. Forma da vagem 882 lisas : 299 rugosas 2,95 : 1

Dominante Recessiva

Verde 3 Amarela

5. Cor da vagem 428 verdes : 152 amarelas 2,82 : 1

Dominante Recessiva

Axial 3 Terminal

6. Posição da flor 651 axiais : 207 terminais 3,14 : 1

Dominante Recessiva

Alto 3 Baixo

7. Altura do pé 787 altos : 277 baixos 2,84 : 1

Dominante Recessiva

20
8 Ensino Fundamental
3. Os alunos devem responder usando o quadro de Punnett, conforme estudaram na aula.
Genótipos dos pais: Aa
Gametas: A e a
A a
A AA Aa
a Aa aa
1
A chance de nascer um filho albino a partir de um cruzamento entre pais heterozigotos é de ou 25%.
4
Rumo ao Ensino Médio (página 39)
1. Alternativa C. As demais alternativas são aspectos favoráveis ao estudo genético em geral.
2. Alternativa B. Alelos são as estruturas que correspondem aos fatores de Mendel. A alternativa a está incorreta,
pois os cromossomos não expressam apenas uma característica. A alternativa c está incorreta, pois o ribossomo
é uma organela relacionada à síntese de proteínas. A alternativa d está incorreta, pois, neste contexto, esperma-
tozoides não são estruturas vegetais. A alternativa e está incorreta, pois o fenótipo é a manifestação do genótipo,
ou seja, a aparência das ervilhas.
3. Alternativa D.
B b
B BB Bb
b Bb bb

BB ou Bb – pelagem preta – 75%


bb – pelagem branca – 25%

Sugestão de atividade extra


Em 2005, uma das principais revistas de divulgação científica do mundo publicou uma carta de dois pesquisa-
dores que sugeriam o uso da história de Harry Potter para o ensino de Genética. (Harry Potter and the Recessive
Allele. Disponível em: <https://www.nature.com/articles/436776a>. Acesso em: 18 set. 2018). Isso gerou uma série
de protestos e críticas (por exemplo, Harry Potter and the Prisoner of Presumption. Disponível em: <https://www.
nature.com/articles/437318d>. Acesso em: 18 set. 2018).
Críticas à parte, pode-se usar essa sugestão de forma lúdica em sala de aula, sempre alertando para os absurdos
que ela traz (só para exemplificar, um alelo determinante da magia).
Os alunos devem conhecer a saga do bruxo e de seus amigos, portanto é interessante que você esteja familiari-
zado. A pergunta a ser respondida é: o alelo para bruxaria é dominante ou recessivo? As pistas (só use se os alunos
não conseguirem desvendar o mistério) são: Hermione é filha de trouxas, assim como a mãe de Harry, os Wesley e
os Malfoy são todos “puros-sangues”.
Existem vários comentários e propostas na rede sobre essa estratégia, que, antes de tudo, pretendia ser divertida.
Bom divertimento!

Manual do Professor
Sugestão de material para consulta
Na internet
• ARTIGOS sobre Mendel. Genética na Escola. v. 11, n. 2 sup (2016). Disponível em: <www.geneticanaescola.com.
br/volume-11-n-2-sup>.
Acesso em: 18 set. 2018.
• PENA, Sérgio. Mendel: o anti-herói. Ciência Hoje. Disponível em: <http://cienciahoje.org.br/coluna/mendel-o-
anti-heroi/>.

21
8
4. AS VACINAS E O SISTEMA IMUNE

AULAS 10, 11 e 12

Neste Módulo, os alunos vão relembrar os componentes e as funções do sangue, com o objetivo de compreender
o funcionamento do sistema imune e a importância da vacinação.
Por meio da apresentação do sistema imune, os alunos conhecerão o papel de alguns leucócitos e o processo
de formação das células de memória, entendendo o modo de ação das vacinas e sua importância para a saúde
individual e coletiva.
Os alunos vão rever, ainda, o papel do sistema linfático e seus órgãos na resposta imune.

Objetivos
• Relembrar os componentes do sangue e suas funções.
• Compreender o funcionamento do sistema imune.
• Relacionar o sistema imune com situações cotidianas, como o surgimento de doenças, e a importância da vacinação.
• Reconhecer e diferenciar os objetivos e as funções do soro e da vacina.

Roteiro de aula (sugestão)

Aula Descrição Anotações


Retorno da tarefa 3 do Módulo 3
Relembrando a composição do sangue
Atividade 1
Nossa proteção
De olho… no bom funcionamento do sistema imune
10
Resposta imune inata
De olho… na inflamação e na febre
Resposta imune adaptativa
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Retorno da tarefa 1
Memória imunológica
11 Atividade 2
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)

22
8 Ensino Fundamental
Retorno da tarefa 2
Vacinas
De olho… na febre amarela
12 Soros
Atividade 3
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

Noções básicas Estratégias e orientações


• A ação do nosso sistema imune pode ser dividida É importante lembrar que os alunos estudaram os
em dois tipos de resposta: a inata, que existe desde componentes do sangue e tiveram uma introdução sobre
o nascimento e funciona da mesma forma indepen- vacinas e soros no 8º ano. Portanto, o tema não deve
dentemente do invasor, e a adaptativa, que deve ser ser considerado novo, e os conhecimentos devem ser
adquirida e é específica para cada antígeno. aprofundados.
• As primeiras células a reconhecer e atacar os inva- Dessa forma, procure sempre mobilizar o conhe-
sores são os fagócitos (macrófagos e neutrófilos), cimento prévio dos alunos por meio de perguntas e
células com capacidade de fagocitose. São muito identificar qual foi a ampliação feita sobre o tema. É
importantes na imunidade inata, pois conseguem importante, portanto, conhecer o material utilizado pelos
destruir patógenos sem ativar os mecanismos de alunos no 8º ano.
imunidade adaptativa. Estas aulas contêm muitos conhecimentos pontuais
• Caso os mecanismos de imunidade inata não sejam e, por isso, estão centradas no trabalho do professor(a).
suficientes para combater a infecção, os macrófagos É preciso prestar atenção às dificuldades que os alunos
apresentam o antígeno para os linfócitos T CD4 (au- possam apresentar, especialmente nas identificações das
xiliares) e os linfócitos T CD8 (citotóxicos ou mata- células e das estruturas envolvidas em cada processo.
dores). As células T auxiliares sinalizam a presença
do antígeno para os linfócitos B.
Relembrando a composição do sangue
• Os linfócitos CD8 atacam e destroem células infecta-
(página 41)
das com o antígeno específico, que induzem os lin-
fócitos B a produzir proteínas chamadas anticorpos, Inicie a primeira aula retomando os componentes do
que são lançadas no sangue e se ligam ao antígeno, sangue, seus locais de produção e suas composições, mas
bloqueando sua ação. não invista muito tempo nisso, já que os alunos viram
• Os linfócitos T CD4, T CD8 e B formam células de esse conteúdo no 8º ano. Faça a Atividade 1, que é uma
memória, sendo responsáveis pela imunidade de lon- boa opção para relembrarem os conceitos estudados. Se
ga duração. Em caso de nova exposição ao antígeno, for o caso, peça aos alunos que leiam essa parte teórica
a resposta das células de memória será muito mais antes da aula, como uma lição de casa (lembre-se de
rápida e intensa. orientá-los ao final do Módulo 3).
• As vacinas são responsáveis por estimular a produção
da “memória imunológica” do nosso organismo e são Nossa proteção (página 43)
Manual do Professor
desenvolvidas a partir de microrganismos mortos ou Como os alunos já conhecem um pouco sobre o sis-
atenuados. tema imune, defina sua função e explique as condições
• O soro tem a função de tratar intoxicações nas quais para seu bom funcionamento (boxe De olho...), levando
o organismo não produz resposta imediata. É pro- em conta o ponto de vista fisiológico. Aponte as situações
duzido no organismo de outros animais e não tem patológicas (alergias, rejeições em transfusões de sangue
característica imunizadora. e doações de órgãos, doenças autoimunes) que estão
• O sistema linfático está relacionado à defesa do orga- relacionadas à resposta imune. Defina antígeno como
nismo e à detecção de microrganismos patogênicos. qualquer molécula que não pertence ao organismo e

23
8
pode ser reconhecida e combatida pelo sistema imune. Um erro comum é considerar que os anticorpos
Apresente rapidamente a diferença entre a resposta imu- são um tipo de leucócito. É preciso que fique atento a
ne inata e a adaptativa. isso, sempre relacionando os anticorpos com as prote-
Fique atento a uma confusão muito comum dos alu- ínas presentes no plasma (resgate esse conhecimento).
nos: todas as células do sistema imune são leucócitos Evidencie também os mecanismos de ação dos anti-
(glóbulos brancos), apenas são apresentadas com nomes corpos, neutralização e sinalização, e sua importância
específicos. Se achar que é o caso, relembre cada tipo na resposta imune.
e suas funções. Se houver tempo, apresente o vídeo sobre o fluxo
sanguíneo da Academia de Ciência e Tecnologia de
Resposta imune inata (página 44) São José do Rio Preto, dando destaque à atuação dos
linfócitos. Link: <https://www.youtube.com/watch?v=
Não se pode perder de vista (e é interessante di-
lBn3SNO04UU&list=PL_zTUqusLwIY7JR3pp6
zer isso aos alunos) que não são apenas as estruturas
w4DlhA5MRA9vSD>, acesso em: 18 set. 2018. Lembre-
e as células apresentadas nestas aulas que compõem
-se de checar se o vídeo ainda está disponível. Para
o nosso sistema imune. Se quiser conhecer um pouco
conhecer um pouco mais sobre os tipos de anticorpo,
mais, vale a pena consultar alguns sites, como <www.
consulte, por exemplo: <http://eapv.com.br/2-vacinas/
epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/cap1.pdf> e <www.
como-funcionam/2-3-4-especificidade-para-antigenos-
fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIO
e-memoria-imunologica-ativacao-dos-linfocitos-b-
JOSEMONTASSIER/aula-1-introducao-a-imunologia.pdf>
imunidade-humoral-e-linfocitos-t-imunidade-celular-
(acesso em: 18 set. 2018).
na-producao-de-anticorpos-e-citocinas/>. Acesso em:
Apresente as formas de resposta imune, destacando 18 set. 2018.
que são as primeiras respostas celulares, são inatas, isto
é, independem de contatos anteriores com os antígenos,
e agem sempre do mesmo jeito, independentemente do Memória imunológica (página 47)
antígeno. Em outras palavras, são mecanismos inespecí-
Inicie a segunda aula explicando o que é a memória
ficos. Isso será importante para contrastar com a resposta
imunológica, relacionando-a com o fato de que pegamos
imune adaptativa.
algumas doenças apenas uma vez na vida. Passe então
Insista na apresentação dos leucócitos por seus nomes à apresentação das vacinas.
específicos, sempre destacando que todos são chamados
de leucócitos, mas cada um tem uma função específica. Continue propondo a resolução da Atividade 2, de
Destaque que o termo fagócito pode se referir tanto aos preferência em pequenos grupos, para que os alunos
neutrófilos quanto aos macrófagos. discutam as informações contidas no gráfico. Depois,
proponha uma grande discussão sobre a atividade. Ela
Explore o boxe De olho… na inflamação e na
será de grande importância para o entendimento do
febre, pois são temas significativos para os alunos.
tema, pois tanto mostra o que ocorre no nosso corpo
O processo de inflamação começa pela liberação de
para que certas doenças não se manifestem mais de
mediadores químicos que promovem alterações no
uma vez como explora o papel das vacinas.
local injuriado. Inicialmente, ocorre uma dilatação dos
vasos, aumento da permeabilidade vascular e do fluxo
sanguíneo. Essa sequência de eventos explica a verme- Vacinas (página 49)
lhidão, o aumento local de temperatura e a inflamação,
ou seja, a formação do edema. Na sequência, haverá Esta é uma aula simples que aborda diversos con-
a atração de fagócitos, especialmente neutrófilos, que ceitos já vistos pelos alunos no 8º ano. Relembre
farão seu papel. algumas características das vacinas e suas classifica-
ções, de acordo com o estado do antígeno utilizado.
Não se atenha muito a essa classificação, mas ressalte
Resposta imune adaptativa (página 46) qual pode e qual não pode ser utilizada por pessoas
Continue a aula apresentando a resposta adaptativa, imunocomprometidas, pois isso está relacionado à
sempre comparando com a inata, para que o aluno perce- epidemia atual de febre amarela (aproveite para ex-
ba que, enquanto aquela é específica, esta é inespecífica. plorar o boxe De olho… na febre amarela). Exponha
Exponha também as diferenças entre as células efetoras aos alunos a importância das vacinas para a erradi-
em cada uma das respostas, abordando os linfócitos T cação de doenças graves e cite alguns exemplos de
e B e seus papéis. patologias que hoje dispõem de vacinas.
24
8 Ensino Fundamental
Se houver tempo e interesse, explore as experiências b) Os contatos com o antígeno significam contatos com
de vacinação de seus alunos: quem tomou vacina recen- os agentes infecciosos da doença. Se os alunos lem-
temente, para quê, se teve algum tipo de reação. Aborde brarem o papel da vacina, podem alegar que se trata
de forma que sirva de estímulo para que aqueles que de vacinação (primeiro contato) e o contato com os
não se vacinaram tomem essa atitude ou, pelo menos, agentes infecciosos da doença (segundo contato).
levem essa discussão para casa. c) A resposta primária é mais demorada (pouco mais
de uma semana para atingir o pico de produção
Soros (página 50) de anticorpos) e atinge uma quantidade menor
Apresente o soro abordando suas características, sua de anticorpos produzidos. A resposta secundária
forma de produção, seu método de ação e sua utilização, é mais rápida e mais intensa que a primária.
aproveitando para destacar as diferenças em relação às d) Se o segundo contato com um certo antígeno
vacinas. Também é importante esclarecer aos alunos que produz uma resposta secundária, esta será mais
o soro imunológico distingue-se de outras formas de soro, rápida e produzirá uma concentração maior de
como o soro fisiológico. Relembre que o soro não possui anticorpos, combatendo a doença antes mesmo
ação preventiva, atuando apenas após a exposição do do início dos sintomas.
organismo ao agente infeccioso.
Desenvolva, novamente em grupo, a Atividade 3 e Professor(a): trabalhe em grupos de três ou
reapresente o sistema linfático, agora como parte do siste- quatro alunos, pois a tarefa não é simples. É mais
ma imune, em razão da produção das células sanguíneas. uma chance de desenvolver a leitura de gráficos,
retirando o máximo possível de informações.
Respostas e comentários
Atividade 1 (página 42) Atividade 3 (página 51)
1. a) O paciente 1, pois apresenta um número acima do 1. a) O soro é o mais indicado, pois é uma forma de ad-
normal de leucócitos, as células de defesa do corpo. ministrar os anticorpos que neutralizarão a doença,
b) O paciente 1, pois apresenta uma quantidade abai- considerando a urgência do caso.
xo do normal de plaquetas, componentes celulares b) O gráfico A, pois mostra que o nível de anticorpos
do sangue responsáveis pela coagulação. aumenta e vai diminuindo ao longo do tempo.
c) O paciente 3, pois apresenta um número abaixo Não há um segundo estímulo nem uma segunda
do valor normal de hemácias, responsáveis pelo resposta, como sugerido no gráfico B.
transporte de gás oxigênio. Este é essencial para
a geração de energia pela célula, e a redução de Professor(a): trabalhe em grupos de três ou qua-
sua concentração no sangue vai provocar falta de tro alunos, pois, mais uma vez, a tarefa não é simples.
energia e consequentemente cansaço no paciente. É mais uma chance de desenvolver a leitura de grá-
2. Alternativa B. O coração é o único dos órgãos apre- ficos, retirando o máximo possível de informações.
sentados em que não ocorre nenhum tipo de troca,
retirada ou adição de alguma molécula. No pulmão,
2. Não, o soro utiliza apenas anticorpos, não promove
ocorre a troca de gases respiratórios; no intestino
resposta imune adaptativa, ou seja, não há formação
delgado, ocorre a absorção de nutrientes; e nos rins,
de células de memória.
ocorre a remoção dos compostos nitrogenados. Os
alunos precisarão mobilizar conhecimentos do 8º ano
para responder a esta questão. Em casa (página 53)
Manual do Professor
1. A resposta será pessoal, mas o professor(a) pode suge-
Atividade 2 (página 48) rir uma exposição, concursos e trabalhos em grupos.
a) A concentração de anticorpos no plasma sanguí- Pode servir de excelente instrumento de avaliação para
neo é uma forma indireta de verificar o funcio- verificar o grau de entendimento de um tema que nem
namento do sistema imune, pois, para ocorrer sempre é de fácil assimilação. Verifique se os alunos
a produção de anticorpos pelos linfócitos B, os apenas descrevem o funcionamento das células envol-
demais componentes devem ter atuado correta- vidas ou se também relacionam os eventos que ocorrem
mente: fagócitos, linfócitos CD4 e CD8. dentro do corpo com os sintomas que aparecem.

25
8
2. Esta é outra atividade que pode servir para avaliar Um pouco mais de história: vacinas
a aprendizagem dos alunos. A grande quantidade A varíola é a única doença erradicada do planeta,
de antígeno, que aparece no início do gráfico, até o presente momento, na história da humanidade.
indica a invasão do agente infeccioso, que rapida- Enquanto existiu, matava cerca de 30% dos enfermos e
mente mobiliza a resposta imune inata. À medida deixava profundas cicatrizes principalmente nos rostos
que esta vai progredindo, ocorre a diminuição da daqueles que sobreviviam, causadas por feridas que se
formavam, supuravam (produziam pus) e depois criavam
quantidade de antígenos, ao mesmo tempo que
uma crosta, que, ao cair, expunha as cicatrizes. Devido à
começam a aparecer os efeitos da resposta imune aparência deixada na pele, a doença passou a ser chama-
adaptativa. Após o início desta, há uma acentuada da popularmente de bexiga. Em 1980, esse flagelo acabou.
queda da presença do antígeno, até o seu desapa- Na antiga China, usava-se um pó feito das cascas
recimento. das feridas dos doentes que haviam sobrevivido à va-
3. A vacina contra a febre amarela é feita a partir do ríola da forma humana. Esse pó era inalado e a pessoa
vírus atenuado. Como o vírus ainda está vivo, pode se geralmente adquiria uma forma branda da doença,
replicar e provocar uma reação semelhante à doença. mas não pegava a varíola que poderia ser fatal.
Se essas pessoas têm o sistema imune enfraquecido, Os árabes usavam uma técnica diferente, mas com
correm o risco de desenvolver a doença. o mesmo princípio. O material extraído da ferida era
esfregado em pequenos cortes feitos no braço, e o re-
sultado era o mesmo dos chineses.
Rumo ao Ensino Médio (página 53) Um médico turco, Emmanuel Tomoni, entusias-
mou-se com essa técnica, no século XVI, e a levou para
1. Alternativa E. A alternativa a é incorreta, pois vacinas a Inglaterra. Inicialmente teve pouco sucesso, mas aos
não contêm anticorpos. A alternativa b sugere que poucos esse tipo de imunização, conhecido como vario-
existem proteínas do tipo anticorpos que atacariam lação, passou a ser usado. Os resultados indicavam que
o antígeno, eliminando o agente causador, o que é a taxa de mortalidade ficava na casa dos 12%, melhor
incorreto. A alternativa c sugere que haveria estimu- que a média da época, mas ainda muito alta.
lação da produção de hemácias, induzindo ao erro o Em 1798, Edward Jenner, um médico inglês, condu-
aluno que confunde as funções das células do sangue; ziu um importante experimento. Sabendo que mulhe-
no caso, transporte de gás oxigênio. A alternativa d res que ordenhavam vacas nunca adquiriam a forma
humana da varíola, altamente letal, pois haviam sido
sugere que vacinas contêm células de defesa (linfó- previamente expostas a uma variante mais branda, a
citos), o que é incorreto. bovina, Jenner pressupôs que a forma bovina preve-
2. Alternativa C. As alternativas a, b, d, e e estão incor- nia a forma humana e injetou pus, extraído de vacas
doentes, em pessoas sadias. Estas adquiriam a doença
retas pela mesma razão: todas sugerem a inoculação
bovina, mas ficavam protegidas da forma humana, pois
de anticorpos, o que não gera memória imunológica; não apresentavam nenhum tipo de reação, quando
logo, não protege a criança por muitos anos, como submetidas à variolação. Durante muito tempo, essa
diz o enunciado. foi a única forma de proteção contra a doença.
3. Alternativa A. As demais alternativas procuram iden- O termo vacina vem da palavra latina vacca (vaca),
tificar o aluno que não entendeu os conceitos de em reconhecimento à importância do trabalho de Jen-
ner, e teria sido cunhado em 1803 pelo cirurgião inglês
resposta primária e secundária, indicando curvas er-
Richard Dunning.
radas. Na alternativa c, apesar de haver a identifica-
ção correta das curvas, afirma-se que os macrófagos Atualmente as vacinas não são feitas apenas a
partir de organismos mortos ou atenuados. Já se usam
produzem anticorpos, o que está incorreto, uma vez organismos que produzem os antígenos causadores
que estes são produzidos pelos linfócitos B. da reação do nosso organismo – a fabricação dos anti-
corpos – e se estudam formas de inserir os genes dos
organismos causadores da doença em alguns alimentos
Sugestões de atividade extra (estudos vêm sendo feitos com banana e batata), para
que estes fabriquem a proteína causadora do reconheci-
Atividade 1 mento do agente patogênico. Após a ingestão de tais ali-
Leitura complementar mentos, as pessoas começariam a fabricar anticorpos.
A história completa do trabalho de Jenner e suas
A história da Ciência pode ser usada para ajudar o
implicações podem ser lidas em:
aluno a perceber a construção do conhecimento científico
e apresentar a Ciência como um fazer humano, retoman- FRIEDMAN, Meyer; FRIEDLAND, Gerald W. As dez maiores descobertas
do os trabalhos feitos nos Módulos 1 e 2. da Medicina. Cap’tulo 4. S‹o Paulo: Companhia das Letras, 2001.

26
8 Ensino Fundamental
A leitura do texto pode ser feita após o término da tempos. Isso não quer dizer que a vacinação seja menos
explicação do sistema imune, como exemplo de vacinação importante, e sim que a carteirinha permite um controle
em massa. A partir dela, alguns trabalhos de ampliação maior da vacinação. Além disso, é possível descobrir
podem ser feitos, como a análise das carteirinhas de va- se algumas vacinas ainda não estavam disponíveis em
cinação dos alunos, uma discussão sobre atitudes indi- outras épocas.
viduais que afetam o coletivo, a análise da vacinação na Pode-se também verificar quais vacinas são menos to-
região da escola e o estudo das principais doenças que madas e se todas elas estão à disposição nos postos de
a afetam. Tudo vai depender do tempo do professor(a) e saúde e, se for o caso, promover campanhas de vacinação.
do interesse dos alunos.
Atividade 3
Atividade 2
Doenças infectocontagiosas na nossa região
Carteirinha de vacinação
Procure quais doenças infectocontagiosas são mais
Existem inúmeras atividades que podem ser feitas comuns na região em que a escola está localizada e se
com as carteirinhas de vacinação, como a consulta do existe vacina contra elas. Pode ser feito um estudo da
número de alunos que as têm em comparação com o situação ao longo dos últimos anos para verificar se hou-
número de adultos. Esses dados podem ser separados ve campanhas de vacinação, se elas surtiram efeito, etc.
em pais e avós, para chegar à provável conclusão de que Pode ser um trabalho interdisciplinar interessante com a
o uso e o porte da carteirinha de vacinação recebem área de História, pois exigirá a consulta de documentos
mais importância nos tempos recentes do que em outros históricos, mesmo que recentes.

Sugestão de material para consulta

Na estante Na internet
• TORTORA, G. J; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano: • Revista da Vacina. Ministério da Saúde. Disponível
fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6. ed. Porto em: <www.ccms.saude.gov.br/revolta/index.html>.
Alegre: Artmed, 2006. Acesso em: 18 set. 2018.

Manual do Professor

27
8
5. GENÉTICA DO SISTEMA ABO

AULAS 13, 14 e 15

Neste módulo, os alunos vão estudar a aplicação da primeira lei de Mendel no contexto do sistema sanguíneo
ABO. É uma forma de revisar os conceitos discutidos no Módulo 3, sobre os trabalhos de Mendel, e, ao mesmo
tempo, conhecer uma outra aplicação dessa lei. Além disso, eles devem mobilizar conhecimentos adquiridos no
Módulo 4, sobre antígenos e anticorpos.
Usando como pano de fundo um evento raro, mas de muita repercussão na mídia – a doação de um tipo raro
de sangue entre pessoas de países diferentes –, os alunos conhecerão os principais tipos sanguíneos do sistema
ABO e os alelos envolvidos nesses fenótipos.
Os alunos vão, ainda, utilizar heredogramas como linguagem para representar cruzamentos, famílias, descen-
dentes e relações de parentesco, introduzindo alguns fundamentos de Genética que serão mais bem trabalhados
no Ensino Médio.

Objetivos
• Conhecer o sistema ABO de grupos sanguíneos, identificando os principais fenótipos: A, B, AB e O.
• Entender o mecanismo genético da herança do sistema ABO.
• Relacionar as características dos tipos sanguíneos do sistema ABO com os princípios envolvidos na transfusão
de sangue.
• Utilizar heredogramas como forma de representação de alguns fundamentos de Genética e hereditariedade.

Roteiro de aula (sugestão)


Aula Descrição Anotações
Retorno da tarefa 3 do Módulo 4
O sangue e a primeira lei de Mendel
De olho… na aglutinina e no aglutinogênio
13
Atividade 1
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Retorno da tarefa 1
A identificação dos tipos sanguíneos
Atividade 2
A transfusão de sangue
14
Atividade 3
De olho… na doação de sangue
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)

28
8 Ensino Fundamental
Retorno da tarefa 2
A genética do sistema ABO
Atividade oral
De olho… no heredograma
15 Atividade 4
Os caminhos do sistema ABO
De olho... em outros sistemas sanguíneos
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

Noções básicas Muito cuidado para não chamar o fenótipo Bombaim


de doença, assim como em situações, como albinismo,
• Os principais tipos sanguíneos do sistema ABO são fenilcetonúria ou qualquer outra. Não são doenças, mas
A, B, AB e O.
condições fenotípicas específicas. Nesse caso, as pessoas
• Os tipos sanguíneos são determinados por três alelos
têm um tipo raro de sangue.
do mesmo gene, (IA, IB e i). IA e IB são codominantes,
e i é recessivo.
• Os tipos sanguíneos seguem as características descri- O sangue e a primeira lei de Mendel (página 56)
tas por Mendel, manifestando-se aos pares e passados
ao acaso para a geração seguinte. Inicie a primeira aula revendo os conceitos estudados
• Cada tipo de sangue tem antígenos nas suas hemácias no Módulo 3, especialmente genes, alelos, dominantes,
e anticorpos dissolvidos no seu plasma. recessivos, homozigoto e heterozigoto. Explore bem a
• Em uma transfusão de sangue, é preciso levar em figura com o esquema dos cromossomos, destacando que
consideração os anticorpos presentes no plasma o cariótipo é produzido a partir dos cromossomos em
do doador e os antígenos presentes nas hemácias uma certa condição, que são tratados e fotografados ao
do receptor. Se não forem compatíveis, haverá uma microscópio, para, em seguida, serem organizados aos
aglutinação das hemácias, o que pode entupir vasos pares. Se achar que é o caso, procure exercícios de reco-
sanguíneos importantes do receptor, podendo pro- nhecimento e organização de cariótipos na rede. Comen-
vocar até mesmo sua morte. te com os alunos que o gene envolvido na determinação
• O heredograma é uma representação gráfica das in- do sistema sanguíneo está no par de cromossomos 9.
formações familiares de características genéticas que Apresente as conclusões do trabalho de Landsteiner
permite identificar algumas tendências hereditárias.
e compare com o que foi estudado no Módulo 4 sobre o
sistema imune, fazendo o paralelo com anticorpos e antí-
Estratégias e orientações genos, isso dará um pouco mais de clareza para os alunos.
Estas aulas devem ser desenvolvidas com muita cal- Proponha então a realização da leitura compartilha-
ma, pois contêm algumas informações ainda abstratas da do texto, preenchendo com os alunos a tabela da
para a faixa etária dos alunos. Dessa forma, é preciso ficar Atividade 1.
atento às dúvidas que apresentarem. Procure relacionar Manual do Professor
ao máximo o conteúdo estudado nos Módulos anteriores A identificação dos tipos sanguíneos (página 58)
com os conceitos destas aulas, para que eles entendam
que se trata do mesmo tema. Inicie a segunda aula explicando rapidamente como
Além disso, precisamos reforçar a ideia de que as se faz a tipagem sanguínea e parta para a realização da
características estudadas se manifestam aos pares, pois Atividade 2. É muito interessante fazer um passo a passo,
existem pares de cromossomos. Ajuda muito quando os perguntando aos alunos o que aconteceu em cada caso
alunos são lembrados de que “um cromossomo do par após o pingo de soro (você pode lembrá-los de que se
vem da mãe e o outro, do pai”. trata de um soro, pois é um produto rico em anticorpos).

29
8
Muitos alunos costumam perguntar como existem os Resolva os exercícios da Atividade oral com calma, mos-
anticorpos anti-A e anti-B em pessoas que nunca tiveram trando cada etapa do raciocínio. Essa estratégia será fun-
contato com os antígenos A e B, respectivamente. O tre- damental para que os alunos possam resolver os próximos
cho a seguir explicita claramente o fenômeno: exercícios por conta própria, começando pela Atividade 4.
[…]
O surgimento aparentemente natural desses an- Os caminhos do sistema ABO (página 62)
ticorpos pode ser explicado por estímulos passivos,
particularmente da flora bacteriana intestinal, onde O fenótipo Bombaim também é uma condição genética.
as bactérias saprófitas possuem em suas membranas
celulares açúcares semelhantes aos açúcares imuno-
O paciente não tem o gene funcional para a produção da
dominantes dos antígenos A e B. Essas bactérias, assim enzima que transforma uma substância precursora no an-
como outras substâncias presentes na natureza (poeira, tígeno H, mas não cabe discutir isso com os alunos, exceto
pólen, alimentos, etc.), vão estimular a formação dos se eles demonstrarem muito interesse. O esquema parcial
anticorpos anti-A e/ou anti-B, que passam a ser classi-
ficados, portanto, como naturais e regulares.
da via metabólica os ajuda bastante a entender o que se
[…]
passa. Se você notar que houve um bom entendimento do
tema, mencione que os genes dificilmente agem sozinhos,
GAMBERO, S. et al. Frequência de hemolisinas anti-A e anti-B
em doadores de sangue do Hemocentro de Botucatu. Revista sempre existem interações entre eles. Algumas dessas in-
Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. Disponível em: terações são estudadas no Ensino Médio.
<www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid
=S1516-84842004000100006>. Acesso em: 18 set. 2018. Para terminar, apresente rapidamente o sistema Rh
(boxe De olho... em outros sistemas sanguíneos). Rigoro-
A transfusão de sangue (página 59) samente, esse sistema é mais complexo, envolvendo três
Explique aos alunos como se dá a transfusão de san- genes diferentes, mas pode ser descrito usando apenas
gue e chame a atenção deles para o boxe De olho..., os dois alelos destacados no texto.
que tem por objetivo estimular os alunos a ser doadores Conte aos alunos que esse sistema também é impor-
quando tiverem idade adequada. tante para a transfusão de sangue e que, em certos casos,
Fique atento a possíveis confusões, especialmente no pode acontecer uma incompatibilidade entre o sistema
que se refere ao que é antígeno e ao que é anticorpo. Rh de uma criança positiva em uma gestação cujo sangue
Oriente os alunos a sempre consultar a tabela feita na da mãe seja Rh negativo, mas esclareça que a Medicina já
Atividade 1, para a fixação de conceitos. Se for o caso,
tem como evitar esse transtorno, conhecido como doença
você pode utilizar alguns vídeos encontrados na rede, que
hemolítica do recém-nascido (ou eritroblastose fetal).
ajudam a fixar esse conteúdo, por exemplo, <https://www.
youtube.com/watch?v=xZ7N04IoQPE>. Acesso em: 18 set.
2018. Veja o vídeo antes e programe as paradas de forma Respostas e comentários
que os alunos tentem prever as respostas das possíveis
Atividade 1 (página 57)
transfusões que aparecem.
Encerre a segunda aula com a Atividade 3, o item 2
da seção Rumo ao Ensino Médio e a orientação para a Anticorpos
Antígenos
Tipo presentes
tarefa 2 da seção Em casa. Genótipos presentes
sanguíneo no plasma
possíveis nas hemácias
A genética do sistema ABO (página 61) (fenótipo) sanguíneo
(aglutinogênios)
(aglutininas)
Inicie a terceira aula resgatando o quadro de Punnet,
estudado no Módulo 3. Antes de iniciar a Atividade oral, A IAIA, IAi A Anti-B
faça uma leitura do boxe De olho... e construa o heredo-
grama à medida que for resolvendo o problema, sempre
perguntando aos alunos qual símbolo deve ser utilizado, B IBIB, IBi B Anti-A
segundo o quadro das características. Oriente-os a utilizar
a tabela que construíram na Atividade 1 e utilize os termos
AB IAIB AeB Nenhum
científicos definidos no Módulo 3 (fenótipo, genótipo,
dominante, recessivo, genes, alelos), para que os alunos
Anti-A e
se habituem com eles. Além disso, empregue a grafia O ii Nenhum
anti-B
correta utilizada para representar os alelos.
30
8 Ensino Fundamental
Atividade 2 (página 58) Pai: fenótipo A 3 Mãe: fenótipo B
Genótipo IAi Genótipo: IBi
O AB B A
Quadro de Punnet
2 1 2 1 Gametas IB i
Anti-A

A A B A
I II Ii
i IBi ii
2 1 1 2
Esse casal poderá ter filhos com qualquer um dos
Anti-B

tipos sanguíneos do sistema ABO (A, B, AB e O).

Professor(a): indique aos alunos que o fato de a


pessoa ser do sexo masculino ou do feminino não faz
diferença na determinação dos grupos sanguíneos.
Atividade 3 (página 59)

Uma pessoa com sangue do tipo B pode receber Atividade 4 (página 62)
sangue do tipo B e do tipo O. Como existem disponíveis
20 litros do tipo B e 34 litros do tipo O, o total de sangue a)
IBi IAi ii
que poderá ser usado é de 54 litros.
O

Professor(a): se quiser ampliar o trabalho, peça


ii IAi IAi
as quantidades para todos os tipos sanguíneos. Se
os alunos tiverem alguma dificuldade, oriente-os O Gabriel Ana
a consultar o esquema de doação e recepção. Co- A A
mente, ao final do trabalho, que, apesar de todas as 1
possibilidades de transfusão, recomenda-se a trans- b) ou 25%
4
fusão entre pessoas com o mesmo tipo sanguíneo.
Professor(a): se quiser dificultar um pouco
Atividade oral (página 61) mais, peça o sexo da criança, pois isso implica uma
1
1. Pai: fenótipo O 3 Mãe: fenótipo AB probabilidade de . Nesse caso, basta multiplicar
2
Genótipo ii Genótipo: IAIB 1 1
o resultado por , ou seja, de probabilidade,
2 8
Quadro de Punnet independentemente do sexo escolhido.
Gametas IA IB
i IA i IB i Em casa (página 63)
1. O sangue do tipo AB não tem anticorpos anti-A e
i IA i IB i
anti-B no plasma e tem tanto antígeno A como B nas
suas hemácias.
Os filhos poderão ter sangue do tipo A ou B, hete-
rozigotos nos dois casos. Manual do Professor

2. Nesse caso, o sangue A e o B podem ser homozigo- Professor(a): a questão é fácil, mas pretende
tos (IAIA, IBIB) ou heterozigotos (IAi, IBi). Existe uma apenas treinar a consulta da tabela da Atividade 1
informação relevante no enunciado de que as mães e o uso dos termos.
de ambos têm sangue do tipo O, cujo único genótipo
possível é ii. Isso significa dizer que os dois recebe- 2. a) Sandra, porque tem sangue do tipo O.
ram de suas mães apenas um alelo i, que comporá b) O grupo AB é considerado o receptor universal
os seus genótipos. de sangue.

31
8
c) Raquel possui aglutinina anti-A, pois seu sangue é sangue do tipo B, um dos pais tem de ter o alelo IB,
do tipo B, e Alberto possui aglutinina anti-B, pois o que não pode ocorrer se o indivíduo 1 for A, já que
seu sangue é do tipo A. a mãe já é desse tipo sanguíneo. A alternativa d está
incorreta pelo mesmo motivo que elimina a alternativa
Professor(a): a ideia é para treinar o uso dos c, não haverá alelos do tipo IB.
termos aglutinina e aglutinogênio, que ainda apa-
rece em muitos livros. “A” IA i

1 2
3. Alternativa C.
Sofia Rodrigo Isabel Carlos
“B” IB i
A B A B
I I ii I I ii
3 4
AB O
“O” ii

I2 i I2 i 5

Guilherme Joana Sugestão de atividade extra


P (criança O) 5 P (i i) 5 1/4 5 25% Se a escola possuir os soros anti-A e anti-B, é possível
Pais: I i 3 I i (Guilherme e Joana ou Joana e Gui-
− − fazer a tipagem sanguínea na própria escola. Para obter
lherme). as amostras de sangue, é melhor pedir a alguns adultos,
Filhos: 25% I−I−, 25% I−i, 25% I−i e 25% ii. para evitar qualquer tipo de problema.
Além de resolver mais exercícios (existem vários nos
Rumo ao Ensino Médio (página 64) livros e na rede, basta selecionar aqueles adequados), ou-
1. Alternativa B. A alternativa a indica um sangue do tras atividades podem ser feitas com o uso de jogos. Você
tipo AB, que não tem anticorpos. A alternativa c su- pode encontrar alguns na revista Genética na Escola, por
gere um sangue do tipo A, que tem apenas anticorpos exemplo, nos volumes 1 e 2 do ano 4 ou no volume 2
anti-B. A alternativa d sugere um sangue do tipo B, do ano 5. Disponível em: <www.geneticanaescola.com.
que tem apenas anticorpos anti-A. br>. Acesso em: 18 set. 2018.
2. Alternativa B. O sangue do tipo A apresenta apenas o Um exercício de grande valor seria fazer a leitura de
antígeno A nas hemácias e, consequentemente, será alguma reportagem sobre o caso retratado no Módulo
aglutinado apenas pelo soro anti-A utilizado no teste. (por exemplo: “Sangue raro presente em apenas 11 famí-
Apenas o sangue identificado com o código II segue esse lias brasileiras salva bebê na Colômbia”. Disponível em:
padrão, portanto 25 litros eram do grupo sanguíneo A. <https://g1.globo.com/ceara/noticia/sangue-raro-presente-
3. Alternativa B. A alternativa a está incorreta porque, em-apenas-11-familias-brasileiras-salva-bebe-na-colombia.
se o filho de 3 com 4 tem sangue O, significa que ghtml>; “Sangue raro é defeito genético”. Disponível em:
recebeu um alelo i do pai e outro da mãe. Como o <https://jornal.usp.br/atualidades/sangue-raro-e-defeito-
tipo AB tem apenas alelos IA e IB, a afirmação não genetico/>. Acesso em: 18 set. 2018.). Isso ajuda o aluno a
pode estar correta. A alternativa c está incorreta, desenvolver a leitura fluente. Pode-se trabalhar com o gê-
pois, se o indivíduo 4 é filho do casal 1 e 2 e tem nero reportagem e depois propor uma explicação científica.

Sugestão de material para consulta

Na estante Disponível em: <www.nutes.ufrj.br/abrapec/vienpec/


CR2/p818.pdf>.
• TORTORA, G. J; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano:
fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6. ed. Porto • ASPECTOS moleculares do sistema sanguíneo ABO.
Alegre: Artmed, 2006. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1516-84842003000100008>.
Na internet Acesso em: 18 set. 2018.
• A ABORDAGEM histórica do sistema de grupo sanguí- • Genética na Escola. Disponível em: <www.
neo ABO nos livros didáticos de Ciências e Biologia. geneticanaescola.com.br>.
32
8 Ensino Fundamental
6. POTENCIAIS TERAPÊUTICOS DAS CÉLULAS-TRONCO

AULAS 16, 17 e 18

Neste Módulo, serão mostrados a estrutura e o funcionamento das células eucarióticas, a fim de entender suas
características e sua organização. Serão estudadas algumas células-tronco, sua classificação e como elas podem
ajudar na cura de doenças, especificamente no estudo de caso da recuperação de movimentos perdidos pela lesão
de células nervosas da medula espinal.

Objetivos
• Reconhecer as células eucarióticas e suas organelas.
• Entender que a mitose é um processo de multiplicação celular e compreender seu envolvimento com o desen-
volvimento embrionário.
• Conhecer as células-tronco totipotentes, pluripotentes e multipotentes.
• Relacionar as células-tronco com a possiblidade de tratamento e cura de algumas doenças.

Roteiro de aula (sugestão)

Aula Descrição Anotações


Retorno da tarefa 3 do Módulo 5
Células-tronco embrionárias
Organização da célula eucariótica
16
Atividade 1
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Retorno da tarefa 1
Divisão celular: mitose
17 Atividade 2
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)
Manual do Professor
Retorno da tarefa 2
O início do desenvolvimento embrionário
18 Atividade 3
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

33
8
Noções básicas Uma boa estratégia para desenvolver esta aula seria
realizar um levantamento prévio do que os alunos conhe-
• As células-tronco embrionárias humanas são células cem a respeito das células-tronco. Antes de mais nada,
não especializadas que têm o potencial de se dife-
relembre-os de que já estudaram as células no 7º ano e
renciar em quase qualquer célula do nosso corpo e
retome suas características. Sobre as células-tronco, é pro-
de permitir renovação tecidual.
vável que tragam temas relacionados a elas, mas que haja
• A célula eucariótica está organizada em membrana
também uma confusão sobre eles, como terapia gênica,
plasmática, citoplasma e núcleo.
clonagem, organismos transgênicos, etc. Anote na lousa
• No citoplasma, há organelas com diferentes funções. as ideias trazidas e peça aos alunos que as registrem no
• No núcleo, o material genético (DNA) contém as caderno. Os próximos módulos tratarão um pouco desses
informações hereditárias do indivíduo. temas, que poderão então ser esclarecidos. Vamos nos
• As células se dividem por um processo conhecido concentrar no caso das células-tronco neste Módulo. Em
como mitose. Nesse processo, a partir da célula-mãe seguida, realize uma leitura coletiva dialogada com os
formam-se duas células-filhas com características alunos do item Células-tronco embrionárias, esclarecendo
idênticas às da célula-mãe, incluindo o número de eventuais dúvidas para, em seguida, pedir que se reúnam
cromossomos. em duplas ou trios e realizem a Atividade 1. Para essa
• Os cromossomos são filamentos de DNA ligados a tarefa, precisarão, além da leitura do item Organização da
proteínas, que se duplicam antes da divisão celular e célula eucariótica, da realização de uma pesquisa, men-
se condensam, de forma que cada célula-filha receba cionada anteriormente, para que conheçam os tecidos do
um cromossomo. No caso da célula humana existem corpo humano e suas células especializadas.
46 cromossomos (23 pares). Com os alunos organizados em duplas ou trios, essa
• No desenvolvimento embrionário, a célula-ovo, após pesquisa poderá ser feita na biblioteca, com livros didá-
a fecundação, sofre inúmeras divisões mitóticas, for- ticos, em sites especializados ou mesmo na própria sala
mando a mórula e depois o blastocisto. de aula se houver infraestrutura adequada.
• As células diferenciadas são células adultas especia- O item 1 da seção Rumo ao Ensino Médio pode ser
lizadas, com funções definidas. solicitado ao final da aula ou como lição de casa. Esse
• As células totipotentes são células da mórula, que exercício aplica o conceito de célula-tronco. A tarefa 1
podem originar qualquer tecido ou sistema de um da seção Em casa procura sintetizar as relações entre os
organismo. principais conceitos desta aula.
• As células pluripotentes são células-tronco do blas-
tocisto, capazes de se diferenciar em quase todos os Divisão celular: mitose (página 68)
tipos de célula.
• As células multipotentes são células presentes em cer- Nesta aula o tema a ser desenvolvido é a divisão
tos tecidos adultos que podem se diferenciar apenas celular mitótica.
em células daquele tecido. Questione os alunos a respeito de como eles imaginam
• As células-tronco pluripotentes poderão constituir que os seres vivos crescem. Como os seres humanos pas-
um caminho terapêutico para uma série de doenças, sam de uma célula inicial, a célula-ovo, para um organismo
como a esclerose múltipla, a doença de Parkinson, adulto com trilhões de células? Conduza esse levantamento
lesões de medula espinal, etc. inicial para chegar à conclusão da necessidade de as cé-
lulas se multiplicarem, o que ocorre por meio da divisão
celular. Pode parecer paradoxal dividir para multiplicar,
Estratégias e orientações mas talvez esse seja um mote interessante para explorar
Como há uma proposta de pesquisa durante a aula 16, o interesse dos alunos pelo tema divisão celular.
organize previamente o espaço e as condições necessárias. Comente que a divisão celular por mitose não é a
única que existe. A meiose também forma novas células,
Células-tronco embrionárias (página 66) e mas a partir de uma célula-mãe dá-se origem a quatro
células-filha com a metade dos cromossomos, um de cada
Organização da célula eucariótica (página 66)
par da célula inicial (use o boxe Você sabia? Que existe
Nesta aula ocorre a apresentação do tema células- outra divisão celular, a meiose?). Instigue-os a explicar
-tronco, por meio de um estudo de caso. Também é re- a vantagem evolutiva dessa forma de divisão celular – a
cordada a organização da célula eucariótica, bem como possibilidade de reprodução sexuada – e em quais células
algumas das funções de suas organelas. é possível que ela ocorra.
34
8 Ensino Fundamental
Para representar a mitose, uma boa estratégia é fazê-lo com massinha de modelar, fixada na lousa. Desenhe
na lousa as células que representam a mitose, semelhante à ilustração do Caderno do Aluno, sem desenhar os
cromossomos. Com a massa de modelar, faça filamentos que vão representar os cromossomos e vá fixando-os na
lousa à medida que explica a divisão, sem entrar em detalhes da própria divisão. O importante é que os alunos
percebam que os cromossomos se duplicam antes da divisão justamente para poder chegar ao final dela com duas
células-filhas com o mesmo número de cromossomos da célula-inicial. Dessa forma, as características genéticas
dessas células se mantêm intactas (caso não haja mutações, mas esse não é o tema neste segmento).
Em seguida peça aos alunos que se organizem em duplas e realizem os exercícios da Atividade 2. O item 2 da
seção Rumo ao Ensino Médio permite uma revisão das principais noções que o aluno precisa ter a respeito da mitose
e do número de cromossomos nas células-filhas formadas. A tarefa 2 da seção Em casa aplica os conhecimentos sobre
a mitose de forma prática para melhor entendimento sobre a organização dos cromossomos nas células humanas.

O início do desenvolvimento embrionário (página 70)


Nesta aula, o objetivo é reconhecer algumas das fases iniciais do desenvolvimento embrionário e associá-las
com as células-tronco envolvidas. A tarefa 3 da seção Em casa traz essa síntese de forma ilustrada, o que permite
ao aluno reconhecer, na metáfora da árvore, as principais células-tronco associadas ao seu poder de diferenciação.

Professor(a): no 8º ano, em Biologia, no Módulo 19, no Manual do Professor, o uso do termo “óvulo” em
vez de “ovócito” foi justificado e aqui seguimos a mesma orientação:
[…] Quando nos referimos à célula feminina de reprodução pelo termo óvulo, estamos incorrendo em uma
imprecisão. Após o nascimento, a célula se encontra estacionada no ovário como ovócito primário, que se tornará
ovócito secundário após a ovulação. Essa célula completará a meiose apenas após a fecundação. Porém, como
não cabe discutir tais detalhes da meiose no 8º ano, não faz sentido aplicar o termo ovócito no contexto atual.
Também sobre a formação de “óvulos” pela mulher foram feitas algumas simplificações:
[…] Para esta primeira aula, comece explicando a diferença entre homens e mulheres quanto à formação
dos gametas: enquanto o homem só começará a formar os espermatozoides com a chegada da puberdade, a
mulher já nasce com o número total de óvulos, […]. Na verdade, o que se forma no ovário são ovócitos primá-
rios, mas a linguagem coloquial usa simplesmente óvulo. A formação desses ovócitos se inicia antes mesmo do
nascimento, permanece interrompida durante a infância e continua na puberdade. […]

Pode-se iniciar a aula utilizando-se a ilustração das primeiras fases do desenvolvimento embrionário huma-
no (página 70 do Caderno do Aluno), como forma de os alunos perceberem a célula-ovo, as divisões mitóticas
sucessivas, a mórula e o blastocisto. Em seguida, sintetize as informações da ilustração na lousa utilizando o
esquema abaixo:

Mitoses Mitoses Mitoses


Célula-ovo Mórula Blastocisto

Continue a aula fazendo uma leitura coletiva do item O início do desenvolvimento embrionário. Durante a leitura,
confirme o esquema da lousa e vá adicionando os conceitos das células-tronco que forem aparecendo (totipotentes,
pluripotentes e multipotentes), de modo a ficar parecido com este:
Manual do Professor
Mitoses Mitoses Mitoses
Célula-ovo Mórula Blastocisto

Células Células Células


totipotentes pluripotentes multipotentes

35
8
O uso de células-tronco, especialmente as embrio- 2. Como há uma multiplicação descontrolada de células
nárias, gera muita polêmica. Em geral, a discussão é se e, portanto, um aumento do número delas, a divisão
um embrião, mesmo que na fase de mórula ou blas- celular por mitose está diretamente relacionada ao
tocisto, já pode ser considerado um ser vivo. Retome mecanismo de expansão do câncer, formando tumo-
com a turma os conhecimentos prévios que eles haviam res e lesões em tecidos e órgãos do corpo.
levantado sobre essa questão, que deve ser tratada com
muita delicadeza. O uso de células-tronco embrionárias
Professor(a): câncer é, geralmente, um tema
envolve valores morais e religiosos que devem ser respei-
que desperta bastante interesse nos estudantes. Se
tados. Leia um pouco mais no link <https://celulastronco.
achar oportuno, apresente a eles o texto “Câncer:
wordpress.com/mayana-zatz/>. Acesso em: 18 set. 2018.
uma doença genética”, de Roberta Losi Guembaro-
Peça, em seguida, aos alunos que se organizem em
vski e Ilce Mara de Syllos Cólus, da Universidade
duplas e realizem os exercícios da Atividade 3 e o item 3
Estadual de Londrina, publicado na revista Genética
da seção Rumo ao Ensino Médio, que trata mais especifi-
na Escola, e que pode ser acessado pelo link <http://
camente do papel das células-tronco e, por ser do Enem,
media.wix.com/ugd/b703be_7ce057043ef849338248
permite que os alunos possam ir tomando conhecimento
067c71383a95.pdf>. Acesso em: 18 set. 2018.
das exigências dessa prova. Caso tenha tempo disponível,
considere a possibilidade de realizar a Atividade extra
Debate sobre tratamento com células-tronco, proposta
no final deste Módulo. Atividade 3 (página 71)
1. Como as células envolvidas na recuperação dos mús-
Respostas e comentários culos só são capazes de se transformar em células
Atividade 1 (página 68) musculares, são células-tronco multipotentes.
2. A medula óssea é um tecido diferenciado, e suas cé-
Sim. As células variam em função do tecido ao qual
pertencem. Por exemplo, podem ser bicôncavas e sem nú- lulas podem dar origem apenas às células sanguíneas,
cleo como as hemácias que compõem o sangue; ou muito portanto o tipo de célula doado seria célula-tronco
especializadas, como um espermatozoide, que apresenta multipotente.
cauda (flagelo) para locomoção e muitas mitocôndrias.
Uma célula associada ao tecido glandular, por exemplo, Em casa (página 72)
possuirá, em grande quantidade, organelas que estejam
relacionadas à produção e à distribuição de substâncias, 1. As células-tronco embrionárias humanas são cé-
como o retículo endoplasmático e o complexo golgiense. lulas eucarióticas que podem sofrer diferenciação
em quase qualquer tipo de célula do nosso corpo.
Professor(a): é provável que os alunos tenham 2. a) A célula da fotomicrografia possui 46 cromossomos.
dificuldade em chegar a essa resposta por não se lem- b) Na célula representada há 23 pares de cromossomos.
brarem das especificidades de algumas células que já c) Sim. A ilustração da mitose mostra que, antes de
estudaram no 8º ano. Por isso, uma boa recordação de ocorrer a divisão celular propriamente dita, os cro-
exemplos durante o trabalho com o texto é recomen- mossomos se duplicam, o que pode ser evidencia-
dável. Mencione também o fato de que a diferencia- do nos filamentos duplos dos cromossomos azuis e
ção dessas células ocorre justamente pela expressão vermelhos da segunda representação da sequência.
diferencial de genes, o que vai permitir a formação Ao compararmos com a fotomicrografia, fica evi-
de células especializadas e diferentes entre os tecidos. dente que os cromossomos lá representados estão
também duplicados, com dois filamentos cada.

Atividade 2 (página 69)


Professor(a): se achar conveniente, comente
1. Se não ocorresse a duplicação do material genético antes que esses dois filamentos estão conectados um
da mitose, isto é, se os cromossomos não se duplicas- ao outro em cada cromossomo por uma estrutura
sem, as duas células-filhas formadas teriam metade do conhecida por centrômero, em que se prenderão
material genético da célula original. Como consequência, as “linhas” (fibras do fuso) que os separarão du-
as informações genéticas dessas novas células estariam rante a mitose (anáfase).
prejudicadas, inviabilizando a continuidade celular.
36
8 Ensino Fundamental
3. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno faça legendas como:
• Células diferenciadas – são células adultas especializadas, com funções definidas.
• Pluripotentes – são células-tronco da fase de blastocisto capazes de se transformar em quase todos os tipos de
célula.
• Multipotentes – são células presentes em certos tecidos adultos que podem se diferenciar apenas em células
daquele tecido.
• Totipotentes – são células da fase de mórula que podem originar qualquer tecido.

Célula dos
Célula da
túbulos
Célula cartilagem Célula
renais
Célula da parede nervosa muscular lisa Célula muscular
de um vaso estriada
Célula sensorial
da retina
Célula do epitélio
da bexiga
Célula
pigmentada Célula do fígado
da pele

Célula secretora
de uma glândula Célula do
revestimento da
traqueia

Célula epitelial de
revestimento Célula da parede
Blastocisto
do estômago
Multipotentes Pluripotentes

Células
diferenciadas Totipotentes
Zigoto

Rumo ao Ensino Médio (página 73)


1. Alternativa B. A medula óssea é formada por células-tronco multipotentes. Glóbulos brancos, glóbulos ver-
melhos, plaquetas e macrófagos são componentes do tecido sanguíneo que podem estar presentes no cordão
umbilical, mas não são capazes de originar novas células na medula óssea transplantada. Vale ressaltar que os
linfócitos se multiplicam, mas não dão origem às demais células sanguíneas.
2. Alternativa E. A afirmação I está errada, pois na mitose as células-filhas formadas são idênticas à célula-mãe,
inclusive no número de cromossomos. A afirmação II está errada, pois os cromossomos se duplicam antes da
divisão celular (mitose) propriamente dita.
3. Alternativa D. As células do cordão umbilical são células-tronco adultas multipotentes com capacidade de se Manual do Professor
diferenciar em algumas células especializadas. A multiplicação dessas células é rápida, e, quando diferenciadas,
elas aderem a tecidos semelhantes. O reconhecimento e a comunicação entre células não são as características
que conferem às células do cordão umbilical seu alto potencial terapêutico.

Professor(a): criopreservação é a preservação de órgãos, tecidos ou células a baixíssimas temperaturas.


Geralmente, usa-se nitrogênio líquido (2196 ˚C).

37
8
Sugestão de atividade extra
Debate sobre tratamento com células-tronco
Uma estratégia que pode ser usada para estudar as células-tronco é fazer um debate a respeito. Nele, os es-
tudantes se organizam em grupos de três ou quatro alunos representando as famílias de portadores de doenças,
pesquisadores, médicos e religiosos.
Cada grupo deverá apresentar o ponto de vista do seu papel social em relação à utilização de um determinado
tratamento com células-tronco (escolha algum que esteja mais na mídia, na época). As questões bioéticas e a pos-
sibilidade da exploração dessas células pela Medicina não podem ser esquecidas. Também questões religiosas e do
ponto de vista do sofrimento das famílias envolvidas deverão ser apresentadas.
O importante é que os alunos consigam apresentar argumentos e realizar uma boa discussão, sem o intuito
de chegar a uma posição final. Eles deverão perceber que estarão, em última análise, discutindo quem poderá ter
acesso a esse tipo de tratamento.

Sugestão de material para consulta

Na estante
• REHEN, S.; PAULSEN, B. Células-tronco: o que são? Para que servem? Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2007.
• ZATZ, M. Genética: escolhas que nossos avós não faziam. São Paulo: Globo, 2011.

Na internet
• BAIMA, C. Pesquisa brasileira avança estudos para uso de células-tronco no tratamento da distrofia muscular.
O Globo. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2010/08/25/pesquisa-brasileira-avanca-estudos-
para-uso-de-celulas-tronco-no-tratamento-da-distrofia-muscular-917475825.asp>.
• NOGUEIRA, S. Como se faz um ser humano. Pesquisa Fapesp. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/
wp-content/uploads/2012/07/046-047-174.pdf?e1244a>.
• PESSOLATO, A. et al. Células-tronco adultas e aplicação na terapia celular. Folhetins Casa da Ciência. Dis-
ponível em: <www.ead.hemocentro.fmrp.usp.br/joomla/images/folhetins/folhetim_celulas%20tronco.pdf>.
• ZATZ, M. Células-tronco. Disponível em: <www.ghente.org/temas/celulas-tronco/>.
Acesso em: 18 set. 2018

38
8 Ensino Fundamental
7. TERAPIA GÊNICA E DOENÇAS GENÉTICAS

AULAS 19, 20 e 21

Neste Módulo, os alunos, ao analisar estudos de caso, entram em contato com a terapia gênica como forma
de reparar ou introduzir genes funcionais em indivíduos portadores de doenças genéticas, a fim de que passem a
produzir proteínas funcionais. Também vão conhecer como é a estrutura básica do DNA e perceber que o avanço
tecnológico nessa área da biotecnologia tem sido cada vez mais rápido e promissor.

Objetivos
• Conhecer a estrutura básica do DNA e sua relação com informações genéticas e proteínas.
• Identificar o que são características hereditárias.
• Entender os conceitos de gene e de mutação.
• Compreender o conceito de terapia gênica e reconhecer sua aplicação terapêutica em doenças (a imunodefi-
ciência grave combinada e a amaurose congênita de Leber).
• Assimilar o mecanismo básico da terapia gênica que utiliza vetor viral.
Roteiro de aula (sugestão)
Aula Descrição Anotações
Retorno da tarefa 3 do Módulo 6
A estrutura do DNA
Atividade experimental
19
Atividade 1
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Retorno da tarefa 1
A terapia gênica
Estudo de caso – Amaurose congênita de Leber (ACL) –
20 a doença
Atividade 2 (item 1)
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)
Retorno da tarefa 2 Manual do Professor
Estudo de caso – Amaurose congênita de Leber (ACL) –
a terapia
21
Atividade 2 (item 2)
Rumo ao Ensino Médio (item 3)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

39
8
Noções básicas mas: aplicados diretamente no paciente (in vivo) ou
aplicados em células retiradas do paciente e depois
• O DNA é a molécula que contém as informações ge- reimplantadas (ex vivo).
néticas da maioria dos seres vivos. Essas informações
podem ser decodificadas em proteínas. • A ACL pode ser tratada com terapia gênica com su-
cesso em boa parte dos casos.
• O DNA é formado por nucleotídeos, cada um com-
posto de um grupo fosfato unido a um açúcar e este
a uma base nitrogenada que pode ser: adenina (A), Estratégias e orientações
guanina (G), citosina (C) ou timina (T).
Certifique-se, de antemão, de que os materiais ne-
• O DNA é formado por duas fitas (sequências) que
cessários para o desenvolvimento da Atividade experi-
se ligam entre si e se dobram em formato helicoidal,
mental proposta “Extração de DNA a partir de morango
conhecido por dupla-hélice.
ou tomate” estejam preparados.
• Os nucleotídeos que compõem a molécula de DNA
se ligam entre si por meio de ligações entre os açú-
cares de um nucleotídeo e o grupo fosfato do outro. A estrutura do DNA (página 75)
• O nucleotídeo de uma fita se liga ao corresponden- Nessa aula, o aluno irá entrar em contato com o DNA
te da outra fita por meio de ligações de hidrogênio e sua estrutura básica. Uma boa estratégia seria fazer a
entre suas bases nitrogenadas, sempre obedecendo à Atividade experimental (p. 77) para iniciar o tema. Nes-
ligação timina com adenina e citosina com guanina. se experimento, os alunos perceberão como é possível
• O DNA possui trechos em que se encontram os genes, extrair o DNA de alguns seres vivos e, dessa forma, des-
que carregam as informações genéticas necessárias mistificam um pouco o ar de mistério que geralmente
para a formação de proteínas. acompanha esse assunto. Esse experimento, em geral,
• A terapia gênica consiste basicamente em introduzir tem duração de uma aula e exige um tempo de espera
um gene funcional, por meio de um vetor, como um entre as etapas, que pode ser aproveitado para realizar
vírus, em pacientes portadores dos genes não funcio- algumas atividades, como por exemplo, um levantamen-
nais (mutantes), de tal modo que as células infectadas to de conhecimentos prévios dos alunos a respeito da
pelo vírus passem a utilizar esse gene funcional para estrutura celular e do DNA, verificando se entendem
produzir as proteínas necessárias ao paciente. esta última como a molécula portadora das informações
• A primeira doença a ter um tratamento por terapia genéticas. Organize a turma em grupos e peça aos alunos
gênica com resultados promissores foi a imunodefi- que realizem as etapas A, B e C.
ciência grave combinada, em que o paciente precisa Enquanto esperam, continue a aula projetando as re-
ficar isolado em uma bolha, em razão do sistema presentações de nucleotídeos e da estrutura em dupla-
imune debilitado. -hélice da molécula de DNA. Esclareça a composição dos
• A amaurose congênita de Leber (ACL) é uma doença nucleotídeos, como se dão as ligações entre essas unidades
que leva à perda lenta e progressiva da função da para formar uma fita e as ligações entre fitas diferentes
retina, resultando em cegueira. e complementares que darão origem ao modelo que uti-
• A ACL é uma doença hereditária decorrente da não lizamos hoje em dia. Nesse ponto, é possível realizar a
produção de uma enzima (proteína) funcional que Atividade 1, o Rumo ao Ensino Médio (item 1), terminar
atua no aproveitamento da vitamina A, indispensável o experimento e solicitar que realizem para casa as ques-
para os fotorreceptores da retina. tões propostas na Atividade experimental e a tarefa 1 da
• A ACL ocorre porque nos genes produtores da en- seção Em casa.
zima que converte a vitamina A ocorreu uma muta- Caso considere que a Atividade experimental e o
ção genética, isto é, uma alteração na sequência do trabalho com o texto sobre a estrutura de DNA sejam
DNA durante a sua duplicação por outros agentes muita coisa para uma aula só e disponha de mais tem-
mutagênicos, como raios X, raios UV do Sol e certas po para esse trabalho, realize em uma aula a Ativida-
substâncias (por exemplo, o tabaco). de experimental com levantamento de conhecimentos
• A terapia gênica consiste em inserir, no genoma de prévios e proponha ainda na mesma aula a realização
uma célula, um gene funcional que compense o de pesquisa para responder às questões propostas, de
funcionamento de um gene não funcional, provavel- preferência com a turma organizada em grupos. Na aula
mente originado de uma mutação. seguinte, realize a correção dessas questões e proceda
• A terapia gênica pode ser feita utilizando-se um ao trabalho com o texto sobre a estrutura de DNA como
vírus, portador do gene de interesse, de duas for- comentado anteriormente.
40
8 Ensino Fundamental
A terapia gênica (página 79) e Estudo de caso – em Biologia) e a relação com a vitamina A. O entendi-
Amaurose congênita de Leber (ACL) – a doença mento de que se trata de uma doença genética, em que
(página 80) a partir de mutação, houve alteração no funcionamento
de genes e proteínas, é fundamental. Para isso, o Rumo
ao Ensino Médio (item 2) e a tarefa 2 da seção Em casa
Professor(a): a proposta a seguir “divide” o
ajudarão na verificação dessas reações.
trabalho com o estudo de caso da ACL em duas
etapas. Uma forma alternativa é trabalhar todo o Estudo de caso – Amaurose congênita de Leber
texto que se refere à ACL em uma aula (aula 20) e
(ACL) – a terapia (página 81)
solicitar a tarefa 2 da seção Em casa para a próxima
aula (aula 21). A aula 21 seria destinada ao trabalho Nesta aula, os alunos vão conhecer um pouco mais
com a correção da tarefa 2 da seção Em casa, a Ati- das duas possibilidades de técnicas para a inserção dos
vidade 2 e o Rumo ao Ensino Médio (itens 2 e 3). genes funcionais em pacientes com doenças genéticas,
como é o caso da ACL. Nos dois casos o vetor utilizado
Após a correção da tarefa da seção Em casa, inicie é o vírus. Aproveite para relembrar algumas das carac-
uma leitura coletiva compartilhada do item A terapia gê- terísticas dos vírus, ressaltadas a seguir.
nica e verifique se os alunos começam a associar a ideia
de que os genes podem codificar proteínas que não exer- Professor(a): recorde com os alunos algumas
çam suas funções de forma correta (não funcionais), o características dos vírus. Mencione que eles são
que leva ao desenvolvimento de doenças, como é o caso constituídos de material genético envolvido por uma
apresentado da imunodeficiência grave combinada. Essa espécie de capa protetora formada por proteínas,
doença é causada pela ausência de uma enzima funcio- chamada capsídeo. (Na ilustração da página 74, é
nal (adenosina desaminase). Sem ela, alguns metabólitos possível observar o capsídeo, em verde-claro.) Algu-
que deveriam ser degradados não o são, como a deso- mas vezes o capsídeo é envolvido por um envelope
xiadenosina, que é extremamente tóxica aos linfócitos membranoso. Há polêmicas em se considerar os
T. Isso gera um sistema imune deficiente. Sem comentar vírus como seres vivos, pois, apesar de apresenta-
os nomes das substâncias envolvidas no processo, esse rem material genético, eles não têm a capacidade
pode ser um exemplo bem didático que mostra como um de se reproduzir ou de manter seu metabolismo, a
gene defeituoso pode prejudicar o organismo e como a menos que introduzam esse material em uma célula
terapia gênica pode auxiliar na correção desse defeito. hospedeira induzindo, assim, a produção de novos
vírus. Também relembre que alguns vírus podem
Neste Módulo, vamos tratar, de forma geral, de genes
incorporar seu DNA no material genético da célula
que apresentam produtos inativos ou deletérios, como
hospedeira e assim passar a produzir as proteínas
genes não funcionais e genes que apresentam proteínas
virais – estratégia usada em casos de terapia gênica
ativas como genes funcionais.
com o vírus sendo o vetor do gene funcional.
Em seguida, o conceito de doença hereditária deve
Uma possibilidade é utilizar vídeos para abordar
ser apresentado. A Atividade 2 (item 1) pode ser feita na
esse tema:
sequência. Relacione doença hereditária com o conceito
de DNA e a possibilidade de ocorrência de mutações. • Ciência Viva – Germes Mortais (dublado HD
completo). Discovery Channel. Disponível
Sobre as mutações, estas devem ser apresentadas no con-
em: <https://www.youtube.com/watch?v=Tj-
texto das doenças hereditárias, mas não deixe que os
UfC_7eM8&t=582s>. Acesso em: 18 set. 2018.
alunos tenham a impressão de que as mutações sempre
são deletérias. Mais adiante, no Caderno 2, as mutações • Vírus Mutantes: Assassinos Microscópicos (dubla-
do). Documentário National Geographic. Dispo-
aparecerão também no contexto evolutivo como fator
nível em: <https://www.youtube.com/watch?v=y
primário para o surgimento de diversidade genética. No Manual do Professor
UojmY7sNhk&t=8s>. Acesso em: 18 set. 2018.
caso das doenças, a mutação deve ser entendida como um
fator que causa instabilidade em um sistema em que os
organismos já estão adaptados, podendo gerar doenças. A representação das técnicas de terapia gênica
Quanto ao caso da ACL, nesta aula limite-se a mostrar (p. 81) pode ser projetada e a discussão feita a partir
por que a doença leva à cegueira, explorando os concei- dela. Os exercícios previstos para esta aula (Atividade
tos de retina, fotorreceptores (que serão comentados no 2, item 2 e Rumo ao Ensino Médio, item 3) podem ser
9º ano, Caderno 2, em Leitura complementar de Física), feitos em duplas após o trabalho com o texto, com
condução de impulso nervoso (visto no 8º ano, Caderno4 correção ao final da aula. A tarefa 3 da seção Em casa

41
8
trabalha uma síntese desta aula e da doença ACL, com o resgate do que foi trabalhado na aula anterior. Ao final
da aula, proponha que os estudantes busquem na internet novidades nas pesquisas com cegueira congênita
(ACL). Como está o tratamento para a doença atualmente? Que novos avanços científicos podem ser percebidos?
Quais são as perspectivas para as pesquisas dos próximos anos?

Respostas e comentários
Atividade experimental (página 77)
1. A adição do sal de cozinha (NaCℓ) proporciona ao DNA um ambiente em que suas cargas negativas e positivas são
neutralizadas. Como o sal, em solução aquosa, libera íons positivos e negativos, estes neutralizarão, respectivamen-
te, as histonas (proteínas associadas ao DNA) e o próprio DNA. Isso faz com que o complexo DNA 1 histonas se
enovele. Além disso, como o sal aumenta a densidade do meio, a migração do DNA para o álcool é facilitada.
2. A maceração dos morangos ou dos tomates, além de contribuir para o rompimento das células, aumenta a super-
fície de contato com a solução de lise (detergente), procedimento necessário para que as moléculas de material
genético contido nos núcleos sejam liberadas.
3. Como boa parte da constituição química das membranas é de origem lipídica, o detergente acaba afetando a
permeabilidade das membranas. A desestruturação permite que os conteúdos celulares, incluindo as proteínas
e o DNA, sejam liberados na solução.
4. Como o DNA não se dissolve no álcool, acaba precipitando na solução. Por ser menos denso que a água e os
demais componentes da mistura, o DNA aparece na superfície da solução, onde pode ser coletado.
5. A dupla-hélice tem uma largura de cerca de 20 angstrons (Å), ou seja, 20 3 10210 m, simplesmente impossível
de se ver com o uso de um microscópio óptico, tampouco a olho nu.

Atividade 1 (página 78)

A G G T G G A T G G A T G C T C C A T G
T C C A C C T A C C T A C G A G G T A C

Atividade 2 (página 82)


1. Não, pois as características são herdadas tanto do pai quanto da mãe. Se, por exemplo, um dos pais possuir
genes funcionais para determinada característica, existe a chance de o filho herdar esse gene e não manifestar
a doença. Se os dois pais forem afetados pela doença e esta for homozigótica, os filhos também serão afetados.

Professor(a): tomando como exemplo a ACL, esta possui herança autossômica recessiva, portanto
considere esse dado na discussão das possíveis respostas.

2. Para produzir o vetor viral, os cientistas inserem em vírus (vetores) o gene responsável pela produção da enzima
envolvida no aproveitamento da vitamina A de uma pessoa saudável, que depois são aplicados nos pacientes.
Quando os vírus penetram nas células da retina e inserem seu material genético, as células passam a sintetizar
a enzima funcional, que atuará no metabolismo da vitamina A.

Em casa (página 82)


1. possui, contém DNA possui, determina

genes informações genéticas


se expressam em
são produzidas a partir dos genes são necessárias para a codificação das

proteínas

42
8 Ensino Fundamental
cessiva que pode ser transmitida a seus descenden-
Professor(a): há outras possibilidades de se tes. A alternativa a está errada, pois a ausência de
construir esse mapa conceitual, essa é apenas vitamina A na alimentação pode causar a cegueira,
uma delas. mas não é o caso de portadores da ACL, que, mesmo
com a suplementação da vitamina A na alimentação,
acabam desenvolvendo a doença. A alternativa b
2. A cegueira congênita do tipo ACL é resultado da ação
está errada, pois os genes envolvidos na ACL não
de genes que possuem mutações e impedem a forma-
promovem a produção da vitamina A, visto que esta
ção de uma enzima envolvida no aproveitamento da
não é produzida pelo ser humano. A alternativa
vitamina A nas células fotorreceptoras da retina. Sem
d está errada, pois a terapia gênica atua em nível
esse aproveitamento, as células fotorreceptoras não
gênico na produção de proteínas saudáveis, e não
geram os sinais elétricos para que a informação que
é a alimentação que vai promover essa tecnologia.
captam na retina seja codificada no cérebro e forme
A alternativa e está errada, pois os agentes muta-
uma imagem.
gênicos podem tornar genes funcionais em genes
3. A ACL pode ser causada por mutações que ocorrem defeituosos, por meio de mutações, alterando a
em alguns genes associados a uma enzima envolvida produção da proteína funcional.
no aproveitamento da vitamina A, nutriente essencial 3. Alternativa C. A afirmação III está errada, pois a ACL é
para as células da retina. Ao introduzir vírus transfor- uma doença hereditária, ou seja, mesmo que a pessoa
mados com genes funcionais na pessoa acometida seja tratada com terapia gênica, ela poderá transmitir
pela doença, as células da retina começam a fabricar seus genes com mutação para seus descendentes.
ou sintetizar a enzima a partir do próprio DNA combi- Essa terapia atua, nesse caso, em células somáticas,
nado ao do vírus. Com isso, as células da retina voltam e não em células germinativas.
a funcionar, e, como consequência, o paciente volta
a enxergar.
Sugestão de atividade extra
Rumo ao Ensino Médio (página 83) Construção de representação do modelo de DNA
1. Alternativa D. Se o animal possui 30% de suas bases Para concretizar a estrutura espacial da molécula de
compostas de timina (T), então a adenina (A) também DNA, a construção de um modelo tridimensional pode
terá mesma porcentagem (30%). O restante, 40%, de- ser muito útil. Existem várias propostas e vídeos que
verá ser dividido entre as outras bases nitrogenadas podem ser encontrados na internet.
que se complementam, sendo 20% para citosina (C)
Você encontrará algumas propostas em: <www.
e 20% para guanina (G).
bteduc.bio.br/guias/43_Construcao_de_modelos_de_
2. Alternativa C. A ACL é uma doença hereditária re- DNA.pdf>. Acesso em: 18 set. 2018.

Sugestão de material para consulta

Na estante Na internet

• CÔCO, M.; HAN, S.; SALLUN, J. Terapias gênicas • PROGRAMA Ciência e Educação – Diagnóstico Óptico.
em distrofias hereditárias de retina. Atualização Kleber Chicrala conversa com o Dr. Sebastião Prata-
continuada. Arquivo Brasileiro de Oftalmologia, vieira sobre as técnicas de diagnóstico óptico desen- Manual do Professor
2009. volvidas no CePOF. Disponível em: <www.youtube.
com/watch?v=X2bIsfJdAjs>.
• LIDEN, R. Terapia gênica: o que é, o que não é e o
que será. Estudos Avançados, v. 24, n. 70. Instituto • TOLEDO, K. Terapia gênica restaura visão de portadores
de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. de cegueira congênita. Agência Fapesp, ago. 2014. Disponí-
São Paulo, 2010. vel em: <http://agencia.fapesp.br/terapia_genica_restaura_
visao_de_portadores_de_cegueira_congenita_/19577/>.
Acesso em: 18 set. 2018.

43
8
8. O DIABETES E O CASO DOS TRANSGÊNICOS

AULAS 22, 23 e 24

Neste Módulo, utilizaremos o caso do diabetes como pano de fundo para uma discussão mais ampla sobre orga-
nismos transgênicos. Os alunos vão conhecer um pouco mais sobre os tipos de diabetes e como a transgenia pode
possibilitar a sobrevivência de milhares de pessoas. No entanto, os transgênicos ainda inspiram dúvidas e requerem
cuidados, sendo necessária uma visão mais ampla a respeito de sua utilização.

Objetivos
• Conhecer os dois tipos de diabetes e sua incidência no Brasil e no mundo.
• Relacionar a função do pâncreas com a manutenção dos níveis adequados de glicose no sangue.
• Compreender o histórico dos conhecimentos sobre insulina e sua ação no organismo.
• Entender o conceito básico de biotecnologia e suas aplicações.
• Relacionar a técnica do DNA recombinante com a produção de organismo geneticamente modificados (OGMs)
e transgênicos.
• Identificar as etapas da técnica de DNA recombinante na produção de OGMs.
• Reconhecer exemplos de alimentos transgênicos e analisar vantagens e desvantagens de seu uso.

Roteiro de aula (sugestão)


Aula Descrição Anotações
Retorno da tarefa 3 do Módulo 7
Os tipos de diabetes
A história da insulina
22
Atividade 1
Rumo ao Ensino Médio (item 1)
Orientações para a tarefa 1 (Em casa)
Retorno da tarefa 1
DNA recombinante e enzimas de restrição
23 Atividade 2
Rumo ao Ensino Médio (item 2)
Orientações para a tarefa 2 (Em casa)
Retorno da tarefa 2
E quanto aos OGMs na alimentação?
24 Atividade 3
Rumo ao Ensino Médio (itens 3 e 4)
Orientações para a tarefa 3 (Em casa)
Observação: Os testes da seção Rumo ao Ensino Médio podem ser trabalhados em sala ou indicados como tarefa para casa.

44
8 Ensino Fundamental
Noções básicas
• O diabetes (tipo 1 e tipo 2) é causado pela falta ou pela diminuição da capacidade das células de responder ao
hormônio insulina, produzido no pâncreas.
• A insulina é responsável por retirar do sangue a glicose, açúcar utilizado na respiração celular e na produção
de energia.
• No diabetes tipo 1 (diabetes juvenil), o pâncreas não produz quantidade suficiente de insulina.
• No diabetes tipo 2, as células não respondem de forma adequada à insulina produzida.
• O diabetes não tem cura, mas pode ser controlado em casos mais severos com a aplicação periódica de insulina
(tipo 1), a adoção de uma dieta balanceada e a prática regular de atividades físicas.
• Entre os sintomas do diabetes está a poliúria, a perda de peso e a presença de glicose na urina.
• A insulina para utilização nos diabéticos inicialmente foi extraída do pâncreas de bovinos e suínos, sendo pos-
teriormente produzida por bactérias transgênicas com a técnica do DNA recombinante.
• A técnica do DNA recombinante consiste no isolamento de um gene de interesse para a inserção deste em outro
organismo, como uma bactéria.
• Organismos que recebem genes de outros organismos são considerados transgênicos e organismos genetica-
mente modificados (OGMs).
• Durante a técnica do DNA recombinante, um gene de interesse humano é isolado por meio de enzimas de
restrição e introduzido em plasmídeos de bactérias, previamente cortados com as mesmas enzimas, ligando-se
ao gene com a ação de enzimas ligases.
• A bactéria transgênica passa a produzir proteínas a partir do gene que foi nela introduzido, como é o caso da
insulina humana utilizada por diabéticos.
• Existem vários organismos transgênicos na agricultura atual com diferentes finalidades, desde os que vão produzir
alimentos com valor nutricional maior até aqueles resistentes a agrotóxicos, como herbicidas. Esses organismos
estão relacionados a monopólios de algumas empresas que produzem sementes e os próprios agrotóxicos.
• Há vantagens e desvantagens no uso de alimentos transgênicos, que devem ser levadas em consideração, sempre
com embasamento científico para a melhor escolha.

Estratégias e orientações
A partir de debates acalorados ou informações veiculadas, algumas palavras ou expressões podem ganhar
uma conotação negativa. É o caso de organismos transgênicos: como gera polêmicas e muitas reações contrá-
rias, as pessoas acabam formando um juízo de valor sem conhecer o assunto. Para iniciar o levantamento de
conhecimentos prévios, investigue qual é a opinião dos estudantes sobre organismos transgênicos, por meio
de perguntas ou mostrando algum resultado de pesquisas recentes sobre o assunto. A partir daí, ao longo deste
Módulo, a desconstrução (ou manutenção) dessa representação deverá ser realizada.

Os tipos de diabetes (página 84) e A história da insulina (página 86)


Após o levantamento de conhecimentos prévios, a leitura coletiva compartilhada desses itens pode ser reali-
zada. É importante que os alunos entendam o mecanismo de ação da insulina no controle da glicose no sangue
para poder relacioná-lo com o diabetes e suas consequências. Ao ler os dados estatísticos apresentados no texto,
Manual do Professor
complemente com outros que mostrem, de forma relativa, como o diabetes é uma doença que vem aumentando
de frequência e que tem um caráter importante do ponto de vista socioeconômico.
Um estudo recente mostra como o diabetes pode impactar os gastos com a doença e suas complicações e
como eles poderiam ser evitados com prevenção e mais informação aos pacientes, além de acompanhamentos
mais monitorados. Esses dados são importantes para uma discussão mais ampla sobre saúde pública em aula.
Consulte: O impacto econômico de hospitalizações atribuídas ao diabetes e suas complicações. Disponível
em:<www.diabetes.org.br/publico/notas-e-informacoes/1630-o-impacto-economico-de-hospitalizacoes-atribuidas-
ao-diabetes-e-suas-complicacoes>. Acesso em: 18 set. 2018.

45
8
Os exercícios da Atividade 1 permitem não apenas uma revisão dos tipos de diabetes existentes, mas também
uma análise mais detalhada da situação dos pacientes dessa doença no país. Para o segundo exercício, um trabalho
em duplas é recomendado, já que a troca de opiniões pode ser bem enriquecedora nesse caso.
No caso do Rumo ao Ensino Médio (item 1), a alternativa a traz a necessidade de o aluno compreender que
o pâncreas é uma glândula mista, ou seja, tanto endócrina como exócrina (produção de suco pancreático).
Apesar de esse tema já ter sido estudado no 8º ano em Biologia (Módulo 16, Caderno 3), considere a possi-
bilidade de deixá-lo como lição de casa, pois a tarefa 1 da seção Em casa vai retomar e ampliar essa revisão.

DNA recombinante e enzimas de restrição (página 87)


Esta aula está centrada em mostrar a técnica do DNA recombinante e sua relação com o processo de transgenia,
utilizando como pano de fundo o caso do diabetes e a produção de insulina. Os exercícios propostos na Atividade
2 são novamente boas oportunidades para o trabalho em duplas ou pequenos grupos, já que suas respostas podem
ser obtidas por meio de debates. Considere essa possibilidade.
Uma estratégia para o desenvolvimento desta aula é começar pela análise da representação esquemática do processo
de construção de uma bactéria transgênica para a produção de insulina. Projetar na lousa esse esquema, seguido da
interpretação feita pelos próprios alunos, é uma atividade que os coloca como protagonistas do processo.
A estrutura do DNA foi apresentada com detalhes no Módulo anterior. Mesmo assim, o conceito de DNA cos-
tuma gerar muita confusão nos estudantes. Vale a pena investir um tempo para explicar que o DNA humano está
organizado em 46 “unidades”, os cromossomos, que se encontram no núcleo das células.
O item 2 da seção Rumo ao Ensino Médio mostra como o tema é atual e requisitado em exames como o Enem.
A tarefa 2 da seção Em casa permite que a técnica do DNA recombinante seja aprofundada e interpretada.

E quanto aos OGMs na alimentação? (página 89)


O tema desta aula, alimentos transgênicos, ainda gera muita polêmica. A desinformação talvez seja a principal
fonte para essa situação. Em virtude de o tema ser gerador de debate, talvez a melhor estratégia seja promovê-
-lo. Inicie com uma breve explanação sobre o que são alimentos transgênicos (pode-se realizar a Atividade 3 e
os itens 3 e 4 da seção Rumo ao Ensino Médio coletivamente nesse momento); em seguida, divida a turma em
grupos de quatro ou cinco alunos e peça a eles que realizem a leitura desse item e debatam as vantagens e as
desvantagens que os alimentos transgênicos trazem. Esse debate pode ser feito entre os grupos ao final da aula,
cada um defendendo uma posição (a favor ou contra o consumo de determinados alimentos transgênicos; caso
queira ampliar a discussão, os alunos poderão debater sobre a produção e o plantio desses alimentos). Esse
debate ajudará o aluno a se preparar para a tarefa 3 da seção Em casa, quando terá de defender uma opinião
que retoma o artigo inicial do biólogo Fernando Reinach sobre a tipagem de alimentos transgênicos, sendo uma
boa forma de concluir este Módulo.
Caso tenha tempo disponível, a Atividade complementar permite mais uma vez um bom debate a respeito do tema
“transgênicos” e as questões relativas ao monopólio de empresas que pode estar por trás de muitos desses produtos.

Respostas e comentários
Atividade 1 (página 86)
1. Essa pessoa deve apresentar diabetes do tipo 2, pois a doença se manifestou apenas aos 50 anos de idade. Se
fosse do tipo 1, a doença já teria se manifestado desde a juventude.
2. A resposta pode conter as seguintes análises:
• Apesar de os pacientes procurarem levar uma vida saudável, a maioria não está feliz com os hábitos que precisa
adotar;
• Apesar de os pacientes, em geral, saberem o que precisa ser feito e da necessidade de continuidade dos trata-
mentos, nem sempre o fazem;
• Existe uma aparente contradição entre a informação que dizem possuir e os hábitos que deveriam adotar.
46
8 Ensino Fundamental
Professor(a): como complemento a essa atividade, pode-se
pedir aos alunos que sugiram medidas para tentar promover uma
melhor resposta dos pacientes dessas doenças no futuro, como incen-
tivar cada vez mais a educação, fornecendo informações confiáveis
e esclarecedoras, seja por meio de seus médicos e farmacêuticos,
seja pelo próprio setor público, com campanhas e ações mais diretas
a essas pessoas.

Atividade 2 (página 89)


1. A exemplo do que se fazia com a insulina extraída e purificada de extratos de pâncreas de suínos e bovinos, a
insulina de bactérias transgênicas também é extraída e purificada com técnicas apropriadas.

Professor(a): essa resposta não é facilmente obtida pelos alu-


nos, pois no texto não há a descrição dessa técnica de purificação.
Por isso, pode ser estimulado que eles realizem pesquisas para obter
a resposta ou, então, que, durante a explanação do tema da aula,
algo seja comentado nesse sentido de forma não muito veemente.
Dessa forma, será possível perceber também quais alunos estão
anotando bem o que foi comentado em aula.

2. O biólogo procura com essa frase mostrar ao leitor que organismos transgênicos estão envolvidos em processos
muito importantes e úteis para a sobrevivência dos seres humanos, como é o caso dos diabéticos, e que a exi-
gência de rotular todos os organismos transgênicos como um alerta para potencial perigo, para Reinach, é um
exagero em casos como esse.

Atividade 3 (página 91)


a) Sim, pois houve a transferência de um gene de um organismo (a bactéria) para outro (o algodão).
b) Como esse algodão passa a produzir uma proteína que é tóxica para insetos, aqueles que atacarem a plantação
de algodão morrerão. Assim, haverá maior controle da infestação desses insetos-praga, que causam prejuízos.
c) Essa técnica poderá também matar insetos polinizadores ou que ajudam a controlar populações nativas de
plantas, e a morte desses insetos poderá causar desequilíbrios nos ecossistemas adjacentes a essas plantações.

Em casa (página 92)


1. Os alunos deverão pesquisar e encontrar a informação de que o glucagon é fabricado nas células-alfa do pân-
creas e promove o aumento da glicose no sangue, a partir da quebra do glicogênio armazenado no fígado. A
insulina é produzida nas células-beta do pâncreas e promove a entrada de glicose nas células. Quando o nível
de glicose aumenta no sangue, a insulina é liberada, a glicose é absorvida pelas células e a taxa de glicemia
volta ao normal. O contrário, quando a taxa de glicemia está baixa, o glucagon é produzido, cai na corrente
sanguínea e estimula a liberação da glicose, normalizando assim o nível de glicose no sangue. Manual do Professor

Professor(a): uma das fontes de pesquisa do aluno poderá ser o material do 8º ano de Biologia, Ca-
derno 3, Módulo 16, p. 308). A seguir, um trecho em que parte dessas informações estão disponíveis:
[…] Imagine uma refeição rica em carboidratos, como uma macarronada, por exemplo. Após a diges-
tão, os carboidratos estarão na forma de moléculas de glicose, que serão absorvidas no intestino delgado e
passarão para a corrente sanguínea, aumentando a taxa de glicose no sangue (glicemia).

47
8
Ao perceber o aumento da taxa de glicose no sangue, o sistema nervoso estimula as células beta das ilhotas
pancreáticas a liberar a insulina. Esse hormônio estimula as células hepáticas (do fígado) e musculares a absorver
essa glicose e armazená-la na forma de glicogênio (se você não lembra o que é, releia a seção dos carboidratos,
no Módulo 3). Com isso, ocorre a diminuição da quantidade de glicose no sangue.

Se a taxa de glicose no sangue ficar muito baixa, as células alfa das ilhotas pancreáticas são estimuladas
a liberar o glucagon, hormônio que estimula as células hepáticas (do fígado) a transformar o glicogênio em
glicose e lançá-la na corrente sanguínea, elevando a glicemia.
Um esquema possível seria:

Célula
Alimento beta
ula Ins
tim
Es

u li
na
Pâncreas
Alta taxa Inibe Célula
de glicose
alfa
Fígado quebra
o glicogênio e Fígado absorve a
libera glicose glicose e a armazena
na forma de glicogênio

Célula
beta Baixa taxa
Inibe de glicose
Glu

go
ca

n ula
Célula Estim
alfa
Pâncreas

2. a) Enzimas de restrição são proteínas que conseguem cortar o DNA em pontos específicos, como se fosse
uma “tesoura molecular”. Enzimas ligases são proteínas capazes de unir trechos de DNA.
b) Seres unicelulares e procariontes, como as bactérias, possuidores de DNA circular (plasmídeos), podem ser
manipulados geneticamente com mais facilidade do que organismos eucariotos, cujo material genético está
dentro de um núcleo. Além disso, as bactérias se reproduzem de forma assexuada por bipartição, formando
verdadeiros clones. Dessa forma, os genes introduzidos nos plasmídeos (que também se duplicam na célula)
passam necessariamente para as células-filhas originadas.
c) Essa técnica pode ser usada em organismos tão distintos porque o DNA é universal para todos os seres vivos.
3. A resposta é pessoal e pode ser tanto favorável quanto contrária à eliminação do símbolo nos rótulos. No entan-
to, avalie se os estudantes produziram textos que exponham seus argumentos e defendam suas ideias, sempre
observando se os argumentos foram bem formulados e sustentados.

Atividade complementar (página 92)


a) A resposta deverá ser coerente com a explicação dada no texto sobre o conceito de monopólio.
b) Resposta pessoal. Espera-se que o aluno seja coerente em sua opinião levando em conta os argumentos apre-
sentados.

Professor(a): se possível, promova um debate em sala sobre o tema, pedindo aos estudantes que pesqui-
sem sobre o assunto e sobre as iniciativas de associações de agricultores para enfrentar as práticas abusivas
por parte das empresas produtoras de transgênicos.

48
8 Ensino Fundamental
Rumo ao Ensino Médio (página 92)
1. Alternativa C. É um hormônio que regula a quantidade de glicose no sangue, e esse açúcar é necessário para a
produção de energia no organismo, sendo responsável pela ocorrência das reações metabólicas. A alternativa a
está errada, pois a função do pâncreas, a glândula envolvida na produção da insulina, é mista, isto é, tem função
exócrina (produção de suco pancreático) e endócrina (produção de hormônios insulina e glucagon). A alterna-
tiva b está errada, pois a insulina não ativa um hormônio, ela já é o hormônio que vai regular a quantidade de
glicose no sangue. A alternativa d está errada, pois a insulina não é extraída de açúcar do pâncreas de bovinos
e suínos, mas é uma substância produzida pelo órgão – a relação da insulina com açúcar é outra. A alternati-
va e está errada, pois é justamente o contrário: as reações alérgicas dos seres humanos pararam de acontecer
quando a insulina passou a ser produzida por meio da biotecnologia; quando era extraída de suínos e bovinos,
provocava comumente reações alérgicas.
2. Alternativa D. Os diabéticos agora conseguem insulina mais rapidamente, mais barata e sem risco de rejeição.
A alternativa a está errada, pois o processo de extração de insulina a partir do pâncreas suíno não é alterado com
a técnica do DNA recombinante. A alternativa b está errada, pois o processo de produção de insulina nada tem
a ver com a produção de antibióticos, seja qual for o método utilizado. A alternativa c está errada, pois a insulina
não foi sintetizada quimicamente, mas sim pela expressão do gene produtor de insulina humana incorporado às
bactérias com essa técnica. A alternativa e está errada, pois foram criadas bactérias transgênicas, e não animais
transgênicos.
3. Alternativa C. O texto indica que a soja transgênica não tem capacidade de cruzamento com outras plantas, isto
é, outras espécies selvagens. A alternativa a está errada, pois ao longo do processo vão sendo selecionadas as
plantas com resistência ao herbicida e que conseguem passar essa estabilidade aos descendentes. A alternativa
b está errada, pois essa quantidade de herbicida poderia causar riscos ambientais. A alternativa d está errada,
pois os testes nutricionais foram só parte do processo, que não foi restrito a esse procedimento, tampouco o
fator determinante para a aprovação. A alternativa e está errada, pois a linhagem obtida foi testada rigorosamente
não em relação à própria segurança, mas à segurança que seu cultivo ofereceria ao ambiente.
4. Alternativa E. A alternativa a está errada, pois clone é a denominação para organismos idênticos com a mesma
origem genética. A alternativa b está errada, pois híbridos são organismos originados de cruzamento de espécies
diferentes, sem manipulação do material genético pelo ser humano. A alternativa c está errada, pois mutantes
são organismos que apresentam mutações em um ou mais genes. A alternativa d está errada, pois dominante é
um termo utilizado para os organismos que possuem uma característica que precisa apenas de um gene (alelo
dominante) para se manifestar.

Sugestão de material para consulta

Na internet
• DIA Mundial do Diabetes. Disponível em: <www.diamundialdodiabetes.org.br>.
• MASSARANI, L.; Natércia, F. Transgênicos em debate. Disponível em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/images/
Publicacoes_Educacao/PDFs/TransgenicosVersaoAdultos.pdf> (público adulto) e <http://www.museudavida.
fiocruz.br/images/Publicacoes_Educacao/PDFs/transgenicosVersaoPublicoInfantil.pdf> (público infantil). Manual do Professor
• PIRES, A. C.; CHACRA, A. R. A evolução da insulinoterapia no diabetes melito tipo 1. Arquivos Brasileiros de Endocrino-
logia e Metabologia. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302008000200014>.
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Disponível em: <www.diabetes.org.br/publico/>.
• TSCHIEDEL, B. A história do diabetes. Disponível em: <www.endocrino.org.br/historia-do-diabetes/>.
• VIGITEL BRASIL 2016. Hábitos dos brasileiros impactam no crescimento da obesidade e aumenta prevalência de
diabetes e hipertensão. Disponível em: <http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/abril/17/Vigitel.pdf>.
Acesso em: 18 set. 2018.

49
8
Anotações

50
8 Ensino Fundamental
ANGLO
ENSINO FUNDAMENTAL

9 º-
ano

1
volume

Biologia
José Manoel Martins
Marcos Engelstein
Direção geral: Guilherme Luz
Direção executiva: Irina Bullara Martins Lachowski
Direção editorial: Renata Mascarenhas e Luiz Tonolli
Gestão de conteúdo: Carlos Eduardo Lavor (Caê)
Gestão de projetos editoriais: Marcos Moura e Rodolfo Marinho
Gestão de área: Isabel Rebelo Roque e Tatiana Leite Nunes
Edição: Amarilis Lima Maciel, Luiza Henriques Ostrowski
e Rodrygo Martarelli Cerqueira
Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga
Planejamento e controle de produção editorial: Paula Godo (ger.),
Adjane Oliveira (coord.), Daniela Carvalho e Mayara Crivari
Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.),
Rosângela Muricy (coord.), Tayra Alfonso; Amanda T. Silva
e Bárbara de M. Genereze (estagiárias)
Arte: Daniela Amaral (ger.), André Vitale (coord.)
e Daniel Hisashi Aoki (edit. arte)
Diagramação: JS Design
Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Roberto Silva (coord.),
Roberta Freire Lacerda Santos (pesquisa iconográfica)
Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.),
Angra Marques (licenciamento de textos), Erika Ramires,
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Martins, José Manoel


Ensino fundamental 2 : biologia 9º ano : volume 1 e 2 :
aluno / José Manoel Martins, Marcos Engelstein. -- 1. ed. -
- São Paulo : SOMOS Sistemas de Ensino, 2019.

1. Biologia (Ensino fundamental). I. Engelstein,


Marcos. II. Título.

2018-0060 CDD: 372.35

Julia do Nascimento – Bibliotecária – CRB-8/010142

2019
ISBN 978 85 468 1760 3 (AL)
1a edição
1a impressão
Impressão e acabamento

Uma publicação
SUMÁRIO

BIOLOGIA

1. Lavem as mãos! – um caso de aplicação


da metodologia científica ........................................................... 6
2. Abandonando antigas ideias, criando hipóteses:
o caso dos dedos enrugados .................................................... 18
3. O que herdamos dos nossos pais? ........................................... 28
4. As vacinas e o sistema imune .................................................. 40
5. Genética do sistema ABO ......................................................... 55
6. Potenciais terapêuticos das células-tronco ............................. 65
7. Terapia gênica e doenças genéticas ........................................ 74
8. O diabetes e o caso dos transgênicos ...................................... 84
Biologia
Autores:
José Manoel Martins
Marcos Engelstein
1 LAVEM AS MÃOS! – UM CASO DE
APLICAÇÃO DA METODOLOGIA
CIENTÍFICA

Lavar as mãos antes de comer, depois de ir ao banheiro, antes de manipular alimentos,


não seria um exagero de nossos pais?
O que lavar as mãos tem a ver com as grandes descobertas científicas? Como é pos-
sível afirmar certas “verdades científicas” sem o risco de cometer erros?
Você já deve ter se perguntado como o conhecimento científico é produzido. Os cien-
tistas utilizam várias metodologias científicas, entre elas o chamado método hipotético-
-dedutivo, que se baseia em perguntas sobre um fenômeno, levantamento de hipótese,
experimentação, verificação e conclusão.
Neste Módulo, vamos estudar a história de um médico e a sua procura pela prevenção
de uma doença chamada febre puerperal. Vamos analisar como se deu a construção do
conhecimento científico desse estudo, dando atenção à importância do planejamento,
da coleta e da análise dos dados. Esse exemplo também nos possibilitará perceber as
diferenças entre os conhecimentos do senso comum e os conhecimentos científicos.

ALEXANDER RATHS/SHUTTERSTOCK

Atualmente, a higienização das mãos é uma prática comum em vários contextos. Mas não foi sempre assim.

6
8 Ensino Fundamental
SENSO COMUM VERSUS CONHECIMENTO CIENTÍFICO

SƒRGIO DOTTA JR./ARQUIVO DA EDITORA


Hipócrates de Cós (460 a.C.-337 a.C.), conhecido como o “pai da Medicina”, escreveu
em seu texto Ares, água, lugares:
Quem quer que estude Medicina deve investigar os seguintes aspectos: primeiro, os
efeitos das estações do ano. Depois, os ventos, quentes ou frios, característicos da região.
O efeito da água sobre a saúde não deve ser esquecido. [...]
Você provavelmente já ouviu algum conhecido dizer “veste o casaco senão você vai
ficar gripado” ou “sai da frente da geladeira aberta, pois vai ficar com dor de garganta”.
Será que o frio é o responsável por causar doenças? O trecho acima, escrito por Hipó-
crates há mais de 2 300 anos, parece concordar com isso. Conhecimentos desse tipo
fazem parte do senso comum:
comum os fatos e suas associações são reproduzidos sem que O frio, como o que
percebemos ao abrir
haja verificação científica. Deste modo, uma associação como: no frio há mais pessoas a geladeira, pode
gripadas, logo, o frio causa mais gripes – são feitas baseadas apenas por meio de um causar doenças?
conjunto de vivências e observações.

De olho... no senso comum


Senso comum:
conhecimentos adquiridos
Apesar de não ser construído a partir de conhecimento científico, o senso co- a partir de vivências e
mum contribui para o progresso da ciência. É possível pensar em várias situações observações do mundo,
cotidianas que resultam em pesquisas dos hábitos e costumes pela comunidade compartilhados por
muitas pessoas.
científica. Muito antes de a farmacologia conhecer cientificamente a ação da
cafeína sobre o sistema nervoso central (SNC), especialmente seu efeito estimu-
lante, as comunidades indígenas da Amazônia se beneficiavam das propriedades
desta substância no alívio da fadiga, por meio do emprego do guaraná, sem
necessariamente compreender sua composição química ou outras possibilidades
terapêuticas.
O curare é um bloqueador neuromuscular, isto é, impede a passagem do
impulso nervoso do nervo para os músculos estriados, provocando a paralisia.
Essa substância pode ser retirada de várias plantas diferentes, mas principal-
mente Strychnos toxifera e Chondrodendron tomentosum. Os indígenas da região
amazônica usam infusões dessas plantas em pontas de flecha para caçar animais,
que morrem pela paralisia dos músculos envolvidos na respiração.
O estudo desse poderoso veneno resultou no desenvolvimento de anestésicos
e relaxantes musculares.

As doenças contagiosas, como a gripe e o sarampo, são adquiridas quando os agen-


tes causadores – vírus, nestes dois casos – estiverem presentes e o sistema imune não
estiver preparado para combatê-los (se o sistema imune estiver preparado, os agentes
causadores de doenças podem até invadir o corpo, mas não terão sucesso e a doença
não se desenvolverá).
Na época de Hipócrates, os microrganismos não eram sequer conhecidos, e muito
menos associados às doenças. Enquanto esses conhecimentos não foram adquiridos
pela população, era comum que as explicações sobre as doenças fossem baseadas em
Biologia

crenças e castigos divinos.


Mesmo sem saber da relação entre microrganismos e doenças, alguns médicos con-
seguiam, por meio de observações e evidências, descobrir formas de prevenção a deter-
minadas enfermidades. A seguir, na página 9, vamos estudar o caso de um médico que
defendia o hábito de lavar as mãos.

8
7
Você sabia?

A peste negra na Europa medieval


A imagem ao lado mostra a

BRIDGEMAN/FOTOARENA
vestimenta usada pelos médicos
que cuidavam de pacientes con-
taminados pela peste negra na
Idade Média. Hoje sabemos que
esta doença é causada pela bacté-
ria Yersinia pestis. A máscara era
recheada com ervas aromáticas,
pois acreditava-se que a doença
pudesse ser contraída por meio
do mau cheiro exalado pelos
doentes. A crença de que doen-
ças podiam ser transmitidas pe-
los cheiros era comum na época:
a malária, causada por um pro-
tozoário, recebeu esse nome
porque, na Itália, pensava-se
que a transmissão ocorria por
meio das emanações do pântano,
“mal ar” ou malo (mau) aria (ar),
em italiano.

ATIVIDADE 1

A febre amarela é causada por um vírus e transmitida pela picada de mosquitos.


Desde que o número de casos de febre amarela avançou no Brasil, e elevou a procura pela vacina, surgiu como alternativa
o fracionamento das vacinas para ampliar a capacidade de imunização em estados com surto da doença.
Cada frasco da vacina contra febre amarela possui cinco doses integrais, com 0,5 mililitro (mL) cada. A diferença da dose
fracionada é que a quantidade aplicada é inferior: 0,1 mililitro.
A dose padrão da vacina contra a febre amarela protege uma pessoa por toda a vida, enquanto a fracionada dura por
pelo menos oito anos. Estudos em andamento estão avaliando os efeitos em longo prazo da dose fracionada. Ou seja, é
possível que ela nos resguarde por até mais do que oito anos.
Que métodos de pesquisa você acredita que os cientistas utilizaram para chegar à conclusão de que a vacina fracionada
é efetiva na proteção contra a febre amarela?

8
8 Ensino Fundamental
REPR
SEMMELWEIS E A FEBRE PUERPERAL
OD
U ÇÃ
O
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CO
O húngaro Ignaz Phillip Semmelweis (1818-1865) começou seus estudos em Direi-

LE
ÇÃ
OP
to na Universidade de Viena em 1837, mas, por motivos desconhecidos, mudou seu

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TICU
curso para Medicina na mesma universidade e formou-se em 1844. Especializou-se em
obstetrícia e tr

LA R
trabalhou na maternidade de Viena.
A maternidade pública de Viena tinha duas clínicas. Os estudantes de obstetrícia, todos
homens, eram designados para a primeira clínica e as parteiras, todas mulheres, para a
segunda. As pacientes eram admitidas em dias alternados entre as clínicas.
Semmelweis observou que muitas mulheres morriam de febre puerperal, uma infec-
ção que ocorre logo após o parto. A quantidade de pacientes mortas o impressionava.

De olho... na febre puerperal


Semmelweis, conhecido
A febre puerperal (ou febre do parto) é uma infecção bacteriana generalizada
como “o salvador das
(geralmente bactérias do tipo estreptococos e, em alguns casos, bactérias do gênero mães”, trabalhou na
Clostridium), que tem início no útero e se espalha pelo corpo. Nenhuma dessas maternidade de Viena
informações era conhecida por Semmelweis. de 1846 a 1849.
Estima-se que, atualmente, a infecção ocorra em 1% a 4% das pacientes que tive-
ram parto normal e em 3% a 15% das que fizeram cesárea, requerendo tratamento
com antibióticos ou cirúrgicos. Ainda hoje a febre puerperal é uma das principais Obstetrícia: área da
Medicina que estuda a
causas de morte de mulheres no pós-parto, no Brasil. gestação e o parto.

Em um de seus trabalhos, Semmelweis escreveu:


Ocasionalmente uma paciente ficava doente e estava rodeada de pacientes sãs.
Frequentemente, em toda uma fileira de leitos as mulheres ficam doentes, nenhuma
permanecendo sã. As camas eram colocadas em todo o comprimento dos quartos e se-
paradas por espaços iguais. Dependendo da localização dos quartos, as camas estavam
na parede voltada para o Norte, onde seria mais provável que o frio fosse um fator sig-
nificativo. Todavia, numa outra ocasião aquelas localizadas na parede Sul foram as que
ficaram doentes. Era minha firme convicção de que a febre do parto não era contagiosa
e não se transmitia de cama para cama.
CÉLINE, Louis-Ferdinand. A vida e obra de Semmelweis. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
No trecho acima pode-se perceber que Semmelweis procura explicações nas obser-
vações do senso comum, mas não encontrou nenhum fator que explicasse os resultados.
Dessa forma, ele questionou suas observações e passou a buscar alguma regularidade
nos fatos, na tentativa de elaborar uma hipótese sobre os acontecimentos. Foi então
que Semmelweis iniciou a contagem do número de partos e de mortes em cada clínica.
O médico encontrou os seguintes resultados:
Tabela 1 – Nascimentos, mortes, mortalidade (%) de todas as pacientes nas duas clínicas
da Maternidade do Hospital de Viena, de 1841 a 1846
Primeira clínica Segunda clínica
(estudantes de obstetrícia) (parteiras)
Ano Nascimentos Mortes Mortalidade (%) Nascimentos Mortes Mortalidade (%)
1841 3 036 237 7,7 2 442 86 3,5
1842 3 287 518 15,8 2 659 202 7,5
1843 3 060 274 8,9 2 739 164 5,9
1844 3 157 260 8,2 2 956 68 2,3
Biologia

1845 3 492 241 6,8 3 241 66 2,03


1846 4 010 459 11,4 3 754 105 2,7
Total: 20 042 1 989 – 17 791 691 –
Média: – – 9,92 – – 3,38
CÉLINE, Louis-Ferdinand. A vida e obra de Semmelweis. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

8
9
A análise dos dados permitiu verificar que a clínica 1 sempre teve a mortalidade maior
do que a clínica 2. A média do número de mortes na clínica 1 era quase três vezes maior
do que na 2. Com isso, Semmelweis concluiu que a solução do problema estava em
entender o que acontecia na clínica 1 que não acontecia na clínica 2.
Na mesma época de suas análises, ocorreu a morte do professor e amigo de Semmelweis,
Jakob Kolletschka, que teve um ferimento por bisturi durante a autópsia de um cadáver.
Esse acontecimento trouxe uma suspeita: os sintomas da causa da morte eram idênti-
cos aos sintomas da febre puerperal, o que fez Semmelweis concluir que algo que estava
no cadáver passou para o bisturi e então para o professor, que ficou doente e morreu.
Semmelweis associou o acontecimento ao fato de os médicos e os estudantes desenvolve-
rem seus trabalhos muitas vezes estudando cadáveres, mesmo antes dos exames das suas
pacientes, fato que não ocorria com as parteiras.
Semmelweis e os demais médicos e estudantes sabiam que substâncias químicas à base
de cloro retiravam o cheiro forte dos cadáveres em decomposição de mãos e de roupas – o
sabão comum não era eficiente para isso. Foi a partir desse conhecimento que Semmelweis
fez a proposta da higienização com o uso de substâncias cloradas. O médico chamou
de “partículas cadavéricas” os causadores da doença e considerou que essas “partículas”
aderiam às mãos e aos instrumentos dos médicos e estudantes. As “partículas” eram, dessa
forma, transferidas dos cadáveres para as pacientes grávidas e parturientes, que adoeciam
da febre e morriam. Para testar essa hipótese, ele propôs o uso de substâncias químicas à
base de cloro para lavar as mãos antes dos exames. Semmelweis concluiu:
Em 7 meses a mortalidade da primeira clínica ficou abaixo da [mortalidade] da
segunda clínica. Neste período, das 1841 pacientes, 56 morreram (3,04%). Antes que
a lavagem das mãos com cloro tivesse sido introduzida, das 4 010 pacientes cuidadas,
ocorreram 459 mortes (11,4%). Entre março e agosto de 1848, nenhuma paciente morreu.
CÉLINE, Louis-Ferdinand. A vida e obra de Semmelweis. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
Semmelweis teve que voltar ao seu país de origem e foi substituído pelo médico
Carl Braun na direção da clínica. Carl não estava de acordo com a ideia da higienização
das mãos e suspendeu essa prática. A mortalidade da primeira clínica voltou a crescer,
atingindo os valores anteriormente registrados. Em compensação, a incidência da febre
puerperal caiu quase a zero em Budapeste, onde Semmelweis passou a trabalhar.

ATIVIDADE 2

1 Que conhecimentos do senso comum Semmelweis analisou em suas observações?

2 Qual foi a primeira hipótese de Semmelweis sobre a transmissão da doença?

10
8 Ensino Fundamental
3 Qual a importância da coleta dos números de pacientes, da porcentagem de mortalidade em diversos anos e das duas
clínicas para o trabalho de Semmelweis?

4 Mesmo após a maternidade de Viena ter implementado a higienização das mãos dos estudantes e médicos após os
exames de cadáveres, algumas mortes continuaram a ocorrer na clínica 1. Em certa ocasião, uma paciente deu entrada no
hospital já com uma infecção no útero. Alguns dias depois, diversas pacientes morreram de febre puerperal. Esse evento
colocou a hipótese das “partículas cadavéricas” em risco. Qual experimento você faria para explicar essa nova situação?

A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS NOS DIAS DE HOJE


Se a história de Semmelweis parece muito antiga e distante, vamos analisar uma his-
tória mais recente. Entre os anos de 2009 e 2010, uma doença infecciosa atingiu pessoas
no mundo todo: a pandemia de gripe A ou influenza H1N1. Esta doença, causada por Pandemia: epidemia que
uma variedade do vírus influenza, tem sintomas semelhantes a qualquer gripe, porém atinge proporções mundiais.

eles aparecem de forma mais repentina, ou seja, o tempo de incubação dos vírus antes
da manifestação dos sintomas é muito menor.
A principal forma de prevenção individual incluía o procedimento anteriormente
adotado por Semmelweis: a higienização das mãos com água e sabão ou com álcool,
impedindo a contaminação pela via mucosa–mão–mão–mucosa.
A passagem de gotículas de saliva contaminadas com os vírus para alguém saudável,
como em um cumprimento, ou mesmo o toque em uma superfície contaminada, possibilita
a disseminação dos vírus da gripe. Sem medicamentos ou vacinas eficazes, em 2009/2010 a
doença matou muitas pessoas, especialmente jovens.

Regiões com casos confirmados de gripe A


Fonte: WHO. Evolution of a pandemic. 2. ed. 2010. Disponível em:
<apps.who.int/iris/bitstream/10665/78414/1/9789241503051_eng.

OCEANO GLACIAL ÁRTICO


Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

OCEANO OCEANO
PACÍFICO PACÍFICO
Equador

OCEANO OCEANO
pdf>. Acesso em: 28 set. 2018.

ATLÂNTICO ÍNDICO
Trópico de Capricórnio

Regiões com casos


Biologia

OCEANO GLACIAL confirmados em laboratório


ANTÁRTICO Mortes cumulativas
N Círculo Polar Antártico
De 1 a 10 Países/áreas
e número de mortes
O L De 11 a 50 territoriais onde reportados à Organização
houve casos Mundial da Saúde (OMS)
S De 51 a 100 confirmados em
0 2 500 km laboratório
entre 2009 e 2010.
Mais de 100

11
8
Com seus conhecimentos atuais, você diria que o frio provoca o aumento do número
de casos de gripe?
O senso comum explica o aumento do número de casos de gripe no inverno como o
resultado da combinação da redução da temperatura ambiente com a redução da circula-
ção de ar devido às janelas permanecerem fechadas, o que facilita a dispersão dos vírus.
Porém, como vimos com a história de Semmelweis, o que parece óbvio hoje necessitou
de um longo caminho de observações e descobertas, passando por diversas hipóteses,
que foram testadas e puderam ser rejeitadas ou não. Esse processo é parte do que po-
demos chamar de desenvolvimento científico. Atualmente, sabemos que, entre outros
fatores, baixas temperaturas podem provocar o ressecamento do muco de proteção e a
diminuição do batimento dos cílios das células das vias respiratórias, facilitando a entrada
do vírus da gripe, que é transmitido principalmente através das mãos.

De olho... na higienização e na prevenção de infecções


Quando você pensa em higiene, logo vem à sua cabeça lavar as mãos, escovar os dentes e tomar banho?
Muito bom, mas não é só isso!
As cáries são infecções bacterianas, portanto, a escovação dos dentes é mesmo uma prática de higiene que
previne infecções.
A lavagem adequada de frutas, legumes e verduras também evita infecções causadas por microrganismos, como
bactérias e protozoários, e por vermes, como a lombriga.
Se você sofre um pequeno corte, a lavagem da região com água corrente e sabonete ajuda a prevenir in-
fecções. Mas dependendo do tamanho do corte, é sempre bom consultar um posto de saúde.
Atualmente, em hospitais, há uma grande preocupação sobre esse tema. Além da lavagem das mãos por
todos os envolvidos com o tratamento dos pacientes, existe um rigoroso protocolo de limpeza das áreas de um
centro médico, para evitar a chamada “infecção hospitalar”.
Nos banheiros, torneiras e descargas têm sido substituídas por mecanismos automáticos, não só para evitar
o desperdício de água como para evitar que as pessoas encostem as mãos nelas, diminuindo assim a chance
de propagar microrganismos.
Outro exemplo são as toalhas de pano substituídas por toalhas de papel, que são descartadas após o uso.

DIGITAL VISION/GETTY IMAGES


WESTEND61/GETTY IMAGES

Algumas formas de higienização para prevenir infecções.

12
8 Ensino Fundamental
Você sabia?
Qual é o verdadeiro método científico?
[...]
Não há fórmula para uma pesquisa científica bem-sucedida. Nenhum método científico em particular
possui um manual que os pesquisadores devam seguir à risca. Como em todas as buscas, a ciência inclui
elementos de desafio, aventura e sorte, junto com planejamento cuidadoso, sensatez, criatividade, coope-
ração, competição, paciência e persistência para superar reveses.
[...]
Biólogos utilizam dois tipos principais de pesquisa científica: a ciência da descoberta e a ciência com
base em hipóteses. A ciência da descoberta envolve basicamente descrever a natureza. A ciência com base
em hipóteses tem a ver basicamente com explicar a natureza. A maioria das pesquisas científicas combina
essas duas abordagens.
A ciência da descoberta
Algumas vezes denominada ciência descritiva, a ciência da descoberta descreve estruturas e processos
naturais com a maior precisão possível, a partir de cuidadosas observações e análises de dados. Por exemplo,
a ciência da descoberta construiu nossa compreensão sobre a estrutura celular e tem expandido nossa base
de dados sobre os genomas de diversas espécies.
[...]
A ciência da descoberta pode levar a importantes conclusões com base em um tipo de lógica denomina-
da indução ou argumentação indutiva. Por meio da indução, fazemos generalizações a partir de um grande
número de observações científicas. “O sol sempre nasce a leste” e “Todos os organismos são constituídos
de células” são exemplos. A segunda generalização, pertencente à conhecida teoria celular, baseia-se em
dois séculos de descobertas biológicas celulares envolvendo diversos espécimes biológicos observados ao
microscópio. [...]
Ciência com base em hipóteses
As observações e as induções da ciência da descoberta estimulam a busca de causas e explicações na-
turais para essas observações. Por que ocorreu a diversificação de tentilhões nas Ilhas Galápagos? Por que
as raízes crescem para baixo e para cima os caules com folhas? Em que se baseia a generalização de que o sol
sempre nasce no leste? Na ciência, essa pesquisa geralmente envolve a proposição e o teste de explicações
hipotéticas – ou seja, hipóteses.
[...]
Um tipo de lógica denominada dedução fundamenta-se na ciência com base na hipótese. A dedução
contrasta com a indução, que, lembrando, é o raciocínio a partir de um conjunto de observações específi-
cas para chegar a uma conclusão geral. No raciocínio dedutivo, a lógica flui na direção oposta, do geral para
o específico. Partindo de premissas gerais, extrapolamos para os resultados específicos que deveríamos
esperar se as premissas fossem verdadeiras. Se todos os organismos são constituídos de células (premissa
1), e humanos são organismos (premissa 2), então humanos são compostos de células (predição dedutiva
sobre um caso específico).
Na ciência com base na hipótese, as deduções geralmente assumem a forma de predições de resul-
Biologia

tados experimentais ou observacionais encontrados se uma determinada hipótese (premissa) estiver


correta. Então testamos essa hipótese com a realização de experimentos ou observações para revelar se
os resultados são previsíveis ou não. Esse teste dedutivo toma a forma de uma lógica do tipo “se... então”.
CAMPBELL, N. A.; REECE, J. B. Biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 18-20.

13
8
A IMPORTÂNCIA DA COLETA E DA ANÁLISE DE DADOS
Faz parte do desenvolvimento científico procurar evidências e padrões na observação
de fenômenos para analisar uma determinada hipótese. Muitas vezes, o pesquisador deve
planejar, executar experimentos, analisar os resultados e, a partir dessa análise, confirmar
ou descartar uma hipótese.
Semmelweis buscava reduzir o número de mortes causadas por febre puerperal na
maternidade. Para isso, planejou uma forma de avaliação dos dados que coletou (número
Tabular: colocar
informações em uma
de partos e número de mortes por febre puerperal) e os tabulou. Então, ele analisou os
tabela, organizando-as. resultados encontrados e pôde afirmar que morriam mais pacientes na clínica 1 do que
na 2. Descartando as primeiras hipóteses, que foram levantadas pelo senso comum e que
relacionavam a transmissão da doença com o vento, com a posição da cama e até com
o ar, Semmelweis pôde isolar o que realmente havia de diferente entre as clínicas 1 e 2:
uma era mantida com o trabalho dos estudantes de medicina e a outra, pelas parteiras.

CORBIS DOCUMENTARY/GETTY IMAGES


A prática da higienização
das mãos não existia na
época de Semmelweis e
diversos médicos foram, por
muitos anos, contrários à
utilização dessa rotina.

Uma nova observação (a morte de seu amigo com os sintomas da febre puerperal)
permitiu a construção de uma nova hipótese: a doença vinha dos cadáveres manipulados
pelos estudantes, que atuavam na clínica 1, em suas pesquisas da faculdade de Medicina.
Desta vez, Semmelweis planejou um teste para sua hipótese: orientar os médicos e
os estudantes a lavarem as mãos antes do cuidado com as pacientes. Ele já conhecia
a média do número de pacientes que morriam na clínica 1 e essa média serviu como
grupo de comparação. Contou novamente os casos e constatou que, ao lavar as mãos,
o número de contaminações diminuía muito, confirmando sua hipótese.

ATIVIDADE 3

Em uma pesquisa com o objetivo de testar novos medicamentos para a redução da taxa de colesterol (um lipídio
associado ao aumento do risco de enfarto) no sangue, um grupo de cientistas selecionou homens e mulheres, entre
25 e 40 anos, com taxas altas desse lipídio.
Os remédios utilizados até o momento, em doses de 10 mg, são conhecidos por reduzir até 10% da taxa de colesterol no
sangue. Este, associado às mudanças de hábitos alimentares, deveriam controlar o excesso de colesterol. Essas informações
foram usadas para definir que o novo medicamento deveria também ser utilizado em doses de 10 mg.
Para a pesquisa, 12 pessoas foram separadas em dois grupos, cada um com três mulheres e três homens. A média das
taxas de colesterol no sangue das pessoas nos dois grupos era igual a 320 mg/dL (miligramas por decilitro de sangue).
O valor normal deve ser de, no máximo, 160 mg/dL.
14
8 Ensino Fundamental
Os pacientes do grupo 1 receberam um comprimido de farinha e açúcar por dia, enquanto o grupo 2 recebeu um com-
primido aparentemente igual, mas com 10 mg do novo medicamento (os pacientes não sabiam de qual grupo faziam
parte); os dois grupos foram acompanhados para o estabelecimento de novos hábitos alimentares. Após 30 dias, as taxas
de colesterol foram novamente medidas. Os valores encontrados estão indicados na tabela abaixo:

Taxa de colesterol no sangue após 30 dias de tratamento, em mg/dL

Grupo 1 Grupo 2
Paciente
(comprimidos de farinha e açúcar) (comprimidos com o novo medicamento)

1 303 296
2 331 307
3 312 304
4 297 323
5 341 289
6 306 311

a) Qual é o objetivo do experimento?

b) Por que o grupo 1 não recebeu o princípio ativo?

c) Antes do início do experimento, a taxa de colesterol média nos dois grupos era de 320 mg/dL. Após 30 dias de trata-
mento, qual é a média observada nos grupos 1 e 2?

d) O remédio teve o efeito desejado? Justifique sua resposta, indicando o seu procedimento para chegar a essa conclusão. Biologia

15
8
e) Houve uma redução da taxa de colesterol a partir das mudanças de hábitos alimentares? Como você chegou a essa
conclusão?

EM CASA

1 A Ciência, através dos métodos científicos, também trabalha com conhecimentos parciais e não definitivos. Até
mesmo conclusões obtidas através da metodologia científica podem ser contestadas à luz de novos experimen-
tos. Mas é mais fácil usar o senso comum, afirmar sem ter que provar. Porém, não significa que todo senso comum
não tenha alguma verdade implícita, fruto da observação.
Pesquise os casos a seguir, procurando as explicações científicas que confirmem a observação ou a descartem.
Não deixe de citar a sua fonte de pesquisa.
a) Usar telefone celular em posto de gasolina pode causar incêndios.
b) Alimentos transgênicos fazem mal à saúde.
c) A cor vermelha irrita os touros.

2 A história do cientista francês Louis Pasteur (1822-1895) mereceria um livro. Dentre seus maiores feitos, vamos citar
apenas dois: a destruição da teoria de geração espontânea de microrganismos e a relação destes com doenças.
Nessa época (segunda metade do século XIX), a maioria dos acadêmicos acreditava que as doenças resultavam
de miasmas (ar pútrido) ou de gênios epidêmicos, entre outras crenças, além de criticar ferozmente a ideia de que
cada doença tinha uma causa específica, ainda mais causada por um microrganismo.
Certo dia, recebeu uma carta de um médico inglês agradecendo a demonstração da teoria dos germes e propon-
do um plano para manter longe das infecções os doentes de operações. O médico Joseph Lister (1827-1912) sabia
usar microscópio, estudou a fermentação, a decomposição, os fenômenos de coagulação do sangue e inflamação
e, principalmente, manteve a mente aberta e aceitou as demonstrações de Pasteur.
Em 1867, apresentou um trabalho para a British Medical Association:
No decurso de extensas pesquisas sobre a natureza da inflamação, das condições do sangue em
relação a ela, cheguei à conclusão de que a causa das supurações é devida à decomposição, ocasionada
pela atmosfera sobre o sangue e sobre os tecidos destruídos pela lesão violenta. Prevenir a ocorrên-
cia da supuração com seus riscos é desejável,
desejá mas não se pode excluir o oxigênio, que é universal-
mente reconhecido como o agente da putrefação. Porém, quando foi demonstrado pelas pesquisas de
Pasteur, que as propriedades sépticas da atmosfera não dependem do oxigênio ou de qualquer conteúdo
gasoso, mas de pequenos organismos nele suspensos, me ocorreu que seria Supuração: formação de
possível evitá-los, sem excluir o ar, aplicando curativos com alguns materiais pus após infecção.
capazes de destruir a vida das partículas que flutuam. [...]
RAW, I.; SANT’ANNA, O. A. Aventuras da microbiologia. São Paulo: Hacker Editores; Narrativa Um, 2002.

Entre 1865 e 1869, a mortalidade no setor de cirurgia de acidentes no Hospital de Edimburgo, no qual Lister traba-
lhava, diminuiu de 45% para 15%.
a) Cite três semelhanças entre o trabalho de Semmelweis e o de Lister.
b) Qual foi a contribuição do trabalho de Pasteur para as conclusões de Lister?
c) Através dos resultados do trabalho de Lister, discuta a afirmação “Os números ‘falam’“.

16
8 Ensino Fundamental
3 Os métodos científicos se aplicam para qualquer pesquisa, desde que bem desenvolvida. Veja o exemplo a seguir.
Até a metade do século XVI, acreditava-se que plantas eram capazes de fabricar o seu próprio alimento para
crescer usando recursos que elas tiravam do solo. Foi o médico belga Jan Baptist Van Helmont (1577-1604) quem
forneceu a primeira prova de que o solo sozinho não era suficiente para nutrir as plantas. Em seu experimento,
Van Helmont cultivou um salgueiro em um vaso de cerâmica, ao qual adicionava apenas água. Passados cinco
anos, o salgueiro cultivado apresentou 74,4 kg de ganho de massa (descontada a massa de água que foi adicio-
nada), enquanto o solo no qual foi cultivado teve uma redução de apenas 57 gramas em seu peso. Ou seja, não era
apenas do solo que a planta retirava recursos para crescer.
Identifique as etapas do método científico do trabalho de Van Helmont.

Etapas do método científico Trabalho de Van Helmont


Observação *****************************************
Criação de hipótese *****************************************
Realização de experimento e coleta de dados *****************************************
Conclusões *****************************************

RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 (Uece) Atente ao seguinte estudo de caso: Em um hospital do interior do Ceará, um grupo de pesquisadores pre-
tende investigar o efeito da adição da vitamina C à medicação rotineira para pacientes hipertensos, partindo da
informação, existente em literatura, de que o ácido ascórbico combinado a medicamento para hipertensão poten-
cializa este medicamento.
Considerando as etapas do método científico para um experimento relacionado a essa problemática, assinale a
opção que NÃO corresponde a uma delas.
a) Uso do senso comum para as discussões e conclusões.
b) Observação.
c) Formulação de hipótese.
d) Realização de dedução.

2 Que considerações de Semmelweis sobre a febre puerperal remetem aos tempos de Hipócrates?
a) Tabulou o número de mortes de parturientes em cada enfermaria.
b) Considerou a posição das camas voltadas para o norte e, mais expostas ao frio, como uma causa da doença.
c) Buscou alguma regularidade nos fatos na tentativa de elaborar uma hipótese sobre os acontecimentos.
d) Propôs o uso de substâncias químicas à base de cloro para lavar as mãos antes dos exames das parturientes.
3 (IFCE) Sobre método científico, é correto afirmar-se que
a) O início de uma pesquisa científica é marcado a partir de seus primeiros experimentos.
b) A hipótese deve ser formulada logo após a metodologia, para evitar testes falsos.
Biologia

c) Uma pesquisa científica inicia-se a partir da observação de determinado fenômeno, seguido de questionamentos.
d) As conclusões que forem tiradas nunca poderão servir de base para novas hipóteses.
e) Os cientistas devem compartilhar suas informações exclusivamente por meio de congressos.

17
8
2 ABANDONANDO ANTIGAS
IDEIAS, CRIANDO HIPÓTESES:
O CASO DOS DEDOS ENRUGADOS

Faz parte do “fazer Ciência” abandonar hipóteses depois de novas observações e


análises de um mesmo fenômeno.
Neste Módulo vamos estudar as mudanças das ideias que tentavam explicar por que
os dedos dos seres humanos enrugam quando ficam muito tempo na água. Vamos ana-
lisar a estrutura da pele humana, os fenômenos de difusão e osmose e como a relação
entre esses conceitos foi, por muito tempo, considerada a resposta para o enrugamento
dos dedos.
Vamos ver também como diferentes campos da Ciência podem contribuir para o enten-
dimento de um mesmo caso e como neurobiólogos, pesquisadores de comportamento e da
evolução e até profissionais de outras áreas do conhecimento, como engenheiros, podem
trocar informações que ajudam no esclarecimento de um determinado fenômeno natural.

BILANOL/SHUTTERSTOCK

O que você observa na sola e nos dedos destes pés?

18
8 Ensino Fundamental
POR QUE SUPERFÍCIES EXTERNAS ENRUGAM?
Quando deixamos uma fruta fresca, uma uva por exemplo, em um ambiente seco TERSTOCK
ZCW/SHUT

por muitos dias, podemos perceber que ela fica com aspecto murcho, com casca
enrugada. Isso ocorre porque a polpa da fruta perdeu água para o ambiente, en-
quanto a casca, que é uma estrutura mais rígida, preservou-se. Em outras palavras,
houve diminuição no volume da polpa, devido à perda de água, sem que houvesse
diminuição da área da casca, que não mudou de tamanho e enrugou, acompanhando
o novo volume da polpa. A fotografia mostra o
aspecto de uvas-passas,
frutas que foram
submetidas à secagem.
Você sabia? Compare o aspecto
da casca com o dos
pés da fotografia da
Estrutura dos frutos página anterior.
Os frutos estão presentes apenas em
plantas do grupo das angiospermas. Um Pericarpo
fruto é composto de pericarpo e semente.
A casca é a parte mais externa do pericar-
po. A parte intermediária é a que se de-

DOMNITSKY/SHUTTERSTOCK
senvolve e pode acumular substâncias nu- Semente
tritivas (como no caso da polpa da uva). O
pericarpo ainda apresenta uma parte mais
interna e rígida, que envolve a semente.
Partes que compõem o pericarpo
do abacate (fruto da Persea sp.).

Pense agora no que acontece quando você passa muito tempo com as mãos embaixo
da água, como quando você fica na piscina, no banho, ou até mesmo lavando louça.
Depois de alguns minutos, ao observar e sentir a sua mão, você provavelmente en-
contrará as pontas dos seus dedos enrugadas, com profundos sulcos na super
superfície. Sulco: cavidade ou
As primeiras hipóteses para explicar por que os dedos enrugam consideravam que o depressão alongada.

processo era semelhante ao que ocorria com as uvas.


SHARKPAECNX/SHUTTERSTOCK

A B
ARCADY/SHUTTERSTOCK

Biologia

Imagens de uma mão com os dedos com aspecto normal (A) e com os dedos enrugados (B).

19
8
VOCÊ JÁ PENSOU NISSO? 1

Qual seria a explicação para o enrugamento dos dedos com base na hipótese de que
esse processo seria semelhante ao que ocorre com as uvas?

As primeiras hipóteses para explicar por que os dedos enrugam, na verdade, ao invés
de considerar que havia a perda de água pelas camadas mais internas da pele, conside-
ravam que uma grande quantidade de água era absorvida pela sua camada mais externa.
Ao secar a pele, o aspecto enrugado desapareceria rapidamente e os dedos retornariam
ao seu volume normal.

ATIVIDADE 1

Qual é a aparente contradição na explicação de que os dedos enrugam de forma similar ao que ocorre com as uvas?

A HIPÓTESE DA OSMOSE A PARTIR


DE CONHECIMENTOS PRÉVIOS
Como vimos, os dedos enrugariam porque a camada externa da pele absorveria
grande quantidade de água. Essa absorção de água pelas células da pele seria explicada
pelo processo de osmose.

Difusão e osmose
Quando alguém pinga algumas gotas de café em uma xícara com leite a tendência
é que as gotas de café se espalhem, deixando o leite com uma coloração uniforme,
mesmo sem agitação.

Você sabia?
O leite é uma mistura heterogênea
O leite e a mistura leite e café constituem dois exemplos de misturas hetero-
gêneas. Isso ocorre porque o leite, ao ser observado sob o microscópio óptico,
apresenta aspecto heterogêneo, sendo possível observar gotículas de gordura.
Todas as misturas em que é possível reconhecer mais de uma fase (porção com
aspecto homogêneo, uniforme, mesmo visto ao microscópio) são classificadas
como mistura heterogênea.
As misturas homogêneas apresentam apenas uma fase, como é do caso da
água de torneira, do soro fisiológico, da gasolina e do ar.

20
8 Ensino Fundamental
Processo semelhante ocorre nos tecidos e nas células do corpo humano. Algumas subs-
tâncias atravessam a membrana plasmática das células, passando do meio onde há maior
concentração para o meio de menor concentração. Esse fenômeno é conhecido como difusão.
A difusão pode ocorrer até que o equilíbrio dinâmico seja atingido. É dinâmico porque
esses componentes não ficam estacionados. Apesar de manter uma situação aparente-
mente estática, sem movimento aparente, os componentes estão sempre se movendo
de um lugar para outro, só que nas mesmas proporções, de modo que as concentrações
se mantêm sempre iguais.
Moléculas Membrana
do corante (seção transversal)

Água

Início da difusão Difusão efetiva Equilíbrio

Modelos que mostram que na difusão o movimento aleatório de substâncias (como


as moléculas de corante na água) ocorre do local mais concentrado para o menos
concentrado, até que se atinja o equilíbrio dinâmico. Neste equilíbrio, as moléculas
continuam se movendo aleatoriamente, mas em proporções iguais nas duas direções.
(Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

Além da difusão, outro mecanismo que leva ao Baixa Alta Igual


equilíbrio dinâmico de concentrações entre dois concentração de concentração concentração
soluto (açúcar) de açúcar de açúcar
meios é a osmose. Quando ela ocorre no corpo hu-
mano, a água se move de um lugar onde há menor
concentração de certas substâncias, como o sódio,
para um de maior concentração, geralmente passan-
do pela membrana plasmática da célula. Em outras
palavras, na osmose, a tendência é que a água atra-
vesse a membrana da célula no sentido de maior
H2O
concentração de substâncias, até que a concentração
de ambos os lados se iguale. Veja na ilustração ao
lado um exemplo de membrana que separa uma so- Membrana
lução menos concentrada de açúcar de uma solução seletivamente
permeável
mais concentrada. Esse exemplo é um bom modelo
para entender o que ocorre nas células. A água pode
passar pelos poros,
mas o açúcar não
Uma membrana como a plasmática possibilita que
a água se mova de onde há menor concentração de Poucas moléculas de
substâncias para o lado de maior concentração – a soluto, mais moléculas
água tem mobilidade através dela, mas as demais de água livre
Biologia

substâncias não. As moléculas de água podem Mais açúcar,


se mover aleatoriamente nas duas direções, mas poucas moléculas
sempre com a tendência de passar para o lado de água
onde a concentração das outras substâncias é maior. Açúcar
Osmose
(Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.) Água
A água se move da área de menor concentração de açúcar
para a de maior concentração de açúcar (da mais baixa para a 21
8
mais alta concentração de soluto).
ATIVIDADE 2

1 Explique por que a água entraria por osmose nas células das camadas mais externas da pele quando os dedos estão
mergulhados em água.

2 Considerando o que se sabe sobre osmose, por que as folhas da salada murcham quando são temperadas muito antes
do consumo?

A explicação pela osmose é questionada


Anteriormente, aceitava-se a osmose como a explicação mais provável para o que ocorre com os dedos quando
passam muito tempo sob a água. Porém, conhecemos alguns aspectos da estrutura da pele humana que nos permi-
tem questionar essa explicação.
• A pele humana é formada por duas camadas sobrepostas: a epiderme (tecido epitelial, mais externo) e a derme
(tecido conjuntivo, intermediário). Ambas se encontram sobre uma terceira camada: a hipoderme ou tecido sub-
cutâneo (tecido conjuntivo, mais interno).
• A epiderme é formada por muitas ca-
madas de células epiteliais. A camada
Pelo
Pelo mais interna está constantemente for-
Estrato basal
mando células novas, que deslocam
as células mais velhas para as cama-
Camada de células
mortas (estrato córneo) Epiderme das mais externas. À medida que vão
Camada de células vivas (tecido epitelial) envelhecendo, as células da epiderme
passam a acumular uma substância
Derme chamada queratina – proteína que
(tecido conjuntivo)
está presente em nossos cabelos, pelos
e unhas – e, depois de certo tempo,
Tecido subcutâneo
(tecido conjuntivo) morrem. A queratina garante a prote-
ção parcial contra a desidratação (por
ser impermeável) e forma uma barreira
contra a entrada de outras substâncias
Músculo Vasos e de microrganismos.
Glândula sanguíneos
sudorípara • As células mortas, com muita queratina,
ficam com um aspecto achatado e com-
pletamente impermeabilizadas. Essa
Esquema da pele humana em corte. Na base da epiderme (estrato basal) ocorre a camada de células mortas varia em es-
formação de novas células. A camada mais externa (estrato córneo) é constituída
por células achatadas e mortas, que estão continuamente sendo perdidas.
pessura, sendo mais grossa em regiões
(Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.) onde o atrito tende a ser maior, como
as solas dos pés e as palmas das mãos.
22
8 Ensino Fundamental
De olho... nos principais tecidos do corpo humano
No corpo humano podem ser reconhecidos quatro tipos principais de tecidos:

O tecido epitelial apresenta O tecido muscular apresenta células


células muito próximas umas das com capacidade de contração e
outras. Sua função é associada relaxamento. Pode ser classificado
à proteção, ao revestimento e à como tecido muscular liso, estriado

VISUALS UNLIMITED/GETTY IMAGES


A B
PHOTOLIBRARY RM/GETTY IMAGES

produção de substâncias. esquelético ou esquelético cardíaco.


SPL/FOTOARENA

DEAGOSTINI/GETTY IMAGES
C D

O tecido conjuntivo apresenta células mais


O tecido nervoso apresenta células
distantes entre si, e o espaço entre elas é
altamente especializadas em transmitir
preenchido por diferentes substâncias. São quatro
e enviar, na forma de impulsos
os tipos principais de tecido conjuntivo: o ósseo,
elétricos, informações captadas do
o cartilaginoso, o hematopoiético e o adiposo.
ambiente externo ou do próprio corpo.

Fotomicrografias de tecido epitelial (A), tecido muscular (B), tecido conjuntivo


(C) e tecido nervoso (D). (Ampliações de aproximadamente 145, 90, 514 e 175
vezes, respectivamente. Coloridas artificialmente.)

VOCÊ JÁ PENSOU NISSO? 2

Agora que relembramos essas características da pele humana, e que a queratina é uma substância que se acumula nas
células e as impermeabiliza, explique: como a água entra nas células por osmose?
Biologia

23
8
Novas hipóteses para o enrugamento dos dedos
O conhecimento sobre a composição e estrutura da pele humana e seus tecidos levou
ao surgimento de outros questionamentos; por exemplo: se o enrugamento dos dedos
ocorre por osmose, por que o corpo inteiro não fica enrugado quando passa muito tempo
embaixo da água? Haveria algum outro aspecto para explicar o fenômeno?
Foi apenas na década de 1930 que os médicos e pesquisadores britânicos Thomas
Lewis (1881-1945) e George White Pickering (1904-1980) perceberam que pacientes
com danos no nervo responsável pelo movimento dos braços e pelo tato nas mãos
não apresentavam enrugamento dos dedos, mesmo quando permaneciam embaixo da
água por bastante tempo.
Essa observação mostra que o enrugamento dos dedos não depende apenas da pre-
sença de água fora da epiderme, ou seja, não é apenas um evento de difusão simples
da água (osmose), mas necessita de regulação do sistema nervoso.

Você sabia?
Gânglios e nervos
Os gânglios (concentrações de corpos celulares de neurônios) e os nervos
fazem parte do sistema nervoso periférico e são responsáveis por transmitir o
estímulo elétrico percebido no meio externo ou em alguma região do próprio
corpo para o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinal). Em seguida,
os nervos transmitem uma resposta do sistema nervoso central para músculos e
glândulas, onde ocorre uma ação específica (a liberação de um hormônio, um
movimento, a contração de vasos sanguíneos, etc.).

Encéfalo

Medula espinal

Gânglios

Nervos

Sistema nervoso central (encéfalo


e medula espinal, em laranja)
e sistema nervoso periférico
(gânglios e nervos, em azul).
(Elementos fora de proporção
entre si. Cores fantasia.)

24
8 Ensino Fundamental
Em 2011, o matemático e neurobiólogo estadunidense Mark Changizi (1969-) propôs
a ideia de que, sendo uma ação controlada pelo sistema nervoso, o enrugamento dos
dedos poderia fornecer vantagens evolutivas em condições úmidas ou molhadas.
Buscando um experimento para testar a hipótese de que o contato prolongado com
a água poderia ser uma vantagem evolutiva, cientistas do Centro de Comportamento e
Evolução da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, coordenados pelo pesquisador
Tom Smulders, fizeram uma descoberta. Os resultados das pesquisas indicaram que, na
condição de submersão dos dedos em água, ocorre uma diminuição do fluxo de sangue
(vasoconstrição) para essa região devido a um estreitamento dos vasos sanguíneos e
essa resposta é controlada pelo sistema nervoso. Em outras palavras, o corpo recebe
informações do ambiente por meio dos nervos e cria uma condição fisiológica para a
entrada de água nas camadas de tecido epitelial.
Qual seria a vantagem evolutiva proporcionada por esse enrugamento dos dedos?
As pesquisas do grupo de cientistas de Newcastle, em conjunto com pesquisas anteriores
de Siegfried Derler, do Departamento de Biomecânica e Engenharia de uma universida-
de suíça, indicam que os dedos enrugados oferecem vantagens para manusear objetos
dentro da água ou em superfícies molhadas, ao mesmo tempo que, aparentemente,
não oferecem desvantagens em condições secas.

O caminho percorrido pelas hipóteses nas ciências


Você viu o caminho percorrido até aqui pelos cientistas na busca de respostas para um
questionamento. Em um primeiro instante, houve uma observação (os dedos enrugam
quando ficam muito tempo embaixo da água ou ambientes úmidos) e, em seguida, a
elaboração de hipóteses com base nos conhecimentos que já existiam (difusão, osmose
e a estrutura da pele).
Os cientistas agruparam o conhecimento de como a água

EDU LYRA/ACERVO DO FOTÓGRAFO


entra em células e tecidos com as características dos tecidos
que compõem a pele e concluíram que o enrugamento
poderia ser consequência da entrada de água nas camadas
de células da epiderme.
Novas observações levaram ao questionamento dessa
explicação: se esse processo ocorre sem controle nervoso,
por que os dedos não enrugam quando ocorre dano nos
nervos? E por que o corpo todo não enruga embaixo da
água?
Com base nas observações de que o sistema nervoso
estaria envolvido no processo, levantou-se uma nova hipó-
tese, a de que havia uma razão evolutiva para que os dedos
enrugassem. Então, propuseram experimentos para testar
se a hipótese era válida ou não.
Neste caso, eles encontraram resultados que sugerem
que a hipótese seja válida, concluindo que o enrugamento
A coleta com as mãos de mexilhões
dos dedos pode ter sido uma característica vantajosa para
submersos na água é facilitada com o
os primeiros seres humanos na coleta e pesca de seres vivos enrugamento dos dedos, pois aumenta
aquáticos, como moluscos. a aderência.
Biologia

Há casos em que o experimento pode não confirmar a hipótese e ela deve ser
descartada. Em ciência, um resultado negativo pode não ser um erro e sim um
resultado que permite a formulação de novas hipóteses.

25
8
Agora, os cientistas querem saber se o enrugamento dos dedos oferece vantagem para
manusear objetos embaixo da água apenas em seres humanos ou se essa característica
também aparece em outros primatas, como macacos. Essa característica poderia ser
essencial para se locomover sobre as árvores em dias úmidos, aumentando a aderência
das mãos e pés aos galhos, por exemplo.
Como essa hipótese poderá ser testada? Alguns cientistas ao redor do mundo estão
procurando informações para fazer novos testes e, assim, ainda existe um caminho a ser
percorrido em busca dessa explicação.

ATIVIDADE 3

Em que situações você acha que um ser humano teria vantagem em ter seus dedos enrugados?

DESAFIO

A pele humana é sensível à radiação solar, e essa sensibilidade depende das características da pele. Os filtros solares são
produtos que podem ser aplicados sobre a pele para protegê-la da radiação solar. A eficácia dos filtros solares é definida
pelo fator de proteção solar (FPS), que indica quantas vezes o tempo de exposição ao sol, sem o risco de vermelhidão, pode
ser aumentado com o uso do protetor solar. A tabela seguinte reúne informações encontradas em rótulos de filtros solares.

Tipo de pele e Proteção Proteção a


Sensibilidade FPS recomendado
outras características recomendada queimaduras

extremamente branca, olhos e


muito alta FPS > 20 muito alta
sensível cabelos claros
branca, olhos e cabelos
muito sensível alta 12 ø FPS , 20 alta
próximos do claro

sensível morena ou amarela moderada 6 < FPS , 12 moderada

pouco sensível negra baixa 2 < FPS , 6 baixa

Fonte: ProTeste, ano V, n. 55, fev. 2007.

As informações acima permitem afirmar que:


a) as pessoas de pele muito sensível, ao usarem filtro solar, não apresentam risco de queimaduras.
b) o uso de filtro solar é recomendado para todos os tipos de pele exposta à radiação solar.
c) as pessoas de pele sensível devem expor-se 6 minutos ao sol antes de aplicarem o filtro solar.
d) pessoas de pele amarela, usando ou não filtro solar, devem expor-se ao sol por menos tempo que pessoas de pele morena.
e) o período recomendado para que pessoas de pele negra se exponham ao sol é de 2 a 6 horas diárias.
26
8 Ensino Fundamental
EM CASA

1 Os métodos científicos, que estão sendo estudados em Ciências desde o 6o ano, foram apresentados em 4 etapas:
1 – realização de observações e identificação de um problema; 2 – criação de hipóteses; 3 – realização de ex-
perimentos; e 4 – coleta de dados e formulação de conclusões. Identifique essas etapas no que foi estudado até
agora, nesta aula (“Por que superfícies externas enrugam?”), sobre por que os dedos enrugam.

2 Certos tipos de microrganismos unicelulares, como os protozoários que vivem em lagos, apresentam vacúolos
pulsáteis, estruturas que bombeiam constantemente água para fora da célula. A partir dessa informação, defina
se o meio (lago) é mais ou menos concentrado que o interior da célula desse microrganismo.

3 Proponha um experimento que seja capaz de testar a hipótese que os cientistas ingleses levantaram, sobre haver
uma vantagem evolutiva para os seres humanos em ter os dedos enrugados quando úmidos.

RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 Uma uva-passa foi mergulhada em um recipiente com água e deixada nele por um dia. No dia seguinte, a uva-passa
a) aumentou de volume, pois a casca se hidratou.
b) aumentou de volume, pois o pericarpo da fruta se hidratou.
c) diminuiu de volume, pois a casca se desidratou ainda mais.
d) diminuiu de volume, pois o pericarpo da fruta se desidratou ainda mais.
e) permaneceu com o mesmo volume, pois não houve entrada ou saída de água na fruta.

2 É muito comum a adição de sal em alimentos à base de carne com o objetivo de conservá-los por mais tempo.
A adição de sal em excesso na carne
a) induz a perda de água das células por osmose.
b) induz a perda de água das células por difusão do sal.
c) equilibra as quantidades de água dentro e fora da célula.
d) provoca o ganho de água pelas células por osmose.
e) provoca o ganho de água pelas células por difusão do sal.

3 Na ilustração do esquema da pele humana (página 22), uma das estruturas, em amarelo, que se estende desde o
tecido subcutâneo, passando pela derme e atingindo a epiderme, não está identificada. Essa estrutura é
a) uma raiz de um pelo, composta de tecido epitelial.
b) uma raiz de um pelo, composta de tecido conjuntivo.
Biologia

c) um nervo, composto de tecidos muscular e conjuntivo.


d) um nervo, composto de tecidos conjuntivo e epitelial.
e) um nervo, composto de tecidos nervoso e conjuntivo.

27
8
3 O QUE HERDAMOS DOS
NOSSOS PAIS?

Quando você vai ao médico, não é raro que ele pergunte sobre o histórico médico
de seus pais: “Algum deles apresenta diabetes?”; “São hipertensos (pressão alta)?”. Qual
pode ser o interesse do médico com essas perguntas?
Da mesma forma, quem já não ouviu alguém dizer que uma criança “puxou” os olhos
Hereditário: que pode ser de um avô ou que duas irmãs são “idênticas”?
transmitido para
os descendentes.
Algumas características são herdadas dos pais, o que chamamos de hereditariedade.
hereditariedade
Mas como essas características são passadas de geração em geração?

M. BUSINESS IMAGES/SHUTTERSTOCK

De onde vêm as semelhanças que podemos


observar entre os membros de uma família?

28
8 Ensino Fundamental
O MONGE
Há milhares de anos, os seres humanos já se davam conta de que a formação de
um novo indivíduo dependia do encontro entre machos e fêmeas da mesma espécie
(hoje conhecemos os processos de reprodução assexuada que também formam novos
indivíduos). Nessa formação, havia a transmissão de características dos pais para seus

REPRODU‚ÌO/WILLIAM BATESON
descendentes, mas não se tinha ideia de quais seriam os mecanismos envolvidos na
transmissão. O ser humano procurava explicações para a hereditariedade observando a
semelhança entre os filhos e seus pais e outros membros da família, como os irmãos e
os avós e até parentes mais distantes.
A área da Biologia que estuda a hereditariedade, que hoje se sabe ser decorrência
dos genes, é a Genética. Seus conceitos foram construídos devido ao trabalho do monge
agostiniano austríaco Gregor Mendel (1822-1884).
Mendel nasceu em Heinzendorf, uma vila na Silésia, no antigo Império Austro-húngaro
(hoje, parte da República Tcheca), em 1822. Filho de agricultores, conciliou estudos e Gregor Mendel
trabalho, até ingressar no Mosteiro de Santo Tomás, em Brünn, região da Morávia (atual (1822-1884).
Brno, República Tcheca), aos 21 anos. Lá, estudou Teologia, Filosofia, História, História
natural e participou de cursos em diversas áreas da agricultura. Ordenou-se padre em
1847 e adotou o nome de Gregor.
A ordem dos agostinianos – da qual Mendel fazia parte – e seu mosteiro, em parti-
cular, se dedicava ao ensino e à pesquisa nas áreas de Ciências Naturais e Agricultura,
além de fazer parte de diversas sociedades dedicadas à divulgação científica. Devido a
isso, ele foi enviado à Universidade de Viena, onde estudou Zoologia, Botânica, Física
e Matemática, entre 1851 e 1853. Nesse período, teve a oportunidade de conviver com
diversos cientistas da época, inclusive o botânico Franz Unger (1800-1870), um evolu-
cionista, e o físico Christian Doppler (1803-1853), responsável por descrever o fenômeno
ondulatório conhecido como efeito Doppler.
Em 1857, Mendel retornou ao mosteiro e começou seu trabalho com as ervilhas
(Pisum sativum), aquele que foi a base para desvendar os mecanismos da hereditarie-
dade. Seus resultados foram publicados em 1866, com o título de Experiências sobre
híbridos vegetais. Apesar de ter sido publicado em uma revista científica de menor
expressão, sabe-se que seu trabalho foi enviado a dezenas de instituições científicas,
alcançando um número grande de pesquisadores.
Mendel se tornou abade, em 1868, e deixou suas pesquisas para se dedicar às novas atribui-
ções à frente do mosteiro. Ele morreu em 1884, aos 62 anos, sem conhecer a repercussão que
seu trabalho teve, e sua importância para a compreensão dos conceitos de hereditariedade.

ATIVIDADE 1

Vamos começar observando algumas características dos seres humanos nos alunos da
MATEUSZ KOPYT/SHUTTERSTOCK
classe. Quantos alunos estão presentes na classe nesse momento? Essa informação é
importante para o cálculo das porcentagens.
a) Quantos alunos conseguem enrolar a língua como na fotografia ao lado? Qual é a
porcentagem de alunos que conseguem enrolar suas línguas?
Biologia

29
8
b) Quantos alunos são destros? E canhotos? Escreva a porcentagem de cada caso.

c) Quantos alunos têm olhos escuros? E claros? Escreva a porcentagem de cada caso.

d) É possível identificar algum padrão em alguma dessas características? Qual?

Você sabia?
As primeiras ideias de hereditariedade
Em cerca de 410 a.C., na Antiga Grécia, o filósofo Hipócrates (460 a.C. -
-337 a.C.) propôs a hipótese da pangênese, segundo a qual cada órgão do
corpo produziria uma gêmula. As gêmulas se juntariam e seriam encaminha-
das para o sêmen e assim as características paternas seriam transmitidas aos
filhos. Essa hipótese foi aceita por séculos, sendo considerada inclusive por
Charles Darwin (século XIX).
Ainda na Grécia Antiga, algumas décadas depois, Aristóteles propôs que o pai
e a mãe eram responsáveis pelo material genético transmitido aos filhos: seria
uma mistura do “sêmen” dos pais. A palavra sêmen usada nesse contexto teria
um sentido mais próximo a gametas e não uma referência ao material expelido
pelos indivíduos do sexo masculino no momento da ejaculação.
Em 1667, Leeuwenhoek descobriu a presença do espermatozoide no sêmen,
associando-o à formação dos seres vivos.
Somente no século XIX, com os avanços na área da microscopia, identificou-
-se que óvulos e espermatozoides, após a fecundação, davam origem a embriões
que se desenvolviam formando novos indivíduos.

AS ERVILHAS
O trabalho no sítio da família, associado aos cursos que fez e aos contatos com di-
versos cientistas e agricultores da região, permitiu ao monge participar ativamente das
pesquisas de hibridização que estavam em desenvolvimento na época.
Na metade do século XIX, os chamados hibridizadores tinham diversas variedades de
uma mesma espécie, seja de plantas comestíveis, seja de plantas ornamentais. Além da
pesquisa de novas variedades, esse grupo procurava entender os mecanismos envolvidos
na herança de caracteres.
30
8 Ensino Fundamental
A escolha do material para estudo foi um dos méritos de Mendel. A ervilha apresenta
sete características bem definidas e facilmente identificáveis. (Veja o quadro a seguir.)

Caráter Dominante Recessivo

Forma da
semente
Lisa Rugosa

Cor da
semente
Amarela Verde

Cor da
flor
Púrpura Branca

Forma da
vagem
Lisa Rugosa

Cor da
vagem
Verde Amarela

Posição
da flor

Axial Terminal
Características
estudadas por Mendel e
facilmente identificáveis
em ervilhas-de-cheiro,
Altura
Pisum sativum.
do pé (Elementos fora de
proporção entre si.)
Alto Baixo

Além disso, essas plantas apresentam autofecundação, ou seja, suas flores são fechadas
e se autofertilizam. Isso ocorre porque as estruturas reprodutivas estão fechadas dentro
das sépalas e pétalas da flor, permitindo que o pólen caia diretamente no estigma da
mesma flor, fenômeno conhecido como autopolinização.
MICHAEL G MCKINNE/SHUTTERSTOCK
TONI GENES/SHUTTERSTOCK

Biologia

Ervilha-de-cheiro (Pisum sativum) com flores de cores diferentes.

31
8
Com isso, Mendel obteve linhagens puras, isto é, que davam origem a plantas iguais a
si mesmas, por autofecundação. Por exemplo, plantas com sementes amarelas só davam
origem a plantas com sementes amarelas, assim como as suas descendentes, se autopo-
linizadas, também só dariam origem a sementes amarelas.

O TRABALHO DE MENDEL
Mendel cruzou plantas puras que diferiam quanto a suas características e analisou
duas gerações que resultaram desse cruzamento inicial.
Como isso era possível, se as plantas se autofecundavam? O cientista usava um método
simples e engenhoso: com um pincel, transferia pólen de uma planta à outra (que tinha
seus estames cortados para evitar a autofecundação).

Pólen

Método usado por Mendel para


cruzar duas plantas puras.
(Elementos fora de proporção Estames
de tamanho e distância entre si.) Carpelo (masculino)
(feminino)

Mendel cruzou plantas de sementes amarelas com plantas de sementes verdes; essa gera-
ção atualmente é chamada de geração P (parental). A primeira geração originada a partir do
cruzamento da geração parental, hoje chamada de geração F1, apresentou apenas sementes
amarelas. Em seguida, Mendel deixou as plantas da geração F1 se autofecundarem e anali-
sou o resultado da segunda geração de plantas “filhas” (a geração F2). Em seus resultados,
encontrou a maioria das plantas com sementes amarelas, mas algumas com sementes verdes.

ATIVIDADE 2

a) Complete o quadro abaixo, que resume o experimento de Mendel.

Cruzamento da Característica Cruzamento Característica


geração P da geração F1 da geração F1 da geração F2

Fecundação de plantas
de sementes amarelas
com plantas de sementes
verdes

32
8 Ensino Fundamental
b) Na contagem das plantas da geração F2, Mendel encontrou 6 022 com sementes amarelas e 2 001 com sementes
verdes, num total de 8 023 plantas. Qual a proporção entre plantas com sementes amarelas e verdes?

Talvez o grande mérito de Mendel tenha sido contar. Isso mesmo, através da contagem
dos resultados encontrados, ele estabeleceu um modelo matemático da transmissão das
características hereditárias.
Nas várias características testadas, Mendel sempre encontrou resultados próximos da
proporção 3 : 1, como observado para as sementes amarelas e verdes. O estabelecimento
dessa razão matemática foi o traço mais original da descoberta de Mendel e hoje em dia
é conhecida como primeira lei de Mendel.
A partir disso, o monge propôs algumas explicações:
• As características hereditárias são determinadas por um par de fatores, que são
passados dos pais para os filhos, em iguais quantidades.
• Esses fatores se separam ao acaso, na formação das células de reprodução (atual-
mente chamados de gametas).
• Um dos fatores pode se manifestar, escondendo a manifestação do outro.
Atualmente, sabemos que esses fatores são os alelos, variáveis dos genes; aqueles
que predominam são chamados alelos dominantes, e os que ficam “escondidos” são
chamados recessivos.
O trabalho de Mendel foi muito importante para entendermos como funcionam certas
caraterísticas herdadas pelos seres vivos. Mas nem todas seguem esse padrão de herança,
dependendo de interações entre vários genes e até de fatores ambientais.
Na Atividade 1, vimos algumas características dos seres humanos e procuramos ter
ideia da frequência dessas características na população, por meio dos dados da sala de
aula. Os resultados obtidos inferem que elas não obedecem rigorosamente à primeira Lei
de Mendel, como as características das ervilhas. Assim como a capacidade de enrolar a
língua, a mão dominante e a cor dos olhos, muitas outras características que encontramos
em animais e plantas seguem outros tipos de modelo ou padrão de herança.

De olho... nas probabilidades


REP
Alguém poderia se perguntar: “mas como não percebemos essa R OD

ÃO
relação matemática da herança de características genéticas nas /C
AS
A
pessoas?”. Simples, pelo número de eventos. Mendel examinou mais
DA
M
OE

de 8 mil sementes, só no caso anteriormente estudado. Pessoas não


DA
DO

têm tantos filhos! O que dificulta reconhecer esse tipo de padrão em


BRA

características individuais e herdadas.


SIL/MI
NISTÉRIO DA F

Qual a chance de você tirar cara, se jogar uma moeda para cima?
50%. Isso significa que, se você jogar essa moeda 10 vezes, conseguirá
5 caras? A resposta é não, você pode conseguir 3 caras e 7 coroas,
Z EN A

Biologia

por exemplo, ou quaisquer outras combinações. Porém, quanto mais


DA

tentativas forem feitas, mais próximo de 50% de resultados esperados


(cara) serão obtidos. Assim, se essa moeda for jogada mil vezes,
teremos um resultado próximo de 500 caras.

33
8
Quando uma característica possui dois alelos iguais, dizemos que o organismo é
homozigoto para aquela característica; as características recessivas só se manifestam em
homozigose. Quando os alelos são diferentes (lembre-se: diferentes entre si, embora
ambos estejam relacionados com a mesma característica, por exemplo, a cor da semente),
dizemos que o organismo é heterozigoto para aquela característica.
Outras definições importantes se referem à expressão dos alelos e à aparência do
organismo. O par de alelos para determinada característica é chamado genótipo. Mas a
manifestação do genótipo pode ser modificada pela influência do ambiente. Por exemplo,
uma pessoa com alelos para pele clara pode ficar mais morena se estiver mais exposta
ao sol. A manifestação do genótipo e sua interação com o ambiente são chamadas de
fenótipo.

MENDEL E OS GENES
Mendel pouco sabia sobre a formação de gametas e nada sobre genes e alelos, con-
ceitos desconhecidos na época. Vamos entender o seu experimento, à luz dos conhe-
cimentos atuais.
As plantas chamadas de puras possuem um par de alelos idênticos. Vamos chamar
os alelos determinantes da cor amarela de A, e os da cor verde, de a. Assim, plantas
com sementes amarelas puras possuíam um par de alelos AA para essa característica, e
aquelas com sementes verdes, um par aa. Como o par de alelos é idêntico, dizemos que
essas plantas são homozigotas.
Quando essas plantas produzem seus gametas (óvulos e pólen), os alelos se separam,
e cada gameta receberá uma cópia para cada característica. Porém, como são iguais, todos
os gametas de plantas AA terão o alelo A e todos os gametas de plantas aa terão o alelo a.
Quando Mendel levou pólen de uma planta para a outra, juntou células reprodutivas
contendo o alelo A com outras células reprodutivas contendo o alelo a, gerando plantas
Aa. Como o alelo para a cor amarela é dominante, as sementes tinham o aspecto amarelo.

1
Estames
Geração Carpelo
(masculino)
parental (feminino)

Sementes Sementes
verdes 3 amarelas

Primeira geração 1. Retirou os estames da planta


filial (F1) de sementes verdes.
2. Transferiu pólen da planta
com sementes amarelas para
Sementes amarelas
o carpelo da planta com
sementes verdes.
3. No carpelo fecundado foram
produzidas sementes amarelas.

34
8 Ensino Fundamental
Metade dos gametas das plantas Aa da geração F1 apresentava o alelo A, enquanto a
outra metade apresentava o alelo a. Quando essas plantas foram cruzadas, os gametas
se encontraram ao acaso, formando as seguintes combinações:

Geração F1 Aa 3 Aa

Alelos para cor de


semente contidos A a A a
nos gametas

Geração F2 AA Aa aA aa

Observe que a proporção fenotípica foi de 3 : 1, ou seja, três indivíduos com a carac-
terística dominante (semente amarela) para um indivíduo com a característica recessiva
(semente verde).

De olho... nos cromossomos


No 8o ano, você estudou que temos 23 pares de cromossomos, localizados no núcleo das nossas células.
Desses, 22 pares são parecidos nos dois sexos e são chamados autossômicos. O 23o par é chamado de par
sexual, e determina o sexo do indivíduo (par XX, fêmea; par XY, macho).
Na formação dos gametas, os pares de cromossomos se separam, indo um representante de cada par para um
dos gametas formado. Nas mulheres, no óvulo, além de 22 cromossomos autossômicos, haverá um cromossomo
X. Nos homens, metade dos espermatozoides terá 22 cromossomos autossômicos e um cromossomo X e a outra
metade, 22 cromossomos autossômicos e um cromossomo Y.

ATIVIDADE 3

O quadro a seguir, chamado de quadro de Punnett, mostra os encontros possíveis entre gametas. A análise é feita apenas
para os genes estudados, pois existem milhares de outros genes para as demais características do ser vivo. No caso da
ervilha, o gene estudado é o responsável pela cor da semente e apresenta duas variações (chamados de alelos): A e a.
Preencha os possíveis encontros entre os gametas, os genótipos e fenótipos resultantes e a proporção entre fenótipos.

Gametas

A a

A
Gametas

Biologia

Amarelo : Verde

35
8
ATIVIDADE 4

1 A partir de seus novos conhecimentos, determine qual seria a proporção dos fenótipos resultantes do cruzamento entre
plantas heterozigotas (Aa) de sementes amarelas e plantas de sementes verdes (aa).

Aa 3 aa

Gametas Gametas

Amarelo : Verde

2 O heredograma abaixo representa o cruzamento entre animais da mesma espécie, que apresentam fenótipos de pelo
curto e pelo longo. O pelo curto é uma característica recessiva. Os quadrados representam os machos e os círculos
representam as fêmeas.
O heredograma representa a herança genética de determinada característica nos indivíduos de uma família.

I.
1 2

II.
1 2 3 4 5 6

III.
1 2 3 4 5

Pelo curto

Pelo longo

Determine o genótipo de cada um dos indivíduos representados para a característica pelo curto/longo (AA, Aa ou aa).

36
8 Ensino Fundamental
A GENÉTICA MODERNA
O trabalho de Mendel não causou grande repercussão quando foi publicado. Cerca
de 40 anos depois, no início do século XX, seus trabalhos foram redescobertos e se
tornaram a base da recém-nascida Genética.
Contudo, com a elucidação da estrutura e do funcionamento da molécula de DNA,
a Genética como conhecemos atualmente está cada vez mais distante dos trabalhos de Consultas regulares ao
Mendel. Hoje, a Genética está bastante relacionada com a Biologia Molecular, uma área médico para checar
do conhecimento que estuda o comportamento das moléculas de importância biológica, a pressão arterial
(varia com a idade,
especialmente a molécula de DNA. mas pelo menos a
A pergunta que serve de título a este Módulo é sobre as características que herdamos cada dois anos até os
de nossos pais, como a tendência a desenvolver hipertensão. Trata-se de uma doença 30 anos e uma vez
silenciosa (a maioria dos pacientes só descobre que desenvolveu a doença quando os ao ano, depois dessa
idade) é uma atitude
principais sintomas aparecem, principalmente dores de cabeça e formigamento nas ex- muito importante
tremidades), que atinge cerca de 25% da população brasileira. para se diagnosticar
A hipertensão é uma doença genética, mas e prevenir a hipertensão.
seu padrão de herança não segue apenas o

KURHAN/SHUTTERSTOCK
que aprendemos com Mendel. Além dos fato-
res hereditários – que envolvem vários genes,
ou seja, o genótipo – existem fatores ambien-
tais que também contribuem para o desenvol-
vimento da doença (neste caso, o fenótipo),
tais como a obesidade, o sedentarismo, a ida-
de e o estresse. Essa doença é fator de risco
para enfartes, acidentes vasculares cerebrais e
insuficiência renal, mas essas consequências
podem ser evitadas, desde que os pacientes
conheçam sua condição e mantenham-se em
tratamento adequado.

DESAFIO

(UFRJ) Os heredogramas A, B e C a seguir representam três famílias diferentes. Os círculos representam mulheres e os
quadrados, homens. Quadrados ou círculos escuros representam indivíduos afetados por uma característica comum
na população.
A B C

Identifique os heredogramas que são compatíveis com uma herança autossômica recessiva. Justifique sua resposta para
cada família.
Biologia

37
8
EM CASA

1 Releia os itens O monge (p. 29) e As ervilhas e o boxe Você sabia? (p. 30) e responda:
a) Por que a hipótese do filósofo Hipócrates foi aceitável por tanto tempo?
b) Quais críticas você faria à hipótese da pangênese?

2 A partir dos resultados dos experimentos de Mendel apresentados no quadro abaixo, determine quais são as
características dominantes, quais são as recessivas e as proporções (razão) entre os fenótipos encontrados em F2.

Cruzamento entre a geração


Caráter Geração F2 Proporção em F2
parental

Lisa 3 Rugosa
1. Forma da
5 474 lisas : 1 850 rugosas ********************
semente

Amarela 3 Verde
2. Cor da
6 022 amarelas : 2 001 verdes ********************
semente

Púrpura 3 Branca
3. Cor da
705 púrpuras : 224 brancas ********************
flor

Lisa 3 Rugosa
4. Forma da
882 lisas : 299 rugosas ********************
vagem

Verde 3 Amarela
5. Cor da
428 verdes : 152 amarelas ********************
vagem

Axial 3 Terminal

6. Posição
651 axiais : 207 terminais ********************
da flor

Alto 3 Baixo

7. Altura
787 altos : 277 baixos ********************
do pé

3 O albinismo é uma doença genética recessiva que impede a fabricação do pigmento melanina, responsável
pela cor dos olhos, da pele e do cabelo. Uma pessoa albina tem o genótipo aa para essa característica. Qual é
a chance de um casal com o fenótipo normal, cujo genótipo é Aa, ter um filho albino?

38
8 Ensino Fundamental
RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 (FCMMG) O fato de Mendel ter optado pelo uso da ervilha Pisum sativum para o seu estudo genético se deve aos
aspectos favoráveis a seguir citados, exceto:
a) Ciclo de vida curto.
b) Facilidade de cultivo.
c) Estrutura da flor que favorece a fecundação cruzada.
d) Variedades facilmente identificáveis por serem distintas.
e) Alto índice de fertilidade nos cruzamentos de variedades diferentes.

2 Mendel, durante as suas pesquisas, elaborou algumas hipóteses sobre os resultados que encontrava. Entre estas,
estava a de que fatores se segregam quando ocorre a produção dos gametas. O que Mendel chamou de fatores,
hoje sabemos que se trata dos(as):
a) cromossomos.
b) alelos.
c) ribossomos.
d) espermatozoides.
e) fenótipos.

3 (PUC-SP) Sabe-se que, em determinada raça de gatos, a pelagem preta uniforme é condicionada por um gene
dominante B e a pelagem branca uniforme, pelo seu alelo recessivo b. Do cruzamento de um casal de gatos pretos,
ambos heterozigotos, espera-se que nasçam:
a) 100% de gatos pretos.
b) 100% de gatos brancos.
c) 25% de gatos pretos, 50% de malhados e 25% de brancos.
d) 75% de gatos pretos e 25% de gatos brancos.
e) 100% de gatos malhados.

Anotações

Biologia

39
8
4 AS VACINAS E O SISTEMA IMUNE

Entre 2017 e 2018, o Brasil enfrentou uma epidemia de febre amarela, doença severa
provocada por um vírus e transmitida por mosquitos. Estabeleceu-se, então, uma campa-
nha de vacinação em massa contra essa doença, amplamente divulgada, mas com uma
adesão abaixo da esperada pelas autoridades sanitárias.
Por que as vacinas são tão importantes? Por que algumas pessoas não podem tomar
a vacina sem uma avaliação médica prévia? As pessoas desconfiam das vacinas? Neste
Módulo, vamos discutir o funcionamento do sistema imune e a importância da vacinação
como um instrumento de saúde pública.

REPRODU‚ÌO/SECRETARIA DA SAòDE DE ILHA BELA, SP

Cartaz da campanha de
vacinação contra a febre
amarela, da prefeitura
de Ilhabela, SP.

40
8 Ensino Fundamental
RELEMBRANDO A COMPOSIÇÃO DO SANGUE
No 8o ano, você estudou o sangue como exemplo de tecido conjuntivo e sua com-
posição (Módulo 9, Caderno 2). Neste item retomaremos o tema.
O sangue é um tecido conjuntivo de cor avermelhada, que é transportado pelo
sistema vascular sanguíneo. É formado por uma parte líquida, o plasma, que contém
as partes sólidas (elementos celulares ou figurados) em suspensão, como as hemácias,
os leucócitos e as plaquetas.
As células sanguíneas são produzidas na medula vermelha dos ossos – parte interna e
central – como costela, pélvis, fêmur e coluna vertebral, que é considerada um tecido hemo-
citopoiético. Quando nascemos, quase todos os ossos do nosso corpo produzem esses ele-
mentos, porém, à medida que crescemos, apenas algumas regiões continuam com essa tarefa.

O plasma
O plasma é uma solução aquosa formada por aproximadamente 91% de água, 7% de
proteínas e 2% de sais inorgânicos, açúcares, aminoácidos, vitaminas, gases, hormônios
e substâncias a serem eliminadas. O transporte de quase todas essas substâncias é feito
por meio da sua dissolução na água.

Os elementos celulares
Existem três tipos de elementos no sangue: as hemácias (também conhecidas como
glóbulos vermelhos ou eritrócitos), os leucócitos (ou glóbulos brancos) e as plaquetas.
Esses três elementos são conhecidos como elementos celulares, porém, como as plaquetas
são fragmentos de células, alguns autores se referem a esse conjunto de elementos do
sangue como elementos figurados.
SPL/FOTOARENA

Plaqueta

Leucócito
Hemácia

Fotomicrografia
eletrônica de
varredura, mostrando
os elementos celulares
do sangue. (Ampliação
de aproximadamente
2 580 vezes.)
Biologia

As principais funções dos elementos celulares são:


• Hemácias: também chamadas de eritrócitos (do grego: eritro, “vermelho”; cito,
“célula”) ou glóbulos vermelhos, são células anucleadas, que contêm grande
quantidade da proteína hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio
pelo corpo e pela coloração vermelha do sangue.

41
8
• Plaquetas: também chamadas de trombócitos, são fragmentos de células formadas
na medula óssea vermelha e responsáveis pela coagulação do sangue.
• Leucócitos: também chamados de glóbulos brancos, têm a função de reconhecer
agentes infecciosos e defender o organismo da sua ação. Na imagem a seguir, você
encontra uma fotomicrografia com alguns de seus tipos.

SPL/FOTOARENA
Neutrófilo

Monócito

Granulócito
eosinófilo

Basófilo
Alguns tipos de leucócitos
vistos em microscopia Linfócito
óptica, com o uso de
corantes. (Ampliação de
aproximadamente 477 vezes.)

Os leucócitos serão o foco do estudo neste Módulo.

ATIVIDADE 1

1 A tabela abaixo mostra o exame de sangue de 3 pacientes.

Componente do Valores normais


Paciente 1 Paciente 2 Paciente 3
sangue (por mm3 de sangue)
Hemácias 4,6 milhões a 6,2 milhões 5,0 milhões 5,3 milhões 3,5 milhões
Leucócitos 3 600 a 10 000 14 500 4 000 6 700
Plaquetas 150 000 a 400 000 90 000 210 000 204 000

a) Que paciente poderia estar com uma infecção? Justifique.

b) Que paciente poderia ter problemas de coagulação? Justifique.

c) Que paciente poderia apresentar fadiga? Justifique.

42
8 Ensino Fundamental
2 Após passar por certos órgãos, o plasma sofre pequenas alterações em sua composição. Qual dos órgãos abaixo causará
menos alterações no plasma? Justifique sua escolha.
a) Pulmão.
b) Coração.
c) Intestino delgado.
d) Rins.

NOSSA PROTEÇÃO
Estamos constantemente sujeitos à entrada de microrganismos, de partículas de po-
luição ou de substâncias nocivas no nosso corpo. Medidas de higiene como lavar as
mãos (conforme você estudou no Módulo 1) e tomar banho, ou ainda, conservar bem
os alimentos, são atitudes que diminuem o risco dessas contaminações.
Nosso organismo possui diferentes mecanismos de proteção contra esses agentes
infecciosos. O conjunto de células (leucócitos), os órgãos envolvidos na sua produção,
maturação e multiplicação, são chamados de sistema imune (ou imunitário).

De olho... no funcionamento do sistema imune


Não é incomum, em uma situação de estresse, a pessoa ficar doente. Isso porque
se tende a repousar pouco e possivelmente se alimentar mal, fatores fundamentais
para o bom funcionamento do sistema imune. A idade e algumas características
genéticas são outros fatores que interferem nesse funcionamento.
Alergias e doenças de fundo alérgico também estão relacionadas ao sistema
imune. Neste caso, deve-se evitar o contato com a substância que desencadeia a
reação alérgica, chamada de alérgeno. Essas substâncias variam, mas existem pessoas
que são alérgicas a camarão, outras a pólen de plantas, aos corantes vermelhos de
alguns alimentos, como gelatinas e iogurtes, e até mesmo a certos metais de brincos
(geralmente o níquel).
O processo de rejeição nas transfusões de sangue e doações de órgãos também
é resultado da resposta do sistema imune. Nestes casos, o organismo não reconhece
algumas substâncias da transfusão e o sistema imune as ataca como se fosse um
invasor, desencadeando reações graves. Por isso, as transfusões de sangue seguem
uma certa lógica (que será estudada no próximo Módulo) e, no caso dos transplantes,
a solução é utilizar medicamentos que deprimem o funcionamento do sistema imune
para aumentar a chance de o órgão transplantado ser aceito.
Biologia

Em certas situações, algumas pessoas desenvolvem doenças chamadas de autoimu-


nes. As causas ainda são pouco conhecidas, mas nessas afecções, o sistema imune
ataca certas células do próprio corpo, como se essas fossem substâncias estranhas. A
diabete do tipo 1 e a esclerose múltipla são exemplos de doenças autoimunes.

43
8
Qualquer molécula que os leucócitos não reconheçam como parte do organismo
é tratada como invasora. Essas moléculas, que podem pertencer a um microrganismo,
a uma substância ingerida ou inalada, recebem o nome de antígenos (do grego: anti,
“em oposição” e genos, “que produz, que gera”). A presença de antígenos gera uma
resposta imune.
Microrganismo invasor
Pele

Fagócito

Os vários tipos de leucócitos atacam e


devoram os microrganismos invasores,
mas não conseguem destruir todos Vaso sanguíneo
eles. Essa ação é considerada uma
resposta imune inata. (Elementos fora
de proporção entre si. Cores fantasia.)

A resposta imune pode ser dividida em dois tipos: inata (ou natural), inespecífica, e
adaptativa (ou adquirida), específica. Enquanto a primeira existe desde o nosso nascimen-
to e é a primeira resposta contra um antígeno, funcionando da mesma maneira contra
qualquer tipo de invasor, a segunda, como o próprio nome sugere, deve ser “aprendida”
pelo corpo e é específica contra cada tipo de antígeno.

RESPOSTA IMUNE INATA


No 8o ano (Caderno 2, Módulo 9) você estudou uma figura como esta:

Lisozima: presente nas


lágrimas, enzima que
Pelos e muco:
destrói microrganismos.
remoção de
partículas.

Pele: barreira
física.
Muco e cílios: presentes
nos brônquios, retêm
microrganismos.

Glândulas sebáceas:
produzem substâncias
que dificultam o
crescimento de
microrganismos.

Exemplos de mecanismos Ácido: presente


inespecíficos de resistência do nosso no estômago, inibe
organismo. (Elementos fora de o crescimento de
proporção entre si. Cores fantasia.)
microrganismos.

44
8 Ensino Fundamental
A nossa epiderme, formada por uma camada mais externa de células com queratina
(proteína impermeável) justapostas, dificulta a entrada de agentes estranhos. Da mesma
forma, as células das mucosas que, apesar de pouca queratina, secretam muco, também
ajudam a nos proteger. Ambas formam a primeira linha de defesa, uma barreira física.
Existem também barreiras químicas, como as lágrimas dos olhos e a saliva, que contêm
lisozima, uma enzima capaz de destruir bactérias.
As glândulas sebáceas eliminam uma substância oleosa sobre a pele, o sebo, que
auxilia na redução da perda de água e contém substâncias antibacterianas.
Se algum organismo invasor romper essa primeira linha de defesa, existe uma segun-
da linha, que será ativada, formada por células chamadas fagócitos. Estas células são
glóbulos brancos capazes de sair dos vasos sanguíneos e chegar aos tecidos e englobar
os elementos invasores por meio da fagocitose.

De olho... na inflamação e na febre


A inflamação também é considerada uma resposta imune inespecífica, pois
combate a presença de microrganismos atraindo fagócitos, destroem toxinas e
materiais estranhos e impedem a expansão da área danificada.

Objeto perfurante

4. A temperatura aumenta
na região, o que inibe o Microrganismos
crescimento de bactérias. invasores

1. Quando acontece algum


tipo de lesão, o corpo inicia
um processo inflamatório,
liberando substâncias
químicas de alarme.

3. Os sinais
químicos atraem
as demais células
de defesa que
se movem do
sangue para a área
lesada e atacam os
2. Essas substâncias promovem
microrganismos
uma permeabilidade dos células de defesa
invasores.
vasos, provocando uma
maior saída de líquidos e a
inflamação no local.

Os sinais da inflamação são rubor (vermelhidão), dor, calor e edema (inchaço).


Biologia

Assim como a inflamação, a febre é considerada uma defesa inespecífica. A elevação


da temperatura do corpo intensifica a ação de substâncias de defesa, produzidas por
alguns leucócitos, inibe o crescimento de alguns microrganismos e acelera as reações
que ajudam nos reparos (até certo ponto).

45
8
Os primeiros leucócitos a atacar as partículas invasoras são os fagócitos (do grego:
fagos, “comer” e citos, “célula”), que têm a capacidade de se movimentar (de forma
semelhante às amebas), saindo do interior dos vasos sanguíneos e se infiltrando nos
tecidos lesionados, e envolver o invasor, “devorando-o”. Além disso, eles possuem um
outro papel muito importante: apresentam os antígenos presentes no organismo invasor
aos linfócitos, outro grupo de leucócitos, que fazem parte da resposta imune adaptativa.
Muitos leucócitos morrem tentando destruir as moléculas invasoras, formando o pus
que observamos em machucados infeccionados principalmente por bactérias.

SPL/FOTOARENA

PHOTOLIBRARY RM/GETTY IMAGES


A B

Os principais fagócitos são os neutrófilos (A) e os macrófagos (B).


(Ampliações de aproximadamente 900 e 560 vezes, respectivamente.)

RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA


Os linfócitos podem ser classificados em linfócitos T (responsáveis pela resposta
Resposta humoral: resposta celular) e linfócitos B (responsáveis pela resposta humoral). Quando os fagócitos
mediada por proteínas apresentam os antígenos dos organismos invasores a estas células, elas se tornam ativas.
conhecidas como anticorpos,
produzidas pelos linfócitos B. Os primeiros a agir são os T auxiliadores ou células CD4. Estes comandam as ações
de defesa, sinalizando aos outros tipos de linfócito o que está ocorrendo. Os linfócitos
T matadores ou células CD8 reconhecem e destroem células com defeitos (como as
cancerosas), infectadas ou estranhas ao organismo. Estes são linfócitos específicos, isto
é, só atacam o antígeno ao qual foram apresentados. Os linfócitos B, também avisa-
dos pelos linfócitos CD4, passam a produzir anticorpos, proteínas que atacam alvos
específicos. Os anticorpos, também chamados de imunoglobulinas, são lançados na
corrente sanguínea e aderem ao antígeno presente no invasor, facilitando o ataque
de fagócitos e linfócitos específicos. Veja abaixo um esquema do funcionamento do
sistema imune adaptativo.

Microrganismos Células de memória

Os fagócitos expõem
alguns antígenos dos Fagócito
organismos invasores, que
são reconhecidos pelos
linfócitos T auxiliadores.
Estes apresentam o Linfócito B
antígeno para os linfócitos
T matadores e para
os linfócitos B. Alguns
linfócitos B se multiplicam Avisa
e se transformam em Antígeno
células de memória. Linfócitos B
Linfócito T
Avisa matadores Anticorpos
Linfócito T auxiliador

46
8 Ensino Fundamental
Os anticorpos atuam de duas maneiras diferentes: neutralizando e sinalizando. No
primeiro caso, o anticorpo se liga ao antígeno do invasor e à toxina secretada por ele,
bloqueando seu acesso às células que poderiam infectar ou destruir, além de impedir
funções como a locomoção e a reprodução, no caso de vírus.
No segundo caso, os anticorpos se ligam aos antígenos e marcam o organismo invasor,
sinalizando-o para os fagócitos e acelerando o processo de combate à infecção. Esse me-
canismo é comum em infecções bacterianas, pois a membrana externa das bactérias não
é inicialmente reconhecida pelos fagócitos, necessitando da sinalização dos anticorpos.

MEMÓRIA IMUNOLÓGICA
O contato com o antígeno leva à ativação dos linfócitos T e B, que se diferenciam em
células de memória, especializadas em reconhecer esse antígeno durante anos e até mes-
mo pelo resto da vida. Assim, se o mesmo antígeno presente em um organismo invasor
for detectado novamente, as células de memória iniciam uma resposta mais rápida que
da primeira vez, de forma que o paciente pode nem chegar a apresentar sintomas ou os
apresentará de forma mais amena. Essas células são específicas, isto é, atacam apenas as
moléculas de antígeno que são conhecidas. Se o antígeno for diferente, a resposta imune
será reiniciada. Essa reação de ativação das células de memória é a razão pela qual só
pegamos algumas doenças uma vez na vida.
As células de memória costumam se deslocar pelo sistema linfático durante muito tempo.
Em alguns casos, durante toda a vida e, em outros, desaparecem depois de alguns anos.

Exame Resultado Valor de referência

Hemograma com contagem de plaquetas


(Material: sangue total) (Método: sistema automatizado Couller)

Série vermelha
Eritrócitos 5,23 10^6/mL de 4,50 até 5,90 10^6/mL

Hemoglobina 16,8 g/dL de 13,5 até 17,5 g/dL

Hematócrito 48,9 % de 41,0 até 53,0 %

Série branca /ÂmL %

Leucócitos totais 7.400 100 de 4.500 até 11.000 /mL

Neutrófilos 4.299 58,1 de 45,5 até 73,5 %

Eosinófilos 222 3,0 de 0,0 até 4,4 %

Basófilos 15 0,2 de 0,0 até 1,0 %

Linfócitos 2.205 29,8 de 20,3 até 47,0 %

Monócitos 659 8,9 de 2,0 até 10,0 %

Contagem de plaquetas 199.000 /mL de 140.000 até 500.000 /mL


Biologia

Em um hemograma (exame que avalia e indica a contagem dos elementos


do sangue), os resultados da série branca estão relacionados ao sistema
imune, portanto, o aumento na quantidade de leucócitos pode sugerir
algum tipo de infecção.

47
8
ATIVIDADE 2

Analise o gráfico abaixo, sobre o funcionamento do sistema imune, e faça o que se pede.
Resposta secundária
(antígeno A)
4
10

Concentração de anticorpos 3
10
(unidade arbitrária)

2
10

Resposta primária Anticorpos para A

10
1 (antígeno A)

0
10
0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (semanas)
Primeiro contato com
o antígeno A
Segundo contato com
o antígeno A

a) Por que a concentração de anticorpos é uma boa forma de inferir o funcionamento do sistema imune?

b) O que pode significar, no nosso cotidiano, o primeiro e o segundo contatos com o antígeno?

c) Compare as respostas primária e secundária quanto à concentração de anticorpos máxima e ao tempo transcorrido
até chegar a esta produção de anticorpos.

48
8 Ensino Fundamental
d) Relacione as respostas primária e secundária com o fato de algumas doenças desencadearem sintomas apenas uma vez.

VACINAS
O conhecimento sobre o sistema imune e, principalmente, sobre a existência
de células de memória e a ação dos anticorpos, nos permitiu o desenvolvimento de
vacinas e soros.
O soro e a vacina têm a função comum de proteger o nosso organismo contra
agentes causadores de doenças. Ambos atuam como imunizadores, no entanto, pos-
suem diferenças quanto a produção e formas de utilização. Os dois produtos são con-
siderados imunobiológicos, pois são produzidos a partir de organismos vivos e atuam
estimulando e modificando a resposta biológica natural do organismo. Inicialmente
vamos estudar as vacinas.
As vacinas são produtos fabricados a partir de microrganismos patogênicos (causadores
de doenças, como os vírus e as bactérias), atenuados ou mortos, ou fragmentos destes.
Sua função é proteger o organismo de determinadas infecções através do estímulo da
resposta do sistema imune.
Os microrganismos presentes na vacina não são capazes de provocar doenças,
porém são capazes de estimular a produção de anticorpos específicos e desenvolver
a chamada “memória imunitária”, através da replicação das células de memória. Essa
memória se manifestará quando o organismo entrar em contato novamente com o an-
tígeno para o qual foi imunizado, permitindo às células do sistema imune reconhecer
o agente infeccioso e gerar, assim, a produção de anticorpos de maneira mais rápida
e eficaz. O reconhecimento rápido do antígeno aumenta as chances de eliminação do
patógeno, mesmo antes de o organismo apresentar sintomas.
Existem vários tipos de vacinas, todas contendo os antígenos necessários para desen-
cadear a resposta primária. A maioria das vacinas protege de 90% a 100% das pessoas que
as tomam e todas aquelas liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
são totalmente seguras. Devido à eficiência das vacinas, doenças como o sarampo (viral)
e a coqueluche (bacteriana) estão controladas entre a população, não apresentando ris-
cos de novos surtos. Já a varíola, doença provocada por vírus e responsável por muitas
mortes ao longo da história da humanidade, é considerada erradicada em todo o mundo.
No Brasil, vale o destaque para a paralisia infantil (poliomielite), doença viral erradicada
no território nacional desde 1990.
Algumas vacinas são produzidas a partir de microrganismos atenuados pela ação
de calor ou de algumas substâncias químicas. Como estão vivos, conseguem se mul-
tiplicar no interior do nosso organismo, aumentando a eficiência da resposta imune
primária. Esse tipo de vacina pode causar reações semelhantes à doença, mas um
organismo saudável reage de forma adequada, e os sintomas são brandos. Pessoas
Biologia

imunocomprometidas, como portadores do vírus HIV, em tratamento de câncer, ges-


tantes e idosos, só podem tomar esse tipo de vacina se forem orientadas pelos seus
médicos. São exemplos de vacinas que utilizam microrganismos atenuados: a vacina
contra febre amarela, poliomielite (Sabin), rubéola, sarampo, caxumba, catapora
e tuberculose.

49
8
As vacinas de microrganismos inativados utilizam microrganismos mortos, mas que
possuem o antígeno capaz de produzir a resposta primária. Neste caso, dificilmente ocor-
rem reações e sintomas, pois não há multiplicação dos microrganismos, o que permite
sua utilização por imunodeprimidos. São exemplos as vacinas contra hepatite A, raiva,
cólera, gripe, pólio (Salk), febre tifoide, coqueluche e tétano.
Existem também vacinas que contêm apenas fragmentos dos patógenos, mas que
apresentam os antígenos capazes de produzir a resposta primária, conhecidas como
vacinas de subunidades. É o caso de vacinas contra hepatite B, pneumonia causada por
Streptococcus pneumoniae, HPV e meningite.
Existem ainda outros tipos de vacina, como as recombinantes, que ainda estão em testes.

De olho... na febre amarela


A febre amarela é uma infecção provocada por um vírus transmitido por mosquitos. Inicialmente, com febre
alta e mal-estar, o paciente apresenta dor de cabeça, cansaço e vômitos. Se não houver melhora, a segunda fase
da doença envolve a icterícia, que causa o amarelamento da pele e dos olhos pelo acúmulo de substâncias que
seriam eliminadas pelo fígado. Pode evoluir para o óbito.
Não há tratamento específico para a febre amarela, apenas o cuidado com os sintomas. Além do combate aos
mosquitos vetores – dos gêneros Haemagogus e Sabethes nas matas e Aedes aegypti nos centros urbanos – existe
uma vacina eficiente, de vírus atenuado.
A vacina contra a febre amarela pode ser tomada em dose única, desenvolvendo uma imunização permanente,
ou em dose fracionada – 1/5 da dose única – desenvolvendo imunização por pelo menos 8 anos. Esta última
está sendo utilizada no Brasil, exceto para quem for viajar para países que exigem a vacina permanente.
Segundo o Ministério da Saúde, pouco mais de 23% da população de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia haviam
sido vacinadas na ação emergencial. Afinal, por que a vacinação da febre amarela não teve a adesão desejada? São
apontadas duas explicações possíveis: o medo de reações à vacina e a falta de confiança na vacina fracionada,
mesmo entre os profissionais da saúde. O primeiro caso não se justifica, pois as complicações causadas pela vacina
são raras – um caso para cada 500 mil vacinações. No segundo caso, existem trabalhos publicados em revistas
científicas (lembre-se do Módulo 1) de alto impacto, mostrando a eficiência da dose fracionada.
E você, acredita na Ciência? Já se vacinou?

SOROS
Diferentemente da vacina, o soro é produzido no organismo de outros seres vivos
(como cavalos e cabras) a partir da inserção de doses não letais de determinado antíge-
no. Como resposta imune, serão produzidos anticorpos. Na sequência, retira-se parte do
sangue do animal utilizado e separa-se – em processos realizados em laboratório – os
elementos celulares do plasma em que se encontram os anticorpos que serão utilizados.

Anticorpos Células
produzidos sanguíneas
pelo cavalo
Etapas da
produção
Anticorpos
de soro
contra o
a partir da
veneno
inserção
de antígenos Veneno Sangue
em cavalo. de cobra de cavalo

Parte líquida do
sangue (soro)

50
8 Ensino Fundamental
O soro é utilizado comumente para combater e tratar rapidamente intoxicações que
acometem o organismo, quando este não tem tempo suficiente para produzir seus pró-
prios anticorpos. Isso ocorre em casos em que houver contato com o veneno de animais
(aranhas, cobras, escorpiões) e toxinas (raiva, causada por vírus; tétano, causado por
bactéria; toxina botulínica, produzida por bactéria), pois os anticorpos do soro inativam
as substâncias tóxicas de maneira ágil, evitando danos ao organismo.
É importante destacar que, ao contrário das vacinas, o soro não possui função pre-
ventiva, ou seja, não imuniza quem o recebe. Este é utilizado apenas como tratamento
após a exposição a determinados agentes infecciosos.

ATIVIDADE 3

1 Uma criança sofreu um ferimento na perna enquanto brincava na terra, ambiente no qual a bactéria causadora do tétano
produz esporos que podem penetrar no corpo através de lesões na pele. Na corrente sanguínea, o microrganismo atuará
liberando toxinas que atuam sobre os nervos motores, provocando fortes contrações musculares e ocasionando a morte
por parada respiratória e cardíaca, se a pessoa não for tratada a tempo.
a) Qual é o procedimento mais seguro a ser adotado para evitar o aparecimento dos sintomas do tétano pela criança,
considerando a urgência da situação, soro ou vacina? Justifique sua resposta.

b) Observe os gráficos A e B, abaixo. Escolha e explique qual deles corresponde ao que ocorre no organismo do paciente,
segundo a sua resposta ao item anterior.
A B

Nível de Nível de
anticorpos anticorpos

Tempo Tempo

2 O uso de soro protege as pessoas de futuras infecções do mesmo microrganismo? Justifique sua resposta.
Biologia

51
8
De olho... no sistema linfático
O sistema linfático também foi estudado no 8o ano. Esse sistema é composto de linfa, vasos linfáticos e vários
órgãos que contêm tecido linfático (um tipo de tecido conjuntivo), incluindo a medula vermelha dos ossos
(produtora dos linfócitos). A localização desses órgãos pode ser vista na figura a seguir.

Tonsila
Linfonodos

Timo

Baço
Vasos
linfáticos

Medula óssea

Esquema do sistema linfático


humano com destaque aos
órgãos que fazem parte desse
sistema (tonsilas, linfonodos,
timo, baço e medula óssea).

Ao longo dos vasos linfáticos, encontram-se os linfonodos, ou nódulos linfáticos, estruturas que armazenam
os linfócitos.
As principais funções do sistema linfático são:
• Drenar o excesso de líquido entre as células (líquido intersticial);
• Transporte de lipídios absorvidos no sistema digestório;
• Produção e liberação de células do sistema imune na corrente sanguínea, auxiliando nas respostas contra
patógenos.
Por causa dessa terceira função, o sistema linfático também é considerado participante da resposta imune
adquirida (de certa forma, da inata também).

52
8 Ensino Fundamental
EM CASA

1 Crie uma história em quadrinhos mostrando como funciona nosso sistema imune. Capriche nos detalhes,
pesquise sobre as características de cada célula para compor “suas personagens”.

2 A ilustração a seguir representa a presença de um antígeno em nosso corpo e a ação do nosso sistema imune.
A grossura de cada figura representa a quantidade de cada um desses participantes ao longo da resposta imune.
Explique a relação entre o aumento e a diminuição de cada variável.

Antígeno

Imunidade inata

Imunidade adaptativa

Minutos Horas Dias Semanas


Tempo

3 Por que não é recomendado que pacientes imunocomprometidos e pessoas com mais de 60 anos tomem a
vacina contra a febre amarela?

RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 (Enem) Os sintomas mais sérios da gripe A, causada pelo vírus H1N1, foram apresentados por pessoas idosas e
por gestantes. O motivo aparente é a baixa imunidade desses grupos contra o vírus. Para aumentar a imunidade
populacional relativa ao vírus da gripe A, o governo brasileiro distribuiu vacinas para os grupos mais suscetíveis.
A vacina contra o H1N1, assim como qualquer outra vacina contra agentes causadores de doenças infectoconta-
giosas, aumenta a imunidade das pessoas porque:
a) possui anticorpos contra o agente causador da doença.
b) possui proteínas que eliminam o agente causador da doença.
c) estimula a produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea.
d) possui linfócitos B e T que neutralizam o agente causador da doença.
e) estimula a produção de anticorpos contra o agente causador da doença.

2 (Fuvest-SP) Qual das seguintes situações pode levar o organismo de uma criança a tornar-se imune a um determi-
nado agente patogênico, por muitos anos, até mesmo pelo resto de sua vida?
a) Passagem de anticorpos contra o agente, da mãe para o feto, durante a gestação.
Biologia

b) Passagem de anticorpos contra o agente, da mãe para a criança, durante a amamentação.


c) Inoculação, no organismo da criança, de moléculas orgânicas constituintes do agente.
d) Inoculação, no organismo da criança, de anticorpos específicos contra o agente.
e) Inoculação, no organismo da criança, de soro sanguíneo obtido de um animal imunizado contra o agente.

53
8
3 (Fuvest-SP) Um camundongo recebeu uma injeção de proteína A e, quatro semanas depois, outra injeção de igual
dose da proteína A, juntamente com uma dose da proteína B. No gráfico abaixo, as curvas X, Y e Z mostram as
concentrações de anticorpos contra essas proteínas, medidas no plasma sanguíneo, durante oito semanas.

4
10 Z

3
10

Concentração de anticorpos
(unidade arbitrária)
2
10

X Y
1
10

0
10
0 1 2 3 4 5 6 7 8
Tempo (semanas)

Injeção Injeção
de proteína A de proteínas A e B

W. K. Purres, D. Sadava, G.H. Orians, H. C. Heller. Life. The Science of Biology.


Sinauer Associates, Inc. W. H. Freeman & Comp., 6a ed., 2001. Adaptado.

As curvas
a) X e Z representam as concentrações de anticorpos contra a proteína A, produzidos pelos linfócitos, respectiva-
mente, nas respostas imunológicas primária e secundária.
b) X e Y representam as concentrações de anticorpos contra a proteína A, produzidos pelos linfócitos, respectiva-
mente, nas respostas imunológicas primária e secundária.
c) X e Z representam as concentrações de anticorpos contra a proteína A, produzidos pelos macrófagos, respecti-
vamente, nas respostas imunológicas primária e secundária.
d) Y e Z representam as concentrações de anticorpos contra a proteína B, produzidos pelos linfócitos, respectiva-
mente, nas respostas imunológicas primária e secundária.
e) Y e Z representam as concentrações de anticorpos contra a proteína B, produzidos pelos macrófagos, respecti-
vamente, nas respostas imunológicas primária e secundária.

Anotações

54
8 Ensino Fundamental
5 GENÉTICA DO SISTEMA ABO

Em julho de 2017, foi amplamente noticiado que a doação de 350 mL de sangue de


um jovem cearense salvou a vida de uma menina colombiana de 1 ano e 2 meses, que
precisou de uma transfusão por estar com sangramentos no sistema digestório.
A perda de grandes volumes de sangue pode causar a debilidade e até a morte do
paciente. Afinal, como foi visto no 8o ano, o sangue transporta o gás oxigênio e os nu-
trientes pelo corpo dos seres humanos.
Num primeiro instante, a notícia parece estranha. Não há doadores de sangue na
Colômbia? Do que depende uma transfusão de sangue? Quais tipos sanguíneos existem?
Em que casos as transfusões são necessárias?
Neste Módulo, vamos estudar os componentes genéticos do sangue e os problemas
relacionados ao caso da transfusão de sangue entre um jovem brasileiro e uma garota
na Colômbia.

PRESSMASTER/SHUTTERSTOCK

Biologia

O hábito da doação de sangue pode salvar muitas vidas.

55
8
O SANGUE E A PRIMEIRA LEI DE MENDEL

ALAMY/FOTOARENA
As primeiras tentativas de transfusão de sangue datam do século XVII, aplicando
sangue de animais em humanos. A primeira transfusão usando sangue humano ocorreu
na Inglaterra, em 1818, executada pelo médico inglês James Blundell (1790-1878).
Essas tentativas quase sempre davam errado, com os pacientes apresentando um qua-
dro de coagulação do sangue e muitas vezes morrendo. A solução dessa questão veio
em 1902, quando o médico austríaco Karl Landsteiner (1868-1943) identificou a causa
da incompatibilidade entre o sangue das pessoas.
Landsteiner misturou amostras do plasma do sangue de algumas pessoas com o san-
gue de outras, observando a coagulação em alguns casos. Concluiu então que existem
algumas substâncias no plasma, que chamou de aglutininas, capazes de provocar a
aglutinação das hemácias, pois estas possuem aglutinogênios em suas membranas.
As pesquisas de Landsteiner levaram à identificação do sistema sanguíneo ABO, com-
posto de quatro fenótipos: A, B, AB e O. Esses fenótipos são resultado da expressão de
três alelos de um mesmo gene. O alelo IA é responsável pela produção do antígeno A,
o IB é responsável pela produção do antígeno B e o alelo i não determina a produção
de nenhum antígeno.

Tipagem de sangue. Observe a aglutinação do sangue na primeira gota.

De olho... na aglutinina e no aglutinogênio


As substâncias presentes no plasma sanguíneo, chamadas por Landsteiner de aglutininas, são anticorpos;
enquanto os aglutinogênios presentes na membrana das hemácias hoje sabemos tratar-se de antígenos. Desta
forma, quando um paciente recebe sangue de outra pessoa, os anticorpos presentes em seu plasma reagem
contra o antígeno presente nas hemácias do sangue do doador, o que pode provocar a aglutinação do sangue
recebido.
Uma pessoa cujo sangue é A (aglutinogênio A), apresenta anticorpos (aglutininas) anti-B. Uma pessoa cujo
sangue contém o antígeno B (aglutinogênio B), terá anticorpos anti-A. Uma pessoa do tipo sanguíneo O não
possui antígenos e possui os dois tipos de anticorpos, anti-A e anti-B.
Em transfusões incompatíveis, o sangue aglutinado, circulando pelo corpo de um paciente, entope vasos
sanguíneos importantes, provocando a morte dos tecidos. Isso explica os resultados das primeiras tentativas de
transfusão, em que ocorria a morte dos pacientes.
Tipo sanguíneo A B AB O

Aglutinogênio A Aglutinogênio B Aglutinogênio A e B Sem aglutinogênios

Hemácias

Plasma

Aglutinina anti-B Aglutinina anti-A Sem aglutininas Aglutininas anti-B e anti-A

Aglutinogênio e aglutinina existentes em cada grupo sanguíneo. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

56
8 Ensino Fundamental
O esquema a seguir ajuda a rever os conceitos de homozigoto e heterozigoto e Homozigoto: caracteriza
os indivíduos que possuem
entender melhor o que são os alelos e onde eles se localizam. pares de alelos idênticos
para um mesmo gene.
Heterozigoto: caracteriza
SPL/FOTOARENA

os indivíduos que possuem


pares de alelos distintos
Gene: unidade hereditária para um mesmo gene.
Alelos: são segmentos
de DNA responsáveis
Locus: local por determinar as
Alelos: ocupam características biológicas
definido
o mesmo locus dos seres.
ocupado
em cromossomos
pelo gene no
homólogos
cromossomo

IA IA IA i i i

Tipo sanguíneo Homozigoto Heterozigoto Homozigoto


A A recessivo O

Cariótipo humano masculino (XY). Em destaque, esquemas de cromossomos identificando lócus


gênico e os alelos do gene envolvidos na formação dos tipos sanguíneos A e O do sistema ABO.
(Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

Os alelos IA e IB são codominantes.


codominantes Quando os dois estão presentes nas células de Codominante: ocorre
um indivíduo, este será do tipo AB e não possuirá nenhum tipo de anticorpo, anti-A ou quando dois alelos de um
indivíduo heterozigoto
anti-B. Ambos são dominantes sobre o alelo i, isto é, este só se manifestará quando esti- se expressam de forma
ver em homozigose. Portanto, indivíduos com o genótipo ii serão do tipo sanguíneo O. integral.

ATIVIDADE 1

Organize no quadro a seguir as informações lidas até aqui. Note que nem todas as informações estão explícitas. Você pre-
cisará deduzir os genótipos para os tipos sanguíneos B e AB. Não se esqueça de que nossas características são expressas
por meio da informação contida nos pares de alelos.

Tipo sanguíneo Antígenos presentes nas Anticorpos presentes no plasma


Genótipos possíveis
(fenótipo) hemácias (aglutinogênios) sanguíneo (aglutininas) Biologia

57
8
A IDENTIFICAÇÃO DOS TIPOS SANGUÍNEOS
A identificação do tipo sanguíneo, chamada tipagem sangu’nea, é bastante simples:
basta pingar duas gotas do sangue do paciente sobre uma lâmina de vidro. Sobre a pri-
meira gota, pinga-se uma solução contendo anticorpos anti-A e sobre a segunda gota,
anticorpos anti-B. Se houver a aglutinação do sangue em alguma das gotas, significa que
os anticorpos reagiram contra o antígeno que existe nas hemácias.
Assim, se o sangue reage com os anticorpos anti-A, mas não reage com os anti-B,
significa que ele é do tipo A, ou seja, tem apenas o antígeno A. O mesmo raciocínio vale
para o anti-B. Mas e se o sangue reagir com os dois tipos de anticorpo? Ou se nenhum
Representação deles reagir? Pense nisso e faça a atividade proposta a seguir.
esquemática dos
procedimentos e Anticorpos anti-A
interpretação de
resultados de tipagem
Anticorpos anti-B
sanguínea para o sistema
ABO. (Elementos fora de
proporção entre si. Cores
fantasia.)
Em destaque,
fotomicrografia de
uma gota de sangue
aglutinada. (Ampliação
desconhecida.)
BSIP/EASYPIX BRASIL

Aglutinação com anti-A


Sem aglutinação

ATIVIDADE 2

A partir dos resultados dos testes abaixo, identifique o tipo de sangue em cada uma das lâminas. O símbolo 1 indica a
aglutinação da amostra, enquanto 2 indica que não houve aglutinação.
Tipos de sangue

2 1 2 1
Anti-A

2 1 1 2
Anti-B

58
8 Ensino Fundamental
A TRANSFUSÃO DE SANGUE
Em uma transfusão sanguínea, é preciso levar em conta quais os anticorpos que
estão presentes no plasma do receptor e quais os antígenos presentes nas hemácias do
doador. Assim, um paciente que tem sangue do tipo A apresentará anticorpos anti-B em
seu plasma. Se esse paciente receber sangue do tipo B, ou seja, sangue de um doador
cujas hemácias têm o antígeno B, ocorrerá a aglutinação do sangue, podendo causar
sérios danos ao receptor, tais como o entupimento de vasos sanguíneos importantes do
coração e do cérebro, queda da pressão arterial, destruição de hemácias e diminuição
do transporte de gás oxigênio.
Receptores com sangue do tipo AB não apresentam anticorpos anti-A e anti-B em seu
plasma. Desta forma, podem receber sangue de qualquer tipo dentro do sistema ABO.
Essas pessoas são conhecidas como receptores universais.
Já pessoas que têm sangue do tipo O apresentam anticorpos anti-A e anti-B em seu
plasma, portanto só podem receber sangue do tipo O. Por outro lado, suas hemácias
não possuem antígenos, portanto não causam reações em pessoas com outro tipo de
sangue, sendo conhecidas como doadores universais.
O esquema a seguir mostra os tipos sanguíneos e as possibilidades de doação e re-
cepção de cada um.
Receptor universal

AB

A B

Doador universal

A transfusão do sangue total (plasma + elementos figurados) só é feita em casos de


pacientes que perderam muito sangue, quer seja num acidente, quer seja numa cirurgia.

ATIVIDADE 3

Em um banco de sangue, estão armazenados 91 litros de sangue, sendo 34 litros de sangue do tipo O, 27 litros de sangue
do tipo A, 20 litros de sangue do tipo B e 10 litros de sangue do tipo AB. Quantos litros estão disponíveis para transfusão em
pacientes com sangue do tipo B? Biologia

59
8
De olho... na doação de sangue
Segundo a Fundação Pró-Sangue (Hemocentro de São Paulo), em seu portal, para uma pessoa estar elegível
para doar sangue, as seguintes condições devem ser respeitadas:

• Requisitos básicos

YURI2010/SHUTTERSTOCK
- Estar em boas condições de saúde.
- Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação
tenha sido feita até 60 anos [...].
- Pesar no mínimo 50kg.
- Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas
nas últimas 24 horas).
- Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas
4 horas que antecedem a doação).
- Apresentar documento original com foto recente, que
permita a identificação do candidato, emitido por
órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Iden-
tidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e
Previdência Social). Doar sangue salva vidas, não faz
[...] mal ao doador, leva pouco tempo
e é só uma picada. Pense nisso!
• Respeitar os intervalos para doação
- Homens – 60 dias (máximo de 04 doações nos últimos 12 meses).
- Mulheres – 90 dias (máximo de 03 doações nos últimos 12 meses).
Existem várias restrições que também devem ser observadas, algumas temporárias, outras definitivas. Alguns
exemplos, retirados do mesmo portal citado acima:

• Impedimentos temporários
- Resfriado: aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas.
- Gravidez
- 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana.
- Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses).
- Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação.
- Tatuagem / maquiagem definitiva nos últimos 12 meses.
[...]

• Impedimentos definitivos
[...]
- Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C,
AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas.
- Uso de drogas ilícitas injetáveis.
- Malária.
Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo. Requisitos b‡sicos para doa•‹o de sangue. Disponível em: <http://www.prosangue.sp.gov.br/
artigos/requisitos_basicos_para_doacao.html>. Acesso em: 25 jun. 2018.

Além de ser utilizado como sangue total, o sangue doado pode ser separado em plaquetas, para ser utilizado
por pessoas com problemas de coagulação, ocasionados por falta dessas estruturas; em hemácias, para ser
utilizado por pessoas com anemia; e, ainda, pode ser utilizado apenas o plasma, por pessoas com problemas de
coagulação, por falta de algum dos fatores de coagulação, que ficam dissolvidos no plasma.

60
8 Ensino Fundamental
A GENÉTICA DO SISTEMA ABO
Para entender o funcionamento da genética do sistema ABO, você desenvolverá uma
pequena atividade oral juntamente com o professor e seus colegas, respondendo às duas
questões a seguir.

ATIVIDADE ORAL

Para desenvolver as atividades a seguir, utilize a tabela que você construiu na Atividade 1.

1 Que tipos de sangue podem ter os filhos de um casal cujo pai possui sangue do tipo O e a mãe sangue do tipo AB?

2 Que tipos de sangue podem ter os filhos de um casal cujo pai possui sangue do tipo A e a mãe sangue do tipo B,
ambos filhos de mães com o tipo sanguíneo O?

O estudo da Genética costuma ser feito com a construção de representações gráficas


chamadas heredogramas ou genealogias. Esse recurso é utilizado especialmente nos
estudos de herança de caracteres humanos, porque a quantidade de descendentes é
muito pequena e o tempo de cada geração é muito longo. Você viu alguns exemplos
de heredograma no Módulo 3.
Essa representação mostra o parentesco entre indivíduos e pode indicar certos padrões
de heranças de uma característica em uma família.

De olho... no heredograma
O heredograma utiliza uma simbologia própria para apresentar as informações. No esquema a seguir é
possível conhecer os principais símbolos utilizados.
Geração
Indivíduo do
Acasalamento I.
sexo masculino
Numeração dos
1 2 indivíduos em
heredogramas
Indivíduo do Acasalamento II.
sexo feminino consanguíneo
1 2 3

Gêmeos Indivíduo
Sexo indefinido
monozigóticos falecido
Alguns dos
símbolos
Família: casal com
utilizados nos
Gêmeos um filho e uma
Portador heredogramas.
dizigóticos filha em ordem
cronológica
Biologia

Localize o símbolo para portador. Ele é utilizado para indicar que o indivíduo possui alguma doença genética
ou característica que se deseja destacar. Porém, não é obrigatório que ele seja representado por um dos símbolos
preenchidos em preto; se o autor quiser, pode inverter essa representação. Por isso, é sempre importante olhar
a legenda antes de analisar um heredograma.

61
8
ATIVIDADE 4

Agora é sua vez. O casal Ana e Gabriel planeja ter uma criança. Ambos têm sangue do tipo A. O pai de Ana tem sangue do
tipo O. O pai de Gabriel tem sangue do tipo B e a mãe, tipo A. Gabriel tem um irmão com sangue do tipo O.
a) Desenhe o heredograma da família, indicando o genótipo de cada um dos indivíduos citados, quando possível. Não
se esqueça de compor a legenda explicativa.

b) Qual a probabilidade de que uma criança gerada pelo casal tenha sangue do tipo O?

OS CAMINHOS DO SISTEMA ABO


Os antígenos A e B são produzidos a partir de uma substância chamada antígeno H.
Quem tem o alelo IA transforma o antígeno H em antígeno A. O mesmo raciocínio vale
para quem tem o alelo IB. Quem tem os dois alelos (sangue AB), transforma parte do
antígeno H em antígeno A e parte em antígeno B. Nem todo o antígeno H é transforma-
do, podendo ser encontrado nas hemácias. Quem tem apenas alelos i (sangue O) não
transforma o antígeno H, por isso suas hemácias não têm antígenos.
Existe uma característica rara, na qual os indivíduos não formam o antígeno H. Sem
essa substância não é possível fabricar nem o antígeno A, nem o B, mesmo que essas
pessoas tenham os alelos correspondentes. Porém, elas ainda fabricam os anticorpos
que correspondem ao tipo sanguíneo. Sem antígenos, a tipagem do sangue terá como
resultado o tipo O, um falso O. Esse falso O é conhecido como fenótipo Bombaim, em
referência à cidade na Índia onde a doença foi descrita. Oficialmente, a cidade é conhe-
cida como Mumbai, mas o nome histórico da condição permanece.

Antígenos A e H → sangue tipo A


A
Alelos I I ou I i
A A

Antígeno H
Alelos IB IB ou IB i Antígenos B e H → sangue tipo B

Alelos I A
IB Antígenos A, B e H → sangue tipo AB
Alelo
s ii
Antígenos H → sangue tipo O

Sem Alelos IA IA, IA i, IB IB, IB i, IA IB, ii


Nenhum antígeno → sangue falso O
antígeno H
(fenótipo Bombaim)

62
8 Ensino Fundamental
Pessoas com fenótipo Bombaim só podem receber sangue de pessoas que tenham
a mesma condição. Se receberem sangue de qualquer outro tipo, ocorrerá aglutinação
das hemácias, pois apesar de não apresentarem antígenos, produzem os anticorpos cor-
respondentes ao alelo que expressam.
É o caso da criança colombiana, citada no começo desse Módulo. Como esse fenótipo
é raro, foi necessário procurar em outros países para descobrir um paciente com essa
condição que poderia doar sangue. É aí que entra o jovem cearense.
No Brasil, existem apenas 11 famílias que apresentam o fenótipo Bombaim entre
seus parentes.

De olho... em outros sistemas sangu’neos


Além do sistema ABO, existem outros sistemas sanguíneos, como o MN (em que
uma pessoa pode apresentar apenas o antígeno M ou N e outras podem apresentar
os dois) e o Rh. Vale a pena conhecer um pouco do sistema Rh, que também é
importante nas transfusões sanguíneas, juntamente com o sistema ABO.
Existem dois alelos para a produção do antígeno Rh, R e r, sendo o primeiro
dominante sobre o segundo. Uma pessoa RR ou Rr terá o antígeno e é chamada de
positiva (1), se os alelos forem rr, a pessoa é Rh negativa (2).

EM CASA

1 Se um indivíduo não tem anticorpos anti-A e anti-B no seu plasma, que antígenos são esperados em suas hemácias?
Qual será o seu tipo sanguíneo?

2 Quatro amigos, relacionados a seguir, possuem os seguintes tipos sanguíneos:


Carlos – AB Sandra – O
Raquel – B Alberto – A
a) Quem do grupo acima não possui aglutinogênios em suas hemácias?
b) Por que Carlos pode receber sangue de todos os membros do grupo?
c) Que tipo de aglutinina possuem Raquel e Alberto, respectivamente?

3 Construa o heredograma e resolva o problema a seguir.


(PUC-SP) Sofia e Isabel pertencem ao grupo sanguíneo AB e são casadas, respectivamente, com Rodrigo e Carlos,
que pertencem ao grupo sanguíneo O. O casal Sofia e Rodrigo tem um filho, Guilherme, casado com Joana, filha
de Isabel e Carlos. Qual a probabilidade de o casal Guilherme e Joana ter um descendente que pertença ao grupo
sanguíneo O?
a) 75%.
b) 50%.
Biologia

c) 25%.
d) 12,5%.
e) zero.

63
8
RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 Um paciente apresentou anticorpos anti-A e anti-B em seu plasma. Espera-se encontrar em suas hemácias:
a) antígenos A e B.
b) nenhum antígeno do sistema ABO.
c) apenas antígeno A.
d) apenas antígeno B.

2 (Enem) Em um hospital havia cinco lotes de bolsas de sangue, rotulados com os códigos l, II, III, IV e V. Cada lote
continha apenas um tipo sanguíneo, não identificado. Uma funcionária do hospital resolveu fazer a identificação
utilizando dois tipos de soro, anti-A e anti-B. Os resultados obtidos estão descritos no quadro.

Código dos lotes Volume de sangue (L) Soro anti-A Soro anti-B

I 22 Não aglutinou Aglutinou


II 25 Aglutinou Não aglutinou
III 30 Aglutinou Aglutinou
IV 15 Não aglutinou Não aglutinou
V 33 Não aglutinou Aglutinou

Quantos litros de sangue eram do grupo sanguíneo do tipo A?


a) 15
b) 25
c) 30
d) 33
e) 55

3 (Uece) Observe a árvore genealógica a seguir para o grupo sanguíneo (ABO) em uma família:
Legenda:
Grupo “A”: A/A ou A/O
“A”
Grupo “B”: B/B ou B/O
1 2 Grupo “AB”: A/B
“B” Grupo “O”: O/O
OBS:
3 4
1. O indivíduo 2 é mulher do grupo sanguíneo “A”
“O”
2. O indivíduo 4 é homem do grupo sanguíneo “B”
5 3. O indivíduo 5 é mulher do grupo sanguíneo “O”

Sobre a árvore anterior, marque a opção correta:


a) o indivíduo 3 é do grupo sanguíneo “AB”
b) o indivíduo 1 pode ser do grupo sanguíneo “AB”
c) o indivíduo 1 é do grupo sanguíneo “A”
d) o indivíduo 1 é do grupo sanguíneo “O”

64
8 Ensino Fundamental
6 POTENCIAIS TERAPÊUTICOS
DAS CÉLULAS-TRONCO

Você possivelmente já ouviu falar em células-tronco, seja em reportagens na televi-


são ou na internet. Elas são conhecidas por sua capacidade de se diferenciar em outros
tipos celulares, mas sua utilização gera discussões, porque algumas delas são retiradas
de embriões humanos.
Neste Módulo, vamos relembrar a estrutura e o funcionamento das células euca-
rióticas e entender o que são as células-tronco e como elas podem ajudar na cura
de doenças.

SPL/FOTOARENA

Biologia

Fotomicrografia eletrônica de varredura de células-tronco embrionárias humanas.


(Ampliação de aproximadamente 5790 vezes. Colorida artificialmente.)

65
8
As células-tronco CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS
embrionárias humanas são
células não especializadas Em julho de 2010, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD),
do embrião, ou seja, sem liderados pelo estadunidense Paul Lu e em parceria com uma empresa de bioengenharia
função definida, que têm o
potencial de se diferenciar estadunidense, receberam autorização para realizar os primeiros testes em seres humanos
em quase qualquer tipo de de uma terapia que visava recuperar movimentos em pacientes com casos de lesão na
célula do nosso corpo e
de renovar tecidos ou
medula espinal, causada por acidentes. O tratamento consistia em repor os neurônios
regiões lesionadas. destruídos, utilizando as células-tronco embrionárias.

Você sabia?
Quais as possíveis consequências de lesões na medula espinal?
O sistema nervoso humano recebe, transmite e interpreta impulsos elé-
tricos. Se elementos desse sistema se danificam, por uma lesão na medula
espinal, por exemplo, a transmissão dos impulsos elétricos pelos neurônios
é interrompida e a comunicação entre o sistema nervoso central e os tecidos
periféricos fica comprometida. Em geral, os neurônios têm pouca capacidade
de regeneração.
Nos casos em que o tronco, os membros superiores e inferiores ficam parali-
sados, a condição é chamada de tetraplegia. No caso em que a paralisia se
restringe aos membros inferiores, é chamada de paraplegia.

A autorização pelo governo era necessária, pois, para o desenvolvimento da pes-


quisa, os cientistas utilizaram células-tronco de embriões que eram descartados por
clínicas de fertilização assistida, quando considerados inviáveis para implantação no
útero materno. A partir dessas células, foi desenvolvida uma nova célula que teria
a capacidade de repor as fibras nervosas destruídas no acidente, reconstruindo os
nervos danificados.
Em condições normais, nervos danificados (em que ocorre rompimento dos axônios)
não se reconstituem; mas as injeções das novas células no local da lesão seriam capazes
de se diferenciar em células nervosas, regenerando os axônios lesionados.
A reconstituição da porção lesionada do sistema nervoso periférico faria com que os
pacientes recuperassem a capacidade de se movimentar. Essas pesquisas ainda estão em
fase inicial, mas os resultados obtidos até o momento são promissores.
Para entendermos melhor a abordagem desse tratamento, vamos relembrar a estru-
tura e o funcionamento das células eucarióticas e compreender as características das
células-tronco e seus tipos.

Organização da célula eucariótica


Você já conhece a célula eucariótica, estudada nos 7o e 8o anos. No entanto, vale
fazermos aqui uma pequena recordação.
Em geral, a célula eucariótica está organizada em membrana plasmática, citoplasma
e núcleo. A membrana plasmática é uma camada de lipídios e proteínas (lipoproteica)
que envolve as organelas e o citoplasma. Sua composição química e a organização
de suas moléculas ajudam a controlar o que entra e sai da célula, como o gás oxigê-
nio, o gás carbônico, a glicose, os aminoácidos e a água, mas barram a passagem de
proteínas, por exemplo.
66
8 Ensino Fundamental
O citoplasma é composto principalmente de água, sais minerais, proteínas e outros
nutrientes. Dentro do citoplasma há também as organelas, estruturas com funções va-
riadas. Macroscopicamente, a relação das organelas no citoplasma é semelhante aos
sistemas no nosso corpo. A ilustração a seguir apresenta uma célula animal e algumas
dessas organelas.
Núcleo: região onde
se localiza o material
Mitocôndria: a célula precisa de Complexo golgiense: é uma genético, responsável
energia para executar suas funções; organela constituída por uma pelas características do
essa energia provém dos alimentos pilha de vesículas (sacos) organismo.
que ingerimos, principalmente do achatadas e membranosas
açúcar. A mitocôndria é a organela que recebem, empacotam e
responsável pela extração da energia expulsam proteínas para fora da Centríolos: aparecem aos
dos nutrientes, sendo a respiração célula. pares na maioria das células
celular o processo responsável pela
eucarióticas, dispostos
disponibilização dessa energia.
perpendicularmente,
formando uma região
chamada de centrossomo.
Plantas apresentam
centrossomo, mas não
centríolos.

Membrana
plasmática: é
constituída de lipídios Retículo endoplasmático:
e proteínas. Entre é uma organela composta
outras funções, regula de vesículas achatadas e
a troca de substâncias túbulos. É responsável pelo
do interior da célula transporte de substâncias
com o meio externo e pelo interior da célula e
vice-versa. para fora dela. Uma das
substâncias transportadas
por esses túbulos são as
proteínas produzidas pelos
ribossomos.

Citoplasma: é composto Lisossomo: organela de formato Ribossomos: são organelas que


de um material gelatinoso à esférico que contém enzimas aparecem dispersas no citoplasma e
base de água com diversas digestivas capazes de quebrar também aderida a uma organela maior, o
substâncias dissolvidas. No moléculas grandes (proteínas, retículo endoplasmático. Os ribossomos
citoplasma são encontradas gorduras, ácidos nucleicos e são responsáveis pela produção de
várias organelas. açúcares) em moléculas menores. proteínas.

Representação esquemática de uma célula eucariótica animal


hipotética. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)
Biologia

No núcleo se encontra o material genético, o DNA (ácido desoxirribonucleico), que


contém as informações hereditárias do indivíduo nos genes. A diferenciação das células-
-tronco é comandada por genes nucleares e outros fatores ambientais, produzindo as
proteínas que serão expressas em cada tipo celular.

67
8
ATIVIDADE 1

O ser humano, assim como a grande maioria dos animais, se desenvolve a partir de células-tronco embrionárias, que
passam a se dividir e se diferenciar, levando à formação de vários tipos celulares especializados. Com base no que você
estudou sobre os tecidos do corpo humano, pode-se afirmar que as células especializadas de cada tecido apresentam
diferenças em relação aos seus componentes? Justifique utilizando exemplos.

DIVISÃO CELULAR: MITOSE


No interior do núcleo, o DNA está organizado em longos fila-
DOC. RNDR. JOSEF REISCHIG, CSC./
WIKIPEDIA/CREATIVE COMMONS 3.0

mentos e, associado a proteínas, forma uma estrutura denominada


cromossomo. Essas estruturas podem ser visualizadas durante a
divisão celular, quando os filamentos atingem o grau máximo de
condensação.
Uma célula pode reproduzir-se gerando uma cópia de si mesma
por meio de um processo chamado mitose. Na primeira etapa da
mitose, o material genético é duplicado, isto é, os cromossomos
se duplicam e se separam em polos contrários da célula. Depois,
o citoplasma se divide e a membrana sofre um estrangulamento
(no caso das células animais), dando origem a duas novas células
idênticas. O esquema a seguir mostra o processo de mitose de
forma simplificada.
Fotomicroscopia
óptica de cariótipo
Mitose
humano em uma
das fases da mitose.
(Ampliação de
aproximadamente
2 000 vezes.)

Duas
células-filha

Célula com dois Duplicação


cromossomos do DNA
Centríolos

Esquema simplificado do processo de mitose em uma célula eucariótica. No início do processo, a


célula possui um par de cromossomos, representados pelas cores azul e vermelha. Observe que,
ao final do processo, formaram-se duas células-filhas, idênticas à célula do início do processo
(com um par de cromossomos). As linhas que aparecem “puxando” os cromossomos são as fibras
do fuso, organizadas pelos centríolos. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

68
8 Ensino Fundamental
Você sabia?

Que existe outra divisão celular, a meiose?


Além da mitose, algumas células podem se dividir por um outro processo chamado de meiose.
Nessa divisão, formam-se 4 células-filhas e cada uma com metade dos cromossomos da célula-mãe.
Na célula, os cromossomos se apresentam aos pares, um que veio do pai e outro da mãe. No caso
da espécie humana, por exemplo, são 23 pares de cromossomos. Quando ocorre a meiose, nos
testículos (homem) e nos ovários (mulheres), para a formação dos gametas masculinos (esperma-
tozoides) e femininos (óvulos), formam-se células com apenas 23 cromossomos, um de cada par.
Dessa forma, quando os gametas se encontrarem na fecundação, formar-se-ão 23 pares de cromos-
somos novamente, mantendo, dessa forma, o número de cromossomos carac-terístico da espécie.

Uma célula
com um par de Duas células
cromossomos com um Quatro células com um
duplicados cromossomo cromossomo cada
cada

Representação esquemática de uma célula com um par de cromossomos


sofrendo meiose, formando ao final 4 células com apenas um cromossomo
cada uma. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

ATIVIDADE 2

1 O que aconteceria com uma célula, que fosse se dividir por mitose em duas novas células, se o seu material genético dis-
tribuído nos cromossomos não sofresse uma duplicação antes do início do processo? Quais as possíveis consequências
para as células-filhas formadas?
Biologia

69
8
2 O câncer é definido como um processo patológico em que ocorre a divisão descontrolada e desorganizada de células,
por meio da alteração do metabolismo celular. Várias são as causas para a divisão celular descontrolada: a ação de diversas
substâncias, infecções por vírus ou fontes radioativas, que causam mutações nos genes que controlam a divisão celular,
ou mesmo causas genéticas de caráter hereditário.
A partir de seus conhecimentos atuais, estabeleça uma relação entre mitose e câncer.

O INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO


Para estudar o desenvolvimento embrionário, vamos usar a espécie humana como
exemplo. Todos os seres humanos são o resultado da fusão entre os gametas feminino
e masculino, o óvulo e o espermatozoide, que forma o zigoto ou célula-ovo. Essa célula
sofre sucessivas divisões celulares do tipo mitose e forma-se uma estrutura conhecida
como mórula, formada por 16 a 32 células. A mórula é composta de células-tronco em-
brionárias chamadas de totipotentes, que podem originar tanto um organismo completo
quanto qualquer tecido de um organismo. As células totipotentes fazem parte do embrião
em seu estágio mais inicial e sofrerão especialização poucos dias após a sua formação.
As mitoses se sucedem, até que se atinge o estágio de blastocisto. Nessa etapa, já ocorreu
a diferenciação de algumas células, mas se mantém uma massa interna de células-tronco
capazes de se transformar em quase qualquer tipo de tecido do nosso corpo. Essas células
são chamadas de pluripotentes. Elas surgem com aproximadamente cinco dias após a
formação do zigoto e formam quase todos os tecidos do corpo. Essas células perduram
mesmo em adultos, mas em menor quantidade, principalmente dentro da medula óssea.
O esquema a seguir sistematiza um pouco essas etapas do desenvolvimento celular
no organismo humano, que também ocorre na maioria dos animais.

A B C D E
Segmentação do Etapa de quatro Mórula (dia 4) Blastocisto, vista Blastocisto, vista
zigoto, etapa de células (dia 2) externa (dia 5) interna (dia 5)
duas células (dia 1)

Zona
pelúcida Núcleos Cavidade do Massa celular
blastocisto interna
RNTC.ORG.BR

Blastómeros Citoplasma

Primeiras fases do desenvolvimento embrionário humano. As células-tronco totipotentes estão


presentes na mórula, enquanto as células-tronco pluripotentes estão presentes na massa interna do
Fotomicrografia
blastocisto. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)
de células da
massa celular
interna (destaque Por fim, existem células-tronco multipotentes, que estão presentes em determinados
em vermelho) tecidos do adulto e que podem diferenciar-se apenas em células daquele tecido. Existe,
sendo retiradas do
blastocisto com uma
na atualidade, um dilema científico sobre a existência dessa classificação, pois, com
agulha. (Ampliação o avanço das análises laboratoriais, muitas células que antes eram classificadas como
desconhecida.) multipotentes têm se mostrado pluripotentes.
70
8 Ensino Fundamental
Conhecendo o funcionamento e o mecanismo de diferenciação das células-tronco,
sobretudo pluripotentes, testes vêm sendo realizados na tentativa de usá-las para recons-
truir tecidos danificados, como os tecidos nervosos (no caso do estudo comentado no
início do Módulo). Também já foram reportados estudos em que se obteve sucesso com
o uso de células-tronco para recuperação do tecido muscular estriado cardíaco, após
infarto. Existem evidências de que as células-tronco podem ser usadas no tratamento
de diversas enfermidades, como a doença de Parkinson – no qual há degeneração de
células nervosas associadas, principalmente, à memória –, em que o tecido cerebral
poderia ser regenerado a partir das células-tronco. O mesmo poderia ser feito com a
esclerose múltipla
múltipla, a leucemia e o diabetes. Esclerose múltipla: é uma
No futuro, as células-tronco poderão representar um recurso importante na regenera- doença que acomete o
sistema nervoso central,
ção do corpo humano. No entanto, há muitos desafios a serem superados. Não se pode incluindo medula, cérebro
superestimar nem subestimar o potencial de uso das células-tronco, mas há vários per- e podendo também
comprometer os nervos
calços técnicos que precisam ser superados e isso requer recursos financeiros e arranjos ópticos. As manifestações
políticos que não são simples. O potencial de uso existe, mas precisa ser considerado da doença variam muito
em uma perspectiva honesta e cautelosa. de pessoa para pessoa e
podem ser controladas,
Retomando o trabalho desenvolvido pelo grupo de cientistas estadunidenses, o tipo desde que o diagnóstico
de célula-tronco utilizado no tratamento tinha como característica diferenciar-se nos tipos seja precoce.
celulares esquematizados abaixo.

Células musculares

Células sanguíneas

Células ósseas

Célula-tronco Células-tronco embrionárias


pluripotentes são capazes
de se diferenciar em alguns
tipos de célula do corpo.
(Elementos fora de proporção
entre si. Cores fantasia.)
Neurônios Células dos vasos
sanguíneos

Desta forma, é possível supor que eles utilizaram as células-tronco pluripotentes, uma
vez que elas podem se diferenciar apenas em alguns tipos celulares, como os neurônios.

ATIVIDADE 3

1 Lesões mais graves nos músculos esqueléticos (aqueles que movimentam os ossos) estimulam células-tronco da linha-
gem muscular a aumentar em número, fundir-se às fibras musculares e cederem seus núcleos às células musculares (que
já são multinucleadas); essas novas células vêm em auxílio, mas não regeneram o tecido lesionado.
Biologia

A partir das informações do enunciado, qual é o provável tipo de célula-tronco envolvido na recuperação dos músculos?

71
8
2 A leucemia é uma doença que afeta os leucócitos (glóbulos brancos). Essas células, responsáveis pela defesa do nosso or-
ganismo (fazem parte do sistema imune), se desenvolvem dentro da medula vermelha dos ossos a partir de células-tron-
co. A leucemia, além de produzir uma quantidade muito grande de glóbulos brancos defeituosos, dificulta a produção
de outras células do sangue, como as hemácias.
O tratamento é feito por meio de transplantes de medula óssea, doada por outra pessoa, desde que esta seja compatível com o
paciente. Com base no que você aprendeu sobre célula-tronco, qual deve ser o tipo doado neste caso? Justifique sua resposta.

EM CASA

1 Estabeleça a relação entre células-tronco embrionárias, diferenciação e células eucarióticas.


2 As imagens que aparecem no item Divisão celular: mitose se relacionam. Uma delas é uma fotomicrografia
(fotografia feita em um microscópio óptico) de uma célula humana em uma das fases da mitose. A outra é
uma ilustração que mostra resumidamente as etapas antes da mitose, a mitose em si é o que acontece ao
final da divisão celular. Utilizando-se essas duas imagens, responda:
a) Quantos cromossomos tem essa célula humana?
b) Sabendo-se que os cromossomos se organizam aos pares na maioria das células humanas, quantos pares
de cromossomos há na célula representada?
c) Os cromossomos representados na célula da fotomicrografia estão duplicados? Justifique usando as infor-
mações que aparecem na ilustração da mitose.
3 As células-tronco embrionárias podem ser totipotentes, pluripotentes e multipotentes, dependendo de sua ca-
pacidade de diferenciação. Utilizando a ilustração a seguir, que faz uma analogia entre a estrutura de uma árvore
e as diferentes etapas de diferenciação de uma célula, identifique os três tipos de células-tronco. Depois, circule as
células que já passaram pelo processo de diferenciação e proponha uma legenda que explique a função de cada
um dos quatro tipos de célula identificados para a ilustração.
Célula Célula da Célula dos Célula
Célula da parede nervosa cartilagem túbulos muscular lisa Célula
de um vaso renais muscular
estriada
Célula sensorial
da retina Célula do epitélio
da bexiga
Célula
pigmentada Célula do fígado
da pele

Célula secretora
de uma glândula Célula do
revestimento
da traqueia

Célula epitelial
de revestimento Célula da parede
Blastocisto
do estômago

Zigoto

72
8 Ensino Fundamental
RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 (UFG-GO) Leia o texto a seguir.

No Brasil, atualmente, existe a Rede BrasilCor, que congrega bancos públicos de cordão umbilical
e placentário em todo o país, sendo um aliado importante na luta contra as doenças hematológicas
como a leucemia.
Disponível em: <http://www.inca.gov.br>. Acesso em: jul. 2015. (Adaptado).

Para o tratamento dessa doença, é necessário o transplante de medula óssea. O material biológico armazenado
nesses bancos pode ser utilizado para esse tratamento, pois é rico em:
a) glóbulos brancos.
b) células-tronco.
c) glóbulos vermelhos.
d) plaquetas.
e) macrófagos.

2 Analise as afirmações a seguir sobre a mitose em células humanas.


I. As células se dividem por um processo conhecido como mitose, em que, a partir de uma célula-mãe, formam-se
duas células-filhas com características parecidas às da célula-mãe, mas que podem ter variações no número de
cromossomos.
II. Os cromossomos são estruturas com filamentos de DNA e proteínas, que se duplicam depois da divisão celular.
III. Durante a mitose, os cromossomos se condensam e seus filamentos, duplicados, se separam.
Estão corretas as afirmações:
a) I, II e III.
b) Somente I e II.
c) Somente I e III.
d) Somente a II
e) Somente a III.

3 (Enem) Na década de 1990, células do cordão umbilical de recém-nascidos humanos começaram a ser guar-
dadas por criopreservação, uma vez que apresentam alto potencial terapêutico em consequência de suas
características peculiares.
O poder terapêutico dessas células baseia-se em sua capacidade de:
a) multiplicação lenta.
b) comunicação entre células.
Biologia

c) adesão a diferentes tecidos.


d) diferenciação em células especializadas.
e) reconhecimento de células semelhantes.

73
8
7 TERAPIA GÊNICA E
DOENÇAS GENÉTICAS

A terapia gênica parece coisa de ficção científica, mas não é. O conhecimento cientí-
fico sobre vírus e sobre material genético permitiu aos cientistas inserir genes em vírus
inofensivos aos seres humanos e tratar pessoas doentes. Como resultado de pesquisas
DNA: sigla em inglês para
ácido desoxirribonucleico, nessa área, nas duas doenças genéticas que estudaremos nesse Módulo os pacientes
o material genético da apresentaram melhoras significativas.
maioria dos seres vivos
conhecidos.
Ao longo deste Módulo, também será possível notar como a velocidade dos avanços
tecnológicos é impressionante e conhecer um pouco mais sobre a estrutura do DNA.
SPL/FOTOARENA

Ilustração computadorizada de adenovírus comumente utilizados como vetores em terapia gênica


e no desenvolvimento de vacinas. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

74
8 Ensino Fundamental
A ESTRUTURA DO DNA
Parece inacreditável a velocidade com que a Ciência e a Tecnologia avançam pela his-
tória. Na segunda metade do século XIX, Louis Pasteur (1822-1895) estava, pela primeira
vez, defendendo a ideia de que algumas doenças podiam ser causadas por microrganis-
mos. Em 1953, James Watson (1947) e Francis Crick (1916-2004) apresentaram, em um
trabalho científico, um modelo para a estrutura do DNA. Isso significa que menos de
100 anos se passaram para que, hoje, exista a possibilidade não só de estudar a biologia
dos microrganismos mas também de manipular o DNA de bactérias e vírus para uso na
Medicina, como veremos no próximo Módulo.
Segundo o modelo proposto por Watson e Crick e validado por várias pesquisas
posteriores, a molécula de DNA é composta de duas fitas unidas em uma estrutura em
espiral. Por esse motivo, diz-se que essa molécula tem estrutura em “dupla-hélice”. Cada
fita é formada por várias unidades de nucleotídeos, os quais apresentam-se em quatro
tipos. Na composição dos nucleotídeos encontram-se um açúcar (a desoxirribose), um
fosfato e uma base nitrogenada.

Você sabia?
Os caminhos da descoberta do modelo

SPL/FOTOARENA
O modelo proposto por Watson e Crick para o DNA partiu de algu-
mas descobertas importantes feitas por outros pesquisadores. Em 1949,
o bioquímico austríaco Erwin Chargaff (1905-2002) descobriu que havia
uma relação entre os nucleotídeos que compunham o DNA, sem, no en-
tanto, entender o porquê. A quantidade de adenina era igual à de timina
e a quantidade de guanina era igual à de citosina, o que ficou conhecido
como regra de Chargaff (A 5 T e C 5 G).
No início de 1953, o biólogo britânico Maurice Wilkins (1916-2004)
mostrou a Watson e Crick uma fotografia de DNA usando uma técnica
conhecida como difração de raios X. Essa fotografia havia sido tirada
pela químico-física britânica Rosalind Franklin (1920-1958) que estava
estudando a molécula. Esse registro permitiu a Watson e Crick juntarem
as peças que faltavam para entender a estrutura do DNA e propor seu
modelo de dupla-hélice.

SPL/FOTOARENA
Há uma polêmica a esse respeito no meio científico. Alguns pesquisa-
dores afirmam que Watson e Crick se apropriaram dos dados de Franklin,
sem lhe dar o devido crédito e reconhecimento. Outros contrapõem essa
visão dizendo que Franklin tinha outros objetivos com sua pesquisa rela-
cionados à estrutura estática do DNA, ao contrário de Watson e Crick que
queriam entender o funcionamento dessa molécula, além de sua estrutura.
Em 1962, o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina foi dado a James
Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins. Rosalind Franklin já havia morrido,
vítima de um câncer, e a Academia Real das Ciências da Suécia, que promove
o prêmio Nobel, não homenageia falecidos. Mas será que Rosalind, estando
viva, seria reconhecida?

Acima, fotografia publicada em 1952


Biologia

que mostra o padrão de difração de


raios X da molécula de DNA obtida
por Rosalind Franklin, à direita.

75
8
Os quatro tipos de nucleotídeos que podem ser encontrados no DNA variam em sua
estrutura apenas com relação a base nitrogenada. Estas podem ser: adenina (A), guanina
(G), citosina (C) ou timina (T).

Base nitrogenada
Grupo fosfato
(A, G, C ou T)

Esquema da estrutura de
um nucleotídeo. (Elementos Açúcar
fora de proporção entre si. (desoxirribose)
Cores fantasia.)

A ligação entre nucleotídeos de uma mesma fita de DNA é feita pelo grupo fosfato
entre os grupos de açúcar dos dois nucleotídeos. Já as duas fitas que formam essa molé-
cula permanecem unidas por meio de ligações químicas chamadas ligações de hidrogê-
nio (ou pontes de hidrogênio), que ocorrem entre as bases nitrogenadas. Dizemos que
essas fitas são complementares, pois as ligações de hidrogênio ocorrem apenas entre
uma timina (T) e uma adenina (A) ou entre uma citosina (C) e uma guanina (G). Isso
quer dizer que se conhecermos a sequência de bases nitrogenadas de uma das fitas do
DNA, podemos inferir qual será a sequência da fita complementar. Veja na representação
abaixo a estrutura em dupla-hélice e os detalhes de sua composição.

A B C

5’ 3’

T A

G C
Um
nucleotídeo
G C
A T
T A
C G
T
Representação da molécula A
C
de DNA. Em A, a dupla- G
-hélice, em B, destaque para
as bases nitrogenadas unidas
por pontes de hidrogênio
A T
e, em C, destaque para a
ligação entre os nucleotídeos.
(Elementos fora de proporção Ligação de 5’
3’
entre si. Cores fantasia.) hidrogênio

76
8 Ensino Fundamental
O DNA carrega as informações genéticas dos seres vivos e essas informações são parte do que é necessário
para expressar as suas características. Como você estudou no Módulo 3, os primeiros estudos de genética
realizados por Gregor Mendel (1822-1884) em 1866 – bem antes, portanto, de se conhecer o DNA – mostra-
ram também que essas características podem ser transmitidas aos descendentes, ou seja, são hereditárias.

Os estudos de biologia molecular envolvendo o DNA de bactérias geraram grandes Genes: trecho de DNA
dotado de informações a
expectativas sobre a possibilidade de desenvolver novos métodos terapêuticos. Pesqui- partir das quais as células
sadores de diferentes países começaram a cogitar a ideia de utilizar vírus para transferir codificam proteínas,
diversos genes para dentro das células de seres humanos doentes ou portadores de que participam de sua
estrutura e funcionamento.
alguma anomalia. O objetivo era claro: promover a cura dessas enfermidades, por meio
da incorporação do gene inserido ao DNA do paciente.

ATIVIDADE EXPERIMENTAL

Extração de DNA a partir de morango ou tomate

Materiais

• 3 morangos ou ½ tomate

VICHIZH/SHUTTERSTOCK
• Água
• Sal de cozinha
• Detergente incolor
• Uma colher de sopa
• Uma colher de chá
• Almofariz e pistilo
• Proveta
• 2 béqueres de 100 mL
• Filtro descartável de papel
• Funil
• Palito de madeira
• Álcool gelado

Procedimentos

a) Macere 3 morangos sem sépalas ou ½ tomate no almofariz com auxílio do pistilo, ou alternativamente num
copo com o auxílio de um socador de madeira ou plástico, até obter uma pasta quase homogênea;
b) Em um béquer de 100 mL, ou frasco similar, adicione 50 mL de água quente (cerca de 50 °C), ½ colher de chá
de sal de cozinha e 1 colher de sopa rasa de detergente, misturando devagar para não formar bolhas.
c) Adicione essa solução ao almofariz e misture levemente por cerca de cinco minutos.
Biologia

d) Coloque o funil com o filtro de café sobre o béquer limpo para filtrar a solução e retirar os pedaços que restaram.
e) Despeje delicadamente cerca de 50 mL de álcool comum bem gelado. Não misture a solução.
f) Aguarde alguns minutos para o DNA começar a precipitar.
g) Passo adicional: Use o palito de madeira para enrolar as moléculas de DNA.

77
8
Questões

Para responder a algumas das questões a seguir você vai precisar fazer uma pesquisa sobre o objetivo de certas
etapas realizadas. Utilize como palavras-chave os próprios materiais e a busca por sua função, sejam em busca-
dores da internet, sejam em índices remissivos de livros de Química e Biologia.

1 Qual a função do sal?

2 Por que devemos macerar os morangos ou tomates?

3 O que acontece quando se adiciona o detergente?

4 Qual o papel do álcool?

5 Por que você não pôde ver a dupla-hélice?

ATIVIDADE 1

Considere que cada linha do quadro abaixo represente uma das fitas do DNA e que cada quadrado represente um
nucleotídeo. Identifique as bases nitrogenadas que faltam na fita complementar.

A G T G T G A G C T C A T G

C C T C A G

78
8 Ensino Fundamental
A TERAPIA GÊNICA
Foi apenas em 1989 que um grupo de pesquisadores, liderado pelo médico estaduni-
dense William French Anderson, deu início, pela primeira vez na história, a uma pesquisa
com terapia gênica em pacientes afetados por uma grave doença genética chamada de
imunodeficiência grave combinada. Os portadores dessa doença apresentam proble-
mas no sistema de defesa do corpo (o sistema imune), o que os torna mais sujeitos a
contrair infecções. Sem o tratamento adequado, os pacientes geralmente morrem antes
de completar seis anos de idade.
Na época uma das formas de preservar a saúde consistia em colocar as crianças em
ambientes protegidos e isolados, conhecidos como “bolhas de plástico”. Entretanto,
mesmo isoladas do mundo ao seu redor, essa medida se mostrava ineficaz, o que levou
French Anderson a pedir autorização ao Comitê de Ética da Califórnia para iniciar os
testes utilizando terapia gênica. Os testes realizados pelo médico consistiam em “con-
taminar” pacientes com vírus portando genes funcionais (que produzissem a proteína
inexistente nos indivíduos portadores da doença). Quando o vírus invadia as células e
iniciava o processo de reprodução, o gene funcional era inserido no DNA dos pacientes,
que apresentavam uma melhora clínica significativa, retomando a produção de células
de defesa normais e funcionais. Graças a este estudo, as pesquisas com a utilização da
terapia gênica continuaram e o número de estudos nessa área cresceu.

LAURENT/EASYPIX BRASIL

Os portadores de imunodeficiência grave combinada devem receber


cuidados no interior de uma bolha de plástico até que um tratamento
seja possível. A bolha de plástico os mantém em um ambiente isolado
de microrganismos que poderiam causar-lhes infecções.

ESTUDO DE CASO – AMAUROSE CONGÊNITA DE LEBER (ACL)


Em 2008, uma equipe de cientistas da Universidade da Pensilvânia e do Hospital
das Crianças da Filadélfia, Estados Unidos, com a participação do cientista brasileiro
Biologia

Valder Arruda, teve êxito em suas pesquisas com terapia gênica para tratamento de
uma doença hereditária, a amaurose congênita de Leber (ACL). A doença leva à perda
lenta e progressiva da função da retina, uma camada ocular importante para a visão,
resultando em cegueira. Após o tratamento, vinte pessoas voltaram a enxergar. Saiba
mais sobre a retina no boxe da página seguinte.

79
8
Você sabia?
Como a retina forma imagens?

O olho humano é formado por diferentes camadas. A camada mais interna é a retina, que é constituída por
uma parte sensível à luz, na qual se formam as imagens. As células da retina capazes de serem estimuladas pela
luminosidade são os cones e os bastonetes. Esses tipos celulares podem ser chamados de fotorreceptores, um
tipo de neurônio que gera sinais elétricos que são transformados em impulsos nervosos e transmitidos pelo
nervo óptico ao cérebro, onde são interpretados e resultam na formação da imagem que vemos.

Células
pigmentares

Retina

Cone
Luz

Bastonete

Células nervosas Fotorreceptores

Representação esquemática de um olho e um trecho de sua retina, com


as células nervosas, e as células fotorreceptoras (cones e bastonetes).
(Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

A doença
As vitaminas são nutrientes
com função reguladora no Um dos principais genes envolvidos na cegueira relacionada à ACL é responsável pela
corpo humano. A vitamina A informação para produzir uma enzima envolvida no aproveitamento da vitamina A A, um
é lipossolúvel, ou seja,
é solúvel em lipídios e
nutriente essencial para o funcionamento dos fotorreceptores da retina. Pessoas que não
depende deles para seu conseguem produzir essa enzima apresentam, portanto, a ACL.
transporte pelo corpo. As As doenças hereditárias, como a imunodeficiência grave combinada e a amaurose con-
vitaminas lipossolúveis
não são produzidas pelo gênita de Leber, estão associadas às alterações que ocorrem no DNA, também chamadas
organismo humano, o que de mutações.
significa que precisam
ser ingeridas por meio da Para algumas doenças, os cientistas já foram capazes de determinar quais trechos da
alimentação. São fontes de molécula de DNA, ou seja, quais genes, sofreram alguma mutação que resultou na anomalia.
vitamina A: peixes, ovos,
fígado, leite e derivados.
Para a amaurose congênita de Leber, por exemplo, são conhecidos 24 genes relacionados
à doença, até o momento.
80
8 Ensino Fundamental
De olho... na muta•‹o
A cada divisão celular – mitoses ou meioses – a célula realiza a replicação do material genético, ou seja, faz
cópias de seu DNA. Durante esse processo, erros podem ser incorporados, fazendo com que a sequência das bases
nitrogenadas não fique idêntica à original. Quando esse erro é incorporado em uma sequência pertencente a um
gene, ele pode comprometer o seu funcionamento normal, mudando a forma como a informação é transmitida.
Esse processo caracteriza uma mutação. A célula apresenta várias formas de corrigir esses erros, mas alguns podem
passar, produzindo características que podem ser observadas como doenças ou anomalias.
Alguns fatores podem aumentar o risco de mutações no indivíduo, como a exposição excessiva a raios X, aos
raios UV do Sol e o uso de certas substâncias, como o tabaco (fumo de cigarros).

A terapia
A primeira dificuldade para o sucesso da terapia gênica é possibilitar a entrada do
gene funcional no interior da célula dos pacientes. Ao penetrar a célula, dependendo da
técnica aplicada, pode haver danos na membrana plasmática, levando à morte celular.
Uma segunda dificuldade é fazer com que o gene funcional seja incorporado correta-
mente ao DNA do paciente, no núcleo, sem que cause mutações.
Por esses motivos, são utilizados vírus modificados, que não causam doenças em
humanos, como transportadores (vetores) do gene funcional. Os vírus são capazes
de depositar seu material genético no interior da célula sem causar danos à membrana
plasmática. Além disso, também podem promover a integração do gene funcional no
material genético do paciente.
A terapia gênica é, portanto, uma tentativa de compensar o funcionamento de um
gene com mutação, pela inserção de um gene funcional. Para isso, insere-se o gene de
interesse em um vírus que pode infectar diretamente o paciente ou infectar células que
são, posteriormente, transplantadas ao paciente.

Células humanas com os genes


de interesse
Esquema da
transferência do
4 gene funcional para
o paciente com gene
in viv alterado. Existem
duas técnicas
diferentes: in
Vetor (vírus
vivo, aplicando os
carregando o
vírus modificados
gene funcional)
diretamente no
3
paciente (via cor de
laranja), e ex vivo,
retirando células do
paciente (1), fazendo
1
a transferência dos
Células
vírus para algumas
humanas células do paciente
normais em laboratório (2)
e depois injetando
essas células
Biologia

Gene funcional
modificadas (3)
no paciente (4).
2
(Elementos fora
proporção entre si.
ex vivo
Cores fantasia.)
Vetores

81
8
O pesquisador brasileiro Valder Arruda, um dos líderes da pesquisa com terapia gênica
aplicada a pacientes com ACL, explica que os primeiros resultados positivos do estudo
foram obtidos em 2001, com testes em cães portadores da doença. Depois desses resul-
tados, os pesquisadores iniciaram os testes em seres humanos e, em 2009, publicaram
os dados, mostrando a eficácia do tratamento.
A equipe tem buscado aprimorar o tratamento que, pelos resultados obtidos até
o momento, mostra-se promissor e uma esperança para portadores da cegueira con-
gênita (ACL).
Dada a velocidade dos avanços científicos, quem sabe no momento em que você
estiver lendo este texto o tratamento já não esteja sendo praticado com sucesso?

ATIVIDADE 2

1 Uma pessoa com determinada doença hereditária sempre irá transmiti-la aos seus filhos? Justifique sua resposta.

2 Explique como os cientistas produzem o vetor viral e como este é capaz de provocar modificações nas células das
pessoas com a doença amaurose congênita de Leber.

EM CASA

1 Construa um mapa conceitual que relacione os seguintes conceitos: DNA, proteínas, genes e informações genéticas.

2 Estabeleça a relação entre a vitamina A, as células fotorreceptoras da retina, a formação de imagens, a cegueira
congênita do tipo ACL e genes com mutação.

3 Explique como as pessoas com cegueira congênita do tipo ACL conseguiram voltar a enxergar após a terapia des-
crita no Módulo, utilizando as seguintes palavras-chave: DNA, vírus e mutação.

82
8 Ensino Fundamental
RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 Um animal apresentou 30% das bases nitrogenadas do seu DNA constituídas por timina. Quais seriam os outros
valores encontrados para as demais bases nitrogenadas?
a) A 5 30%; C 5 10%; G 5 30%
b) A 5 20%; C 5 20%; G 5 30%
c) A 5 20%; C 5 25%; G 5 25%
d) A 5 30%; C 5 20%; G 5 20%
e) A 5 30%; C 5 30%; G 5 10%

2 A respeito da amaurose congênita de Leber (ACL), pode-se afirmar que:


a) trata-se de uma doença adquirida pela falta de vitamina A na alimentação.
b) os genes envolvidos nessa doença impedem a produção da vitamina A pela pessoa.
c) as pessoas portadoras podem transmitir essa doença para seus descendentes.
d) uma alimentação rica em vitamina A pode promover uma terapia gênica.
e) é causada por agentes mutagênicos que corrigem os genes defeituosos.

3 (UPM-SP) Recentemente um grupo de pesquisadores anunciou ter obtido sucesso na utilização de terapia gênica
para tratar um tipo de cegueira hereditária, denominada Amaurose Congênita de Leber, que pode ser causada por
um par de genes autossômicos recessivos. A cegueira ocorre em consequência de deficiência em um dos pigmen-
tos responsáveis pela absorção de luz na retina. A respeito desses fatos, considere as afirmativas abaixo.
I. Esse tipo de tratamento baseia-se na inoculação de um gene em um dos cromossomos da pessoa afetada.
Uma vez inserido, o gene passa a funcionar, permitindo que a pessoa volte a enxergar.
II. A luz absorvida pelos pigmentos da retina é transformada em impulsos nervosos que são conduzidos para o
nervo óptico.
III. Se uma pessoa foi tratada e recuperou totalmente a visão, ela não tem probabilidade de ter filhos com a doença.
Assinale
a) se todas forem corretas.
b) se somente I e III forem corretas.
c) se somente I e II forem corretas.
d) se somente II e III forem corretas.
e) se somente I for correta.

Anotações
Biologia

83
8
8 O DIABETES E O CASO
DOS TRANSGÊNICOS

Em 2006, o biólogo Fernando Reinach escreveu, em sua coluna em um jornal, um


bem-humorado artigo intitulado “Injetaram proteína transgênica no meu filho!”. Ele se
referia à aplicação, em seu filho recém-nascido, de uma vacina transgênica para a imu-
nização contra a hepatite B. No artigo, o autor ironiza a obrigatoriedade, na época, da
rotulagem de qualquer produto contendo derivados da soja transgênica com a advertência:
“Pode conter transgênicos”.
O biólogo encerra seu artigo comentando não ver a frase “Contém transgênico” tatuada
nos diabéticos, que devem sua sobrevivência justamente ao fato de receberem, todos os
dias, uma dose de insulina transgênica.
Neste Módulo, estudaremos qual é a relação entre organismos transgênicos e o diabetes.

ANTïNIO CUNHA/ESP. CB/D.A PRESS


Catedral metropolitana de
Brasília (DF), com iluminação
especial no Dia Mundial do
Diabetes (14 de novembro).

OS TIPOS DE DIABETES
O diabetes é uma doença metabólica causada pela falta ou pela diminuição da capa-
Hormônios: substâncias cidade das células de responder ao hormônio insulina, responsável por retirar a glicose
químicas secretadas por (um tipo de açúcar) do sangue. Esse açúcar é transportado para o interior das células,
glândulas especializadas.
Apresentam ação específica
onde será estocado ou instantaneamente utilizado na produção de energia.
sobre determinados órgãos. Existem dois tipos de diabetes: o do tipo 1 e o do tipo 2. No diabetes do tipo 1,
São fundamentais para o também conhecido como diabetes juvenil, o pâncreas não produz quantidade suficiente
controle do funcionamento
do organismo. de insulina. As causas para esse tipo de diabetes podem envolver fatores genéticos (he-
reditários) e outros ainda desconhecidos.
84
8 Ensino Fundamental
No diabetes do tipo 2, as células tornam-se resistentes à insulina, ou seja, apesar
da produção pelo pâncreas ser normal, as células não respondem de forma ade-
quada ao hormônio. Esse tipo de diabetes é causado por fatores genéticos e estilo
de vida inadequado.

A B
SPL/FOTOARENA

Duodeno

Estômago

Vaso sanguíneo

Pâncreas
Ilhas
pancreáticas
Células secretoras
de enzimas
Duto
pancreático

Em A, representação do corpo humano, com destaque para a localização do pâncreas, e, em B,


esquema com detalhamento de sua estrutura interna. As células secretoras de enzimas são
responsáveis pela produção do suco pancreático, que participa da digestão dos alimentos; as ilhas
pancreáticas respondem pela produção dos hormônios insulina e glucagon, responsáveis pelo
controle da quantidade de glicose no sangue. (Elementos fora de proporção entre si. Cores fantasia.)

Segundo dados de 2015 da Federação Internacional de Diabetes (IDF, sigla em inglês de


International Diabetes Federation), há em todo o mundo 415 milhões de diabéticos. Cerca
de 5 milhões de pessoas morreram decorrentes do diabetes em 2015 no mundo. Só no Brasil
são 14,3 milhões de pessoas com diabetes, tanto do tipo 1 quanto do tipo 2, estimando-se
que haja ainda cerca de 5,7 milhões de pessoas que desconhecem apresentar a doença.
De acordo com o Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Crônicas Não Transmissíveis (Vigitel), em 2016, a frequência do diagnóstico médico de diabetes
foi de 7,8% entre homens e de 9,9% entre mulheres. Em ambos os sexos, o diagnóstico da
doença tornou-se mais comum com o avanço da idade, acentuando-se a partir dos 45 anos. Embora a aplicação de
Embora não haja números precisos sobre a incidência de diabetes tipo 1 no Brasil, estima-se insulina seja simples,
que cerca de 9% a 10% do total de casos sejam desse tipo. deve ser orientada por
um médico.
Tanto no diabetes tipo 1 como no diabetes tipo 2, observa-se poliúria

ANDREY_POPOV/SHUTTERSTOCK
(produção de muita urina) e perda de peso, além da presença de glicose
na urina e em alta quantidade no sangue. Mesmo não tendo cura, a doença
pode ser tratada e controlada, caso contrário pode acarretar sérios riscos,
como cegueira, problemas circulatórios e até a morte. A Sociedade Brasi-
leira de Diabetes aponta que a adoção de uma dieta balanceada e a prática
regular de atividades físicas são importantes para o controle da doença.
O diabetes tipo 1 é controlado com a aplicação periódica de insulina.
Biologia

Até o início da década de 1980, a insulina apenas era obtida da purifica-


ção de extratos do pâncreas de bois e porcos. Em alguns casos, a insulina
originária desses animais causava reações alérgicas nos pacientes. Com
o avanço dos conhecimentos sobre biotecnologia, esse cenário mudou
radicalmente, como explicaremos adiante.

85
8
Você sabia?
Biotecnologia
Podemos conceituar a biotecnologia como o conjunto de técnicas que per-
mitem, entre outros fins, o uso de microrganismos na produção de antibióticos e
outras substâncias de importância farmacêutica. Segundo a Convenção sobre Bio-
diversidade da ONU (Organização das Nações Unidas), “biotecnologia define-se
pelo uso de conhecimentos sobre os processos biológicos e sobre as propriedades
dos seres vivos, com o fim de resolver problemas e criar produtos de utilidade”.
A biotecnologia é uma área interdisciplinar, uma vez que envolve diferentes cam-
pos do conhecimento, como a Microbiologia e a Biologia molecular, a Química
orgânica e a Bioquímica, e a Engenharia bioquímica ou de bioprocessos.

A HISTÓRIA DA INSULINA
Para entender mais sobre organismos transgênicos, acompanhe um pouco da história
da descoberta e da produção de insulina, o hormônio utilizado no controle do diabetes.
O diabetes recebeu essa designação no século II d.C., na Grécia. Seu nome signifi-
ca “passar através de um sifão”, como referência à abundante produção de urina pelo
paciente, um dos sintomas da doença. Na mesma época, médicos indianos observaram
um fato curioso: frequentemente havia concentração de formigas em locais onde havia
urina de pacientes. Avaliaram esse fato, então, como indicativo da presença de açúcar.
Muitas contribuições para o conhecimento da doença foram feitas desde então, mas
o ano de 1921 é especialmente marcante, com a descoberta da insulina pelos médicos
canadenses Frederick Banting (1891-1941) e Charles Best (1899-1978), com o envolvi-
mento de outros cientistas. A aplicação de insulina em um jovem de 13 anos, bastante
debilitado pela doença, e sua consequente recuperação, trouxeram grandes esperanças
aos diabéticos. Esse trabalho recebeu, dois anos depois, o prêmio Nobel de Medicina.
A partir daí o desafio passou a ser o de viabilizar o fornecimento do volume de insu-
lina necessário aos diabéticos em todo o mundo. Vários laboratórios se interessaram em
suprir essa necessidade e logo começou a extração de insulina do pâncreas de bovinos
e suínos. O problema é que muitos pacientes apresentavam reações alérgicas à insulina
de origem animal, mesmo depois do desenvolvimento de técnicas de purificação.
O desenvolvimento da engenharia genética, mais especificamente da chamada técnica
do DNA recombinante, como veremos em seguida, resultou em uma radical mudança
de rumo na produção da insulina no começo dos anos 1980. Por meio dessa técnica, a
insulina também passou a ser produzida a partir da modificação do material genético
de uma bactéria, ou seja, com o uso de um ser vivo transgênico.
Atualmente, predomina o uso de insulina obtida a partir de bactérias transgênicas.
No entanto, ainda há a comercialização de insulina de origem animal. Portanto não po-
demos afirmar que todos os diabéticos utilizam o hormônio produzido em laboratório.

ATIVIDADE 1

1 Suponha que uma pessoa, aos 50 anos de idade, começa a apresentar sintomas de diabetes. Esse diabetes deve ser do
tipo 1 ou do tipo 2? Justifique.

86
8 Ensino Fundamental
2 Em um artigo publicado em 2018, o Doutor em Fisiologia Humana pelo ICB-USP (Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo), Prof. Mark Barone, comenta alguns resultados apresentados por uma pesquisa recente com
pacientes que possuem diabetes (DM) e/ou hipertensão (HT). Entre eles, destacou que:
“[...]
• A maioria dos entrevistados procura ter hábitos saudáveis: 87% tentam comer saudavelmente, 77% pro-
curam dormir 6-8 horas, 60% dão preferência a comidas frescas (embora apenas 10% estejam felizes com
seus hábitos alimentares e não gostariam de mudá-los);

• 59% admitem que o mais importante são hábitos saudáveis, enquanto apenas 12% veem a tecnologia
médica como o item faltante mais importante; [...]

• 70% dos com DM e 76% dos com HT estão em tratamento, sendo que 41-44% fizeram interrupções devido
a um ou mais dos seguintes fatores: falta de disciplina, decisão de parar depois de se sentir melhor ou
sofrer algum efeito colateral, e 12-15% nunca iniciaram o tratamento porque não acreditam que seja
importante; [...]”

Agir Estrategicamente para Combater as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (#DCNTs) Agora.
Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1635-agir-estrategicamente-para-
combater-as-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-dcnts-agora>. Acesso em: 30 ago. 2018.

O que se pode concluir a respeito do comportamento apresentado pelos pacientes com DM e HT?

DNA RECOMBINANTE E ENZIMAS DE RESTRIÇÃO


A técnica do DNA recombinante consiste, em termos gerais, na transferência de um
gene de um organismo para outro. Trata-se, portanto, da recombinação de DNA prove-
niente de diferentes fontes. Esse processo, no caso de aplicação para terapias em seres
humanos, envolve o isolamento de um gene humano capaz de produzir proteínas com
potencial terapêutico e sua introdução em uma linhagem celular animal, bacteriana ou
fúngica. Sistemas recombinantes podem ser induzidos, sob determinadas condições, a
produzir a proteína de interesse em grandes quantidades. Enzimas: são proteínas
O DNA é a molécula que carrega as informações para o funcionamento das células e, que auxiliam na
consequentemente, de todo o organismo. Entre essas informações, está a que diz respeito aceleração de reações
químicas no organismo.
à produção da insulina humana. Elas podem, por exemplo,
Por meio de enzimas conhecidas como enzimas de restrição, foi possível cortar atuar no processo de
digestão (chamadas
moléculas de DNA humano e isolar o gene responsável pela produção de insulina. enzimas digestivas),
Biologia

Utilizando a mesma técnica, foram cortados anéis de DNA (DNA circular) existentes facilitando a quebra de
nutrientes. Cada tipo de
no interior de algumas bactérias, chamados plasmídeos, e, no lugar do trecho corta- enzima tem uma ação
do, foi inserido o gene humano para a produção de insulina. Dessa forma, bactérias específica, atuando apenas
que receberam os plasmídeos contendo o gene da insulina humana passaram a ser em um determinado tipo
de reação.
capazes de fabricar esse hormônio.

87
8
A técnica de corte e união de fragmentos de DNA, principalmente em plasmídeos,
desenvolvida pelo cientista estadunidense Paul Berg e seus colaboradores nos anos
1970, foi considerada pioneira e conferiu a esse cientista, em 1980, o prêmio Nobel
de Química.
Acompanhe, na ilustração a seguir, o procedimento para obtenção de insulina a
partir das técnicas apresentadas.

Corte do plasmídeo da bactéria


1 por enzima de restrição

Corte do DNA a ser


2 clonado com a mesma
enzima de restrição

3
União do
Ligase plasmídeo com o
DNA a ser clonado Ligase

DNA recombinante
(plasmídeo + DNA a ser
clonado)

Introdução do DNA
4 recombinante na
bactéria hospedeira
Representação esquemática
da introdução de um gene DNA bacteriano
humano em uma bactéria pela
técnica do DNA recombinante. Multiplicação dos
As enzimas de restrição estão 5 plasmídeos recombinantes
representadas por tesouras, e divisão da bactéria
e a ligase, representada como
um tubo de cola, é a enzima
que repara e junta trechos Bactéria hospedeira com DNA
de DNA. (Elementos fora recombinante
de proporção entre si.
Cores fantasia.)

Como é relativamente fácil criar bactérias em larga escala, a produção da insulina


pôde ser expressivamente ampliada, ao mesmo tempo que seu preço ficou muito mais
acessível. Além dessas vantagens, a insulina produzida é idêntica à humana, não cau-
sando reações alérgicas.
A bactéria com o plasmídeo modificado com o gene da insulina humana passou, en-
tão, a ser considerada um organismo transgênico, uma vez que, a partir da manipulação
humana, recebeu um gene de outra espécie.

88
8 Ensino Fundamental
Todos os organismos que sofrem manipulação de seu material genético são con-
siderados organismos geneticamente modificados (OGMs). Portanto, um organismo
transgênico é um OGM, mas nem todo OGM é transgênico. Há manipulações feitas
no material genético de um organismo, como o silenciamento de um de seus genes
(passa a não se expressar mais) sem que haja nele a introdução de material genético
de outro organismo.
Apesar da polêmica gerada em torno dos organismos transgênicos, ironizada pelo
biólogo Fernando Reinach no artigo mencionado na abertura deste Módulo, essa técni-
ca demonstra importante potencial em vários campos do conhecimento. Esse potencial
vai desde a produção de vacinas até a melhoria da qualidade nutricional dos alimentos,
passando pela produção de medicamentos. Todos esses avanços, porém, exigem cautela
e muita pesquisa.

ATIVIDADE 2

1 No caso das bactérias transgênicas produtoras de insulina, como essa insulina chega aos seres humanos se é produzida
dentro dessas bactérias?

2 Em relação à polêmica estimulada pelo artigo do biólogo Fernando Reinach, o que ele quis dizer quando comenta, de
forma irônica, que não encontra a frase “Contém transgênico” tatuada nos diabéticos?

E QUANTO AOS OGMS NA ALIMENTAÇÃO?


O uso de organismos geneticamente modificados na alimentação humana não é
novo. Há muito tempo já se usam variedades manipuladas geneticamente ou modifi-
cadas de fermento biológico (fungos) para a produção de pães e massas (nem todas
essas variedades, porém, são transgênicas, por não haver transferência de genes entre
organismos de espécies diferentes).
Com relação ao emprego de transgenia nessa área, mais recentemente, foram criadas
plantas de interesse econômico com maior valor nutritivo, como feijão e milho, que
Biologia

duram mais tempo sem estragar e outras, ainda, que resistem ao uso de agrotóxicos
ou que produzem substâncias tóxicas para pragas. A Embrapa (Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária) vem desenvolvendo variedades de soja, feijão, cana-de-açúcar
e algodão resistentes a diferentes tipos de doenças, por meio dessa técnica. Nesse caso,
essas variedades são consideradas transgênicos.

89
8
A coagulação é um processo A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) produziu, em 2006, uma cabra
que, em condições normais, transgênica, cujo leite apresenta algumas proteínas humanas, que poderão ser utilizadas
ocorre quando há um corte
ou ferida com sangramento em diversos tratamentos, como a produção de fatores de coagulação do sangue para
par as
no organismo. Fragmentos pessoas com hemofilia. Descubra mais sobre essa condição no boxe a seguir.
de células presentes no
sangue, denominadas
plaquetas, são, em parte,
responsáveis por esse
processo, pois acumulam- Você sabia?
-se no local da ferida e
promovem a formação de O que é hemofilia?
uma rede proteica. Essa
rede é capaz de reter células A hemofilia é um distúrbio genético e hereditário que afeta a coagulação do
sanguíneas, formando
um coágulo. sangue. O sangue é composto por várias substâncias, onde cada uma delas tem uma
função. […] Existem 13 tipos diferentes de fatores de coagulação e os seus nomes são
expressos em algarismos romanos. Assim, existe desde o Fator I até o Fator XIII. […]
A pessoa com hemofilia apresenta baixa atividade do Fator VIII ou Fator
IX. Pessoas com deficiência de atividade do Fator VIII possuem hemofilia A,
enquanto aquelas com deficiência de atividade do Fator IX possuem hemofilia
B. Como esses fatores apresentam baixa atividade nessas pessoas, a formação da
coagulação é interrompida antes da produção do coágulo e, por essa razão, os
sangramentos demoram muito mais tempo para serem controlados.
A baixa atividade do Fator VIII ou do Fator IX é causada por mutações que
ocorrem no DNA, justamente nas regiões responsáveis pela produção dessas duas
proteínas. Quando essas mutações nos Fatores VIII ou IX acontecem, as proteínas
são produzidas com algumas alterações e por isso mesmo as suas atividades são
diminuídas.
Quem possui atividade do Fator VIII ou IX entre 5 e 40% tem o tipo de He-
mofilia caracterizada como LEVE. Quando a atividade do Fator varia entre 2 e 5%,
a pessoa tem Hemofilia MODERADA e quando a atividade do Fator é menor que
1%, a Hemofilia é GRAVE.
Os sintomas mais comuns da hemofilia são os sangramentos prolongados. Esses
sangramentos podem ser externos, como quando ocorrem cortes na pele, ou internos,
quando o sangramento ocorre dentro das articulações, dentro dos músculos ou em
outras partes internas do corpo.
[…] É importante lembrar que
REPRODUÇÃO/FEDERAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA

quando uma pessoa com hemofilia


se machuca, não sangra mais rápi-
do do que uma outra sem hemo-
filia, apenas permanece sangrando
durante um tempo maior e pode
recomeçar a sangrar vários dias
após um ferimento ou uma cirurgia.
Os cortes ou equimoses (manchas
roxas) superficiais não causam maio-
res problemas, em geral. [...]
Federação brasileira de hemofilia.
O que é hemofilia? Distúrbio genético
e hereditário que afeta a coagulação do
sangue. Disponível em: <http://www.
Cartaz da Federação Médica Brasileira hemofiliabrasil.org.br/hemofilia/o-que-e/>.
sobre o dia internacional da hemofilia. Acesso em: 21 jun. 2018.

90
8 Ensino Fundamental
Os estudos sobre o impacto dos alimentos transgênicos na saúde humana e no am- Monopólio: prática
biente ainda precisam ser bastante aprofundados, para que se evitem efeitos indesejáveis industrial ou comercial
abusiva que consiste em
a médio e a longo prazo. Além disso, algumas questões econômicas devem ser levadas um indivíduo ou grupo
em conta, como o monopólio de algumas empresas sobre as sementes geneticamente tornar-se possuidor
modificadas. Veja, no quadro a seguir, algumas das vantagens e desvantagens do uso de exclusivo de determinada
técnica ou produto,
alimentos transgênicos. podendo, na falta de
competidores, atribuir-lhes
um preço exorbitante.
Vantagens Desvantagens

Dependência dos agricultores em relação


Aumento de produtividade ao cultivar
às empresas que comercializam as
variedades mais resistentes às pragas.
sementes geneticamente modificadas.

Não está comprovado o fato de não


Diminuição da necessidade de uso de haver “contaminação” de outras espécies
agrotóxicos para evitar o ataque de pragas, com os genes introduzidos por meio de
e consequente redução da contaminação transferência horizontal (entre espécies
do ambiente. diferentes), o que poderia provocar o
desaparecimento de espécies nativas.

Não há comprovação de que alimentos


Alimentos mais duráveis e transgênicos não afetam a saúde humana;
nutricionalmente enriquecidos. existem indícios de que alguns deles
podem provocar alergias.

ATIVIDADE 3

1 Uma bactéria conhecida como Bacillus thuringiensis fabrica uma proteína que é tóxica para insetos. O gene responsável
pela produção dessa proteína foi isolado e incorporado ao material genético de uma espécie de algodão. Sobre isso,
pergunta-se:
a) Essa nova variedade de algodão, conhecida como “algodão bt”, pode ser considerada um organismo transgênico?
Justifique.

b) Qual seria a vantagem do cultivo dessa variedade de algodão?

c) Quais os potenciais riscos que essa variedade de algodão poderia oferecer ao ambiente em torno de sua plantação?
Biologia

91
8
EM CASA

1 Pesquise o papel do hormônio glucagon, sua relação com o pâncreas e com a insulina e estabeleça um esquema
em que apareçam essas relações.

2 Em relação à técnica do DNA recombinante, responda:


a) Quais as enzimas envolvidas nessa técnica e suas respectivas funções?
b) Por que bactérias ou outros organismos celulares são o alvo escolhido para a introdução de genes humanos de
interesse terapêutico?
c) Por que é possível utilizar a técnica do DNA recombinante em organismos tão diferentes quanto seres hu-
manos e bactérias?

3 Após a leitura da notícia a seguir, escreva um texto defendendo a sua opinião sobre esse tema.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, 28, um projeto de lei (PL-4148/2008) que acaba
com a obrigatoriedade de produtos informarem em seus rótulos a presença de elementos genetica-
mente modificados em suas composições.
A legislação atual exige que toda mercadoria traga em sua embalagem um símbolo indicando
conter componentes transgênicos – uma letra “T” maiúscula, dentro de um triângulo amarelo.
O projeto aprovado nesta terça-feira propõe que apenas produtos produzidos com mais de 1%
superior de ingredientes transgênicos serão obrigados a alertar o consumidor. [...]
CHAPOLA, Ricardo. Câmara aprova projeto que ‘camufla’ produtos transgênicos. O Estado de S. Paulo. 29 abr. 2015.
Disponível em: <https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,camara-aprova-projeto-
que-camufla-produtos-transgenicos,1678413>. Acesso em: 30 ago. 2018.

ATIVIDADE COMPLEMENTAR

Uma das principais críticas à expansão do uso de OGMs na agricultura é o risco de monopólio. Ao contrário das
promessas de benefícios econômicos e melhoria da vida dos agricultores, estes estariam enfrentando uma grave
dependência, e mesmo empobrecimento, ao assinarem contratos com as empresas que fabricam as sementes
transgênicas. Alguns desses contratos os proíbem de replantar as sementes produzidas em suas colheitas, o que
os obriga a comprar novas sementes transgênicas a cada plantio. Sobre isso, responda:
a) Em que consiste a prática do monopólio?
b) Qual é a sua opinião sobre essa situação e que soluções você vê para ela?

RUMO AO ENSINO MÉDIO

1 Assinale a afirmação correta a respeito da insulina:


a) trata-se de um hormônio produzido por uma glândula de função exclusivamente exócrina.
b) é uma substância que ativa um hormônio que regula a taxa de açúcar no sangue.
c) é um hormônio que está relacionado com a regulação do metabolismo corporal.
d) pode ser produzida a partir do açúcar extraído do pâncreas de bovinos e suínos.
e) causa reações alérgicas aos seres humanos se produzido por meio de biotecnologia.
92
8 Ensino Fundamental
2 (Enem)
Um novo método para produzir insulina artificial que utiliza tecnologia de DNA recombinante
foi desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília
(UnB) em parceria com a iniciativa privada. Os pesquisadores modificaram geneticamente a bactéria
Escherichia coli para torná-la capaz de sintetizar o hormônio. O processo permitiu fabricar insulina em
maior quantidade e em apenas 30 dias, um terço do tempo necessário para obtê-la pelo método tra-
dicional, que consiste na extração do hormônio a partir do pâncreas de animais abatidos.
Ci•ncia Hoje, 24 abr. 2001. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br (adaptado).
A produção de insulina pela técnica do DNA recombinante tem, como consequência,
a) o aperfeiçoamento do processo de extração de insulina a partir do pâncreas suíno.
b) a seleção de microrganismos resistentes a antibióticos.
c) o progresso na técnica da síntese química de hormônios.
d) impacto favorável na saúde de indivíduos diabéticos.
e) a criação de animais transgênicos.

3 (Enem) A Embrapa possui uma linhagem de soja transgênica resistente ao herbicida IMAZAPIR. A planta está pas-
sando por testes de segurança nutricional e ambiental, processo que exige cerca de três anos. Uma linhagem de
soja transgênica requer a produção inicial de 200 plantas resistentes ao herbicida e destas são selecionadas as
dez mais “estáveis”, com maior capacidade de gerar descendentes também resistentes. Esses descendentes são
submetidos a doses de herbicida três vezes superiores às aplicadas nas lavouras convencionais. Em seguida, as
cinco melhores são separadas e apenas uma delas é levada a testes de segurança. Os riscos ambientais da soja
transgênica são pequenos, já que ela não tem possibilidade de cruzamento com outras plantas e o perigo de po-
linização cruzada com outro tipo de soja é de apenas 1%.
A soja transgênica, segundo o texto, apresenta baixo risco ambiental porque
a) a resistência ao herbicida não é estável e assim não passa para as plantas-filhas.
b) as doses de herbicida aplicadas nas plantas são 3 vezes superiores às usuais.
c) a capacidade da linhagem de cruzar com espécies selvagens é inexistente.
d) a linhagem passou por testes nutricionais e após três anos foi aprovada.
e) a linhagem obtida foi testada rigorosamente em relação a sua segurança.

4 (Enem) Um geneticista observou que determinada plantação era sensível a um tipo de praga que atacava as flores
da lavoura. Ao mesmo tempo, ele percebeu que uma erva daninha que crescia associada às plantas não era des-
truída. A partir de técnicas de manipulação genética, em laboratório, o gene da resistência à praga foi inserido nas
plantas cultivadas, resolvendo o problema.
Do ponto de vista da biotecnologia, como essa planta resultante da intervenção é classificada?
a) Clone.
b) Híbrida.
c) Mutante.
Biologia

d) Dominante.
e) Transgênica.

93
8
Anotações

94
8 Ensino Fundamental
ANGLO
A força do leão está presente na coleção de Ensino Fundamental do Sistema Anglo de Ensino.
O desenvolvimento de competências e habilidades imprescindíveis para o aluno em sua vida
pessoal e profissional é o principal objetivo do material.
Em espírito colaborativo, a nova edição traz mudanças construídas a partir das sugestões de
professores, pais e alunos da rede.
Há mais propostas interdisciplinares, testes de múltipla escolha e novas seções: recursos que
enriquecem a aula e mantêm o interesse do jovem.
Por isso, desejamos valiosos momentos com a coleção. Bons estudos!

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