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2.

Reconhecimento (submissão): abdicar da resistência;


Teoria Geral do Processo 3. Transação (sacrifício): concessões recíprocas.

HETEROCOMPOSIÇÃO: solução determinada por um 3°.


MÓDULO 1: Sociedade e Tutela Jurídica Exemplos:
1. Arbitragem: jurisdição privada; litigantes determinam um 3° para ser o imparcial
 RELAÇÃO ENTRE O DIREITO E A SOCIEDADE: do conflito; decisão equivale à decisão judicial;
 Ordena e reprime comportamentos para discriminar grupos; 2. Jurisdição: Estado = Juiz (através de órgãos do Judiciário); soluções imparciais;
 Conflito é inerente à sociedade, e muitos deles precisam ser jurisdição pública.
administrados por segregar grupos;
 Para a teoria tradicional, o conflito surge:  “ONDAS RENOVATÓRIAS” - MAURO CAPELLETTI
 1) Quando quem poderia espontaneamente satisfazer a pretensão Problemas que permeiam os sistemas de justiça:
de alguém, mas não o faz; 1. Caro;
 2) Quando o sistema normativo impede a satisfação voluntária de 2. Lento;
uma pretensão; 3. Formalismo excessivo;
 Possíveis soluções ao conflito: 4. Litigiosidade represada.
 Consenso;
 Violência (ou ameaça de seu uso). 1° onda: remover obstáculos econômicos de acesso às estruturas oficiais de solução
de conflitos.
 LIDE BR: CF prevê direito fundamental à assistência jurídica e integral para quem
É o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. não possui recursos (art. 5°, LXXIV, CF/88);
Função essencial à justiça a prestar assistência integral gratuita:
 Pretensão: poder de exigir algo de alguém. defensoria pública (art. 134, CF/88);
Juizados de “pequenas causas” (juizados especiais) - art. 98; art. 24,
 FORMAS DE TRATAMENTO DOS CONFLITOS: X, CF/88;
AUTOTUTELA (AUTODEFESA): através do uso da força; coação física
ou moral; 2° onda: tutela de direitos coletivos e difusos.
Hoje: tentar resolver um conflito por meio da força é crime (art. 345, CP). “modernizar o sistema legislativo para não mais represar direitos
Características: coletivos/difusos;
1. Solução parcial do conflito (relativo a apenas uma das partes);
2. Solução determinada pela força ou ameaça de seu uso. 3° onda: o “modo de ser” do processo deve ser repensado.
Razões: excesso de formalismo (e é, consequentemente, mais caro) e déficit
AUTOCOMPOSIÇÃO: solução obtida consensualmente. de participação na construção da decisão do processo;
Não eliminar, mas visa tratar o conflito; “Processo democrático”, mas sem participação dos envolvidos;
Características:
1. Solução parcial do conflito; Correntes de modernização da justiça: “justiça multiportas” - valorização de
2. Solução determinada de modo consensual; formas consensuais de resolução de conflito (art. 3°, § 2°, CPC/15).
(art. 3°, § 2° e 3°, CPC/15). Mediação e conciliação;
Forma de, também, valorizar os métodos autocompositivos;
Resultados possíveis: Mediação:
1. Renúncia (ou desistência): abdicação da pretensão; - Relações continuadas;
- Perdura após solução do problema;
Dir.Processual = sistema interacional entre partes e tribunal;
Conciliação: Processo jurisidicional democrático:
- Ausência de vínculo anterior; Modelo liberal: maior valorização das partes; processo totalmente escrito;
- Relação finaliza e não irá perdurar no tempo; construção do processo = atribuição das partes; “juiz boca da lei”; Estado
abstencionista. Igualdade formal;
PRINCÍPIOS QUE OS NORTEIAM:
Modelo estado social (socialização processual): Estado provedor do “bem-
1. Independência: não subordinados ao juiz; estar social”; intervenção estatal para equilibrar desigualdades; juiz como
2. Imparcialidade (de conciliadores e mediadores); representante do Estado, assume protagonismo das partes; juiz mais atuante ->
3. Autonomia da vontade (das partes); menos desigualdades. Igualdade material, substancial;
4. Decisão informada: há elementos informativos mínimos para ser uma decisão
consciente; Modelo neoliberal: efetividade; apropriação da estrutura do Estado pelas
5. Oralidade; forças do mercado;
6. Informalidade;
7. Confidencialidade. Modelo cooperativo de processo (comparticipativo): hoje; deve existir
uma comunidade de trabalho entre partes e Tribunal; um fiscaliza o outro, de forma
 NORMA PROCESSUAL X NORMA MATERIAL que equilibre o processo e não o torne autoritário (como na socialiazação
processual); juiz “expectador de pedra”: analisa o conflito de forma distante e
MATERIAL: Disciplina a relação jurídica de direito material no que diz respeito à indiferente;
distribuição de bens da vida; (CC, CDC, CF, etc); Equilíbrio indispensável a um processo com garantias de índole
eminentemente processual;
PROCESSUAL: Disciplina o exercício da jurisdição, bem como a organização, Relação do processo com a constituição: a CF organiza o espaço público
estruturação e dinâmica do processo e dos direitos, deveres, facilidades e poderes (processo) por meio de garantias fundamentais; são os valores que conformam o
das partes dos juízes e daqueles que atuam no processo (como as partes se processo no Brasil.
comportam);
Garantias fundamentais + processo: Modelo Constitucional de Processo
3 grupos:
1. Normas de organização judiciária: Garantias:
a) Detemrina comarcas, varas, juízos daquela comarca, servidores, etc; 1. Função normativa: imperativa, vinculatória (ao processo);
2. Função normogenética: determina a criação de normas para evidenciar as
2. Normas procedimentais (rito): garantias fundamentais;
a) Sequência de atos ordenados para uma finalidade; 3. Função de bloqueio/paralização: normas incompatíveis com as garantias não
produzem efeitos válidos.
3. Normas processuais em sentido estrito:
a) Disciplinam direitos, deveres, poderes e faculdades daqueles que atuam no
processo.

 MODELO CONSTITUCIONAL DE PROCESSO:  PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS (MODELO CONSTITUCIONAL DE


(princípios constitucioanais do processo) PROCESSO)
4.Fundamentação das decisões judiciais - (art. 41, CPC; art. 489, II, CPC/15; art. 93,
1. Princípio do devido processo legal (due process of law) - art. 5°, LIV, CF/88. IX, CF/88)
“Princípio mãe”; Juiz deve apontar razões de fato e de direito;
Assegura ao indivíduo submetido a um processo a necessidade de que exista Forma de as partes fiscalizarem as ações do juiz.
um procedimento previamente estabelecido, cercado de garantias mínimas (forma de
controlar arbitrariedade do juiz); ***art. 389, §1°, CPC/15: pseudomotivação.
Dimensão formal: procedimentos (rito) dotados de garantias mínimas;
Dimesão material: proporcionalidade e razoabilidade das decisões (de 5.Inafastabilidade do controle jurisdicional (universalidade da jurisdição) - art. 5°,
acordo com o caso concreto); as dimensões se complementam; XXXV, CF/88
Importante por se opor ao período ditatorial, no qual exisitam leis que
2. Isonomia (princípio da igualdade) - art. 5°, caput, CF/88 (igualdade formal) limitavam o acesso ao judiciário;
Tratamento com equilíbrio; BRASIL: sistema de jurisdição una (“palavra final” é do judiciário);
“Paridade de armas” relação entre jurisdição e proc. Administrativos (pode ser levado ao judiciário);
Principal litiganete do judiciário brasileiro: PODER PÚBLICO;
***art. 1048, CPC/15: prioridade de tramitação (tratamento desigual para Não há obrigatoriedade de tramitação administrativa (exceção:
compensar desigualdade já existente; igualdade material) justiça desportiva - só pode ir ao judiciário após se esgotar as instâncias adm.);
Exceções pacíficadas pelo STF: habeas data; ações
3. Contraditório e ampla defesa - art. 5°, LV, CF/88 previdenciárias (deve-se esgotar as vias administrativas antes de impetrar tais
“Alma” do processo; ações);
Pertinente a processo judicial e administrativo;
Coisa julgada administrativa: indiscussabilidade em âmbito
Formal: a) Direito de Informação: citação (art. 238, CPC/15); intimação administrativo (mas ainda passível de revisão judicial);
(art. 269, CPC/15). Direito da parte de ser informada da existência do processo e que Sistema dual: o que se discute no administrativo não pode ser levado ao
ele pode, posteriormente, alterar sua condição jurídica. judiciário;

b) Direito à Reação: possibilidade de defesa e trazer a visão da parte sobre os TUTELA REPARATÓRIA: mais comum; já houve lesão ao direito;
fatos. busca-se o judiciário para retornar ao status quo ante; resposta jurisdicional após
ocorrência de dano.
Material ou substancial: direito de influência e de ter os seus argumentos
considerados; não há contraditório se a parte não influencia na decisão do julgador; TUTELA PREVENTIVA: resposta estatal que assegura o direito para que
não haja lesão; ex: questões ambientais, busca e apreensão de bens, liminares, etc.
MOMENTO:
Regra geral: exercido antes da decisão (antecipado) Acesso à justiça: forma reparatória ou preventiva; não só por meio do
1. Antecipado; judiciário, mas também nos sistemas multiportas.
2. Postecipado (diferido): exceções; após a prárica do ato (art. 9, parag. Único,
CPC/15) para não atrapalhar a investigação (exemplo).

*** Decisão surpresa (decisão de 3° via): (art. 10, CPC/15). as partes não tiveram
possibilidade de se manifestar; decisão é nula; exceção: contraditório 6.Razoável duração do processo (celeridade processual) - art. 5°, LXXVIII, CF/88
postecipado.
A demora ao proferir uma decisão pode implicar o perecimento do direito, C) Prevenção: quando perceber que há algum risco de prosseguir com o processo
gerar instabilidade e condições extra-processuais sérias aos envolvidos; situação (ex: petição inicial incorreta), deve comunicar à parte antes de tornar nulo o
desgastante e impeditiva; processo;
Não deve demorar excessivamente; D) Auxílio: dever de remover obstáculos encontrados pelas partes; não é assumir
Relacionado aos demais princpios do modelo constitucional de processo: a posição compensatória, mas remover obstáculos para que a parte faça a ação por si
decisão também não deve ser instantânea. Deve-se amadurecer, mas de forma própria; por indisponibilidade de fatores externos, e não incompetência.
razoável;
Tendências do Brasil para impedir demora improdutiva dos processos: 10. Boa-fé objetiva - art. 5°, CPC/15
A) Jurisprudências; Norma de conduta; cláusula geral;
B) Inteligência artificial. Protege expectativas; “jogar conforme as regras do jogo”;
Aplica-se a todos.
7.Publicidade processual - art. 93, IX, CF/88
Garantia de contenção dos abusos pelo Poder Judiciário; 11. Economia processual
Assegura transparência; Evitar despêndio de energia desnecessário;
Publicidade não apenas às partes, mas a todos;
Regra: publicidade ampla; 12. Instrumentalidade das formas - art. 188 , 277 e 283, CPC/15
Segredo de justiça: art. 189, CPC/15. Processo não é fim em si mesmo, mas um meio para alcançar um objetivo;
Antes: questão de controle. Hoje: problemas pela hiperpublicização. Se o ato não foi praticado conforme a forma, mas o objtivo fora alcançado
→ ato válido.
8. Respeito à coisa julgada - art. 5°, XXVI, CF/88
COISA JULGADA: decisão já proferida, não mais sujeita à recurso;  TRIPÉ DO DIREITO PROCESSUAL: Jurisdição, Ação e Processo.
“transitou em julgado’;
Objetivo: oferecer segurança ao que já foi decidido; JURISDIÇÃO
Fim dos recursos → trânsito em julgado → execução de sentença. - Exercida predominantemente pelo Estado;
- Logo, manifestação de sua soberania;
9. Cooperação processual (comparticipação) = “Dizer o direito”; aplicação do direito existente ao caso concreto; caráter
Dinamicidade e equilíbrio na atuação das partes e do juíz; constitutivo do direito;
Forma de eliminar protagonismo das partes/do juíz; - Função exercida por um órgão independente e imparcial, que usa a vontade da lei
“Grupo de trabalho’: todos os atores são responsáveis pelo rumo do na justa composição da lide/proteção de interesses particulares.
processo;
DIERLE: “desdobramento do princípio do contraditório”, uma vez que  Características:
assume “contraditório” como um diálogo genuíno entre os atores processuais.
A) Substitutividade
DEVERES DO MAGISTRADO EM RELAÇÃO ÀS PARTES Como forma heterocompositiva, substitui a vontade das partes pela vontade
de um 3° imparcial.
A) Esclarecimento: quando o juiz não compreender o que foi apresentado pelas
partes, possui o dever de questionar; B) Imperatividade/inevitabilidade
B) Consulta: quando há um ponto relevante no processo e as partes não se Jurisdição = manifestação de poder;
manifestam, o juiz deve provocá-los para que exerçam o papel de influência antes da Não há como impedir a decisão jurisdicional sob o caso; as partes estão
decisão; (art. 9°, CPC/15). vinculadas à decisão.
C) Criativa/declaratória
Ao disciplinas casos, o legislador faz metade do “trabalho” e a outra metade G) Indelegabilidade
é encargo do juiz. O juíz não pode delegar/transferir sua função a outro (exceto atos
processuais específicos), sobretudo transferir a decisão.
D) Técnica de direitos mediante o processo
A jurisdição possibilita a verificação/certificação/identificação do direito H) Inevitabilidade
contravertido. Decisão jurisdicional é uma imposição.

E) Insuscetibilidade de controle externo I) Garantia do juízo natural - art. 5°, LIII, CF/88
Atos do Poder Judiciário apenas podem ser revistos pelo mesmo; Ninguém será processsado/sentenciado senão pelo órgão competente;
Controle jurisdicional é interno (sistema recursal); Para assegurar imparcialidade, há regras para distribuir competências.

F) Aptidão para coisa julgada Impedimento: quando o juíz declara-se incapaz para julgar por aproximidade entre
Decisão tomada pelo Judiciário não é passível de modificação. uma das partes;
Mais grave;
 Princípios: Absoluta nulidade do julgamento;
Não há preclusão - pode ser julgado a qualquer tempo (art. 144, CPC/15).
A) Investidura
Para exercer a função jurisdicional, o indivíduo (juíz) deve ser investido de Suspeição: quando o juiz não se pronuncia sobre proximidade;
jurisdição (art. 93, CF/88: concursos públicos, nomeação). A parte tem um prazo para alegá-la e, se não o fizer, o juíz julga
normalmente; art. 145, CPC/15.
B) Unidade
A jurisdição é una;  CLASSIFICAÇÃO DOS “TIPOS” DE JURISDIÇÃO
Impõe-se limites ao seu exercício de acordo com a competência.
Jurisdição contenciosa X Jurisdição voluntária
C) Aderência ao território
Todo órgão jurisdicional tem uma base territorial na qual pode decidir de CONTENCIOSA:
forma válida; Disputa; litígio em torno de um bem da vida;
Condição para exercer jurisdição de forma legítima.
VOLUNTÁRIA:
D) Inércia - art. 2°, CPC/15 Situações que simplesmente precisam de chancela judicial (ex: divórcio com
A iniciativa do processo é sempre conferida às partes; filho menor de idade; interdição e nomeação de curador; naturalização, etc);
Forma de conferir imparcialidade do julgador; Juiz integra a vontade das partes. Logo, não possui função substitutiva, mas
Após a iniciativa, o juíz deve impulsionar o processo. sim integrativa;
O processo já começa com um acordo, e cabe ao juíz homologá-lo;
E) Inafastabilidade - art. 5°, XXXV, CF/88; art. 3°, CPC/15. Não há lide;

F) Indeclinabilidade 1. Predominância do princípio inquisitivo (juiz tem mais liberdade para agir); pode
Uma vez em juízo, o julgador (Estado) não pode deixar de julgar a instaurar processo ex officio;
pretensão. 2. Julgamento pode se dar por juízo de equidade (art. 723, CPC/15).
Natureza jurídica: Jurisdição Comum X Jurisdição Especializada

1° corrente: CLÁSSICA/ADMINISTRATIVA ESPECIALIZADA: possuem peculiaridades; Trabalho, Eleitoral e Militar.

Inexiste lide/conflito; COMUM: Federal (art. 109, CF/88) e Estadual (residual).


Inexiste parte;
Não há substutividade; Jurisdição Individual X Coletiva X Massificada/serial
Não é jurisdição (mas sim uma atividade administrativa exercida pelos juízes para
integrar a vontade das partes); MASSICADA: meio termo das outras duas; fato que eclode em vários indivíduos e
Há, na verdade, interesse processual presumido (uma vez que para alterar a enseja a mesma queixa; otimiza prestação jurisdicional (ex: recursos repetitivos,
esfera jurídica das partes que buscaram a justiça “voluntariamente”, não há como ser etc).
feito de outra forma).
 Arbitragem
2° corrente: REVISIONISTA Lei 9.307/96;
Solução heterocompositiva (3° imparcial = árbitro);
Para haver atividade jurisdicional, não é indispensável que haja conflito; “Meio privado e alternativo de solução/jurisdição de conflitos decorrentes de
Indispensável a potencialidade de existir um conflito. dir. Patrimoniais e disponíveis por meio de um árbitro, que apresentará uma
sentença arbitral que constitui título executivo judicial”;
Jurisdição Cível X Jurisdição Penal Decisão arbitral possui mesma autoridade e força vinculatória do que
judicial (e o juiz não pode alterá-la);
PENAL: visa apurar e punir crimes ou contravenções penais.
Vantagens: decisão em menos tempo;
CÍVEL: residual (família, propriedade, execução tributária, etc); Ausência de formalidade excessiva do processo judicial;
O que não é penal ou processual penal; Pode-se ser julgado por equidade (senso de justiça do árbitro) e pode-se
Não é só dir. Civil (ex: dir. Administrativo). eleger o direito aplicável (ex: de outros países, tratados, etc);
Partes podem optar por decisão sigilosa;
Princípio da independência entre as instâncias civis, penais e administrativas Mais barato.
As decisões de uma área não afeta a outra;
Um fato pode abrangir todas as esferas, mas cada uma lidará com ele de Características:
forma independente; 1. Nasce da autonomia das partes - NJ pactuado;
Instâncias judicias se influenciam reciprocamente. a) Art. 3°: (...) por meio de convenção de arbitragem (gênero):
Exemplos: cláusula promissória (art. 4°) e compromisso arbitral, art. 9°,
Sentença penal condenatória (art. 91, CPC/15): Fixa responsabilidade penal → (espécies);
reparação de dados (cível) - pode haver liquidação de sentença para apurar valor 2. Quem pode se submeter à solução arbitral (art. 1°):
devido. a) PF capazes;
b) PJ;
Sentença absolutória: absolvição no sistema penal não necessariamente culmina na c) Administração pública direta e indireta (art. 1°, § 1°).
absolvição cível. 3. Litígios passíveis de solução arbitral:
a) Art. 1°: Direitos patrimoniais disponíveis.
4. Possibilidade de escolha do direito aplicável
a) Direito escrito (legalidade) ou equidade (art. 2°), a critério das Não percebeu que provocar o Estado para uma resposta já é direito de ação.
partes e desde que não viole ordem pública. *hoje: provocar a jurisdição não quer dizer que seu pedido será provido;
b) §3° Se envolver adm. Pública, será sempre de direito e respeitará o * existindo ou não direito material, haverá ação.
princípio da publicidade.
5. Quem pode ser árbitro (art. 13°) 3. Teoria do Direito Potestativo (CHIOVENDA)
a) Capaz e de confiança das partes (pode ser uma instituição); Direito da ação consiste no poder de atrair o réu ao processo;
6. Desnecessidade de homologação judicial (art. 18°)
a) Árbitro é juiz de fato e de direito: tem poder para avaliar provas e 4. Teoria Abstrativista (DENGEKOLB E PLOZ)
decidir;
7. Equiparação da sentença arbitral às decisões judiciais (art. 31°). 5. Teoria Eclética (LIEBMAN)
8. Sentença arbitral = título executivo judicial (art. 515, VII, CPC/15). Qualquer pessoa pode acionar o judiciário, mas para que o pedido seja
apreciado, necessário que se preencha as condições da ação, analisadas levando em
AÇÃO conta o direito controvertido;
- Forma de provocar a função jurisdicional; “Filtro” para evitar que demandas levianas conseguissem chegar até
- Direito de exigir do Estado. o fim do processo;
“A ação é um direito público subjetivo, autônomo e abstrato de exigir a Contemporaneamente: condições para proferir decisão de mérito
prestação jurisdicional do Estado”. (análise do pedido) - se não está de acordo com certos elementos, não analisa-se.

DP: a ação se volta em face do Estado (mesmo que o direito pleiteado seja privado);  CONDIÇÕES DA AÇÃO
Subjetivo: é uma faculdade daquele que vive violação ou ameça do seu direito (e 1. Legitimidade da parte (ad causam)
não uma obrigação); Pertinência subjetiva da demanda;
Autônomo: o direito de provocar/exigir do Estado a prestação jurisdicional não se
confunde com o direito material discutido; 2. Interesse de agir
Abstrato: existe independentemente do direito material controvertido. Movimentar via jurisdicional deve trazer resultado útil e necessário;

 DAS TEORIAS SOBRE A AÇÃO 3. Possibilidade jurídica do pedido


Se há vedação no ordenamento para acolher pretensão (não é mais considerado uma
1. Teoria Civilista/Imanentista (SAVIGNY) condição).
A ação está aderida ao direito material;
Ação é uma face que se move quando da controversão do direito; - A ausência de pelo menos uma condição da ação culmina na carência de ação.
Não havia autonomia entre ambos; Consequência: juiz profere sentença terminativa (não resolve o mérito).
“A todo direito existe uma ação que o assegura”;
“Dir. Material em movimento”; Sentença definitiva: análise do mérito pelo juiz (após “passar pelo juízo de
Não era direito público pois se confundia com a pretensão. admissibilidade da demanda; antecedente lógico)
*hoje: dir. De ação existe ainda que não exista direito material.
 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DA DEMANDA
2. Teoria Concretista (WACH) I. Condições da ação;
Ação é direito público e subjetivo; II. Pressupostos processsuais.
Só existia dir. De ação quando a sentença fosse favorável ao autor
(procedência dos pedidos); - Constituem matéria de ordem pública, e, por isso, o juiz poderá analisar de ofício e
Não explicava improcedência dos pedidos; em qualquer grau de jurisdição;
- Se faltar qualquer requisito de admissbilidade: senteça terminativa: sem análise de Se não concordar: processo segue em face do réu originário. Se o autor
mérito. estiver errado, extingue-se o processo sem resolução de mérito (art. 338, CPC/15).
1° Condição da ação: possibilidade jurídica do pedido (não está mais no CPC)
Quando no ordenamento não ha impedimentos para acolher o pedido;
Problema: na prática, não era possível distinguir o pedido juridicamente Legitimidade ordinária: indivíduo vai à juízo em nome próprio, para interesse
impossível de improcedência do pedido. próprio;

2° Condição da ação: interesse de agir Legitimidade extraordinária (substituição processual): indivíduo vai à juízo em
Quando se movimeta o Judiciário, deve-se lograr resultado útil, necessário; nome próprio defender interesse alheio;
Utilidade/necessidade do pedido deve perdurar até o momento da sentença;
Não se movimenta a máquina pública para “saber se está certo”. Representação processual: indivíduo vai à juízo em nome alheio, defender
interesse alheio; autonomia para agir limitada (ex: AGU e autarquias);
Interesse-utilidade: melhoras para a condição da parte;
Interesse-necessidade: via jurisdicional é indispensável para se obter o que Sucessão processual: “A” deixa de ser parte e “B” entra (ex: em ação de alimentos
se espera; e o pai morre → os outros filhos assumem).
Interesse-adequação: devo me valer do instituto processual correto para
obter a tutela do meu interesse.  TEORIA DA APRESENTAÇÃO X TEORIA DA ASSERÇÃO

3° Condição da ação: Legitimidade processual “ad causam” Apresentação: condições da ação precisavam ser comprovadas. Consequência:
Pertinência subjetiva da demanda; dilação probatória. Minoritária; não aplicada no judicial;
“Problema de quem?”
Análise da relação material controvertida para determinar os legitimados; Asserção: juiz deve realizar análise hipotética, tomando como verdadeiras as
Polos: afirmações feitas pelo autor na petição inicial e, assim, analisar as condições.
Ativo: autor do processo; provoca o Judiciário; quem pede.
Passivo: réu; de quem se pede.  CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES

Ordinária (REGRA): existe coincidência entre as partes que configuram a I. Conhecimento


relação jurídica material com as partes que figuram no processo. Objetivo: acertar o direito material controvertido; com o andamento do
Extraordinária/ substituição processual (art. 18, CPC/15): o ordenamento processo, o direito ficará evidente/certo.
pode autorizar alguém a discutir direito alheio; Ingresso na demanda com informação incerta;
Não há coincidência entre partes de direito material e as que figuram no Característica: ampla dilação probatória; forma-se coisa julgada.
processo (ex: MP ingressar com ação de alimentos. MP é o substituto do filho);
Os efeitos da decisão alcançam o substituído; A) Declaratórias:
art. 18, §ún: o substituído pode intervir como assistente litisconsorcial. Objetivo: afastar dúvida; não cria, apenas reconhece o que já existia. “ex tunc”

CPC/73: se errasse a legitimidade, tinha o processo extinto sem resolução de mérito; B) Constitutiva/desconstitutiva:
CPC/15: se o autor indicou o réu erroneamente, este pode indicar quem deveria estar Objetivo: criar/modificar/extinguir relação jurídica; decisão judicial muda status;
em seu lugar. “ex nunc”. ex: ação de naturalização.
Se o autor concordar: sucessão processual (o indicado ocupa o lugar de
réu); C) Condenatória/executiva:
Objetivo: acertar o direito e determinar o cumprimento da obrigação (dar, fazer e Fundamentos jurídicos: considera-se leis, princípios implícitos e explícitos
não fazer); da CF;
Execução: busca-se provimento executivo por parte do Estado, para I. Próxima (constitui fundamentos jurídicos do pedido);
concretizar o que está no título executivo. Judicial: sentença; Extrajudicial: CDA, II. Remota (composta pelos fatos).
cheque.
Juiz deve concretizar o direito previsto no título.
Estado age por coerção (ex: possibilidade de ser preso se não pagar pensão) ou Teoria da substanciação: causa de pedir é composta por fatos mais fundamentação
subrogação (Estado substitui atividade que o executado deveria fazer; mais jurídica.
relacionado à obrigação de pagar. Art.139, IV, CPC/15). Juiz não está vinculado à fundamentação jurídica feita pela parte - ao julgar
Hoje: mescla-se. a causa, faz reconstrução fática de fundamentos (feita de parte comparticipada;
“fusão de horizontes”).
*ação cautelar: objetivo de assegurar resultado prático do processo; visa resguardar
processo decorrente da demora. Cognição sumária; análise superficial do juiz. 3. Pedido
Um dos princípios basilares do processo;
II. Dúplice Análise do pedido = análide de mérito;
A ação de uma é “contra-ataque” da outra. Extra, ultra e infra petita = nulo;
Ex: o juiz julgar a guarda da mãe procedente automaticamente julga Toda a atividade processual gravita sobre o pedido.
improcedente a do pai;
Questão de quem propôs primeiro. Pedido imediato: providência jurisdicional pleiteada (ex: condenação, declaração,
revisão, etc);
 ELEMENTOS DA DEMANDA Pedido mediato: bem da vida pretendido.
Permitem individualizar/distinguir uma demanda da outra;
“Idêntica”: repete-se os elementos de outra demanda. CARACTERÍSTICAS/REQUISITOS DO PEDIDO:

1. PARTES 1. Certo (art. 322, CPC/15)


2. CAUSA DE PEDIR Expresso, explícito na petição inicial;
3. PEDIDO Exceção: pedido implícito (não foi expressamente pedido, mas é julgado por
determinação judicial; autorizado por lei. Ex: condenação a honorários advocatícios;
1. Partes juros legais; correção monetária).
Quem participa do processo em contraditório;
Quem formula pedido e quem tem pedido formulado contra si; 2. Determinado (art. 324, CPC/15)
Mais de uma parte em um/nos polos: litisconsórcio (ativo, passivo ou Coisa mensurada quanti e qualitativamente;
misto); Ex: quanto devo/quero receber por indenização de danos morais.
Ser parte = sofrer os resultados da decisão judicial; está-se vinculado ao Exceção (§1°: pedido genérico): não mensura-se quantidade que pretende
processo; por não ter condições naquele momento (ex: quando o ilícito ainda gera efeitos -
Normalmente, quem é parte da relação jurídica de direito material é parte do acidente; documentos que estão na posse do réu; ações universais).
processo (exceto leg. Extraordinária).
3. Claro
2. Causa de pedir 4. Coerente
Fatos e fundamentos jurídicos do pedido (não basta pedir, deve-se formular
razões de fato e de direito na petição inicial); CUMULAÇÃO DE PEDIDO:
Mais de um pedido formulado em uma demanda; “Teoria das exceções processuais e pressupostos processuais”: base do
Pode e deve fazê-lo (economia processual). Direito Processual.

Cumulação própria: em tese, possível que todos meus pedidos sejam deferidos; Relação jurídica entre três sujeitos: juiz, autor e e réu (distribuição de tarefa entre os
Cumulação imprópria: alguns são acolhidos e outros não (formulou-se mais de um três, com papéis distintos e complementares).
por precaução, mesmo sabendo que não será deferido). Relação entre juiz e partes não se confunde com relação de direito material
Cumulação própria simples: pedidos independentes entre si (ex: cumulação de (ex: obrigação de pagar e direito de decisão fundamentada; juiz imparcial;
danos morais e materiais). contraditório).
Cumulação própria sucessiva: há uma cadeia de pedidos para se reconhecer o
pedido x; o anterior deve ser julgado procedente (ex: reconhecimento de paternidade Subdivisões da teoria:
e pagamento de alimentos); se um for julgado improcedente, os demais caem
(relação de prejudicialidade). 1) Teoria triangular do processo (mais defendida)

Cumulação imprópria subsidiária (art. 326, CPC/15): há hierarquia entre os Juiz


pedidos; para analisar o pedido subsidiário, é indispensável que se avalie o principal
(ex: pedido de absolvição; se não, que pelo menos reduza a pena).
Cumulação imprópria alternativa: não há hierarquia entre os pedidos juiz pode
acolher um ou outro; (ex: que me entregue o pedido ou o dinheiro de volta). relação
relação
Requisitos para cumulação (art. 327, CPC/15):
Compatíveis entre si;
O juízo deve ser competente para conhecer ambos os pedidos; Autor relação Réu
Procedimento adequado a todos os tipos de pedido.
2) Teoria angular

DO PROCESSO Juiz

“procedere” = movimento; avanço.

 TEORIAS SOBRE O PROCESSO (natureza jurídica do processo)

A) Processo como contrato (Pothier)


Origem: direito romano; Autor Réu
Abandonada;
Direito processual não tinha autonomia científica na época. (não há vínculo entre autor e réu; interações entre eles era mediada pelo juiz);
**CPC/15: maior valorização de convenções processuais - partes podem ajustar
B) Processo como quase-contrato direitos, deveres, ônus e faculdades processuais, além do procedimento; distribuição
Origem: direito romano; de tarefas deve ser feita da forma mais democrática.

C) Processo como relação jurídica (Oskar von Bulow; 1868) *aspecto substancial do processo: relação jurídica travada entre juiz, autor e réu.
Majoritária;
Procedimento: sequência ordenada de atos.
Para autores da teoria da relação jurídica: procedimento = aspecto
extrínseco ao processo.
Forma como o processo se exterioriza, “ganha corpo”.

D) Processo como situação jurídica (Goldschmit)


Processo = conjunto de situações jurídicas;
As condutas do sujeito não se desviam de vínculos, mas da lei;
Há possibilidade, expectativa e ônus (a praticar ato processual x, da forma
correta, a expectativa de ser vencedor é maior).
Ônus/carga: vários ônus no processo, no qual há “espaços” para
livrar-se deles (forma de melhorar chances).
Início do processo: incerteza. Passar do tempo, com atos favoráveis:
livra-se dessa carga e chances aumentam.

E) Processo como procedimento em contraditório (Fazzalari)


2° teoria mais aceita;
O contraditório é um elemento que especializa o processo;
Elemento nuclear em “processo”, que não existe sem participação
do afetado.

Procedimento: aspecto lógico: um ato desencadeia o subsequente. Logo, deve ter


correspondência com os atos que o prcederam.

Sentença deixa de ser ato do juiz, mas ato que reflete a cadeia lógica daquele
procedimento.

 PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
3 planos: validade, existência e eficácia.

Existência: se há problema, não há processo.


Subjetivos: sujeitos da ação (juiz e parte - não é, necessariamente, pessoa).
Objetivos: existência da demanda/pedido

Validade:
Subjetivos: i) juízo competente (segundo regras objetivas, claras e pré-
definidas); objetivo: impartialidade.
ii) partes (aptidão para praticar atos processuais independentemente
de assistência ou representação, pessoalmente ou por pessoas indicadas pela lei);
capacidade postulatória (ad causam).
(continua...)

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