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ESTADO CONSTITUCIONAL: ANÁLISE ENTRE O POLITICO E O DIREITO 1

Jonas de Souza Oliveira2

RESUMO

Analisar o Estado constitucional através do aprofundamento jurídico-político. Os


objetos de estudo do direito constitucional e da ciência política são os mesmos, estatuto
jurídico do político e o político, respectivamente, assim como os problemas, mas exige uma
análise com novos paradigmas, novos modelos e novos saberes, que permitem denominar esse
novo contexto como pós-modernidade. Detalhamentos permitem observar os conceitos
centrais de direitos constitucionais, como Estado, o próprio termo Constituição, lei, nação e
território. Ademais, estabelece aplicação da política na busca para definição de objetivo, no
uso de escolhas e meios necessários para solucionar um problema advindo da realidade
natural e social do homem.

Palavras-chave: Estado. Teoria Constitucional. Constituição

1 INTRODUÇÃO

No curso de Direito constitucional, o professor Canotilho (1993) aborda os objetos da


ciência política e do próprio Direito constitucional, o estudo do político e o estudo do estatuto
jurídico do político, respectivamente. Aprofunda o conhecimento sobre aplicação do termo
político, que pode ser externo (pode ser usado por outros vocábulos) ou quando seu uso não
dispensa o próprio qualificativo de político, neste caso a busca do sentido fica insuficiente,
sendo necessário a elaboração de objetos políticos.
Caracteriza o direito constitucional como direito político. Dito de outra forma como
estatuto jurídico do político. Termo constituição do Estado é limitado, visto que os efeitos
normativos das constituições ultrapassam a esfera do Estado, da mesma forma não se pode
considerar apenas a constituição convertida em “código” da sociedade civil. Portanto, o
estudo da constituição deve se relacionar com o âmbito político e social.

1
Artigo elaborado à disciplina Hermenêutica Jurídica ministrado pelo Professor Me. Dimas Salustiano da Silva
para obtenção da 1ª nota.
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Aluno do Curso de graduação de Direito da Universidade Federal do Maranhão – UFMA. Endereço eletrônico:
souza_jso@hotmail.com
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A ideia da organização constitucional do Estado começou a ganhar vulto no século


XVIII com o chamado movimento constitucional, impulsionado pelas revoluções americanas
e francesas. No entanto, a gênese do constitucionalismo britânico é apontada como a pré-
história constitucional.
Para Marx Weber, o Estado é uma empresa política de caráter institucional que possui
o monopólio do uso legítimo da força física dentro de determinado território.
Na definições de funções, os Estados constitucionais são os que dispunham de uma
ordenação estadual plasmada num documento escrito, garantidor de liberdades e limitador do
poder mediante o princípio da divisão de poderes. (CANOTILHO, 1993)
Diante disso, a presente pesquisa tem por objetivo analisar o Estado constitucional
através de um aprofundamento jurídico-politico.

2 CONCEITOS CENTRAIS DO DIREITO CONSTITUCIONAL

Ao longo dos últimos 50 anos, os problemas que se deparam os estudiosos do direito


constitucional e da ciência política permanecem os mesmos, no entanto surgem contexto e
espaço discursivos diferentes. Enfrentam desafios não mais considerados modernos, e sim
pós-moderno. Canotilho (1993) indaga que tais desafios trazem consigo novos paradigmas,
novos modelos e novos saberes ao campo do direito constitucional.
Canotilho (1993) destaca a importância da abordagem dos conceitos centrais para
início dos estudos em direito constitucional e ciência política, como “Constituição”, “Estado”,
“Lei”, “Democracia”, “Direitos Humanos”, “Soberania”, “Nação”. Tais termos são chamados
pelo referido autor como “palavras viajantes”, por estar presente desde o início a viagem do
constitucionalismo. São elas: constituição; Estado; lei; território e Estado-Nação.
Constituição é uma ordenação sistemática e racional da comunidade política,
plasmada num documento escrito, mediante o qual se garantem os direitos
fundamentais e se organiza, de acordo o princípio da divisão de poderes, o poder
político”. (CANOTILHO, 1993, p. 3).

Essa ideia é complementada considerando a constituição como um pacto fundador


estabelecido pela condensação das ideias de um projeto racional. Estabelece que há uma
diferença de contexto diferentes para a concepção de direito constitucional, entre o moderno,
considerado um conjunto normativo “activo” e “finalístico”, regulador e directivo da
sociedade, e o pós-moderno, que se coloca de forma oposta, e destaca como direito reflexivo
auto-limitado. Canotilho (1993, p. 5) completa com a seguinte definição de direito
constitucional pós-moderno:
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A Constituição é um estatuto reflexivo que, através de certos procedimentos, do


apelo a auto-regulações, de sugestões no sentido da evolução política-social, permite
a existência de uma pluralidade de opções políticas, a compatibilizações dos
dissensos, a possibilidade de vários jogos políticos, a garantia da mudança através da
construção de rupturas.

O conceito de Estado traz as seguintes características ou elementos constitutivos:


territorialidade; população; politicidade. Destaca-se que na pós-modernidade, o Estado é
caracterizado pela perda do centro, e reconhecido como uma composição de sistema com
sistemas autônomos e multipolar.
“A lei é um acto normativo geral e abstracto editado pelo Parlamento, cuja finalidade
essencial é a defesa da liberdade e propriedade dos cidadãos. ” (CANOTILHO, 1993, p. 06)
Em termos simples, Canotilho (1993) demonstra a representação constitucional do
Estado-Nação: um centro político (o Estado), conformado por normas (normas da
Constituição) que exerce a “coação física legítima” (poder) dentro de um território nacional.

3 O POLÍTICO COMO OBJETO DO DIREITO CONSTITUCIONAL

Canotilho (1993) verifica a necessidade da compreensão do conceito de político, uma


vez que o objeto de estudo da Ciência Política é o político e o do Direito Constitucional é o
estatuto jurídico do político.
A aplicação rotineira do termo política permite relacioná-la com a definição de
objetivos, uso de escolhas e meios necessários para solucionar um problema advindo da
realidade natural e social do homem. Isso aproxima esse termo da ideia de estratégia adotada
para solucionar questões especificas de um agrupamento humano.
Através dos diversos objetos políticos delimita-se um universo – universo político -,
definido por Canotilho (1993, p 21) como: “o espaço socialmente constitutivo de contradições
e agregação de interesses, regulado por titulares do poder político que dispõem do monopólio
da coação física legítima. ”
Canotilho (1993, p 23) destaca também o conceito normativo-ontológico de político:
política é o campo das decisões obrigatórias, dotadas de autoritas e de potestas, que
têm como escopo o estabelecimento e conservação da ordem, paz, segurança e
justiça da comunidade. Trata-se de um conceito; (i) normativo: porque não tem
como referente uma realidade empiríca, existente e determinada, antes acentua a
ideia de acção política, orientada para a realização de certos actos e fins, através da
qual o homem consegue uma existência humana, verdadeira e justa; (ii) ontológica,
porque reconhece os valores e os princípios reais pertencentes à área do ser.

A dimensão da juridicidade do político é confirmada ao se verificar que muito das


ações políticas são orientadas por regras normativas (regras jurídicas). O direito constitucional
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é o direito para o político, com regras escritas ele é o estatuto jurídico do político. Por conter
os princípios políticos constitucionalmente estruturantes, prescreve a forma e estrutura do
Estado e a forma e estrutura de governo, as competências e as atribuições constitucionais dos
órgãos de direção política, e ao determinar os princípios, formas e processos fundamentais da
formação da vontade política dos órgãos-constitucionais.
No estudo do Estado, Canotilho (1993) destaca como ele perspectivar-se como forma
de racionalização e generalizações do político das sociedades moderna. Esse estudo não visa
reduzir o “político” ao Estado, mas para conceber este como uma categoria racional do
político.
Canotilho (1993, p. 30) explica a diferenciação do Estado como modelo de domínio
político da seguinte forma:
a estadualidade, como forma soberana de domínio, interna e externa, territorialmente
organizada, secularizadamente justificada, burocraticamente administrada,
centralmente estruturada, plurisubjetivamente constituída, normativamente
disciplinada e regularmente financiada por impostos, é considerada como um
momento decisivo do processo de desenvolvimento político

Estado concebe-se hoje como Estado constitucional democrático, porque ele é


conformado por uma lei fundamental escrita (constituição juridicamente constitutiva das
“estruturas básicas da justiça) e pressupõe um modelo de legitimação tendencialmente
reconduzível à legitimação democrática.

3.1. Político e sistema político

O sistema político constituirá um subsistema social que pode ser definido como um
sistema organizado de interações, cuja eficácia assenta na aliança entre o monopólio
tendencial da coerção e a procura de uma legitimidade mínima. O sistema político é um
sistema de interações múltiplas, situado e aberto, constituído por vários outros sistemas.

3.2. O sistema jurídico

Ao tratar como o direito forma um sistema, Canotilho (1993) enfatiza três modos de
como isso ocorre: (1) quando as normas se reconduzem a uma única fonte de produção; (2)
quando um complexo de normas deriva materialmente de uma única norma e (3) quando se
reconduz, formal e procedimentalmente, a uma idêntica norma fundamental.

3.3. O trilátero mágico: poder-norma-domínio


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As normas jurídicas são criadas por um poder(es) de natureza injuntiva; o poder


político concebe-se como uma modalidade de interação social; a um nível profundo, o poder
político assenta em estruturas de domínio, entendendo-se por domínio a distribuição
desigualitária das bases de poder e a articulação do domínio com o poder pressupõe esquemas
de mediação ou modos de racionalidade mediadora essencialmente revelados por normas
juridicamente vinculantes. (Canotilho, 1993)

4 O SENTIDO, ESTRUTURA E FUNÇÃO DA CONSTITUIÇÃO

Relaciona-se a seguir a plurisignificatividade do conceito de constituição: constituição


como fonte de direito - sentido verificado no âmbito histórico, cuja as constituições imperiais
romanas eram fonte escrita de direito com valor de lei, não apresentava o sentido de
constituição de Estado; a constituição como modo de ser da comunidade - sentido emprestado
por Aristóteles, que significa o próprio modo de ser da polis, ou seja, a totalidade da estrutura
social da comunidade; a constituição como organização jurídica do povo; a constituição como
lex fundamentalis (são leis de natureza superior); a constituição como ordenação sistemática e
racional da comunidade política através de um documento escrito
A constituição deve consagrar um sistema de garantias da liberdade (reconhecimento
de direitos individuais e da participação dos cidadãos nos atos do poder legislativos através
dos parlamentos. Além disso, contém o princípio da divisão de poderes, no sentido de
garantias orgânica contra os abusos dos poderes estaduais e a constituição deve ser escrita.
O Estado constitucional tem vários significados com as seguintes etapas lógicas: (1)
Estado de legalidade formal; (2) Estado do direito material; (3) Estado de justiça; (4) Estado
constitucional com divisão de poderes e o (5) Estado constitucional parlamentar.
Ademais, Canotilho (1993) ressalta as seguintes funções da lei constitucional:
estabelecem a modelação da estrutura organizatória dos poderes políticos; racionalização e
limites dos poderes públicos; fundamentação da ordem jurídica da comunidade através de
medidas materiais, que, por sua vez, são fornecidas pelo catálogo de direitos fundamentais e
fornecimento de linhas e programas de ação à política.
De uma forma tendencialmente esquemática, pode dizer-se que as normas
determinantes de competências, as normas de processo, as normas de organização e as normas
catalogadoras de direitos, liberdades e garantias esgotavam a tipologia clássica. Atualmente, a
estrutura programática exige uma complementação tipológica, falando-se de normas-fim e
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normas-tarefas (normas programáticas), de imposições constitucionais e de imposições


legiferantes.

5 CONCLUSÃO

A evolução do conceito de Estado constitucional é de extrema importância para o


estudo do direito, pois além da compreensão do conceito, ajuda a situar-se na conjuntura atual
da estrutura estatal.
Ademais, é necessário compreender a comunidade como um sistema social, dito isto
verifica-se que a comunidade se apresenta como um “sistema de interações”: as relações entre
os indivíduos são caracterizadas pelo fato de suas ações se encontrarem numa relação
recíproca e obedecerem a determinados modelos de conduta.
Dito isto, podemos assumir que o Estado constitucional passou por redefinições e
evoluções, que nos trouxeram até aqui, cuja evolução permite reconhecer a normatividade da
constituição, a limitação de poder, a fundamentação da ordem jurídica da comunidade e um
programa de ação. Estas funções têm como justificativa a relação entre o poder político e o
direito.
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REFERÊNCIAS

CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional. 6. ed. rev. Coimbra: Livraria
Almedina, 1993

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